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CIÊNCIA: OUTRA LINGUAGEM NA MÍDIA?
CIÊNCIA: OUTRA
LINGUAGEM NA
MÍDIA?
Danilo Zajac Paulo Soares Suelen Yuriko Romeu Lorandi Vitor Lourenço
Danilo Zajac Paulo Soares Suelen Yuriko Romeu Lorandi Vitor Lourenço

Danilo Zajac Paulo Soares Suelen Yuriko Romeu Lorandi Vitor Lourenço

Danilo Zajac Paulo Soares Suelen Yuriko Romeu Lorandi Vitor Lourenço
Danilo Zajac Paulo Soares Suelen Yuriko Romeu Lorandi Vitor Lourenço

A autora

A autora ● Marcia Reami Pechula - Docente do Departamento de Educação do Instituto de Biociências

Marcia Reami Pechula

- Docente do Departamento de Educação do Instituto de Biociências (UNESP - Rio Claro)

- Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP - 2001)

- Mestre em Educação (UNICAMP - 1995)

(UNESP - Rio Claro) - Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP - 2001) - Mestre em

Ideias iniciais

Ideias iniciais - O discurso da ciência contemporânea. - As variadas formas do discurso. - Análise:

- O discurso da ciência contemporânea.

- As variadas formas do discurso.

- Análise: o discurso acadêmico e o discurso midiático.

- Reflexão sobre a compreensão social da ciência.

- Análise: o discurso acadêmico e o discurso midiático . - Reflexão sobre a compreensão social
- Análise: o discurso acadêmico e o discurso midiático . - Reflexão sobre a compreensão social

Discursos acadêmicos

Discursos acadêmicos ● Desenvolvimento da imprensa: - Mudança na produção de livros; - Crise profissional; -

Desenvolvimento da imprensa:

- Mudança na produção de livros;

- Crise profissional;

- Ampliação das bibliotecas;

- Catalogação de livros.

Necessidade do controle da produção intelectual.

- Ampliação das bibliotecas; - Catalogação de livros. ● Necessidade do controle da produção intelectual.

Discursos acadêmicos

Auguste Comte
Auguste Comte

Séculos XVII e XVIII:

-

Controle na produção de livros;

-

Garantia de confiabilidade;

-

Surgimento das estruturas de livros acadêmicos.

-

Grande influência do modelo positivista de Auguste Comte (1830).

A filosofia positiva de Comte

A filosofia positiva de Comte - Investigação da base observacional. - ‘Ver para prever’. - Compreensão

- Investigação da base observacional.

- ‘Ver para prever’.

- Compreensão do objeto.

- A tarefa da ciência de conhecer as leis dos fenômenos.

- Ciência de um conhecimento superior, neutro e universal.

- A tarefa da ciência de conhecer as leis dos fenômenos. - Ciência de um conhecimento

Críticas ao positivismo

Críticas ao positivismo Karl Popper Thomas Kuhn ● Século XX: - Popper e Kuhn. - Falseabilidade
Karl Popper Thomas Kuhn
Karl
Popper
Thomas
Kuhn

Século XX:

- Popper e Kuhn.

- Falseabilidade e provisoriedade do conhecimento científico.

- Teoria dos paradigmas (modelo de referência).

Discursos acadêmicos

Discursos acadêmicos - Cada discurso existe em descontinuidade com outro. - Discurso científico ideológico e

- Cada discurso existe em descontinuidade com outro.

- Discurso científico ideológico e político (assim como os demais discursos).

- Discursos próprios (autoria).

- Autoria ou instituição conferindo credibilidade ao discurso.

Michel Foucault
Michel Foucault

Discursos acadêmicos

Discursos acadêmicos - A ciência como um híbrido. - Formulação do discurso dependente do contexto e

- A ciência como um híbrido.

- Formulação do discurso dependente do contexto e do conteúdo.

- Pluralidade de visões.

- Ciência escolar e ciência universitária.

- Interesses sócio-político-econômicos.

de visões. - Ciência escolar e ciência universitária . - Interesses sócio-político-econômicos. Bruno Latour

Bruno Latour

Discursos acadêmicos

Discursos acadêmicos - Discurso científico-acadêmico e as mídias de divulgação científica. - Ciência em nome do

- Discurso científico-acadêmico e as mídias de divulgação científica.

- Ciência em nome do desenvolvimento tecnológico.

- Reconhecimento da divulgação científica.

- População leiga e o conhecimento científico.

tecnológico. - Reconhecimento da divulgação científica. - População leiga e o conhecimento científico.

Credibilidade acadêmica

Credibilidade acadêmica - A distância entre publicações de base acadêmica e de divulgação científica . -

- A distância entre publicações de base acadêmica e de divulgação científica.

- O modelo de divulgação.

- O conteúdo da divulgação científica.

- A divulgação nas mídias digitais e redes sociais.

A linguagem da ciência

A linguagem da ciência - Parceria entre as instituições de ensino e pesquisa - Conhecimento universal

- Parceria entre as instituições de ensino e pesquisa

- Conhecimento universal e verdadeiro - divulgação científica midiática

- Informar o conhecimento científico em nome da ciência

- Reflexão sobre os erros e acertos das informações

- Sociedade desterritorializada -> Acentua o processo

A linguagem da ciência

A linguagem da ciência - Produtores de divulgação científica vinculados às instituições comerciais, independentes

- Produtores de divulgação científica vinculados às instituições comerciais, independentes da comunidade acadêmica

- Sites e blogs livres:

- Não se atem ao tema;

- Poucas referências e plágio

- “está na subjetividade, na forma como cada um a percebe e, portanto, ela é indefinível, e sua experiência, inefável”

- jornais, sites de universidades, revistas de divulgação científica, mas que não estão adequados aos padrões cientifico-acadêmicos

A linguagem da ciência

A linguagem da ciência - Expansão de discussões em blogs e redes sociais - Normatização da

- Expansão de discussões em blogs e redes sociais

- Normatização da ciência como lenta e burocrática

- Blogueiros preocupados em como encontrar artigos científicos

- “É de comum acordo que blogs específicos sobre pseudociências (entendidas como práticas ou teorias que se dizem fundamentadas cientificamente mas que não são avalizadas pela comunidade científica) e paraciências (entendidas como práticas ou teorias que não afirmam serem fundamentadas cientificamente) não são o objeto primordial do portal.”

A linguagem da ciência

A linguagem da ciência - “oferecer uma visão crítica sobre a cobertura de ciência, tecnologia, meio

- “oferecer uma visão crítica sobre a cobertura de ciência, tecnologia, meio ambiente e saúde. Discutimos muito sobre os interesses – públicos e privados – envolvidos nas notícias e sobre os aspectos que condicionam a cobertura de ciência e o próprio sistema de produção científica no Brasil. “

“DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E RELAÇÕES DE PODER”

A autora:

Graças Caldas

- Doutora em Ciências da Comunicação (ECA/USP) e Pós-Doutora em Política Científica e Tecnológica (Unicamp).

- Professora do Curso de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor / Unicamp)

e Cultural do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor /

Resumo das ideias do artigo

Reflexão sobre as relações de poder presentes no processo de divulgação científica (diferenças culturais entre jornalistas e cientistas).

Reflexões sobre as tensões existentes entre o discurso competente dos cientistas e o discurso leigo dos jornalistas no processo de construção do discurso jornalistico.

Aborda a participação de ambos no processo de formação da opinião pública e a responsabilidade social desses autores na construção da memória científica na mídia, considerando seu papel na construção da memória coletiva sobre as políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), sua trajetória histórica, produção científica e os riscos e os benefícios dessa produção para a sociedade.

Defende a democratização do saber por meio de parceria entre jornalistas e cientistas para uma divulgação científica competente e cidadã, que possibilite a inclusão da sociedade no processo decisório sobre a utilização dos recursos de CT&I e na discussão nacional sobre temas polêmicos, com impacto social, transgênicos, células tronco, energia nuclear, entre outros.

Saber e Poder

Como o saber implica necessariamente em poder, como dividir, compartilhar o saber, para compartilhar o poder?

A função cultural da divulgação científica vem sendo discutida há décadas sem que mudanças substanciais tenham sido percebidas ao longo dos anos.

“O arranjo de forças sócio-políticas da divisão do saber não seria exatamente a razão profunda dele não ser partilhado? De fato: será que se deseja, verdadeiramente, dividir o saber?”

A transmissão de conhecimento da comunidade científica para a população pode dar-se de forma superficial, conferindo um verniz ao saber, ou de forma profunda, de modo que as pessoas tenham conhecimento do saber e, com ele, adquiram certo poder e que dele possam se servir.

● É preciso que o discurso científico seja conhecido e compreendido pela população, uma vez
● É preciso que o discurso científico seja conhecido e compreendido pela população, uma vez

É preciso que o discurso científico seja conhecido e compreendido pela população, uma vez que quase tudo que acontece na sociedade é influenciado pela C&T, para que a haja a participação efetiva da sociedade em debates públicos sobre temas polêmicos tais como transgênicos, biotecnologia, energia nuclear, entre tantos outros, cujos impactos sociais são inegáveis.

É preciso ainda familiarizar as coletividades sobre os processos de elaboração das políticas públicas de C&T.

Construção Social da Ciência

Construção Social da Ciência ● Visão anterior: Cientistas como senhores absolutos do conhecimento ● Meios de

Visão anterior: Cientistas como senhores absolutos do conhecimento

Meios de Comunicação como aliados na disseminação da ciência

Processo Político Educativo: ampla contextualização das informações e profunda reflexão do tema em questão

Paulo Freire: aprendizado como um ato político, libertador. Comunicação como a possibilidade para transformação do homem como sujeito de sua própria história.

“O objetivo da ciência e da tecnologia é libertar o homem ou criar um mundo

“O objetivo da ciência e da tecnologia é libertar o homem ou criar um mundo governado pela repressão dos poucos ricos sobre os muito pobres? […] Precisamos trabalhar para a libertação de todos os homens e mulheres, em todos os lugares, para que a ciência consiga, enfim, realizar sua vocação de universalidade e transformar-se em um patrimônio da humanidade” (LOPES, 1998, p. 166)

● cultura científica implica práticas de libertação ● Saber e poder como face de uma

cultura científica implica práticas de libertação

Saber e poder como face de uma mesma moeda

Circulação de informações de interesse público a fim de que a sociedade possa atuar diretamente nas decisões.

Cientistas e Jornalistas: Tensões Inevitaveis

Cientistas e Jornalistas: Tensões Inevitaveis ● Ciência e jornalismo são atividades humanas. ● Necessidade de

Ciência e jornalismo são atividades humanas.

Necessidade de entendimento mutuo entre o cientista e o jornalista.

Interferência de fatores externos a divulgação.

“O trabalho em regime de parceria entre jornalistas e cientistas é viável e inadiável. Só depende do respeito mútuo, da visão de mundo desses

profissionais, da observação e compreensão do outro.( p. 228)

)

” Caldas (2003,

● “Todo campo, o campo científico, por exemplo, é um campo de forças e um
● “Todo campo, o campo científico, por exemplo, é um campo de forças e um

“Todo campo, o campo científico, por exemplo, é um campo de forças e um campo de lutas para conservar ou transformar esse campo de forças. Pode- se, num primeiro momento, descrever um espaço científico ou um espaço religioso como um mundo físico, comportando as relações de força, as relações de dominação.” (BOURDIEU, 2003, p. 22-23)

● Entender os diversos tipos de conhecimentos ● Conhecimento deve seguir normas para ser considerado
● Entender os diversos tipos de conhecimentos ● Conhecimento deve seguir normas para ser considerado

Entender os diversos tipos de conhecimentos

Conhecimento deve seguir normas para ser considerado cientifico.

Conhecimento científico não pode ser dissociado de sua dimensão social e nem considerada neutra.

● Três possibilidades de sentido de cultura cientifica. ○ Cultura da ciência – em que

Três possibilidades de sentido de cultura cientifica.

Cultura da ciência – em que é possível vislumbrar duas alternativas semânticas: (a) cultura gerada pela ciência; (b) cultura própria da ciência.

Cultura pela ciência – (a) cultura por meio da ciência; (b) cultura a favor da ciência.

Cultura para a ciência – (a) cultura voltada para a produção da ciência; (b) cultura voltada para a socialização da ciência.

● Entre 2007 e 2008, em universo de 62 jornais brasileiros e análise de 2.599

Entre 2007 e 2008, em universo de 62 jornais brasileiros e análise de 2.599 matérias.

4% dos textos mencionam alguma estratégia de desenvolvimento.

3,8% estabelecem relação entre ciência e crescimento econômico.

0,2% evidenciam a contribuição da ciência para a erradicação da pobreza.

0,9% estabelecem alguma conexão com a melhoria dos indicadores sociais.

15,8% dos textos abordam, de forma mais ampla, a CT&I.

Conclusão

Conclusão - As redes de comunicação têm trazido grandes contribuições na disseminação do debate em torno

- As redes de comunicação têm trazido grandes contribuições na disseminação do debate em torno da ciência.

- Cuidados nos critérios para saber melhor selecioná-las e utilizá-las.