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UM OLHAR GEOLÓGICO

PARA

O TEMPO PROFUNDO

A humanidade povoa a Terra há alguns poucos mi- lhares de anos. Parece natural que cada um de nós ima-

gine ser a Terra muito antiga, além de estável. Formamos

a ideia de estabilidade permanente, a partir da serenidade das montanhas e da grandeza dos oceanos. Nada poderia ser mais distante da realidade. Embora o planeta tenha

idade respeitável, a expressão “Terra inquieta” é bem com- preendida por todos aqueles que vivem sob a ameaça cons- tante de terremotos, vulcões e tsunamis, e que conhecem

o perigo representado pelas instáveis margens das placas tectônicas em busca de novas situações de equilíbrio. Nos próximos capítulos estudaremos os registros de nossa variada história de mudanças geológicas e am- bientais, desde a formação da Terra. Veremos como foi

desenvolvida a ideia de Tempo Profundo por meio de racio- cínio lógico e adoção de procedimentos rigorosos. Como exemplo, re etiremos sobre o tempo necessário para for- mação de uma bacia sedimentar. As mudanças ocorrem em escalas de tempo muito distintas: cada etapa signi ca

o ponto de partida de outra. Estudando a noção geológica

de tempo e a evolução das ideias sobre Tempo Geológico,

veremos as principais contribuições dos geocientistas para

a moderna formulação de idades do universo conhecido e

da Terra. Sabemos que o planeta se formou há aproxima- damente 4,56 bilhões de anos. Os geocientistas compre- endem que a história da Terra está registrada nas rochas da crosta terrestre e pode ser decifrada por métodos apro- priados. Aos poucos, identi cam ciclos e processos e in-

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Geologia do Brasil

Celso Dal Ré Carneiro Fernando Flávio Marques de Almeida Pedro Wagner Gonçalves Alexandre Uhlein Carlos Maurício Noce (in memorian)

Antes do desenvolvimento da datação radiométrica, nosso entendimento da estrutura de tempo da Terra compara-se a de um historiador, que sabe que Albert Einstein viveu em alguma época entre Alexandre, o Grande, e Michael Jackson, sem de nir exatamente quanto tempo se passou entre esses eventos. (Halliday 1997)

dicam idades cada vez mais remotas para a origem da vida

e do homem. Essa fascinante história motivou o surgi-

mento da geologia como ciência moderna. Ainda que boa parte das pessoas desconheça que a Terra seja tão antiga, ou até mesmo desacredite das idades dadas pela ciência, rara- mente pensamos sobre o signi cado desse conhecimento em nossa cultura. Para formar pessoas cienti camente cultas, é essencial dispor de ideias consistentes sobre idade da Terra, que ajudam a construir formas menos antropo- cêntricas de ver o mundo.

Em um planeta tão antigo, buscamos dar signi-

cado aos longos intervalos de tempo utilizandoutilizandoutilizando asasas se-se-se-

guintes siglas: Ma signi ca mega-age, ou milhões de

anos; e Ga signi ca giga-age e refere-se a bilhões de anos.

A nal, quanto tempo é 1 milhão de anos? Pense bem:

se uma pessoa pudesse viver 1 milhão de dias, ela atin- giria a respeitável idade de 2.740 anos! (Weisgarber s.d.). Para dar uma ideia de quanto tempo é algo da ordem de 4,56 Ga (4.560.000.000 anos), basta um (simples?) exer- cício de imaginação (a experiência real é impossível): se você começasse, agora, a contar números de dez em dez, sendo cada número correspondente a dez anos da história da Terra e, a partir deste instante, não zesse outra coisa durante os próximos anos, ou seja, casse sem dormir, sem comer, apenas contando, em poucos minutos de contagem chegaria ao tempo dos egípcios; mas seriam necessários aproximadamente 14,26 anos ininterruptos de contagem para chegar à época de formação deste planeta. Muito tempo mesmo, não?

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A vastidão incomensurável de tempo compreende tanto lentas transformações cíclicas quanto as mudanças rápidas que caracterizam, muitas vezes, catástrofes am- bientais.Os ciclos da água,das rochas,das montanhas e dos continentes são alguns desses ciclos. A própria evolução da vida, tal como formulada por Darwin, Wallace e outros biólogos evolucionistas, encaixa-se em – e depende de – uma visão de história da Terra ampliada em relação àquela vigente até o início do desenvolvimento da mo- derna Geologia. A Escala Absoluta do Tempo Geológico vem sendo montada desde os primórdios da Geologia e tem sido continuamente revisada nos últimos dois sé- culos. A versão mais recente, publicada por Gradstein et al. (2004) e revisada por ICS (International Commission on Stratigraphy/ IUGS 2010), discrimina etapas da história do planeta a partir de determinados intervalos de idade de rochas, com base na ocorrência de eventos relevantes, no reconhecimento de certos fósseis ou em informações geocrono- lógicas.

O tema “Idade da Terra”, nos últimos

400 anos, despertou ampla polêmica no mundo religioso e político, com implicações que se estendem até hoje. No início dos anos 1800, homens com boa formação cientí ca e losó ca acreditavam que a Terra possuísse cerca de 7.000 anos. Na época, e nas décadas seguintes, poucas vozes eram discordantes. Somente no último quartel do século XVIII, naturalistas germânicos, franceses e britâ- nicos passaram a imaginar que a idade do planeta fosse muito maior do que isso. Bu- on, pensador francês da época das Luzes, impressionou-se com as próprias conclusões:

os eventos ocorridos no planeta sugeriam eras de dezenas de milhares de anos. A isso ele chamou, no século XVIII, de “abismo do tempo”. A idade da Terra estender-se-ia, se- gundo ele, por cerca de 75 mil anos (Gohau

1991).

O conceito de “abismo do tempo” tem

profundo signi cado losó co. Sua impor- tância para a ciência pode ser comparada à mudança de concepção de mundo que acon- teceu quando o heliocentrismo substituí o geocentrismo. São avanços profundos do co- nhecimento cientí co e da cultura humana, porque mudaram a forma pela qual o homem se reconhece no universo, além das evidentes nalidades práticas, como localização de re- servas de água, petróleo, gás, minérios, preser- vação e proteção ambientais.

UM EXEMPLO DE HISTÓRIA GEOLÓGICA CURTA

Umexemplodefenômenobastanterecente,doponto de vista geológico, permite compreender a importância e magnitude dos processos geológicos envolvidos: trata-se da formação da bacia sedimentar do Pantanal (Fig. 1). Sondagens da Petrobras realizadas em diferentes partes da bacia atravessaram cerca de 500 m de sedimentos uviais e lacustrinos (Weyler 1964 apud Assine 2003), compre- endendo o intervalo desde o Pleistoceno, que abrange cerca de 1.800.000 anos. Convertendo-se a quantidade de metros em milímetros e dividindo-se os números, tem-se

de metros em milímetros e dividindo-se os números, tem-se Figura 1. Dados de subsuperfície da Bacia

Figura 1. Dados de subsuperfície da Bacia do Alto Rio Paraguai, obtidos a partir de poços perfurados pela Petrobras na década de 1960 e curvas de isópacas da Formação Pantanal (Modif. de Assine 2004, 2010. Fontes de dados: Brasil e Alvarenga 1989, Ussami et al. 1999, Weyler 1962, 1964)

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uma taxa de sedimentação de 0,28 mm/ano. A cifra, ele- vada, é compatível com taxas de 0,5 mm/ano no Gráben do Reno (França-Alemanha); 0,2 mm/ano no Lago Baikal (Rússia) e 0,4 mm/ano na plataforma do Golfo do México (Louisiana EUA) (Assine 2010).

abundante informação sobre fósseis. O autor popularizou entre os naturalistas a ideia de que a história da Terra era muito longa – conforme Hutton imaginara no último quartel do século XVIII. Na primeira metade do século XIX, quando a

 

A

acumulação tende a entulhar de sedimentos todo

Geologia, a Paleontologia e a Antropologia pré-histórica

o

espaço disponível da bacia. Considerando que o Pantanal

emergiam como disciplinas cientí cas, ferramentas de

tem permanecido raso durante todo o tempo da história

pedra de homens primitivos, denominadas eólitos, vinham

humana, pode-se concluir que a região deva ter afundado continuamente, para acolher mais sedimentos, empilhados lentamente, a uma taxa média superior a 2 mm / 10 anos.

sendo encontradas por antiquários, em camadas sedimen- tares da Dinamarca, Inglaterra e França, ao lado de restos de animais extintos, como ursos cavernícolas e mamutes.

O

número, aparentemente pequeno, assume grande sig-

Nos anos 1860, rmaram-se os vínculos entre a história

ni

cado pelo longo intervalo de tempo correspondente.

humana antiga e o Tempo Geológico: uma revolução do

Assim, a bacia sedimentar do Pantanal foi gradualmente

conceito de tempo. O esquema cronológico básico da Ar-

formada, desde 1.800.000 anos até o Recente, a partir

queologia propõe que os seres humanos evoluíram nas

do

afundamento da crosta e do preenchimento por sedi-

idades da Pedra, do Bronze e do Ferro. Mais tarde a Idade

mentos uviais e lacustrinos. Vários eventos geológicos podem ser reconstituídos (afundamento crustal, sedimen- tação) ao longo do intervalo de tempo considerado.

da Pedra foi subdividida em antiga e nova: as épocas pa- leolítica e neolítica, sendo esta última associada à revo- lução agrícola (Smail 2005). A obra que uni cou o tempo

 

A

nal, de que modo os cientistas construíram as

biológico fora publicada em 1859 por Charles Darwin

ideias fantásticas sobre a longa duração do Tempo Geo-

(A Origem das Espécies), sucedida por Evidências geológicas

lógico?

da antiguidade do homem (Lyell 1863) e Tempos pré-histó-

TEMPO GEOLÓGICO

ricos (Lubbock 1865). As três obras oferecem um modo de ligar a história da vida à Escala do Tempo Geológico.

A descoberta do tempo profundo assume, sob di-

versos pontos de vista, signi cado similar ao da revolução cosmológica de Galileu. A nova perspectiva temporal in-

uenciou todas as ciências históricas. Hutton (1795) foi o

precursor em comprovar a concepção de idades muito an-

tigas para explicar o fato de que as montanhas não haviam sido erodidas no tempo supostamente disponível; admitiu que sedimentos tivessem originado novas rochas no fundo

do mar, posteriormente soerguidas, para então constituir

continentes. Hutton deixara de lado a ideia de uma Terra eterna, não criada, e concentrou seu argumento em mecanismos

geológicos. De forma similar, os historiadores evitam questões polêmicas sobre a origem do homem e focam

a atenção em processos (Smail 2005). Em essência, sua

concepção é a de que nenhum vestígio da Terra primordial poderia ter sobrevivido à interminável e incessante reci- clagem de materiais, desde a formação. A capacidade de decifrar “pistas” gravadas pela atuação dos fenômenos no passado teve em James Hutton um dos pioneiros. O mo- delo de pensamento que construiu, denominado machina

mundi, baseia-se na ideia de que o calor interno da Terra é capaz de erguer continentes, consolidar rochas e promover uma série de outras interações.

O livro Princípios de Geologia do geólogo britânico

Sir Charles Lyell, publicado nos anos 1830, permitiu or- denar de forma convincente o Tempo Geológico em eras, cuja de nição fora baseada na sucessão de estratos e em

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UMA HISTÓRIA DE MUDANÇAS AMBIENTAIS

A Terra é um planeta geologicamente ativo e em constante transformação; trocas de matéria e energia mudam os limites entre as esferas terrestres, sua compo-

sição e características. Para se compreender a dinâmica do planeta, a concepção de Tempo Geológico é essencial, pois

a duração do conjunto de processos e fenômenos terrestres

exerce papel decisivo nos ciclos de transformação do Sis- tema Terra. Qualquer feição geológica ou rocha representa uma série de eventos naturais que estão situados em um in-

tervalo de tempo especí co da história geológica da Terra. Na progressão do tempo, percebem-se “ciclos in- cessantes de mudança” (Viñuales Solé et al. 1995, p. 10). Os processos que integram o Ciclo das Rochas (Cap. 1) são interdependentes. Mesmo reconhecendo-se que a ideia de ciclo seja simpli cada, uma etapa que se nda é

o ponto de partida de outra. Um modo e caz de propor

uma subdivisão didática que facilite o entendimento de ciclos baseia-se na ideia de processos e produtos. As rochas, os sedimentos, os solos, o magma, as formas de relevo, as cadeias de montanhas e as bacias sedimentares são todos eles construções que representam produtos de determi- nado ciclo; os processos, por sua vez, são os mecanismos incansáveis que promovem transformações à medida que realizam uxos (transferências) de energia. A partir do estudo das camadas rochosas que com- põem os domínios mais super ciais da Terra (como as ba-

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cias sedimentares), os geocientistas encontram evidências da história de modi cação das rochas do planeta e recons- troem cenários do passado geológico. Os domínios super- ciais ou bacias são áreas de acumulação de sedimentos, depositados ao longo do tempo em diferentes ambientes, por exemplo, uviais ou lacustrinos, como a Bacia do Pantanal (Fig. 1). Assim, embora os ambientes não mais existam em sua integralidade, eles podem ser revelados, ao menos em parte, a partir do estudo das evidências mate- riais de diferentes naturezas (físicas, químicas, biológicas) preservadas nas rochas. A reconstrução de cenários pre- téritos não é tarefa para uma única pessoa, tampouco é rápida: o conhecimento vem sendo construído ao longo de gerações e continuará a se ampliar graças à produção de novos conceitos, ao desenvolvimento de novos métodos de estudo e à modernização das tecnologias de observação.

A estrutura e limites dos continentes resultam de

complexa sucessão de eventos histórico-evolutivos que transformam o planeta no decorrer do Tempo Geológico. Os continentes modi cam-se em dezenas de milhões de anos, devido ao movimento gradual das placas tectônicas

(Cap. 5) causado pelo calor interno. Ao mesmo tempo, os agentes externos, animados pela força da gravidade e pelo calor do Sol, reduzem a amplitude do relevo. Os mecanismos do intemperismo causam transformações mecânicas e químicas que desagregam rochas e formam

novos minerais, e os de erosão e sedimentação esculpem e moldam novas formas de relevo.

A Teoria da Tectônica de Placas é conhecida mo-

dernamente como Tectônica Global. Neste livro, utiliza- remos como sinônimos ambas as denominações. A Tec- tônica Global busca analisar o comportamento dinâmico da Terra e seus processos: magmatismo, vulcanismo, se- dimentação, metamor smo, abalos sísmicos (terremotos), evolução de cadeias montanhosas e formação de recursos minerais e energéticos (como petróleo, gás e minerais radioativos). As transformações envolvidas podem ser tra- tadas segundo ciclos intimamente entrelaçados: os ciclos das rochas, das montanhas e dos continentes (Cap. 6).

JAMES HUTTON

A história do desenvolvimento da moderna Geo-

logia pode ser iluminada pelas conclusões do naturalista britânico James Hutton (1726-1797). Ele desenvolveu um modo peculiar de reconhecer, sistematizar e interpretar muitas marcas deixadas por acontecimentos passados, re- gistrados em rochas e outros materiais (Fig. 2). Para al- guns de seus contemporâneos, ele foi capaz de “conversar com as rochas”. Hutton observou muitos vestígios marinhos espa- lhados nos planaltos escoceses. Na época, as marcas eram explicadas por signi cativo rebaixamento do nível do mar,

por signi cativo rebaixamento do nível do mar, Figura 2. Gravura desenhada em Glen Tilt, Tayside,

Figura 2. Gravura desenhada em Glen Tilt, Tayside, por J. Hutton (Disponível em: <http://gallery.usgs.gov/images/07_22_2009/kOf6JVu22C_07_22_2009/

large/575015-Map

Glen_Tilt

Tayside.jpg>)

mas ele se perguntou: para onde teria ido tanta água? Sem obter resposta, supôs que o continente tivesse sido levan- tado e os depósitos, depositados muito tempo atrás no fundo mar, haviam sido soerguidos centenas de metros acima de onde se formaram. Ele foi mais atento do que seus contemporâneos em valorizar a erosão e os mecanismos de rebaixamento do relevo, responsáveis pela acumulação de materiais no fundo dos oceanos, ao lado dos continentes, para, longo tempo depois, serem empurrados para cima for- mando novos continentes. O engenhoso esquema cíclico de

destruição e construção de continentes foi a pedra de toque explorada até hoje em modelos muito mais complexos e detalhados. Na época, Hutton não podia responder a uma pergunta-chave: quais seriam os mecanismos que movem

o ciclo de destruição e construção de rochas e continentes?

Hoje, supomos que as placas litosféricas e os processos tec-

tônicos associados organizam uma sequência satisfatória de muitos eventos particulares que ocorrem em diferentes es-

calas de tempo e de espaço. São, em conjunto, responsáveis pela construção de feições de grande escala, como os cintu- rões montanhosos e assoalhos oceânicos, pelo desenvolvi- mento de bacias sedimentares, pelas causas dos terremotos

e vulcões, entre outros.

Hutton encontrou um modo seguro de identi car ciclos e processos na longa história geológica do nosso planeta: determinadas feições geológicas oferecem as “pistas” necessárias para o reconhecimento de fenômenos

e contam uma história do que aconteceu; é algo similar

ao que fazem historiadores diante de medalhas, moedas, urnas funerárias etc. para relatar a história da Antiguidade.

A concepção de Hutton envolve o calor interno da Terra, capaz de levantar continentes e consolidar rochas, as quais formariam novos solos e novas superfícies, sujeitas a in- temperismo e erosão. Os detritos por sua vez seriam re- carregados para o fundo dos oceanos, onde se transforma- riam em novas rochas. Hutton percebeu, por exemplo, que muitas mudanças na Terra são imperceptíveis para nós, porque ocorrem de modo muito lento: cálculos aproxi- mados do volume de sedimentos transportados pelos rios

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para o fundo dos oceanos indicam quantidades imensas, mas só foram feitos no século XX. No assoalho marinho os detritos são acumulados e compactados para se trans- formar mais tarde em rochas consolidadas. Muitas coisas estão se modi cando: minerais e rochas estão se renovando; solos são levados pela erosão, transformando-se em sedimentos, e outros estão se for- mando. No ciclo da natureza a água removeria materiais para o fundo do mar e o calor levantaria novos continentes para ocupar o lugar daqueles que foram desgastados. Uma boa ideia, cuja veracidade precisaria ser provada Quando Hutton visitou o vale do Rio Jed, em 1787, na Escócia, observou uma sequência de rochas cujas ca- madas não estavam depositadas horizontalmente, umas em cima das outras, como era comum (Fig. 3). Não eram nem mesmo paralelas entre si, porque exibiam uma descontinui- dade (termo usado mais tarde, depois da morte de Hutton). Na falta de explicação adequada, Hutton expôs sua ideia:

as camadas inferiores, depositadas no fundo do mar, foram com o tempo compactadas, dobradas e elevadas; com a fragmentação e erosão, as bordas verticais foram expostas e a ação contínua do processo retirou e transportou muito material; o nível topográ co das camadas rochosas tornou- -se cada vez mais baixo até que novos sedimentos devem ter sido depositados e consolidados, sem serem dobrados. Por m, deve ter havido uma segunda elevação do lugar. Hutton concluiu que no vale do Rio Jed (Fig. 3) havia provas de que os processos naturais se repetem em ciclos, ao longo de muito tempo. A região fora o fundo de um oceano onde se acumularam sedimentos, poste- riormente deformados no interior da Terra. A elevação, o desgaste e a erosão das rochas formaram gradativamente um novo local de deposição de sedimentos. As mudanças no ambiente percebidas por Hutton fazem parte de uma cadeia cíclica de eventos cuja duração é da ordem de cen- tenas de milhões de anos. Hutton comprovou transforma-

cen- tenas de milhões de anos. Hutton comprovou transforma- Figura 3. Representação artística da discordância

Figura 3. Representação artística da discordância observada por Hutton no vale do Rio Jed, perto de Edimburgo (Merguerian 2002. Disponível em <http://people.hofstra.edu/charles_merguerian/

Publications/PubsPdf/HU0704_Geol014NYNJGuide.pdf>)

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ções do passado do planeta mediante leitura das marcas impressas nas rochas. Foi como se tivesse descoberto uma “máquina do tempo” para o passado longínquo da história da Terra, dando um passo importante para se desvendar processos relacionados às forças internas da Terra. Apenas no século XIX as ideias de Hutton foram popularizadas, quando o escocês Charles Lyell (1797-1875) publicou o livro Principles of Geology em 1830.

O reconhecimento de vários ciclos de destruição e

construção de continentes, em um mesmo local, indicava que o tempo da natureza era muito longo. Muitos ainda acreditavam que a história da Terra possuía poucos mi- lhares de anos, o que era incoerente com as descobertas de Hutton. Lyell avançou os estudos de Hutton e detalhou algo que havia sido desconsiderado: o conteúdo de fósseis presentes nas camadas terrestres, as marcas de seres vivos do passado que caram registradas nas rochas).

A sequência faunística conhecida no nal do século

XVIII revelava a existência de animais pretéritos muito

diferentes dos atuais. Os seres vivos estão classi cados se-

gundo suas características e por meio de semelhanças e di-

ferenças com outros seres vivos; todos aqueles animais não poderiam pertencer a um único quadro taxionômico. Isso indicava o fato de terem existido em épocas diferentes. Assim, as camadas rochosas poderiam ser reconhecidas

e organizadas, e o tempo precisava necessariamente ser

muito mais longo do que se imaginava, o tempo da Terra

deveria ter milhões de anos.

O livro de Charles Lyell trouxe abundante infor-

mação sobre os fósseis e permitiu ordenar de forma con-

vincente o Tempo Geológico em eras. Isso foi decisivo

para popularizar entre os naturalistas a ideia de que a his- tória da Terra era muito longa – como Hutton imaginara.

A evolução do conhecimento geológico desde os

tempos de Hutton e Lyell foi vertiginosa. Em pouco mais de duzentos anos, os geocientistas edi caram uma teoria geral sobre a dinâmica da Terra, denominada Tectônica Global, desde o reconhecimento, nos anos 1960, de que as

placas integrantes da superfície da Terra estão em inces- sante movimento (ver Cap. 5). A Tectônica Global explica

o comportamento do planeta, a partir das interações dos

processos externos com os da dinâmica interna: magma- tismo, sedimentação, metamor smo e deformação de ro- chas no interior da crosta, que são os principais causadores das atividades sísmicas e terremotos.

A paisagem da Terra muda ao longo de centenas ou

milhares de anos. Além de não observarmos diretamente

os processos, pode ser que a semelhança entre a nova pai-

sagem

e a anterior di culte a comparação, fazendo-nos

pensar

que nada mudou. A primeira di culdade decorre

das diferenças entre as escalas dos fenômenos e das obser-

vações

feitas pelo homem. Cuidemos, pois, das escalas de

tempo

dos processos naturais.

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TEMPO ABSOLUTO E RELATIVO

A medida do Tempo Geológico era um problema que opôs Hutton a seus contemporâneos. O debate estendeu-se pelo século XIX. Hutton e sucessores pro- puseram que a Terra deveria ser mais antiga do que se imaginava, mas não havia um método seguro para ava- liar quanto tempo seria este. Mesmo o conhecimento das mudanças na vida, observadas por meio dos fósseis, não trazia informes quantitativos sobre a formação das camadas. Somente a descoberta da radioatividade no nal do século XIX e sua aplicação para avaliar a idade das rochas forneceu indícios da duração de cada era geológica. Desde os primórdios da investigação geológica,

a classi cação e nomenclatura das sequências sedimen-

tares mais recentes da história da Terra têm sido até certo ponto problemáticas. Nas primeiras duas décadas do século XIX, o sedimento inconsolidado que repousa em discordância sobre rochas terciárias, recobrindo as montanhas e frequentemente contendo fragmentos exó- ticos e restos de animais, muitos dos quais ainda exis- tentes, exercia “enorme fascínio sobre os homens cultos” (Lavina 2011). Os restos foram considerados produtos do Dilúvio Bíblico (a “Teoria do Dilúvio universal”). A origem pelo Dilúvio”, como foi chamada, era aceita pelos geólogos mais eminentes da época, incluindo Buckland

e Sedgwick. Em muitas passagens deste livro, você tomará con- tato com colunas estratigrá cas de diferentes partes do território brasileiro. As colunas mostram, de maneira es- quemática, o empilhamento das camadas (ou estratos) de determinada região, de tal modo que as rochas mais an- tigas são indicadas na base e as mais jovens situam-se no

topo da coluna. Tais representações grá cas são comuns em geologia, para bem descrever as unidades e a evolução geológica da região considerada e, a nal, facilitar a com- preensão de suas particularidades. As rochas são organi- zadas em grupos e formações, que constituem unidades litoestratigrá cas. Esse mecanismo foi estabelecido pelos geólogos para agrupar rochas com características comuns

e representá-las convenientemente em mapas.

Em quanto tempo se forma uma bacia sedimentar?

Bacias sedimentares são áreas que tendem a subsidir (termo que signi ca “afundar”) na crosta terrestre ao longo do tempo. A Bacia do Pantanal (Fig. 1) é um exemplo de bacia cujo preenchimento corresponde, mais ou menos, a um bolo de camadas: a espessura de sedimentos é em geral maior na parte central e diminui gradualmente em direção às bordas. Em certas bacias, cada camada que aparece de um lado, a partir da base da sequência, percorre toda a parte “inferior” do bolo e pode reaparecer do outro lado e

assim sucessivamente. A camada que ocupa a parte supe- rior do bolo é depositada sobre as demais. Bacias sedimentares são então porções subsidentes da crosta, preenchidas por sedimentos, que são às vezes muito antigos. Esses sedimentos foram depositados em

diferentes ambientes, marinhos ou continentais. Assim, as bacias sedimentares representam porções favoráveis para

o reconhecimento da evolução geológica da Terra, assim

como para precisar a evolução dos ambientes antigos de

sedimentação e sua relação com o Tempo Geológico. A Bacia do Paraná é mais antiga que a do Pantanal:

a camada superior depositou-se ao nal do Cretáceo, há

mais de 65 milhões de anos. Para fazer uma ideia apro- ximada de quanto tempo demorou para se formar uma bacia com as gigantescas dimensões da Bacia do Paraná, por exemplo, precisamos primeiro entender o que se quer dizer com a expressão “durante períodos de tempo muito longos” que utilizamos acima. Estamos acostumados a ver situações, no ambiente natural ou arti cialmente construído, cujo desenvolvi- mento ocorre em velocidades bastante rápidas: o voo de um pássaro, um trovão, a passagem de um automóvel, uma ventania. Temos que mudar a escala de percepção para imaginar intervalos de tempo ainda mais longos, como a lenta migração de um bando de aves, um temporal, o des- locamento completo de um veículo por uma longa estrada, uma garoa suave etc. Imagine agora qual seria o ajuste ne- cessário para pensar em eventos que aconteceram durante intervalos de tempo ainda maiores. Se visitarmos o Parque Natural do Varvito, na cidade de Itu (SP), teremos contato visual com o esplêndido registro de camadas sedimentares acumuladas e compactadas ao longo do tempo, um inter- valo de tempo muito longo (Fig. 4). Mas quanto tempo? Nessa época remota, há 300 Ma, o ambiente do Sul-Sudeste do Brasil seria muito distinto do atual. A América do Sul e grande parte dos continentes atuais, como África, Antártida, Índia, Austrália e Madagascar estavam unidos e, além disso, situados próximos ao polo sul terrestre. Grandes geleiras formaram-se sobre esse continente antigo. Rochas sedimentares de origem glacial se formaram, constituindo então registro ou “prova” do evento glacial antigo. Entre elas, depositou-se o Varvito de Itu, num antigo lago glacial. Ocorrências similares às do Varvito de Itu, em outros locais do vasto supercontinente, se formaram, igualmente, no fundo de antigos lagos. De- vemos, pois, imaginar fenômenos que aconteceram sob condições muito distintas das de hoje e, além disso, con- ceber lagos calmos, recebendo a descarga de argilas e siltes transportados por águas de degelo. Qualquer feição geológica, solo, sedimento ou rocha, resulta da interação de uma série de eventos na- turais, situados em um intervalo de tempo especí co da história geológica da Terra.

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Figura 4. Camadas horizontais contínuas do Varvito de Itu. As sutis ondulações re etem condições

Figura 4. Camadas horizontais contínuas do Varvito de Itu. As sutis ondulações re etem condições especí cas que vigoraram ao tempo da deposição de cada camada. O martelo serve como escala da fotogra a.

Processos e ciclos geológicos

Uma classi cação simpli cada do tempo em ciclos

e processos geológicos permite comparar os eventos con-

forme sua duração relativa (Costa e Inda 1992). Processos

e ciclos interagem uns com os outros de modo complexo.

A classi cação é arti cial, porque um processo de menor duração que aparece em uma categoria está necessaria- mente incluído em outra; individualizá-los é, muitas vezes, impossível. Por outro lado, a classi cação revela processos difíceis de reconhecer e tem a vantagem de separá-los da- queles que observamos diretamente ou temos notícia mais frequentemente pelos jornais e canais de TV. De fato, os processos e ciclos mais lentos são identi cados somente por meio de evidências indiretas, de modo que jamais po- deremos observar a longa cadeia de fenômenos envolvidos. Períodos excessivamente curtos, medidos em se- gundos, minutos e horas, como tempestades, furacões, terremotos e tsunamis, correntes de turbidez, cata- clismas vulcânicos, deslizamentos e avalanches, im- pacto de meteoritos, catástrofes em geral, depósitos tecnogênicos e modi cações do meio ambiente pela esfera antrópica (incêndios, poluição sonora etc.). Processos de duração muito curta, medidos em meio dia, dias e semanas, como o ciclo das marés e depósitos correlatos; variação diurna de temperatura devido à rotação da Terra; tempestades e inundações com depósitos de inunditos (sedimentos ligados a inun- dações) e escorregamentos; cataclismas vulcânicos e depósitos de tufos e piroclastos inconsolidados; depó-

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Geologia do Brasil

sitos tecnogênicos e modi cações do meio ambiente pela esfera antrópica (incêndios, desmatamentos, po- luição do ar e das águas super ciais etc.). Processos de duração curta, medidos em ano, vá- rios anos e décadas, como a formação da camada de húmus do solo; variações climáticas sazonais; va- riação da calota polar; crescimento anual dos animais e vegetais; depósitos tecnogênicos e modi cações do meio ambiente pelo homem (poluição do ar e das águas super ciais e subterrâneas); subsidências etc. Processos de duração média, medidos em séculos a poucos milhares de anos, como as variações climá- ticas globais; formação de planícies de inundação; variações da linha de costa; assoreamento de lagos; formação de solos de 0,5 m a 2,0 m de espessura; precessão e variações na inclinação do eixo da Terra; depósitos tecnogênicos (lixo, esgotos, e uentes in- dustriais, rejeitos em geral etc.) e modi cações do meio ambiente pela esfera antrópica. Ciclos de duração longa, medidos em várias dezenas, em centenas de milhares até alguns milhões de anos. Envolvem os ciclos climáticos globais de longa du- ração, oscilações climáticas entre eras glaciais e in- terglaciais no sistema terrestre; desenvolvimento de solos muito espessos; variações no sistema de cor- rentes oceânicas profundas; intemperismo químico extensivo; evolução das espécies; mudança no sentido de movimento das placas tectônicas; utuações eus- táticas (do nível do mar em relação às terras emersas)

UM OLHAR GEOLÓGICO

PARA O TEMPO PROFUNDO

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com amplitudes acima de 100 m; excentricidade

e alterações cíclicas da órbita da Terra; inversão do

campo magnético. Ciclos de duração extremamente longa, medidos em dezenas de milhões a bilhões de anos. Incluem pro- cessos evolutivos da crosta, manto e núcleo da Terra; formação de continentes, ilhas e áreas oceânicas; de- riva continental; formação de cadeias montanhosas devido a colisões entre placas; erosão e aplainamento das cadeias de montanhas; transgressões e regressões em escala continental; fases orogenéticas (formação de montanhas ou terras emersas) e metalogenéticas (formação de recursos minerais); surgimento da vida

e criação da atmosfera, estratosfera, entre outras; evo- lução das espécies etc.

PRINCIPAIS INTERVALOS DO TEMPO GEOLÓGICO

A história da natureza tem sido subdividida em pe-

ríodos com dezenas de milhões de anos cada um. O re-

gistro geológico possibilitou dividir a história geológica da Terra em éons, eras, períodos, épocas e idades. A Escala de Tempo Geológico adotada neste livro segue as proposições de Gradstein et al. (2004), Ogg et al. (2008), e ICS (2010). O início de cada intervalo é registrado por algum fenômeno marcante na evolução do planeta, aparecimento de certos tipos de seres vivos, ou desaparecimento de outros, que viviam no intervalo imediatamente mais antigo. Episó- dios de extinção em massa de espécies sempre intrigaram os cientistas da natureza – como por exemplo, o que marcou o m do Permiano e varreu do mapa 90% das espécies entre o Permiano e o Triássico, há 252 milhões de anos.

O éon mais antigo, e menos conhecido, é denomi-

nado Hadeano. Nessa época, a Terra formou-se a partir da acresção de pequenos planetesimais primitivos, aglo- merados de gás e partículas de poeira e gás. À medida que

os planetesimais eram atraídos uns pelos outros sob a in- uência da gravidade, as colisões construíram corpos cada vez maiores.

A maioria dos meteoritos que ainda hoje aterrisa na

superfície constitui fragmentos de planetesimais primor- diais. Admite-se que um corpo do tamanho da Terra deva ter demorado entre 50 e 100 Ma para crescer. Desde que

foi criada, a Terra permanece em órbita em torno da estrela surgida no centro da nebulosa. Até hoje o Sol continua a banhar os satélites com emanações de luz, gás e energia.

O éon seguinte, Arqueano, estende-se de 3,9 a 2,5

bilhões de anos, sucedido pelo Proterozoico, de 2,5 bilhões de anos a 542 milhões de anos e, por m, o Fanerozoico,

que vai até os dias atuais. A vida pode ter evoluído na Terra há mais de 3,8 Ga (Mojzsis et al. 1996), sob con- dições inicialmente severas, que podem ser comparadas

às encontradas nas cordilheiras submarinas ou no Parque Nacional de Yellowstone (EUA), onde foram descritos os seres termó los, organismos que obtêm a energia neces- sária para viver a partir de fontes químicas, exclusivamente inorgânicas. A vida também pode ter evoluído em camadas de rochas profundas abaixo de continentes e assoalhos oceânicos (Harrison et al. 2004). Anteriormente pensava- -se que essas zonas fossem muito pobres em nutrientes para sustentar a vida, porém já foram encontrados micror- ganismos, como bactérias, em amostras de rochas reco- lhidas a cerca de 3.000 m abaixo da superfície, sob tempe- raturas de até 75°C.

O Arqueano é, ainda, relativamente pouco conhe-

cido. Caracteriza-se por apresentar alto gradiente termal, crosta na sobre manto muito plástico, placas possivel- mente bem menores do que as atuais e atmosfera redutora, isto é, desprovida de oxigênio livre. Neste éon surgiram os primeiros registros de vida no planeta, na forma de algas azuis e verdes capazes de efetuar fotossíntese e iniciar a produção de oxigênio (O 2 ) para a atmosfera.

O Proterozoico é dividido nos períodos Paleopro-

terozoico (2,5 a 1,6 Ga), Mesoproterozoico (1,6 a 1,0 Ga)

e Neoproterozoico (1,0 a 0,54 Ga). Na evolução do terri-

tório brasileiro há amplos registros de rochas formadas em

cada um desses éons. No Proterozoico, o planeta estaria mais estável e

consolidado, com placas tectônicas mais espessas e rígidas, menor uxo térmico, menor atividade vulcânica, atmos- fera progressivamente mais oxidante e com maior quan- tidade de oxigênio (Windley 1995). Em diferentes partes do território nacional, o estudo e a descrição de rochas ar- queanas e proterozoicas revelam testemunhos (ou relictos de uma evolução) que permitem compreender melhor a evolução da atmosfera, biosfera e hidrosfera durante essa etapa “primitiva” da evolução do planeta Terra. O Fane- rozoico é a etapa de explosão da vida na Terra, com plena atuação de placas tectônicas e amplo desenvolvimento da vida, até atingir formas mais semelhantes às da espécie hu- mana, em ns do Neógeno. Existem determinadas porções da crosta terrestre que foram enriquecidas em diversos elementos químicos (Fe, Au, Mn, U, Al etc.), em função de processos geoló- gicos especí cos. Esses processos fundamentais, como magmatismo, sedimentação e metamor smo, ocorreram ao longo do Tempo Geológico. No Brasil, esses processos relacionam-se fundamentalmente com os éons Arqueano

e Proterozoico. As regiões do Brasil favorecidas pela natu-

reza apresentam-se como celeiros de depósitos minerais, ou seja, constituem áreas com grande atividade de extração de minérios. Conforme abordaremos adiante neste livro, as regiões da Serra dos Carajás e do Quadrilátero Ferrí- fero apresentam concentrações econômicas de ouro, ferro, manganês, cobre e alumínio, entre outros bens minerais.

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