Você está na página 1de 3

1

PROCESSO n. 0143900-95.2008.5.15.0041

RECORRENTE: MUNICÍPIO DE GUAREÍ


RECORRIDOS: ELENICE DE FÁTIMA RAMOS E OUTROS 21
ORIGEM: VARA DO TRABALHO DE ITAPETININGA

Inconformado com a r. sentença de primeiro grau, proferida pela MM.


Juíza Diovana Bethania Ortolan Inocêncio Fabreti, e que resultou na
procedência parcial dos pedidos, recorre o Reclamado às fls. 283/286.

Traduz o apelo postulação de reforma do julgado em relação à


indenização de cestas básicas, sustentando o Recorrente que a legislação
municipal na qual os obreiros embasam o pedido é meramente autorizativa, e não
vinculante, não obrigando o empregador ao efetivo fornecimento da vantagem.
Impugna, também, o valor acolhido, eis que em dissonância com os elementos de
prova.

A par do recurso voluntário, determinou o MM. Juízo de origem a


remessa dos autos a este E. Regional para reexame necessário, atentando para o
disposto no artigo 1º, inciso V, do Decreto-Lei n. 779, de 21/08/1969, e artigo 475
do CPC.

Contrarrazões não foram apresentadas.

Manifestou-se o MPT à fl. 291, verso, opinando pelo prosseguimento


do feito.

É o relatório.

VOTO

1-) ADMISSIBILIDADE:

Houve por bem o MM. Juízo de origem arbitrar à condenação o valor


de R$ 50.000,00, montante este equivalente à estimativa da soma das parcelas

Firmado por assinatura digital em 03-05-2010, conforme Lei 11.419/2006 - AssineJus ID: 040301.0915.230396
2

devidas aos Reclamantes. Verifico, pois, que a hipótese dos autos se amolda
àquela estabelecida no artigo 475, par. 2o, do CPC, acrescido pela Lei n. 10.352,
de 26/12/2001, e aplicável ao processo do trabalho por força do entendimento
cristalizado na Súmula n. 303 do C. TST. Deixo, deste modo, de conhecer da
remessa necessária.

Atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, conheço do


recurso ordinário.

2-) CESTAS BÁSICAS INSTITUÍDAS EM LEI MUNICIPAL –


EXIGIBILIDADE:

Trata-se de pedido de indenização substitutiva das cestas básicas não


fornecidas aos empregados públicos, contra o qual se insurge o Município
Reclamado alegando que a Lei Municipal n. 009/1997 é meramente autorizativa, e
não vinculativa, razão porque não cria um dever para o empregador, mas mera
faculdade.

Razão não assiste ao Recorrente.

De fato, o artigo 1º da Lei Municipal n. 009/1997 dispõe que o Chefe do


Poder Executivo Municipal fica autorizado a conceder cestas básicas aos
servidores. O significado da terminologia adotada, conduto, deve ser analisado
em função do “conjunto da obra”, ou seja, através de uma interpretação
sistemática de todos os artigos do indigitado Diploma. Em sendo assim, resta
evidente que a Lei Municipal instituiu um dever para o Município, uma vez que os
demais artigos disciplinam os critérios para a concessão do benefício, inclusive o
período para o cumprimento da obrigação (fls. 181/182).

Absolutamente incoerente seria a sanção de lei específica autorizando


a concessão de benefício social, sem que tivesse o efeito vinculante característico
das leis em geral.

Portanto, havendo previsão para concessão das cestas básicas e, não


tendo o Reclamado cumprido com o seu dever, deve arcar com o pagamento da
indenização substitutiva.

Também não merece acolhida a impugnação do Reclamado quanto ao


valor mensal das cestas básicas fixado na origem, uma vez que extraído da
média do preço pago pelo próprio Município em razão dos contratos de fls.
133/137 (R$ 66,50) e 263/266 (R$ 59,34).

Nada há a reformar, também, no que se refere à limitação temporal da


condenação (até maio de 2008), uma vez que as partes declararam que “o
benefício passou a ser fornecido a partir de junho de 2008” (fl. 154), não fazendo

Firmado por assinatura digital em 03-05-2010, conforme Lei 11.419/2006 - AssineJus ID: 040301.0915.230396
3

qualquer ressalva no sentido de referir-se ao mês anterior, pelo que não se pode
acolher a tese patronal ventilada apenas na fase recursal. Mesmo porque, a
legislação que assegurou o direito às cestas básicas prevê o fornecimento do
benefício no próprio mês (artigo 3º da Lei n. 009/97 – fl. 131).

Não provejo o apelo.

DISPOSITIVO

Diante do exposto, decido não conhecer da remessa necessária e


conhecer do recurso ordinário e, no mérito, negar-lhe provimento, mantendo
íntegra a r. sentença de primeiro grau.

MARCOS DA SILVA PÔRTO


JUIZ RELATOR

Firmado por assinatura digital em 03-05-2010, conforme Lei 11.419/2006 - AssineJus ID: 040301.0915.230396