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Feitiço Verbal

Geraldo Salgado-Neto

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Prefácio

Contam os livros antigos que aqueles que possuíam os nomes


mágicos das coisas e de como mencionar estes nomes de forma certa
possuíam poderes, pois sabiam fazer a oração germinar ou florescer.
No Egito Antigo os nomes mágicos eram parte essencial do ser,
apagar o nome de um indivíduo era sinônimo de sua destruição e
esquecimento, assim como proferir de forma correta era sinônimo do seu
florescimento.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo
era Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele" (João 1:1-3).
Eu gosto muito da palavra prefácio, provavelmente algum dia em
um futuro muito distante, algum pesquisador do subverso, vai aventurar-
se a traduzir os significados que estão contidos nestas páginas
amarelecidas pelo tempo.
Neste inicio eu lhes darei um sutil conselho, deixem de fora de
suas mentes a lógica. Somente deste modo vocês vão entender a
mensagem, dos enigmas destas páginas, ricas em simbologia universal.
Somente um cavaleiro penitente vai chegar ao portal.
Neste momento de forma humilde peço absolvição de todos os
meus pecados e erros inatos de conjugação verbal da língua
portuguesa. Eu troco as pessoas e os pronomes, é um problema de toda
uma geração. Professoras lembrem-se eu tenho licença poética.

Assaltaram a gramática
assassinaram a lógica
botaram poesia
na bagunça do dia-a-dia...

Seqüestraram a fonética
violentaram a métrica
meteram poesia
onde devia e não devia...

La vem o poeta com sua coroa de louro, pimentão, agrião, boldo


o poeta é a pimenta do planeta, malagueta...
(Wally Salomão).

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Cavalo Selvagem

Meu pobre cavalo xadrez alado, morreu


equilibrou-se em uma nuvem, ainda não sabia voar
apenas trotear para o infinito azul celeste dos seus olhos

Meu cavalo xadrez alimentava-se de sonhos abandonados


por pessoas que os deixavam perdidos
pelos caminhos que trilhamos

Porém Deus, com infinita autoridade levou para longe


agora eu apenas escuto o seu grave relincho
através das dimensões

Meu coração se comprime de saudade


minha ultima quimera se foi
toda vez que eu grito EIAAA!
meu cavalo que pastava na ilusão
permeia no espaço por entre as dimensões

Nos quadrantes que marcam os limites


avistei certa vez em sonho
meu cavalo xadrez
minha aura rebrilhou no espaço
entrei no túnel do tempo
determinado a reencontrar
meu lindo cavalo xadrez alado...

A imaginação é um cavalo selvagem INDOMÁVEL...

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Poesias

Sintam as sutilezas das rimas


a profusão das estrofes
o furor dos poemas
o sabor dos estrogonofes
o colorido das odes
a genialidade do arranjo
a penugem do arcanjo
a inovação da forma

Leiam e chorem de alegria e riam de tristeza


mas sobretudo sintam que a raça humana esta
transbordando de paixão...

Assim como um rio que testa suas beiras


aos solavancos e escorre pelas comissuras dos vales
que de nada valem sem os olhos para ver...

As aranhas que correm sobre suas teias


As águas que escorrem formando goteiras
e o Sol que bate estalando a Soleira...

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Caminhos Infindos

Caminhando pela estrada empoeirada


como velhos amigos andarilhos
iam-se um pai com seu filho

O filho parava a todo momento


remexendo qualquer coisa pelo caminho
como se fosse a primeira vez

O pai caminhava em linha reta


certo na sua ilusão
de que realmente ia para algum lugar

O caminho sabendo do destino,


das pedras e dos espinhos
e do carinho entre os dois
serpenteava e se perdia sozinho...

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Poe Minha

A pena é o órgão sexual dos poetas,


logo morrerei e ao pó retornarei,
antes porem rimas do meu cunho criarei,
dado me foi o dom de escrever poesias e realizar
profecias...

O firmamento se firma no vento,


e o mar, de onde veio a vida
se dissolve em brumas esquecidas...

A energia que abriga e sustenta


os mundos é o amor do eu criador.

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Primas Rimas

Nem pense em ir adiante


pensando piegas em Dante
sem sentir o peso, as cegas,
de muitos elefantes

Posso até ser sinistro


ter ilusões em crise
mas o mau humor
totalmente me inibe

Em noites vívidas de agonia e dor


sua o frontispício do meu televisor
na ciranda das notas musicais
serpenteiam coliformes fecais

Pura essência sem cheiro


do meu pobre amor, infinito grito
inaudível de ilusões perdidas

Só os meus sentimentos ecoam


e por mais que os membros doam
esta noite tu não dormirás oh morte
vou criar poemas até tu cansar
e desistir de vires me buscar...

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Doce Melodia

Pelos profundos rios de lágrimas


aos quais me afoguei em sofrimento
você foi o meu melhor momento...

Sei que nunca mais vou te ter


mas valeu a pena escrever profundos poemas
só pensando em você

Pelo ar vinha tiritando uma doce melodia


que partiu um belo dia dos teus doces
lábios imprecisos

Lá fora o mundo acabava


e você no meu quarto cantava
uma doce melodia

Que falava de outras vidas


para sempre esquecidas
somente relembradas

Pelo canto inconsistente dos teus doces lábios


como tu cantas bem morte
uma doce melodia hipnótica...

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Obra Prima

Mas para que, andar pra frente


e em linha reta, se o bom é dar voltas
cantarolar, talvez dançar
e em um dado momento parar e escutar

O som dos momentos ecoando lá atrás


eles batem e rebatem
refletindo um belo dia
no espelho da memória
um belo fim de história

Quando o sol flerta com a lua


eles não imaginam que só se encontrarão
durante o eclipse

Quando a sombra permeia tudo


só algumas palavras vieram-me
lá do fundo do coração

Uma vez ouvi falar em saudade


então senti saudade

Uma vez combinamos castidade


e estamos para sempre castos

Uma vez aconteceu o amor


e ah já perdi a rima...

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Vinhas Mortais

Agora a tempestade sopra


outros ventos
o que antes me magoava
agora nem merece os eventos
dos antigos tempos

Sempre metido até o pescoço


nos mais infindáveis enroscos

Mas deixa-me contar umas das aventuras


minhas quando encontrei a morte
comendo vinhas

Parei e tive de conversar

É Sra. Morte, se a vida continuar assim


provavelmente vai restar pouco,
para levar

Apenas um maluco, que depois de muitos


desgostos é um pobre e senil devaneio,
poeta como se não bastasse, filósofo
desconhecido de pensamentos mortais...

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Gênesis

Deus devia estar resfriado


quando certa vez espirrou
sobre um monte de estrume e criou
o homem coitado

Depois vieram as meninas sonhadoras,


sonhavam com príncipes encantados
e cavalos alados

Mas quando elas crescem a realidade


esmaga seus lindos sonhos
e o cavalo alado vira um pangaré pesteado
mas, porém abonado

Este é o verdadeiro fim das fábulas


das velhas histórias
e das meninas puras
que as muitas armadilhas do destino
levou-as a sofrer do intestino
e várias escleroses múltiplas

Alegremente vou cheirando as palavras de amor


que pairam e retinem pelo ar
mariposas voam e centelhas reluzem na noite difusa

O que adianta arrancar os ponteiros


jamais vamos deter o tempo
a realidade é uma fábula muito mal contada
para as pobres meninas sonhadoras
ao eternamente dormir...

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O verdadeiro amor

O amor ainda assim germina


é difícil a confiança qualquer
coisa a termina nas tramas da vida
entre tantas desaventuranças
apenas um amor foi verdadeiro
e nesse pobre instante vil em devaneio
vi muitas horas passarem em vão eu creio

Agora vou ficar aqui a espera da tempestade


quando os relâmpagos rebrilham
e os trovões ecoam
lembro-me dos momentos que fazia amor
durante a tempestade que jamais cessou
a loucura de estar apaixonado
deixa ver se eu lembro...

Aspirantes, se eu fosse jovem


andaria pelos lados das pirâmides do Egito
e na rima dançaria no meio do agito
eu mais minha poesia
enchendo de gritos os surdos aflitos
que não ouvem o amor

Arma mortal do amor é o silencio


talvez alguns fujam dos seus sons
mas do seu silêncio...
é certo jamais escaparão

Se eu pudesse jamais ouviria este chamado


simplesmente encolia nos teus braços
até passar a noite, você me contaria histórias
e pela manhã eu nasceria de cesariana
em meio aos doze Césares de Roma...

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Poesias Proféticas

A solidão caminha triste chorando sozinha


os minutos passam, os sonhos vem
mas continuo só, ninguém...

Na mente lembranças dos momentos felizes


do passado bom, o futuro se diz
por vários instantes eu fui feliz?

Será lícito usar teu nome


para curar pesadelos anônimos
hoje vejo meus amigos...

Quem? Vai chorar sobre o túmulo de quem?


É uma duvida antiga
relembrando bons momentos,
velhas melodias trazem
mortais desejos, de quando éramos o que não seremos

E a chuva cai sobre nossas lápides


afogando saudades e maldades
no futuro pude ver meus amigos morrendo
a morte se entretendo com suas charadas.

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Profecias Poéticas

Atribuo o delírio dessas rimas


a um vinho de boa safra
previamente degustado
sobre uma vil trapaça

Vocês não sabem


quantos milênios faz
que a nossa raça patética
se arrasta pela superfície
deste pobre planeta?

Desenvolvimentos sem sentido,


tecnologias imprecisas
belicosos na autodestruição
e como se fossem crianças
recomeçar novamente

Enquanto crianças
brincam de poluir o mundo
das profundezas o espaço
observa...

E derrama lágrimas...
elas tem tudo para a felicidade
mas preferem viver a margem
bêbados de passagem pelo mundo

Não podemos sofrer neste amor


viver ébrios de dor
se o mundo é lindo,
e cada flor comove
A vida move o mundo, a lucidez a gravidade e a gravidez.

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A Batalha do Excelso

Incessantemente a zebra bebe


a água do retrato
em um instante, um fóssil voador
dominando a gravidade,
cruza, esvoaçante mariposa,
gira em volta da lâmpada
pirilampos atômicos
vagueiam em seu ininterrupto código Morse

O vento desfere o seu carinho sobre nossos poros

E, eu espero não morrer de gripe


durante o inverno nuclear

As estrelas cintilam no céu invernal,


os gatos namoram nos telhados
as solteiras suspiram nas janelas
os militares vigiam suas fronteiras
Deus peleja com o Demônio

E, eu estou a salvo, pois imaginei tudo isso...

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Sonhos

Certa vez estranhei a ausência


de espelhos nos sonhos
talvez seja a consciência culpada
de ver o reflexo de algo
que seja verdadeiramente você
e o sonho começa a virar pesadelos

Relógios gigantes viram


máquinas que engolem os minutos
preciosos que nos são tão importantes
em hordas os sonhos invadem a realidade

A noite gritos acuados


dançam com o vento
as pedras sonoras cantam
as estátuas choram e sonham.

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Feitiçaria Verbal

Velhos conceitos a existência assola


por quais claros expresso
e levanto mundos
meu espírito se enrola

Faço rimas e sentidos sinceros


pesadelos oníricos
sonho com velhos livros

E as rimas se perdem por entre os tercetos


no sibilar das sílabas encontro a fórmula exata
na síntese da forma contrata

Por que rima Severina em sua ilha de risos


Se Dirceu rema calmamente com Marília
a louca lírica

Velhos livros amantes já nem lembram de Dantes


pois até os anjos do céu
autodepenam-se rindo dele

Seus amigos uniram-se contra ele


Ele diz, que me importo sigo tocando meu grave flautim
ao som das rimas estremeço o mundo
minha vida é um pequeno poço sem fundo
porão de almas e épocas

Agora findaram as festas, é a era das reproduções


verbais, conjugações termais, terapias corretivas, devaneios
alquímicos, confissões nucleares
delícia o perfume que se desprende da essência
destes trôpegos poemas...

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Mestre dos Magos

Todos os homens e todas as coisas são formadas


por uma vasta horda
de minúsculos mundos

Onde seres microscópicos


vivem com impressões
de pensamentos profundos

Com seus gigantes telescópios


não conseguem discernir
o tamanho do seu universo
e chamam Deus o seu próprio inverso

Existem entre eles alguns ateus


pensadores anacrônicos
que se indagam mutuamente
rogando comentários irônicos

Nosso Deus está vivo?


Não, seria lícito, apenas implícito
na mente das pequenas criaturas
após as idéias apodrecerem de maduras
não vai dar tempo
para todos os outros tempos se reencontrar...

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O Tempo

Vovó balança em sua cadeira...


no seu colo está o bordado
inconscientemente ela tece
a teia do tempo

Cada nó é um instantâneo...
fotografia amarelada...
momentos congelados do passado, já passados...

Sorrisos amarelos,
amigos ausentes
que atualmente,
no presente, são fertilizantes
para flores de cores deslumbrantes...

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A Guerra dos Reflexos

Espelhos refletem a realidade invertida


calma, não entristeça, minha querida
a realidade dói embora ao contrário,
toda uma vida vale a pena ser vivida;
ainda que alguns, vivam dentro do armário
por ser ela demais sofrida

Espelhos quebrados sem reflexo


a morte vazia sem dor
viver sem razão, sem nexo
sofrendo a perda de um grande amor
a escuridão atinge seu plexo
não chorem pela morte da flor

Espelhos são portais do infinito


sorrisos expressões da alma
a noite em pleno grito
uma multidão a bater palmas

Escorpiões venenosos vertem do vazio


e pousam instantes na janela
o mundo é reflexo míope
florescência da flor, estames altivos

A guerra semeia dor, como esporos bombas


fecundando órgãos sexuais chamativos,
mas na aridez deste poema sem cor
onde encontrar a rima?
Senão na flor ou no amor?

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Por no Gráfico

A sabedoria matemática vaga lá fora


como uma pantera espreita
sempre pronta para pegar mais um bobo
prender nos grilhões das probabilidades Euclidianas
dentro de quadrantes Cartesianos

Deus me livre de achar uma explicação matemática


através de teorias imprecisas
mais vale um louco que mil racionais afoitos
pois a expansão do universo
jamais se dilataria tanto quanto o ímpeto de um tarado

e os buracos negros jamais brilhariam


tanto quanto o sistema genital feminino
a espera da fecundação

Mas Newton tinha razão


essa historia de gravidade é séria
a vida passou perto
espero não perder a ressurreição
por um triz
de que adianta vidas fúteis não quero bis...

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Curtição

Nunca curti:

Amores instantâneos,
comentários irônicos,
guerras nucleares,
músicas dançantes,
mulheres complicadas
e drogas alucinantes.

Estas coisas comuns causam-me náuseas.


Eu gostaria de ser diferente...

Morrer antes de nascer


Sofrer antes de amar
Colher antes de semear
e murchar lentamente
com o frio de seu olhar...

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Bolhas de Sabão

As emoções são feito


fantasiosas bolhas de sabão
sem nenhuma pretensão

São simples mundos multicoloridos


onde microscópicos seres vivem
pensando em coisas
que não levam a lugar nenhum

Tal como um delírio alcoólico


tênue devaneio melancólico
onde a tristeza rouba-me rimas
que jamais ganharão forma de poemas

Se nosso caso tivesse dado certo


sinto-me realmente tão esperto
que prefiro rimas aos teus parcos carinhos
diluem-se como pedaços pequeninos
nas bolhas de sabão coloridas

Olhos do destino como holofotes


ultrapassam o escuro vale da morte
em momentos os fracos se tornam fortes
duelam com o amanhecer da noite negra

O frio do infinito mistura ao negro dos seus olhos


nesta tarde fria, vou sentindo um vazio
e uma leveza áspera, amarelecida e seca
como uma folha de outono, abandonada ao vento
que me leva a qualquer momento,
a qualquer lugar do tempo...

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Valsa Cansada

Convidaram para dançar, uma valsa cansada


dançar sozinho em tom de música alienada
dançando ao vento, devorei côdeas
de luas crescentes

Volte meu amor volte, para os escombros azuis


apóie em meus ombros
e mostrarei o gélido afago da morte

Meu amor brilha com a força de mil sóis


como sarças ardentes
nas noites enluaradas
esperanças cansadas

Gafanhotos mecânicos devoram lenta


e calmamente, minha triste mente
alucinações ruminantes mastigam
meu cérebro carcomido

Só resta o espírito, consciência espinhando


tal coroa de espinhos
em meu contínuo alvorecer
quero estar surdo
para os venenos
que as paixões vertem
em meus ouvidos

Quero poder ver as vibrações


das sete notas musicais
perceber seu brilhante colorido
a fazer desenhos no espaço frio
e se por esta causa me fizer sombrio
assisto o nascer de outro amanhã

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Argonautas de Luz

Em dias enfadonhos
pobres almas choram a esmo
abandonam seus corpos em sonhos
aí jamais será o mesmo

Como um Argonauta de Luz


caminha por dimensões infinitas
como por milagre apenas
sua intuição o conduz

Através das trevas da noite


voa o Argonauta de luz
sempre elevando,
sempre evoluindo
transformando chumbo
em ouro que reluz

Com o raio da cura


trabalha o Argonauta de Luz
peregrino das brumas
transmutando sombras

Voltemos para Argos


depois de infinita jornada
Cassiopea e Andrômeda
esperam na sacada

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Pena mágica

Recebi esta pena mágica


para escrever poemas
toda magia consiste em ter imaginação
sempre encontrar rima
dentro das lúgubres masmorras neuronais
sentimento decola e por um momento
a tinta da pena congela para a eternidade

Agora os que vêm depois


lendo mal traçadas linhas
concluem que mal sofria
esta pobre alma infeliz
afogada de surrealismo até o nariz

A pena mágica tem um poder


tudo aquilo que escrever
irremediavelmente vai acontecer

Não sei se escrevo tragédias ou místicas comédias


se paro o tecido das aranhas do tempo
ou escrevo como Deus por linhas tortas

Deus, escravo das alturas celestiais,


com seus querubins e arcanjos
uniformizados anjos
marchando no exercito branco

A via láctea jorra leite


para alimentar milhões de mundos
em rápidos giros estáticos
em segundos giram os mundos
no pisca-pisca das estrelas
planeta terra bola quadrada que gira parada
escola de almas e hoje tem prova.

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Críticas

Geraldo Salgado-Neto, é poeta singular, ombreia com


muitos poetas medíocres da literatura universal, que talvez
jamais sejam reconhecidos ou lembrados.
Gaúcho em busca de êxito, jamais alcançou algum
sucesso popular como poeta, totalmente ignorado pela crítica e
tachado de mórbido e vulgar pelos que se ocuparam com sua
obra única e original “Feitiço Verbal”.
Alguns tentaram em vão classificar e avaliar a sua
qualidade poética, desistindo deste enfadonho fardo
alcunharam Pós-Moderno.
Afinal é uma sopa de condimentos variados, mistura fina,
onde ressalta a angústia, o uso da metáfora, linguagem
corrosiva profundamente intimista, aliada a ciência, história e
mitologia, com algo de simbologia universal e misticismo.
Não poderíamos deixar de citar Paulo Coelho e Raul
Seixas, como grandes influências desta cartilha e não vamos
citar Edgar Allan Poe, Oscar Wilde e muito menos Carlos
Castañeda, como influencias, pois estes não fazem parte da
literatura brasileira.
Augusto dos Anjos e Mario Quintana são os autores que
influenciaram esta ardente crueza e fria elegância, amargura,
tédio, neurastenia metafísica, causada talvez por transtornos de
natureza sensível ou pela simples falta de fé, mas no ultimo
momento da poesia a sombra se transforma em luz.

MIRA SOLO LA LUZ

Mira solo la luz, mira solo la luz


Y verás solo luz, mira solo la luz
Mira solo la luz, Y verás solo luz
Solo luz, mira solo tan sólo la luz
Y verás solo luz, sólo luz

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