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Avaliação 1 – Estudos Sobre a Violência Policial e Criminologia Matheus Núbile Porto da Silva

Avaliação 1 Estudos Sobre a Violência Policial e Criminologia

Matheus Núbile Porto da Silva

Rio de Janeiro, Niterói, 20 de julho de 2016

A ditadura militar brasileira que teve seu início em primeiro de abril de mil novecentos e sessenta e quatro se deu a partir de um golpe civil-militar com o objetivo de depor o então presidente do Brasil João Goulart, que havia se comprometido a realizar amplas reformas de base que promoveriam uma alteração nas estruturas socioeconômicas do país. A primeira tentativa de golpe foi com a renúncia de Janio Quadros quando Jango estava na China; os ministros militares se opuseram a sua posse, enquanto Brizola dava início a campanha da legalidade que exigia a posse de Jango. Como os militares não recuavam, o congresso apresentou uma proposta conciliatória, transformando o país em um Parlamentarismo, que retiraria parte do poder de Jango e o transferiria para um primeiro ministro que chefiaria o governo. Com a queda do Parlamentarismo e a

volta do poder de Jango, os militares voltavam a ver Jango como uma ameaça ao país; enquanto ele perdia forças no Congresso. A proposta de Reforma Agrária; a condecoração de Ernesto “Che” Guevara pelo antecessor de Jango, Jânio Quadros;

e a Revolução Cubana, e seu alinhamento a União das Repúblicas Socialistas

Soviéticas; acentuaram nas alas mais reacionárias da sociedade brasileira (Igreja

Católica. Empresariado, imprensa, militares) um temor de que o Brasil viria a se tornar um país comunista em decorrência de um golpe arquitetado por Jango, devido seu suposto alinhamento a ideologia comunista. Porém dois fatores foram determinantes para dar curso ao golpe. O primeiro foi o empenho do governo Norte Americano de barrar o avanço do socialismo na América Latina e explorar os recursos naturais e mercado regional, utilizando de artifícios políticos; como as ações do embaixador Norte Americano e ações militares; que foram fundamentais

para a pregação e articulação do golpe civil-militar e posteriormente o apoio à ditadura militar. O segundo, e talvez mais importante fator para a concretização do golpe, foi a articulação dos militares de alta patente das Forças Armadas Brasileiras, que já vinham há muito tempo se sentindo excluídas dos processos políticos do país; e que já eram instituições politizadas, tendo construído o movimento tenentista

e dado apoio à Revolução de 30; já haviam se aliado a setores de direita da

sociedade. A relação entre Jango e o Militares conservadores fica mais sensível

após o presidente dar apoio aos militares de baixa patente na Revolta dos

Marinheiros. Apoiado pelo exército norte americano, por lideranças políticas nacionais (como o governador do Estado da Guanabara), e por alas da sociedade, Jango é deposto do cargo de presidente, e assume o presidente do congresso. Poucos dias depois o Congresso elege (de forma indireta) Castello Branco, que deveria governar o país até o ano seguinte quando haveriam novas eleições.

O AI-5, baixado em 13 de dezembro de 1968, foi o Ato Institucional mais duro do regime. Ele dava poder aos governantes para punir, arbitrariamente, qualquer um que fosse contrário ao regime, cassar direitos políticos, decretar o recesso do Congresso, e caçar mandatos parlamentares, sem apreciação judicial. No mesmo dia foi decretado o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado. Em suma o AI-5 proibia de forma repressiva qualquer manifestação de caráter político no país; endurecia ainda mais a perseguição aos sindicalistas, proibindo o direito ao voto em eleições sindicais. Foi o recrudescimento da Ditadura Militar, e da Doutrina de Segurança Nacional. Nesse período os militares passaram a censurar filmes, jornais e músicas com mais frequência. O decreto do AI-5 também fez com que alguns membros do ARENA que eram opostos aos militares “Linha Dura” abandonassem o partido.