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NUPEDEE http://www.ufsm.br/pet-ee http://www.ufsm.br/nupedee Programa de Educação Tutorial - Engenharia Elétrica

NUPEDEE

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Programa de Educação Tutorial - Engenharia Elétrica Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Engenharia Elétrica Universidade Federal de Santa Maria Santa Maria, Setembro de 2009

Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Engenharia Elétrica Programa de Educação Tutorial Engenharia Elétrica

Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Engenharia Elétrica

Programa de Educação Tutorial Engenharia Elétrica

Apostila do Minicurso de Instrumentação

Autores:

Bruno Fontana da Silva Dimas Irion Jeferson Fraytag Rafael Franciosi Petersen

Apoio:

Eng. Luiz Fernando Guarenti Martins

Revisão 1, 25 de setembro de 2009.

Sumário

1 Prefácio

3

1.1 O Minicurso de Instrumentação

 

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1.2 Programa de Educação Tutorial - Engenharia Elétrica

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2 Introdução

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2.1 Segurança no Laboratório

 

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2.1.1 Cuidados e Riscos

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4

2.1.2 Choque Elétrico

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2.2 Conceitos Básicos de Eletricidade

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2.3 AC/DC

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2.4 Digital × Analógico

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2.5 Procedimentos de Montagem

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3 Equipamentos Básicos de Laboratório

 

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3.1 Fonte de Tensão

 

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3.1.1 Descrição da Inteface

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3.1.2 Modo de Operação

 

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3.1.3 Tipos de Ligação da Fonte Dupla

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3.2 Multímetro Digital

 

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3.2.1 Descrição da Interface

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3.2.2 Modo de Operação Geral

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3.2.3 Medição de Temperatura

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3.3 Exemplo 1 - Divisor Resistivo

 

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3.3.1

Roteiro:

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3.4 Exemplo 2 - Fonte Simétrica

 

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3.4.1

Roteiro:

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4 Instrumentação para Teste e Análise

 

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4.1 Osciloscópio

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4.1.1 Bloco A: Botões de Opções

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4.1.2 Bloco B: Menu e Botões de Controle

 

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4.1.3 Bloco C: Controles Verticais

 

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4.1.4 Bloco D: Controles Horizontais

 

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4.1.5 Bloco E: Controles de Trigger

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4.1.6 Bloco F: USB Flash Drive e botão PRINT

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4.1.7 Bloco G: Probe Comp

 

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4.2 Gerador de Funções

 

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4.2.1 Interface do Gerador

 

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4.2.2 Modo de Operação

 

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1

4.3 Exemplo 1 - Circuito Inversor

 

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4.3.1

Roteiro:

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4.4 Exemplo 2 - Comparador de Tensão e PWM

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4.4.1

Roteiro:

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4.5 Exemplo 3 - Resposta do Circuito RC

 

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4.5.1

Roteiro:

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5 Instrumentos Analógicos de Medição

 

29

5.1 Visões Gerais de um Instrumento Analógico

 

29

5.2 Simbologia

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5.3 Voltímetro

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5.4 Amperímetro

 

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31

5.5 Wattímetro

 

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5.6 Exemplo - Lâmpadas Incadescentes

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5.6.1

Roteiro:

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33

6 Outros Equipamentos

 

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6.1 Frequencímetro

 

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6.2 Tacômetro

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6.3 Exemplo - Medições em um motor

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6.3.1

Roteiro:

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A Valor RMS

38

Referências Bibliográficas

 

40

 

2

1

Prefácio

1.1 O Minicurso de Instrumentação

Esta apostila foi elaborada pelo grupo do Programa de Educação Tutorial em En- genharia Elétrica (PET-EE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e sua documentação é de distribuição livre para qualquer pessoa que obter acesso a mesma,

podendo ser editada, modificada e redistribuída da forma que o usuário bem entender.

O Minicurso de Instrumentação é uma atividade promovida pelo PET-EE da UFSM

com apoio do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento em Engenharia Elétrica (NU- PEDEE). Tem-se como objetivo principal oferecer aos alunos mais novos do curso de Engenharia Elétrica um primeiro contato com os laboratórios e equipamentos do NU-

PEDEE, além de prepará-los e motivá-los para futuras disciplinas que envolvem aulas práticas e habilidades na operação dos equipamentos de laboratório.

A apostila serve de base para qualquer indivíduo vinculado ao curso de Engenharia

Elétrica e fornece um guia de introdução à operação e roteiro de referência rápida dos equipamentos e instrumentos dos laboratórios do NUPEDEE.

1.2 Programa de Educação Tutorial - Engenharia Elétrica

O Programa de Educação Tutorial (PET) foi criado para apoiar atividades acadêmicas

que integram ensino, pesquisa e extensão. Formado por grupos tutoriais de aprendiza-

gem, o PET propicia aos alunos participantes, sob a orientação de um tutor, a realização de atividades extracurriculares que complementem a formação acadêmica do estudante e atendam às necessidades do próprio curso de graduação.

O PET-EE da UFSM é um grupo que consiste de doze alunos bolsistas, seis não-

bolsistas e vários voluntários de diversos semestres do curso, orientados por um professor tutor. O programa busca propiciar aos alunos condições para a realização de atividades extracurriculares que favoreçam a sua formação acadêmica tanto para a integração no mercado de trabalho como para o desenvolvimento de estudos em programas de pós- graduação. São características básicas do PET a formação acadêmica ampla, a interdisciplinari- dade, a atuação coletiva, a interação contínua do grupo com os corpos docente e discente de graduação e pós-graduação, além do planejamento e execução de um conjunto di- versificado de atividades como: leituras e seminários, grupos de estudo, organização palestras, elaboração e desenvolvimento de projetos de pesquisa, estudo de, pelo menos, um idioma estrangeiro, entre outros. Essas características tornam o PET um programa abrangente, pois os petianos de- senvolvem atividades de ensino, pesquisa e extensão durante sua permanência no grupo.

3

2

Introdução

Este capítulo tem como objetivo descrever algumas noções básicas de segurança e eletricidade para usuários dos laboratórios do NUPEDEE que não possuem experiência em práticas e montagens experimentais em laboratório.

2.1 Segurança no Laboratório

De acordo com o Artigo 3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos [1], “Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”. Esse artigo demonstra a preocupação do ser humano com a preservação da vida. Uma forma importante de preservá-la é preocupar-se com a segurança do ambiente onde você trabalha ou estuda. Em nosso caso, os laboratórios do NUPEDEE constantemente nos expõe à riscos relacionados a eletricidade que podem variar de pequenos acidentes (como curto-circuito em circuitos eletrônicos de protoboards) à grandes perigos à integridade física do usuário (ex.: curto-circuito em sistemas de maior porte, como acionamento de motores com contatoras). Outro fator de risco que está sempre presente é o choque elétrico. Muitas vezes ignoramos o perigo deste efeito nos laboratórios, por diversos motivos que variam desde excesso de confiança, experiência de trabalho, falta de conhecimento ou pela banali- dade da situação (tomadas de 220 V estão presentes na sua casa, nos laboratórios de engenharia e em grandes usinas hidrelétricas, como a Itaipu). Porém, devemos sempre estar conscientes dos riscos de choque elétrico e garantir nossa segurança (e das pessoas ao redor) adotando os procedimentos corretos e adequa- dos na operação de equipamentos e instalações elétricas, tanto em laboratório quanto em casa, na indústria ou qualquer outro lugar. As seções a seguir trazem algumas orientações gerais para manter a segurança nos laboratórios durante aulas práticas ou montagens de circuitos experimentais.

2.1.1 Cuidados e Riscos

Algumas orientações para segurança nos laboratórios:

Orientações Gerais

Dentro do laboratório e principalmente durante a realização de montagens e ex- perimentos: mantenha-se concentrado.

Conheça o laboratório: saiba onde estão os quadros e chaves de alimentação e outros dispositivos de proteção.

4

Evite trabalhar sozinho. Em trabalhos em grupo, colabore com seus colegas.

Não brinque no laboratório.

Cuidados com Equipamentos

Em caso de dúvida sobre a operação, consulte o manual ou documento de refe- rência do equipamento.

Lembre-se: você não é dono dos equipamentos do laboratório. Eles são Patrimônio da UFSM.

Cuide dos equipamentos. Assim como você, outros terão o privilégio de utilizá-los.

Verifique as especificações técnicas do equipamento antes de utilizá-lo (tensão de alimentação, escalas de operação, potência, etc.).

Regras do NUPEDEE

NÃO danifique qualquer tipo de equipamento, documentação ou acessório dos laboratórios.

NÃO retire ou troque ponteiras de medição dos equipamentos/instrumentos.

Essa medida evita possiveis problemas de “mal contato” entre a ponteira e o borne de conexão com o instrumento, além de não danificá-lo.

Em caso de suspeita de mal funcionamento de um equipamento, comunique algum funcionário do laboratório.

NÃO retire nem troque qualquer equipamento dos laboratórios. Caso seja necessário retirar algum equipamento do respectivo laboratório, solicite a um funcionário do NUPEDEE.

Após o término da experiência, favor recolocar fios e componentes utilizados nas caixinhas de madeira.

Deixe a sala limpa e organizada ao sair.

2.1.2 Choque Elétrico

Entre 1992 e 1998, nos Estados Unidos, 2.287 trabalhadores morreram e 32.807

trabalhadores sofreram acidentes não-letais devido a choques elétricos e queimaduras provocadas consequentes desses choques [2].

O dado anterior mostra que não podemos ignorar os riscos de choque elétrico. Para

que possamos utilizar instalações e equipamentos elétricos com segurança, devemos entender os efeitos e causas do choque elétrico, além de medidas preventivas contra o mesmo.

O choque elétrico ocorre devido à dada passagem da corrente elétrica pelo corpo

humano. É necessário que haja um valor de tensão alto o suficiente para causar a passagem de um valor mínimo de corrente através do nosso corpo. Porém, o fator decisivo nos danos causados pelo choque serão os efeitos da corrente.

5

Quantidade de Corrente

Em geral, a resistência do corpo ao choque é minima (de um ponto de contato nas mãos aos pés, usando calçados secos, varia de 150 a 600 k). Mesmo em contato com circuitos padrões de 110/220 Volts pode ser letal em certas circunstâncias. Abaixo segue uma tabela com valores de corrente e os efeitos do choque elétrico no corpo humano [3].

Tabela 2.1: Efeitos da corrente elétrica no corpo humano

Corrente (mA)

Efeitos da corrente (60 Hz) circulando através do corpo

1 ou menor

Talvez não seja perceptível - Valor máximo inofensivo

1 até 8

Sensação moderada de choque (can let go at will [3])

8 até 15

Choque doloroso, contração dos músculos

15

até 20

Choque doloroso

20

até 75

Dor intensa, pode paralizar a respiração

100 até 200

Fibrilação ventricular; retém a vitíma inconsciente ao circuito, pode ser fatal

200 ou maior

Coração pára, músculos contraem intensamente e pode quebrar os- sos, queimaduras graves, pára respiração

Fator Tempo

Outro fator agravante é o tempo de permanência sob efeito do choque elétrico. Quanto maior o tempo, maiores os danos. A temperatura do corpo pode aumentar e possivelmente danificar tecidos, ossos e órgãos.

Evitando Acidentes

Sempre tome cuidado ao trabalhar com eletricidade. Sempre evite manusear com circuitos energizados. Para se ter uma idéia da importância da isolação de circuitos para manutenção, a Norma Regulamentadora n 10 [4], que trata da “Segurança em instalações e serviços em eletricidade”, diz que uma instalação elétrica só pode ser considerado desenergizado após os seguintes procedimentoes, na devida ordem, terem sido realizados:

1. seccionamento;

2. impedimento de reenergização;

3. constatação da ausência de tensão;

4. instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circuitos;

5. proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada;

6. instalação da sinalização de impedimento de reenergização.

Além disso, tome cuidado durante montagens para não tocar em partes energizadas de circuitos.

6

Figura 2.1: Contato com diferentes potenciais em um circuito. 2.2 Conceitos Básicos de Eletricidade Tensão

Figura 2.1: Contato com diferentes potenciais em um circuito.

2.2 Conceitos Básicos de Eletricidade

Tensão ou diferença de potencial (d.d.p.)

Tensão ou d.d.p. é definida como o trabalho (ou energia potencial) realizado, por unidade de carga, pelo campo elétrico sobre uma carga de prova que se move de um

ponto a até um ponto b [5]. Matematicamente, podemos descrever da seguinte maneira:

d.d.p. = V = V a V b . Podemos interpretar tensão, de uma forma mais prática, como a força disponível para movimentar os elétrons através de um caminho. Essa interpretação é importante quando relacionarmos tensão e corrente.

A unidade de tensão no sistema internacional (SI) é Volt (V ).

Corrente Elétrica

Corrente elétrica é definida como a taxa de fluxo de carga elétrica através de uma seção [5]. Podemos descrever matematicamente a corrente como sendo: i = Q Em um circuito elétrico, interpretaremos a corrente como um fluxo de elétrons cir- culando em um percurso fechado e impulsionado por uma diferença de potencial.

t .

A unidade de corrente elétrica no SI é Ampére (A).

Resistência Elétrica e a Lei de Ohm

Se submetermos uma barra de madeira a uma diferença de potencial e após subme- termos uma barra de cobre com as mesmas dimensões à mesma diferença de potencial, observaremos que as correntes elétricas resultantes serão muito diferentes.

Isso se dá ao fato de cada material apresentar uma característica própria denominada resistividade (ρ), a qual combinada com suas características geométricas nos trás o conceito de resistência elétrica.

A resistência elétrica é interpretada como a dificuldade que um material oferece à

passagem da corrente elétrica. Sua unidade é dada em Ohms (), que por sua vez é

7

definido como Ω = V

A .

A resistência elétrica pode ser equacionada da seguinte maneira:

 

L

R

= ρ A

(2.1)

onde L é o comprimento e A a área do material em questão. Como podemos ver, a resistência está relacionada com as características geométricas do material.

Os conceitos anteriores nos levam intuitivamente à formulação da Lei de Ohm, que

é dada pela sequinte equação: i = V R

(2.2)

A Lei de Ohm relaciona corrente, tensão e resistência. Ela nos mostra que a corrente

elétrica é diretamente proporcional à tensão aplicada entre dois pontos e a resistência

equivalente do caminho entre esses pontos.

Potência

Potência, em circuitos elétricos, pode ser definida como a taxa de transferência de energia para um determinado dispositivo [6]. Uma equação que se aplica a todas as espécies de transferência de energia elétrica é dada por:

P = V i

(2.3)

Especificamente para a transferência de energia potencial elétrica em energia térmica em um resistor, podemos combinar as equações (2.2) e (2.3), resultando nas seguintes fórmulas:

2

P = Ri 2 = V R

A unidade de potência no SI é Watt (W ).

Capacitância

(2.4)

É a capacidade de um dispositivo de armazenar energia na forma de campo elétrico.

Indutância

É a capacidade de um dispositivo de armazenar energia na forma de campo mag- nético.

2.3 AC/DC

Em engenharia elétrica constantemente iremos nos deparar com os conceitos de

corrente contínua e corrente alternada, mesmo antes de estudá-los formalmente. De fato, antes mesmo da engenharia, você já teve contato com ambos os tipos de eletricidade, mesmo sem saber.

DC (Direct Current) é um acrônimo norte-americano para corrente contínua (CC),

bem como AC (Alterning Current ) é traduzido como corrente alternada (CA). Os con- ceitos de CC e CA são bastante simples, embora, em geral, inicialmente se estude ambos separadamente, devido à vasta teoria e aplicação de ambos os casos na eletricidade. Corrente contínua é definida como corrente elétrica unidirecional, que circula ape- nas em um sentido, mantendo polaridade e direção constantes ao longo do tempo.

8

Corrente alterada é definida como corrente elétrica bidirecional, que muda (geral- mente de forma periódica) o sentido de circulação, variando sua polaridade e direção ao longo do tempo. Tome cuidado para não confundir DC e frequência nula. Uma corrente de valor constante ao longo do tempo de fato tem frequência nula e é contínua. Porém, uma corrente contínua não necessariamente tem frequência nula, uma vez que pode não ter valor constante (ex.: sinais retificados sem filtro).

ter valor constante (ex.: sinais retificados sem filtro). Figura 2.2: Circuito puramente resistivo com fontes CC

Figura 2.2: Circuito puramente resistivo com fontes CC e CA, respectivamente.

2.4 Digital × Analógico

Para entender a evolução tecnológica que envolve equipamentos analógicos e digitais, precisamos entender a essência que os classifica: sinais analógicos e sinais digitais. A literatura trás vários conceitos sobre essa classificação, mas vamos tentar entender a definição básica por trás das definições de digital e analógico. Um sinal analógico refere-se à um sinal contínuo no tempo. Isso significa que qualquer mudança na variável do sinal de interesse em relação ao tempo possui uma variação quantitativa correspondente (que pode ser outro sinal variante no tempo). Um amperímetro analógico, por exemplo, varia a posição de uma ponteira de um painel ao longo de uma escala graduada com a variação da intensidade de corrente medida. Um sinal digital por sua vez refere-se à um sinal quantificado na forma de bit ou, normalmente, combinações de bits. Diferente do sinal analógico, as variações entre o sinal de interesse o e sinal obtido digitalmente são discretas. Isso significa que existe uma precisão máxima que o sinal digital consegue representar o sinal verdadeiro, geralmente dadas pela resolução do dispostivo utilizado. Não existe um único critério para julgar equipamentos analógicos ou digitais. Cada tipo de equipamento tem suas vantagens e desvantagens para uma dada aplicação e um determinado objetivo. Através da conversão analógico-digital (Analog-Digital Conver- sion, ADC) um vasto conjunto de possibilidades se abriu no estudo de processsamento de sinais. Na hora de escolher a tecnologia, é sempre necessário avaliar as possibilidades e escolher a melhor alternativa de acordo com o objetivo, contexto e aplicação desejada.

de acordo com o objetivo, contexto e aplicação desejada. Figura 2.3: Composição de um sinal a

Figura 2.3: Composição de um sinal a partir da sua discretização.

9

2.5

Procedimentos de Montagem

Estas são algumas dicas para você utilizar quando estiver executando a montagem e teste de algum experimento.

Nenhuma ligação deve ser realizada com o circuito energizado.

Tenha sempre em mãos um diagrama do circuito que está sendo montado.

Revise o circuito antes de energizá-lo (trabalhe em grupo para evitar erros).

Quando necessário, consulte algum professor ou monitor antes de realizar alguma ligação.

Tome cuidado: alguns instrumentos só podem ser utilizados em DC e outros somente em AC.

Cuide as escalas dos equipamentos:

Ao energizar um circuito pela primeira vez (ou um circuito desconhecido qualquer), por medida de segurança, mantenha todos os instrumentos na maior escala disponível.

Exatidão das leituras: por exemplo, para fazer a leitura de 5 A, utiliza-se uma escala de 0 a 6 A, não uma escala de 0 a 50 A (usar a escala errada pode aumentar o erro da leitura).

Voltímetros sempre são conectados em paralelo com os terminais de medição.

Amperímetros sempre são conectados em série no ramo de medição.

Ao trabalhar com o Multímetro, tome muito cuidado quando trocar o modo de operação para Amperímetro/Voltímetro. Não faça ligações erradas nesses mo- dos e não esqueça de verificar se as ponteiras do multímetro estão corretamente conectadas para o modo de operação desejado.

Ao trabalhar com osciloscópio, sempre verifique:

Se a atenuação das sondas de tensão está corretamente configurada no menu do respectivo canal.

Se o tipo de acoplamento do canal está adequado à medição desejada.

10

3

Equipamentos Básicos de Laboratório

3.1 Fonte de Tensão

Uma fonte de tensão fornece potência para (“alimenta”) um determinado circuito. As fontes reguladas possuem ajuste de tensão e limite de corrente, dentro de determinadas faixas de acordo com a especificação do equipamento. Esta seção descreverá algumas das principais funcionalidades da fonte dupla disponível no NUPEDEE (modelo ICEL Manaus PS-6000 ). Para obter outras informações e abor- dagens mais detalhadas, consulte o manual de referência do equipamento [8]. A figura abaixo (3.1) mostra a interface da fonte com algumas legendas referentes à descrição das funcionalidades dos botões e displays.

referentes à descrição das funcionalidades dos botões e displays. Figura 3.1: Fonte de Tensão ICEL Manaus

Figura 3.1: Fonte de Tensão ICEL Manaus PS-6000

11

3.1.1

Descrição da Inteface

[1] Botão Power Chave para ligar e desligar a fonte de tensão.

[2] Potenciômetro de ajuste de corrente Ajuste dos níveis de corrente fornecidos na saída variável que pode ser de 0 a 6 A.

[3] Potenciômetro de ajuste de tensão Ajuste dos níveis de tensão fornecidos na saída variável que pode ser de 0 a 30 V.

[4] Saída ajustável (Neg/GND/Pos) Terminais de saída de corrente e tensão da fonte. São identificados a partir de cores distintas e de símbolos gráficos (Preto - Terminal negativo, Verde - Aterramento ou GND, Vermelho - Terminal positivo).

[5] Seletor do modo de operação Consiste em uma chave seletora referente aos mo- dos em que a fonte será operada. Classificam-se em modo de operação indepen- dente, onde cada uma das duas fontes é completamente independente uma da outra; modo paralelo, onde os terminais de ambas as fontes são interligados pa- ralelamente (isso proporciona uma corrente máxima de até 12 A nos terminais de saída); e modo série, onde o terminal positivo de uma fonte é curto-circuitado com o terminal negativo da outra (esta operação é utilizada como fonte simétrica).

[6] Saída fixa de 5 V Saída independente e sem possibilidade de ajuste. Mantém uma saída de 5 V com uma corrente máxima de 3 A.

[7] Leds indicadores Mostram ao operador o comportamento da fonte, que pode ser como fonte de tensão ou fonte de corrente.

[8] Indicação de Tensão Display numérico que indica os valores de tensão obtidos na saída ajustável da fonte a partir da variação do potenciômetro de tensão.

[9] Indicação de Corrente Display numérico que indica os valores de corrente obtidos na saída ajustável da fonte a partir da variação do potenciômetro de corrente.

3.1.2 Modo de Operação

Guia rápido para operação da fonte:

Ligue a fonte de tensão com o Botão Power;

Ajuste os níveis de tensão e corrente desejados a partir dos potenciômetros cor- respondentes. Para visualizar os valores de corrente, deve-se curto-circuitar os terminais Positivo (+) e Negativo (-) da fonte;

Volte o potenciômetro de tensão até a posição mínima (totalmente no sentido anti-horário) e remova o curto-circuito;

Introduza os terminais da saída ajustável (+ e -) da fonte no circuito a ser alimen- tado;

Ajuste o potenciômetro de tensão ao nível desejado na saída para o circuito entrar em funcionamento.

12

Observações importantes:

Certifique-se que a tensão de entrada da fonte esteja selecionada de acordo com a tensão da rede elétrica na qual ela será ligada;

Cada uma das fontes ajustáveis tem seus próprios medidores digitais, que permitem exibir a corrente e a tensão de saída ao mesmo tempo;

A fonte possui proteção contra curto-circuito das saídas e inversão de polaridade;

Isolação entre chassis e os terminais de saída: 1000 V DC .

3.1.3 Tipos de Ligação da Fonte Dupla

Por ser uma fonte dupla com dois controles independentes, essa fonte permite que dois grupos a utilizem na mesma bancada. Porém, é possivel utilizar as duas saídas independentes e realizar ligações entre elas para uma aplicação específica. Tenha muito cuidado ao realizar as ligações e siga as orientações. Preferencialmente realize as conecções com a fonte desligada. Em caso de maiores dúvidas consulte o manual. A seguir, os tipos possíveis de ligação:

Ligação em Série

Cada fonte independente possui tensão máxima de 30 Volts. A única vantagem da ligação em série é somar as tensões das duas fontes e obter valores acima de 30 Volts (máximo 60 Volts). Porém, a corrente máxima continuará sendo 6 Ampéres. Procedimentos para a ligação série:

1. Faça a conecção entre os terminais [‘+’] da fonte esquerda e [‘-’] da fonte di- reita, respectivamente (um conector que vem junto com a fonte pode facilitar o trabalho).

2. Os outros terminais ([‘+’] da fonte direita e [‘-’] da fonte esquerda) serão os extremos para conecção da sua fonte ao circuito.

3. Regule a tensão e corrente das fontes de maneira independente através dos seus respectivos potenciômetros.

4. A tensão da fonte conectada ao circuito será o valor da tensão da fonte esquerda somado ao valor da tensão na fonte direita.

da tensão da fonte esquerda somado ao valor da tensão na fonte direita. Figura 3.2: Ligação

Figura 3.2: Ligação série da fonte dupla.

13

Fonte Simétrica

A fonte simétrica nos permite alimentação com potenciais negativos, geralmente utilizado para dispositivos como amplificadores operacionais. O processo de ligação é bastante semelhante à fonte em série. Procedimentos para a ligação simétrica:

1. Faça a conecção entre os terminais [‘+’] da fonte esquerda e [‘-’] da fonte di- reita, respectivamente (um conector que vem junto com a fonte pode facilitar o trabalho). Esses terminais serão a nova referência da fonte para o seu circuito (“potencial nulo” ou “0 Volts”).

2. Os outros terminais ([‘+’] da fonte direita e [‘-’] da fonte esquerda) serão os extremos para conecção da sua fonte ao circuito.

3. Pressione o seletor de operação da fonte esquerda (SOMENTE UM SELETOR). Isso permite ajustarmos a tensão das duas fontes usando o potenciômetro da fonte direita.

4. Em relação à referência da fonte, citada no item (1), o potencial no terminal [‘+’] da fonte direita vale +V e o potencial no terminal [‘-’] da fonte esquerda vale V , onde V é o valor ajustado no potenciômetro da fonte direita.

V é o valor ajustado no potenciômetro da fonte direita. Figura 3.3: Ligação da fonte simétrica.

Figura 3.3: Ligação da fonte simétrica.

Ligação em Paralelo

Como explicado na seção (3.1.1), a ligação em paralelo serve para dobrar a capacidade de corrente da fonte dupla, fornecendo então 12 A em vez de 6 A. Tome cuidado com essa ligação. Faça-a com a fonte desligada e só então ligue a fonte e conecte-a ao circuito.

1. Pressione os DOIS seletores de operação ’INDEP / PARALLEL’.

2. Faça uma conexao entre os terminais [‘+’] das duas fontes.

3. Faça uma conexao entre os terminais [‘-’] das duas fontes.

4. Regule a tensão e corrente das duas fontes simultaneamente com o controle dos potenciômetros da fonte da direita.

5. Use os terminais [‘+’] e [‘-’] de qualquer uma das duas fontes para conectar a fonte paralela ao circuito.

14

Figura 3.4: Ligação paralela da fonte dupla. 3.2 Multímetro Digital Os multímetros digitais são equipamentos

Figura 3.4: Ligação paralela da fonte dupla.

3.2 Multímetro Digital

Os multímetros digitais são equipamentos desenvolvidos para medição de diversas grandezas elétricas, dentre elas, principalmente, tensão e corrente. Os multímetros apresentam diversas escalas para medição de tensão/corrente em CC e CA. Os instru- mentos atuais apresentam cada vez mais funcionalidades, como medição de frequência e temperatura, por exemplo. Esta seção descreverá algumas das principais funcionalidades do Multímetro Digital disponível no NUPEDEE (modelo TENMA 72-7745 ). Para obter outras informações e abordagens mais detalhadas, consulte o manual de referência do equipamento [12].

3.2.1 Descrição da Interface

de referência do equipamento [ 12 ]. 3.2.1 Descrição da Interface Figura 3.5: Multímetro Digital TENMA

Figura 3.5: Multímetro Digital TENMA (R) 72-7745.

15

[1] Tipo de corrente/tensão Exibe no display do aparelho o tipo de corrente/tensão (AC para corrente alternada ou nada para corrente contínua).

[2] Escala de medida Exibe no display a escala de medição que o multímetro está recebendo/operando.

[5] Botões funcionais

Range O botão Range (escala) seleciona a escala de medição. Mantendo-o pres- sionado por 2 segundos o multímetro ativa ou desativa o modo de AUTO- RANGE (o qual seleciona as escalas automaticamente).

Hz% Esse botão alterna entre medições de freqüência e período.

RELO botão RELsalva a medição que está sendo exibida na tela como parâmetro para as próximas medições (Ex.: se a medição registrada no display for 20 V quando o botão for pressionado e a próxima medição for de uma tensão 22 V, será exibido 2 V no display).

Hold H Mantém a leitura que está sendo exibida na tela do multímetro. Se for mantido pressionado por 2 segundos ativa ou desativa a iluminação do display.

[4] Botão de especificação O Botão de especificação é responsável por selecionar o tipo da medida que será realizada, se existirem opções. Nos modos de Am- perímetro e Voltímetro existem as opções AC e DC. No modo de análise de com- ponentes existem as opções teste de resistência, diodo, capacitância e buzzer.

[5] Botão Power O Botão Power liga ou desliga o multímetro.

[6] Chave Seletora Coloca o multímetro na função desejada entre as sete opções.

[7] Terminais das ponteiras Os terminais das ponteiras indicam a função para a qual devem ser usados e o limite dos fusíveis de cada modo. Use a ponteira preta no terminal COM. Tome cuidado para mudar a ponteira vermelha para os terminais corretos quando medir corrente ou tensão.

3.2.2 Modo de Operação Geral

Guia rápido para operação do multímetro digital.

1. Ligue o multímetro.

2. Conecte a base da ponteira preta no terminal COM.

3. Conecte a base da ponteira vermelha no terminal correspondente à medida que deve ser realizada.

4. Coloque a chave seletora na posição adequada à medida que deve ser realizada. Cuide a escala se não estiver no modo AUTORANGE.

5. Conecte as ponteiras ao sistema onde a medida deve ser realizada.

16

3.2.3

Medição de Temperatura

Guia rápido para operação do multímetro digital para medição de temperatura.

1. Ligue o multímetro, remova as ponteiras e conecte nos terminais do multímetro o sensor de temperatura.

2. Conecte o fio vermelho ao terminal µAmA C e o fio preto no terminal COM.

3. Coloque a chave seletora no modo C.

4. Aproxime o sensor de temperatura do ponto em que se deseja obter a medição.

5. Após a medição afaste o sensor do sistema que estava sendo testado e desconecte dos terminais.

6. Recoloque as ponteiras usuais e guarde o sensor no local adequado.

3.3 Exemplo 1 - Divisor Resistivo

Neste exemplo será realizada a montagem de um circuito com divisor resistivo para obtenção de uma variação mais precisa na tensão. O divisor resistivo nada mais é que uma associação série de dois resistores, onde a tensão de interesse é no segundo resistor. Como a tensão se divide proporcionalmente aos valores de resistência, chamamos essa configuração de divisor resistivo. Nossa fonte é capaz de variar a tensão de saída com resolução de 0.1 V, possibilitando a obtenção de 300 valores de tensão entre 0 e 30 V. Usando um divisor de tensão obteremos valores de saída com variação na ordem de 0.05 V, aumentando a precisão e quantidade de valores que podem ser obtidos com a mesma fonte.

3.3.1 Roteiro:

1. Monte o circuito da figura (3.6) no Protoboard, utilizando os seguintes compo- nentes:

(a)

R1 - 10 k

(b)

R2 - 100

(c)

R3 - 500

(d)

R4 - 1 k

- 100 Ω (c) R3 - 500 Ω (d) R4 - 1 k Ω Figura 3.6:

Figura 3.6: Circuito com divisor resistivo. Multímetro no modo Voltímetro DC.

2. Antes de conectar a fonte no circuito, ligue-a e ajuste a tensão para V = 5 V olts (corrente de curto circuito: 0.07 mA).

17

3.

Varie 1 Volt na fonte de tensão (de 0.1 em 0.1 Volt, até 6 Volts), para obter variações de tensão na saída do divisor resistivo com precisão maior que as do display da fonte.

4. Usar o multímetro (modo Voltímetro DC) para realizar as medições, conforme a figura (3.6). Você observará variações de tensão menores que 0.1 Volt no display do multímetro para cada 0.1 Volt que varia na fonte.

5. Conforme as indicações da figura (3.6), é possivel calcular a tensão na saída do divisor resistivo através da seguinte fórmula: V out = V in ×

R

2

R 1 +R 2

3.4 Exemplo 2 - Fonte Simétrica

Usando o mesmo circuito montado no primeiro experimento iremos agora realizar a montagem de uma fonte simétrica em série usando a fonte dupla. Devemos realizar a ligação da fonte simétrica conforme descrito na seção (3.1.3). Neste circuito regularemos a fonte simétrica para +5V/ 5V .

3.4.1 Roteiro:

1. Monte o circuito da figura (3.7), utilizando os mesmos valores de componentes do Exemplo 1 (3.3).

os mesmos valores de componentes do Exemplo 1 ( 3.3 ). Figura 3.7: Circuito resistivo alimentado

Figura 3.7: Circuito resistivo alimentado com fonte simétrica. Atenção nos modos de operação do multímetro.

2. Tome cuidado para configurar corretamente os modos de operação e conectar adequadamente as ponteiras dos multímetros.

3. Use o multímetro no modo amperímetro (atenção aos terminais das ponteiras e ligação série do modo amperímetro) para medir corrente no resistor R3, colocando o multímetro em série, entre o resistor e o terminal negativo do circuito.

4. Use o multímetro no modo voltímetro (atenção aos terminais das ponteiras e ao modo de ligação do voltímetro: em paralelo) para verificar as tensões de alimen- tação da ligação simétrica da fonte dupla.

5. Mantenha a ponteira preta (referência de tensão) entre as fontes e alterne a pon- teira vermelha entre as saídas da fonte para leitura dos valores de tensão da fonte simétrica.

6. Tente verificar também a tensão entre os extremos da fonte.

18

4

Instrumentação para Teste e Análise

4.1 Osciloscópio

O Osciloscópio é um importante instrumento de laboratório na engenharia para

análise e visualização de sinais elétricos. Basicamente, ele cria um gráfico bi-dimensional,

visível em um display, de uma ou mais diferenças de potencial. Porém as funções e apli-

cações do osciloscópio não se limitam apenas a isso. Ele inclui diversas ferramentas que nos permitem trabalhar com os sinais medidos (Operações matemáticas, FFT, curva de Lissajous, etc.). Esta seção descreverá algumas das principais funcionalidades do Osciloscópio disponível no NUPEDEE (modelo Tektronix TDS1001B). Para obter outras informações e aborda- gens mais detalhadas, consulte o manual de referência do equipamento [7].

A figura abaixo (4.1) mostra a interface do osciloscópio dividida em blocos para

facilitar a descrição das funções disponíveis ao usuário.

a descrição das funções disponíveis ao usuário. Figura 4.1: Interface do Osciloscópio Tektronix TDS1001B

Figura 4.1: Interface do Osciloscópio Tektronix TDS1001B

4.1.1 Bloco A: Botões de Opções

Também são conhecidos como botões de tela ou botões de menu lateral. Utilize-os para navegar nas funções dos menus mostrados no display do instrumento.

19

4.1.2

Bloco B: Menu e Botões de Controle

Para navegar dentro dos menus e alterar configurações, utilize os botões do botões de opções (4.1.1) conforme as exibições do menu lateral do display.

Multipurpose Knob É um botão giratório de múltiplas funções. Sua função é deter- minada pelo menu exibido ou pela opção de menu selecionada. Quando ativo, o LED adjacente acende. Pode ser utilizado para selecionar opções em alguns menus.

AUTORANGE Exibe o menu Autorange e liga/desliga a função de Autoranging (se estiver ligada, o LED adjacente acende).

SAVE/RECALL Exibe o menu Salvar/Recuperar para configurações e formas de onda.

MEASURES Exibe o menu de medições automatizadas.

ACQUIRE Exibe o menu de Aquisição.

REF MENU Exibe o menu “Ref” para mostrar ou ocultar rapidamente formas de onda de referência armazenadas na memória não-volátil do osciloscópio.

UTILITY Exibe o menu de utilitários.

CURSOR Exibe o menu de cursores.

DISPLAY Exibe o menu de configurações do display.

HELP Menu de ajuda.

DEFAULT SETUP Restaura as configurações do osciloscópio para os padrões de fábrica.

AUTOSET Ajusta automaticamente as formas de onda no display de modo que pro- duzam uma exibição utilizável dos sinais de entrada.

SINGLE SEQ Adquire uma forma de onda única e pára.

RUN/STOP Congela a imagem no display (STOP) ou libera a aquisição continua de formas de onda (RUN).

4.1.3 Bloco C: Controles Verticais

POSITION CH1 e CH2 Ajustam a posição vertical da forma de onda dos canais 1 e

2.

CH1 e CH2 MENU Exibe as seleções verticais do menu e liga/desliga a exibição da forma de onda do respectivo canal (CH1 ou CH2).

VOLTS/DIV (CH1 e CH2) Seleciona os fatores da escala vertical do respectivo canal.

MATH MENU Exibe o menu de operações matemáticas de forma de onda e liga/desliga a exibição da forma de onda matemática.

20

4.1.4

Bloco D: Controles Horizontais

POSITION Ajusta a posição horizontal de todas as formas de onda. A resolução deste controle varia com a configuração da base de tempo.

HORIZ MENU Exibe o menu horizontal.

SET TO ZERO Define a posição horizontal para zero.

SEC/DIV Seleciona o fator de escala horizontal “tempo/div” para a base de tempo principal.

4.1.5 Bloco E: Controles de Trigger

O trigger determina quando o osciloscópio começa a adquirir dados e exibir uma

forma de onda.

LEVEL Quando você usa um trigger Borda ou Pulso, o botão LEVEL define qual nível de amplitude o sinal deve cruzar para adquirir uma forma de onda.

TRIG MENU Exibe o menu Trigger.

SET TO 50% O nível de trigger e definido como o ponto médio vertical entre os picos do sinal de trigger.

FORCE TRIG Completa uma aquisição, independentemente de um sinal de trigger adequado. Esse botão não tem efeito se a aquisição já estiver parada.

TRIG VIEW Exibe a forma de onda do trigger em vez da forma de onda do canal enquanto você mantém pressionado o botão “TRIG VIEW”. Use para vizualizar como as configurações de trigger afetam o sinal de trigger, tal como o acoplamento de trigger.

4.1.6 Bloco F: USB Flash Drive e botão PRINT

Insira uma USB flash drive para o armazenamento ou a recuperação de dados.

O Osciloscópio exibe um simbolo de relógio para indicar quando o flash drive está

ativo. Depois que um arquivo é salvo ou recuperado, o osciloscópio remove o relógio e exibe uma linha de dicas para notificá-lo sobre a conclusão da operação de gravação de dados.

É possível configurar o osciloscópio para gravar uma imagem da forma de onda

mostrada na tela na USB Flash Drive apenas pressionando o botão “PRINT” do os- ciloscópio. Essa configuração e os formatos de saída das imagens são definidas no menu “UTILITY Options Printer Setup”. Obs.: O Osciloscópio suporta apenas flash drives com uma capacidade de armazena- mento de 2 GB ou menos.

4.1.7 Bloco G: Probe Comp

Estes terminais são utilizados para verificar a funcionalidade do osciloscópio e das sondas de tensão. É uma saída de um sinal de onda quadrado, com amplitude e tensão pico a pico de 5 V e frequência de 1 kHz.

21

4.2

Gerador de Funções

O gerador de funções (ou gerador de sinais) é um equipamento eletrônico utilizado para gerar formas de onda ou sinais elétricos. É possivel variar frequência, amplitude, distorção e forma desses sinais. Geralmente são utilizados nos laboratórios como fonte de sinal para teste de equipamentos, circuitos, experimentos, etc. Outras funções comumente encontradas em geradores de funções são atenuação do sinal de saída e ajuste de offset da forma de onda. Esta seção descreverá algumas das principais funcionalidades do Gerador de Funções disponível no NUPEDEE (modelo ICEL Manaus GV-2002 ). Para obter outras infor- mações e abordagens mais detalhadas, consulte o manual de referência do equipamento

[9].

4.2.1 Interface do Gerador

referência do equipamento [ 9 ]. 4.2.1 Interface do Gerador Figura 4.2: Gerador de Funções ICEL

Figura 4.2: Gerador de Funções ICEL Manaus GV-2002

[1] FADJ O potenciômetro permite ajustar a frequência de saída dentro do limite de cada escala selecionada.

[2] DADJ O potenciômetro permite ajustar a distorção do sinal de saída variando de 20% até 80%.

[3] AADJ O potenciômetro permite ajustar a tensão (amplitude) do sinal de saída, dentro de uma variação de 20 dB.

[4] Atenuação (20 dB e 40 dB) Os botões permitem atenuar o sinal de saída do gerador em 20 dB e 40 dB, respectivamente.

22

[5] WAVE Pressione o botão para selecionar a forma de onda de saída do gerador.

[6] RANGE Pressione o botão para selecionar a escala da frequência de saída do ge- rador.

[7] RUN Pressione para gerar no terminal de saída a forma de onda e configurações previamente selecionadas.

[8] RESET Pressione para retornar as configurações de fábrica do gerador.

[9] Display 1 Indica a frequência do sinal de saída (5 dígitos).

[10] Display 2 Indica a amplitude do sinal de saída (3 dígitos).

4.2.2 Modo de Operação

Guia rápido para operação do gerador de funções.

1. Coloque os três potenciômetros na posição média entre o valor mínimo e máximo. Pressione o botão “RANGE” sucessivamente para selecionar a faixa de frequên- cia desejada, conforme a tabela (4.1). Após, pressione o botão “RUN” para confirmar.

Tabela 4.1: Escalas de frequência disponíveis do gerador ICEL Manaus GV-2002.

Número exibido no Display 1

Escala

1

2 Hz

2

20 Hz

3

200 Hz

4

2 kHz

5

20 kHz

6

200 kHz

7

2 MHz

2. Pressione o botão “WAVE” sucessivamente para selecionar a forma da onde de- sejada, conforme a tabela (4.2). Após, pressione a chave “RUN” para confirmar.

Tabela 4.2: Formas de onda disponíveis do gerador ICEL Manaus GV-2002.

Número exibido no Display 1

Forma de Onda

1

Senoidal

2

Quadrada

3

Triangular

3. Ajuste os potenciômetros “FADJ”, “AADJ” e “DADJ” para obter a frequência, a amplitude e a distorção (simetria), respectivamente, da forma de onda desejada. Após o ajuste do potenciômetro “DADJ” poderá haver uma pequena variação na frequência de saída.

23

4.3

Exemplo 1 - Circuito Inversor

Este exemplo apresenta um circuito inversor. A função do circuito é inverter o sinal de entrada do gerador (já retificado por um diodo). Para tanto, utilizaremos uma porta lógica inversora (porta NOT ). A forma de onda escolhida no gerador será quadrada. Portanto, o funcionamento é muito simples: quando na saída do diodo o sinal estiver em nível lógico alto, a saida da porta NOT estará com nível lógico baixo. Já quando na saída do diodo o sinal estiver em nível lógico baixo, a saída da porta NOT estará com nível lógico alto.

4.3.1 Roteiro:

1. Monte o circuito da figura (4.3) no Protoboard, utilizando os seguintes compo- nentes:

(a)

R1 - 10 k.

(b)

D1 - Diodo N4007.

(c)

CI - Uma porta inversora do circuito integrado CMOS 4049.

(d)

XSC1 - Osciloscópio.

integrado CMOS 4049. (d) XSC1 - Osciloscópio. Figura 4.3: Circuito inversor utilizando o CI 4049. Figura

Figura 4.3: Circuito inversor utilizando o CI 4049.

Figura 4.3: Circuito inversor utilizando o CI 4049. Figura 4.4: Pinagem do circuito integrado CD4049 [

Figura 4.4: Pinagem do circuito integrado CD4049 [10].

2. Não esqueça de alimentar o CI 4049 (V DD 5 V e V SS 0 V).

3. Antes de conectar o gerador de funções ao circuito, ligue-o e ajuste da seguinte forma:

(a)

Amplitude - 5 Volts.

(b)

Frequência - 200 Hz.

(c)

Forma de onda - quadrada.

24

4.

Conecte o canal 2 do osciloscópio na saída do inversor, conforme a figura (4.3) e observe o sinal na tela.

(a)

Observe a atenuação da ponteira de prova do osciloscópio durante a medição

verifique se o canal do osciloscópio está configurado para o mesmo valor. Verifique se está configurado para acoplamento CC.

e

(b)

Ajuste a escala de tempo para 2.5 s/div e a escala de tensão para 2 V/div.

5. Conecte a sonda de tensão do canal 1 do osciloscópio na entrada da porta inversora. Utilize a mesma referência para os dois canais do osciloscópio.

(a)

Observe a atenuação da ponteira de prova do osciloscópio durante a medição

e

verifique se o canal do osciloscópio está configurado para o mesmo valor.

(b)

Ajuste a escala de tensão para 2 V/div.

6. Compare o sinal de entrada com o sinal de saída da porta inversora.

4.4 Exemplo 2 - Comparador de Tensão e PWM

O objetivo desse circuito é emitir um sinal de saída quadrado com largura de pulso variável. Modulação de largura de pulso é conhecida como PWM (Pulse Width Modula- tion). Geralmente um PWM está implementado e possui controle automático em alguns microcontroladores. Porém, aqui utilizaremos um método apenas para entender o que é PWM e modular a largura de pulso manualmente. Para implementar esse circuito, utilizamos um amplificador operacional como com- parador de tensão. Ele irá comparar a tensão de um sinal triangular com um valor de tensão constante. Sempre que o sinal triangular possuir amplitude maior que a tensão constante de comparação, o comparador terá saída em nível lógico alto. Quando o sinal triangular possuir amplitude menor que a tensão constante de com- paração, o comparador terá saída em nível lógico baixo. Quando alteramos a amplitude do sinal triangular de comparação, consequentemente alteramos o tempo que esse sinal permanece abaixo ou acima da tensão de comparação. Consequentemente, vamos alterar a largura de pulso da saída do comparador.

4.4.1 Roteiro:

1. Monte o circuito da figura (4.5) no protoboard, utilizando os seguintes compo- nentes:

(a)

R1 - 100 k

(b)

R2 - 100

(c)

D1, D2, D3 e D4 - Diodos N4007.

(d)

U2 - Circuito integrado do amplificador operacional LM741.

(e)

GF - Gerador de funções.

(f)

XSC1 - Osciloscópio.

2. Antes de conectar o gerador de funções ao circuito, ligue-o e ajuste da seguinte forma:

25

Figura 4.5: Circuito para PWM com comparador de tensão LM741. Figura 4.6: Pinagem do amplificador

Figura 4.5: Circuito para PWM com comparador de tensão LM741.

4.5: Circuito para PWM com comparador de tensão LM741. Figura 4.6: Pinagem do amplificador operacional LM741

Figura 4.6: Pinagem do amplificador operacional LM741 [11].

(a)

Amplitude - 110 mV.

(b)

Frequência - 5 Hz.

(c)

Forma de onda - triangular.

3. Antes de conectar a fonte no circuito, ligue-a e ajuste a tensão para V = 5 V olts, conforme a figura (4.5) (corrente de curto circuito: 0.07 mA). O terminal 7 do LM741 também deve ser alimentado pelos mesmos 5 Volts.

4. Conecte a sonda de tensão do canal 2 do osciloscópio na saída do LM741 (pino 6) e a referência no terminal negativo da fonte.

5. Finalizada a montagem e configuração dos equipamentos, varie a amplitude do gerador de tensão de 110 mV até 1 V .

6. Observe no osciloscópio o que acontece com o sinal de saída do LM741 quando você aumenta ou diminui a amplitude da onda triangular do gerador.

7. Conecte a sonda de tensão do canal 1 na entrada não inversoda do LM741 (pino 3). Use a mesma referência do item (4).

8. Varie novamente a amplitude do gerador de funções e compare agora o sinal de entrada do LM741 com seu sinal de saída ao realizar esse procedimento.

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