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MUSICALIZAÇÃO NA OTIMIZAÇÃO DA AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTOS DO

ALUNO COM DEFICIT DE ATENÇÃO POR HIPERATIVIDADE

Alexandre Nogueira da Silva*


Nanci Terezinha da Silva*
Carmem Rodrigues da Costa**

Trabalho apresentado na 7ª semana pedagógica 2010 – Entre a educação e a inclusão e I


Encontro de Psicologia e Educação: Implicações no processo de ensino aprendizagem
(realizado pelo departamento de Educação da Fafipar, Paranaguá). ISSN 2177-546X

RESUMO: Estar envolvido em alguma ou qualquer atividade pode ser considerado como algo
imprescindível para pessoas com compromissos com a qualidade de vida e, consequentemente, com
a melhoria das condições de ensino, de aprendizagem e das relações que se estabelecem não só no
interior das escolas, mas de todos os espaços humanos. Quando se trata da educação de uma
pessoa com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade), o profissional da educação
deve possuir muito compromisso, com um interesse supremo. Tem que “estar entre”, imerso,
engajado, envolvendo-se, levando-se a não distinguir mais o que é apenas compromisso profissional,
do humano, pois a afetividade, o gostar do que faz, se esmera. Sem dúvida a afetividade estará
presente na relação de quem ensina com quem aprende. Desse modo a ética sendo o modo de ser e
com o princípio supremo “fazer bem ao outro”, favorecerá a organização dos conteúdos subjacentes
às práticas desenvolvidas, levando a internalização de processos mentais (cognitivos). Essa estrutura
incutirá nos indivíduos (educador e educando) a busca pela obtenção de prazer em praticar as tarefas
educativas formais, que os levarão a promover, impulsionar, fazer avançar (tal qual o termo latino –
educere), tirar de dentro para fora, encadeando, assim, um educar criativo. Isso só se dará com o
outro componente básico que é o meio social e a aceitação, inserção e até a inclusão da diversidade
de comportamentos que acometo a pessoa com TDAH. Certamente, referimo-nos a aprendizagem,
ou seja, a cognição, a capacidade de compreender, assimilar e construir conhecimentos que ele
possui. Dessa forma, o presente artigo parte dos seguintes questionamentos: será que a escola
pública está preparada para ensinar o aluno com TDAH? Considerando que o TDAH (Transtorno de
Déficit de Atenção por Hiperatividade), é um transtorno que desencadeia a necessidade de uma
aprendizagem diferenciada, como estimular o desenvolvimento cognitivo do hiperativo? Como a
música sempre esteve presente e continuará sendo cada vez mais atual na vida o ser humano, ela
com seu grau de sensibilidade e também transformador, poderá promover o bem estar no cotidiano
dessas pessoas, levando-os a uma atmosfera de sensações prazerosas, de harmonia, além de um
convívio familiar, social e principalmente no fazer escolar?

Palavras-Chave: TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade), musicalização, êxito


escolar

INTRODUÇÃO
A importância da musicalização no âmbito educacional principalmente na
superação de dificuldades de aprendizagem pode significar um salto de qualidade
que trará para o educando um desempenho memorável em suas atividades.
** Acadêmicos do 4º ano diurno do Curso de Pedagogia da Faculdade Estadual de Filosofia,  
Ciências e Letras de Paranaguá – FAFIPAR
** Pedagoga, Psicóloga, Especialista em Gestão de Recursos Humanos, Mestre em Engenharia de
Produção de Conhecimentos, Profª. da FAFIPAR e Orientadora neste estudo.
 
Dentre as modalidades musicais destacam-se a flauta doce, violão e
instrumentos de percussão, que podem favorecer o contato do sujeito com a música,
o que reflete um valor importantíssimo no que diz respeito ao aprender prazeroso e
significativo às pessoas com transtorno de déficit de atenção com ou sem
hiperatividade.
Aferente a inexistência de um trabalho fundamentado nessa realidade, referir-
se-á a conhecimentos e critérios que possivelmente abrangerão o que em voga se
discute pelos profissionais da educação e que traz à tona um desafio face ao
enfrentamento do histórico fracasso escolar vivenciado pelas pessoas com TDAH.
Tendo em vista esse parâmetro, o objetivo do presente estudo é diminuir
possíveis problemas de assimilação/compreensão de conteúdos, na medida em que
se resgate a auto-estima dos hiperativos. Para tanto, se faz necessário que os
mesmos desvendem o mito da patologia e da incompetência (indisciplina), que os
fazem crer que são “improdutivos” nos paradigmas da pseudo escola regular e
rotuladora.
Assim, pretende-se investigar se alunos diagnosticados como hiperativos
podem melhorar seu desempenho no processo de escolarização a partir de práticas
diferenciadas a partir da musicalização. No entanto, para verificar a possibilidade de
satisfação destes objetivos, questiona-se: será que a musicalização, se utilizada
como recurso motivador para concentrar a atenção e favorecer a compreensão de
conteúdos, poderia melhorar o desempenho escolar do aluno com déficit de atenção
por hiperatividade?
No cotidiano escolar o professor desenvolve os conteúdos para alunos
rotulados como desinteressados, apáticos, bagunceiros, indisciplinados, que não se
envolvem com os temas trabalhados. Sua esperança é que a escola encaminhe-os
para avaliação diagnóstica por profissional apto e preparado, para conhecer as
possíveis causas de tais comportamentos presentes, pois, nem todos são
indisciplinados ou hiperativos.
Partindo desse contexto pretende-se apresentar sugestões de recursos
providos de informações, e atividades que contribuam para a aprendizagem
significativa desses alunos.
Uma das possibilidades metodológicas é a verificação da postura correta do
professor diante das dificuldades, divulgando a importância do apoio familiar na
educação e superação dos filhos, contribuindo assim para a prática educativa mais
motivada e agradável para aqueles que nela trabalhem e acreditem, possibilitando
uma boa convivência com os educandos e consequentemente com o seu meio.
Para isso, a pesquisa bibliográfica foi utilizada, referendada nas obras de
autores como BARKLEY, MATTOS, SCANDAR, CAMPBELL, GAINZA e BRITO.
Além desta estratégia metodológica, realizou-se um estudo de caso com dois
adolescentes, sendo um diagnosticado com TDAH, e outro com suspeita, desde
maio de 2009.
Com este procedimento procurou-se: identificar os problemas gerados pela
hiperatividade que levam ao baixo desempenho na prática educativa; incentivar o
relacionamento professor/aluno para melhorar os aspectos afetivos de ambos;
elevar o desempenho dos professores no processo de ensino e dos seus alunos no
processo de aprendizagem; socializar, despertar e desenvolver a criatividade de
todos.
Num primeiro momento foram efetivadas entrevistas ou contatos com
profissionais especializados ou não (neurologista, pedagoga, psicopedagoga,
professoras) e também com alunos. Aferentes a essas informações, procurou-se
observar, acompanhar, avaliar atividades e os conteúdos que foram dirigidos à
esses discentes.
Com os educandos em processo de análise, proporcionaram-se diversas
atividades musicais objetivando sua melhoria. Esse contato com a música, isto é, a
relação com a arte musical trouxe resultados significativos de acordo com a real
situação do envolvimento que se deu em ateliê (ambiente musical específico), ou
seja, sala estruturada peculiar para atividades com música.

O QUE É O TDAH?
Os educadores da atualidade têm se deparado com uma série de desafios no
seu cotidiano escolar. Um deles é o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade,
um tema sobre intensa discussão, assunto complexo e polêmico trazendo a tona
divergências significativas por parte dos profissionais que se dedicam a pesquisas
científicas.
A popularização através dos meios de comunicação leva a rotulação, se o
aluno tem atitude de mau comportamento ou inquietação. O professor e/ou a família
logo pensam em um distúrbio psicológico ou TDAH. Há também a rotulação posta as
crianças ditas como endiabradas, desobedientes ou desligadas.
Justamente nesse sentido surge a necessidade de conhecer e compreender o
Transtorno para poder auxiliar as pessoas com TDAH no processo ensino-
aprendizagem, uma vez que é difícil aceitá-lo como uma deficiência porque não é
visível, por estar localizado no Sistema Nervoso Central. Trata-se de uma
imperfeição no cérebro provocando a movimentação constante e comportamentos
intoleráveis.
Segundo Barkley (2002, p.35) o Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade (TDAH), “é um Transtorno de desenvolvimento do
autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção, com o
controle do impulso e com o nível de atividade.”
Esse processo ocorre no córtex frontal, localizado na cabeça na altura da
testa. É uma espécie de ausência de freio que no caso, o TDAH não consegue frear
seus impulsos quando necessário. Segundo do dicionário Aurélio transtorno é
perturbação, alteração, mudança, desarranjo mental.
Em suma, o TDAH é um Transtorno Comportamental Real caracterizado
numa área cerebral com subatividade cujo o amadurecimento propicia a inibição
comportamental, auto-organização, auto-regulação e previdência.

O Surgimento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade


Em 1902 o Médico George Frederic Still constatou em suas pesquisas que já
havia crianças com comportamentos semelhantes ao TDAH, termo atual. Durante os
cento e sete anos foram várias as denominações, desde “Defeito de Controle Moral”,
“Distúrbio Orgânico de Comportamento”, “Lesão Cerebral Mínima (LCM)”, “Síndrome
de Strauss”, “Disfunção Cerebral Mínima (DCM)” e “Hiperatividade.”

O TDAH é Comum?
Estudos afirmam que é bastante e o índice de crianças são também
numerosas, não descartando a configuração nos adultos, embora existe um difícil
diagnóstico decorrente do transtorno diminuir com o passar dos anos. Acredita-se
que mais de 60% das crianças que tiveram TDAH na infância ingressarão na vida
adulta com sintomas. Em algumas regiões do mundo, inclusive no Brasil, o
percentual de crianças com o Transtorno está entre 5% e 8%, e entre adultos, as
taxas variam de 1,5% a 4%.
É possível encontrar facilmente crianças com TDAH em praças e jardins, na
praia, no shopping Center, na sala de aula, enfim, em qualquer lugar.
Segundo Mattos (2008;apud IBGE 2006, p.63) no Brasil temos os seguintes
dados:
Entre 0 e 14 anos, temos 55.013.127. Se usarmos uma taxa bem
conservadora de TDAH nesta idade, 3,5%, teríamos 1.925.459 de crianças
e adolescentes com o transtorno. Entre 15 e 64 anos, temos 119.876.577
brasileiros. Se usarmos uma taxa bem conservadora de TDAH nesta idade,
1,5%, teremos 1.798.148 adultos com TDAH no país. Acima de 65 anos,
não conhecemos a taxa de prevalência de TDAH. Se somarmos as crianças
e adolescentes com os adultos,temos no Brasil 3.723.607 portadores de
TDAH!

É de extrema relevância os dados apresentados pelo autor, para termos idéia


da dimensão do problema. Tomar conhecimento, num primeiro momento é crucial
para quem pretende efetivar intervenções onde se possam deslindar o estudo e o
tratamento dos principais sintomas do TDAH, partindo desses referenciais
apresentados, na perspectiva da saúde e da educação.

Então é Genético e Ponto Final?


É de suma relevância tratar desse ponto em virtude de alguns dados e
informações não verdadeiras por ora ou outra transitarem no meio social e
principalmente no âmbito educacional. A tônica é esclarecer a sua origem e
portanto, existem várias doenças de transmissão genética que aparecerão nos filhos
caso eles herdem os genes dos pais, de modo independente do ambiente, de
fatores externos.
O TDAH ele é fortemente influenciado pelos genes herdados,mas existe
frequentemente a interação com o ambiente para a determinação “final” do que
conhecemos como o transtorno. Ou seja, o fato de existir o Transtorno não se deve
deduzir por ele próprio o incidente real, é necessário considerar outros fatores que
possibilitaram e que vieram a incidir o TDAH. Segundo Mattos (p.48, 2008) a
respeito da herança genética ele esclarece: “A herança genética não é o único fator
determinante para o aparecimento do TDAH, mas é de longe o mais importante.”
Em inferência 90% do TDAH é devido à genética, o que é muitíssimo em
medicina. Alguns pesquisadores acreditam que à predisposição herdada dos pais
podem se somar outros fatores externos.
Os únicos fatores não genéticos envolvidos no aparecimento do TDAH são:
problemas durante o parto, desnutrição e fumo durante a gravidez.

Existem Exames para o Diagnóstico de TDAH?


A existência real que se possa realizar um diagnóstico é através de uma
entrevista clínica com um especialista, utilizando-se critérios definidos. Sempre deve
ter em mente o modo meticuloso e como proceder diante do fato. Em se tratando
deste ato, Mattos (p.49, 2008) apresenta o que serve de norma para julgamento: “O
eletroencefalograma (EEG), o exame de potenciais evocados e a ressonância
nuclear magnética com espectroscopia não fazem o diagnóstico e também não são
necessários para que ele seja feito.” Adiciona também, o PAC (processamento
auditivo central) e o exame neuropsicológico também não fazem o diagnóstico, mas
permitem identificar outros problemas associados ao TDAH (no caso, problemas de
aprendizado e/ou de linguagem).(MATTOS, P.49, 2008)

O QUE É MÚSICA?
Em uma relação social os grupos apresentam entre si contatos diversos.
Podemos observar que em um determinado encontro ocorrem, reunião informal,
aquela de ausência de protocolo, passeio discontraído, sem horário para voltar para
casa, viagem de férias prazerosas, visitar um ente querido em situação de
enfermidade, como também traz para o convívio um introspecção, assim também,
uma atitude eufórica no caso de um aniversário ou colação de grau. Inúmeros
exemplos poderemos mencionar aqui, trazendo como protagonista o ser humano,
compartilhando experiências e as convivendo. É certo que confraternizar e
relacionar-se, não seria possível sem a música e a musicalização.
Extraordinariamente referimo-nos ao universo musical que, propicia à nós seres
humanos, o desenvolvimento do intelecto e do social, mais ainda na fase inicial, ou
seja, no ventre materno. Da acepção do universo musical e do seu termo, podemos
entender por BRÉSCIA 2003, “A música é uma linguagem universal, tendo
participado da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Na Grécia
Clássica o ensino da música era obrigatório, e há indícios de que já havia orquestra
naquela época. Pitágoras demonstrou que a sequência correta de sons, se tocada
musicalmente num instrumento, pode mudar padrões de comportamento e acelerar
o processo de cura”.
O QUE É MUSICALIZAÇÃO?
A música sempre esteve presente e continuará sendo cada vez mais atual na
vida do ser humano, ela com seu grau de sensibilidade e também transformador,
promove o bem estar no cotidiano das pessoas, leva-os a uma atmosfera de
sensações prazerosas, de harmonia, além de um convívio familiar, social e
principalmente no fazer escolar.
Segundo Ribas (1957), música é “ a arte que mais se aproxima da criança”.
Diante de estímulos sonoros súbitos e fortes, como bater palmas, o recém-nascido
apresenta uma reação.
Esse envolvimento com a música retorna com finalidade de inserir a música
nos currículos escolares. Havia música no passado nas escolas, em 1932 o então
compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos propusera essa arte nos currículos
estudantis, sendo banida mais tarde em 1972 pelo General Médici.
Hoje é retomada existindo uma política pública através da lei nº 2.732
sancionada no ano de 2008 com data de efetivação em todo território nacional até
2011. Mas o que está em discussão não é o fato da música, a arte e sim, a sua
aplicabilidade, ou seja, os conteúdos e métodos com olhares pedagógicos e seu
conceito distinto entre música e musicalização. Como vimos anteriormente, a música
é uma linguagem e músicalização por BRÉSCIA 2003, é: “um processo de
construção do conhecimento, que tem como objetivo despertar e desenvolver o
gosto musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso
rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção,
auto-disciplina, do respeito ao próximo, da socialização e a afetividade, também
contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação”.
Um trabalho com respaldo, atenção as teorias e informações nos levam a
evidenciar que a criança com uma gestação meticulosa, tem-se ao ser concebida e,
ao ingressar na vida escolar um aprendizado com resultado de qualidade quando
este infante preconcebido mantivera contato com os movimentos sonoros musicais.
Gardner, teórico das inteligências múltiplas elucida que: “Antes mesmo de nascer, o
bebê já é capaz de escutar. A partir do quinto mês de gestação, ele ouve as batidas
do coração da mãe (além de todos os outros barulhos do organismo) e reconhece a
voz dela. E reage a esses estímulos, virando a cabeça, chutando ou mexendo os
braços, além de ficar com o coração batendo mais rápido. O bebê nasce, cresce,
torna-se adulto e os sons continuam a provocar essas e outras reações mais
sofisticadas”.
Esse modelo vem sendo reconstruído para que a criança possa em sua
interação com o aprender e o convívio social, a reinserir valores marcantes
estigmatizados hoje como comportamentos (careta), regras que a mídia apresenta
através de um ideário promíscuo sem compromisso e o fazendo confundir as
pessoas, famílias, e os professores do que é certo, e do que é errado. Os abraços e
atitudes recíprocas estão fora do cenário humanizador, e isso, interfere na vida
familiar e da própria criança em formação. A criança deve participar de atividades e
envolver-se com o seu semelhante.
Para BRÉSCIA 2003, “As atividades de musicalização permite que a criança
conheça melhor a si mesma, desenvolvendo sua noção de esquema corporal, e
também permitem a comunicação com o outro. Weigel (1998) e Barreto (2000)
afirmam que atividades podem contribuir de maneira indelével como reforço no
desenvolvimento cognitivo/lingüístico, psicomotor e sócio-afetivo da criança.”

POR UMA DOCÊNCIA REVELADORA


A educação como processo de formação humana é distinta pois consiste em
um lado sendo alimento que a geração adulta passa para a geração jovem, e, por
outro lado ela está como ação criadora, inventiva que o indivíduo, por ele mesmo,
vai nutrindo e saindo de si um outro homem, com gestos e atitudes atenciosas,
conscientes e cortês à outrem. Do mesmo modo nutrir de conhecimento, vem
caracterizar uma educação intrapessoal, onde o próprio ser humano é educador de
si próprio. Acrescentamos a esta edificação humana um ponto pertinente que revela
em um comportamento adquirido, exemplo disso, é o amadurecimento do indivíduo
na sua formação, perpassando os conflitos, desajustes e tomando uma posição
diferente a cada desequilíbrio, não obstante obtendo procedimento de “...valores
éticos como padrões de conduta, de relações intersubjetivas e interpessoais...”
(CHAUI, 2008 P. 308)
Do mesmo modo na sua prática humana social, reunir-se-á características
tornando-se um sujeito autônomo, tomando decisões, um humanizador de pleno ato
cooperativo, colaborando com o seu semelhante. Segundo Chaui, 2008 pg. 308,
“Para que haja conduta ética é preciso que exista o agente consciente, isto é, aquele
que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado permitido e proibido,
virtude e vício” e acrescenta, “ Consciência e responsabilidade são condições
indispensáveis da vida ética”.
Recomenda-se um investimento na formação humanitária, um aprimoramento
educacional, social, político, intelectual e nisso perpassa por uma interação docente,
requerendo desse modo, que a formação educacional seja edificada em uma
fundação ética. Partir, do ponto que para assumir a postura de cidadão e gozar no
direito civil e político de um Estado, é exercer a cidadania em nítida condição de
cidadão. Assim, presume-se que para se chegar à esse universo, este indivíduo terá
que percorrer um trajeto agregando capacidade de compreensão e de auto criticar
ações, atitudes e convicções, que o fará um sujeito cultural social, ou seja, um
integrante da sociedade, tomando parte do conhecimento, assumindo para si o
compromisso e retribuindo, nas relações de reciprocidade para com o outro.
Segundo Lévinas citado por Pegoraro, 2006 pg. 11, a reciprocidade ética é
construída,“Pela real relação entre duas pessoas: a relação eu-tu. Não nasce na
relação de duas consciências subjetivas mas de dois sujeitos que buscam uma
convivência digna: um eu e um tu que se reconhecem como duas existências de
igual valor moral. “Lévinas sintetiza esta tese numa expressão vigorosa: “O apelo
ético é o rosto do outro que me interpela exigindo igual respeito”.
Duas leituras deve ser realizada em questão da ética. A primeira a
interiorização que abrange só o universo humano e a segunda é a objetivação sendo
o caminho inverso da interiorização, que representando desse modo, a comunicação
entre pessoas, as formas de vida e o ambiente onde se desenvolvem. Ao longo da
história a ética tem-se apresentado de forma multifacetada, desde o seu
nascedouro, colocando em discussão a análise dos fatos negativos, assim, ela
nasceu nas praças aonde Sócrates abrindo caminho para as descobertas, indagava
tirando da sonolência dos gestos rotineiros o homem inerte. É por isso mesmo que,
desde Sócrates, a ética é a força motriz de todo investimento pedagógico. Segundo
Severino, 2006 pg. 624 artigo de pesquisa, ele menciona, “Trata-se de levar o
aprendiz a incorporar uma típica atitude espiritual, dar-lhe consistência e
permanência de modo que possa tornar-se fonte reguladora de seu agir, que
passará a qualificar-se como agir moralmente bem”.
No mundo pós-moderno banalizam-se os conceitos depreciando tudo aquilo
que representa um significado, justificado por não se ter tempo oportuno para se
desvendar. Trazer para discussão, com propriedade os meios e direcionamento do
fazer ético, não o oposto de apontar, destacar comportamentos adequados ou não,
mas sim, reconceituar nossos princípios e valores, expandindo a concepção de tudo
que nos cercam, principalmente ao escolher a profissão de “mediador universal”
como se refere Severino.
Devemos dar respostas para nós mesmos e, isso, é possível através de
leitura, isto é, são leituras de qualidade que levarão a outras leituras e essa
descoberta ocorre com o nosso crescimento interpessoal, onde num contexto o
sujeito observa ele próprio e seus semelhantes e em uma análise diária dará outro
sentido para sua vida. Nessa linha de raciocínio que o estudo pretende desvendar,
ou seja, despertar o docente que apropriando-se de leituras e práticas sobre ética,
ele possa reencontrar e situar-se no universo mais humanizador.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Elucidar estas proposições que autoridades do campo educacional
contribuem para o universo humano e histórico, é considerar todos os envolvidos no
progresso da pessoa humana. De acordo com esta perspectiva, a música é
concebida como um universo que conjuga expressão de sentimentos, idéias, valores
culturais e facilita a comunicação do indivíduo consigo mesmo e com o meio em que
vive. A presença da música na educação auxilia a percepção, estimula a memória e
a inteligência, relacionando-se ainda com habilidades lingüísticas e lógico-
matemáticas ao desenvolver procedimentos que ajudam o educando a se
reconhecer e a se orientar melhor no mundo.
As atividades de musicalização também favorecem a inclusão de crianças
portadoras de necessidades especiais. Pelo seu caráter lúdico e de livre expressão,
não apresentam pressões nem cobranças de resultados, são uma forma de aliviar e
relaxar a criança, e abrindo espaço para outras aprendizagens.

REFERÊNCIAS
BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade: educação e reeducação. 2. Ed.
Blumenau: Acadêmica, 2000.
BRÉSCIA, Vera Lúcia Pessagno. Educação Musical: bases psicológicas e ação
preventiva. São Paulo: Átomo, 2003.
BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil. São Paulo: Peirópolis,
2003.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13ª edição, Ed. Ática, 2008.
PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis,
RJ: Vozes, 2006.
SEVERINO, A. Joaquim. Educação e Pesquisa. A busca do sentido da formação
humana. Artigo São Paulo, v.32, n.3 p.619-634, set/dez.2006.