UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES

O (RE) PENSAR ÉTICO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Orientador: Prof. Dr. Mauro Wilton de Souza

Antonio Carlos Mota

São Paulo, 2002

Banca Examinadora

Presidente:________________________
1º Titular: _______________________

2º Titular:________________________

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Agradeço

A Prof.ª, coordenadora e colega, pela rede conhecimento que me possibilitou
tecer este trabalho;

Ao Prof. Drª. Mauro Wilton de Souza, orientador e colaborador sempre atencioso
que com grande paciência sempre me atendeu nos momentos difíceis.

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Buscamos evidenciar como tal modelo contribui para a fragilização e obliteração do exercício das liberdades pública e privada da maioria da população mundial. 4 . conduzindo a uma análise mais meticulosa. Percebe-se no aumento do interesse e preocupação com os valores éticos. proporcionando uma efervescência da polêmica do debate ético em vários campos da sociedade. que tem no neoliberalismo sua expressão política. na qual a condição humana torna-se subsumida sob as políticas adotadas dessa mundialização instrumentalizada. principalmente no campo políticoeconômico. e procuramos demonstrar a sua incompatibilidade com o exercício da liberdade no seu sentido filosófico. Desenvolvemos neste trabalho uma reflexão sobre a ética do atual modelo capitalista de mundialização. que acarreta fortes repercussões no aspecto social.RESUMO Ao iniciar um trabalho que envolve a ética como objeto de estudo. torna-se fundamental estabelecermos seu campo de aplicação e fazer uma pequena abordagem das doutrinas éticas que consideramos mais importantes para o nosso trabalho e a crescente preocupação ao analisar o desenvolvimento de novas correntes éticas. o estimulo da discussão da importância de uma dialética que está engendrada no devir histórico. a respeito da falência do sentido e o vazio da utilização da ética.

. então. por fim. no cotidiano. etc. a existência de alternativas para a ética no atual modelo de mundialização procurando uma nova proposta de renascimento humano. nas relações econômicas. e de que forma se dão esses relacionamentos e como são fundamentais para o desenvolvimento e aprimoramento das relações humanas. Consideramos.Destacamos. as relações da ética com vários e novos campos do conhecimento. 5 . no consumo.

ABSTRACT On commencing a paper that deals with ethics as an object of study. in which the human condition becomes subsumed under the policies adopted by this instrumentalized mundialization. We have sought to show how this model contributes to the undermining and obliteration of the exercising of public and private liberties of most of the world’s population. it becomes essential that we establish its field of application and touch briefly on the ethical doctrines that we consider most important for this paper and the growing concern (that arises) on the analysis of the development of new ethical currents. With the increased interest in and concern for the ethical values we perceive the stimulus of the discussion of the importance of a dialectic that is engendered in the historical transformation. We have developed in this paper a reflection on the ethics of the current capitalist model of mundialization. which finds its political expression in neoliberalism. and we have sought to demonstrate its incompatibility with the exercise of liberty in its philosophical sense. leading to a more meticulous analysis concerning the collapse of reason and the 6 . generating an effervescence in the polemic of the ethical debate in several segments of society. resulting in strong repercussions in the social aspect. principally in the political and economic fields.

etc. And how these relationships occur and how they are fundamental for the development and improvement of human relations. in economic relations. in consumption. 7 .emptiness of the utilization of ethics. the relations of ethics with several and new fields of knowledge. in everyday happenings. We point out. then. we reflect on the existence of alternatives for ethics in the current model of mundialization seeking a new proposal of human rebirth. Lastly.

37 Ética nos negócios. 47 O processo dial(ético) na mundialização. 12 A ética na idade moderna. 40 A ética na parceria das empresas e o terceiro setor. 43 A ética da mundialização. 58 Bibliografia. 63 8 . 32 Ética e tecnologia. 17 A postura ética na sociedade contemporânea.SUMÁRIO Introdução. 57 Conclusão. 53 A ética e a gestão pública. 9 Definindo ética e moral. 51 A crise ética do estado neoliberal. 26 Uma visão crítica da ética da sociedade industrial. 36 Ética pós-moderna. 29 Ética e política. 34 O imperativo categórico de Jonas. 49 Acelerando o (dês)compasso. 38 Por uma avaliação do comportamento ético empresarial. 56 O (re)pensar ético no agir mundializado.

Introdução Uma grande parcela da sociedade tem demonstrado. isto é. que se poderá ser aplicado à complexidade e multidimensionalidade de uma figura multifacetada. mas certamente na sua potencialidade. pois somente tenderia ao distanciamento do seu ser. nos últimos tempos. considerando o seu nível não tanto detido em questões de ordem especulativa/filosóficas. e o que torna está ação mais próxima do real é a manifestação de diversos grupos que exprimem essa preocupação. 9 . como um ser único. sobre algum valor em particular. ou seja. a felicidade. Não devemos mais adotar uma postura exterior. se permitir a realizar. não será apenas com um modelo unidimensional formulado em padrões totalmente duvidosos. identitário. não sendo total na sua praticidade. demonstra a diferença e a preocupação com o sentido do ser ético em sua essência. o que nos deixa felizes ao constatar o que muitos já disseram sobre o modelo atual de bem estar ou mal estar da civilização. nos faz dignos de estabelecer um questionamento e procurar averiguar qual o panorama em que se desenvolve. ou pelo menos uma parte atingiu. não se conjuga com as possibilidades reais de alcançar o objetivo de toda a humanidade. O ser do ente (ética) somente se manifestará a partir da disposição que a sociedade. O repensar ético e não sobre a ética. O avanço tecnológico que a sociedade. ou melhor. e não isentos de questionamentos. preocupação com questões de âmbito humanístico.

Fazemos uso de normas. enquanto a própria humanidade procurar manter distância na sua análise sobre si própria. o certo e o errado. Nesta convivência.por conseguinte. de normas que julgamos mais adequadas de serem cumpridas. Estas regras. do sentido de seu ser. todas as suas ações e decisões afetam as outras pessoas. que só realiza sua existência no encontro com outros homens. São os códigos culturais que nos obrigam. A ética não é algo sobreposto à conduta humana. fazendo uso de alguma "fórmula" ou "receita" presente em nosso meio social. Idéias sobre o bem e o mal. sendo que. automática. esta tarefa jamais se realizará. o permitido e o proibido definem a nossa realidade. indicam os limites em relação aos quais podemos medir as nossas possibilidades e as limitações a que devemos nos submeter. Em nossas relações cotidianas estamos sempre diante de problemas do tipo: Devo sempre dizer a verdade ou existem ocasiões em que posso mentir? Será que é correto tomar tal atitude? O homem é um ser-no-mundo. muitas vezes. nos servimos de determinados argumentos 10 . por terem sido aceitas intimamente e reconhecidas como válidas e obrigatórias. mas ao mesmo tempo nos protegem. temos a tendência de conduzir nossas ações de forma quase que instintiva. ou de sua humanidade. pois todas as nossas atividades envolvem uma carga moral. Diante dos dilemas da vida. nesta coexistência. naturalmente têm que existir as regras que coordenam e harmonizam esta relação. praticamos determinados atos e. dentro de um grupo qualquer.

São os meios pelos quais os valores morais de um grupo social são manifestos e acabam adquirindo um caráter normativo e obrigatório.a 11 . criticá-los.muitos milênios depois . surge a necessidade de fundamentá-los teoricamente. Muitas vezes essas práticas são até mesmo incompatíveis com os avanços e conhecimentos das ciências naturais e sociais. estando apoiada na cultura. Mas. valores e regras. É algo adquirido como herança e preservado pela comunidade. As normas de que estamos falando têm relação como o que chamamos de valores morais. ou. não há muita necessidade de reflexão sobre eles. Cada sociedade tem sido caracterizada por suas normas. Quando os valores e costumes estabelecidos numa determinada sociedade são bem aceitos. A moral pode ser entendida como o conjunto das práticas cristalizadas pelos costumes e convenções histórico-sociais. para os que discordam deles.para tomar decisões. história e natureza humana. justificar nossas ações e nos sentirmos dentro da normalidade. que já se encontra nas formas mais primitivas de comunidade. quando surgem questionamentos sobre a validade de certos costumes ou valores consolidados pela prática. sucede posteriormente . A moral tem um forte caráter social. Adolfo Sánchez Vasquez coloca isso de forma muito clara: "A este comportamento prático-moral.

Portanto a ética pode ser considerada não uma moral. que coincide com os inícios do pensamento filosófico.reflexão sobre ele. para a moral reflexa. uma teoria sobre os juízos do bem e o mal. julgam ou avaliam de uma ou de outra maneira estas decisões e estes atos). em outras palavras. Quando se verifica esta passagem. Os homens não só agem moralmente (isto é enfrentam determinados problemas nas suas relações mútuas. ou. já estamos propriamente na esfera dos problemas teórico-morais ou éticos. os juízos do certo e errado. mas um corpo de regras estabelecidas em uma cultura. uma doutrina que se situa além da moral. Dá-se assim a passagem do plano da prática moral para o da teoria moral." Definindo ética e moral É importante frisar as diferenças entre Ética e Moral. da moral efetiva. Sua função é desconstruir os fundamentos da moral. pois. 12 . uma "metamoral". ao mesmo tempo. a primeira consiste em caráter mais teórico. mas também refletem sobre esse comportamento prático e o tomam como objeto da sua reflexão e de seu pensamento. vivida. do bem e do mal. tomam decisões e realizam certos atos para resolvê-los e. mas direcionada a "uma reflexão sobre os fundamentos".

ela nos ajudará a situar no devido lugar a moral efetiva. a decisão da possibilidade de agir numa determinada situação. A reflexão ética também permite a identificação de valores petrificados que já não mais satisfazem os interesses da 13 . imunizandonos contra a simplória assimilação dos valores e normas vigentes na sociedade e abrindo em nossas almas a possibilidade de desconfiarmos de que os valores morais vigentes podem estar encobrindo interesses que não correspondem às próprias causas geradoras da moral. Assim. pois verifica a liberdade ou o determinismo ao qual nossos atos estão sujeitos. se a ética revela uma relação entre o comportamento moral e as necessidades e os interesses sociais. do grupo social. conseqüentemente. ou seja. real. para a ética. onde nos colocamos diante do dilema entre "o que é" e o "que deveria ser". A ética pode também contribuir para fundamentar ou justificar certa forma de comportamento moral. se a pessoa pôde escolher entre duas ou mais alternativas de ação e agir de acordo com sua decisão é um problema teórico-ético. A ética também estuda a responsabilidade do ato moral.A ética seria então uma espécie de teoria sobre as práticas morais. torna-se um problema práticomoral. Por outro lado. então não há mais espaço para a ética. pois se ela se refere às ações humanas e se essas ações estão totalmente determinadas exteriormente. para a autodeterminação e. uma reflexão teórica que analisa e critica os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral. não há qualquer espaço para a liberdade. ela nos permite exercitar uma forma de questionamento. Se o determinismo é total.

Isso porque o termo "injustiça" já é fruto de juízo ético de alguém que percebe que a realidade não é o que deveria ser. A ética também não tem caráter exclusivamente descritivo pois visa investigar e explicar o comportamento moral. traço inerente da experiência humana.sociedade a que servem. buscando através de analises hermenêuticas sua definição. Muitos filósofos estudaram durante suas vidas questões sobre a ética. produziram contribuições muito importantes sobre o tema. as pessoas acreditavam que os escravos eram seres inferiores por natureza (como dizia Aristóteles) ou pela vontade divina . mas explicar a razão de ser destas diferenças e o porque de os homens terem recorrido." Sendo a ética uma ciência. A experiência existencial de se rebelar diante de uma situação desumana ou injusta é chamada de indignação ética. ao longo da história. Não é função da ética formular juízos de valor quanto à prática moral de outras sociedades. 14 . a práticas morais diferentes e até opostas. por exemplo. devemos evitar a tentação de reduzi-la ao campo exclusivamente normativo. Seu valor está naquilo que explica e não no fato de prescrever ou recomendar com vistas à ação em situações concretas. Jung Mo Sung e Josué Cândido da Silva nos dão um bom exemplo do que estamos falando: "Na época da escravidão. Elas não se sentiam eticamente questionadas diante da injustiça cometida contra os escravos.

Apenas deuses e animais selvagens não tem necessidade da comunidade política para viver. um animal social. pois todo homem quando fica sabendo o que é o bem. somente o ignorante não é virtuoso. O homem deve necessariamente viver em sociedade e não pode levar uma vida moral como indivíduo isolado e sim no seio de uma comunidade. ou seja. Porem é preciso destacar que a preocupação filosófica com questões éticas/morais começa com Sócrates que considerou o problema ético individual como o problema filosófico central e a ética como sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas as reflexões filosóficas. O homem moral só pode viver na cidade e é portanto um animal político. já era possível identificar vestígios de uma abordagem filosófica com reflexões de natureza ética. A virtude seria o conhecimento das causas e dos fins das ações fundadas em valores morais identificados pela inteligência e que impelem o homem a agir virtuosamente em direção ao bem. Somente nela pode realizar-se o ideal da vida teórica na qual se baseia a felicidade. quem desconhece o bem. reconhece-o racionalmente como tal e necessariamente passa a praticá-lo.socráticos.está unida à sua filosofia política. ou seja. Para ele ninguém pratica voluntariamente o mal. o homem sente-se dono de si e conseqüentemente é feliz. só age mal. Ao praticar o bem. A Ética de Aristóteles .assim como a de Platão . visando entender o comportamento humano. com os pré. mesmo antes de Aristóteles. já que para ele o social e o político é o meio necessário para o exercício da moral. 15 .Na Grécia .

Sêneca) o homem é feliz quando aceita seu destino com imperturbabilidade e resignação.fugazes e imediatos . filosofo grego. Mas. Para os estóicos (por exemplo. Os melhores prazeres não são os corporais . aceitar a ordem universal compreendida pela razão. porque contribuem para a paz da alma.mas os espirituais.Para Epicuro. para isso é necessário a posse de uma virtude sem a qual é impossível a escolha. 16 . O estóico é um cidadão do cosmo não mais da pólis. Estava lançada então a idéia de hedonismo que é uma concepção ética que assume o prazer como princípio e fundamento da vida moral. onde os sucessos resultam do cumprimento da lei natural racional e perfeita. afetos interiores ou pelas coisas exteriores. É preciso escolher entre eles os mais duradouros e estáveis. Essa virtude é a prudência. existem muitos prazeres. através da qual podemos selecionar aqueles prazeres que não nos trazem a dor ou perturbações. e nem todos são igualmente bons. O homem virtuoso é aquele que enfrenta seus desejos com moderação aceitando seu destino. o prazer é um bem e como tal o objetivo de uma vida feliz. O bem supremo é viver de acordo com a natureza. O universo é um todo ordenado e harmonioso. sem se deixar levar por paixões.

A Ética na idade moderna A história da ética a partir do Renascimento Europeu é denominada de ética moderna. É uma época de grandes revoluções políticas na França e Inglaterra e no plano estatal assistimos o 17 . A economia. Essa nova forma de produção fortalece uma nova classe social . As diversas doutrinas éticas que surgiram neste período.a burguesia que luta para se impor política e economicamente. tinham como característica um caráter antropocêntrico e não mais teocêntrico manifestado pelo poderio da Igreja na Idade média. com diversas tendências que prevaleceram desde o século XVI até o início do século XIX. política e científica e foram de suma importância para entendermos todo o processo de mudança histórico. mas devido às transformações sofridas na esfera econômica. por exemplo.são dessa época os trabalhos de Galileu e Newton . traz em sua estrutura mudanças em todas as ordens. Evidentemente essa mudança de ponto de vista não aconteceu ao acaso.e desse relacionamento se desenvolvem as relações capitalistas de produção. que podemos encontrar. viu crescer de forma muito intensa o relacionamento de suas forças produtivas com o desenvolvimento científico que começara a fundamentar a ciência moderna . A forma de organização social que sucedeu à feudal.

que passa a ser o centro de tudo. o italiano Nicolau Maquiavel inicia uma revolução na ética ao romper com a moral cristã. que impõe os valores espirituais como superiores aos políticos. Outro filósofo da Idade Moderna. e também da moral. sórdida. O que importa são os resultados e não a ação política em si. únicos e centralizados. embrutecida e curta". pobre. sendo legítimos os usos da violência contra os que se opõe aos interesses estatais. o Estado da Igreja e o homem de Deus. O homem recupera então seu valor pessoal e passa a ser visto como dotado de razão e afirma-se em todos os campos. Essa ruptura fica muito evidente quando. entre a Idade Média e a Modernidade. quando defendeu a adoção de uma moral própria em relação ao Estado. Nessa nova ordem vemos a razão se separando da fé (a filosofia separa-se da religião). Para Hobbes.sem leis nem governo era "solitária. que existe em cada ser. Vemos então o aparecimento de uma ética antropocêntrica. as ciências naturais dos princípios religiosos. Na verdade o que estamos presenciando é uma extraordinária sugestão para a aplicação de novos valores. da ciência às artes. a vida do homem no estado de natureza .desaparecimento da fragmentada sociedade feudal e o fortalecimento dos grandes Estados Modernos. René Descartes esboça com muita clareza esta tendência de basear a filosofia no homem. da arte. de própria conservação como sendo o fundamento da moral e do direito. Thomas Hobbes consegue sistematizar esta ética do desejo. da política. uma vez que os homens são 18 .

é boa ação aquela que proporciona "felicidade e satisfação" à sociedade.por índole agressivos. 19 . autocentrados. Em outras palavras. indivíduos que decidem viver em sociedade não são melhores ou menos egoístas do que os selvagens: são apenas mais clarividentes. ninguém se deve maravilhar se cada um não só aprovar essas regras. percebendo que. ou seja. A utilidade agrada porque responde a uma necessidade ou tendência natural que conduz o homem a promover a felicidade dos seus semelhantes. insociáveis e obcecados por um "desejo de ganho imediato". estando persuadido de que. O empirista inglês John Locke atrela a tendência à conservação e satisfação à uma concepção de "felicidade pública". e tornou a prática da virtude necessária à conservação da sociedade humana e visivelmente vantajosa para todos os que precisam tratar com as pessoas de bem. " David Hume seguindo essa linha nos coloca que o fundamento da moral é a utilidade. juntos. mas igualmente recomendá-las aos outros. Seu bom comportamento deriva do seu egoísmo. caso cooperem poderão ser mais ricos e mais felizes. Dizia Locke: "Como Deus estabeleceu um liame indissolúvel entre a virtude e a felicidade pública. é o fato de que. lhe advirão vantagens a ele próprio. o que leva dois homens pré-históricos a se unirem numa caçada ao tigre dente-de-sabre. se as observarem. têm mais chances de matá-lo sem se ferirem. Para Hobbes.

Talvez a expressão maior da ética moderna tenha sido o filósofo alemão Immannuel Kant (1724-1804). aquilo que se põe livremente de acordo com o dever. dinheiro. Ele fez do conceito de dever ponto central da moralidade. uma vez que agora é possível encarar o interesse alheio como se ele fosse um interesse pessoal. de que é um ser racional e como tal está obrigado a obedecer ao que Kant chamava de "imperativo categórico". Hume estava propondo uma espécie de razão emocional para o comportamento altruísta.Ao invés de limitar os desejos humanos àqueles determinados apenas pelo interesse pessoal (comida. etc). Hume percebeu que muitas das nossas paixões estão baseadas no que ele chamava de simpatia . A preocupação maior da ética de Kant era estabelecer a regra da conduta na substância racional do homem. Hoje em dia chamamos a ética centrada no dever de deontologia. glória. à maneira de Hobbes. que é a necessidade de respeitar todos os seres racionais na qualidade de "fins em si mesmo". pelo homem.a capacidade de sentir em si mesmo os sofrimentos e até mesmo as alegrias de outrem. É o reconhecimento da existência de outros homens (seres racionais) e a exigência de comportar-se diante deles a partir desse reconhecimento. Essa visão do ser humano como criatura simpática tornava impossível traçar. 20 . Kant dizia que a única coisa que se pode afirmar que seja boa em si mesma é a "boa vontade" ou boa intenção. uma nítida linha divisória entre o interesse pessoal e o interesse alheio. O conhecimento do dever seria conseqüência da percepção.

um ato moralmente bom é aquele que pode ser universalizado. "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal. Até hoje existem diferentes morais de classe e inclusive numa mesma sociedade podem coexistir várias morais. A ética kantiana busca. de tal modo que os princípios que eu sigo possam valer para todos. enquanto não se verificarem as condições reais para uma moral universal. válida para toda a sociedade. Para Marx. via de regra. ou seja. sempre na razão. servia para sacramentar as relações e condições de existência de acordo com os interesses da classe dominante. formas de procedimentos práticos que possam ser totalizantes. não pode existir um sistema moral válido para todos os tempos e todas as sociedades.Deve-se então tratar a humanidade na própria pessoa como na do próximo sempre como um fim e nunca só como um meio. sempre que se tentou construir semelhante sistema no passado estava-se tentando imprimir um caráter universal a interesses particulares. Numa sociedade dividida por classes antagônicas a moral sempre terá um caráter de classe. cumprindo uma função social que. já que cada classe assume uma moral particular. Assim. O filosofo alemão Karl Marx também via a moral como uma espécie de "superestrutura ideológica". Se entendermos a moral proletária como sendo a moral de uma classe que está destinada historicamente a abolir a si mesma como classe para ceder lugar a 21 ." (Kant).

uma sociedade verdadeiramente humana. a discussão desses valores. Os homens necessitam da moral como necessitam da produção de bens materiais e simbólicos e cada moral cumpre sua função social de acordo com a estrutura social vigente. tanto em vista das transformações da velha sociedade como para garantir a harmonia da emergente sociedade socialista. A nova moral. é quase sempre um restolho daquilo que na precedente era considerado bom – o atavismo de um ideal já envelhecido. e por conseguinte toda a necessidade conhecer as condições e os meios 22 .crítico rigoroso de toda moral existente. seja a moral socrática. serve como passagem a uma moral universalmente humana. com suas novas virtudes transforma-se numa necessidade. Torna-se necessária então uma nova moral que não seja o reflexo de relações sociais alienadas. "aquilo que numa época parece mal. filosofo alemão do século XIX. Friedrich Nietzsche. a judaico-cristão ou a moral burguesa cita de modo interessante a interminável sucessão das doutrinas éticas. quando diz que. para regular as relações entre os indivíduos. deve interferir sempre na transformação da sociedade. O homem portanto." A necessidade de uma crítica dos valores morais. . Toda a transformação da antiga moral e a construção de uma nova moral exigiram a participação consciente dos homens.

do desenvolvimento humano. máscara. remédio. princípio último de todos os valores. hipocrisia. da vontade de poder no individuo. capaz de quebrar a tábua dos valores transmutando-os a todos. O mal é tudo que vem da fraqueza. mais inofensiva. ao valor do progresso. a vida é vontade de poder. uma sedução. demonstrando a realização da potencia. um sacrifício do presente a expensas do futuro? Uma vida mais agradável. Nietzsche anunciou o superhomem. e também a moral como causa. freio ou veneno) o conhecimento. mais baixa? ".. tal que nunca teve outro semelhante nem é possível que o tenha.. um veneno. à vontade de poder e o próprio poder. o bem é tudo que favorece a força vital do homem. um perigo. E por que? Não poderia haver no homem "bom" um sintoma de retrocesso.ambientes em que nasceram.. é tudo o que intensifica e exalta no homem o sentimento de poder. De tal modo que fosse culpa da moral o não ter chegado o tipo homem ao mais alto grau do poder e do esplendor? E de modo que entre todos os perigos fosse a moral o perigo por excelência?. mas também mais mesquinha. Era um verdadeiro postulado o "valor" desses valores: atribui-se ao bem um valor superior ao valor do mal.. 23 . em que se desenvolveram e deformaram (a moral como conseqüência." (Nietzsche) Para este filósofo. enfermidade ou equívoco. da utilidade. estimulante.

" O individualismo e uma variedade modesta e ainda inconsciente de vontade de poder. por infelicidade.] O prazer e a isenção de dor são as únicas coisas desejáveis [.. e [.. O Bem consiste na maior felicidade e a virtude é um meio de se atingir essa felicidade. e más.que parece estar muito ligado ao 24 .] como fins.] o são pelo prazer inerente a elas mesmas ou como meios para a promoção do prazer e a preservação da dor. segundo o qual o objetivo da moral é o de proporcionar o máximo de felicidade ao maior número de pessoas.. " (Mill) Estas tendências aparecem em muitas formulações éticas. o representante maior desta ética.. "O credo que aceita a Utilidade ou Princípio da Maior Felicidade como fundamento da moral. principalmente numa corrente conhecida como Pragmatismo. a dor e a ausência de prazer ..] todas as coisas desejáveis [. tem em no inglês John Stuart Mill. fundamento de toda filosofia moral... na qual a felicidade reside na busca do máximo prazer e do mínimo de dor.. na medida em que tendem a produzir o contrário da felicidade. sustenta que as ações são boas na proporção com que tendem a produzir a felicidade.. Uma outra corrente o Utilitarismo. Entende-se por felicidade o prazer e a ausência de dor. aqui o individuo se contenta em se libertar da dominação da sociedade (quer seja a do Estado ou da Igreja)" (Nietzsche). [.

princípios e normas perdem seu conteúdo objetivo e o bem passa a ser aquilo que ajuda o homem em suas atividades práticas. que é a redução do comportamento moral a atos que conduzam apenas ao êxito pessoal transformando-o numa variante utilitarista marcada apenas pelo egoísmo. Uma distorção muito comum em nossa sociedade capitalista é a busca da vantagem particular. 25 . O Bom é algo que conduz a obtenção eficaz de uma finalidade.pensamento anglo-saxão. O Pragmatismo pode bem ser o reflexo do progresso científico e tecnológico alcançado pelos Estados Unidos no apogeu de sua fase capitalista onde o "espírito de empresa". tendo se desenvolvido particularmente nos Estados Unidos. afastando-se dos problemas abstratos da velha metafísica e dedicando-se às questões práticas vistas sob uma ótica utilitária. que propunham deixar de lado as questões teóricas de fundo. procurando identificar a verdade com o útil. Existe um grande perigo embutido no pragmatismo. criaram solo fértil para a mercantilização das várias atividades humanas. o "american way of life". fim esse que nos conduz a um êxito. Seus principais expoentes foram os filósofos William James e John Dewey. no final do século XIX. variando conforme cada situação. Dessa forma os valores. rejeitando a existência de valores ou normas objetivas. onde o bom é o que ajuda meu progresso e o meu sucesso particular. como aquilo que melhor ajuda a viver e conviver.

felicidade e 26 . se sustentando numa cultura cujo eixo de referência é a tecno-ciência e suas descobertas. através da utilização da técnica. guerras. Esta discussão nos remete ao contexto de uma sociedade contemporânea /tecnológica em que a personagem principal e o racional. etc. representado pela personificação da máquina. como explicar e delimitar fronteiras entre a violência. e não mais pelo homem. O desenvolvimento do conhecimento e a transformação da natureza. As relações econômico/cultural tendem a ser sustentadas numa visão positivista. ou seja. ou mesmo apenas o 'parecer ter' basta como ingrediente fundamental à realização do 'plena' do individuo na conquista de uma imagem de sucesso. através do modo de agir racionalista/ instrumental. O que se pretende com o ritmo alucinado realizado pelo progresso material e maquinal nas sociedades capitalistas? Qual a melhoria da qualidade de vida que se busca para o homem? Diante desses ideais perseguidos. drogas. como o bem e a virtude. onde critérios morais nascem tanto dos referenciais e de aspectos positivos.A postura ética na sociedade contemporânea A sociedade contemporânea presencia uma crise político/econômica e ética. etc. Independente das diferenças culturais presentes nas sociedades. tiveram como objetivos a busca da liberdade. onde se pauta os valores de vida. terrorismo. onde. progresso material. muitas vezes "ter" se torna mais necessário do que o ser.

provocaram-se modificações climatéricas que põem em perigo a economia rural de populações inteiras (.entendidos como opostos à racionalidade -. Procurando assim.Um mundo artificial invade o mundo natural. já não é a mesma. ou tenta fazer. Estas mudanças são destacadas nas palavras de Oswald Spengler: "A mecanização do mundo entrou numa fase de tensão extremamente perigosa. dar um sentido a sua existência. 27 . seus animais e seus homens.O homem procurou atingir. provocando o embotamento do discernimento dos princípios éticos filosóficos e das potencialidades metafísicas do ser.. A inter-relação e a busca do domínio sobre a natureza.. a satisfação de sua existência. o modelo de explicação da transformação da natureza e da natureza humana.O referencial humano tinha se tornado. no entanto.Em escassas dezenas de anos.) Todos seres orgânicos sucumbem perante a crescente mecanização.justiça para o homem.. muitas das grandes florestas desapareceram..) (. como a perda de valores mais subjetivos.A civilização converteu-se. esta satisfação existencial não ocorreu conforme foi racionalizado. através de uma postura pragmática. com suas plantas. A própria face da Terra. envenenando-se gradualmente. numa máquina que faz. por si própria. através das soluções de algumas questões essenciais. transformadas em papel jornal. então. surtindo graves conseqüências. proporcionaram resultados diversos. sensíveis . pela produção racionalizada e pelo consumo de bens materiais. a razão.

a ética possui características não mais centradas na obediência obrigatória à moral que orientou a era moderna. culturais juntamente com o comportamento ético não se realiza mais 28 .com indivíduos desapegados de visões do ponto de vista simbólico. ou seja. de um mundo sem as ideologias que moviam dialeticamente o processo histórico. nossos valores afetivos. com aqueles que com quem temos interesses semelhantes. do seu papel. Ou seja. da sociedade tecnológica. Procuramos refletir a respeito da ética. Na vida tecnológica. apresentando sociabilidades que se estruturam a partir de um ponto de vista material.Não podemos olhar uma cascata sem mentalmente a transformamos em energia elétrica (. porém. a ética deixa de ser vista como um "dever moral". nesta era da mundialização. que considera a ética um fim em si mesma. A sociedade tecnológica mundializada propicia o controle direcionado também para o surgimento de identidades fragmentadas com seus próprios códigos morais. e é compreendida como balizadora do que agora valorizamos: nós próprios nosso corpo e tudo o que podemos comprar. baseada em um eticismo.tudo mecanicamente.. disseminado em sua estrutura social.Já não conseguimos pensar senão em termos de cavalos– vapôr.. da sua possibilidade em uma sociedade tecnológica e da informação . Será possível tal ser consciente e tão imprescindível à ética. nossa identidade. um imperativo categórico a priori que orientaria a ação dos homens.). onde um controle tecnológico não se fazia tão sofisticado. onde o relacionamento se faz notoriamente.

Hockheimer. da preocupação ontologia do ser.em relação ao próximo. percebe-se o distanciamento dos pressupostos dos demais integrantes frankfurtianos da primeira geração. Marcuse) pela releitura e adaptação da doutrina marxista. mas tende a se estabelecer mais na similitude do outro. Deste modo como abordaremos a ética se os valores comuns. filósofo da segunda geração da Escola de Frankfurt. atualmente ele ganha outras possibilidades de grande porte. O filosofo realiza uma critica a racionalidade denominada de instrumental. sem necessidade de existir nenhum vínculo afetivo. de alteridade próxima estão desaparecendo? Uma visão crítica da ética Especificamente na análise da obra de Jurgen Habermas. ou para utilizarmos o conceito de Hedeigger. (Adorno. o desenvolvimento técnico e a ciência estão direcionados apenas para a uma aplicação técnica ocasionando a perda do próprio bem. não importando o lugar. o espaço. a perda da metafísica. Se o desejo de nos relacionarmos com pessoas parecidas conosco sempre foi uma realidade atemporal. que funciona de modo mecanicista buscando os meios de se alcançar os seus objetivos de forma a alcançar o sucesso. com o predomínio das formas de dominação técnica ou tecnológica. Segundo esta análise. 29 . o êxito. a adaptação a objetivos determinados. capaz de dar conta das características do capitalismo tardio da sociedade industrial contemporânea.

Esta proposta fundamenta-se na elaboração de uma "teoria da ação comunicativa". através do "agir comunicativo". autoritária. linguagem e comunicação constituir o referencial da filosofia ética e política. a emergência da busca de uma racionalidade que não esteja submetida à instrumentalidade. tratando o outro como pessoa e não como objeto. destacando a importância da racionalidade não instrumental. mas argumentativa para a realização plena da existência humana. da liberdade dos sujeitos de se posicionarem de maneira emancipadora perante a ditadura da ciência e da técnica/tecnologia. a verdadeira discussão é consensual e tem relações com a razão. a valorização das pessoas dos seus interrelacionamentos. sem violência. com a idéia de consenso marcando a investigação éticomoral. fundando uma nova racionalidade. a possibilidade de escolha de indivíduos que dialogam.Portanto a analise dos atos de fala. não com a ameaça. " Antes mesmo de entrar em qualquer forma de argumentação que seja. torna-se prioritário o resgate desta perda da natureza humana. logo também no discurso quotidiano. portanto a comunicação anunciaria o reino da ética do agir moral. remetendo-nos ao consenso ao entendimento. a comunicação transparente. recorrendo à filosofia da linguagem para tematizar essas condições do uso da linguagem livre de distorção. temos que pressupor 30 .Em suma. quando aceitamos falar. do discurso argumentativo. ou seja. ao acordo. os sujeitos agem tendo em vista a intercompreensão. mas apoiando-se na força.Segundo Habermas.

devo. sendo esta. por direito. uma exigência que se realiza no interior da comunicação. a filosofa Jacqueline Russ cita " Assim se apresenta o imperativo categórico da pós 31 .mutuamente que somos responsáveis: só para dar um exemplo. quer eu tenha ou não razão" (Habermas) A racionalidade comunicativa fornecera um padrão que permitira julgar a transparência dos processos sociais a uma universalização dos interesses. Percebe-se neste modelo filosófico ético-comunicacional uma semelhança com o modelo de filosofia moral kantiana.Desta forma a linguagem e o grande fundamento da moral. se você diz alguma coisa de obscuro ou se você age de modo um pouco misterioso. pressupondo que você possa dar uma explicação sincera. com seu principio da universalização: " Toda norma valida deve (…) satisfazer a condição segundo a qual as conseqüências e os efeitos secundários que (de maneira previsível) provem do fato de que a norma foi universalmente observada na intenção de satisfazer os interesses de cada um na intenção podem ser aceitos por todas as pessoas concernidas" (Habermas) Conforme a interpretação que endossa a teoria habermasiana. de uma "pragmática universal". a possibilidade de libertação. perguntar: "Que e que você fez?" ou Que e que você disse?".

que oferece uma nova compreensão da Razão pratica. em sua "Teoria da Justiça" pensa a modernidade. fundada na razão. Ética e Política Para o pensador inglês John Rawls. de modo a conquistar integralmente as formas culturais contemporâneas. como também uma ética da responsabilidade (Hans Jonas). O imperativo categórico de uma fundamentação ética totalizante. deve ser desenvolvido. Habermas ainda coloca que a Modernidade. desde que a razão seja entendida criticamente. no sentido do agir comunicativo. a idade da Razão. e conseqüentemente. não se desmanchou no ar. Rawls tem como principio a substituição do utilitarismo. conforme estes pensadores vislumbram. e o homem mergulha na era do vazio. constitui uma reação e resposta ao individualismo pós moderno.Quando a utopia marxista se liquefaz. dos gozos que leva a harmonia social.modernidade. que serve de base para o governo. principio formulado por Gilles Lipovetski.O principio de utilidade pressupõe uma busca calculada dos prazeres. para ele o projeto que foi iniciado na Idade das Luzes. imperativo ligado a comunicação.A 32 . sendo significativo para nossa época. inferindo a necessidade do surgimento de uma macroética.". o principio da maior felicidade ao maior numero de indivíduos. torna-se necessário repensar os princípios para reorganização de ações políticas.

pessoal. desde que ocorra a diminuição das desvantagens dos menos favorecidos. imaginando um espectador imparcial determinado a maior parcela de satisfação para o conjunto. sem obstáculos. podendo além disso. tratando-os como se fosse uma só.teoria da justiça de Rawls leva em conta a coletividade. E o segundo das desigualdades socioeconômicas existentes na sociedade são justas. Ele fala de uma justiça distributiva partindo de um "estado inicial" por meio do qual se pode assegurar que os acordos básicos a que se chega num contrato social sejam justos e eqüitativos entre pessoas livres e racionais. a justiça não é um resultado de interesses. não dando destaque ao particular. esta teoria não se preocupa com a felicidade de cada individuo. se beneficiam os menos favorecidos. Para Rawls a justiça é entendida em dois princípios: O primeiro exige a igualdade das atribuições dos direitos e deveres que cumpre assegurar a cada pessoa numa sociedade com liberdade igual a todos. a qualquer posição ou cargo. Nota-se no modelo de Rawls. por públicos que sejam. Na teoria da Justiça. vantagens para cada um. levando-se em conta o bem estar geral. com o favorecimento de uma determinada classe. se predizem . cada indivíduo ter um acesso. em compensação. 33 . Esta teoria transmite uma idéia do aumento das vantagens dos mais favorecidos. a inquestionável predominância de um discurso hegemônico de tradição da política americana.

controle do comportamento e manipulação genéticas manifestam. mas na realidade com os pés no chão. posta de lado por Habermas ao elaborar seu projeto baseado na razão pratica. o aumento da sua permanência.Manifesta-se a importância da analise das transformações da conduta humana. do presente. procurando elaborar uma nova ética. desligado da metafísica. no essencial. grávido de questões e de perigos" (Russ) A alteração na condição humana. pelos quais somos responsáveis. atual e futura e não mais presa em éticas e valores ultrapassados. qual a grande 34 . o estar aqui. se torna realmente necessário e ético. as metamorfoses protéticas corporais. ontológica. a ética na se faz somente no imediatismo.Ética e tecnologia Para o filosofo alemão Hans Jonas a preocupação com a ética metafísica. esse salto qualitativo. ancorada numa doutrina do ser.A necessidade de situar a valorização da técnica contemporânea como influenciadora do comportamento humano. hipodérmico e genético.Levando-se em conta os ideais de progresso e os conceitos de tecnologia. mas para futuras gerações. sempre baseado não em utopias. "(…) Hoje a técnica moderna introduz acoes de um tipo inédito e toma o homem como objeto de seu agir: prolongamento da vida. no nível epidérmico. que seja sua manutenção. Para Jonas que foi aluno do filosofo Heidegger.

tornando-nos meramente seres protéticos superficiais. e de suma importância que as alterações. com esta simbiose tecnológica que nosso organismo sofre. Não podendo ser humano ser um agente passivo da técnica.contribui em geral.conquista com estas mutações. desde a exposição a raios x a implantes de circuitos neuronais? Não deixamos que as transformações humanas extingam as profundezas do ser. desenvolver e proteger o homem. maquinizados a estímulos e respostas. para a cultura humana(Menschheitsbildung). sejam quantitativas ou qualitativas das acoes humanas levem nos a urgência de um questionamento ético.e por conseguinte a própria técnica . Portanto. e se sim em que sentido. será que esta tem por objetivo cultivar. o seu humanismo? Conforme Heidegger" (…) será que a cultura técnica . ou arruiná-la e ameaça-la?" 35 .

a universalidade de Jonas e com o futuro. visto que minhas obrigações não acarretam obrigações do outro. desde que não ocorra o comprometimento com a humanidade futura." "Age de modo que os efeitos de tua ação não sejam destruidores para a possibilidade futura de tal vida" Para Jonas posso arriscar minha vida. Esta não reciprocidade do imperativo de Jonas constitui um elemento característico." Em Jonas: " Age de modo que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a terra.O Imperativo categórico de Jonas Para Kant seu imperativo categórico e formulado da seguinte maneira: "Age de tal sorte que possas igualmente querer que tua máxima se torne uma lei universal. o devir. 36 . que não age diretamente sobre.

quando se dissolvem as ideologias. que denotavam o anseio pela conquista da liberdade das garras do poder ou como forma de participação política e social -. apático e descontraído. punitivos. distintas do individualismo do período moderno. que não precisa mais ser ou ter. destruindo a noção do dever 37 .se à questão: como requerer para a ética um principio que possua validade universal.onde surgem novas formas de individualismo. do efêmero. os discursos totalizantes que englobam as metanarrativas. Põe. O desmanche das ideologias de salvação racionalista.Ética pós-moderna Gilles Lipovetsky faz sua analise ética do período contemporâneo. Agora este individualismo não se conceitua mais como um triunfo da individualidade em face das regras e normas conservadoras. promovendo a exacerbação dos valores sensíveis. mas a plena realização frente aos processos disciplinadores. mas apenas aparecer. elaborados por um modelo totalizador e autoritário. do estar aqui. que motivam novas formas de comportamento. no sentido de Kantiano. . se torna indolor. das particularidades. mas de modo passivo. acrítico.Este individualismo é constituído em uma atmosfera Narcísica/ Dionísiaca. Habermasiano? A ética tradicional desaparece na nova sociedade. sendo a cultura do hedonismo a regra.do século XIX. inócua. marxistas. parecer estar presente. do espetáculo. de características totalitárias . como o princípio do viver. tornando penoso e árduo a questão do dever. estabeleceu novos referenciais de conduta ao individuo pós-moderno.

solidária. mas segundo uma ética fraca e minimalista. na biologia (bioetica). etc. nenhum extirpar de si. estaria a afirmação de que na Ética da Responsabilidade de Jonas. nos remete a uma pergunta fundamental. nos negócios. nem sanção (…) a ética (não ordena) nenhum sacrifício maior. a representação da corrosão e fragmentação social dos grandes ideais de progresso demonstraria a necessidade de uma saída humanística. ou seja. se agencia não sem fé nem lei.Nenhuma recomposição do dever heróico. representada e difundida nas empresas. sem obrigação. A ética nos negócios A questão da ética nos negócios. éticas das mídias. valorizando o outro através da noção de comprometimento com o futuro.absoluto e rigorista. transformando-se em categorias. Até onde saber se ela é verdadeira ou apenas simulação. " As democracias oscilaram no alem do dever. impostura ou exigência dos tempos? 38 . mas reconciliação do coração e da festa" (Lipovetsky) A partir desta analise.

Pode soar de modo refutável. Não estamos aqui para negar a importância do mundo financeiro e dos negócios. ferindo muitas vezes. os aspectos mais nobres do comportamento humano. Qual a ética nos negócios neste período de mundialização. pois se o egoísmo tem prioridade na empresa. que em apenas um dia. tornou-se necessário reavaliar seus papeis e princípios. o lucro para a sua sobrevivência. frágil e paradoxal. Não nos deixemos enganar o objetivo principal nos negócios. como um sanguessuga buscando um novo corpo? E os acordos financeiros. e a ética nos negócios parece não convencer mais ninguém. a proliferação de mercadorias (des)necessárias para o bem estar social(?) de pequena parte do social. falar de ética nos negócios. continua sendo por definição. Os pragmatismos engendrados pela lógica do capital e seu desenvolvimento baseado na sua acumulação. a fim de modificar de modo pelo menos inicial esta situação. se levarmos em conta. 39 . empréstimos a fundo perdido. infantil ou escrava? A rentabilidade exacerbada. ainda. os conceitos anteriores de fundamentação ética no decorrer do seu desenvolvimento e analise por diversos pensadores. utilização de mão de obra barata. da volatilidade dos capitais financeiros. milhões de dólares desaparecem e deixa o país a mingua.

corrupções. o que em si é totalmente lícito. colocando em perigo a vida de empresa e seus produtos. subornos. que tipo de ética se busca. A perversidade consiste em apresentá-las como aquelas "forças vivas" que seguiriam mais propriamente imperativos morais. será que o espírito do capitalismo esta mudando? Como interpretar esta (onda?). uma ética.. quando as corporações buscam repensar sua ética ou deontologia. a ética nas empresas norte americanas começa a ser desenvolvida. como fator de diferenciação mercadológica. abertos para o bem-estar geral. sociais. prosperando para os principais paises da Europa. juridicamente sem 40 . "Repita-se: a vocação das empresas não é serem caridosas. dando inicio a reflexão da necessidade de uma ética de responsabilidade na empresa. motivada por uma onda de escândalos.como performance e obediências às regras declaradascabe-nos uma analise de transformação da natureza das ações da adequação a novas praticas comerciais e uma maior preocupação com o consumidor/cidadão. mas que lhe pedem para produzir lucro.Por uma avaliação do comportamento ético empresarial No final dos anos 60. não há dúvida. Retomando a pergunta. Na década de 80 ocorre varias palestras e seminários e cursos em Wall Street. dando inicio a discussão sobre o tema. quando elas têm de seguir um dever. dentro do crescente nível de competitividade empresarial.

fonte de prejuízos. uma fonte prioritária de economias. um crescimento que se traduziria imediatamente em empregos. E melhores condições de trabalho significam melhor uso da força de trabalho e dos meios de produção. adequação e conhecimento. a velocidade das exigências dos tempos modernos impõe adaptações mais curtas. então indispensável. a variável de ajuste mais segura. invocado. Como se pudéssemos ignorar que vivemos numa época em que essa função. de déficits financeiros. graças a essas riquezas. um agente essencial de lucro" (Forrester) Na organização social moderna. de alto preço. mudanças mais rápidas e conhecimentos mais 41 . nocivo ao lucro! Nefasto. A supressão de empregos tornou-se um dos modos de administração mais em voga. Mas. o valor do trabalho se tornou sinônimo de "melhor emprego". O melhor emprego significa melhores condições de trabalho. Sim. Nesse contexto. não tem mais razão de ser desde que este se tornou supérfluo. Há quem mostre as "criações vivas". embalado por tantos encantos é considerado por aqueles que poderiam distribuí-lo um fator arcaico.mácula. esse caminho implica em maiores investimentos e "maior tempo" de adaptação. inutilizável. mas em nossos dias. O emprego tão decantado. o modelo empresarial se apoiou fortemente no controle e criação de novas funções de trabalho técnico industrial como garantia do fortalecimento quantitativo das forças produtivas. praticamente inútil. o emprego representa um fator negativo. e essas forças vivas como as únicas capazes de suscitar. outrora assumida pelo trabalho. com ou sem razão. Mas.

foram substituídos pela constituição de áreas de competência cada vez mais restritas e mais isoladas umas das outras. mais dependentes das totalizações do poder político e do poder econômico. assim como as teorias aplicadas do comportamento organizacional. a economia marxista ou Kenesiana. ou seja. que dominou a construção do saber e a produção até o século XVIII. Pois. Tanto os profissionais do mais alto escalão como os operários não compreendem hoje o valor de uso do seu trabalho. Disciplinas de grande amplitude como a psicanálise. o sistemismo. A atual delimitação dos campos de competências teóricas e profissionais "construiu-se paralelamente ao parcelamento da atividade de produção que decorreu da Revolução Industrial. A vida humana tornou-se dependente do trabalho social e velozmente necessário. da psicologia infantil. conhecimentos técnicos mais rapidamente atualizados e especializados. constituem espaços hegemônicos e monopólios de especialistas . a formalização do emprego (e a sua relação com a propriedade privada do conhecimento: "dono do conhecimento") como garantia de trânsito no espaço social permitiu que uma camada social se beneficiasse desse poder de posse do saber técnico veloz em detrimento do 42 .instantâneos. o estruturalismo. O conhecimento humanístico e a polivalência dos artesãos e dos cientistas. integrados numa grande ilha de montagem. a bioenergia. etc. Todo o conhecimento humano teve a mesma sorte. Essa associação e identidade produziram efeitos segregadores das minorias "mais atrasadas". da economia empresarial.

de cunho ideológico e político que utilizava a bandeira das utopias. Não apenas as novas estruturas do mercado de trabalho facilitam muito a exploração da força de trabalho das mulheres em ocupações de tempo parcial. Esse retorno segue paralelo ao aumento da capacidade do capital multinacional de levar para o exterior sistemas fordistas de produção em massa. A ética na parceria das empresas e o terceiro setor Em primeiro lugar é importante frisar as diferenças existentes no conceito de Organização Não Governamental. Até aproximadamente a década de 80. substituindo assim trabalhadores melhores remunerados e menos facilmente demitíveis pelo trabalho feminino mal pago. da política capitalista. a existência das ONG`s militantes.sexo feminino (que como conseqüência acaba sendo explorado) e de outras classes e culturas menos favorecidas (as "ociosas" ou "parasitárias" ou "desqualificadas" ou "atrasadas"). da censura. com palavras de ordem de combate as ditaduras. etc. do direito a uma sociedade mais justa. da reforma agrária. e ali explorar a força de trabalho feminino extremamente vulnerável em condições de remuneração extremamente baixa e segurança do emprego negligenciável " (Harvey). diferia na maioria das vezes 43 . como o retorno dos sistemas de trabalho doméstico e familiar e da subcontratação permite o ressurgimento de práticas e trabalho de cunho patriarcal feitos em casa.

partidos políticos. órgãos governamentais. transnacionais.modernista. pelo peso do preconceito do discurso ideológico e da ideologia difundida sobre eles. libidinalmente. seminários para esclarecer seus projetos sociais. ecológicos. 44 . educativos. culturais. pois em muitos casos não tinham a simpatia popular e o respaldo institucional devido.das ONG`s modernas do terceiro setor.Essa hemorragia de significado em grande escala e a causa dos sintomas patológicos que afetam a sociedade por todos os lados. para nos oferecer as superfícies vazias. sindicatos. desafetas e bidimensionais de uma social pós. que em muitas vezes. fundações de empresas. no nível da resposta visceral e não da consciência refletida. atualizada com as novas ferramentas tecnológicas. como a internet. cabendo dar destaque às palavras do filósofo Terry Eagleton: "O consumismo afasta-se do significado a fim de enredar o sujeito subliminarmente. os aparelhos ideológicos do Estado e das diversas instituições privadas insistiam em difundir. desprovida de aspectos ideológicos. tentando sensibilizar as empresas pequenas.(…) a forma sobrepuja o conteúdo. universidades. medias. a mídia. os significantes prevalecem sobre os significados. utilizando como ferramenta de difusão das suas propostas.Utilizam fóruns. (…) o capitalismo avançado elimina todos os vestígios de subjetividade "profunda" e portanto todos os modos de ideologia (…) A partir da ultima década começou a surgir um novo tipo de ONG com uma nova postura ética.

os meios de comunicação de massa. sempre registrados pela marcação cerrada da imprensa. sindical. Canclini. quem representa meus interesses . " Junto com a degradação da política e a descrença em suas instituições.etc.Homens e mulheres percebem que muitas das perguntas próprias dos cidadãos .recebem sua resposta mais através do consumo privado de bens e dos meios de comunicação de massa do que nas regras abstratas da democracia ou pela participação coletiva em espaços públicos. assim. utilizam exageradamente os meios de comunicação para legitimar e valorizar sua imagem perante a sociedade. Um dos principais objetivos é estimular a necessidade da cidadania que se concretiza mais como uma manifestação da possibilidade de consumo do que a representação política. procuram realizar diversos eventos para dar destaque as suas ações sociais. esses novos atores do Bem Estar.Percebe-se nesses novos tempos mudanças dos atores sociais.Buscando. o mercado e o setor privado substituindo." Porém. garantir aos pequenos grupos carentes escolhidos normalmente por motivos humanitários e com o apoio de seus parceiros. etc. logicamente menos por questões humanitárias do que por necessidades mercadológicas. outros modo de participação se fortalecem. como posso me informar.que lugar pertenço e que direitos isso me da. pelo menos em parte as responsabilidades que outrora pertenciam ao Estado do Bem Estar Social. destacamos entre outros. conforme comenta N. sob o 45 .

que na utilização da lógica do mercado. por palavras e atos. e a bondade contém. Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade.A hostilidade cristã em relação à esfera pública. de acordo com Hannah Arendt: "A única atividade que Jesus ensinou. independentemente de qualquer crença ou expectativa. É interessante notarmos que. sua manutenção e a verificação dos resultados. o que legitima a ação do ato de bondade é a não divulgação e personalização do ato da bondade. certa tendência de evitar ser visita e ouvida. foi a atividade da bondade. fragmentadas próprias do bem estar na sociedade pós. no instante em que uma boa obra se torna pública e conhecida. e realiza transformações específicas. o ato de solidariedade tornase uma mercadoria. nem sempre se levando em conta a solidez do programa social. de não ter sido feita por outro motivo além do amor à bondade.Pois é claro que. a tendência que tinham pelo menos os primeiros cristãos de levar uma vida o mais possível afastada da esfera pública.pretexto de divulgar as ações desta ou daquela empresa ou instituição. obviamente. perde o seu caráter especifico de bondade.moderna. embora possa ainda ser útil como caridade organizada ou como ato de solidariedade. 46 ." (Arendt) Temos que ressaltar a adaptação e conivência do terceiro setor com o modelo neoliberal. pode também ser entendida como conseqüência evidente da devoção às boas obras. do ponto de vista dos valores cristãos.

propiciaram novas formas alternativas de investimento no mercado mundial. quando o mundo inteiro vivia a crise do petróleo. o capital financeiro norte americano e as empresas transnacionais. econômica.Para desespero dos 47 .A liberalização dos controles cambiais por iniciativa norteamericana. ampla mudança da base tecnológica. estamos falando de uma nova ordem política. cultural em nível mundial. fundamentadas no desenvolvimento do processo de internacionalização do capital financeiro desterritorializado. que atuam em redes e podem transpor facilmente as frágeis barreiras de controle das instituições financeiras dos diversos paises. mais obstáculos de rentabilidade.O re-ordenamento dos mercados e a hegemonia das corporações industriais transnacionais. "Pela exploração do mercado mundial. gerando novos fluxos de capital. não existindo a partir daí. beneficiando especialmente. Portanto. ao falarmos de políticas econômicas e mundialização.A ética da mundialização Em meados dos anos 70. ocorreram mudanças substanciais na política econômica alterando o cenário do mercado internacional. fazendo com que certos autores a denominassem "a terceira revolução industrial". a burguesia imprime um caráter cosmopolita a produção e ao consumo em todos os paises. alastrou-se por outros países do primeiro mundo.

nascem novas necessidades que reclamam para sua satisfação. podemos citar Octávio Ianni.. podemos adequá-lo perfeitamente ao nosso cenário econômico atual. Endossando esta afirmação.reacionários. satisfeitas pelos produtos nacionais.As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. e a ironia é que substituindo algumas palavras.Em lugar das antigas necessidades. sociedades nacionais. como as únicas possíveis de propiciar às nações e as instituições privadas um lugar privilegiado na marcha da historia. uma universal interdependência das nações." (Marx) O texto acima.)" 48 .Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias. em suas relações de interdependência. dependência. mas sim matérias-primas vindas das regiões mais distantes. Estados nações.São suplantadas por novas industrias que não empregam mais matérias-primas nacionais. escrito no século XIX foi retirado da obra de Karl Marx. cujos produtos se consomem não somente no próprio país. ela retirou da indústria sua base nacional. "O Manifesto Comunista". as políticas neoliberais despontam. imperialismo. Diante desse fenômeno que se mostra hegemônico. os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. bilateralismo. mas em todas as partes do globo. desenvolve-se um intercâmbio universal.. "Ocorre que o globo não é mais exclusivamente um conglomerado de nações. multilateralismo (. colonialismo.

o surgimento dos cabos de fibras óticas. com a revolução da tecnologia e da informática. através das interpelações econômicas e a competitividade que o sistema capitalista produz para manter sua sobrevivência. 'efeitos colaterais'. a robotização industrial e a automatização difundida em diversas corporações. Notamos a contribuição que a técnica e a ciência proporcionou nestas ultimas décadas. O processo dial(ético) na mundialização Como todo processo histórico. como crises sociais profundas. que tendem a 49 . a flexibilização dos processos produtivos e outras manifestações do capitalismo em escala mundial. não podemos deixar de analisar a mundialização com um produto de uma relação dialética que desponta em seus mecanismos novos processos do devir. paradoxalmente a essa exacerbação tecnológica impregnada em nosso cotidiano. onde o desenvolvimento tecnológico tem um papel de destaque. a monitoração das imagens via satélite. a telefonia celular. corporações e conglomerados transnacionais adquirem preeminência sobre as economias nacionais". as empresas. a ciência e a técnica não significam rigorosamente uma diminuição das diferenças sociais. despontam dentro da sua lógica.. a internet.) Com a nova divisão internacional do trabalho. Mas. desemprego estrutural."(. ao contrário..

despertar reações acentuadas de diversos grupos com a reivindicação de
melhores condições de vida, habitação, etc. A institucionalização de uma
economia informal de subempregos que desembocam inevitavelmente em ações
desde protestos pacíficos, culminando em atos de violência urbana ou
terrorismo.
Estes movimentos podem ser definidos de certa forma, como reflexos da
globalização, da política econômica direcionada pelos paises do primeiro mundo.
Como não poderia deixar de sê-lo, neste processo histórico, despontam
também, outros movimentos sociais mundializados, que levantam a bandeira da
preservação e restituição do ecossistema planetário, objetivando o equilíbrio do
Homem com o seu meio ambiente, face ao desenvolvimento desordenado do
progresso tecno-capitalista.
Conforme Otavio Ianni menciona,

"Alias, é também muito sintomático que na época da globalização surjam
movimentos sociais transnacionais mobilizados para preservar e recriar
patrimônios ecológicos ou ecossistemas, ameaçados pelo uso predatório de
recursos naturais ou do meio ambiente principalmente por parte de corporações
transnacionais."

Ressaltando também o comentário do "The Group of Green Economists.

50

" A difusão das atividades econômicas industriais e dos seus estilos de vida
estão exaurindo a riqueza ecológica básica do nosso planeta, mais rapidamente
do que pode ser restituída estão em perigo os recursos naturais dos quais
depende a crescente população mundial."

Acelerando o descom-passo

Com a mundialização, o conceito de tempo/espaço é redefinido, as grandes
corporações que adquiriram maior agilidade, pessoal mais qualificado,
flexibilidade de produção e volatilidade quanto ao seu local geográfico de suas
instalações administrativas e ou produtivas, quer seja dentro de um mesmo
território ou em outras regiões, na maioria das vezes, motivadas pela crescente
concorrência de novos nichos de mercado, pela redução de custo de produção,
(matéria-prima e mão-de-obra não especializada) e dos produtos.
Seduzidas pela força do capital, que implica investimentos e produtividade,
diversas nações procuram através de acordos, muitas vezes duvidosas, nos
quais inclui um pacote de incentivos fiscais visando atrair as corporações para a
instalação de suas fábricas ou a aquisição 'predatória' de pequenas empresas
nacionais que não conseguem competir no mercado mundial, não podemos
deixar de mencionar o enfraquecimento das reivindicações dos movimentos
sindicais, que se transformam em relações amigáveis entre as comissões de
fábricas, que se tornam os representantes diretos dos trabalhadores que

51

negociam com os empresários,.Em contrapartida, há o fortalecimento das
associações empresariais e grupos financeiros mundiais (G7, FMI, Banco
Mundial, etc).
Estas alterações no panorama das relações de produção trazem

como

conseqüência, a transformação da sociedade civil e do Estado do Bem Estar
Social,

que

se

tornam

passíveis

diante

dessa

política

econômica

(neoliberalismo), onde se tem a impressão de que as prioridades são os
interesses do capital e dos acionistas, submetendo a coletividade a perda dos
direitos (sociais e trabalhistas) conquistados.
Com a crise política estabelecida pela diminuição das funções Estado-Nação,
decorrente

deste

modelo

econômico,não

demoram

a

aparecer

às

conseqüências, conduzindo ao salve-se quem puder, ao "darwinismo econômico
social"

entre

os

ricos

e

os

pobres.

Além das conseqüências deste novo modelo de relações entre trabalhadores,
comissões de fábrica, sindicatos e empresários, citado anteriormente,

o

desenvolvimento tecnológico assume um papel importante, repercutindo na
automatização industrial, na flexibilidade da produção, na terceirização da mão
de

obra

Sem dúvida, hoje, mais do que nunca estamos sujeitos às intempéries mundiais.
A grande questão é "para quem deve o governo governar, para os mercados ou
para a sociedade?" A resposta óbvia seria governar para a sociedade, porém
não é isto o que acontece. Os Estados Nacionais muitas vezes não conseguem
governar para a sociedade, ou seja, ficam impossibilitados de priorizar o uso do

52

XVII. 53 . marcando definitivamente a passagem das instituições feudais do Antigo Regime para o capitalismo industrial.dinheiro proveniente de arrecadação tributárias à políticas públicas. do estado neoliberal A partir da revolução francesa e dos ideais filosóficos propagados pelo movimento Iluminista no séc. suspensão de algumas políticas sociais. ficam reféns da política financeira de instituições financeiras internacionais. antropormófico e racionalista. Fraternidade e Liberdade" seria utilizado como guia pelas políticas do Estado Liberal. que em troca de empréstimos de verba. embora não tenhamos ainda perspectivas claras sobre a "nova ordem mundial". ao invés disso. pretendemos estimular reflexões mais aprofundadas das origens e conseqüências desta crise política econômica. onde o slogan "Igualdade. impõem restrições de investimentos. etc. preconizou-se o surgimento de um modelo ideal de sociedade que estaria fundamentada pelo enaltecimento do desenvolvimento científico tecnológico. além de altíssimos juros para o pagamento destes empréstimos. sobretudo a necessidade de um questionamento ético do papel dos agentes sociais e as posturas adotadas que beneficiam a reprodução do capital financeiro e a não priorização da valorização da condição humana em seu sentido coletivo e não apenas A nas crise ética individualidades. Com este trabalho. desaceleração econômica.

um Estado mínimo de intervenção na economia. as políticas públicas nacionais estão "amarradas" a uma política do capitalismo financeiro internacional. etc. pode resultar em sérias sanções por parte dos mercados financeiros. isto é. FED. Já falamos anteriormente que o atual modelo econômico não têm resolvido os reais problemas sociais. Submetendo-se as normas ditadas. As razões pela qual o projeto neoliberal vigorou em todo o mundo foram as economias nacionais. portanto. onde a não observação das regras estabelecidas nestes pactos. Neste sentido. sem equilíbrio fiscal. sem uma moeda estável. desaceleração do crescimento e do aumento da dívida pública. definindo-se através da máxima. os mercados financeiros ditam as medidas que precisam ser adotadas pelos governos. Um ataque especulativo de tais mercados é capaz de destruir um governo e uma economia nacional em poucas horas. "o menos de Estado e de política possível" ou seja. o que podemos esperar é um agravamento da crise provocada pela diminuição dos recursos disponíveis dirigidos para o social. Assim. o aparente sucesso inicial dos planos de estabilização proporcionou como contraponto um aumento do desemprego. FMI. Um dos principais fatores da atual expansão da política neoliberal disseminada em nível global foi o movimento real do capitalismo na direção de uma desregulamentação crescente e de uma globalização econômica de natureza basicamente financeira. 54 .O conceito fundamental do Liberalismo foi utilizado de forma semelhante pelo neoliberalismo. e que se obriga conseqüentemente de crédito junto aos credores da economia mundial.

como o caso dos países comunistas (Cuba. resultando nas seguintes alterações ao cenário mundial: política de ajuste fiscal. China) e alguns países da Ásia e África. "gestores" do neoliberalismo. Este modelo tem como base o livre jogo das forças do mercado. do Banco Internacional de Desenvolvimento e do Fundo Monetário Internacional. privatização. O projeto neoliberal está se tornando hegemônico e mundial. Os pontos básicos deste projeto neoliberal foram sistematizados com o apoio do Banco Mundial.Enfim. em relação às forças sociais e políticas internas seria adotar medidas para conter a crescente desigualdade social. Nesta perspectiva o esperado é que o aumento da oferta seja causa da diminuição dos preços e vice-versa. Alguns pontos essenciais do liberalismo são: a livre iniciativa de indivíduos e grupos. abertura comercial. configurando em sérias conseqüências econômicas sociais aos países que relutam em manter-se distantes ou não totalmente incluídos deste panorama. ou seja. os preços das mercadorias são definidos pela concorrência entre os agentes econômicos e pela lei da oferta e da procura. fim 55 . a livre concorrência entre eles e o livre acesso à propriedade e ao lucro. dos EUA. entre outros com o objetivo de discutir a economia global. redução do tamanho do Estado (redefinição do seu papel. na mundialização há diversas contradições e o impacto produzido por ela é sentido diferentemente em cada Estado Nacional e em cada classe social. menor intervenção na economia). Também cabe aos países "centrais". as preocupações em desenvolver programam que tenham por base a solidariedade para com os países chamados "periféricos" que adotaram tardiamente este modelo. O novo papel do Estado.

com o colapso das políticas públicas. fiscalização dos gastos públicos e fim das obras faraônicas. Diante desta situação os governos perdem a autonomia. reestruturação do sistema previdenciário. os baixos salários. investimentos em infra-estrutura básica. A Ética e gestão pública Com o triunfo de grupos econômicos sobre os grupos políticos e países do terceiro mundo. impedem a execução de um modelo planejado tendo como referencial não somente o capital. mas a produção e o social. numa tentativa de resgatar um modelo de vida mais humanitário. não conseguem realizar uma política pública direcionada realmente ao bem comum de toda a nação. o desmantelamento do sistema de ensino. desregulamentação (redução das regras governamentais para o funcionamento da economia). conduz a reflexões das questões éticas que pautam o homem na sociedade contemporânea. entre outros. através de um viés crítico. Nações pobres são levadas à recessão. buscando a reflexão das contradições de uma postura utilitária e individual deste modelo econômico financeiro e por que não dizer ultra-tecnológico. Todo este processo histórico. abertura financeira. 56 . que nos direcione ao despertar de valores existenciais esquecidos. saúde. nem indivíduos e nem nações tem seu direitos respeitados.das restrições ao capital externo. transportes.

é irreversível. através da utilização da técnica. felicidade e justiça para o homem. em parte. dar um sentido a sua existência.O desenvolvimento do conhecimento e a transformação da natureza. conforme idealizada pelo geógrafo Milton Santos. O REpensar ético no agir mundializado "Na verdade. através das soluções de algumas questões essenciais. Esse caminho. pois esta região tem o mais alto nível de desigualdade do mundo. Tal triunfo não se preocupa com os problemas sociais que isto trás como conseqüência. tiveram como objetivos a busca da liberdade. até o Banco Mundial classificou recentemente a situação do Cone Sul da América Latina como ameaçadora e caótica. torna-se necessário estarmos atentos para que certos princípios como 57 . Noam Chomsky A mundialização é o triunfo de um grupo econômico sobre o mundo. a política dos EUA. o que precisamos é redimensionar a mundialização ao invés de ser exploradora deveria ser uma mundialização solidária.Em 1994.Procurando assim. os EUA já estavam projetando uma ordem mundial".E a razão para esta desigualdade mais alta é. O fortalecimento da política neoliberal onde não vislumbramos perspectivas alternativas por outra 'mundialização'.

em um agir comunicativo habermasiano de universalidade. As propostas de uma ética fundamentada no imperativo categórico kantiano. na reflexão e na liberdade. responsabilidade. Conclusão No instante em que se liquefaz o código moral. inorgânico. da questão do lixo orgânico. no qual seu pretenso grau de evolução de sabedoria decide os 58 . maquiadas em nome da hegemonia cultural e econômica. não se tornem apenas simulacros a serviço da lógica do capital. a estética assume o papel da ética. na ética da responsabilidade de Jonas é o livre fazer. da aceitação e respaldo social. visando encobrir o que suas acoes principais realizaram e que conseqüentemente esta refletindo as suas reações de forma passiva e quase homeopática. o equilíbrio do planeta. do lucro.o da solidariedade. existindo apenas a ânsia e o pertencimento de relações superficiais de códigos comuns em universos fragmentados. da ecologia. radioativo e indestrutível. a partir da análise de suas possíveis ações. entre outros.e o ser ético somente executará a mudança desta natureza quando assumir como seu os valores sociais. Para efetivarmos esta mudança é imprescindível que a ética se baseie na vontade de poder. que não afete os futuros indivíduos ou podemos dizer. e não em visões fundamentalistas conservadores tão insufladas nos últimos tempos.

em uma época que desacredita da reflexão crítica. Tal ética. alegrias e contentamento intelectual. A ética como meio e não como fim é baseada no livre exercício com o outro. Temos que denunciar a ética perversa . Podemos deduzir. Devemos dar a prioridade à importância de do sentido de uma ética voltada à humanização. através de uma razão e de uma vontade onipotente. ou seja. ideológica. que funcionam através de um controle contínuo e de uma comunicação instantânea. anda de mãos dadas com nossas sociedades. onde se transformam no palco do aumento das angústias. cuja moral se funda no ressentimento e na negação da ação . mesmo as consideradas com um alto bem-estar material. transformando-os em um conjunto de consumidores que alimentam o capitalismo financeiro mundializado a se tornar o mais abrangente e fagocitário possível. 59 . as pessoas nada mais são que figurantes no cenário mundial . que ao invés de unir os homens ao redor de ideais e atitudes de justiça social e liberdade. a busca da conciliação da moral com a economia. e superficializa o todo a uma postura pragmática do progresso. reúne-os pelo consenso sobre os aspectos negativos. inseguranças de multidões. individualidade. a partir deste progresso que a humanidade está evoluindo? Que evolução e progresso seriam estes. que se imporiam como repressores incontestáveis dos instintos humanos e do caos. desejos. mas dirigido ao que não está íntimo ou próximo. dos direitos humanos . da ganância.rumos dos não evoluídos. não como espelho ou reflexo do eu.

planejar e executar intuitivamente e racionalmente. A vida moderna tornou-se perigosamente dependente de um contínuo fluxo criativo e inovações que supram a diferença entre o que era vital um dia para se tornar efêmero no outro. já que a 60 . a busca da liberdade. faz-se necessário refletir. E a verdade da redescoberta do ser? As descobertas que fizemos ao longo de vários séculos nos mostram que tudo é possível de ser moralmente verdadeiro até que descubramos a verdade ética do ser. Nesse cenário. que as sociedades modernas procuraram criar raízes e reorientar o sentido da vida.A esse fenômeno procurou-se dar sentido capaz de solucionar as angústias de se viver longe de si. ao comportamento moral. um projeto de transformação estrutural da sociedade. indistintamente todos querem de alguma forma realizar um projeto de vida mais justo em todos os níveis de realização. advindas disto.Pois. ou seja.Poderíamos mencionar ou justificar uma série de questões políticas. Devemos refletir o porquê estamos tão hipnotizados por inúmeras descobertas utilitárias.Foi em cima do ideal de uma felicidade e liberdade plena. econômicas. que propunha levar a todos a realização dos ideais filosóficos da modernidade. portanto. a descoberta dos princípios intrínsecos a atitude ética. a liberdade espontânea sucumbiu diante da promessa não cumprida de realização no nível econômico. buscando justificativas sem uma solução para a decadência ética na sociedade tecnológica mundializada. A busca da liberdade de realização da vida ficou subjugada ao domínio de uma racionalidade positivista mecanizada. sociais. o processo histórico demonstrou um visível desequilíbrio humano. do afastamento da vida interior. no entanto.

quando a palavra ética ganhar um significado realmente mais profundo e também quando esse significado alcançar uma dimensão cultural. objetivando a busca de valores perseguidos pelos indivíduos a fim de viverem de forma mais plena e feliz. neste sentido. mantendo com os outros. A ética é uma característica que esta presente em toda a conduta humana e. Todo homem possui um senso ético. 61 . essa mudança de vida precisaria se harmonizar ou se desprender das interdependências do projeto neoliberal instrumentalmente elaborado. justas ou injustas. A ética está relacionada à opção. somente será resolvida. Naturalmente os comportamentos humanos são colocados sob o ponto de vista do certo e errado. portanto. ao desejo de realizar a vida. Via de regra está fundamentada nas idéias de bem e virtude e juízos morais. ou seja. Embora relacionadas com o agir individual. uma espécie de "consciência moral". mas um conjunto de atividades utilitárias interdependentes. acreditamos que esta questão. Portanto. do bem e do mal. é um ingrediente de suma importância da criação de uma realidade social. certas ou erradas. a sociedade deverá sempre predominar em relação às instituições. estando constantemente avaliando e julgando suas ações para saber se são boas ou más. o bem comum sobre o individual.vida social moderna não é um projeto de transformação existencial. relações justas e aceitáveis. o publico sobre o privado e a solidariedade em relação ao narcisismo pessoal. essas classificações estão constantemente relacionadas com a formação cultural que predomina em determinadas sociedades relacionadas ao seu momento histórico.

não encontrável." É necessário frisar a importância do papel da ciência e da técnica como condutores da sociedade contemporânea.Ao iniciar um trabalho que envolve a ética como parte do objeto de estudo. com suas conseqüências que geram de forma dialética a necessidade de um agir ideologicamente responsável. uma falência do sentido e o vazio da utilização da ética no seu uso. 62 . a efervescência da discussão do debate ético a ser questionado em todos campos da sociedade.Ela parece mesmo. ancora dificilmente suas normas e valores em um lugar que os funde e os justifique. principalmente no campo político econômico que traz fortes repercussões no aspecto social. às vezes. estabelecendo seu campo de aplicação e fazendo uma pequena abordagem das doutrinas éticas que consideramos mais importantes para o nosso trabalho e da sua retomada e do caráter de preocupação em analisar o desenvolvimento de novas correntes de pensamento.Percebe-se numa analise mais meticulosa. reivindicada em toda parte. vem ao encontro da discussão premente diante dos processos dialéticos que são engendrados no devir histórico. conforme cita Jacqueline Russ: "A ética. torna-se fundamental estudarmos o conceito de ética. O interesse e a preocupação com a analise da ética da sociedade neoliberal.

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