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POR QUE O “NEW LABOR” PRECISA DE NOVAS IDÉIAS*

O New Labor ainda tem um projeto para a Gran-Bretanha?


Depois de treze anos exercendo o poder, o esvaziamento
ideológico dos trabalhistas não surpreende. Patrick Diamond e
Roger Liddle, membros do think tank Policy Metwork, convidam os
social-democratas a uma redefinição do papel do Estado.

Os social-democratas não tiraram todas as conseqüências


históricas das gigantescas transformações históricas e sociais
atualmente em curso. De um lado a importância do Estado deve ser
reafirmada e a crítica social-democrática do mercado deve ser
repensada e reforçada. De outro lado seria cometer um profundo
erro crer que poderia haver efetividade num retorno ao “estatismo”
dos anos 1960 e 1970 e uma retomada, ao gosto do dia, da social-
democracia keynesiana do pós-guerra. Essa crise se constitui, fora
de dúvida, em uma revirada ideológica: No contexto britânico ela é
para a ortodoxia neoliberal que dominou o pensamento político da
direita, e, em certa medida, da esquerda após 1979, o equivalente
ao que foi o famoso Winter of Discontent(1) para a social
democracia do pós-guerra. Um retorno ao mundo neoliberal dos
anos 1980 e 1990 é impossível. Um maior intervencionismo
econômico pode ser necessário; necessitamos com efeito de uma
renovada confiança quanto ao papel do Estado para regular e
orientar o capitalismo. Mas esse intervencionismo não é suficiente.
Certamente, exatamente como no caso do domínio econômico um
retorno à “normalidade” que dominava antes da crise econômica é
impossível. Transformações são necessárias. Em resposta à crise
novas questões e novos debates vão aparecer tendo como objeto
aquilo que se entende por “Estado Ativo”: Esse Estado que contém
as capacidades de exercer as responsabilidades que lhes são
confiadas de forma inesperada, como deve exercê-las? O retorno
da economia ao primeiro plano do debate político não pode nos
coloca graves tensões e dilemas existentes em aberto no seio da
coalizão social-democrata entre visões de mundo que nos
qualificam de “cosmopolita” e “comunitarista”, ou seja o fosso entre
aqueles favoráveis à mundialização e os que resistem a ela. Antes
que uma social-democracia “nova” possa ser construída, uma sócia-
democracia considere a nova conjuntura econômica, inclusive
retomando seus conflitos subjacentes, um período de debates
aprofundados e de revisão intelectual é necessário e inevitável.
O que falhou e porquê?

Em nossa opinião o New Labor pretendeu abstrair muitos


dilemas e contradições da social-democracia, que se tornaram mais
agudos com as transformações econômicas e sociais do Reino
Unido. De fato o New Labor teria que atacar diretamente a
necessária modernização da social-democracia, pensar
principalmente nas novas pressões e novas obrigações. O
espetacular “retorno da economia” ao primeiro plano do debate
político comporta um risco que seria o de neglicenciar as
necessidades mais gerais de “renovação”, que estavam evidentes
antes mesmo da irupção da crise financeira mundial.

A posição reticente do Labor face a uma autentica renovação


são em boa parte produto dos dilemas estratégicos não resolvidos e
que estão no cerne da social-democracia moderna. De um lado o
New Labor por vencer a máquina e ganhar as eleições, graças à
qual poderá parecer parte natural do governo. De outro ele
reconheceu a necessidade de proceder a profundas mudanças que
colocam em causa certas aquisições e certos acordos, que
comprometem a estratégia visando um voz mais ativa. Foi
necessária uma grande abertura na oposição quando o New Labor
procurava ganhar espaço em segmentos que não eram o eleitorado
trabalhista tradicional.

Porém, uma vez no governo o Labor manifesta uma certa


confusão e refuta reconhecer obstáculos ou barreira opostas ao seu
programa, em particular quando elas estão em choque com os
interesses estabelcidos na City e no setor privado. Ao governo Blair
aparentemente fazia falta uma concepção coerente de interesse
público – ou seja, uma visão clara dos princípios fundamentais que
deveriam subentender a relação entre o Estado e os cidadões a
assim proteger os direitos e as obrigações democráticas – isto que
acaba gerando uma grande confusão na função pública à propósito
de promulgar e colocar em prática as novas “instituições” e as
iniciativas políticas do Labor. Em consequência quatro tensões
importantes se manifestaram no curso do período de hegemonia
mal assegurada do Labor.

1. Concorrência versus regulação do mercado.

O Labor pretendeu defender a City e os mercados financeiros


para reforçar a posição do Reino-Unido face aos seus concorrentes
na economia mundializada. Mas a decisão de não regular o
mercado em função dos interesses públicos colocou o governo em
contradição com os interesses do consumidor que buscavam um
maior controle sobre o preço dos combustíveis, procuravam
garantias sobre o que concerne à segurança alimentar e exigiam,
justamente, a proteção de suas pensões e aposentadorias. Nada foi
feito para contestar a posição dominante do mercado, em particular
no domínio das mídias, das indústrias criativas e de armamentos,
com receios de enfrentar pesados interesses financeiros. Tornou-se
evidente bem antes que a crise de 2008 não dissipou as dúvidas
sobre o assunto, que era impossível garantir que os mercados por
si próprios se coloquem à serviço do interesse público; a livre
concorrência por ela própria não ia assumir os investimentos
privados necessários para renovar as as infraestruturas
envelhecidas no domínio da energia ou nos levar na direção de uma
economia de baixa emissão de carbono. O abandono do setor de
habitações em favor do mercado coloca em dia também imensos
problemas ligados às necessidades sociais não satisfeitas bem
antes da crise do subprime.

,2. A maior igualdade contra a “ Middle England “

O New Labor desejava reduzir o vão entre o “baixo” e o


“médio” da distribuição de renda transferindo recursos para os
menos ricos. Mas se deram rapidamente conta que obter a
sustenção dos serviços universais para a classe média exigiria uma
mudança fundamental dos investimentos públicos quando já haviam
dobrado os altos impostos, em 2001-2002, direcionados para
financiar a modernização do sistema público de saúde ( o NHS ). O
governo buscava resolver a quadratura do círculo diminuindo a
minoria excluída e aumentando o nível de serviços para todos, em
particular no domínio da saúde e do ensino. Os progressos no
domínio da pobreza infantil e dos aposentados foram ao fim do dia
impressionantes, mas diminuíram após as eleições de 2001. Não
estava evidente que novos progressos pudessem ser realizados
sem novos aumentos de impostos, mesmo quando um relatório a
OCDE mostrava que a desigualdade de rendas baixou mais rápido
na Inglaterra do que em qualquer outro país industrializado no
cursos dos últimos dez anos.

Ao mesmo tempo, as rendas mais modestas continuaram a


ser mais pesadamente tributadas, a “parte dos impostos” no PNB
ficaram globalmente estáveis, expressão da necessidade de
proteger os interesses da “Middle England”. A proporção de
domicílios inseridos na categoria de “trabalhadores pobres” mudou
pouco ao longo desses 10 anos. O Labor consegiu aumentar a
renda do trabalho, mas a taxa de trabalhadores pobres aumentou
de forma espetacular nos últimos dez anos.

3. Tolerância frente à moralidade.

O NL presidiu a mais ambiciosa liberalização das atitudes


sociais depois da Segunda Guerra Mundial, com reformas amplas
( contratos de união civil, igualização da idade da maioridade
sexual, novas iniciativas sobre a igualdade racial e medidas em
favor das pessoas com deficiência ). Contudo o governo esforçou-
se por defender a família “tradicional” e reafirmar os valores morais
fudamentais, tais como a civilidade e a decência. Tentou definir uma
visão de mundo assiciando tolerância privada e virtude pública pela
qual as pessoas poderiam fazer o que quisessem em suas vidas
privadas, mas estariam sujeitas às normas sociais no seio das
comunidades a que pertenciam.

Essa lógica mostrou-se frágil e o governo buscou desenvolver


princípios sólidos que pudessem orientar políticas que permitissem
tratar problemas sociais como o consumo de estupidificientes e o
alcoolismo. O Labour se encontra preso a um conflito mais geral,
evocado de forma mais complexa, entre os “cosmopolitas” que
afirmam a liberdade pessoal que pretendem que o Reúno Unido
olhe para o exterior e os “comunitaristas” que se esforçam por
defender seu modo de vida tradicional, em particular nas cidades e
localidades operárias.

4. Novo acordo contra a mudança progressiva

Ainda não ficou muito claro se o objetivo do New Labor era


lançar as reformas progressivas depois de toda a agitação da época
Thatcher, simbolizado pelo cinco compromissos do Manifesto
Trabalhista de 1997 ou se o Reino-Unido estava mesmo vivendo
transformações que o permitissem chegar ao século XXI. As
ambições do Partido Trabalhista eram modestas ou radicais? Ela
tinha a inteção de definir um acordo que reorientará de meneira
permanente o centro da política britânica numa direção
progressista? Ou, ao contrário, sua intenção era eliminar os riscos
inerentes à mundialização? O partido devia se debater com um
tenaz dilema: Os eleitores exigiam que o governo os protegesse da
incerteza e da instabilidade, mas queriam poder exercer mais
escolhas e mais controle sobre um Estado centralizado reformado.
Isso se constituía no mais dos problemas: Certos especialistas em
sondagens viam nisso uma “dissonância cognitiva”, uma aparente
contradição na opinião defendida pelo eleitores.

A recusa em enfrentar essas tensões atrasou o necessário


processo de renovação política e impediu o Partido Trabalhista a
desenvolver uma análise coerente sobre o futuro do Reino Unido. O
partido ficou assombrado pelo fantasma de 1980, marcado por
quatro derrotas consecutivas, que significou que ele teve que lutar
para demonstrar uma maior confiança na forma como ele queria
mudar o país. Estabelecer um novo projeto social-democrático, isso
significa reconhecer a mudança da paisagem social,
desenvolvimento econômico e cultural do Reino Unido, e o ritmo da
mudança. Mas isso exigirá estar preparado para lidar com as
tensões inerentes ao pensamento social britânico democrático que
tantas vezes tem prejudicado o sucesso do projeto social-
democrata no passado.

A redefinição do papel necessário do Estado

Sempre houve vivos debates entre os social-democratas


sobre o papel do Estado. Tomemos por exemplo os debates que
ocorreram na Suécia sobre a construção da "casa do povo", o
reconhecimento pelo papel SPD alemão do mercado em Bad
Godesberg, em 1960, e as diferentes concepções do papel do
governo na tradição republicana francesa. A tudo isso devemos
acrescentar algo especificamente britânico: A profunda ligação
emocional com as instituições do Trabalho e os princípios
fundadores do Reino Unido.

Para alguns, a doutrina do Estado-nação democrático-social é


um instrumento de modernização menos acentuada. Vernon
Bogdanor argumenta que a social-democracia tem sido
devidamente "castrada" pelas forças gêmeas da globalização e da
descentralização, que uma e outra fragmentam o poder do Estado
centralizado. Nós não concordamos com a conclusão do Bogdanor,
que acredita que o Estado não pode promover a justiça, mas ele
tem, sem dúvida, direito de chamar a atenção para a camisa de
força "de ouro" que foi colocado sobre os governos nacional e os
dilemas enfrentados, os social-democratas, em um mundo de
mercados globais, rápida migração, o terrorismo que não conhece
fronteiras e as alterações climáticas. A reviravolta acentuada para
uma maior descentralização e autonomia local poderia ameaçar a
possibilidade de igualdade de oportunidades a nível nacional.

Houve sempre uma tensão em relação ao papel do Estado no


pensamento social-democrata. O papel do governo é treinar
pessoas e dar a todos os cidadãos os meios para também treinar-
se? As origens do Partido Trabalhista, foram fortemente
influenciadas pelo voluntarismo: como o movimento poderia ser
diferente se desenvolver em um ambiente hostil e em uma
sociedade onde a maioria dos trabalhadores não tinham direito de
voto? O Partido Trabalhista inicialmente contou com a movimentos
de solidariedade das sociedades amigável e sindicatos,
cooperativas e capelas. Estas instituições representavam os ideais
de coletivismo, sem recorrer ao Estado. No entanto, o enorme
crescimento do Estado durante as duas guerras mundiais, mas a
transformação difícil sindicatos progressiva pilar fundamental da
sociedade britânica em meados do século XX, ea dominação
intelectual da idéia de planejamento após o fracasso maciço do
capitalismo no período entre as duas guerras mundiais levaram à
identificação do coletivismo cada vez mais forte para o estado. A
questão chave hoje é se essa identificação pode ser quebrado, e
como.

O New Labour nunca manifestou posições claras sobre essas


questões. Em alguns momentos importantes, ele atuou na
terminologia de David Marquand, como um "Republicano
Democrático", deixando prosseguir devolução da Escócia e País de
Gales, defendendo os direitos dos cidadãos e colocando AM causa
certa medida a soberania do Parlamento pela Lei dos Direitos
Humanos. Mas, na maioria das áreas políticas, sua abordagem foi
na melhor das hipóteses confusa. Hospitais foram estimulados para
uma certa autonomia, mas os ministros continuaram a tomar a
iniciativa em 2007, exigindo que todos os hospitais procedessem a
uma limpeza mais profunda, para combater a Staphylococcus
aureus (MRSA havendo ou não razões locais. As escolas tiveram a
oportunidade de desfrutar de uma certa autonomia vis-à-vis as
autoridades locais, mas foi por conta de um regime estrito de
inspeção e intervenção centralizada que deveria garantir um melhor
desempenho. As autoridades locais se beneficiaram de dotações
suplementares do governo central caso cumprissem suas metas de
desempenho, mas, contraditoriamente as receberam mesmo
quando não alcançam seus objetivos. Em alguns casos, o New
Labour pode ter parecido uma política de construção de um Estado
quase-leninista, para melhor garantir sua supressão.

A realidade é que existem jogadas na autonomia local. Pode-


se aumentar a eficiência em detrimento da equidade, ou vice-versa,
isso depende de escolhas políticas feitas localmente. New Labour
nunca foi capaz de aceitá-la. Havia muita conversa de "novo
localismo", a necessidade de "dupla devolução” e participação da
comunidade. Mas essencialmente tudo isso manteve o nível
retórico, pois ninguém estava disposto a resolver a confusão
intelectual subjacente.

E depois há a questão do empenho particular dos social-


democratas para formar único Estado British. Esse compromisso se
reflete na atitude da esquerda contra a Constituição e a política
externa. Na Constituição, a extensão das reformas do New Labour
foi sem precedentes no século XX -, mas as reformas foram, ao
mesmo tempo limitadas. Descentralizações como o Humam Rights
Atc foram envolvidas pelos discursos de soberania parlamentar não
são tão, teoricamente, limitadas, embora, na prática, constituam
uma virada significativa na outra direção. O fracasso em alcançar
um acordo sobre as reformas democráticas da Segunda Câmara
reflete a incapacidade de ir além dos regulamentos constitucionais
numa parte que, por definição, não está sob o controle do
executivo. A posição do Labor aceitando diversas formas de
representação proporcional, a qualquer outro órgão eleito que não a
House of Commons reflete o preconceito persistente de que tudo
que é democrático não tem importância, a única coisa que conta é o
exercício do controle absoluto através do sistema de votação por
maioria de Westminster. Ao contrário dos sociais-democratas do
resto da Europa, o Partido Trabalhista continua incapaz de imaginar
que as medidas de consenso progressivo no âmbito de um sistema
democrático pluralista, talvez fizessem mais para os valores social-
democratas de longo prazo do que a alternância das várias
ditaduras eleitas para Westminster.

A crença na singularidade do Reino Unido também tem uma


influência negativa sobre as relações com outros países. Durante os
vinte anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, esta idéia tomou a
forma de objetivos ambiciosos, o que contribuiu significativamente
para problemas no balanço de pagamentos em sucessivos
governos. Harold Wilson e Edward Heath, em seguida, conduziram
uma política de ajuste: Durante este período, o Reino Unido
começou a perder suas ilusões sobre o estatuto especial que teria
tido no mundo. A vitória de Margaret Thatcher nas Malvinas
acordou o excepcional sentindo britânico e o New Labour estava
determinada a não ficar para trás. Portanto, mesmo que Tony Blair
admitisse que os interesses britânicos sofria de um certo
distanciamento por parte da União Européia, a idéia de não-
contradição, entre um total empenho na Europa e prosseguir uma
relação especial entre o Reino Unido e os Estados Unidos
significava que quando essas duas dimensões eram inconsistentes,
era a relação com os Estados Unidos que prevalecia, sem
hesitação. Assim, foi com o Iraque, o Reino Unido foi menos
influente sobre os E.U. do que se tivesse favorecido a construção
de uma posição comum européia.

A posição que defendemos é que os desafios estruturais


enfrentados pelo Reino Unido, apenas podem ser atingidos pela
construção de um Estado reformado tipo "desenvolvimentista", com
capacidades estratégicas muito mais fortes, mais concentradas.
Isso implica uma mudança de abordagem para a função de
governo. Alguns argumentam que este não é o momento para
defendê-lo e, em seguida que a globalização está em crise, e que
os mercados eram claramente incapazes de ser um fator de
estabilização. Mas, na realidade, existem três possíveis modelos do
papel do Estado, e não apenas dois. O primeiro é o design
minimalista, os adeptos do laissez-faire. A segundo é o dos
apoiadores de um estado poderoso concebido como um garantidor
da equidade. Mas há também uma terceira abordagem: a de um
estado com uma forte capacidade estratégica que não tente fazer
tudo sozinho. O New Labour pode descrever esta "terceira via",
como o um "enabling State" (Um Estado doador de capacidades,
um Estado estrategista). No entanto, esta pode ser entendida como
uma forma mais minimalista que a situação pede: Para simplificar, a
resposta a crise mundial pode ter a desvantagem de um esquema
escolar. A capacidade estratégica exige a direção do mercado e
não apenas aceitação.

Então os sociais-democratas modernos devem rejeitar com


certeza a hostilidade dos neoliberais com o Estado. Eles também
devem assumir a idéia de Albert Hirschman de que a melhor
maneira para os progressistas garantirem que a ação coletiva de
interesse público seja popular é reconhecer que a intervenção
estatal pode ter conseqüências imprevistas e que há limites para a
extensão do poder do Estado, como demonstrado por John
Maynard Keynes em 1920. O Labor não tem mandato para
promover e proteger o Estado, mas para garantir que o Estado
defenda o interesse coletivo e não os interesses de uma elite.

O que os sociais-democratas devem criar, não é um governo


ampliado, mas um Estado estrategista mais capaz, que possa
conduzir e participar em redes e instituições de economia cada vez
mais complexas e da sociedade globalizada. Isto significa forjar
novos métodos, novas capacidades e novos instrumentos em
diferentes níveis de governança, da escala local para a União
Européia e à regulação das instituições financeiras globais. Uma
das questões importantes é saber se a social-democracia pode ser
liberalizado e se tornar mais pluralista - dito de outra forma escutar
realmente as necessidades das instituições democráticas locais de
base; ser sensível à política de comportamento pessoal e da
variedade e complexidade valores e normas sociais; ser capaz de
reconhecer o desejo das pessoas de exercer uma maior escolha e
ter maior controle sobre suas vidas.

Seis papéis ou funções do Estado podem ser considerados:

• Primeiro, o Estado como regulador: promover mercados


competitivos, proteger o interesse público, dar forma à qualidade de
vida e proteger todos os valores éticos contra a interferência
excessiva no mercado. A regulação deve ser acompanhada por um
governo pluralista em que estabelece as regras nacionais, mas que
deixe as instituições se controlarem a si mesmas em vez de definir
os resultados a partir do centro.

• Segundo, o Estado como fiador: Que garanta condições mínimas


e uma certa equidade para que cada um possa viver uma vida
correta e digna graças a proteção pública universal. Como a oferta
de serviços públicos deve ser mais descentralizada e envolve
muitas vezes diferentes instituições e atores, é vital assegurar
critérios mínimos de tratamento e acesso a todos os cidadãos.

• Terceiro, o Estado catalisador: Que reúne o setor público, setores


privados e associativos para formar novas parcerias para a
mudança social, especialmente nas comunidades mais pobres. O
Estado deve incentivar e apoiar os esforços locais em vez de deixar
as comunidades vulneráveis "à própria sorte", sem recursos
suficientes e sem infra-estrutura, e deve ajudar a manter uma
cidadania ativa.

• Em quarto lugar o Estado como fornecedor de capacidades : Ele


viabiliza que as pessoas possam desenvolver suas habilidades,
aumentando a mobilidade social, quebrando a ligação entre a
família de origem e um destino social insidioso, oferecendo novas
oportunidades para os indivíduos ao longo de suas vidas. Isso inclui
bens públicos, de orientação ao uso de alguns recursos: Para que
as pessoas aproveitem as novas oportunidades, mas elas podem
ser ajudadas ou atrapalhadas pela presença de um Estado ativo.

• Quinto, o Estado como um escudo: Ele protege os cidadãos da


violência organizada, incluindo a violência policial e do contra-
terrorismo, e está disposta a enfrentar os regimes despóticos que
exportam o terrorismo em todo o mundo. Isso significa abordar as
causas, bem como manifestações de terrorismo, mesmo que
envolva responder às queixas legítimas que pode ser feito contra o
Ocidente.

• Finalmente, o Estado como um player global : Ele permite o Reino


Unido ser um “cidadão do mundo” responsável, cumprindo as suas
obrigações globais em áreas que vão desde o desenvolvimento
internacional às mudanças climáticas. A luta contra a injustiça social
no mundo é uma obrigação moral, mas também é de interesse
nacional para proteger a estabilidade dos estados fracos para
controlar o fluxo de população para o Ocidente.

A reforma do Estado deve ter por base uma concepção


renovada de cidadania ativa para dar legitimidade e credibilidade ao
Estado, fortalecendo laços "horizontais" entre os cidadãos e os links
"verticais" entre os cidadãos e Estado. Na verdade, um apoio ativo
do governo depende da existência de um sentimento de "nós", uma
ética coletiva de pertinência, uma identidade comum e respeito
mútuo. O conceito de "britanicidade" ("Britishness ") e os esforços
para desenvolver uma forma moderna de identidade britânica é
enriquecedor, mas deve ser colocada no contexto da
descentralização das migrações em massa e conflitos entre
identidades multi-religiosa e secularização. Ela está intimamente
relacionada com a tarefa de construir uma sociedade estável,
consistente, eliminando a desconfiança entre as comunidades
étnicas e religiosas, e defendendo os resultados sociais e
econômicos mais justos para as comunidades minoritárias.
O desafio para o projeto social-democrata, no futuro, depois que o
New Labour resolver o dilema de uma nova forma: para garantir
que a situação dos pobres é não esquecer a maioria da classe
média e garantir uma distribuição mais justa de renda e riqueza,
acesso eqüitativo às instituições e serviços públicos. Os social-
democratas devem fazê-lo em um mundo que é cada vez mais
diversificado e fragmentado, onde as relações entre os indivíduos e
as comunidades não são mais consideradas como auto-evidentes e
que os governos ao invés de aumentar a confiança aumentam o
ceticismo. O desafio para o trabalho é continuar a projetar-se como
um agente de mudança viva e dinâmica. O papel do partido é
transformar a sociedade muito mais do que simplesmente eliminar
os piores excessos da globalização e ajustes nas margens. Os
líderes políticos da nova geração do Labor têm uma grande
vantagem: eles podem construir sobre o sucesso do projeto do
Novo Trabalhismo, sabendo que o centro-esquerda pode ganhar a
batalha das idéias e governar com autoridade em nome de uma
sociedade mais igualitária e justa.
Acreditamos que um projeto social-democrata da nova geração
para o Reino Unido é uma necessidade, não é um retorno ao
tradicionalismo, nem um projeto revisionista no modelo de Crosland
de discutir novas maneiras de servir uma variedade de finalidades
idênticas e sem alterações. Precisamos estar abertos a uma
revisão radical dos fins e dos meios para dar nascimento a uma
democracia mais social-liberal e pluralista. Isso pressupõe, no
entanto, levar a sério a necessidade de uma cidadania ativa,
baseada na reciprocidade e ética das obrigações mútuas. Temos de
analisar os objetivos de "igualdade democrática" e "realização
individual" para os tempos modernos, temos de reconhecer e
aceitar as tensões inerentes ao modelo mais liberal e pluralista que
recomendamos.

* Extrato da introdução do livro “Beyon New Labor. The Future of


Social Democracy in Britain”, Londres, Politico’s, 2009.Obra
organizada P. Diamond e R. Liddle.
Publicado originalmente em francês no Blog La Vie des Idées.