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PRAZER EM SI MESMO

“O nosso Deus está nos céus: faz tudo o que lhe apraz.” Salmos 115,13

“Seres finitos não podem formar senão um fraquíssimo conceito desse


atributo. Eles exercem em esferas contraídas e sob limitações necessárias o
poder que possuem. É um poder secundário, derivado de Deus, a fonte do
poder supremo. Acostumados como somos a manifestar ações de poder
imperfeito entre os homens, ficando admirados ao contemplar o poder
absoluto de Deus. Sua onipotência, entretanto, é reconhecida por todos
quantos acreditam em Sua existência.” _ Pendleton.

“Todo o poder lhe pertence. Ele está assentado no trono. Brande um cetro
universal. Controla todas as cousas e exerce Sua onipotência a favor
daqueles que nele confiam.” _ Pendleton.

“Aconteceu uma alteração maravilhosa em minha mente, com respeito a


doutrina da soberania de Deus. [...] A doutrina tem-me parecido com
freqüência extremamente agradável, clara e doce. Soberania absoluta é o
que quero atribuir a Deus.”_ Jonathan Edwards.

“O clímax da felicidade de Deus é o prazer que Ele tem nos reflexos da


Sua Excelência nos louvores do seu povo.” _ John Piper.
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SOBERANIA DE DEUS
Soberania: Qualidade de soberano; autoridade suprema.
Soberano: Superior em autoridade e poder; que exerce um poder sem
restrição; dominador; supremo; muito poderoso; altivo, arrogante.

A soberania de Deus é expressa em três perfeições a ela relacionadas:

1- A onipotência de Deus: A palavra “onipotência” deriva de dois termos


em latim, “ommis” e “ potentia”, ou seja, “todo poder”. Significa que Seu
poder é ilimitado, que Ele tem o poder de fazer qualquer coisa que deseje.
Porém, isso não implica o exercício do Seu poder para fazer aquilo que é
incoerente, nem que Deus fará o errado ser certo, ou que algo que já
aconteceu, não tenha acontecido. Para Deus é “impossível” mentir, pecar,
morrer, mas só é impossível, porque Ele escolheu ser assim, Deus decidiu
ser perfeito, e é assim que Ele quer que seja, e como é Soberano, assim
será.
Ele é todo-poderoso. Isto é claramente expresso na pergunta de Deus:
“Acaso para Deus há coisa demasiadamente difícil?”. O Novo Testamento
contém igualmente um testemunho semelhante quanto a onipotência de
Deus. Ele se revela como o Deus para quem “nada é impossível”, seja o
nascimento virginal (Lc 1:37) ou a regeneração da humanidade decaída
(Mc 10:27).
2- A onipresença de Deus: Ele se acha em todo o lugar (Sl 139 7-12).
Sua onipresença nos dá segurança e conforto, sabemos que mesmo em
meio as tribulações da vida, Ele está conosco, onde estivermos.
Em momentos de provação ou sofrimento pela nossa fé: “Contaste os
meus passos quando sofri perseguições; recolhestes as minhas lágrimas
no teu odre; não estão elas inscritas no Teu livro?” (Sl 56:8; cf. AP 6:9:
18:24).
A eternidade de Deus é um aspecto relacionado ao anterior. A
onipresença no espaço tem a sua contraparte no tempo. “de eternidade a
eternidade, Tu és Deus.” (Sl 90:2). Não existe momento “antes”, ou depois
Dele.
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3- A onisciência de Deus: Deus tudo sabe. Esta perfeição está


intimamente ligada à Sua onipresença (Sl 139:1-12).
Esta perfeição é fundamental à finalidade da auto-revelação de Deus. Se
Ele conhecesse apenas em parte, sua verdade seria também apenas
provisória. A onisciência de Deus, é também a base para a obra do
Espírito Santo em revelar a mente e a verdade de Deus na Escritura,
garantindo dessa forma sua confiabilidade e finalidade (Jô 16:13: 17:17).
Para alguns autores a soberania de Deus, não está incluída entre seus
atributos. Com tudo quando se contempla Sua perfeição, exige-se incluir
Sua soberania.
Sua soberania é fácil de discernir, vendo como todas as coisas receberam
seu devido lugar. Também é pela Sua soberania que o Evangelho
Salvador de Jesus, é citado nas Escrituras, como algo a ser obedecido.

“O principal propósito de Deus é glorificar a Deus e ter prazer em Si mesmo para


sempre”.
Isso pode soar estranho aos nossos ouvidos, porém só acontece, porque
estamos acostumados a pensar em nossas obrigações e nos esquecemos
das intenções de Deus. Costumamos dizer que o Seu propósito é salvar o
homem, e redimi-lo do pecado. E não estamos errados ao pensar assim,
porém esse propósito é em prol de algo maior, alegrar-se, para glorificar-
se em Si mesmo.
E só por este motivo, Dele glorificar a Si mesmo, é que podemos ter
esperança de encontrar felicidade Nele.
Pela Sua palavra podemos ver provas de Sua soberania desde o
princípio;
1- Na natureza: (Gn 1, 1-3) “No principio criou Deus os céus e a terra. A
terra porém era sem forma e vazia, havia trevas sobre a face do
abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Disse Deus:
Haja luz, e houve luz.”
“O universo, conforme o conhecemos, é a suprema evidência de Deus. Por
tê-lo criado, sustentado e orientado, Deus exibe a capacidade de limitar-se
ou restringir-se. Ele quer fazê-lo tal como é, e não de outro modo. Ele quis
criar o homem, como ser livre e assim deixá-lo. O universo não exaure
Deus. Nele sempre há reservas de sabedoria e de poder”_ Mullins.
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“Para Deus é tão fácil suprir tuas maiores como tuas menores necessidades,
assim como está ao alcance de Seu poder, formar um sistema ou um átomo,
criar um sol incandescente como acender a lâmpada do vaga-lume” _
Thomas Guthrie.

D.D. Toda a natureza está sujeita à direção e controle divinos.

2- Domínio da experiência humana;


a)- José_ Gn 39.2,3,21
Deus manifestou em José o Seu poder, tornando-lhes os inimigos em
amigos e produzindo aquelas circunstâncias que o levaram à exaltação e
prosperidade.

b)- Nabucodonosor_ Dn 4. 19-37


O poder de Deus foi manifestado no caso de Nabucodonosor ao subjugar
seu orgulho e arrogância, e ao arrancar-lhe a confissão da soberania e
supremacia de Deus, tanto no céu, como na terra.

c)- Daniel_ Dn 1.9


O poder de Deus é visto em Daniel ao conceder-lhe favor perante o
próprio rei, e também pela sua miraculosa preservação na cova dos leões.

d)- Faraó_ Ex 7. 1-5


Deus demonstrou a supremacia de Seu poder sobre os deuses no Egito
por meio das dez pragas enviadas contra os egípcios, e por meio de
grande livramento que proporcionou aos filhos de Israel por intermédio de
Moisés.

e)- Aos homens em geral_ Sl 75. 6,7


“Porque não é do Oriente, não é do Ocidente, nem do deserto que vem o
auxílio. Deus é o juiz: a um abate, a outro exalta.”

“O rei Canuto, conquistador dinamarquês da Bretanha, certa vez foi


lisonjeado por seus cortesãos por causa de seu poder. Então ele ordenou
que seu trono fosse levado a praia do mar. A maré subia, ameaçando afogá-
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lo. O rei ordenou que as ondas cessassem. Naturalmente que não lhe
obedeceram. Então Canuto disse a seus bajuladores: ‘Vede quão pequeno é
o poderio dos reis! ’” _ Foster.

D.D. Todas as nações humanas, quer presentes quer futuras, dependem


da vontade e do poder de Deus, e estão sujeitas à Sua Palavra.

3- Nos domínios celestiais:


Dn 4.35 “Todos os moradores da terra são por Ele reputados como nada,
e segundo a Sua vontade Ele opera com o exército do céu e os
moradores da terra; não há quem possa deter a mão, nem lhe dizer: Que
fazes?”.

D.D. OS santos anjos estão sob o domínio divino e sujeitos a vontade de


Deus.

4- No domínio dos espíritos malignos:


Jô 1.12 “Disse o Senhor a satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em
teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E satanás saiu da
presença do Senhor.”

“Quando Antígono estava pronto para iniciar um combate naval, contra a


armada d Ptolomeu, e o piloto clamou: ‘Quantos são eles mais do que nós?’
o corajoso rei replicou: ‘ É verdade que, se você contar o número deles, são
mais do que nós; mas quantos você acha que eu valho?’ Nosso Deus é
suficiente contra todas as forças combinadas da terra e do inferno”_
Spencer.

D.D. Os poderes malignos_ Satanás, os seus demônios e os anjos


caídos_ estão todos sujeitos a vontade e a palavra de Deus.

Em I Timóteo, Paulo denomina a Deus “bendito e único Soberano”. Que


quer dizer que Deus é bem-aventurado, ou seja: Deus se deleita
plenamente consigo mesmo e com tudo o que reflete o Seu caráter.
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Nessa definição a idéia de felicidade é diretamente ligada à sua própria


pessoa como centro de tudo o que é digno de alegria e deleite.
Pode parecer um tanto estranho, quando nos deparamos em ter de
concordar que Deus quando se alegra na sua criação, ou mesmo em nós,
é no fato no reflexo de suas próprias qualidades excelentes que Ele se
alegra. Porém: “Porque Dele, e por meio Dele, e para Ele são todas as
coisas. A Ele pois a glória eternamente.” (Rm 11,36).

Deus é o criador, o sustentador, e o governador de todas as coisas. O fato


de haver criado todas as coisas é prova suficiente e incontestável desta
soberania física, porque se Ele tem poder de criar uma, pode
naturalmente criar mil coisas.
Sustentar é mais fácil do que criar, e se Deus tem o poder de criar, tem o
de sustentar e dirigir aquilo que criou.
(Sl 115,3) “O nosso Deus está nos céus: faz tudo o que lhe apraz”.
Se Deus faz tudo o que lhe apraz, naturalmente Seus desígnios não
podem ser frustrados, e se Seus desígnios não podem ser frustrados
Deus é o ser mais feliz de todos os seres. E se Deus não fosse feliz
permanentemente? Onde nós “criaturas”, com todas as nossas lamúrias
buscaríamos consolo e alegria?
Seria como se tivéssemos um pai frustrado e mal-humorado, e nós como
crianças teríamos de nos retrair, não tendo intimidade, e crescendo sem o
amor de Pai.
“A base do prazer cristão é a felicidade de Deus, a base da felicidade de
Deus, por sua vez, é a sua soberania”.
Deus existe para glorificar a Si mesmo; pela sua soberania, Ele permite
que passemos por lutas e tribulações, mas seu alvo principal nisso tudo é
que adoremos a Ele. Ele nos concede vitórias para que adoremos ao Seu
Nome. Ele é soberano.
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O CARÁTER É A BASE DA SOBERANIA

Um Deus santo e amoroso tem direito à soberania. Os homens têm


sempre tropeçado na doutrina da soberania de Deus. Principalmente
porque não a têm compreendido. Pensavam que ela queria dizer que
Deus era simplesmente uma onipotência predestinadora, um relâmpago
caprichoso, um Deus meteoro, movendo-se desordenadamente através
do céu onde o homem põe a esperança, matando a uns e salvando a
outros, sem consideração pela lei moral. Viram Nele uma onipotência
soberana ou uma soberana onisciência, e não uma soberana paternidade.
Se Ele é santo e vivo, se possuía boas qualidades morais, tem direito a
reinar como soberano. Podemos, com efeito, afirmar que os homens
encontram pouca ou nenhuma dificuldade em aceitar a ideia da soberania
de Deus logo que distinguem excelência de caráter por detrás da
soberania. Logicamente falando, não há no intelecto do homem um lugar
permanente para qualquer teoria que se oponha à ideia da soberania de
Deus. Os homens têm-se revoltado contra uma soberania que lhes
parecia proceder injustamente na escolha de umas tantas almas para a
salvação, excluindo as outras. Que esta objeção, porém, não tinha por
alvo a ideia da soberania em si mesmo, mas o fato de ela salvar somente
alguns e não todos, vê-se claramente nisto: a doutrina da soberania tem
sido empregada para incutir a ideia de uma salvação universal. O Dr.
Jorge A. Gordon, no seu livro O Cristo de Hoje e noutros, expõe uma
doutrina de soberania divina que é manifestamente extraída dos ensinos
de Jonatas Edwards. Mas Edwards, se pudesse ver a aplicação que o Dr.
Gordon fez da sua doutrina, de certo não a aprovaria. É que o doutor
aproveita-a como princípio de uma salvação universal. Vemos, pois, que,
logo que a soberania toma a forma de amor, e, particularmente, amor que
a todos salva, os homens, em vez de lhe aporem objeção, acolhem-na
com satisfação. Em outras palavras, o caráter justifica a soberania.

O caráter de Deus deve, contudo, ser visto dos dois lados. Ele é tanto
santidade como amor. Ocorrem também certas circunstâncias na
liberdade humana, que é o sinal do caráter moral no homem em
correlação com a soberania divina, que influem na operação da soberania
de Deus. O Dr. Gordon passa isso em claro, ao pretender mostrar que o
amor soberano deve necessariamente promover a salvação de todos.
Apesar de tudo, é incontestável que o caráter é a justificação da
soberania.
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BIBLIOGRAFIA

EMERY, H. Bancroft, D.D. Teologia elementar- traduzido por João


Marques Bevites. Imprensa Batista Regular.São Paulo,1960.

CHAFER, Lewis Sperry, Teologia Sistemática vol I e II, traduzido por


Heber Carlos de Campos. Editora Hagnos, São Paulo, 2003.

PIPER, John, Teologia da alegria, Editora Shedd, São Paulo, 2001.

GRUDEN, Wayne, Teologia Sistemática, atual e exaustiva, Editora Vida


Nova, São Paulo, 1999.

LANGSTON, A.B, Esboço de Teologia Sistemática, Casa Publicadora


Batista, Rio de Janeiro, 1940.

BRUCE, Milne, Conheça a Verdade, Traduzido por Neyd Siqueira, ABU


Editora, São Paulo, 1987.

Perspectivas Arminianas, O Axioma Teológico- Mullins.


http://perspectivasarminianas.wordpress.com/2010/04/12/e-y-mullins-1/

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