Você está na página 1de 18

Cargas atuantes sobre equipamentos de subestações

1- Objetivo

O presente trabalho tem como objetivo principal mostrar os procedimentos de cálculo necessários para se obter à carga de vento que atua sobre alguns equipamentos de uma subestação. Além das cargas de vento, serão mostradas outras cargas que também atuam sobre os mesmos equipamentos.

Os equipamentos que fazem parte deste trabalho já estão em funcionamento na SE Aparecida que é uma subestação de 69 kV e está situada na cidade de Manaus, estado do Amazonas.

kV e está situada na cidade de Manaus, estado do Amazonas. Vista Geral da Subestação de

Vista Geral da Subestação de Aparecida

2- Equipamentos

2.1- Transformador de Potencial - TP

Podem ser capacitivo (TPC) ou indutivo (TPI). São equipamentos destinados a transformar com exatidão, sinais de elevados níveis de voltagem, em sinais de baixa voltagem, afim de que possam ser medidos ou utilizados em relés de proteção.

Vista Lateral do Transformador de Potencial 2.2- Transformador de Corrente – TC São equipamentos destinados

Vista Lateral do Transformador de Potencial

2.2- Transformador de Corrente – TC

São equipamentos destinados a transformar altas correntes alternadas em baixas correntes alternadas compatíveis com os relés e medidores. Esses equipamentos são utilizados em redes com elevadas voltagens.

são utilizados em redes com elevadas voltagens. Vista Frontal do Transformador de Corrente 2.3- Disjuntor

Vista Frontal do Transformador de Corrente

2.3-

Disjuntor

São equipamentos destinados a interromper elevadas correntes provenientes dos sistemas de energia compatíveis com os elevados níveis de voltagem das subestações.

Vista Lateral do Disjuntor 3- Parâmetros de cálculo Características da cidade de Manaus - AM

Vista Lateral do Disjuntor

3- Parâmetros de cálculo

Características da cidade de Manaus - AM 1 :

Temperatura média = 26 0 C; Velocidade básica do vento (

Altura do solo = 10 m Terreno de categoria B 2 ; Período de retorno 3 (T )= 500 anos; e Altitude média da região = 31 m.

V

B

)

= 26 m/s;

4- Cálculo dos carregamentos

4.1- Carga de Vento

4.1.1- Correção do período de retorno

Como para instalações industriais do tipo subestações são adotados geralmente períodos de retorno de 500 anos e como a figura 28 – Velocidade básica do vento da NBR-5422/1985 refere-se ao período de retorno de 50 anos, devemos corrigir a velocidade básica do vento para o período adotado.

1 Os valores abaixo, com a exceção da altitude média da região, foram retirados da NBR-5422/1985.

2 Para a categoria B (Terreno aberto com poucos obstáculos k r = 1,00 ver tabela 1 – Coeficientes de rugosidade do terreno da NBR-5422/1985).

3 Período de retorno (T) – é o intervalo médio entre ocorrências sucessivas de um mesmo evento durante um período de tempo relativamente longo. Corresponde ao inverso da probabilidade de ocorrência do evento no período de um ano.

Então:

V

T

=

^

β

l

n

l

n

1

1

T

^

α

onde: αˆ = estimador do fator de escala da distribuição de Gumbel, obtido da figura 29 da NBR-5422/1985;

= estimador do fator de posição da distribuição de Gumbel, obtido da figura 30 da NBR-5422/1985;

ˆ

β

T = período de retorno; e

V

T

= velocidade básica do vento corrigida.

No caso de dados próprios, a velocidade básica corrigida pode ser calculada como indicado no Anexo C da NBR-5422/1985, a seguir.

V

T

=

V

B

A

+

B

l

n

l

n

1

1

T

 

C

, A =10,45

σ

V

V

V

,

B =

6 σ V
6
σ
V

π V

, C =1+ 2,59

Com:

σ

V

V

= 0,2

onde: σ

V

= desvio-padrão das velocidades de vento máximas anuais registradas durante n anos. Para uma boa aproximação n 20 anos.

σ

V

V

V

V = valor médio das velocidades de vento máximas anuais registradas durante n anos. Para uma boa aproximação n 10 anos.

então

A =10,45 × 0,2 = 0,91,

B

=

6
6

π

×

0,2

=

0,16

, C =1+ 2,59 × 0,2 =1,52 , logo:

1 0,91 + 0,16 − l − l 1 − n n 500 m V
1
0,91
+
0,16
l
l
1
n
n
500
m
V
=
26 ×
= 32,57
T
s
1,52
4.1.2- Cálculo da velocidade do vento de projeto

onde:

Então:

K

r

K

d

H

n

V

T

V p

V

p

=

K

r

×

K

d

H

10

×

1

n

× V

T

= 1 (coeficiente de rugosidade para terreno de categoria B, ver tabela 1 da

NBR-5422/1985);

= 1,4 (para terreno categoria de categoria B e período de integração = 2s , ver figura 1 da NBR –5422/1985); 5,40 m (altura de instalação do maior equipamento);

=

=

12 (para terreno de categoria B e período de integração = 2s 1 , ver tabela 2 da NBR-5422/1985); e

= velocidade básica do vento corrigida.

= 1

×

1,4

5,40

10

×

1

12

×

32,57

=

43,32

m s
m
s

4.1.3- Cálculo da pressão dinâmica de referência

onde:

q o

=

1 × ρ ×V
2

2

p

( N m
(
N
m

ρ = massa específica do ar, em

kg m 3
kg
m
3

V

p

= velocidade do vento de projeto.

; e

2 )

4.1.3.1- Cálculo da massa específica do ar

onde:

t

=

10

o

ρ

C

=

1,293

1

+

0,00367

16000

+ 64

×

t

ALT

16000

+ 64

×

t

+

ALT

kg 3 m
kg
3
m

(temperatura coincidente, em

o

C ); e

ALT = 31 m (altitude média da região de implantação da linha, em metros).

1 O período de integração (t) adotado igual a 2s, foi o recomendado pela NBR-5422/1985 no item 8.2 que trata das cargas de vento.

Então:

ρ =

1,293

1

+ 0,00367

16000

16000

+ 31,0 = 1,28

+ 31,0

10

64

×

10

64

×

+

m
m

kg

3 sendo assim,

a pressão dinâmica de referência q o fica: 1 2 N ( q o =
a pressão dinâmica de referência
q
o fica:
1
2
N
(
q o =
×
1,28
×
43,32
=
1201,04
1,2kN m
2
2
m

2 )

em kgf

1201,04

q o =

9,81

= 122,43

m
m

kgf

2

4.2- Cálculo da ação do vento nos cabos do barramento

O barramento é constituído pôr cabos de alumínio sem alma de aço do tipo “Violet”, com φ = 24,71mm e ρ =1,0kgf m .

“Violet”, com φ = 24,71 mm e ρ = 1,0 kgf m . A c =

A

c

=

q

o

×

C

xc

×

α

×

d

×

Z

2

× sen

2 θ

(N )

onde:

q

o = pressão dinâmica de referência;

C

xc = coeficiente de arrasto, igual a 1,0 (NBR-5422/1985);

α

d

Z

θ

= fator de efetividade = 1,0, adimensional (figura 2 da NBR-5422/1985);

= diâmetro do cabo, em (m);

= 6 m (para todos os equipamentos) comprimento do vão considerado; e

= ângulo de incidência do vento (

90

o

)

em relação a direção do vão.

Então:

A

c

=

122,43

×

1,0

×

1,0

×

0,0247

×

3,0

×

sen

2 90

o

=

9,0

kgf

(0,09kN)

4.3- Cálculo da ação do vento no equipamento e no suporte

Para suportes cilíndricos com diâmetro maior que 20 cm, a ação do vento aplicado no centro de gravidade é como a seguir:

onde:

A TC

= q

o

× C

xTC

× d × l × sen

3

γ

(N )

q

o = pressão dinâmica de referência;

C

xTC = coeficiente de arrasto para um vento perpendicular ao eixo do suporte, (figura 5 da NBR-5422/1985);

d

=

diâmetro médio do suporte, em (m);

l

=

comprimento do suporte, em (m); e

γ

=

ângulo formado pela direção do vento e o eixo do suporte.

onde:

R

e

ρ

d 2 q o ρ R = e υ = número de Reynolds; kgf =
d
2 q
o ρ
R
=
e
υ
= número de Reynolds;
kgf
= massa específica do ar, em
; e
3
m

υ = viscosidade cinemática do ar (

υ =

1,45

×

10

5 m

2 ) s
2
)
s

a

15

o C

.

4.3.1- Transformador de potencial (TP)

4.3.1.1- Equipamento

Como: d = 350 mm = 0,35 m

e

l

= 1,510 m,

dados pelo fabricante, vem:

R

A

A

e

=

TC

0,35 2 × 122,43 1,28 − 5 1,45 × 10 = 122,43 × 0,75 ×
0,35
2
× 122,43 1,28
− 5
1,45
× 10
= 122,43
×
0,75
×
0,35

=

×

0,33

×

10

6

1,510

×

sen

3

altura média do equipamento)

4.3.1.2- Suporte

figura 5 da NBR-5422

C

xTC

= 0,75

90

o

=

48,53 kgf

(0,48kN)

(aplicada na

Como: d = 150 mm = 0,15 m e l = 2,00 m, dados pelo fabricante, vem:

0,15 2 × 122,43 1,28 = = 0,14 R e − 5 1,45 × 10
0,15
2
× 122,43 1,28
=
=
0,14
R e
− 5
1,45
× 10
A
= 122,43
×
0,75
×
0,15
×
2,0
×
TC

suporte)

× 10

sen

3

6

90

figura 5 da NBR-5422

C

xTC

= 0,75

o

=

27,55 kgf

(0,27kN) (aplicada na altura média do

4.3.2- Transformador de corrente (TC)

4.3.2.1-Equipamento

Como: d = 350 mm = 0,35 m

e

l

= 2,56 m,

dados pelo fabricante, vem:

4.3.2.2-

0,35 2 × 122,43 1,28 = R = 0,33 × 10 e − 5 1,45
0,35
2
×
122,43 1,28 =
R
=
0,33
×
10
e
5
1,45
×
10
A
=
122,43
×
0,75
×
0,35
×
2,56
×
sen
TC

6

3

figura 5 da NBR-5422

C xTC

= 0,75

90

o

=

82,27 kgf

(0,81kN)

(aplicada na

altura média do equipamento)

Suporte

Como: d = 150 mm = 0,15 m e l = 2,00 m, dados pelo fabricante, vem:

0,15 2 × 122,43 1,28 R = = 0,14 e − 5 1,45 × 10
0,15
2
× 122,43 1,28
R
=
= 0,14
e
− 5
1,45
× 10
A
=
122,43
×
0,75
×
0,15
×
2,0
×
TC

média do suporte)

× 10

sen

3

6

90

figura 5 da NBR-5422

C

xTC

= 0,75

o

=

27,55 kgf

(0,27kN)

(aplicada na altura

4.3.3- Disjuntor

4.3.3.1- Equipamento

Como: d = 300 mm = 0,30 m (diâmetro médio das colunas dos isoladores

e

l = 3,139 m, dados pelo fabricante, vem: 0,30 2 × 122,43 1,28 6 R
l
= 3,139 m,
dados pelo fabricante, vem:
0,30
2
× 122,43 1,28
6
R
=
=
0,28
×
10
figura 5 da NBR-5422
C
= 0,75
e
xTC
− 5
1,45
× 10
3
o
A
=
122,43
×
0,75
×
0,30
×
3,139
×
sen
90
=
86,47 kgf
(0,85kN) (aplicada na
TC

altura média das colunas de isoladores)

4.3.3.2-

Suporte metálico treliçado

Para suportes metálicos treliçados de seção transversal retangular, o esforço devido à ação do vento sobre os troncos de comprimento l , aplicado nos centros de gravidade, é calculado como a seguir (item 8.2.4 da NBR-

5422/1985):

A

t

= q

o

×

(

1

+

0,2sen

2

θ)

2

×

(

S

T

1

× C

xT

1

sen

2

θ

+ S

T

2

× C

xT

2

cos

2

θ)

(N )

onde:

q

o = pressão dinâmica de referência;

θ = ângulo de incidência do vento, figura 3 da NBR-5422/1985;

S

T

1

C

xT

1

,

,

S

C

T

2

xT

2

= área líquida total de uma face projetada ortogonalmente sobre um plano vertical situado na direção das faces 1 e 2,

respectivamente, em

2

m

; e

= coeficiente de arrasto próprio das faces 1 e 2, para um vento

perpendicular a cada face, figura 4 da NBR-5422/1985.

Área

perpendicular a cada face, figura 4 da NBR-5422/1985. Área Bruta = 2,06 × 0,50 = 1,03

Bruta = 2,06 × 0,50 =1,03m

2

,

Área

líquida

estimada :

S

T

1

=

S

T

2

=

0,26m

2

Φ =

então:

Área

Área

Líquida

Bruta

= 0,25

figura 4, com Φ = 0,25 e painéis com cantoneiras,

vem:

C

xT

1

,

C

xT

2

= 2,7

A

t

=

122,43

×

(

1

+

0,2

2

sen

180

o

)

×

(

0,26

×

2,7

2

sen

90

o

+

0,26

×

2

2,7cos 90

o

)

=

85,95 N

(0,086kN) (aplicada na altura média do suporte)

4.4- Carga de curto-circuito entre condutores

Existem vários estudos a respeito que conduzem a diferentes valores para a força de curto-circuito, entre eles:

NEMA 1

CIGRÉ 2

F cc

F cc

= 0,1414×

= 0,0721×

I 2 kgf m d I 2 kgf m d
I 2
kgf
m
d
I 2 kgf
m
d

;

; e

1 National Electrical Manufactures Association

2 Conseil International des Grandes Réseaux Électriques

IEEE 3

onde:

F cc

F cc

= 0,0562 ×

I

2

d

kgf m
kgf
m

.

= força de curto-circuito;

I

=

31,5 kA corrente de curto-circuito; e

d

= distância entre fases, em (m).

Adotaremos a fórmula do CIGRÉ que é a mais usada. Sendo assim,

F cc

= 0,0721×

I

2

d

A força de curto-circuito não se aplica aos transformadores de corrente (TC) e ao disjuntor. E só é considerada quando ocorre apenas em uma fase do transformador de potencial (TP). Como a distância entre fases no transformador de potencial é igual a 1,5m e a corrente de curto-circuito é igual a 31,5 kA (valores dados pelo fabricante), a força de curto-circuito fica:

F cc

=

0,0721

×

(

31,5

)

2

1,5

para uma fase

= 47,69

kgf (0,47kN m) , m
kgf
(0,47kN m) ,
m

F cc = 47,69 × 3 =143,1

kgf (1,40kN m) m
kgf
(1,40kN m)
m

5 - Esquemas de carregamentos

3 = 143,1 kgf (1,40kN m) m • 5 - Esquemas de carregamentos 3 Institute of

3 Institute of Electrical and Electronics Engineers

F1 =

F2 =

F3 = Peso próprio do barramento = 1,0kgf F4 = Ação do vento no suporte.

A

c Ação do vento nos cabos do barramento;

A tc

Ação do vento no equipamento;

m× 3 m = 3,0 kgf ; e ×3m = 3,0kgf ; e

tc Ação do vento no equipamento; m × 3 m = 3,0 kgf ; e F1

F1 =

F2 =

F3 = Peso próprio do barramento = 1,0kgf F4 = Ação do vento no suporte.

A

c

A tc

Ação do vento nos cabos do barramento;

Ação do vento no equipamento;

m× 3 m = 3,0 kgf ; e ×3m = 3,0kgf ; e

suporte. A c A tc Ação do vento nos cabos do barramento; Ação do vento no

F1 =

F2 =

F3 = Peso próprio do barramento = 1,0kgf m×3m = 3,0kgf ; F4 = Ação do vento no suporte; F5 = Esforço dinâmico horizontal de operação do disjuntor = 100kgf ; e F6 = Esforço dinâmico vertical de operação do disjuntor = 1.200kgf .

A

c Ação do vento nos cabos do barramento;

A tc

Ação do vento no equipamento;

cabos do barramento; A tc Ação do vento no equipamento; F1 = A c + F
cabos do barramento; A tc Ação do vento no equipamento; F1 = A c + F

F1 = A

c

+

F

cc

= 9 +143,1152

kgf

Ação do vento nos cabos do barramento + força de

curto-circuito;

F2 =

F3 = Peso próprio do barramento = 1,0kgf m×3m = 3,0kgf ; F4 = Ação do vento no suporte; F5 = Esforço dinâmico horizontal de operação do disjuntor = 100kgf ; e F6 = Esforço dinâmico vertical de operação do disjuntor = 1.200kgf .

A tc

Ação do vento no equipamento;

= 1.200 kgf . A tc Ação do vento no equipamento; 6- Conclusão Por menor que

6- Conclusão

Por menor que seja uma edificação ou um equipamento, o engenheiro não deve desprezar os efeitos das ações do vento sobre os mesmos.

Mesmo que pequenas, elas podem ser aliadas a outras ações e o conjunto se tornar significativo, causando sérios danos as estruturas ou aos equipamentos.

Isto aconteceu, por exemplo no suporte do transformador de corrente (TC) de 500 kV da SE Vila do Conde, cuja seção transversal (inércia) foi calculada desconsiderando a ação da carga horizontal do vento.

Por conseguinte, a área de aço também foi subdimensionada, o que resultou na ruptura do suporte.

foi subdimensionada, o que resultou na ruptura do suporte. Vista do suporte (duplo T) rompido Vista

Vista do suporte (duplo T) rompido

que resultou na ruptura do suporte. Vista do suporte (duplo T) rompido Vista do conjunto: suporte,

Vista do conjunto: suporte, capitel e TC

==++==

ANEXOS

15
16
16
17
17
18
18