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INTRODUGAO A MECANICA DOS FLUIDOS SETIMA EDIGAO ROBERT W. FOX Purdue University, Professor Emérito PHILIP J. PRITCHARD Manhattan College ALAN T. McDONALD Purdue University, Professor Emérito Tradugdo e Revisao Técnica Ricardo Nicolau Nassar Koury Luiz Machado Departamento de Engenharia Mecénica Universidade Federal de Minas Gerais a Ga LTC ‘A fotografia da capa mostra visio do piloto de um caro de Férmula 1 em movimento “Todos 0s carros modernos de corrida usam uma forea serodinémica voltada para baixo (sustentago negatva) para aumentar a tagdo sem a necessidade de aicionar peso sig- nifieatvo ao caro. A utilizago de grandes valores de sustentagdo negatva permite alias ‘elocidades em curvas, tipicas e pitas sinuosas de cords de Formula I. A sustentagdo negativa maxima pode exceder duas vezes 0 peso do carro a uma velocdade de 320 kwh za retal Naturalmente, um alto valor dessa forga também eausa alto arasto, que reduz a velocidade na rea, de forma que um estudo ene 0 custo © © beneficio da sutentaglo ne- sativa énecessio. ‘A fotografia mostra claramente lgumas caractrticnsaerodinmicas. lado esquerdo da asa frontal € mostrado. Esta fabricada to grande ecolocada to para a frente do chassi do carro quanto © regulameato permit. O peril da caixa do espelho asim como os suportes da suspensio siocuidadosamente carenados. Outasearactetsticasaerodinmicas nio S80 ‘ostradas, tai como a fuselagem inferior do carro. Esta &cuidadosamente projetada para recionaro escoamento de a, com a utlizaedo de difusores, afm de desenvolver a mie ima pressio negativa fazer esta peessdo agie Sobre a maior Srea possivel soo caro, de forma a desenvolverforga de sustentago negative adicional (Os autores ea editora empenharam-se para citar adequadamente dar 0 devido crédito a todos 0s detentores dos direitos autora de qualquer material uilizado neste lvro, disponde- se a possiveis acertos caso, inadvertidamente, a identificagio de algum deles tenha sido omitida, [Nao ¢ responsabilidad da editora nem dos autores a ocarténeia de eventuais perdas ou da nos @ pessoas ou bens que tenham origem no uso desta publieago. INTRODUCTION TO FLUID MECHANICS, Seventh Edition Copyright © 2009 John Wiley & Sons, Inc. All Rights Reserved. This translation is published under license. Diretos excusvos par ingua portguese Copyright © 2010 by ITC — Livros Técnicos e Cietificos Eitora Ltda. ‘Uma editoraintegrante do GEN Grupo Editorial Nacional Reservados todos os direitos. proiida a doplicagdo ou reprodugio deste volume, no todo ‘vem pare sob quasque forms ou por qualquer meios(lerico, mecinico, gravago, Totoespia,stbuigao ma iteret ov 9040s), sem permissto express de Eitora ‘Travessa do Ouvidor, 11 Rio de Janciro, RI CEP 2040-040 Tel: 21-3543-0770 / 11-$080-0770 Fax: 21-3543-0896 tc @ grupogen.com.br ‘wwwltceditora.com.br Capa: Foto: Alan Thornton/Getty Images Eéitoragio: Performa Editoragio Eletrnica: /Perfeormnse CIP-BRASIL, CATALOGACAO-NA-FONTE, ‘SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ Fei Fox, Robert W,, 1934- Introdugio 2 mecdnica dos fuidos / Robert W. Fox, Alan T. McDonald, Philip J, Pritchard; tuadugdo e revisio técnica Ricardo Nicolau Nassar Koury, Luiz Machado. - Rio de Janeiro LTC, 2010. ‘Tradugdo de: Introduction to uid mechanics 7th ed Apéadice Inclui bibliografia ISBN 978-85-216-1757-0 1. Mectnica dos fuidos. I. MeDonald, Alan T,, 1938-. IL. Pritchard, Philip J. Il. Titulo. 10-2243. ‘cpp: 532 DU: 3313 INTRODUCAO A MECANICA DOS FLUIDOS Respite wd %, en ico 0 GEN | Grupo Editorial Nacional retine as editoras Guanabara Koogan, Forense, LTC, Santos, Método e LAB, que publicam nas dreas cientifica, técnica ¢ profissional Essas empresas, respeitadas no mercado editorial, construiram catélogos inigualéveis, com obras que tém sido deci- sivas na formagio académica eno aperfeigoamento de varias geragdes de profissionais ede estudantes de Administracio, Direito, Enfermagem, Engenharia, Fisioterapia, Medicina, Odontologia e muitas outras ciéncias, tendo se tornado sind- nimo de seriedade e respeito, Nossa missio é prover o melhor contetido cientific e distribui-lo de maneira flexfvel e conveniente, a pregos justos, ‘gerando beneficios ¢ servindo a autores, docentes, livreiros, funcionéios, colaboradores ¢ acionistas. Nosso comportamento ético incondicional e nossa responsabilidade social e ambiental so reforgados pela natureza ‘educacional de nossa atividade, sem comprometer o crescimento continuo ¢ a rentabilidade do grupo. TABELA G.1. Unidades SI ¢ Prefixos® Unidades St Quantidade Unidade ——_Simbolo ST Formula Unidades bésicas St: ‘Comprimento metro m - Massa uilograma kg — ‘Tempo segundo s = ‘Temperatura kelvin K = Unidade complementar do SI: Angulo plano radiano md = Unidades derivadas do Sk: Energia Joule J Nem Forga newton N kg mis? Poténcia watt w Us Pressio pascal Pa Nim Trabalho Joule J Nem Prefixos SI Fator de Multiplicagao Prefixo Simbolo SI 1.000.000 000 000 = 10 tera T 1000.000.000 = 10° ga G 1000000 = 10¢ mega M 1000 = 10° guilo k oo! = 107 centi® © 0.001 = 107 wil m 0,000 001 = 10° micro » 6,000 000001 = 10-7 nano a 1,000 000000001 = 10" pico P “Fonte: Nera ASTM para Pritica Méria E 380.97, 1997, Asser eviado sempre que possvel | | TABELAG.2. Fatores de Conversio e Detini Dimensio Unidade Valor ST ‘Valor SI Fundamental Inglesa Exato Aproximade ‘Comprimento lin 0,0254:m - Massa 11m 0,453 592 37 kg 0.454 kg ‘Temperatura VF 59K i Definigbes: ‘Aceleragio da gravidade: = 9,8066 mis* (= 32,174 fs!) Energia Btu — (unidade térmica britinic) = quantidade de energia requerida para ‘aumentar a temperatura de I Tbm de agua de 1°F (1 Btu = 778,2 f- Ib) quilocaloria = quantidade de energia requerida para aumentar a temperatura de 1g de gua de 1K (1 keal = 4187 Comprimento: 1 milha = $280 ft; | milha néutica = 6076,1 ft = 1852 m (exato) Poténcia: horsepower = 550 ft Ibis Pressto: bar = 10° Pa ‘Temperatura: ‘grau Fahrenheit, 7; = $ Te + 32 (Te em graus Celsius) ‘grau Rankine, Ty = T; + 459,67 Kelvin, Ty = Te + 273,15 (exato) Viscosidade: 1 Poise = 0,1 ke/(m 8) 1 Stoke = 0,001 m/s Volume: 1 gal = 231 in (1 £0 = 7,48 gal) Fatores de Conversio Uteis: LIbt = 4.448N 1 Tbffin’ = 6895 Pa 1 Btu = 1055 hp = 746 W = 2545 Buu KW = 3413 Buu/h 1 quarto = 0,000946 m’ 1 keal = 3,968 Btu 946 liso Prefacio Introdugao Este texto foi escrito para um curso de introdugo & meciinica dos fluidos. A nossa abordagem do assunto, como nas edigdes anteriores, enfatiza os conceitos fisicos da meciinica dos fluidos e os mé- todos de andlise que se iniciam a partir dos princfpios bésicos. O objetivo principal deste livro é au- xiliar 0s usuérios a desenvolver uma metodologia ordenada para a solugo de problemas. Para isso, partimos sempre das equagdes bésicas, declaramos com clareza as consideragdes ou hipteses ado- tadas, e tentamos relacionar os resultados matemiéticos com o comportamento fisico correspondente. Enfatizamos 0 uso de volumes de controle para sustentar uma metodologia prética de resolugdo de problemas, na qual a teoria também abordada. Exemplos Essa metodologia é ilustrada por numerosos exemplos em cada capftulo, As solugées para esses exemplos foram preparadas de modo a ilustrar a boa técnica de solugao e a explicar pontos dificeis da teoria. Os exemplos aparecem em formato destacado na sequéncia do texto e, por isso, sto de cil identificagdo e acompanhamento. Quarenta e nove desses problemas tém planilhas associadas do Excel, dispontveis no site da LTC Editora, tornando-os titeis para andlises complementares dos estu- dantes ou do professor em sala de aula, Informacées adicionais importantes sobre 0 texto e os nossos procedimentos so dadas na “Nota aos Estudantes” existente no Capftulo I do texto impresso. Aconselhamos que voce leia essa segao ‘com bastante atengdo € que a incorpore aos procedimentos sugeridos & sua metodologia de solugao de problemas e de representaco dos resultados. Sie Unidades Inglesas ‘As unidades do Sistema Internacional (SI) sto utilizadas em cerca de 70% dos exemplos e nos proble- ‘mas de final de capitulo. As unidades inglesas de engenharia so mantidas em alguns problemas para prover experiéncia com esse sistema tradicional e para realear converses entre sistemas de unidades que podem ser deduzidas dos fundamentos. Objetivos e Vantagens de Utilizar Este Texto Explicagdes completas apresentadas no texto, juntamente com numerosos exemplos detalhados, tor- znam este livro compreensivel para estudantes. Isso dé liberdade ao professor para afastar-se dos mé- todos tradicionais de ensino do tipo aula expositiva. O tempo em sala de aula pode ser utilizado para apresentar material complementar, aprofundar-se em topicos especiais, (tais como escoamento nfo newtoniano, escoamento de camada-limite, sustentagdo e arrasto, ou métodos experimentais), discu- tir € complementar problemas-exemplos, ou explicar pontos dificeis dos problemas extraclasse pro- postos. Além disso, 0s 49 exemplos com planilhas Excel sto iteis para apresentar uma variedade de fendmenos da mecfinica dos fluidos, especialmente os efeitos produzidos quando parametros de en- trada vatiam. Desse modo, cada perfodo de aula pode ser utilizado da maneira mais apropriada para atender as necessidades dos estudantes, Quando os estudantes terminarem 0 curso de mecfinica dos fluidos, esperamos que estejam ap- tos aplicar as equagdes basicas em uma variedade de problemas, incluindo aqueles nao encontrados previamente. Enfatizamos, particularmente, os conceitos fisicos em todo o texto para ajudar os estu- dantes a modelar a variedade de fendmenos que ocorrem nas situagGes reais de escoamento fluido. Embora nesta edicao incluamos, por conveniéncia, um resumo das equagdes titeis no final da maioria dos capitulos, salientamos que nossa filosofia é minimizar 0 uso de “f6rmulas mégicas” e enfatizar a vi PREFAGIO abordagem sistemética ¢ fundamental para resolver o problema, Seguindo esse formato, acreditamos ‘que os estudantes adquiram seguranga em suas habilidades para aplicar o material e descobri que podem concluir solugdes para problemas um tanto desafiadores. livro € bem adequado para estudo independente por estudantes ou engenheiros praticantes. Sua leitura agradavel e exemplos claros ajudam a adquirir seguranga. Respostas para todos os problemas de mimeros fmpares estdo disponiveis no site da LTC Editora. Cobertura do Texto Ocontesido desta obta foi selecionado cuidadosamente, de modo a incluir uma ampla faixa de t6picos adequados para um curso de um ou dois semestres em mecéinica dos fluidos de nivel introdut6rio ou mais avangado, Consideramos ser necessério um conhecimento prévio em dinamica de corpo rigido ‘e equagées diferenciais. Da mesma forma, una base em termodindmica é desejavel para 0 estudo de escoamento compressfvel. Material mais avangado, geralmente nfo coberto em um curso introdutério, foi deslocado para 0 site da LTC Editora. Esse material esté dispontvel no site da LTC caso os usuarios do livro estejam interessados em aprofundar seus estudos; pode ser ignorado sem prejudicar a sequéncia do texto im- presso. O material no texto impresso foi onganizado em Areas de t6picos abrangentes: + Conceitos introdutsrios, abrangéncia da mecanica dos fluidos e estética dos fluidos (Capitulos 1,2€3). + Desenvolvimento e aplicagao de formas de volume de controle das equagdes basicas (Capitulo 4). Desenvolvimento e aplicacdo de formas diferenciais das equagoes bisicas (Capitulos 5 e 6). Anélise dimensional e correlago de dados experimentais (Capitulo 7). Aplicagdes para escoamentos internos viscosos incompressiveis (Capitulo 8). Aplicages para escoamentos externos viscosos ¢ incompressiveis (Capitulo 9). Anélise e aplicagdes de méquinas de fluxo (Capitulo 10). Anilise e aplicagGes de escoamentos em canais abertos (Capitulo 11). Anilise e aplicagdes do escoamento compressivel em uma e duas dimensdes (Capitulos 12 ¢ 13). 0 Capitulo 4 trata de anélises usando volumes de controles finitos e diferenciais. A equacio de Bernoulli € deduzida (em uma subsecdo opcional na Seco 4-4) como um exemplo de aplicagio das equacdes basicas a um volume de controle diferencial, Estando aptos a usar a equagiio de Bernoulli no Capftulo 4, podemos incluir problemas mais desafiadores, lidando com a equagao da quantidade de movimento para volumes de controle finitos. Outra dedueio da equago de Bernoulli € apresentada no Capitulo 6, na qual ela € obtida da in- tegracdio das equagdes de Euler ao longo de uma linha de corrente, Caso o professor prefira tardar a introdugio da equagio de Bemoulli, os problemas desafiadores do Capitulo 4 podem ser resolvidos durante 0 estudo do Capitulo 6. Novidades desta Edigéio Esta edicdo incorpora um niimero significativo de mudangas. Estudos de Caso: No inicio de cada capitulo incluimos um estudo de caso, escolhido para ilustrar aplicagdes atuais de interesse da mecanica dos fluidos. Resumo de Equagdes: No final da maioria dos capftulos inclufmos, para conveniéncia dos estu- dantes, as equagdes mais significativas ou mais usadas do capitulo, Embora isso seja conveniente, nfo conseguimos enfatizar o quanto é necessétio que o estudante se certifique do entendimento da dedugdo € das limitagoes de cada equago antes de usf-la! CFD: Capitulo 5 inclui agora uma revisto concisa de alguns coneeitos da dinamica dos fluidos computacional (CFD). Escoamento em Canal Aberto: Nesta edigo, introduzimos um novo capftulo (Capitulo 11) sobre escoamentos em canais abertos; isso fornecerd conhecimento sobre o assuinto para engenheiros me- cfnicos e serviré como uma introdugao para engenheiros civis. PREFACIO. vii Aperfeigoamentos na Clareza: Continuamos, nesta digo, com nossos esforgos para aperfeigoar a clareza do texto, Existem numerosos casos de repetigsio do texto com outtas palavras e a recapitulacao de figuras ilustrativas em um esforgo para tornar 0 material mais acessfvel ao estudante. Problemas Extraclasse: A sétima edigo inclui 1534 problemas de final de capitulo, Muitos pro- blemas foram combinados € contém partes mithiplas. A maioria foi estruturada de forma que nd haja necessidade de resolver todas as partes simultaneamente, e quase 25% das subpartes foram planeja- das para explorar questdes de andlises complementares. Cerca de 500 problemas so novos ou foram modificados para esta edigao. Problemas de Planitha: Muitos problemas incluem um componente cuja andlise pode ser feita mais adequadamente usando-se ferramenta computacional. Um {cone na margem os identifica. Mui- tos deles foram planejados de forma que o computador forneca uma investigago paramética de uma soluglo de ponto Unico para facilitar e encorajar os estudantes em seus esforgos para explorar expe- timentos complementares. O material sobre Excel®, preparado pelo Professor Pritchard ¢ entitulado Apéndice H, “Uma Breve Revisio do Excel da Microsofi®”, ajuda significativamente nesse proceso. Esté disponivel no site da LTC Editora; com ele, o estudante pode estudar por conta propria algumas caracteristicas do programa, Incluimos muitos problemas de resposta aberta. Alguns so questdes de estimulo ao raciocfnio com a intenedo de testar a compreensdo de conceitos fundamentais, ¢ outros requerem desenvolvimento ctiativo, sintese e/ou discussio narrativa. Esperamos que esses problemas incitem cada professor a desenvolver e utilizar mais problemas dessa natureza. Os problemas em cada capitulo so organizados por t6pico, ¢ dentro de cada t6pico a complexi- dade ou dificuldade de cada um deles geralmente aumenta. Isso facilita ao professor selecionar os problemas extraclasse propostos para os estudantes, de acordo com o nivel de dificuldade apropriado para cada segio do liv. Problemas de Projeto Nos momentos apropriados, usamos problemas de projeto de resposta aberta no lugar dos experimen- tos de laboratdrio tradicionais. Quando nao se dispde de um bom laboratério, os estudantes podem formar grupos de trabalho para resolver esses problemas. Os problemas de projeto encorajam 0s ¢s- tudantes a despender mais tempo explorando aplicagdes dos princfpios de mecfinica dos fluidos em projetos de dispositivos e sistemas. Como na sexta edigZo, os problemas de projeto estao juntos com 0s problemas de fim de capitulo. Agradecimentos Reconhecemos que nifo hé uma abordagem tinica que possa satisfazer todas as necessidades e somos gratos aos muitos estudantes e docentes que, com seus comentérios, tém nos ajudado a aprimorar este livro desde a sua primeira edigao. Um agradecimento especial aos nossos revisores desta sétima edi- ‘edo, bem como aqueles que ajudaran com uma revisio apurada do Manual de Solugdes ¢ os revisores contribuintes do curso WileyPLUS*: Nidal Al-Masoud, Central Connecticut State University; Defne Apul, University of Toledo; John Dietz, University of Central Florida; Raghu Echempati, Kettering University; Srinath Ekkad, Louisiana State University; Drazen Fabris, Santa Clara University; Donald Fenton, Kansas State University; ‘Tom Filbum, University of Hartford; Alison R. Griffin, University of Central Florida; Pei-feng Hsu, Florida Institute of Technology; Nirmal Khandan, New Mexico State University; Jay M, Khodadadi, Auburn University; “Bise material se refere& digo original em inglés nfo consta da edigdo brasileira. (N.E.) vill PReFAcio Jay Martin, University of Wisconsin-Madison; John Mitchell, University of Wisconsin-Madison; John Rajadas, Arizona State University Polytechnic; Georgia Richardson, University of Alabama ~ Huntsville; Dr. Messiha Saad, North Carolina A&T State University; S.A. Sherif, University of Florida; ‘Troy Skinner, University of Alabama — Huntsville; CChelakara Subramanian, Florida Institute of Technology ~ Melbourne; Brian J. Swenty, University of Evansville; Guo-Xiang Wang, University of Akron; Richard Wlezien, Tufts University. Em particular, gostarfamos de agradecer a Rajesh Bhaskaran, da Cornell University, ¢ a Larry ‘Mays, da Arizona State University, por suas contribuigdes ao novo material sobre dindmica dos flui- 1 /581 Bscoamento S6nico, M = | /582 Condigées Critcas ¢ de Estagnagto de Referéncia para Escoamento Isentrépico de um Gas Ideal /583 Escoamento Isentrépico em um Bocal Convergente 588 Bscoamento Isentr6pico em um Bocal Convergente-Divergente /593 13-3. Escoamento em um Duto de Area Constante, com Atsito 598 ‘Equagées Basicas para o Escoamento Adiabético /599 Escoamento Adiabatico: a Linha de Fanno /600 Fungdes de Escoamento de Linha de Fanno para o Escoamento Unidimensional de um Géis Ideal /604 +*Escoamento Isotérmico (Texto no Website) /610 13-4 Escoamento sem Atrito em Duto de Segao Constante, com Troca de Calor /610 Equagdes Basicas para Escoamento com Troca de Calor /611 A Lina de Rayleigh 612 Fungées de Escoamento de Linha de Rayleigh para Escoamento Unidimensional de um Gas Ideal /616 13:5 Choques Normais 4620 EquagGes Basicas para um Choque Normal /620 Fungées de Escoamento de Choque Normal para Escoamento Unidimensional de um Gas Ideal /623 13-6 Escoamento Supers6nico em Dutos, com Choque /627 Escoamento em um Bocal Convergente-Divergente (628 *Difusor Supers6nico (Texto no Website) /629 13-7 Choques Obliquos e Ondas de Expansiio /629 Choques Obliquos /630 Ondas de Expansio Isentr6picas 638 13-8 Resumo e EquagSes Uteis /645 Referéncias /648 Problemas /649 DADOS DE PROPRIEDADES DE FLUIDOS /658. EQUACOES DO MOVIMENTO EM COORDENADAS CILINDRICAS /670 FILMES PARA MECANICA DOS FLUIDOS /671 CURVAS DE DESEMPENHO SELECIONADAS PARA BOMBAS E. VENTILADORES /674 FUNGOES DE ESCOAMENTO PARA CALCULO DE ESCOAMENTO COMPRESSIVEL /685 ANALISE DE INCERTEZA EXPERIMENTAL /696 UNIDADES SI, PREFIXOS E FATORES DE CONVERSAO /703 UMA BREVE REVISAO DO EXCEL DA MICROSOFT (TEXTO NO WEBSITE) Respostas de Problemas Selecionados (Texto no Website) indice / 705 Capitulo 1 Introdugao 41 NOTA AOS ESTUDANTES 4-2. ESCOPO DA MECANICA Dos FLUIDOS 1-3" DEFINIGAO DE UM FLUIDO 1-4 EQUAGOES BASICAS METoD0S DE ANALISE DIMENSOES E UNIDADES ‘ANALISE DE ERRO EXPERIMENTAL ‘RESUMO — ESTUDO DE ced a -"Nenhum avido, ot modelo de avito, oa como um pas- saro; todos eles tém asas fixas quando em voo, enquanto sobre as ae cedesenvolveram um pequeno avito de vigildncia (envergadura de asa igual a 61 cm e massa total de 0,68 kg) fe ees forma de sua asa durante 0 Decidimos dar a este livro o ttulo “Introdugdo & ...” pela seguinte raziio: depois de estudar o livro, ‘Yoc€ ndo estaré apto para projetar a aerodinémica de um novo carro ou avido, ou projetar uma nova valvula cardiaca, ou extratores € dutos de ar para um edificio de 100 milhées de délares; contudo, voce terd desenvolvido uma boa compreensio dos conceitos que esto por trs de tudo isso e muitas 2 cariruto1 outras aplicagdes. Vocé teré feito um progresso significativo na diregao de estar pronto pata trabalhar em projetos de ponta em mecéinica dos fluidos tais como esses. Para iniciar na diregao desse objetivo, abordamos, neste capitulo, alguns t6picos bésicos: um estudo de caso, a abrangéncia da mecdnica dos fluidos, a definicao-padrio do ponto de vista da engenharia para um fluido ¢ equacdes bésicas e métodos de andlises. Finalmente, discutimos algumas confuses frequentes que o estudante da engenharia faz.em temas tais como os sistemas da unidade e a andlise experimental. 1-1 NOTA AGS ESTUDANTES Este € um livro orientado para o estudante: acreditamos que ele seja bastante detalhado para um texto introdut6rio, e que um estudante possa aprender por si através dele, Contudo, muitos estudantes usario ‘© texto em um ou mais cursos de graduacao. Em ambos os casos, recomendamos uma leitura apurada dos capitulos relevantes. De fato, uma boa estratégia ¢ ler rapidamente cada capitulo uma vez, e entio reler cuidadosamente uma segunda e mesmo uma terceira vez, de modo que os conceitos formem um. contexto e adquiram significado, Tendo em vista que os estudantes frequentemente acham a mecdnica dos fluidos bastante desafiadora, acreditamos que essa técnica, associada &s informacdes dadas por seu professor, aumentardo e expandirdo o material do texto (isso se vocé estiver fazendo um curso) € revelarao que a mecéiica dos fluidos é um campo de estudo fascinante e variado. Outras fontes de informagGes sobre mecdnica dos fluidos so facilmente encontradas. Além da- queles fornecidos por seu professor, hd muitos outros textos e revistas de mecnica dos fluidos, bem como a Internet (uma busca recente feita no Google para “fluid mechanics” indicou 26.400.000 links, inckuindo muitos com célculos e animagdes de mecfnica dos fluidos!).. HG alguns pré-requisitos para ler este livro. Pressupomos que vocé j4 tenha estudado introduto- riamente termodindmica, assim como estitica, dindmica e célculo; em todo caso, quando necessério, revisaremos alguns pontos desse contetido. ‘Acreditamos firmemente que se aprende melhor fazendo. Isso é uma verdade, seja o assunto estu- dado mecdnica dos fluidos, termodinamica ou futebol. Os fundamentos em qualquer um desses as- suntos so poucos, ¢ o dominio deles vem com a prética. Entdo, é extremamente importante que vocé resolva problemas. O grande niimero de problemas incluidos ao final de cada capitulo oferece a voce 2 oportunidade de aplicar os fundamentos na resoluco de problemas. Mesmo que tenhamos provi- denciado, para a sua comodidade, um resumo de equagdes titeis no final de cada capitulo (a excegao deste), vocé deve evitar a tentagdo de adotar métodos do tipo “receita de bolo” na resolugo de pro- blemas. Em muitos dos problemas propostos essa técnica simplesmente nao funciona. Para resolver problemas, recomendamos fortemente que voc€ desenvolva os seguintes passos I6gicos 1, Bstabelega de forma breve e concisa (com suas préprias palavras) a informagdo dada, 2. Identifique aquilo que deve ser encontrado. 3. Faca um desenho esquemitico do sistema ou do volume de controle a ser usado na anise, Certfique-se de assi- nalar as fronteiras do sistema ou do volume de controle e as diregdes e sentidos apropriados das coordenadas. .Apresente a formulago matemiética das leis bdsicas que voo8 considera necessérias para resolver 0 problema. - Relacione as hipéteses simplificadoras que voc® considera apropriadas para o problema, ;. Complete a anélise algebricamente antes de introduzir valores numérico. Introduza os valores numéricos dados (usando um sistema consistente de unidades) para obter a resposta nu- mmérica desejada, ‘a. Referencie a fonte de valores para as propriedades fisicas, b, Centifique-se de que os algarismos significativos da resposta sdo compativeis com aqueles dos dados for- necidos. 8. Verifique a resposta e reveja as hipsteses feitas na solugto, a fim de assegurar que elas slo razoaves. 9. Destaque a resposta. Nos primeiros exercfcios, essa formatagio do problema pode parecer longa e mesmo desnecessé- ria, Contudo, da nossa experiencia, sabemos que essa técnica para resolver problemas é, em tilti- mo caso, a mais eficiente; ela o preparar, também, para a comunicagio clara e precisa dos seus métodos de solugio e dos seus resultados a terceiros, como seré frequentemente necessétio na sua carreira como um profissional de sucesso. Esse formato de soluedo é empregado em todos os exem- los apresentados neste texto; as respostas desses exemplos so arredondadas para trés algarismos signiticativos wrroougho 3 Finalmente, estimulamos vocé a experimentar as vantagens de usar as muitas ferramentas Excel dispontveis no texto da Website deste livro, para resolver problemas. Muitos deles podem ser resolvidos ‘com muito mais rapidez quando usadas essas ferramentas; ocasionalmente, certos problemas podem set resolvidos apenas com essas ferramentas ou com um programa computacional equivalente. ESCOPO DA MECANICA DOS FLUIDOS ‘Como o nome indica, a mecfinica dos fluidos ¢ 0 estudo de fluidos em repouso ou em movimento. Ela tem sido tradicionalmente aplicada em éreas tais como o projeto de sistemas de canal, dique e represa; ‘o projeto de bombas, compressores, tubulagdes e dutos usados nos sistemas de 4gua e condicionamento de ar de casas ¢ edificios, assim como sistemas de bombeamento necessérios na indistria quimica; as, aerodindmicas de automéveis e avides sub e supersOnicos; e 0 desenvolvimento de muitos diferentes, medidores de vaza0, tais como os medidores de bombas de gas. ‘Como as Areas citadas anteriormente ainda so extremamente importantes (veja, por exemplo, a énfase atual dada & aerodindmica dos carros e as falhas dos diques em Nova Orleans),* a mecnica dos fluidos é realmente uma disciplina de “alta tecnologia” ou “de tope”. Ela permitiu o desenvolvi- mento de muitos campos instigantes no tiltimo quarto de século. Alguns exemplos incluem questées sobre meio ambiente ¢ energia (por exemplo, contencao de derramamento de leos, turbinas edlicas de grande escala, geracio de energia a partir de ondas do oceano, aspectos aerodinmicos de grandes edificagées, mecinica dos fluidos de fenémenos atmosféricos como tornados, furacées e tsunamis); biomecinica (por exemplo, coragdes ¢ valvulas artificiais e outros érgiios como o figado; compreensio da mecanica dos fluidos do sangue, Ifquido sinovial das juntas, o sistema respirat6rio, o sistema circu- latério ¢ 0 sistema urinério); esportes (projeto de bicicletas e capacetes de bicicleta, esquis, vestimentas para corrida e natacao, a aerodindmica de bolas de golfe, ténis e futebol); “fluidos inteligentes” (por ‘exemplo, em sistemas de suspensGo automotiva para otimizar o movimento sobre todas as condigdes do terreno, uniformes militares contendo uma camada de fluido que é “mole” até o combate, quando entdo pode tomar-se firme para dar forga e protegdo ao soldado, e Iiquidos de lentes com proprieda- es parecidas &s humanas para uso em cémaras ¢ telefones celulares); e microfluidos (por exemplo, para aplicagdes extremamente precisas de medicagdes). Essa é apenas uma pequena amostragem de novos campos de aplicacio da mecanica dos fluidos. Eles ilustram como esta disciplina ainda € altamente relevante e como seus horizontes esto se am- pliando, apesar de ela existir ha milhares de anos. DEFINIGAO DE UM FLUIDO Quando trabalhamos com um fluido, temos um sentimento comum que é oposto aguele do trabalho ‘com um s6lido: 0s fluidos tendem a escoar quando interagimos com eles (por exemplo, quando vocé agita seu café da manha); 0s s6lidos tendem a se deformar ou dobrar (por exemplo, quando voce bate sobre um teclado, as motas sob as teclas se comprimem). Os engenheiros necessitam de uma definicdo mais formal e precisa de um fluido: um fluido é uma substincia que se deforma continus- ‘mente sob a aplicacao de uma tensdo de cisalhamento (tangencial), no importando o quao pequeno seja 0 seu valor. Como 0 movimento do fluido continua sobre a aplicagao dessa tensio, definimos um fluido também como uma substincia que ndo pode sustentar uma tensio de cisalhamento quan- do em repouso. Assim, Iiquidos e gases (ou vapores) sfio as formas, ou fases, que os fluidos podem se apresen- tar, Gostarfamos de distinguir essas fases da fase s6lida da matéria. Podemos ver a diferenca entre 0 comportamento de um sélido e um fluido na Fig. 1.1. Se colocarmos uma espécie de uma ou da ou- tra substincia entre dois planos (Fig. 1.1), e, depois, aplicarmos uma forga de cisalhamento F, cada uma sofrerd uma deformacao inicial (Fig. 1.16); contudo, ao passo que um sélido ficaré em repouso (admitindo que a forga ndo seja suficientemente grande para levé-lo além do seu limite elistico), um fluido continward se deformando (Fig. 1.1c, Fig. I-Id, etc.) enquanto a forca € aplicada. Note que um 0s autores referee 2s inundopSes ocoridas em agosto de 2005 em Nova Orleans, nos Estados Unidos, provocadas pelo fur fo Katrina. (VT) 4 cnriruo1 (a) Sélido ou fluido (6) Sélido ou fluido (©) Apenas fluido (@ Apenes fluid Fig, 1.1 Diferenga de comportamento de um séiido e de um fluido devido a uma forea de cisalhamento, fluido em contato com uma superficie s6lida no destiza sobre ela. O fluido tem a mesma velocidade dda superficie por causa da condi¢do de néo deslizamento, que é um fato experimental.! ‘O tamanho da formagao do sélido depende do médulo de rigidez G do s6lido; no Capitulo 2, apren- deremos que a razio de deformagdo do fluido depende da viscosidade 4x do fluido. Referimo-nos aos s6lidos como elésticos e aos fluidos como viscosos. EQUAGOES BASICAS A anélise de qualquer problema de mecénica dos fluidos inclui, necessariamente, o estabelecimento das leis basicas que governam o movimento do fluido. As leis bésicas, que s3o aplicaveis a qualquer fluido, slo: 1. A conservagio da massa 2. A segunda lei do movimento de Newton 3. O principio da quantidade de movimento angular 4. A primeira lei da termodinmica 5. A segunda lei da termodindmica Nem todas as leis bdsicas so necessérias para resolver um problema qualquer. Por outro lado, em uitos problemas é necessério buscar relagbes adicionais que descrevam 0 comportamento das pro- priedades fisicas dos fluidos sob determinadas condigdes. ‘Voce provavelmente se recorda, por exemplo, do estudo das propriedades dos gases na fisica bi- sica ou na termodinamica. A equagio de estado do gas ideal pRT qt) € um modelo que relaciona a massa especifica com a pressto e a temperatura para muitos gases sob condigdes normais. Na Eq. 1.1, Ra constante do gas. Valores de R sfo dados no Apéndice A para diversos gases comuns; p e T, na Eq. 1.1, so a pressdo e a temperatura absolutas, respectivamente; ‘p éamassa especifica (massa por unidade de volume). O Exemplo 1.1 ilustra o emprego da equacdo de estado do gés ideal. E Sbvio que as leis bésicas com as quais lidaremos so as mesmas usadas na mecfnica e na ter- ‘modindmica. A nossa tarefa sera formular essas leis de modo adequado para resolver problemas de escoamento de fluidos e entao aplicé-las a uma grande variedade de situagSes. Devemos enfatizar que existem, conforme veremos, muitos problemas aparentemente simples na mecanica dos fluidos que nao podem ser resolvidos de forma analttica. Fm tais casos, devemos tecor- rer a solugdes numéricas mais complicadas e/ou a resultados de testes experimentais. METODOS DE ANALISE O primeiro passo na resolucdo de um problema é definir 0 sistema que vocé esté tentando analisar. Na mecénica bsica, fizemos uso intenso do diagrama de corpo livre. Agora, utilizaremos um siste- ‘ma ou um volume de controle, dependendo do problema que estiver sendo resolvido. Esses conceitos A condigo de ao deslizamento € demonsrada no video NCEM, Fundamentals of Boundary Layers (Acesse hp mit edu ‘uid!www/Shapirfncfn.hml para ver online (fres) ese filme; apesar de antigo, cle é muito bom). Uma lists complete de tales «Tones solve videos de mecsnica ds Tidos 6 Toranesida no Apgndice C. wwrmoDUGKO 5 sfio idénticos aqueles utilizados na termodindmica (exceto que vocé pode té-los chamado de sistema fechado ¢ de sistema aberto, respectivamente). Podemos utilizar um ou outro para obter expresses ‘mateméticas para cada uma das leis bésicas. Na termodindmica, esses conceitos foram utilizados ba- sicamente na obtengiio de express6es para a conservacdo da massa, da primeira e da segunda leis da termodinfimica; em nosso estudo de mecdnica dos fluidos, estaremos mais interessados na conser- vagdo da massa ¢ na segunda lei do movimento de Newton. Na termodindmica, o nosso foco era a cenergia; na mecénica dos fluidos, a énfase seré, principalmente, em forgas ¢ movimento. Devemos estar sempre atentos ao conceito que estaremos utilizando, sistema ou volume de controle, pois cada ‘um conduz.a diferentes expresses matemiticas das leis basicas. A seguir, vamos rever as definigBes de sistema e volume de controle. Sistema e Volume de Controle Um sistema é definido como uma quantidade de massa fixa e identificdvel; o sistema 6 separado do ambiente pelas suas fronteiras. As fronteiras do sistema podem ser fixas ou méveis; contudo, nenhu- ma massa cruza essas fronteiras. No cléssico conjunto cilindro-pistdo da termodinamica, Fig. 1.2, 0 g4s no ci- lindro & 0 sistema, Se o gis for aquecido, o pisto levantaré o peso; a fronteira do sistema move-se entio, Calor ¢ trabalho poderdo cruzar as fronteiras do sistema, ‘mas a quantidade de matéria dentro delas permaneceré constante. Nenhuma massa cruza as fronteiras do sistema. 6 cariruto1 Este problema: Foi resolvido usando as nove etapas légias discutias anteriormente. % Revit 0 uso da equagio do gés ideal ea primeira lei da termodindmica para um sistema, Nos cursos de mecfinica, empregamos bastante o diagrama de corpo livre (enfoque de sistema). Isso era légico, porque lidavamos com um corpo rigido facilmente identificavel. Entretanto, na mecanica dos fluidos, normalmente estamos interessados em escoamentos de fluidos através de dispositivos como compressores, turbinas, tubulagdes, bocais, entre outros. Nesses casos, € dificil focar a atencdo numa quantidade de massa fixa identificdvel. E muito mais conveniente, para anilise, concentrar a atencdo sobre um volume no espaco através do qual o fluido escoa. Por isso, usamos 0 enfoque do volume de controle, ‘Um volume de controle & um volume arbitrério no espago através do qual o fluido escoa. A fron- teira geométrica do volume de controle é denominada superficie de controle. A superficie de contro- le pode ser real ou imagindria; ela pode estar em repouso ou em movimento. A Fig. 1.3 mostra um escoamento numa jungio de tubos com uma superficie de controle delimitada pela linha tracejada. Note que algumas regides dessa superficie correspondem a limites fisicos (as paredes dos tubos) outras (regides D, @ ¢ ) sto imaginérias (entradas ou saidas). Para o volume de controle definido pela superficie de controle, poderiamos escrever equagées para as leis basicas e obter resultados como a vaziio na safda @) dadas as vazbes na entrada (D e na safda @ (de modo semelhante ao problema que analisaremos no Exemplo 4.1, no Capitulo 4), a forga requerida para manter a jungo no lugar, assim por diante, E sempre importante tomar cuidado na selecdo de um volume de controle, pois & escolha tem um grande efeito sobre a formulagdo matemstica das leis bésicas. A seguir, ilustraremos uso de um volume de controle com um exemplo. ~ ‘Superticie de controle Fig. 4.3 Escoamento de um fluido através de uma jungio de tubes. | @ Volume de controie twrrooucko 7 soLUGAD: Gonsiderar: A 4que¢ incompressivel (massa expecfica p= constante) ‘A ei fsica que usamos aqui é a da conservagio da massa, que vocé eprendeu na termodinamica quando estudou tubinas, evapo- adores, ente outros dispositivos, Voeé deve tr visio a Vario méssica na enrada ena safda exprests plas férmolas 1 = VA/o ou 1 = pVA, nas qusis V, A, vp sto a velocidade, dra, volume espeifico e massa espectica,respectivamente, Usaremos a equago na forma de massa expectic, Assim, a Vazdo mdssica 6: n= pVa ‘Aplicando a conservacdo da massa, do nosso estudo de termodingmica, BV Ac= pVsAx (Nota: p, = p, = p de acordo com a consideracio feita) (Nota: mesmo que jé estejamos familiarizados com essa equagao da termodindmica, remos deduzi-la no Capitulo 4.) Resolvendo para V;, Dia, (DAY? UDI uG) Ds, Este problema: Foi resolvido usando as nove etapas légieas ¥ Demonstrou 0 uso de volume de controle ea lei da conservacio de massa, Formulagdo Diferencial versus Formulagao integral As leis bésicas que aplicamos em nosso estudo de mecanica dos fluidos podem ser formuladas em ter- ‘mos de sistemas e volumes de controle infinitesimais ou finitos. Como voce pode supor, as equacdes, parecerio diferentes nos dois casos. Ambas as formulagées so importantes no estudo da mecanica dos fluidos, e as duas sero desenvolvidas no decorrer do nosso trabalho. No primeiro caso, as equagdes resultantes so equagdes diferenciais. A solugio das equagGes di- ferenciais do movimento fornece uma maneira de determinar o comportamento detalhado do escoa- mento. Um exemplo pode ser a distribuigao de pressdo sobre a superficie de uma asa. Frequentemente, a informagao procurada nfo requer um conhecimento detalhado do escoamento. Muitas vezes, estamos interessados no comportamento de um dispositivo como um todo; nesses ca- sos, é mais apropriado empregar a formulacdo integral das leis basicas. Um exemplo pode ser a sus- tentacdo total que uma asa produz, Formulagdes integrais, usando sistemas ou volumes de controle finitos, em geral t8m tratamento analitico mais fécil. As leis bésicas da mecfnica e da termodinémi- ca, formuladas em termos de sistemas finitos, so a base para a dedugo das equagées do volume de controle no Capitulo 4. Métodos de Descrigao A mecfinica lida quase que exclusivamente com sistemas; vocé jé deve ter usado intensivamente as equagbes bésicas aplicadas a uma quantidade de massa identificvel e fixa. Por outro lado, a0 tentar analisar dispositivos termodindmicos, muitas vezes vocé considerou necessério utilizar um volume de controle (sistema aberto), Claramente, 0 tipo de andlise depende do problema em questao. ‘Quando é fil acompanhar elementos de massa identificéveis (por exemplo, em mecfinica de par- tfcula), langamos mio de um método de descrigo que acompanha a particula. Refere-se a isso, usu: almente, como o método de descrigao lagrangiano. 8 capiruo1 Considere, por exemplo, a aplicagio da segunda lei de Newton a uma particula de massa fixa. Ma- tematicamente, podemos escrever a segunda lei de Newton para um sistema de massa m como wae EB = ma =m = mo a ae Na Eq, 1.2, EF 6 a soma de todas as forgas externas atuantes sobre o sistema, Ze V slo, respectiva- mente, a aceleracao e a velocidad do centro de massa do sistema, e F € 0 vetor posigdo do centro de massa do sistema em relago a um sistema fixo de coordenadas. ay EXEMPLO 1.3 Queda Livre de uma Bola no Ar } A resisténcia do ar (forga de arrasto) sobre uma bola de 200 g em queda livre é dada por F,= 2 10-* V2, na qual F, € dada em newtons e Vem metros por segundo. Se a bola for largada do repouso a 500 m acima do solo, determine & velocidade com que ela atinge 0 solo. Que porcentagem da velocidade terminal esse valor representa? (A velocidade terminal € a velocidade de regime permanente que um corpo em queda livre eventualmente atinge.) me DADOS: Bola, m = 0.2 kg largada do repouso a5 = 500m Resistencia do a, = kV2 em que k= 2 10-N- sm? a Unidides: F,(), Vins) ' DETERMINAR: (@) A velocidade com a qual a bola atinge 0 soto » fo (©) A razio entre a velocidade final e a velocidade termina, L, SOLUGAD: Equacao basica: EF = ma Gonsiderar: Desconsiderar a forca de empuxo, (© movimento da bola € modelado pela equagio Dh By Mp Como V = Vo), eserevemas 2, = m2” budt Alternativamente, para pequenos angulos, 81> by 5a Igualando essas duas expressoes para 81, obtemos eee car ‘Tomando os limites de ambos os lados da igualdade, obtemos da du a dy ‘Dessa forma, o elemento fluido da Fig. 2.9, quando submetido & tenso de cisalhamento, 7,., experi- ‘menta uma taxa de deformaco (taxa de cisalhamento) dada por du/dy, J4 estabelecemos que qualquer fluido sob a agdo de uma tenso de cisalhamento escoard (ele terd uma taxa de cisalhamento). Qual ¢ a relagdo entre tensdo de cisalhamento e taxa de cisalhamento? Os fluidos para os quais a tensdo de cisalhamento é diretamente proporcional & taxa de deformacao sao fiuidos newtonianos. A expresso no newtoniano € empregada para classificar todos os fluidos em que a tensfo cisalhante nao é dire- ‘tamente proporcional a taxa de deformacao. Fluido Newtoniano 5 fluidos mais comuns (aqueles discutidos neste texto), tais como Agua, ar ¢ gasolina, so newtonia- nos em condigdes normais. Se 0 fluido da Fig. 2.9 for newtoniano, ento du te oc (2.14) mo 2.14) 16 estamos familiarizados com 0 fato de que alguns fluidos resistem mais ao movimento que outros. Por exemplo, € muito mais diffcil agitar leo SAE 30W num reservat6rio do que agitar 4gua nesse ‘mesmo reservat6rio. Portanto, 0 6leo SAE 30W € muito mais viscoso que a 4gua — ele tem uma vis- cosidade mais alta, (Note que também & dificil de agitar 0 meretrio, mas por uma razio diferente!) A 30 capiruo2 constante de proporcionalidade na Eq. 2.14 6 a viscosidade absoluta (ou dindmica), 42. Deste modo, em termos das coordenadas da Fig. 2.9, a lei de Newton da viscosidade para o escoamento unidimen- sional é dada por du fea 2.15) Note que, como as dimensdes de 7 sio [F/L?] ¢ as dimensbes de du/dy so [1/t], tem dimensdes; [FV]. Uma vez que as dimensdes de forca, F, massa, M, comprimento, L, ¢ tempo, t, sfo relacio- nadas pela segunda lei do movimento de Newton, as dimensdes de 1 também podem ser expressas como [M/Lz]. No sistema Gravitacional Britanico, as unidades de viscosidade sao Ibf's/ft? ou slug! (ft 8). No sistema Métrico Absoluto, a unidade bésica de viscosidade ¢ denominada poise [1 poise = 1 gf(om - s)]; no sistema SI, as unidades de viscosidade so kg/(m - s) ou Pas (I Pa: s = 1N s/n), O céleulo da tensfo de cisalhamento viscoso ¢ ilustrado no Exemplo 2.2. ‘Na mecéinica dos fluidos, a razdo entre a viscosidade absoluta, 1, €a massa espectfica, p, surge com frequéncia. Essa razao € chamada viscosidade cinemdtica ¢ & representada pelo simbolo v. Como a massa especfica tem as dimensdes [M/L’], as dimensdes de v so [L2/f]. No sistema Métrico Absolu- to, a unidade de v é 0 stoke (1 stoke = 1 cm/s). Apéndice A apresenta dados de viscosidade para diversos fluidos newtonianos comuns. Note que, para gases, a viscosidade aumenta com a temperatura, enquanto que, para Kiquidos, a viscosidade 1),0 fluido 6 chamado dilatante. Voc pode ter uma ideia disso na praia — se vocé andar lentamente (e, portanto, gerando uma baixa taxa de cisalhamento) sobre a areia muito timida, vocé afunda nela, mas se voc€ corre sobre ela (gerando uma alta taxa de cisalhamento), a areia € muito firme. ‘Um “fluido” que se comporta como um s6lido até que uma tensio limttrofe, 7, seja excedida e, subsequentemente, exibe uma relacdo linear entre tenséo de cisalhamento e taxa de deformagao € denominado plastico de Bingham ou plastico ideal. O modelo correspondente para a tensfo de cisa- Thamento € ai te Sty Hs (2.18) Suspensées de argila, lama de perfuragdo e pasta dental sto exemplos de substincias que exibem esse comportamento. ‘CONCEITOS FUNDAMENTAIS 33 0 estudo dos fluidos niio newtonianos é ainda mais complicado pelo fato de que a viscosidade aparente pode ser dependente do tempo. Fluidos tixofrépicos mostram um decréscimo em 7 com 0 ‘tempo sob uma tensio cisalhante constante; muitas tintas so tixotrépicas. Fluidos reopéticos mos- ‘ram um aumento em 7 com o tempo. Ap6s a deformaco, alguns fluidos retornam parcialmente & sua forma original quando livres da tensao aplicada; esses fluidos sfio denominados viscoeldsticos? (muitos fluidos biol6gicos funcionam desse jeito). 2-5 TENSAO SUPERFICIAL ‘Vocé pode dizer quando o seu carro precisa ser lavado: as gotas de égua tendem a parecer um pou- co achatadas, Apés a lavagem, as gotas de agua sobre a superficie teriam contomos mais esféticos. Esses dois casos so ilustrados na Fig. 2.11. Dizemos que um Ifquido “molha” uma superficie quan- do 0 dingulo de contato 6 & menor que 90°. Por essa definicao, a superficie do carro estava molhada antes da lavagem, ¢ nfo molhada apés a lavagem. Este é um exemplo dos efeitos da rensdo superfi- cial. Sempre que um liquido esté em contato com outros liquidos ou gases, ou com uma superficie ‘gis/s6lido como nesse caso, uma interface se desenvolve agindo como uma membrana eléstica esti- cada e criando tensdo superficial. Essa membrana exibe duas caracterfsticas: o Angulo de contato @ © 0 médulo da tensao superficial o (N/m ou Ibfift). Ambas dependem do tipo de Ifquido e do tipo da superficie s6lida (ou do outro liquido ou gés) com a qual esse liquido compartilha uma interface. No exemplo da lavagem de carro, 0 angulo de contato mudou de um valor menor que 90°, para um valor maior que 90°, porque a lavagem mudou a natureza da superficie sOlida, Entre os fatores que afetam © Angulo de contato estio a limpeza da superficie e a pureza do liquido. Outros exemplos de efeitos de tensdo superficial aparecem quando vocé colocar uma agulha sobre ‘uma superficie de agua ou, similarmente, quando pequenos insetos aquiticos so capazes de cami- thar sobre a superficie da fgua.* Apéndice A contém dados de tensdo superficial e Angulo de contato para liquidos comuns na presenga de ar e de agua. ‘Um balango de forga em um segmento de interface mostra que ha um salto de pressiio através da suposta membrana eldstica sempre que a interface é curva, Para uma gota de égua no ar, a pressio na gua é maior que a pressao ambiente; 0 mesmo é para uma bolha de gs num Iiquido. Para uma bolha de sabio no ar, a tenséo superficial age em ambas as interfaces, interna e externa, entre a pelicula de sabdo ¢ 0 ar, 20 longo da superficie curva da bolha. A tensio superficial também conduz aos fendme- nos de ondas capilares (isto é, de comprimentos de onda muito pequenos) em uma superficie Ifquida [5] ¢ de ascensio ou depressio capilar discutidos a seguir. Em engenharia, provavelmente o efeito mais importante da tensfo superficial é a criagio de um ‘menisco curvo nos tubos de leitura de mandmetros ou bardmetros, causando a (normalmente indese- Jével) ascensdo (ou depressao) capilar, conforme mostrado na Fig. 2.12. A ascensio capilar pode ser pronunciada se 0 Ifquido esté em tum tubo de didmetro pequeno ou em uma fenda estreita, conforme mostrado no Exemplo 2.3. abo (a) Uma superticie*molnadst (8) Uma superficie nso melhada (a) Ascensio capilar(@ < 90") (2) Dopresso capilar (8 > 90") Fig. 2.11 Efeitos da tensao superficial sobre gotas de agua, Fig. 2.12 Ascenso capilar © depressao capilar no interior & no exterior de um tubo circular. ‘Bremplos de Muidos dependents do tempo ede Mudos vscoestiossi9 iustradot no filme da NCFME, Rheological Behavior of Fluids. (Veja hp: web mit edulidshwww/Shapico'elmt html para ariste ese fle gratuiaments), "Esses coutos exemplos de fendmenos so lustados no file da NCFMF, Surface Tension in Fld Mechanic. (Veja hupliveb mivedu/TuidshwwwiShapinofctmt al para assis esse filme gratuitamente) 34 capino2 ‘EXEMPLO.2.3.Andlise do Efeito Gapitar em um Tubo._ 2 hoes “Cie im glico mostando d ascenso ou depress capac em uma colina de inerero ou de Agu, respectivamente, “como uma funcao do diametro do tubo D. Determine o didmetro minimo requetido | ara cada -colun ‘de forma que a ‘magnitude da altura seja menor que mm. I ADK ‘Um tubo com liquide, conforme mostrado na Fig.212 DETERWANAR: Uma expresso ger para como uma fangdo de D. es 4 fe SOLUGAO! = pe Obes lige @ anise do dagrama de compote iol di ad verte I —_ sae 40.0050 3 ae sere Sa Eas PED. a a cane eit copia em tubs pequenos mereitio, L i Es Tragando o grifico, saa | ak iis ‘A : a Taw Merci] Didmet, D (mm) © Pig = 30 mm Notas: Ext problema reviuo uso do método do diagrama de coro ie + Verfcou-se qu 66 vid desprezaro volume na regio do menisco quando A 6 grande em compra com D.Entstanto, neste problema, Ai €cetea de | mm quando D é 11,2 mm (ou 30 mm; portant, os resultados so penas razoavelmente tons. Se © arc sresutados foram seas com oa plait Exel CCONCEITOS FUNDAMENTAIS 35 Folsom [6] mostra que a andlise simples do Exemplo 2.3 superestima o efeito da capilaridade fomnece resultados razodveis somente para didmettos menores do que 0,1 in (2,54 mm). Para diéme- ‘os na faixa 0,1 < D < 1,1 in, dados experimentais para a ascens4o capilar em uma interface égua-ar estio correlacionados por meio da expresso empitica Mh = 0,400/e""2, As leituras em bardmetros e mandmetros devem ser feitas no nivel médio do menisco. Esse local ‘std afastado dos efeitos maximos da tensio superficial e, portanto, mais préximo do nivel correto de liquido. Todos os dados de tensfio superficial do Apéndice A correspondem a medidas em liguidos puros em contato com superficies verticais limpas. Impurezas no liquido, sujeiras sobre a superficie ou inctina- io na superficie podem causar meniscos indistintos; nessas condigdes, toma-se dificil determinar 0 nivel de liquide com preciso. O nivel de Ifquido é mais distinto em um tubo vertical. Quando tubos inclinados sao utilizados para aumentar a sensibilidade de manémetros (veja Segio 3-3), € importan- te fazer cada leitura no mesmo ponto sobre o menisco e evitar a utilizagao de tubos com inclinagbes maiores que 15° em relacdo & horizontal Compostos surfactantes reduzem significativamente a tensio superficial (em mais de 40% com ‘pequenas variagdes em outras propriedades (7]) quando adicionados & égua. Essas substancias tém ‘grande aplicagdo comercial: a maioria dos detergentes contém surfactantes para ajudar a égua a pene- tare retirar a sujeira de superficies. Os surfactantes so também bastante wtilizados industrialmente ha catélise, em aeross6is e na recuperacao de 6leos minerais e vegetais. 2-6 DESCRIGAO E CLASSIFICAGAO DOS MOVIMENTOS DE FLUIDOS No Capitulo 1 ¢ neste capitulo, praticamente finalizamos nossa breve introducdo a alguns coneei- tos ¢ ideias que sto frequentemente necessarios para o estudo da mecanica dos fluidos. Antes de prosseguirmos com a andlise detalhada desta disciplina no restante do texto, descreveremos alguns exemplos interessantes que ilustram uma classificacdo ampla da mecdnica dos fluidos com base ‘em caracterfsticas importantes do escoamento. Mecdnica dos fluidos é uma disciplina muito vasta cobre tudo, desde a aerodinamica de um vefculo de transporte supersénico até a lubrificago das juntas do corpo humano pelo fluido sinuvial. Por isso, necessitamos delimitar a mecfinica dos flui- dos a proporgées aceitéveis para um curso introdutério. Os dois aspectos da mecfinica dos fluidos ‘mais dificeis de tratar sto: (1) a natureza viscosa dos fluidos € (2) sua compressibilidade. De fato, a primeira érea da teoria da mecanica dos fluidos a se tornar altamente desenvolvida (ha aproximada- mente 250 anos atrés!) foi a que trata do escoamento incompressivel e sem atrito. Conforme vere- mos logo a seguir (e com mais detalhes mais adiante), essa teoria, embora extremamente elegante, Teva ao famoso resultado denominado paradoxo de d” Alembert: nenhum corpo experimenta arrasto quando se movimenta em um fluido sem atrito — um resultado que nio é exatamente consistente com qualquer comportamento real! Embora nfo seja a tinica forma de fazé-lo, a maioria dos engenheiros subdivide a mecinica dos fluidos em termos da presenga ou nio dos efeitos viscosos e de compressibilidade, conforme mostrado na Fig. 2.13. Nessa figura, sio mostradas também classificagGes em termos do tipo de escoamento, se laminar ou turbulento e se interno ou externo. Vamos agora discutir cada um desses casos. Escoamentos Viscosos e Nao Viscosos Quando se joga uma bola para oar (como no jogo de beisebol, futebol ou em qualquer outro espor- te), além do efeito da gravidade, a bola experimenta também o atrasto aerodindmico do ar. A questio que surge €: qual é a natureza da forga de arrasto do ar sobre a bola? Num primeiro momento, po- deremos concluir que o arrasto € devido ao atrito do ar escoando sobre a bola; com um pouco mais de reflexio, poderemos chegar conclusdo de que o atrito nfo deve contribuir muito para o arrasto, pois a viscosidade do ar é muito pequena e, assim, 0 arrasto seria devido prineipalmente ao aumento da presto do ar na regiéo frontal da bola & medida que ela empurra o ar pata fora de seu caminho. A. questo que surge é: podemos predizer, em qualquer instante, a importdncia relativa da forga visco- sa e da forga de pressio na frente da bola? Podemos fazer previsdes similares para qualquer objeto ‘como, por exemplo, um automével, um submarino ou um gldbulo vermelho do sangue movendo-se através de um fluido qualquer como, por exemplo, 0 ar, a agua ou o plasma sanguineo? A resposta (que discutiremos com mais detalhes no Capitulo 7) € que podemos! Podemos estimar se as forgas 36 caPiruio2 Mecanica dos fuides ds mos contnuos SSS eater Fig, 2.18 Possivel classificagao da mecdinica dos fluidos de meios continuos.. viscosas so ou nfio despreziveis em comparagdo com as forgas de pressdo pelo simples célculo do iiimero de Reynolds VL Re=p— oh em que p € 1 sto, respectivamente, a massa especifica ¢ a viscosidade do fluido, e Ve L sto a ve- locidade e 0 comprimento tipicos ou “caracteristicos” do escoamento (nese exemplo, a velocidade € 0 diémetro da bola), respectivamente. Se 0 nimero de Reynolds for “grande”, os efeitos viscosos serdo despreziveis (porém ainda terio importantes consequéncias conforme veremos em breve) pelo ‘menos na maior parte do escoamento; se o mimero de Reynolds for pequeno, os efeitos viscosos se- fo dominantes. Finalmente, se o ntimero de Reynolds ndo for nem pequeno nem grande, nenbuma conclusio geral paderd ser tirada. Para ilustrar essa poderosa ideia, considere dois exemplos simples. Primeio, 0 arrasto na bola: su- ponha que vocé chute uma bola de futebol (dimetro = 8,75 in) de forma que ela se mova a 60 mph, O niémero de Reynolds (usando as propriedades do ar da Tabela A.10) para este caso € em tomo de 400.000 — por qualquer medida um némero grande; 0 arrasto sobre a bola de futebol é quase intei- ramente devido ao aumento de pressio do ar na regiao frontal da bola, Para nosso segundo exemplo, considere uma particula de poeira (modelada como sendo uma esfera com dimetro de 1 mn) cain- do com uma velocidade terminal de 1 cm/s sob 0 efeito da gravidade; neste caso, Re ~ 0,7 — um niimero bastante pequeno; deste modo, o arrasto € quase que inteiramente devido ao atrito do ar. E claro que, nestes dois exemplos, se desejéssemos determinar a forca de arrasto, terfamos que fazer uma anélise mais detalhada. Estes exemplos ilustram um ponto importante: um escoamento ¢ considerado dominado (ou néo) pelo atrito com base ndo apenas na viscosidade do fluido, mas no sistema completo do escoamento.. Nestes exemplos, 0 escoamento de ar representava pouco attito para a bola de futebol, mas muito alrito para a particula de poeira ‘Vamos retornar por um instante & nog&o idealizada do escoamento sem atrito denominado escoa- ‘mento ndo viscoso ou escoamento inviscido. Esse € 0 ramo mostrado & esquerda na Fig. 2.13. Ele en- aloba a maior parte da aerodindmica e, dentre outras coisas, explica, por exemplo, por que aeronaves subsOnicas e supersOnicas possuem diferentes formas, como uma asa gera sustentagdo, e assim por diante. Se for aplicada & bola voando através do ar (um escoamento que também é incompressfvel), essa teoria prediz linhas de corrente (em coordenadas fixas & bola esférica), conforme mostrado na Fig. 2.14a. ‘As linhas de comrente sdo simétricas da frente para trés da bola, Como a vazio méssica é constante centre duas Linhas de corrente quaisquer, sempre que essas linhas se abrem, a velocidade deve decres- cer e vice-versa. Desse modo, podemos verificar que a velocidade do ar na vizinhanga dos pontos CCONCEITOS FUNDAMENTAIS 37 (e) Esecamento ndoviscoso (2) Escoamente viscose Fig. 2.14 Imagem qualitative do escoamento incompressivel em toro de uma esfera. Ae C deve ser relativamente baixa; no ponto B a velocidade seré alta. De fato, oar fica em repouso nos pontos A e C: eles sio pontos de estagnacdo. Segue-se que (conforme estudaremos no Capitulo 66) a pressdo nesse escoamento é alta sempre que a velocidade é baixa, ¢ vice-versa. Assim, os pontos Ace C tém pressdes relativamente grandes (¢ iguais); 0 ponto B seré um ponto de pressdo baixa. De fato, a distribuicdo de pressao sobre a bola esférica € simétrica da frente para trés, € no existe forga Iquida de arrasto devido a pressio. Como estamos supondo escoamento nao viscoso, no pode ha- ver também arrasto devido ao atrito. Temos, entio, do paradoxo de d’Alembert de 1752: a bola nao sofre arrasto! Isso obviamente nao € realista, Por outro lado, tudo parece ser logicamente consistente: verifica- mos que Re para a esfera era muito grande (400,000), indicando que o atrto era desprezivel. Usamos, entZo, a teotia do escoamento inviscid para obter 0 nosso resultado de arrasio zero, Como podemos ‘conciliar essa teoria com a realidade” Foram necessérios cerca de 150 anos apés 0 aparecimento do paradoxo para a resposta, obtida por Prandtl, em 1904: a condicdo de nio destizamento (Segdo 1.2) requer que a velocidade em todo o local sobre a superficie da esfera seja zer0 Escoamento (em coordenadas esféricas), porém a teoria do escoamento nao viscoso estabelece que jnseviscoso 4 velocidade é grande no ponto B. Prandtl sugeriu que, embora de forma geral o atrito comase: _ #38 desprezivel para escoamentos com valores altos do nimero de Reynolds, existiré limite viscose Sempre uma camada-limite delgada’ na qual o atrto & significante, e, através dela, a velocidade aumenta rapidamente de zero (na superficie) até 0 valor previsto pela teoria do escoamento inviscido (sobre a borda externa da camada-limite). Isso mostrado na Fig. 2.15 Esquema de uma camade- Fig, 2.14b, do ponto A ao ponto B, ¢ com mais detalhes na Fig. 2.15. limite. Essa camada-limite permite-nos reconciliar, imeciiatamente, a teoria com a experi- ‘mentagio: uma vez que temos atrito em uma camada-limite, entao, teremos arrasto. Entretanto, essa camada-limite tem uma outra importante consequéncia: ela frequentemente faz com que 0s compos produzam uma esteira, conforme mostrado na Fig. 2.145, do ponto D em diante, no sentido do esco- amento. O ponto D é um ponto de separagdo ou de descolamento, onde as particulas fluidas so afas- tadas da superficie do objeto causando o desenvolvimento de uma esteira."” Considere novamente 0 ‘escoamento inviscido original (Fig. 2.14a): conforme a particula se movimenta ao longo da superficie do ponto B ao ponto C, ela se desloca de uma regido de baixa presso para uma de alta pressio. Esse gradiente de pressdio adverso (uma variago de presstio em oposi¢do ao movimento do fluido) causa ‘uma diminuigZo na velocidade das partfculas & medida que elas se movem ao longo da traseira da es- fera. Se somarmos agora a isso 0 fato de que as particulas estio se movendo em uma camada-limite ‘com atrito que também diminui a velocidade do fluido, as particulas serdo eventualmente levadas 20 Tepouso e, enti, afastadas da superficie da esfera pelas particulas seguintes, formando a esteira Iss0 6, em geral, uma situacéo muito ruim: ocorre que a esteira terd sempre uma pressdo relativamente bai- Xa, porém o ar a frente da esfera possuiré ainda uma pressio relativamente alta. Deste modo, a esfera staré sujeita a um considerdvel arrasto de pressio (ou arrasto de forma — assim chamado porque ele € devido & forma do objeto). A Foxmaglo de uma comade-limite 6 asada no filme da NCFMP, Fundamentals of Boundary Layers, (Veja htpliweb.mit.edal ‘uid ww/Shapia/nfea hl para assis esse Filme gratuitamente) "0 escoumento em tomo de diversos models, iustrando a separag, & demonstrado no filme da Universidade de lowa, Form Drag, Lift end Propulsion 38 cariruo2 Fig. 2.16 Escoamento sobre um objeto ‘earenado. {Camede-lmite Ponto de separagso Essa descri¢do reconcilia os resultados do escoamento inviscido de arrasto zero com os resultados experimentais do escoamento com arrasto significante sobre uma esfera. E interessante notar que, embora a presenga da camada-limite seja necesséria para explicar o arrasto sobre a esfera, ele € re- almente devido, em sua maior parte, & distribuigdo de pressao assimétrica criada pela separacao da camada-limite — 0 arrasto devido exclusivamente ao atrito € ainda desprezivel! Podemos, agora, comegar a ver também como funciona a carenagem de um corpo. Em aerodin8- mica, a forca de arrasto & devida, em geral, & esteira de baixa pressio: se pudermos reduzir ou elimi- nar a esteira, 0 arrasto seré bastante reduzido. Se considerarmos mais uma vez 0 porqué da separa- ‘edo da camade-limite, recairemos sobre dois fatos: o atrito na camada-limite reduz. a velocidade das part{culas, mas também cria o gradiente de pressio adverso. A pressio ‘aumenta muito rapidamente na metade posterior da esfera na Fig. 2.14a, porque as li- ‘iera _nhas de corrente também se abrem muito rapidamente. Se fizermos com que a esfera ‘ganhe 0 formato de uma gota de légrima, conforme mostrado na Fig. 2.16, as linhas de corrente se abrirdo gradualmente, e, desse modo, a pressio aumentaré lentamente por ‘uma extensdo em que as particulas no serdo forgadas a se separar do objeto até qua- se atingirem o seu final. A esteira serd muito menor (¢ isso faz. com que a pressio nfo seja tao baixa quanto antes), resultando em um arrasto de pressio também bem menor. tinico aspecto negativo dessa carenagem é que a érea total da superficie sobre a qual corre atrito aumenta, €, com isso, 0 arrasto devido ao atrito aumenta um pouco."" Devemos salientar que essa discuss4o ndo se aplica ao exemplo de uma particula de pé caindo: este escoamento com baixo ntimero de Reynolds é viscoso — nio existe regio inviscida. Finalmente, esta discussao ilustra a diferenga bastante significativa entre escoamento nao viscoso (4 = 0) eescoamento no qual a viscosidade € desprezivel, porém superior a zero (4 > 0). Escoamentos Laminar e Turbulento Se vocé abrir uma tomneira (que ndo tem dispositivo de aeragdo ou outra derivagio) para uma vazio muito pequena, a Sgua escoard para fora suavemente — quase “vitrficada”, Se voc® aumentar a va~ zo, a Agua sairé de forma agitada, cadtica. Estes sio exemplos de como um escoamento viscoso pode ser laminar ou turbulento, respectivamente. Um escoamento laminar & aquele em que as particulas fluidas movem-se em camadas lisas, ou laminas; um escoamento turbulento € aquele em que as par- ticulas fluidas misturam-se rapidamente enquanto se movimentam ao longo do escoamento, devido a flutuagdes aleatsrias no campo tridimensional de velocidades. Exemplos tfpicos de trajet6rias de cada um desses escoamentos sao ilustrados na Fig. 2.17, que mostra um escoamento unidimensional. "Na maioria dos problemas de mecéinica dos fluidos — por exemplo, escoamento de dgua em um tubo —aturbuléncia é um fendmeno quase sempre indesejével, porém inevitével, porque cria maior resi tGncia ao escoamento; em outros problemas — por exemplo, o escoamento de sangue através de vasos sanguineos — a turbuléncia é desejével, porque o movimento aleat6rio permite 0 contato de todas as ccélulas de sangue com as paredes dos vasos para trocar oxigénio e outros nutrientes."* ‘A velocidade do escoamento laminar é simplesmente w; a velocidade do escoamento turbulento é composta pela velocidade média 7 mais as trés componentes das flutuacdes aleat6rias de velocidade wv ew Pout y Laminar = Ve reuil + of wk ADAIR Tetons Fig. 2.17 Trajetérias de particula em esccamentos unidimensionals, laminar e turbulento. 10 efeito da carenagem de um corp € demonsrado no filme da NCFMF, Fluid Dynan of Drag. (Vela btpliweb.mitedu/ui- fw /Shepiteyncinf hm! para assis ese filme graitament). "Vaios exempts ilustrando a natureza dos escoaments laminar erbulento sho mostrados no filme da NCFMF, Turbulence (Vela pled miteduluidl www /Shapirencfm him para assniese filme gratuitamente), eno filme de Universidade de Towa, Cha ‘acteristics of Laminar and Turbulent Flow. CCONCEITOS FUNDAMENTAIS 39 Embora muitos excoamentos turbulentos de interessesejam permanentes na média (7 nfo € uma funedo do tempo), a presenga de flutuagGes aleat6rias de velocidade e de alta frequéncia toma a ané- lise do escoamento turbulento extremamente dificil. Em um escoamento laminar, unidimensional, a tensdo de cisalhamento esté relacionada com o gradiente de velocidade pela relacao simples e= os (2.15) Para um escoamento turbulento, no qual o campo de velocidade média ¢ unidimensional, nenhuma relagdo simples como essa é valida. FlutuagGes tridimensionais e aleat6rias de velocidade (u’, v' e w") transportam quantidade de movimento através das inhas de corrente do escoamento médio, aumentan- do a tensiio de cisalhamento efetiva. (Essa tensfo aparente é discutida com mais detalhes no Capftulo 8.) Consequentemente, para um escoamento turbulento, ndo existem relagdes universais entre o cam- po de tenses ¢ 0 campo de velocidade média. Portanto, para a andlise de escoamentos turbulentos, temos que nos apoiar fortemente em teorias semiempfticas e em dados experimentais. Escoamentos Compressivel e Incompressivel (Os escoamentos nos quais as variagSes na massa especifica sfio despreziveis denominam-se incom- resstveis; quando as variagdes de massa especifica nao sio desprezfveis, o escoamento é denomi- nado compressivel. O exemplo mais comum de escoamento compressivel & o escoamento de gases, cenquanto 0 escoamento de liquids pode, geralmente, ser tratado como incompressfvel. Para muitos Ifquidos, a temperatura tem pouca influéncia sobre a massa especffica. Sob pressdes mo- 1) comportam-se de maneira bastante diferente dos escoamentos subsonicos (M < 1), Por exemplo, os escoamentos supersénicos podem experimentar choques normais e obliquos e, tam- ‘bém, podem ter um comportamento que contraria 2 nossa intuigo— por exemplo, um bocal supersOni- co (equipamento para acelerar um escoamento) deve ser divergente (isto 6, ter drea da seco transversal crescente) no sentido do escoamento! Notamos aqui, também, que em um bocal subsOnico (que tem rea de segao transversal convergente), a presstio do escoamento no plano de safda sera sempre 2 press8o ambiente; para um escoamento sOnico, a pressdo de safda pode ser maior que a do ambiente; e, para um ‘escoamento supersénico, a presséo de saida pode ser maior, igual, ou menor que a pressio ambiente! 2-7 RESUMO E EQUAGOES UTEIS Neste capitulo, nés completamos nossa revisdo sobre alguns conceitos fundamentais que utilizaremos no estudo da mecénica dos fluidos. Alguns deles sao: ¥, Como deserever os eseoamentos (linhas de tempo, trajet6rias,linhas de corrente linhas de emissdo), ¥, Forcas (de superficie e de campo) e tenses (cislhantee normal). ¥ Tipos de fuidos (newtonianos, nio newtonianos —dlatante, pseudopléstico, ixotpieo, reopético, plistico de Bingham e viscosidade (cinemdtica, dinimica ¢ aparente). ¥ Tipos de escoamento(viscoso/inviscido,laminarturbulento, compresiveVincompressivel, intero/extero). Discutimos também, brevemente, alguns fendmenos de interesse, tais como tensdo superficial, cama- a-limite, esteira ¢ carenagem. Finalmente, apresentamos dois grupos adimensionais muito titeis — ‘nimero de Reynolds ¢ 0 mimero de Mach, Nota: A maior parte das equagGes titeis na tabela a seguir possui restrigSes ou limitagdes — certifique-se de consultar os niimeros das seg6es para detalhes! Equagées Uteis Definigdo da gravidade Segio 2-1 cespecifica: 23) Deinigdo do peso espectfco: ow | S021 Defnigao de inhas de Seqio 2-2 corrente (2D) 28) Defnigdo de trajetris (2D): o Segio 22 FE) ag 7294) 9) Definigdo de inhas de tna cceminio(lo) = ¥(t,20,Y0sf0) Yuahadeenssolto) =9(0.20698t0) 2.10) | Seg#02-2 -emissio (2D): 42. captruo2 Bquagées Greis I Lei da vscosidade de Newton du seqio24 |, (Escoamento 1D): KD 2.15) lf i “Tensio de eisalhamento para es Sedo | um fi nfo newtoniano Hp oy an | (cseoumento 1D): ol GG . REFERENCIA 1. Vincenti, W. G., and C.H. Kruger, J. Introduction 10 Physical Gas Dynamics. New York: Wiley, 1965, 2. Merzkitch, W., Flow Visualization, 2nd ed. New York: “Academic Press, 1987. 3. Tanner, R.L, Engineering Rheology. Oxford: Clarendon Press, 1988. 4, Macosko, C. W,, Rheology: Principles, Measurements, ana Applications. New York: VCH Publishers, 1994, 5. Loh, W. H.T,, “Theory of the Hydraulic Analogy for Steady ‘and Unsteady Gas Dynamics,” in Madern Developments in Gas Dynamics, W-H. T. Loh, ed. New York: Plenum, 1969. 6. Folsom, R. G., “Manometer Errors due to Caplarity, Instruments, 9, 1, 1931, pp. 36-37. 7. Waugh, J.G.,and G, W. Stubstad, Hydroballistics Modeling. ‘San Diego: Naval Undersea Center, ca. 1972. 8, Mays, L. M., Water Resources Engineering, 2005 Edition, New York: Wiley, 2005. PROBLEMAS: 21 Para 0s campos de velocidade dads abaixo, determine: 4. Se.0 campo de escoamento é uni, bi ou tridimensional, e por que. Se oexcoamento €em regime permanente ou transients, € por aut. (As quantidades ae b sto constantes) D Valorem @) Ve arti + y+ ck @) Veani- bj) Vmast- yj terk ©) Va lac ™|i+ 62} 6) Peale ty) (ue)k @ Va (artNi- bX} @) Va arise + ok 2.2. Umifquide visooso 6 cisalhado entre dois discos paraleos; isco superior gia eo inferior 6 fixo, Ocampo de velocidade entre 0 discos dado por V = Zyrux/h. (A origem das coordenadas estélocalzada no centro do disco inferior: o disco superior esti em z = h.) Quaissio as dimensdesdesse campo de velcidae? Ee satisfaz as condigbesfsias de fronteira apropriadas? Quais sio elas? S23 Pua gcampode lode Y= AF + By, omen = Ln eb = ~H/2 mse a courdenadas so medidas em metro, obtenha tna equago pra as lnhas de coentedoescoamento Trace diversas Tnhes de conent para valores pstvs de. iy 24 Para ocampo de vloidade dad por? = ax ~ bs) onde 11s pode seriterpretado para representaroesccameno em un cao Determine uma equaglopaa.aslnhas de corrente do escoamento Trace diversas iahas de cortente no primeiro quadrant, incluindo aguela que passa pelo poato (¥,») = (0,0), \S¥% 2.5. Umm campo de velocidade & dado por F = axf — bry onde a = 1 S'1,b= 18-4, Determine aequagto das inhas de corrente para qualquer tempo t. Trace diversas linbas de eorrente no primeiro quadrant para t =051=1ser= 208, b, 2.6 Um campo de velocidade éespciindo como V = ay + by nde a'= 2's", b = ~6nr's-"e as coordenades so medidas em metros. Ocampo de eeoamento€ un, bi ou tridimensionl? Por qu8? Caleue a componenes a velocdade no onto (2.1/2), Deda ma tsusgo para a linha de coments que passa por ese poo Trace al- {umes lahas de corrente o primelro quadrant inelindo aquela que psa pelo pont 2,12) 2.7, Umcampo de velocidade é dado por ¥ = ax’ + bij, onde a = Tins 'eb = 1 ms" Determine a equago das lin de core Trace alums linha de corente no primeite quadrant 28, Um escoamento é descrito B)i + (~Ay)}, no qual A = 10 fst e B = 20 fs. Trace algumas li- ‘nhas de corrente no plano 2y, incluindo aquela que passa pelo ponto (x, y= (12) 29 A velocidade para um escoamento permanente incompressivel no plano xy € dada por V = iA/x + jAylx*, na qual A = 2 m/s e as coor- ‘denadas sio medidas em metros. Obtenha uma equagdo paraa linha de corente que passa pelo ponto (x, ) = (1, 3)-Caleule tempo necessério ‘para que uma paricula fluida se mova de x = I m até x = 2m nesse ‘campo de escoamento, por Ke , Rey sendo K = 5 X 10* m'ls,¢ as coondenadas xe y sto paraelas & latitue ee longitude local. Trace um grifico com a magnitude da velocidade 0 longo do eixo x, ao longo do eixo y, & a0 longo da linha y = x. Para cada grfico use 8 faixa ~10 km = x ou y = 10 km, excluindo lel ou Se pelo campo de velocidad P= (Ax +S 2.10 Ocampo deescoamento par um escoment stosxica dado, ‘y{ = 100 m, Determine @ equago para as tinhas de corrente e esboce diversas dessas linhas. O que esse modelo simula? Sig 211 Ocampo deescoamento para um escoxmento amotio € dado por Rn! em que M = 05+ coorenadas sy so paras tind € Tg alae um goo como md deltas, fe do no 4 longo do Ca, © longed nha) = Pe cada fritcowsea faa "i0tm = ouy © 10m, exon bt ove {tim Decmin aiuto aaa: fnhas deconeme cose der tas asia O qu ese modo simula? Wg 212 Umcapo de sna ado por p= ety) ae ay! nde q = 2 X 10s, Trace um grifico com o médulo da velocidade tc longo do exo, longo do eixo © a0 long da linha y =x. Pra cada gfico use afaxa —10 kn = x00 y = 10 km, exchindo bon iy 5 100 m, Determine a equago para a lnhas de correntee esboce diversas dessas lnhas. © que esse model simula? 2.13 Comegando com o campo de velocdade do Problema 2.4, ve- rifigue que as equagbes parantricas para 0 movimento da patcula so dade por x, = cje"ey = ee". Obtenba a equa pare atraje- tra da partcua ocalizada no ponto (xy) ~ L.2) no instante = 0. Compare ess rajeteria com linha de correntepassando pelo mesm0 pont 214 Umcampo de velsiade 6 dado por P= ae ~ bx ondea™ 1 seb = 4s", Determine aequag das linhas de corente para qual- quer tempo 1. Trace algumas curvas para f = 0s, 1 = l ser = 20s. i245. Vesitque ques, = ~asen(on,y, = eons) a equagio paras trajetris de particulas para campo de escoamento do Problema 2.10 Determine a frequénia de movimento w como uma fang da ampli de de movimento, oe K.Veique que, = ~asen(oty, = acs(et) & também a equago para. as ajelras de parculas part o campo de eseoamento do Problema 2.1, exeto que w agora uma fungdo de. Trace tafetrias pics para ambos os campos de escoamentoe cscula a difrenga 2.16 © ar escoando verticslmente para baixo atinge uma lar- gu placg plana horizontal. O eampo' de velocidade € dado. por V = (axi ~ ayjX2 + cos. ox), onde a = 5 5! = Qars“', xe y (me- dos em metro) so direionados para adieita na horizontal e para cimana vertical, resperivamente, er dado em segundos Obtenha una quagio algébrica para a linha de correne em ¢ = 0, Trace a linha de contents que pass pelo pont (x, )) = (3,3) ness instants linha de comente moder como tempo? Explique revements, Mose, 00 gr fico, oveor velocidde nese meso pono e para o mesmo instant. © veto velocidade tangente& linha de conte? Explique- Diy 217 Considere 0 excoamento descito pelo campo de veloidade = Bx(1+ Anyi + C.comA =05s'eB—C~ 1s". Ascooste- nada so medidasem mets. Trace area da particu que pssou pelo pont (1) instante = 0 Compare-a com sins de coments ‘ue passam pelo mesinoponto nos instants = 0, Le? 218 Considereo campo de escoamento dado na descrigfoeoeriana ‘pela expressiio V = Ai + Bij, na qual A = 2 m/s, B = 0,6 mvis* e as Coordenadas s8o medidas em mets. Deduza as fungbes de posi lagrangiana par a particu fda que passou pelo pono (x3) =, 1) no instant = 0, Obtenba ua expresso algeria para a aera seguida por esta parla. Trace a aera ecompare-acom a ints de corente que passam por ese mesmo ponto nos instante =O, 1e 2 segund. CCONCEITOS FUNDAMENTAIS 43 2.19 Um campo de velocidade é dado por V = axti — byj, onde a = Or eteb= 1s" Paraapatcla qu pss pelo poto Ge) = (0,1) nofnstane r= 05 race era Grn ontvalo de! = Osa 5, Compar-a com as inas de coments tragadas através do mesmo onto nos insuntes = 0, 122s. 2.20 Considere o campo de velocidade V = axi + by(1 + et}, onde. a= b= 2s'ec = Os" As coordenads so medidas em metros Para paula que passe plo pont (i) = (1,1) 0 instante = 0, trace jt dart itera detenpo de 15s. Com pate esta ajtri com as linhas de coreae que passe pslo mesmo Ponto nos instants f= 0,113 221 Consider ocampo de escoameno 7 = axl + Bj onde a= 0.1 Sy ebm mis Ascoorenadas sto metiasem mets. Prva partula que passa pelo ponto (x, y) = (3, 1) no instante ¢ = 0, trace a trajetéria dorsntonteralo de tempo de1~ Oa 1™= 3s Compare ess ajtia coma inbas de comrent qe passa pelo mesmo pono os sates = 1,203 segundos 222 Considere a mangeira de jin da Fg. 25. Supona que o Sg, ‘campo de velocidade & dado por V = ugi + uysenfex(? — x/)]}, onde 4 tego x6 horizon, ea orig est na posilo média da manguel Tig = 10m. = 2nis,e = 5 cctv Determine etre emt srificoss inka de conn instantiness que passa ara da igen tm? = 05,005 560,15 s Tamim determine ewace um géico com fstrajetrs ds paralas que dein a oie pares mesmos qua instants de tempo, 2123 Usandoos dado do Problema 2.22, determine trace a forma da. lina de miss prozia aso primer segundo de escooment, 2.24 Consider o campo de velocidade do Problema 217. Trae a linha de emisedoformada por partculas que passaram pelo pono (1 1) durante intervalo de tempo de = Oa = 3 5. Compare com as lias de eorrenteragaas através do mesmo ponto nos instants? O1e2s. =2.35- As inhas de emis so viualizadas por meio de um fsido corte de empuxo nett inetd nun eampo de eeoamento a pate dem pont ix no espago, Uma paricula do ido corane que ext no pont (9) no instante deve ter passdo pelo ponto de injegdo (Gunn) em gum instante anterior = 2. O hstrco de uma paca corante pode se deterinado pela shugo das equagtes da traetra paras condighesniciisx= zy = yp quando = 7. As locaizagbes atuns ds prtiulas sobre ina de miso sto obiasfazendese gla valores na fina 0 = r= Considers o campo de esconmento V =ax(1 + dni + eyj,onde. seb = 0,25"! As coordenadas sso medidas em mettos, Tac a linha de emissdoqu passa pelo pont al (39) = (ly 1, crane ntervalo t= a= 3, Compare coma linha de corteates que pas peo mesmo pont nos instants O,le2s. 2.26 Considere 0 campo de escoamento V = axti + bj, onde a = $Feb= Im Ascordensda so mediasem meds, Pana partie aque psa plo pont (x9) = (1,2) no instante r= O, ae a feta durant 9 intervalodetrpo de On 3s, Comparea coma ih de enisso qe pass pel stn ponto no instante? = 3 segundos, 227 Peqvmstelas dehidogti eno send iad vials Sy zagho de um escoumeto, Todas as bolhis slo geradas na origem (2 0,9 = 0. Ocampo de velocidad é transients e obedece is equagbes o=r m 6 necessério para giraro cilindro in- temo a 100 rpm. Determine a viscosidade do liquido na folga anular do viscosimetro, 2.52 Um viscosimetro de cilindros conc8ntricos 6 consttuido de um par de cilindros verticais adequadamente encaixados, sendo que 0 ci- lindo interno pode girar (veja a Fig. P2.53). A folga anular entre os cilindros deve ser muito pequena de modo a desenvolver um peril de velocidade linear na amostra liquida que preenche a folga. Considere tum viscosimetro com cilindro interno de 4 in de didmetro e altura de 8 folga anvlat é de 0,001 ine esté preenchida com eo de ricino a 90°F Determine o torque necessério para girar o cilindro interno a 400 rpm, 253. Um viscostmetro de cilindros concéntricos 6 acionado pela que ‘da de uma massa M, conectada por corda e polia ao cilindro interno, conform mostrado. O Iquido a ser testado preenche a folga anular de largura ae altura H. Ap6s um breve transiente de partida, a massa cai 2 velocidade constante V,-Deduza uma expressto algébrica para a vis- ‘cosidade do liguido no dispositivo em termos de M, g, Vag R. ae H. Avalie a viscosidade do liquide emprogando: P2.53, 2.55 2.54 Um eixo com difmetro extern de 18 mm gira a20 rtagses por segundo dentro de um mancal de ustentagio estaconéto de 60 mm de ‘comprimento. Uma pelicula de deo com espessura de 0,2 mm preenche 2 folgaanular entre 0 eixo e © mancal 0 torque necessrio para grar ‘eixo de 0,0036 N - m. Estime a viscosidade do leo que preenche a {olga anular, 255. O viscostmetr do Problema 2.53 est sendo usado para veriicar ‘que a viscosidade de um fuidoespectico € w= 0,1 N= sim. Infelin« mente, a corde se rompe durante oexpesimento. Quanto tempo o iln- dro leva para perder 99% de sua velocidade? O momento de inésia do sistema cilindrovrldana €0,0273 kgm? 2.56 0 delgado cilindro externo (massa m, ¢raio R) de um pequeno viscosimetro porttl de cilindros concEntricos € acionado pela queda de uuma massa, m,, ligeda a uma corda.O cilindro interno é estacionstio. A folga entre 0 cilindros ¢ a. Desprezando o arito do mancal externo, ‘resistencia do ar a massa do liquide no viscosimetro, obtenha uma expressio algébrica para 0 torque devido ao cisalhamento viscoso que tua no cilindro a velocidade angular w, Deduza eresolva uma equacto diferencial para a velocidade angular do cilindro externo como fungto do tempo. Obtenha uma expressto para a velocidad angular méxima do clin, 2.56 2.87 Umeixo circular de aluminio montado sobre um mancal de sus- tentagio estacionario & mostrado. A folga simétrica entre 0 eixo e © ‘mancal estf preenchida com 6leo SAE 10W-30 a T = 30°C. O eixo posto em rotacdo pela massa e corda a ele conectadas. Desenvolva e resolva uma equago diferencial para a velocidade angular do eixo como fungio do tempo. Calcule a velocidade angular méxima do eixo 0 tempo requetido para ele ating 95% dessa velocidade, Espagamento, 0.5mm P2sT 2.58 Um acoplamento imune a choques, para acionamento mecdnico de baixa poténcia, deve ser fubricado com um par de cilindros concén- tticos. O espago anular entre os cilindros se preeachido com éleo. O dispositive deve transmi 10 W. Outras dimensbes € propriedades estdo indicadas na figura do exereicio. Despreze qual Auer atrto de mancal e efeitos de extremidade. Considere que a folga :nfnima,prética, para 0 dispostivo seja 6 = 0,25 mm. A indistria Dow fabricafluidos & base de silicone com viscosidades tao altas quanto 10° centipoises. Determine a viscosidade que devers ser especificada de ‘modo a satistazer os requsitos desse dispostiv. e=10W 2 (@_2 9,000 rpm {clinde externa) 5 = Espacamento da olga 2.59 Foi proposto empregar um par de discos paralelos para medir a viscosidade de uma amostra liquida. O disco superior gira a uma altura, ‘hacia do disco inferior. A viscosidade do Irguido na folga deve ser calculada a partir de medigdes do torque necessério para girar 0 disco superior continuamente em regime permanente, Obtenta uma expres- ‘io algébrica para o torque necessirio para girar 0 disco superior. Esse dispositivo poderia ser utilizado para medir a viscosidade de um fluido ‘nao newoniano? Explique 2.60. 0 viscostmeto de cone placa mostrado € um instrumentofre- {quentementeusado para caracterizar fidos nao newtonianos. Ele con- siste de uma placa plana e de um cone giratério, com ngulo muito btuso (8, tpicamente, inferior a. 0.5%). Apenas 0 épice do cone tea a superficie da placa, e 0 lguido a ser testado preenche aestreitafenda formada pela duas pegs. Deuza uma expresso para a taxa de cist- Jhamento no Iiquido que preenche a fenda em termos da geometia do sistema. Avalie torque de acionamento do cone em ermos da ensto ée cislhamento eda geomet do sistema, 2.59 doo ‘amos | P2.60,2.61 2.61 0 viscosimetro do Problema 2.60 foi usado para medir a visco- ‘sidade aparente de um fluido. Os dados abaixo foram obtidos. Que tipo de fluido nao newtoniano € esse? Determine os valores para ke usados nas Eqs. 2.16 2.17 de definigdo da viscosidade aparente de um fluo. (Considere 8 = 0,5°) Avalie a viscosidade a 90 ea 100 rpm. Nelocidade (rpm) 10. 20. 30 40 50607080 -ain?) 0421 0139 0.138 0,189 0.172 0,172 0.188 0.185 2.62 Um viscos{metro ¢ usado para medir a viseosidade do sangue de ‘um paciente, A taxa de deformasao (taxa de cisalhamento) em fungio da tenséo de cisalhamento ¢ epresentada abaixo, Trace wm grfico da viscosidade aparente em funglo da taxa de deformagao. Determine 0 Valor de ke n na Eq, 2.17 e, a partic dese valor, examine 0 aforismo “0 sangue & mais espesso que a égua". duldy (5), 5.10.25... 50 100, 200, 300, 400. “HMPa), 00457 04119 0241, 0375. 0634. 1.06. 1,46. 1,78 i 26_Unnempress dole ex eraminado um novo materi para cxtusio cm cavdades, Os dado experientis io dado a seg Pate eloidae Uda placa supe, qu separa de ma placa ix Inferior por uma amostado material com 1 mim de espesute, quando time dade tens de isalhamento plicada, Determine o tipo de me teal. Se um mater subsite com um mie de escoamento mina ‘CONCEITOS FUNDAMENTAIS 47 de 250 Pa for necessério, que viscosidade o material deverd ter para apresentar o mesmo comportamento a uma tensio de cisalhamento de 450 Pa? (Pa) 50 100 150 163 171 170 202 246 349 48 Vom) 0 0 0 0005 a1 0025 005 0.1 0.2 03 2.64 Uma embreagem viscosa deve ser feta de um par de discos pa- talelos muito préximos, com uma fina camada de Iquido viscoso entre eles. Desenvolva expressses algébricas para o torque ea poténca tras- rmitida pelo par de discos, em termos da viscosidade do liquide, y, do rio dos discos, R, do afastamento entre eles, a € das velocidades angu- lates: «, do disco interno, e wy do disco extemno. Desenvolva também lexpressdes para a razio de deslizamento, s = Aw /ay, em termos dew, edo torque transmitido. Determine aeficigneia, em termos da razio de destizamento, 2 | i | f | TQ || ToT sl fF | | ' | ) a. es P2.64 T P265 2.65 Um viscostmetro de cilindros concéntricos 6 mostrado, O torque ‘viscoso € produzido pela folga anular em torno do cilindro interno. Um torque viscoso adicional é produzido pelo fundo plano do cilindro in- temo A medida que este gira acima do fundo plano do cilindro externo estaciontrio, Obtenha expressdes algébricas para o torque viscoso de- ‘vido 20 escoamento na folga anular de argura ae parao torque viscos0 \devido ao escoamento na folga do fundo de altura b. Faga um grifico ‘mostrando a razao, b/a, necesséria para manter 0 torque do fundo a 1%, ou menos, do torque do espago anular, versus as outras varisveis| _geométricas. Quais sio as implicagbes do projeto? Que modificagoes no projeto vocé recomendaria? 2.66 Umeeixo de ponta cOnica gira num mancal cGnico. A folga entre ‘as duas pepas é preenchida com éleo pesado de viscosidade SAE 30 a 30°C, Obtenha uma expresso algébrica para a tensfo de cisalhamento {que atua na superficie do eixo cénico, Calcule o torque viscoso que atua 2.66 2.67 Projete um viscosimetro de ciindros coneEatricos para medir 8 viseosidade de um Iiquido similar gua. O objetivo é alcangar uma precisto de medida de + 1%. Especifique a configuragio e as dimen- Bes do viscosimetro. Indique quais os parmetros medidos que sero utlizados para infrir a viscosidade da amostra de liquide 48 capiruo2 S% 268 Um mancl de scoraestérieo € mostado A olga ent omen bro esfrco e seu alojamento tem largura constanteh Obtenha efagao arifico de uma expressio algébrica para o torque no membro esférico ‘como uma func do Angulo a. Pelicula de ceo (viseosidade, 1) P2.68 \S¥ 210 na eta en eum mal gti € ose © menbro ec gram veka angular art um pear ide 0 Inn superice plana-A fin esi €pcretcom do vos 8 sao = 1250p Oba wn egress par ‘ode cameo sano menbro sen, fics ro ‘sind calhaneno yeaa soo mente pum co Ges masa (aot nsinest rrsaranens cds rl nar) Deel una xp sigs (oa er ig gato eGodhanein vrs tl gu egeno mene tin Cue oteputiando ws dnestes mca ta a ieo na folga Ro= 20mm P2069 2.70 equenas bolas de gs so formadas quando uma geraftou uma Ina de refigerante € aber ditmetto medio de urna blk € ceca de 01 mm. Esme a difrenca de presto ene o interior eo exterior de uma dessa bliss. 2.71. Enchalentamete um coo devo com guaatéo nel méximo possivel Observe o nivel de gua bern de pert. Expliqv agora como teve nivel pode ser superior ao da borda do copo. 2.72. Voct pretende colocar cuidadosumenteslgomas aglhas de ago sobre asupettice ive da dguaem um grande tanqu. As agulhs vn em dos comypriments: lgumas com Sem eouras com 10 em, cestZ0 Aixponivelsasdiimeros de I mm2.3 mme3 mm. Faga uma previsio e guns agthas ido ltr se € que alguna dels award 2273 Planej um expeimento para medi testo superficial de um liquido similar a égua. O filme da NCFMF, Surface Tension, pode aju- dr no desenvolvimento de dees, Qual métod sera mas seqoado para so em um aboratro de graduagio? Qual a pecs esperada no experiment? 5% 274_Aéguaénomalmene considera como send fd incom pressvel quando we avaliam variagdes na presso esa, Na verdad, 2 4gua 6 100 vezes mais compressvel que o ago. Considerando que 0 mécilo de compressibilidade da dgua seja constants; caleule a varia- ‘fo pereentual na sua massa especifica para um aumento na pressio de 100 am. Trace um grifico mostrando a variagio percentual na massa ‘especifica da dgua como Fungio de p/P, até a pressio de 50.000 psi, ‘que € aproximadamente a pressio utilizada em jatos liguidos de alta velocidade para corte de concreto e de outros matetiais compostos. A. hhipétese de massa especifica constante seria razodvel em célculos de cengenharia para jatos de corte? 2.75. O perfil de velocidade da camada-limite viscosa, mostrado na, Fig. 2:15, pode ser aproximado por uma equagio parabilice, 2 ) +65) A contgo-imite 64 = U (a vlocidads da comet i) na bord nite 8 onde oto viscose tome 0).Deermine os valees de tube 2.76. pel de velocidad da camadetimite viscosa, mostado na Fh 2.15 pote tr poxinado por uma cq tie, wy)=a+6(2) +e)” ‘A condigio-limite é w = U (a velocidade da comrente livre) na borda- limite (onde o attto viscoso torna-se zero). Determine os valores de abec. 2.77 A que velocidad minima (em mph) um automével teria que viajar para que os efeitos de compressbilidade fossem importantes?” ‘Considere que a temperatura local do ar atmosférico & de 60°F, 2.78 Agua escoa em uma mangueira de jardim com diet inter- no de 1 in a uma taxa de 0,75 f'imin. Um bocal cOnico com 5 in de ‘comprimento € anexado & mangueira para acelear 0 escoamento. Seo bbocal reduz area de escoamento em um fator de 4, a que distancia da entrada do bocal o escoamento deve se tornar turbulento? Considere que a temperatura da Sgua & 60°F. 2.79 Uma aeronave supers6nica vigja a 2700 km/h em uma alttu- de de 27 km. Qual é 0 nimero de Mach da aeronave? A que distancia, aproximada, medida a partir da borda de atague da asa da aeronave, 8 ‘camada-limite deve mudar de laminar para turbulenta? 2.80 Qual é 0 mimero de Reynolds da égua a 20°C escoando a 0,25 rvs através de um tubo com 5 mm de didmetro? Se o tubo for aquecido, ‘aque temperatura média da Sgua o escoamento far a transig0 para regime turbulento? Considere que a velocidade do escoamento perma neve constante, 2.81 Cleo SAE 30 a 100°C escoa através de um tubo de ago inoxi- 101,3 KPa (abs) 14,696 psia Massa especifica >? 1,225 kg/m? 0,002377 slugit? Peso especitico y = 0.07651 iba Viscosidade bh 1,789 x 10-* kgi(m-s) 3,737 10-7 Tot = s/f (Pas) 54 capiruos 3-3 VARIACAO DE PRESSAO EM UM FLUIDO ESTATICO ‘Vimos que a variagio de presstio em qualquer fluido em repouso € descrita pela relacio basica pres- sflo-altura : dp P =v 66 Embora pg possa ser definido como o peso especifico, +, ele foi escrito como pg na Eq. 3.6 para en, fatizar que ambos, p e g, devem ser considerados varidveis, Na integrago da Eq. 3.6 para achar & distribuigao de pressto, devemos fazer consideragdes Sobre as variacbes em ambos, pe g. Para a maioria das situagGes préticas da engenharia, a variacdo em g é desprezivel. A variago em 8 precisa ser considerada apenas em situagdes de célculo muito preciso da variagdo de pressao para ‘grandes diferencas de elevagio. A menos que seja especificado de outra forma, iremos supor que g 6 constante com a altitude em qualquer local dado, Liquids Incompressiveis: Manémetros Para um fluido incompressivel, p = constante, Entdo, considerando aceleragdo da gravidade cons- tante, & a Para determinar a variacdo de pressao, devemos integrar ¢ aplicar condigées de contorno apropriadas, ‘Se a presstio no nivel de referéncia, z, for designada como p,, entio a pressfio p no nivel z é encon- trada por integragao: ? 2 f dp. -[ pg de he sy P~ po = ~palz— 20) = pa(za ~ 2) Para iquidos, em geral, é conveniente colocar a origem do sistema de coordenadas na superficie livre (nivel de referencia) e medir as distincias para baixo a partir dessa superficie como positivas, como € mostrado na Fig. 3.4. Com h medido positivo para baixo, temos a —pg = constante ow e obtemos P~ po= Ap= pgh BD ‘A Equagdo 3.7 indica que a diferenga de presstio entre dois pontos num fluido estitico pode ser de- terminada pela medida da diferenca de elevacio entre os dois pontos. Os dispositivos utilizados com esse propésito so chamados de mandmetros. A aplicagdo da Eq, 3.7 a um manémetro € ilustrada no Exemplo 3.1. Reforéncia we Hom — {dente presto Localizaps0 pressao ce iterese Fig. 3.4 Uso das coordenadas z €h. sca | pon