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NOTAS DE AULA – HIDROLOGIA E RECURSOS HÍDRICOS – REV.02

(2013)

Plano de Ensino

Unidade 1 – Introdução

  • 1.1. O Ciclo hidrológico;

  • 1.2. Usos Múltiplos, Potencialidades, Conflitos e Prioridades;

  • 1.3. Balanço Hídrico / Equação Fundamental

  • 1.4. Aplicações da hidrologia

Unidade 2 – Bacia Hidrográfica

  • 2.1. Determinação dos limites de bacias hidrográficas

  • 2.2. Caracterização topográfica, geológica e fluvial.

Unidade 3 – Precipitação

  • 3.1. Tipos de chuva

  • 3.2. Análise de dados pluviométricos

  • 3.3. Freqüência, variações e tempos de recorrência das precipitações.

  • 3.4. Precipitação média em uma bacia. Métodos de cálculo.

Unidade 4 – Evaporação e Transpiração

  • 4.1. influenciam

Fatores

que

nos

processos

de

evaporação

e

de

transpiração.

  • 4.2. Medição da evaporação.

  • 4.3. Medição da transpiração.

Unidade 5 – Infiltração

  • 5.1. Componentes do processo de infiltração. Granulometria do solo, porosidade, permeabilidade.

  • 5.2. Fatores que influenciam no processo de infiltração.

Unidade 6 – Escoamento Superficial

  • 6.1. Introdução;

  • 6.2. Metodologia;

  • 6.3. Métodos de análise;

  • 6.4. Conceitos e componentes do Hidrograma;

  • 6.5. Separação do escoamento;

  • 6.6. Precipitação excedente ou efetiva;

  • 6.7. Determinação da vazão – Método racional;

  • 6.8. Determinação da vazão – Método racional modificado por Ulisses.

Unidade 7 – Fluviometria

  • 7.1. Medição de nível;

  • 7.2. Medição de vazão;

  • 7.3. Determinação da Curva-chave;

Unidade 8 – Hidrograma Unitário

  • 8.1. Modelos do Escoamento Unitário;

  • 8.2. Determinação do Hidrograma Unitário;

8.2.1.

Em bacias com dados históricos;

  • 8.2.2. Em bacias sem dados históricos – Hidrograma unitário sintético.

EXERCíCIOS

Bibliografia Básica

TUCCI, C.E.M

Hidrologia: Ciência e Aplicação. Porto Alegre: UFRGS /

..

.. ABRH, 3ª Ed, 2004. LINSLEY, R. K.; FRANZINI., J.B

Engenharia de Recursos Hídricos. São

Paulo: Editora McGraw-Hill do Brasil, 1978.

PINTO, N.L. de Souza et Blücher, 1976.

al..

Hidrologia Básica. São Paulo: Editora Edgard

Bibliografia Complementar

WISLER, C. O., BRATER, E.F

..

Hidrologia. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico,

1964.

BRANCO, Samuel Murgel et

Hidrologia Ambiental. São Paulo: ABRH/

EDUSP, 1991. J.B. Dias de Paiva e E.M.C. Dias de Paiva (Org.). Hidrologia Aplicada à Gestão de Pequenas Bacias Hidrográficas. Porto Alegre: ABRH , 2001.

UNIDADE 1 – Introdução

Como conceito, pode-se estabelecer que a água é um elemento natural descomprometido com qualquer uso ou utilização, já os recursos hídricos é a água como bem econômico passível de utilização com tal fim. Sendo assim, a água é um recurso natural, isto é, um insumo que os organismos, populações e ecossistema necessitam para sua manutenção. Os recursos naturais podem ser classificados em dois grandes grupos: os renováveis e os não renováveis. Os recursos renováveis são aqueles que, depois de serem utilizados, ficam disponíveis novamente graças aos ciclos naturais. A água, em seu ciclo hidrológico, é um exemplo de recurso renovável. Além da água, podemos citar como recursos renováveis a biomassa, o ar e energia eólica. Os recursos não renováveis, são aqueles, como o próprio nome diz, que uma vez utilizado não podem ser reaproveitados. Um exemplo característico, é o combustível fóssil que, depois de ser utilizado para mover um automóvel, está perdido para sempre. Pode-se identificar ainda, duas classes: a dos minerais não-energéticos (fósforo, cálcio, etc.) e a dos minerais energéticos (combustíveis fósseis e urânio). Os minerais energéticos são, efetivamente, não-renováveis, enquanto os não-energéticos podem se renovar, mas após um período de tempo tal que não serão relevantes para a existência humana. A Figura 1.1 apresenta os principais tipos de recursos naturais.

Recursos Não - renováveis Renováveis Minerais não - energéticos Fósforo, cálcio, etc. Minerais energéticos Combustíveis fósseis
Recursos
Não - renováveis
Renováveis
Minerais não - energéticos
Fósforo, cálcio, etc.
Minerais energéticos
Combustíveis fósseis e
Água
Ar
Urânio
Biomassa
Vento

Figura 1.1 – Classificação dos Recursos Naturais – Fonte: Braga et al, 2002

Existem situações que um recurso renovável passa a ser não-renovável. Esta condição ocorre quando a taxa de utilização supera a máxima capacidade de sustentação do sistema.

A Água

A água pura (H2O) é um líquido formado por moléculas de hidrogênio e oxigênio. Na natureza, ela é composta por gases como oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio, dissolvidos entre as moléculas de água. Também fazem parte desta solução líquida sais, como nitratos, cloretos e carbonatos; elementos sólidos, poeira e areia podem ser carregados em suspensão. Outras

substâncias químicas dão cor e gosto à água. Ions podem causar uma reação quimicamente alcalina ou ácida. As temperaturas apresentam variação de acordo com a profundidade e com o local onde a água é encontrada, constituindo-se em fatores que influenciam no comportamento químico. É encontrada na natureza em três estados físicos: sólido (gelo), gasoso (vapor) e líquido e são classificadas em:

Água doce – com apresentação de teor de sólidos totais dissolvidos (STD) inferior a 1.000 mg/l ou com salinidade (teor de cloreto de sódio na água) menor que 0,5 ‰;

Água

salobra –

com STD

entre 1.000

e

10.000 mg/l

ou

com

salinidade entre 0,5 e 30‰; Água salgada – com STD acima de 10.000 mg/l ou com salinidade maior que 30‰.

O planeta Terra é formado por ¾ de água (doce e salgada) e apenas ¼ de terra (continentes e terras), assim distribuída:

• • • • 0,01% nos rios; 0,35% nos lagos e pântanos; 2,34% nos pólos, geleiras
0,01% nos rios;
0,35% nos lagos e pântanos;
2,34% nos pólos, geleiras e icebergs;
97,3% nos oceanos.

A presença da água é fundamental para a existência de vida no planeta, uma vez que ela atua como regulador térmico do ambiente, fazendo com que as diferenças de temperatura entre a noite e o dia sejam minimizadas graças ao seu elevado calor específico (1 g Cal/g).

A renovação natural da água é representada pelo ciclo hidrológico, Figura 1.2, no qual os fenômenos básicos são a evaporação e a precipitação. Nos oceanos, a evaporação excede a precipitação, e nos continentes ocorre o oposto. Concluí-se que boa parte da água de chuva nos continentes provém da evaporação da água dos oceanos. Uma importante exceção é a Bacia Amazônica, onde cerca de 50% da precipitação provém da própria bacia.

Figura 1.2 – Ciclo Hidrológico – Fonte: Braga et al , 2002 1.1- O CICLO HIDROLÒGICO

Figura 1.2 – Ciclo Hidrológico – Fonte: Braga et al, 2002

1.1- O CICLO HIDROLÒGICO

O ciclo hidrológico é o processo cíclico e contínuo de transporte das águas da Terra, interligando atmosfera, continentes e oceanos. Trata-se de um processo complexo, que tem como fonte de energia o Sol, contendo muitos subciclos. Como praticamente todo o abastecimento de água doce é resultante da precipitação proveniente da evaporação das águas marítimas, o ciclo hidrológico pode ser entendido basicamente como o processo de transferência da água dos mares para os continentes e seu retorno aos mares, conforme indicações da Figura 1.2. O vapor d’água que tem origem na evaporação das águas dos mares é transportado para os continentes pelo movimento das massas de ar. Se o vapor for resfriado até o seu ponto de orvalho, ele se condensa na forma de pequenas gotas visíveis, vindo a constituir as nuvens, as quais, sob condições meteorológicas favoráveis, avolumam-se e, sob a ação da gravidade, precipitam-se. À medida que as chuvas caem, parte delas é interceptada pela vegetação e evaporada. Parte da precipitação que atinge a superfície do solo é devolvida para a atmosfera por evaporação, a partir das superfícies líquidas, do solo e da vegetação, e da transpiração dos seres vivos. O restante retorna aos mares por vias superficiais, subsuperficiais e subterrâneas. Pode-se então resumir o ciclo hidrológico por meio dos seguintes processos:

Detenção – parte da precipitação fica retida na vegetação, depressões do terreno e construções, Essa massa de água retorna à atmosfera pela ação da evaporação ou penetra no solo pela infiltração; Escoamento superficial – constituído pela água que escoa sobre o solo, fluindo para locais de altitudes inferiores, até atingir um corpo d’água como um rio, lago ou oceano. A água que compõe o escoamento superficial pode também sofrer infiltração para as camadas superiores do solo, ficar retida ou sofrer evaporação.

 

Infiltração – a água infiltrada pode sofrer evaporação, ser utilizada

pela vegetação, escoar ao longo da camada superior do solo u alimentar o lençol de água subterrâneo. Escoamento subterrâneo – constituído por parte da água infiltrada na camada superior do solo, sendo bem mais lento que o escoamento superficial. Parte desse escoamento alimenta os rios e os lagos, além de ser responsável pela manutenção desses corpos durante épocas de estiagem.

Evapotranspiração

parte

da água

existente no solo

que

é

 

utilizada pela vegetação e eliminada pelas folhas na forma de

vapor.

 

Evaporação – em qualquer das fases descritas anteriormente, a água pode voltar à atmosfera na forma de vapor, reiniciando o ciclo hidrológico.

Precipitação –

água que cai sobre

o

solo ou

sobre

um

corpo

 

d’água.

1.2-

USOS

MÚLTIPLOS, POTENCIALIDADES, CONFLITOS E

PRIORIDADES

A água é um dos recursos naturais mais intensamente utilizados. É fundamental para a existência e manutenção da vida e, para isso, deve estar presente no ambiente em quantidade e qualidade apropriadas. O homem tem usado a água não só para suprir suas necessidades metabólicas, mas também para outros fins. Em algumas regiões do planeta com intensa demanda de água, tais como grandes centros urbanos, pólos industriais e zonas de irrigação, pode superar a oferta de água, seja em termos quantitativos, seja porque a qualidade da água local está prejudicada devido à poluição. Tal degradação pode afetar a oferta de água e também gerar graves problemas de desequilíbrio ambiental. A Figura 3.1 mostra os diversos usos das águas,

Figura 1.3 – Uso múltiplo da água – Fonte: Braga et al , 2002. A Diretriz

Figura 1.3 – Uso múltiplo da água – Fonte: Braga et al, 2002.

A

Diretriz da

FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio

Ambiente) DZ 302 – Usos benéficos das águas – Definições e Conceitos Gerais, indica:

“Usos das águas são os múltiplos fins a que a água serve; Usos benéficos da água são

os que promovem benefícios econômicos e o bem estar à saúde da população. Os

usos permitidos para um determinado corpo d’água são chamados usos legítimos de

corpos d’água. Os usos benéficos são:

  • - Abastecimento Público – usos da água para um sistema que sirva a, pelo menos, 15 ligações domiciliares ou a, pelo menos, 25 pessoas, em condições regulares;

  • - Uso Estético - uso da água que contribui de modo agradável e harmonioso para compor as paisagens naturais ou resultantes da criação humana;

  • - Recreação - uso da água que representa uma atividade física exercida pelo homem na água, como diversão;

  • - Preservação da Flora e Fauna - uso da água destinado a manter a biota natural nos ecossistemas aquáticos;

  • - Atividades Agropastoris - uso da água para irrigação de culturas e dessedentação e criação de animais;

  • - Abastecimento Industrial - uso da água para fins industriais, inclusive geração de energia. “

Abastecimento Humano

Dentre os vários usos da água, este é considerado o mais nobre e prioritário, uma vez que o homem depende de uma oferta adequada de água para sua sobrevivência. A qualidade de vida dos seres humanos está diretamente ligada à água, pois ela é de utilizada para o funcionamento adequado de seu organismo, preparo de alimentos, higiene pessoal e de utensílios. Usamos a água também para a irrigação de jardins, lavagem de veículos e piso, usos esses com exigências menores em relação a qualidade. A água usada para abastecimento doméstico deve apresentar características sanitárias e toxicológicas adequadas, tais como estar isenta de organismos patogênicos e substâncias tóxicas, para prevenir danos à saúde e ao bem-estar do homem. Organismos patogênicos são aqueles que transmitem doenças pela ingestão ou contato com a água contaminada, como bactérias, vírus, parasitas, protozoários, que podem causar doenças pela ingestão ou contato com a água contaminada, como bactérias, vírus, parasitas, protozoários , que podem causar doenças como disenteria, febre tifóide, cólera, hepatite e outras. A água potável é aquela que não causa danos à saúde nem prejuízo aos sentidos.

Abastecimento Industrial

A água é usada na indústria em seu processo produtivo, por exemplo como solvente em lavagens e em processos de resfriamento. Não existe um requisito de qualidade da água genérico para todas as indústrias, pois cada uso específico apresenta requisitos particulares. Indústrias que processam produtos farmacêuticos, alimentícios e de bebidas estão entre aquelas que precisam de qualidade elevada. Indústrias que utilizam a água para resfriamento devem usar água isenta de substâncias que causem o aparecimento de incrustações e corrosão nos condutos. Indústrias envolvidas com processos de tingimento de tecidos e louças devem ter à disposição água isenta de produtos propiciem o aparecimento de manchas no produto final.

Irrigação

A qualidade da água utilizada na irrigação depende do tipo de cultura a ser irrigada. Por exemplo, para o cultivo de vegetais que são consumidos crus, a água deve estar isenta de organismos patogênicos que poderão atingir o consumidor desse produto. Essa água também deve estar isenta de substâncias que sejam tóxicas aos vegetais ou aos seus consumidores. Outro aspecto de importância fundamental diz respeito ao teor de sais dissolvidos na água empregada para a irrigação. Excesso de sais dissolvidos pode afetar atividade osmótica das plantas, bem como prejudicar o aproveitamento de nutrientes do solo, influir diretamente no metabolismo das plantas e ainda reduzir a permeabilidade do solo, dificultando a drenagem e a aeração. Esquemas de irrigação mal-operados podem afetar grandes áreas de solo originalmente férteis devido ao efeito da salinização e encharcamento dos solos.

É importante observar também que a irrigação representa o uso mais intenso dos recursos hídricos, sendo responsável por aproximadamente 70%

do consumo de água doce no mundo. Além disso, ela pode carrear para os corpos d’água superficiais e subterrâneos as substâncias empregadas para o aumento de produtividade da agricultura. Entre tais substâncias destacam-se os fertilizantes sintéticos e os defensivos agrícolas.

Geração de Energia Elétrica

A água utilizada para fins energéticos por meio da geração de vapor de água nas usinas termoelétricas ou pelo aproveitamento de energia potencial ou cinética da água nas usinas hidrelétricas. Em ambos os casos os requisitos de qualidade da água são pouco restritivos, a não ser pelo controle de substâncias que possam afetar a durabilidade e manutenção dos equipamentos utilizados. O aproveitamento dos recursos hídricos para fins energéticos pode introduzir uma série de impactos ambientais no meio aquático. As usinas termoelétricas podem despejar calor nos corpos de água, afetando o ecossistema de várias maneiras. As usinas hidrelétricas dependem em geral da existência de uma barragem que crie um desnível entre as superfícies livres de água localizadas nos lados a montante e a jusante. Como conseqüência, o rio a montante da barragem transforma-se num lago, o que altera o ecossistema aquático, pois ele passa de um ambiente de altas velocidades e alta turbulência (rio) para um ambiente de baixas velocidades e baixa turbulência (lago).

Navegação

O transporte de carga e passageiros por via fluvial, lacustre e marítima é frequentemente uma alternativa bastante interessante sob o ponto de vista econômico. Para isso, a água existente no meio deve estar isenta de substâncias que sejam agressivas ao casco e condutos de refrigeração das embarcações e/ou propiciem a proliferação excessiva de vegetação, causando inconvenientes à navegação. A navegação pode perturbar o meio ambiente ao despejar substâncias poluidoras das embarcações no meio aquático, seja de modo deliberado ou acidental. Os portos também são um potencial poluidor pela mesma razão. Tem-se o caso dos terminais petrolíferos, nos quais podem ocorrer os vazamentos de petróleo. A navegação fluvial requer um leito adequado em termos de profundidade e curvas para o deslocamento das embarcações. A velocidade do curso de água é outro fator importante para a viabilização desse tipo de navegação. Assim, para a implantação da navegação fluvial podem ser necessárias alterações no canal, como, por exemplo, a implantação de barragens com obras de transposição de nível.

Preservação da Flora e Fauna

O

equilíbrio

ecológico do meio aquático deve ser mantido,

independentemente dos usos que se façam dos corpos de água. Para isso deve-se garantir a existência de concentrações mínimas de oxigênio dissolvido e de sais nutrientes na água. Ela não deve conter substâncias tóxicas acima de concentrações críticas para os organismos aquáticos.

Aqüicultura

A criação de organismos aquáticos de interesse para o homem requer padrões de qualidade da água praticamente idênticos aos necessários para a preservação da flora e da fauna, havendo possivelmente algumas considerações específicas para o favorecimento da proliferação de certas espécies.

Recreação

Os corpos de água oferecem várias alternativas de recreação para o homem, seja por meio de atividades como a natação e esportes aquáticos ou outras atividades como a pesca e a navegação esportiva. O contato com a água pode ser primário, como o que ocorre quando há um contato físico proposital com a água, como a natação. É evidente que a água não deve apresentar organismos patogênicos e substâncias tóxicas em concentrações que possam causar danos à saúde pelo contato com a pele ou por ingestão. O contato secundário ocorre de forma acidental em atividades como a navegação esportiva. Do ponto de vista estético, os corpos poluídos são inconvenientes ao homem devido à liberação de odores desagradáveis, presença de sustâncias flutuantes e turbidez excessiva. Freqüentemente tais corpos estão próximos de centros urbanos, não sendo utilizados para fins recreativos. Existe um valor econômico bastante expressivo associado ao aspecto estético da água. Por exemplo, são bastante valorizadas as propriedades próximas a corpos de água. Problemas com a água desvalorizam essas propriedades, prejudicando o uso dos rios e lagos como recursos paisagísticos.

Diluição de despejos

Os corpos podem ser utilizados para transportar e diluir os despejos neles lançados. A jusante do lançamento as concentrações do poluente dependerão em parte da razão de diluição, isto é, da relação entre a vazão do rio a vazão do despejo. Se a razão de diluição for alta, as concentrações podem ser baixas o suficiente para não causar impactos sobre outros usos de água. A diluição, no entanto, não deve ser recomendada em substituição ao tratamento dos despejos, devendo somente ser utilizada para a carga residual das estações de tratamento. O comportamento dos corpos de água como receptores de despejos varia em função de suas características físicas, químicas e biológicas e da natureza das substâncias lançadas.

A Tabela 1.1, apresenta, resumidamente, a classificação sistemática dos usos das águas. Nesta tabela, os usos consutivos referem-se ao grande consumo da água, sendo o seu retorno para o manancial muito pequeno. Os usos não consutivos são aqueles em que o consumo de água é muito pequeno, havendo, portanto, retorno de água ao manancial.

Tabela 1.1 – Classificação sistemática dos usos da água.

FORMA

FINALIDADE

TIPO DE USO

 

USO

REQUISITOS

EFEITOS

 

CONSUTIVO

 

DE

NAS ÁGUAS

QUALIDADE

Com

Abastecimento

Abastecimento

Baixo,

de

Altos

ou

Poluição

 

derivação

Urbano

 

doméstico,

10%,

sem

médios

orgânica

e

de águas

 

industria,

contar

com

influindo

no

bacteriológica.

comercial

e

as

perdas

custo

do

público.

nas redes.

 

tratamento.

Abastecimento

Sanitário,

de

Médio,

de

Médio,

Poluição

 

Industrial

 

processo,

20%,

variando com

orgânica,

 

incorporação

variando

 

o tipo de uso.

substâncias

ao

produto,

como

o

tipo

tóxicas,

refrigeração

e

de

uso

da

elevação

da

geração

de

indústria.

temperatura.

vapor.

   

Irrigação

 

Irrigação

Alto, de 90%.

Médio,

Carreamento

 

artificial

de

dependendo

 

de

culturas

do

tipo

de

agrotóxicos

e

agrícolas.

cultura.

fertilizantes.

Aqüicultura

 

Estações

de

Baixo,

de

Altos.

Carreamento

 

psiculturas

e

10%.

de

matéria

outras.

orgânica.

 

Sem

Geração

de

Acionamento

Perdas

por

Baixos.

 

Alteração

no

derivação

Energia

de

turbinas

evaporação

 

regime

e

na

de águas

Elétrica

hidráulicas.

do

qualidade das

 

reservatório.

águas

Navegação

 

Manutenção

Não há.

 

Baixos.

 

Lançamento

 
 

de

calados

   

de

óleo

e

mínimos

e

combustível.

eclusagem.

 

Preservação

 

Assegurar

o

Não há.

 

Não há.

 

Melhoria

na

da

Flora

e

equilíbrio

   

qualidade

da

Fauna

ecológico.

água.

Recreação

 

Natação

e

Não há.

 

Altos,

Poluição

e

 

outros

 

especialmente

lixo.

esportes

com

recreações de

contato

direto

contato

 

e secundário.

primário.

Diluição

de

Autodepuração

Não há.

 

Não há.

 

Poluição

 

despejos

e transporte de

   

orgânica,

 

esgotos

física, química

urbanos e

e

industriais.

bacteriológica

Fonte: Adaptado

Observamos que os recursos hídricos podem ser utilizados de diversas maneiras, atendendo a várias necessidades simultaneamente. Essa é uma exigência importante não só do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista do abastecimento, em função da crescente escassez da oferta de recursos hídricos diante da demanda sempre crescente. Assim, podem surgir conflitos quanto à utilização dos recursos hídricos, como por exemplo:

A diluição de despejos de origem humana, industrial e agrícola pode degradar a qualidade das águas, afetando outros usos tais como o abastecimento humano, industrial, a irrigação, a preservação do meio ambiente e a recreação.

A necessidade de ajustar a variação temporal da oferta natural de água à sua demanda pode levar à necessidade da criação de um reservatório. Todavia, reservatórios podem provocar impactos ambientais significativos. Além disso, uma das funções do reservatório pode ser o controle de cheias pela criação de um espaço vazio adequado disponível para receber e armazenar água durante o período de vazões altas. Essa água ficará retida no reservatório para impedir a ocorrência de inundações nas áreas situadas a jusante da barragem. A manutenção de um espaço vazio no reservatório conflita com a necessidade de armazenamento de água adequado para satisfazer os usos acima discriminados. Determinados usos dos recursos hídricos fazem com que parte da água que é utilizada não retorne ao corpo de água do qual foi retirada. Tais usos são denominados consutivos, conforme Tabela 1.1. Usos consutivos em geral conflitam com quaisquer outros usos em função da retirada da água que provocam no sistema aquático.

  • 1.3- BALANÇO HÍDRICO / EQUAÇÃO FUNDAMENTAL

As transformações do ciclo hidrológico ocorridas dentro de regiões de interesse pré-estabelecidas podem ser contabilizadas através da equação do balanço hídrico, também denominada balanço de massa, ou equação fundamental, que pode ser expressa na forma:

V = Q Q

e

s

(1.1)

onde:

V = Variação de armazenamento hídrico Qe = Afluência hídrica Qs = Efluência hídrica

As componentes do ciclo hidrológico a serem representadas na equação de balanço hídrico dependem dos limites estabelecidos, da mesma forma que as grandezas representativas de tais componentes devem ser empregadas em unidades compatíveis, sejam elas volumétricas, de descarga, ou lâminas. Considerando-se o balanço hídrico das águas superficiais e subterrâneas, tem- se:

V = P (E + T

+ G + Q)

(1.2)

onde:

V = Variação de armazenamento hídrico

P = precipitação E = evaporação T = evapotranspiração G= fluxo subterrâneo da bacia Q= escoamento superficial

Levando-se em conta somente as águas superficiais:

V = P (E

+ T + I + Q)

(1.3)

onde:

I = infiltração.

Assumindo-se ainda V = 0, a equação (1.3) reduz-se a:

Q = P -L (1.4)

onde:

L = perdas (E+T+I)

 

A equação

(1.4) constitui

a

base de muitos métodos práticos de

avaliação do escoamento superficial.

  • 1.4- APLICAÇÔES DA HIDROLOGIA

A hidrologia é a ciência da Terra que estuda a ocorrência, circulação e distribuição das águas, bem como as suas propriedades físicas e químicas e suas relações com os seres vivos. Divide-se em dois grandes grupos: a hidrologia das águas superficiais e a hidrologia subterrânea, sendo que o primeiro inclui: climatologia, meteorologia, geologia, geomorfologia, sedimentologia, geografia e oceanografia. A Engenharia Hidrológica e de Recursos Hídricos, por sua vez, é ciência

da Terra aplicada, uma vez que se utiliza dos princípios hidrológicos na solução

de problemas de engenharia, decorrentes da necessidade de explotação

1

dos

recursos hídricos terrestres. Em outras palavras, a engenharia hidrológica visa estabelecer relações, definindo a variabilidade espaço-temporal da água, com vistas à avaliação dos riscos envolvidos nas atividades de dimensionamento e operação de sistemas de aproveitamento e controle das águas naturais. A hidrologia baseia-se, essencialmente, em elementos observados e medidos no campo; o que mostra a importância da fase correspondente à coleta de dados. De um modo geral os estudos hidrológicos baseiam-se na quase repetição dos regimes de precipitação e de escoamento dos rios, ao longo do tempo. Isto é, ainda que uma sucessão histórica de eventos (vazão ou precipitação), contatada no passado, não se repita exatamente para o futuro, suas grandes linhas mantêm-se aproximadamente as mesmas. Em suma, os projetos de obras futuras são elaborados com base em elementos do passado, considerando-se ou não a probabilidade de se verificarem alterações com relação ao passado.

As principais aplicações são:

1 A explotação é a retirada do recurso com máquinas adequadas, para fins de beneficiamento, transformação e utilização.

  • a) Escolha de fontes de abastecimento de água para uso doméstico

ou industrial

  • b) Projeto e construção de obras hidráulicas

b.1) Fixação das dimensões hidráulicas de obras de arte, tais como:

pontes, bueiros, etc.; b.2) Projeto de barragens; localização; escolha do tipo de barragem, de

fundação e do extravasor; dimensionamento.

  • c) Drenagem

c.1) Estudo das características do Lençol Freático. c.2) Estudo das condições de alimentação e escoamento natural do lençol, precipitação, bacia de contribuição e nível d'água dos cursos.

  • d) Irrigação – Visa suprir as deficiências pluviais, proporcionando teor

de umidade no solo suficiente para o crescimento de plantas. d.1) Escolha do manancial. d.2) Estudo de evaporação e infiltração.

  • e) Regularização dos cursos d'água e controle de inundações

e.1) Estudo das variações de vazão; previsão de vazões máximas. e.2) Exame das oscilações de nível e das áreas de inundação.

  • f) Controle da poluição e preservação ambiental

Análise da capacidade de autodepuração dos corpos receptores (rios, lagoas, etc.) dos efluentes de sistemas de esgotos sanitários e industriais:

vazões mínimas de cursos d'água, capacidade de reaeração e velocidade de escoamento.

  • g) Controle da erosão

g.1) Análise de intensidade e frequência das precipitações máximas,

determinação do coeficiente de escoamento superficial.

g.2) Estudo

da

ação erosiva

das

vegetação e outros recursos.

águas e

proteção por meio da

  • h) Navegação

Obtenção de dados e estudos sobre construção e manutenção de canais navegáveis.

  • i) Aproveitamento hidrelétrico:

i.1) Previsão das vazões máximas, mínimas e médias dos cursos d'água

para o estudo econômico e dimensionamento das instalações. i.2) Verificação da necessidade de reservatório de acumulação, determinação dos elementos necessários ao projeto e construção do mesmo:

bacias hidrográficas, volumes armazenáveis, perdas por evaporação e infiltração.

  • j) Operação de sistemas hidráulicos complexos

l) Recreação – Atividades recreativas, esportes náuticos, navegação, pescas recreativas e lazer contemplativo.

m) Preservação e desenvolvimento da vida aquática – Manutenção de padrões adequados de qualidade das águas para conservação da fauna e da flora, com a manutenção de ambientes propícios às atividades humanas e à preservação da harmonia paisagística. Disponibilidade hídrica espaço- temporal: quantidade e qualidade de água.

n)

Estudos

propósitos

integrados de bacias hidrográficas para múltiplos

UNIDADE 2 – Bacia Hidrográfica

Bacia hidrográfica ou bacia de drenagem de uma seção de um curso d’água é a área geográfica coletora de água de chuva que escoa pela superfície do solo e atinge a seção considerada. Importante para obtenção de dados para dimensionamento de pontes, bueiros, barragens, galerias de águas pluviais, etc. A área da bacia é a área plana, projeção horizontal inclusa entre seus divisores e determinada em uma planta plani-altimétrica com o auxílio de um planímetro. Normalmente expressa em Km 2 ou hectares.

UNIDADE 2 – Bacia Hidrográfica Bacia hidrográfica ou bacia de drenagem de uma seção de um
UNIDADE 2 – Bacia Hidrográfica Bacia hidrográfica ou bacia de drenagem de uma seção de um

As bacias hidrográficas constituem contornos territoriais adequados aos estudos hidrológicos, em particular de balanço hídrico, pois sobre tais áreas é possível um maior controle sobre as componentes do ciclo hidrológico, como o escoamento superficial, muito embora o escoamento subterrâneo possa promover transferências hídricas entre bacias vizinhas. O termo bacia hidrográfica é usado indistintamente para pequenas e grandes áreas de drenagem, ao tratarem de área de drenagem de pequenos córregos ou grandes rios, respectivamente. No Brasil, em um total de 09(nove) grandes bacias hidrográfica, somente em três: Amazonas, São Francisco e Paraná estão concentrados cerca de 80% da produção hídrica do país. Estas bacias cobrem cerca de 72% do território brasileiro, dando-se destaque à Bacia Amazônica, que possui cerca de 57% da superfície do País. A Tabela 2.1 apresenta informações básicas sobre os recursos hídricos nas principais bacias hidrográficas brasileiras. Embora tamanha quantidade de água doce, há um grave problema de abastecimento no País, que é devido ao crescimento das localidades e à degradação da qualidade da água. O baixo nível tecnológico-organizacional está nas condições primárias de uso, recebendo a contribuição da ocupação rural, que aumenta o desmatamento das bacias hidrográficas. O grande desenvolvimento dos processos erosivos do solo faz com que haja um empobrecimento de pastagens nativas e redução das reservas de águas do solo, assim produzindo a queda da produtividade natural. O conhecimento das variações de tempo, espaço das chuvas, descargas dos rios, de fatores ambientais, sócio-culturais, condições de uso e conservação dos seus recursos naturais permitem planejar, evitar ou atenuar os efeitos do excesso ou da falta de água. O Brasil possui a maior disponibilidade hídrica do planeta, ou seja, 13,8% do deflúvio médio mundial.

Tabela 2.1 – Informações básicas sobre as Bacias Hidrográficas Brasileiras

Bacia

População 1

Densidade

Vazão

Disponibilidade

Hídrica

Disponibilidade

Hidrográfica

(hab/km 3 )

(m 3 /s)

Per-capita

Hab.

%

Km 3 /a

%

(m3/hab.ano)

Amazônica

  • 6.687.893 1,7

4,3

 

133.380

4206

73,2

628.940

Tocantins

  • 3.503.365 4,6

2,2

 

11.800

372

6,5

106.220

Atlântico Norte / Nordeste

  • 31.253.068 30,4

19,9

   
  • 9.050 9.130

285

5,0

 

São Francisco

  • 11.734.966 18,5

7,5

   
  • 2.850 1,6

90

 

7.660

Atlântico Leste

  • 35.880.413 65,8

22,8

   
  • 4.350 2,4

137

 

3.820

Paraguai

1.820.569

1,2

4,9

 
  • 1.290 0,7

41

 

22.340

Paraná

49.924.540

31,8

56,9

11.000

347

6,0

6.950

Uruguai

3.837.972

2,4

21,6

4.150

131

2,3

34.100

Atlântico Sudeste

12.427.377

7,9

55,5

4.300

136

2,4

10.910

BRASIL

157.070.163

100

18,5

182.170

5745

100

36.580

1- Dados: IBGE (1996) Fonte: apud Setti (2001, p.77)

Características fluvio-morfológicas

a) Forma da bacia

A forma da bacia hidrográfica é importante devido ao tempo de concentração, definido como o tempo, a partir do início da precipitação, para que toda a bacia correspondente passe a contribuir com a vazão na seção em estudo, ou em outras palavras, o tempo que leva uma partícula de água para atingir a seção em estudo partindo dos limites da bacia.

a1) Fator de forma: kf ou coeficiente de conformação

É a relação entre a área da bacia e o quadrado de seu comprimento

axial.

Mede-se o comprimento axial da bacia (L) quando se segue o curso d’água mais longo desde a foz até a cabeceira mais distante.

A largura comprimento axial.

média

L é obtida dividindo-se a área da bacia pelo seu

kf =

L

; mas

A

L =
L =

, então

kf

=

L

L

Onde:

 

A em Km²; L em Km.

 

A

2

L

Uma bacia com fator de forma baixo é menos sujeita a enchentes que outra de mesmo tamanho porém com maior fator de forma. Isso se deve ao fato de que em uma bacia estreita e longa, com fator de forma baixo, há menos possibilidade de ocorrência de chuvas intensas cobrindo simultaneamente toda sua extensão. Em uma bacia circular, toda a água escoada tende a alcançar a saída da bacia ao mesmo tempo.

Uma bacia elíptica, tendo a saída da bacia na ponta do maior eixo e, sendo a

Uma bacia elíptica, tendo a saída da bacia na ponta do maior eixo e, sendo a área igual a da bacia circular, o escoamento será mais distribuído no tempo, produzindo, portanto, uma enchente menor.

Uma bacia elíptica, tendo a saída da bacia na ponta do maior eixo e, sendo a

As bacias do tipo radial ou ramificada são formadas por conjuntos de sub-bacias alongadas que convergem para um mesmo curso principal. Neste caso, uma chuva uniforme em toda a bacia, origina cheias nas sub-bacias, que vão se somar, mas não simultaneamente, no curso principal. Portanto, a cheia crescerá, estacionará, ou diminuirá a medida que forem se fazendo sentir as contribuições das diferentes sub-bacias.

Uma bacia elíptica, tendo a saída da bacia na ponta do maior eixo e, sendo a

a2) Coeficiente de compacidade (kc)

É a relação entre o perímetro da bacia e a circunferência de um círculo de área igual a da bacia.

A 2 A = π * r , então r = π P P P kc
A
2
A = π * r
, então
r =
π
P
P
P
kc =
=
=
2*
π
* r
2* π
A
*
A
2 *
π
*
π
π

= 0,28

P

A
A

Onde:

P é o perímetro da bacia em Km;

A é a área da bacia em Km 2 .

Quanto mais irregular for a bacia, tanto maior será o coeficiente de compacidade. Um coeficiente mínimo igual a unidade corresponderia a uma bacia circular. Se os outros fatores forem iguais, a tendência para maiores enchentes é tanto mais acentuada quanto mais próximo da unidade for o valor desse coeficiente.

b) Rede de drenagem

É constituída pelo rio principal e seus afluentes. A disposição em planta dos cursos d’água é uma característica muito importante. Tal importância se deve:

I) Eficiência da drenagem – quanto mais eficiente for a drenagem maior e mais rápido se formará a enchente. II) Indicação da natureza do solo e das condições superficiais que existem na bacia. (Arenoso – infiltração elevada, só caudal principal; argiloso – rede bem ramificada).

b1) Ordem dos cursos d’água

A ordem dos rios é uma classificação que reflete o grau de ramificação ou bifurcação dentro de uma bacia. Normalmente designa-se o afluente que não se ramifica como de primeira ordem, sem levar em conta se ele deságua no rio principal ou não. Quando dois rios de primeira ordem se juntam é formado um rio de segunda ordem. Dois rios de ordem n dão lugar a um rio de ordem n+1.

b2) Densidade de drenagem

Uma indicação razoável de grau de desenvolvimento de um sistema de drenagem é fornecida pelo índice chamado densidade de drenagem. É a relação entre o comprimento total dos cursos d’água (efêmeros, intermitentes e perenes) de uma bacia hidrográfica e a área total da bacia.

 

L

D d

=

 

A

Onde:

L é o comprimento total em Km; A é a área da bacia Km2.

Em geral 0,5 Dd 3,5 Km/Km2

b3) Extensão média do escoamento superficial

Este índice é definido como sendo a distância média em que a água da chuva teria de escoar sobre os terrenos de uma bacia, caso o escoamento se desse em linha reta, desde onde a chuva caiu até o ponto mais próximo no leito

de um curso d’água qualquer da bacia. Considerando que uma bacia de área a possa ser representada por uma área de drenagem retangular, tendo um curso d’água de extensão L passando pelo seu centro, a extensão l do escoamento superficial é dada por:

A l = 4 * L
A
l
=
4 *
L

Embora a extensão do escoamento superficial que efetivamente ocorre sobre os terrenos possa ser bastante diferente dos valores determinados por este índice, ele constitui uma indicação da distância média do escoamento superficial.

Características do relevo de uma bacia

O relevo de uma bacia hidrográfica tem grande influência sobre os fatores meteorológicos e hidrológicos, pois a velocidade do escoamento superficial é determinada pela declividade do terreno, enquanto que a temperatura, a precipitação, a evaporação, etc, são funções da altitude da bacia.

Declividade da bacia

A declividade dos terrenos de uma bacia controla em boa parte a velocidade com que se dá escoamento superficial, afetando portanto o tempo que leva a água da chuva para concentra-se nos leitos fluviais que constituem a rede drenagem das bacias. A magnitude dos picos de enchente e a maior ou menor oportunidade de infiltração e susceptibilidade para erosão dos solos dependendo da rapidez com que ocorre o escoamento o escoamento sobre os terrenos da bacia.

Declividade do álveo (calha)

A água de precipitação concentra-se nos leitos dos rios depois de se escoar superficial e subterraneamente pelos terrenos da bacia. Tendo os leitos como caminho, as águas são conduzidas em direção à desembocadura. A velocidade de escoamento de um rio depende da declividade dos canais fluviais. Assim quanto maior a declividade, maior será a velocidade de escoamento e tanto mais pronunciados e estritos serão os hidrogramas das enchentes. A declividade do álveo pode ser obtido de três maneiras, cada uma com diferente grau de representatividade. S 1 : linha com declividade obtida tomando a diferença total de elevação do

leito pela extensão horizontal do curso d’ água. S 2 : linha com declividade obtida por compensação de áreas, de forma

que a área entre ela e a abscissa seja igual à compreendida entre a curva do perfil e a abscissa. S 3 : linha obtida a partir da consideração do tempo de percurso; é a média

harmônica ponderada da raiz quadrada das declividades dos diversos trechos retilíneos, tomando-se como peso a extensão de cada trecho.

Declividade do álveo (calha) A água de precipitação concentra-se nos leitos dos rios depois de se
S -Declividade equivalente constante; 1 ∑ L 2 i S = 3  L i 

S 3 -Declividade equivalente constante;

1 ∑ L 2 i S = 3  L i   S ∑ 
1
L
2
i
S
=
3
L
i
 
S
∑   
 
i
S
=
D , onde D i = declividade de cada trecho.
i
i
2
 
 ∑ L
 
i
S
=
3
L
i
D
   ∑
i
  

Curva hipsométrica

É a representação gráfica do relevo médio de uma bacia. Representa o

estuda da variação da elevação dos vários terrenos da bacia com referência ao

nível média do mar.

Essa variação pode ser indicada por meio de um gráfico que mostra a

percentagem da área de drenagem que existe acima ou abaixo das várias

elevações.

A curva hipisométrica pode ser determinada planimetrando-se as áreas

entre pares sucessivos de curvas de nível.

Altitude

hipsométrica.

mediana

correspondente

a

abscissa

média

da

curva

Altitude média – é a altura de um retângulo de área equivalente a área

abaixo da curva hipsométrica.

Curva hipsométrica É a representação gráfica do relevo médio de uma bacia. Representa o estuda da

Unidade 3 – Precipitação

PRECIPITAÇÃO é o nome que se atribui a toda forma de umidade que,

proveniente da atmosfera, deposita-se sobre a superfície da Terra. Ocorre na

forma de chuva, granizo, neve, neblina, orvalho e geada. A formação das

precipitações está ligada à ascensão das massas de ar que promove o seu

resfriamento, podendo fazer com que atinja o seu ponto de saturação,

condensando-se, na forma de minúsculas gotas que permanecem em

suspensão, como nuvens ou nevoeiros. Para que a precipitação ocorra é

necessária a coalescência de gotículas através de algum agente aglutinador,

que pode ser a turbulência, a vibração promovida pelas descargas elétricas,

etc. Pode acontecer que as gotas em queda encontrem camadas da atmosfera

de baixíssimas temperaturas, congelando-se e juntando-se a outras gotículas

congeladas ou não, formando pedras de gelo de tamanhos diversos e

alcançando a superfície da Terra em forma de granizo. A neve resulta do

crescimento de cristais de gelo nas camadas frias em torno de núcleos tais

como particulados, sal, etc., que coalescem para formar flocos suficientemente

pesados para vencer a gravidade e precipitar. A neblina acontece quando, nas

noites claras, as temperaturas próximas à superfície do terreno baixam

rapidamente, promovendo a condensação e formação de gotículas. Quando

tais gotículas se encontram com as superfícies de obstáculos tais como folhas

das árvores, telhados, etc., depositam-se sobre elas na forma de orvalho.

Quando as temperaturas nas camadas de ar próximas à superfície do terreno

atingem valores abaixo do ponto de congelamento, há deposição de gotículas

da neblina em forma de geada.

Na engenharia, geralmente refere-se a precipitação como sinônimo de

chuva pelo fato de que outras formas ou representam uma parcela pouco

significativa o ciclo hidrológico ou são incomuns em algumas regiões, como é o

caso da neve no Brasil. O presente capítulo trata, portanto, da precipitação na

forma de chuva.

A atmosfera terrestre é uma camada gasosa que se mantém envolvendo

a Terra graças à ação do campo gravitacional, sendo o ar atmosférico uma

mistura de gases constituída de ar seco acrescido de vapor d’água (variável no

espaço e no tempo, dentro da faixa de 0 a 1%), de composição

aproximadamente constante [nitrogênio (78,08%) e oxigênio (20,95%)]. Ela é

subdividida em regiões distintas. A troposfera é a sua camada mais próxima da

superfície que, de espessura até 16 km a partir do Equador e até 8 km a partir

dos polos, é o principal meio de transporte de massa (água, partículas sólidas,

poluentes, etc.), uma vez que contém 80% da massa total da atmosfera,

energia térmica recebida pelo sol e quantidade de movimento (movimento das

massas de ar). Acima dessa camada está a estratosfera, que abriga a camada

de ozônio que protege a Terra da infiltração dos perigosos raios ultravioleta.

Tem como limite inferior a tropopausa e superior a estratopausa. Acima da

estratosfera está a alta atmosfera, importante por conter elementos especiais e

camadas ionizadas, ser responsável pelas reações fotoquímicas e atuar como

meio de comunicação via satélite.

Face à distribuição apresentada, pode-se concluir que a baixa

atmosfera, em especial a troposfera, é de maior interesse como fonte de

umidade, elemento básico para a formação das precipitações.

3.1. Tipos de chuva

Diversos tipos de precipitação podem ocorrer, do acordo com o fator

responsável pela ascensão da massa de ar que lhes deu origem. São eles:

  • a) Frontais ou ciclônicas: associadas com o movimento de massas de ar

de regiões de alta pressão para regiões de baixa pressão. Ocorrem ao

longo da linha de descontinuidade que separa duas massas de ar de

características diferentes e caracterizam-se como chuvas de intensidade

baixa a moderada, de média e longa duração e que abrangem grandes

áreas.

3.1. Tipos de chuva Diversos tipos de precipitação podem ocorrer, do acordo com o fator responsável
  • b) Orográficas: resultam da ascensão mecânica de correntes horizontais

de ar úmido sobre barreiras naturais impostas pelo relevo, tais como

montanhas. São chuvas concentradas, normalmente de pequena

intensidade e grande duração.

3.1. Tipos de chuva Diversos tipos de precipitação podem ocorrer, do acordo com o fator responsável

Esquema de formação da precipitação orográfica

  • c) Convectivas: típicas das regiões tropicais. O aquecimento desigual da

superfície terrestre provoca o aquecimento de camadas de ar com

densidades diferentes, o que gera uma estratificação térmica da

atmosfera em equilíbrio instável. Se esse equilíbrio por qualquer motivo,

vier a ser quebrado, provoca uma ascensão brusca e violenta do ar

menos denso, capaz de atingir grandes altitudes, com formação de

nuvens tipo cumulus. Essas precipitações são de grande intensidade e

pequena duração, caracterizadas por fenômenos elétricos e fortes

rajadas de ventos, abrangendo pequenas áreas. Exemplos: Belém do

Pará e chuvas de verão.

rajadas de ventos, abrangendo pequenas áreas. Exemplos: Belém do Pará e chuvas de verão. Do ponto

Do ponto de vista de engenharia, os dois principais tipos são importantes

em projetos de grandes bacias (obras hidrelétricas, navegação e controle de

cheias) enquanto o último tipo interessa às obras em pequenas bacias, como

dimensionamento de bueiros e galerias de águas pluviais.

3.2. Análise de dados pluviométricos

As chuvas podem ser medidas pôr pluviômetros ou pôr pluviógrafos.

Ambos têm o princípio, a medição do volume de água precipitado em uma área

unitária, sendo este em geral, representado pôr uma unidade de comprimento

(altura), que representa a altura equivalente à cobertura de uma área com o

volume precipitado, caso esse volume fosse distribuído uniformemente

Os registros dos pluviômetros são anotados a intervalos regulares (em

geral, 24 horas).

rajadas de ventos, abrangendo pequenas áreas. Exemplos: Belém do Pará e chuvas de verão. Do ponto
Os pluviógrafos registram o volume precipitado continuamente no tempo, de onde se pode caracterizar a intensidade

Os pluviógrafos registram o volume precipitado continuamente no tempo,

de onde se pode caracterizar a intensidade da chuva, representada pela

relação entre a altura precipitada em um intervalo de tempo e o próprio

intervalo. Os registros dos pluviógrafos podem ser do tipo gráfico, onde uma

pena acompanha a variação da altura precipitada e o papel se movimenta com

uma velocidade conhecida, definindo a escala do tempo, ou do tipo digital,

onde os valores são acumulados em uma memória, com recuperação imediata

(real-time) ou posterior ( através de coletores de dados ou data-loggers).

Tanto os pluviômetros quanto os pluviógrafos, costumam ter superfície

2

e são geralmente instalados a

receptora circular com área entre 200 e 500 cm

1,50 m do solo. Devem ser instalados de tal forma que não sofram influências

de árvores, prédios ou outros obstáculos.

Os pluviógrafos registram o volume precipitado continuamente no tempo, de onde se pode caracterizar a intensidade
Os pluviógrafos registram o volume precipitado continuamente no tempo, de onde se pode caracterizar a intensidade
Os pluviógrafos registram o volume precipitado continuamente no tempo, de onde se pode caracterizar a intensidade
Estes pluviômetros e pluviógrafos estão distribuídos pôr diversos pontos do Estado e o conjunto de aparelhos

Estes pluviômetros e pluviógrafos estão distribuídos pôr diversos pontos

do Estado e o conjunto de aparelhos forma a rede de pluviógrafos.

Dependendo da forma desta rede teremos condições de termos em mão dados

mais confiáveis ou não para avaliação das chuvas.

A chuva também pode ser estimada utilizando radares meteorológicos. A

medição de chuva por radar está baseada na emissão de pulsos de radiação

eletromagnética que são refletidos pelas partículas de chuva na atmosfera, e

na medição do da intensidade do sinal refletido. A relação entre a intensidade

do sinal enviado e recebido, denominada refletividade, é correlacionada à

intensidade de chuva que está caindo em uma região. A principal vantagem do

radar é a possibilidade de fazer estimativas de taxas de precipitação em uma

grande região no entorno da antena emissora e receptora, embora existam

erros consideráveis quando as estimativas são comparadas com dados de

pluviógrafos.

Estes pluviômetros e pluviógrafos estão distribuídos pôr diversos pontos do Estado e o conjunto de aparelhos

3.2.1

– Determinação da altura de chuva

A determinação da altura de chuva, h ch ,a partir das alturas da proveta

graduada, h prov é feita considerando-se as áreas do bocal coletor em forma de

funil, A bocal , e da proveta, A prov , de acordo com:

h

chv

h

prov

=

A

prov

A

bocal

h

chv

=

h

prov

*

A

prov

A

bocal

  • 3.2.2 – Grandezas características

A precipitação é caracterizada por meio de três grandezas: altura,

duração e intensidade. A altura pluviométrica é o volume da chuva precipitado

medido em milímetros (mm). No entanto, esse valor não tem significado se não

estiver relacionado a uma duração. Logo, quando uma precipitação é medida,

esta é relacionada a um período de tempo (ex. 100 mm/mês ou 10 mm/hora). A

intensidade é a grandeza que visa caracterizar a variabilidade temporal.

Geralmente é medida em mm/h ou mm/min. A intensidade é muito importante

para estudos de erosão do solo e inundação.

Altura pluviométrica

A altura pluviométrica é expressa em milímetros (unidade linear) que

representa um decímetro cúbico (dm³) por metro quadrado (l/m²). Logo, para se

calcular o volume de água precipitada em determinado local (geralmente bacia

hidrográfica), multiplica-se a sua área (km² ou hectare) pela altura

pluviométrica. Os devidos cuidados devem ser tomados com a ordem de

grandeza das unidades. Por exemplo:

Considerar uma bacia hidrográfica com 2 km² ou 200 ha em que

determinado mês recebeu uma precipitação média mensal de 200 mm.

Logo o volume precipitado foi:

V (m

3

)

=

H( mm )

×

A( km

2

)

×

10

3

V (m

3

)

=

H( mm )

×

10

3

×

A( km

2

)

×

10

6

V

=

200

×

2

×

10

3

=

4

×

10

5

m

3

ou

V (m

3

)

=

H( mm )

×

A( ha )

×

10

V (m

3

)

=

H( mm )

×

10

3

×

A( ha )

×

10

4

V

=

200

×

200

×

10

=

4

×

10

5

3

m

Intensidade da precipitação

É a relação entre a altura pluviométrica e a duração da precipitação,

expressa em geral em mm/h ou mm/min ou l/s*ha.

Duração

Período de tempo contado desde o início até o fim da precipitação.

Chuva

Duração

 

Intensidade

Orográfica

Grande

 

Pequena

Frontal

Media e Longa

Baixa-Moderada

Convectiva

Curta

 

Alta

3.3.

Freqüência,

variações

e

tempos de recorrência das

precipitações.

 

A

escolha

de

tormenta de projeto para os projetos de obras de

drenagem urbana deve ser considerada de acordo com a natureza das obras a

projetar. Deve-se levar em conta os riscos envolvidos quanto à segurança da

população e as perdas materiais.

Caso haja disponibilidade de dados, procura-se determinar um padrão

típico para a região em estudo, função da variação espacial e temporal das

precipitações.

As relações intensidade-duração-frequência são muito utilizadas na

obtenção dos hidrogramas de projeto para o dimensionamento de pequenas

obras de drenagem urbana. Essas relações associam, à tormenta de projeto,

uma probabilidade de ocorrência. Dessa forma, a escolha da tormenta de

projeto depende da probabilidade de ocorrência da mesma,

consequentemente, existe um risco associado dessa tormenta ser superada.

A freqüência média da tormenta de projeto, F, é dada como o inverso do

período de retorno, Tr, ou seja,

F =

1

T

r

Pôr exemplo, para uma tormenta de período de retorno de dez anos, a

freqüência correspondente é igual a 0,1; isso significa que há uma chance em

dez de ocorrer uma tormenta igual ou superior num dado ano. A probabilidade

de ocorrer, pelo menos, uma tormenta de período de retorno de dez anos

durante um período de N anos é obtida pôr uma distribuição binomial e

expressa pôr:

R = 1 (1F)

N

Onde:

R= risco de ocorrência de , ao menos, uma tormenta igual ou superior à

de projeto na vida útil da obra;

F= freqüência da tormenta;

N= vida útil da obra, em anos.

A vazão cresce de forma não linear com o período de retorno, à medida

que o período de retorno cresce, o gradiente das vazões de projeto diminui.

Dessa forma, nem sempre a escolha de um período de retorno maior

ocasionaria uma elevação muito grande no custo da obra.

Risco de Ocorrer Enchente Maior

Risco de Ocorrer Enchente Maior Duração da chuva crítica Risco – R (%) Em geral, adota-se,

Duração da chuva crítica

Risco – R (%)

Em

geral, adota-se, para

a

chuva

crítica

de

uma pequena bacia

hidrográfica, uma duração igual ao tempo de concentração da bacia.

 

Essa

hipótese

é

válida

quando

se

admite

que

a

contribuição

do

escoamento superficial à

seção

 

de

saída

da

bacia

atinja

um

regime

permanente, após a duração da chuva ter superado o tempo de concentração

da bacia.

A definição da duração da chuva de projeto deve sempre considerar as

implicações das variações das vazões e volumes obtidos, nos hidrogramas de

projeto, sobre as dimensões das obras de drenagem a serem construídas.

3.4. Precipitação média em uma bacia. Métodos de cálculo.

A altura média de precipitação em uma área específica é necessária em

muitos de problemas hidrológicos, notadamente na determinação do balanço

hídrico de uma bacia hidrográfica, cujo estudo pode ser feito com base em um

temporal isolado, com totais de uma estação do ano, ou ainda com base em

totais anuais.

Para calcular a precipitação média numa superfície qualquer, é

necessário utilizar as observações dentro dessa superfície e nas suas

vizinhanças. Aceita-se a precipitação média como sendo uma lâmina de água

de altura uniforme sobre toda a área considerada, associada a um período de

tempo dado (como uma hora, dia, mês, ano), muito embora se saiba que a

chuva real obedece a distribuições espaciais e temporais variáveis. O risco de

utilização dos dados de precipitação média espacial reside na aplicação dos

mesmos para projetos de irrigação

Para calcular a precipitação média numa superfície qualquer, é necessário utilizar as observações dentro dessa superfície

Conceito de precipitação média

Existem

três métodos,

os mais

usuais, para

essa determinação: o

método aritmético, o método de Thiessen e o método das isoietas.

Método Aritmético

Esse método é o mais simples: consiste em determinar-se a média

aritmética

entre

as alturas

de

chuvas medidas na área. Este método

apresenta uma boa estimativa se os aparelhos forem distribuídos

uniformemente e a área for plana ou de relevo suave.

1 h =
1
h
=

n

n

i

=

1

P i
P
i

sendo:

h -altura média de precipitação (mm)

Pi -a lâmina de precipitação do posto i (mm)

n -número de posto considerados

Método de Thiessen

Esse método, que pode ser utilizado mesmo para uma distribuição não

uniforme dos aparelhos. Consiste em atribuir um peso aos totais precipitados

observados em cada aparelho, possibilitando que a área de influência de cada

qual seja considerada na avaliação da média.

Essas áreas de influência (pesos) são determinadas através de mapas

da bacia com os postos, unindo-se os postos adjacentes por linhas retas e, em

seguida, traçando-se as mediatrizes destas retas, formando polígonos, cujos

lados constituem os limites das áreas de influência de cada estação.

A precipitação média é calculada pela média ponderada entre a

precipitação Pi de cada estação e o peso a ela atribuído Ai que é a área de

influência de Pi.

P A

i i h =
i
i
h =

A

T

h = a precipitação média sobre a bacia

A = a área total da bacia. T
A
= a área total da bacia.
T

Método de Thiessen

Método das Isoietas De acordo com o método das isoietas, em vez de pontos isolados de

Método das Isoietas

De acordo com o método das isoietas, em vez de pontos isolados de

precipitação determinados pelos aparelhos de medida, utilizam-se curvas de

igual precipitação, cujo traçado é simples e semelhante ao das curvas de nível,

onde a altura da chuva substitui a cota do terreno.

A precipitação média sobre uma área é calculada ponderando-se a

precipitação média entre isoietas sucessivas (normalmente fazendo a média

dos valores de duas isoietas) pela área entre as isoietas, totalizando-se esses

produtos e dividindo-se pela área total da bacia.

h

=

+ 

h

i

+

h

i

1

2

A

i

A

35
35

Preenchimento de falhas

Muitas estações pluviométricas apresentam falhas em seus registros

devido a problemas operacionais (observador ou aparelho). Entretanto, como

há necessidade de se trabalhar com séries contínuas, essas falhas devem ser

preenchidas. Um método bastante utilizado para se fazer esta estimativa tem

como base em pelo menos dez anos de registros pluviométricos de pelo menos

três estações localizadas o mais próximo possível da estação que apresenta

falha nos dados de precipitação.

Seja uma estação x, que apresenta falhas, cuja média Mx das

precipitações é conhecida, em determinado período de anos. Em geral adota-

se o procedimento dado a seguir:

  • a) Supõe-se que a precipitação na estação x seja proporcional as precipitações nas estações vizinhas A, B e C num mesmo período, que serão representadas por Pa, Pb, Pc.

  • b) Supõe-se que o coeficiente de proporcionalidade seja relação entre a média Mx e as médias Ma, Mb e Mc, no mesmo intervalo de anos.

  • c) Adota-se como valor Px a média ponderada entre os três valores calculados a partir de A, B e C.

1  M M M  x x x P = * P + * P
1
M
M
M
x
x
x
P
=
*
P
+
*
P
+
* P
x
a
b
c
3
M
M
M
a
b
c
3.4. Precipitações Intensas

As precipitações intensas são as principais causas de cheias e

prejuízos, por isso merecem destaque especial em hidrologia. Normalmente o

transbordamento de rios, problemas de drenagem, alagamento de ruas,

inundação de residências, escolas, entre outros é um processo decorrente de

uma chuva intensa. Assim, é lógico que no dimensionamento de obras de

drenagem (pontes, bueiros, vertedores, etc.) deve-se analisar o comportamento

das chuvas intensas em uma região, de forma a dimensionar estruturas que

tragam segurança à população.

Dentro do conceito de chuva intensa, deve ser lembrado que quanto

mais curta a duração de uma precipitação, maior a chance de que ela tenha

sido muito intensa, e que quanto mais freqüente uma chuva maior é a

probabilidade de sua ocorrência. Assim, na análise de um chuva intensa, deve

ser considerada a inter-relação entre essas variáveis: Intensidade – Duração –

Freqüência. Esse processo é possível através da utilização das chamadas

curvas IDF.

A curva IDF é obtida a partir da análise estatística de séries longas de

dados de um pluviógrafo (mais de 15 anos, pelo menos). A metodologia de

desenvolvimento da curva IDF baseia-se na seleção das maiores chuvas de

uma duração escolhida (por exemplo 15 minutos) em cada ano da série de

dados. Com base nesta série de tamanho N (número de anos) é ajustada uma

distribuição de freqüências que melhor represente a distribuição dos valores

observados.

É usual o emprego de equações intensas do tipo: i = C ( t + t

É usual o emprego de equações intensas do tipo:

i

=

C

 

(

t

+

t

0

)

n

 

onde:

 

mais geral.

 

i

=

kT

m

 

(

t

+

t

0

)

n

i - é a intensidade média (mm/mim) para a duração t;

to, C e n são parâmetros a determinar.

Certos autores procuram relacionar C com o período de retorno T por

meio de uma equação do tipo C =kT m e expressar a equação anterior na forma

Algumas equações intensidade – duração – freqüência para cidades

brasileiras e os respectivos períodos de observação em anos.

Sendo, i (mm/h), T (anos) e t (min)

Rio de Janeiro:

i

=

(

1239

T

0,15

t

+

20)

0,74

(31 anos)

Curitiba:

i

=

5950

T

0,217

(

t

+

26)

1,15

(31 anos)

   

1447,87

T

0,10

 

Belo Horizonte:

i

=

(31 anos)

 

(

t

+

20)

0,84

37

Para

outras

cidades

ver

“Chuvas

Intensas

no

Brasil”,

Pfafstetter – Publicação do extinto D.N.O.S.

Eng.

Otto

Equações intensidade – duração – freqüência para as estações pluviométricas

do Rio de Janeiro:

Pluviômetro

K

m

t 0

n

Fonte

Santa Cruz

711,30

0,186

7,00

0,687

PCRJ- Cohidro (1992)

Campo Grande

891,67

0,187

14,00

0,689

PCRJ- Cohidro (1992)

Mendanha

843,78

0,177

12,00

0,698

PCRJ- Cohidro (1992)

Bangu

1.208,96

0,177

14,00

0,788

PCRJ- Cohidro (1992)

Jardim Botânico

1.239,00

0,150

20,00

0,740

Ulysses Alcântara

(1960)

Capela Mayrink

921,39

0,162

15,46

0,673

Rio-Águas (2003)

Via11 (Jacarepaguá)

1.423,20

0,196

14,58

0,796

Rio-Águas (2005)

Sabóia Lima

1.782,78

0,178

16,60

0,841

Rio-Águas (2006)

Benfica

7.032,07

0,150

29,68

1,141

Rio-Águas (2006)

Realengo

1.164,04

0,148

6,96

0,769

Rio-Águas (2006)

Irajá

5.986,27

0,157

29,70

1,050

Rio-Águas (2007)

Eletrobrás -Taquara (Eletrobrás)

1.660,34

0,156

14,79

0,841

Rio-Águas (2009)

Observações

sobre

os

Períodos

de

Retorno Utilizados para Projetos

Hidráulicos

Quanto maior o período de retorno, T, maiores serão os picos de vazão,

mais seguras e mais caras serão as obras. Assim, o período de retorno pode

ser estabelecido com base em estudos econômicos. Entretanto, a necessidade

de considerarem-se custos e benefícios de difícil quantificação ou impossíveis

de serem traduzidos em unidades monetárias, limitam tal análise.

Apresentam-se, a seguir, alguns valores aceitos na prática:

Barragens: 1.000 a 10.000 anos.

Galerias de águas pluviais: 5 a 10 anos.

Canais em terra: 10 anos.

Pontes e bueiros em córregos mais importantes; e que dificilmente

permitirão ampliações futuras: 25 anos.

Obras em geral em pequenas bacias urbanas: 5 a 50 anos.

Mais especificamente em relação aos projetos de drenagem, os

períodos de retorno aceitos na literatura técnica e de consenso internacional,

são apresentados a seguir:

Tabela Tucci et al (1995)

Tipo da Obra

Ocupação do Solo

T (anos)

Microdrenagem

Residencial

2

Comercial

5

Áreas com edifícios de serviço público

5

Aeroportos

2-5

Áreas comerciais e artérias de tráfego

5-10

Macrodrenagam

Áreas comerciais e residenciais

50-100

Área de importância específica

500

Unidade 4 – Evaporação, Transpiração e Evapotranspiração

Introdução

A evaporação é o processo físico no qual um líquido ou sólido passa

para o estado gasoso (vapor). A transpiração é o processo pelo qual as plantas

retiram a umidade do solo e a libertam no ar sob a forma de vapor. Os

processos só ocorrem se houver introdução de energia no sistema, proveniente

do sol, da atmosfera, ou de ambos Mais da metade da precipitação que cai

sobre os continentes volta à atmosfera através da ação conjunta desses dois

processos, a evapotranspiração.

Informações quantitativas desses processos, que constituem fase

importante do ciclo hidrológico, são utilizadas na resolução de numerosos

problemas que envolvem o manejo d’água. Tanto o planejamento de áreas

agrícolas de sequeiro ou irrigada, a previsão de cheias ou a construção e

operação de reservatórios, requerem dados confiáveis de evaporação e/ou

evapotranspiração. Entretanto, essas informações obtidas de medidas diretas

para diferentes locais e condições meteorológicas distintas não existem em

quantidade suficiente. Assim, estimativas baseadas em princípios físicos e

principalmente equações empíricas são utilizadas como alternativas para suprir

esta carência.

Discutem-se a seguir os processos de evaporação e evapotranspiração,

fornecendo alguns procedimentos de cálculo usuais.

Fatores que Afetam a Evaporação

A quantidade evaporada a partir de uma superfície de água é

proporcional à diferença entre a pressão de vapor na superfície e a pressão de

vapor no ar das camadas adjacentes. No ar parado, a diferença da pressão de

vapor rapidamente diminui e o processo de evaporação fica limitado pela

difusão do vapor na atmosfera proveniente da superfície líquida. A turbulência

provocada pelo vento e por convecção térmica afasta o vapor das camadas em

contato com a superfície das águas e possibilita a continuidade da evaporação.

As variáveis meteorológicas que interferem na evaporação de superfícies livres

de água particularmente são: a radiação solar, a temperatura do ar, vento e

pressão de vapor. A temperatura do ar está associada à radiação solar e, desta

forma, correlaciona-se positivamente com a evaporação. O aumento da

temperatura do ar influi favoravelmente na intensidade de evaporação, porque

permite que uma maior quantidade de vapor de água esteja presente no

mesmo volume de ar acima da superfície evaporante.

Temperatura da superfície: Quanto maior a temperatura da

superfície, maior a energia cinética das moléculas e maior o

número de moléculas que escapam da superfície.

Salinidade da água:

Os sais dissolvidos na água reduzem a

pressão de vapor de uma superfície de água. Por isto a

evaporação é mais lenta em águas salgadas.

Grau de umidade relativa do ar

Umidade relativa =

quantidade de vapor d'água presente no ar

quantidade de água no volume de ar, se saturado de umidade

Quanto maior a quantidade de água no ar atmosférico, maior o

 

grau

de

umidade e maior

a intensidade

de

evaporação da

superfície d’água.

 

Pressão barométrica:

Quanto

maior

a

altitude,

menor

a

pressão barométrica e maior a intensidade da evaporação (a

influência da pressão é pequena).

Mensuração da Evaporação

Os métodos normalmente usados para determinar a evaporação são:

transferência de massa, balanço de energia, equações empíricas, balanço

hídrico e evaporímetros(direto).

Os métodos que aplicam os princípios da transferência de massa

apresentam a dificuldade de obtenção das variáveis envolvidas.

Baseiam-se na primeira Lei de Dalton, que estabelece a relação entre

evaporação e pressão de vapor, expressa por:

Eo = b(es ea)

Onde:

E o = evaporação;

b= coeficiente empírico;

e s = pressão de vapor de saturação na temperatura da superfície;

e a = pressão de vapor numa altura acima da superfície.

Balanço Hídrico: aplica a equação da continuidade a um reservatório.

Exige, portanto, conhecimento preciso e completo a respeito dos

volumes aduzidos, dos caudais afluentes e do volume armazenado. A

não ser que a evaporação seja da mesma ordem de grandeza dos

outros fenômenos, e que não haja novas contribuições ou perdas não

registradas, provenientes de escoamentos subsuperficiais, em geral, é

muito impreciso por expressar os erros de cálculo das outras parcelas. A

evaporação pode ser obtida pela seguinte equação:

Eo = (I Q)/ A + P (dV / dt)/ A

Onde:

V= Volume de água contido no reservatório;

t= tempo;

I= vazão total de entrada no reservatório;

Q= vazão de saída do reservatório;

Eo= evaporação;

P= precipitação sobre o reservatório;

A= área do reservatório.

Empíricas: em princípio, medindo-se umidade, temperatura e vento em

dois níveis acima de uma superfície de água, deve ser possível calcular

o transporte de vapor ascendente, utilizando a teoria de turbulência.

Muitas equações complexas já foram propostas para expressar essa

relação. A equação abaixo, por exemplo, foi ajustada empiricamente

para o Lago Hefner, nos EUA:

Eo

=

0,03594

V 8
V
8

(

e

s

e

8

)

E o =quantidade evaporada em mm/dia,

e s = é a pressão de vapor(mm hg) à superfície da água, e

e 8 e V 8 são respectivamente, a pressão do vapor e a velocidade do

vento (km/h) a 8 metros da superfície.

Balanço Energético:

Esta metodologia tem como um dos fatores principais o entendimento de

alguns aspectos do comportamento climático sobre a superfície terrestre

e a atmosfera. A radiação solar é um destes fatores, que sucintamente é

descrito como um comprimento de onda curto onde parte da energia é

absorvida pela atmosfera (11%), parte é dispersa em direção ao espaço

(9%) e outra em direção a Terra (5%). Uma parcela desta energia (33%)

é refletida e o restante chega na superfície da Terra (42%),

atravessando nuvens ou diretamente. Da parcela que atinge a superfície

da Terra, parte é refletida e parte é absorvida. A parcela absorvida

produz aquecimento na superfície, tendo com resultado a evaporação e

a radiação térmica em direção à atmosfera. A figura seguinte retrata as

componentes de energia.

P= precipitação sobre o reservatório; A= área do reservatório. • Empíricas: em princípio, medindo-se umidade, temperatura

Figura - Componentes do balanço de energia

Pode ser expresso por:

E

=

H

i

+

H

0

− ∆

H

[

ρ λ +

(1

R

)]

onde

H i é o calor total recebido pelo lago, incluindo a radiação solar e o calor

introduzido no lago pela água efluente;

H 0 é o calor que sai do lago como radiação refletida e devolvida, bem

como retirado pelas águas do reservatório;

ρ é a densidade da água evaporada;

λ o calor latente de vaporização e

R a relação entre o calor utilizado pela evaporação e o transferido ao ar

como calor sensível. O valor de R, conhecido como Razão de Bowen é

dado por:

E

0,61

(

patm T

s

  • 0 T

A

)

=

1000(

e

s

e

a

)

Onde T s e T a são, respectivamente, a temperatura na superfície e no ar.

Evaporímetros: o método mais antigo para calcular evaporação de um

lago é por meio dos evaporímetros ou cubas de evaporação. A mais

usada é a cuba classe A do Weather Service, cujo diâmetro é de 1,22 m

com profundidade 25,4 cm. A quantidade de água evaporada é medida

diariamente por meio de uma ponta limnimétrica com extremidade em

gancho. É evidente que a evaporação a partir de um recipiente difere

substancialmente da que ocorre na superfície de um reservatório,

principalmente devido à diferença de temperatura da água nos dois

casos. O pequeno volume de água na cuba e o metal exposto ao sol

contribuem para substanciais variações de temperatura da água, à

medida que se altera a temperatura do ar e a radiação solar. Já nos

lago, a grande massa de água e o efeito estabilizador das correntes de

convecção e do solo, em volta do reservatório, trazem como

conseqüência uma amplitude muito menor na variação das

temperaturas. Assim, é necessário corrigir o valor da evaporação (Ep)

encontrado através das cubas. Estudos mostraram que a correlação

entre a evaporação anual em um lago Er e a evaporação em uma cuba

desse tipo Ep apresenta valores na faixa 0.67 a 0,81(média=0,7), o que

significa que Er /Ep ~0,7.

Transpiração As plantas retiram água do solo por meio de suas raízes, transportam-na através de sua

Transpiração

Transpiração As plantas retiram água do solo por meio de suas raízes, transportam-na através de sua

As plantas retiram água do solo por meio de suas raízes, transportam-na

através de sua estrutura e eventualmente liberam-na através dos estômatos

nas suas folhas. A transpiração é essencialmente a evaporação da água

liberada pelas folhas dos vegetais. As quantidades de transpiração são,

portanto, aproximadamente as mesmas da evaporação a partir de uma

superfície; livre de água, desde que o abastecimento hídrico à planta não seja

limitado. A evaporação calculada, relativa a uma superfície livre, pode,

portanto, ser tomada como indicativo da evapotranspiração potencial referente

a uma superfície de solo com cobertura vegetal.

A quantidade total de transpiração das plantas durante um longo período

de tempo é limitada principalmente pela disponibilidade de água. Em regiões

de elevada precipitação bem distribuída ao longo do ano, todas as plantas

transpirarão na mesma proporção e as diferenças no total serão devidas à

diversidade do período de crescimento de cada espécie. Onde o abastecimento

de água for restrito e sazonal, a profundidade de raízes adquire grande

importância. Nessas condições as gramíneas de raízes curtas murcham e

morrem quando a superfície do solo fica seca, ao passo que os vegetais de

raízes longas continuarão a retirar água das camadas profundas do solo. A

vegetação de raízes longas transpira maior quantidade de água durante o ano.

A prática demonstra que a transpiração não será reduzida em quantidade, por

diminuição do teor de umidade do solo antes de ser atingido o ponto de

murchamento do solo.

Evapotranspiração

A evapotranspiração, às vezes chamada de uso consuntivo ou

evaporação total, inclui toda a água retirada de uma região, por transpiração

das plantas e por evaporação, tanto do solo e da neve, como de superfícies de

água. A evapotranspiração é importante para o balanço hídrico de uma bacia

como um todo e, principalmente, para o balanço hídrico agrícola, que poderá

envolver o cálculo da necessidade de irrigação.

Evapotranspiração potencial (ETP): quantidade de água transferida

para a atmosfera por evaporação e transpiração, na unidade de tempo, de uma

superfície extensa completamente coberta de vegetação de porte baixo e bem

suprida de água (Pennan, 1956).

Evapotranspiração real (ETR): quantidade de água transferida para a

atmosfera por evaporação e transpiração, nas condições reais (existentes) de

fatores atmosféricos e umidade do solo. A evapotranspiração real é igual ou

menor que a evapotranspiração potencial (ETR<ETP) (Gangopadhyaya et al,

1968).

Informações confiáveis sobre evapotranspiração real são escassas e de

difícil obtenção, pois demandam um longo tempo de observação e custam

muito caro. Já a evapotranspiração potencial pode ser obtida a partir de

modelos baseados em leis físicas e relações empíricas de forma rápida e

suficientemente precisa. Várias teorias relacionam ETR e ETP em função da

disponibilidade de água no solo. Não existe, entretanto, uma teoria que aceita

universalmente.

Mensuração da Evapotranspiração

Dentre os procedimentos usualmente empregados para medir ou estimar

a evapotranspiração, citam-se: medidas diretas, métodos baseados na

temperatura, métodos baseados na radiação, método combinado e o balanço

hídrico.

Medidas Diretas: Lisímetros

Os lisímetros são tanques enterrados no solo, dentro dos quais medimos

a taxa de infiltração e a evapotranspiração. É o método mais preciso

para a determinação direta da Evapotranspiração, desde que sejam bem

instalados.

Existem diversos tipos de lisímetros que podem ser subdivididos em não

pesáveis e pesáveis. Os lisímetros de drenagem ou percolação

pertencem à categoria dos não pesáveis, e os lisímetros pesáveis

subdividem-se em lisímetro de pesagem mecânica, flutuante e

hidráulico.

Por questões de simplicidade, descreve-se a seguir o lisímetro de

drenagem ou percolação.

Lisímetro de drenagem ou percolação: consiste de um tanque enterrado

no solo, com dimensões mínimas de 1,5 m de diâmetro por 1,0 m de

altura, com uma borda superior de 5 cm acima da superfície do solo. Do

fundo do tanque sai um cano que conduzirá a água drenada até um

recipiente. O tanque tem que ser cheio com o solo do local onde será

instalado o lisímetro, mantendo a mesma ordem dos horizontes. No

fundo do tanque, coloca-se uma camada de mais ou menos 10 cm de

brita coberta com uma camada de areia grossa. Esta camada de brita

tem finalidade de facilitar a drenagem de água que percola através do

tanque. O tanque deve ser pintado interna e externamente para evitara

problemas de corrosão. Após instalado, planta-se grama no tanque e na

sua área externa. A Figura a seguir ilustra esse tipo de lisímetro.

Esquema ilustrativo de um lisímetro de percolação A evapotranspiração potencial para um período qualquer é dada
Esquema ilustrativo de um lisímetro de percolação A evapotranspiração potencial para um período qualquer é dada

Esquema ilustrativo de um lisímetro de percolação

A evapotranspiração potencial para um período qualquer é dada pela

equação:

 

ETP

=

I

+

P

D

 

S

Onde:

 

ETP=evapotranspiração potencial (mm);

I=irrigação do tanque (litros);

P=precipitação pluviométrica no tanque (litros);

D=água drenada do tanque (litros); e

S=área do tanque (m2)

Como o movimento da água no solo é um processo relativamente lento,

os lisímetros de percolação têm precisão para períodos mais ou menos

longos.

Métodos Baseados na Temperatura:

Thornthwaite: a equação do método baseada em dados de precipitação

e escoamento para diversas bacias hidrográficas dos EUA,

correlacionados com informações de temperatura é:

 

T

ETP = 16D(10

I

)

Onde:

a

ETP=evapotranspiração potencial para meses de 30 dias e comprimento

de 12 horas (mm/mês);

t=temperatura média mensal do ar (ºC);

D=comprimento médio dos dias do mês, em unidades de 12 horas

(Tabela 1);

 

a

=

67,5*10

8

 

12

t

I

=

i

=

1

(

i

)

1,514

   

5

I=índice de calor anual, correspondente à soma dos 12 índices mensais.

*

I

3

7,71*10

6

*

I

2

+

0,01791*

I

+

0,492

onde

t i =temperaturas do mês analisado em ºC.

A equação de Thornthwaite ganhou popularidade mundial, mais pelo fato

de necessitar somente de dados de temperatura do ar, informação

disponível em grande número de estações e mesmo em postos

meteorológicos, do que pela sua precisão.

onde t =temperaturas do mês analisado em ºC. A equação de Thornthwaite ganhou popularidade mundial, mais

Tabela 1. D - Comprimento dos dias do mês em unidades de 12 horas(Tucci,1993).

Balanço Hídrico:

A determinação da evapotranspiração real de uma região é feita

medindo a vazão efluente dessa região (superficial e pelo solo) e

subtraindo esse valor da vazão total de entrada na região (precipitação,

afluxo superficial e pelo subsolo, bem como água importada). As

alterações no armazenamento superficial e subterrâneo devem ser

consideradas, quando não forem desprezíveis.

Unidade 5 – Infiltração

Infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do solo.

Portanto, é um processo que depende fundamentalmente da água disponível

para infiltrar, na natureza do solo, do estado de sua superfície e das

quantidades de água e ar, inicialmente presentes no seu interior.

A medida que a água infiltra pela superfície, as camadas superiores do

solo vão-se umedecendo de cima para baixo, alterando gradativamente o perfil

de umidade. Normalmente, a infiltração decorrente de precipitações naturais

não é capaz de saturar todo o solo, retringindo-se a saturar, quando consegue,

apenas as camadas próximas à superfície, conformando um perfil típico onde o

teor de umidade decresce com a profundidade.

Quando o aporte de água à superfície cessa, a umidade no interior do

solo se redistribui, evoluindo para um perfil de umidade inverso, com menores

teores de umidade próximo à superfície e maiores nas camadas mais

profundas. Nem toda umidade é drenada para as camadas mais profundas do

solo, já que parte é transferida para a atmosfera por evapotranspiração.

Nas camadas inferiores do solo geralmente é encontrada uma zona de

saturação, mas sua influência no fenômeno da infiltração só é significativa

quando se situa a pouca profundidade. Na figura a seguir pode-se ver a

evolução do perfil de umidade em um solo natural sujeito à infiltração.

Unidade 5 – Infiltração Infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do

Figura 5.1 – Evolução do perfil de umidade em um solo.

Fatores que influem na infiltração

Tipo de solo: Quanto

maior

a

porosidade,

tamanho

das

partículas

granulares ou estado de fissuração, maior a capacidade de infiltração.

Cobertura vegetal: A vegetação, devido ao esforço causado pelas

raízes, aumenta a capacidade de infiltração.

Umidade do solo: Solo úmido tem menor capacidade de infiltração que o

solo seco.

Precipitação pluviométrica: Choques das gotas na superfície do

solo causam compactação, diminuição de vazios, diminuindo a

capacidade de infiltração.

Ação do homem escavando a terra: Produção de falhas no solo,

provocando o aumento de capacidade de infiltração.

Capacidade de infiltração e taxa de infiltração

A capacidade de infiltração é a quantidade máxima de água que pode infiltrar no solo, em um dado intervalo de tempo, sendo expresso

geralmente em mm.h -1 . É aplicada no estudo da infiltração para diferenciar o

potencial que o solo tem de absorver água pela sua superfície, em termos de

lâmina por tempo, da taxa real de infiltração, que acontece quando há

disponibilidade de água para penetrar no solo. Uma curva de taxas reais de

infiltração no tempo somente coincide com a curva das capacidades de

infiltração de um solo, quando o aporte superficial de água (proveniente de

precipitações e mesmo de escoamentos superficiais de outras áreas) tem

intensidade superior ou igual à capacidade de infiltração.

• Umidade do solo: Solo úmido tem menor capacidade de infiltração que o solo seco. •

Figura 5.2 – Velocidade de Infiltração e infiltração acumulada em função do tempo para solo inicialmente seco e úmido.

Em um solo em que cessou a infiltração, parte da água no seu interior

propaga-se para camadas mais profundas e parte é transferida para a

atmosfera por evaporação direta ou transpiração dos vegetais. Esse processo

faz com que o solo vá recuperando sua capacidade de infiltração, tendendo a

um limite superior à medida que as camadas superiores do solo vão-se

tornando mais secas.

Se uma precipitação atinge o solo com uma intensidade menor que a

capacidade de infiltração toda água penetra no solo, provocando uma

progressiva diminuição da própria capacidade de infiltração, já que o solo está

se umedecendo. Se a precipitação continuar, pode ocorrer, dependendo da sua

intensidade, um momento em que a capacidade de infiltração diminui tanto que

sua intensidade se iguala à da precipitação. A partir deste momento,

mantendo-se a precipitação, a infiltração real se processa nas mesmas taxas

da curva da capacidade de infiltração, que passa a decrescer

exponencialmente no tempo tendendo a um valor mínimo de infiltração. A

parcela não infiltrada da precipitação forma filetes que escoam superficialmente

para área mais baixas, podendo infiltrar novamente, se houver condições.

Quando termina a precipitação e não há mais aporte de água à

superfície do solo a taxa de infiltração real anula-se rapidamente e a

capacidade de infiltração volta a crescer, porque o solo continua a perder

umidade para as camadas mais profundas (além das perdas por

evapotranpiração).

Resumo:

Capacidade de infiltração (f): É a máxima taxa com que um solo,

em uma dada condição, é capaz de absorver água, depois de certo

tempo ‘t’.

Taxa de infiltração: Taxa de água que infiltra no solo. A taxa de

infiltração só é igual à capacidade de infiltração, quando a chuva for

de intensidade superior ou igual a esta capacidade.

Excesso de precipitação: Diferença entre a precipitação e a

capacidade de infiltração.

um limite superior à medida que as camadas superiores do solo vão-se tornando mais secas. Se

zona de

umidade

do solo

solo

zona intermediária

nível do lençol

zona capilar

um limite superior à medida que as camadas superiores do solo vão-se tornando mais secas. Se
um limite superior à medida que as camadas superiores do solo vão-se tornando mais secas. Se

camada impermeável

Equacionamento geral da infiltração

O equacionamento geral da infiltração é feito a partir da representação

matemática do movimento da água em solos não saturados, isto é, solos com

teor de umidade abaixo da saturação.

O movimento da água em um solo não saturado também pode ser

descrito pela equação de Darcy, originalmente deduzida para solos saturados:

q = K *h

e Q = K * A*h

Onde:

q= velocidade de Darcy (m/s);

K= condutividade hidráulica do solo (m/s);

h = carga piezométrica (m/m);

Q= fluxo de água (m³/s);

A= Área (m²).

A condutividade hidráulica K, varia com o teor de umidade do solo, tendo

como limite superior a condutividade hidráulica saturada K

sat. .

Assim, o valor de

K para solos arenosos é próximo de 20 cm.hora-1. Para solos siltosos este

valor cai para 1,3 cm.hora-1 e em solos argilosos este valor cai ainda mais para

0,06 cm.hora-1. Portanto os solos arenosos conduzem mais facilmente a água

do que os solos argilosos, e a infiltração e a percolação da água no solo são

mais intensas e rápidas nos solos arenosos do que nos solos argilosos. A

carga piezométrica, tem duas componentes principais num solo não saturado,

o potencial mátrico ou de capilaridade e o potencial gravitacional

(profundidade).

Uma chuva que atinge um solo inicialmente seco será inicialmente

absorvida quase totalmente pelo solo, enquanto o solo apresenta muitos poros

vazios (com ar). À medida que os poros vão sendo preenchidos, a infiltração

tende a diminuir, estando limitada pela capacidade do solo de transferir a água

para as camadas mais profundas (percolação). Esta capacidade é dada pela

condutividade hidráulica. A partir deste limite, quando o solo está próximo da

saturação, a capacidade de infiltração permanece constante e

aproximadamente igual à condutividade hidráulica.

Determinação da Capacidade de Infiltração

Os métodos para determinação da capacidade de infiltração podem ser

diretos, através de aparelhos ou empíricos, através de equações desenvolvidas

através de experimentos.

Diretos – Infiltrômetros

São aparelhos para determinação direta da capacidade de infiltração

local dos solos. Existem dois tipos:

  • - Com aplicação de água por inundação;

  • - Com aplicação de água por aspersão ou simuladores de chuva.

Empíricos:

o Equação de Horton – Para cálculo da infiltração pontual;

Estabeleceu, a partir de experimentos de campo, para o caso de

um solo submetido a uma precipitação com intensidade sempre

superior à capacidade de infiltração, uma relação empírica para

representar o decaimento da infiltração com o tempo, que pode

ser apresentado da seguinte forma:

f= f c +(f 0 -f c )e -βt

Onde:

f= capacidade de infiltração num instante qualquer (mm/h);

f c = capacidade de infiltração em condições de saturação (mm/h);

f 0 = capacidade de infiltração em solo seco (mm/h);

t = tempo (h);

β = parâmetro determinado a partir de medições em campo (h -1 ).

Esta equação é uma função exponencial assintótica ao valor fc,

conforme apresentado na Figura.

f= f +(f -f )e Onde: f= capacidade de infiltração num instante qualquer (mm/h); f =

Outros exemplos empíricos são:

o

Algoritmo de Berthelot;

o

Equação de Green e Ampt;

o

Equação de Phillip

Unidade 6 – Escoamento Superficial

  • 6.1 – Introdução

 

Um

dos

mais

importantes fatores de

sucesso

de

um

projeto

de

drenagem é a análise criteriosa do escoamento superficial, que inclui a

determinação da vazão de pico, o volume e a forma do hidrograma, bem como

o período de retorno associado a esses valores.

Para esta análise é interessante que se estude a hidrologia de toda a

bacia hidrográfica, mesmo que o projeto se refira a um trecho limitado da

mesma, procurando verificar com atenção principalmente dois aspectos:

A ocupação futura da bacia, principalmente no que se refere às

taxas de impermeabilização e a outras intervenções que possam

reduzir o tempo de concentração da bacia.

Efeitos causados pelas obras em estudos a montante e a jusante

do trecho de intervenção.

  • 6.2 – Metodologia

A metodologia dos estudos hidrológicos para projetos de drenagem, na

maioria dos casos, tem o seguinte procedimento.

Passo 1 – Aspectos Sociais e Econômicos – define: Período de Retono;

Passo 2 – Meteorologia – define: Tormenta de Projeto (Precipitação);

Passo 3 – Hidrologia / Pedologia / Uso do Solo – define: Escoamento

Superficial;

Passo 4 – Hidrologia – define: Vazões de Projeto;

Passo 5 – Hidráulica – define – Estruturas Hidráulicas.

6.3- Métodos de Análise

Duas abordagens são de uso consagrado em Hidrologia Urbana: O

Método Racional, aplicável a bacias urbanas com área de drenagem inferior a

3 km² e os Métodos baseados na Teoria do Hidrograma Unitário, cuja utilização

recomenda-se para bacias de maior porte que a primeira. Em ambos, a vazão

de projeto e/ou o hidrograma de cheia são determinados a partir de uma

tormenta de projeto, da qual são descontadas as diversas perdas que ocorrem

na bacia.

6.4. Conceitos e Componentes do Hidrograma

O hidrograma consiste na representação gráfica das vazões escoadas

ao longo do tempo em um curso d´água, sendo importante destacar que a

distribuição das vazões no tempo resulta da interação dos componentes do

ciclo hidrológico.

Um hidrograma típico de uma bacia hidrográfica, após a ocorrência de

precipitações, apresenta o seguinte comportamento:

Após o início da chuva há um intervalo de tempo (retardo da

resposta) até que as vazões comecem a se elevar, devido às

perdas iniciais (interceptação vegetal e depressões do solo) e ao

tempo de deslocamento da água na própria bacia;

As vazões, então, elevam-se rapidamente (gradiente maior que na

fase de recessão) até atingir o pico do hidrograma, sendo

predominante neste período o escoamento superficial;

Após atingir o pico do hidrograma (vazão máxima) inicia-se um

período de recessão, no qual é possível observar um ponto de

inflexão que caracteriza o fim do escoamento superficial e a

conseqüente predominância do escoamento subterrâneo; e