ISSN 1886-8576

REVISTA IBEROAMERICANA DE PSICOLOGÍA DEL EJERCICIO Y EL DEPORTE
Vol. 8, nº 2 pp. 281-299

SISTEMA DE OBSERVAÇÃO DA COMUNICAÇÃO PROXÉMICA DO
INSTRUTOR DE FITNESS (SOPROX-FITNESS):
DESENVOLVIMENTO, VALIDAÇÃO E ESTUDO PILOTO
Susana Mendes Alves1, José Jesus Fernandes Rodrigues1, Marta Castañer
Balcells2, Oleguer Camerino Foguet2, Pedro Jorge Richheimer Marta de
Sequeira1, Luís Alberto Dias Carvalhinho1, Vera Alexandra da Costa
Simões1 y Susana Carla Alves Franco1
Escola Superior de Desporto de Rio Maior1, Portugal e Institut Nacional
d’Educació Física de Catalunya-Universitat de Lleida, España2.

RESUMO: Este estudo foi realizado com o propósito de desenvolver e validar o
Sistema de Observação da Comunicação Proxémica do Instrutor de Fitness, assim
como realizar uma aplicação piloto do mesmo. No processo de desenvolvimento
e validação do novo sistema de observação foram consideradas cinco fases
sequenciais. No final deste processo foi estabelecida a validade e fiabilidade de 5
dimensões e 23 categorias de comportamento proxémico dos instrutores, criandose a versão final deste sistema de observação. Esta versão do sistema foi aplicada
num estudo piloto a uma amostra de 12 instrutores de fitness de quatro atividades
de grupo distintas. Os resultados indicam que o comportamento proxémico dos
instrutores pode ser codificado com recurso ao Sistema de Observação da
Comunicação Proxémica do Instrutor de Fitness, tendo sido realizada uma análise
comparativa acerca da sua intervenção nas diversas atividades, ainda que com
uma amostra reduzida.
PALAVRAS-CHAVE: comportamento, comunicação não-verbal, exercício,
aptidão física.
Manuscrito recibido: 22/01/2013
Manuscrito aceptado: 12/04/2013
Dirección de contacto: Susana Alves. Escola Superior de Desporto de Rio Maior. Av. Dr. Mário
Soares, 2040-413 Rio Maior. Portugal.
Correo-e.: salves@esdrm.ipsantarem.pt

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J. Esta versión del sistema fue aplicada en un estudio piloto con una muestra de 12 instructores de fitness de cuatro diferentes actividades de grupo. así como llevar a cabo una aplicación piloto de lo mismo. fitness. KEY WORDS: behavior. exercise. V. VALIDACIÓN Y ESTUDIO PILOTO RESUMEN: Este estudio se realizó con el propósito de desarrollar y validar el Sistema de Observación de la Comunicación Proxémica del Instructor de Fitness. En el proceso de desarrollo y validación del nuevo sistema se ha considerado cinco fases distintas. communicación no verbal. P. Los resultados indican que lo comportamiento cinésico dos instructores se pueden codificar a través del sistema de observación de la Comunicación Proxémica del Instructor de Fitness. ejercicio. nº 2 (2013) . At the end of this process. 282 Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. nonverbal communication. having been held a comparative analysis about its intervention in the various activities. Al final de este proceso se estableció la validez y fiabilidad de cinco dimensiones y 23 categorías de comportamiento proxémico dos instructores. J. Mendes Alves. During the development and validation process of the new observation system it was employed five sequential phases.S. Vol. habiendo sido realizado un análisis comparativo acerca de su intervención en las distintas actividades. SISTEMA DE OBSERVACIÓN DE LA COMUNICACIÓN PROXÉMICA DEL INSTRUCTOR DE FITN ESS (SOPROX-FITN ESS): DESARROLLO. The results indicated that instructor proxemics behaviour could be feasibly coded with the Observational System for the Proxemic Communication of the Fitness Instructor. criando-se la versión final del sistema de observación. acondicionamento físico. M. Carla Alves Franco OBSERVATIONAL SYSTEM FOR THE PROXEMICS COMMUNICATION OF THE FITNESS INSTRUCTOR (SOPROX-FITNESS): DEVELOPMENT. O. as well as conduct a pilot application of the same. Castañer Balcells. 8. albeit with a small sample size. J. A. L. aunque con un tamaño de muestra pequeño. Camerino Foguet. A. This version of the observational system was applied in a pilot study conducted in a sample of 12 fitness instructors from four different group-exercise classes. Dias Carvalhinho. PALABRAS CLAVE: conducta. VALIDATION AND PILOT STUDY ABSTRACT: The purpose of this study was to develop and validate the Observational System for the Proxemic Communication of the Fitness Instructor. da Costa Simões y S. Richheimer Marta de Sequeira. Fernandes Rodrigues. it was established the validity and reliability of 5 coding dimensions and 23 categories of instructor proxemics behavior to create the final version of the observational system.

8. vários praticantes). já que os instrutores estão grande parte do tempo em comunicação (Franco. estando o individuo situado fora do círculo mais imediato das restantes pessoas. colocando-se a uma distância de carácter pessoal e social relativamente aos praticantes. tocar ou sussurrar. Tendo em conta este referencial teórico. Anguera e Jonsson (2010. 2008) em condições onde a deslocação pelo espaço e a proximidade física e emocional com os praticantes são por vezes difíceis de operacionalizar (e. enquanto “todos os aspetos da comunicação que vão para além das palavras ditas ou escritas” (Knapp e Hall. foi possível verificar que os professores de educação física inexperientes nem sempre fazem um uso eficiente do espaço de ensino. o instrutor pode posicionar-se à frente da classe com o intuito de dar instrução ao grupo. nº 2 (2013) 283 . 2011) com professores de educação física.g. poderá ser utilizada para a autoanálise dos Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. 3) distância social (1. Camerino. Rodrigues e Balcells. validação e estudo piloto A comunicação não-verbal.5 m) – utilizada durante a interação entre conhecidos. contribuindo para uma melhor comunicação e. este estudo centra-se na análise da comunicação proxémica dos instrutores de fitness em contexto real de ensino das atividades grupo. consequentemente. integra diferentes subdomínios de expressão. p. A existência de uma ferramenta de observação desta natureza. impossibilitando o toque. salas grandes. eficácia do processo de ensino. Nestes estudos. 2) distância pessoal (45 . posicionando-se no centro dos alunos quando a atividade é realizada para a classe em geral ou é direcionada para pequenos grupos.45 cm) – que permite o contato físico para abraçar.120 cm) – utilizada durante a interação com amigos próximos. adaptada para o contexto das atividades de grupo de fitness. definida inicialmente por Hall (1963) como sendo o estudo da utilização e perceção do espaço físico durante as interações com os outros. conforme visto em conferências. com recurso ao Sistema de Observação da Comunicação Proxémica (SOPROX) desenvolvido para o contexto do ensino da educação física. 32). 2010. Esta dificuldade representa um verdadeiro desafio para os instrutores levando-os a modificar a sua localização no espaço com frequência. As diferentes relações espaciais estabelecidas podem assim ser planeadas como parte da estratégia de ensino. o instrutor pode deslocar-se ao longo da sala e interagir a uma distância próxima com algum praticante. ao passo que os professores experientes se posicionam na periferia. 4) distância pública (acima de 3. Vol. No entanto. durante o controlo da execução dos exercícios. Dos poucos estudos encontrados sobre a comunicação proxémica no contexto de ensino destacamos os realizados recentemente por Castañer.2-3.Sistema de Observação da comunição proxémica do instructor de fitness (soprox-fitness): desenvolvimento.5 m) –utilizada para falar em público. Um desses subdomínios é o da comunicação proxémica. De acordo com Knapp e Hall (2010) é possível identificar quatro tipos de distâncias sociais: 1) distância íntima (0 . Por exemplo. no sentido de dar um feedback individualizado. O interesse por esta temática nasce de uma necessidade sentida no “terreno”.

Desta forma. 2012. Tendo em conta estas preocupações e considerando a importância da comunicação proxémica no contexto das atividades de grupo de fitness. nº 2 (2013) . Hernández-Mendo. Dias Carvalhinho. Yates e Williams. Díaz-Martínez e Morales-Sánchez. a aprendizagem dos instrutores menos experientes. o processo de desenvolvimento e validação do SOPROX-Fitness foi realizado de acordo com as cinco fases propostas na metodologia de Brewer e Jones (2002). Mesquita e Maia. 2012). codificadas com recurso ao sistema inicial de observação da comunicação proxémica. J. 2011). P. 2012. Garganta e Anguera. J. Richheimer Marta de Sequeira. Camerino Foguet. Carla Alves Franco instrutores. demonstrando a consolidação de conceitos. V. O. como referem Farrington-Darby e Wilson (2006). Assim. 2004). 2008). Cushion. Considerando a natureza diferenciada destes dois objetivos. permitindo a melhoria do seu processo comunicativo.. Vol. Fernandes Rodrigues. 2010.S. Prudente. Mendes Alves. Castañer Balcells. 2011. 8. 2010) e no contexto do fitness (Franco et al. da Costa Simões y S. Garganta. as quais têm sido aplicadas no desenvolvimento e validação de sistemas de observação no contexto desportivo (Cushion et al. assim como a realização de uma aplicação piloto deste novo sistema de observação. permitindo dessa forma. Fase 1: Treino dos observadores e testagem da fiabilidade inter e intra-observador relativamente ao sistema de observação original Esta fase teve como objetivo assegurar que quem adaptou o instrumento o conhece na íntegra na sua versão original. este estudo objetivou o desenvolvimento e validação de um sistema de observação que avalie a comunicação proxémica dos instrutores de atividades de grupo. foram visionadas as aulas de três instrutores de fitness. por se considerar que ajudará à compreensão de cada procedimento utilizado.. Após a apresentação do desenvolvimento do sistema de observação prosseguimos com a apresentação da metodologia e dos resultados do estudo piloto. Ford. No desenvolvimento e validação de um sistema de observação é essencial que a metodologia adotada seja transparente (Cushion et al. Greco. M. Harvey. 2010. seguindo a mesma opção adotada noutros estudos com o mesmo objetivo (Costa. procedimentos e metodologia inerente ao sistema de observação. L. iremos na secção destinada ao método descrever as fases de desenvolvimento e validação do sistema de observação em conjunto com os resultados obtidos em cada fase. A.. desenvolvido e validado para o 284 Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. Esta ferramenta poderá também ser utilizada no desenvolvimento de investigações futuras que identifiquem os comportamentos caraterísticos dos instrutores experientes. J.. Método de desenvolvimento e validação do SOPROX-Fitness Para o desenvolvimento e validação do SOPROX-Fitness partiu-se do Sistema de Observação da Comunicação Proxémica (SOPROX) desenvolvido para o contexto do ensino da educação física (Castañer et al. A. Muir e Lee.

Frente em Perfil). Posição Fixa Bípede) ou em deslocamento no espaço (i. Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. Frente em Espelho). Desta forma. os sistemas de observação devem ser ajustados ao contexto específico de atuação para aumentar a sua validade e fiabilidade. foram seguidos os pressupostos metodológicos propostos por Baesler e Burgoon (1987). designadamente. Tendo em conta que o treino inicial do observador é importante para determinar a fiabilidade e objetividade de um instrumento de observação sistemática (Brewer e Jones. morfologias e graus de abertura. Frente em Correspondente) e à frente orientados de perfil mas no campo de visão dos praticantes (i. 2010. Armour e Hoff (2000). atrás. validação e estudo piloto contexto da educação física (Castañer et al. indicando excelentes índices de concordância (Fleiss. tendo-se mantido as restantes orientações contempladas no sistema de observação original.. 8. ou seja.e. de uma forma fixa (i. verificouse a necessidade de acrescentar algumas categorias. 1981) e sustentando a existência de um conhecimento prévio adequado do sistema original.Sistema de Observação da comunição proxémica do instructor de fitness (soprox-fitness): desenvolvimento. 1960). A partir destas observações iniciais verificou-se a necessidade de proceder a adaptações. ou seja.e. 2002) foi adotada a metodologia de treino de observadores proposta por Mars (1989). ventral e lateral. Vol. Esta diversidade de posições corporais advém das caraterísticas dos exercícios que são efetuados nas várias atividades de grupo existentes no contexto do fitness. Posição Bípede com Deslocamento).789 e 1 para a fiabilidade inter-observadores e . à direita e à esquerda dos praticantes para quem comunicam. no meio.e. Ao nível da dimensão que se refere à postura corporal adotada pelo instrutor no espaço (i. foram realizadas várias observações piloto em diferentes atividades de grupo com o SOPROX. verificou-se que os instrutores adotam a posição bípede mas de forma diferenciada. Jones. Orientação). a identificação e afiliação das categorias às respetivas dimensões. 2011) e testadas as fiabilidades inter e intra-observadores através do cálculo do índice de concordância Kappa de Cohen (Cohen. Brewer. Os valores de Kappa obtidos nesta fase ficaram compreendidos entre . já que os instrutores colocam-se à frente orientados de frente e no campo de visão dos praticantes (i. Verificou-se também que os instrutores adotam posições fixas do tipo deitado dorsal. nº 2 (2013) 285 .e. bem como a enunciação das definições. Fase 2: Aperfeiçoamento do sistema de observação para o contexto das atividades de grupo de fitness De acordo com Potrac. Na inclusão destas novas categorias de análise.e.808 e 1 na fiabilidade intra-observadores.e. Assim. à frente orientados de costas e no campo de visão dos praticantes (i.e. na dimensão que se refere à localização espacial do instrutor relativamente aos praticantes para quem comunica (i. Transição). seguindo as recomendações de Tuckman (2002).

Montoro.) “Existe algum elemento importante que tenha sido omisso nas categorias de comportamentos?”. J. Importa referir que estas alterações foram introduzidas por consenso geral do grupo de desenvolvimento. Desta forma. Para tal. Kaplan e Saccuzzo. dois observadores treinados de acordo com a metodologia de Mars (1989) efetuaram separadamente a visualização e respetiva codificação de um vídeo de aulas de grupo de fitness. para cada categoria. Todos os especialistas validaram o sistema de observação. o sistema de observação foi submetido a dois painéis de especialistas para um processo de revisão independente. Desta forma. iii. da Costa Simões y S.. M. 2010.. foram colocadas a ambos os painéis as seguintes questões: i. ii. de forma a não existir acesso aos registos de ambos. 2011. devido ao facto de a palavra “ausente” pressupor a não presença do instrutor. três docentes do ensino superior com o doutoramento realizado na área da observação) sendo o outro painel constituído por três especialistas em atividades de grupo de fitness (i. Vol. na categoria “Locomoção” da dimensão “Transição” a palavra “movimenta-se” foi substituída por “circula”. J. Carla Alves Franco Fase 3: Validação facial do novo sistema de observação por especialistas Um instrumento tem validade facial quando as suas dimensões e categorias aparentam ser relevantes e estão de acordo com o propósito do teste (Brewer e Jones. Hernández-Mendo. Um dos painéis foi constituído por três especialistas em observação sistemática (i. Fernandes Rodrigues.) “Existe algum elemento que não seja importante que tenha sido erradamente incluído nas categorias de comportamentos?”.e. foram corrigidas questões semânticas nalgumas definições de categorias.e. P. 2012). No seguimento deste processo. nº 2 (2013) . ou seja. 2002. de acordo com a metodologia proposta por Brewer e Jones (2002) e que têm sido comummente utilizada em estudos que visam o desenvolvimento e validação de sistemas de observação (Costa et al. Fase 4: Fiabilidade inter-observador relativamente ao novo sistema de observação Esta fase pressupõe o teste da objetividade das definições atribuídas às categorias de comportamentos.S. HernándezMendo. Castañer Balcells. Reina e Fernández-García. uma vez que a palavra “movimenta-se” poderia provocar ameaças à exclusividade da categoria “Posição Bípede com Deslocamento”. Anguera. verificar se diferentes observadores codificam os mesmos comportamentos observados nas mesmas categorias. L. 2005. A. J. instrutores de fitness com mais de 10 anos de experiência na lecionação de atividades de grupo e ligados à formação superior de instrutores de fitness). V. nomeadamente: na categoria “Distanciado” da dimensão “Interação” a palavra “ausente” foi substituída por “abstraído”. pretendeu-se testar a consistência das observações. A. tendo no entanto feito algumas sugestões de melhoria. O. 2008). após as revisões efetuadas nas fases anteriores. Richheimer Marta de Sequeira.) “O conjunto de elementos descritos reflete os comportamentos proxémicos dos instrutores de fitness nas aulas de grupo?”. 8. Hernández-Mendo et al. Camerino Foguet. Gorospe. Dias Carvalhinho. Mendes Alves. Seguindo as recomendações de Brewer e Jones (2002). A partir das sugestões dadas pelos especialistas. e Martínez de Santos. foi calculado o índice de 286 Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte.

. Gorospe et al. revelando que o sistema de observação é consistente e que o observador-investigador codifica da mesma forma os comportamentos dos instrutores de atividades de grupo de fitness. o observador-investigador visionou o mesmo vídeo em duas ocasiões distintas. 2012). validação e estudo piloto concordância através do teste Kappa de Cohen (Cohen.750 e 1. Em todas as categorias registaram-se valores de Kappa superiores a . Para cada categoria do novo sistema de observação foram obtidos valores de Kappa superiores a . variando entre .. Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. sendo o valor mínimo de . Estes valores revelam a existência de níveis elevados de fiabilidade inter-observadores (Fleiss. 2005. Estes resultados indicam a existência de excelentes índices de concordância (Fleiss. conforme proposto por Brewer e Jones (2002) e aplicado noutros estudos que visam o desenvolvimento e validação de sistemas de observação (Costa et al. nº 2 (2013) 287 . 1960). Cushion et al. 8. 1981). 2011. a qual é composta por 5 dimensões de análise e 23 categorias. como proposto por Mars (1989)...Sistema de Observação da comunição proxémica do instructor de fitness (soprox-fitness): desenvolvimento. Hernández-Mendo et al. 2012. Este procedimento foi realizado através da técnica de teste-reteste.750 em todas as categorias de análise. 766 e máximo de 1. Assim sendo. indicando que as variáveis do sistema de observação são consistentes e objetivas.. A Tabela 1 apresenta a versão final do SOPROXFitness. independentemente do momento. 2010. Vol. Fase 5: Fiabilidade intra-observador relativamente ao novo sistema de observação O teste da fiabilidade intra-observador pretende verificar a existência de estabilidade temporal nas observações.750. distando as observações uma semana (7 dias). Hernández-Mendo et al. 1981).

J. Orientação: Refere-se à localização espacial do instrutor relativamente aos praticantes. O instrutor encontra-se à frente dos praticantes. DIA Topologia: Refere-se à localização espacial onde o instrutor se encontra na sala. ou de joelhos. Fernandes Rodrigues. orientado de frente para o campo de visão dos praticantes. ou que indica uma separação. existindo contacto físico com os praticantes. O instrutor está deitado lateral ou em outra posição lateral sem se deslocar. O instrutor está localizado na zona central da sala. Atitude corporal que revela que o instrutor está envolvido no que se passa na aula. Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. embora possa movimentar os seus segmentos corporais. MIC mas não com toda a classe. orientado de lado para estes. L. sem se deslocar. A. O instrutor encontra-se numa área à direita dos praticantes. O instrutor está deitado dorsal ou em outra posição dorsal sem se deslocar. Atitude corporal que revela que o instrutor está envolvido no que se passa na aula. nº 2 (2013) . O instrutor encontra-se atrás dos praticantes. Castañer Balcells. Categorias Macro-grupo Micro-grupo Díade Código Descrição Quando o instrutor comunica com toda a classe. relativamente aos praticantes. O instrutor está sentado sem se deslocar. O instrutor encontra-se numa área à esquerda dos praticantes. O instrutor está encostado a uma estrutura. Dias Carvalhinho. M. Richheimer Marta de Sequeira. V. Interação: Refere-se à atitude corporal que indica o grau de envolvimento do instrutor com os praticantes para quem comunica. J. sem existir contacto físico com os praticantes. O instrutor está em pé realizando os deslocamentos enquadrados no próprio exercício. embora possa movimentar os seus segmentos corporais. O instrutor está em pé. da Costa Simões y S. embora possa movimentar os seus segmentos corporais. Camerino Foguet. Distanciado DIS Integrado INT Contacto Táctil CT Atitude corporal que revela que o instrutor está ausente do que ocorre na aula. J. Mendes Alves. para quem comunica. fora do seu campo de visão. Periférica Central P C O instrutor está localizado na zona periférica da sala. Carla Alves Franco Tabela 1 Sistema de Observação SOPROX-Fitness. À Frente em Espelho À Frente em Correspondente À Frente em Perfil Atrás FE No meio NM À direita À esquerda DIR ESQ Bípede com Deslocamento Posição Fixa Bípede Posição Fixa Sentada Posição Fixa Dorsal PBD Posição Fixa Ventral PFV Posição Fixa Lateral PFL Locomoção LOC Suporte SU Transição: Refere-se à postura corporal adotada pelo instrutor no espaço. A. Vol. O. orientado de costas relativamente ao campo de visão dos praticantes. ou agachado. material ou pessoa. 8. O instrutor encontra-se à frente dos praticantes. O instrutor encontra-se no meio do espaço ocupado pelos praticantes. O instrutor circula pela sala com o objetivo de se deslocar ao longo do espaço. P. 288 FC FP AT PFB PFS PFD O instrutor encontra-se à frente dos praticantes. MAC Quando o instrutor comunica com um grupo de praticantes. embora possa movimentar os seus segmentos corporais. Dimensão Grupo: Refere-se ao número de praticantes para quem o instrutor comunica. quer física quer em termos de olhar ou atitude. embora possa movimentar os seus segmentos corporais.S. O instrutor está deitado ventral ou em outra posição ventral sem se deslocar. Quando o instrutor comunica com apenas um aluno.

o qual foi já anteriormente apresentado na Tabela 1. DP = 0. 2002). nº 2 (2013) 289 . para além de que contavam com uma experiência profissional como instrutor de fitness de 6 a 26 anos (M = 9. Hernández-Mendo e Losada. ii) serem licenciados em condição física e saúde no desporto. que permite o registo formal e análise de comportamentos e ações motoras em contexto natural (Anguera.50. de forma a uniformizar a experiência dos instrutores.52) e experiência na lecionação da atividade de 5 a 17 anos (M = 8. Blanco. Participantes Participaram no estudo piloto 12 instrutores de fitness portugueses (i. Anguera. Vol. DP = 5. Blanco e Losada.14). considerando que a taxonomia definida por Berliner (1994) e o estudo realizado no contexto do fitness (Simões. 2003). Os instrutores tinham idades compreendidas entre os 24 e os 48 anos (M = 31. 2001).49). 3 instrutores de Indoor Cycling e 3 instrutores de Hidroginástica) que aceitaram fazer parte desta investigação e que cumpriam os critérios de inclusão definidos: i) serem do género feminino. Nalbone. 1983). DP = 3. Franco e Rodrigues. pontual (P) e multidimensional (M) (Anguera. Materiais e procedimentos A recolha dos dados foi efetuada sempre mediante um pedido prévio de autorização ao responsável do ginásio. seguidamente será apresentado o estudo piloto realizado com a versão final do SOPROX-Fitness.75) com uma frequência semanal de 3 a 4 sessões (M = 3. DP = 6. 2009). já que o género dos sujeitos poderia influenciar a comunicação proxémica dos instrutores (Kennedy e Camden.25. Relativamente ao desenho observacional. validação e estudo piloto MÉTODO Estando o processo de desenvolvimento e validação concluído. bem como aos instrutores e praticantes envolvidos. 8. uma vez que alguns estudos apontam para o facto da formação inicial poder influenciar a atuação profissional dos treinadores/professores (Malek. 2011. 3 instrutores de Localizada.Sistema de Observação da comunição proxémica do instructor de fitness (soprox-fitness): desenvolvimento. Todos Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. este estudo caracteriza-se por ser ideográfico (I). O estudo piloto enquadra-se no âmbito da metodologia observacional (Anguera. Instrumentos Para a análise da comunicação proxémica dos instrutores foi utilizado o Sistema de Observação da Comunicação Proxémica Fitness (SOPROX-Fitness). Berger e Coburn.67.83. 3 instrutores de Step. iii) terem pelo menos 5 anos de experiência como instrutor de fitness. iv) terem pelo menos 5 anos de experiência na lecionação da respetiva atividade com uma frequência mínima de 3 sessões semanais. 2009) que indicam a experiência profissional como determinante para o comportamento dos instrutores.e.

82). imagem e som) foram realizadas com recurso a uma câmara digital.92.72). seguida pelas atividades de Indoor Cycling (M = 4. verifica-se que a maioria das intervenções não-verbais gestuais foram dirigidas para a classe (i. 8. Para o visionamento e registo das ocorrências foi utilizado o programa informático LINCE (Gabín. Dias Carvalhinho.e. Castañer Balcells. sendo o seu conteúdo posteriormente transferido para o disco rígido de um computador.45). Hidroginástica (M = 4. Carla Alves Franco os instrutores deram o seu consentimento informado para fazerem parte desta investigação.68. As diferenças entre as médias obtidas para cada atividade foram analisadas com recurso ao teste estatístico não paramétrico de Kruskal Wallis. apropriado para comparações entre três ou mais amostras independentes (Maroco. DP = 1. Camerino. J. Vol. Tratamento estatístico Para cada atividade foram calculadas as medidas de tendência central (i.53) intervenções não-verbais gestuais. RESULTADOS Para a realização do estudo piloto foram observadas um total de 12 aulas de atividades grupo. P. No que diz respeito à comunicação proxémica. garantindo dessa forma a proteção de todos os participantes. o qual aplica a correção de Bonferroni ao nível de significância utilizado nas comparações múltiplas entre pares de médias (Maroco. As gravações dos vídeos (i. Os dados foram em seguida transportados para o programa informático SPSS versão 20. da Costa Simões y S.e. para a realização dos cálculos estatísticos efetuados. V. com uma duração média de 47 minutos (DP = 45 segundos). valor mínimo e máximo) tendo em conta o número total de intervenções de comunicação não-verbal gestual e a percentagem de ocorrências verificada nas categorias do SOPROX-Fitness.16 (DP = 1. foi utilizado o teste post hoc não paramétrico de Dunn. Richheimer Marta de Sequeira. DP = 1. O comportamento proxémico dos instrutores foi registado sempre que o instrutor se dirigiu ao(s) praticante(s) com o intuito de comunicar de forma nãoverbal. Mendes Alves. Castañer e Anguera. 2012). Fernandes Rodrigues. A. 2011) para a investigação na área do desporto e exercício. o que equivale a uma média de 5. Foram cumpridas as recomendações éticas definidas por Harriss e Atkinson (2009. J.96) intervenções por minuto.e.73. Para identificar entre que atividades ocorreram as diferenças significativas apontadas no teste Kruskal Wallis. DP = 1.36. desvio-padrão. A atividade onde os instrutores intervieram mais vezes por minuto foi a de Step (M = 7. DP = 1. 2010). Macro-grupo). A. média) e medidas de dispersão (i. L. considerando que a aplicação prévia do teste de Shapiro-Wilk indicou que as variáveis dependentes não possuíam uma distribuição normal.69) e por fim a de Localizada (M = 3. Camerino Foguet. O.S. M. 2010). tendo sido observada uma sessão de cada instrutor que fez parte da amostra.e. através da realização de gestos com e sem intenção comunicativa. nº 2 (2013) . na 290 Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. Por cada aula registou-se uma média de 242 (DP = 78. J.

Todavia. “Frente Espelho”. “Frente Perfil”. “No Meio”.e. Posição Fixa Sentado. “Frente Correspondente”.Sistema de Observação da comunição proxémica do instructor de fitness (soprox-fitness): desenvolvimento. Integrada). Vol. “Díade”. o teste de KruskalWallis. 8. “Central”. “Periférica”. nº 2 (2013) 291 . Posição “Bípede com Deslocamento”. numa posição bípede sem deslocamento (Tabela 2). “Posição Fixa Bípede”. validação e estudo piloto zona periférica da sala. aponta a existência de diferenças significativas entre as atividades (p < .05) nas categorias “Macro-grupo”. com uma atitude corporal que revela envolvimento no que se passa na aula (i. na frente da sala e virados de frente para os praticantes. Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. “Locomoção” e “Posição Fixa Dorsal”.

84 0.3 11.3.20 0.2 0.42 0. DP = desvio-padrão.45*4 4. da Costa Simões y S.81 32.4 12.3 8. Locomoção P.4 19.091 .47*1.83*2 0.09 0. Bípede P.00 0.18 0.12 0.00*4 5.81 3.4 1.63 0. A.00 19.63*1.84 3. Nota.97 1.25 42. A. Camerino Foguet.25*3 7.00 0.71*3 2.4 6.54*4 0. Mendes Alves. Frente Perfil Esquerda No Meio Direita Atrás Transição P.82 0.95 0.F.00 0.73 3. Dias Carvalhinho.00*2 0.00 1.95 96.55 2.F.B. L.00 0.30 0.00 0.3 7.40 0.43 14.53 6.F.047 .81 0.00 0.21 1.3.79 0.097 1.32 0. Indoor Média (%) DP (%) Média (%) DP (%) Média (%) DP (%) 99. Desloc.088 .00 1.23 1.00 0.42 0.51 9.00*2 0.00 0.21 99.84 0.19*3.00 0.95 1.82*1.00 1.78 2.55 5. Fernandes Rodrigues. 8.4 21.24 32.025 .30 95.72 1.032 .99*2.16 0.F.95 16.013 .77*2.58 0.00 0.00 0.04 0.00 0.93 63.79*3 1.2.45 99. p .4 10.61 21. nº 2 (2013) .3 12. = posição fíxa.00 0.2.00 0.20*2.05*3.3.00 3.17 5.77*1. Carla Alves Franco Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte.79 98.3 3.33 0.17 1.09 0.044 .44*1.217 .85 0.05 2.35 3.95 98.13 0.45 0.00 0.50*1.00 0. p = significância do teste de Kruskal-Wallis. Dorsal P.00 4. Corres.18*3.00 0.97 0.36*1.67 2.98*4 3.00 71. O.87 10. P.40 0.16 98.00 8.4 1. Localizada 3.4 37.86 12.09 5.00 0.58 2.00 0.40 28.2 3.00 0. J.18 23.30 99.00 1.59*1.03 0. Hidroginástica Média (%) DP (%) 75.171 . J.35 1.3.66*1.84 0.85*1.99 99.013 .95*2 0.00*2.05) comparando com as atividades 1-4.85*1.05*2 0.41*1.86*4 6.39 10.024 .89 2.30 59.58 1.09*4 1.00*1.12*2 0.28 0.47 34.40 29.58 3.4 11.3. Lateral Suporte Dimensão Grupo 4.03 1.69 4.2.00 4.32 0.00 Legenda.02 10.2 0.37 7. = posição bípede com deslocamento. = correspondente.83 0.4 1.00 0.00 0.2 1. P.36 0.00 DP (%) 9. Sentado P. M.94 25.3 8.87*1.71 97.94*1.B.317 .38 0.37 7.00 0.4 0. Castañer Balcells. V.00 0.32 78.52 9.58 4.78 7. J.00 0.97*2.73 87.00 2.022 . Desloc.00 99.67*4 0.000 S.69 26.91 29.00 19.56 0.55 0. Step 2.67 0.35 87.3 9.80 3.14*2.00 58.23 0.086 .16 4.40 0.00 0.30 2.50 2.2. Ventral P.00 0.51*4 7.59*4 1.59 16.31 0.00 Tabela 2 Análise descritiva e comparativa das frequências relativas (%) registadas em cada uma das categorias do SOPROX-Fitness. Richheimer Marta de Sequeira.07 29.07 1.71 2.52 9.26 22.4 3.00 0.3.082 .3 9.36 1.4 14.84 17.41 2.66 7.01*1.45 61.83*2 0.00 0.17*2 0.15 88.3 7.92 10.52 24.15 11. P.025 .00 1.08 0.31 2.025 .4 0.00 0.78 0.99 0.292 Média (%) 87.83 1.00*2 0. Categoria Macro-grupo Micro-grupo Díade Topologia Periférica Central Interação Integrada Distanciada Contacto Táctil Orientação Frente Espelho Frente Corres.00 0.00 1.032 . *1-4 diferenças significativas no teste post hoc não paramétrico de Dunn (p < .015 .94 0.00 0.55 0.24*2.50*1.00 0.16 0.F.091 .2.034 .01*1. Vol.F.4 3.

validação e estudo piloto Para identificar entre que atividades ocorreram as diferenças identificadas no teste de Kruskal-Wallis foram realizadas comparações múltiplas entre cada par de atividades.os instrutores de Step e Localizada não se diferenciam entre si e comunicam significativamente mais a partir de uma orientação correspondente. comparativamente aos instrutores das restantes três atividades.os instrutores de Indoor Cycling comunicam significativamente mais a partir da posição fixa sentado. os quais não se diferenciaram significativamente entre si.os instrutores de Localizada comunicaram significativamente menos a partir da periferia da sala comparativamente aos instrutores das restantes três modalidades.os instrutores de Localizada comunicaram significativamente mais a partir do meio dos praticantes. x) Categoria “Posição Fixa Sentado” . os quais não se diferenciaram significativamente entre si. comparativamente às restantes três modalidades. os quais não se diferenciaram significativamente entre si. iv) Categoria “Central” . As atividades onde ocorreram diferenças foram assinaladas na tabela de resultados e são seguidamente apresentadas por cada categoria: i) Categoria “Macro-grupo” . vii) Categoria “Frente em Perfil” os instrutores de Hidroginástica comunicam significativamente mais com uma orientação em perfil. comparando com os instrutores das restantes duas atividades. ix) Categoria “Posição Fixa Bípede” . v) Categoria “Frente em Espelho” .Sistema de Observação da comunição proxémica do instructor de fitness (soprox-fitness): desenvolvimento. nº 2 (2013) 293 .os instrutores de Step comunicam significativamente mais a partir da posição bípede com deslocamento. com recurso ao teste post hoc não paramétrico de Dunn.os instrutores das atividades de Localizada e Hidroginástica não se diferenciaram entre si e comunicam significativamente mais a partir desta posição. os quais não se diferenciaram significativamente entre si. os quais não se diferenciaram significativamente entre si. xi) Categoria “Posição Bípede com Deslocamento” .os instrutores de Hidroginástica comunicaram significativamente mais em “Díade” comparativamente aos instrutores das restantes três modalidades. comparativamente aos instrutores das restantes três atividades. iii) Categoria “Periférica” . os quais não se diferenciaram significativamente entre si. Vol. sendo que os instrutores de Localizada também comunicaram mais Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. 8. em ambos os casos comparativamente aos instrutores das restantes três atividades. ii) Categoria “Díade” . vi) Categoria “Frente em Correspondente” . os quais não se diferenciaram significativamente entre si.os instrutores de Localizada comunicam significativamente menos a partir de uma orientação em espelho. ou seja. comparativamente aos instrutores das restantes três atividades. sendo que na atividade de Indoor Cyling passa-se o oposto.os instrutores de Localizada comunicaram significativamente mais na zona central da sala comparativamente aos instrutores das restantes três modalidades. os quais não se diferenciaram significativamente entre si. os instrutores comunicam significativamente mais a partir desta orientação. comparativamente aos instrutores das restantes duas atividades. viii) Categoria “No Meio” .os instrutores de Hidroginástica comunicaram significativamente menos para o Macro grupo comparativamente aos instrutores das restantes três modalidades.

2002. DP = 9. xii) Categoria “locomoção” . os quais não se diferenciaram significativamente entre si. J. Fernandes Rodrigues.e.os instrutores de Localizada comunicam significativamente mais a partir desta posição. 2012). tendo em conta os critérios definidos por HernándezMendo et al. Para cumprir este requisito. verificouse que a maioria das intervenções foram realizada na zona periférica da sala (M = 96.17). Estes resultados justificam-se pelo facto de nas atividades de grupo de fitness. Camerino Foguet. os quais não se diferenciaram significativamente entre si. da Costa Simões y S. Castañer Balcells. sendo a versão final constituído por 5 dimensões de análise e 23 categorias. No que concerne à localização espacial dos instrutores (i.. já que os instrutores realizaram uma média de 242 (DP = 78. Dias Carvalhinho. A.53) intervenções comunicativas por aula. O facto de a amostra ser constituída por instrutores experientes poderá 294 Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. L. (2010). comparativamente aos instrutores das restantes duas atividades.S. comparativamente às atividades de Indoor Cycling e Hidroginástica.e. P.67. Vol. A versão desenvolvida e validada do SOPROX-Fitness foi posteriormente aplicada a 12 instrutores num estudo piloto. Topologia). J. geralmente. deve ter a finalidade de estar totalmente adaptado à conduta e ao contexto onde se aplica.96) intervenções por cada minuto. Mendes Alves. O. xiii) Categoria “Posição Fixa Dorsal” .84. levando a que os instrutores necessitem de transmitir a mesma informação a todo o grupo. Carla Alves Franco a partir desta posição.os instrutores de Localizada e Hidroginástica não se diferenciaram e comunicam significativamente mais em situação de Locomoção. J. 8.58). válido e consistente na sua aplicação. nº 2 (2013) . comparativamente aos instrutores das restantes três atividades. os procedimentos utilizados no desenvolvimento e validação do SOPROX-Fitness foram suportados pela literatura (Brewer e Jones.16 (DP = 1. provavelmente pelo facto de esta atividade praticada dentro de uma piscina. toda a classe realizar os mesmos exercícios em simultâneo. com o propósito de conceber uma ferramenta válida para a análise do perfil de comunicação proxémica dos instrutores de atividades de grupo. DISCUSSÃO O presente estudo objetivou o desenvolvimento e validação de um novo sistema de observação para a análise da comunicação proxémica de instrutores fitness. estando os alunos mais dispersos. Richheimer Marta de Sequeira. M. No que diz respeito ao número de praticantes para quem o instrutor comunica (i. De acordo com Anguera (2003) o desenvolvimento de um instrumento ad hoc. DP = 5. Cushion et al. Os resultados evidenciaram a importância da comunicação neste contexto. V. A. Os resultados do processo de validação revelaram que o instrumento é objetivo. ou seja uma média de 5. Grupo) verificou-se que em todas as quatro atividades analisadas a grande maioria das intervenções orientaram-se para toda a classe (M = 87. Realçamos contudo que na atividade de Hidroginástica os instrutores individualizaram significativamente mais as intervenções.

44.30).e. os professores experientes tendem a se colocar mais na periferia para facilitar a observação tendo todos. DP = 1. no caso da atividade de Hidroginástica. sendo esta caraterística comum às quatro atividades. comparativamente às restantes atividades. onde esta categoria apresenta uma percentagem reduzida. no campo de visão. ou a maioria dos praticantes. Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. os instrutores apresentam maior variabilidade de utilização de orientações. DP = 1.95). Interação). Na atividade de Step importa realçar que a segunda orientação mais utilizada é a orientação em correspondente (M = 28. possivelmente por questões de exigência técnica e postural que é necessária e que se pretende que seja demonstrada no melhor plano (i. Quanto à localização espacial (i. existe o condicionamento do meio. o que se poderá justificar pelo facto de os instrutores se posicionarem habitualmente numa bicicleta estacionária virada de frente para os praticantes.19. Frente em Espelho). mantendo-se esta orientação durante grande parte da sessão. como também reafirmar o seu estatuto de “líder” em virtude dessa posição que ocupa no espaço. já que. como constatou Castañer et al. Vol. DP = 10. talvez porque em certas habilidades motoras. Esta diferença poderá estar relacionada com as próprias caraterísticas das atividades. particularmente as mais complexas. 8. já que. (2011).40). já que. esta posição permite-lhes não só ter uma visão ampla de todos os praticantes.35.e. o posicionamento em correspondente permite uma melhor perceção dos praticantes acerca das habilidades motoras realizadas pelo instrutor. verificou-se que nas atividades de Step. Indoor Cycling e Hidroginástica os instrutores posicionaram-se maioritariamente à frente da classe e virados de frente para os praticantes (i.Sistema de Observação da comunição proxémica do instructor de fitness (soprox-fitness): desenvolvimento. Orientação). o plano em que se veem os movimentos do exercício) aos praticantes.e. Tanto na atividade de Localizada como de Hidroginástica. o posicionamento dos intervenientes no espaço dá também indicações sobre a natureza da interação e o estatuto de cada um nessa mesma interação. ou mesmo nula no caso da Hidroginástica. No que diz respeito ao grau de envolvimento do instrutor com os praticantes para quem comunica (i. como referem Knapp e Hall (2010). sendo que no caso do Step e principalmente do Indoor Cycling existe também o condicionamento do material utilizado pelo professor (i. nº 2 (2013) 295 . No caso do Indoor Cycling esta orientação foi significativa superior relativamente a todas as restantes atividades (M = 98. estando o instrutor no deck à volta da piscina onde se encontram os praticantes. Step ou bicicleta estacionária) o qual se encontra geralmente colocado na periferia da sala. a quase generalidade das intervenções ocorreram quando os instrutores tinham uma atitude corporal que revelava estarem envolvidos e próximos do que se passava na sessão (M = 98. Relativamente ao posicionamento dos instrutores à frente da classe. validação e estudo piloto ter contribuído para estes resultados. Importa ainda referir que os instrutores de Localizada efetuaram significativamente mais intervenções pedagógicas na parte central da sala.e.e.

Step. as intervenções foram realizadas maioritariamente na posição fixa sentado (M = 97. DP = 12. DP = 14. Já no caso da atividade de Indoor Cycling. L. 2000). Já no caso da atividade de Localizada.32). os quais tendem a se dispersar ao longo da piscina. Os resultados evidenciaram que.41).85. as intervenções que ocorreram na posição bípede com deslocamento (M = 21. A. Sendo esta atividade constituída maioritariamente por exercícios estáticos. provavelmente por os instrutores estarem condicionadas à utilização de materiais (i.18. DP = 1. Carla Alves Franco Da análise efetuada à postura corporal adotada pelo instrutor no espaço (i.e. nº 2 (2013) .66. J. Salienta-se o facto de nas atividades como o Step e o Indoor Cycling se registar uma percentagem significativamente baixa de intervenções em Locomoção. A. M. como também os resultados de fiabilidade inter-observadores e intra-observador. P. Richheimer Marta de Sequeira. dorsal (M = 19.36. o instrutor tende a adotar ao longo da sessão vários tipos de posições sem deslocamentos.77. já que à semelhança da Localizada também aqui são utilizados alguns exercícios sem deslocamento. Dias Carvalhinho. DP = 7. 8. bicicleta estacionária) que tendem a “fixar” os instrutores. provavelmente porque todas as habilidades motoras de Step são realizadas na posição de pé. Fernandes Rodrigues. Camerino Foguet. Indoor Cycling e Hidroginástica. DP = 19. onde usualmente são realizadas habilidades motoras simples de Step ou Aeróbica. Na atividade de Hidroginástica.31). justificando as intervenções realizadas nas posições fixas bípede (M = 32. Mendes Alves. Transição). considerando não só a validade facial e de conteúdo realizada pelos especialistas que fizeram parte da fase de desenvolvimento deste sistema. CONCLUSÕES Os resultados referentes ao processo de adaptação e desenvolvimento do SOPROXFitness sugerem que este sistema é válido para a observação da comunicação proxémica dos instrutores de fitness em contexto real de ensino de atividades de grupo. DP = 7.fitness para a análise do perfil de comunicação proxémica dos instrutores de fitness envolvidos nas atividades de Localizada. DP = 7. Já no caso da atividade de Hidroginástica os instrutores sentem muitas vezes a necessidade de se movimentar ao longo do deck para poderem comunicar com os praticantes. verifica-se que os instrutores interagiram significativamente mais quando estavam numa posição bípede e em deslocamento (M = 78. da Costa Simões y S. ainda que a utilização desta estratégia varie muito entre os instrutores levando a que o desvio padrão seja acentuado. plataforma de Step.71). V. J. no caso do Step. O. Vol.61).08) poderão justificar-se pelas intervenções efetuadas durante a fase de aquecimento. Castañer Balcells.13) e sentado (M = 7.01. estando geralmente associadas a algum tipo de deslocamento. por ser uma atividade que explora exercícios musculares localizados. O estudo piloto realizado permitiu demonstrar o potencial do SOPROX. o que se explica pelo facto de a atividade ser realizada numa bicicleta estacionária (Shechtman. J.25.e.S. estando os instrutores de atividades de grupo de fitness a maior parte do tempo de 296 Revista Iberoamericana de Psicología del Ejercicio y el Deporte. as intervenções ocorreram significativamente mais a partir da posição fixa bípede (M = 63.

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