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2 , 5

os

URBANO

ELEMENTOS

^

MORFOLÓGICOS

DO

ESPAÇO

A identificação de elementos morfológicos pressupõe confiecer quais as partes da forma e o modo como se estruturam nos diferentes escolas identificadas. Sendo o leitura e composição urbanos essencialmente arquitectónicas, podemos aplicar ao espaço urbano os mesmo métodos interpretativos da arquitectura. Num edifício , os elemento s morfológico s são também elementos construtivo s e espaciais. Nas épocas clássicas, do Renascimento ao Barroco, podem-se identificar os colunas, o frontão, o entoblomento, o cornija, o soco e tantos outros. N o orqui- tectura «moderna», tais elementos não existem, mas existem outros: o pilar, o vigo, o pala de betão e por aí foro. São elementos diferentes e, por serem diferentes e pe- lo modo como se organizam, diferenciam o arquitectura dessas épocas. Janelas e escadas e outros elementos sempre existiram e sempre desempenha- ram idênticas funções: iluminação interior ou união entre níveis diferentes. Tiveram dimensões e formas diferentes, posicionamentos diversos, intenções estéticas distin- tas: umas vezes trotados como simples elementos funcionais e discretamente inseri- dos no edifício, outras tratados como elementos estéticos, marcantes, exacerbados,

como o janela do Convent o de Cristo, em Tomar. Estes elementos são, à partido e

em si mesmos, exigências funcionais e construtivas. O modo como se posicionam e

dos inten-

se estruturam nos edifícios tem a ver

com essas exigências, mas depend e

ções de comunicação estética ou daquilo a que se convencionou chamar a «lingua- gem arquitectónica». É evidente que, ao dizer isto, aceito os contributos da semiolo- gia arquitectónica, no medida em que o codificação dos elementos arquitectónicos e o analogi a com a linguagem é um contribut o teórico interessant e (52).

Os elementos mais genéricos, como as paredes, as coberturas, os janelas, os vãos, os portas, as escadas, os rompas e tantos outros, são relativament e constan -

tes no arquitectur a {como , no sentid o mais geral , são relativament e constante s a s palavras na linguagem ao longo dos tempos). As suas características e ospecío e>í- terior, o modo como se inter-relacionom num edifício é que variam de época par a época ou de autor par a auto r e têm a ver com uma linguagem , com a estética e a

comunicação e com a organizaçã o do próprio

Em todo o arquitectura ocidental , podem-se identificar tais elementos: são aque- las partes mínimas reconhecívei s nos edifícios com uma função construtiva ou pro- gramática, uma finalidade estética e significante.

espaço .

79

Recorrend o a analogia s estruturalistas d a semiologi a e com algum a prudência , po - deria comparar a linguagem arquitectónica e os elementos morfológicos dos edifícips

com a linguagem literária (") , no qual existem o text o e os palavras. Estas

posicionam-se para formar frases e ideias. Paro transmitir uma ideia num texto, existem vários possibilidades linguísticas, literárias, de estilo e de forma, tal como o mesmo edi- fíci o ou program a pod e ser organizad o e construíd o co m forma s e «linguagens» arqui - tectónicas diversas.

Pode-se também verificar que, sendo os elementos morfológicos relativamente constantes na arquitectura, é através do modo como se estruturam e se organizam que provém o comunicação estética do objecto arquitectónico. Esta constatação é também extensiva ao espaço urbano. No cidade, o sentido figu- rativo, como obro de arte colectiva, provém dos objectos — edifícios (ou construções) — e d o su a articulaçã o com o espaço po r eles definido .

O que disse sobre os edifícios é extrapolável poro o espaço urbano. Todavia, desde

logo, existe a necessidade de estabelecer uma «escala de leitura», ou seja, estabelecer quais os elementos mínimos na forma urbano!

«Sub-repticiomente» já o havia feito, quando, oo folar de portas, não mencionei as dobradiças, as fechaduras e batentes, ou, ao folar de escadas, não referi o degrau, o

cobertor, o espelho, ou, oo falar do espaço urbano, não falei dos postes de iluminação

ou dos fios eléctricos, que também são importantes, mas certament e j á em outr o nível

articulam-se e

de leitura.

O SOLO -

O PAVIMENTO

^

;

É o parti r d o territóri o existent e e d o su o topografi a qu e se desenh a o u constró i o ci -

dade, e começaria no «chão que se piso» a identificar os elementos morfológicos do es- paço urbano . É a topografi a e modelaçã o d o terreno , mas são també m os revestimen - tos e pavimentos, os degraus e passeios empedrados, os lancis, as faixas asfaltadas, os carris dos eléctricos e tantos outros aspectos.

O solo-pavimento é um elemento de grande importância no espaço urbano, mas elemento também de grande fragilidade e sujeito a contínuas mudanças. Bosta relem- brar os evoluções dos pavimentos, ao longo dos tempos. M as, em contrapartida, re- lembraria a enorme diferença de aspecto e comodidade que o correcto tratamento do solo e o pavimentação conferem ò cidade. Registo os conflitos dos interesses que disputam o solo público — o trafego rodoviá- rio e o uso pedonal, pelo menos, e a evolução negativa deste conflito em cidades como Lisboa, em que de ano para o ano o solo disponível poro o peão vai inexoravelmente •

diminuindo.

•.

-

• .••

80

US-

2-20.

O edifício como elemento do formo urbano. O conjunto «Amoreiros» — Arq. ° Tomás Ta-

veira

83

o s

EDIFÍCIOS -

O ELEMENTO MÍNIMO

Para definir qual o mínimo elemento morfológico identificável na cidade, há que es- tabelecer uma hierarquia de valores e fazer uma selecção entre as colecções de objec- tos que povoam o espaço urbano. Em primeiro lugar, hó que mencionar os objectos «parasitários», (5^) tão profusa- mente ilustrados nas cidades capitalistas: néons, anúncios, escaparates, montras, etc, sucedem-se em profusão , com variações que alteram o imagem d o cidade . A outro es- calão, o mobiliário urbano: o banco, a bico, o quiosque e ainda o arvore, o canteiro ou os plantas caracterizam o imagem do espaço urbano.

Estos colecções de objectos são, «elementos móveis», afectando diferentemente a form o d o cidade . Distinguiria , no entanto , a árvore , pel a su o importânci a e pape l qua - se idênticos aos dos edifícios. A esta questão voltarei mais tarde. É através dos edifícios que se constitui o espaço urbano e se organizam os diferentes espaço s identificávei s e com «formo próprio» : o rua , o praça , o beco , o avenid a ou ou- tros espaços mais complexos e historicamente determinados como as invenções dos ur- banistas ingleses do século XVIll: crescents, squares, circus, etc, ou, de outro modo, se identificam os espaços urbanos modernos.

A Rue de Rivoli ou a Praça do Comércio seriam bem diferentes se os seus edifícios

não tivessem as arcados e expressão arquitectónica que as caracterizam. Os «telhados de tesouro», em Tavira, sendo apenas partes dos edifícios, contam de modo determinante no formo da cidade. As varandas de «pato bravo» (com balanços,de cerca de 1,50 metros) constituem particularidades agressivas em cidades antigos. Romperam o lógica do espaço urbano, constituída por edifícios de fachado plano ou com ligeiras saliências, destruindo os en- fiamentos visuais de ruas e perspectivas. Todos estes elementos são determinantes no formo do espaço urbano, embora ao trotar de certas questões os tenha de secundari- zar. É uma necessidade interpretativa, como quando se semicerram os olhos paro me- lhor captor os traços essenciais do objecto.

estudos d e

Aymonino, Rossi e outros, da Faculdade de Arquitectura de Veneza, sobre as relações entre o «morfologia urbano e o tipologia edificado» l^s). Nesses trabalhos, os elemenios primário s d a form o urban o são identificado s co m o s tipo s construtivos. O s edifícios agrupom-se em diferentes tipos, decorrentes d o su a funçã o e formo , estabelecend o re- lações biunívocas e dialécticas com as formas urbanos.

N ã o seri o possíve l continua r o aborda r est a questã o sem referi r os

A questão dos tipos edificados, tem sido abordado por vários autores: desde Pallo-

dio , em qu e os tipos se identificam com a s v;7/os residenciais, à s proposta s classificativas de Quotremère de Quincy ou de Durand. Poro este último, «o tipo é um esquema que

84

4 ^

K0ÊD2C

rcHaparda *

IBUHllii

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Variações arquitectónicas da utilização do tipo edificado. J. N .

2-21.

bís

divise

o

d'éclifices

en deux,

des

Précis

resultant

en trois,

Leçons

de diverses

en quatre,

d'Architecture

combinaisons

et porches

Donnés

horizontales

ouverts

par

et verticales,

L. DURAND , fníem -

d'aprés le corre

Segund o

des entrecolonnements.

Edit ado em

à / 'fco/ e Polytechnique.

1813

85

respeita as necessidades funcionais e permite elaborar um projecto», l^í) distinguindo-se do «modelo», que será o representação de uma outro realidade. Dos relações tipologio-morfologio, ressalto que o espaço urbano depende dos tipos edificados e do modo como estes se agrupam. A tipologia edificado determina a formo urbano, e o forma urbano é condicionodo- ro da tipologia edificada, numa relação dialéctica. A evolução do arquitectura e do ur- banismo no período entre as duos guerras (1918-1939) revela inúmeros exemplos de procuras tipológicas no habitat residencial: no quarteirão nos bairros fiolondeses, nas

Siediungen sociois-democróticas alemãs,

ou nos Hoff austríacas, e at é exemplos mais

extremos, como a Unifé d'Habitafion, de Le Corbusier, é o tipo edificado que vai origi- nar e detrminor as formas urbanas. Esta interdependência é um dos campos mais sólidos em que se colocam as relações entr e o cidad e e o arquitectura . Pod e se r observad a a o long o d o História , ond e o: for - ma urbana é resultado, produto, e simultaneamente geradora da tipologia edificada, numa relação eminentemente dialéctica entre cidade e arquitectura, entre formo urba- no e edifícios.

O LOTE -

A PARCELA FUNDIÁRIA

nã o pod e ser desligad o d o lot e ou superfíci e d e sol o qu e ocupa . O lot e

não é apenas uma porção cadastral: é também o génese e fundamento do edificado.

N ão é sem razão que, no gíria do construtor, as expressões «lote» e «loteamento» subs-

tituem as expressões «edifício» e «urbanização». O lote é um princípio essencial da rela- ção dos edifícios com o terreno. A urbanização implica parcelamento, quer subdividin- do os parcelamentos rurais quer impondo novo divisão cadastral.

Desde as mais antigas cidades até oo período moderno, o edificação urbana foi in- terdependente da divisão cadastral. Construir uma cidade foi também separar o domí- nio público do domínio privado.

A formo do lote é condicionante do formo do edifício e, consequentemente, do for-

ma do cidade. Até aos anos vinte-trinta, o lote foi o lugar do edifício e um meio e instru- mento de planificação e separação entre o espaço público e o privado. A colectiviza- çõo do espaço urbano veio conferir oo lote o estrito papel de assent o das edificações,

característicos. N o unidade de habitação dc

Le Corbusier, o lote deixa, por assim dizer, de existir, uma vez que o edifício nõo ocupa

o solo definid o pel a su a projecçã o vertical . Assent a em pilares qu e soem d e um terreno público, como público é todo o espaço circundante.

O edifíci o

retirondo-lhe uma das suas principais

2-22 . Loteamentos clandestinos no concelho de Almada . Plant o Cadast ral , I.

e Levantament o Urbonísfico do Plano do Trafari a — Vila Noy a — Cost a do Coparica, de Carlo s Duarte- José Lamas

1977 ,

G .

C ,

87

Est a é, de resto, uma importante ruptura provocada pelo cidade moderna, num

quadr o d e relações diferentes dos elementos morfológicos com o espaço urbano. Os estudos do Laboratório de Urbanismo de Barcelona sistematizam três etapas no crescimento urbano: o Parcelamento (crescimento), a Urbanização (infro-estruturoçâo)

e o Edificação (construção de edifícios), e, verificam que nem sempre os três existem ou

se encadeiam igualmente. Mos, no expansão urbano da cidade tradicional o parcela-

mento precede o urbanização, enquanto no conjunto moderno o ênfase é dado na ur- banização e edificação, já que o loteamento não existe, embora se posso sempre iden- tificar como lote o terreno debaixo do edifício (57).

 

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Í

O QUARTEIRÃO

'

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j

A definição d o quarteirão tant o pod e boseor-se no su a form o construída como no

processo de traçado e divisão fundiária.

O quarteirão é um contínuo de edifícios agrupados entre si em anel, ou sistema fe-

chado e separado dos demais; é o espaço delimitado pelo cruzamento de três ou mais

vias e subdivisível em parcelas de cadastro (lotes) paro construção de edifícios. É tam- bém um modelo de distribuição de terra por proprietários fundiários. Como é também

o

modo de agrupar edifícios no espaço delimitado pelo cruzamento de traçados.

O

sistema do quarteirão é muito antigo. É um processo geométrico elementar, e co-

m

o ta l começo u a su o existência . A parti r desse processo elementar , foi adquirind o es-

tatuto no produção do cidade, como unidodemorfológica. Agrupa subunidades, mas pode também constituir a porte mínima identificável na estrutura urbana. Em muitas situações, o quarteirão subdivide-se num conjunto de edifícios e é delimi-

tado por quatro vias. Os edifícios delimitados pelo lote constituem partes do quartei- rão, partes essas por vezes diferenciadas em altura, em profundidade, em programa. Noutro s casos, com o no Baixo Pombalino , o quarteirã o confunde-se com um grand e

edifício

urban o são quarteirões identificados com lotes ou os próprios edifícios, fornecendo uni- dades de edificação operativas no parcelamento do solo em «direito de superfície».

Todavia , se a marcação do lot e se identifica com a delimitação do edifício, o marca-

çã o d o quarteirã o pressupõ e um a hierarqui a superior , identificondo-se com a definição

do espaço urbano. O quarteirão não é autónomo dos restantes elementos do espaço urbano — os traçados, ou as vias, os espaços públicos, os lotes e os edifícios. É simulta- neamente o resultado de regras geométricas de divisão fundiário do solo e de ordena- mento do espaço urbano, e um instrumento operativo de produção da cidade tradicio- nal . Est o dualidad e confere-lh e um luga r determinant e n o cidad e tradiciono l com o

ou grande parcelo. N o Plano do Mortim Moniz, (58) as unidodes-bose do forma

88

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PSO

CORTE

1» PISO

2« PISO

1» PISO

1*

PISO

AbCAOO

n_j — I

CASA

URBANA

M EDI EVAL

Correspor^ e ao oc-dvlo d« habitação urb«r.a anterio r a o aic. XV, típic a na ár«a do caatvl o (antas das doaollcÔQS), na Kouraria (onda «xistsn ainda vsriados cxexplos} a na pritaaira átaa de aipansão axtrasuros, ao longo da Rua d a Arouche . Kor=alia>ente

apresent

C09

vete s pessto

Interior í dividido ca dois coBpartiiaentos no piso, que correipondea Í cotinha/aala a quarto, lonas de estar « dorair. Quando se torn a necessári o sai s d e ua quarto , são feitas divisões por tabiquaa no existente, Xs vazes á ai^da acrescentado ua aeio piso. Acobartura é de lutA água (às vete s duas) . <Mas e se=pfe existo u» pequeno logradouro nas traseiras.

a

um

a chajainé d« escut a

íacbad * estrolr a (<-6s) ,

(às

port a

se a chaaicéj. O espaço

CASA

ALÇADO

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1

2

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t

M

URBAN A

PRE- REN ASCEN TI ST A

Evolução tipolgica da anterior, luntêa

como al a • fachada estreita , coo porta

e chaainâ de escuta, »as apresenta ua

segundo pis o a que corresponde Janela na fachada.

O

ao andar superior por escada, norsaloanta de cotovelo.

A distribuição é seoalhanta a do caso

anterio r e , ast certo s casos , par a

obter espaços aaior^ s tecorre-sa a

prÍ£>«iro pis o i abobadado « acede-se

arcos estruturais.

Na fachada são introduzidas Bolduras

de

cobertura £ de duas águas.

vãos da desenho clássico a a

2s PISO

CASA

URBANA

CLÁSSI CA

t

'sobrado". O piso superior (corresponda

6 reservad o a habitação , anquant o o 19 pis o sedastin ^ t.

uso s utilitário s coe o araasens , cozinha . Lojas , ^ tc

A organização funcional doíine-so por una sequencia â«

espaços rectangulares ligados entre s i s e a hierarquia

aparente.

O

paredes loestrai a o acesso ao andar superior fax-se taabeN por escada cooo no tipo precedente.

A coGposição da fachada respait a o stodclo clássico a a

cobertura

Ale s do a elosonto s já referenciados , caracterize » sir-.da a Borfologta tradicional o uso da soco a cunhais, ou pilastras , definindo a front e construídaj a utilÍ3í;cão

O eodalo ds casa de 7 pisos, cha&ada locaimnta

l o piso á abobadado

da

ao "piano taobila")

nos espaços naiores definidos por

paralela s i r u a .

é de duas águas

n o 10 piso ,

pis o « aantend o u a rlta o horiionta l conatintA ,

dioiensâo d o vã o 6 senpr e inferio r separa do seguinte.

janela » d e pait o

alinhada s

co a aiiciidiíS

âsi q-^ia í;

a o píino d a pirad a qu «

2<J

o

2-23.

C.

Tipologlos consfruHvos, segundo o análise do Plano do Centro Histórico de Mouro

Lomos)

Duart e e José

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89

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REABLITAÇÃO

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SALV^iGOARDA

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CENTRO

HISTÓRICO

D E

TAVIRA

OCUPAÇSO DO LOTE, ORGANIIAÇÍO DA FACHADA

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S S

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A forma de ocupação do lote

procede, geralmente, de acordo com

o principio d e aproveitar toda

extensão d a frente do Xote, que

corresponde a fachada, e progredir para o Interior do lote ocupando

uma mâlor o u nenor área conforme

necessidades, salvaguardando sempre alguma área para logradouro.

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A organização d a fachada fixa-se

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analis e

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num Dodel o característico d e

Tavira; um ou dois pisos, às vezes três, cobertos po r telhados

de

19 piso, quando existem outros, ê

utilitário (comércio, armaiêm,

etc) , e o s restantes de habitação.

Assim, o s vãos são d e porta e janela, no 19 piso, e no segundo, de sacada na generalidade dos casos.

Ao longo d o tempo asslnalam-se duas tendências: 1 . a conformação mais

regular d o lote e d a área ocupada; c ,

2.

que s e tornam mais

diminuem o espaço entre si. E , ao mesmo tempo duas permanências: 1 ^ a fachada que conforma o espado da rua, e 2. o logradouro que e definido no interior do lote, pela área edificada.

tesouro ou de 4 aguas, em que o

a multiplicação

d o número

estreitos e

d e vãos

ifiiniiiiii

síntese , evolução tipológica do ísglomerado e do gdificado

2-24 .

de Tavira. Segundo o plano de Corlos Duorte-José Lamas

Análise do ocupação d o lote e organização dos fachadas e volumetrias no centro histórico

90

.ÇÃO

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\do sempre

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fIxa-se de ãs telhados em que o itros, ê aém, labi tacão. ;a e janela, de sacada

lam-se duas ;ão mai s ocupada; e,

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VOLUMÍTRIA

I - Pequeno volume, de 1 piso articulado co» outros, de ou mais pisos. Frente esti e grande profundlòade. Col ras com t e l h a d o s d e 2 ãgui ou d e tesouro (2) E Terra<

II

- Vários volumes articulado:

l.E 2 pisos, cobertos com telhados de tesouro e ter :

(<,

5, 6)

I I I

- Cra-ndcs volu»es. d e 2 pl£ fcelháQOE de i isu&s .Lúnic ou multiploE) , G uís terrí anexo (7 ,fi, S )

10. Grande volume, Multo profundo, com telhade 2 águas perpendiculai fachada, caractertstJ de armazéns e oficiní

Hote- Ee o desenho ãit platibanda.

SALVAOJW ^

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CENTRO

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e d a efíRcfcic

2-25 .

Histórico de Tavira

Análise d a volumetrio das construções e ocupação do lote. Segundo o Plano do Centro

91

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.i:

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IH''

:

2-27.- Recomendações sobre a organlzoçõo dos quarteirões e loteamentos. Segundo Ed . Joyont — Traité d'Urbanhme, Paris, 1929. Parcelamento no renovaçõo dos quarteirões da zona do Bol- so em M arselha, segundo o Plano Hebrard e Romasso (1906), mostrando os olinhamentos, volu- mes e redistribuição fundíõrio.

93

elemento morfológico autónomo ou elemento físico, mínimo à escala do boirro (do mesmo modo que ao escalão inferior se identificou o edifício).

A o long o d a su a evolução , o quarteirã o foi sedimentand o modos d e utilizaçã o so - cial que culminaram nas complexas estruturas da cidade europeia dos finais do sécu-

lo XIX, de que são exemplos o quarteirã o d e Haussmonn, em Paris, de Cerdo , em Bar -

celona, ou de Ressono Garcia, em Lisboa. Nessas estruturas, o quarteirão organiza funções habitacionais, comerciais, de serviços e trabalho — artesanato-e pequenas indústrias em função de práticos sociais de utilização do espaço público: a rua da fren- te, a fachada principal, a entrada principal; espaço semicoledivo no logradouro inte- rior, com o entrad a de serviço nos traseiros; espaço privado no interior do prédio e dos alojamentos.

O quarteirão agrega e organiza também os outros elementos da estrutura urbana:

o lot e e o edifício , o traçad o e o rua , e as relaçõe s que estabelecem com os espaço s pú - blicos, semipúblicos e privados.

O quarteirão foi (e é) um instrumento de trabalho urbanístico na produção da cida-

de tradicional, permitindo o localização e definição da arquitectura e relacionando-a com estrutur a urbano . Foi um element o morfológico sempre present e nas cidades at é ao período moderno, constituindo elemento da estética urbana.

O Moviment o Modern o imprimi u a o quarteirã o um processo d e transformaçõe s su -

cessiva s qu e culminara m no se u

abandono , num quadr o mai s vast o d e profundas modi -

ficações na maneiro de pensar e organizar a cidade.

O quarteirão durou até oo pós-guerra, altura em que cedeu o lugar o outras formas

urbanas, par a voltar ò cena da composição urbanística nos últimos dez anos. Por isso, reservo poro mais tard e outras referências oo lugar e papel desempenha- do pelo quarteirão no estrutura urbana.

A FACHADA, O PLANO MARGINAL

5

'

tradicional , o relaçã o d o edifício com o espaço urbano vai processor-se

pela fachada. Entalado entre duas outras empenas, coda edifício dispõe apenas do fa-

chad a par a o

A importância da fachada decorre da posição hierarquizado que o lote ocupo no

quarteirão. E o situação descrita é o situação corrente das tipologias habitacionais, com excepções evidentes quand o o edifício se situa no meio de um quarteirão ou do lo- te mais vasto que ocupo.

que vã o exprimir as característicos distributivas (programas, fun-

ções, organização), o tipo edificado, os características e linguagem orquitectónica (o

N a cidad e

comunicação com o espaço urbano.

São os fachada s

94

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s

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SEC. XVI E ANTERIORES

2 ° METADE DO SEC. XVIII

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SEC. XVII E METADE DO SEC. XVllI

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1° METADE D O SEC. XIX

2 ° METADE D O SEC. XIX

1.

Gótico

2. Manuelino

3 . Inicio

Renascim ent o

4.

Século s XVI e XVII

7. Barroco - séc. X\'lt!

• 8

8 . Séc. XIX

:

2-28. Análise do fonno dos voos e orgcníração dos fechados no centro histórico de Tovíro. Plano do Centro Histórico de Tavira - C. Duorte - J. Lannos

95

estilo, o expressão estética, o época), em sumo, um conjunto de elementos que irão moldar o imagem do cidade. É através das fachadas dos edifícios (e dos seus volumes) que se definem os espaços urbanos. A fachada é o invólucro visível da massa construí- da, e é também o cenário que define o espaço urbano. Eugénio dos Santos, no Baixo Pombalino (1756); Percier e Fontoine, no Rue de Ri-

voli (]8^ 9); Haussmonn, nos renovações de Paris (1856) ; e também Wood (pai e filho),

em Bath (172 8 e 1774 ) acentuaram aind a mais o relaçã o do form o urbano com os fa- chadas dos edifícios, através de sistemas em que o fachada é desenhada previamente.

obedece aí a desenhos repetitivos. Por detrás dos fachadas, os edifícios

construíam-se com relativo independência, segundo programas diferentes. Este sistema evidencia outra «função» da fachada, o transição entre o mundo colec- tivo do espaço urbano e o mundo privado das edificações. A fachada assume em de- terminadas épocas concentração do esforço estético, procurando o aparato, o repre- sentatividade, o ostentação e o prestígio, moldando o imagem e o estética das cidades.

A partir do urbanismo moderno, o edifício, e consequentemente o suo fachada, dei-

xa de ocupar no espaço urbano a posição que detinha no cidade tradicional, passando o ser um object o isolad o em redor d o qual exist e espaço livre. Desaparece m os empe- nas, e o s lodo s passa m o ser vistos e a pertence r à image m d o cidade . Consequente - mente , o orientaçã o do s edifícios deix o d e se r determinad a pel o orientaçã o do s traça - dos e deixa de existir a «fachado principal» poro o rua. Neste contexto, modifico-se for- temente o posição e o importância do fachada no morfologia urbana.

A fachad a

Em paralelo, as regras de organização e desenho dos edifícios também se modifi- cam. Até ao Movimento Moderno, o fachada admitia grous de autonomia em relação ao interior do edifício, obedecendo a leis de simetria, repetição, equilíbrio, hierarquia e enfatização de alguns elementos mais significantes (o porta principal, o andar nobre, o eixo de simetria e o porte central, et c) , evidentes nos arquitecturas eruditas e tontas ve- zes nas arquitectura populares. Tais regras eram aplicados em função de uma imagem exterior pretendida, a que por vezes se subordinava o interior dos edifícios.

A arquitectura moderna vai «moralizar» esto situação, pela obrigação de traduzir o

espaço interno e os funções do edifício no imagem exterior. A planto deve correspon- der o fachada. A leitura dos textos de Bruno Zevi l^') evidencia o esforço moderno de relacionamento entre o interior e o exterior dos edifícios.

Essa atitude teria no limite algumas perversões nos anos sessenta, em que os edifí-

cios se organizava m Por via dos regras

fachad a é eliminado pelo diferenic!

posição do-edifício na estrutura urbano e o volume e a mossa edificado vão absorver o esforço de comunicação estética entre o edifício e o espaço urbano, substituindo o mé- trica, ritmos e o estética dos fachadas.

como se de «organigromos» com paredes se trotasse.

modernas, a importância do

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2-29. A

Imporiâncio das fochodas no espaço urbono. 1 . O j desenhos

de Percier e Fontoine par a

o Rue de

balino. 3 . Fechadas dos palócios sobre o rio Gilõo em Tovira (sécs. XVI , XVII , XVII I e XIX)

ffiVo/ i (1800) . 2 . O s desenhos de Eugénio dos Santos e

Carlos Mordei poro a Baixa Pom-

97

Como se pode concluir, o fachada tem uma importância e significado diferentes na morfologia urbano da cidade tradicional e no cidade moderna. Para finalizar, direi que, oo identificar o fachada como um elemento morfológico, o entendo como um elemento determinante na formo e imagem do cidode, elemento oo qual desde sempre se atribuiu um alto significado no projecto arquitectónico. O reen- contro com a art e urbano ter á d e assumir d e novo o cenári o urbano — não desligand o o desenho dos fachadas dos problemas de urbanismo — e através desta questão esta- belecer também um elo de continuidade e integração entre desenho urbano e projecto arquitectónico.

O LOGRADOURO

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O logradouro constitui o espaço privado do lofe não ocupado por construção, QS

traseiros, o espaço privado, separado do espaço público pelos contínuos edificados.

O logradouro foi, também, no cidade tracficionol, um resíduo, ou resultado dos

acertos de loteamentos e de geometrias de ocupações dos lotes. Teve vários utilizações oo longo dos épocas, desde a horta ou quintal até à oficina, garagem ou anexo, ou utilização colectiva em situações mais recentes, em sistema de condómino. É, em boa medida, na utilização do logradouro que se torno possível a evolução dos molhos urbanos: densificação, reconstrução, ocupação. O logradouro vai oferecendo solo às modificações e intensificações de usos acolhendo numerosas ac- tividades que não encontram outro lugar no cidade. É através do utilização e desenho do logradouro que se foz parcialmente o evolu- ção das formas urbanas do «quarteirão» oté ao «bloco». Todavia não creio que o logradouro constituísse um elemento morfológico autóno- mo. É, fundomentalmente, um complemento residual, um espaço que fica escondido:

nã o é utilizad o pel o habitaçã o nem contribu i por o o form o do s espaço s públicos. Est e luga r modest o n a morfologi a d o cidad e tradiciona l é justament e o se u maio r atributo , permitindo-lhe jogar um papel relevante na evolução do cidade. É através do utilização e desenho do logradouro que se foz parcialmente o evolu- ção das formas urbanas do «quarteirão» at é ao «bloco» construído.

O TRAÇADO/A RUA

O traçado é um dos elementos mais claramente identificáveis tonto no forma de uma cidade como no gest o de o projectar. Assent a num suporte geográfico preexisten-

98

te, regula a disposição dos edifícios e quarteirões, liga os vários espaços e partes da ci- dade , e confunde-se com o gest o criador .

As antigos cidades romanas, de assentamento militar, provinham da disposição de

dois troçados ortogonais principais (cardus e o decumanus maximus), eles próprios na su a orientaçã o e posição recíproca revestidos d e atributo s cósmico s e religiosos. Dois mil anos mais tarde Lúcio Costa explica ossim o «traçado» de Brasílio:

«Nasce u d o gest o inicial com que qualque r um localiz a um luga r e del e tom o posse.

Doi s eixo s qu e se

odoptou-se depois ò topografia, ò inclinação natural do terreno e à melhor orientação:

os extremos de um dos eixos curvorom-se, formando um sinal que pode inscrever-se num triângulo equilátero que limita a zona o urbanizar» W .

O gesto do troçado — quase fenómeno cósmico enraizado na humanidade — é en-

cruza m em ângul o recto , formand o o sina l d o cruz . Est e sina l

contrado também nos assentamentos coloniais, nos cidades militares e, de um modo geral, em todos os cidades planeados. Poro Poete, Lovedan e Tricortl*'), o traçado tem um carácter de permanência, não totalmente modificável, que lhe permite resistir òs transformações urbanos. Assim, encontramos o troçado romano ainda visível em muitas cidades. O traçado estabelece o relação mais directa de assentamento entre a cidade e o território . N a análise d e M . Poete, a ru a ou o troçad o relaciono-se directamente com a formação e crescimento do cidade de modo hierarquizado, em função do importância funcional do deslocação, do percurso e da mobilidade de bens, pessoas e ideias. É o troçado que define o plano — intervindo na organização do formo urbano o diferentes dimensões. É também de importância vital no orientação em uma qualquer cidade.

Poro finalizar, diria que o traçado, a rua, existem como elementos morfológicos nos

vários níveis ou escolas do formo urbana. Desde o rua de peões à travesso, à avenida,

ou ò via rápido, encontra-se uma correspondência entre a hierarquia dos troçados e o

hierarquia das escalos do forma urbana.

A PRAÇA

Nos cidades islâmicas, a praça não existe. Quant o muito, o cruzamento de ruas produz uma área mais larga no ponto de confluência. A praça é um elemento morfoló-

gico do s cidade s ocidentai s e distingue-se d e outros espaços, qu e são resultado aciden- tal de alargamento ou confluência de troçados — pelo organização espacial e intencio- nalidade d^ desenho. Esta intencionalidade repousa no situação da praça no estrutura urban o no se u desenh o e nos elementos morfológico s (edifícios) qu e o caracterizam .

A praça pressupõe o vontade e o desenho de uma formo e de um programa. Se o rua.

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2-31.

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Robert Krier. Diferentes formos d e proços opresentodo s e m UEspace

101

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o traçado , são os lugares d e circulação , a praça é o lugar intencional do encontro, do

permanência, dos acontecimentos, de práticos sociais, de manifestações de vido urba- no e comunitária e de prestígio, e, consequentemente, de funções estruturantes e arqui- tectura s significativas. Outro s espaço s com o o largo , o terreiro , nã o pode m ser assimi - lados a o conceit o de praça . São de cert a maneiro espaços acidentais: vazios ou alar - gamentos do estrutur a urban a e que, com o tempo, foram apropriado s e usados. Mos nunca adquirem significação igual oo da praça porque não nasceram como tal. Praça, largo , terreiro , são também elementos morfológicos identificáveis na form o do cidad e e utilizáveis no desenho urbano no concepção arquitectónico.

A geometria de uma praça pode variar do quadrado ao triângulo, passando por

círculos, semicírculos, elipses, parolelogromos regulares, irregulares, etc. Robert Krier, no Espaço da Cidade ("), tento uma colecção algo exaustivo de formas geométricas das praças. Colecçã o inesgotável , embor a possa se r sistematizada .

A praça é um elemento de grande permanência nas cidades. A Lisboa anterior ao

terramoto de 1755 tinha já o Terreiro do Poço — no mesmo local onde Eugénio dos

Santos desenha o Praça d o Comércio . A Praça de São M arcos,

co m modificaçõe s d e form a e pormenores, mos mantend o a su a localização .

O largo do mercado, o adro fronteiro à igreja, ou outros pequenos espaços vazios

do Renasciment o que

o praça se inscrev e e m definitivo no estrutur a urban o e adquir e o se u estatuto at é faze r porte obrigatória do desenho urbano nos séculos XVIII e XIX.

d a cidad e medieval não são aind a verdadeiras praças. É a partir

em Veneza , evoluiu

A definição de praça no cidade tradicional implica, como na rua, o estreita relação

do vazi o (espaço d e permanência) com os edifícios, os seus

chadas. Estas definem os limites da praça e coracterizam-no, organizando o cenário urbano. A praça reúne o ênfase do desenho urbano como espaço colectivo de signifi-

cação importante. Este é um dos seus atributos principais e que a distingue dos outros vazios do estrutura dos cidades. N a urbanística moderna, o praça permanece, embora suscitando as dificuldades de delimitação e definição provocados pelo menor incidên-

ci a do s edifício s e fachada s no su o definição . N o «novo urbanismo » actualmente , o re -

curso ao desenho de praças tem sido por vezes um logro, no medida em que o desenho do espaço não é acompanhado pelo qualificação e significoçõo funcional.

planos marginai s e os fa -

O MONUMENTO

Os dicionários definem o monumento como «construção, obra de orquileciura ou es- cultura destinado o transmitir à posteridade o recordação de um grande homem ou feito; ou obr o d e arquitectur a consideráve l pel o su a dimensão o u mognificiência; o u constru - ção que recobre uma sepultura».

102

2-32. A Praça do Plano Director do EXPO 98 apresentado pela Gindidafuro Portugueso oo B.E.I . (1991/ 1992) {arq, « Caries Duarte e José Lamas) como exemplo de especo individualizado à dimensão sectorial

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o monumento é um facto urbano singular, elemento morfológico individualizado pel o su o presença , configuraçã o e posicionament o n o cidad e e pel o seu significado . Poro Poete, é um dos elementos que fundamentam o princípio das permanências — um dos factos urbanos que melhor persistem no tecido urbano e resistem o transformações. A su o presença é determinant e no image m d a cidade . A image m d e Romo , Pari s ou Lis- boa é também o imagem dado pelos seus monumentos, sejam eles marcos sem finalida- d e d e uso, mas com significação social , histórica ou cultural (o coluna de Trajano , o obelisco d a Concorde ou a estátua equestr e d e D. José) , ou edifícios utilitários com va - lor social e importância cultural. Poete identifica também no monumento um dos ele- mento s d e maio r potencia l no composiçã o d a cidade , mesm o apó s a perd a d o se u sig - nificado utilitário: «O edifício público ou o monumento como individualidade e como lo- calização devem intervir em primeira mão no composição da cidade. Não se localizam em qualquer ponto. Têm o seu lugar marcado. Servem poro compor a fisionomia urba- no.»!") Rossi é mais peremptório oo afirmar que os «os factos urbanos persistentes se identi- fica m co,m os monumentos, são persistentes no cidad e e efectivament e persistem fisica- mente (excepto, finalmente, em casos bastante particulares)»!").

permit e também questionar os teorias funcionalistas so -

bre o cidade. A existência do monumento situo-se muito poro lá do desempenho de uma função e assume significados culturais, históricos e estéticos bem precisos, mesmo quand o o su o funçã o primitiva j á nã o existe .

O monumento desempenha um papel essencial no desenho urbano, caracterizo o

áre a ou bairro e tomo-se pólo estruturante^ do cidade. Nas «urbanizações operacio- nais», o ausência de monumentos representa, de certo modo, o vazio de significado destas estruturas e o vazio cultural dos gestões urbanísticas contemporâneas.

A ampliação do conceito de monumento desenvolvida nos últimas décadas partiu

do elemento singular arquitectónico ou escultório poro abranger conjuntos urbanos, centros históricos ou as próprias cidades. A evolução destes conceitos e um novo olhar sobre o cidade do passado como «cidade do presente» alteraram o «maneiro de pensar o urbanismo», recolocando o património edificado no vida da sociedade.

A distância é grande de atitudes como o do Plan Voisin, para Paris, ou os enuncia-

das no Carta de Atenas e referentes oo património edificado. As áreas históricas e os áreas antigas vão assim constituir permanências na cidade como os monumentos, mui-

O estud o do s monumentos

t o

to V, oo traçar o Roma barroca sobre os ruínas do Romo Imperial, ou de Haussmonn,

embor a o se u uso e funçõ o possa ser completament e diferente . A s atitudes d e Six-

oo destruir/ reconstruindo o casco histórico do Paris medieval, ou de Le Corbusier, pro-

pond o a

riam se r possíveis.

renovaçã o d o ilôt insalubre no Plan Voisin, \á não são defensáveis nem deve-

104

2-33. O monumenlo. Desenho de Eugénio dos Santos poro o estatuo equestre de D. José no Proço do Comércio e maquino paro tronsporte e colocoçõo no pedestrol (1757) . O choíoriz no Rua do Junqueiro, em Lisboo (1826) . Omonument o ao 2 5 de Abril, em Lisboo. Concurso (1985) — proposta do Arq. A. Merques Miguel

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A polémica internacional que envolveu o destruição do Maison du Peuple de Victor Horto , em Bruxelas, ou o operaçã o das Halles, em Paris, com a demolição dos pavi -

lhões Baltard, em 1968, marcou o ponto de viragem no reutilização dos velhos edifícios e dos óreos antigos dos cidades. Hoje, todos os arquitectos, urbanistas, administrado-

res e

usos, os famosos pavilhões. Todavia foi necessário cometer grandes erros (os Halles,

e tantos outros), paro que o

consciencialização destes problemas se fosse enraizando na cultura urbano. Quer isto dizer que se ampliou e diversificou o conceito de monumento e de património em con- teúdo cultural e em área geográfica, oplicondo-se no caso-limite ò totalidade do formo urbana. Conceito que se tornou operativo no gestão da cidade pelo reabilitação e re- cuperação dos factos urbanos antigos paro novos usos e novos funções.

em Paris, o Monumental, em Lisboa vinte anos depois

a população em geral , estariam d e acord o em salvar , com adaptação e novos

A ÁRVORE E A VEGETAÇÃO

Do canteiro ò árvore, oo jardim de bairro ou ao grande parque urbano, as estrutu- ras verdes constituem também elementos identificáveis na estrutura urbano. Carac- terizam o imagem do cidade; têm individualidade própria; desempenham funções pre- cisas: são elementos de composição e do desenh o urbano ; servem poro organizar , de- finir e conter espaços. Certamente que a estrutura verde nõo tem o mesmo tdureza» ou permanência que os partes edificadas do cidade. Mos situo-se oo mesmo nível do hie- rarquia morfológica e visual. Uma rua sem os suas árvores mudaria completamente de

form o e d e imagem ; um jardi m o u um parqu e sem o su a vegetaçã o transformor-se-i a

apenas num terreiro

vado s são d e grand e importânci a no form o urbano , no controlo d o clim a e qualifica-

çã o d o cidade , e com o tal deverio m se r entendida s n o urbanism o e gestã o urbano .

A est e título vejo-se o destruição das árvores no Rua do Junqueira, em Lisboa, realiza-

da em 1992. Uma rua histórica viu-se destruída pelos técnicas acéfalos do trânsito ro- doviário, pela diminuição dos passeios e destruição dos árvores, poro o aumento do

faix o

A construção do território tanto pode utilizar elementos duros ou minerais como ve- getais ou plantados. Trato-se de um mesmo problema de desenho arquitectónico em que o árvore, as plantações, se encontram na mesmo escola de valores que o parede, o fachada ou ou- tro elemento construtivo. U m troçad o pod e ser definid o tant o po r um alinhament o d e árvore s com o po r um alinhamento de edifícios. Uma proço também.

As simples árvores e vegetação existentes em logradouros pri-

d e circulação . O seu aspect o e form o mudara m radicalment e par a pior .

106

Retomo aqui o que disse antes sobre o existência de arquitectura de intenção estéti-

ca

tonto nos estruturas rurois como nos urbanos, tonto no jardim como na cidade.

O

desenho do espaço não tem duos óreos ou níveis de trabalho — o do edificado e o

das estruturas verdes. São ambos elementos d a mesma actuação , porventur a exigindo alguns conhecimentos disciplinares diferenciados. O s exemplos do História são o est e respeit o concludentes. N o Alhambra d e Grana - da, construção e vegetação confundem-se num todo coerente. Haussmonn, em Paris, compreende o importância do árvore nos avenidas e boule- vards. Paro evitar o crescimento dos árvores, que retardaria por dezenas de anos o contemplação e efeito do novo obro, desenvolve sistemas de transplantação de árvo-

res já adultos. A inauguração dos boulevards dá-se assim com os suas estruturas ver -

de s totalment e desenvolvida s e acabadas, o u seja , co m o su o image m j á sedimentada .

árvores adul-

tos sã o plantados, dand o a o espaço recém-construíd o o seu aspect o final . E, d e facto ,

o alinhamento de árvores plantadas em caldeiro é tão fundamental no cidade tradicio- nal como é nos propostas actuais de novo urbanismo.

Nas transformações recentes em Barcelona, Sevilha ou M adrid, também

O MOBILIÁRIO URBANO

t

Deliberadamente, é no final que refiro o mobiliário urbano, constituído por elemen-

tos móveis que «mobilam» e equipom a cidade: o banco, o chafariz, o cesto de papéis,

o candeeiro , o marco do correio , a

ção, como o quiosque, o abrigo de transportes, e outros.

O mobiliário urbano situo-se no dimensão sectorial, no escalo da rua, nõo podendo

se r considerad o

ment o do cidade . É também d e

organização, para o qualidade do espaço e comodidade. Durante anos, terá sido des- curado em muitos arranjos e intervenções.

Hoje voltou de novo à cena profissional, apoiando o requalificação do cidode e acabando por interessar ò própria produção industrial. Também se poderia referir esse conjunto de elementos «parasitários» que nos socie- dades de consumo invadem e se colam às estruturas edificadas, como elementos posti- ços e móveis: anúncios, montras, sinais, reclamos, luzes, iluminações, etc.

se conferiu o estes elementos a mesmo impor-

grand e importância poro o desenho do cidad e e a su a

sinalização,

etc, ou j á com dimensão de constru-

d e orde m secundária , dado s o s sua s implicaçõe s n a form a e equipa -

Por simplificação d e exposição , nõo

tância e relevo dados aos elementos do morfologia urbana. E também por razões que se relocionolizom quer com a rnobilidode (sendo portant o efémeros, em constant e mo- dificação) quer com as suas característicos de elementos «postiços» e adicionais. Ven-

108

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turi, em Learning from Las Vegas, demonstra o grau de impacte e comunicação que es- tes elementos levados ò exacerbação e saturação podem assumir no imagem do cida- de. A imagem de Las Vegas é constituída em boa porte pelo presença dos elementos

parasitário s e móveis: anúncio s e letreiros, luzes, etc. Ma s est e é , se m dúvida , um coso

extremo , qu e

nã o pod e se r generalizado .

Chegad o o est e ponto, rest o clarificar as relações dos elementos morfológicos com as dimensões ou escolas do espaço urbano.

• N o dimensão sectorial, ou à escola de rua, os elementos morfológicos identificáveis

são essencialment e os edifícios (com

a s suas fachada s e planos marginais) , o troçad o

e também o árvore ou o estrutura verde, desenho do solo e o mobiliário urbano.

• N o dimensão urbano , ou escalo d e bairro , são os traçado s e praças, os quarteirões e monumentos, os jardins e áreas verdes, que constituem os elementos morfológicos identificáveis. Diremos também que a formo a esto escola se constitui pelo adição de formas a escalo inferior. O movimento é necessário oo entendimento da cidade e ò li- gação, ou colagem, dos vórios partes urbanos.

• N o dimensão territorial,

ou escalo urbana, os elementos morfológicos identificam-se

com os bairros, os grandes infra-estruturos viários e os grandes zonas verdes relacio- nados com o suport e geográfico e os estruturas físicas do paisagem .

Est o hierarquizaçã o do s elemento s morfológico s encadead o po r agregaçã o d e uni -

dades menores formando outras unidades o uma escola maior não significa a adopção de um sistema em «árvore» l*^). O homem vive numa totalidade de ambiente que nõo é seccionada por fronteiras rígidos. A experiência ambiental pressupõe o conhecimento de diversos conjuntos, o suo articulação e desagregação sucessivas.

A leitura do cidade e do território foz-se simultaneamente a diferentes níveis ou es-

calões e também pelo percurso e sequências, o que significa que o forma urbano só po-

d e se r estudad o e compreendid a em sistem a

d e semi-retículo (**).

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