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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES

PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

AVM FACULDADE INTEGRADA

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PROFISSÃO PEDAGOGO: NOVOS RUMOS E PERSPECTIVAS

DENTRO DE UM CONTEXTO DE EDUCAÇÃO EXTRA-ESCOLAR

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Por: Priscila da Silva Santos <> <> <> Orientador Prof. Rodrigo Monteiro Rosa

Rio de Janeiro

Janeiro/2013

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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA

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PROFISSÃO PEDAGOGO: NOVOS RUMOS E PERSPECTIVAS DENTRO DE UM CONTEXTO DE EDUCAÇÃO EXTRA-ESCOLAR

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Apresentação

de monografia à AVM Faculdade

Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Pedagogia Empresarial Por: .Priscila da Silva Santos

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AGRADECIMENTOS

primeiro lugar, agradeço a Deus

que sempre me acompanhou nessa caminhada e em todas as etapas da minha vida e aos meus pais, irmã, minha avó Maria e familiares que sempre me incentivaram profissionalmente.

Em

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DEDICATÓRIA

A Willens Lunz Gomes, meu marido e

companheiro que sempre esteve ao meu lado nas minhas conquistas.

E, de modo especial, ao meu avô Jayme que, apesar da pobreza, sempre incentivou a minha mãe a estudar, sempre teve a visão de que sem estudo, não crescemos na vida, se não fosse por ele, talvez eu não chegasse até aqui, o meu muito obrigada, onde você estiver.

RESUMO

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O tema abordado no presente trabalho, é um tema que tem despertado discussões no meio acadêmico, há quase vinte anos, nas várias organizações científicas e profissionais de educadores. As questões referentes ao campo do estudo da Pedagogia, da identidade profissional do Pedagogo, do sistema de formação de Pedagogos e professores, apesar de terem sofrido algumas modificações nos últimos anos, avançaram muito pouco em relação à atuação profissional do Pedagogo fora da escola, como em empresas, movimentos sociais e hospitais, por exemplo. O currículo ainda muito voltado para uma Pedagogia Escolar, não prepara o Pedagogo para atuar em outros campos extra-escolares, o curso de Pedagogia deve formar um profissional qualificado para atuar em vários campos educativos. Na realidade contemporânea é quase unânime, entre os estudiosos, o entendimento de que as práticas educativas estendem-se às mais variadas instâncias da vida social não se restringindo, portanto, à escola e muito menos à docência, quem quer que deseje continuar a ser chamado de “educador”, não pode ignorar a importância dos processos educativos fora da escola.

METODOLOGIA

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Pesquisa bibliográfica e documental através da análise de livros, do Parecer CNE/CP n° 05/2005 – Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia, artigos de internet e material de sala de aula.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

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CAPÍTULO I - A História da Educação Brasileira

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CAPÍTULO II - Campos de Atuação do Pedagogo fora do Ambiente Escolar

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CAPÍTULO III – Pedagogia Empresarial: Novo Campo de Trabalho do Pedagogo Contemporâneo

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CONCLUSÃO

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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BIBLIOGRAFIA CITADA

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ANEXOS

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FOLHA DE AVALIAÇÃO

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INTRODUÇÃO

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O presente trabalho vem discutir os novos rumos e perspectivas dentro de um contexto de educação extra-escolar para os pedagogos e sua identidade profissional, o pedagogo seria o profissional apto a trabalhar em diversos campos de formação que insiram uma prática educativa intencionalizada e não como um profissional essencialmente docente, como é sustentado no meio acadêmico.

Este é um tema que tem despertado discussões tanto no meio acadêmico, como entre os profissionais da educação, em questões como: o campo de estudo da pedagogia, sua identidade profissional e do sistema de formação de pedagogos e professores.

Este trabalho terá como objetivos: Descrever a história da pedagogia no Brasil e o surgimento do conceito de pedagogia empresarial, identificar os campos de atuação do pedagogo fora do ambiente escolar e justificar o treinamento e desenvolvimento de pessoas como competência do pedagogo dentro das empresas.

No primeiro capítulo será abordada toda a história da pedagogia no Brasil e passaremos a entender, o porquê da dificuldade de se compreender o pedagogo como um profissional que pode trabalhar em diversos campos educativos fora da escola.

No segundo, apoiado também na legislação, veremos como o campo da Pedagogia se expandiu para atuar em diversas instâncias, rompendo os muros da escola, como em hospitais, em parceria com assistentes sociais, ONGs, empresas, etc.

No terceiro, veremos como o mundo moderno influenciou na entrada de pedagogos nas empresas, com as transformações ocorridas no último século, onde o mundo gira hoje, cada vez mais rápido, a quantidade de informações é

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muito grande e os profissionais têm que estar se reciclando o tempo todo, surgiram com isso, vários novos campos de atuação para os pedagogos, um deles ficou conhecido como: pedagogia empresarial. O pedagogo seria responsável pela educação continuada dos funcionários dentro das empresas.

O trabalho teve como enfoque principal o livro Pedagogia e Pedagogos para quê? de José Carlos Libâneo, um livro atual e moderno que descreve, exatamente os conflitos que os pedagogos vivem no mundo de hoje, a falta de se definir sua identidade profissional, é como se o pedagogo fosse um “remendo” de várias coisas.

O que se pretende definir, neste trabalho, é que em todo lugar, onde houver uma prática educativa com caráter de intencionalidade (seja na escola ou fora dela), haverá um possível campo de atuação do profissional formado em Pedagogia.

CAPÍTULO I A HISTÓRIA DA PEDAGOGIA NO BRASIL

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1.1 A educação brasileira do período jesuítico à década de 20

É notório que no Brasil, há uma predominância do campo de atuação da Pedagogia no caráter escolar, quando estudamos a História da Educação Brasileira e conseqüentemente a História da Pedagogia no Brasil, desde a época jesuítica até os dias atuais, percebemos uma Pedagogia totalmente voltada para a escola, para os princípios e métodos de educar e não para uma educação em seu sentido amplo.

Não abordarei neste trabalho a História da Educação Internacional, porém é importante salientar que na Grécia Antiga, o Pedagogo era conhecido como aquele responsável por conduzir as crianças à escola:

“O teatro e a filosofia também eram um instrumento cultural e fundamental para os gregos. A escola era considerada como um espaço para o saber, o termo

palavra

Pedagogo

Paidagogos, nome dado aos escravos que conduziam as

crianças

escola.” (http://

pedagogiafaat2008.blogfacil.net, data

26/09/2012).

surgiu

nessa

à

época

e

deriva

da

de acesso:

Esta concepção, de certa forma, foi incorporada por educadores, no Brasil, que viam o Pedagogo como um profissional que tinha em sua essência, basicamente, o magistério, mas afinal o que é Pedagogia e onde o Pedagogo pode atuar? Segundo Libâneo, pedagogia é:

O campo do conhecimento que se ocupa do estudo sistemático da educação, isto é, do ato educativo, da prática educativa concreta que se realiza na sociedade como um dos ingredientes básicos da configuração humana. Nesse sentido, educação é o conjunto de ações,

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processos, influências, estruturas, que intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais”. (LIBÂNEO, p.30, 2010).

Por sua vez, pedagogo é:

O profissional que atua em várias instâncias da prática educativa, direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação de saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos de formação humana, previamente definidos em sua contextualização histórica”. (LIBÂNEO, p.33, 2010).

Portanto, segundo as afirmativas anteriores, não podemos considerar o Pedagogo como um profissional que atue somente na esfera escolar, a função do Pedagogo como profissional e membro atuante da sociedade é muito mais ampla e vai além do universo da escola, mas para compreender como a formação pedagógica se encaminhou, predominantemente, para o desenvolvimento de práticas pedagógicas escolares, é preciso que se fale da História da Pedagogia no Brasil.

A primeira metodologia utilizada no Brasil foi a tradicional, que teve seu momento, predominante, do período jesuítico com a igreja católica até a década de 1920 com o Movimento dos Pioneiros da Escola Nova, o estudo da educação, segundo os jesuítas, se faz a partir da idéia de unicidade da Pedagogia que sofre influência católica e, depois, herbartiana e positivista. Este caráter unitário da Pedagogia vem de uma educação formal, centrada no professor, cuja função se define como a de vigiar e aconselhar os alunos, corrigir e ensinar a matéria.

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A função primordial da escola, nesse modelo, é transmitir

conhecimentos disciplinares para a formação geral do aluno, formação esta, que o levará a inserir-se, futuramente, na sociedade. Os conteúdos do ensino

correspondem aos conhecimentos e valores sociais, acumulados pelas gerações passadas como verdades acabadas, e embora, a escola vise à preparação para a vida, não busca estabelecer relações entre os conteúdos que se ensinam e os interesses dos alunos, tampouco entre esses e os problemas reais que afetam a sociedade.

Nesse modelo, a escola se caracteriza pela postura conservadora. O professor é visto como a autoridade máxima, um organizador dos conteúdos e estratégias de ensino e, portanto, o guia exclusivo do processo educativo.

No período do Império os estudos pedagógicos eram realizados nos

cursos de formação de professores, quando foram criadas as Escolas Normais, porém foram instituições ainda muito instáveis, improvisadas e pouco eficazes para atender sua função de formar professores primários.

Nos anos finais, no período que antecedeu a República, houve uma mobilização para se relacionar a educação com o desenvolvimento nacional, são propostos projetos de reforma do ensino, porém pouco se fez para mudar o modelo tradicional. Havia um interesse da igreja para que se mantivesse um ensino tradicional:

“O interesse da igreja católica na educação é óbvio, e assim não poderia deixar de desenvolver uma atenção especial à Pedagogia e sustentar seu caráter de ciência unitária. Na concepção católica, filosofia e pedagogia andam juntas, de modo que a Pedagogia católica formulou uma filosofia de educação de caráter acentuadamente especulativo e normativo. No final do

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império, cerca de 75% dos estudantes de ensino secundário estavam matriculados em escolas privadas, inclusive escolas normais, boa parte delas ,provavelmente, pertencentes a instituições católicas.” (LIBÂNEO, p.118, 2010).

No início da República, em 1889, surgiram condições para que houvesse uma renovação pedagógica e cultural, algumas reformas foram implantadas no ensino, porém, mais de caráter administrativo que pedagógico, neste período destaca-se a “Reforma Benjamim Constant” que deu ênfase no currículo enciclopédico e consagrou o ensino seriado, tinha idéias filosóficas e pedagógicas positivistas de Augusto Comte, porém não houve, efetivamente, uma mudança de sala de aula e do posicionamento pedagógico do professor. Convém, portanto, salientar que foi neste período que houve o aparecimento da primeira literatura nacional sobre o ensino, já que até por volta de 1870, a legislação do ensino brasileiro era fortemente modelada pela França.

De 1889 a 1920, ainda predominava a educação tradicional, foi exatamente na década de 20 que esta, foi perdendo espaço para a “pedagogia renovada” que se iniciou na Europa no final do século XIX e se expandiu aos Estados Unidos, ficou conhecida, no Brasil, como Movimento dos Pioneiros da Escola Nova, fortemente influenciado pelas idéias de Dewey, um dos principais teóricos da educação nova norte-americana. Esta concepção pedagógica tem como princípio norteador a valorização do indivíduo como ser livre, ativo e social. O centro da atividade escolar não é o professor, nem os conteúdos disciplinares, mas sim o aluno, como ser ativo e curioso. O mais importante não é o ensino, mas o processo de aprendizagem.

Em oposição à Escola Tradicional, a Escola Nova destaca o princípio da aprendizagem por descoberta e estabelece que a atitude de aprendizagem, parte do interesse dos alunos, que, por sua vez, aprendem fundamentalmente pela experiência, pelo que descobrem por si mesmos. O professor é visto,

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então, como facilitador no processo de busca de conhecimento que deve partir do aluno. Cabe ao professor organizar e coordenar as situações de aprendizagem, adaptando suas ações às características individuais dos alunos, para desenvolver suas capacidades e habilidades intelectuais.

Para os escolanovistas não existia uma ciência chamada Pedagogia de caráter unitário e que tinha conteúdo próprio, mas uma prática educativa que se baseava em outras ciências, como: A biologia, psicologia e sociologia. Como diz Libâneo sobre o pensamento de Dewey:

“Para o progressivismo de Dewey, não existe esse campo de conhecimento chamado Pedagogia, mas uma ciência da educação a ser tratada com objetividade científica. Dispensa-se o caráter teleológico da educação em favor da descrição da realidade educativa em suas dimensões biológica, sociológica e psicológica.” (LIBÂNEO, p.120,

2010).

Este é o caráter que vai assumindo os estudos pedagógicos, bem como a estruturação de cursos de formação de educadores neste período. Em 1939, teve um decreto lei nº 1.190, onde pela primeira vez, se estabeleceu um curso específico para Pedagogia que formava licenciados para o magistério e bacharelados para o exercício de cargos técnicos para a educação, porém seu currículo ainda era muito genérico e não possuía uma significação para a existência do curso. Surgiram, então, duas correntes: Os que queriam a extinção do curso de Pedagogia por não possuir um currículo próprio e os que queriam seu aprofundamento como teoria educacional.

Apesar do movimento da escola nova ter sido importante para a quebra do tradicionalismo na metodologia pedagógica, percebe-se que foi nesta época que se criou a ambigüidade nos cursos de Pedagogia que perdura até hoje, um curso que se destina à formação de professores e especialistas da

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educação, sempre com um caráter voltado para a escola e não para o desempenho do Pedagogo em outros campos profissionais.

A desvalorização da Pedagogia como ciência, se reflete nos dias atuais, porque nunca se conseguiu estabelecer a Pedagogia como a ciência que, exclusivamente, investiga o campo teórico da educação, isto sempre coube as demais ciências como: A psicologia, filosofia, sociologia, etc.

Essa tentativa que veio por anos, no Brasil, de extinguir o curso de Pedagogia, com a alegação de que este não se sustentava por si só, acabou com a falta de valorização do curso e do próprio profissional que era visto como um mero executor de métodos e técnicas de ensinar.

1.2 – Do golpe militar aos dias atuais

A Pedagogia Renovada foi perdendo força por desconsiderar a necessidade de um trabalho planejado, perdendo-se de vista o que deve ser ensinado e aprendido, com o golpe militar de 64, essa tendência popular perdeu espaço para o que foi chamado de “tecnicismo educacional”, inspirado nas teorias behavioristas da aprendizagem e da abordagem sistêmica do ensino, que definiu uma prática pedagógica altamente controlada e dirigida pelo professor, com atividades mecânicas inseridas numa proposta educacional rígida e passível de ser totalmente programada em detalhes.

A supervalorização da tecnologia programada de ensino trouxe conseqüências: A escola se revestiu de uma grande auto-suficiência, criando assim a falsa idéia de que aprender não é algo natural do ser humano, mas que depende, exclusivamente, de especialistas e de técnicas.

Este tipo de abordagem pedagógica, nada mais foi que a influência do regime militar que o Brasil passava na época. Esta influência ficou marcada na reforma do ensino, através da concretização de duas leis: Reforma

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Universitária (Lei 5.540/68) e da Reforma do Ensino de 1° e 2° graus (LDB 5692/71), onde ficou estabelecido que a formação de professores do 2° grau, bem como os especialistas em educação (supervisores, orientadores, inspeção, etc) seriam feitas em nível superior. Juntamente com essas leis, teve o Parecer 252/69 que redefiniu o currículo mínimo e a duração do curso de Pedagogia.

Este Parecer promove um avanço na identidade do curso de Pedagogia ao tornar mais claros os estudos específicos à formação do Pedagogo, porém, ainda fica mal resolvida a questão das licenciaturas, persistindo a dubiedade em formar o Pedagogo para o magistério e para as funções de especialistas. No final da década de 70, faltou pouco para que o curso de Pedagogia fosse extinto e com ele a profissão de Pedagogo.

No final dos anos 70 e início dos 80, a abertura política, decorrente do final do regime militar, coincidiu com a intensa mobilização dos educadores para buscar uma educação crítica a serviço das transformações sociais, econômicas e políticas, tendo em vista a superação das desigualdades existentes no interior da sociedade.

Ao lado das denominadas teorias crítico-reprodutivistas, firma-se no meio educacional a presença da “pedagogia libertadora” e da “pedagogia crítico-social dos conteúdos”, assumidas por educadores de orientação marxista.

A “Pedagogia Libertadora” tem suas origens nos movimentos de educação popular que ocorreram no final dos anos 50 e início dos anos 60, quando foram interrompidos pelo golpe militar de 64, teve seu desenvolvimento retomado ao final dos anos 70 e início dos 80.

Esta proposta pauta-se em discussões de temas sociais e políticos e em ações sobre a realidade social imediata, analisam-se os problemas, seus

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fatores determinantes e organiza-se uma forma de atuação para que se possa transformar a realidade social, tem como seu principal pensador Paulo Freire, um dos teóricos mais estudados no campo da Pedagogia.

A “Pedagogia crítico-social dos conteúdos” critica a “libertadora” por dar

pouca relevância ao chamado “saber elaborado”, ela assegura a função social e política da escola mediante o trabalho com conhecimentos sistematizados, a fim de colocar as classes populares em condições de uma efetiva participação nas lutas sociais, entende que é necessário que se tenha domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades mais amplas para que os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus interesses de classe.

É nestas décadas de 80, 90 até os dias atuais, que surgem intensas

mobilizações para a reformulação do currículo dos cursos de Pedagogia e da edição da última Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9394/96), já com um caráter de transformação social, pela valorização da escola pública e

do magistério.

São realizados diversos encontros e seminários pela reformulação do curso, o comitê pró-formação do educador criado em 80 transforma-se, em 83, em Comissão Nacional de Reformulação dos cursos, e em 90, em Associação Nacional para a Formação Profissional de Educadores (ANFOPE) que será estudada mais detalhadamente no próximo capítulo.

Nesta época de tendências pedagógicas marxistas, tudo era visto, ainda por um viés das ciências sociais, caindo novamente na fragilidade da teoria pedagógica como campo de conhecimento, os profissionais da educação e os pedagogos se contentavam em tomar de empréstimo o discurso dos intelectuais das ciências sociais, menosprezando a própria Pedagogia.

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A proposta de retomada da Pedagogia como campo científico de investigação, no âmbito do marxismo, teve como pioneiro Dermeval Saviani que seguia a pedagogia crítico-social dos conteúdos, seguido de outros autores que partiriam de uma concepção pluralista das ciências da educação e a Pedagogia sintetizaria e integraria os diversos aportes das ciências, dando unidade e sentido à multiplicidade de enfoque do fenômeno educativo.

De fato, quando estudamos a história da educação brasileira, percebemos, porque nos dias atuais, a educação de forma geral e a Pedagogia são totalmente desvalorizadas, é um fator cultural e histórico de desvalorização, que vem se arrastando por anos, desde a década de 20 até os dias atuais, onde os Pedagogos sempre foram vistos como meros executores de metodologias e práticas de ensino, onde sempre foi questionada a real necessidade da existência do curso, com a alegação de sua fragilidade teórica, por não possuir identidade científica, por não definir suas licenciaturas e por fim, por enfatizar que o pedagogo tem que ser essencialmente docente, criando a ambigüidade na formação acadêmica que perdura até hoje.

No próximo capítulo serão abordadas as questões referentes ao surgimento do conceito de Pedagogia Empresarial, ao campo de estudo da Pedagogia e a identidade profissional do Pedagogo.

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CAPÍTULO II CAMPOS DE ATUAÇÃO DO PEDAGOGO FORA DO AMBIENTE ESCOLAR

2.1 – A identidade profissional do pedagogo: Essencialmente docente ou ligada aos saberes pedagógicos no seu sentido amplo?

Como foi visto no capítulo anterior, historicamente, a Pedagogia desfalece, à medida que é assumida como objeto de várias outras disciplinas. Inicialmente, a filosofia coloca-se como a voz teórica da Pedagogia. Posteriormente, a Psicologia fundamenta a Pedagogia, situando-a como ciência da educação. Em seguida, um conjunto de disciplinas, se firma como base teórica da Pedagogia, anunciando-se como ciências da educação.

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Este processo de recolocação da Pedagogia dá-se em um contexto de desagregação, uma vez que, de teoria e prática, a Pedagogia reduz-se a uma prática de aplicação de teorias emprestadas. Em outras palavras, se a Pedagogia for vista como se assentando, apenas no saber de outros campos, ela renuncia a si mesma, recusando sua própria natureza.

Esta abrangência de saberes vem repercutindo no meio acadêmico de forma negativa, com a alegação de outras áreas, que a Pedagogia não possui conteúdo próprio, por isso alguns defendem a extinção do curso, este enfraquecimento da Pedagogia, enquanto teoria e prática da educação, influencia diretamente na formação dos pedagogos, uma vez que seu campo de estudo, ainda é muito diversificado, voltado para a formação de docentes e técnicos de educação, pouco se fala da atuação pedagógica fora do universo escolar, isso se reflete na teoria e claro, mas ainda na prática, o que se vê ao certo ao término dos cursos de Pedagogia, são estudantes cientes que existem outras possibilidades de trabalho dentro da profissão, porém não possuem embasamento teórico e prático e nem sequer sabem de que forma poderão atuar fora do ambiente escolar.

Ainda há uma vertente, que sustenta que o pedagogo possui uma formação essencialmente docente, como diz Libâneo, se referindo ao pensamento da Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE).

Segundo a ANFOPE: “A base da identidade profissional do educador é a docência”. A docência faz parte da formação do pedagogo, porém ela não é essencial e nem a única, o pedagogo é o profissional capacitado para investigar a realidade educativa, é alguém que ao teorizar sobre a educação, analisa o fato educativo, buscando formular proposições para a sua prática, seja esta dentro ou fora do contexto escolar, esta é a função do pedagogo no seu sentido amplo, a docência é apenas uma das vertentes.

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O que há na verdade, é um certo comodismo de quebrar paradigmas, de se convencer que o mundo mudou e com as novas exigências de mercado, a profissão também mudou.

Se nos basearmos na legislação vigente, o próprio parecer 05/2005 que trata das diretrizes curriculares do curso de pedagogia, fala no objetivo do curso sobre a educação profissional fora do ambiente escolar:

“O curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos.” (Parecer CNE/CP n. 05/2005, p. 7)

Aborda, ainda, sobre o perfil do licenciado em Pedagogia, quando se refere à gestão educacional:

“Gestão educacional, entendida numa perspectiva democrática, que integre as diversas atuações e funções do trabalho pedagógico e de processos educativos escolares e não-escolares, especialmente no que se refere ao planejamento, à administração, à coordenação, ao acompanhamento, à avaliação de planos e de projetos pedagógicos, bem como análise, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação de políticas públicas e institucionais na área de educação”. (Parecer CNE/CP n. 05/2005, p. 8).

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Como foi demonstrado, no próprio parecer que trata das diretrizes curriculares do curso de Pedagogia, aborda a questão do trabalho pedagógico em atividades extra-escolares, é apenas uma questão de querer mudar, porém há muita resistência no meio acadêmico, principalmente nas universidades públicas, umas até abordam questões como educação corporativa ou pedagogia empresarial, mas não há um embasamento teórico efetivo que faça com que o profissional saia da universidade sabendo atuar em hospitais, empresas ou qualquer outro campo que necessite de atividades pedagógicas.

Há uma urgência na reformulação dos currículos, pois os pedagogos estão perdendo campos valiosos de trabalho, por não estarem preparados na teoria e na prática.

Os dilemas e impasses em torno da identidade da ciência pedagógica no Brasil, inclusive o exercício profissional do pedagogo, decorrem da forma como tem ocorrido, ao longo da história da educação, a transferência e assimilação de paradigmas e modelos teóricos de outros contextos, da ausência de tradição de estudos especificamente pedagógicos, ou seja, relacionados com o campo científico da Pedagogia.

Os saberes pedagógicos, hoje, podem servir como aliados em outras áreas que não seja a escolar, nas quais os pedagogos se inserem em equipes multidisciplinares. As possibilidades são as mais variadas: organizações sociais, brinquedotecas, desenvolvimento de materiais e metodologias para a educação à distância e, até, empresas e hospitais.

Essas oportunidades surgem em virtude do eixo da formação do

na sociedade do

pedagogo: a aprendizagem, cada vez mais valorizada conhecimento:

“Há intervenção pedagógica na televisão, no rádio, nos jornais, nas revistas, nos quadrinhos, na produção de

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material informativo, tais como livros didáticos e paradidáticos, enciclopédias, guias de turismo, mapas, vídeos e, também, na criação e elaboração de jogos e brinquedos. Nas empresas, há atividades de supervisão do trabalho, orientação de estagiários, formação profissional em serviço. Na esfera dos serviços públicos estatais, disseminam-se várias práticas pedagógicas de assistentes sociais, agentes de saúde, agente de promoção social nas comunidades, etc.”(LIBÂNEO, p.27,

2010).

A pedagogia habilita para a didática e metodologia de ensino, que são essenciais para quaisquer outras áreas do conhecimento. Uma área que está conquistando espaço com a rápida difusão das novas tecnologias da informação é o design instrucional, planejamento de materiais para a educação, especialmente educação à distância.

Desse modo, o pedagogo cria ciclos de atividades e um plano geral de curso, além de definir quais são as técnicas mais adequadas ao propósito do curso e as melhores ferramentas de avaliação. Essa especialidade está bastante ligada à educação à distância, mas não se limita a ela. O profissional pode aplicar esses métodos em treinamentos presenciais e em cursos acadêmicos também.

O pedagogo também encontra espaço de trabalho em equipes multidisciplinares, agregando suas competências às de profissionais das mais diversas áreas: engenheiros, arquitetos, médicos, web designers, publicitários, assistentes sociais, entre tantas outras.

Outra área que tem se destacado é a pedagogia hospitalar, voltada para crianças ou jovens que ficam internados por longos períodos e, por isso, ficam impedidos de freqüentar a escola. Nesse contexto, o profissional não só realiza

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atividades didáticas com o paciente, mas também dá apoio psicoafetivo a ele e à família, a fim de facilitar a adaptação ao espaço hospitalar.

Esta atual realidade vem quebrando preconceitos e idéias de que o pedagogo está apto, apenas, para exercer suas funções na sala de aula, pois atualmente, onde houver uma prática educativa, existe aí uma ação pedagógica e formativa.

Diante disso, cabe indagar: Qual a função e o perfil necessários ao pedagogo para que atue com competência no âmbito não-escolar?

Como hoje, o Pedagogo está sendo inserido num mercado de trabalho, cada vez mais, diversificado e amplo, a discussão tem sido direcionada para compreender a dinâmica que levou a sociedade a chegar onde estamos hoje, com um discurso voltado para a inclusão social, para o voluntariado, para projetos de pesquisas, observando o processo de ensino-aprendizagem, não somente, como um processo para dentro da escola, da sala de aula ou do cotidiano escolar, mas um processo que acontece em todo e qualquer segmento da sociedade, seja ele qual for.

O ambiente organizacional contemporâneo requer o trabalhador pensante, criativo, pró-ativo, analítico, com habilidade para resolução de problemas e tomada de decisões, capacidade de trabalho em equipe e em total contato com a rapidez de transformação e a flexibilização dos tempos atuais.

Mas como conseguir isso? Como conseguir desenvolver competências nos alunos de nossas escolas atuais? Como contribuir para a construção de colaboradores autônomos, e com espírito de aprendizes? Como manter as organizações atualizadas no mundo que vive a transformação num ritmo frenético? Como transformar o ambiente de trabalho em um ambiente de aprendizagem permanente?

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Diante dessas indagações surge a figura do Pedagogo Empresarial. Cada vez mais as empresas descobrem a importância da educação no trabalho e desvendam a influência da ação educativa do Pedagogo na empresa.

Um ambiente, antes restrito aos psicólogos, mas; aos poucos, cedendo espaço aos pedagogos, é a área de recursos humanos dentro das empresas, há um número crescente de pedagogos, principalmente os que têm formação em pedagogia empresarial que vêm sendo solicitados para atuar nesta área.

Neste ambiente, atuam com o objetivo de aprimorar os processos da empresa por meio da valorização do conhecimento e da aprendizagem, ou seja, trabalham para a instalação de uma cultura de formação continuada e de constante busca de informações e conhecimento com a finalidade de melhorar a qualidade do atendimento dos clientes e o relacionamento com os funcionários.

Portanto, é inadmissível que em pleno século XXI, com tantas mudanças e transformações que vem ocorrendo no mundo, os profissionais da educação fiquem estagnados, apenas em escolas, não expandindo suas fronteiras e seu conhecimento.

O novo cenário que se descortina no século XXI traz novas perspectivas para os pedagogos que se inserem no mercado de trabalho. Uma nova estrutura se firma na sociedade, a qual exige profissionais cada vez mais qualificados e preparados para atuarem neste cenário competitivo.

Dessa forma, a educação em espaços não escolares vem confirmar esta discussão que vivenciamos. Libâneo em seu livro: “Pedagogia e Pedagogos, para quê?”, já argumenta que vivemos em uma sociedade pedagógica e que a escola, não é o único espaço em que se pode fazer educação:

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“Não há uma forma única, nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar em que ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a única prática, e o professor profissional não é seu único praticante.” (Libâneo, p.26, 2010).

Desse modo, o presente trabalho dará mais ênfase a um dos campos de trabalho pedagógico extra-escolar: A Pedagogia Empresarial, que será mais amplamente discutida, no terceiro capítulo, mas veremos a seguir como surgiu este conceito que quebrou paradigmas no campo pedagógico.

2.2 – Surgimento da Pedagogia Empresarial no Brasil

A educação e o mercado de trabalho vêm passando por mudanças

significativas e acentuadas nos últimos anos, como sendo de reavaliação de pressupostos e de paradigmas que, até então, sustentavam a sociedade vigente. As organizações precisam maximizar as chances de continuar no

mercado, readaptando-se às “novas” tendências deste período.

A cada dia que passa, deparamo-nos com uma diversidade muito

grande de situações, que, na maior parte das vezes, é fruto da economia globalizada em que vivemos, onde a exigência de atualização e reciclagem das

informações é cada vez mais necessária.

Hoje, algumas atividades chegaram a tal ponto, que máquinas estão substituindo o homem e com isso as empresas estão exigindo cada vez mais de seus funcionários em busca de melhoria da qualidade, buscando novas qualificações profissionais, a multifuncionalidade, desempenho do serviço com maior precisão e perfeição, com o objetivo de trazer o retorno esperado, o lucro.

O termo Pedagogia Empresarial foi empregado, pela primeira vez, no

início da década de 1980, quando surgiram alguns poucos cursos

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universitários sobre a matéria. O enfoque da Pedagogia Empresarial foi, em princípio, o Treinamento e Desenvolvimento (T&D) de pessoas nas organizações empresariais.

Estudos e pesquisas realizados na época demonstraram que o treinamento, na fase do planejamento e programação, tinha um caráter didático no que tange à estruturação dos cursos, à formulação dos objetivos, à seleção de conteúdos e recursos instrucionais e métodos de avaliação. Incluía, também, a seleção de treinados e instrutores.

A partir deste momento, fica o termo Pedagogia Empresarial para designar todas as atividades que envolviam cursos, projetos e programas de treinamento e desenvolvimento.

A Pedagogia Empresarial expandiu sua concepção inicial, graças a fatos importantes ocorridos na realidade das organizações brasileiras. Na época de 1980, um deles referia-se à baixa escolaridade dos operários das fábricas, mais de 60% não concluíam as quatro primeiras séries da educação básica.

Com o fenômeno da qualidade, passam a ser empregados os termos Treinamento e Desenvolvimento para diferentes funções. Desenvolvimento referindo-se a uma visão mais ampla do conhecimento preparando para funções mais complexas do crescimento do ser humano na empresa (educacão continuada). Treinamento fornece o essencial para o cargo atual, seriam as qualificações rápidas da mão-de-obra.

Todo pedagogo empresarial precisa saber que para atuar no âmbito organizacional, deve ter uma consistente base teórica, articulada entre investigação e prática, privilegiando conhecimentos específicos do campo educacional nas organizações empresariais, precisa identificar problemas, comuns, profissionais e sócio-culturais em busca da participação de todos,

28

visando superar a exclusão social; despertando seus colaboradores para a nova realidade do mercado, liderando pessoas.

A cada momento, as empresas descobrem a importância que tem a educação no trabalho, e reconhecem a influência da ação educativa na empresa. Neste sentido, o Pedagogo não seria somente o profissional que atuaria no meio escolar, ao contrário, ele dispõe de uma imensa área de atuação no mercado de trabalho.

Será enfatizada, no terceiro capítulo, a atuação do pedagogo nas empresas.

29

CAPÍTULO III PEDAGOGIA EMPRESARIAL: NOVO CAMPO DE TRABALHO DO PEDAGOGO CONTEMPORÂNEO

Foi visto no primeiro capítulo, toda a história da pedagogia no Brasil, como o curso enfrentou, ao longo da história, entraves para que se firmasse como profissão, dificuldades estas que se refletem até hoje, pois o curso é um dos poucos ou o único a não possuir um conselho regional que regulamente a profissão e os salários, com a globalização do mundo moderno, vimos no segundo capítulo que esta profissão está mais “viva” do que nunca, apesar de haver resistência para os novos cenários de atuação do pedagogo.

O pedagogo é o profissional apto a lidar o tempo todo com imprevistos,

planejamentos e replanejamentos, definição de metas e estratégias de aprendizagem.

A empresa que conhecemos, hoje, é uma empresa que necessita de

funcionários criativos, pró-ativos, que saibam resolver problemas e propor soluções, com isso, o pedagogo vira uma “figura chave” dentro da organização, onde pode proporcionar programas de treinamento e desenvolvimento que façam com que os funcionários possuam uma educação continuada, que eles aprendam a aprender, é essa a empresa de hoje, é aquela que aprende o

tempo todo.

30

São as pessoas que fazem uma empresa, portanto o mercado valoriza, cada vez mais, atitudes, habilidades e conhecimentos, baseados na solução de problemas, em idéias inovadoras, preparo técnico, utilização eficaz das novas ferramentas tecnológicas e o trabalho em equipe.

O pedagogo empresarial por possuir conhecimentos, técnicas e

práticas somadas à experiência de profissionais de outras áreas, poderá

constituir instrumento importante na atuação de gestão de pessoas, promovendo a capacitação e o desenvolvimento de pessoas, envolvidas em uma organização.

Neste momento, em que as organizações precisam reconstruir seu conceito de treinamento e desenvolvimento humano, investindo em metodologias e tecnologias que propiciem a aprendizagem continuada dos funcionários, é que se torna essencial a presença de um pedagogo empresarial.

As empresas, de hoje, para continuarem competitivas no mercado,

tiveram que se tornar empresas “aprendentes”. As organizações aprendentes buscam estimular a ampliação do conhecimento de todos, de forma democrática, coexistindo em uma política participativa, e a pedagogia vem ao encontro do aperfeiçoamento das relações, nesta fase de reorganização do ambiente empresarial e da gestão de pessoas. Como diz Ribeiro (2003, p.9):

“Considerando-se

a

empresa, como,

essencialmente, um espaço educativo, estruturado como uma associação de pessoas, em torno de uma atividade com objetivos específicos, e portanto, como um espaço também aprendente, cabe à Pedagogia a busca de

estratégias e metodologias que garantam uma melhor

31

aprendizagem/apropriação

conhecimentos.”

de

informações

e

Segundo Ribeiro (2003), o pedagogo empresarial buscará estratégias e metodologias que propiciarão um melhor aprendizado, apropriação de informações e conhecimentos, tendo sempre como pano de fundo a realização de ideais precisamente definidos, tem também como finalidade principal, provocar mudanças no comportamento das pessoas, de modo que estas melhorem tanto a qualidade de seu desempenho profissional como pessoal.

O pedagogo empresarial insere-se na empresa para desenvolver

competências e habilidades de cada indivíduo, para que cada profissional saiba lidar com várias demandas, com incertezas, com várias culturas, e ao mesmo tempo direcionando um resultado positivo, em um mercado, onde a competição gera mais competição.

O pedagogo é um dos profissionais habilitados para atuar na escola e nas organizações, desenvolvendo projetos educacionais, propondo ações estratégicas que possam otimizar resultados, considerados diferenciais em seus processos.

O pedagogo, ainda, está capacitado para desenvolver tecnologias

educacionais eficientes e eficazes que podem entender perfeitamente as

necessidades das organizações.

A pedagogia empresarial providencia formas educacionais para

aprendizagem organizacional significativa; gerando mudanças culturais no ambiente de trabalho, coordenando equipes, bem como prestando consultoria

interna relacionado ao treinamento e desenvolvimento nas organizações.

32

Percebe-se hoje, um vasto mercado pouco explorado por este profissional da área da educação e que poderá fazer a diferença no momento que atuará com as pessoas, inserindo-se nos diversos setores das organizações.

A pedagogia na empresa caracteriza-se como uma das possibilidades

de atuação/formação do pedagogo, bastante recente, especialmente no

contexto brasileiro.

Tem seu surgimento vinculado à idéia da necessidade de formação e/ou preparação dos recursos humanos nas empresas. Vale destacar que nem sempre as empresas preocupam-se com o desenvolvimento de seus recursos humanos, entendidos como: fator principal do êxito empresarial. Esta preocupação surge como uma demanda, ao mesmo tempo, interna e externa por melhor desempenho e formação profissional.

É interessante perceber que a atuação do pedagogo na empresa tem

como pressuposto principal: A filosofia e a política de recursos humanos adotadas pela organização. Daí o cuidado para não imaginar que o treinamento tem um fim em si mesmo e que a postura a adotar na empresa é a mesma a ser adotada em uma escola.

Treinar é tornar apto, com saberes e práticas atualizadas, tornando-se referência para os demais. Dessa forma, o pedagogo empresarial precisa estar sempre atualizado, criando e elaborando meios para atuar de forma eficiente.

Para isso deve estar atendo aos aspectos que envolvem as pessoas de todos os setores da empresa, tais como amizades, humor, relacionamentos, capacidades apresentadas, dificuldades e outros.

Nesse sentido, em um processo de constante observação, de conhecimento e saber, o pedagogo empresarial atuará para desenvolver, aprimorar, e mesmo descobrir talentos escondidos. Isso se dará por meio de

33

atividades e programas, treinamentos que estimulem uma participação constante dos funcionários. Em sua atuação, o pedagogo empresarial deve destacar as questões éticas, eliminar o stress, a superação de valores conflitantes e desmotivadores, o bom relacionamento entre os funcionários e as hierarquias.

Percebe-se que o pedagogo empresarial foca sua atuação, primeiramente, em conhecer a empresa em que trabalha, uma vez que os objetivos da empresa devem direcionar seu trabalho junto aos funcionários e demais colaboradores. Para tanto, conhecendo a empresa e expandindo seus conhecimentos quanto ao gênero humano em suas relações interpessoais e familiares, poderá desenvolver melhor seu trabalho em benefício de todos.

Para que haja um bom desenvolvimento de suas ações, é fundamental que todos os seguimentos da empresa sejam envolvidos e priorizados em suas ações pedagógicas. Isso visa um melhor e mais eficaz envolvimento dos colaboradores em torno dos propósitos da empresa.

Para tanto, o pedagogo bem formado, necessita conhecer tudo quanto diga respeito à pessoa humana, no campo da filosofia, da psicologia, das relações humanas e técnicas envolvidas no sistema organizacional da empresa.

Isso deve ocorrer em todos os setores para que haja uma homogeneidade no aprendizado e crescimento para todos. Agindo assim, estará apto para orientar de maneira eficaz, apontando soluções práticas e adequadas diante de problemas que estejam ocorrendo ou venham a ocorrer.

Alguns conceitos sobre educação, saberes, práticas e referências que se destacam servem de orientações ao pedagogo empresarial, uma vez que o ponto de partida é a educação como um processo de formação do ser humano, de suas personalidades ao longo de toda sua vida.

34

O funcionário é um ser em constante formação e de formação em suas

relações interpessoais, na família, no trabalho e na sociedade. Nesse sentido aplica-se a definição de educação como uma forma do educando, enquanto funcionário, assimilar os valores ligados à cultura, à ética e moral, quanto ao seu grupo social e de trabalho, sua família e a sociedade que o envolve, auxiliando-o a viver de maneira mais eficiente e eficaz na aplicação destes.

O papel do profissional da educação se tornou tão importante dentro das empresas que ele virou uma ferramenta de administração estratégica da parte humana nas organizações e da empresa como um todo.

Na administração estratégica, busca-se que todas as áreas da empresa procurem a eficácia da organização e, para que isto aconteça, é necessário que a estratégia esteja presente em todas as áreas e não apenas na administração central ou em áreas operacionais, mas também em áreas de apoio, como é o caso da área de Recursos Humanos. Neste aspecto, é importante que se visualize as organizações como algo que é feito para servir às pessoas, sejam os proprietários, dirigentes, funcionários, clientes, fornecedores e etc. Estas pessoas, por sua vez, terão que contribuir de alguma forma para a organização.

A estratégia de recursos humanos tem que passar por um estágio de

identificação das necessidades dos funcionários, que também deverá ter o seu peso no estabelecimento dos objetivos empresariais, função esta que caberia ao pedagogo empresarial, levando-se a concluir que a área de RH deveria fazer parte da reunião de estabelecimento dos objetivos, não só para tratar dos aspectos humanos, enquanto recursos, mas também para ser o porta-voz das aspirações dos funcionários, para isso é necessário, o estabelecimento de políticas de promoção e avaliação, de acordo com as estratégias da organização, é fundamental que o interesse destas pessoas esteja orientado para também atender aos objetivos organizacionais.

35

É como o aluno em sala de aula, se a disciplina não cria nele uma identificação com suas vivências e experiências, ele não se motiva a estudar e assim, é com o funcionário de uma empresa, se ele não sentir que a empresa se importa com ele, com sua satisfação pessoal, ele também não se motivará a colaborar para que a empresa alcance seus objetivos, é um processo de troca.

O que se pode observar claramente é que o pedagogo empresarial cumpre um importante papel dentro das empresas e organizações, articulando as necessidades junto da gestão de conhecimentos.

Cabe a este profissional provocar mudanças comportamentais nas pessoas envolvidas, favorecendo os dois lados: o funcionário que quando motivado e por dentro dos conhecimentos necessários, sente-se melhor e produz mais e a empresa que quando se mantém com pessoas qualificadas, obtém melhores resultados e maiores lucratividades.

Contudo, o pedagogo e a empresa fazem uma ótima combinação, pois em tempos modernos ambos têm o mesmo objetivo de formar cidadãos críticos com competências para tal função.

Portanto, não há mais espaço no mercado, para empresas que seguem modelos antiquados de administração, muitas empresas têm uma abordagem insuficiente à área de RH, esquecendo-se de que as organizações só existem em função das pessoas.

As empresas que pretenderem se adaptar ao ambiente presente e futuro deverão possuir pedagogos em suas áreas estratégicas de desenvolvimento de pessoas e terão que mudar a sua postura de se relacionar com as mesmas, deixando de usá-las para passar a servi-las, atendendo-as naquilo de que necessitam e na realização de seus interesses.

36

CONCLUSÃO

Ao se estudar a história da pedagogia no Brasil até os dias atuais, ficou bem definido, durante todo o trabalho, que muitos ainda sustentam a idéia de se relacionar o pedagogo somente a práticas escolares de docência e cargos técnicos como: supervisores, orientadores, administradores escolares, etc que com a teoria e prática em torno dos saberes pedagógicos no seu sentido amplo.

Desde a época jesuítica, quando se começou, verdadeiramente, a se falar em educação no Brasil, os pedagogos eram vistos somente como professores ou ocupantes de cargos técnicos, visão está que foi e ainda é sustentada no Brasil nos dias de hoje.

No segundo capítulo, a própria ANFOPE sustenta a idéia de que o pedagogo é essencialmente docente, mas quando nos deparamos com o parecer das diretrizes curriculares para o curso de pedagogia, vimos que o pedagogo é o profissional apto a trabalhar em diversas instâncias, aplicando seus conhecimentos pedagógicos, seja dentro da escola ou fora dela.

O currículo, ainda, muito voltado para uma pedagogia escolar, também, precisa ser reformulado para que atenda esta nova demanda do profissional de pedagogia.

Com as transformações ocorridas no século XX, com a globalização e inserção de inovações tecnológicas, as empresas tiveram que mudar suas estratégias e com isso, abriu-se um novo campo para o pedagogo contemporâneo, um campo chamado de pedagogia empresarial, como foi visto no terceiro capítulo, o pedagogo se tornou essencial para que as empresas se tornassem empresas “aprendentes”, onde o profissional tem que estar o tempo todo se reinventando e aprendendo.

37

Portanto, é temeroso pensar, nos dias de hoje, que este profissional é essencialmente docente e somente ligado a práticas escolares. Com o mundo contemporâneo, a função do pedagogo se expandiu para fora dos muros da escola e vem, mesmo que devagar, ganhando força.

Por fim, respondendo a problemática deste trabalho, a identidade profissional do pedagogo está relacionada a toda e qualquer prática pedagógica, seja ela intra ou extra-escolar, este é o profissional apto a trabalhar em vários campos educativos que compreendam formação e desenvolvimento de pessoas.

38

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CATÃO, Virna. Síntese do livro: “História das Idéias Pedagógicas”, Moacir Gadotti. Rio de Janeiro, 2010.

CRUZ, Giseli Barreto da. Curso de Pedagogia no Brasil: História e formação com pedagogos primordiais. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011, p 170-174.

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê? 12 ed. São Paulo: Cortez, 2010.

PARECER CNE/CP – 05/2005 – Diretrizes Curriculares do Curso de Pedagogia.

RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia Empresarial:

Atuação do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: Wak Editora,

2003.

data

de

acesso:

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BIBLIOGRAFIA CITADA

LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos, para quê? 12 ed. São Paulo: Cortez, 2010.

RIBEIRO, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia Empresarial:

Atuação do pedagogo na empresa. Rio de Janeiro: Wak Editora,

2003.

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ANEXOS

Índice de anexos

Anexo 1 – Artigo da internet sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia.

Anexo 2 – Texto de sala de aula – “A empresa que aprende”.

42

Anexo 1

A compreensão da licenciatura nos termos das DCN-Pedagogia implicará, pois, uma sólida formação teórica, alicerçada no estudo das práticas educativas escolares e não-escolares e no desenvolvimento do pensamento crítico, reflexivo fundamentado na contribuição das diferentes ciências e dos campos de saberes que atravessam o campo da pedagogia. Essa sólida formação teórica, por sua vez, exigirá novas formas de se pensar o currículo e sua organização, para além daquelas concepções fragmentadas, parcelares, restritas a um elenco de disciplinas fechadas em seus campos de conhecimento. Ao contrário, as DCN-Pedagogia apontam para uma organização curricular fundamentada nos "princípios de interdisciplinaridade, contextualização, democratização, pertinência e relevância social, ética e sensibilidade afetiva e estética" (p. 1)

Desse modo, os núcleos que definirão a estrutura do curso de pedagogia – núcleo de estudos básicos; núcleo de aprofundamento e diversificação de estudos; núcleo de estudos integradores – devem se integrar e articular ao longo de toda a formação, a partir do diálogo entre os diferentes componentes curriculares, por meio do trabalho coletivo sustentado no princípio interdisciplinar dos diferentes campos científicos e saberes que informam o campo da pedagogia.

Por sua vez, a formação para a gestão educacional, como indicada nas DCN- Pedagogia, traz uma contribuição importante rompendo com visões fragmentadas e fortemente centralizadas da organização escolar e dos sistemas de ensino. Nos debates sobre a formação do pedagogo vários estudos evidenciaram como a divisão do curso de pedagogia em habilitações, como preconizado no Parecer CFE/CP n. 262/1969, acabou por contribuir para que se instalassem, na organização dos processos de trabalho na escola e nos sistemas de ensino, modelos caracterizados pela divisão pormenorizada do trabalho educativo; pela dicotomização das funções de planejamento, concepção, controle e avaliação, de um lado e, do outro, das funções de implementação, de realização do trabalho planejado; pela reprodução de estruturas e práticas de poder excludentes, também, no contexto das práticas educativas.

Por certo, esses modelos de organização da educação não são determinados apenas pela formação desenvolvida nos cursos que formam profissionais da educação, mais especificamente, nos cursos de pedagogia. No entanto, essa formação desempenha um papel importante na produção das condições históricas para a manutenção ou superação desses modelos, e, neste sentido, contribuindo para a afirmação da gestão democrática da educação como elemento central na direção dessa superação.

43

Ao se indicar o campo de atuação do licenciado em pedagogia, as DCN-

assim,

Pedagogia

gestão educacional:

compreendem,

a

Gestão educacional, entendida numa perspectiva democrática, que integre as diversas atuações e funções do trabalho pedagógico e de processos educativos escolares e não-escolares, especialmente no que se refere ao planejamento, à administração, à coordenação, ao acompanhamento, à avaliação de planos e de projetos pedagógicos, bem como análise, formulação, implementação, acompanhamento e avaliação de políticas públicas e institucionais na área de educação. (Parecer CNE/CP n. 05/2005, p.

8)

Definida nestes termos, superam-se de maneira definitiva aqueles modelos de organização curricular estruturados para formação por "habilitação", que culminavam na formação dos denominados "especialistas em educação", como o supervisor, o orientador, o administrador, o inspetor educacional, entre outros. Eis como essa questão fica definida no artigo 14 da Resolução CNE/CP n. 01/2006:

Art. 14. A Licenciatura em pedagogia, nos termos dos Pareceres CNE/CP n. 5/2005 e n. 3/2006 e desta Resolução, assegura a formação de profissionais da educação prevista no art. 64, em conformidade com o inciso VIII do art. 3º da Lei n. 9.394/96.

§ 1º Esta formação profissional também poderá ser realizada em cursos de

pós-graduação, especialmente estruturados para este fim e abertos a todos os licenciados.

§ 2º Os cursos de pós-graduação indicados no § 1º deste artigo poderão ser

complementarmente disciplinados pelos respectivos sistemas de ensino, nos

termos

do

parágrafo

único

do

art.

67

da

Lei n. 9.394/96.

E o Parecer CNE/CP n. 3/2006 esclarece de forma mais definitiva as dúvidas sobre a eventual observância do disposto no artigo 64 da Lei n. 9.394/1996, ao enfatizar, de um lado, que a licenciatura em pedagogia, realiza a formação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional, em organizações (escolas e órgãos dos sistemas de ensino) da educação básica e, de outro lado, estabelece as condições em que a formação pós-graduada para tal deve ser efetivada. Desse modo, o Parecer reitera a concepção de que a formação dos profissionais da educação, para funções próprias do magistério e outras, deve ser baseada no princípio da gestão democrática (obrigatória no ensino público, conforme a CF, art. 206-VI; LDB, art. 3º-VIII) e superar aquelas vinculadas ao trabalho em estruturas

hierárquicas

burocráticas.

e

44

Tal posicionamento ainda é justificado pelo Parecer CNE/CP n. 5/2005 que, ao considerar o caráter colegiado da organização escolar, prevê que todos os licenciados possam ter oportunidade de ulterior aprofundamento da formação pertinente, ao longo de sua vida profissional. Supera, assim, a interpretação baseada em legislação anterior (Lei n. 5.540/1968 e currículos mínimos) que restringia a formação para as funções já mencionadas aos licenciados de pedagogia. A propósito dessa questão, o Conselho designou comissão para emitir parecer sobre diretrizes para a formação dos profissionais da educação com relação aos artigos 64 e 67, parágrafo único, da Lei n. 9.394/96.

Certamente, um desafio que fica para os educadores brasileiros é se articularem para uma intervenção efetiva na definição das orientações que regerão a formação a ser desenvolvida nos cursos de pós-graduação destinados à "formação dos profissionais para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação na educação básica", de modo que venha a contribuir, igualmente, para o fortalecimento da gestão democrática da educação e da escola e a construção de uma educação pública de qualidade.

Novos e maiores desafios para o campo da formação, outras questões também estão no horizonte das modificações necessárias no âmbito da formação dos educadores profissionais da educação, entre as quais podemos destacar a inclusão, no texto da Lei da Reforma do Ensino Superior, do papel da universidade e das faculdades, dos centros de educação e departamentos de educação, na formação dos educadores, professores e profissionais para a educação básica; a revisão urgente da LDB (artigo 64) e da Resolução n. 01/99, no que tange à criação dos ISEs e do Curso Normal Superior, como condição para a instituição de um sistema orgânico de formação de professores no país; revisão das Diretrizes Curriculares para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica.

Considerando ainda o grande número de ISEs e Cursos Normais Superiores criados nos últimos anos, bem como de cursos especiais de formação, tanto no âmbito da iniciativa privada como no âmbito de instituições públicas, é fundamental a definição de procedimentos que garantam de imediato:

O desenvolvimento de processos de avaliação institucional, que antecedam a processos de reconhecimento e criação de novos processos de autorização para tais cursos/instituições e que considerem condições efetivas de realização das atividades propostas, seja em disciplinas, estágios ou atividades complementares etc.

*

Um estudo rigoroso do número de vagas ofertadas nessas instituições – principalmente considerando que a grande maioria oferece vagas no período noturno, ao qual acorrem estudantes trabalhadores, nem sempre professores em exercício, impedindo a realização dos estágios e da formação prática e

45

teórica com a qualidade necessária às exigências da educação de crianças, jovens e adultos.

Com a aprovação das Diretrizes, não se extinguem as polêmicas que acompanham as discussões sobre seu caráter e a identidade do curso de pedagogia. O enfrentamento dessas questões não é tarefa para uma ou outra entidade, mas desafio para a área da educação, para a investigação e a pesquisa interdisciplinares, compartilhadas a muitas mãos. Outros desafios emergem de sua aprovação, entre eles o principal é o de caminhar na perspectiva de construir efetivamente cursos e percursos de formação no campo da educação e da pedagogia, para formar profissionais que atuarão na educação básica, na formação de crianças, jovens e adultos, na gestão e organização dos espaços escolares e na elaboração de formas criativas e criadoras para a educação escolar e não-escolar.

As perspectivas que se descortinam para a efetivação de uma política global de formação dos educadores, no país, são promissoras. As motivações para o debate e para a vivência de novas e criativas experiências curriculares nos cursos de pedagogia e licenciaturas são elevadas nos meios acadêmicos. As entidades representativas de importantes segmentos da área – a ANFOPE, o FORUMDIR, a ANPED e o CEDES –, as diretrizes da pedagogia e a política de formação dos profissionais da educação estarão presentes e, certamente, serão objeto de análise e de proposições nos encontros, seminários e congressos que serão realizados no horizonte próximo, com a disposição renovada de firmar, reafirmar e propor, coletivamente, princípios e encaminhamentos que orientarão suas ações concretas.

Tem sido esse o compromisso histórico que pauta a agenda dessas entidades, pois sabem que somente de forma coletiva, solidária e crítica será possível enfrentar aqueles desafios que ainda não estão ao nosso alcance e na esfera de nossa decisão.

Notas

1. Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação

(ANFOPE), Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES), Fórum de Diretores de Faculdades/Centros de Educação das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR), Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE), entre outras.

2. A respeito dessa discussão, consultar Aguiar e Melo (2005a; 2005b).

3. Proposta de Diretrizes Curriculares de Pedagogia elaborada por uma

Comissão de Especialistas de Pedagogia, resultante de ampla consulta às

universidades e de consensos construídos com as entidades ANPED, ANFOPE, CEDES, FORUMDIR e ANPAE, em 1999.

46

4. A presença de cerca de 200 pessoas, que representavam a maioria dos

estados brasileiros, no painel sobre a Reformulação do Currículo da Pedagogia e das Licenciaturas na I CBE (Anais, 1980, p. 209-217), comprova que em

muitos estados germinava a idéia de organização dos educadores em torno dessas reformulações (cf. detalhes em Brzezinski, 1994).

5. Consultar <www.mec.gov.br>.

6. O único documento disponível e não aprovado data de maio de 2000.

7. Realizado em Águas de Lindóia, São Paulo.

8. Disponível em: <www.mec.gov.br>.

9. Consultar www.mec.gov.br/cne

10. Conferir <www.mec.gov.br/cne>.

11.

<http://lite.fae.unicamp.br/anfope>.

Estes

documentos

podem

ser

encontrados

no

site

da

ANFOPE:

12. Aprovada no CEE-SP a Indicação n. 22/2002, que estabelece distinção entre os cursos de pedagogia licenciaturas e pedagogia bacharelado, dando cumprimento ao estabelecido no artigo 64 da LDB.

páginas 01 02 03

Anexo 2 TEXTO DE SALA DE AULA

A EMPRESA QUE APRENDE

47

Adaptação do texto da Diretora do Colégio Esil Educacional e Especialista em Gestão de Negócios , Débora Dias Gomes, publicado

na

Revista HIFEN(março/abril de 2000), “ A ESCOLA QUE APRENDE”

muitos anos, graças a uma míope estratégia, as pessoas

foram treinadas para “aprender a não aprender”. Sabemos da dupla responsabilidade do setor educacional neste movimento. O de agir de forma preventiva na formação do cidadão com suas competências e habilidades e o de resgatar potenciais adormecidos em seus profissionais. Aprender como se aprende, aprender a pensar, dominar linguagens, argumentar, solucionar problemas, tomar decisões e elaborar propostas deveriam ser competências – referência para compor os principais critérios na avaliação do desempenho empresarial. Mas na maioria dos casos, a obrigação do aprendente é decorar teorias do passado, fatos e dados, como se fossem livros de auto-ajuda para os problemas do futuro. Ninguém aprendeu a gerenciar as informações , só a recebê-las passivamente.

Durante “

Stephen Kanitz, adminstrador, escreveu na revista Veja, na coluna Ponto de Vista, Harward sobre sua experiência na School. Ao chegar lá, recebeu a misssão de estudar alguns “casos”, e como se fosse um consultor, ele deveria pensar soluções para os problemas empresariais evidentes nos casos.

Num mundo cada vez mais mutável, em que s interrelações entre as

variáveis contigenciais nunca são as mesmas, ensinar fatos e teorias somente será de pouca utilidade para qualquer profissional no futuro. E esta constatação é o primeiro problema que enfrentamos para implementar “uma organização de aprendizagem”. As pessoas, inclusive a alta direção, não estão preparadas para mudança.

) (

A verdade é que de uma hora para outra, em face das rápidas

mudanças que vêm ocorrendo na sociedade, as pessoas precisam aprender a aprender para resolver problemas pessoais e empresariais/institucionais. O risco é que durante a transição da não-aprendizagem para a aprendizagem tudo pode acontecer – até mesmo o desaparecimento da empresa.

) (

48

FOLHA DE AVALIAÇÃO

NOME DA INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES

49

TÍTULO DA MONOGRAFIA: PROFISSÃO PEDAGOGO: NOVOS RUMOS E PERSPECTIVAS EM UM CONTEXTO DE EDUCAÇÃO EXTRA-ESCOLAR.

AUTOR: PRISCILA DA SILVA SANTOS

DATA DA ENTREGA: 28/01/2013

AVALIADO POR: RODRIGO MONTEIRO ROSA

CONCEITO: