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Curso para Engenheiros Hidráulicos.

Disciplina: Fundamentos de Estudos Ambientais.

Professor. Rodolfo Ríos Hernández.

Doutor em Ciências Técnicas.

Engenheiro em Geodesia e Cartografia.

Professor Titular.

Director do Centro de Investigações de Katangoji.

Conferencia 1. Introdução ao estudo da disciplina de Fundamentos de Estudos Ambientais.

1. Introdução.

ao estudo da disciplina de Fundamentos de Estudos Ambientais. 1. Introdução. Por tanto, todos a devemos

Por tanto, todos a devemos cuidar.

O curso de Fundamentos dos Estudos Ambientais busca fazer com que o aluno conheça e entenda o que compreende o

meio ambiente, quais são os componentes, tais como agentes

ambientais e os processos que regulam e modificam este.

Auxiliando a compreender o meio ambiente como uma

entidade dinâmica, onde qualquer ação sobre ele tem uma resposta.

A ameaça à sobrevivência humana em face da degradação

dos recursos naturais, a extinção das espécies da fauna e flora, o aquecimento da temperatura devido à emissão de

gases poluentes fizeram a questão ambiental ocupar um lugar

de destaque nos debates nacionais e internacionais.

O fato do meio ambiente sempre ter sido considerado um recurso abundante e classificado na categoria de bens livres, ou seja, daqueles bens para os quais não há a necessidade de trabalho para sua obtenção, dificultou a possibilidade de

estabelecimento de certo critério em sua utilização e

tornou disseminada a poluição ambiental, passando

afetar a totalidade da população, através uma

apropriação socialmente indevida do ar, da água ou do

solo

.

(DONAIRE, Denis).

Não exatamente de forma espontânea, mas pela

necessidade de sobrevivência, urge cada vez mais forte a

questão da problemática em relação ao uso dos recursos

naturais e quais as prováveis soluções que envolvem a relação homem versus meio ambiente.

2. O meio ambiente.

Conforme Barbieri meio ambiente:

é tudo o que envolve ou cerca os seres vivos. A palavra ambiente vem do latim e do prefixo ambi dá a ideia de ao redor de algo ou de ambos os lados. O verbo latino

ambio, ambiere significa andar em volta ou em torno de

alguma coisa. Cabe notar que as palavras meio e ambiente trazem per se a ideia de entorno envoltório, de modo que a expressão meio ambiente encerra uma redundância. (BARBIERI, José Carlos, 2004).

Utilizar a natureza como meio de reafirmar seu domínio sobre

as demais espécies, usando da biodiversidade para

conseguir condições mais cômodas é natural do ser humano e uma questão cultural em todo o mundo.

No entanto, após tanta degradação ambiental, o planeta entrou em colapso e a vida na Terra vem sendo ameaçada por problemas como o aquecimento global, doenças provenientes da poluição e envenenamento por emissão de resíduos, por exemplo.

Para proporcionar uma vida saudável e assegurar uso

sustentável dos recursos naturais a fim de garantir a sustentabilidade do desenvolvimento e a manutenção de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, a comunidade internacional iniciou a construção de leis e políticas ambientais destinadas a nortear um modo ideal de conviver com a natureza.

A preocupação com o meio ambiente tem origem na relação do homem com o meio que o cerca.

“A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se

podia negar, mas também é certo, se isto lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a

pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos a mover-nos de onde o primeiro

pensamento nos tivesse feito parar.

Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras

vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante

uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular- nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga, que isso que é a imortalidade que nos fala (Saramago, l995).

A contínua degradação ambiental pela exploração irracional dos

recursos naturais desencadeou uma série de eventos negativos

de proporções globais, prejudicando a vida no planeta.

Assim, apesar dos avanços tecnológicos e científicos da humanidade, o homem se depara com um problema, criado por

ele mesmo, que é o de procurar minimizar os efeitos negativos da sua ação sobre a natureza, além de conciliar o

desenvolvimento econômico com o uso equilibrado e racional

dos elementos que esta lhe oferece.

É neste sentido se discutem hoje novas teorias referentes ao problema do meio ambiente, ou seja, a visão antropocêntrica clássica (homem como centro) precisa ser revista, principalmente porque o homem é um dos grandes responsáveis pela chamada crise ambiental: devastou e

continua degradando as outras espécies vivas, responsáveis pela sua própria sustentabilidade.

Dessa forma a crise ambiental se tornou, principalmente nas últimas décadas, uma questão relevante para quase todos os países do mundo.

Neste contexto surge a necessidade de uma conscientização

do meio ambiente e também para propagar a importância de

se ter um ambiente ecologicamente equilibrado.

As economias colaboraram para o aprofundamento da crise

ambiental, conduzindo estes problemas para além de opções políticas e econômicas.

Esta questão foi destaque na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. Nesta Conferência de âmbito internacional

se destacaram o debate, a relação entre os interesses

ambientais e os interesses econômicos do desenvolvimento.

A análise sobre o meio ambiente e o fato de que a Terra é nosso lar levantaram questões sobre a utilização dos recursos ambientais e sua suficiência frente aos interesses econômicos e

tiveram influência no surgimento de legislações ambientais que

favoreceram o surgimento de um novo Direito: O Direito Ambiental, nesse sentido, é um instrumento para proteger o meio ambiente cada vez que alguma ação humana coloca em risco este ambiente e consequentemente a vida.

Sob este aspecto parte-se da ideia da precaução em uma

sociedade atingida por inúmeros problemas, como desigualdade

social, miséria, doenças, desemprego, que direta ou indiretamente estão relacionados à crise ambiental.

A precaução, neste contexto, delimitaria os riscos, os níveis de tolerância, para conjuntamente com medidas políticas manter um ambiente sustentável por meio de um desenvolvimento equilibrado.

3. O Princípio da Precaução e sua importância.

O Direito Ambiental é um ramo novo em estudo.

Para ser considerado autônomo necessita de princípios ou

mandamentos básicos que o fundamentem ou lhe dêem consistência.

Nesse sentido o Princípio da Precaução é tratado muitas vezes como sinônimo de prevenção. Há doutrinadores que procuram diferenciá-los, mas ambos se confundem e estão relacionados (Sampaio, 2003).

A precaução antecede a prevenção e sua preocupação não é

apenas evitar o dano ambiental, mas impedir os riscos para o

ambiente.

No entendimento de Sampaio:

O esforço de distinção é louvável não fosse a necessária inter-

relação e a forma complementar de ambos os princípios.

Pois, como diz Cranor, a precaução não se aplica apenas a ações sob condições de incerteza, mas tem implicação inclusive quando a autoridade que irá decidir não se encontra diante de uma considerável dúvida.

“Se os tomadores de decisão estiverem certos de sérios ou

irreversíveis riscos de dano à saúde humana ou ao ambiente, implicações antecipatórias e preventivas do princípio [da precaução] parecem corretas”.

É que a complexidade dos ecossistemas sempre introduz algum grau de incerteza, inclusive sobre danos supostamente

conhecidos e previsíveis

A prevenção, assim, é elemento de concretização do princípio

da precaução.

Este princípio surgiu na Alemanha, com a Lei de Proteção das Águas, que preconizava como tarefa estatal prevenir ou reduzir danos ambientais futuros mesmo na ausência de riscos

presentes.

A partir de então torna-se motivo de estudo relacionado à dúvida

sobre o impacto ambiental de qualquer atividade humana e a

adoção de medidas destinadas a salvaguardar o meio ambiente (Sampaio, 2003).

O Princípio da Precaução divide-se em duas diretrizes: uma

que postula o impedimento das ações e a máxima in dúbio

pro natureza, amparada na ideia de que os sistemas naturais

têm direitos e valores intrínsecos, que não podem ser apurados

e postos na balança ao lado de outros interesses.

Sendo assim, apenas se liberaria uma nova tecnologia se houvesse prova absolutamente segura de que não causaria danos além dos previstos.

A outra diretriz analisa os riscos dos custos financeiros e os benefícios envolvidos na atividade.

A precaução nesse sentido, segundo Sampaio, “coincide

com uma operação de benefício global razoável, apurado

entre os componentes financeiros e materiais em jogo,

entre a previsibilidade e a dúvida do risco, entre o risco e o retorno social esperado com o empreendimento”.

A precaução é uma espécie de guia para o menor risco da atividade humana, visando à duradoura qualidade de vida das presentes e futuras gerações, bem como à continuidade dos recursos naturais existentes.

A aplicação deste princípio tem como marco inicial a sua

inclusão na Declaração do Rio de Janeiro, que destaca a sua

importância:

De modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com as suas capacidades. Quando

houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser

utilizada como razão para postergar medidas eficazes e

economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental (apud Milaré, 2004, p. 49).

3. O estudo dos impactos ambientais visando a melhoria da qualidade de vida.

As formas de utilização do meio ambiente pelo homem

desencadearam um processo de degradação ambiental com

consequências preocupantes para todo o planeta.

O resultado negativo de sua apropriação sobre o meio que o cerca sem a análise dos resultados acabou determinando alguns desastres advindos das atividades exercidas pela humanidade e que causam impactos ao meio ambiente.

Milaré

(2004,

p.

48)

assevera

que

o processo de

desenvolvimento dos países se realiza, basicamente, à custa dos recursos naturais vitais, provocando a

deterioração das condições ambientais em ritmo e escala até ontem ainda desconhecidos. A paisagem natural da Terra está cada vez mais ameaçada pelas usinas

nucleares, pelo lixo atômico, pelos dejetos orgânicos, pela

“chuva ácida”, pelas indústrias e pelo lixo químico.

Por conta disso, em todo o mundo e o Angola não é nenhuma exceção -, o lençol freático se contamina, a água escasseia, a área florestal diminui, o clima sofre profundas alterações, o ar se torna irrespirável, o patrimônio genético se degrada, abreviando os anos que o homem tem para viver sobre o Planeta.

Isto é, do ponto de vista ambiental o planeta chegou quase ao ponto de não-retorno.

Se fosse uma empresa estaria à beira da falência, pois dilapida seu capital, que são recursos naturais, como se eles fossem eternos.

O poder da autopurificação do meio ambiente está chegando ao limite.

Alguns desastres ambientais ocorridos no mundo e citados por McCormick alertam para essa problemática:

a. Dust Bowl. Entre 1934 e 1937 mais de duzentas

tempestades de poeira regionais atingiram as Grandes Planícies. Algumas eram densas o suficiente para encobrir o sol e criar redemoinhos de mais de 6 metros de altura; outras

empurraram a poeira a lugares tão distantes quanto Chicago, Washington, D.C, e o Atlântico.

A culpa imediata foi atribuída ao vento e à seca de 1931-1934.

Mas a verdadeira responsabilidade estava em mais de meio

século de práticas agrícolas irrefletidas: arar a terra com

sulcos longos e retos, deixar campos sem a cobertura da

vegetação, opção por monocultura e destruição do relvado nativo, que era uma proteção natural vital contra o vento e a seca.

b. Em 1967, ocorre o primeiro desastre importante com petroleiros, o naufrágio do Torrey Canyon.

Cerca de 117 mil toneladas de petróleo cru se espalharam

depois que o navio se chocou contra um recife perto da costa

do extremo sudoeste da Inglaterra. Centenas de quilômetros

do litoral foram poluídos.

Foi um acontecimento nacional de dimensão internacional.

A utilização de detergentes não testados para diluir o óleo só fez aumentar o dano biológico.

O incidente ilustrou dramaticamente as ameaças sofridas pelos ecossistemas marinhos com o tráfego de embarcações

petroleiras através de águas próximas à costa.

c. Os custos humanos, da poluição ambiental foram

ilustrados no final dos anos 60 e começo dos 70 pelos

acontecimentos de Minamata, no Japão.

A produção química havia começado nas margens da baía de Minamata (defronte a Nagasaki) em 1939 e catalisadores

gastos, contendo mercúrio, eram despejados na baía. Em 1953 observou-se que gatos e pássaros na área estavam agindo de

maneira estranha e, em 1956, já eram observadas desordens

neurológicas entre famílias de pescadores. Concentrações de mercúrio foram descobertas nos peixes que vinham da baía e

em residentes locais que morreram por causa do que ficou

conhecido como a “doença de Minamata.

A companhia química envolvida negou a existência de qualquer relação entre o mercúrio e a doença, mas, em 1961 e 1964, pagou indenizações para as vítimas da doença.

4. O papel dos Estados na aplicabilidade do Princípio da Precaução para o desenvolvimento sustentável.

A manutenção da qualidade ambiental traduz-se na essência do Direito Ambiental, uma vez que o mesmo tutela bens como saúde, segurança, bem-estar da população, valores estes que se referem ao próprio homem, ou melhor, garantem uma melhor qualidade de vida para a humanidade.

Nesse sentido, o ser humano é parte integrante da natureza,

que deve ser preservada, porque esta é condição fundamental para que se possa dar continuidade à espécie humana,

garantindo a sobrevivência da presente e também das futuras

gerações. A partir dos grandes e negativos eventos ocorridos com o meio ambiente devido à forma depredatória da exploração exercida pelo homem, a sociedade começou a

repensar sua relação com o mundo.

Buscar alternativas para proteger o meio ambiente e manter a

qualidade de vida sem frear o crescimento econômico e uma tarefa de actualidade.

O desenvolvimento sustentável é uma alternativa

conjuntamente com leis que disciplinam esta relação, pois ao

se regular e planejar a forma de exploração do meio ambiente

se estará propiciando um uso racional dos recursos naturais

para que possam atender às gerações presentes e futuras.

Muitos países começaram a criar legislações de proteção ambiental.

Atingir o desenvolvimento sustentável é uma meta almejada

por todas as nações.

Para Faucheux e Noël (1995), este objetivo ocupa lugar na Agenda 21, em que são expostas as ações mundiais para a Terra:

o conceito de desenvolvimento sustentável representa

uma tentativa de ir para além do simples enunciado dos

limites físicos do crescimento econômico e de procurar como, em que termos e em que proporção os objectivos socioeconômicos tradicionalmente ligados ao crescimento podem ser conciliados com a preocupação

de qualidade ambiental e as preocupações da equidade

intertemporal (sic).

Na verdade, a prática econômica deve ser compatível com a

necessidade de preservar o meio ambiente, utilizando de forma racional os recursos naturais, o que possibilitaria a melhorar na qualidade ambiental e por extensão ao próprio homem.

Tal propósito, sem dúvida, é difícil de se concretizar, porque aparentemente o desenvolvimento econômico é incompatível com a preservação ambiental, que representa os interesses econômicos vigentes em nossa sociedade.

Salienta-se que o conflito entre os interesses ambientais,

econômicos e políticos decorre de certa forma da organização

estatal de nossa sociedade, que é preponderantemente voltada para a prática econômica regida pela lei da oferta e da procura.

A defesa destes interesses somente será viável com um desenvolvimento que se distinga pela sustentabilidade; caso contrário, segundo Novaes

[ ]

sustentável, nem redução das desigualdades sociais sem

não haverá cidades sustentáveis sem agricultura

as duas primeiras.

Tampouco se conseguirá atingir a sustentabilidade no

campo ou na cidade sem ciência e tecnologia voltadas para as necessidades coletivas do país, muito menos sem que a gestão adequada dos recursos naturais permeie cada uma dessas instâncias e o setor de infra-

estrutura. Nem se chegará à sustentabilidade se ela não tiver como base e como promotor o capital social do

país

promotor o capital social do país … Águas na Cidade. Controle de inundações, mananciais, orla e

Assim, a preocupação e a responsabilidade com a degradação ambiental e formas de evitá-la estão relacionadas

diretamente com todos os atores sociais (população, Estado,

Os seres humanos em suas atividades

econômicas precisam alcançar o ecodesenvolvimento.

instituições, ONGs

).

Uma produção associada ao respeito e à proteção do meio

ambiente, além de conservar os recursos naturais, estará realizando indiretamente um trabalho de educação ambiental,

mediante ações corretas para alcançar um meio ambiente

equilibrado.

De todo o exposto conclui-se que o Princípio da Precaução é

um suporte para dar condições à implementação das políticas ambientais, devendo o Estado atuar com medidas de precaução diante de uma realidade que poderá causar danos

ao meio ambiente.

Uma das principais funções do Princípio da Precaução é orientar as políticas públicas ambientais, bem como a própria legislação.

Mesmo assim, a responsabilidade deve estar sempre

presente, pois muitas vezes o dano está concretizado e não

há outra alternativa senão a de responsabilizar o agente

causador.

Em nosso curso trataremos à análise do meio ambiente em

situações passíveis de provocar impacto ambiental ou situações nas quais já se observa uma degradação é

abordado com enfoque aos Estudos de Impacto Ambiental,

Recuperação de Áreas Degradadas e Instrumentos de

Gerenciamento Ambiental, ou seja, direcionando para temas que estão atualmente em pauta e que os profissionais da

área ambiental precisam conhecer em detalhe.

Áreas degradadas por mineração.

Áreas degradadas por mineração . Antiga cava de areia que foi transformada em lago

Antiga cava de areia que foi transformada em lago

Áreas degradadas por mineração . Antiga cava de areia que foi transformada em lago

5. Conceitos meio ambiente e Impacto Ambiental.

"Conjunto de condições, leis, influências e interações de

ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a

, patrimônio público a ser necessariamente assegurado e

protegido, tendo em vista o uso coletivo".

vida em todas as suas formas

o meio ambiente é um

"Todas as águas interiores ou costeira, superficiais ou subterrâneas, o ar e o solo".

"Compõe o meio ambiente, os recursos hídricos, a atmosfera, o solo, o subsolo, a flora e a fauna, sem exclusão do ser

humano".

"Interação de fatores físicos, químicos e biológicos que condicionam a existência de seres vivos e de recursos naturais e culturais". .

"Meio ambiente é o espaço onde se desenvolvem as atividades

humanas e a vida dos animais e vegetais“.

"Meio ambiente é o espaço físico composto dos elementos naturais (solo, água e ar), obedecidos os limites do Estado".

"Conjunto de elementos - águas interiores ou costeiras, superficiais ou subterrâneas, ar, solo, subsolo, flora e fauna -, as

comunidades humanas, o resultado do relacionamento dos seres

vivos entre si e com os elementos nos quais se desenvolvem e desempenham as suas atividades“.

La norma ramal de Brasil ABNT, 1989.

"Determinado espaço onde ocorre a interação dos

componentes bióticos (fauna e flora), abióticos (água, rocha

e ar) e biótico-abiótico (solo). Em decorrência da ação humana, caracteriza-se também o componente cultural“

Como podemos observar existe uma variedade enorme de conceitos de meio ambiente.

No presente curso o conceito adotado será o formulado pela ABNT, conforme figura apresentada abaixo (Proin/Capes & Unesp/IGCE, 1999) .

apresentada abaixo (Proin/Capes & Unesp/IGCE, 1999) . PORTANTO, MEIO AMBIENTE É A INTERAÇÃO ENTRE OS MEIOS

PORTANTO, MEIO AMBIENTE É A INTERAÇÃO ENTRE OS

MEIOS FÍSICO, BIOLÓGICO E SÓCIO-ECONÔMICO

( 1 ) - O meio físico condiciona, primeiramente, as características do meio biológico e

( 1 ) - O meio físico condiciona, primeiramente, as

características do meio biológico e sócio - econômico, através de fluxos de energia e matéria.

( 2 ) e ( 3 ) - Os meios biológico e sócio - econômico, por realimentação, completam a interação com o meio físico, regulando seus processos (Fornasari Filho et al., 1992 apud

Fornasari & Bitar, 1995).

" O termo ambiente inclui dimensões econômicas, sociais,

culturais e de segurança (ambiente humano) e o

ambiente físico e ecológico" (Vieira, 1986 apud Bitar, Fornasari Filho, & Vasconcelos, 1990).

Recursos ambientais são definidos como "a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo e os elementos da biosfera”

Vamos ver agora o conceito de Impacto Ambiental.

Impacto Ambiental é "qualquer alteração das propriedades físicas, químicas, biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que afetem diretamente ou indiretamente:

A saúde, a segurança, e o bem-estar da população;

As atividades sociais e econômicas; As condições estéticas e sanitárias ambientais; A qualidade dos recursos ambientais.

Portanto, a definição de Impacto Ambiental está associada à alteração ou efeito ambiental considerado significativo por

meio da avaliação do projeto de um determinado

empreendimento, podendo ser negativo ou positivo (Bitar & Ortega, 1998).

Na tabela abaixo são apresentadas as classificações dos impactos ambientais

OS IMPACTOS AMBIENTAIS PODEM SER:

Diretos e Indiretos;

Imediatos e a Médio e Longo Prazos;

Temporários e

Permanentes;

Reversíveis e Irreversíveis;

Benéficos e adversos;

Locais, Regionais e

Estratégicos.

6. Papel das Geociências nos Estudos Ambientais.

O papel das Geociências nos Estudos Ambientais está intimamente ligado à abordagem do meio físico, principalmente relacionado com o entendimento das alterações causadas por processos tecnológicos (obras civis e aproveitamento dos recursos naturais) na dinâmica natural dos processos do meio

físico que atuam em determinado ambiente.(Fornasari Filho &

Bitar, 1995).

Portanto, na área das Geociências, o aspecto fundamental em

Estudos Ambientais está associado com a relação entre

PROCESSOS TECNOLÓGICOS X PROCESSOS DO MEIO FÍSICO, assunto que trataremos com mais detalhe posteriormente.

Neste contexto, segue abaixo a relação de atividades básicas que devem ser realizadas no estudo ambiental de uma

determinada área ou empreendimento.

A CT I V I D A D E S.

1. Identificar e caracterizar os processos do meio físico atuantes na área de interesse; 2. Prever as possíveis alterações a que os processos do meio físico estão sujeitos, em razão da implantação e funcionamento dos empreendimentos (mineração, obras de engenharia e outras formas de uso do solo);

3. Propor a implantação de medidas mitigadoras, visando

reduzir a magnitude dos impactos ambientais previstos; 4. Estabelecer programas de monitoramento com o objetivo de avaliar a eficiência das medidas mitigadoras implantadas, bem como avaliar a necessidade de medidas adicionais.

7. Aspectos Legais dos Estudos Ambientais

No âmbito nacional fixa-se diretrizes gerais e estabelece-se as responsabilidades próprias do Estado e os Municípios.

Outras esferas fixam normas complementares, podendo ser mais restritivas (nunca o contrário).

Outros diplomas legais tratam dos aspectos ambientais, como as leis ordinárias e decretos (ou regulamentos).

Desta forma, os profissionais que trabalham na área ambiental tem de estar atentos e conhecer as exigências, normas e procedimentos legais federais e as que cada estado e/ou município estabelecem para a instalação e funcionamento de um determinado empreendimento (Barros & Monticelli, 1998).

Abaixo apresenta-se a estrutura dum Sistema Nacional do Meio Ambiente, mostrando as diferentes partes componentes.

1. ÓRGÃO SUPERIOR. A sua função é auxiliar o Presidente da República na formulação da Política Nacional do Meio Ambiente

2

. ÓRGÃO CONSULTIVO E DELIBERATIVO . Conselho

Nacional do Meio Ambiente . A finalidade é estudar e propor

diretrizes e políticas governamentais para o meio ambiente e deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas, padrões e critérios de controlo ambiental. O CONAMA assim procede através de suas resoluções.

3 . ORGÃO

Encarregado de planejar, coordenar e supervisionar as ações

relativas à Política Nacional do Meio Ambiente . Implementa os acordos internacionais na área ambiental

CENTRAL . Ministério do

Meio Ambiente .

4 . ÓRGÃO EXECUTOR. Instituto do Meio Ambiente e dos

Recursos Naturais Renováveis. Entidade dotada de

personalidade jurídica de direito público e autonomia

administrativa, é a encarregada da execução da Política Nacional para o Meio Ambiente e sua fiscalização.

5. ÓRGÃOS SECCIONAIS . São entidades responsáveis pela

execução de programas e projetos de controle e fiscalização

das atividades potencialmente poluidoras.

6. ÓRGÃOS LOCAIS. Entidades ou Órgãos Municipais . São

órgãos ou entidades municipais voltadas para o meio ambiente, responsáveis por avaliar e estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do

meio ambiente com vistas ao uso racional de seus recursos.

8. Breve resenha histórica.

Década 60.

Vários países industrializados passam a contemplar, de maneira

sistemática, o equacionamento de problemas ambientais em políticas públicas.

Década 70.

Os países em desenvolvimento, à semelhança dos

desenvolvidos, passam a incorporar o tema em seus

programas e planos de ação.

Década 80.

O tema adquiriu expressão mundial, passando a ser contemplado em estruturas gerenciais públicas e privadas. Várias exigências ambientais são estabelecidas.

A

Avaliação

de

Impacto

Ambiental

(AIA)

como

um

dos

instrumentos da Politicais Nacionais do Meio Ambiente.

Estes dispositivos legais fundamentaram-se no quadro jurídico de outros países, tais como EUA, Canadá, França.

1981: São criados os Conselhos Nacionais do Meio Ambiente

com o objetivo de "assessorar, estudar e propor aos Governos, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida“

1986: Se institui em a maioria dos países a obrigatoriedade do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente.

Década 90.

1995: Estabelecimento da ISO 14 000 (Qualidade Ambiental), pela Internacional Organization for Standardization.

1997. O Protocolo de Quioto é um tratado internacional com

compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa antropogênicas do aquecimento global.

O acordo é consequência de uma série de eventos iniciada com

a Toronto Conference on the Changing Atmosphere, no Canadá

(outubro de 1988), seguida pelo IPCC's First Assessment

Report, Sundsvall, Suécia (agosto de 1990) e que culminou com

a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança

Climática (CQNUMC, ou UNFCCC em inglês) na ECO-92 no Rio de Janeiro, Brasil (junho de 1992). Também reforça seções da CQNUMC.

Discutido e negociado em Quioto no Japão em 1997, foi aberto para assinaturas em 11 de Dezembro de 1997 e ratificado em

15 de março de 1999.

Sendo que para este entrar em vigor precisou que 55 países, que juntos, produzem 55% das emissões, o ratificassem, assim entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, depois que a Rússia o ratificou em Novembro de 2004.

Por ele se propõe um calendário pelo qual os países-membros

(principalmente os desenvolvidos) têm a obrigação de reduzir a emissão de gases do efeito estufa em, pelo menos, 5,2% em relação aos níveis de 1990 no período entre 2008 e 2012,

também chamado de primeiro período de compromisso (para muitos países, como os membros da UE, isso corresponde a 15% abaixo das emissões esperadas para 2008).

As metas de redução não são homogêneas a todos os países, colocando níveis diferenciados para os 38 países que mais

emitem gases.

Países em franco desenvolvimento (como Brasil, México,

Argentina e Índia) não receberam metas de redução, pelo

menos momentaneamente.

A redução dessas emissões deverá acontecer em várias

atividades econômicas. O protocolo estimula os países signatários a cooperarem entre si, através de algumas ações básicas:

Reformar os setores de energia e transportes; Promover o uso de fontes energéticas renováveis;

Eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados

aos fins da Convenção; Limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos; Proteger florestas e outros sumidouros de carbono.

Na actuliadade.

Representantes de 57 países realizaram em Paris uma reunião para avançar para um acordo que limite o aquecimento global.

Em 2009, os países ricos se comprometeram a contribuir com

100 000 milhões de dólares anuais, a partir de 2020, para permitir aos países pobres confrontar os impactos da mudança climática e também para desenvolver-se de forma mais

sustentável. Mas esta promessa ainda não tem reflexos de concreção.

Esses países, incluindo Angola, aprovaram o acordo na 21ª

Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas realizada em Paris, de

30 de novembro aos 12 de dezembro de 2015.

Trata-se de um acordo global para o clima, que envolverá a todas as nações em um esforço coletivo para tentar conter a ascensão da temperatura do planeta a 1,5ºC.

Enquanto isso, prevê-se que o acordo entre em vigor em 2020,

momento em que termina o segundo período de compromissos do Protocolo do Kioto.

Com o referido acordo, espera-se que “sejam alcançados os objetivos da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, no contexto do Desenvolvimento Sustentável e dos esforços para a erradicação da pobreza”.

Angola esteve representada na 21ª Conferência das Partes da

Convenção Quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças

Climáticas pelo vice-presidente, Manuel Vicente.

Vejamos agora o conteúdo de nosso curso.

PLANO DE AULAS I SEMESTRE HIDRÁULICOS

Tipo de aulas

Tema

Conferencia 1.

Princípios físicos, químicos e biológicos que complementam o estudo da disciplina de FEA

Conferencia 2.

Contaminação ambiental. Causas e efeitos da contaminação ambiental

Conferencia 3.

Contaminação das águas.

Conferencia 4.

Desastres naturais e medidas de emergência

Seminário.

Conferencias 1,2,3,4

Conferencia 5.

Contaminação do ar.

Conferencia 6.

Ciclos biogeoquímicos na natureza

Conferencia 7.

Conservação do meio ambiente e a gestão

ambiental

Conferencia 8.

Produção mais limpa

Seminário.

Conferencias 5,6, 7 e 8

Conferencia 9.

Estudos de impacto ambiental

Conferencia 10.

Recuperação de Áreas Degradadas

Conferencia 11.

Instrumentos de Gerenciamento Ambiental

 

DTC

 

DTC