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CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS ELÉTRICOS E DO SETOR ELÉTRICO DE PAÍSES E / OU ESTADOS SELECIONADOS
CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS ELÉTRICOS E DO SETOR ELÉTRICO DE PAÍSES E / OU ESTADOS SELECIONADOS
CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS ELÉTRICOS E DO SETOR ELÉTRICO DE PAÍSES E / OU ESTADOS SELECIONADOS
CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS ELÉTRICOS E DO SETOR ELÉTRICO DE PAÍSES E / OU ESTADOS SELECIONADOS
CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS ELÉTRICOS E DO SETOR ELÉTRICO DE PAÍSES E / OU ESTADOS SELECIONADOS

CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS ELÉTRICOS E DO SETOR ELÉTRICO DE PAÍSES E / OU ESTADOS SELECIONADOS

Desenvolvido como parte do Projeto de P&D PANORAMA E ANÁLISE COMPARATIVA DA TARIFA DE ENERGIA ELÉTRICA DO BRASIL COM TARIFAS PRATICADAS EM PAÍSES SELECIONADOS, CONSIDERANDO A INFLUÊNCIA DO MODELO INSTITUCIONAL VIGENTE

OUTUBRO/2014

SUMÁRIO

SISTEMAS ELÉTRICOS DE PAÍSES EUROPEUS

5

1. ALEMANHA

5

 

1.1. Sistema Elétrico da Alemanha

5

1.2. Estrutura do setor elétrico da Alemanha

10

2. ESPANHA

16

 

2.1. Sistema Elétrico da Espanha

16

2.2. Estrutura do setor elétrico da Espanha

20

3. FINLÂNDIA

26

 

1.1. Sistema Elétrico da Finlândia

26

1.2. Estrutura do setor elétrico da Finlândia

30

4. FRANÇA

36

 

4.1. Sistema Elétrico da França

36

4.2. Estrutura do Setor Elétrico da França

42

5. ITÁLIA

48

 

5.1. Sistema Elétrico da Itália

48

5.2. Estrutura do setor elétrico da Itália

53

6. NORUEGA

61

 

6.1. Sistema Elétrico da Noruega

61

6.2. Estrutura do setor elétrico da Noruega

64

7. PORTUGAL

72

 

7.1. Sistema Elétrico Português

72

7.2. Estrutura do Setor Elétrico Português

78

8. REINO UNIDO

87

 

8.1. Sistema Elétrico do Reino Unido

87

8.2. Estrutura do setor elétrico do Reino Unido

92

9. REPÚBLICA TCHECA

98

 

9.1. Sistema Elétrico da República Tcheca

98

9.2. Estrutura do setor Elétrico da República Tcheca

104

10. SUÉCIA

114

 

10.1. Sistema elétrico da Suécia

114

10.2. Estrutura do setor elétrico na Suécia

119

SISTEMAS ELÉTRICOS DE PAÍSES LATINO AMERICANOS

126

1.

ARGENTINA

126

1.1. Sistema Elétrico Argentino

127

1.2. Estrutura do setor elétrico da Argentina

135

2

2.

BRASIL

147

2.1. Sistema elétrico do Brasil

147

2.2. Estrutura do setor elétrico no Brasil

159

3. CHILE

175

3.1. Sistema Elétrico do Chile

175

3.2. Estrutura do setor elétrico do Chile

182

4. COLOMBIA

188

4.1. Sistema elétrico da Colômbia

188

4.2. Estrutura do setor elétrico na Colômbia

193

5. MEXICO

202

5.1. Setor elétrico do México

202

5.2. Estrutura do setor elétrico no México

209

SISTEMAS ELÉTRICOS DE PAÍSES DA ASIA

214

1. CHINA

214

1.1. Sistema elétrico da China

215

1.2. Estrutura do setor elétrico da China

221

2. COREIA DO SUL

232

2.1. Sistema Elétrico Sul Coreano (SESC)

232

2.2. Estrutura do Setor Elétrico da Coreia do Sul

239

3. INDIA

248

3.1. Sistema elétrico da Índia

248

3.2. Estrutura do setor elétrico na Índia

259

4. JAPÃO

273

4.1. Sistema Elétrico do Japão

273

4.2. Estrutura do Setor Elétrico do Japão

281

5. RUSSIA

290

5.1. Setor elétrico da Rússia

291

5.2. Estrutura do setor elétrico na Rússia

300

SISTEMA ELÉTRICO DA ÁFRICA DO SUL

310

1.1. Sistema Elétrico Sul-Africano

310

1.2. Estrutura do Setor Elétrico

319

SISTEMAS ELÉTRICOS DE ESTADOS DOS ESTADOS UNIDOS E CANADA ESTUDADOS

332

1. CALIFORNIA ESTADOS UNIDOS

332

1.1. Sistema elétrico da Califórnia

332

1.2. Estrutura do setor elétrico na Califórnia

339

2. ILLINOIS ESTADOS UNIDOS

348

2.1. Sistema elétrico de Illinois

348

2.2. Estrutura do setor elétrico em Illinois

354

3

3.

NOVA YORK ESTADOS UNIDOS

368

3.1. Sistema elétrico de Nova York

368

3.2. Estrutura do setor elétrico em Nova York

375

4. TEXAS ESTADOS UNIDOS

385

4.1. Sistema elétrico do Texas

385

4.2. Estrutura do setor elétrico no Texas

391

5. QUEBEC CANADÁ

399

5.1. Sistema elétrico do Québec

399

5.2. Estrutura do setor elétrico no Québec

407

4

SISTEMAS ELÉTRICOS DE PAÍSES EUROPEUS

1. ALEMANHA

A Alemanha é um país que tem 357.127 km 2 de área e uma população total que em 2012 atingiu 80,43 milhões de pessoas 1 . Na Tabela 1 se observa que após a forte queda do PIB em 2009 como consequência da crise econômica internacional, a Alemanha começou a se recuperar apresentando taxas de crescimento positivas nos anos posteriores, embora em 2012 a taxa de crescimento tenha sido menor de 1%.

No que se refere ao PIB per capita, se observa que logo após a queda de 4,9% em 2009, esse parâmetro experimentou um crescimento constante, passando de US$ 36.127 em 2010 para US$ 38.220 em 2012, um aumento de 5,8% neste período.

Tabela 1: Crescimento do PIB real e PIB per capita da Alemanha: 2008-2012

do PIB real e PIB per capita da Alemanha: 2008-2012 Fonte: Banco Mundial (2013) 1.1. Sistema

Fonte: Banco Mundial (2013)

1.1. Sistema Elétrico da Alemanha

O sistema elétrico da Alemanha (SEA) tem quatro sistemas de transmissão pertencentes a quatro diferentes operadores do sistema, conforme se vê na Figura 1. Todos os sistemas de transmissão estão interligados e existem interligações com outros países da região: Suíça, Dinamarca, Polônia, Holanda, Luxemburgo, França, República Checa, Suécia e Áustria 2 .

1 Banco Mundial (2013).

2 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 139).

5

Figura 1: Sistema elétrico da Alemanha

Figura 1: Sistema elétrico da Alemanha Fonte: IEA (2013) – Energy Policies of IEA Countries, Germany

Fonte: IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 142)

1.1.1. Matriz elétrica

A matriz elétrica da Alemanha está sendo transformada em função do Energiewende, que é um novo conceito de energia adotado pelo governo federal da Alemanha em 2010 3 . O Energiewende determina ações e metas para o desenvolvimento de energias renováveis, redes de transmissão e distribuição, assim como ações de eficiência energética, e tem como objetivo maior viabilizar o corte de emissões de gases associados ao efeito estufa.

Depois do acidente de Fukushima em março de 2011, a Alemanha decidiu desligar imediatamente as sete plantas nucleares de geração mais antigas. Posteriormente esta decisão foi ampliada para todas as plantas nucleares e fixou-se como objetivo desliga-las até 2022. Assim o Energiewende passou a incorporar o desafio de desligar todas as plantas nucleares que, como se sabe, não são emissoras e, mesmo assim, continuar com o processo de diminuição das emissões de CO 2 da matriz elétrica, mantendo ao mesmo tempo a segurança no abastecimento.

Na Tabela 2 observa-se que em 2012 a Alemanha tinha 182,94GW instalados, dos quais 49% correspondiam a termoelétricas, 17,1% à geração eólica e 17,8% à solar. Comparando-se estas informações com o ano 2008, havia naquela ocasião

3 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 137).

6

um total de 149,14GW instalados, dos quais 54,9% pertenciam à geração térmica, 13,7% à nuclear, 16% à eólica e apenas 4,1% à solar.

Tabela 2: Capacidade instalada da Alemanha, em GW: 2008-2012

Tabela 2: Capacidade instalada da Alemanha, em GW: 2008-2012 Fonte: Eurostat (2013) Como consequência da decisão

Fonte: Eurostat (2013)

Como consequência da decisão de desligar as plantas nucleares mais antigas, a capacidade instalada desta fonte foi reduzida em 41,1% entre os anos de 2008 e de 2012.

As políticas para incrementar as fontes renováveis na matriz elétrica mostraram um resultado significativo, sendo que a fonte solar passou de 6,12GW instalados em 2008 para 32,64GW em 2012, representando um crescimento de 433,4%. A potência instalada de energia eólica também experimentou um crescimento significativo (31,2%), passando de 23,85GW em 2008 para 31,30GW em 2012.

1.1.2. Geração

O total de energia líquida gerada na Alemanha em 2012 foi de 592,7TWh. Deste total, como se observa na Tabela 3, 66,2% corresponde à geração termoelétrica. Apesar da decisão de desligar 41,1% da capacidade nuclear, 15,9% da geração de energia total continua a ser proveniente desta fonte.

Por outro lado, apesar da capacidade instalada da fonte solar ter experimentado grande aumento entre 2008 e 2012, tal fonte ainda representa apenas 4,5% da geração total em 2012.

Tabela 3: Geração líquida da Alemanha, em TWh: 2008-2012

4,5% da geração total em 2012. Tabela 3: Geração líquida da Alemanha, em TWh: 2008-2012 Fonte:

Fonte: Eurostat (2013)

7

Embora a participação da geração solar seja pequena comparada ao total, observa-se um incremento significativo entre 2008 e 2012, passando de 4,4TWh em 2008 para 26,4TWh em 2012. Simultaneamente, a participação da energia nuclear diminuiu 33%, passando de 140,7TWh em 2008 para 94,2TWh em 2012.

O sistema elétrico da Alemanha está interconectado aos sistemas de outros países da Europa, com os quais realiza intercâmbios de energia elétrica: Suíça, Dinamarca, Polônia, Holanda, Luxemburgo, França, República Tcheca, Suécia e Áustria.

Na Tabela 4 se observa que a quantidade de energia exportada pela Alemanha entre 2008 e 2012 foi maior que a energia importada neste mesmo período.

Tabela 4: Importação e exportação de energia elétrica da Alemanha, em TWh:

2008-2012

2009 2008 2010 2011 2012 Importação 41,67 41,86 42,96 51,00 46,27 Exportação 61,77

2009

2008

2010

2011

2012

Importação

41,67

41,86

42,96

51,00

46,27

Exportação

61,77

54,13

57,92

54,77

66,81

Fonte: Eurostat (2013)

1.1.3. Redes de transmissão e distribuição

Conforme demonstrado na Tabela 5, a Alemanha possuía, em 2012, 34.841 km de rede de transmissão, dos quais 99,6% correspondiam a redes de extra-alta tensão, pertencentes aos quatro operadores do sistema existentes.

Tabela 5: Extensão das redes de transmissão da Alemanha, em km: 2010-2012

 

2010

2011

2012

Extra-alta tensão

34.268

34.314

34.780

Alta tensão

135

90

61

TOTAL

34.403

34.404

34.841

Fonte: IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review, Bundesnetzagentur (2014)

Com relação às redes de distribuição, em 2012 a Alemanha possuía 1.753.290 km de redes, conforme Tabela 6. Deste total 65,6% da rede era de baixa tensão e 28,9% de média tensão.

8

Tabela 6: Extensão das redes de distribuição da Alemanha, em km: 2010-2012

1.716.442 1.869.670 1.753.290 Extra-alta tensão Alta tensão Média tensão Baixa tensão TOTAL 2010 2011
1.716.442 1.869.670 1.753.290 Extra-alta tensão Alta tensão Média tensão Baixa tensão TOTAL 2010 2011

1.716.442

1.869.670

1.753.290

Extra-alta tensão

Alta tensão

Média tensão

Baixa tensão

TOTAL

2010 2011

2012

481

483

490

95.019

94.932

95.364

497.044

532.894

507.463

1.123.898

1.241.361

1.149.973

Fonte: IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review, Bundesnetzagentur (2014)

Por outro lado, como se observa na Tabela 7, entre 2008 e 2012 as perdas nas redes de distribuição e transmissão da Alemanha representaram em média 4,4% da geração líquida do país.

Tabela 7: Perdas na rede de distribuição e transmissão da Alemanha, em TWh: 2008-2012

distribuição e transmissão da Alemanha, em TWh: 2008-2012 Fonte: Eurostat (2013) 1.1.4. Consumo A demanda de

Fonte: Eurostat (2013)

1.1.4. Consumo

A demanda de energia elétrica da Alemanha em 2012 foi de 525,83TWh, dos quais 43% foram consumidos pelo setor industrial, 28,6% pelo setor de serviços e 26,1% pelo setor residencial, conforme se observa na Tabela 8.

Tabela 8: Consumo de energia elétrica da Alemanha, em TWh:2008-2012

Industrial Residencial Serviços Outros TOTAL 2008 2009 2010 2011 2012 234,97 202,02 224,53

Industrial

Residencial

Serviços

Outros

TOTAL

2008

2009

2010

2011

2012

234,97

202,02

224,53

229,81

226,24

139,50

139,20

141,70

136,60

137,00

141,97

144,41

154,08

146,99

150,51

11,14

11,63

12,12

12,15

12,08

527,57

497,26

532,42

525,55

525,83

Fonte: Eurostat (2013)

Na Alemanha as políticas de eficiência energética tiveram resultados positivos contribuindo para a redução do consumo de energia elétrica 4 . Porém, a forte queda observada no consumo industrial no ano 2009 se deve, principalmente, à forte crise econômica que obrigou a reduzir a produção causando uma forte queda na demanda por eletricidade. Mas, a partir de 2010 se observa que o consumo do setor industrial volta aumentar devido à melhoria na situação econômica.

4 Germany Energy Efficiency Report 2011.

9

Observa-se também que o consumo residencial não sofreu um grande impacto decorrente da crise, mas o consumo de 2012 foi 1,8% menor que em 2008. Enquanto o consumo do setor de serviços vem incrementando nos último anos passando de 141,97TWh em 2008 para 150,51TWh em 2012.

No que concerne ao número de consumidores, na Tabela 9 se observa que em 2012 existiam 48,77 milhões de consumidores conectados às redes de distribuição. Deste total, 93,7% correspondem a consumidores residenciais.

Tabela 9: Número de consumidores conectados à rede de distribuição, em milhões: 2010-2012

2010 2011 2012

2010

2011

2012

Comércio e Indústria

2,50

2,89

3,05

Residencial

44,39

44,77

45,72

TOTAL

46,89

47,66

48,77

Fonte: IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review, Bundesnetzagentur (2014)

Entre 2010 e 2012 o número de consumidores aumentou em 3,9%, sendo que os consumidores comerciais e industriais foram os que tiveram um maior incremento passando de 2,5 milhões em 2010 para 3,05 milhões em 2012 representando um crescimento de 21,7%. No mesmo período, os consumidores residenciais passaram de 44,39 milhões em 2010 para 45,72 milhões em 2012, com crescimento de 2,9%.

1.2. Estrutura do setor elétrico da Alemanha

1.2.1. Organização do setor elétrico da Alemanha

O setor elétrico da Alemanha foi liberalizado em 1998 com a Law on the Fuel and Electricity Industries, que efetivou a EU Energy Directive 96/92/EC 5 . Assim, a indústria elétrica na Alemanha foi dividida em atividades competitivas geração e comercialização e aquelas que são consideradas monopólio natural e precisam ser reguladas transmissão e distribuição.

Na atividade de geração, todos os geradores atuam em regime de livre concorrência oferecendo energia no mercado de eletricidade. No marco do Energiewende os geradores são incentivados a desenvolver energia renováveis, mas as decisões de investimento dependem do mercado.

Na atividade de transmissão não existe um único operador do sistema como no Brasil, mas quatro diferentes operadores, que também são os proprietários da rede de transmissão (TSO). O maior operador é a Amprion GmbH, com 11.000 km de linhas. Ele opera na maior parte da Alemanha e serve de principal

5 Ockenfels et al (2008).

10

interconexão com os outros países da Europa. O segundo operador é TenneT TSO GmbH, com 10.700 km de linhas, que opera desde a fronteira com Dinamarca até os Alpes. O terceiro operador do sistema é TransnetBW GmbH, com 3.236 km, que opera em Baden-Württemberg. Por fim, o quarto operador é 50Hertz Transmission, com 9.840 km de linhas, que opera no norte e leste da Alemanha 6 .

A expansão da rede é considerada fundamental para o desenvolvimento de fontes renováveis. Neste sentido, desde 2011 o Federal Network Agency

regulador como consequência das legislações Grid Expansion Acceleration Act e o Energy Act, recebeu novas responsabilidade com relação à expansão do sistema

de transmissão. Assim, entre outras decisões, o regulador fica responsável por

submeter ao governo federal um plano federal de requisitos (federal requirement plan) pelo menos a cada três anos 7 .

A rede de distribuição é operada por um grande número de empresas

integradas verticalmente, que além de operar na distribuição em geral também

têm ativos de geração e são comercializadores. Assim, em 2010 existiam na Alemanha um total de 869 operadores de distribuição, dos quais 794 tinham menos de 100.000 consumidores 8 .

1.2.2. Marco Institucional

No setor elétrico da Alemanha, além das empresas privadas, existem as seguintes instituições para garantir o bom funcionamento do mercado:

a) Federal Ministry for Economic Affairs and Energy, que tem a responsabilidade de formular e implantar a política energética 9 .

b) Federal Ministry for the Enviroment, Nature Convertion, Building and Nuclear Safety, que tem a responsabilidade de elaborar políticas para a energia renovável e a segurança da energia nuclear 10 .

c) Federal Network Agency (bundesnetzagentur) 11 , que é o regulador do sistema elétrico, encarregado de supervisionar a operação dos operadores das redes de transmissão e distribuição. As bases legais para as atividades do Federal Network Agency estão dadas pela Energy Act e pela Grid Expansion Acceleration Act.

d) O Federal Network Agency tem a responsabilidade de aprovar as tarifas de uso das redes, garantir o livre acesso e garantir a qualidade do sistema.

6 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 139).

7 Bundesnetzagentur (2014).

8 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 140).

9 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 136).

10 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 136).

11 Bundesnetzagentur (2014).

11

e) Federal Cartel Office (bundeskartellamt) é uma autoridade federal independente responsável em garantir a concorrência dos mercados na Alemanha 12 .

f) European Energy Exchange (EEX) localizada em Leipzig é o maior operador do mercado atacadista de energia elétrica na Alemanha e um dos maiores na Europa. A EEX oferece plataformas de comercialização de energia elétrica, gás natural e de permissões de emissão de CO 2 e também opera o mercado de derivativos financeiros para transações de energia, além de oferecer um espaço de negociação de contratos over-the-counter (OTC). 13 .

g) European Power Exchange (EPEX SPOT) é uma plataforma do mercado spot de energia, operada pela EEX e pela Powernext. Nesta plataforma se realizam transações de energia elétrica no mercado do dia seguinte e no mercado intradiário.

1.2.3. Mercado de eletricidade

A comercialização de energia na Alemanha está dividida em dois grandes mercados, o mercado atacadista, onde se comercializa grandes quantidades de eletricidade, e o mercado de varejo, no qual todos os consumidores finais escolhem o comercializador de energia do qual irá contratar o serviço.

No mercado atacadista a comercialização de energia elétrica pode ser feita através do mercado spot ou diretamente entre os agentes. A comercialização independente utiliza-se do instrumento “Contrato Bilateral” e é realizada diretamente entre os agentes, denominando-se over-the-counter (OTC), sendo a negociação sobre preço e quantidade realizada entre as partes 14 .

No mercado spot se comercializa energia física de curto prazo, assim como instrumentos financeiros que permitem cobrir o risco da variação de preços.

Na Alemanha existem dois operadores onde os produtores e compradores podem comercializar energia: a EEX e a EPEX SPOT 15 .

A EEX administra o mercado spot, o mercado de derivativos financeiros e uma

plataforma de negociação bilateral de produtos (mercado de balcão ou OTC) 16 .

A EPEX SPOT, por sua vez, é a plataforma do mercado spot e opera o mercado

do dia seguinte, através de leilões, e o mercado intra diário para França,

Alemanha, Áustria e Suíça 17 . No mercado do dia seguinte se comercializa

12 Bundeskartellamt (2013).

13 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 145).

14 Rademaekers et al (2008).

15 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 144).

16 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 145).

17 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 145).

12

(através de leilões) energia a ser despachada nas 24 horas do dia posterior à transação. No mercado intra diário, por sua vez, se comercializa energia a ser despachada no mesmo dia da operação 18 .

Para terem cobertura dos efeitos financeiros advindos da variação dos preços

no mercado, os agentes utilizam derivativos financeiros como futuros, opções e contratos forward 19 .

1.2.4. Preço da energia elétrica

O preço da energia elétrica na Alemanha, especialmente o preço para os

consumidores residenciais, está entre os mais caros da Europa. O estudo

realizado pela Comissão Europeia publicado em 2012 demostra que, entre 2007

e 2011, dos componentes da tarifa final de eletricidade, o custo da energia

elétrica e os custos das linhas de transmissão e distribuição na Alemanha permaneceram estáveis, enquanto os impostos e encargos triplicaram. O documento mostra que os impostos e encargos representam 44,9% da tarifa de

energia elétrica na Alemanha. O fator fundamental para o incremento da tarifa

de energia elétrica na Alemanha é a taxa de EEG mais bem explicada na secão

subsequente, que desde 2012 representa 13% da tarifa residencial 20 .

O Erneuerbare Energien Gesetz (EEG) 21 22

A

energia elétrica comprada das fontes renováveis tem que ser comercializada

no

mercado spot de energia pelos TSOs. O volume de energia renovável é

definido no mercado do dia seguinte independente do preço. Isso ocorre em parte devido ao fato de que a maior parte das energias renováveis ter custos variáveis nulos ou muito baixos e, por isso, qualquer preço cobre o custo variável de produção. Mas a regulação também assegura às renováveis

prioridade de despacho. Assim, elas deslocam os geradores mais caros e reduzem os preços de mercado.

A energia renovável tem custos maiores que a produção de energia

convencional e, por isso, precisa existir um mecanismo para complementar as receitas. É cobrado um encargo EEG para cobrir a diferença entre o custo da energia e o preço do mercado, o valor deste encargo é calculado ex ante para o ano seguinte pelo Federal Ministry for the Enviroment, Nature Convertion, Building and Nuclear Safety.

18 EPEXSPOT (2014).

19 EEX (2012).

20 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 161).

21 Lei de Energias Renováveis .

22 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries, Germany 2013 Review (p. 156).

13

Com o crescimento das energias renováveis observou-se uma tendência à mudança na dinâmica dos preços de mercado. Por um lado os preços sofrem oscilações pronunciadas com as variações na força dos ventos e também do sol. Por outro lado, o grande aumento da geração solar, que resultou na diminuição da diferença entre o preço da energia durante o dia e a madrugada.

1.2.5. Impostos e Subsídios

Como já discutido, o objetivo da EEG (Lei de Energias Renováveis da Alemanhã) é incentivar a geração elétrica renovável através de um pagamento pela energia alimentada na rede, variável conforme a capacidade da instalação. Para o ano 2014 ao EEG estimou um orçamento anual ao subsídio ás renováveis estimado em €20 bilhões 23 . Esse subsídios as fontes renováveis é pago através de um sistema de tarifa feed-in. Neste caso, o pagamento da energia gerada é repassado ao transmissor, que transfere o montante ao operador local que por sua vez inclui esse custo a mais na tarifa final para os consumidores. O operador é o responsável por efetuar o pagamento aos geradores de renováveis 24 . Assim, o modelo de expansão da matriz renovável alemã é financiado por tributos e encargos que incidem na conta de eletricidade.

Na Tabela 10 se detalham os impostos que devem ser pagos segundo a categoria de consumo, a partir de dados da Eurostat (2013). Observa-se que tanto os consumidores residenciais quanto os industriais pagam diversos impostos e encargos pelo consumo de energia elétrica.

23 State aid: Commission approves German renewable energy law EEG 2014 (European Commission).

24 Greenpeace (2008) O caminho da sustentabilidade energética.

14

Tabela 10: Impostos e encargos sobre o consumo de energia elétrica na Alemanha, em centavos de euro, 2013

TIPO INDUSTRIAL RESIDENCIAL Taxa de Concessão Consumidores privados em pequenas 0,11 ct/kWh cidades : 1,25
TIPO
INDUSTRIAL
RESIDENCIAL
Taxa de Concessão
Consumidores privados em pequenas
0,11 ct/kWh
cidades : 1,25 ct/kWh
Consumidores privados em grandes
cidades : 2,39 ct/kWh
Residenciais : 1,79 ct/kWh
EEG - Repartição 2012
Taxa regular
Taxa regular
2012
: 3,59 ct/kWh
2012 : 3,59 ct/kWh
2013
: 5,28 ct/kWh
2013 : 5,28 ct/kWh
A indústria eletro intensiva paga uma
taxa entre 0,05 ct/kWh e a taxa regular
dependendo do consumo
KWK- Sobretaxa 2012
Consumo até 100.000 kWh/a
Consumo até 100.000 kWh/a
2012: 0,002 ct/kWh
2012: 0,002 ct/kWh
2013: 0,126 ct/kWh
2013: 0,126 ct/kWh
Consumo maior a 100.000 kWh/a, não
eletro intensivo
Taxa fixa: 0,05 ct/kWh
Não
Consumo maior a 100.000 kWh/a, eletro
reembolsáveis
intensivo
Taxa fixa: 0,025 ct/kWh
19 NEV Taxa atual 2012
Consumo até 100.000 kWh/a
Consumo até 100.000 kWh/a
2012: 0,151 ct/kWh
2012: 0,151 ct/kWh
2013: 0,329 ct/kWh
2013: 0,329 ct/kWh
Consumo maior a 100.000 kWh/a, não
eletro intensivo
Taxa fixa: 0,05 ct/kWh
Consumo maior a 100.000 kWh/a, eletro
intensivo
Taxa fixa: 0,025 ct/kWh
Offshore-Rateio de responsabilidade 2013
Consumo até 100.000 kWh/a
Consumo até 100.000 kWh/a
2013: 0,25 ct/kWh
2013: 0,25 ct/kWh
Consumo maior a 100.000 kWh/a, não
eletro intensivo
Taxa fixa: 0,05 ct/kWh
Consumo maior a 100.000 kWh/a, eletro
intensivo
Taxa fixa: 0,025 ct/kWh
Electricity tax
Reembolsáveis
1,54 ct/kWh
2,05 ct/kWh
19%
19%
VAT

Fonte: Eurostat(2013)- Electricity prices- price system

15

2. ESPANHA

A Espanha é um país com 505.600 km 2 de extensão e uma população estimada em 46,76 milhões de pessoas em 2012 25 . Na Tabela 11 se observa que o PIB real da Espanha não cresce desde 2008, sendo que em 2009 e 2012 ocorreram quedas na magnitude de 3,83% e 1,64% respectivamente. O decréscimo do PIB real é consequência da crise econômica que ainda perdura na Espanha. O PIB per capita experimentou uma queda de 7,2% entre 2008 e 2012, passando de US$ 26.738 para US$ 24.817.

Tabela 11: Crescimento do PIB real e per capita na Espanha: 2008-2012

Crescimento do PIB real e per capita na Espanha: 2008-2012 Fonte: Banco Mundial (2013) 2.1. Sistema

Fonte: Banco Mundial (2013)

2.1. Sistema Elétrico da Espanha

Na Espanha existem quatro sistemas elétricos, como se vê na Figura 2: O Sistema Peninsular, o Sistema Balear, o Sistema das Ilhas Canárias e o Sistema de Ceuta e Melilla.

Figura 2: Sistemas elétricos da Espanha

de Ceuta e Melilla. Figura 2: Sistemas elétricos da Espanha Segundo dados da Red Eléctrica de

Segundo dados da Red Eléctrica de España (REE), o Sistema Peninsular representa 94,6% da potência instalada na Espanha. O Sistema Balear tem 2,3% da potência instalada, enquanto o Sistema das Ilhas Canárias tem 2,9% da

25 Banco Mundial (2013).

16

potência. Por fim, o Sistema de Ceuta e Melilla representam menos de 1% da potência total.

O Sistema Peninsular e o Sistema Balear estão interconectados por uma linha de corrente continua de 250KV 26 . Os Sistemas das Ilhas Canárias e de Ceuta e Melilla são isolados.

2.1.1. Matriz elétrica

A matriz elétrica da Espanha é constituída principalmente por fontes térmicas, hídrica e eólica. Segundo dados da Eurostat, em 2012, a capacidade instalada total na Espanha era de 107,64GW, dos quais as fontes térmicas representaram 46,3%, enquanto a geração eólica representou 21,2%, a hidrelétrica 19,5%, a solar 6,1% e nucleares 6,9%, conforme se observa na Tabela 12. Entre 2008 e 2012, a capacidade total da Espanha cresceu 12,02%, passando de 96,09GW em 2008 para 107,64GW em 2012. As fontes que tiveram um maior aumento foram a solar e a eólica 27 . Entre 2008 e 2012, a geração solar passou de 3,45GW para 6,6GW, representando um aumento de 91,3%, enquanto a capacidade de geração eólica passou de 16,56GW para 22,78GW, apresentando 37,56% de incremento. As fontes térmicas aumentaram em 4,09%.

Tabela 12: Capacidade instalada por fonte na Espanha, em GW: 2008-2012

Capacidade instalada por fonte na Espanha, em GW: 2008-2012 Fonte: Eurostat (2013) Segundo dados da REE,

Fonte: Eurostat (2013)

Segundo dados da REE, a capacidade instalada para ano de 2013 foi de 108,2GW, dos quais 94,57% pertenciam ao sistema peninsular, 2,94% às Canárias, 2,3% às Baleares e o restante aos territórios de Ceuta e Melilla.

2.1.2. Geração

Em 2012 a geração líquida na Espanha foi de 286,6TWh, dos quais 50,2% correspondeu a geração termoelétrica, seguido pela geração nuclear com participação de 20,5% e a geração eólica com 16,8%.

Como se observa da Tabela 13, embora a potência instalada global tenha aumentado 8,1% entre 2009 e 2013, a geração líquida de energia elétrica caiu

26 REE (2013).

27 REE (2013).

17

4,9% no período entre 2008 e 2012, passando de 301,5TWh para 286,6TWh 28 . A principal razão para a queda da geração é a queda no consumo de energia, que será analisada mais adiante.

Tabela 13: Geração líquida por tipo de fonte na Espanha, em TWh: 2008-2012

líquida por tipo de fonte na Espanha, em TWh: 2008-2012 Fonte: Eurostat (2013) A Espanha tem

Fonte: Eurostat (2013)

A Espanha tem interconexões elétricas com Portugal e com a França, países com os quais realiza transações de compra e venda de energia elétrica. Na Tabela 14 observa-se que a Espanha é um exportador líquido de energia elétrica, tendo em 2012 exportado 18,99GWh e importado 7,79GWh.

Tabela 14: Exportação e Importação de energia elétrica na Espanha, em TWh:

2008-2012

2008 2009 2010 2011 2012 Importação 5,88 6,75 5,21 7,93 7,79 Exportação 16,92 14,86
2008 2009 2010 2011 2012 Importação 5,88 6,75 5,21 7,93 7,79 Exportação 16,92 14,86

2008

2009

2010

2011

2012

Importação

5,88

6,75

5,21

7,93

7,79

Exportação

16,92

14,86

13,54

14,02

18,99

Fonte: Eurostat (2013)

2.1.3. Redes de transmissão e distribuição

Segundo dados do Ministerio de Industria, Energía y Turismo (2012), em 2012, a Espanha possuía 639.506 km de rede, dos quais as linhas áreas correspondiam por 70% (447.658 km) e as linhas subterrâneas por 30% (191.848 km). Os níveis menores que 1KV aportaram 41,34% da extensão de rede espanhola. Já os maiores níveis de tensão, isto é, aqueles superiores a 300KV, totalizaram 20.104 km, o que correspondeu a 3,14% da extensão, conforme demonstrado na Tabela

15.

28 REE (2013).

18

Tabela 15: Extensão das linhas de transmissão e distribuição da Espanha, em km: 2012

de transmissão e distribuição da Espanha, em km: 2012 Fonte: Ministerio de Industria, Energía y Turismo

Fonte: Ministerio de Industria, Energía y Turismo (2012)

Segundo a REE (2013), nos últimos cinco anos, a rede de transmissão da Espanha cresceu 11% 29 , sendo que as linhas de 220KV aumentaram 70%, passando de 348 km em 2009 para 594 km em 2013, seguido do aumento nas linhas iguais ou maiores a 400KV, que passaram de 18.056 km em 2009 para 20.641 em 2013 30 .

A Tabela 16 apresenta as perdas da rede de transmissão e distribuição na

Espanha, que representaram em média 8,9% da geração liquida entre 2008 e

2012.

Tabela 16: Perdas da rede de distribuição e transmissão na Espanha, em TWh:

2008-2012

distribuição e transmissão na Espanha, em TWh: 2008-2012 Fonte: Eurostat (2013) 2.1.4. Consumo Segundo a Eurostat

Fonte: Eurostat (2013)

2.1.4. Consumo

Segundo a Eurostat (2013), o consumo de energia elétrica na Espanha 31 em 2012 foi de 240,2TWh, dos quais 31,25% corresponderam ao setor residencial, 30,16%

ao setor industrial, 33,39% ao setor de serviços 32 e 5,2% a outros setores 33 .

29 REE (2013).

30 REE (2013).

31 Para o sistema peninsular.

19

Na Tabela 17 se observa a evolução do consumo de eletricidade na Espanha entre 2008 e 2012 por categoria de consumo. Nota-se que entre 2008 e 2009 houve uma queda expressiva de 6% no consumo de energia elétrica causada principalmente pela forte queda do consumo do setor industrial que passo de 94,2TWh em 2008 para 76,8TWh em 2009, queda de 18,5%, decorrente da crise econômica. Contudo, nos anos seguintes, observa-se uma recuperação do nível de consumo puxado pelo consumo residencial, que entre 2009 e 2012 cresceu em 5,4% sendo que não apresentou queda no período 2008-2009.

Tabela 17: Consumo de energia por tipo de consumidor na Espanha, em TWh:

2008-2012

Categoria de Consumo

Categoria de Consumo

2008

Categoria de Consumo 2008 2009 2010 2011 2012

2009

Categoria de Consumo 2008 2009 2010 2011 2012

2010

Categoria de Consumo 2008 2009 2010 2011 2012

2011

Categoria de Consumo 2008 2009 2010 2011 2012

2012

Residencial

69,4

71,4

75,7

76,1

75,1

Industrial

94,2

76,8

73,5

73,5

72,5

Serviços

79,8

81,0

83,9

81,3

80,2

Outros

11,7

10,6

11,7

12,7

12,5

Total

255,1

239,8

244,8

243,5

240,2

240,2

Fonte: Eurostat (2013)

2.2. Estrutura do setor elétrico da Espanha

2.2.1 Organização do setor elétrico da Espanha

Com a promulgação da Lei 54/1997 se liberalizou progressivamente o setor elétrico, que até então era caracterizado por grandes empresas verticalizadas, exercendo monopólio nas diferentes regiões da Espanha, reduzindo a intervenção pública na gestão do sistema.

Atualmente o setor elétrico é regulado pela Lei 24/2013 34 , que estabeleceu a obrigação de separar jurídica e contabilmente as atividades reguladas (transporte e distribuição), que são fornecidas sob um regime econômico e de funcionamento regulado, das atividades liberalizadas (geração e comercialização), que são desenvolvidas pelos operadores em regime de livre concorrência.

A atividade de geração foi dividida em duas modalidades, pelo Decreto Real 436/04 do Ministério de Economia em Regime Ordinário e Regime Especial, com o objetivo de incentivar o uso de fontes renováveis para a produção de eletricidade. Assim, no Regime Especial se consideram as usinas de geração que

32 A Eurostat define o consumo de energia elétrica do setor de serviços como o consumo dos escritórios de negócios públicos e privados (Eurostat 2011).

33 Nestes setores estão as atividades de pesca e agricultura.

34 Secretaria de Estado de Energía (2013).

20

tem uma potência menor de 50MW e utilizam fontes renováveis, resíduos ou cogeração. Nesta categoria as geradoras têm um regime econômico e jurídico diferenciado que as protege das incertezas relacionadas à venda da energia em um mercado de curto prazo. No Regime Ordinário se consideram todas as demais fontes.

Na Espanha a expansão da capacidade de geração no regime ordinário depende

das decisões dos agentes do mercado. Já as fontes renováveis são contratadas

no regime especial através de tarifas incentivadas.

Na atividade de transmissão, a Lei 17/2007 define a Red Eléctrica de España (REE) como gestor da rede de transmissão, considerando-o como o

transportador único em regime de exclusividade 35 . Como responsável da rede

de transmissão, a REE tem a responsabilidade de manter e ampliar a rede.

No sistema peninsular a rede de transmissão primária está constituída por linhas e subestações com tensão de entrada igual ou superior a 380KV, e a rede secundária é formada por linhas superiores a 220KV. Por outro lado, no sistema não peninsular se considera como rede de transmissão todas as linhas e subestações com tensão igual ou maior a 66KV 36 .

A atividade de distribuição tem o objetivo de transportar a energia elétrica

desde a rede de transmissão até os pontos de consumo. Tal atividade é regulada pela Lei 24/2013 e pelo Decreto Real 1955/2000 37 . Os distribuidores são os gestores da rede de distribuição e têm a responsabilidade de manter e expandir a rede para garantir o fornecimento. Na península, a rede de distribuição é formada pelas linhas e subestações com uma tensão menor de 220KV 38 .

Os comercializadores são todos os agentes que, tendo acesso à rede de distribuição, realizam a venda de energia elétrica aos consumidores. Estes agentes adquirem a energia no mercado e a vendem aos clientes através de um contrato no qual se inclui o preço da energia, as tarifas dos segmentos regulados (transmissão e distribuição) e uma margem de comercialização 39 .

A Lei 24/2013 40 define dois tipos de consumidores na Espanha: aqueles que

contratam o fornecimento de energia elétrica com os comercializadores e os

consumidores diretos, que contratam energia diretamente no mercado de produção.

35 Red Eléctrica de España (2013).

36 Ley 24/2013 del Sector Eléctrico.

37 Secretaria de Estado de Energia (2013).

38 Ley 24/2013 del Sector Eléctrico.

39 UNESA (2013).

40 Artigo 44. Lei 24/2013, inciso c e d (p. 55).

21

2.2.2. Marco Institucional

Conforme já mencionado, a Lei 24/2013 regula a estrutura e o funcionamento do setor elétrico dividido entre atividades reguladas e as não reguladas. Neste sentido, as instituições que fazem parte da regulação do setor são:

a) Parlamento y Governo, que estabelece a política energética nacional através da aprovação de leis que regulam o setor.

b) Ministério de Economia y Competitividade, que é responsável pela elaboração e a promulgação de políticas que melhorem a concorrência nos diferentes setores da economia, incluindo o setor de energia 41 .

c) Ministério de Indústria, Energia y Turismo, responsável pela elaboração de políticas energéticas através da Secretaria de Estado de Energia.

d) A Secretaria de Estado de Energia 42 é a responsável de elaborar propostas de normas para regular o setor e de aprovar a estrutura tarifária, os preços de produtos energéticos e os pedágios.

e) Comissiona Nacional de Energia (CNE) 43 : é o ente regulador dos sistemas energéticos, criado pela Lei 34/1998. Seu objetivo é zelar pela concorrência efetiva nos sistemas energéticos e pela objetividade e transparência de seu funcionamento. A CNE tem várias funções no setor energético, incluindo o setor elétrico. Dentre estas funções encontra-se a responsabilidade da CNE zelar pelo cumprimento das normas do setor energético; planejar o setor energético; definir tarifas, pedágios e outras retribuições correspondentes ao setor energético. Além disso, a CNE é órgão arbitral em caso de conflito entre empresas do setor elétrico.

f) Red Eléctrica de España (REE) 44 , é uma empresa com a maioria do capital público que, além de ser a proprietária das redes de transmissão também é o operador do sistema elétrico espanhol, tanto na península quanto nos sistemas não peninsulares. O operador deve garantir a segurança e continuidade do fornecimento de energia elétrica, assim como coordenar o transporte de energia dos produtores para os distribuidores. No relativo à expansão do sistema, a REE elabora anualmente as previsões de evolução da demanda elétrica de médio e longo prazo, assim como a sua cobertura, variáveis fundamentais para a planificação da expansão da rede. Com base nestas variáveis, a REE elabora os planos de expansão que são aprovados pelo Ministerio de Industria, Energía y Turismo.

g) Operador do Mercado Ibérico de Energía (OMEL) é o operador do mercado, responsável pela gestão econômica do sistema de compra e vendas de

41 Real Decreto 1823/2011. Presidencia del Gobierno de España.

42 Real Decreto 344/2012. Ministério de Hacienda y Administraciones Públicas.

43 Comisión Nacional de Energia (CNE) (2013).

44 REE (2013). Operação do sistema elétrico.

22

energia elétrica no mercado diário, assim como de estabelecer os mecanismos necessários para o pagamento das transações bilaterais 45 .

2.2.3. Mercado de eletricidade

A Lei 24/13 (Título IV, artigos 23 e 24) regula a comercialização de energia

elétrica no mercado elétrico atacadista.

Preconiza-se a existência de contratos bilaterais entre os agentes para o fornecimento de energia elétrica. Assim sendo, os comercializadores devem contratar energia elétrica com os produtores. Estes contratos têm o prazo e o preço livremente definidos entre as partes.

Existe ainda o mercado spot de energia elétrica, no qual se negocia energia no curto prazo. Assim, os produtores fazem ofertas econômicas de venda de energia elétrica ao OMEL para cada período de programação do dia seguinte, enquanto os comercializadores informam suas necessidades de energia elétrica à OMEL para este mesmo período.

A entrada em funcionamento das plantas produtoras é definida pela ordem de

mérito, partindo da oferta mais barata até igualar a demanda de energia no período programado. O preço do mercado spot em cada período corresponde

preço da oferta mais cara aceita para aquele período, isto é, ao custo marginal

de curto prazo.

2.2.4. Preço da energia elétrica

No setor elétrico da Espanha são os comercializadores que vendem energia para os clientes. Eles contratam a energia elétrica com os produtores, têm contratos de acesso às redes de transmissão e distribuição e vendem energia para os usuários finais.

Tanto a atividade de transmissão quanto a de distribuição têm uma tarifa

regulada. No caso da distribuição, a Lei 27/2013 estabelece que a remuneração

da atividade de distribuição seja estabelecida segundo regulação por incentivos,

considerando os seguintes critérios:

Custos de investimentos; Custos de operação e manutenção das instalações;

Energia distribuída;

Modelo que caracteriza as zonas de distribuição.

Os preços pagos pelos consumidores finais pelo serviço de energia elétrica podem ser de três tipos 46 :

45 Lei 24/2013. Art. 23 e 24 do Título IV.

46 Lei 27/2013. Art 17 do Título III.

23

i.

Preço do comercializador, que inclui o custo de produção, o pedágio de transmissão, a tarifa de distribuição, os encargos correspondentes e uma margem sobre a atividade de comercialização.

ii. Preço voluntário, destinado ao pequeno consumidor de energia elétrica, sendo igual para todo o território da Espanha e definido como o preço máximo que os comercializadores podem cobrar dos pequenos consumidores. A norma define que tipo de consumidores podem ser considerados pequenos consumidores. Para o cálculo do preço voluntário se inclui: o custo de produção determinado segundo o mecanismo de mercado, pedágio de acesso à rede de transmissão, tarifa de acesso à rede de distribuição, custos de comercialização e os encargos correspondentes.

iii. Tarifa de último recurso destinada àqueles consumidores caracterizados como vulneráveis, que segundo a Lei 24/2013 são aqueles que sendo pessoa física têm uma potência contratada menor a 3 kW. Esta tarifa é única em todo o território espanhol e deve incorporar um desconto com respeito aos preços voluntários.

2.2.5. Impostos e Subsídios

A Espanha é um destaque internacional no setor eólico. A principal política de incentivos a essa fonte ocorreu com o pagamento de tarifas feed-in aos geradores, por parte dos distribuidores. No país, os geradores poderiam optar entre uma tarifa feed-in e um bônus garantido (premium), pago ao preço máximo alcançado no mercado atacadista.

No entanto, este sistema de preços foi revogado pelo Decreto Real Lei 9/2013. O motivo da revogação decorreu do Decreto Real 6/2009 que estabeleceu que, para 2013, uma parte da conta dos consumidores deveria balancear os custos incorridos pelo Estado através do regime de apoio, para evitar o déficit tarifário 47 . No entanto, considerou-se que a meta estabelecida não seria alcançada em 2013. Por essa razão, bem como pelo alto crescimento das energias renováveis na Espanha, acima do estipulado, esse esquema de apoio às renováveis foi eliminado 48 .

Atualmente, as plantas renováveis contam com um regime específico. Assim, além do preço de mercado, os valores dos incentivos são baseados em diversos parâmetros, calculados para “instalações-padrão” 49 que por definição são eficientes. O objetivo é fornecer uma rentabilidade razoável baseada nos custos eficientes da “instalação-padrão”. O montante fornecido considera o retorno de

47 Legal Sources on Renewable Energy (2014) Spain: Summary Support schemes.

48 Legal Sources on Renewable Energy (2014) Spain: Summary Support schemes.

49 Legal Sources on Renewable Energy (2014) Premium tariff (Régimen retributivo especial).

24

investimento e de operação, o preço anual médio nos mercados diário e intra- diário, o número mínimo de horas de operação, entre outras variáveis. Assim, garante-se, de forma geral, uma rentabilidade em torno de 7,5%.

Além dos custos correspondentes ao incentivo às fontes renováveis, o consumidor espanhol deve pagar os impostos detalhados na Tabela 18, elaborada com base na informação da Eurostat (2013).

Tabela 18: Impostos aplicados ao consumo de eletricidade na Espanha, 2013

TIPO

INDUSTRIAL

RESIDENCIAL

Não

reembolsáveis

Taxa da CNE

0,15% do valor faturado

0,15% do valor faturado

Imposto sobre a eletricidade

4,864% do valor faturado multiplicado

por 1,05113

4,864% do valor faturado multiplicado

por 1,05113

por 1,05113 4,864% do valor faturado multiplicado por 1,05113 2012: 18% 2013: 21% 2012: 18% 2013:
por 1,05113 4,864% do valor faturado multiplicado por 1,05113 2012: 18% 2013: 21% 2012: 18% 2013:

2012: 18%

2013: 21%

2012: 18%

2013: 21%

VAT

Fonte: Eurostat (2013)

Em relação aos subsídios, a Lei 24/2013 estabelece o abono social, aplicado aos consumidores vulneráveis e que representa a diferença entre o preço voluntário e a tarifa de último recurso que, como já mencionado, é destinado ao pequeno consumidor.

25

3. FINLÂNDIA

A Finlândia possui território de 338.420 km 2 e uma população de 5,4 milhões de

pessoas (em 2012) 50 . Conforme a Tabela 19, o crescimento do PIB real da Finlândia teve muitas variações no período 2008 a 2012. No ano 2009, a Finlândia teve uma forte queda do PIB real de 8,54% consequência da crise econômica; durante 2010 e 2011 houve uma recuperação da economia. Em 2012, no entanto, o crescimento do PIB real voltou a ser negativo. No que concerne ao PIB per capita, observa-se que em 2012 o PIB per capita foi 5,5% menor do que o de 2008.

Tabela 19: Crescimento do PIB real e per capita da Finlândia: 2008-2012

do PIB real e per capita da Finlândia: 2008-2012 Fonte: Banco Mundial (2013) 1.1. Sistema Elétrico

Fonte: Banco Mundial (2013)

1.1. Sistema Elétrico da Finlândia

O sistema elétrico da Finlândia faz parte do mercado nórdico de energia elétrica

juntamente com a Noruega, Suécia e Dinamarca, como se pode observar na Figura 3: Mercado nórdico de energia elétrica. Todas as transações de energia elétrica são realizadas entre estes quatro países no Nord Pool Spot. Existem ainda interconexões com Rússia e Estônia 51 .

50 Banco Mundial (2013).

51 Fingrid (2014).

26

Figura 3: Mercado nórdico de energia elétrica

Figura 3: Mercado nórdico de energia elétrica Fonte: Nord Pool Spot (2014) 3.1.1. Matriz elétrica A

Fonte: Nord Pool Spot (2014)

3.1.1. Matriz elétrica

A matriz elétrica da Finlândia é principalmente térmica. Em 2012 a capacidade

instalada era de 16,91GW, dos quais 63,2% correspondiam a fontes de geração térmica, conforme verificado na Tabela 20. As fontes hídrica e nuclear também têm uma participação considerável na matriz elétrica, sendo de 18,9% (3,2GW) e 16,3% (2,75GW).

A cogeração na Finlândia tem um papel importante. Na primeira década do

século XXI foram instaladas 53 plantas de cogeração, das quais 30% eram

destinadas a repor geradoras antigas e o restante corresponde a novas plantas. Estas usinas usam como insumo gás natural, carvão e madeira. É preciso destacar que a cogeração usando madeira tem uma participação importante considerando que existe uma grande indústria madeireira na Finlândia, que usa

os resíduos para a geração de energia elétrica 52 .

52 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries Finland 2013 Review.

27

Tabela 20: Capacidade instalada segundo fonte na Finlândia, em GW: 2008-

2012

instalada segundo fonte na Finlândia, em GW: 2008- 2012 Fonte. Eurostat (2013) No período 2008 a

Fonte. Eurostat (2013)

No período 2008 a 2012 a capacidade instalada da Finlândia aumentou em apenas 1,4%, sendo que a fonte que teve maior crescimento percentual foi a eólica, que passou de 143mw em 2008 para 257mw em 2012, representando um crescimento de 79,7%. O crescimento da fonte eólica na Finlândia é uma consequência do subsídio tipo feed-in existente no país para tal fonte 53 .

3.1.2. Geração

Em 2012 a geração líquida total da Finlândia foi de 67,6TWh, conforme a Tabela 21. A fonte térmica foi responsável por 41,6% do total da energia gerada, enquanto a nuclear e a hídrica foram responsáveis por 32,6% e 24,7% respectivamente.

A geração total em 2012 foi 9% menor do que a verificada em 2008 e 4,2% menor do que a de 2011, uma consequência da crise econômica evidenciada na queda do PIB real.

Tabela 21: Geração líquida por fonte na Finlândia, em TWh: 2008-2012

líquida por fonte na Finlândia, em TWh: 2008-2012 Fonte: Eurostat (2013) Conforme já mencionado, a Finlândia

Fonte: Eurostat (2013)

Conforme já mencionado, a Finlândia pertence ao mercado elétrico nórdico junto à Noruega, Suécia e Dinamarca. Na Tabela 22 se observa que a Finlândia é uma importadora líquida de energia elétrica: em 2012 o país importou 19,09TWh de energia enquanto exportou apenas 1,65TWh.

53 Subsidio a fonte eólica está explicado no ponto 3.2.4. Impostos e subsídios.

28

Tabela 22: Exportação e importação de eletricidade na Finlândia, em

TWh:2008-2012

2008 2009 2010 2011 2012 Exportações 3,34 3,38 5,22 3,80 1,65 Importações 16,11 15,46
2008 2009 2010 2011 2012 Exportações 3,34 3,38 5,22 3,80 1,65 Importações 16,11 15,46

2008

2009

2010

2011

2012

Exportações

3,34

3,38

5,22

3,80

1,65

Importações

16,11

15,46

15,72

17,66

19,09

Fonte: Eurostat (2013)

3.1.3. Redes de transmissão e distribuição

A rede elétrica na Finlândia pode ser dividida entre redes de transmissão, redes

regionais e redes de distribuição A extensão total de linhas de alta voltagem

(110-400KV) é de, aproximadamente, 20.700 km, valor que considera as linhas

transmissão regionais. Segundo a Finnish Energy Industries, a Fingrid é

proprietária de cerca de 14.000 km de linhas de transmissão, conforme a Tabela

23.

Tabela 23: Extensão da rede de transmissão na Finlândia, em km: 2013

TENSÃO 2013 110 kV 7.500,00 220 KV 2.350,00 440 kV 4.100,00 TOTAL 13.950,00
TENSÃO
2013
110
kV
7.500,00
220
KV
2.350,00
440
kV
4.100,00
TOTAL
13.950,00

Fonte: IEAA (2013) Energy Policies of IEA Countries: Finland 2013 Review

Segundo a Finnish Energy Industries, para 2012, as redes de média voltagem

possuíam 137.000 km e as de baixa voltagem, 232.400 km. Dessa forma, o

sistema elétrico finlandês contava com 390.100 km de redes no total 54 .

Na Tabela 24 se observa que as perdas na redes de distribuição e transmissão na Finlândia foram em média 4% da geração líquida no período de 2008 a 2012.

Tabela 24: Perdas na rede de distribuição e transmissão na Finlândia, em TWh: 2008-2012

e transmissão na Finlândia, em TWh: 2008-2012 Fonte: Eurostat (2013) 5 4 Finnish Energy Industries

Fonte: Eurostat (2013)

54 Finnish Energy Industries (2012) Electricity Network.

29

3.1.4. Consumo

O consumo de energia elétrica na Finlândia em 2012 foi de 80,76TWh, conforme

a Tabela 25. Do total 47,3% correspondem ao consumo industrial, 27,5% ao setor residencial e 22,1% ao setor de serviços.

Tabela 25: Consumo de eletricidade por tipo de consumidor na Finlândia, em TWh: 2008-2012

Industrial Residencial Serviços Outros* TOTAL 2008 2009 2010 2011 2012 43,20 36,18 40,36 39,24

Industrial

Residencial

Serviços

Outros*

TOTAL

2008

2009

2010

2011

2012

43,20

36,18

40,36

39,24

38,23

20,35

21,24

22,86

21,18

22,24

16,53

17,24

17,83

17,24

17,84

2,45

2,42

2,43

2,42

2,45

82,54

77,09

83,48

80,08

80,76

Fonte: Eurostat (2013)

Observa-se que, de forma similar a outros países da Europa, o consumo de energia elétrica na Finlândia caiu 6,6% em 2009, quando comparado a 2008, principalmente devido à acentuada queda do setor industrial (16,25%) causada pela forte crise econômica internacional que afetou a produção. Embora tenha existido o aumento do consumo em 2010, em 2011 e 2012 o consumo voltou a ser menor que em 2008, ainda devido aos reflexos da crise no setor industrial. É preciso destacar que as indústrias de maior consumo são a de madeira e de metais 55 .

Por outro lado, o setor residencial e o setor de serviços aumentaram o consumo em 9,28% e 7,89%, respectivamente, com relação ao ano de 2008.

1.2. Estrutura do setor elétrico da Finlândia

3.2.1. Organização do setor elétrico da Finlândia

O setor elétrico da Finlândia foi aberto à competição gradualmente logo após a

aprovação da Electricity Market Act (386/1995) 56 . Assim, desde 1998 todos os consumidores são livres para escolher o seu provedor de energia elétrica.

Neste contexto, o sistema elétrico da Finlândia é conformado por geradores, a rede de transmissão central, as redes locais, a rede de distribuição e os consumidores de energia elétrica 57 .

A atividade de geração é uma atividade em regime de concorrência, na qual as

plantas geradoras com capacidade maior a 1MW devem se cadastrar no Energy Market Authority. Assim a expansão do sistema é realizada pelos investidores

55 Fingrid (2014).

56 Ministry of Employment and Economy (2014).

57 Fingrid (2014).

30

em função dos sinais do mercado . Em 2012 existiam aproximadamente 400 geradores 58 .

Já as atividades de transmissão e distribuição são monopolísticas e requerem a

autorização do Energy Market Authority 59 .

Na Finlândia podem-se dividir as redes de transmissão entre rede de transmissão central e redes regionais 60 .

A rede de transmissão central de alta voltagem faz parte do sistema integrado

nórdico. 61 A Fingrid tem a responsabilidade de operar o sistema de transmissão central tanto tecnicamente quanto financeiramente. O sistema de transmissão central é conformado por linhas de alta voltagem, de 110KV, 220KV e 440KV 62 .

A Fingrid está dividida em:

Fingrid's Main Grid Control Centre, responsável pela operação do sistema central de transmissão e pela administração do mercado de diferenças na Finlândia.

Fingrid's regional offices, responsáveis da coordenação das interrupções da rede e do planejamento das interrupções necessárias 63 .

Os proprietários das redes de distribuição têm a responsabilidade de manter, ampliar, operar e garantir a confiabilidade do sistema. 64 Em 2012 existiam 95 operadores de redes de distribuição entre municipalidades e empresas privadas 65 .

Por fim, existem na Finlândia 70 comercializadores de energia elétrica que vendem energia para os consumidores finais, principalmente residenciais 66 .

3.2.2. Marco Institucional

No setor elétrico da Finlândia, além das empresas privadas, existem várias instituições e entidades, conforme a Figura 4.

58 Energiamarkkinavirasto (2012).

59 Ministry of Employment and Economy (2014).

60 Fingrid (2014).

61 Fingrid(2014).

62 Fingrid(2014).

63 Fingrid(2014).

64 Fingrid(2014).

65 Energiamarkkinavirasto (2012).

66 Energiamarkkinavirasto (2012).

31

Figura 4: Entidade e instituições do setor elétrico da Finlândia: 2012

e instituições do setor elétrico da Finlândia: 2012 Fonte: Energiamarkkinavirasto (2012) a) Ministery of

Fonte: Energiamarkkinavirasto (2012)

a) Ministery of Employment and Economy, encarregado da política energética da Finlândia. Este ministério também é responsável por promover a eficiência energética, assim como o uso de fontes renováveis para atingir as metas da política de mudança climática 67 .

b) The Energy Market Authority. A função desta entidade é regular e promover o funcionamento do mercado de eletricidade e gás natural contribuindo ao cumprimento das metas ambientais. Entre suas responsabilidades está a de supervisionar o mercado atacadista de energia, monitorar a segurança no suprimento, supervisionar a emissão de CO 2 68 e definir as tarifas das redes de transmissão e distribuição 69 .

c) Fingrid: é responsável pela operação, manutenção e planejamento da rede central de transmissão, assim como pela administração do balaço de energia entre a oferta e a demanda real, hora a hora 70 .

d) National Emergency Supply Agency, que tem a função de adotar medidas para garantir a segurança da oferta em diversos setores de infraestrutura e serviços considerados fundamentais, como eletricidade 71 .

e) Competition Authority é a entidade encarregada de proteger a livre concorrência nos mercados, entre eles o mercado de energia elétrica,

67 Ministry of Employment and Economy (2014).

68 Energiamarkkinavirasto (2012).

69 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries: Finland 2013 Review (p. 118).

70 Fingrid (2014).

71 National Emergency Supply Agency (2013).

32

restringindo as atitudes não competitivas como a formação de cartel, poder de mercado e outras segundo o estabelecido na Competition Act 72 .

3.2.3 Mercado de eletricidade

O mercado elétrico da Finlândia está dividido entre o mercado atacadista e o mercado de varejo. No mercado de varejo os consumidores finais assinam contrato com os comercializadores, podendo ter estes contratos uma duração máxima de dois anos 73 .

No que diz respeito ao mercado atacadista, a Finlândia pertence ao mercado elétrico nórdico, Nord Pool Spot 74 , junto com Noruega, Suécia e Dinamarca. O mercado físico de energia elétrica é administrado pela Nord Pool, sediada na Noruega, e o mercado de derivativos financeiros é administrado pela NASDAQ OMX 75 , também da Noruega.

No entanto, cabe destacar que a Competition Authority tem autoridade no mercado atacadista para aplicar medidas que garantam a livre concorrência do mercado 76 .

3.2.4. Preço da energia elétrica

Todo dia o Nord Pool Spot calcula o preço do sistema elétrico que equilibra a oferta e a demanda. Como o preço do sistema não considera possíveis restrições da rede de transmissão, a Nord Pool Spot calcula preços por área.

Os preços da rede de transmissão e distribuição são fixados pelo regulador,

Energy Market Authority. A metodologia de fixação de preços da rede é revista a cada quatro anos pelo regulador, que define a nova metodologia e as tarifas máximas a serem cobradas pelo uso da rede, assim como também estabelece

parâmetros de qualidade 77 .

O preço para os consumidores finais de energia depende do tipo de

consumidor. Os grandes consumidores preferem, em geral, comprar energia diretamente no mercado atacadista, enquanto os pequenos consumidores assinam contratos com os comercializadores de energia, os quais podem definir

o preço livremente, uma vez que atuam em regime de concorrência.

72 Finnish Competition Authority, (2013).

73 Energiamarkkinavirasto (2012).

74 Uma explicação mais extensa do funcionamento do Nord Pool Spot está detalhada no ponto

4.2.3. (Noruega).

75 Uma explicação mais extensa do funcionamento do Nasdaq Omx está detalhada no ponto

4.2.3. (Noruega).

76 Energiamarkkinavirasto (2012).

77 IEA (2013) Energy Policies of IEA Countries: Finland 2013 Review (p. 131).

33

Segundo dados do Energy Market Authority 78 , em 2012 a tarifa final de energia elétrica para o consumidor residencial era composta conforme se observa na Figura 5. É preciso destacar que o custo da energia representa apenas 35% do total da tarifa; os impostos e encargos representam 30%, o custo das redes é 28% e a margem do mercado de varejo é de 7%.

Figura 5: Composição da tarifa de energia elétrica para o consumidor residencial na Finlândia: 2012

elétrica para o consumidor residencial na Finlândia: 2012 Fonte: Energiamarkkinavirasto (2012) 3.2.5. Impostos e

Fonte: Energiamarkkinavirasto (2012)

3.2.5. Impostos e Subsídios

Os produtores de eletricidade eólica, de biogás e de biomassa recebem por um período de 12 anos uma tarifa premium variável, calculada em relação ao o preço mercado atacadista 79 . O incentivo paga a diferença entre a tarifa-teto estabelecida para estas fontes e o preço médio do mercado spot de energia para os últimos três meses, o valor do subsídio é coberto com recursos do governo da Finlândia 80 .

No que diz respeito aos subsídios, na Finlândia vigora um auxílio (energy aid) para investimentos em instalações de geradoras renováveis e projetos de pesquisa relacionados. Esses subsídios também são financiados com recursos estatais.

78 Energiamarkkinavirasto (2012).

79 Legal Sources on Renewable Energy (2014) Premium tariff.

80 VTT Technical Research Centre of Finland (2010).

34

No que se refere aos impostos, com base na informação da Eurostat (2013) se constatou que os impostos que afetam a tarifa de energia elétrica na Finlândia se distribuem conforme a Tabela 26.

Tabela 26: Impostos sobre o consumo de energia elétrica na Finlândia, em Euro. 2013

INDUSTRIAL

RESIDENCIAL

Imposto ao consumo de eletricidade

2012 :0,69 cent/kWh

2013:0,703 cent/kWh

2012: 1,69 cent/ kWh

2013:1,703 cent/kWh

Taxa de precaução

0,013 cent/kWh

0,013 cent/kWh

2012 e anterior: 23%

2013 e adiante: 24%

2012 e anterior: 23%

2013 e adiante: 24%

Não

rembolsáveis

VAT

Fonte: Eurostat (2013)

35

4. FRANÇA

A França é um país com uma área de 543.965 km 2 e uma população total que

em 2012 atingiu 65,70 milhões de habitantes 81 . Na Tabela 27 se observa que após a forte queda do PIB em 2009, ocasionada pela crise econômica, a França começou a se recuperar apresentando taxas de crescimento positivas nos dois

anos posteriores, mas, em 2012, a taxa de crescimento foi menor do que 1%.

Em relação ao PIB per capita, observa-se que após a queda de 3,8% em 2009, este experimentou um baixíssimo crescimento entre 2010 e 2011, voltando a cair em 2012 em relação ao ano anterior em 0,3%.

Tabela 27: Crescimento do PIB real e PIB per capita, França, 2008 2012

 

2008

2009

2010

2011

2012

PIB (crescimento %) PIB per cápita (US$ de 2005)

(0,08)

(3,15)

1,72

2,03

0,01

34.759

33.493

33.902

34.420

34.250

Fonte: Banco Mundial (2013)

4.1. Sistema Elétrico da França

A Électricité de France (EDF) é a maior produtora de eletricidade do Sistema

Elétrico Francês (SEF) e, através de sua subsidiaria Réseau de Transport d’Électricité (RTE), é responsável pela operação do sistema transmissão de energia elétrica e pela operação das interligações internacionais do SEF com o Reino Unido, Bélgica, Alemanha, Suíça, Itália e Espanha (Figura 6) 82 .

A outra subsidiaria da EDF é a Électricitré Réseau Distribution France (ERDF),

responsável da gerencia da rede de distribuição de 95% da França. Os 5% restantes são gerenciados por redes de distribuição local.

81 Banco Mundial (2013).

82 ERDF. Disponível em: <http://www.erdf.fr/Electricity_network>. Acesso em 02 de julho de

2014.

36

Figura 6: Sistema Elétrico de Transmissão Francês e Interconexões Internacionais

de Transmissão Francês e Interconexões Internacionais Fonte: IEA (2009) – Energy Policies of IEA Countries,

Fonte: IEA (2009) Energy Policies of IEA Countries, France 2009 Review (p.

105)

4.1.1. Matriz Elétrica

A França é o segundo maior produtor e consumidor de eletricidade da Europa, sendo que o mercado é dominado pela EDF 83 . O SEF é caracterizado pelo elevado número de plantas de geração de fonte nuclear. A opção por essa fonte ocorreu após o primeiro choque do petróleo com o intuito de se beneficiar de uma fonte que tornasse o país menos dependente energeticamente de seus vizinhos (WILDT, 2013) 84 .

No entanto, após o acidente nuclear de Fukushima, o governo francês se vê obrigado a reconsiderar sua politica energética. Em primeiro lugar pela questão dos riscos associados à produção de eletricidade a partir de fonte nuclear. E, em

83 IEA, 2009. Disponível em: <http://iea-retd.org/wp-content/uploads/2011/10/France- Country-Report.pdf>. Acesso em 30 de junho de 2014.

em:

Acesso

em 03 de julho de 2014.

37

<http://www.systemdynamics.org/conferences/2013/proceed/papers/P1366.pdf>.

84

WILDT,

2013.

Disponível

segundo, pelo pacote climático e energético imposto pela União Europeia que prevê metas de fontes renováveis na matriz a serem alcançados até 2020 85 .

Assim, a Autorité de Sùreté Nucleaire (ASN), tomou uma série de medidas importantes como inspeções das instalações nucleares visando melhorar a segurança das mesmas. Em 26 de junho de 2012 foram emitidas 32 resoluções com cerca de trinta requerimentos adicionais referentes às usinas nucleares da visando aumentar significativamente a segurança das usinas 86 .

Na Tabela 28 observa-se que para 2012 a França tinha 131GW de capacidade instaladas dos quais, 48% correspondia à fonte nuclear, 23% à termoelétrica, 19% hídrica, 6% a eólica e 3% a solar. Comparando com o ano 2008, dos 117,5GW instalados nesse ano, 54% pertenciam à nuclear, 22% a térmica, 21% a hídrica, 3% a eólica e a capacidade de geração solar instalada era pouco expressiva antes de 2010.

Tabela 28: Capacidade instalada na França, em GW, 2008-2012

FONTE

FONTE

2008

2009

2010

2011

2012

HÍDRICA

25,1

25,2

25,3

25,3

25,4

TÉRMICA

25,6

25,6

28,8

31,9

29,7

NUCLEAR

63,3

63,1

63,1

63,1

63,1

EÓLICA

3,4

4,6

6,0

6,7

7,5

SOLAR

0,1

0,3

1,0

2,8

4,0

OUTROS

-

0,0

0,0

1,3

1,3

TOTAL

117,5

118,8

124,3

131,2

131,0

Fonte: Eurostat (2013)

Como resultado do pacote climático imposto pela União Europeia, que, entre outras exigências, determina que a matriz elétrica seja composta de 20% de fontes renováveis até 2020, a França terá que cobrir um gap de 9,4% do seu consumo de energia elétrica com fontes renováveis até essa data. A energia eólica e a solar são consideradas as duas fontes mais importantes para alcançar este objetivo (WILDT, 2013) 87 .

85 WILDT, 2013.

86 ASN. Disponível em: <http://www.french-nuclear-safety.fr/Information/News- releases/ASN-s-2011-report-there-is-a-before-and-an-after-Fukushima>. Acesso em 4 de agosto de 2014.

87 WILDT, 2013.

38

4.1.2. Geração

O total líquido de energia elétrica gerada na França em 2012 foi de 539,8TWh.

Desse total, como se observa na Tabela 29, 75% correspondem à geração nuclear, 11,6% a geração hídrica e 9,7% a geração térmica.

Tabela 29: Geração líquida de energia elétrica por fonte na França, em TWh,

2008-2012

FONTE

FONTE

2008

2009

FONTE 2008 2009 2010 2011 2012

2010

FONTE 2008 2009 2010 2011 2012

2011

FONTE 2008 2009 2010 2011 2012

2012

2012

HÍDRICA

67,5

61,2

66,4

49,3

62,8

NUCLEAR

418,3

390,0

407,9

421,1

404,9

TÉRMICA

56,6

52,0

59,2

50,5

52,1

EÓLICA

5,7

7,9

9,9

12,1

14,9

SOLAR

0,0

0,2

0,6

2,1

4,0

OUTROS

0,5

0,4

0,5

0,5

1,1

TOTAL

548,6

511,8

544,4

535,4

539,8

Fonte: Eurostat (2013)

As fontes solar e eólica vêm ganhando espaço na geração. A energia solar na França vem crescendo a taxas superiores a 100% anual, passando de 42GWh em 2008 para 4TWh em 2012, quase 100 vezes a produção de 2008. Por sua parte, a geração eólica vem crescendo a taxas maiores de 20% ao ano desde 2008.

Cerca de 80% da eletricidade gerada é destinada ao consumo final 88 . O restante é exportado aos países com os quais a França tem interconexão, sendo que uma parte é perdida nas redes de transmissão e distribuição.

A

Tabela 30 apresenta o volume de energia elétrica transacionada entre a França

e

seus vizinhos. Segundo esses dados França é um exportador líquido de

energia elétrica, de 2008 a 2012 as exportações são mais do que o dobro das importações.

Tabela 30: Importação e exportação de energia elétrica na França, em TWh,

2008-2012

2008

2009

2010

2011

2012

2008 2009 2010 2011 2012 Importação 10,7 18,5 19,5 9,5 12,2 Exportação 58,7 44,5
2008 2009 2010 2011 2012 Importação 10,7 18,5 19,5 9,5 12,2 Exportação 58,7 44,5
2008 2009 2010 2011 2012 Importação 10,7 18,5 19,5 9,5 12,2 Exportação 58,7 44,5
2008 2009 2010 2011 2012 Importação 10,7 18,5 19,5 9,5 12,2 Exportação 58,7 44,5
2008 2009 2010 2011 2012 Importação 10,7 18,5 19,5 9,5 12,2 Exportação 58,7 44,5

Importação

10,7

18,5

19,5

9,5

12,2

Exportação

58,7

44,5

50,2

65,9

56,7

Fonte: Eurostat (2013)

88 CRE. Disponível em: <http://www.cre.fr/en/markets/wholesale-market/the-electricity- market>. Acesso em 04 de agosto de 2014.

39

4.1.3. Redes de transmissão e distribuição

As redes de distribuição estão ligadas ao sistema principal de transmissão via RTE com 2.350 subestações 89 espalhados por todo o país. As redes de distribuição são operadas pela ERDF e 156 empresas locais de distribuição. Em 2012, a França, possuía 104.684 km de redes, conforme a Tabela 31, dos quais 48% em extra-alta voltagem, para longas distancias e interconexões com os países vizinhos e 52% em alta voltagem para distribuição regional 90 .

Tabela 31: Extensão das redes de transmissão na França, em km, 2008-2012

2008 2009 2010 2011 2012
2008
2009
2010
2011
2012
2008 2009 2010 2011 2012 400 kV e 225 kV ≤ 150 kV Total 47.630,00 47.820,00

400 kV e 225 kV ≤ 150 kV Total

47.630,00

47.820,00

47.860,00

47.910,00

48.007,00

52.580,00

52.590,00

56.440,00

56.728,00

56.677,00

 
 
 

100.210,00

100.410,00

104.300,00

104.638,00

104.684,00

Fonte: RTE, França Electrical energy in France (vários anos)

O principal operador da rede de distribuição, da França, é a Électricité Réseau Distribution France (ERDF) que em 2012 possuía 1.314.900 km de rede, conforme Tabela 32, e mais de 35 milhões de usuários, a maioria em baixa tensão.

Tabela 32: Extensão redes de distribuição da França, em km, 2012 91

Operador principal Comprimento da Rede (km) Média tensão (20.000 V) Baixa tensão (230 V /

Operador principal

Comprimento da Rede (km)

Média tensão (20.000 V)

Baixa tensão (230 V / 400 V)

Número de usuários conectados a rede*

Em média tensão

Em baixa tensão

2012

1,00

1.314.900,00

617.700,00

697.200,00

35.101.400,00

101.400,00

35.000.000,00

Em baixa tensão 2012 1,00 1.314.900,00 617.700,00 697.200,00 35.101.400,00 101.400,00 35.000.000,00

Fonte: ERDF, França Activity and Sustainable Development Report, 2012 92

89 RTE. Disponível em: <http://www.rte-france.com/en/our-activities/our-network/network- infrastructures/distribution-networks>. Acesso em 23 de julho de 2014.

<http://www.rte-

france.com/en/mediatheque/documents/operational-data-16-en/annual-publications-98-

en/electrical-energy-in-france-99-en >. Acesso em 10 de julho de 2014.

91 Somente usuários ERDF.

em:

<http://www.erdf.fr/medias/Institutionnel/ERDF_Rapport_Activite_EN.pdf>. Acesso em 03 de julho de 2014.

40

90

RTE.

Disponível

em:

92

ERDF.

Disponível

Finalmente a Tabela 33, apresenta as perdas das redes de distribuição e transmissão na França. Assim, entre 2008 e 2012 estas perdas representaram em média 6,5% da geração líquida.

Tabela 33: Perdas na Transmissão e Distribuição de energia elétrica na França, em TWh, 2008-2012

PERDAS

PERDAS

2008 2009 2010 2011 2012 33,5 34,9 35,4 32,4 37,7
2008 2009 2010 2011 2012 33,5 34,9 35,4 32,4 37,7
2008 2009 2010 2011 2012 33,5 34,9 35,4 32,4 37,7
2008 2009 2010 2011 2012 33,5 34,9 35,4 32,4 37,7

2008

2009

2010

2011

2012

33,5

34,9

35,4

32,4

37,7

PERDAS 2008 2009 2010 2011 2012 33,5 34,9 35,4 32,4 37,7

Fonte: Eurostat (2013)

4.1.4. Consumo

A demanda de energia elétrica da França em 2012 foi de 434,1TWh, dos quais 26,3% foram consumidos pelo setor industrial, 36,5% pelo setor residencial e 32,1% pelo setor de serviços, como mostrado na Tabela 34 93 .

Tabela 34: Consumo de energia elétrica da França por tipo de consumidor, em TWh, 2008-2012

INDUSTRIAL RESIDENCIAL SERVIÇOS OUTROS 2008 2009 2010 2011 2012 128,6 111,7 117,4 117,9
INDUSTRIAL RESIDENCIAL SERVIÇOS OUTROS 2008 2009 2010 2011 2012 128,6 111,7 117,4 117,9

INDUSTRIAL

RESIDENCIAL

SERVIÇOS

OUTROS

2008 2009 2010 2011 2012 128,6 111,7 117,4 117,9 114,3 152,7 149,0 161,5 140,5
2008 2009 2010 2011 2012 128,6 111,7 117,4 117,9 114,3 152,7 149,0 161,5 140,5
2008 2009 2010 2011 2012 128,6 111,7 117,4 117,9 114,3 152,7 149,0 161,5 140,5

2008

2009

2010

2011

2012

128,6

111,7

117,4

117,9

114,3

152,7

149,0

161,5

140,5

158,3

129,9

134,2

142,2

134,0

139,4

21,5

23,0

23,0

25,2

22,1

TOTAL

432,7 418,0 444,1 417,6 434,1
432,7
418,0
444,1
417,6
434,1

Fonte: Eurostat (2013)

Comparando-se o consumo industrial de 2008 e 2012 observa-se uma queda geral de 11,1 %. Como observado na Tabela 34, a maior queda aconteceu entre 2008 e 2009 reduzindo o consumo em 13,1%, consequência da crise econômica mundial que fez reduzir a produção.

Por outro lado, o setor residencial não sofreu mudanças radicais no consumo devido a que este setor de consumo depende mais das variações na temperatura do que das condições econômicas. Assim, de acordo com a RTE 94 o aumento do consumo de 2011 para 2012 pode ser explicado pela variação na temperatura observada nos dois períodos. Essa variação de temperatura representou um incremento no consumo de 13,7TWh. Outro fator que também contribuiu para o incremento no consumo em 2012 foi o fato do ano ser bissexto, com isto o

93 O consumo mostrado na tabela não inclui o consumo no setor energético.

94

RTE.

Disponível

em:

<http://www.rte-

france.com/uploads/Mediatheque_docs/vie_systeme/annuelles/Bilan_electrique/RTE_bilan_ electrique_2012.pdf>. Acesso em 05 de agosto de 2014.

41

consumo foi acrescido de 1,5TWh. Já o setor de serviços apresenta aumento no consumo, no mesmo período, de 7,2%.

Em relação ao número de consumidores, na Tabela 35 se observa que em 2012 existiam 35,7 milhões de consumidores conectados a rede. Desse total 86% correspondiam a consumidores residenciais.

Tabela 35: Número de consumidores conectados à rede de distribuição na França, em milhões, 2009-2012

  2009 2010 2011 Consumidor Residencial (milhões) 29,9 30,2 30,6
 

2009

2010

2011

Consumidor Residencial (milhões)

29,9

30,2

30,6

Consumidor Residencial (milhões) 29,9 30,2 30,6 Tarifa regulada (%) Contratos a preço de mercado -

Tarifa regulada (%)

Contratos a preço de mercado -

fornecedor tradicional (%)

Contratos a preço de mercado -

fornecedor alternativo (%)

Consumidor não residencial (milhões)

Tarifa regulada (%)

Contratos a preço de mercado -

fornecedor tradicional (%)

Contratos a preço de mercado -

fornecedor alternativo (%)

4,8

91,4%

4,8

85,0%

95,3%

95,0%

94,1%

0,1%

-

0,1%

4,6%

5,0%

5,9%

8,6%

7,0%

6,6%

-

8,0%

7,5%

5,0% 5,9% 8,6% 7,0% 6,6% - 8,0% 7,5% 2012 30,8 4,9 85,9% 93,1% 0,1% 6,9% 4,9

2012

30,8

4,9

85,9%

93,1%

0,1%

6,9%

4,9

86,6%

5,6%

7,6%

93,1% 0,1% 6,9% 4,9 86,6% 5,6% 7,6%

Fonte: Commission de Régulation de L’énergie – Activity report (vários anos) 95

Desde 2009 o número de clientes em cada modalidade de tarifas tem se mantido praticamente o mesmo.

4.2. Estrutura do Setor Elétrico da França

4.2.1. Organização do Setor Elétrico Francês 96

Assim como nos demais países da União Europeia, a liberalização do mercado elétrico francês segue as Diretivas do Conselho e Parlamento Europeu (Diretiva 96/92/EC e Diretiva 2003/54/EC). Estas estabelecem as condições gerais para garantir a criação de um mercado interno único de eletricidade na Europa.

O desenvolvimento do mercado atacadista de eletricidade francês (criado em 2001) alcançou marcos significativo nos últimos anos. Assim por exemplo, em junho de 2004 foi lançado do mercado futuro de energia (Powernext futures) e em julho de 2007 lançou-se o mercado diário e contínuo de eletricidade (Powernext intraday and continuous).

95 CRE. Disponível em: <http://www.cre.fr/en/documents/publications/annual-reports>. Acesso em 10 de julho de 2014.

96 IEA, 2009.

42

Porém, o segmento de geração é altamente concentrado: em 2007 a EDF possuía mais de 88,1% do total de geração, sendo o Estado francês o maior acionista da EDF com 84,8% da propriedade.

A rede de transmissão pertence a RTE ou Gestionnaire du réseau, subsidiária da EDF, que também é a operadora da rede a qual se estende por mais de 100.000 km e tem cerca de 2.500 subestações. As tensões principais são de 400KV, 225KV, 90KV e 63KV. A rede é composta principalmente por linhas aéreas de corrente alternada (AC) e um número limitado de cabos subterrâneos e cujas tensões variam de 63KV a 400KV.

Por outro lado, na parte da distribuição a Electricité Réseau Distribution France (antiga EDF Réseau de Distribution) detém 95% do mercado, embora existam outras distribuidoras menores como Electricité de Strasbourg, Gaz et Electricité de Grenoble, URM (antiga Usine d’Electricité de Metz), SICAE de l’Oise, Sorégies Deux- Sèvres (antiga Régie du Sieds) e Sorégies.

4.2.2. Marco Institucional

Na França, o mercado elétrico é regulado pela Commission de régulation de l’énergie (CRE), um órgão administrativo independente. Ele trabalha para garantir o funcionamento regular e eficiente do mercado de energia elétrica, garantir a ausência de práticas discriminatórias, subsídios cruzados ou restrições sobre a concorrência. Também cabe a CRE propor os reajustes da tarifa regulada que depois será aprovada pelo ministério da Energia em conjunto com o ministério da Economia. 97 .

Além do órgão regulador outras instituições e associações fazem parte do SEF, como:

a) Ministère de L’Écologie, du Développement Durable et de L’énergie:

estabelece o regulamento geral do setor, executa a política do governo nas áreas de desenvolvimento sustentável, meio ambiente e tecnologias verdes, transição energética, especialmente em matéria tarifária. Define os investimentos de longo prazo, no setor, com base nos estudos que realiza. Em conjunto com o ministério da economia fixa o preço regulado para a eletricidade (preço azul) 98 . b) Union Française de l’Electricité (UFE): associação profissional do setor elétrico. Ela representa os empregadores no setor dentro do ramo de indústrias de eletricidade e de gás 99 .

97 IEA, 2009.

98 Ministère de l’Écologie, du Développement Durable et de l’Énergie. Disponível em:

http://www.developpement-durable.gouv.fr/-Electricite,218-.html>. Acesso em 23 de julho de

2014.

99 UFE. http://www.ufe-electricite.fr/l-ufe/article/presentation-de-l-ufe.

43

c)

Coreso: primeiro centro de coordenação técnica regional comum a vários gestores de redes europeias de transporte.

d) CASC: serviços conjuntos transfronteiriços da rede de transporte de eletricidade belga, francês, alemão, luxemburguês e holandês 100 .

e) EPEX Spot: é uma bolsa de energia de curto prazo (mercado spot de energia) situada no centro da Europa e abrange França, Alemanha, Áustria e Suíça.

f) A EPEX Spot realiza as transações comerciais para comprar ou vender uma determinada quantidade de eletricidade para uma área de entrega definida e preço também definido 101 .

g) EEX Power Derivatives GmbH: é parte integrante da European Energy Exchange (EEX) e opera o mercado de derivativos de energia na Alemanha, Áustria e França (mercado futuro) 102 .

4.2.3. Mercado de Eletricidade 103

O mercado elétrico da França está dividido no mercado atacadista e no mercado

de varejo, igual aos outros países da Europa. Porém o mercado atacadista não representa uma grande proporção das transações de energia. Assim uma parte da produção pertencente à EDF, que como já mencionado é o maior produtor de energia elétrica da França, não é comercializada no mercado atacadista e é fornecida diretamente para o cliente final através da ERDF, que também

pertence à EDF.

Mas, a partir de 2010, quando foi promulgada a Nouvelle Organisation du arché de l’Électricité (NOME) que modificou profundamente o mercado de eletricidade francês, se permite a outros agentes compradores do mercado que não a ERDF o acesso a um montante fixo de eletricidade, de fonte nuclear, gerada pela EDF

a um preço regulamentado. 104 Além disso, existe uma pequena proporção de

produtores que não pertencem a EDF que participam do mercado atacadista.

A maior parte da atividade do mercado atacadista de eletricidade ocorre por

meio de operações de balcão (over-the-counter OTC), diretas ou por meio de intermediários (corretores e plataformas de negociação). Também existe a comercialização no mercado spot que ocorre através da Epex Spot.

http://www.rte-france.com/fr/nous-connaitre/liens-utiles/associations-et-

institutionnels.

101 EPEX Spot. Disponível em: <http://www.epexspot.com/en/company- info/epex_spot_in_the_power_market >. Acesso em 23 de julho de 2014.

em:

de

julho de 2014.

<https://www.eex.com/en/products/power/power-derivatives-market>.

100

RTE.

102

EEX

Power

Derivatives.

Disponível

Acesso em 23

103 CRE. http://www.cre.fr/en/markets/wholesale-market/the-electricity-market.

104 EDF. http://jeunes.edf.com/article/l-organisation-du-marche-de-l-electricite,272.

44

Por outra parte, no mercado de varejo desde 2007 se permite que tanto consumidores residências quanto industriais possam escolher o fornecedor de energia elétrica 105 . Assim o mercado de varejo é liberalizado visando à concorrência. Porém, a ERDF detém 95% do mercado, sendo que ainda existe uma grande proporção de consumidores cativos que consomem energia a preços regulados.

4.2.4. Preço da Energia Elétrica

O

diferenciados 106 :

mercado

de

eletricidade

francês

oferece

dois

sistemas

tarifários

a) Tarifas Livres: os clientes contratam energia de um fornecedor a sua escolha e cada fornecedor fixa, livremente, sua tarifa.

b) Tarifas Reguladas de Venda: os clientes fazem contrato com o operador (EDF ou empresa de distribuição local) e o governo define as tarifas de venda com base nos custos reais incorridos pelo fornecedor.

O preço regulado de eletricidade é formado por 107 :

a) Custo da energia fixado pelo Estado a partir dos custos de produção da EDF; custos de produção de eletricidade (investimentos, despesas operacionais) e custos de comercialização (serviços ao cliente, faturação e sistemas de informação).

b) Custo de transporte fixado pela CRE, que inclui a rede de transmissão

e distribuição.

c) Impostos e encargos, fixados pelo Estado ou zonas regionais (municípios ou estados), entre os quais se destacam a Contribuição ao

Serviço Público de Eletricidade (CSPE), a Taxa sobre o Consumo final

de Eletricidade (TCFE), a Contribuição Tarifária de Transporte (CTA)

e a Taxa sobre Agregado (IVA).

As tarifas também são classificas em cores distintas que se aplicam a três categorias de consumidores com base no consumo de cada um: tarifa azul, para

consumidores residenciais e pequenas empresas com potência instalada inferior

a 36KVA; tarifa amarela, para empresas com consumo médio, entre 36 e

250KVA e tarifa verde, para empresas com alto consumo, mais de 250KVA 108 .

105 ERDF. Disponível em: <http://www.erdf.fr/Le_marche_de_l-electricite>. Acesso em 25 de julho de 2014.

106 Ministère de l’Écologie, du Développement Durable et de l’Énergie. Disponível em:

Acesso em 23 de julho de 14.

107 Ministère de l’Écologie, du Développement Durable et de l’Énergie.

108 Ministère de l’Écologie, du Développement Durable et de l’Énergie.

45

De acordo com a legislação europeia as tarifas para consumidores acima de 36KVA serão extintas em 31 de dezembro de 2015 109 .

Importante destacar que existem preços especiais de eletricidade como “produto de primeira necessidade” (TPN) o qual foi estabelecido pelo decreto de 8 de abril de 2004 e é destinado aos consumidores de baixa renda familiar 110 ,

e que estejam inscritos em programas de saúde pública como o Couverture

maladie universalle complémentaire (CMUC) ou Complémentaire Santé (ACS) ou ainda que tenha renda fiscal inferior a 2.175 € (válido a partir de 17/11/2013).

A dedução padrão é baseada na potencia contratada e aumenta dependendo do

número de pessoas beneficiadas por residência (unidades consumidoras por residência). Ela varia entre €71 e €140. Para 2014 a estimativa para os gastos com a tarifa social é de €327 milhões por ano, financiado pela CSPE 111 .

4.2.5. Impostos e Subsídios

Na Tabela 36 se resume a incidência dos impostos sobre consumidores de eletricidade, residenciais e industriais. Percebe-se que os produtos e serviços de energia estão sujeitos ao VAT de 19,6%, com exceção de contratos de fornecimento de eletricidade proveniente de geração distribuída cujo VAT é

5,5%.

Por outro lado, ao nível nacional, as tarifas de energia elétrica incluem um imposto chamado CSPE (Contribuição ao Serviço Público de Eletricidade). Este visa compensar os custos adicionais resultantes da produção de eletricidade proveniente de cogeração, energia renovável, encargos resultantes da aplicação de tarifas únicas em áreas que não estão interligadas e tarifas sociais.

109 Ministère de l’Écologie, du Développement Durable et de l’Énergie.

110 Igual o menor de 2.030 € que entrou em vigor em 01/07/2013.

111 Ver a parte de impostos e subsídios

46

Tabela 36: Impostos ao consumo de energia elétrica na França, (2003-2013)

TIPO

INDUSTRIAL

RESIDENCIAL

   

Contribuição ao Serviço Público de Eletricidade (CSPE)

 

2003 - 3,3 €/MWh

 

2003 - 3,3 €/MWh

 

2004 a 2010 - 4,5 €/MWh

 

2004 a 2010 - 4,5 €/MWh

Jan/11 a Jul/11 - 7,5 €/MWh

Jan/11 a Jul/11 - 7,5 €/MWh

Jul/11 a Jun/12 - 9 €/MWh

Jul/11 a Jun/12 - 9 €/MWh

Jul/12 a Dez/12 10,5 €/MWh

Jul/12 a Dez/12 10,5 €/MWh

 

Não-recuperáveis

 

A partir de Jan/13 - 13,5 €/MWh

A partir de Jan/13 - 13,5 €/MWh

 

Ago/10 a Jul/11: entre 8,01 € e 2 93

 

Contribuição Tarifária de Rede (CTA)

Ago/11 a Jul/12: entre 7,74 e 98,9 €/ano

 

Desde Ago/11: entre 8,56 € e 3 766

 

Desde Ago/12: entre 7,91 e 101 €/ano

 

Impostos locais sobre o consumo final de eletricidade (TLCFE)

 
 

Taxa Unitária

Fator de Multiplicação

 

Taxa Unitária

Fator de Multiplicação

Mínimo

Máximo

 

€/MWh

Municipais

Departamentos

€/MWh

Municipais

Departamentos

€/MWh

€/MWh

EC*<=36 kVA

0,75

entre 0 e 8%

entre 2 e 4%

Mínimo Máximo €/MWh €/MWh 1,5 9,0 0,5 3,0
Mínimo
Máximo
€/MWh
€/MWh
1,5
9,0
0,5
3,0
 

0,75

entre 0 e 8%

entre 2 e 4%

1,5

9,0

36 kVA<EC*<=250 kVA

0,25

 
 

Imposto interno sobre o consumo final de eletricidade (TICFE)

 

Introduzido em Jan de 2011 e se aplicada a grande consumidores (250 kVA)- 0,5

 

€/MWh

VAT e outros

 

recuperáveis

Consumidor abaixo de 36 kVA

   

impostos

VAT subcrisção (incluindo CTA)5,5%

 

VAT de subscrição (incluido CTA) é de 5,5%

 

VAT consumo (incluindo CSPE e TLCFE)17,6%

 

VAT de consumo (incluindo CSPE e TLCFE) é de 19,6%

 

Consumidor acima de 36 kVA

   
 

VAT de 19,6% sobre a fatura

Fonte: Eurostat(2013)- Electricity prices- price system 112

112

em:

<http://epp.eurostat.ec.europa.eu/portal/page/portal/energy/documents/Electricity_prices_ Price_systems_2012.pdf>. Acesso em 23 de julho de 2014.

47

Eurostat.

Disponível

5. ITÁLIA

A Itália é um país com 301.340 km² e uma população total que em 2012 atingiu 59,83 milhões de pessoas 113 . Na Tabela 37, pode-se observar forte queda do PIB em 2009 (-5,5%), após eclosão da crise financeira de 2008, ano em que o PIB real caiu 1,2%.

Quanto ao PIB per capita, houve uma tendência à reducão, embora tenham sido registrados crescimentos nos anos de 2010 e 2011. Em 2012, o PIB fechou negativamente, com queda de 2,4%. No período analisado, de 2008 a 2012, o PIB per capita passou de US$ 31.190 para US$ 29.054, por conta da forte recessão econômica enfrentada pelo país.

Tabela 37: Crescimento do PIB real e PIB per capita, Itália: 2008-2012

 

2008

2009

2010

2011

2012

Crescimento % PIB real PIB per capita (US$ de 2005)

-1,2

-5,5

1,7

0,4

-2,4

31.190

29.342

29.756

29.839

29.054

Fonte: Banco Mundial (2013)

5.1. Sistema Elétrico da Itália

Como se observa na Figura 7, o sistema elétrico da Itália é totalmente integrado

e

possui interconexões com outros países da Europa o que permite a exportação

e

importação de energia elétrica.

113 Banco Mundial (2013).

48

Figura 7: Sistema elétrico da Itália

Figura 7: Sistema elétrico da Itália 5.1.1. Matriz elétrica A matriz elétrica na Itália é fundamentalmente

5.1.1. Matriz elétrica

A matriz elétrica na Itália é fundamentalmente térmica, conforme observado na Tabela 38. Para o ano de 2012, a capacidade instalada total de geração de energia elétrica no país atingiu os 128,19GW 114 , dos quais 59,9% corresponderam às fontes térmicas, 20,16% à hidroeletricidade e 12,81% à fonte solar 115 .

114 Eurostat (2013).

115 Eurostat (2013).

49

Tabela 38: Capacidade instalada segundo fonte na Itália, em GW: 2008-2012

FONTE Hídrica Térmica Eólica Solar Outros Total 2008 2009 2010 2011 2012 25,23 25,33 25,48

FONTE

Hídrica

Térmica

Eólica

Solar

Outros

Total

2008

2009

2010

2011

2012

25,23

25,33

25,48

25,69

25,84

72,41

73,04

74,66

75,98

76,79

3,53

4,88

5,79

6,92

8,10

0,43

1,14

3,47

12,77

16,42

0,99

1,02

1,05

1,04

1,04

102,59