Você está na página 1de 16

No próximo dia 29 de

Maio, a administração
nº 95 • Maio de 2010
Distribuição gratuita aos sócios STAL
Manifestação nacional
pública e o sector
privado convergem
na sua luta contra
Administração pública
Sector privado

Luta
o congelamento de
salários, a retirada
de direitos sociais e
laborais, a precariedade
e desemprego
crescente.

convergente
Em Lisboa, partindo
das Amoreiras pelas 15
horas, os trabalhadores
da administração
pública descerão até
ao Marques de Pombal
confluindo com os
trabalhadores dos
restantes sectores
de actividade numa
grandiosa manifestação.
Depois das participadas
comemorações do 25
de Abril e do 1.º de
Maio, os trabalhadores
portugueses juntam-se
de novo para exprimir
o seu protesto comum
contra as políticas do
Governo, que pretende
pagar a crise do capital
à custa dos magros
salários de quem
trabalha. Págs. 2-3 e centrais
No sábado, 29, não
faltes! Manifesta-te,
defende os teus direitos!

8 de Março Opção gestionária Serviços Sociais


Pela igualdade Direito à progressão Repor subsídios
Um seminário promovido pelo STAL Em várias câmaras do país, a luta dos traba- O Encontro Nacional de Serviços Sociais das autarquias
assinalou o centenário do Dia Internacional lhadores pelo direito à progressão tem dado os reafirmou a defesa destas instituições dos trabalhadores.
da Mulher como uma luta do presente. seus frutos. No dia 20 de Maio tem lugar uma acção junto à AR.
Pág. 9 Pág. 5 Pág. 10
2 jornal do STAL maio 2010

Contra as políticas retrógradas, pelos


Dar uma resposta
à ofensiva
A gravidade do ataque aos direitos
laborais e sociais, particularmente
através das medidas previstas no
Orçamento do Estado para 2010 e no
recentemente anunciado Programa de
Estabilidade e Crescimento, exige a
intensificação da luta e a confluência
As orientações políticas e as me-
didas apresentadas e aprovadas,
teiras com a própria corrupção», de
que é exemplo o «escandaloso fa-
Os trabalhadores
das autarquias
participaram
do descontentamento numa grande «com a conivência/participação da vorecimento dos grupos económi-
massivamente
jornada nacional de protesto. Dar uma direita e o aplauso do patronato», cos, como há muito tempo se não
na manifestação
representam a continuação e o assistia no País, nomeadamente
resposta vigorosa às políticas ruinosas aprofundamento dos objectivos e com o desvio de fundos públicos,
nacional da
Administração
do Governo – tal é o objectivo da políticas seguidas na anterior legis- arrancados aos salários dos traba- Pública,
manifestação nacional convergente latura. Delas decorre a imposição lhadores e às funções do Estado, realizada em 5
de Fevereiro na
da Administração Pública e do Sector de mais sacrifícios aos trabalhado- para apoiar bancos e instituições fi-
capital
Privado marcada para dia 29 de Maio res e às camadas mais desfavoreci- nanceiras.»
em Lisboa. das das populações, a privatização
de importantes empresas e servi- A repetida

«P
assados cerca de seis ços públicos, a degradação de di- conversa da crise A precariedade
meses sobre o último reitos sociais fundamentais e até da e o desemprego
acto eleitoral, o Governo própria democracia. O STAL alerta que a «repetida foram temas
centrais da
de José Sócrates destrói toda e No quadro de uma fortíssima conversa da crise» não passa de manifestação de
qualquer ilusão que a demagogia ofensiva contra os trabalhadores, o um pretexto para diminuir os salá- 26 de Março,
eleitoral possa ter criado nos mais Conselho Geral do STAL chamou a rios dos trabalhadores, reduzir e eli- Dia Mundial da
incautos cidadãos», assinalou o atenção para a «falta de transparên- minar direitos conquistados e agra- Juventude
Conselho Geral do STAL, reunido cia reinante na gestão da coisa pú-
em 9 de Abril. blica», em que se esbatem «as fron-

Programa de Estágios
Governo camufla desemprego
A regulamentação do Programa de Está- para a reforma. Na prática serão trabalha-
gios da Administração Pública à Adminis- dores a prazo sem quaisquer direitos.
tração Local (PEPAL), concluída no mês de Em contrapartida, podem ser utilizados
Março, não é mais do que uma manobra como mão-de-obra barata em funções qua-
do Governo para camuflar o crescente de- lificadas de carácter permanente e estão
semprego entre jovens licenciados. sujeitos à polivalência funcional, podendo
Estes estágios destinam-se a jovens li- assim servir para colmatar a falta de recur-
cenciados até aos 35 anos de idade à pro- sos humanos na Administração Pública.
cura do primeiro emprego ou que estejam Na Administração Local, este programa var as condições de vida das mais Os sacrifícios exigidos aos trabalha-
a desempenhar funções que não corres- de estágios é ainda mais escandaloso pois amplas camadas da população. dores e às camadas mais desfavoreci-
pondam às qualificações académicas ob- alarga a colocação destes jovens licencia- Em claro contraste com o já gasto das das populações são deste modo
tidas. dos a todo o tecido empresarial (empresas discurso da crise e da austeridade duplamente injustos e merecem o re-
Poder-se-ia pensar que o objectivo deste privadas, escolas jardins de infância, IPSS, para o povo, o Governo revela ter púdio geral dos portugueses.
programa é abrir perspectivas de emprego entre outras). Na verdade, estamos perante «mãos largas para o capital» e con-
estável aos jovens licenciados, permitindo- uma clara tentativa do governo de transferir tinua a promover uma política es- Protesto amplia-se
lhes aceder à carreira de técnico superior para as autarquias responsabilidades do Es- banjadora de recursos na Adminis-
da Administração Pública. Mas trata-se de tado, incumbidas aos Institutos de Emprego tração Pública, contratando uma Desde o início do ano que os traba-
uma pura ilusão. e Formação Profissional, de onde foram de- miríade de serviços externos (estu- lhadores da Administração Pública
Os jovens que forem aceites terão em- calcados os princípios deste programa. dos, auditorias e pareceres jurídi- têm desenvolvido importantes ac-
prego apenas durante um ano, findo o qual Pugnando pela defesa dos direitos des- cos), que podem ser executados ções de protesto e luta. Logo em 5 de
voltam obrigatoriamente à situação ante- tes trabalhadores, o STAL apresentou e pelos serviços do Estado. As faus- Fevereiro, mais de 50 mil trabalhado-
rior. Acresce que as condições destes es- defendeu na mesa negocial propostas tosas despesas de representação e res do sector manifestaram-se em
tágios não renováveis são claramente dis- concretas no sentido da valorização e in- as ostensivas frotas automóveis Lisboa contra a política do governo.
criminatórias. O salário será inferior ao dos tegração dos estagiários em regime de topo de gama constituem outros Em 4 de Março, a greve da Admi-
técnicos superiores, sem direito a subsídio contrato de trabalho por tempo indeter- exemplos que demonstram bem a nistração Pública foi uma poderosa
de férias e de natal. Não são efectuados minado, com salários e direitos iguais aos dualidade de critérios do Governo demonstração do descontentamen-
descontos para a segurança social, o que restantes trabalhadores. Todavia, estas em matéria de gastos: para uns to e condenação das medidas
significa que aquele período não contará justas propostas foram rejeitadas. tudo (ao capital e a si próprio), para anunciadas, particularmente as gra-
os trabalhadores nada. ves penalizações decorrentes da
maio 2010 jornal do STAL 3

salários e direitos Editorial

vigorosa
A resposta
A
pretexto da crise e do défice, os traba-
lhadores e a população em geral estão
confrontados com uma violenta investida
contra os direitos e condições de vida. Congela-
mento de salários, novas penalizações na aposen-
tação, diminuição das prestações sociais, aumen-
to da carga fiscal e novo surto das privatizações
são os principais ingredientes da «receita» gover-
namental para os próximos anos.
Como sempre, o Governo tem a seu lado uma
chusma de fazedores de opinião com lugar cati-
vo nos órgãos de informação, que, afinando todos
pela mesma cartilha, falam de «inevitabilidade»
para justificar os sacrifícios e asseguram-nos de
que a «receita» é boa.

E squecem-se, comentadores e governo (ou


procuram fazer esquecer), de que tem sido
exactamente essa a receita predilecta das suces-
sivas maiorias de direita (PS e PSD com e sem
CDS), que conduzem os destinos do País há mais
precisamente 34 anos.
Desde então que os trabalhadores portugueses,
os pequenos e médios empresários e agriculto-
res, os jovens e os pensionistas se dão conta de
que tal prato apenas tem engordado os grandes
grupos económicos e feito as delícias das gran-
des fortunas, ao mesmo tempo que as dificulda-
des aumentam sem cessar para a generalidade da
antecipação da convergência do re- A rejeição e condenação das po- põe a todos os trabalhadores, o população.
gime de aposentações e o congela- líticas governativas estiveram bem único caminho que permitirá tra-

T
mento dos salários. presentes nos desfiles do 36.º ani- var e derrotar a ofensiva do go- ão pouco tem servido os chamados «desíg-
Em Abril, dezenas de milhares versário do 25 de Abril e nas mani- verno. Quanto maior for o pro-
nios nacionais». Portugal está cada vez mais
de trabalhadores participaram festações do 1.º de Maio, nas quais testo mais dificuldades o patro-
dependente do exterior e continua a afundar-se
nas acções descentralizadas pro- se assinalou o 120.º aniversário da nato e governo terão em concre-
numa recessão interminável que se traduz no en-
movidas pela Frente Comum de primeira comemoração do Dia In- tizar os seus intentos. Por isso,
Sindicatos da Administração Pú- ternacional do Trabalhador. que ninguém falte à manifesta- cerramento de milhares de empresas e num de-
blica na maioria das capitais de Continuar e intensificar a luta ção nacional convergente de 29 semprego massivo nunca antes visto.
distrito. é a palavra de ordem que se im- de Maio. Ao mesmo tempo, os recursos do País são siste-
maticamente deglutidos pela voracidade do gran-
de capital. Prova-o o exemplo recente do finan-
Contratação Colectiva na Administração Pública ciamento da banca pelo erário público. Quantos
milhões foram dados aos bancos? Quantos milha-
Discriminações agravadas res de milhões custou o «salvamento» do Banco
Português de Negócios? Afinal, quem é o culpado
pelo descalabro das contas públicas? E por que
O Acordo Colectivo de Carreiras Gerais assinado en- Por outro lado, o Sindicato considera que um acordo
devem então os trabalhadores e as camadas des-
tre o Governo e a UGT agrava discriminações entre os de carreiras na Administração Local, por ter a forma de
favorecidas da população pagar com mais sacrifí-
trabalhadores, nomeadamente no trabalho nocturno, contrato, deve obrigatoriamente envolver as autarquias
e pretende instituir o regime de adaptabilidade de ho- locais, às quais o governo não se pode substituir. cios a crise do capital?

O
rários de trabalho previsto no Regime de Contrato de Entretanto, tendo-se constatado que alguns res-
Trabalho em Funções Públicas, possibilitando o alar- ponsáveis municipais têm procurado fazer chantagem orçamento de Estado e o chamado «progra-
gamento dos horários para as 50 horas semanais sem com os trabalhadores no sentido de aplicarem o acor- ma de estabilidade e crescimento» consti-
ter em conta os direitos dos trabalhadores, incluindo a do, o STAL apela aos trabalhadores para repudiarem tuem uma verdadeira declaração de guerra aos
organização do seu tempo de lazer e de família. tais tentativas que visam unicamente «promover estru- trabalhadores e à grande maioria dos portugueses.
«Os intervenientes neste chamado acordo Gover- turas sindicais que toda a vida foram conhecidas por Nesta guerra, que opõe explorados e explorado-
no/UGT tudo têm feito para esconder o verdadeiro não respeitarem os interesses dos trabalhadores». res, os combates serão cada vez mais encarniça-
objectivo de instituir a adaptabilidade de horários», O Conselho Geral do STAL reafirmou a sua oposi- dos e exigem a mobilização crescente dos traba-
alertou o Conselho Geral do STAL reunido em 9 de ção à celebração de um acordo que não respeite a
lhadores.
Abril. autonomia do Poder Local, contenha referências «à
Depois da grandiosa jornada do 1.º de Maio, vol-
O STAL questiona igualmente a legalidade de um adaptabilidade dos horários de trabalho, crie desi-
gualdades entre trabalhadores no que concerne ao
taremos a manifestar o nosso firme protesto na
acordo, que foi «celebrado com “frentes sindicais”
da UGT que se duvida que tenham existência legal trabalho nocturno e preconize quaisquer normas po- grande manifestação nacional da Administração
efectiva», bem como da publicação do regulamento tenciadoras de discriminação e/ou de retrocesso de Pública e do sector privado no dia 29. Um sábado
que o estende a trabalhadores não sindicalizados. direitos conquistados pelos trabalhadores.» de luta a que ninguém pode faltar!
4 jornal do STAL maio 2010

Consultório Jurídico ✓ José Torres

A mobilidade geral
e os direitos dos trabalhadores
O regime da mobilidade geral lhadores que desempenham efectiva-
prevê a afectação temporária mente funções inerentes a outra cate-
de trabalhadores a entidades goria profissional e mais valorizada.
Nestas situações de mobilidade na
diferentes das que estão categoria, o trabalhador pode ser re-
vinculados, inclusive empresas, munerado pela posição remuneratória
municipais e outras, e o exercício imediatamente seguinte àquela em que
de funções diferentes das que se encontre posicionado ou, em caso
de inexistência, pelo nível remunera-

A
mobilidade geral – que nada tem a ver tório que suceda ao correspondente
com o regime de mobilidade especial à sua posição na tabela remuneratória
(Lei 53/2006, de 7/12), o qual não se única (art. 62.º, n.º 1, Lei 12-A/2008).
aplica à Administração Local – estabelece a Lamentavelmente, esse preceito
figura da cedência de interesse público (art. emprega o termo «pode», em vez de
58.º, lei 12/A 2008), ao abrigo da qual os tra- impor essa melhoria salarial, que as-
balhadores das autarquias podem prestar ser- sim fica ao critério discricionário das
viço a empresas, nas condições definidas. entidades empregadoras, criando ab-
Nesta matéria, que tem sido objecto de surdas situações discriminatórias.
profusa divulgação pelo STAL e que, por isso, nos - Mobilidade inter-categorias que se traduz no de- Já no caso de se tratar de mobilidade inter-carreiras
dispensamos de aqui aprofundar, limitamo-nos a sa- sempenho de funções de uma outra categoria, da ou inter-categorias, a lei impõe que a remuneração do
lientar que esses acordos têm de ser obrigatoriamen- mesma carreira. trabalhador seja acrescida para o nível remuneratório
te celebrados por escrito, incluindo a sua subscrição A aplicação destas formas de mobilidade depen- superior mais próximo daquele que corresponde ao
pelos trabalhadores, contendo as condições de tra- de do acordo dos trabalhadores, (art. 12.º, D. Lei seu posicionamento na categoria de que é titular, que
balho a que estes ficam sujeitos. 209/2009, de 3/9), mas esta condição é dispensada se encontre previsto na categoria cujas funções vai
quando a afectação se opera para uma unidade orgâ- exercer (art. 62.º, n.º 3, Lei 12-A/2008).
Mobilidade interna nica da mesma entidade autárquica.
Por outro lado, a mobilidade interna tem a duração Combater abusos
A outra vertente deste regime é mobilidade interna, máxima de um ano (art. 63.º, Lei 12-A/2008), embora
na qual se destacam particularmente as seguintes si- a mobilidade na categoria possa consolidar-se defi- Este novo regime de mobilidade geral, apesar de ex-
tuações: nitivamente, por decisão do respectivo dirigente má- tremamente redutor de direitos, não deixa, contudo,
- Mobilidade entre órgãos/serviços, de que é exem- ximo do serviço, desde que se opere dentro mesma de prever algumas normas que, se justamente aplica-
plo a colocação temporária de um trabalhador de entidade (art. 64.º Lei 12-A/2008). das, poderão atenuar essas nefastas restrições.
uma determinada autarquia numa outra autarquia; Quer isto dizer que a lei admite que, nestes casos, Importa assim, por um lado, combater os procedi-
- Mobilidade na categoria, que a lei caracteriza um assistente operacional, pintor, permaneça nesta mentos que, no dia a dia, constatamos, que se tra-
confusamente mas que incide particularmente no categoria mas transite para carpinteiro, mediante de- duzem na utilização abusiva dos trabalhadores para
exercício de uma actividade diferente, dentro da cisão nesse sentido. o exercício das mais variadas funções, à revelia da
mesma categoria. É o caso, por exemplo, de um Mas já não permite que esse assistente operacio- lei, e, por outro lado, reivindicar, com firmeza, a plena
assistente operacional, pintor, que passa a exercer nal passe, pela mesma via, para Encarregado Ope- atribuição dos direitos que aos trabalhadores têm de
funções de carpinteiro, também assistente opera- racional ou para Assistente Técnico, o que apenas é ser devidamente reconhecidos.
cional; exequível através de concurso. (O regime jurídico da mobilidade geral está definido
- Mobilidade inter-carreiras que consiste no exercí- Significa isto que a lei aboliu o regime reclassificativo nos artigos 58.º a 65.º, da Lei 12-A/2008, de 27/2,conju-
cio de funções pertencentes a uma carreira diferente anteriormente vigente, impedindo assim a atribuição gados com os artigos 11.º e 12.º do D. Lei 209/2009, de
daquela que ao trabalhador pertence; da justa e adequada categoria profissional aos traba- 3/9, que adaptou aquela Lei à Administração Local).

CM da Amadora
Supremo dá razão aos trabalhadores
Em finais de 2005, a Câmara responsáveis autárquicos enten- ministrativo do Sul condenou nal, fixado em 385,90 euros, por de recurso, decidiu finalmente
Municipal da Amadora foi con- deram só dever pagar retroac- a Câmara a cumprir na integra cada dia de atraso para além do pagar as quantias devidas aos
denada pelo tribunal a proceder tivos a partir de 2003, o que o acórdão de 2005 no prazo de prazo fixado e imputaram à au- trabalhadores.
à mudança de escalão de um obrigou o STAL a recorrer para 30 dias, com o pagamento dos tarquia as custas do processo. Mais uma vez se prova que a
conjunto de trabalhadores da tribunal exigindo que a senten- juros de mora contados desde Mas também esta sentença luta firme e perseverante vale
Carreira de Auxiliar Administra- ça fosse cabalmente cumprida. o primeiro dia útil em que aque- não foi cumprida, já que a Câ- a pena e é a única forma de os
tivo, de acordo com os módu- De recurso em recurso, pas- les trabalhadores preencheram mara recorreu para o Supremo trabalhadores defenderem os
los de tempo de serviço de três saram-se quase quatro anos os requisitos legais (3 anos na Tribunal Administrativo. seus direitos, sobretudo quando
anos e não de quatro. em que os trabalhadores foram carreira). Os magistrados deci- Assim, só agora, depois de o são confrontados com compor-
Apesar de a decisão judicial privados dos seus direitos devi- diram ainda condenar a verea- Supremo ter confirmado que a tamentos arrogantes que visam
ser clara quando ao direito que do à má-fé da autarquia. dora Carla Tavares a pagar uma razão está do lado dos trabalha- unicamente prejudicar quem no
assistia aos trabalhadores de Em Março de 2009, o proces- sanção pecuniária compulsória dores, isto é cinco anos depois dia-a-dia contribui como seu
serem ressarcidos pelo período so parecia ter chegado ao fim, no valor de cinco por cento do da primeira sentença, a autar- trabalho para servir as popula-
relativo a toda a sua carreira, os quando o Tribunal Central Ad- valor do Salário Mínimo Nacio- quia, sem mais possibilidades ções.
maio 2010 jornal do STAL 5

Opção gestionária

Valorização
prometida
em Guimarães
Após um intenso processo
reivindicativo, os trabalhadores
Reivindicando este direito, os trabalhadores
tinham realizado uma greve em 26 de Março, A luta dos trabalhadores dos SM e CM de Angra foi decisiva para o
que teve grande adesão no sector operário, reconhecimento do seu direito de progressão
da CM de Guimarães obtiveram
paralisando totalmente a recolha de resíduos,

Perseverança
finalmente, no dia 19 de Abril, o obras municipais e trabalhos oficinais.
compromisso por parte do edil Seguiu-se uma manifestação, no dia 14 de
de proceder ao pagamento da Abril, que terminou frente aos paços do con-
opção gestionária. celho, e a marcação de nova greve no dia 23,
que foi suspensa na sequência do compro- deu frutos em Angra
E
m reunião de Câmara, na qual o STAL misso alcançado.
se fez representar por dirigentes da O STAL e os trabalhadores continuam aten- Os trabalhadores da CM e dos SM abrangidos desde que cumprissem
DR de Braga, o presidente da au- tos e mobilizados, aguardando a concreti- de Angra do Heroísmo, que durante os requisitos, bem como pelo paga-
tarquia prometeu fazer o levantamento das zação da justa valorização. Note-se que na mais de um ano reclamaram a apli- mento de retroactivos.
situações, dando prioridade aos trabalhado- maioria dos municípios do distrito já foi apli- cação da opção gestionária, viram Já depois da greve nacional de 4
res do sector operário e administrativo com cada a opção gestionária, designadamente, finalmente satisfeita a sua reivindi- de Março, que registou forte ade-
menores salários, que estão em condições de Braga, Famalicão, Fafe, Vizela, Vila Verde, cação, após terem realizado uma são Angra e culminou com um pro-
progredir. Celorico de Basto e Terras de Bouro. expressiva concentração frente aos testo frente aos paços do concelho,
paços do concelho em 4 de Março. a Câmara cedeu às reivindicações
Na sequência de várias reuniões, dos trabalhadores e encontrou os
o executivo camarário mostrou-se recursos necessários para as reva-
disposto a reconhecer esse direito, lorizações e retroactivos de todos
mas pretendia limitá-lo aos traba- os trabalhadores, que terão um
lhadores com salários abaixo dos acréscimo mínimo mensal de 28
800 euros, alegando razões orça- euros.
mentais. Note-se que dos 19 municípios
O STAL continuou a bater-se para do Açores, 13 já aplicaram a opção
que todos os trabalhadores fossem gestionária.
O desfile dos
trabalhadores
da CM de
Guimarães,
realizado em
14 de Abril, Luta vence
oposição em Nisa
terminou junto
aos paços do
concelho

Alcançada reivindicação A opção gestionária foi aplicada


pela Câmara de Nisa logo em 2009.
Porém, em Novembro último, quan-
em seguida às reuniões públicas de
câmara para exigir o reconhecimen-
to dos seus direitos aos eleitos dos

central nos SMTUC do o executivo pretendia orçamen-


tar novas verbas para reconhecer o
direito de progressão aos trabalha-
partidos minoritários.
A pressão da luta e a denúncia
pública surtiram efeito vencendo a
Os trabalhadores dos Serviços Municipa- a 218 trabalhadores, está prevista uma dota- dores, eis que a oposição formada renitência da oposição camarária,
lizados de transportes Urbanos de Coimbra ção orçamental no valor de 235 900 euros. pelos vereadores do PS e do PSD que acabou por aprovar as verbas
(SMTUC) vão finalmente poder mudar de po- Outras reivindicações continuam penden- se uniu para vetar a medida justa, para o pagamento da opção ges-
sição remuneratória desde que somem cinco tes de pareceres solicitados pelo Conselho proposta pela presidente Gabriela tionária, bem como para a criação
avaliações de Bom. de Administração. Mas os trabalhadores per- Tsukamoto, eleita pela CDU. de lugares no mapa de pessoal, a
Esta reivindicação – a principal das que mo- manecem mobilizados, têm consciência de Aos trabalhadores não restou serem preenchidos pelos trabalha-
tivaram as persistentes lutas em 2009, nome- que sem luta nada se consegue e que a sua outra alternativa senão denunciar dores cujo contrato ultrapasse a
adamente a semana de greve realizadas nos determinação serve de exemplo para outros publicamente a aliança antilaboral duração de cinco anos.
últimos dias do ano – foi consagrada na deli- sectores e locais de trabalho, como é o caso do PS e do PSD. Foi assim que se Refira-se que dos 15 municípios
beração do Conselho de Administração e no do sector operário, higiene e jardins na CM manifestaram, nos dias 20 e 27 de do distrito de Portalegre, nove já
Plano e Orçamento aprovado pela autarquia de Coimbra que está em luta pela aplicação Janeiro e 3 de Fevereiro, frente aos aplicaram a opção gestionária bene-
conimbricense. Para aplicação desta medida gestionária. paços do concelho, deslocando-se ficiando mais de 700 trabalhadores.
6 jornal do STAL maio 2010

✓José
OE/2010 e PEC cortam salários e direitos

Política do capital
Alberto
Lourenço
Economista

estrangula trabalhadores
Com o Orçamento de Estado (OE) para O Orçamento
2010 e o Programa de Estabilidade e do Estado e o
PEC são uma
Crescimento (PEC) para o período de declaração
2010 a 2013, o Governo pretende que de guerra aos
trabalhadores
sejam mais uma vez os trabalhadores a e hipotecam o
pagar a factura da política ao serviço do desenvolvimento
capital, que está a levar o país à falência. do País.

P
ara a aprovação do OE, o
Governo contou com o apoio
da direita parlamentar (PSD
e CDS) que, após muito foguetório,
que poderia levar os mais distraídos
a acreditar que estes partidos iriam
votar contra, acabaram por fazer
aquilo que sempre fazem, isto é,
com a sua abstenção viabilizaram
um diploma que desejavam. percentual, de 9,3% para 8,3%, e com a alteração da fórmula de cál- poder de compra de milhares de fa-
Desta forma, o Governo agora para alcançar tal objectivo deter- culo das suas pensões de reforma mílias portuguesas e aumentando o
minoritário do PS conseguiu fazer minou que seriam os trabalhadores e agravando as penalizações pela fosso entre os mais ricos e os mais
aprovar um Orçamento de Esta- em geral e os funcionários públicos antecipação da idade de reforma, o pobres.
do que estabelece como objectivo em particular a pagar a factura. Governo mostrou uma vez mais uma Vale a pena referir, para termos
fundamental a redução do défice Congelando os salários dos fun- enorme desconsideração pelos tra- uma ideia do impacto negativo
orçamental em 2010 em 1 ponto cionários públicos, penalizando-os balhadores da Administração Públi- destas medidas na vida dos por-
ca, faltando aos compromissos que tugueses, que 1 milhão e 765 mil
com eles assumiu e comportando- portugueses irão ver congeladas as

Ruptura social iminente


se como uma entidade sem palavra. prestações de abono de família, o
Desta forma deu ainda um sinal mesmo sucedendo com os cerca
inequívoco a todo o sector privado de 243 mil idosos que beneficiam
A apresentação do Programa de Estabi- aprovado pela Comissão Europeia, o seu da nossa economia, já hoje visível do Complemento Solidário para
lidade e Crescimento (PEC) para o período efeito será arrasador sobre o tecido eco- na recusa de aumentos salariais em Idosos ou com os 388 mil portu-
2010-2013, imediatamente após a aprova- nómico e social do nosso país. 2010 por parte de muitas empresas, gueses que recebem o Rendimento
ção do Orçamento de Estado para 2010, é A destruição do nosso aparelho produtivo com o argumento de que se o Estado Social de Inserção (RSI).
a confirmação das intenções do Governo de atingirá níveis nunca vistos e o impacto so- não aumenta os funcionários públi- Sublinhe-se que, dada a insufi-
prosseguir e aprofundar a política anti-social cial – com o aumento da carga fiscal sobre cos porque razão hão-de os restan- ciência de verbas orçamentadas,
e antilaboral nos três anos seguintes (2011 a milhares e milhares de famílias, com o con- tes trabalhadores ser aumentados? uma parte significativa dos traba-
2013), como o pretexto de reduzir para 2,8% gelamento dos salários de milhões de tra- Congelando as admissões de tra- lhadores desempregados continu-
do PIB e diminuir a dívida pública. balhadores, com a redução das prestações balhadores na Administração Públi- ará sem ter acesso ao subsídio de
Ante a estagnação da economia, o Go- sociais, das despesas com saúde, do inves- ca, cativando 1,5% das despesas desemprego. Já hoje, dos 700 mil
verno pretende reduzir o défice orçamental timento público e com o congelamento de com remunerações certas e perma- desempregados «oficiais», apenas
em 10 mil milhões de euros, no prazo de pensões e reformas –, será devastador. O nentes dos serviços públicos, o Go- cerca de 363 mil recebem subsídio
quatro anos, exclusivamente à custa da nosso País ficará numa posição ainda mais verno forçou a aplicação da regra de desemprego. Esta situação não
diminuição dos salários, do agravamento periférica na União Europeia, afastando-se de pelo menos duas aposentações só não será corrigida como muitos
da carga fiscal, da redução das prestações ainda mais dos seus níveis de vida médios. por cada admissão na Administra- daqueles que hoje recebem subsí-
sociais, do desmantelamento do serviço Tal como até aqui, os sacrifícios que são ção Pública, procurando, também dio vão ser forçados a aceitar ofer-
nacional de saúde e do congelamento das exigidos aos portugueses em nada contri- desta forma, forçar a aplicação de tas de emprego precário e a ser uti-
reformas e pensões. Alguém acreditará buirão para o desenvolvimento do País e a medidas idênticas na Administra- lizados como factor de contenção e
que será possível atingir tal objectivo sem criação de postos de trabalho. Pelo contrá- ção Local e Regional. até mesmo de redução dos salários
provocar uma ruptura no tecido social? rio aprofundará a recessão económica e a de outros trabalhadores.
Estamos sem qualquer margem para consequente degradação das condições Prestações congeladas Não admira pois que muitos mi-
dúvida perante uma declaração de guerra de vida de amplas camadas da população. lhares de trabalhadores manifestem
por parte de um Governo, subjugado aos Aos trabalhadores, e em particular aos Ao congelar o valor do Indexante a sua repulsa contra estas medidas
interesses dos países mais poderosos da trabalhadores da Administração Pública de Apoios Sociais (IAS), que man- aprovadas. Não admira também
União Europeia e dos grandes grupos eco- Local, não resta outro caminho que não tém o valor de 2009, o Governo de- que muitos funcionários públicos
nómicos nacionais e estrangeiros, contra seja a luta contra a esta política, que faz terminou o congelamento de todas tenham optado por antecipar a sua
a esmagadora maioria dos trabalhadores, pagar aos mesmos de sempre, os traba- as prestações sociais deles depen- aposentação, procurando desta
pensionistas e reformados do nosso país. lhadores, os resultados catastróficos das dentes – abono de família, subsídio forma escapar às medidas redu-
A serem levadas à prática as medidas políticas neoliberais que os sucessivos go- social de desemprego, rendimento toras dos seus direitos aprovadas
propostas por este Governo no PEC, já vernos têm imposto nos últimos 34 anos. social de inserção, outras pensões pelo Governo com apoio da direita
sociais –, agravando a perda de parlamentar.
maio 2010 jornal do STAL 7

Póvoa Santo Adrião Transportes urbanos de Braga


Trabalho
extraordinário
Greve suspendeu
foi pago retirada de subsídio
Os trabalhadores dos Transportes
Os cantoneiros de limpeza da Junta de Fregue- Urbanos de Braga conseguiram travar
sia da Póvoa de Santo Adrião (Odivelas) realizam a intenção da administração de alterar
há vários anos trabalho extraordinário ao sábado
para proceder à limpeza da zona envolvente do
as regras de atribuição do subsídio de
Mercado Municipal da Póvoa de Santo Adrião. agente único, realizando uma greve em
Porém, em 2008, o então presidente da Junta de- Março que teve adesão total.
cidiu, de forma arrogante e ilegal, suspender o pa-

O
gamento dessas horas. E como de nada serviram subsídio de agente único é pago desde há dez
as tentativas da Direcção Regional de Lisboa do anos na empresa municipal TUB-EM, isto é des-
STAL para repor a legalidade através do diálogo, o de a sua criação, representando 25 por cento
Sindicato aconselhou os trabalhadores a continua- de acréscimo sobre o vencimento. Sem qualquer nego-
rem a realizar o trabalho extraordinário e apresentou ciação ou consulta com os sindicatos, e sob o pretexto
uma queixa em tribunal por falta de pagamento. de que o subsídio seria ilegal, a administração decidiu Nos TUB, a luta pela reposição do subsídio de agente
único foi ganha após dois dias de greve com adesão total
Entretanto, na sequência das últimas eleições desvinculá-lo do salário, pretendendo aplicá-lo apenas
autárquicas, o novo executivo eleito manifestou às horas efectivamente trabalhadas. instalações e impediram a saída de viaturas, conside-
vontade de regularizar a situação. Com o conheci- Desta forma, o subsídio deixaria de ser proporcional ao rando que se tratava de uma clara violação do direito à
mento e acordo dos trabalhadores, o STAL retirou salário e não seria acrescido aos subsídios de férias e de na- greve, que caso fosse consentida enfraqueceria a sua
a queixa do tribunal e chegou a um compromisso tal, o que representava um rude golpe nas remunerações. legítima luta. Nem um só autocarro saiu para a rua.
sobre os montantes e prazos de pagamento. Manifestando desde o primeiro momento total oposi- No segundo dia de greve, a unidade dos trabalhadores
Deste modo, aos dez trabalhadores abrangi- ção à medida, o STAL exigiu a reposição do subsídio, continuou intacta. Estavam prestes a vencer o braço-de-
dos foi reconhecido o direito a receber um total mas os seus esforços goraram-se. A administração foi ferro. No final do dia, a administração cedeu, compro-
de 3.576,76 euros, relativo a horas prestadas em também insensível às moções aprovadas pelos traba- metendo-se a repor o subsídio enquanto aguarda pelo
2008 e 2009. As primeiras prestações foram pa- lhadores em plenário. resultado dos pareceres jurídicos pedidos à Comissão
gas ainda em Dezembro e Fevereiro, devendo o Sem outro recurso, foram marcados três dias de greve de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte.
restante ser liquidado até final de Abril. nos dias 22, 23 e 24 de Março, luta que a empresa ten- Face a tal recuo, os trabalhadores decidiram suspen-
tou sabotar exigindo a prestação de serviços mínimos der a greve e voltar ao trabalho. Todavia, sabem que a
que mais pareciam serviços máximos. vitória alcançada é provisória e que são de esperar no-

CM de Sintra De facto, chegaram a ser escalados 50 motoristas


para assegurar os tais «serviços mínimos». Porém, os
vas tentativas para lhes retirar um direito conquistado.
Por isso estão vigilantes e mobilizados para responder a

Carpintaria
trabalhadores concentraram-se em massa à porta das qualquer momento a quaisquer ataques.

melhorada Grupo Águas de Portugal


após intervenção Concentração por aumentos salariais
sindical Mais de 200 trabalhadores de em-
presas do Grupo Águas de Portugal
Em vão, a Comissão Sindical da CM de Sintra concentraram-se no passado dia 23
tentou por várias vezes sensibilizar o presidente de Abril, frente à sede da empresa,
da autarquia para a necessidade urgente de me- exigindo aumentos salariais justos
lhorar as condições de higiente e segurança na em 2010.
secção da carpintaria, que tinha uma das piores Esta acção, organizada conjunta-
instalações do sector operário. mente pelos sindicatos da Fiequi-
Invariavelmente, o edil justificava-se com a falta metal (Metalúrgicos e Químicos) e
de verbas para nada resolver. A estrutura sindical pelo STAL, juntou trabalhadores da
decidiu então apresentar queixa à Inspecção-Ge- Epal, da Valorsul, da Amarsul e da
ral do Trabalho que, passados dois meses, efec- Simtejo, em protesto contra a inten-
tuou a visita ordenando a paragem imediata de ção do Governo e das administra-
todas as máquinas por falta de condições. À câ- ções das empresas de congelar os
mara deu um prazo de um mês e meio para com- seus salários.
prar máquinas novas e resolver outras situações Os sindicatos consideram que A acção juntou trabalhadores da Epal, da Valorsul, da Amarsul e da Simtejo.
irregulares. nada justifica tal medida, tanto
Os novos equipamentos e adaptações orçaram mais que o grupo declarou 46 mi- res que beneficiam ainda de bónus A mobilização dos trabalhadores
em 250 mil euros, mas dotaram o local de boas lhões de euros de lucros em 2009, e várias mordomias. tem neste momento uma redobrada
condições de trabalho. Só é de lamentar que te- ou seja, os melhores resultados de Os trabalhadores manifestam-se importância, já que está em curso a
nha sido preciso a denúncia do Sindicato e a ame- sempre. Por outro lado, sublinham determinados a lutar pela negocia- negociação de um Acordo Colecti-
aça de uma pesada multa para que a autarquia se que os baixos salários da genera- ção das propostas reivindicativas vo Trabalho, no qual os sindicatos
decidisse a velar pelas questões de segurança e lidade dos trabalhadores contras- para 2010, tendo mandatado os sin- pretendem consagrar a valorização
higiene dos trabalhadores. tam com as generosas remunera- dicatos para convocarem as acções social e profissional nas empresas
ções dos gestores e administrado- necessárias, incluindo a greve. do Grupo AdP.
8 jornal do STAL/

120 anos do 1.º de Maio

Luta imperio
por um futu
com esperan
A
s 93 iniciativas de comemo-
ração do 1.º de Maio, promo-
vidas pela CGTP-IN, decor-
reram este ano sob o lema «É Tem-
po de Mudar com a Luta de quem
Trabalha». Em todas as capitais de
distrito e em muitas dezenas de vi-
las e cidades, os trabalhadores saí-
Centenas de milhares de trabalhadores ram à rua para exigir o aumento de
participaram em dezenas de salários, a criação de empregos e o
concentrações e manifestações apoio urgente aos desempregados,
o combate à precariedade e às de-
realizadas por todo o país para sigualdades, a erradicação da po-
assinalar o Dia Internacional do breza – um novo rumo para o País,
Trabalhador, proclamado há 120 anos visando a construção de uma nova
como marco da luta pelos direitos sociedade mais justa e solidária.
laborais e pela melhoria das condições Num ano em que também se
de trabalho e de vida. comemoram o 40.º aniversário da
CGTP-IN e o 35.º aniversário da fundação do STAL, o primeiro sin- ciou, em Lisboa, da tribuna instala-
dicato da administração pública da na Alameda, a realização de uma
constituído após o 25 de Abril, os grande manifestação nacional – sá-

Uma data com história trabalhadores das autarquias parti-


ciparam massivamente nos desfiles
e concentrações, expressando o
bado, dia 29 de Maio –, que juntará
na capital trabalhadores de todos
os sectores e regiões do País.
O dia 1 de Maio ficaria para sempre liga- dores sempre souberam encontrar formas seu repúdio pelas políticas antila- Administração pública e sector
do à luta da classe operária e de todos os de assinalar o seu dia e manifestar o seu borais e destruidoras dos serviços privado marcharão novamente lado
trabalhadores depois de, em 1886, as or- repúdio pela ditadura. Destacam-se pela públicos, promovidas pelos gover- a lado, num protesto comum con-
ganizações sindicais dos EUA terem con- sua dimensão e importância as comemo- nos de Sócrates. tra a redução efectiva dos salários,
vocado para aquela data um greve para rações de 1931 e de 1962, ano que fica Em resposta aos ataques do go- contra o empobrecimento, recusan-
exigir a oito horas de trabalho. marcado pela conquista das oito horas verno que atingem indiscriminada- do-se a pagar a crise provocada
Em Chicago, na sequência de podero- dos assalariados agrícolas do Sul. mente as mais amplas camadas do por políticas ruinosas e pela falên-
sas greves e manifestações, os operários Em 1974, logo após a Revolução de Abril, povo trabalhador, a CGTP-IN anun- cia geral da economia capitalista.
são brutalmente reprimidos. Será em sua o 1.º de Maio é comemorado em Lisboa por
homenagem que, em 1889, o congresso mais de um milhão de trabalhadores, certa-
fundador da II Internacional de partidos mente a mais impressionante manifestação
operários decide declarar o 1.º de Maio de massas da história portuguesa.
como Dia Internacional do Trabalhador, Nas três décadas e meia que se sucede-
comemorado em todo o mundo, incluindo ram à conquista da liberdade e da demo-
Portugal, logo no ano seguinte. cracia, os trabalhadores têm feito do 1.º de
No nosso País, ao 1.º Maio estão as- Maio numa poderosa jornada de resistên-
sociados importantes momentos da luta cia contra a destruição das conquistas de
dos trabalhadores. Em 1919 é finalmente Abril, os constantes e cada vez mais afron-
consagrada na lei a jornada das oito horas tosos ataques aos seus direitos e degra-
de trabalho e o descanso ao domingo no dação do seu nível de vida, contra a recu-
comércio e indústria. peração do capitalismo monopolista, em
Durante a longa noite fascista, defron- defesa dos serviços públicos e contra as
tando a mais feroz repressão, os trabalha- privatizações. É este o caminho da luta.
/MAIO 2010 9

Participa na manifestação de 29 de Maio

osa Defende
os teus direitos!

uro
Estamos em luta contra: de desemprego, o abono de fa-
• O congelamento de salários, pen- mília, a acção social escolar, o
sões e aposentações em 2010 e complemento e rendimento soli-
actualizações inferiores aos va- dário para idosos;
lores da inflação até 2013; • A redução das despesas
• A antecipação para 2010 do re- com o Sistema Nacional de

nça
gime de convergência para a Saúde;
Segurança Social, inicialmente • A privatização das empresas
previsto para 2015; que ainda restam do Sector
• A penalização no cálculo do va- Empresarial do Estado, motor
lor das aposentações de 4,5% essencial para o desenvolvi-
para 6%; mento da economia e impor-
• A redução das prestações so- tante fonte receitas do erário
ciais, nomeadamente o subsídio público.

Centenário do Dia Internacional da Mulher


Uma causa de hoje
Assinalando o centenário lipe, da Comissão da Igualdade entre direitos sociais e laborais movido por
das comemorações Mulheres e Homens da CGTP-IN, e sucessivos governos nas últimas três
do Dia Internacional Manuela Calado, em representação décadas e, em particular, o processo
da Autoridade para as Condições de de desmantelamento e privatização
da Mulher, o STAL Trabalho. da administração do Estado e servi-
promoveu um seminário Pelo STAL, intervieram Helena ços públicos, acelerado pelo actual
sobre o tema «Igualdade Afonso, em representação do Depar- Governo de José Sócrates, no âm-
de Género – uma tamento para a Igualdade, e, já de- bito do qual procedeu à desregula-
necessidade civilizacional, pois do período de debate, Francisco mentação laboral do sector, introdu-
uma luta do presente». Braz, presidente do STAL, encerrou zindo os despedimentos, destruindo
os trabalhos. o sistema de carreiras e bloqueando

A iniciativa, que também se inte-


grou no programa de acções sob
a égide do 35.º aniversário do STAL,
A enquadrar o tema do seminário
foi distribuído aos participantes um
documento base que recorda os pri-
na prática a evolução profissional
através de um sistema injusto e dis-
criminatório de avaliação.
teve lugar no dia 10 de Março, no Sa- meiros passos da luta da mulheres Manifestando o seu empenha-
lão Nobre da Câmara Municipal de no plano internacional, os avanços e mento na luta pela igualdade de
Matosinhos. conquistas resultantes da Revolução mulheres e homens, o STAL de-
Ao longo dos trabalhos, abertos de 25 de Abril de 1974, em Portugal, senvolverá todos os esforços para
por João Avelino, vice-presidente bem como os direitos alcançados atrair e incentivar o envolvimento
do STAL, intervieram como oradores através da luta sindical, que contribu- de mulheres na vida e estruturas
convidados Albertina Jordão, em re- íram decisivamente para a melhoria do sindicato a todos os níveis,
presentação do escritório de Lisboa da situação das mulheres na Admi- procurando concretizar os princí-
da Organização Internacional do tra- nistração Pública central e local. pios da participação e paridade na
balho, Márcia Oliveira, do Movimento Por outro lado, o documento de- elaboração de listas para os seus
Democrática das Mulheres, Odete Fi- nuncia o violentíssimo ataque aos órgãos de direcção.
10 jornal do STAL maio 2010

Cerca de meia centena


de dirigentes e activistas Encontro Nacional exige reposição dos subsídios
de Serviços Sociais

Defender
das autarquias locais
reafirmaram a sua
determinação de lutar até ao

os Serviços Sociais
fim em defesa dos Centros
de Cultura e Desporto,
Caixas e Casas de Pessoal,
contra os vergonhosos
ataques do governo.

O
s participantes no Encontro Orçamento de Estado de 2007, não Uma batalha para vencer
Nacional, promovido pelo
STAL no dia 26 de Fevereiro,
levando em consideração nem a Lei
sobre as Atribuições e Competências A lamentável intervenção do Tri- Petição com
em Coimbra, refutaram a argumen-
tação do Tribunal de Contas e de-
nunciaram o intolerável tratamento
das Autarquias Locais, nem o despa-
cho emitido na altura pelo o secre-
tário de Estado Adjunto e do Orça-
bunal de Contas levou certos muni-
cípios a suspender as transferências
financeiras para os serviços sociais,
sete mil assinaturas
discriminatório dado por este órgão mento, que excluiu expressamente criando assim uma situação insus- Uma petição promovida pelo STAL em defesa dos
aos Serviços Sociais dos trabalha- as autarquias do âmbito de aplicação tentável e totalmente injustificada, Serviços Sociais foi entregue no dia 18 de Fevereiro
dores em comparação com outras daquele normativo orçamental. uma vez que a atribuição destas ao Presidente da Assembleia da República, junta-
colectividades de cultura e despor- Para além deste despacho, é a pró- verbas está legalmente prevista. mente com mais de sete mil assinaturas, recolhidas
to, instituições de solidariedade so- pria lei das autarquias (169/99) que Neste sentido, a resolução do em todo o País em menos de duas semanas.
cial e mesmo clubes de futebol. consagra explicitamente a atribuição Encontro Nacional de activistas sin- Na petição, os subscritores exigem a clarifica-
A resolução aprovada observa que de tais subsídios (art. 64.º, n.º 4), sen- dicais do STAL e de dirigentes dos ção definitiva da legalidade da atribuição de sub-
a auditoria do Tribunal de Contas, do que esta é uma lei especial, já que CCD, Caixas de Previdência, Cai- sídios aos diversos Serviços Sociais e sublinham
que veio pôr em causa a legalidade materializa o princípio constitucional xas de reforma, Casas de Pessoal e que o relatório emitido pelo Tribunal de Contas
da atribuição dos subsídios por parte da autonomia do Poder Local. Por diversos Serviços Sociais da Admi- fere os princípios basilares da autonomia do Po-
dos municípios aos Serviços Sociais, isso, as suas disposições prevalecem nistração Local, reclamou: der Local e não respeita a Lei sobre as atribuições
se baseia unicamente num artigo do sobre qualquer outro diploma. - Às autarquias, a reposição ime- e competências das autarquias locais.
diata dos subsídios; Os trabalhadores das autarquias não abrem
- Ao Governo, que assuma as suas mão dos Serviços Sociais e repudiam vivamente
responsabilidades, como autor do as repetidas tentativas para asfixiar estas meri-
ambíguo artigo 156.º da Lei do OE de tórias instituições nascidas do associativismo e
2007 e da sua posterior interpretação mantidas em grande medida com as quotizações
através de despachos e que apresen- próprias dos seus sócios.
te à Assembleia da República uma Os trabalhadores manifestam assim a sua de-
proposta que estabeleça claramen- terminação não só de resistir aos ataques contra
te a inaplicabilidade do controverso os Serviços Sociais, mas também de lutar pela
normativo à Administração Local; dinamização destas instituições e pelo alarga-
- À Assembleia da República, mento dos seus benefícios a todos os trabalha-
que tome as medidas legislativas dores das autarquias. Nesse sentido foi marcada
adequadas de forma a garantir o uma acção para 20 de Maio junto à Assembleia
A luta em defesa dos Serviços Sociais marcou presença na manifestação da respeito pela autonomia do Poder da República.
Administração Pública de 5 de Fevereiro em Lisboa Local e o cumprimento da lei.

Contratação nos bombeiros


STAL denuncia negociata obscura
O STAL repudia o pretenso «acordo-tipo» assinado 2009, o acordo de empresa celebrado entre o STAL e a
pela Liga dos Bombeiros Portugueses e alerta que tal AHBV de Vila de Rei. Outros processos análogos estão
documento não tem validade jurídica, sendo o seu con- em fase adiantada de negociação, caso das AHBV da
teúdo claramente atentatório dos legítimos interesses Covilhã e do Entroncamento.
dos profissionais das Associações Humanitárias de
Bombeiros Voluntários (AHBV). Condições de trabalho
Numa circular enviada a todas as AHBV, o Sindicato publicadas nos Açores
sublinha que a Liga dos Bombeiros não tem legitimida-
de para negociar um acordo colectivo de trabalho, uma O governo regional dos Açores publicou finalmente, em
vez que não é uma entidade ou associação patronal. 28 de Janeiro, a portaria que vem regulamentar as condi- O STAL pugna pela negociação de verdadeiros acordos de
Deste modo, o STAL considera intolerável que a Liga ções de trabalho dos tripulantes de ambulância das As- empresa, ao mesmo tempo que exige a regulamentação
e a Associação Nacional de Bombeiros/Sindicato se sociações Humanitárias de Bombeiros Voluntários. de condições mínimas para todo o sector.
tenham prestado a cozinhar em segredo durante dois O diploma nasceu da intervenção do STAL que, ain-
anos um documento que apelidaram de «Modelo de da em 2006, insistiu junto das autoridades regionais na da publicação da portaria e lembrava os compromissos
Acordo Colectivo de Trabalho», numa clara tentativa de necessidade de regulamentar condições de trabalho assumidos pelo governo regional.
condicionar e restringir o direito de negociação. uniformes para os cerca de 280 profissionais das 17 Fruto desta acção consequente do Sindicato, os tra-
O STAL continuará a pugnar por verdadeiras conven- AHBV da região autónoma. balhadores das AHBV dispõem agora de uma regula-
ções colectivas, legalmente negociadas entre as partes Desde então, o sindicato acompanhou de perto o mentação que consagra os seus direitos e obrigações,
e com a efectiva participação dos profissionais abran- processo, procurando vencer atrasos e impasses. Ain- definindo, entre outras matérias, o período normal e su-
gidos. Recorde-se que já se encontra publicado no Bo- da em Outubro de 2009, o STAL promoveu um abaixo- plementar de trabalho, remunerações, progressão nas
letim de Trabalho e Emprego n.º 26, de 15 de Julho de assinado em que considerava injustificado o adiamento carreiras e diuturnidades.
maio 2010 jornal do STAL 11

✓Jorge Fael

Água pública
Ao mesmo tempo que,
em palavras, se arvora
em defensor da água

Governo privatiza
pública, o Governo vai
avançando pela calada
com a privatização deste
sector, iludindo assim as
populações que por todo

pela calada
o país se vão organizando
em defesa deste serviço
público essencial.

A
inda em 22 de Março, Dia Mun-
dial da Água, ouvimos a Minis-
tra do Ambiente afirmar que a
privatização das Águas de Portugal ta resistências de muitas autarquias a Aqualia agravou em 27 por cento o
está completamente fora de questão, que «têm sérias reservas à entrega tarifário para o consumidor domés-
explicando que «não há vantagem da exploração a empresas privadas» tico. O actual edil campomaiorense
para o País, porque o abastecimento ou temem «o levantamento popular remete responsabilidades para o
de água é absolutamente estratégico, contra essas operações». seu antecessor, não hesitando em
por se tratar de um recurso funda- considerar como uma «má decisão»
mental. É um grupo estratégico para Muitas razões a concessão do abastecimento de
garantir que a água chega com quali- para protestar água à empresa privada. Sobre as
dade a todo o país, mesmo a regiões condições leoninas do contrato, re-
onde os sistemas, por razões de es- Motivos não faltam às populações vela: «O volume de água facturado
cala, não serão rentáveis.» para se levantarem contra os pro- pela empresa, para não permitir au-
Não poderíamos estar mais de cessos de privatização. Veja-se, por mentos das tarifas, era de tal forma
acordo com estas palavras. O pro- exemplo, o caso do sistema multi- elevado que, para ser atingido, Cam-
blema é que este governo, que diz municipal Águas do Zêzere e Côa, po Maior deveria duplicar a sua po-
garantir o sector público da água cuja proposta de preços para 2010 pulação de um ano para o outro.»
porque o considera estratégico, é previa um aumento de 70 por cento. Na Covilhã, a AdC (empresa mista,
o mesmo que, em 2008, privatizou A forte contestação dos municípios que tem como sócio privado a AGS/
a Aquapor, é o mesmo que preten- travou por enquanto a aplicação do Somague), o preço da água subiu
de vender o que resta de sectores novo tarifário, mas o desfecho não este ano em média nove por cento
absolutamente estratégicos para o é ainda conhecido. para o consumidor doméstico e 11
País, como electricidade, transpor- Por todo o lado, os abusos mul- por cento para o pequeno comércio. nas últimas eleições autárquicas. A A transformação
tes e comunicações. tiplicam-se. A Águas de Trás-os- Em Braga, a AGERE (empresa nova maioria eleita comprometeu- da água num
Mas se dúvidas restassem quanto Montes e Alto Douro, apesar de si- mista, que tem como sócios priva- se a reduzir o preço da água em 50 negócio ameaça
as populações
à duplicidade do Governo, que diz tuar numa região desfavorecida do dos a DST e a ABB), entrega emprei- por cento e anunciou a intenção de com aumentos
uma coisa para melhor poder fazer interior, pratica um dos preços mais tadas de milhões de euros por ajuste remunicipalizar os serviços. Entre- de preços e
o seu contrário, as afirmações do altos de todo o País. directo aos seus sócios privados. tanto, enquanto o município tenta degradação do
presidente das Águas de Portugal, A Águas da Região de Aveiro Em Barcelos, a factura de água renegociar o contrato de conces- serviço
Pedro Serra, são esclarecedoras. definiu a exorbitante tarifa de 2,83 e saneamento duplicou desde que são, a empresa passou a cobrar
Em entrevista ao jornal Água & euros por metro cúbico de água e a gestão foi entregue, em 2004, à 140 euros pela limpeza das fossas
Ambiente (edição de Março último), saneamento (valor recorde que re- AGS/Somague. Este foi um tema sépticas, isto é, 15 vezes mais do
este responsável pela holding esta- presenta mais do dobro da tarifa central da disputa entre candidatos que antes.
tal reconheceu que a privatização média nacional de 1,23 euros), que
«é uma questão sobre a qual terá de os municípios se obrigaram a apli-
ser o accionista [Estado] a pronun-
ciar-se», mas acrescentou que, «a
nossa obrigação enquanto equipa
car até 2014.
Nos termos do contrato, a tarifa
da água e saneamento deverá ser
Uma luta justa e necessária
de gestão é ter a empresa prepara- suficiente para cobrir todos os en- Desde que a água se tornou num «negó- Em Ovar, a organização local do PCP en-
da para que isso possa acontecer». cargos, onde se inclui a remunera- cio para alguns», as populações têm vindo a tregou, em Abril, à Assembleia Municipal
Ou seja, o Governo diz que não ção dos capitais investidos, a uma organizar-se por todo o país para denunciar, uma petição com mais de mil assinaturas
quer privatizar a água mas prepa- taxa equivalente aos títulos do te- resistir e combater a ofensiva dos privados. contra a adesão do município à empresa
ra o caminho «para que isso possa souro acrescida de três por cento, Em Évora, o recém-criado movimento de Águas da Região de Aveiro.
acontecer». ou seja, um ganho mínimo entre os cidadãos «Água é de Todos» lançou, em Em Paredes, a população luta pela so-
Na verdade, a AdP já hoje tem seis e os sete por cento. Fevereiro, uma petição dirigida aos órgãos brevivência das chamadas «Cooperativas
parte significativa da sua actividade A Águas do Planalto, (Aquapor), da administração central e local contra a da Água», pequenos sistemas de abaste-
delegada a operadores privados e sistema que abrange o Carregal do privatização deste bem. cimento construídos e mantidos pelas co-
a orientação é para continuar nesse Sal, Mortágua, Santa Comba Dão, O texto apela aos «autarcas para que, munidades residentes que, à semelhança
caminho. Assim, até 2015 a holding Tábua e Tondela, mantém o encer- no âmbito das competências que lhe estão de muitos outros geridos por freguesias,
definiu como objectivos aumentar a ramento de fontenários públicos. atribuídas, não alienem a água em baixa, estão confrontados com a asfixia financei-
parte dos sistemas de abastecimento Em Paços de Ferreira, a AGS/So- que contribuam para a defesa da água pú- ra e outro tipo de obstáculos à sua viabi-
de água geridos por privados, em re- mague continua a cobrar uma taxa blica e assegurem a sua gestão como re- lidade.
gime de outsourcing, dos actuais 31 de disponibilidade de 14,53 euros, curso escasso, móvel e reutilizável, de pro- Contra o negócio das barragens, a priva-
por cento para 38 por cento e de sa- mesmo aos utentes que não estão priedade comum, cujo acesso por todos tização das margens dos rios e albufeiras
neamento, de 39 para 51 por cento. ligados à rede, apesar de o tribunal constitui um direito natural e inalienável». levantam-se também movimentos ambien-
E o negócio com os privados só já ter declarado mais que uma vez a Em Aveiro, esta questão foi debatida na se- talistas, agricultores, defesa dos baldios e
não avançou mais porque o passo ilegalidade deste procedimento. gunda «Tribuna Pública em Defesa da Água», populações locais, conscientes de que a
seguinte, o controlo da distribuição Em Paredes, a Veolia impôs este iniciativa promovida em Dezembro pela União luta pela água pública é uma luta pela de-
de água ao domicílio, como reco- ano um aumento de dez por cento Sindicatos com o apoio do STAL. mocracia.
nhece o presidente da AdP, enfren- do preço da água. Em Campo Maior,
12 jornal do STAL maio 2010

Cooperação internacional Marco de Canavezes

apoiou II Congresso do SINAFP Concessão


anulada
Moçambicanos A Câmara do Marco de Cana-
veses declarou nula a deliberação
municipal, de Março de 2004, que

consolidam
concessionou as redes de águas e
saneamento do concelho à empre-
sa Águas do Marco.
O Sindicato Nacional da Função Pública A decisão, aprovada no final de
(SINAFP) de Moçambique realizou Abril, insere-se no processo, inicia-
o seu II Congresso entre 27 e 29 de do pela autarquia ainda no mandato

sindicato
anterior, que visa rescindir o contra-
Janeiro, na cidade da Matola, província to com a empresa concessionária,
moçambicana de Maputo, sob lema concluído durante a presidência de
«Consolidar o Sindicato, valorizar os Avelino Ferreira Torres, cujo prazo
funcionários e agentes do Estado». se estende por 35 anos.
A actual maioria camarária faz um

O
ito anos após o seu con- cação e saúde (SAMWU e NEHA- que «a existência da nossa orga- balanço extremamente negativo da
gresso constitutivo, que de- WU) e a Internacional de Serviços nização fundamenta-se nas orien- actuação da empresa, que gere há
correu em 30 de Agosto de Públicos de África (ISP). Também tações do saudoso Presidente Sa- seis anos as redes de água e sane-
2001 com o apoio do STAL, a falta o sindicato holandês ABVOKABO mora Machel, na histórica reunião amento. Também a população já por
de legislação regulamentadora do bem como organizações brasileiras de 13 de Outubro de 1976 com os várias vezes realizou manifestações
exercício da actividade sindical per- que integram a central sindical CUT representantes da classe operária». de protesto contra o aumento exa-
manece um obstáculo à consolida- deram o seu apoio financeiro à rea- Nessa ocasião, recordou Coana, gerado das tarifas, das mais caras do
ção do SINAFP como organização lização do II Congresso do SINAFP. o primeiro Presidente de Moçam- país, e pela má qualidade do serviço.
sindical dos trabalhadores da Admi- bique salientou a importância de Os eleitos autárquicos afirmam
nistração Pública de Moçambique. Uma organização activa «elevarmos a consciência de clas- que a situação é insustentável. Na
Apesar de a liberdade sindical e o se e nos organizarmos em moldes Assembleia Municipal que aprovou a
direito de greve estarem consigna- Pesem embora os vários condicio- colectivos, por forma a libertarmos nulidade do contrato foram mostra-
dos no Estatuto dos Funcionários nalismos, nestes oito anos de existên- a iniciativa criadora, aumentarmos das fotografias de esgotos a correr
e Agentes do Estado, aprovado em cia o SINAFP conseguiu implantar-se a produção e produtividade, bem pelas ruas devido à falta de ligação
2009, a inexistência de regulamenta- na Administração Pública e conta hoje como a participação nas decisões das condutas. O concelho continua
ção específica no que respeita, por com 18 mil associados distribuídos de todos os problemas que directa a não dispor de infra-estruturas de
exemplo, à actividade dos dirigentes por todas as províncias do país. ou indirectamente afectam a vida recolha e tratamento de esgotos.
e delegados sindicais, à realização No final do congresso, Leonel Co- dos trabalhadores nos locais de tra- A Câmara considera haver motivo
de reuniões de trabalhadores e à ana foi eleito o novo secretário-geral, balho». para a rescisão do contrato, notan-
cobrança de quotas, dificulta forte- por uma pequena diferença de três do que o concurso de concessão
mente a implantação e o funciona- votos, num processo renhido em Um direito inalienável foi aberto na base de um conjunto
mento normal do sindicato. que participaram 120 delegados. de pressupostos que depois não
Não dispondo de um mecanismo Na tomada de posse dos órgãos Convidado a intervir nos traba- foram contemplados no contrato
eficaz para a cobrança de quotiza- do SINAFP, realizada em 12 de Fe- lhos do Congresso, José Manuel de concessão. Pelo contrário, as
ções, o SINAFP debate-se com na- vereiro, Leonel Coana considerou Marques, da Direcção Nacional do condições consagradas no con-
turais constrangimentos financeiros como «desafio principal» da nova STAL, salientou que «a acção sin- trato são completamente diversas
que limitam a sua acção. Neste con- direcção reforçar a organização e dical é um direito inalienável dos das estipuladas no caderno de en-
trabalhadores de todo o mundo, in- cargos, afirmou à imprensa o vice-
Uma delegação
dependentemente da existência de presidente da autarquia, José Mota,
do STAL
participou qualquer regulamentação ou lei». frisando que tudo foi feito «sempre
activamente na «A história do sindicalismo não se para proteger a concessionária e
organização e escreveu ao abrigo de qualquer lei ou nunca o interesse municipal».
realização do II regulamentação, antes é o resultado da Utilizando as cláusulas do contra-
Congresso do
acção determinada da luta dos traba- to, a empresa pode aumentar em 36
SINAFP
lhadores que, por meios nem sempre por cento as receitas, obtendo um
pacíficos, obtiveram o reconhecimento encaixe suplementar que poderá
deste seu direito fundamental.» atingir 112 milhões de euros. Só a
A este propósito, referiu que, após alteração da periodicidade da fac-
a revolução de Abril em Portugal, o turação garantiu um acréscimo de
STAL necessitou de realizar uma três milhões de euros. Outro artifício
greve que durou 13 dias para ver os para aumentar lucros foi a alteração
seus estatutos reconhecidos. do rácio de pessoas por contador,
Neste sentido, o dirigente do STAL fixado em 3,5 pessoas no caderno
incentivou os sindicalistas presentes de encargos e que passou para 2,25
texto, a cooperação internacional de alargar a sua representatividade de a intervirem activamente em defesa pessoas no contrato. Daqui resultou
sindicatos revelou-se decisiva para modo a poder intervir «na busca de dos interesses dos trabalhadores e um novo encaixe de 30 milhões de
tornar realidade o II Congresso. soluções para os problemas que pelo reforço do seu sindicato. euros.
Neste projecto solidário, no qual apoquentam os funcionários e agen- Reafirmando a solidariedade do Por tudo isto, a autarquia entende
o STAL participa desde o início, tes do Estado em Moçambique». STAL para com a luta dos trabalha- que a rescisão do contrato é «a so-
associaram-se a organização dina- Coana sublinhou que «o sindicato dores da função pública moçambi- lução para um problema de fundo»
marquesa, LO-FTF, dois sindicatos existe e é legal», «o que falta é a for- cana, José Manuel Marques trans- e está disposta a remunicipalizar o
sul-africanos que representam os malização». O novo secretário-geral mitiu ao Congresso uma saudação serviço para garantir uma prestação
sectores dos serviços locais, edu- do SINAFP fez questão de lembrar da CGTP-IN ao SINAFP. de qualidade à população.
Maio 2010 jornal do STAL 13

Conversas desconversadas
✓ Adventino Amaro

O pico da exploração capitalista (PEC)


e os comentadores agachados
O
Zé Picuinhas é um gajo muito se como mestre e precursor o senhor siga um percurso idêntico, com a mes- te, da necessidade de reduzir o défice,
giro. Trabalhador, honesto e Soares que, após a revolução de Abril, ma verborreia de engana tolos mas, pois claro.
inteligente. Muito picuinhas, é se especializou em mudar de opinião pensa o Zé, com menor habilidade. O vómito que lhe subiu à garganta
verdade, honrando o nome que rece- dia sim dia não, de acordo com os dó- Mas o que definitivamente mais ir- coincidiu com o anunciar do próximo
beu na pia baptismal, mas ninguém lhe lares que lhe chegavam dos seus man- rita o Picuinhas são os tais senhores programa do dito pobre diabo: «Não
poderá levar a mal por isso. E porque dantes sediados nos Estados Unidos. engravatados que, dizendo-se inde- esqueça, se quer saber o que se pas-
usa uma linguagem terra a terra, cha- Não era por acaso, aliás, que a avó pendentes, lhe querem impingir as sa no país, Camilo Lourenço explica
mando os bois (e os boys) pelos nomes do Zé considerava, nesses tempos, o encomendas dos patrões que lhes tudo.»
e lhe custa a engolir as boçalidades senhor Soares o melhor político por- pagam (e que são a tal bicharada pa- Não aguentou mais e vomitou mes-
diariamente vertidas por uma chusma tuguês. O Zé zangava-se com ela mas rasitária), fingindo estar a emitir a sua mo.
de comentaristas assalariados, – que acabou por a perceber e lhe dar razão. opinião. Mudou de caneiro e lá teve que gra-
ganham a vida a palrar nos fétidos ca- É que para a sua avó (e para parte sig- Ainda há dias ouviu ele um pobre mar mais um deputado do PSD a expli-
neiros televisivos de produção mais nificativa do citado cidadão comum, diabo, muito conceituado entre a ca- car que o Orçamento de Estado apre-
ou menos nacional a que têm acesso, acrescento eu) a política é uma coisa marilha dos comentadores televisivos sentado pelo governo é horrível, muito
querendo convencê-lo (a mando dos porca. E assim sendo, a valoração do e radiofónicos, preocupado com os de- mau, péssimo. Que o PEC é horrível,
patrões) de que o conteúdo daquilo senhor Soares como político, pela ve- sempregados que «o que não querem é muito mau, péssimo. E que o PSD dei-
que designam por PEC é inevitável, e lha senhora, fazia todo o sentido. trabalhar», dizendo que era necessário xou passar ambos na Assembleia da
que devem ser os mesmos de sem- Por isso, não espanta que o actual apertar a malha do controlo sobre es- República porque é um partido respon-
pre a pagar a crise provocada por la- líder do PS e do actual governo seja ses malandros. Isto a propósito, na- sável, caramba! Se esses documentos
drões sem escrúpulos (as palavras são um fiel discípulo daquele velho mestre turalmen- horríveis, muito maus, péssimos, não
dele...) –, o Zé Picuinhas começa a ter da charlatanice política e fossem aprovados, seria uma tragédia
dificuldades de relacionamento com o para Portugal.
cidadão dito comum, muito Apesar de ter o estômago ainda às
entretido a discutir a guer- voltas, o Zé não pôde deixar de soltar
ra dos túneis, a telenovela uma sonora gargalhada.
das quinze ou o casamen- – Mas que cambada de vigaristas!
to da Frufru com aquele Que corja de malandros, que já nem
artista que até dizem ser se preocupam em demonstrar alguma
homossexual, «vejam lá o sanidade mental, uma réstia de vergo-
horror a que este mundo nha, uma pontinha de honestidade
chegou». política. Ou será que esta gente
– Este país está entregue à julga que somos todos parvos
bicharada – não se cansa ele ou atrasados mentais?
de dizer. Bom. Confesso que o Zé
E está, acrescento eu. Não disse muitas coisas mais,
propriamente àquela de que no mais puro vernáculo
todos falam à hora do almoço, luso. Por razões
com leões, águias e dragões óbvias, não
como prioridade, mas à ou- me atrevo a
tra, a dos parasitários pio- reproduzi-las.
lhos, pulgas e vampiros que, Mas quero
aproveitando a alienação que aqui deixar claro
aqueles nos provocam, nos que as subscrevo
atacam pela calada da noite na totalidade, solidá-
e nos sugam o sangue que ainda rio que estou com a sua
temos, enquanto bebemos aparva- indignação perante tan-
lhadamente os conteúdos do ta falta de vergonha da
caixote televisivo que temos pandilha que nos (des)
à nossa frente. governa há trinta e quatro
O engraçado é que ao Pi- anos .
cuinhas já não incomodam
por aí além as charlatanices
do governo, as mentiras do
governo, o supremo desca-
ramento do governo.
Ele sabe que o partido que
o suporta tem uma longa prá-
tica nestas áreas, ou não tives-
14 jornal do STAL maio 2010

Vantagens do associado TABELA DE PREÇOS PARA 2010

Adultos e adolescentes com mais de 12 anos 4,20 €

Férias junto à praia


N.º 95
Crianças dos 6 aos 11 anos 2,10 € MAIO 2010
Crianças com menos de 6 anos Grátis Publicação
Tenda / Canadiana / Iglo, etc. com menos de 6 m2 3,90 €
de informação
sindical do STAL
Tenda / Canadiana / Iglo, etc. com mais de 6 m2 4,60 €

P
O campismo é uma forma económica de ara os que preferem estar junto da Atrelado-bagagem / Cozinha 2,00 €
Propriedade
passar férias perto da natureza, no campo praia o parque de campismo do Si- Caravana / Atrelado-tenda 4,75 €
STAL – Sindicato
ou junto à praia. Os associados beneficiam tava pode ser uma boa escolha, já Autocaravana  6,00 €
Nacional dos
que, para além de bem equipado, propor-
de descontos em vários parques. ciona aos associados do STAL descontos
Automóvel / Barco / Moto / Motorizada 2,55 € Trabalhadores
Autocarro 7,55 € da Administração
de 20 por cento nos meses de Junho e Se- Electricidade 2,45 €
Local
tembro e de 10 por cento nos meses de Visitantes 2,55 €
Julho e Agosto, sobre a tabela de preços
Preço único por período - 10h-14h Director:
que aqui publicamos. Piscina
/ 14h-20h
1,50 €
Santos Braz
Na mesma região de Vila Nova de Mil Piscina Crianças com menos de 6 anos Grátis

Fontes, o parque Novaférias/Campifé- Material Parqueado Fora


Atrelado-bagagem / Barco 0,70 €
Atrelado-tenda 0,85 €
rias oferece igualmente aos associa- da Zona de Acampamento Coordenação
Caravana / Autocaravana 0,95 €
dos de STAL reduções sobre a tabela Nos meses de Julho e Agosto, o material desocupado sofre um agrava-
e redacção:
mento de100 %. José Manuel Marques
de preços de 20 por cento em Julho e
e Carlos Nabais
Agosto e 40 por cento em Junho e Se-
tembro. nais do STAL e na página electrónica do
No Parque Municipal de Campismo da sindicato www.stal.pt. Conselho
Ortiga, no concelho de Mação (Santarém), Para obter mais informações ou efectuar Editorial:
os descontos para associados são de 50 reservas, os associados podem contactar Adventino Amaro
António Augusto
por cento durante todo o ano. directamente os parques de campismo atra- António Marques
Para beneficiarem destas condições os vés dos telefones 283 890 100 (SITAVA); 283 Helena Afonso
associados terão de apresentar uma cre- 996 409 (Novaférias/Campiférias); e 241 573 Isabel Rosa
dencial passada pelo sindicato juntamente 464 (Parque Municipal da Ortiga). Jorge Fael
com o seu cartão do STAL. Lembramos os associados que podem José Torres
Miguel Vidigal
O parque de Sitava dispõe de excelentes equipamentos As respectivas tabelas de preços podem requerer ou renovar a carta de campista
Victor Nogueira
para os veraneantes ser consultadas junto das direcções regio- junto da Sede Nacional do STAL.

Colaboradores:

Uma semana Palavras cruzadas Adventino Amaro


António Marques

com os
Jorge Fael,
José Alberto Lourenço
Horizontais: 1. Mais um livro de Saramago contra o transporte de líquidos em viagem; jurisdição. 13. José Torres
ópio do povo; adore; é tudo o que compramos, com Renque de árvores; primeiro de dois nomes de uma

Pioneiros
Rodolfo Correia
o ordenado que temos. 2. Relativos ao campo; cortes freguesia do concelho de Águeda; paixão.
com uma serra. 3. Raiva; ladeira; órgão excretor da
urina. 4. Parte aquosa que se separa do leite; corta Verticais: 1. São situações permanentes neste país Grafismo:
Jorge Caria
Se tem filhos dos seis aos 16 anos com os dentes; verdadeira. 5. Tesouro público; desgraçado por vergonhosos governos; espécie
e pretende proporcionar-lhes uma atiçar. 6. Sagrado; torna liso. 7. Género de macaco de boi africano muito frequente em Angola. 2.
semana alegre, plena de actividades, nocturno da América Tropical; nome de letra. 8. Madrugada; adelgaçar. 3. Árvore de que os índios Redacção
num ambiente descontraído propício Utensílio doméstico; género de algas fucáceas; outra americanos (ainda sobreviventes) extraem veneno e Administração:
ao desenvolvimento do espírito de letra. 9. Ânsia; Chateio (fig.); virtude. 10. Notifica;para as flechas; acerte. 4. Ruim; origens; basta. 5. R. D. Luís I n.º 20 F
equipa, do sentido de responsabilida- animal doméstico; reside. 11. Naquele lugar; porção Andar; letra do alfabeto grego (pl); Quociente de 1249-126 Lisboa
Tel: 21 09 584 00
de, da camaradagem, então propo- determinada; sinal gráfico. 12. Pequeno vaso para inteligência. 6. Planta aristoloquiácea usada como
Fax: 21 09 584 69
nha-lhes uma semana nos Campos emético; profecia. 7. Pedra de moinho; Email:
de Férias dos Pioneiros de Portugal. fruto de cereais. 8. Vigia; catitas. 9. jornal@stal.pt.
Esta iniciativa, que tem lugar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Segunda e primeira vogais; designação Site Internet:
este ano no Parque de Campismo para a girafa, utilizada em Angola; outra www.stal.pt
da Praia da Galé, no concelho de 1 coisa. 10. Conselho da Revolução
Grândola, realiza-se em três turnos, 2 (sigla); semblante; aqui. 11. Mau humor;
Composição:
cada um com cerca de 60 crianças põem. 12. Dores nos rins; administrada. pré&press
ou jovens e cerca de 20 monitores e 3 13. Estimara; meter em mala. Charneca de Baixo
acompanhantes. Armazém L
Os primeiros dois turnos, destina-
4 2710-449

5
dos a crianças dos seis aos 13 anos, Reiras; gerido. 13. Osmara; emalar Ral - SINTRA
realizam-se de 11 a 17 de Julho e de
10. Cr; vulto; ca. 11. Arrelia; botam. 12.
18 a 24 de Julho. O terceiro turno, para 6 grao. 8. Espia; janotas. 9. Ea; caoco; al.
Impressão:
7
5. Ir; iotas; qi. 6. Asaro; oraculo. 7. Mo:
jovens dos 14 aos 16 anos, decorrerá afilar. 3. Irarana; atine. 4. Ma; ortos; ta. Lisgráfica
entre os dias 15 e 31 de Agosto. R. Consiglieri
8
Verticais: 1. Crises; pacaça. 2. Aurora;
O custo de cada inscrição é de Pedroso, nº90,
2730-053 Barcarena
126 euros, se for efectuada até 1
9
Area; ois; amora.
de Junho, e de 140 euros após esta 11. Ali; quota; til. 12. Cantil; alçada. 13.
data. Para mais informações deve 10 9. Afa; sarno; bem. 10. Cita; cao; mora. Tiragem:
contactar a Associação Pioneiros 57 000 exemplares
11
alisa. 7. Aoto; Jota. 8. Pa; sargaço; ge.
de Portugal através dos telefones Soro; roi; vera 5. Erário; acular. 6. Santo; Distribuição gratuita

12
218869526, 218866297, ou por cor- Rurais; serres. 3. Ira; rampa; rim. 4. aos sócios
reio electrónico apioneiros@mail.pt.
Horizontais: 1. Caim; ame; caro. 2.
Pode ainda consulta a página pio- 13 Soluções Depósito legal
neirosportugal.blogspot.com. Nº 43‑080/91
maio 2010 jornal do STAL 15

Vila do Bispo
Conhecer
majestade aos recortes do mar. Que
contraste entre os dois Atlânticos um
altaneiro e rufião, olhando as Améri-
✓ António Marques cas, o outro abraçando a África do-
lente e meigo.
Sabe-se com segurança
que desde 4000 anos Lugar tranquilo
antes de Cristo as barcas

Um outro olhar
Vila do Bispo, sede do Concelho, é
do mediterrâneo aqui um lugar mimoso e tranquilo, fora dos
começaram a varar, nas bulícios turísticos algarvios. Por mo-
pequenas praias que mentos vemo-la debaixo de um véu
abraçam os promontórios moderadamente rural, com os seus

sobre o Algarve
de Sagres e de S. Vicente. moinhos de vento que outrora transfor-
mavam em farinha os seus cereais que
ainda cultiva com persistência.

N
a antiguidade clássica, grandes Recolhemo-nos na
vultos como Avieno, Estrabão igreja matriz de Nossa
e Plínio citaram esta ponta do Senhora da Conceição,
mundo como a morada dos deuses templo de linhas auste-
Saturno e Hércules, divindades que ras e simples, guardando
exerciam os seus poderes lá nos con- os azulejos dos finais do
fins da terra algarvia, estendendo-se sec. XVII, que ladeiam a
depois aos mares onde crescem os nave central com tecto
monstros e as tormentas. em masseira pintada e
Todos os povos da Europa nómada o belo altar barroco que
que chegaram as estas terras recuaram contrasta com o sóbrio
com respeito pelo mar revolto – obstá- do conjunto. Belas peças
culo intransponível. Em terra ergueram representativas da arte
monumentos megalíticos em pedra vi- sacra do século XVI figu-
gorosa para que a fúria dos deuses se ram num pequeno museu
aplanasse, consentindo-lhes sustento, anexo à igreja.
fertilidade e deles tivesse mercê. Es- Obrigatória é a deslo-
tamos em Vila do Bispo, concelho do cação à ponta de Sagres
extremo Sudoeste do Barlavento Al- onde admiramos a fortale-
garvio. za mandada construir por
Agora que o bom tempo nos con- D. Henrique, o Navegador,
forta, não vem mal ao mundo se por no século XV, assim como
momentos pensarmos nas merecidas a gigantesca rosa-dos-
férias que se aproximam e traçarmos ventos desenhada no em-
um destino rumo a terras do Sul onde mais de metade do concelho inserido com faixas e relevos ondulantes, pedrado que domina todo o Sul.
a praia, o sol e sobretudo o mar domi- num parque natural, onde portanto o atestando que as civilizações antigas Ao cabo de S. Vicente, que já seis
nam uma natureza muitas vezes intac- camartelo encontra dificuldades em ambicionavam dominar as ondas, séculos antes de Cristo pertencia ao
ta, para espanto dos dias de hoje. satisfazer os seus caprichos. imortalizando-as nas pedras calcá- deus Saturno, rodeado de monstros,
Lá nos confins do extremo mais a Su- Há no ar um certo misticismo que nos rias que chegaram aos nossos dias. iremos também. Aqui termina a Europa
doeste de Portugal e do continente eu- atrai e nos envolve em histórias antigas Destacam-se os menires existentes da terra firme, neste promontório que
ropeu, o concelho de Vila do Bispo tem de príncipes e sede de aventura, rumo no Monte dos Amantes, na freguesia os romanos denominaram de sacro
a Sul e a Oeste como vigia permanente ao mar que não tem fim. de Vila do Bispo, e os do Milrei, Pa- porque ali se acabava o mundo na Ida-
o azul do mar. Com uma área de 180 Vibramos com a força das vetus- drão e Aspradantas, na freguesia da de Média, e os deuses o habitavam.
quilómetros quadrados e perto de seis tas escolas de marinhagem, de onde Raposeira, a caminho da praia da In- Mesmo hoje quando olhamos do alto
mil habitantes, o município é compos- partiam em cascas de nozes homens grina, infelizmente alguns jazem por de Sagres ou de S. Vicente, ainda te-
to por cinco freguesias: Sagres, Vila do armados com a sua solidão, a sua co- terra embora intactos. mos dúvidas se a terra dos atlantes é
Bispo, Raposeira, Budens e Barão de ragem e a sua loucura, sem nada que Vila do Bispo, dada à sua localização uma lenda ou se o infante teima em lar-
São Miguel. Na fronteira Norte situa-se os guiasse além do Sol e das estrelas, privilegiada, possui praias a Ocidente gar as amarras dos seus navios rumo
o concelho de Aljezur (30 km) e a Este em viagens nebulosas, dobrando ca- e a Sul, único concelho do país com ao desconhecido nesta imponente ter-
temos o concelho de Lagos (20 km). bos onde se escondiam todos os peri- dois tipos de costa: a costa meridional ra agreste.
Faro, a 100 quilómetros, fica bem longe gos, todas as lendas todos os medos. recortada e calma e a costa ocidental O que não é lenda é a sua saborosa
e Lisboa, a mais de 330 quilómetros, é Foi nesta epopeia que conquistámos mais batida e bravia, mas ambas com gastronomia onde abundam os peixes
quase o novo Cabo das Tormentas de mundos ao mundo, dando ao nosso lugares de sonho, enseadas e baías de e os invertebrados marinhos, como o
tão distante. pequeno País dos finais do séc. XIV, contos de fadas, promontórios, falé- polvo as lulas e os chocos, a par dos
Que terra é esta que sendo Algarvia apertado ao longo da varanda atlânti- sias e arribas de respeito. mariscos e dos bivalves.
é tão diferente e tão sedutora, misto ca da Península Ibérica, uma dimensão A costa Sul, que se estende até ao Das carnes apreciaremos na época
de beleza selvagem e de um agridoce de grandeza universal, do tamanho Cabo de S. Vicente, oferece abrigo e da caça as espécies cinegéticas prefe-
que nos arrebate ao ponto de afirmar- dos quatro continentes, uma importân- sossego e nela encontramos as praias ridas, como a lebre a perdiz e o coelho
mos que o nosso País possui torrões cia estratégica de primeiro plano e um do Burgau, Cabanas Velhas, Boca do do monte.
onde nos revemos na simplicidade, no prestigio que nos colocou nessa época Rio, Salema, Figueira, Furnas, Zavial, Doçaria não falta tendo por base os
genuíno e no conforto dos prazeres do como o centro do poder, da moderni- Ingrina, Barranco, Martinhal, Mareta, frutos algarvios como as amêndoas, os
corpo e do espírito. dade e do domínio dos mares. Tonel e Beliche, entre outras mais pe- figos as alfarrobas a gila.
O homem foi desde sempre um quenas. Uma boa aguardente de medronho
Terra com história apaixonado destas paragens e já no No Ocidente, Telheiro, Ponta Rui- nunca deixou indiferente o turista, que
século IV a.C. aqui ergueu os seus va, Castelejo, Cordoama, Barriga e a bebe moderadamente ou fica para o
Vila do Bispo, terra velha, com his- monumentos megalíticos isolados Murração são as magníficas praias dia seguinte porque alojamento turísti-
tória, com tradições, com muito mar ou estruturados sob a forma de cro- Norte de S. Vicente, enquadradas por co de todos os tipos, bom e acessível,
e muita praia, com qualidade e com meleques, muitas vezes decorados sólidas sentinelas que emprestam é o que não falta.
16 jornal do STAL maio 2010

Vínculos, carreiras e remunerações

Decisão do TC sem qualquer fundamen-


tação que as garantias de

é parcial
imparcialidade são as mes-
mas para as diversas moda-
lidades de emprego, seja de
Resumo da luta nomeação seja de contrato
por tempo indeterminado ou
3 de Fevereiro – Os trabalhadores da a termo resolutivo, certo ou
CM Nisa manifestam-se nos paços do incerto.
concelho exigindo a aplicação da opção A rejeição do Tribunal Constitucional do mente constituído em cada Também a alusão, por
gestionária
pedido de inconstitucionalidade de várias legislatura caberá, de acordo exemplo, de que o direito
5 de Fevereiro – A manifestação nacio- normas da Lei de Vínculos, Carreiras com os mandatos popula- à segurança no emprego
nal da Administração Pública junta mais res, decidir sobre o modo de constitui um «problema de
e Remunerações (Lei 12-A/2008) é concretização da CRP que fi- formulação essencialmente
de 50 mil trabalhadores em Lisboa.
considerada pelo STAL como uma decisão xam as tarefas fundamentais subjectiva» merece fortes
25 de Fevereiro – STAL, FECTRANS e parcial que favorece o desmantelamento da do Estado». críticas do Sindicato, tanto
STML entregam na Assembleia da Re- Administração Pública e a destruição dos Depreende o STAL de tal mais que são taxativas as
pública uma petição subscrita pelos mo-
toristas profissionais. direitos laborais dos seus trabalhadores. formulação, que o TC con- referências da Constituição
sidera legítimo que qualquer nesta matéria.

O
26 de Fevereiro – O STAL promove em recurso que advoga- Abril, os juízes do Tribunal governo, a cobro de uma
Coimbra um Encontro Nacional de CCD. va a inconstitucio- Constitucional concluíram pretensa legitimidade eleito- A luta vai continuar
nalidade dos artigos que «quer no âmbito de re- ral, tem o direito de «concre-
4 de Março – A greve nacional da Adminis- 10.º, 20.º, 21.º, n.º 1, 88.º n.º lações de emprego público tizar», a seu modo, os impe- Registando a mais uma po-
tração Pública regista uma elevada adesão. 4 e 109.º, n.ºs 1, 2, 3 e 4, foi a constituir quer mesmo no rativos constitucionais, mes- sição de traição do SINTAP/
promovido, em Abril do ano âmbito de relações de em- mo quando tal prática afronta UGT, para o qual «esta é uma
8 de Março – O Dia Internacional da Mu-
lher é assinalado com a edição de um pos- passado, pelo Grupo Parla- prego já constituídas, as nor- claramente o espírito e a letra decisão» que o «deixa satis-
tal e diversas iniciativas nas autarquias. mentar do PCP com o apoio mas em questão não violam do Texto Fundamental, como feito», o STAL reafirma a sua
de deputados de outras ban- a Constituição». é este o caso. profunda convicção de que,
10 de Março – O STAL promove em Ma- cadas. Importa lembrar que a des- contrariamente à decisão do
tosinhos um Seminário sobre igualdade. Os parlamentares consi- Acórdão regulamentação dos direitos TC, a garantia do vínculo pú-
deraram que o novo regime contraditório laborais e a destruição do blico de nomeação e a isen-
18 de Março – Uma delegação do STAL viola de forma genérica o di- vínculo público determinada ção na prestação da função
é recebida pelo presidente da Assembleia
da República, a quem entrega uma peti- reito à segurança no empre- Para o Sindicato, esta de- pela Lei 12-A são insepará- pública são duas exigências
ção sobre as comparticipações aos CCD. go e os princípios da segu- cisão é parcial e contraditó- veis do processo de desman- indissociáveis.
rança jurídica e da protecção ria, particularmente quando telamento da Administração Neste sentido, o Sindica-
22 de Março – O STAL assinala o Dia Mun- da confiança, desvirtuando afirma que a questão do mo- Pública, também materiali- to declara que o acórdão do
dial da Água manifestando a sua oposição o figurino constitucional da delo de Estado social que a zado neste diploma, possibi- Tribunal Constitucional não
ao processo de privatizações no sector. actividade e da organização Constituição consagra não litando em última instância a constitui o fim de um per-
administrativas e o conjunto é «político-ideológica, mas privatização de serviços pú- curso, antes representa um
22 a 24 de Março – Os trabalhadores dos
TUB-EM, Braga, realizam uma greve con- de tarefas que corresponde eminentemente jurídica e, blicos essenciais. episódio (lamentável) nesta
tra o corte no subsídio de agente único. ao Estado de direito demo- mais especificamente, “jurí- Por outro lado, reconhe- batalha na qual o Sindicato
crático. dico-constitucional”», con- cendo que «a estabilidade continuará empenhado de
26 de Março – A CGTP-IN assinala o Dia In- No acórdão (n.º 154/2010), cluindo logo de seguida que [de emprego] promove o forma enérgica, firme e de-
ternacional da Juventude com uma manifes- tornado público no dia 20 de «ao poder político legitima- compromisso», o TC alega terminada.
tação de jovens trabalhadores em Lisboa.

26 de Março – Os trabalhadores da CM
de Guimarães cumprem uma greve de
24 horas para exigir a aplicação da op-
Cartoon de: Miguel Seixas

ção gestionária.

5 a 7 de Abril – Os trabalhadores da CM
de Lisboa cumprem uma greve de três
dias para exigir a actualização do subsí-
dio de risco.

12 a 20 de Abril – Plenários e concen-


trações têm lugar em várias cidades no
âmbito da acção de luta convergente da
Frente Comum.

3 de Abril – Mais de 200 trabalhadores


manifestam-se frente à sede da Águas
de Portugal contra o congelamento dos
salários

25 de Abril – O 36.º Aniversário do 25 de


Abril é assinalado com desfiles e festas
populares.

1 de Maio – Milhares de trabalhadores
manifestam-se em todo o País no 120.º
aniversário do Dia Internacional do Tra-
balhador.