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História

Fascículo 03
Cinília Tadeu Gisondi Omaki
Maria Odette Simão Brancatelli
Índice

História do Brasil

Política trabalhista na República Velha e na Era Vargas ........................................................... 1


Exercícios ...........................................................................................................................................2
Gabarito ............................................................................................................................................5
História do Brasil

Política trabalhista na República Velha e na Era Vargas

No Brasil, desde o final do século XIX, a imigração e a abolição da escravatura


dinamizaram a formação de um mercado de trabalho assalariado nas cidades, onde as indústrias
começavam a desenvolver-se.
No início do século XX, o operariado, em especial o paulista, era constituído de
estrangeiros, principalmente italianos e espanhóis, e de poucos brasileiros pobres e migrantes
internos. Viviam nos bairros fabris, em precárias habitações coletivas (cortiços) ou em vilas controladas
pelos patrões.
Longas jornadas sob condições insalubres, a utilização de mulheres e crianças com
salários mais baixos do que os dos homens, disciplina rígida, ameaças, multas, dispensas e ausência de
disposições legais caracterizavam as relações de trabalho.
Apesar de sua composição heterogênea, os operários organizaram jornais, associações de
ajuda mútua e poucos sindicatos. Realizaram também paralisações para reivindicar melhores
condições de trabalho. Entre 1917 e 1920 houve um ciclo de greves, provocadas pela carestia gerada
pela Primeira Guerra e influenciadas pela Revolução de Outubro na Rússia. A maior, a Greve Geral de
1917 em São Paulo, atingiu cerca de 50 mil trabalhadores.
Ideologicamente, o anarcossindicalismo foi predominante até 1920, além do anarquismo
e do socialismo, em defesa de reivindicações econômicas e até de transformações radicais, com a
implantação de uma sociedade igualitária. Em 1922, foi fundado o Partido Comunista, logo colocado
na ilegalidade. Destaca-se, no entanto, que a industrialização ainda era reduzida e o operariado tinha
pouca expressão política.
Na década de 1920, o Congresso aprovou uma nova lei que previa a expulsão de
estrangeiros cuja conduta fosse considerada nociva, outra que regulou o combate ao anarquismo e a
Lei Celerada, que autorizava o governo a fechar organizações. O Estado reprimiu o movimento
operário com a força policial e meios legais, daí a frase: “questão social é caso de polícia”.
A política trabalhista da Era Vargas (1930-45), inspirada na Carta del Lavoro da Itália
fascista, distinguiu-se da República Velha (1889-1930). A carência de leis e direitos e a frágil
organização operária permitiram que o Estado passasse à condição de árbitro, mediando as relações
entre capital e trabalho.
Dessa forma, o governo atraiu o apoio dos trabalhadores, controlou o movimento
operário para evitar a expansão das idéias de esquerda e criou condições para o desenvolvimento
industrial sob a égide do nacionalismo.
Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e a Justiça do
Trabalho para arbitrar conflitos entre patrões e empregados. Instituiu uma extensa legislação de
caráter assistencialista para o proletariado urbano, apresentando-se como “doador” dessas leis,
incorporadas à Constituição de 1934 e, posteriormente, organizadas na CLT (Consolidação das Leis do
Trabalho - 1943).
Durante o Estado Novo (a ditadura varguista), as greves foram proibidas e criado o salário
mínimo. Os sindicatos ficaram subordinados ao governo (peleguismo), devido à exigência de filiação
ao Ministério do Trabalho, à obrigatoriedade de sindicatos únicos por categoria e ao imposto sindical.
Tratando a questão social como “questão política”, Getúlio estabeleceu uma política
governamental específica e uma relação paternalista com as massas operárias urbanas. Usando os
meios de comunicação, difundiu a imagem de “pai dos pobres”, fundamental à consolidação de seu
poder pessoal. Nascia a base do populismo varguista.

Prof.a Maria Odette Simão Brancatelli

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Exercícios

01. (Cesgranrio-86) Sobre o movimento operário no Brasil, durante a República Velha (1889-1930),
pode-se afirmar que:
I. o anarcossindicalismo foi a tendência predominante nas duas primeiras décadas do século XX,
perdendo importância nos anos seguintes.
II. as principais reivindicações eram os aumentos salariais, a regulamentação do trabalho e a liberdade
de organização.
III. os anarquistas, ao contrário dos demais agrupamentos, eram constituídos apenas por imigrantes
europeus e seus descendentes.
IV. as maiores greves ocorreram na segunda década do século atual, em razão, principalmente, da
acentuação das diferenças entre os aumentos dos preços e dos salários.
Estão corretas somente as afirmativas
a. I, II e IV.
b. I e III.
c. II, III e IV.
d. I e IV.
e. II e III.

02. (PUCMG-97) Todas as opções a seguir têm relação com o movimento operário na República Velha no
Brasil, exceto:
a. inexistência de regulamentação das relações trabalhistas e grande número de desempregados.
b. reduzido poder de pressão, originado pelo pequeno grau de sindicalização.
c. ausência de organizações autônomas de trabalhadores e de movimentos grevistas.
d. grande número de imigrantes em alguns centros urbanos, especialmente São Paulo.
e. presença considerável de mulheres e crianças, submetidos a baixos salários.

03. (UERJ-98) “(...) Estão em greve presentemente, nesta capital, cerca de 15 mil operários, e à hora em
que escrevemos, nada faz prever que esse número decresça tão cedo. Ao contrário, há justificados
receios de que o movimento aumente ainda, caso não se encaminhem as desinteligências para um
acordo satisfatório e eqüitativo.”
O Estado de São Paulo, 12/07/1917. Citado por TREVISAN, Leonardo. A República Velha. São Paulo:
Global, 1982.
O movimento operário, durante as primeiras décadas do regime republicano no Brasil, caracterizou-se
pela existência de:
a. apoio de trabalhadores rurais, que participaram de várias greves organizadas.
b. partidos de tendência anarquista, que foram responsáveis pela Greve Geral de 1917.
c. reivindicações políticas, que foram atendidas por legislação implantada na década de 20.
d. lideranças de imigrantes europeus, que traziam a experiência de organização de seus países de
origem.

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04. (Fuvest-85) No movimento operário brasileiro da Primeira República, a Greve Geral de 1917:
a. localizou-se em São Paulo, reivindicando a adoção da jornada de oito horas de trabalho e a
proibição do trabalho feminino noturno.
b. atingiu os principais núcleos urbanos e industriais do Brasil, prolongando-se devido à recusa de
negociações pelos grevistas.
c. restringiu-se ao Rio de Janeiro, articulando-se com movimentos militares de oposição ao governo
Wenceslau Brás.
d. atingiu somente o Rio de Janeiro e São Paulo, sofrendo dura repressão conjunta do Exército e da
Marinha.
e. paralisou a produção cafeeira, reivindicando equiparação com os trabalhadores urbanos na jornada
de oito horas de trabalho.

05. (Mack-99) Entre 1917 e 1920, um ciclo de greves de grandes proporções surgiu nas principais cidades
do país, especialmente em São Paulo e Rio de Janeiro. As causas imediatas destes movimentos foram:
a. a estratégia do sindicalismo de resultados, utilizada pelas lideranças operárias que fracassam nas
negociações, radicalizando a luta.
b. o agravamento da carestia, a questão da jornada de trabalho, a especulação com alimentos em
virtude da Primeira Guerra e a influência ideológica do bolchevismo.
c. o fato da classe operária em São Paulo ser composta em sua maioria por trabalhadores nacionais,
muito politizados.
d. o predomínio no Rio de Janeiro de uma classe operária constituída por imigrantes, adeptos do
anarquismo.
e. a liderança comunista do movimento operário que liderou a greve e arregimentou mulheres e
crianças para o movimento, já que constituíam a maioria da força de trabalho.

06. (Mack-97) A questão social na Era Vargas assumiu um perfil totalmente diferente do existente na
República Velha, na medida em que:
a. o conflito de classes continuava sendo visto pelo governo como um “caso de polícia”.
b. a questão social deveria ser racionalizada, controlada pelo Estado, para permitir o desenvolvimento
seguro do capitalismo brasileiro.
c. o Estado permitiu total liberdade sindical, não interferindo mesmo nos sindicatos combativos.
d. a legislação trabalhista criada na época não tinha características paternalistas.
e. o avanço de direitos trabalhistas estendeu-se igualmente aos trabalhadores urbanos e rurais.

07. (FGV-junho-96) Acerca da política trabalhista de Vargas é incorreto afirmar que:


a. as medidas referentes às relações capital-trabalho, tomadas durante a Era Vargas, foram, em
grande parte, inspiradas na “Carta del Lavoro” do regime fascista de Mussolini.
b. se consubstanciaram no período algumas conquistas históricas dos trabalhadores, tais como salário
mínimo, jornada de oito horas de trabalho, férias e descanso semanal remunerado e indenização
por demissão sem justa causa.
c. foi criado o imposto sindical, instrumento básico de financiamento do sindicato, correspondente a
um dia de trabalho e pago por todo empregado, sindicalizado ou não.
d. os sindicatos tornaram-se completamente independentes do Estado, a partir de decreto-lei que
estabeleceu as linhas gerais dessa independência.
e. para decidir questões envolvendo conflitos trabalhistas foi organizada a Justiça do Trabalho.

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08. (FGV-99) Sobre a intervenção nas questões do trabalho durante o Estado Novo é correto afirmar que:
I. apresenta uma clara inspiração na Carta del Lavoro (1927).
II. instituiu-se a obrigatoriedade do sindicato único por categoria profissional.
III. a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não é resultado direto dessa intervenção.
IV. as negociações entre empregados e empregadores passam a ser tuteladas pelo Estado através da
chamada Justiça do Trabalho.
V. as medidas são favoráveis principalmente para os sindicatos de orientação anarcossindicalista.
a. apenas I, II e III são corretas.
b. apenas II, III e V são corretas. por demissão sem justa causa.
c. apenas I, II e IV são corretas.
d. apenas III, IV e V são corretas.
e. apenas I, III e IV são corretas.

09. (PUCSP-95) No Brasil, a CLT - Consolidação das Leis do Trabalho - foi criada pelo Decreto 5452, de
1943, em meio ao governo de Getúlio Vargas, para reunir e sistematizar as leis trabalhistas existentes
no país. Tais leis representaram a:
a. conquista evidente do movimento operário sindical e partidariamente organizado desde 1917,
defensor de projetos socialistas e responsável pela ascensão de Vargas ao poder.
b. participação do Estado como árbitro na mediação das relações entre patrões e trabalhadores de
1930 em diante, permitindo a Vargas propor a racionalização e a despolitização das reivindicações
trabalhistas.
c. inspiração notadamente fascista, que orientou o Estado Novo desde sua implantação em 1937,
desviando Vargas das intenções nacionalistas presentes no início de seu governo.
d. atuação controladora do Estado brasileiro sobre os sindicatos e associações de trabalhadores,
permitindo a Vargas criar, a partir de 1934, o primeiro partido político de massas da história
brasileira.
e. pressão norte-americana, que se tornou mais clara após 1945, para que Vargas controlasse os
grupos anárquicos e socialistas presentes nos movimentos operário e camponês.

10. (Mack-98) A Era Vargas foi responsável por mudanças significativas na área socioeconômica, dentre
elas:
a. a extensão dos direitos trabalhistas à zona rural, fruto da bem sucedida negociação do governo
com as oligarquias.
b. a criação de imposto sindical, fator de crescimento e independência dos sindicatos frente ao
governo.
c. a legislação do trabalho, embora com conotações paternalistas e atendendo também às
necessidades do capital.
d. a defesa intransigente do capital estrangeiro e a ausência de direitos para o trabalhador.
e. o retorno à política que via a questão social como caso de polícia.

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Gabarito

01. Alternativa a.
De fato, o anarcossindicalismo predominou até 1920, quando o socialismo marxista
ganhou destaque (o PCB foi fundado em 1922). A carestia acentuou-se na Primeira Guerra, motivando
um ciclo de greves com reivindicações econômicas. Embora muitos anarquistas fossem imigrantes,
havia também brasileiros.

02. Alternativa c.
No início do século XX, surgiram formas de organização do movimento operário, tais
como associações mutualistas, jornais e poucos sindicatos. A greve constituiu a mais importante forma
de expressão, principalmente quando atingia os setores essenciais: ferroviários, marítimos e
trabalhadores das docas.

03. Alternativa d.
Em São Paulo havia a maior presença de operários estrangeiros, mais ligados ao
anarquismo – contrários a partidos e a toda forma de poder – e ao anarcossindicalismo. Os operários
queriam aumentos salariais e outras reivindicações econômicas. Destaca-se que não houve apoio dos
trabalhadores rurais nem organização de legislação trabalhista na República Velha.

04. Alternativa a.
Paralisando cerca de 50 mil trabalhadores da cidade de São Paulo, a Greve Geral de 1917
teve grande impacto, levando o governo a mobilizar tropas. No final, chegou-se a um acordo com os
industriais, mas os aumentos de salários pouco adiantaram diante da inflação. Quanto às outras
reivindicações, tornaram-se vagas promessas.

05. Alternativa b.
As precárias condições de trabalho e a superexploração da mão-de-obra foram as causas
das manifestações que culminaram na Greve de 1917, em meio à alta de preços gerada pela Primeira
Guerra. Convém mencionar que a Revolução de Outubro na Rússia ainda não começara, mas houve
influências do socialismo (bolchevismo) depois. Destacaram-se em São Paulo os anarcossindicalistas,
principalmente imigrantes, predominando as reivindicações imediatas e não a idéia de transformação
radical da sociedade.

06. Alternativa b.
Responsável por uma legislação assistencialista e paternalista para o operariado urbano,
Getúlio Vargas tratou a questão social como “questão política” e controlou o movimento operário,
interferindo nos sindicatos. Criou assim condições para a industrialização e assegurou o capitalismo,
intermediando as relações entre capital e trabalho.

07. Alternativa d.
Os sindicatos foram subordinados ao governo, devido à exigência de filiação ao
Ministério do Trabalho, à organização de sindicatos únicos por categoria e ao imposto sindical. Esse,
arrecadado pelo governo, tornava o sindicato dependente financeiramente. Desenvolveu-se o
peleguismo.

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08. Alternativa c.
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) implicou a ordenação sistemática de todas as
leis trabalhistas até então criadas, uniformizando as relações entre patrões e empregados. Permitiu o
controle do movimento operário, despolitizando-o e afastando as ideologias de esquerda.

09. Alternativa b.
A sistematização das leis trabalhistas então em vigor reforçou o papel de árbitro e
mediador do Estado na relação entre capital e trabalho. Vargas pôde melhor controlar o operariado e
afastar as ideologias de esquerda. A inspiração fascista da legislação não se opunha ao nacionalismo.
Destaca-se que a criação da CLT (1943) ocorreu no Estado Novo, a ditadura varguista, quando não
havia partidos políticos.

10. Alternativa c.
Criador de uma legislação assistencialista e paternalista para os trabalhadores urbanos,
Getúlio Vargas tratou a questão social como “questão política” e controlou os sindicatos com o
imposto sindical. Assegurou condições para a industrialização sob o nacionalismo e manteve o
capitalismo, intermediando as relações entre patrões e operários.