UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES

O (RE) PENSAR ÉTICO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Orientador: Prof. Dr. Mauro Wilton de Souza

Antonio Carlos Mota

São Paulo, 2002

Banca Examinadora

Presidente:________________________
1º Titular: _______________________

2º Titular:________________________

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Agradeço

A Prof.ª, coordenadora e colega, pela rede conhecimento que me possibilitou
tecer este trabalho;

Ao Prof. Drª. Mauro Wilton de Souza, orientador e colaborador sempre atencioso
que com grande paciência sempre me atendeu nos momentos difíceis.

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que acarreta fortes repercussões no aspecto social. conduzindo a uma análise mais meticulosa. Desenvolvemos neste trabalho uma reflexão sobre a ética do atual modelo capitalista de mundialização. Percebe-se no aumento do interesse e preocupação com os valores éticos. principalmente no campo políticoeconômico. Buscamos evidenciar como tal modelo contribui para a fragilização e obliteração do exercício das liberdades pública e privada da maioria da população mundial.RESUMO Ao iniciar um trabalho que envolve a ética como objeto de estudo. na qual a condição humana torna-se subsumida sob as políticas adotadas dessa mundialização instrumentalizada. torna-se fundamental estabelecermos seu campo de aplicação e fazer uma pequena abordagem das doutrinas éticas que consideramos mais importantes para o nosso trabalho e a crescente preocupação ao analisar o desenvolvimento de novas correntes éticas. e procuramos demonstrar a sua incompatibilidade com o exercício da liberdade no seu sentido filosófico. 4 . que tem no neoliberalismo sua expressão política. proporcionando uma efervescência da polêmica do debate ético em vários campos da sociedade. a respeito da falência do sentido e o vazio da utilização da ética. o estimulo da discussão da importância de uma dialética que está engendrada no devir histórico.

5 . etc. no cotidiano. no consumo. nas relações econômicas. então. as relações da ética com vários e novos campos do conhecimento.. a existência de alternativas para a ética no atual modelo de mundialização procurando uma nova proposta de renascimento humano.Destacamos. por fim. Consideramos. e de que forma se dão esses relacionamentos e como são fundamentais para o desenvolvimento e aprimoramento das relações humanas.

and we have sought to demonstrate its incompatibility with the exercise of liberty in its philosophical sense. it becomes essential that we establish its field of application and touch briefly on the ethical doctrines that we consider most important for this paper and the growing concern (that arises) on the analysis of the development of new ethical currents. generating an effervescence in the polemic of the ethical debate in several segments of society. resulting in strong repercussions in the social aspect. in which the human condition becomes subsumed under the policies adopted by this instrumentalized mundialization.ABSTRACT On commencing a paper that deals with ethics as an object of study. We have developed in this paper a reflection on the ethics of the current capitalist model of mundialization. We have sought to show how this model contributes to the undermining and obliteration of the exercising of public and private liberties of most of the world’s population. With the increased interest in and concern for the ethical values we perceive the stimulus of the discussion of the importance of a dialectic that is engendered in the historical transformation. principally in the political and economic fields. which finds its political expression in neoliberalism. leading to a more meticulous analysis concerning the collapse of reason and the 6 .

we reflect on the existence of alternatives for ethics in the current model of mundialization seeking a new proposal of human rebirth. Lastly. in everyday happenings. And how these relationships occur and how they are fundamental for the development and improvement of human relations. in economic relations. We point out. in consumption. then.emptiness of the utilization of ethics. etc. 7 . the relations of ethics with several and new fields of knowledge.

43 A ética da mundialização. 51 A crise ética do estado neoliberal. 38 Por uma avaliação do comportamento ético empresarial. 56 O (re)pensar ético no agir mundializado. 36 Ética pós-moderna. 47 O processo dial(ético) na mundialização. 12 A ética na idade moderna.SUMÁRIO Introdução. 63 8 . 29 Ética e política. 58 Bibliografia. 37 Ética nos negócios. 26 Uma visão crítica da ética da sociedade industrial. 49 Acelerando o (dês)compasso. 9 Definindo ética e moral. 57 Conclusão. 34 O imperativo categórico de Jonas. 40 A ética na parceria das empresas e o terceiro setor. 32 Ética e tecnologia. 17 A postura ética na sociedade contemporânea. 53 A ética e a gestão pública.

Introdução Uma grande parcela da sociedade tem demonstrado. pois somente tenderia ao distanciamento do seu ser. como um ser único. que se poderá ser aplicado à complexidade e multidimensionalidade de uma figura multifacetada. mas certamente na sua potencialidade. nos últimos tempos. identitário. sobre algum valor em particular. O ser do ente (ética) somente se manifestará a partir da disposição que a sociedade. e não isentos de questionamentos. o que nos deixa felizes ao constatar o que muitos já disseram sobre o modelo atual de bem estar ou mal estar da civilização. O repensar ético e não sobre a ética. ou pelo menos uma parte atingiu. ou seja. 9 . O avanço tecnológico que a sociedade. não se conjuga com as possibilidades reais de alcançar o objetivo de toda a humanidade. considerando o seu nível não tanto detido em questões de ordem especulativa/filosóficas. demonstra a diferença e a preocupação com o sentido do ser ético em sua essência. preocupação com questões de âmbito humanístico. e o que torna está ação mais próxima do real é a manifestação de diversos grupos que exprimem essa preocupação. se permitir a realizar. Não devemos mais adotar uma postura exterior. não sendo total na sua praticidade. nos faz dignos de estabelecer um questionamento e procurar averiguar qual o panorama em que se desenvolve. não será apenas com um modelo unidimensional formulado em padrões totalmente duvidosos. isto é. a felicidade. ou melhor.

todas as suas ações e decisões afetam as outras pessoas. enquanto a própria humanidade procurar manter distância na sua análise sobre si própria. do sentido de seu ser. pois todas as nossas atividades envolvem uma carga moral. Estas regras. de normas que julgamos mais adequadas de serem cumpridas. o permitido e o proibido definem a nossa realidade.por conseguinte. São os códigos culturais que nos obrigam. muitas vezes. sendo que. por terem sido aceitas intimamente e reconhecidas como válidas e obrigatórias. temos a tendência de conduzir nossas ações de forma quase que instintiva. Em nossas relações cotidianas estamos sempre diante de problemas do tipo: Devo sempre dizer a verdade ou existem ocasiões em que posso mentir? Será que é correto tomar tal atitude? O homem é um ser-no-mundo. nesta coexistência. praticamos determinados atos e. o certo e o errado. naturalmente têm que existir as regras que coordenam e harmonizam esta relação. fazendo uso de alguma "fórmula" ou "receita" presente em nosso meio social. Idéias sobre o bem e o mal. esta tarefa jamais se realizará. A ética não é algo sobreposto à conduta humana. automática. que só realiza sua existência no encontro com outros homens. mas ao mesmo tempo nos protegem. Fazemos uso de normas. Nesta convivência. Diante dos dilemas da vida. dentro de um grupo qualquer. indicam os limites em relação aos quais podemos medir as nossas possibilidades e as limitações a que devemos nos submeter. ou de sua humanidade. nos servimos de determinados argumentos 10 .

A moral pode ser entendida como o conjunto das práticas cristalizadas pelos costumes e convenções histórico-sociais. Quando os valores e costumes estabelecidos numa determinada sociedade são bem aceitos. Mas. que já se encontra nas formas mais primitivas de comunidade. justificar nossas ações e nos sentirmos dentro da normalidade. Adolfo Sánchez Vasquez coloca isso de forma muito clara: "A este comportamento prático-moral. quando surgem questionamentos sobre a validade de certos costumes ou valores consolidados pela prática. É algo adquirido como herança e preservado pela comunidade. As normas de que estamos falando têm relação como o que chamamos de valores morais. para os que discordam deles. história e natureza humana. Cada sociedade tem sido caracterizada por suas normas. não há muita necessidade de reflexão sobre eles. valores e regras. sucede posteriormente . surge a necessidade de fundamentá-los teoricamente.para tomar decisões. Muitas vezes essas práticas são até mesmo incompatíveis com os avanços e conhecimentos das ciências naturais e sociais.a 11 .muitos milênios depois . estando apoiada na cultura. A moral tem um forte caráter social. criticá-los. ou. São os meios pelos quais os valores morais de um grupo social são manifestos e acabam adquirindo um caráter normativo e obrigatório.

do bem e do mal. julgam ou avaliam de uma ou de outra maneira estas decisões e estes atos). Sua função é desconstruir os fundamentos da moral. os juízos do certo e errado. já estamos propriamente na esfera dos problemas teórico-morais ou éticos. Os homens não só agem moralmente (isto é enfrentam determinados problemas nas suas relações mútuas. Quando se verifica esta passagem. uma teoria sobre os juízos do bem e o mal. uma doutrina que se situa além da moral. mas um corpo de regras estabelecidas em uma cultura. tomam decisões e realizam certos atos para resolvê-los e." Definindo ética e moral É importante frisar as diferenças entre Ética e Moral.reflexão sobre ele. ao mesmo tempo. para a moral reflexa. 12 . pois. mas direcionada a "uma reflexão sobre os fundamentos". a primeira consiste em caráter mais teórico. em outras palavras. da moral efetiva. Portanto a ética pode ser considerada não uma moral. Dá-se assim a passagem do plano da prática moral para o da teoria moral. mas também refletem sobre esse comportamento prático e o tomam como objeto da sua reflexão e de seu pensamento. uma "metamoral". vivida. ou. que coincide com os inícios do pensamento filosófico.

A ética pode também contribuir para fundamentar ou justificar certa forma de comportamento moral. Assim. se a ética revela uma relação entre o comportamento moral e as necessidades e os interesses sociais. A reflexão ética também permite a identificação de valores petrificados que já não mais satisfazem os interesses da 13 . real. para a ética. Por outro lado. então não há mais espaço para a ética.A ética seria então uma espécie de teoria sobre as práticas morais. pois se ela se refere às ações humanas e se essas ações estão totalmente determinadas exteriormente. ela nos permite exercitar uma forma de questionamento. conseqüentemente. uma reflexão teórica que analisa e critica os fundamentos e princípios que regem um determinado sistema moral. Se o determinismo é total. se a pessoa pôde escolher entre duas ou mais alternativas de ação e agir de acordo com sua decisão é um problema teórico-ético. ou seja. não há qualquer espaço para a liberdade. onde nos colocamos diante do dilema entre "o que é" e o "que deveria ser". do grupo social. para a autodeterminação e. A ética também estuda a responsabilidade do ato moral. a decisão da possibilidade de agir numa determinada situação. torna-se um problema práticomoral. pois verifica a liberdade ou o determinismo ao qual nossos atos estão sujeitos. imunizandonos contra a simplória assimilação dos valores e normas vigentes na sociedade e abrindo em nossas almas a possibilidade de desconfiarmos de que os valores morais vigentes podem estar encobrindo interesses que não correspondem às próprias causas geradoras da moral. ela nos ajudará a situar no devido lugar a moral efetiva.

Elas não se sentiam eticamente questionadas diante da injustiça cometida contra os escravos. A experiência existencial de se rebelar diante de uma situação desumana ou injusta é chamada de indignação ética. a práticas morais diferentes e até opostas. Seu valor está naquilo que explica e não no fato de prescrever ou recomendar com vistas à ação em situações concretas." Sendo a ética uma ciência. traço inerente da experiência humana. Muitos filósofos estudaram durante suas vidas questões sobre a ética. A ética também não tem caráter exclusivamente descritivo pois visa investigar e explicar o comportamento moral. 14 . as pessoas acreditavam que os escravos eram seres inferiores por natureza (como dizia Aristóteles) ou pela vontade divina . Isso porque o termo "injustiça" já é fruto de juízo ético de alguém que percebe que a realidade não é o que deveria ser. produziram contribuições muito importantes sobre o tema. Jung Mo Sung e Josué Cândido da Silva nos dão um bom exemplo do que estamos falando: "Na época da escravidão. por exemplo. Não é função da ética formular juízos de valor quanto à prática moral de outras sociedades. mas explicar a razão de ser destas diferenças e o porque de os homens terem recorrido. buscando através de analises hermenêuticas sua definição. devemos evitar a tentação de reduzi-la ao campo exclusivamente normativo. ao longo da história.sociedade a que servem.

já que para ele o social e o político é o meio necessário para o exercício da moral.Na Grécia . Para ele ninguém pratica voluntariamente o mal. A Ética de Aristóteles . ou seja. Apenas deuses e animais selvagens não tem necessidade da comunidade política para viver. O homem moral só pode viver na cidade e é portanto um animal político. Somente nela pode realizar-se o ideal da vida teórica na qual se baseia a felicidade.está unida à sua filosofia política. só age mal. Porem é preciso destacar que a preocupação filosófica com questões éticas/morais começa com Sócrates que considerou o problema ético individual como o problema filosófico central e a ética como sendo a disciplina em torno da qual deveriam girar todas as reflexões filosóficas. com os pré. já era possível identificar vestígios de uma abordagem filosófica com reflexões de natureza ética.assim como a de Platão . somente o ignorante não é virtuoso. um animal social. A virtude seria o conhecimento das causas e dos fins das ações fundadas em valores morais identificados pela inteligência e que impelem o homem a agir virtuosamente em direção ao bem. pois todo homem quando fica sabendo o que é o bem. 15 . o homem sente-se dono de si e conseqüentemente é feliz. visando entender o comportamento humano. O homem deve necessariamente viver em sociedade e não pode levar uma vida moral como indivíduo isolado e sim no seio de uma comunidade. reconhece-o racionalmente como tal e necessariamente passa a praticá-lo.socráticos. quem desconhece o bem. ou seja. mesmo antes de Aristóteles. Ao praticar o bem.

Essa virtude é a prudência. através da qual podemos selecionar aqueles prazeres que não nos trazem a dor ou perturbações.mas os espirituais. aceitar a ordem universal compreendida pela razão. Sêneca) o homem é feliz quando aceita seu destino com imperturbabilidade e resignação. Para os estóicos (por exemplo. e nem todos são igualmente bons. o prazer é um bem e como tal o objetivo de uma vida feliz. O universo é um todo ordenado e harmonioso. Mas. onde os sucessos resultam do cumprimento da lei natural racional e perfeita. É preciso escolher entre eles os mais duradouros e estáveis. para isso é necessário a posse de uma virtude sem a qual é impossível a escolha. afetos interiores ou pelas coisas exteriores. sem se deixar levar por paixões. Os melhores prazeres não são os corporais . Estava lançada então a idéia de hedonismo que é uma concepção ética que assume o prazer como princípio e fundamento da vida moral. O homem virtuoso é aquele que enfrenta seus desejos com moderação aceitando seu destino. 16 . filosofo grego. existem muitos prazeres. O estóico é um cidadão do cosmo não mais da pólis. O bem supremo é viver de acordo com a natureza. porque contribuem para a paz da alma.Para Epicuro.fugazes e imediatos .

Essa nova forma de produção fortalece uma nova classe social .a burguesia que luta para se impor política e economicamente. viu crescer de forma muito intensa o relacionamento de suas forças produtivas com o desenvolvimento científico que começara a fundamentar a ciência moderna . por exemplo.e desse relacionamento se desenvolvem as relações capitalistas de produção. As diversas doutrinas éticas que surgiram neste período. Evidentemente essa mudança de ponto de vista não aconteceu ao acaso. traz em sua estrutura mudanças em todas as ordens. tinham como característica um caráter antropocêntrico e não mais teocêntrico manifestado pelo poderio da Igreja na Idade média. A economia. mas devido às transformações sofridas na esfera econômica.são dessa época os trabalhos de Galileu e Newton .A Ética na idade moderna A história da ética a partir do Renascimento Europeu é denominada de ética moderna. que podemos encontrar. com diversas tendências que prevaleceram desde o século XVI até o início do século XIX. A forma de organização social que sucedeu à feudal. É uma época de grandes revoluções políticas na França e Inglaterra e no plano estatal assistimos o 17 . política e científica e foram de suma importância para entendermos todo o processo de mudança histórico.

o italiano Nicolau Maquiavel inicia uma revolução na ética ao romper com a moral cristã. que passa a ser o centro de tudo. de própria conservação como sendo o fundamento da moral e do direito. pobre. e também da moral. Vemos então o aparecimento de uma ética antropocêntrica. Na verdade o que estamos presenciando é uma extraordinária sugestão para a aplicação de novos valores.sem leis nem governo era "solitária. O que importa são os resultados e não a ação política em si. René Descartes esboça com muita clareza esta tendência de basear a filosofia no homem. O homem recupera então seu valor pessoal e passa a ser visto como dotado de razão e afirma-se em todos os campos. quando defendeu a adoção de uma moral própria em relação ao Estado. Essa ruptura fica muito evidente quando. embrutecida e curta". da política. uma vez que os homens são 18 .desaparecimento da fragmentada sociedade feudal e o fortalecimento dos grandes Estados Modernos. que existe em cada ser. o Estado da Igreja e o homem de Deus. Nessa nova ordem vemos a razão se separando da fé (a filosofia separa-se da religião). Para Hobbes. que impõe os valores espirituais como superiores aos políticos. únicos e centralizados. da ciência às artes. a vida do homem no estado de natureza . sendo legítimos os usos da violência contra os que se opõe aos interesses estatais. sórdida. Outro filósofo da Idade Moderna. as ciências naturais dos princípios religiosos. entre a Idade Média e a Modernidade. da arte. Thomas Hobbes consegue sistematizar esta ética do desejo.

têm mais chances de matá-lo sem se ferirem. autocentrados. é boa ação aquela que proporciona "felicidade e satisfação" à sociedade. Seu bom comportamento deriva do seu egoísmo. O empirista inglês John Locke atrela a tendência à conservação e satisfação à uma concepção de "felicidade pública". caso cooperem poderão ser mais ricos e mais felizes. 19 .por índole agressivos. lhe advirão vantagens a ele próprio. ou seja. percebendo que. " David Hume seguindo essa linha nos coloca que o fundamento da moral é a utilidade. juntos. A utilidade agrada porque responde a uma necessidade ou tendência natural que conduz o homem a promover a felicidade dos seus semelhantes. indivíduos que decidem viver em sociedade não são melhores ou menos egoístas do que os selvagens: são apenas mais clarividentes. mas igualmente recomendá-las aos outros. Dizia Locke: "Como Deus estabeleceu um liame indissolúvel entre a virtude e a felicidade pública. se as observarem. é o fato de que. Para Hobbes. o que leva dois homens pré-históricos a se unirem numa caçada ao tigre dente-de-sabre. Em outras palavras. ninguém se deve maravilhar se cada um não só aprovar essas regras. insociáveis e obcecados por um "desejo de ganho imediato". e tornou a prática da virtude necessária à conservação da sociedade humana e visivelmente vantajosa para todos os que precisam tratar com as pessoas de bem. estando persuadido de que.

Hume estava propondo uma espécie de razão emocional para o comportamento altruísta. uma vez que agora é possível encarar o interesse alheio como se ele fosse um interesse pessoal. Hume percebeu que muitas das nossas paixões estão baseadas no que ele chamava de simpatia . Hoje em dia chamamos a ética centrada no dever de deontologia.a capacidade de sentir em si mesmo os sofrimentos e até mesmo as alegrias de outrem. uma nítida linha divisória entre o interesse pessoal e o interesse alheio. pelo homem. etc). Essa visão do ser humano como criatura simpática tornava impossível traçar. aquilo que se põe livremente de acordo com o dever. que é a necessidade de respeitar todos os seres racionais na qualidade de "fins em si mesmo". de que é um ser racional e como tal está obrigado a obedecer ao que Kant chamava de "imperativo categórico". 20 . Talvez a expressão maior da ética moderna tenha sido o filósofo alemão Immannuel Kant (1724-1804). Ele fez do conceito de dever ponto central da moralidade. glória. É o reconhecimento da existência de outros homens (seres racionais) e a exigência de comportar-se diante deles a partir desse reconhecimento. Kant dizia que a única coisa que se pode afirmar que seja boa em si mesma é a "boa vontade" ou boa intenção. A preocupação maior da ética de Kant era estabelecer a regra da conduta na substância racional do homem. à maneira de Hobbes. O conhecimento do dever seria conseqüência da percepção.Ao invés de limitar os desejos humanos àqueles determinados apenas pelo interesse pessoal (comida. dinheiro.

Até hoje existem diferentes morais de classe e inclusive numa mesma sociedade podem coexistir várias morais. formas de procedimentos práticos que possam ser totalizantes. Se entendermos a moral proletária como sendo a moral de uma classe que está destinada historicamente a abolir a si mesma como classe para ceder lugar a 21 . sempre na razão. Assim. "Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal. via de regra. de tal modo que os princípios que eu sigo possam valer para todos. um ato moralmente bom é aquele que pode ser universalizado. enquanto não se verificarem as condições reais para uma moral universal. já que cada classe assume uma moral particular. cumprindo uma função social que. válida para toda a sociedade. A ética kantiana busca. ou seja." (Kant). servia para sacramentar as relações e condições de existência de acordo com os interesses da classe dominante.Deve-se então tratar a humanidade na própria pessoa como na do próximo sempre como um fim e nunca só como um meio. não pode existir um sistema moral válido para todos os tempos e todas as sociedades. Para Marx. Numa sociedade dividida por classes antagônicas a moral sempre terá um caráter de classe. O filosofo alemão Karl Marx também via a moral como uma espécie de "superestrutura ideológica". sempre que se tentou construir semelhante sistema no passado estava-se tentando imprimir um caráter universal a interesses particulares.

" A necessidade de uma crítica dos valores morais. seja a moral socrática. a judaico-cristão ou a moral burguesa cita de modo interessante a interminável sucessão das doutrinas éticas. a discussão desses valores. com suas novas virtudes transforma-se numa necessidade. serve como passagem a uma moral universalmente humana. Toda a transformação da antiga moral e a construção de uma nova moral exigiram a participação consciente dos homens. e por conseguinte toda a necessidade conhecer as condições e os meios 22 . . é quase sempre um restolho daquilo que na precedente era considerado bom – o atavismo de um ideal já envelhecido. "aquilo que numa época parece mal. Torna-se necessária então uma nova moral que não seja o reflexo de relações sociais alienadas. A nova moral.crítico rigoroso de toda moral existente. para regular as relações entre os indivíduos. deve interferir sempre na transformação da sociedade. Os homens necessitam da moral como necessitam da produção de bens materiais e simbólicos e cada moral cumpre sua função social de acordo com a estrutura social vigente.uma sociedade verdadeiramente humana. O homem portanto. filosofo alemão do século XIX. quando diz que. tanto em vista das transformações da velha sociedade como para garantir a harmonia da emergente sociedade socialista. Friedrich Nietzsche.

Era um verdadeiro postulado o "valor" desses valores: atribui-se ao bem um valor superior ao valor do mal." (Nietzsche) Para este filósofo. mais inofensiva. tal que nunca teve outro semelhante nem é possível que o tenha. o bem é tudo que favorece a força vital do homem. estimulante. capaz de quebrar a tábua dos valores transmutando-os a todos. mais baixa? ". mas também mais mesquinha. do desenvolvimento humano. a vida é vontade de poder. hipocrisia. máscara. é tudo o que intensifica e exalta no homem o sentimento de poder. um sacrifício do presente a expensas do futuro? Uma vida mais agradável. e também a moral como causa.. da utilidade. Nietzsche anunciou o superhomem. ao valor do progresso. 23 . em que se desenvolveram e deformaram (a moral como conseqüência.. da vontade de poder no individuo. princípio último de todos os valores. à vontade de poder e o próprio poder.ambientes em que nasceram. um veneno. um perigo. remédio... demonstrando a realização da potencia. uma sedução. O mal é tudo que vem da fraqueza. freio ou veneno) o conhecimento. E por que? Não poderia haver no homem "bom" um sintoma de retrocesso. De tal modo que fosse culpa da moral o não ter chegado o tipo homem ao mais alto grau do poder e do esplendor? E de modo que entre todos os perigos fosse a moral o perigo por excelência?. enfermidade ou equívoco.

por infelicidade. "O credo que aceita a Utilidade ou Princípio da Maior Felicidade como fundamento da moral. o representante maior desta ética." O individualismo e uma variedade modesta e ainda inconsciente de vontade de poder. [. sustenta que as ações são boas na proporção com que tendem a produzir a felicidade. principalmente numa corrente conhecida como Pragmatismo. Entende-se por felicidade o prazer e a ausência de dor. fundamento de toda filosofia moral. O Bem consiste na maior felicidade e a virtude é um meio de se atingir essa felicidade. aqui o individuo se contenta em se libertar da dominação da sociedade (quer seja a do Estado ou da Igreja)" (Nietzsche).] O prazer e a isenção de dor são as únicas coisas desejáveis [. tem em no inglês John Stuart Mill. Uma outra corrente o Utilitarismo.que parece estar muito ligado ao 24 .. " (Mill) Estas tendências aparecem em muitas formulações éticas. segundo o qual o objetivo da moral é o de proporcionar o máximo de felicidade ao maior número de pessoas.] o são pelo prazer inerente a elas mesmas ou como meios para a promoção do prazer e a preservação da dor...] todas as coisas desejáveis [.. na medida em que tendem a produzir o contrário da felicidade.] como fins. e más. na qual a felicidade reside na busca do máximo prazer e do mínimo de dor.... e [.. a dor e a ausência de prazer ..

no final do século XIX. O Bom é algo que conduz a obtenção eficaz de uma finalidade. 25 . que propunham deixar de lado as questões teóricas de fundo. Dessa forma os valores. Seus principais expoentes foram os filósofos William James e John Dewey. como aquilo que melhor ajuda a viver e conviver. procurando identificar a verdade com o útil. fim esse que nos conduz a um êxito. O Pragmatismo pode bem ser o reflexo do progresso científico e tecnológico alcançado pelos Estados Unidos no apogeu de sua fase capitalista onde o "espírito de empresa". criaram solo fértil para a mercantilização das várias atividades humanas. afastando-se dos problemas abstratos da velha metafísica e dedicando-se às questões práticas vistas sob uma ótica utilitária. rejeitando a existência de valores ou normas objetivas. o "american way of life". princípios e normas perdem seu conteúdo objetivo e o bem passa a ser aquilo que ajuda o homem em suas atividades práticas. onde o bom é o que ajuda meu progresso e o meu sucesso particular.pensamento anglo-saxão. Uma distorção muito comum em nossa sociedade capitalista é a busca da vantagem particular. Existe um grande perigo embutido no pragmatismo. que é a redução do comportamento moral a atos que conduzam apenas ao êxito pessoal transformando-o numa variante utilitarista marcada apenas pelo egoísmo. variando conforme cada situação. tendo se desenvolvido particularmente nos Estados Unidos.

como explicar e delimitar fronteiras entre a violência. onde. terrorismo. O desenvolvimento do conhecimento e a transformação da natureza. Independente das diferenças culturais presentes nas sociedades. ou seja. etc.A postura ética na sociedade contemporânea A sociedade contemporânea presencia uma crise político/econômica e ética. representado pela personificação da máquina. muitas vezes "ter" se torna mais necessário do que o ser. onde se pauta os valores de vida. As relações econômico/cultural tendem a ser sustentadas numa visão positivista. tiveram como objetivos a busca da liberdade. onde critérios morais nascem tanto dos referenciais e de aspectos positivos. e não mais pelo homem. O que se pretende com o ritmo alucinado realizado pelo progresso material e maquinal nas sociedades capitalistas? Qual a melhoria da qualidade de vida que se busca para o homem? Diante desses ideais perseguidos. ou mesmo apenas o 'parecer ter' basta como ingrediente fundamental à realização do 'plena' do individuo na conquista de uma imagem de sucesso. como o bem e a virtude. drogas. etc. através do modo de agir racionalista/ instrumental. através da utilização da técnica. felicidade e 26 . se sustentando numa cultura cujo eixo de referência é a tecno-ciência e suas descobertas. guerras. progresso material. Esta discussão nos remete ao contexto de uma sociedade contemporânea /tecnológica em que a personagem principal e o racional.

entendidos como opostos à racionalidade -.justiça para o homem. dar um sentido a sua existência. então. surtindo graves conseqüências. provocando o embotamento do discernimento dos princípios éticos filosóficos e das potencialidades metafísicas do ser. ou tenta fazer. envenenando-se gradualmente. o modelo de explicação da transformação da natureza e da natureza humana. transformadas em papel jornal. esta satisfação existencial não ocorreu conforme foi racionalizado.) (. A própria face da Terra. A inter-relação e a busca do domínio sobre a natureza. através de uma postura pragmática.. seus animais e seus homens. já não é a mesma. por si própria.O referencial humano tinha se tornado. pela produção racionalizada e pelo consumo de bens materiais. no entanto.Em escassas dezenas de anos..) Todos seres orgânicos sucumbem perante a crescente mecanização. a razão. Procurando assim.. sensíveis . provocaram-se modificações climatéricas que põem em perigo a economia rural de populações inteiras (. numa máquina que faz. através das soluções de algumas questões essenciais. muitas das grandes florestas desapareceram.O homem procurou atingir.. a satisfação de sua existência. 27 .A civilização converteu-se. como a perda de valores mais subjetivos. proporcionaram resultados diversos.Um mundo artificial invade o mundo natural. com suas plantas. Estas mudanças são destacadas nas palavras de Oswald Spengler: "A mecanização do mundo entrou numa fase de tensão extremamente perigosa.

ou seja. Ou seja. e é compreendida como balizadora do que agora valorizamos: nós próprios nosso corpo e tudo o que podemos comprar. disseminado em sua estrutura social.com indivíduos desapegados de visões do ponto de vista simbólico. onde um controle tecnológico não se fazia tão sofisticado. da sua possibilidade em uma sociedade tecnológica e da informação .Não podemos olhar uma cascata sem mentalmente a transformamos em energia elétrica (. nossa identidade. a ética possui características não mais centradas na obediência obrigatória à moral que orientou a era moderna. Será possível tal ser consciente e tão imprescindível à ética.tudo mecanicamente. da sociedade tecnológica. um imperativo categórico a priori que orientaria a ação dos homens. a ética deixa de ser vista como um "dever moral". com aqueles que com quem temos interesses semelhantes. do seu papel. que considera a ética um fim em si mesma. de um mundo sem as ideologias que moviam dialeticamente o processo histórico. A sociedade tecnológica mundializada propicia o controle direcionado também para o surgimento de identidades fragmentadas com seus próprios códigos morais. nossos valores afetivos.Já não conseguimos pensar senão em termos de cavalos– vapôr. baseada em um eticismo.. Procuramos refletir a respeito da ética.. apresentando sociabilidades que se estruturam a partir de um ponto de vista material.). porém. Na vida tecnológica. onde o relacionamento se faz notoriamente. culturais juntamente com o comportamento ético não se realiza mais 28 . nesta era da mundialização.

que funciona de modo mecanicista buscando os meios de se alcançar os seus objetivos de forma a alcançar o sucesso. Se o desejo de nos relacionarmos com pessoas parecidas conosco sempre foi uma realidade atemporal. de alteridade próxima estão desaparecendo? Uma visão crítica da ética Especificamente na análise da obra de Jurgen Habermas. Marcuse) pela releitura e adaptação da doutrina marxista. a adaptação a objetivos determinados. (Adorno. Hockheimer. ou para utilizarmos o conceito de Hedeigger. percebe-se o distanciamento dos pressupostos dos demais integrantes frankfurtianos da primeira geração. Segundo esta análise. não importando o lugar. sem necessidade de existir nenhum vínculo afetivo. o espaço. o desenvolvimento técnico e a ciência estão direcionados apenas para a uma aplicação técnica ocasionando a perda do próprio bem. filósofo da segunda geração da Escola de Frankfurt. capaz de dar conta das características do capitalismo tardio da sociedade industrial contemporânea. o êxito. com o predomínio das formas de dominação técnica ou tecnológica. da preocupação ontologia do ser. atualmente ele ganha outras possibilidades de grande porte. a perda da metafísica. 29 . Deste modo como abordaremos a ética se os valores comuns. mas tende a se estabelecer mais na similitude do outro. O filosofo realiza uma critica a racionalidade denominada de instrumental.em relação ao próximo.

sem violência. ou seja. autoritária. torna-se prioritário o resgate desta perda da natureza humana. ao acordo. recorrendo à filosofia da linguagem para tematizar essas condições do uso da linguagem livre de distorção. linguagem e comunicação constituir o referencial da filosofia ética e política. Esta proposta fundamenta-se na elaboração de uma "teoria da ação comunicativa". do discurso argumentativo. a verdadeira discussão é consensual e tem relações com a razão. tratando o outro como pessoa e não como objeto. mas apoiando-se na força. os sujeitos agem tendo em vista a intercompreensão. da liberdade dos sujeitos de se posicionarem de maneira emancipadora perante a ditadura da ciência e da técnica/tecnologia.Segundo Habermas. através do "agir comunicativo". remetendo-nos ao consenso ao entendimento. não com a ameaça. portanto a comunicação anunciaria o reino da ética do agir moral. destacando a importância da racionalidade não instrumental.Portanto a analise dos atos de fala. logo também no discurso quotidiano. a emergência da busca de uma racionalidade que não esteja submetida à instrumentalidade. a possibilidade de escolha de indivíduos que dialogam.Em suma. com a idéia de consenso marcando a investigação éticomoral. temos que pressupor 30 . " Antes mesmo de entrar em qualquer forma de argumentação que seja. fundando uma nova racionalidade. a valorização das pessoas dos seus interrelacionamentos. mas argumentativa para a realização plena da existência humana. quando aceitamos falar. a comunicação transparente.

com seu principio da universalização: " Toda norma valida deve (…) satisfazer a condição segundo a qual as conseqüências e os efeitos secundários que (de maneira previsível) provem do fato de que a norma foi universalmente observada na intenção de satisfazer os interesses de cada um na intenção podem ser aceitos por todas as pessoas concernidas" (Habermas) Conforme a interpretação que endossa a teoria habermasiana. uma exigência que se realiza no interior da comunicação. a possibilidade de libertação. de uma "pragmática universal". Percebe-se neste modelo filosófico ético-comunicacional uma semelhança com o modelo de filosofia moral kantiana. sendo esta. por direito. perguntar: "Que e que você fez?" ou Que e que você disse?". devo. a filosofa Jacqueline Russ cita " Assim se apresenta o imperativo categórico da pós 31 . quer eu tenha ou não razão" (Habermas) A racionalidade comunicativa fornecera um padrão que permitira julgar a transparência dos processos sociais a uma universalização dos interesses.mutuamente que somos responsáveis: só para dar um exemplo.Desta forma a linguagem e o grande fundamento da moral. se você diz alguma coisa de obscuro ou se você age de modo um pouco misterioso. pressupondo que você possa dar uma explicação sincera.

O principio de utilidade pressupõe uma busca calculada dos prazeres. conforme estes pensadores vislumbram. e conseqüentemente. principio formulado por Gilles Lipovetski. que oferece uma nova compreensão da Razão pratica. Rawls tem como principio a substituição do utilitarismo. desde que a razão seja entendida criticamente.modernidade. fundada na razão.". em sua "Teoria da Justiça" pensa a modernidade. como também uma ética da responsabilidade (Hans Jonas). não se desmanchou no ar. torna-se necessário repensar os princípios para reorganização de ações políticas. O imperativo categórico de uma fundamentação ética totalizante.Quando a utopia marxista se liquefaz. o principio da maior felicidade ao maior numero de indivíduos. no sentido do agir comunicativo. sendo significativo para nossa época. dos gozos que leva a harmonia social. Habermas ainda coloca que a Modernidade. inferindo a necessidade do surgimento de uma macroética. imperativo ligado a comunicação. a idade da Razão. de modo a conquistar integralmente as formas culturais contemporâneas.A 32 . e o homem mergulha na era do vazio. constitui uma reação e resposta ao individualismo pós moderno. para ele o projeto que foi iniciado na Idade das Luzes. que serve de base para o governo. deve ser desenvolvido. Ética e Política Para o pensador inglês John Rawls.

se predizem . pessoal. podendo além disso. esta teoria não se preocupa com a felicidade de cada individuo. levando-se em conta o bem estar geral. se beneficiam os menos favorecidos. vantagens para cada um. sem obstáculos. cada indivíduo ter um acesso. a qualquer posição ou cargo.teoria da justiça de Rawls leva em conta a coletividade. em compensação. tratando-os como se fosse uma só. E o segundo das desigualdades socioeconômicas existentes na sociedade são justas. a inquestionável predominância de um discurso hegemônico de tradição da política americana. Na teoria da Justiça. 33 . desde que ocorra a diminuição das desvantagens dos menos favorecidos. Para Rawls a justiça é entendida em dois princípios: O primeiro exige a igualdade das atribuições dos direitos e deveres que cumpre assegurar a cada pessoa numa sociedade com liberdade igual a todos. Ele fala de uma justiça distributiva partindo de um "estado inicial" por meio do qual se pode assegurar que os acordos básicos a que se chega num contrato social sejam justos e eqüitativos entre pessoas livres e racionais. Nota-se no modelo de Rawls. a justiça não é um resultado de interesses. por públicos que sejam. com o favorecimento de uma determinada classe. Esta teoria transmite uma idéia do aumento das vantagens dos mais favorecidos. não dando destaque ao particular. imaginando um espectador imparcial determinado a maior parcela de satisfação para o conjunto.

sempre baseado não em utopias. grávido de questões e de perigos" (Russ) A alteração na condição humana.Ética e tecnologia Para o filosofo alemão Hans Jonas a preocupação com a ética metafísica. qual a grande 34 . mas na realidade com os pés no chão. pelos quais somos responsáveis.A necessidade de situar a valorização da técnica contemporânea como influenciadora do comportamento humano. ontológica.Manifesta-se a importância da analise das transformações da conduta humana. a ética na se faz somente no imediatismo. no nível epidérmico. se torna realmente necessário e ético. posta de lado por Habermas ao elaborar seu projeto baseado na razão pratica. desligado da metafísica. atual e futura e não mais presa em éticas e valores ultrapassados. "(…) Hoje a técnica moderna introduz acoes de um tipo inédito e toma o homem como objeto de seu agir: prolongamento da vida. controle do comportamento e manipulação genéticas manifestam. Para Jonas que foi aluno do filosofo Heidegger. no essencial. ancorada numa doutrina do ser. esse salto qualitativo. hipodérmico e genético.Levando-se em conta os ideais de progresso e os conceitos de tecnologia. procurando elaborar uma nova ética. que seja sua manutenção. mas para futuras gerações. o estar aqui. o aumento da sua permanência. as metamorfoses protéticas corporais. do presente.

ou arruiná-la e ameaça-la?" 35 . Não podendo ser humano ser um agente passivo da técnica.contribui em geral. e de suma importância que as alterações. desenvolver e proteger o homem. o seu humanismo? Conforme Heidegger" (…) será que a cultura técnica . será que esta tem por objetivo cultivar. desde a exposição a raios x a implantes de circuitos neuronais? Não deixamos que as transformações humanas extingam as profundezas do ser. sejam quantitativas ou qualitativas das acoes humanas levem nos a urgência de um questionamento ético. maquinizados a estímulos e respostas. Portanto.e por conseguinte a própria técnica .conquista com estas mutações. com esta simbiose tecnológica que nosso organismo sofre. tornando-nos meramente seres protéticos superficiais. para a cultura humana(Menschheitsbildung). e se sim em que sentido.

O Imperativo categórico de Jonas Para Kant seu imperativo categórico e formulado da seguinte maneira: "Age de tal sorte que possas igualmente querer que tua máxima se torne uma lei universal. que não age diretamente sobre. a universalidade de Jonas e com o futuro. o devir. 36 ." "Age de modo que os efeitos de tua ação não sejam destruidores para a possibilidade futura de tal vida" Para Jonas posso arriscar minha vida. visto que minhas obrigações não acarretam obrigações do outro. Esta não reciprocidade do imperativo de Jonas constitui um elemento característico. desde que não ocorra o comprometimento com a humanidade futura." Em Jonas: " Age de modo que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a terra.

que denotavam o anseio pela conquista da liberdade das garras do poder ou como forma de participação política e social -.Este individualismo é constituído em uma atmosfera Narcísica/ Dionísiaca. parecer estar presente. apático e descontraído. no sentido de Kantiano. Agora este individualismo não se conceitua mais como um triunfo da individualidade em face das regras e normas conservadoras. distintas do individualismo do período moderno. promovendo a exacerbação dos valores sensíveis.do século XIX. destruindo a noção do dever 37 . do espetáculo. elaborados por um modelo totalizador e autoritário. quando se dissolvem as ideologias. os discursos totalizantes que englobam as metanarrativas.onde surgem novas formas de individualismo. marxistas. sendo a cultura do hedonismo a regra. mas a plena realização frente aos processos disciplinadores. como o princípio do viver. Põe. tornando penoso e árduo a questão do dever. mas de modo passivo. .se à questão: como requerer para a ética um principio que possua validade universal. se torna indolor. inócua. estabeleceu novos referenciais de conduta ao individuo pós-moderno. acrítico. Habermasiano? A ética tradicional desaparece na nova sociedade.Ética pós-moderna Gilles Lipovetsky faz sua analise ética do período contemporâneo. das particularidades. de características totalitárias . do efêmero. mas apenas aparecer. do estar aqui. que não precisa mais ser ou ter. punitivos. que motivam novas formas de comportamento. O desmanche das ideologias de salvação racionalista.

Nenhuma recomposição do dever heróico. na biologia (bioetica). solidária. representada e difundida nas empresas. nos remete a uma pergunta fundamental. estaria a afirmação de que na Ética da Responsabilidade de Jonas. impostura ou exigência dos tempos? 38 . Até onde saber se ela é verdadeira ou apenas simulação. mas segundo uma ética fraca e minimalista. A ética nos negócios A questão da ética nos negócios. " As democracias oscilaram no alem do dever. mas reconciliação do coração e da festa" (Lipovetsky) A partir desta analise. se agencia não sem fé nem lei. transformando-se em categorias. ou seja.absoluto e rigorista. etc. nem sanção (…) a ética (não ordena) nenhum sacrifício maior. nenhum extirpar de si. sem obrigação. a representação da corrosão e fragmentação social dos grandes ideais de progresso demonstraria a necessidade de uma saída humanística. éticas das mídias. valorizando o outro através da noção de comprometimento com o futuro. nos negócios.

Qual a ética nos negócios neste período de mundialização. tornou-se necessário reavaliar seus papeis e princípios. utilização de mão de obra barata. e a ética nos negócios parece não convencer mais ninguém. os conceitos anteriores de fundamentação ética no decorrer do seu desenvolvimento e analise por diversos pensadores. como um sanguessuga buscando um novo corpo? E os acordos financeiros. Não nos deixemos enganar o objetivo principal nos negócios. ferindo muitas vezes. os aspectos mais nobres do comportamento humano. 39 . pois se o egoísmo tem prioridade na empresa. se levarmos em conta.Pode soar de modo refutável. empréstimos a fundo perdido. Os pragmatismos engendrados pela lógica do capital e seu desenvolvimento baseado na sua acumulação. frágil e paradoxal. ainda. a proliferação de mercadorias (des)necessárias para o bem estar social(?) de pequena parte do social. infantil ou escrava? A rentabilidade exacerbada. Não estamos aqui para negar a importância do mundo financeiro e dos negócios. falar de ética nos negócios. da volatilidade dos capitais financeiros. milhões de dólares desaparecem e deixa o país a mingua. o lucro para a sua sobrevivência. continua sendo por definição. a fim de modificar de modo pelo menos inicial esta situação. que em apenas um dia.

dando inicio a discussão sobre o tema. A perversidade consiste em apresentá-las como aquelas "forças vivas" que seguiriam mais propriamente imperativos morais. dentro do crescente nível de competitividade empresarial. a ética nas empresas norte americanas começa a ser desenvolvida. colocando em perigo a vida de empresa e seus produtos. quando elas têm de seguir um dever. juridicamente sem 40 . como fator de diferenciação mercadológica.Por uma avaliação do comportamento ético empresarial No final dos anos 60.como performance e obediências às regras declaradascabe-nos uma analise de transformação da natureza das ações da adequação a novas praticas comerciais e uma maior preocupação com o consumidor/cidadão. corrupções. uma ética. quando as corporações buscam repensar sua ética ou deontologia. sociais. será que o espírito do capitalismo esta mudando? Como interpretar esta (onda?). dando inicio a reflexão da necessidade de uma ética de responsabilidade na empresa. não há dúvida. "Repita-se: a vocação das empresas não é serem caridosas. prosperando para os principais paises da Europa. subornos.. mas que lhe pedem para produzir lucro. motivada por uma onda de escândalos. Retomando a pergunta. que tipo de ética se busca. abertos para o bem-estar geral. o que em si é totalmente lícito. Na década de 80 ocorre varias palestras e seminários e cursos em Wall Street.

Como se pudéssemos ignorar que vivemos numa época em que essa função. outrora assumida pelo trabalho. Nesse contexto. mas em nossos dias. uma fonte prioritária de economias. com ou sem razão. embalado por tantos encantos é considerado por aqueles que poderiam distribuí-lo um fator arcaico. adequação e conhecimento. E melhores condições de trabalho significam melhor uso da força de trabalho e dos meios de produção. praticamente inútil. Mas. invocado. nocivo ao lucro! Nefasto. o valor do trabalho se tornou sinônimo de "melhor emprego". a velocidade das exigências dos tempos modernos impõe adaptações mais curtas. Mas. não tem mais razão de ser desde que este se tornou supérfluo. graças a essas riquezas. de alto preço. o modelo empresarial se apoiou fortemente no controle e criação de novas funções de trabalho técnico industrial como garantia do fortalecimento quantitativo das forças produtivas. esse caminho implica em maiores investimentos e "maior tempo" de adaptação. fonte de prejuízos. o emprego representa um fator negativo. O melhor emprego significa melhores condições de trabalho. então indispensável. mudanças mais rápidas e conhecimentos mais 41 . O emprego tão decantado. um agente essencial de lucro" (Forrester) Na organização social moderna. e essas forças vivas como as únicas capazes de suscitar. de déficits financeiros. inutilizável. um crescimento que se traduziria imediatamente em empregos. A supressão de empregos tornou-se um dos modos de administração mais em voga. a variável de ajuste mais segura. Sim. Há quem mostre as "criações vivas".mácula.

Disciplinas de grande amplitude como a psicanálise. etc. Todo o conhecimento humano teve a mesma sorte. que dominou a construção do saber e a produção até o século XVIII. a formalização do emprego (e a sua relação com a propriedade privada do conhecimento: "dono do conhecimento") como garantia de trânsito no espaço social permitiu que uma camada social se beneficiasse desse poder de posse do saber técnico veloz em detrimento do 42 . O conhecimento humanístico e a polivalência dos artesãos e dos cientistas. mais dependentes das totalizações do poder político e do poder econômico. Tanto os profissionais do mais alto escalão como os operários não compreendem hoje o valor de uso do seu trabalho.instantâneos. foram substituídos pela constituição de áreas de competência cada vez mais restritas e mais isoladas umas das outras. Essa associação e identidade produziram efeitos segregadores das minorias "mais atrasadas". a economia marxista ou Kenesiana. a bioenergia. Pois. o sistemismo. da psicologia infantil. o estruturalismo. A atual delimitação dos campos de competências teóricas e profissionais "construiu-se paralelamente ao parcelamento da atividade de produção que decorreu da Revolução Industrial. constituem espaços hegemônicos e monopólios de especialistas . integrados numa grande ilha de montagem. A vida humana tornou-se dependente do trabalho social e velozmente necessário. assim como as teorias aplicadas do comportamento organizacional. ou seja. da economia empresarial. conhecimentos técnicos mais rapidamente atualizados e especializados.

a existência das ONG`s militantes. e ali explorar a força de trabalho feminino extremamente vulnerável em condições de remuneração extremamente baixa e segurança do emprego negligenciável " (Harvey). da reforma agrária. da censura. da política capitalista. Não apenas as novas estruturas do mercado de trabalho facilitam muito a exploração da força de trabalho das mulheres em ocupações de tempo parcial.sexo feminino (que como conseqüência acaba sendo explorado) e de outras classes e culturas menos favorecidas (as "ociosas" ou "parasitárias" ou "desqualificadas" ou "atrasadas"). Esse retorno segue paralelo ao aumento da capacidade do capital multinacional de levar para o exterior sistemas fordistas de produção em massa. de cunho ideológico e político que utilizava a bandeira das utopias. substituindo assim trabalhadores melhores remunerados e menos facilmente demitíveis pelo trabalho feminino mal pago. A ética na parceria das empresas e o terceiro setor Em primeiro lugar é importante frisar as diferenças existentes no conceito de Organização Não Governamental. como o retorno dos sistemas de trabalho doméstico e familiar e da subcontratação permite o ressurgimento de práticas e trabalho de cunho patriarcal feitos em casa. do direito a uma sociedade mais justa. etc. com palavras de ordem de combate as ditaduras. diferia na maioria das vezes 43 . Até aproximadamente a década de 80.

desafetas e bidimensionais de uma social pós. universidades.(…) a forma sobrepuja o conteúdo. sindicatos.modernista. educativos. pois em muitos casos não tinham a simpatia popular e o respaldo institucional devido. pelo peso do preconceito do discurso ideológico e da ideologia difundida sobre eles.das ONG`s modernas do terceiro setor. para nos oferecer as superfícies vazias. os significantes prevalecem sobre os significados. medias. utilizando como ferramenta de difusão das suas propostas. atualizada com as novas ferramentas tecnológicas. ecológicos. seminários para esclarecer seus projetos sociais. culturais. (…) o capitalismo avançado elimina todos os vestígios de subjetividade "profunda" e portanto todos os modos de ideologia (…) A partir da ultima década começou a surgir um novo tipo de ONG com uma nova postura ética. transnacionais.Utilizam fóruns. fundações de empresas. partidos políticos. no nível da resposta visceral e não da consciência refletida. a mídia. cabendo dar destaque às palavras do filósofo Terry Eagleton: "O consumismo afasta-se do significado a fim de enredar o sujeito subliminarmente. que em muitas vezes. 44 . tentando sensibilizar as empresas pequenas. desprovida de aspectos ideológicos. como a internet.Essa hemorragia de significado em grande escala e a causa dos sintomas patológicos que afetam a sociedade por todos os lados. órgãos governamentais. libidinalmente. os aparelhos ideológicos do Estado e das diversas instituições privadas insistiam em difundir.

etc. " Junto com a degradação da política e a descrença em suas instituições. destacamos entre outros. Canclini.Percebe-se nesses novos tempos mudanças dos atores sociais. pelo menos em parte as responsabilidades que outrora pertenciam ao Estado do Bem Estar Social.que lugar pertenço e que direitos isso me da. sempre registrados pela marcação cerrada da imprensa. sob o 45 .etc.recebem sua resposta mais através do consumo privado de bens e dos meios de comunicação de massa do que nas regras abstratas da democracia ou pela participação coletiva em espaços públicos. Um dos principais objetivos é estimular a necessidade da cidadania que se concretiza mais como uma manifestação da possibilidade de consumo do que a representação política. sindical. utilizam exageradamente os meios de comunicação para legitimar e valorizar sua imagem perante a sociedade. os meios de comunicação de massa. esses novos atores do Bem Estar." Porém. conforme comenta N. o mercado e o setor privado substituindo.Homens e mulheres percebem que muitas das perguntas próprias dos cidadãos . logicamente menos por questões humanitárias do que por necessidades mercadológicas. quem representa meus interesses . assim. como posso me informar. procuram realizar diversos eventos para dar destaque as suas ações sociais.Buscando. garantir aos pequenos grupos carentes escolhidos normalmente por motivos humanitários e com o apoio de seus parceiros. outros modo de participação se fortalecem.

independentemente de qualquer crença ou expectativa. que na utilização da lógica do mercado. certa tendência de evitar ser visita e ouvida.moderna.A hostilidade cristã em relação à esfera pública. pode também ser entendida como conseqüência evidente da devoção às boas obras.pretexto de divulgar as ações desta ou daquela empresa ou instituição. Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade. a tendência que tinham pelo menos os primeiros cristãos de levar uma vida o mais possível afastada da esfera pública. e realiza transformações específicas. É interessante notarmos que. sua manutenção e a verificação dos resultados. de acordo com Hannah Arendt: "A única atividade que Jesus ensinou. no instante em que uma boa obra se torna pública e conhecida. por palavras e atos. obviamente.Pois é claro que. fragmentadas próprias do bem estar na sociedade pós. 46 . perde o seu caráter especifico de bondade. o que legitima a ação do ato de bondade é a não divulgação e personalização do ato da bondade. e a bondade contém. de não ter sido feita por outro motivo além do amor à bondade. nem sempre se levando em conta a solidez do programa social. embora possa ainda ser útil como caridade organizada ou como ato de solidariedade. o ato de solidariedade tornase uma mercadoria. do ponto de vista dos valores cristãos. foi a atividade da bondade." (Arendt) Temos que ressaltar a adaptação e conivência do terceiro setor com o modelo neoliberal.

estamos falando de uma nova ordem política. que atuam em redes e podem transpor facilmente as frágeis barreiras de controle das instituições financeiras dos diversos paises.Para desespero dos 47 . alastrou-se por outros países do primeiro mundo. gerando novos fluxos de capital. cultural em nível mundial. Portanto. quando o mundo inteiro vivia a crise do petróleo.A liberalização dos controles cambiais por iniciativa norteamericana. ao falarmos de políticas econômicas e mundialização. "Pela exploração do mercado mundial. propiciaram novas formas alternativas de investimento no mercado mundial. fundamentadas no desenvolvimento do processo de internacionalização do capital financeiro desterritorializado. não existindo a partir daí.A ética da mundialização Em meados dos anos 70. mais obstáculos de rentabilidade. a burguesia imprime um caráter cosmopolita a produção e ao consumo em todos os paises. econômica. o capital financeiro norte americano e as empresas transnacionais. beneficiando especialmente. ampla mudança da base tecnológica. fazendo com que certos autores a denominassem "a terceira revolução industrial".O re-ordenamento dos mercados e a hegemonia das corporações industriais transnacionais. ocorreram mudanças substanciais na política econômica alterando o cenário do mercado internacional.

e a ironia é que substituindo algumas palavras.Em lugar das antigas necessidades. mas sim matérias-primas vindas das regiões mais distantes. ela retirou da indústria sua base nacional.)" 48 . uma universal interdependência das nações. cujos produtos se consomem não somente no próprio país. nascem novas necessidades que reclamam para sua satisfação. os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. dependência. em suas relações de interdependência. imperialismo.Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias. Estados nações. colonialismo.reacionários.. multilateralismo (. satisfeitas pelos produtos nacionais. podemos adequá-lo perfeitamente ao nosso cenário econômico atual. sociedades nacionais. "O Manifesto Comunista". podemos citar Octávio Ianni." (Marx) O texto acima.. mas em todas as partes do globo. desenvolve-se um intercâmbio universal. Endossando esta afirmação. escrito no século XIX foi retirado da obra de Karl Marx. as políticas neoliberais despontam. Diante desse fenômeno que se mostra hegemônico. bilateralismo. como as únicas possíveis de propiciar às nações e as instituições privadas um lugar privilegiado na marcha da historia.As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. "Ocorre que o globo não é mais exclusivamente um conglomerado de nações.São suplantadas por novas industrias que não empregam mais matérias-primas nacionais.

o surgimento dos cabos de fibras óticas.. a internet. que tendem a 49 . corporações e conglomerados transnacionais adquirem preeminência sobre as economias nacionais". com a revolução da tecnologia e da informática. Notamos a contribuição que a técnica e a ciência proporcionou nestas ultimas décadas. onde o desenvolvimento tecnológico tem um papel de destaque.. ao contrário. a telefonia celular. despontam dentro da sua lógica. a flexibilização dos processos produtivos e outras manifestações do capitalismo em escala mundial.) Com a nova divisão internacional do trabalho. não podemos deixar de analisar a mundialização com um produto de uma relação dialética que desponta em seus mecanismos novos processos do devir. desemprego estrutural. O processo dial(ético) na mundialização Como todo processo histórico. paradoxalmente a essa exacerbação tecnológica impregnada em nosso cotidiano. a monitoração das imagens via satélite. Mas."(. como crises sociais profundas. a robotização industrial e a automatização difundida em diversas corporações. as empresas. 'efeitos colaterais'. a ciência e a técnica não significam rigorosamente uma diminuição das diferenças sociais. através das interpelações econômicas e a competitividade que o sistema capitalista produz para manter sua sobrevivência.

despertar reações acentuadas de diversos grupos com a reivindicação de
melhores condições de vida, habitação, etc. A institucionalização de uma
economia informal de subempregos que desembocam inevitavelmente em ações
desde protestos pacíficos, culminando em atos de violência urbana ou
terrorismo.
Estes movimentos podem ser definidos de certa forma, como reflexos da
globalização, da política econômica direcionada pelos paises do primeiro mundo.
Como não poderia deixar de sê-lo, neste processo histórico, despontam
também, outros movimentos sociais mundializados, que levantam a bandeira da
preservação e restituição do ecossistema planetário, objetivando o equilíbrio do
Homem com o seu meio ambiente, face ao desenvolvimento desordenado do
progresso tecno-capitalista.
Conforme Otavio Ianni menciona,

"Alias, é também muito sintomático que na época da globalização surjam
movimentos sociais transnacionais mobilizados para preservar e recriar
patrimônios ecológicos ou ecossistemas, ameaçados pelo uso predatório de
recursos naturais ou do meio ambiente principalmente por parte de corporações
transnacionais."

Ressaltando também o comentário do "The Group of Green Economists.

50

" A difusão das atividades econômicas industriais e dos seus estilos de vida
estão exaurindo a riqueza ecológica básica do nosso planeta, mais rapidamente
do que pode ser restituída estão em perigo os recursos naturais dos quais
depende a crescente população mundial."

Acelerando o descom-passo

Com a mundialização, o conceito de tempo/espaço é redefinido, as grandes
corporações que adquiriram maior agilidade, pessoal mais qualificado,
flexibilidade de produção e volatilidade quanto ao seu local geográfico de suas
instalações administrativas e ou produtivas, quer seja dentro de um mesmo
território ou em outras regiões, na maioria das vezes, motivadas pela crescente
concorrência de novos nichos de mercado, pela redução de custo de produção,
(matéria-prima e mão-de-obra não especializada) e dos produtos.
Seduzidas pela força do capital, que implica investimentos e produtividade,
diversas nações procuram através de acordos, muitas vezes duvidosas, nos
quais inclui um pacote de incentivos fiscais visando atrair as corporações para a
instalação de suas fábricas ou a aquisição 'predatória' de pequenas empresas
nacionais que não conseguem competir no mercado mundial, não podemos
deixar de mencionar o enfraquecimento das reivindicações dos movimentos
sindicais, que se transformam em relações amigáveis entre as comissões de
fábricas, que se tornam os representantes diretos dos trabalhadores que

51

negociam com os empresários,.Em contrapartida, há o fortalecimento das
associações empresariais e grupos financeiros mundiais (G7, FMI, Banco
Mundial, etc).
Estas alterações no panorama das relações de produção trazem

como

conseqüência, a transformação da sociedade civil e do Estado do Bem Estar
Social,

que

se

tornam

passíveis

diante

dessa

política

econômica

(neoliberalismo), onde se tem a impressão de que as prioridades são os
interesses do capital e dos acionistas, submetendo a coletividade a perda dos
direitos (sociais e trabalhistas) conquistados.
Com a crise política estabelecida pela diminuição das funções Estado-Nação,
decorrente

deste

modelo

econômico,não

demoram

a

aparecer

às

conseqüências, conduzindo ao salve-se quem puder, ao "darwinismo econômico
social"

entre

os

ricos

e

os

pobres.

Além das conseqüências deste novo modelo de relações entre trabalhadores,
comissões de fábrica, sindicatos e empresários, citado anteriormente,

o

desenvolvimento tecnológico assume um papel importante, repercutindo na
automatização industrial, na flexibilidade da produção, na terceirização da mão
de

obra

Sem dúvida, hoje, mais do que nunca estamos sujeitos às intempéries mundiais.
A grande questão é "para quem deve o governo governar, para os mercados ou
para a sociedade?" A resposta óbvia seria governar para a sociedade, porém
não é isto o que acontece. Os Estados Nacionais muitas vezes não conseguem
governar para a sociedade, ou seja, ficam impossibilitados de priorizar o uso do

52

pretendemos estimular reflexões mais aprofundadas das origens e conseqüências desta crise política econômica. Com este trabalho. onde o slogan "Igualdade. além de altíssimos juros para o pagamento destes empréstimos. que em troca de empréstimos de verba. impõem restrições de investimentos. marcando definitivamente a passagem das instituições feudais do Antigo Regime para o capitalismo industrial. ficam reféns da política financeira de instituições financeiras internacionais. do estado neoliberal A partir da revolução francesa e dos ideais filosóficos propagados pelo movimento Iluminista no séc. etc. Fraternidade e Liberdade" seria utilizado como guia pelas políticas do Estado Liberal.dinheiro proveniente de arrecadação tributárias à políticas públicas. sobretudo a necessidade de um questionamento ético do papel dos agentes sociais e as posturas adotadas que beneficiam a reprodução do capital financeiro e a não priorização da valorização da condição humana em seu sentido coletivo e não apenas A nas crise ética individualidades. 53 . suspensão de algumas políticas sociais. antropormófico e racionalista. desaceleração econômica. preconizou-se o surgimento de um modelo ideal de sociedade que estaria fundamentada pelo enaltecimento do desenvolvimento científico tecnológico. XVII. ao invés disso. embora não tenhamos ainda perspectivas claras sobre a "nova ordem mundial".

Já falamos anteriormente que o atual modelo econômico não têm resolvido os reais problemas sociais. etc. Neste sentido. 54 . os mercados financeiros ditam as medidas que precisam ser adotadas pelos governos. Um ataque especulativo de tais mercados é capaz de destruir um governo e uma economia nacional em poucas horas. e que se obriga conseqüentemente de crédito junto aos credores da economia mundial. FMI. o aparente sucesso inicial dos planos de estabilização proporcionou como contraponto um aumento do desemprego. isto é. desaceleração do crescimento e do aumento da dívida pública. "o menos de Estado e de política possível" ou seja. pode resultar em sérias sanções por parte dos mercados financeiros. um Estado mínimo de intervenção na economia. FED. As razões pela qual o projeto neoliberal vigorou em todo o mundo foram as economias nacionais. definindo-se através da máxima. portanto. as políticas públicas nacionais estão "amarradas" a uma política do capitalismo financeiro internacional. sem equilíbrio fiscal.O conceito fundamental do Liberalismo foi utilizado de forma semelhante pelo neoliberalismo. Assim. o que podemos esperar é um agravamento da crise provocada pela diminuição dos recursos disponíveis dirigidos para o social. Um dos principais fatores da atual expansão da política neoliberal disseminada em nível global foi o movimento real do capitalismo na direção de uma desregulamentação crescente e de uma globalização econômica de natureza basicamente financeira. sem uma moeda estável. Submetendo-se as normas ditadas. onde a não observação das regras estabelecidas nestes pactos.

Este modelo tem como base o livre jogo das forças do mercado. os preços das mercadorias são definidos pela concorrência entre os agentes econômicos e pela lei da oferta e da procura. como o caso dos países comunistas (Cuba. a livre concorrência entre eles e o livre acesso à propriedade e ao lucro. do Banco Internacional de Desenvolvimento e do Fundo Monetário Internacional. fim 55 .Enfim. em relação às forças sociais e políticas internas seria adotar medidas para conter a crescente desigualdade social. as preocupações em desenvolver programam que tenham por base a solidariedade para com os países chamados "periféricos" que adotaram tardiamente este modelo. redução do tamanho do Estado (redefinição do seu papel. abertura comercial. menor intervenção na economia). "gestores" do neoliberalismo. dos EUA. na mundialização há diversas contradições e o impacto produzido por ela é sentido diferentemente em cada Estado Nacional e em cada classe social. resultando nas seguintes alterações ao cenário mundial: política de ajuste fiscal. O novo papel do Estado. ou seja. Os pontos básicos deste projeto neoliberal foram sistematizados com o apoio do Banco Mundial. entre outros com o objetivo de discutir a economia global. configurando em sérias conseqüências econômicas sociais aos países que relutam em manter-se distantes ou não totalmente incluídos deste panorama. privatização. Alguns pontos essenciais do liberalismo são: a livre iniciativa de indivíduos e grupos. China) e alguns países da Ásia e África. Nesta perspectiva o esperado é que o aumento da oferta seja causa da diminuição dos preços e vice-versa. O projeto neoliberal está se tornando hegemônico e mundial. Também cabe aos países "centrais".

transportes. Diante desta situação os governos perdem a autonomia. buscando a reflexão das contradições de uma postura utilitária e individual deste modelo econômico financeiro e por que não dizer ultra-tecnológico. saúde. A Ética e gestão pública Com o triunfo de grupos econômicos sobre os grupos políticos e países do terceiro mundo. que nos direcione ao despertar de valores existenciais esquecidos. não conseguem realizar uma política pública direcionada realmente ao bem comum de toda a nação. através de um viés crítico. mas a produção e o social. desregulamentação (redução das regras governamentais para o funcionamento da economia). nem indivíduos e nem nações tem seu direitos respeitados. 56 . entre outros. fiscalização dos gastos públicos e fim das obras faraônicas. abertura financeira. investimentos em infra-estrutura básica. o desmantelamento do sistema de ensino. os baixos salários. numa tentativa de resgatar um modelo de vida mais humanitário.das restrições ao capital externo. Todo este processo histórico. conduz a reflexões das questões éticas que pautam o homem na sociedade contemporânea. reestruturação do sistema previdenciário. Nações pobres são levadas à recessão. com o colapso das políticas públicas. impedem a execução de um modelo planejado tendo como referencial não somente o capital.

O desenvolvimento do conhecimento e a transformação da natureza. Tal triunfo não se preocupa com os problemas sociais que isto trás como conseqüência. através das soluções de algumas questões essenciais. dar um sentido a sua existência.E a razão para esta desigualdade mais alta é. pois esta região tem o mais alto nível de desigualdade do mundo. Noam Chomsky A mundialização é o triunfo de um grupo econômico sobre o mundo. até o Banco Mundial classificou recentemente a situação do Cone Sul da América Latina como ameaçadora e caótica. é irreversível. através da utilização da técnica. O fortalecimento da política neoliberal onde não vislumbramos perspectivas alternativas por outra 'mundialização'. tiveram como objetivos a busca da liberdade. Esse caminho. conforme idealizada pelo geógrafo Milton Santos. em parte. os EUA já estavam projetando uma ordem mundial". O REpensar ético no agir mundializado "Na verdade.Em 1994. felicidade e justiça para o homem.Procurando assim. torna-se necessário estarmos atentos para que certos princípios como 57 . o que precisamos é redimensionar a mundialização ao invés de ser exploradora deveria ser uma mundialização solidária. a política dos EUA.

o da solidariedade. existindo apenas a ânsia e o pertencimento de relações superficiais de códigos comuns em universos fragmentados. não se tornem apenas simulacros a serviço da lógica do capital. a partir da análise de suas possíveis ações. o equilíbrio do planeta. Conclusão No instante em que se liquefaz o código moral. da ecologia. visando encobrir o que suas acoes principais realizaram e que conseqüentemente esta refletindo as suas reações de forma passiva e quase homeopática. em um agir comunicativo habermasiano de universalidade. maquiadas em nome da hegemonia cultural e econômica. na ética da responsabilidade de Jonas é o livre fazer. inorgânico. da questão do lixo orgânico. na reflexão e na liberdade. a estética assume o papel da ética.e o ser ético somente executará a mudança desta natureza quando assumir como seu os valores sociais. As propostas de uma ética fundamentada no imperativo categórico kantiano. que não afete os futuros indivíduos ou podemos dizer. responsabilidade. radioativo e indestrutível. no qual seu pretenso grau de evolução de sabedoria decide os 58 . e não em visões fundamentalistas conservadores tão insufladas nos últimos tempos. da aceitação e respaldo social. Para efetivarmos esta mudança é imprescindível que a ética se baseie na vontade de poder. entre outros. do lucro.

Podemos deduzir. e superficializa o todo a uma postura pragmática do progresso. reúne-os pelo consenso sobre os aspectos negativos. Temos que denunciar a ética perversa . as pessoas nada mais são que figurantes no cenário mundial . individualidade. a busca da conciliação da moral com a economia. A ética como meio e não como fim é baseada no livre exercício com o outro. dos direitos humanos . Tal ética. 59 . que se imporiam como repressores incontestáveis dos instintos humanos e do caos. inseguranças de multidões. ou seja. mas dirigido ao que não está íntimo ou próximo. Devemos dar a prioridade à importância de do sentido de uma ética voltada à humanização. mesmo as consideradas com um alto bem-estar material. em uma época que desacredita da reflexão crítica. transformando-os em um conjunto de consumidores que alimentam o capitalismo financeiro mundializado a se tornar o mais abrangente e fagocitário possível. onde se transformam no palco do aumento das angústias. que funcionam através de um controle contínuo e de uma comunicação instantânea. através de uma razão e de uma vontade onipotente. ideológica. anda de mãos dadas com nossas sociedades. que ao invés de unir os homens ao redor de ideais e atitudes de justiça social e liberdade. cuja moral se funda no ressentimento e na negação da ação . da ganância. não como espelho ou reflexo do eu. a partir deste progresso que a humanidade está evoluindo? Que evolução e progresso seriam estes.rumos dos não evoluídos. desejos. alegrias e contentamento intelectual.

Nesse cenário. ou seja. que propunha levar a todos a realização dos ideais filosóficos da modernidade. o processo histórico demonstrou um visível desequilíbrio humano. no entanto. faz-se necessário refletir. a liberdade espontânea sucumbiu diante da promessa não cumprida de realização no nível econômico. sociais. indistintamente todos querem de alguma forma realizar um projeto de vida mais justo em todos os níveis de realização.Poderíamos mencionar ou justificar uma série de questões políticas. portanto. Devemos refletir o porquê estamos tão hipnotizados por inúmeras descobertas utilitárias. a descoberta dos princípios intrínsecos a atitude ética. que as sociedades modernas procuraram criar raízes e reorientar o sentido da vida. ao comportamento moral. do afastamento da vida interior. econômicas. E a verdade da redescoberta do ser? As descobertas que fizemos ao longo de vários séculos nos mostram que tudo é possível de ser moralmente verdadeiro até que descubramos a verdade ética do ser. A vida moderna tornou-se perigosamente dependente de um contínuo fluxo criativo e inovações que supram a diferença entre o que era vital um dia para se tornar efêmero no outro. buscando justificativas sem uma solução para a decadência ética na sociedade tecnológica mundializada.Foi em cima do ideal de uma felicidade e liberdade plena. planejar e executar intuitivamente e racionalmente. a busca da liberdade. A busca da liberdade de realização da vida ficou subjugada ao domínio de uma racionalidade positivista mecanizada.Pois.A esse fenômeno procurou-se dar sentido capaz de solucionar as angústias de se viver longe de si. um projeto de transformação estrutural da sociedade. advindas disto. já que a 60 .

Todo homem possui um senso ético. Portanto. do bem e do mal.vida social moderna não é um projeto de transformação existencial. ao desejo de realizar a vida. portanto. mas um conjunto de atividades utilitárias interdependentes. essas classificações estão constantemente relacionadas com a formação cultural que predomina em determinadas sociedades relacionadas ao seu momento histórico. estando constantemente avaliando e julgando suas ações para saber se são boas ou más. neste sentido. acreditamos que esta questão. Via de regra está fundamentada nas idéias de bem e virtude e juízos morais. ou seja. mantendo com os outros. objetivando a busca de valores perseguidos pelos indivíduos a fim de viverem de forma mais plena e feliz. justas ou injustas. o bem comum sobre o individual. o publico sobre o privado e a solidariedade em relação ao narcisismo pessoal. é um ingrediente de suma importância da criação de uma realidade social. uma espécie de "consciência moral". A ética está relacionada à opção. quando a palavra ética ganhar um significado realmente mais profundo e também quando esse significado alcançar uma dimensão cultural. A ética é uma característica que esta presente em toda a conduta humana e. Embora relacionadas com o agir individual. a sociedade deverá sempre predominar em relação às instituições. certas ou erradas. essa mudança de vida precisaria se harmonizar ou se desprender das interdependências do projeto neoliberal instrumentalmente elaborado. Naturalmente os comportamentos humanos são colocados sob o ponto de vista do certo e errado. 61 . relações justas e aceitáveis. somente será resolvida.

torna-se fundamental estudarmos o conceito de ética. principalmente no campo político econômico que traz fortes repercussões no aspecto social. uma falência do sentido e o vazio da utilização da ética no seu uso. a efervescência da discussão do debate ético a ser questionado em todos campos da sociedade.Ela parece mesmo. estabelecendo seu campo de aplicação e fazendo uma pequena abordagem das doutrinas éticas que consideramos mais importantes para o nosso trabalho e da sua retomada e do caráter de preocupação em analisar o desenvolvimento de novas correntes de pensamento.Ao iniciar um trabalho que envolve a ética como parte do objeto de estudo.Percebe-se numa analise mais meticulosa. reivindicada em toda parte. não encontrável. vem ao encontro da discussão premente diante dos processos dialéticos que são engendrados no devir histórico. às vezes. O interesse e a preocupação com a analise da ética da sociedade neoliberal. com suas conseqüências que geram de forma dialética a necessidade de um agir ideologicamente responsável." É necessário frisar a importância do papel da ciência e da técnica como condutores da sociedade contemporânea. conforme cita Jacqueline Russ: "A ética. 62 . ancora dificilmente suas normas e valores em um lugar que os funde e os justifique.

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