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SAIA

PUATHHRA

CONSULTAS

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XTINCTQCONSELHODEESTADO

SOBRE ÁSSÜMPTOS DA COMPETÊNCIA DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

PUBLICADAS POR ORDEM

DO

/p.xm. cf^.&^.^fLLLQ^L&ta^cuicLtely

MINISTRO

DA JUSTIÇA

E NEGÓCIOS

INTERIORES

TO^MI O

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8049-908

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KIO

DE

IMPRENS A

A.

JANEIRO

NACIQ£T&Í*L 0 " a «£ -

I S

1907

»

%D.

S. fríncisco

SÂO PAULD-EK.SIL

I

Consulta d e 3 0 junh o d e ISS O

l .

Sobre si creação do logar de juiz municipal c de orpbãos no termo de Igara- pé-Mirim .

SENHOR r— Mandou Vossa Magestade Imperial, por

aviso de 19 do corrente, que a secção de justiça do con selho de estado consultasse com ó seu'parecer sobre a creação do logar de juiz municipal e de orphãos- no termo de Igarapé-Mirim, a qué se referem os officios do presidente da província do Pará e mais papeis, juntos ao mesmo aviso.

termo de Igarapé-Mirim faz parte da comarca

O

deste nome, creada pela lei provincial n . 885 de 16

de abril de 1877 e declarada de I

creto n. 6992 de 10 de agosto de 1878; e a esse respeito informa a 2 a secção da secretaria da justiça o seguinte:

« Existe a comarca creada, e com juiz de direito nomeado, e em exercício; mas, provavelmente por equi- voco, não se creou o termo, quando foi creada a comarca, de sorte que dá-se a singularidade de ser termo sem juiz lettrado, mas com juiz de. direito em exercício.

O equivoco sem duvida proveio de que a actual

comarca de Igarapé-Mirim nem termo era anterior- mente, como aliás suecede com as demais, que quasi sempre são constituídas com algum termo já creado. Na supposição de que o termo estivesse creado, não se expediu naquella época decreto para creai-o. E' verdade que ha termos sem juiz lettrado, e são os do art. 16 da lei de 3 de dezembro; mas isto suecede nos* logares onde o juiz-lettrado não é ab- solutamente preciso, mas não pôde ter logar no case existente, onde se fez preciso um juiz de^üreito.

a

entrancia pelo de-

.

1

Outras

consultas dos annos de 1880 a 1S82 encontram-se na collecçãc

— Caroatá.

Justiça—8049

í

2 —

_

Essa anomalia deve cessar. Império onde tal cousa suecede.

O

E' o único logar do

meio pratico é a difficuldade.

Pela lei do orçamento recente, os logares de juiz municipal só podem ser creados "quando o poder le- gislativo votar o direito, mas já estando votado o orçamento de 1880-1881, e já apresentado o de 1881- 1882, vae-se prolongar indefinidamente aquella ano- malia.

Entretanto não se trata de crear termo novo, mas de reparar um esquecimento, de declarar a existência de um termo que virtualmente está creado.

minha opinião é que se submetta a Sua Mages-

tade um decreto de creação do termo, explicando-se em proposta fundamentada a razão do acto.— 1 de maio de, l88p.H->Dnj Souza Bandeira Júnior.» >, Q cooselh^jr©* director geral da secretaria opina

do modti seguarite?r<r;A comarca de Igarapé-Mirim foi creada com o termlfilfeste nome, o município de Mojú

e a freguezia de Nossa Senhora da Soledade.

Não ha juiz declarada de I

a secção. Mas a questão é saber si convém desde já crear

o logar de juiz municipal ou aguardar autorização legislativa, que será demorada.

A

municipal

lettrado nessa

comarca,

a

entrancia pelo decreto junto.

E' uma anomalia, que deve cessar, como pondera

A

creação do logar de juiz municipal lettrado,

embora necessária, devia ser feita por decreto. Mas não se fez em tempo próprio.

Actualmente vigora a lei do orçamento, que dispoz

o seguinte:

« Art. 3 o

, § 2° — A proposta do poder executivo or-

çando a receita e fixando a despeza annual na parte concernente ao ministério da justiça conterá uma verba com o titulo — Novos termos e comarcas — com o cre-

dito exigido pelo pessoal respectivo e tabellas expli- cativas, nas quaes serão declaradas as comarcas

creadas ou restabelecidas pelas assembléas

proviaciaeS; durante o exercício affiarriaivré os termos que o governo julgar conveniente prover de juizel municipal* ou sulsiHatos/ainua nfio coiapretendidos no orçamento ern vigor.

An-tes de votar-se o •.•rédito necessário para a des- peza com o pessoal dos. ve-íendos termos e coíttarca3>

ivairtení,e r-

não serão estas classificadas e providas de juizes de direito e promotores públicos, nem para aquelles serão nomeados ou removidos juizes municipaes ou substi- tutos. »

Embora se trate de supprir uma lacuna, a bem da regularidade da administração da justiça e de conformidade com a nova organização judiciaria, parece-me que os termos expressos da lei não per- mittem a providencia, por acto do governo, antes da necessária autorização legislativa, que deve ser pedida. S. Ex., entretanto, resolverá o melhor. Directoria Geral, em 1 de maio de 1880.—Cunha Figueiredo Júnior. »

. A secção de justiça do conselho de estado con-

corda com* o parecer do conselheiro director geral da secretaria da justiça, de que, á vista da expressa dis- posição permanente da lei do orçamento n. 2940 de 31 de outubro de 1879, o governo não pôde prover "^e juiz municipal o termo de Igarapé-Mirim, não com-

c rehendido no orçamento antes de ser votado o cre- p a to para a despeza com esse logar. Mas, como cumpre zer cessar quanto antes a anomalia de uma comarca

. eada e provida com juiz de direito, sem juiz muni-

pai lettrado no principal termo que a constitue, e,

a chando-se reunido o corpo legislativo, deve o governo Pedir-lhe immediatamente a necessária autorização de credito, não obstante já ter sido apresentada a proposta da verba— Novos termos e comarcas — at- tentas as circumstancias especiaes e imprevistas do caso, e a conveniência de não prolongar-se aquella anomalia.— E' este o parecer da secção de justiça do conselho de estado. Vossa Magestade Imperial resolverá, porém, o que

J

fôr mais

acertado.

Em 30 de junho de 1880.

José Caetano

de Andrade

Abaetê.

Pinto.

Sinto não poder concordar com as conclusões do pa- recer da illustrada maioria da secção. E', em verdade, anômala a existência de uma co- marca sem um termo com juiz municipaPlettrado, e convém que cesse semelhante anomalia ; mas como ? Para mim esta é a questão.

4

A anomalia procede do acto inconveniente de

elevar-se a comarca um território que o não merecia,

e do descuido de classificar-se e prover-se de juiz de direito tal comarca fora das condições regulares e comesinhas de semelhantes circumscripções.

A providencia razoável, justa e conforme ás con-

veniências publicas é voltarem as cousas a seu estado

primitivo. Taes factos não se dão nem se consummam sem

a vontade do presidente da província e apoio do go-

verno imperial: esta é a verdade. Insinue o Governo imperial ao seu delegado a conveniência de fazer cessar essa anomalia pelo modo por que foi originada, •

e

pretenções individuaes com damno dos dinheiros pú- blicos e grave prejuízo da boa administração da jus- tiça tem adquirido tão grandes proporções, que pro- vocou a citada disposição da lei do orçamento vigente, e o interesse do Estado exige que se auxilie e não se enfraqueça a severidade do legislador.

meu parecer é que se promova pelos meios regu-

lares e convenientes a revogação da lei provincial.

se conseguirá a desejada regularidade.

O

abuso na creação das comarcas para accommodar

O

V. de

Jaguary.

1884

II

Consult a

d e

% 0

d e

abri l

d e

189 1

e

ResoluçA o

d e

IfiS

d e

novembr o

d e

188 4

 

Declara que

o serventuário

vitalício

de

um officio de justiça, a quem le

deu successor, fica inhibido, segundo a legislação em vigor, de voltar ao exercício do emprego.

SENHOR — Foi Vossa Magestade Imperial servido

os

membros da secção de justiça do conselho de estado comparecessem no dia 2 de abril seguinte,, ás 7 horas da noite, na respectiva secretaria, para o fim de consultarem em conferência, sobre a questão a que se referiam os papeis, que com o mesmo aviso lhe foram remettidos, â saber:

• ordenar,

por aviso

de

29 de

março

ultimo, que

Si um serventuário vitalício, a

quem se deu suc-

voltar ao

cessor, restabelecendo-se, está inhibido de exercício do seu

emprego. Os papeis a que o aviso se refere consistem:

Primeiramente em uma petição devidamente in- struída com grande numero de documentos, na qual

o serventuário vitalício do I o officio de tabellião de notas desta corte, allegando e provando estar im- possibilitado de continuar a servir por moléstia in-

curável, requereu ao governo em 7 de fevereiro de 1876, não só que se lhe desse successor durante a sua vida, com a obrigação de dar ao supplicante a terça parte da lotação do mesmo officio, visto seus bons serviços

e a falta de outro meio de subsistência, mas também

que a nomeação do successor recahisse na pessoa de Mathias Teixeira da Cunha.

Esta petição foi deferida favoravelmente em ambas

as suas partes, como consta do decreto de 23 de fe- vereiro de 1876. Em segundo logar: em informações prestadas

secção da secretaria da justiça ^e # pelo con-

pela 2 a

selheiro director geral sobre a questão, formulada em termos geraes no aviso de 29 de março ultimo.

— 8 —

As informações

concluem, resolvendo

a

questão

negativa,

e são'as que abaixo

se

transcrevem:

Da 2 a secção:

«Em a nota inclusa manda V. Ex. que se in- forme si um serventuário vitalício, a quem se deu successor, restabelecendo-se, está inhibido de voltar ao exercício do seu officio. Não encontrei precedentes, mas, me parece que não ha razão para impedir que volte ao exercício do officio o serventuário IIHS cond'ções indicadas. O decreto n. 1294 de 16 de dezembro de 1853,

art. 2 o , manda dar ao serventuário successor, no caso de impossibilidade absoluta ou proveniente de idade avançada, cegueira, demência ou outra moléstia

incurável.

que o signal de respeito ao provimento vitalício do serventuário effectivo, tanto que cessa a nomeação por morte deste.

A concessão

do successo r nã o é

mai s do<

Ora,

comquanto

qualquer

das

condições

indi-

cadasse tenha verificado, nunca ê possível afflrmar de modo absoluto que a impossibilidade em alguns casos não possa desapparecer, e, como é regra de direito, que em todo o caso a ficção cede á reali- dade, não é razoável manter a nomeação do suc- cessor quando o serventuário effectivo provar que o seu impedimento desappareceu.

entretanto, prudente que o governo, antes

de attender ao pedido, sujeite o pretendente ao exame de uma junta medica.— 28 de janeiro de 1881.— Dr. Souza Bandeira Filho.» Do conselheiro director geral:

«Penso que, para a solução da questão, podem contribuir as disposições dá lei de 11 de outubro de 1827, disposições que transcreverei para melhor intelligencia da questão:

«Art. 3.° O serventuário vitalício que no exer- cício do officio se impossibilitar de continuar a exercel-o por doença, provando a impossibilidade, seu bom serviço, e a falta de outro meio de subsis- tência, perante o governo, poderá obter a terça parte do rendimento do officio, segundo a sua lotação, a cargo dos successores no dito officio; os quaes, toda- via, p xler&o ventilar a verdade dos motivos allegados que, provados falsos, ficará o officio livre do encargo.

Parece

- 9 —

a Art. 4.° As pessoas que actualmente se acharem na posse da propriedade ou serventia vitalícia de alguns officios, que pessoalmente não possam servir, são obrigadas a fazer nomeações de pessoa idônea para a serventia, dentro de seis mezes, si já antes a não tiverem feito, contados da data da pu- blicação desta lei, em cada um dos logares, em que forem os officios e perante as autoridades respectivas.

« Art. 5.° Si dentro do sobredito prazo não fizerem

a nomeação, perderão o direito a ella, e a farão os magistrados ou autoridades, perante quem hSo de servir os officiaes.

« Art. 6.° Em qualquer do,s casos dos artigos

antecedentes os serventuários serão providos por uma só vez para servirem emquanto viverem os proprie- tários ou serventuários vitalícios, ou durar o seu le- gitimo impedimento, e elles não commetterem crime ou erro que os inhabilite.» A phrase — ou durar o seu legitimo impedimento — revela ter sido a intenção do legislador que o ser- ventuário vitalício pudesse voltarão exercício do officio, desde que cessasse o motivo que delle o tivesse privado. E' esta a doutrina do aviso de 19 de março de 1880, abaixo transcripto:

« Illm. e Exm. Sr.—Verificando-se das infor-

mações prestadas em officio n. 74 de 5 de novembro ultimo e do registro e mais papeis existentes nesta secretaria de estado, relativamente ao officio de I o ta- bellião e annexos dessa capital:

Que o serventuário vitalício Manoel José de Oli- veira, allegando impossibilidade physica, obteve, por decreto de 5 de agosto de 1858, que fosse declarado vago o officio com obrigação de lhe ser paga a terça parte dos rendimentos pelo successor, recahindo a no- meação deste na pessoa de Joaquim do Amaral e Silva Ferrão, por decreto de 12 de outubro de 1858;

« Que, por fallecimento do mesmo successor em

1863, mandou essa presidência que nos editaes do con- curso se declarasse c ônus da terça parte em favor do serventuário vitalício;

« Que, não obstante, foi provido Juvencio Duarte

Silva na serventia vitalícia do mencionado officio por decreto de 17 de junho de 1864, sem ficar sujeitoao dito ônus;

— 10 —

« Que, por morte do mesmo Juvencio, em 1 de abril

do corrente anno, publicaram-se editaes chamando concurrentes, com expressa menção de ser pago o onüs da terça parte a Oliveira como este requereu;

l

« Declaro a V. Ex.:

« Que pela disposição, tanto do decreto n . 1294 de

e seguintes, cômodo

de n.

podia o serventuário vitalício Oliveira, salvo o caso de desistência ou deliberação expressa nas hypotheses previstas pelas citadas disposições, ser privado do be- neficio da terça parte dos rendimentos durante a vida dos seus successores, e, no caso de fallecimento de qual- quer destes, cumpria, mediante as formalidades legaes, averiguar si continuava ou não a impossibilidade!do serventuário vitalício para, no primeiro caso, garan- tir-se o pagamento da terça parte, e no segundo, obri- gar-se o serventuário a servir pessoalmente o officio, sob pena de ser este declarado vago e nomeado suc- cessor qne em tal caso pôde ficar isento do ônus da terça parte;

3°, não

16

de dezembro de 1853, art.

2 o

4683 de 27 de janeiro de 1871, arts. I o a

«Que nesta conformidade deve V. Ex. proceder prestando ao governo as necessárias informações e propondo desde logo successor idôneo, si reconhecer subsistente a impossibilidade do serventuário vitalício. «Deus guarde a V. Ex.— Lafayette Rodrigues Pereira.— Sr. presidente da província de Santa Ca- tharina.» Ahi se diz que no caso de fallecer o substituto, verificando-se que não continua a impossibilidade do substituído, deve este ser obrigado a servir o officio, sob pena de lhe ser nomeado successor sem o ônus da terça parte.

E' certo que apenas se tratou da hypothese de já

não existir o substituto, mas esta circumstancia, penso que não altera a solução da questão, uma vez esta- belecido, como fica, o principio de que o serventuário pôde voltar a exercer o officio, cessando a impossi- bilidade .

O serventuário vitalício continua a ter este ca-

racter, apezar da substituição; apenas interrompe o seu exercício pela impossibilidade e perde com isso duas terças partes do rendimento, as quaes revertem

para o substituto que trabalha em seu logar.

— u—

Não ha, pois, ura;i privação com a natureza da

perpetuidade; verifica-se uma interrupção de exercício,

a qual deve cessar com a causa que a determinara.

Desapparecendo essa causa, seria uma iniqüidade manter a interdicção do serventuário e forçal-o a sub- sistir com o tênue vencimento que, por uma triste ne- cessidade, lhe fora concedido como uma pensão, que elle até, por dignidade própria e por escrúpulos de consciência, pôde não querer receber quando está no caso de trabalhar. Pouco importa que o decreto tenha dado ao sub- stituto o direito de exercer o officio durante a vida do serventuário. Isto quer dizer que o seu exercício não vae além da morte do serventuário.

, Pela phrase do decreto a missão do substituto

não deixa de ter um caracter provisório e condicional, quando se considera o motivo por que foi conferida. E tanto isto é assim, que o substituto nem adquire o di- reito de preferencia no provimento vitalício do officio, que só se considera vago por morte do serventuário.

A nossa legislação, força é reconhecer, não pre-

veniu expressamente'a hypolhese, mas facilmente se

explica

essa omissão com

a falta de precedentes.

Para poder ser substituído, percebendo a terça parte dos rendimentos, deve o serventuário provar

cegueira, demência ou moléstia incurável, além da falta

de outro meio de

subsistência.

Ora raros são os casos em que cesse uma impos- sibilidade nas condições indicadas. Por outro lado, a melhora dos padecimentos pôde coincidir com o avanço da idade e nestas circum- stancias o serventuário, já resignado a uma parca subsistência, difficilmente se resolverá a adquirir os hábitos do trabalho. Entretanto, pelo que se infere das disposições citadas e pelas razões ponderadas, penso que uma 'vez provada por inspecçâo de saúde a cessação da im- possibilidade, pôde ser cassado o decreto que concedeu

a serventia ao substituto; voltando o serventuário vi-

talício ao exercício do officio. Trata-sp, porém, de uma questão grave, sobre a qual, me parece que seria conveniente ouvir o il- lustrado voto da secção de justiça do conselho de estado.

Directoria geral * :íl de janeiro de 1884.*- Cunha Figueiredo Júnior. »

— 12 —

A secção de justiça do conselho de estado discorda

desta opinião, e entende que o serventuário vitalício de um officio de justiça, a quem se deu successor, fica inhibido, segundo a legislação em vigor, de voltar ao exercício do emprego.

As razões em que se funda são:

l. a

Que, conforme o art. 6 o da lei de 11 de ou-

tubro de 1827 e o art. 2 o do decreto n. 1294 de 16 de dezembro de 1853, o governo não pôde dar suc- cessor a um serventuário vitalício sinão no caso em que a sua impossibilidade de continuar a servir fôr absoluta ou proveniente de idade avançada, cegueira, demência ou outra moléstia incurável, segundo o juizo dos médicos; e sendo assim, é obvio que a lei não podia ter em vista a circumstancia de um restabele- cimento, como o que figura no aviso de 29 de março.

Que, coherentemente, no caso de impossibilidade

absoluta, o successor que se dá ao serventuário vita- lício é para servir durante a vida deste, expedindo-se-lhe nestes termos o competente titulo, com o qual o suc- cessor adquire o direito de exercer o officio emquanto viver o serventuário que se impossibilitara absoluta- mente e elle não commetter crime ou erro que o inhabilite.

Assim que, privar o successor do exercício do officio em uma hypothese, que não está nem podia estar declarada na lei, seria grave injustiça, e não só isto, mas também faltar inteiramente á fé do ti- tulo que se lhe passou, e que lhe garantiu direitos que devem ser respeitados. 3.» Que a doutrin a contrari a nã o tem precedent e algum em seu favor, e seria certamente opposta aos princípios da boa administração da justiça, em que assenta a lei de 11 de outubro de 1827, sendo mani- festo que as palavras — ou durar o seu legitimo impedimento — que se lêem no art. 6°, não podem referir-se contradictoriamente á impossibilidade ab- soluta do serventuário vitalício a quem se dá successor, mas a impedimentos temporários do mesmo serven- tuário.

2. a

E' este o parecer da secção, mas Vossa Magestade

O

Imperial resolverá o que fôr mais acertado.

conselheiro Visconde de Nictheroy accrescenta

que este parecer, sendo conforme á lei e á pratica

constante nunca alterada, ainda tem por fundamento

— 13 —

a razão primordial da regra do serviço publico e do bem de todos, que jamais deve ser preterido por causa de graciosas hypotheses que, aliás, são em si mesmas contradictorias e repellidas pelos próprios que provocaram, em requerimentos fundados e compro- vados, essa mesma regra, que de sua natureza não pôde deixar de ser subsistente. Sala das conferências da secção de justiça do con- selho de estado, em 29 de abril de 1881. — Visconde de Abaeté.Visconde de Jaguary.Visconfte de Nictheroy.

RESOLUÇÃO

Está bem. Paço, em 15 de novembro de 1884.

Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador.

Francisco Maria Sodré

Pereira.

O decreto n. 9324 de 22 de novembro de 1884, promulgado em virtude desta consulta, declarou em inteiro vigor o art. 6.° da lei de 11 de outubro de 1827, segundo o qual os successores nomeados por impos- sibilidade dos serventuários vitalícios dos officios de justiça servirão durante a vida dos mesmos serven- tuários vitalícios, ou emquanto durar o legitimo im- pedimento destes e não commetterem crime ou erro que os inhabilite.

1885

Consulta de 1S de

d e

9 8

III

novembro de 188 4 eResoluç/U

d e

març o de

188Si

#

Declara não proceder o conflicto de jurisdicção levantado a propósito dos em- bargos oppostos a requerimento da câmara municipal de Beléra ás obras

de assentamento

de trilhos da companhia

de bonãs Paraense.

SENHOR — Mandou Vossa'Magestade Imperial, por aviso de 12 de setembro do corrente anno, que a secção de justiça do conselho de estado consulte com seu

parecer sobre o conflicto de jurisdicção que se levantou entre a presidência da província do Pará e o juiz de

direito da

a propósito dos embargos oppostos, a requerimento

da câmara municipal de Belém, ás obras de assen- tamento de trilhos da companhia de bonds Paraense.

I a vara

da capital

da

mesma

província,

Origin >u-se o conflicto das causas seguintes:

Por

acto de 25

de

ag >sto de 1883 a câmara

mu-

nicipal de Belém fez concessão á companhia de bonds Paraense para assentar tfilhos na travessa de João Augusto e na rua da Imperatriz, daquella cidade. Cerca de quatro mezes depois, mandou a mesma câmara, por portaria de 14 de dezembro, que seu advogado e procurador sustassem a collocação dos trilhos, por não ter a companhia submettido á sua approvaçâo a respectiva planta, conforme o disposto no rpgulamento presidencial de 22 de novembro do

mesmo anno, acto posterior á concessão que fora feita. Não surtindo effeito o expediente empregado, recorreu

a câmara ao juiz de direito da primeira vara cível,

requerendo em 15 de dezembro a expedição de man- dad o de embarg o á s obra s encetadas : n o qu e foi at - tendida.

Contra essa decisão do juiz reclamou a companhia de bonds, allegando a incompetência do advogado que requereu o embargo, por não ter procuração especial para o fazer. Desattendida pelo juiz nessa reclamação, recorreu d mesma companhia para a presidência, allegando

— 18 —

que o assentamento de trilhos era anterior ao regu- lamento, cujas disposições a câmara invocara com intento de obter o mandado de embargo, a que, aliás, ella companhia obedeceu, mas só por deferencia ao

juiz que o expediu. A' vista dessa reclamação, mandou a presidência em 22 do referido mez que o juiz de di-

reito da I

guintes termos:

a

vara informasse ; o que este fez nos se -

« Que, tendo-lhe a câmara municipal requerido

mandado de embargo contra a companhia de bonds, deferiu a petição; e, feito o embargo, requereu a com- panhia a annullaçâo que elle juiz negou, por não ser este o meio de annullar o embargo.

Replicando, a companhia alíegou não ter sido o embargo accusado e offerecido em audiência, e pediu o lançamento da embargante.

A esta petição ainda indeferiu o juiz, por não ser,

diz elle, admissível o lançamento de partes fora da audiência. Quanto á sua competência, accrescenta o juiz, para mandar embargar, a requerimento da câmara, as obras da companhia, fundou-se na Ord. LÍV. 1° Tit. 68, § 23 do decreto de 26 de agosto de 1830, na lei de 3 de de- zembro de 1841, art. 114, § 3 o , e no regulament o n . 143 de 15 de março de 1842.

As câmaras municipaes, prosegue o juiz, a res- peito das servidões publicas, como se vê da consolidação das leis civis —art . 932 e notas correspondentes, de- vem desempenhar suas attribuições pela execução de suas posturas ; e quando estas nada providenciem a respeito, devem regular-se pela legislação commum, invocando em um e outro caso a autoridade judi- ciaria.

Si o advogado, conclue o juiz, não era o compe-

tente para requerer o embargo, essa incompetência devia ser discutida nos devidos termos, e não podia a allegação da embargada, feita em petição e fora de termo, ser attendida para o fim de annullar o em- bargo.»

Não se conformando a presidência com as razões

dadas pelo juiz para firmar sua jurisdicção na decre- tação do embargo, resolveu por despacho de 11 de

judi-

ciário, nos termos do regulamento n . 124 de 5 de fe- vereiro de 1842.

janeiro«qae cessasse todo ulterior procedimento

— 19 —

Intimada á companhia em 12 de janeiro para, em cinco dias, deduzir seu direito na questão do embargo, allegoü as seguintes razões:

Ter a licença da câmara para collocar os tri- lhos, segundo a planta apresentada;

Não dever, em conseqüência disso, a câmara

requerer embargo de uma obra por ella autorizada;

Não ter sido o embargo requerido em virtude

de deliberação da câmara, em vereaçâo,e por procura- ção especial*da mesma ao seu advogado e perante a presidência da província;

Porque, sendo o assentamento de trilhos em-

bargado a continuação do de outros, de concessões feitas pela câmara, todas anteriores á publicação do regulamento de 22 de novembro de 1883, em que a presidência estabeleceu regras para o futuro, não devia ser o assentamento embargado, a pretexto das disposições do dito regulamento, que não pôde ter effei- to retroactivo.

a

l.

2. a

3.

a

4.

a

Conclue— é portanto nullo o embargo:

1.° Por ter sido requerido á autoridade judiciaria incompetente para conhecer de matéria administra- tiva ; 2.° Por ter representado a câmara — pessoa in- competente,— por não estar munida de procuração

especial. Em 16 de janeiro a câmara dirigiu-se á presidên- cia, dizendo que:

Tendo a companhia de bonds mandado collocar trilhos na travessa de João Augusto, e linha dupla na rua da Imperatriz, sem ter sido approvada a planta da concessão feita pela câmara a 25 de agosto ultimo, conforme o disposto no regulamento de 22 de novem- bro, determinou o presidente da câmara em porta- ria de 14 de dezembro que o advogado e o procurador embargassem judicialmente o assentamento de trilhos. Procedeu-se ao embargo e seguia elle seus termos, quando foi suscitado o presente conflicto. Resolvendo o presidente da província, em por- taria de 17 de janeiro ultimo, decidiu:

«Tendo em vista que a câmara municipal de Be- lém, por accordão de 25 de agosto de 1883, concedera á companhia de bonds Paraense permissão para as- sentar trilhos na travessa de João Augusto, entre as

20 —

ruas da Imperatriz e dos Mercadores; considerando que a concessão de que se trata é anterior ao regula- mento de 22 de novembro, o qual estabeleceu bases para as concessões feitas daquella data em diante; Não podendo, portanto, a companhia estar sujeita ás condições impostas no alludido regulamento:

Resolve declarar tal assumpto da competência administrativa, e determinar que continuem as obras encetadas para o assentamento dos trilhos.» A' vista do exposto, Senhor :

Considerando:

Que a câmara, que celebrou o contracto com a companhia de bonds Paraense em 25 de agosto de 1833 para uma obra de natureza municipal, era com- petente para fiscalisar a execução desse contrato, a que se não oppunha nenhuma lei geral ou pro vincial; Que assim foi regular o meio por ella empre- gado de requerer por seu procurador o embargo; e o juiz, deferindo a este pedido, não tornou conhecimento indébito de assumpto administrativo, para que se pu- desse considerar suscitado um conflicto nos termos do regulamento n . 124 de 5 de fevereiro de 1842, art. 24 e seguintes; Que, além disto, já se trata de um facto consum- mado, pois que a companhia obedeceu ao mandado judiciário, como declarou a presidência; Que, quando duvidas se pudessem levantar sobre incompetência de procuração ou preterição de qual- quer formalidade, deviam ser resolvidas* pelos meios curiaes, mas não autorizavam o conflicto; Que, si era infundado o procedimento da câmara, exigindo a apresentação de plantas em determinado prazo, quando esta formalidade, estabelecida pelo re- gulamento de 22 de novembro de 1833, posterior ao contracto, só devia reger futuras concessões, o meio regular de resolvera questão em tal caso seria, não o conflicto para sustar o mandado judicial, mas o re- curso estabelecido no art. 73 da lei do 1° de outubro de 1828, que diz assim:

« Os cidadãos, que se sentirem aggravados

pelas

deliberações, accordãos e posturas das câmaras, pode- rão recorrer para os conselhos geraes, e na corte para a assembléa geral legislativa; e aos presidentes das

— 21 —

provinciôs, e por estes ao governo, quando a matéria fôr meramente econômica e administrativa.» Entende a secção que não procede o conflicto por não ser caso disto, cabendo ás partes o direito de re- correrem, si assim o pretenderem, ao poder judiciário. Vossa Magestade Imperial mandará, porém, como fôr mais acertado. Sala das conferências da secção de justiça do con- selho de estado, em 13 de novembro de 1884.— João 9 Lins Vieira Cansansão de Sinimbú.José Caetano de Andrade Pinto. — Visconde de Paranaguá.

RESOLUÇÃO

Como parece. Paço, em 28 de março de 1885. Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador.

Francisco Maria

Sodré Pereira.

Consult* de 1» d e

rv

de dezembro de 188 4 e

ninio d e

«

3

d o

188CS

Resolução

Vencimentos devidos aos juizes de'direito durante o tempo decorrido do jul -

fler-

gamento pela

doado pelo poder

assembléa

legislativa

provincial

á dsta

em

que é

moderador.

SENHOR — Mandou Vossa Magestade Imperial que

a secção de justiça do conselho de estado consul-

tasse com seu parecer, á vista dos papeis juntos, sobre a pretenção do juiz de direito Joaquim Simões

Daltro e Silva, na parte relativa á percepção de ven- cimentos correspondentes ao tempo decorrido do sen

julgamento

pela assembléa

legislativa provincial do

Ceará até á data em que obteve do poder mode- rador, por decreto de 23 de setembro ultimo, perdão da pena de três annos de suspensão.

O bacharel Joaquim Simões Daltro e Silva, juiz de

direito da comarca de Aracaty, província do Ceará,,

foi

condemnado pela assembléa provincial na pena de

três annos de suspensão, gráo minimo do art. 129, § 6°, do cod. penal, em 22 de agosto do corrente anno, em virtude de queixa contra o mesmo apresentada por Francisco Joaquim Nogueira.

re -

ferido juiz perdoado na data acima indicada, 23 de se- tembro.

Em seguida pede que o ministro da repartição com- petente tenha por justificadas as faltas que deu afim de acompanhar o recurso alludido até reassumir o exercício do cargo, assim como que lhe mande pagar o ordenado relativo a esse tempo. As faltas de que trata o peticionario, como se vê, comprehendem três períodos: o primeiro começa da sua retirada da comarca para a capital, onde tinha de ser julgado, até á condemnação decretada peia assem- bléa provincial, em 22 de agosto; o segundo decorre da data da condemnação á do perdão, 23 de setembro ultimo: o terceiro, finalmente, dessa data áauella em

Vindo á corte interpor recurso de graça, foi o

24 —

Um juiz de direito, como todo funccionario pu- blico, não pôde deixar o logar sem licença do supe- rior legitimo sob a comminação penal do art . 157 a o código criminal, por abandono de emprego. O peticionario teve essa permissão do presidente da província, conforme se deprehende do telegramma junto, em o qual lhe communica aquella autoridade haver a assembléa resolvido processal-o á revelia. Privado do exercício das funcções do cargo por sentença condemnatoria, a retirada do peticionario não constitue abandono de emprtgo, nem o sujeita á sanccão penal. É, pois, não ha faltas a justificar perante o go- verno com relação ao período que decorre do julga- mento até o perdão do peticionario. Nem o governo poleria, sob qualquer fórmula, deferindo a pretenção do peticionario (e este ê o ponto da consulta ), dar a um acto da clemência imperial, como é o de que se trata, outro effeito que não seja a remissão da pena- lidade.

Os vencimentos de qualquer funccionario publico

estão regulados por lei, dependem do exercício, salvos os casos exceptuados, e a pretenção, de que se trata, não se acha comprehendida em nenhum delles.

lei de 4 de outubro de 1831, art. 1U3, dispõe

que os tbesoureiros não pagarão ordenado a empre- gado algum, sem que este apresente attestação de fre- qüência. Esta attestação ou a correspondente justifi- cação de faltas exclue* evidentemente, o caso de haver sido o empregado suspenso por sentença condemna-

toria, pois, além de ser contraria á verdade dos factos,

art. 165, § 4 o , do código do processo criminal é ter-

A

o

minante quanto á perda de todo o ordenado, no caso de condemnação do empregado responsabilisado. Em relação ao despronunciado ou absolvido, como diz muito bem o iIlustrado director geral da secretaria de es lado dos negócios da justiça, a concessão do or- denado funda-se em disposição expressa que não at- tinge a 33 crimes communs e attende á decisão judi- ciaria, que julgou improcedente a accusaçâo e dirime todos os effeitos desta, que, aliás, ficariam subsistentes pela sentença condemnatoria.

Ora, o decreto da assembléa provincial, quando esta no exercício da attribuição que lhe é conferida pelo art.* 11, §7°, do actoaddicional, funcciona como

— 25 —

tribunal de justiça, é uma verdadeira sentença, contra a -qual não ha outro recurso sinão o de graça, re- curso extraordinário, para um poder distincto. E este Soder, o moderador, que nos termos da constituição o Império, é a chave de toda organização política, moderando ou fazendo cessar a pena, não revoga nem annulla a sentença condemnatoria que passou em jul- gado; os effeitos produzidos subsistem, e, umdelles, em vista da lei do processo criminal, é a perda de todo ordenado durante o tempo da condemnação, en- curtado apenas pelo perdão com que foi agraciado o empregado suspenso. Esta doutrina acha-se de accôrdo com a do aviso

n. 27, de 27 de janeiro de 1858, o qual, no entender da

secção, resolve toda a duvida, si duvida pôde haver a este resp°.ito, em vista das disposições citadas. Assim que, é a secção de parecer que a pretenção do peticionario, na parte relativa á percepção de ven- cimentos correspondentes ao tempo decorrido do seu julgamento até á data do perdão que obteve do poder moderador, por decreto de 23 de setembro ultimo, não pôde ser deferida sem violação da lei.

em

sabedoria, resolverá como fôr mais acertado.

Vossa

Magestade

Imperial, • porém,

sua

alta

Sala das conferências da secção de justiça do con- selho de estado, em 13 de dezembro de 1884.— Vis- conde de Paranaguá.João Lins Vieira Cansansão

de

Sinimbú.

RESOLUÇÃO

Como parece. Paço, em 23 de maio de 1885. Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador.

Affonso

Augusto Moreira

Penna.

Consulta de 11 e Resolução de 18 de julho de 188SS

Não tem direito a vencimentos

0

promotor

publico nomeado

illegalmento.

SENHOR — Por aviso de 18 do mez passado mandou Vossa Magestade Imperial que a secção de justiça do

conselho de estado consulte com o seu parecer sobre o pagamento dos vencimentos a que possa ter direito o capitão João Ferreira Nobre durante o tempo em que exerceu o cargo de promotor publico da comarca do Natal, na província do Rio Grande do Norte, em vista das razões em que a thesouraria da fazenda da mesma província impugnou o pagamento pedido.

secretaria da justiça expõe o negocio nos se-

guintes termos;

« Com o incluso officio de 19 de setembro ultimo re -

metteu o presidente da província do Rio Grande do Norte o requerimento em que o capitão João Ferreira Nobre, membro da assembléa provincial no biennio de 1882-1883, solicita o pagamento dos vencimentos a que

possa ter direito, por haver desempenhado as funcções de promotor publico interino da comarca do Natal, no período decorrido de 10 de outubro de 1883 a 23 de março de 1884. Ã thesouraria da fazenda nega ao referido pro- motor o direito ô percepção dos vencimentos á vista

do

de

A

disposto no art. 14 da lei n. 3029 de 9 de janeiro 1881 e no art. 90 en . 2 do art. 15 do regulamento

annexo ao decreto n. 8213 de 13 de agosto de 1881. Declara o supplicante:

Que não lhe pôde ser applicavel a disposição do art . 14, porquanto, sendo a nomeação para o cargo de promotor interino da immediata competência do juiz de direito da comarca, esta autoridade não constitue governo geral ou provincial, na extensão que aquella lei dá a este vocábulo; Que a lei, prohibindo o membro da assembléa provincial de aeceitar do governo geral ou provincial

28 —

-commissão ou emprego remunerado, teve por fim evitar que o membro da assembléa provincial, no exercício de suas funcções; transigisse com o governo e que este exercesse sobre aquelle qualquer pressão, mas em

nada podia o supplicante transigir com o. juiz de direito,

na qualidade de um membro da assembléa provincial,

e nenhuma pressão podia aquelle exercer sobre o sup-

nlicante, maxime já se tendo concluído seu mandato;

Que não é licito dar-se á lei interpretação mais lata do que o permittem seus termos;

Que si o cargo que exerceu interinamente estivesse comprehendido nos de que trata a lei, esta teria empre- gado as expressões «commissão ou emprego remune- rado» .

O peticionario, como promotor publico interino,

tem direito aos vencimentos que requer, á vista da

disposição dos avisos ns . 417 de 16 de outubro de 1877

e 562 de 9 de dezembro de 1865, referentes ao aviso n. 34

de 6 de julho de 1843, que declara — que os promotores

.públicos interinos devem receber os mesmos orde-

nados que os effectivos, quando estes os não recebam

e que não terão si não os emolumentos, quando ser-

virem, por se acharem os effectivos no gozo de licença com ordenado, de sorte que nunca haja duplicata. Ha, porém, uma preliminar a resolver que é: sendo

peticionario membro da assembléa provincial no bienn o de 1882-1883 e sendo nomeado promotor in- terino em outubro de 1883, terá direito aos venci- mentos que requer?

lei n. 3029 de 9 de janeiro de

1881: o funccionario publico de qualquer classe que

perceba pelos cofres geraes, provinciaes ou municipaes vencimentos ou porcentagens ou tiver direito a custas por actos e officios de justiça, si acceitar o logar de deputado á assembléa geral ou de membro da assembléa legislativa provincial, não poderá durante todo o período da legislatura exercer o emprego ou cargo publico remunerado que tiver, nem percebar ven- cimentos ou outras vantagens que delle provenham, nem contar antigüidade para aposentação ou jubilação, nem obter remoção ou accesso em sua carreira, salvo

o que lhe competir por antigüidade.

No § 4° das disposições deste artigo exceptuam-se:

, os conse-

lheiros de es>tado; 3 o , os bispos; 4 , os embaixadores e

o

:

Dispõe o art. 12 da

1°, os ministros e secretários de estado; 2

o

o

— 29 —

os enviados extraordinários em missão especial; 5 o , os-

presidentes de províncias; 6 o , os officiaes militares de terra ou mar, quanto á antigüidade, e, nos intervallos das sessões, quanto ao soldo.

O art. 14 da citada lei diz: — não poderão os

senadores, e, durante a legislatura e seis mezes depois, os deputados á assembléa geral, salva a disposição do art. 34 da constituição, nem os membros das as- sembléas legislativas provinciaes, acceitar do governo geral ou provincial commissões ou empregos femu- nerados, excepto os de conselheiro de estado, presidente de província, embaixador ou enviado extraordinário em missão especial, bispo e commandante de forças de terra ou mar.

O art. 90 do regulamento annexo ao decreto

n.

8213 de 13 de agosto de 1881 é, in totum, idên-

tico ao art. 14 acima transcripto.

, O art. 34 da constituição diz: —si por algum caso

.imprevisto, de que dependa a segurança publica ou o bem do Estado, fôr indispensável que algum senador ou deputado saia para outra commissão, a respectiva câmara o poderá determinar. Das terminantes disposições dos artigos acima citados conclue-se que o supplicante não devia ser nomeado, nem podia acceitar a nomeação e consequen- temente me parece que não tem direito aos venci- mentos que requer, salvo a equidade do governo.

Em 10 de junho de 1885.— Alfredo Silva

Fernandes

da

«De accôrdo, parecendo conveniente ser ouvida

secção, por tratar-se de incompatibilidade.—

Secção, em 10 de junho de 1885.—Servindo de di-

rector, Benedicto

«Informe a2 a secção.— Cunha Figueiredo Júnior.» « Na disposição prohibitiva, para o caso que se ven-

tila, a incompatibidade poderia dar-se durante o período legislativo, segundo o decreto de 4 de dezembro de 1830 eacto addicional, art. 23, quando tivessem esses dous cargos de ser exercidos simultaneamente.

supplicante foi nomeado interinamente pelo juiz

de direito da comarca e não pôde estar comprehendido

na

14 da lei n. 3029 de 9 de janeiro

4

a

a

2 a

Bueno.»

O

prohibição do art.

de 1881, que se refere a nomeações partidas do governo geral ou provincial,e não de autoridades judiciarias ou

— 30 —-

administrativas de segunda ordem.— 2 a Secção, em 15 de junho de 1885.— José da Costa Carvalho.»

«Não podem os promotores ser votados para membros das assembléas provinciaes (art. 85 do de- creto n. 8213 de 13 de agosto de 1881), já sendo elles, porém, membros das assembléas provinciaes quando nomeados promotores interinos? Como não se trata de nomeação pelo governo nem pelos presidentes, não tem applicação á hypothese a disposição do art. 14 da lei n. 3029 de 1881, mas convém examinar a questão em face do art. 12, que prohibe ao deputado provincial exercer emprego ou cargo publico remunerado nem perceber vencimentos ou outras vantagens que delle provenham. Ora, o deputado de quem se trata foi eleito para o biennio de 1882-1883, e pede pagamento do tempo decorrido de 10 de outubro de 1883 a 22 de março de

O primeiro destes annos ( o de 1883) está com-

prehendido no biennio do mandato, pois o anno legis- lativo para as assembléas anda igual passo com o civil. Assim, pois, só poderão ser pagos os venci- mentos relativos ao exercício depois do biennio. Deve- se, porém, saber a importância para consultar a verba. —Directoria geral, em 16 de junho de 1885. — Cunha Figueiredo Júnior.»

Do exposto vê-se que, quando o capitão João Ferreira Nobre foi, em 10 de outubro de 1883, no- meado pelo juiz de direito da comarca promotor pu- blico interino, era membro da assembléa legislativa provincial, cujo mandato, correspondendo ao anno civil, só expiraria no ultimo dia de dezembro desse anno. Foi portanto illegal essa nomeação, ô vista da claríssima disposição do art. 14 da lei n. 3029 de 9 de janeiro de 1881 que decretou a incompatibilidade dos promotores públicos.

Não prevalece o argumento que emprega o recla- mante para negar essa incompatibilidade, allegando que essa nomeação de promotor não é acto do go- verno geral e nem do provincial, mas do juiz de direito, hypothese que não está comprehendida na expressão da lei.

1884.

Nesta matéria o principio cardinal é a incompati-

o

bilidade que a lei rigorosamente estabeleceu

entre

31 —

mandato legislativo e a remuneração paga pelos cofres

públicos. Foi ella tão stricta neste ponto que,

assim se exprime:

no art .

12,

« O funccionario publico de qualquer classe, que perceber pelos cofres geraes, provinciaes e munieipaes vencimentos ou porcentagens, ou tiver direito a custas por actos de officios de justiça, si acceitar o logar de deputado á assembléa geral ou de membro da ae- sembléa legislativa provincial, não poderá durante todo o período da legislatura exercer emprego ou cargo publico remunerado que tiver, nem perceber venci- mentos ou outras vantagens que delle provenham, nem contar antigüidade para aposentação ou jubilação, nem obter remoção ou accesso em sua carreiro, salvo o que lhe competir .por antigüidade. Entende, pois, a secção que, á vista desta disposição, não assiste ao capitão João Ferreira Nobre direito 'algum aos venci- mentos pelo tempo em que indebitamente exerceu as funcções de promotor, durante o biennio de 1882-1883, no qual funccionou também como membro dá as- sembléa legislativa provincial.»

Outra questão resta ainda ventilar: tendo o recla- mante exercido as funcções de promotor fora do biennio legislativo, isto é, desde o 1° de janeiro até 22 de março de 1884, tem direito aos vencimentos desse tempo?

A esta

responde a própria lei de 9 de janeiro de

14 assim dispõe:

1881 que no já citado art.

«Não poderão os senadores, e, durante a legis- latura e seis mezes depois, os deputados á assembléa geral, salva a disposição do art. 34 da constituição, nem os membros das assembléas legislativas provin- ciaes, acceitar do governo geral ou provincial com- missão ou empregos remunerados, excepto o de conse- lheiro do estado, presidente de província, embaixador ou enviado extraordinário em missão especial, bispo e commandante de força de mar e terra.» Ora, si a prohibição de acceitar emprego remu- nerado estende-se a um semestre, além do prazo da legislatura, claro é que o capitão João Ferreira Nobre, tendo exercido illegalmente as funcções de promotor publico de janeiro a março, isto é, dentro do período da prohibição legal, também não tem direito a^s venci- mentos desse tempo.

32 —

secção de justiça.

Vossa Magestade Imperial, porém, em sua alta sabe- doria mandará como fôr mais justo.

Sala das conferências da secção de justiça do con-

Lins

selho de estado, em 11 de julho de 1885.— João

Este é, Senhor,

o parecer

da

Vieira

Assis

Cansansão

Figueiredo.—

de

Sinimbú.—

Antônio

Affonso

Vieira

Celso

da

de

Luiz

Silva.

RESOLUÇÃO

Como parece. Paço, em 18 de julho de 1885.

Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador .

Affonso

Augusto

Moreira

Penna.

Em virtude desta Resolução, foi expedido o aviso de 21 de julho de 1885 ao presidente da província do Rio Grande do Norte.

Consult a

d e

1 8

VI

d e

agost o

julh o

d e

e

Resoluçã o

188S S

d e

8

der

Provimento-

de successores

dos

serventuários

vitalícios

feitos

no regimen d a

decreto n .

1291

de

1G do

dezembro de 1853.

SENHOR—Mandou Vossa Magestade Imperial, por aviso do ministério da justiça de 4 do corrente, que esta secção consulte com o seu parecer sobre os in- clusos papeis relativos áb reclamação de João Pereira de Velasco, afim de fixar-se por decreto a jurispru- dência applicavel em casos semelhantes. 0 histórico da questão é assim exposto na infor- mação da secretaria:

2 o

successor, provando soffrer de moléstia incurável e não ter outro meio de subsistência. Por decreto de 30 de outubro de 1860 foram de- clarados vagos os officios, e, sendo postos a concurso, foi nomeado João Coutinho Pereira de Velasco — vita— liciamente, e com a obrigação de dar ao serventuário invalido a terça parte do rendimento da

Eis que fallece João* Braz Corrêa, e o presidente da província do Rio de Janeiro procurou providenciar a respeito do provimento dos officios; mas, pela na- tureza da nomeação feita com a declaração de vita- liciedade, hesitou e consultou ao governo si deviam ser postos a concurso com o fallecimento do primeiro serventuário. Esta secção, informando, pronunciou-se nos se - guintes, termos:

cc João Braz Corrêa,

proprietário

dos officios de

tabellíâo e annexos do termo de Itaborahy, requereu

O

pavimento de João Coutinho Pereira de Velasco

decreto n.

1294 de 16 de

estabelecido

no decreto n.

r

é que passou a ser consi-

teve logac- a a domínio do

dezembro de 1853,. quando taes nomeações eram de caracter vftalieLo*

4683;

de 27 die' janeiro de. 1871

derada temporário o provimento dos successgpres ou dependente da condição de servirem os nomeados no

Pelo. regímen

Justiça — 2049

*

caso de impossibilidade physica, durante a vida do serventuário julgado incapaz de continuar a servir pessoalmente o officio.

4683

retrotrahir-se á nomeação de João Coutinho Pereira de Velasco, deve ser este mantido no officio, no qual foi vitalícia mente provido, como se vê do decreto de 25 de janeiro de 1861, junto a estes papeis.

Não podendo

a

disposição

do

decreto

n .

Concordando, o conselheiro director adduziu:

Pelas razões indicadas em outro parecer desta data com referencia ao provimento dos officios de tabellião do publico, judicial e notas do termo de Alegrete, no Rio Grande do Sul, nas pessoas de Pedro Emílio Falcão da Frota e José Victor Pinho, entendo que deve ser mantido o provimento conferido a João Coutinho Pereira de Velasco Júnior, em 25 de janeiro de 1861, isto é, antes do decreto n. 4683 de 27 de janeiro de 1871, que, confirmando de um modo claro a disposição da lei de 11 de outubro de

1827, rectificou a praxe que se explicava pelo decreto

n. 1294 de 16 de dezembro de 1853, mas que não

podia ser mantida. Expediu-se ao presidente da província do Rio de Janeiro o aviso de 11 de dezembro, declarando-se-lhe em resposta, que devia mandar proceder a concurso para provimento effectivo do logar. Contra esta decisão representou João Coutinho Pereira de Velasco, allegando:

Que o aviso citado funda-se no presupposto de que os suecessores só servem durante a vida dos serventuários vitalícios; mas que elle (o reclamante)

foi nomeado vitalícia mente e n o regime n do decret o

n. 1294 de 16 de dezembro de 1853, em cujo domínio

taes provimentos eram considerados vitalícios. Que o decreto n. 4683 de 27 de janeiro de 1871 alterou aquella pratica e prescreveu que os serven- tuários, providos no caso de suecessão só serviriam durante a vida dos proprietários dos officios; mas, não obstante, o governo sempre respeitou o direito daquelles que, como o reclamante, tinham sido pro- vidos antes da promulgação do referido decreto, e neste sentido muitos serventuários têm sido con-

servadofc nos officios depois da morte de seus ante-

cessores.

— 35 —

L Que a disposição,

ê

a

a que se soccorre

do art.

6 o

o

aviso de

da lei de 4 de ou-

tubro de 1827, que effectivamente tornou a nomeação

de caracter

stancia, isto é, da duração

e dependente desta circum-

11 de dezembro,

temporário

do proprietário vitalício,

a quem substituísse o serventuário assim nomeado. Que o decreto n . 1294 de 16 de dezembro de 1853, bem ou mal interpretado, admittiu a pratica diversa que, consolidada por um sem numero de provimentos assim conferidos, tornou aquella disposição caduca e só restabelecida depois do decreto n. 4683 de 27 de janeiro de 1871, que não pôde attingir ao caso do re- clamante. Que as circumstancias que se deram por occasião do provimento dos officios ao qual concorreu e a so- lemnidade com que foi-lhe dado o provimento, são a prova de que não deve ser considerada de caracter temporário a sua nomeação só por meio de um acto de interpretação. Que pelo decreto de 30 de outubro de 1860 foram declarados vagos os officios, annunciou-se o concurso e, preenchidas todas a s formalidades legaes, foi elle (reclamante) provido vitaliciamente. . Que, finalmente, á vista do exposto, e segundo o principio corrente de direito de que as leis interpre- tativas só prevalecem para os casos futuros, pede que sejam respeitados os seus direitos e mantida a sua posse nos mencionados officios. — José da Costa Car- valho.»

Esta secção, officiando de novo, disse:

A secção já se pronunciou sobre o assumpto

quando o presidente da província consultou si devia prevalecer a nomeação do reclamante; o que deu logar ao despacho de 27 de novembro ultimo:

, «O decreto de 25 de janeiro de 1861 conferiu a

João Coutinho Pereira de Velasco a serventia vitalícia do officio que ora se considera vago e vae ser posto

a concurso.»

Este provimento foi dado no regimen estabelecido, depois da promulgação do decreto n. 1294 de 16 de dezembro de 1853, segundo o qual nos casos de suc- cessão eram nomeados os successores vitaliciamente.

E' certo que este decreto não podia derogai\ nesta

parte, a lei de 11 de outubro de 1827, mas assim se

— 36 —

entendeu e assim foram nomeados todos os serven- tuários que dalli até 1871 succederam os proprietários de officios, quando impossibilitados de continuarem a servir.

O decreto n. 4683 de 27 de janeiro de 1871, mu-

dando a pratica seguida, restabeleceu as disposições do art. 6° da referida lei; o governo, porém, respei-

tando o direito adquirido por esses serventuários, con- servava-os nas serventias, e em mais de uma occasiâo havia deliberado que sua posse nos logares devia ser mantida. João Coutinho Pereira de Velasco foi nomeado de- pois de haver sido declarado vago o officio, como era de praxe, por meio de um concurso a que se sujeitou na crença de que pretendia uma serventia vitalícia, e confiado nos precedentes firmados pelo direito con- suetudinario, serviu por cerca de 24 annos e ser-lhe- ha certamente duro resignar-se á perda dos meios de subsistência, quando faltam-lhe a actividade e habili- tações para entregar-se a gênero de vida diverso.

decreto n. 4683 de 27 de janeiro de 1871, mu-

dando a pratica seguida, parece não ter restaurado a

outubro de 1827,

disposição do art. 6

mas, revogado a do decreto n. 1294 de 16 de dezembro de 1853, donde se conclue que a lei tinha caducado, nesta parte, e que o decreto de 1871, assim conside- rando, procurou crear direito novo.

Assim, pois, baseado no principio conhecido leges futuris certum est dare formam negotiis non aclfacta prwterita revocari, nisi nominatim et de praiterito tempore et adhuc pèndentibus negotiis cautum sit, continuo a pensar, acatando entretanto a deliberação tomada porS. Ex., no despacho de 27 de novembro ultimo, que nomeações feitas no domínio do decreto n. 129í de 16 de dezembro de 1853 devem ser man- tidas.— José da Costa Carvalho.»

O

o da

lei de

11 de

Accrescentou a directoria geral:

« O decreto de 1853 não autorizava a nomeação

de

successor com serventia vitalícia, nem mesmo tratou da condição'de tempo, que era regido pelo art . 6 o da lei de 1827, que nem esse decreto nem outro qualquer do poder executivo podia alterar.

O decreto de 1871 não creou direito no*o, reco- nheceu o estatuído pela lei de 1827, e ainda assim não

— 37 —

observou completamente, o que deu origem aos re.

centissimos decretos que firmaram a verdadeira intel. ligencia da lei citada.

que se decide contra lei expressa em ponto sub-

stancial é nullo, e o que ê nullo não pôde produzir

effeito válido, desde que se verifica a nullidade. A praxe que se explica pela errônea intelligencia do decreto de 1853 não se fundava nem na lettra nem no espirito das disposições vigentes: antes ia de encontro formal a uma lei expressa. Essa praxe nem se apoiava em interpretação au- thentica que só o poder legislativo podia dar, nem mesmo em instrucção ou regulamento para boa ex- ecução da lei. Assim a referida praxe tomou antes o caracter de um descuido ou equivoco de fôrma nos decretos que se lavraram. Esta circumstancia, ainda mesmo apadrinhada por longo tempo de serviço, não pôde firmar um direito, que aliás não fica irremediavelmente preterido, desde que nada impede o supplicante de obter nova nomea- ção em algum concurso.

requerimento, portanto, está no caso de ser in-

deferido.— Cunha Figueiredo Júnior.»

O

O

A

secção de justiça conforma-se com este segundo

voto do illustrado conselheiro director geral, cuja doutrina é correcta. Por menos equitativa que seja semelhante solução na espécie de que se trata, visto referir-se a um func- cionario em exercício ha longo» annos, que se acha provavelmente em avançada idade e descançava na fé de ter obtido provimento vitalício, baseado já nos pre- cedentes e já na declaração do titulo de sua nomeação, muito mais importa, por motivos de ordem publica, o respeito da lei e sua rigorosa observância. Cumpre restabelecer o regimen legal, que é o de- creto legislativo de 11 de outubro de 1827, segundo o qual os successores de serventuários vitalícios dos offi- cios de justiça somente conservam as respectivas func- ções durante a vida dos effectivos, impropriamente denominados proprietários, ou emquanto prevalece seu legitimo impedimento. Os actos do poder executivo que posteriormente firmaram doutrina contraria não podiam derogar a lei, cuja restauração não prescreve.

— 38 —

Seriam procedentes as razões que em favor do

secção do principio da não re-

troacüvidade, si não se tratasse de decreto do executivo, em contrario á lei expressa nunca revogada pela au- toridade competente, e que por isso mesmo excede das attribuições de quem o promulgou. A não retroactividade presuppõe preceito, regra ou disposição legitima, qual não é um acto do governo, considerando vitalícias funcções a que deu a lei caracter de temporárias ou provisórias. O que a equidade exige imperiosamente, na hypo- these occurrente e nas idênticas que possam suscitar-se, é que, no concurso que se deve abrir para preenchimento da vaga do serventuário morto, tenha preferencia, em igualdade de condições, o successor nomeado em sua vida, maxime, si houver mostrado perícia, zelo e pro- bidade.

reclamante deduz a 2

a

Tal é, Senhor, a opinião, que a secção submette ao alto critério de Vossa Magestade Imperial, que resolverá como entender mais acertado. Sala das conferências da secção de justiça do con- selho de estado, em 18 de julho de 1885.— Affonso Celso de Assis Figueiredo. — João Lins Vieira Cansansão de Smimbú. —Luiz Antônio Vieira da Silva.

• RESOLUÇÃO

Como parece.— Paço, em 8 de agosto de 1885.

Com a rubrica de Sua

Augusto

Affonso

Magestade o Imperador .

Moreira

Penna.

Consult a

d e

VII

94L d e

julh o

d e

agost o

e

Resoluçã o

1883»

d e

8

d e

Sobre a

interposição de recurso de graça- ao poder moderador pelos réos cujas

sentenças

condemnatorias não

tenham effeito

suspensivo e que se achem

soltos.

SENHOR — Por aviso da secretaria de estado dos negócios da justiça, de 3 do corrente, ordenou Vossa Magestade Imperial que a secção respectiva do conselho de estado consultasse sobre os papeis juntos, relativos á interposição de recurso de graça ao poder moderador pelos rêos, cujas sentenças condemnatorias não tenham effeito suspensivo e se achem soltos.

referida secretaria, foram

emittidos estes pareceres :

. « O presidente da província de Sergipe consulta si

os rêos, cujas sentenças condemnatorias não têm effeito suspensivo, podem, estando soltos, interpor recurso de graça ao poder moderador. Segundo a legislação vi- gente o recurso de graça só tem effeito suspensivo no caso de pena de morte: — lei de 11 de setembro de

Estudada

a matéria na

1826, art. I

o

, aviso de 17 de fevereiro de 1842, n. 29 de

22 de janeiro de 1855, n . 519 de 6 de novembro de 1862,

1865, n . 355 de 24 de ou-

tubro de 1871 e n . 276 de 20 de agosto de 1874, Nos outros casos, sendo elle um meio excepcional de obter diminuição da pena imposta definitivamente pelos tribunaes, por isso mesmo não suspende a sua execução, ainda que se trate de damno irreparável,

como no crime de açoutes, segundo o aviso n . 276 de

de agosto de 1874* ou de pena exigua, que termine

antes da decisão do recurso, como no crime de injurias verbaes, segundo o aviso n. 355 de 24 de outubro de 1871. A' revelia são julgados ausentes os réos de crimes afiançaveis , tenha m o u nã o prestad o fiança, e o s cie crimes em que se podem livrar soltos: aviso de 5 de dezembro de 1850. Não sendo julgados á revelia os réos fie crimes inafiançáveis, só no caso de evadirem-se depois de

n . 517 de 14 de novembro de

20

40 —

condemnados pôde verificar-se a hypothese de inter- porem recurso de graça fora da prisão. Tal recurso, porém carece de fundamento para ser admittido; ainda nela razão de que com a fuga commetteram elles novo crime, que deve ser punido de conformidade com o disposto no art. 54 do código Si os pronunciados em crimes inafiançáveis nao po- dem, como decidiu o aviso de 17 de julho de 1843, in- terpor recurso da pronuncia antes de se recolherem á prisão, com maioria de razão os condemnados por ditos crimes não podem interpor recurso de graça, estando soltos. Nos crimes de alçada, em que os réos se livram soltos, declarou o aviso n. 519 de 6 de novembro de 1862 que, interpondo elles recurso de graça, não gozam do indulto do art . 299 do regulamento n . 120 de 31 de janeiro de 1842, visto que a fiança é concedida para que o réo não seja encarcerado antes de ser julgado defi- nitivamente, e não quando já condemnado '; e o recurso de graça é suspensivo no caso de pena de morte. Não obstante tem-se admittido os recursos de graça dos condemnados por crimes policiaes independente- mente de sua prisão, pela razão de que ficariam os mesmos inutilizados, sendo interpostos depois da execução das sentenças, visto como não poderiam ser decididos antes do acabamento das penas. A mesma razão milita a favor dos condemnados por crimes afian- çaveis, quando são diminutas as penas como no caso aominim o do art . 201 do código criminal. Parece, pois, que deve subsistir a pratica que se apoia nos princípios de equidade, de se admittirem os recursos de graça dos condemnados por crimes de alçada, ainda que não estejam presos, a qual se deve estender aos dos condemnados por crimes afiancaveis, cujas panas não excederem ás daquelles, embora

secção, em 13 de agosto de 1885.— Pros-

pero

« Nenhuma sentença com recurso ao poder mode- rador, excepto a de morte, tem effeito suspensivo. Todas seguem os tramites legaes até a decisão imperial. Esta questão, porém, não me parece ser o objecto da consulta: o que o illustre consultante quer saber é — si os réos condemnados a quaesquer penas podem, antes de presos, recorrer ao poder moderador. Penso que podem, á vista da disposição clara do § 8°

soltos.— 3

a

Jehooah.»

— 41 —

do art . 101 da constituição, no qual somente se exige que os réos estejam condemnados por sentença. Si a constituição não admitte ampliações nem restricçôes, em matéria criminal não é licito óppor em- baraços a meios de defesa como com effeito são os re- cursos de graça. Si os venerandos signatários da constituição en- tendessem que esse recurso não se intentasse sem a prisão do recorrente, elles o diriam no citado para- grapho. A' illustração e a experiência de que eraln dotados não escaparia tal particularidade. Basta figurar o caso de ser condemnado um in- nocente para mostrar que convém recorrer ao poder moderador antes da prisão. De modo contrario o in- nocente ficaria preso por crime que não commetteu e ninguém o indemnizaria dás attribulações desse cons-

trangimento. Assim é que penso poder responder-se afirmati- vamente á consulta. Desta decisão não deriva transgressão alguma de lei criminal, nem favor a criminosos, sobre os quaes a justiça deve exercer vigilância.— Victorino de Barros.» « Considerando:

Que o poder moderador no uso de sua importante prerogativa de examinar e resolver os processos a elle submettidos, por meio de petição ou recurso de graça, não se acha adstricto a outra condição que não seja a prescripta na constituição (art. 101, § 8 o ), isto é, haver sentença condemnatoria passada em julgado; Que nem mesmo entre as formalidades pre- scriptas nos decretos e ordens em vigor, concernentes ao preparo dos papeis com os documentos necessários para melhor esclarecimento da matéria, se acha pre- scripta a prisão do réo como condição essencial para a apresentação e decisão do recurso de graça ; sendo antes certo que entre os requisitos do aviso circular n . 287 de 28 de junho de 1865 figura como neces- sária a declaração de estar o réo preso ou não, der claração escusada desde que se impuzesse a cláusula da detenção como imprescindível para o andamento do recurso; Que podendo o réo ser julgado á revelia em crimes afiançaveis, e em certos casos livrar-se solto, nenhuma razão justifica a prohibição do recurso de grélça antes da prisão;

42 —

_

Que, além disto, nos crimes a que corresponde a

pena de prisão por curto prazo, tornar-se-hia inútil o recurso, si o réo preso não pudesse pela distancia e outras dificuldades obter em tempo a decisão que no todo ou em parte o alliviasse da pena; Que, mesmo nos crimes graves, casos se podem dar (como nos de violência, perseguição, equivoco, nullidade insanável, etc. ), em que a interferência do poder moderador se exerça antes da prisão, cujo cumprimento, mesmo em parte, serviria para coroar

a

Que, comquanto só pela fuga possa estar solto o réo em crime inafiançável, visto que não podia ter logar o julgamento á sua revelia ou em sua ausência, incorrendo o mesmo réo em outra pena pela evasão ( art. 54 do código criminal), não podem estes funda- mentos e os que se deduzem dos avisos de 17 de julho de 1843 e 6 de novembro de 1862, sob n. 519, todos

relativos a effeitos na ordem judiciaria, vedar por si sós que seja encaminhado ao poder competente um recurso de caracter especial e excepcional, que ainda na hypothese do crime inafiançável se apadrinha com

a generalidade do artigo constitucional, que no ponto

questionado nenhuma disposição expressa até hoje restringiu, nem estabeleceu distincções, que pela na- tureza do assumpto não se podem considerar subsis- tentes por simples deducções:

Penso, á vista das disposições em vigor, que em todos os casos, quando as sentenças tenham passado

em julgado e estejam esgotados os recursos ordinários, embora os réos não se achem presos, devem ser as petições de graça submettidas, com os documentos exigidos pelas disposições vigentes, á deliberação do poder moderador que, em sua alta sabedoria, attenderá

circumstancia de se achar ou não detido o delin-

injustiça

ou

iniqüidade ;

á

qüente. Mas considerando por outro lado:

Que convém harmonizar quanto possível com as condições e espirito das nossas leis criminaes o exer- cício da importante prerogativa do poder moderador ; Que, além de repugnante a concessão feita ao réo para invocar o perdão do seu delicto, havendo em se- guida commettido outro crime pela fuga antes de começar a expiaçâo do primeiro, poderia a facilidade

43 —

do recurso servir de incentivo para esquivar-se o réo* ao cumprimento da sentença em crimes graves ; Que, assim como os decretos n. 1458 de 14 de ou- tubro de 1854 e n. 2566 de 28 de março de 1860 e

avisos de

28 de janeiro e 28 de junho dê 1865, 28 de

março de 1873, 27 de janeiro de 1876 e outras decisões, estabeleceram diversas regras sobre a interposição dos recursos de graça e condições èm que devem ser encaminhados, como se vê do extracto junto, nada impede que o governo, por um decreto expedido

'e m

prisão, não-

poderão os respectivos recursos de graça ser submet- tidos ao poder moderador, salvo nos crimes do art. 12,

7 o , do código do processo criminal, e nos afiançaveis cujas penas não excedam o máximo das decretadas naquelle artigo.

Si se quizer alargar mais o limite, póde-se esta- belecer a excepção para os crimes afiançaveis e aquelle em que os réos se livram soltos (arts . 12, § 7°, 100 e 101 do código do processo criminal, e art. 37 da lei de 3" de dezembro de 1841 ). Directoria geral, 26 de agosto de 1884.— Cunha Figueiredo Júnior.s

O relator conforma-se com a primeira parte do

parecer do illustrado conselheiro director geral, por seus judiciosos fundamentos que corroboram as não menos acertadas ponderações do distincto director Victorino de Barros. Não pôde, porém, convir que, segundo propõe aquelle digno funccionario, seja expe ido um decreto, determinando que, antes de recolhidos os réosá prisão, não possam os seus recursos de graça ser submettidos ao poder moderador, salvo 'nos crimes do art. 12, § I o , do código do processo, e nos afiançaveis, cujas penas não excedam o máximo das decretadas no dito ar- tigo.

E' certo, Senhor, que semelhante providencia en-

contraria simile em legislações estrangeiras, como por exemplo, na franceza, que veda o uso do recurso- de que se trata,aos contumazes; e não admitte petição- de graça de impetrante que nâo esteja preso, quando deve sei-o, pela razão de que, antes de tudo, cumpre- que o réo submetta-se á decisão dos. tribuifaes, não sendo digno de indulgência quem se mostra rebelde á

virtude do

Que, antes

art .

de

102 da constituição,

os

réos á

estabeleça:

recolhidos

§

— 44

lei (Dalloz,

belga

e 759). Mas, taes severidádes, aliás combatidas já por antigos criminalistas de boa nota, não são consen- taneas com a Índole do direito penal moderno, nem com a própria natureza e os elevados intuitos da attribuição de agraciar. Não desconhece o relator que, em regra, todo aquelle que sob o peso de uma condemnação a ella

(Haus,

758

19

verb.

Grace et Commut.

des peines,

legislação

ns.

ns.

e 40).

Identicamente preceitua a

Gen. de Droit

Príncipes

Penal Belg.,

procura esquivar-se, fugindo ou occultando-se, offende

a sociedade e desrespeita a mageslade da lei, mos-

írando-se por isso immerecedor de indulgência. Ha, entretanto, casos em que essa rebeldia outra cousa

não exprime sinão o protesto da innocencia contra o erro e a injustiça de um julgamento, não mais repa-

ra vel pelos meios ordinários.

comprehensão ordinária do cumprimento do

dever é insufficiente para que todos se sujeitem a uma sentença iníqua, soffrendo resignados os seus effeitos; para tanto é preciso ter sentimentos muito mais elevados, que não são communs no coração humano, cujos naturaes impulsos devem sempre ser levados em conta em matéria criminal.

A só possibilidade de um julgamento, baseado

sobre inexacta apreciação dos factos ou má appli- cação do direito, basta, no pensar do relator, para que não se coarcte o direito de pedir graça, como quer a directoria geral.

A

A constituição do Império, art. 101, § 8°, não lhe

impoz sinão uma limitação, a existência da sentença condemnatoria, e não é licito, maxime por medidas regulamentares, restringir tão generoso e huma- nitário pensamento.

Invoca a directoria geral os decretos n. 458 de 14

de outubro de 1854 e n. 2566 de 28 de março de 1860

e vários avisos, como precedentes que autorizariam

a providencia lembrada. Releva observar, porém, que os citados actos do governo apenas estabeleceram regras conducentes ao completo esclarecimento e ampla informação do poder moderador, ao ser solicitado para exercer a

importaSitissima faculdade de que a lei fundamental

o investiu. Nenhuma restricçSo fizeram ao direito de

— 45 —

interposição do recurso, que, a não ser entendido- com a largueza da constituição, não raro tornar* se-hia illusorio, podendo acontecer que chegue tarde, para remoção do mal, a graça merecida.

A revelia,

a contumacia, a fuga do condemnado-

impossível de-

são circumstancias que o poder competente deverá

considerar em sua alta sabedoria, ao deliberar sobre

a espécie, dando-lhes o devido valor,

aquilatar-se á priori, ou em absoluto, harmonizará

as condições e o espirito das nossas leis, assim como

o respeito a ellas devido, com as grandes conve-

niências de legitimo uso de tão elevada prerogativa.

Recurso extremo, ultima esperança que a so- ciedade deixa ao condemnado, a petição de graça deve ser-lhe sempre francamente permittida, sob pena de não corresponder ao fim magnânimo de sua instituição.

O relator pensa, pois, Senhor, que deve ser res-

pondida afirmativamente a consulta do presidente de

Sergipe. O conselheiro de estado João Lins Vieira Can- sansão de Sinimbú opina do seguinte modo:

Respeito as opiniões emittidas pelos dignos con- sultores da secretaria da justiça e pelo douto conse- lheiro relator; sinto, porém, não concordar com ellas

e tanto mais sinto, quanto reconheço que as razões

com que as sustentam derivam de sentimentos muito

respeitáveis. Darei' as razões desta minha divergência.

Pelo nosso

direito

vigente

o

sentença

recurso de graça,

á pena

de

interposto para o poder moderador, somente suspende

a execução da

morte. Esta salutar disposição foi estatuída pela previ- dente lei de 11 de setembro de 1826, antes mesmo da publicação dos códigos do processo e criminal.

Diz. ella: a sentença condemnatoria á pena de morte não pode ser executada sem que primeiramente suba

á

derar a pena conforme o art. 101, § 8 , da consti- tuição do Império. A natureza da pena justifica a razão da lei; sem esta disposição cautelosa ficaria o direito de graça, inutilizado, justamente no caso em que sua apph- cação é a mais benéfica e salutar.

condemnatoria

presença do Imperador para poder perdoar ou mo-

o

46 —

Depois dessa, não ha outra disposição legislativa que regule a matéria. ' Com a excepção ficou firmada a regra, que assim tem sido entendida e sustentada por todos os minis- térios nos numerosos avisos que a secretaria da jus- tiça mencionou em sua informação. De conformidade com essas decisões fácil seria

responder á consulta do presidente de Sergipe, decla- rando que, fora o caso da sentença condemnatoria á pena de morte, previsto pela lei.de 11 de setembro de 1826, em todos os outros a sentença condem- natoria, que passe em julgado, deve ser executada, sem que o facto de ter o réo interposto o recurso de graça para o poder moderador suspenda a execução.

resposta assim dada estaria de accordo com

-a lei, com a pratica até agora seguida e com os .princípios do nosso direito constitucional.

direito de graça não é um recurso ordinário;

perderia de sua natureza, si fosse considerado como nova peça superposta ao mecanismo já complicado e moroso de nossa organização judiciaria.

E' uma válvula de salvação offerecida á inno -

cencia para os casos em que* nem a sabedoria das leis, nem a moralidade dos juizes podem evitar que ellaseja victima do erro ou das paixões de momento. Elle é por isso mesmo um recurso extraordinário, e para casos também extraordinários ; e por isso foi com razão confiado ao chefe supremo do Estado, de- positário privilegiado das altas funcções do poder moderador, e inaccessivel a toda ordem de interesses que não sejam o bem da nação.

A

O

A constituição creando os dous poderes, judicial

e moderador, conferiu a um o direito de julgar, im- pondo as penas decretadas pelo outro poder; e ao outro o direito de perdoar ou moderar as penas.

No exercício dessas importantes faculdades devem

os dous poderes proceder de modo que cada um se mova dentro da esphera que lhe é própria, sem in- vadir a do outro; porque só assim será observado o preceito da constituição que exige a harmonia dos poderes como o principio regulador, e o mais seguro' meio de fazer effectivas as garantias que a mesma constituição offerece.

Parasa devida applicacão deste principio, antes de

conhecer

qual é

à

tudo, o que convém é investigar e

47

linha divisória que marca o domínio desses poderes, e onde está o limite que os separa. Foi a própria constituição quem nesta parte traçou,

como se vê no seu art. 101, § 8

buições do poder moderador, diz elle, no logar citado :

« Perdoando e moderando as penas impostas aos réos condemnados por sentença. »

Quer isto dizer que, só quando o poder judicial, em matéria de sua especial competência, profere sobre um facto por meio de sentença a sua ultima palavra, é que começa o domínio do poder moderador para per- doar ou moderar a pena, tomando, pela ingerência que lhe cabe, conhecimento desse mesmo facto por via do recurso de graça.

Si o uso freqüente do direito de agraciar, ainda

mesmo quando exercido dentro de suas próprias raias, tende, e não se pôde contestar, a enfraquecer a autori- dade moral do poder judicial, quanto não soffreria o prestigio deste, si suas sentenças ficassem suspensas em seus effeitos jurídicos, só por se ter interposto re curso para outro poder ?

Onde ficaria a independência que lhe garante a

constituição? Para que esta lhe seja mantida é necessário que seus actos surtam os effeitos legaes e não fiquem in- terrompidos por intervenção de outro poder.

O poder moderador pôde perdoar ou moderar a

pena imposta; mas, o que não pôde é estabelecer uma espécie de solução de continuidade entre a sentença e sua execução, porque são operações connexas; si uma é a palavra, a outra é a acçâo pela qual se completa o pensamento do legislador, quando prescreve regras para a punição dos crimes.

da

A constituição quando reconhece ao Imperador no

o

. Definindo as attri-

O conselheiro

de estado Luiz Antônio

o

Vieira

Silva opina do seguinte modo :

exercício do poder moderador, art. 101, § 8

tiva de perdoar e moderar as penas impostas aos réos condemnados, não estabelece outro limite sinão o da condemnação, isto é, sentença passada em jul-

gado. Admittir limites a esta prerogativa da coroa, es- tabelecendo distincções e formalidades de que a consti- tuição não cogitou e que não entendem com a infor- mação sobre o facto e o julgamento e suas circum-

, a preroga-

— 48 —

stancias, é sujeitar a mesma prerogativa a ser quasi annullada. Parece , pois, que o recurs o cie graç a cabe de toda sentença que passou em- julgado, não sendo motivo para deixar de ser encaminhada á augusta presença do Imperador não ter o réo começado a cumprir a pena ou não achar-se preso. Sala das conferências da secção de justiça, em 24 de julho de 1885.— Affonso Celso de Assis Figuei- redo.João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú.— Luiz Antônio Vieira da Silva,

RESOLUÇÃO

Como parece —Paço, em 8 de agosto de 1885.

Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador. Affonso Augusto Moreira Penna.

Em virtude desta Resolução expediu-se aviso em 19 de agosto de 1885 ao presidente da província de Sergipe.

Consult a

d e

lí i

VIII

d e

agost o

de

outubr o

e

Kesoiuçã o

188*5

d e

17

«de

Sobre o facto de se achar funccionamlo em Manáos a companhia «The Ma-

Limited » sem autorização do governo c sem

Trading

archivamento

náos

Company

dos estatutos

na junta

ccnimercial

respectiva.

SENHOR — Satisfazendo o que lhe foi ordenado em aviso do ministério da justiça de 18 do mez passado, vem a secção dos negócios da. justiça do conselho de estado emiltir seu voto acerca da questão nelle agi- tada, de estar funecionando em Manáos, provincia do Amazonas, a companhia estrangeira The Manáos Tra- ding Compamj Limited, Htm ter archivado seus esta- tutos na junta commercial respectiva, a da cidade de Belém. Examinando o assumpto, a secretaria assim pro- nunciou-se :

«Segundo o art . 1°, § 2°, n. 3, da lei n. 3150 de.4 de novembro de 1882, dependem de autorização do go- verno, para funecionarem no Império, as sociedades anonymas estrangeiras, e acerescenta o art. 130,

§ I

, do decreto n. 8821 de 30 de dezembro do mesmo

anno, suas suecursaes e caixas filiaes. Além da autorização não podem igualmente, depois de constituídas devidamente, entrar em func- ções e praticar acto algum sinão depois de archi- vados nas juntas commerciaes o contracto ou estatutos, na fôrma do art. 3 o , § 4 o , da lei e art. 32 do regula- mento citados.

o

A lei n. 3150, no caso presente, só comminou

o

( art. 26 ) pena para a inobservância das formalidades prescriptas nos paragraphos e números do art. 3 o , uma das quaes é (§ 4 ) a de não poder funecionar a sociedade anonyma, devidamente constituida^ntes de haver archivado seus estatutos. (Regulamento n. 8821,

art. 135, ns. 1 e 2.)

— 50

-

Para a infracção do art. 1°, § 2 o , n. 3, isto é, a falta de autorização, não vem na lei nem no regulamento pena indicada; mas, além de derivar-se esta da prova expressa do exercício ou funcções sem esse requisito de existência, a autorização presuppõe-se com a ap- provaçfio do contracto ou estatutos, como se vê do art. 2° do decreto n. 2711 de 19 de dezembro de 1860. Prevalecem para muitos casos, como o da con- cessão da autorização, as disposições do decreto

n. 2711 (art . 132 da lei n. 3150), e, par a o caso de incor :

poração de companhias ou sociedades anonymas, a lei

n.

0

a 5 o/o sobre o capital, para aquellas que tivessem

decreto n. 2711, no art. 2°, § l°,comminou a multa de

1083

de 22 de agosto de 1860, de que é regulamento

1

capital social e, para as que não tivessem, amulta de 1:000$ a 5:000$, além da pena em que incorriam do art . 10 do decreto n . 575 de 10 de janeiro de 1849. A pena do art. 10 deste decreto é a dissolução da mpanhia ou sociedade. Pelo art. 26 da lei n. 3150 de 4 de novembro e art . 135 do regulamento n . 8821 de 30 de dezembro de 1882, a comminação para a falta da formalidade do archivamento é a multa de 200$ a 5:000$000.

Assim confrontadas as disposições anteriores com

as da nova lei que, quanto á multa, reduziu apenas a

§ I o , da lei n. 1083, que era

de 1:000$, persistem, para o caso da falta de autorização, a multa e a dissolução, e para o da falta de archiva- mento, estando a companhia devidamente constituída

na expressão do § 4

depois da approvação dos estatutos, somente a multa.

as

disposições

A não prevalecer a comminação imposta á falta de autorização pela antiga legislação, para somente admittir-se a multa estabelecida pela legislação actual para todos os casos de infracção, comprehendido aquelle primeiro requisito, o mais essencial, do qual depende o archivamento, dar-se-ha o absurdo de pu- nir-se a falta de archivamento de estatutos que não podiam ser archivados, porque faltava-lhes o requi- sito principal para a instituição da companhia, a au- torização do poder competente.

do art. 3 o da lei n. 3150, isto é,

200$ o mínimo do art. 2

,

o

Não se pôde deixar

das duas leis.

o

de conciliar

deste

modo

Alérh

disso,

imposta

a multa

pela

infracção

da

formalidade

do

archivamento,

qual

a pena que

de-

-^ M

verá seguir-se para tolher a continuação da com-

panhia, quando se obstinasse a não requerer autori- zação, não tendo a nova lei creado comminação para

a

dar-se á lei n. 3150 a interpretação casuística

de

striolos de infracções commeltidas no presupposto da

autorização prévia dos estatutos, a conseqüência será, satisfeita a multa, o assentimento tácito de poder a companhia exercer todos os actos, independente de approvação e archivamento dos estatutos, porque a lei também não previu o procedimento ulterior á comminação da multa.

limitar-se a pena de multa a todos' os casos re-

falta de autorização?

A

Isto ô inadmissível.

, ;

A Tlxe Manáos Trading

Company Limited

está

precisamente . nessas condições : não requereu a ap- provação dos estatutos, e desde outubro do anno passado funeciona indebitamente.

Incorreu ella nas duas penas connexas do art. 2 o ,

1°, da lei n. 1083 de 22 do agosto de 1860, a multo

a dissolução, ou só na multa do art. 26 da lei

3150 de 4 de novembro de 1882, que, não pre-

vendo a hypothese, preveniu unicamente a falta do archivamento, presuppondo a companhia ou sociedade devidamente constituída, isto é, tendo obtido a ap- provação prévia dos estatutos?

Creio que sim, porque não tendo a lei n. 3150,

que manteve disposições do decreto n. 2711 de 19 do dezembro de 1860, o qual deu regulamento á lei

n. 1083, creado pena especial para o caso, e prohi-

bindo a encorporação de companhias ou sociedades anonymas, em certas condições, sem o requisito da

approvação, conservou as penas alli mencionadas para

a falta de autorização. Resta saber-se ò meio pratico de tornar effectiva

a comminação das duas penas. Parece estar claramente indicado nos arts. 30 da

lei n . 3150 e 138 do regulamento n. 8821, que admittem para os crimes ahi mencionados a acção publica, e mandam no art. 2ü com referencia ao art. 26 a pri-

meira , e

§

e

u

no art . 142 o segundo, que sejam proces-

sados segundo as prescripções dos arts. 47 e 48 do regulamento n. 4824 de 22 de novembro de 1871 e julgados pelo juiz de direito com os recursos legaes comminando-se a multa na fôrma do art. 63 do co

- 52 —

digo criminal e recolhendo-se o seu producto ao the- souro ( arte . 143 e 144 do regulament o n . 8821). Quanto á dissolução, continuará a ser providencia

admiinstrutivH, e deve operar-se por decreto, prece- dendo indicação do presidente da província com documentos e 'informações necessárias, na conformi- dade do disposto no art. 39 do decreto n. 2711 de 20 de dezembro de 1860.— 2» secção, e 15 de junho de 1885.— José da Costa Carvalho. «De accôrdo.— Directoria geral, em 15 de junho de 1885.— Cunha Figueiredo Júnior.» No pensar da secção é correcta a doutrina deste parecer, e com elle conforma-se, menos em um ponto:

Não soffre contestação que a companhia de que se trata incorreu em'dupla penalidade: a da lei

n. 3150 de 4 de novembro de 1882, art. 3

ter funccionado sem archivar os estatutos, e a da lei

por

n.

, §4°, por

o

2 o ,

1083 de

22 de agosto de

1860, art.

§

I o ,

ter iniciado suas operações sem a indispensável au- torização do governo imperial. São factos distinctos estas omissões; e, conseguin- temente, passíveis da pena que para cada uma deltas estabelece a legislação.

As judiciosas considerações que nesse sentido adduz a secretaria são corroboradas pelo disposto no art . 134 do regulament o n . 8821 de 30 de dezembr o de 1882. Reproduzindo e desenvolvendo, no art. 130, § I o ,

o

lamento declara ahi (art. Id4) que para a concessão

3150, esse regu-

de autoriznção ás sociedades anonymas estrangeiras, suas succursaes ou caixas filiaes, deve ser obser-

o decreto n. 2711 de 19 de

dezembro de 1860, art. 46, ns. 1 e 2, que sujeita-as

vado o que determina

preceito do

art.

I o ,

§ 2 o , da

lei

n.

todas as suas pressas

a

no mesmo

prescripções,

artigo.

com

as

resavas

ex-

Ora, taes resalvas não comprehendem a penali-

dade comminada no art. 1°, que é exactamente a

do art .

mente, continua em pleno vigor nessa parte. Esta penalidade, porém (e nisso consiste a di- vergência da secção), não pôde ser applicada me-

diante o processo'dos arts. 47 e 48 do regulamento

n. 4824 dê* 22 de novembro de 1871, especial para o

da lei n. 3150, e sim administrativamente por acto

1083, a qual, conseguinte-

2°,

§

I o ,

da lei

n.

— 53 —

do governo imperial, na conformidade do art. 6 o <?a citada lei n. 1083 Assim que, Senhor, quanto ao primeiro facto de- lictuoso, a falta de autorização, cumpre que seja im- posta a multa de 1 a 5 % do capital social, si o tem, á The Manáos Trading Company Limiled, e de 1.00$ a 5:000$ no caso contrario, fazendo-se a devida commrnicação ao ministério da fazenda, para que promova pelos meios fiscaes a sua arrecadação;, e quanto ao segundo, não archivamento dos estatutos, que por intermédio do presidente da província do Amazonas se mande instaurar a acção publica, de accordo com os arts. 3 o da lei recente e 138 do seu

regulamento. Sendo esta a solução que no conceito da secção cabe á espécie, pede venia para respeitosamente ponderar que, depois da promulgação da lei e regu- lamento a que acaba de referir-se, compete dal-a ao ministério da agricultura, • commercio e obras pu- blicas, e não ao da justiça. Vossa Magestade Imperial decidirá como fôr mais acertado. Sala das conferências da secção de justiçado con- selho de estado, em 12 de agosto de 1885.— Affonso Celso de Assis Figueiredo.João Lins Vieira Can- sansão de Sinimbü.Luiz Antônio Vieira da Silva.

RESOLUÇÃO

Como parece. Paço, em 17 de outubro de 1885. Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador.

Joaquim Delfino Ribeiro da

Luz.

Em virtude desta Resolução, expediu-&e aviso

em

11 de novembro de 1885 ao ministério da

agricultura.

IX

Consulta d e 9 8

de outubro

novembro

Itesoluçã o de "V de de 1882»

e

Sobre a creação de mais um oíflcio

de

escrivão

neutro.

de

ausentes

no

município

SENHOR — Mandou Vossa Magestade Imperial que

secção de justiça do conselho de estado consulte com

seu parecer sobre a creação de mais um officio de

escrivão de ausentes no município neutro, á vista da representação do Dr. juiz de orphãos e ausentes da se- gunda vara, constante do officio junto, com data de 3 de agosto do corrente anno. Os motivos allegados por aquelle magistrado, para fundamentar semelhante creação, acham-se expendidos no mencionado officio, da marieira seguinte:

« JUÍZO de direito da segunda vara de orphãos e au- sentes da corte, em 3 de agosto de 1885. Illm. e Exm. Sr.— Venho rogar a attenção de V. Ex. para o seguinte:

Dous são os juizes de orphãos e ausentes desta ca- pital, quatro são os escrivães de orphãos; mas apenas um, o de ambos os juizes de ausentes, perante os quaes são processadas annualmente perto, si não mais, de duzentas arrecadações. Além desse trabalho, a prestação de contas, a escripturação dos livros, as justificações em grande numero, etc., não deixam duvida acerca da impossibilidade de ser tudo feito por uma só pessoa. A mim parece indispensável a creação de mais um cartório no juízo de ausentes; submetto, porém, isto

á illustração de V. Ex., a quem Deus guarde. Illm. e Exm. Sr. conselheiro Affonso Augusto Moreira Penna, muito digno ministro dos negócios da justiça.— Juiz de direito, Joaquim José d^ Oliveira Andrade.»

a

o

— 56

-

Do exame da questão,

prima

facie,

surge

para crear

uma

preliminar sobre a competência do governo

mais um officio de escrivão de ausentes

no município

neutro. O decreto n. 2133 de 15 de junho de 1859, no art. 76, disse:

« Nos municípios onde houver mais de um escrivão de orphãos servirá um delles por nomeação do governo, que fica autorizado para crear officios de escrivães de ausentes nos -logares onde n extensão do foro assim o >'ir.» Foi em virtude desta autorização que o governo, de Vossa Magestade Imperial, em 26 de. maio de 1860, creou mais um officio de escrivão de ausentes na corte continuando o primeiro officio annexo a um dos car- tórios de orphãos. Antes, porém, de se completarem três annos, o de- creto n. 3051 de 20 de fevereiro de 1863 extinguiu se- melhante creação, desannexando do cartório de orphãos o primeiro officio, que, até áquella época, era servido pelo mesmo escrivão. Ora, tendo já o governo usadodaquella autorização, creando mais um officio e extinguinelo-o depois, afim de desannexar o primeiro do cartório de orphãos, como fica dito, ê evidente que tem cessado a referida auto- rização; do contrario, em vez de uma simples dele- gação concedida, provisoriamente, pelo poder legisla- tivo ao executivo, este seria investido de mais uma

attribuição. Aecresoe que a lei n. 2348 de 25 de agosto de 1873, pelo art. 19, tornou permanente a seguinte disposição* « As autorizações para creação ou reforma de qualquer repartiçã o ou officio publico nã o vigoram por mai s cie dous Esta providencia legislativa acabou, em sua gene- ralidade, com as delegações indefinidas, por tempo in- determinado, tão contrarias á índole e ás boas praticas do systema constitucional que nos rege.

annos.

xf J>

is

tQ

» atende a maioria da secção que o governo

de Vossa Magestade Impsríol não pode; á vilta das disposições citadas, resolver sobre o objecto da repre- sentação do Dr. juiz de orphãos e ausentes da segunda vara da corte.

Accresce, ainda, que semelhante creação, solicitada ue novo, n;.io se recommenda pela conveniência bem

— 57 —

demonstrada do serviço publico.'O numero de arreca- dações que faz annualmente o juizo de ausentes não é extraordinário, segundo se deprehende da própria re- presentação. O valor da maior parte dellas é muito

insignificante, e o seu resultado não poucas vezes ne-

gativo

nada tem cie complicado, e as justificações são da maior simplicidade. O rendimento do cartório de ausentes é diminuto, sendo certo que o respectivo escrKão, hg. cerca de dous annos, requereu ordenado, por não poder manter-se cornos proventos que tira do officio, assaz reduzido depois das convenções consulares. E ainda que estas venham a ser denunciadas, como já foi a celebrada com o governo portuguez, um escrivão hábil

e zeloso, com seus auxiliares, pôde satisfazer as

necessidades do serviço, independente de qualquer or- denado que a divisão do officio talvez tornasse indis- pensável .

Assim que, entende a maioria da secção que ac- tualmente não seria legal nem conveniente a creação decretada pelo governo de mais um officio de escrivão de ausentes no município neutro. Esteé o parecer da maioria da secção; Vossa Mages- tade Imperial, porém, decidirá comofôr mais acertado.

O processo, com a respectiva escripturação,

conselheiro de estado João Lins Vieira Cansansão

de Sinimbú opina do seguinte modo:

Crear ousupprimir empregos públicoséattribuicão que pertence á assembléa geral (art . 15, § 16,'da Constituição ): somente por delegação desta pôde o

governo usar dessa faculdade, mas sempre para o fim

e mediante as condições indicadas na lei.

O

autorização concedida

no art. 75 do regulamento que baixou com o decreto

n. 2433 de 15 de junho de 1859 deveria em rigor ca- ducar, logo que cessou de vigorar a lei n . 514 de 28 de outubro de 1848, que lhe deu origem.

por pratica abusiva foi essa delegação tarde e

irregularmente exercida, a repetição do acto seria hoje injustificável, á vista do art. 19 (disposição per- manente) da lei n. 2348 de 25 de agosto de 1873, que, restabelecendo a verdadeira doutrina constitucional, limitou a dous annos a duração das autorizações para a creação ou reforma de qualquer repartição' QU ser- viço publico, a contar da data da promulgação da lei que as decretou,

No caso de que se trata,

a

Si

— 58 —

Assim

é

que

me

acho

de perfeito

accôrdo com

o parecer do iIlustrado conselheiro

relator.

Sn Ia

das conferências da secção de justiça do con-

selho de estado, em 28 de outubro de 1885.— Visconde de Paranaguá.João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú.Luiz Antônio Vieira da Silva.

Ri-SOLUÇÃO

Como parece. Paço, em 7 de novembro de 1885.

Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador .

Joaquim

Delfino

Ribeiro da

Luz.

Consult a

d e

1 9

X

d e

outubr o

e Resoluçã o

d e

188S>

novembr o

d e

*5ft

fie

Declara que o cargo

re-

tribuído, comprehendido na disposição do art . da lei de 9 de janeii-o de 1881Í

de subdelegado

de

policia nao

é emprego publico

SENHOR — Mandou Vossa Magestade Imperial, por

8 deste mez, que as secções reunidas de

justiça e império do conselho de estado consultem com seu parecer, á vista do officio do desembargador chefe de policia da corte, que acompanhou o citado aviso, si podem ser propostos o nomeados subdele- gados de policia os cidadãos que exercem funcções de vereador e juiz de paz.

Pela legislação anterior á lei n. 2033 de 20 de se- tembro de 1871 era incompatível o exercício do lognr de subdelegado de policia com o cargo de vereador:

1.° Porque convinha que o juiz municipal, o de- legado e subdelegado de policia' estivessem inteira- mente desembaraçados para attendor com a devida pontualidade ao desempenho de suas obrigações; 2.° Porque tinham a attribuição de julgar as in-

das posturas em que é parte a câmara mu-

1845 e

aviso de

fracções

nicipal.— Decreto n . aviso de 26 de abril

429 de

9

de

agosto

do

de 1849. 2033 de 20 de setembro de 1871,

Depois da lei n.

o aviso circular de 29 de maio de 1873 declarou não

haver incompatibilidade no exercício dos cargos de

vereador e subdelegado de policia, á vista do art. 19,

4824 de 22 de novembro de

doutrina afirmad a pelos avisos n . 472 de 26 de

dezembro de 1873 e n . 454 de 24 de julho de 1878. Passou, pois, a incompatibilidade cie que tratava m

o decreto n . 429 de 9 de agosto de 1845 e aviso de

26 de abril de 1849 pela reforma judiciaria' de 1871, dos delegados e subdelegados de policia para os juizes de paz, avisos n . 472 de 26 de dezembro de 1873 e n . 640 de 29 de novembro de 1879, quando, pela le- gislação anterior podiam ser accumulados os «cargos de vereador e de juiz de paz, aviso n . 285 de 27 de setembro de 1870.'

parte I a , do decreto

1871,

n.

GO —

Não tendo sido revogado pela novíssima reforma

judiciaria o nrt . 26 do regulamento n . 120 de 31 de

janeiro de 1842, como declara o avis > n . de acosto de 1872, claro é que subsiste

art.°27 do citado regulamento; não havendo, pois, incompatibilidade na accumulação dos cargos de sub- delegado de policia e juiz cie paz .

lei n. 3029 de 9 de janeiro de 1881

285 de 28 também o

O art.

24 da

declarou, porém, incompatíveis as funcções de ve- reador e de juiz de paz com as de empregos pú- blicos retribuídos, disposição que faz suscitar a duvida si o cargo de subdelegado de policia é emprego publico retribuído e como tal incompatível com o de *

vereador e de juiz de paz.

Emprego publico retribuído é o que dá direito a ordenado, soldo ou congrua, comprehendidos na despeza votada annualmente no orçamento geral, pro- vincial ou municipal. Retribuídos são também os empregos orçados por lei, mas cuja remuneração é satisfeita pelas partes, como acontece em relação ás custas devidas por actos judiciários ou de jurisdicção voluntária marcadas no regulamento respectivo e em relação aos emolumentos consulares, sendo os cônsules empre- gados públicos retribuídos, ainda quando não tenham ordenado fixo. Ha, pois, diversas categorias de empregos pú- blicos retribuídos, civis, militares, ecclesiasticos e de justiça, eomprehendendo estes últimos os officios pro- priamente ditos que são de natureza vitalícia, e os empregos hoje amoviveis, como o de secretario da relação , pelo qual foi substituído o officio de guarda - mór* daquelle tribunal.

A todas estas cathegorias comprehende uma aptidão technica, vocação ou profissão habitual e única do indivíduo, como judieiosamente observa o illustrado director da 2 a secção.

O cargo gratuito não constitue emprego publico:

este traz em si a idéia de retribuição. Assim, o ci- dadão que exerce um cargo publico gratuito não pôde ser considerado empregado publico: é um servidor do Estado, que presta a este o serviço que delle exige na sua .qualidade de cidadão, seja o cargo electivo on de nomeação do governo. Si, porém, são profissionaes as funcções e como taes retribuídas, ellas constituem

,,,

— 61 —

propriamente o que o art . 24 da lei

neiro de 1881 designa por emprego publico retribuído. Não é empregado publico, portanto, quem não vive do emprego, quem não faz delle a occupaçâo constante de sua vida, quem não o exerce em proveito próprio, mas como encargo inherente á qualidade de cidadão. Como a s funcções de jurado , cie vereador e de juiz de paz, são as de delegado e subdelegado de policia ; nem aquelles,nem estes exercem emprego publico retribuído A consulta da secção do império do conselho de estado, de 28 de novembro de 1881, estabeleceu dou- trina verdadeira, equiparando os empregos públicos que dão direito a custas com os que têm vencimento pago pelos cofres públicos.

n. 3029 de 9 de ja-

Não se deve, pois, confundir na mesma cathe- goria de empregados públicos os cidadãos que exercem cargos honoríficos, isto é, gratuitos, para conside- rar-se taes cargos como empregos públicos e até re- tribuídos, porque ha custas devidas por alguns actos de jurisdicção, quando, si se contam custas aos de- legados, subdelegados de policia, os juizes de paz também as percebem, e ninguém dirá que elles exercem emprego publico retribuído.

As secções reunidas de justiça e do império do conselho de estado são de parecer que o cargo de sub- delegado de policia não é emprego publico retribuído, comprehendido na disposição do art. 24 da lei de 9 de janeiro de 1881. Vossa Magestade Imperial, porém, resolverá com

a costumada sabedoria o que fôr

Sala das conferências das secções reunidas de jus- tiça e império do conselho de estado, em 12 de outubro dê 1885.— Luiz Antônio Vieira da Silva.— João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú.Visconde de Para- naguá.José Bento da Cunha Figueiredo,Affonso Celso de Assis Figueiredo.Mar tini Francisco Ri- beiro de Andrada.

RESOLUÇÃO

mais

acertado.

Como parece.

Paço, em

28 de novembro de 1885.

Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador. •

Joaquim

Delflno

Ribeiro

da Luz.

Em virtude desta Resolução, expediu-se aviso em 3 de dezembro de 1885 ao chefe de policia da corte.

1886

XI

Consulta

da s

secçõe s

reunidas

 

d e

justiç a

e

im-

péri o

d e

d e

S O

d e

outubr o

d e

188£>

e

Resoluçã o

d e

«

fevereir o

ü e

1886

.

Sobre a interpretação

que se deve

dar

ao art.

12,

§

1°, do decreto

li.

3029

de 9 de janjiro

de 1881,

e

ao

art.

89, § I o ,

do decreto n.

8213 de

13 de

agosto do mesmo anno, nhecidos deputados.

em relação aos juizes de direito eleitos

e reco-

SENHOR — Mandou Vossa Magestade Imperial, por aviso de 22 de setembro ultimo, que as secções reunidas de justiça e império do conselho de estado consultassem com seu parecer sobre a interpretação que se deve

dar ao art. 12, § 1°, do decreto n. 3029 de 9 de janeiro de 1881 e art. 89, § 1°, do decreto n. 8213 de 13 de agosto do mesmo anno, tendo em vista os papeis

dito aviso e concernentes a juizes de direito

que, por haverem sido eleitos deputados á assembléa geral, foram considerados avulsos, e requereram depois seus ordenados desde a data em que terminou o man- dato legislativo, até que fossem restabelecidos na classe activa da magistratura.

juntos ao

Esses papeis são:

l.o Um requerimento do juiz de direito Geminiano Brazil de Oliveira Góes, datado de 24 de outubro do anno passado; 2.° Uma informação da secretaria da justiça, de 7 de novembro do mesmo anno;

3 o . Um projecto de aviso, que foi inutilizado, se-

de uma nota a lápis, também

junta; 4.° Finalmente, a cópia do aviso de 25 de fevereiro do corrente anno, que ordenou o pagamento requerido. O conselheiro de estado João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú, relator, prescinde da analyse de taes papeis, que nenhuma relevância têm para o projecto da con- sulta, embora tivesse valido para o caso especial que o governo resolveu com a expedição do referido aviso.

porém, que, para fixar a verdadeira in-

telligencia dos arts. 12 e 89 daquelles decretos, ê in-

guramente por

effeito

Entende,

— 66 —

dispensável remontar

respectivas disposições.

á

origem

A

lei n .

560 de 28 de junh o

donde

emanam

de

1850 dispõe:

as

«Art . 2.° Os juizes de direito removidos que, dentro de um mez' contado do conhecimento official da remoção, declararem que aceitam o novo logar, terão direito desde logo ao ordenado deste e a ajuda de custo que lhes couber. Art. 3.° Os que não declararem ou rejeitarem o novo logar, receberão durante os seis primeiros mezes metade do ordenado. Os que, tendo aceitado, não en- trarem no exercício effectivo dos novos logares dentro do prazo para isso marcado, restituirão quanto hou- verem recebido em virtude da declaração, salvo o caso de impossibilidade provada perante o governo, o qual poderá prorogar aquelle prazo, com tanto que não exceda á metade do primeiro; durante a prorogação do prazo o juiz de direito não perceberá vencimento

algum. Art. 5.° Os juizes de direito removidos, que re- jeitarem os novos logares, os que nada declararem

e os que, tendo aceitado, não entrarem em exercido

nos prazos marcados, serão considerados avulsos e não se lhes contará antigüidade do tempo em que assim estiverem fora do exercício.»

O decreto n 687 de 28 de julho do mesm o anno

define com toda a clareza a condição do juiz avulso,
dispondo:

25, § 3.° Desde que um juiz de direito fôr

«Art.

declarado avulso, sin comarca reputar-se-ha vaga,

e ainda quando novamente nomeado para a mesma

comarca, nem por isso adquire direito á ajuda de custo, ordenado e antigüidade, que tiver deixado de vencer.» Qual a innovação que a estas disposições trouxe a

iei de 9 de janeiro de 1881 ? Absolutamente nenhuma e, sendo seu' pensamento manifesto íncompatibilizar o exercício da magistratura com funcções legislativas,
estatuiu:

«Art. 12, §1.° Os juizes de direito ficarão avulsos durante o período da legislatura, e, findo este, voltarão para. as comarcas em que se achavam, si estiverem vagas, ou irão servir em outras equivalentes que o governo lhes designará.»

67 —

É a reproducçâo da doutrina estabelecida, ha 43 annos, no regulamento n. 1-20 de 31 de janeiro de 1842, o qual, tratando dos casos de exoneração dos chefes de policia, assim dispõe:

«Art. 23, § 2.° Neste caso, os que forem desembar- gadores regressarão para as relações, nas quaes se achavam em exercício, e os juizes para os logares de que haviam sido tirados ou para outros equivalentes.» Destes preceitos a conclusão lógica e naturai é que

o juiz de direito, qualquer que seja a sua posição an- terior ao acto de ser reconhecido deputado, fica por este facto avulso e neste caso lhe assiste somente o direito á comarca donde foi tirado ou a outra equiva- lente que o governo lhe designará. Continuar, findo

o mandato legislativo, a perceber ordenado do cargo'

sob o fundamento ou pretexto de que antes de ser eleito o percebia na qualidade de ex-chefe de policia sem comarca designada, é pratica tão abusiva, quanto

illegal é o procedimento do governo, que, sem designar ao chefe de policia exonerado sua comarca ou outra equivalente, nomeia novos juizes de direito, sobrecar- regando assim o Estado com os ônus de verdadeiros pensionistas. Primitivamente, os chefes de policia, quando exonerados a pedido ou por deliberação do go- verno, não recebiam ordenado algum : si eram desem- bargadores, voltavam logo para as relações donde tinham sahido, si juizes de direito, esperavam que uma comarca lhes fosse designada. Este regimen foi interrompido pela disposição do decreto n. 1296 de 16 de dezembro de 1853, tomado sobre resolução de consulta. Fundando-se na falta de disposição legal applicavel ao caso, o governo, não obstante o parecer unanime da secção, estabeleceu que

ao chefe de policia exonerado ou demittido compete

ordenado de juiz de direito até regressar para o logar

donde tinha sido tirado ou ir para outro equivalente ».

o

A circumstancia de ser obrigatória a aceitação do cargo e dever pertencer o nomeado á classe da magis- tratura que, pela constituição, goza da vantagem de perpetüidade, parece que até certo ponto justificava a medida;e é Certo que esta continua em vigor, não obstante a nova reforma judiciaria, a qual deu ao go- verno o direito de nomear para esse cargo pessoas es- tranhas á magistratura e declarou livre a sua acei- tação.

«

— 68 —

Os abusos provenientes de semelhante medida não se fizeram esperar : pouco a pouco foram os juizes de direito a quem o governo dispensava das funcções po- liciaes sem lhes designar novas comarcas, engrossando o quadro da magistratura, e, o que é mais, onerando com despezas não votadas os encargos do orçamento. Este* abusos se reproduziram em tal escala, que para lhes pôr um termo, o legislador inseriu na lei n. 1764 de 28 de junho de 1870 a seguinte disposição :

«Art. 17. O governo não fará novas nomeações para comarcas, emquanto existirem juizes de direito disponíveis da mesma entrancia vencendo ordenado.» Ha razão para se acreditar que este correctivo não

foi efficaz, porque nove anno s depois a lei n . 2940 de 31 de outubro de 1879 estabeleceu:

n .

rará desde já.» Os meamos conselheiros de estado não trataram de examinar si com esta nova providencia logrou-se o fim desejado e, limitando-se a chama r sobr e o as- sumpt o a esclarecida attençã o cio govern o imperial , formulam as seguintes conclusões, como resultado de. seu parecer :

l.a Ao chefe de policio tirado da classe dos juizes de direito compete, quando exonerado das funcções po- liciaes, a pedido ou pjr deliberação do governo, o or- denado de juiz de direito até regressar para o logar de

qu e foi tirado , ou par a outr o equivalente . (Decret o

n. 1296 de 16 de dezembro

2. a Ao juiz de direito que fôr exonerado das funcções policiaes deve o governo conceder de novo a comarca de onde foi tirado, si estiver vaga . ou designar outr a equivalente. ( Regulamento n . 120 de 31 de janeiro de

« Art. 3 o , § 2.° A disp >sição do art. 17 da lei

28 de junh o de 1870 é permanent e e vigo -

176 í de

de 1853.)

1842.)

Ficam avulsos os juizes de direito eleitos de-

putados durante o período da legislatura e, findo este, voltam para as comarcas em que se achavam, si esti- cerem vagas, ou irão servir em outras equivalentes que

o governo lhes designará. (Lei n. 3029 de 9 de janeiro de 1881 e decreto de 13 de agosto do mesmo anno.)

3. a

considerado

avulso, sua comarca reputar-se-ha vaga, e, ainda que seja novamente nomeado para a mesma comarca, nem por isso adquiro direito á ajuda de custo, ordenado c

4. il Desde que um juiz

de direito fôr

— 69 —

antigüidade que tiver deixado de vencer. ( Decreto n . 687 de 26 de junho de 1850.)

O governo não deve fazer novas nomeações

para as comarcas emquanto existirem juizes de direito disponíveis na mesma entrancia, vencendo ordenado. (Leis n. 1764 de 28 de junho de 1870 e n. 2940 de 31 de outubro de 18 9. ) Este é, Senhor, o meu parecer. Com o conselheiro relator concordam os conse- lheiros Affonso Celso de Assis Figueiredo e Martim Francisco Ribeiro de Andrada.

5.

a

VOTO

DIVERGENTE

O conselheiro Visconde de Paranaguá sente não

poder conformar-se com a interpretação que o illusfrado relator pretende que se deva dar ao art. 12, § I o , do de-

creto n. 30^9 de 9 de janeiro de 1881 e o art. 89, § I o , do decreto n; 8213 de Io de agosto do mesmo anno, com relação aos effeitos da disponibilidade dos juizes de direito declarados avulsos, por terem sido eleitos e re- conhecidos deputados, findo o período da legislatura.

pensamento das disposiçõi s citadas foi, segura-

mente, incompatibilisar pela maneira que nellas se contém o exercício das funcções legislativas com as de outros cargos retribuídos.

As conveniências do serviço publico, a boa admi- nistração da justiça e a melhor composição do par- lamento exigiram aquella providencia, visto se repu- tarem offensivas da constituição as incompatibilidades absolutas. Mas semelhantes disposições devem ser por sua

natureza

entendidas restrictamente. O funccionario de

qualquer classe, aceitando o logar de deputado, deixa o emprego ou cargo publico remunerado, não pôde perceber vencimentos ou outras vantagens que delle provenham, nem contar antigüidade para aposentação ou jubilação, obter remoção ou accesso, salvo o que lhe competir por antigüidade, mas tudo isso somente durante o período da legislatura. Finda a legislatura, restabeleceu-se para o func- cionario publico o estado anterior, quanto ao exer- cício, vencimentos e outras vantagens inherentes ao- cargo.

O

70 —

Desta regra não podiam ser excluídos os juizes que a constituição declara perpétuos,, garantindo os seus logares, os quaes PÓ por sentença podem perder. (Arts . 153 e 155 da constituição. ) O S 1° do art . 12, bem como o § I o do art. 89

dos decretos citados dispõem que os juizes de direito, re-onhecidos deputados, ficam avulsos durante o pe- ríodo da legislatura, e que, linda esta, voltarão para

os comarcas em que se achavam, si estiverem vagas,

ou irão servir em comarcas equivalentes, que o go- verno lhes designará. A obrigação do governo a este respeito não pode ser mais positiva e mais claro o direito do juiz. Prival-o do seu direito ou sujeital-o a outras, re-

strieções, além de iniquo, seria offensivo do principio

de

Antes da reforma eleitoral, o juiz, como qualquer outro funccionario eleito deputado, só deixava de re- ceber os seus ordenados emquanto se achava com as- sento na câmara ; logo que a sessão se encerrava, tinha direito a elles até que assumisse o exercício no intervallo das sessões. Este exercício hoje e as vantagens inherentes ao cargo, a lei não permiüe durante todo o período da legislatura.

peVpetuidade constitucional que a lei quiz respeitar.

Ha, pois, uma condição de tempo bem

definida:

finda a legislatura, a interrupção cessa e prevalece

a promessa legal

se considera perpetuo, emquanto o mesmo magistrado não o renuncia ou perde, em virtude de sentença. Oro, si o illustrado relator reconhece que â dis- posição questionada do art . 12, § I o , e art. 89, § I o , dos citados decretos é a reproducção da doutrina estabele- cida, ha 43 annos, no regulamento n . 120 de 31 de ja- neiro de 1812, o qual, tratando dos casos de exoneração dos chefes de policia, no art. 23, § 2°, consagra o direito doquelles magistrados, quando dispõe que os desembargadores regressarão para as relações, nas quaes se achavam em exercício e os juizes para os logares de que haviam sido tirados, si estiverem vagos, ou para outros equivalentes, a conseqüência lógica e natural é que a intelligencia da disposição reproduzida não pôde ser diversa da intelligencia, já firmada, da primitiva disposição.

O de reto n. 1298 de 16 de dezembro de 1853, to- rnado sobre resolução de consulta, resolveu a duvida

em favor do "magistrado, cujo cargo

— 71 —

com relação ao juiz de direito exonerado ou demittido de chefe* de policio, declarando que lhe compete o ordenado de juiz de direito até regressar para o logar donde tinha sido tirado, óu ir para outro equivalente.

O art . 17 da

lei n. 1764 de 28 de junh o cie 1870, que o

art. 3° da lei n. 2940 de 31 de outubro de 1879 tornou permanente, confirma esta intelligencia, prohibindo que se façam novas nomeações de juizes de direito, em- quanto existirem avulsos com ordenado. •

Esta cláusula é que motiva e assegura a prefe- rencia dos juizes disponíveis.

E, pois, si aquelles, de quem se trata, não vencerem

ordenado, a providencia legal torna-seinefficaz para elles.

Mas, como ha a mesma razão e a mesma dispo- sição de direito, segue-se que estes juizes não podem deixar de ser equiparados, quanto á percepção de or- denado-;, aquelles a quem o governo tem "obrigação de designar comarcas.

28 de

junho e 26 de julho de 18"J0, relativamente a juizes removidos de lins para outros logares e que são de- clarados avulsos, em conseqüência de um facto próprio, não é applicavel ao caso vertente. Taes disposições referem-se a hypotheses muito diversas, e por Isso mesmo que não foram innovadas pela lei de 9 de ja- neiro de 1881, não podem ser invocadas para resolver a questão.

A condição do juiz declarado avulso, nos termos

do art. 25, § 3

1850, por não ter aceitado o logar ou por não haver declarado em tempo si aceitava ou não, ou porque, tendo declarado que aceitava, deixou passar o prazo marcado , é muit o divers a d a posição cio jui z eleito deputado e que, por esse motivo especial, é declarado avulso durante o período da legislatura. A lei, pri- vando do exercício ao juiz, garante-lhe o direito, visto não haver, da sua parte, um facto próprio que im- porte abandono ou renuncia do cargo publico per- petuo que exercia, e até porque o mandato legislativo prefere a qualquer outro serviço.

, do decreto n . 687 de 26 de junho de

O disposto nos

decretos

ns .

560

e

687 de

o

Este é o meu voto. Vossa Magestade Imperial resolverá, porém, em sua alta sabedoria, o que fôr mais acertado. Com o parecer do conselheiro visconde de Para- naguá concordam os conselheiros de estado senadores

72 —

Luiz Antônio Vieira da Silva e José Bento da Cunha Figueiredo. Sala das conferências das secções reunidas de jus- tiça e império do conselho de estado, em 20 de outubro de 18S5.— João LinsVieira Cansansão de Sinimbú.— Visconde de Paranaguá.— Luiz Antônio Vieira da Silva.—José Bento da Cunha Figueiredo.— Affonso Celso de Assis Figueiredo.— Martim Francisco Ri- beiro de Andrada.

RESOLUÇÃO

aos conselheiros

Celso e Martim Francisco. Paço de S. Christovâo, em 6 de fevereiro de 1886. Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador .

Como parece

Sinimbú,

Affonso

Joaquim

Delfino

Ribeiro da

Luz.

Em virtude desta Resolução, foram expedidos os avisos de 12 de fevereiro de 1886 ao presidente do su- premo tribunal de justiça e ao thesouro nacional.

Consulta d e

25 o

XII

Resoluçã o d e

d e

188 G

iíi

de

fevereir o

Sobre permuta de officios de justiça.

SENHOR — Por aviso de 7 de janeiro ultimo mandou Vossa Magestade Imperial que a secção de justiça do conselho de estado consulte com seu "parecer sobre os papeis que acompanharam o referido aviso, relativos ao pedido de permuta entre si que fazem Luiz Francisco de Souza, 4« tabellião do publico, judicial e notas e es- crivão de orphãos da provedoria de capellas e resíduos e das execuções eiveis do termo da capital da provín- cia do Rio de Janeiro, e João Felinto Tourinho de Oli- veira, 2° escrivão de orphãos e ausentes e da prove- doria de capellas e resíduos do termo de Campinas, na província de S. Paulo. Os papeis, de que faz menção o referido aviso, são:

Uma petição datada de 18 da setembro do anno passado, acompanhada dos seguintes documentos:

licença concedida pelo governo imperial a cada um dos peticionarios por um anno, para tratar' de sua saúde, sendo uma dessas licenças datada de 7 de no- vembro e a outra de 29 de dezembro, ambas do anno de 1884; dous attestados de médicos, declarando que os peticionarios soffrem de moléstias, que se aggravam com as condições sanitárias do logar onde residem e de duas certidões passadas pelas collectorias de Cam- pinas e de Nitheroy, declarando cada uma o valor da lotação do respectivo cartório, sendo que o de Cam- pinas é de 3:500$ e o de Nitheroy é de 4:000$000. A outra petição é datada de 24 de outubro e está acompanhada dos seguintes documentos: dous attes- tados passados pelos juizes de direito das comarcas em que se acham empregados os peticionarios, declarando cada um, acerca do serventuário de sua respectiva comarca, que não acham inconveniência na permuta ([iie solicitam. Além desses attestados, acha-se a segunda petição acompanhad a também c.e uma certidão da collectoria de Nitheroy, declarando que o valor da lotação do officio

74 —

daquelle termo, por effeito de nova avaliação, desceu

a 3:500$, isto é, valor igual á lotação do cartório de

Campinas. Ambas essas petições, assim instruídas e documen- tadas, foram pelo ministério do justiça indeferidas, a primeira, em setembro e a segundo, por despacho de 2b •

de outubro, tudo do anno Não se conformando com essa decisão, os peticio- narios, dous dias depois do ultimo despacho, de novo se dirigiram ao governo, insistindo pela permuta. Desta ultima vez não apresentaram documento novo, apenas um memorial. S >bre esta terceira petição foi novamente ouvida a secretaria da justiça, que informou nos termos se- guintes:

« Tourinho de Oliveira e Souza continuam a insistir

permuta. Allegam que a diversidade dos officios não é mo- tivo que possa impedira permuta requerida, porque Tourinho tem exame de suffieieneia para todo e qual- quer officio de justiça, e já houve um precedente em contrario. E, finalmente, si o governo entender que estas ra- zões não são procedentes, Luiz Francisco de Souza desiste dos officios de tabellião de notas e escrivão do eivei e crime, para que as serventias de ambos fiquem da mesma natureza, isto é, de escrivães de orphãos e ausentes e da provedoria de capellas e resíduos, e assim possam permutar os seus officios. Tourinho tem exame de suffieieneia para exercer

qualquer officio de justiça, mas a disposição do art . 301

muito restricta, pois não trata de exames, mas sim

ê

de serventias da mesma natureza, e, por isso, não pôde ser ampliada como desejam os supplicantes, porque então as permutas de officios, os mais diversos, tor- na r-se-hâo admissíveis, desde que os respectivos ser- ventuários tiverem os exames necessários. E tanto os supplicantes reconhecem que a inter- pretação que se tem dado ao referido artigo é a verda- deira, que Luiz Francisco de Souza declara que, si for preciso, para obter a permuta, desistir do officio de ta- bellião do publico, judicial e notas, não duvidará fa- zel-o, esquecendo-se, porém:

1.° De que não é permittido desistir de parte dos officios, porque semelhante desistência importaria

na

— 75 — •

numa verdadeira desannexação, que só pôde ser de-

cretada pela assembléa geral"legislativa e pelas assem- bléas provinciaes;

Que quando se pudesse aceitar a desistência,

2. 6

a permuta ainda não poderia ser concedida, porque

reappareceria então a differença das lotações, pois os rendimentos da escrivania de orphãos e da provedoria de capellas e resíduos diminuíram com a separação do tabellionato.

A respeito dos officios em questão, a primeira con-

dição está provada, porque o rendimento é o mesmo,

e a segunda, si não está rigorosamente de accordo còm

a disposição do art . 301 do decreto citado, pôde ser dis- pensada, visto que um dos permutantes, a cuja serventia não estão annexas as funcções acerescidas no do outro officio, quando concorreu ao logar que hoje serve, ha-

bilitou-se para qualquer officio de justiça. S. Ex. resol- verá. Segunda secção, 10 de novembro de 1885.— José

da Costa

Carvalho.»

«De accôrdo. —Albuquerque Barros.» Duas eram as objecçõas que em sua informação an- terior a secretaria da justiça oppaz á pretenção dos peticionarios, ambas fundadas nas claríssimas dispo- sições do decreto n. 9420 de 28 de abril do anno passado, que assim se exprime sobre a matéria :

« Art. 301. E' permittida a permuta dos officios de

justiça quando as serventias forem da mesma natureza

e tiverem igual rendimento. »

E no art .

303 acçrescenta :

« A permuta será requerida pelos serventuários per-

ante os presidentes das províncias que submetterão os requerimentos á decisão do governo, acompanhados das informações. » Esta disposição não é nova ; ella é a reproducção da mesma que o cleereto n. 4683 de 27 de janeiro dê 1871 tinha já estabelecido. Antes de entrar no exame da matéria, a secção não pôde deixar sem reparo o modo como procederam naste negocio os peticionarios que, desviando-se da marcha prescripta, dirigiram-se directamente ao governo.

Não convém que se firme este precedente,

tanto

por

ser

offensivo

da

autoridade presidencial,

como

76 —

porque assim priva-se o governo de uma fonte de úteis informações para resolver com Entrando no assumpto, vê-se que das duas objecçoes «iue contrariavam a pretenção dos peticionarios, uma desappareceu com a nova lotação do cartório de Ni- theroy, que, ficando reduzido a 3:500$, fica equivalente ao de Campinas. Subsiste, porém, a outra e essa ê a

capital.

_ Para demonstrar que a permuta nao se efiectua sobre serventias da mesma natureza, bastaria confron- tal-as. A de Campinas contém os seguintes serviços:

Escrivão de orphãos e ausentes, provedoria de capellas e resíduos, a de Nitheroy também escrivão de orphãos, provedoria de capellas e resíduos, mas não de ausentes ; e tem de mais do que a outra tabelhão do judicial e notas, e escrivão das execuções eiveis. A desigualdade é manifesta, os próprios peticiona- rios a reconhecem, eé , movidos pela convicção desta

verdade, que suggerem um expediente, que aproveitaria, si fosse razoável.

cedo os annexos que tenho de mais ,

«.

* „

,

Diz um: eu

para receber da serventia de Campinas os poucos que ella tem. Diz por sua parte o serventuário de Campinas:

achando-me habilitado com exame de suffieieneia para todos os officios, aceitarei da serventia de Nitheroy não só os officios iguaes aos que tenho, como além desses, os outros que têm a serventia de Nitheroy. No jogo destas combinações, não attendem os peti- cionarios para uma circumstancia importante, e é que, si no provimento dos officios éda competência do go- verno a escolha do funccionario, na distribuição dos serviços, o direito de annexar e desannexar os officios pertence ás assembléas provinciaes. São ellas que, mais bem informadas e melhor conhecedores .das necessi- dades locaes, aggregam esses officios, segundo a com- patibilidade do exercício e igualdade de rendimentos, de modo eme cada grupo constitue uma serventia .

E' claro, portanto, que a permuta, não assentando em serventia da mesma natureza, como exige o decreto, não pôde ser feita. Alem de ser um acto attentatorio do direito das assembléas provinciaes, seria também uma causa per- turbadora da administração da justiça. Senhor. A secção reconhece que ha casos em que a permuta de officios de justiça pôde ser bem cabida,

11

tendo-se em attenção as circumstancias especiaes dos respectivos serventuários, sobretudo quando se invocam motivos de saúde, como allegam os peticionarios. Mas, por mais fortes e ponderosas que sejam as razões que a isso aconselham, ha uma que é superior a todas e é a causa da boa e regular administração da

justiça e a fiel observância dos preceitos

legaes.

E' este, Senhor, o parecer da maioria da secção ;

Vossa Magestade Imperial mandará, porém, como mais

justo e acertado

fôr.

0 conselheiro de estado Luiz Antônio Vieira da Silva diverge da maioria da secção, no seguinte ponto:

Si as assembléas provinciaes continuam ria posse de annexar e desannexar officios de justiça até que a assembléa geral legislativa fixe a verdadeira intelligen- cia, comtudo, tem-se entendido que o governo não está inhibido de conceder ao serventuário que accumula a outro o officio de tabellião do judicial, licença para re- nunciar a este, como tem feito.

Aceita pelo governo a renuncia e dispensado o ser-

ventuário, não fica, como regra, a desannexação, por-

quanto neste

servem os escrivães com-

panheiros, como nos impedimentos temporários.

Sou, portanto, de parecer que pôde o governo con-

ceder licença para a

e consentir na permuta

renuncia do officio de tabellião do

para o cartório renunciado,

caso o governo não nomeia serventuário

judicial, como lhe foi pedida,

requerida. Sala das conferências da secção de justiça do con-

selho de estado, em 3 de fevereiro de 1886.— João Lins Vieira Cansansão de Simmbú. Visconde de Para-

naguá.

Luiz Antônio

Vieira

da

Silva.

RESOLUÇÃO

Como parece á maioria. Rió, paço de S. Christovão, 13 de fevereiro de 1886. Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador.

Joaquim

Del fino Ribeiro

da

Luz.

Consult a

d o

8 «

e

XIII

Itesoluçã o

d e

ISS O

d e

ífcí» d e

març o

Sobre a aposentadoria de juiz de direito avulso.

SENHOR —Por aviso de 2-deste mez, expedido pelo ministério da justiça, foi Vossa Magestade Imperial servido ordenar que a secção de justiça do conselho de estado consulte com seu" parecer, á vista dos papeis que com aquelle aviso lhe foram remettidos, sobre a aposentadoria do juiz de direito Emiliano Fagundes Varella, convindo que a mesma secção tenha muito em vista contar o peticionario apenas um anno, seis mezes e 27 dias como juiz de direito, sendo o resto do seu tempo de serviço na qualidade de juiz municipal e de orphãos; terem decorrido mais de 29 annos da época em que ficou avulso, por não entrar em exer- cício, durante o prazo legal, na comarca de Paranaguá, para que fora removido em 1856, da de Catalão, na província de Goyaz; haver o peticionario allegado moléstia em 22 de maio de 1882, data do seu primeira requerimento, depois de tão iongo período de inacti- vidade, e, finalmente, continuar elle nessa inactivi- dade sem vencimento, sem que o governo lhe tenha designado comarca, nem seja a isso necessariamente

obrigado. A secretaria informa e opina do seguinte modo:

« Segundo o art. 29, § 10, da lei n. 2033 de 20 de setembro de 1871 os juizes de direito, physica ou mo- ralmente impossibilitados, serão aposentados a seu pedido, ou por iniciativa do governo, com todo o or- denado, si contarem 30 annos de serviço effectivo, e com o ordenado proporcionado, si tiverem mais de 10. O supplicante acha-se na segunda hypothese, por contar mais de 10 annos, sendo nove annos, cinco mezes e sete dias, como juiz municipal, e um anno, seis mezes e 27 dias, como juiz de direito.

Prova com documento ser

maior

de

60 annos

e'

estar soffrendo de cataracta incompleta nos dous olhos.

-

80

-

2a secção, 4 de agosto de 1883— José da Costa

Carvalho.» As duvidas que suscita a aposentadoria deste juiz

de

l.a Pôde o juiz de direito Emüiano Fagundes Va- rella, que apenas conta um anno, seis mezes e 27

dias de exercício neste logar, ser aposentado, provada

a sua incapacidade

direito

são estas :

physicaf

.

Deve-se contar para a sua aposentadoria o

tempo de serviço de juiz municipal e de orphãos! 3.» Tendo decorrid o mai s de 29 anno s d a época em que ficou avulso, por não entrar em exercício durante, o prazo legal, na comarca para que foi re - movido, pôde gozar do favor da aposentadoria, depois de tão longo período de inactividade, na qual tem continuado sem vencimento e sem que o governo lhe tenha designado comarca, nem seja a isso necessa- riamente obrigado?

PRIMEIRA DUVIDA—O § 10, do art. 29 da lei n. 2033 de 20 de setembro de 1871 exprime-se nestes termos:

« Os juizes de direito, desembargadores e mi- nistros do supremo tribunal de justiça, que se acharem physica ou moralmente impossibilitados, serão apo- sentados a seu pedido ou por iniciativa do governo, com o ordenado por inteiro, si contarem 30 annos de serviço effectivo, e com o ordenado proporcionado,, si tiverem mais de 10. »

2.

a

A phrase — serviço effectivo —empregada pelo le-

gislador, significo — serviço real em logares da ma- gistratura. Não se pôde," portanto, entender que o legislador se refira tão somente a uma ou mais ca- thegorias na ordem híerarchica, porque, semelhante interpretação levaria ao absurdo de se poder entender por serviço effectivo o serviço prestado na classe em que o magistrado é aposentado, considerando-se ser-

viço effectivo tão somente o exercício no logar de juiz de direito ou no de desembargador, não contando o tempo de juiz de direito, ou, finalmente, no de mi- nistro do supremo tribunal de justiça, não contando

o tempo

Esta não foi certamente a mente do legislador, devendo-se entender por serviço effectivo todos os ser- viços da magistratura nos logares exercidos pelo ma- gistrado nesta qualidade.

que serviu como desembargador.

— 81

-

SEGUNDA DUVIDA—Não se pôde deixar'de contar para a aposentadoria do magistrado os serviços pre- stados na qualidade de juiz municipal e de orphãos ou promotor publico, tanto mais que os magistrados são excluídos do favor que gozam todos os outros funccionarios públicos que, para a aposentadoria ou jubilaçâo, contam o serviço prestado em outras repar- tições, até mesmo o tempo de serviço como praça de pret, si já não tiver sido incluído na reforma. • Cumpre não perder de vista a^differença que existe entre o tempo que se conta para a aposentadoria do magistrado eo que é contado para a sua antigüidade. Aquelle abrange todos os serviços da magistratura, este comprehende tão somente o tempo que tiver ser- vido na respectiva classe, resultando disto que o magistrado mais antigo do Império pôde ser o des- embargador mais moderno, não contando, para ser promovido ao supremo tribunal, o tempo de serviço, ainda mesmo effectivo, nos logares que exerceu "de cathegoria inferior aquelle de que cabe accesso para

o Supremo Tribunal de Justiça. Ninguém pôde ser nomeado juiz

que tenha servido pelo menos quatro annos como juiz substituto, municipal ou promotor publico.

Si entre elles não é a antigüidade que regula o

de direito sem

accesso, isto não muda a natureza dos serviços, ainda quando taes logares .sejam uma creação da lei e não

da

a outros mais modernos, que assim se adiantam na

carreira, devem ter, pelo menos, esta compensação, de se lhes contar para aposentadoria o tempo que serviram os cargos que por lei habilitam para os accessos. TERCEIRA DUVIDA— A inactividade do juiz de direito Emiliano Fagundes Varella proveio da impossibilidade de entrar em exercicio na comarca para que foi re - movido, dentro do prazo legal, e de não lhe ter o go- verno designado outra por não ser necessariamente obrigado a isto por lei. Entretanto, nem por isto o juiz de direito deixa de ser vitalicio e deste logar só por sentença, em juizo competente, pôde ser privado. Assim, a inactividade, em relação a um empregado vitalicio, não faz caducar direitos adquiridos e não re- nunciados expressamente, nem os serviços prestados

constituição. As preterições que sofffem pela preferencia dada

antes de ser posto em inactividade dão-lhe direito a aposentadoria por impossibilidade physica ou moral. Pôde o Governo deixar de designar comarca ao iuiz de direito avulso, prival-o do seu vencimento, mas o eme elle não perde é a vitaliciedade garantida pela Constituição do Império, e esta vitaliciedade dá-lhe di-

reito a ser aposentado,'si tiver o tempo exigido em lei, com o ordenado que lhe competir.

relator, conselheiro Luiz Antônio Vieira da Silva,

é de parecer que o juiz de direito Emiliano Fagundes

Varella está no caso de ser aposentado, conforme re- querem nos termos do § 10 do art. 29 da lei n. 2033. de 20 de setembro de 1871, por contar mais de 10 annos de serviço effectivo de magistratura.

VOTO EM SEPARADO — Sinto não poder concordar com a opinião do iliustrado relator ; e desta minha discordância darei os motivos.

O

a disposição do § 10 do art. 29

da lei n. 2033 de 2) de setembro de 1871, não pôde ser invocada ém favor da pretenção do bacharel Emiliano Fagundes Varella.

Essa disposição legislativa teve especialmente por intuito—preencher uma lacuna, cujos effeitos eram sensíveis no curso de administração de justiça.

Si um magistrado, por demasiadamente" idoso ou

doente, se impossibilitava para bem desempenhar as

funcções do seu cargo, ficava sendo um estorvo ao bom

e regular andamento dos negócios da justiça, sem' haver meio legal para removei-o.

Em meu conceito

O juiz, receioso de perder parte de seus venci-

mentos, justamente em oceasião em que delles mais carecia, não pedia aposentadoria e o Governo, para quem nesses casos todos appellam, não lh'a podia dar forçada, sinão expondo-se a graves censuras. Foi tendo em consideração esses inconvenientes que

o legislador de 1871, na reforma judiciaria desse anno,

tratou de remediar esse inconveniente, introduzindo, no §10 do art. 29 da lei cilada, a seguinte disposição:

desembargadores e minis-

tros do Supremo Tribunal de Justiça que se acharem physica ou moralmente impossibilitados, serão apo- sentados a seu pedido ou por iniciativa do Governo, com o ordenado por inteiro, si contarem 30 annos de serviço effectivo, e com ordenado proporciona!, si ti- verem mais de 10 annos.»

« Os juizes de direito,

— 83 —

Cumpre ter bem presentes esses dous princípios,

#

Terá por si o bacharel Emiliano

que para os magistrados são as bases do direito para aposentação, effectividade de serviço e termo nunca

inferior â 10 annos.

Fagundes Varella essas duas condições da lei ? E' o que vamos agora examinar, mas antes desse exame começarei por declarar que, tratando-se de co- nhecer a verdadeira intelligencia de uma lei, eu não me julgo autorizado a penetrar no espirito do legis- lador, sinã o tomando por guia os elementos que elW deixa á disposição de minha própria intelligencia e do meu critério.

Perguntarei, portanto, qual é a classe de funccio- narios, cujos serviços e cujas condições a lei. de 20 de setembro de 1871 se propoz regular e attender? Ella mesma é quem responde, são os juizes de direito, desembargadores e ministros do Supremo Tri- bunal de Justiça. De que natureza são os serviços a que se refere essa mesma lei e nos quaes Imprimiu tal cunho de valor, que, desde que attingem certo numero de annos, dão direito a vantagens perpétuas

ás

Agora é a lógica quem responde, são aquelles ftinc- cionarios que a Constituição declarou perpétuos. Sendo assim, é para mim ponto inconcusso que, quando se trata de aposentadoria, nenhum outro serviço pôde ser contado para autorizar vantagens pe- cuniárias ao aposentado, sinão o que fôr effectiva- mente prestado pelo juiz perpetuo, durante o espaço, pelo menos, de 10 annos. Não será com o meu voto que intelligencia diversa se dará ao § 10 do art. 29 da lei de 20 de setembro de 1871.

Sei que ha precedentes em contrario; mas, sem propósito de justifical-os, direi que, si foram tole- rados esses precedentes quando na carência de legis-

lação^ o Governo, forçado pela lei da necessidade, teve

usar de livre arbítrio na apreciação desses serviços,

sua repetição hoje, em face de uma lei que regula

a meteria, não poderia deixar de ser considerada

sinão como abuso digno de severa censura. Diante desses princípios, como pôde ter cabimento a pretenção do bacharel Emiliano Fagundes Varella, que, depois de achar-se por 29 annos na classe de juiz avulso, vem agora requerer aposentadoria, ex- hibindo certidão da secretaria do Supremo Tribunal

pessoas que os prestaram?

de

— 84

de Justiça, que apenas lhe conta de serviço effectivo de juiz de direito 1 anno, 6 mezes e 27 dias!

verdade que ailega ter prestado serviços de juiz

E'

municipal e de orphãos no termo de S. João do Príncipe, mas, dos documentos que offerece, apenas um prova que exerceu essas funcções de 14 de fevereiro de 1839 até 1 de julho de 1840, ainda no domínio da legislação do código do processo, quando aquelles juizes eram escolhidos dentre os propostos pela Câmara

Municipal. Das nomeações posteriores á reforma de 3 de de- zembro de 1841, os documentos só constam de títulos de nomeação e certidão de juramento e posse, mas não de exercício. Mas todos esses serviços, ainda que estivessem provados, não podem aproveitar á pretenção do ba- charel Varella, porque são meras provas de habilitação para se aspirar á cathegoria de juiz perpetuo, delles não cogitou alei de aposentadoria.

E' notável o empenho com que se tem procurado

mostrar analogia entre o caso de que agora se trata e a aposentadoria concedida ao bacharel João de Souza Nunes Lima.

O engano é manifesto. No ultimo destes juizes, o

Supremo Tribunal de Justiça contou 12 annos, 1 mez e 40 dias de serviço nas comarcas do Pomba e Para- hybuna, isto é, desde 1852 até 1864. Quando, nesse ul- timo anno, foi esse juiz removido para a comarca de Angra dos Reis, foi por enfermo, como provou até com officio da Presidência de Minas, que deixou de seguir para o logar da remoção; e só quando, inde- ferida a petição em que requereu prorogação de prazo para se transportar a seu novo destino, é que foi- declarado avulso.

Ainda que mais tarde do que devera ser, sete annos depois liquidou sua posição perante o Governo, requerendo, por doente, aposentadoria, e esta lhe foi concedida. Todos esses actos se passaram anteriormente á lei que hoje regula a matéria. Para comparal-o bastará confrontar a data.

de

base a essa aposentadoria é de junho, o decreto de aposentadoria de 19 de julho e a lei que regula n aposentação de 20 de setembro de 1871.

A consulta

da

Secção

de Justiça

que serviu

— 85 —

Onde está o ponto de analogia entre os dous casos ?

O bacharel Emiliano Fagundes Varella, além de

o facto de que, sendo removido de uma comarca

não ter sinão pouco mais da décima parte do minimo

de serviço effectivo que a lei exige, tem de mais contra

si

remota em província central para outra de fácil ac-

cesso em província maritima, sem motivo justificado, deixou de acceital-a, o que eqüivale a uma renuncia,

e é depois de 29 annos de silencio, quando ameaçado»

de enfermidade que o inhabilita para qualquer pro- fissão de vida, que elle volta-se para o Estado e vém pedir-lhe aposentadoria !

A moléstia e a idade são. com effeito, causas que

justificam aposentadoria do funccionario publico, mas para 4sto é necessário que a ultima tenha sido con- sumida no serviço do Estado e que a primeira tenha sido contrahida por effeito do labor, ou pelo menos adquirida no exercício das funcções publicas.

Até nesse ponto carece de fundamento a pretenção do bacharel de que se trata. Vejo que nos negócios concernentes á magistra-

tura liga-se grande importância, sinão exageração,

perpetuidade do juiz. Sou também dos que rendem

homenagem ao principio; porém, maior é o respeito que .consagro ao bem publico, representado pelo Es- tado, por ser a base a que esse principio se prende.

Pelo espirito de nossas instituições desappare« cerão os benefícios pessoaes.

condição de perpetuidade conferida ao juiz é

uma garantia para o livre exercício das attribuições que lhe são próprias, mas não um privilegio para isental-o da acção e fiscalização do Estado. Quando, deste o juiz aceita o mandato, em compensação das vantagens que recebe, hypotheca, por assim dizer, toda sua actividade ao serviço publico.

Não lhe é licito recusar o serviço sem renunciar

o mandato.

A um juiz de direito que não acceita á comarca

para que é legalmente removido, sem provar perante

o Governo e convencel-o de que estes motivos o im-

pedem de prestar seus serviços nesse logar e nessa occasião, deve ser lançado na classe de avulso, sem outro direito mais que o de sua habilitação para pro- seguir na carreira, quando as conveniências do Es- tado a elle novamente o chamassem.

á

A

— 86 —

Foi nessa situação que se .collocou o bacharel

Emiliano Fagundes Varella. Recusando a comarca de Paranaguá, na província dó Paraná , par a onde foi removido, e posto em dis- ponibilidade na classe dos avulsos, nunca mais so- licitou entrar na carreira. Como e com que direito, depois de 29 annos de inactividade, vem pedir apo- sentadoria ? Deploro a sua situação; mas, como conselheiro de estado, não posso autorizar com meu voto esta pretenção. Este é meu parecer. Com o parecer de S. Ex. o Sr. conselheiro Sinimbú, está de accôrdo S. Ex. o Sr. conselheiro Visconde

de

Vossa Magestade Imperial, em vista do exposto, mandará o que achar mais justo.

Sala das — Luiz Antônio

Vieira

Paranaguá.

conferências, em 16 de março

Vieira

da

Silva.

de 1886.

João Lins

Cansansão de Sinimbú.

Visconde de

Paranaguá.

RESOLUÇÃO

Como parece

á maioria

Paço da Boa Vista março de 1886.

no

da

Secção.

Rio de Janeiro, em

20

de

Com a rubrica de Sua

Magestade

o

Joaquim

Deljíno

Ribeiro

Imperador .

da

Luz.

XIV

Consult a

da s

Secçõe s

reunida s

d e

Justiç a

e

Fa -

zend a

d e

Sí í

d e junh o

d e

188 1

e

Resoluçã o

d e

l t

d e janeir o

d e

188 »

 

Declara que é ordenado o vencimento do medico da Casa de Correcção, assim como os dous terços da gratificação do da Detenção.

SENHOR — Mandou

Vossa Magestade Imperial que

as Secções reunidas de Justiça e Fazenda do Conselho de Estado consultem com seu parecer sobre os in- clusos papeis relativos á aposentadoria do senador Dr. Luiz Carlos da Fonseca nos logares de medico das Casas de Correcção e Detenção da Corte.

A secretaria informa e opina nos seguintes termos:

« Por decreto de 14 do .mez findo foi aposentado nos logares de medico das Casas de Correcção e De- tenção da Corte o senador Dr. Luiz Carlos da Fon- seca. Para resolver sobre o vencimento a fixar a esse funccionario, pede o Ministro da Fazenda que se lhe declare:

Si os 800$000 que percebia annualmente como primeiro medico da Casa de Correcção e que o decreto n . 678 de 6 de julho de 1850 denomina — vencimento

— tem o caracter de— ordenado— ou de— gratificação

— e neste caso, qual a quantia que, como ordenado,

deve ser computada para o vencimento de inactividade que se lhe tem de fixar.

E mais :

para o mesmo fim devem considerar-se— orde-

nado — os dous terços da gratificação annual de 1:200$000 que ao referido aposentado se pagava, como

Si

— 88 —

medico da Casada Detenção, visto que em seus impedi- mentos oThesouro abonava ao substituto, Dr. Felis- berto Silva, unicamente a terça parte restante, de conformidade com os avisos de 20 de dezembro, 6 de agosto de 1880 e 8 de fevereiro ultimo.

art . 101 do decreto n . 678 de 6 de julho de 1850

usa da expressão vencimentos. Os avisos de 6 de agosto, 20 de dezembro e 8

de fevereiro últimos, citados pelo Ministro da Fazenda, consideraram aquelle vencimento como gratificação,

para o fim de

decreto n. 6857 de 9 de março de 1878, a terça parte ao segundo medico que substituiu ao primeiro Dr. Luiz Carlos, impedido por estar com assento no Senado, e ultimamente doente. Mas, para o effeito de que se trata, sé deve entender como — ordenado — a expressão — vencimento — do art . 101 do referido decreto n . 678 de 1850. Com efteito, vencimento em si era a percepção do honorário, a que tinha direito, por serviço ou trabalho, qualquer empregado ecclesiastico, civil ou militar, e abrangia, "portanto, a congrua, o ordenado, a grati- ficação, o soldo, etc.

Na legislação antiga dá-nos disto exemplo, além

de outras disposições, a do decreto de 7 de agosto de

(fl. 500 da respectiva collecção), que , tratand o dos

casos de licença, assim se exprime — com vencimento do respectivo ordenado — com o vencimento da me- tade do respectivo ordenado. Posteriormente passou desta accepçâo, para deter- minar a cousa percebida, e com esta significação actualmente se designa o ordenado ou a gratificação, ou abrange os dous, segundo a natureza do em- prego . Na época eme se deu regulamento á Casa de Cor- recção — vencimento — e — ordenado — eram syno- nymos; em todos os decretos organizados daquelladata em diante eram usados os dous termos promiscua- mente, indicando a mesma cousa. Então os honorários eram fixos e igualmente con- sistiam em ordenado só, á excepção dos empregados das repartições de arrecadação, que se compunham de ordenado e porcentagens, e dos de alguns outros, onde ainda havia emolumentos, mas que, comquanto parte componente do salário do empregado, não eram consi-

O

ser abonada, nos termos do art. 10 do

1798

— 89 —

derados renda do Estado, isto é, recebidos directamente dás partes pelo funccionario. Na lei de 4 de outubro de 1831, que organizou o Thesouro e Thesourarias de Fazenda, a expressão usada nos arts. 79 e outros era de — ordenado — mas, ella se foi modificando posteriormente, como se vê dos de- cretos n. 736 de 20 de novembro de 1850, art . 37, n. 870, de 22 «te novembro de 1851, art . 52, onde se usa. tant o da palavra ordenado como da expressão vencimento indistinctamente. De 1859 em diante, quando tiveram logar varias reformas nas diversas repartições, os honorários se subdividiram em ordenado e gratificação, e ainda ven- cimento era a expressão com que os regulamentos res- pectivos designavam o conjuncto de um e outro, como se vê dos decretos n. 2343 de 29 dê janeiro de 1859 relativo ao Thesouro e Thesourarias de Fazenda, art. 43, n. 2350, de 5 de fevereiro, relativo á Secretaria da Justiça, art. 420, e outros que se seguiram relativos ás demais Secretarias de Estado. Donde se conclue que, tanto antes íomo depois de 1850, era a expressão vencimento com que se de^ signava ou o ordenado — e a — gratificação — sós, ou ordenado — e gratificação — reunidos. Ora, sendo na época da publicação do decreto n. 678 de 6 de julho de 1850 — o característico da legislação considerar-se vencimento—ordenado—pois que este era o salário predominante, não teve por certo o Governo em mente, ao dar nova organização á Casa de Cor- recção, abrir excepção, sobre iníqua, odiosa, estabele- cendo a seus empregados outro gênero de retribuição, e designando-o com a mesma expressão — vencimento —com que foi concedida aos da repartição de Fazenda, na mesma época.

O próprio regulamento n . 678 de 1850 contém a

seguinte disposição no art. 124, que explica a ex- pressão—vencimento— do art. 101. Eil-a :

"

« Deverão ( os dous amanuenses )' trazer a escri-

pturação em dia, não podendo reserval-a para o dia seguinte, sob pretexto algum, excepto o de moléstia, pena de perda do ordenado em cada. dia em que a escripturação não ficar terminada.» Accresce que, com a denominação de ordenado, tem sido considerado em todos os orçamentos o ven- cimento de que se trata.

— 90 —

Também o aviso n . 334 de 31 de julho de 1865 e expedido sob a imperial resolução de consulta da Secção de Fazenda do Conselho de Estado, declarou se dever tomar na accepção de ordenado ou salário certo a palavra vencimento. Portanto, sou de parecer que •se responda ao

Sr. Ministro da Fazenda, declarando que o vencimento

que percebia o I

Dr. Luiz Carlos, era — ordenado. E quanto á quantia de 1:200$000, que^o mesmo doutor

percebia como medico da Casa de Detenção, cumpre-me informar que é gratificação, marcada por aviso de

31

de maio de 1847, e desde então com esse caracter

o

medico da Casa de Correcção,

comtemplada nos orçamentos. No Thesouro Nacional encontram-se precedentes de haver-se dado aposentadorias a empregados que

só' percebiam gratificação, e dentre esses precedentes

cito o de que trata o aviso n . 423

bro de 1873, que mandou considerar • dous terços da gratificação marcada aos guardas da companhia de menores artífices do Arsenal de Guerra, como orde- nado para o effeito de fixar-se o vencimento de in- actividade aos aposentados naquellas condições.

Esses precedentes, combinados com a doutrina do art. 10 do decreto n. 6857 de 9 de março de 1878, que considera ordenado duas terças partes do vencimento sob o titulo — gratificação — para os casos de licença, e ampliada para os de faltas por moléstia, segundo vários avisos, me parecem appli- caveis á presente hypothese do Dr. Luiz Carlos. Neste sentido, salvo melhor juizo, também se pôde responder, quanto á esta parte, ao Sr. Ministro da Fazenda. 4» Secção, 31 de março de 1881.— Benedicto An-

de 17 de novem-

tônio Bueno.— De accôrdo — Fontoura

Também concordo com a solução tanto na pri-

meira como na segunda parte.—Directoria Geral,

Lima.

Júnior.

1

de abril de 1-881.— Cunha

Figueiredo

»

As Secções reunidas conformam-se com este pa- recer. Vossa Magestade Imperial mandará, porém, o que for mais acertado.

Sala das conferências das Secções reunidas de Jus-

Conselho de Estado, em 25 de junho

de 1881.—Visconde de Jaguary.Visconde de Abaeté,

i Lça o e Fazend a

d o

— 91 —

Visconde de Nictheroy.Jeronymo José Teixeira Júnior.Conde de Prados.— Paulino José Soares de Souza.

Como parece.—Paço de S. Christovão, em 11 de janeiro de 1882.

Cqm a rubrica de Sua Magestade o Imperador.

Manoel Pinto

de Souza

Dantas.

Em virtude desta resolução expediu-se ao Minis- tério da Fazenda o aviso de 26 de janeiro de 1882.

XV

Consult a

d e

% 3

d

e

novembr o

d e

188 1

e

Reso -

luçã o

d e

1

4

d e Janeir o

d e

188

9

Sobre a contagem de tempo para a fixação de vencimento de inactividade ao

medico da Policia da Corte,

Dr , Antônio

José Pereira

das Neves.

SENHOR — Mandou Vossa Magestade Imperial, por aviso do Ministério dos Negócios da Justiça, datado de 19 de setembro ultimo, que a Secção do Conselho de Estado consultasse com seu parecer sobre os in- clusos papeis relativos á aposentação do Dr. Antônio José Pereira das Neves, medico da Policia da Corte, considerando especialmente :

« 1.° Si, á vista da consulta de 1° de agosto de

1860, se deve incluir na mesma aposentação o tempo em que serviu o referido doutor anteriormente ao de- creto n. 1746 de abril de 1856.

« 2.° Si o decreto

n . 6843 de 23 de fevereiro de

1878 poderá ter effeito retroactivo para prejudicar o principio já firmado com relação a um medico da Policia em condições idênticas ás daquelle doutor, cuja aposentação comprehende o tempo anterior ao decreto de 1856. » A Secção, portanto, cumprindo a referida ordem, vem respeitosamente expor seu parecer. Consta dos papeis remettidos á Secção que, por occasiâo de liquidar-se o tempo de serviço publico prestado pelo Dr. Antônio José Pereira das Neves, apo- sentado por decreto de 14 de fevereiro ultimo, susci- tou-se a duvida — si devia-se incluir no calculo do tempo para a aposentação o período de seis annos, nove mezes e cinco dias, decorrido desde 10 de julho de 1849,