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ETEC PRESIDENTE VARGAS

Técnicas e Práticas Construtivas de Superestrutura, Vedação e Cobertura

Curso: Edificações Prof°: José Luís Coccaro

Mogi das Cruzes

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PROPRIEDADES DO CONCRETO

DEFINIÇÃO

Concreto é uma mistura de agregados miúdos e graúdos, cimento e água. Estes três materiais, reunidos e bem misturados, constituem uma massa plástica que endurece no fim de algumas horas, transformando-se em verdadeira pedra artificial com o decorrer do tempo. Deverá apresentar, quando recém-misturado, propriedades de plasticidade tais que facilitem o seu transporte, lançamento e adensamento e, quando endurecido, propriedades que atendam ao especificado em projeto quanto às resistências à compressão e à tração, módulo de deformação, entre outras. Poderão ser empregados ainda no preparo do concreto, com o intuito de melhorar ou corrigir algumas de suas propriedades, os chamados aditivos. Estes materiais podem proporcionar ao concreto alterações de propriedades, tais como: plasticidade, permeabilidade, tempo de pega e resistência à compressão. O controle da qualidade dos materiais constituintes influencia diretamente a qualidade e uniformidade do concreto, sendo esse um fator primordial na qualidade da estrutura. Assim, variações na resistência do cimento ou granulometria dos agregados, por exemplo, resultam na produção de concretos com trabalhabilidade e resistência também variáveis. No início da obra, será imperativo que seja feita uma adequada caracterização de fornecedores, dando preferência àqueles que disponham de produtos uniformes, ainda que de qualidade média. Nessa fase, terá de ser ainda verificado o comportamento do material em função do meio ao qual estará sujeita a estrutura e indicados os tipos de materiais recomendados. Posteriormente, no decorrer da obra, precisam ser procedidos ensaios de controle com a finalidade de verificar a uniformidade dos materiais constituintes do concreto, com relação aos inicialmente caracterizados. As propriedades básicas do concreto são:

Do concreto não endurecido:

  • - trabalhabilidade

  • - transpiração

  • - tempos de início e de fim de pega Do concreto endurecido:

  • - resistência aos esforços mecânicos

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  • - propriedades técnicas

  • - permeabilidade

  • - durabilidade diante da ação do meio ambiente.

RESISTÊNCIA DO CONCRETO

As pedras dos agregados devem ser sempre de uma rocha muito mais resistente do que a pasta de água e cimento. O concreto rompe na pasta (seu ponto mais fraco) e não nas pedras. O fenômeno do endurecimento resulta da coesão (força de aderência) desenvolvida entre os cristais que se formam na pasta de cimento. A existência, na pasta de vazios diminui a superfície de contato dos cristais e reduz a resistência da pasta. O excesso de água, necessária até certo limite para dar consistência conveniente ao concreto, em relação à necessária para as reações químicas com o cimento, dá origem aos poros situados entre os cristais, diminuindo-lhes a superfície de contato. Portanto, quanto mais água em relação ao cimento da pasta, tanto mais poros e menor a resistência, que vai depender, assim, da relação água/cimento (A/C).

FATORES QUE INFLUEM NA RESISTÊNCIA DO CONCRETO

1) Qualidade da água A água não deverá conter elementos que perturbem as reações de endurecimento, como óleo, ácidos, etc. 2) Impurezas no agregado A existência de matéria orgânica e de argila, além de certos limites, enfraquece a pasta: diminui, portanto, a resistência do concreto. 3) Grau de amassamento O amassamento é indispensável para produzir a boa mistura entre as partículas de cimento e a água. Um bom amassamento distribui uniformemente a pasta de cimento na superfície dos grãos e nos vazios do agregado. 4) Modo de conservação (cura) A evaporação muito rápida da água de amassamento do concreto interrompe a marcha do endurecimento, impedindo a realização completa da reação química entre o cimento e a água. A temperatura ambiente tem também grande influência

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sobre a energia das reações: o calor é favorável, mas é preciso manter o concreto sempre úmido. O frio é desfavorável podendo mesmo quando muito intenso, paralisar as reações do cimento.

TRABALHABILIDADE DO CONCRETO

O termo consistência, aplicado ao concreto, traduz propriedades intrínsecas da mistura fresca, relacionadas com a mobilidade da massa e a coesão entre os elementos componentes, que interessam quando se consideram as operações de transporte, lançamento e adensamento. Assim sendo, poderíamos conceituar a consistência como sendo o grau de umidade do concreto intimamente relacionado com o grau de plasticidade da massa, isto é, maior ou menor facilidade de deformar-se sob a ação de esforços. A consistência é um dos principais fatores que influenciam a trabalhabilidade do concreto, não devendo porém, ser confundida com ela. Em cada caso de aplicação do concreto, a consistência deve ser de tal ordem a permitir que o transporte, o lançamento e o adensamento do concreto, executados de acordo com os métodos escolhidos, se processem resultando massa homogênea e sem vazios.

Quando um concreto apresenta características adequadas (consistência e dimensão máxima do agregado) ao tipo de obra a que se destina (dimensões das peças, afastamento e distribuição das barras das armaduras), e aos métodos de transporte, lançamento e adensamento que vão ser adotados, diz-se que ele é trabalhável. A trabalhabilidade não é apenas uma característica inerente ao próprio concreto, como a consistência, mas envolve também a consideração da natureza da obra e dos métodos adotados para o transporte, lançamento e adensamento. Assim, um concreto conveniente para peças de grandes dimensões e pouco armadas pode não o ser para peças delgadas e muito armadas; e, ainda, um concreto que permita perfeito adensamento com vibração (sem segregação dos elemento componentes e sem deixar vazios), dificilmente proporcionará uma moldagem satisfatória com adensamento manual. Um mesmo concreto pode, portanto, ser trabalhável num caso e não ser em outro. Por outro lado, haverá misturas que não serão trabalháveis em caso algum. Em resumo, podemos afirmar que trabalhabilidade é a propriedade do concreto fresco que identifica sua maior ou menor aptidão de ser empregado com determinada finalidade, sem perda da sua homogeneidade.

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Um simples teste, denominado Teste de Abatimento ou Slump Test, é o suficiente para se verificar se o concreto está sendo preparado com a trabalhabilidade adequada. Uma betonada mais úmida em relação às restantes resultará em uma camada de concreto mais fraca e menos durável. Por outro lado, uma betonada que se apresente muito

seca provocará dificuldades no lançamento do concreto, bem como na obtenção do adensamento e do acabamento adequados. Logo após o início do trabalho, o teste precisa ser feito para estabelecer o padrão e se supuser que a mistura não estiver correta, repetir-se- á o teste. O equipamento necessário resume-se em uma forma cônica – cone de abatimento – e um soquete de aço. O experimento se procede da seguinte maneira:

  • - Deverá assegurar-se que a forma esteja limpa e permaneça sobre uma superfície plana e rígida (uma chapa metálica é a mais recomendável);

  • - O moldador terá de manter seus pés nos estribos da fôrma;

  • - Deverá preencher a fôrma com três camadas de concreto de volume igual, socando-as com a haste de aço, 25 vezes cada uma (as camadas precisam corresponder a 6cm, 15cm e 30cm do cone) e cada socada não poderá penetrar na camada anterior;

  • - É necessário alisar a superfície do concreto na fôrma depois de preenchida, utilizando a haste como espátula;

  • - O moldador deverá limpar a placa metálica onde a fôrma foi assentada;

  • - Deverá levantar com cuidado a fôrma, mantendo-a verticalmente, invertendo sua posição colocando-a na chapa ao lado do monte de concreto. Logo que a fôrma cônica seja retirada, a massa de concreto descerá, abatendo-se, até certa altura. Será medido, então, o abatimento ocorrido;

  • - A haste terá de apoiar-se na superfície superior da fôrma esvaziada, para que passe por cima do monte de concreto;

  • - Deverá ser medida a seguir, com uma régua, à distância entre o ponto médio do monte de concreto e a haste horizontal, dando-se a tolerância de 1cm. Se a altura medida for por exemplo de 6cm, isso significará abatimento de 6cm.

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6 Há três tipos de abatimento a se considerar: - Verdadeiro ou Real : o monte

Há três tipos de abatimento a se considerar:

  • - Verdadeiro ou Real: o monte de concreto simplesmente diminui de altura, mantendo-se aproximadamente a sua forma;

  • - Cortado: o monte de concreto tomba para o lado;

  • - Colapso: o monte de concreto cede completamente. Tanto o abatimento verdadeiro como o cortado podem ocorrer com a mesma mistura, não se devendo porém compará-los entre si. O único abatimento que apresenta validade é o abatimento verdadeiro. Caso venha ocorrer um abatimento cortado, é necessário efetuar um novo teste. Caso se repita o corte, provavelmente isso será devido à composição da mistura ou à fôrma em que o teste foi realizado. Abatimentos cortados muito

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freqüentemente sugerem um re-estudo da dosagem na mistura. Os abatimentos cortados precisam ser medidos e marcados com observação, o mesmo ocorrendo com os abatimentos em colapso.

Os abatimentos medidos no tronco de cone, recomendados para diferentes tipos de obras, constam do quadro a seguir:

TIPOS DE OBRA

ABATIMENTO (CM)

 

Máximo

Mínimo

Paredes de fundações e sapatas armadas

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Sapatas planas (corridas) e paredes de infra-estrutura

8

2

Lajes, vigas e paredes armadas

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Pilares de edifícios

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2

Pavimentos

8

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ADITIVOS

Aditivo é um produto dispensável à composição e à finalidade do concreto, porém quando colocado na betoneira imediatamente antes ou durante a mistura da argamassa, em quantidades geralmente pequenas e bem homogeneizadas, faz aparecer ou

reforça certas características do concreto, fresco ou já endurecido. Para melhor caracterizar os objetivos que se pretende alcançar com o uso dos aditivos enumeramos, a seguir, suas diferentes aplicações:

  • - aumento de compacidade;

  • - acréscimo de resistência aos esforços mecânicos;

  • - melhoria da trabalhabilidade;

  • - redução da permeabilidade;

  • - diminuição da retração;

  • - aumento da durabilidade;

  • - melhoria do endurecimento nas concretagens em tempo frio;

  • - retardamento ou aceleração de pega Sua classificação é baseada nos efeitos do emprego dos aditivos sobre o concreto, que são: plastificantes, superplastificantes, incorporadores de ar, produtos de cura, impermeabilizantes, etc. A) Os Plastificantes: Têm por finalidade melhorar a plasticidade das argamassas e concretos, permitindo, em conseqüência, melhor compactação com menor

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dispêndio de energia ou, redução da quantidade de água, diminuindo a retração, aumentando a resistência ou economizando aglomerante (cimento);

  • B) Os Superplastificantes: Têm um efeito semelhante ao dos plastificantes,

porém muito mais intenso. São usados para obtenção de concretos de alta resistência e para

obtenção de concretos muito plásticos ;

  • C) Os Incorporadores de ar: Têm por principal propósito aumentar a

durabilidade das argamassas e concretos; melhoram também a plasticidade, facilitando a utilização. São muito usados em concretos com baixo teor de cimento, melhorando a sua coesão;

  • D) Produtos de Cura: Substâncias pulverizáveis sobre o concreto, logo após

seu lançamento, para obturar os capilares da superfície e impedir a evaporação da água de

amassamento nos primeiros dias;

  • E) Os Impermeabilizantes: Agem ou por obturação dos poros ou por ação

repulsiva com relação à água.

LANÇAMENTO

No lançamento do concreto se deve tomar algumas precauções, entre elas:

  • - Em hipótese alguma se fará lançamento após o início de pega;

  • - As fôrmas devem ser molhadas, evitando, assim, a absorção da água de amassamento. Devem ser estanques para evitar a fuga da nata de cimento;

  • - Observar a limpeza da armadura;

  • - Verificar a posição e firmeza dos espaçadores;

  • - As temperaturas limites entre 10°C e 32°C. Fora desses limites devem ser tomadas precauções;

  • - O lançamento sobre terra é desaconselhável pois esta absorve a nata de cimento e a água de amassamento, além de se misturar, prejudicando a qualidade do concreto.

ADENSAMENTO

Durante e imediatamente após o lançamento, o concreto deverá ser adensado com equipamento adequado à trabalhabilidade. O adensamento tem, por objetivo, deslocar

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os elementos que compõem o concreto, acomodá-los de forma que ocupem os vazios e desalojar o ar, para se obter maior compacidade. Deverá ser cuidadoso, preenchendo os recantos das fôrmas, a fim de que não se formem ninhos e para evitar a segregação dos materiais. O adensamento poderá ser:

  • - Manual: Por socamento ou apiloamento com uma barra metálica;

  • - Mecânico: Por meio de vibradores de imersão ou de superfície de fôrmas. Para obter-se um bom adensamento é necessário observar alguns cuidados:

  • - As camadas de concreto a ser vibrado mecanicamente devem estar entre

45cm e 60cm, ao passo que no socamento manual as espessuras das camadas não devem ser maiores de 30cm a 45cm;

  • - O adensamento em camadas muito finas facilita a segregação;

  • - Evitar, sempre que possível, a vibração para fazer correr o concreto

lateralmente nas fôrmas, pois isso diminui o rendimento útil da vibração e provoca a segregação;

  • - O socamento manual deve ser realizado a pequenos intervalos;

  • - Os vibradores internos devem ser inseridos e retirados vagarosamente no

concreto com o aparelho em funcionamento, nas posições vertical ou horizontal, de acordo

com a natureza da peça a ser concretada;

  • - O tempo de vibração deve corresponder, no mínimo, a 90 segundos por

metro quadrado;

  • - Evitar a vibração da armadura, para que não se formem vazios ao seu redor, com prejuízo da aderência.

CURA OU SAZONAMENTO

É o tratamento dado ao concreto durante o período inicial de endurecimento. Consiste em evitar a evaporação da água adicionada na ocasião do seu preparo. É obtida, portanto, mantendo a superfície umedecida ou protegida com uma película impermeável. Deve ser iniciada após o adensamento e mantida durante pelo menos mais sete dias.

A inexistência desta etapa pode acarretar deficiência na qualidade do concreto, uma vez que a falta de água inibe as reações do cimento, provocando: diminuição da resistência; aumento da permeabilidade; diminuição da durabilidade, entre outros.

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O endurecimento do concreto poderá ser antecipado por tratamento térmico adequado e devidamente controlado, não devendo ser dispensadas as medidas de proteção contra a secagem.

10 O endurecimento do concreto poderá ser antecipado por tratamento térmico adequado e devidamente controlado, não

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TIPOS DE ENGASTAMENTOS E SOBRECARGAS DAS LAJES

15 TIPOS DE ENGASTAMENTOS E SOBRECARGAS DAS LAJES

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ARGAMASSAS O QUE É ARGAMASSA?

É a mistura de cimento, água e areia, e em alguns casos, de um outro material (cal, saibro, barro, caulim, etc). A mistura de cimento, areia e água é a base da massa usada na construção de casas e prédios. As argamassas, assim como o concreto, também são moles nas primeiras horas, e endurecem com o tempo, ganhando elevada resistência e durabilidade. A argamassa depois de seca une definitivamente tijolos, blocos, pisos, ladrilhos, reveste paredes, cerâmicas e tacos, etc ... Usada também para impermeabilizar superfícies, regularizar, (tapar buracos, eliminar ondulações, nivelar e aprumar) paredes, pisos e tetos. Dar acabamento às superfícies (liso, áspero, rugoso, etc.). As misturas dos diversos ingredientes os pedreiros chamam de “traço”.

A QUALIDADE

A qualidade das argamassas depende tanto das características dos componentes, como do preparo correto e do manuseio adequado. A mistura das argamassas no local da obra pode ser feita manualmente ou em betoneira. Nos dois casos é recomendável misturar apenas a quantidade suficiente para 1 hora de aplicação. Esse cuidado evita que a argamassa endureça ou perca a plasticidade.

A FLEXIBILIDADE

A flexibilidade dos revestimentos, depois de endurecidos, é uma das propriedades mais importantes na intenção de eliminar futuros problemas. Aditivos estão sendo desenvolvidos para conferir mais flexibilidade para as argamassas. A própria cal tem a função de tornar mais flexível a argamassa depois de endurecida.

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Para aumentar a plasticidade é adicionado um quarto componente à mistura. Pode ser cal, saibro, barro, caulim ou outros, dependendo da região. De todos esses materiais, chamados de plastificantes, o mais recomendado é a cal, também conhecida como cal hidratada. O seu desempenho está comprovado por institutos de pesquisa oficiais. Tanto a cal quanto os aditivos, além de conferir mais deformabilidade, melhoram a trabalhabilidade da argamassa no estado fresco.

TRAÇO

Chama-se traço a relação dos elementos sólidos que entram na composição das argamassas, assim, um traço de 3:1 quer dizer que para três partes de areia deve ser adicionadas uma parte de cimento.

AREIAS

A granulação da areia também tem grande importância na resistência e impermeabilidade das argamassas. As areias grossas são preferíveis às finas, pois contêm sempre certa quantidade de areia média e fina, que as torna melhores para a confecção das argamassas, formam argamassas de maior resistência e impermeabilidade e são mais econômicas, pois exigem em relação às finas menor quantidade de aglomerante. As areias finas, ao contrário, fornecem argamassas de menor resistência e mais permeáveis e exigem maior quantidade de aglomerante.

ÁGUA

A qualidade

e

a

quantidade

da água tem grande importância para os bons

predicados das argamassas. As águas puras, isentas de sais, são as mais indicadas. A presença de certos elementos tem influência na pega, pois matérias terrosas a retardam, ao passo que materiais alcalinos a aceleram. A água do mar retarda a pega; as águas magnesianas e as que apresentam matéria orgânica, principalmente as turvas, pois contem terra e outras substâncias em suspensão, são prejudiciais.

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A quantidade de água necessária a uma argamassa é difícil de fixar antecipadamente, visto que esta indicação depende das qualidades e das quantidades do aglomerante e do agregado, bem como das condições próprias do trabalho em que é aplicada. Tem grande influência na sua consistência, tornando-a mole quando em excesso e dura quando escassa. As argamassas duras são mais difíceis de trabalhar e consomem maior tempo em sua aplicação. Empregam-se argamassas duras nos lugares úmidos, nos dias chuvosos e quando se trabalha com materiais pouco absorventes. As argamassas moles são usadas nos casos opostos. Praticamente é aconselhável fazer a argamassa com a menor quantidade possível de água, pois a que for excedente, ao evaporar-se, deixa vazios que comprometem a consistência da massa. Na estação quente, quando se trabalha com materiais muito absorventes, de vê haver o cuidado de molhá-los antes da aplicação da argamassa, pois embora esta seja mole, a absorção pode ser tal que prejudique a pega. A temperatura da água deve variar entre 10° C e 20° C, visto que as baixas temperaturas retardam e as altas aceleram a pega.

TIPOS DE ARGAMASSAS

As argamassas são classificadas, segundo a sua finalidade, em: argamassas para assentamento e argamassas para revestimento.

  • 1 – Argamassa para assentamento

As argamassas para assentamento são usadas para unir blocos ou tijolos das alvenarias.

  • 2 – Argamassas para revestimento

As três primeiras fiadas de uma parede de blocos ou tijolos devem ser revestidas inicialmente com uma camada de argamassa de impermeabilização, o que protege a parede contra a penetração da umidade. Todas as paredes e tetos devem receber uma camada de chapisco, qualquer que seja o acabamento. Sem o chapisco, que é a base do revestimento, as outras camadas podem descolar e até cair. Em alguns casos, como em muros, esse pode ser o único revestimento.

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COMO PREPARAR UMA BOA ARGAMASSA

Ferramentas

pá enxada betoneira carrinho de mão lata de 18 litros desempenadeira colher de pedreiro

Misture apenas a quantidade suficiente para 1 hora de aplicação. Esse cuidado evita que a argamassa endureça ou fique difícil de ser trabalhada.

ARGAMASSA MISTURADA A MÃO:

1- Coloque primeiro a areia, formando uma camada de cerca de 15cm de altura; 2- Sobre essa camada coloque o cimento (e a cal ou outros materiais locais, se for o

caso);

3- Mexa até formar uma mistura uniforme. Depois, faça um monte com um buraco no meio (coroa); 4- Adicione e misture a água aos poucos, evitando que escorra para fora da coroa.

ARGAMASSA MISTURADA NA BETONEIRA:

1- Coloque a areia na betoneira; 2- Adicione metade de água; 3- Ponha o cimento e a cal (e outros materiais locais, se for o caso); 4- Por fim, adicione o resto da água.

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ARGAMASSAS PRONTAS:

Existem também argamassas prontas, para assentamento, revestimento e rejuntamento, à venda nas lojas de material de construção. Essas argamassas vêm embaladas em sacos e devem ser misturadas com água na quantidade recomendada na embalagem. Se nenhuma argamassa pronta ou indicada nas tabelas servir para o seu caso particular, procure um profissional especializado.

A ARGAMASSA NA COMPOSIÇÃO

A quantidade de água de todos esses traços depende de vários fatores: a finalidade, a qualidade dos componentes, a habilidade dos pedreiros, etc.

TEMPERATURA

A temperatura da massa influencia muito no tempo que a mesma leva para endurecer. Quanto mais quente, mais rapidamente vai endurecer. Quanto mais rápido a massa endurecer, menos tempo útil teremos para aplicá-la e mais perigo corremos da massa secar, sem a água suficiente para alcançar a resistência necessária. (Apenas como informação: a temperatura da massa não deve ultrapassar a temperatura de 30 graus centígrados)

TEMPO DE VALIDADE DA ARGAMASSA

A argamassa não pode ser aplicada sempre que, após a preparação, decorrer o intervalo de tempo superior ao prazo de início de pega do cimento empregado, período esse que é da ordem de 2h30min. A argamassa pode ser remisturadas sempre que se fizer necessário para restabelecer sua trabalhabilidade inicial; porém, esse procedimento só pode ser efetuado dentro do prazo de início de pega do cimento, empregando a mínima quantidade de água possível.

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COBERTURA

Embora existam vários tipos de coberturas, o telhado ainda é o tipo mais utilizado. O cuidado na escolha dos materiais, tanto quanto na execução, é essencial para garantir que intempéries (chuvas e ventos) não provoquem estragos. Os telhados têm a função de receber as águas de chuva, proporcionar isolamento térmico e proteger de outros acontecimentos atmosféricos. Composto de telhas inclinadas, colocadas de maneira a canalizar as águas para o solo, têm também a função estética. Quando bem desenhado, o telhado invariavelmente embeleza a construção. As principais características de uma boa cobertura são: impermeabilidade, resistência a esforços mecânicos, leveza, secagem rápida após as chuvas, inalterabilidade da forma e facilidade de construção e manutenção. Entre os principais componentes do telhado estão o madeiramento, a cobertura e o sistema de captação de águas pluviais. A construção é feita por carpinteiros especializados, conhecidos como telhadistas, que encaixam telha por telha e montam a estrutura conforme as especificações do projeto de execução.

ESTRUTURA E MADEIRAMENTO

A construção da estrutura de um telhado é bem complexa, requer um projeto de execução bastante detalhado e mão de obra especializada. A madeira é a matéria prima mais utilizada na estrutura, e as principais são:

peroba, maçaranduba, garapera, itaúba, jatobá, angelim e cumaru, pois são madeiras duras e resistentes ao ataque dos cupins. Devemos usar vigamentos de 6x12cm ou 6x16cm nas cumeeiras, terças, flechais e nas tesouras, conforme os vãos projetados (tab. 1). Os caibros devem ter medidas de 6x6cm e distanciamento de 50cm de eixo a eixo; as ripas devem ter a medida padrão de 1,5x5cm, com distanciamento variando entre 35cm a 39cm. O alinhamento base deve ser considerado da linha do beiral até a cumeeira. Isso evitará distorções que costumamos chamar de “cobrinha”. É fundamental que a estrutura do telhado esteja em perfeito esquadro, para não prejudicar o efeito estético e a segurança do mesmo.

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A tesoura que é uma treliça com formato triangular é o elemento estrutural mais importante do telhado, podendo sofrer três tipos de forças: a tração, a flexão e a compressão. A tração é representada por peças como a linha e o pendural; a flexão é feita com o auxílio da cumeeira, terça e frechal; já a compressão depende da utilização de acessórios como a asa, perna e a escora. (Fig. 1 e 2)

22 A tesoura que é uma treliça com formato triangular é o elemento estrutural mais importante

Tab. 1: Dimensões típicas para estruturas de telhado de madeira.

PRINCIPAIS PEÇAS DA ESTRUTURA DA TESOURA

Linha: Uma viga horizontal que concentra os esforços de tração, podendo ser considerada a base, pois é a maior peça que compõe a treliça da tesoura; Cumeeira: Parte mais alta do telhado. Nela é feita a finalização do encontro das telhas nos vértices da cobertura; Terça: Uma viga de madeira horizontal, que deve ser colocada em posição perpendicular em relação à tesoura. Sua função é sustentar caibros do telhado. Frechal: Viga de madeira colocada em todo o perímetro superior da parede para amarração e distribuição da carga concentrada da tesoura; Caibros: Peças de madeira apoiadas sobre as terças para sustentação das ripas; Ripas: Peças de madeira pregadas sobre os caibros para sustentação das telhas.

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23 Fig. 1 – Estrutura do tipo tesoura. Fig. 2 – Detalhamento da tesoura.

Fig. 1 – Estrutura do tipo tesoura.

23 Fig. 1 – Estrutura do tipo tesoura. Fig. 2 – Detalhamento da tesoura.

Fig. 2 – Detalhamento da tesoura.

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SUBCOBERTURAS

As subcoberturas são um composto de folhas de alumínio, tramas de fibra de vidro e folha polimérica. Muito utilizadas como material impermeabilizante e isolante térmico, seus componentes proporcionam maior eficiência e durabilidade ao telhado e devem ser colocados antes da cobertura final das telhas. Normalmente as subcoberturas são cobradas por m² e o preço varia de acordo

com o material utilizado. Deve-se ter cuidado ao pesquisar os preços, pois alguns orçamentos não incluem mão de obra. As vantagens das subcoberturas são:

  • - Proporcionam um melhor conforto térmico quando utilizados os tipos aluminizados;

  • - Impedem infiltrações e goteiras por ocasião de chuvas seguidas por vento;

  • - Evitam infiltrações, caso o telhado tenha uma inclinação inadequada.

ESCOLHENDO AS TELHAS

A telha é o material de mais visibilidade nos telhados. Suas peças diferem quanto ao tamanho, quantidade por m², design e porcentagem de inclinação do telhado. Podem ser encontradas em cerâmica, concreto, fibrocimento, metálicas, asfálticas ou em pedras naturais como a ardósia. O tipo de telha a ser utilizada deve ser escolhido antes da construção do telhado, pois a partir disso serão definidos a inclinação, a estrutura e o madeiramento. Para que a colocação das mesmas fique perfeita, deve ser feita fiada por fiada, começando-se pelo beiral e seguindo em direção à cumeeira, que é a parte mais alta do telhado.

TELHAS CERÂMICAS

Muito requisitadas, possuem como características a variedade de formas e o conforto térmico, sendo de fácil instalação. As telhas cerâmicas vermelha e branca são algumas opções, encontradas em lojas de materiais de construção.

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A vermelha possui mais durabilidade. È o resultado da mistura perfeita de três argilas: uma forte, uma mais resistente e outra, cuja função é dar liga. Já a branca, ganhou bastante espaço no mercado devido à cor e à capacidade de absorver menos calor. Uma telha de qualidade deve ter passado por um correto processo de queima e descanso da matéria-prima. Para garantir qualidade aos produtos, muitos fabricantes contam com tecnologia que permita um controle uniforme da queima da telha. É importante ressaltar que as telhas cerâmicas branca ou vermelha podem embolorar com o tempo, criando um aspecto de envelhecido. Para se evitar isso, basta aplicar impermeabilizante líquido nas peças antes de sua instalação. As inclinações, peso e quantidade por m² para telhas cerâmicas são as seguintes:

Francesa

Portuguesa

Italiana

Paulista

Inclinação : 30%

Inclinação : 30%

Inclinação : 30%

Inclinação : 20%

Peso: 2,6 Kg/peça

Peso: 2,6 Kg/peça

Peso: 3,1 Kg/peça

Peso: 2,6 Kg/peça

Quantidade: 16/m²

Quantidade: 16/m²

Quantidade: 13,5/m²

Quantidade: 26/m²

Romana

Americana

Plan

Germânica

Inclinação : 30%

Inclinação : 30%

Inclinação : 20%

Inclinação: 46%

Peso: 2,5 Kg/peça

Peso: 3,1 Kg/peça

Peso: 2,6 Kg/peça

Peso: 49,6 Kg/peça

Quantidade: 16/m²

Quantidade: 11,5/m²

Quantidade: 26/m²

Quantidade: 33/m²

Cumeeira

Uruguaia

Manaus

Colonial

Peso: 2,5 kg/peça

Inclinação : 46%

Inclinação : 50%

Inclinação: 30%

Quantidade: 3/ml

Peso: 1,5 Kg/peça

Peso: 0,92 Kg/peça

Peso: 2 Kg/peça

 

Quantidade: 36/m²

Quantidade: 59/m²

Quantidade: 30/m²

Ao se comprar telhas cerâmicas deve-se conferir a tonalidade da cor das peças assim que o lote for descarregado; as telhas devem apresentar um som parecido ao de um sino, quando batidas; observar se existem rachaduras, trincas, rebarbas, fissuras ou esfoliações nas peças, e, caso haja problemas, devolver as peças defeituosas para serem substituídas; Empilhar, no máximo 4 fardos para evitar empenamento das peças; Aplicar impermeabilizante, pois isso evita problemas futuros causados por umidade excessiva.

TELHAS ESMALTADAS

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A principal característica destas telhas é que elas apresentam uma grande variedade de cores. Fabricadas também em cerâmica, possuem os mesmos modelos e tamanhos das telhas cerâmicas comuns, sendo a única diferença, a aplicação de uma cobertura de esmalte em cada peça. Após um processo de queima, a telha se torna vitrificada e impermeável, ficando mais resistente aos intempéries; outra vantagem da pintura esmaltada é que ela não desbota, valorizando o telhado.

TELHAS DE CONCRETO

Fabricada em concreto, esta telha caracteriza-se por possuir encaixes perfeitos, grande impermeabilidade e durabilidade, além de menor quantidade de peças por m². A estrutura do telhado praticamente não sofre sobrecarga pela chuva, devido à baixa absorção de água das telhas. Além disso, as câmaras formadas pelas nervuras na parte inferior impedem a penetração de água arrastada pelo vento. As telhas de concreto garantem excelente conforto térmico por terem baixo índice de condutibilidade térmica e alta refletância ao sol. A alta resistência dos materiais e a tecnologia utilizada na produção, possibilitam uma resistência superior a 250 Kg, eliminando a quebra de telhas durante a instalação e aumentando a vida útil do telhado. As telhas de concreto também podem ser encontradas em diversas cores, proporcionando mais opções ao projeto. As telhas claras são adequadas para regiões mais quentes e as escuras para as mais frias. Assim como no uso de outros tipos de telhas, é imprescindível atentar quanto à inclinação do telhado. As de concreto necessitam de uma inclinação mínima de 30% e pesa cerca de 49 Kg/m².

TELHAS DE VIDRO E DE POLICARBONATO

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São uma boa opção para se levar mais luminosidade em ambientes internos. Fabricadas nos mesmos modelos e tamanhos de algumas telhas cerâmicas ou de concreto, são ideais para cobertura de jardins internos, corredores e outros locais onde não há janelas. As inclinações, peso e quantidade por m² para telhas cerâmicas são as

seguintes:

Colonial

Portuguesa

Romana

Francesa

Inclinação : 30%

Inclinação : 30%

Inclinação : 30%

Inclinação : 30%

Quantidade: 30/m²

Quantidade: 16/m²

Quantidade: 16/m²

Quantidade: 16/m²

CONSERTOS

Consertar um telhado, ou seja, remover ou recolocar telhas que tenham sido danificadas, é sempre um trabalho que necessita de muito cuidado. Altura – procure instalar uma corda de segurança para evitar quedas; Telhas – não pise sobre as telhas, coloque uma tábua, ou uma escada deitada e

amarrada;

Peso – se tiver de trocar muitas peças não carregue muitas de uma vez, isto provoca desequilíbrio e aumenta as possibilidades de rachar as telhas que estão suportando o seu peso;

Chuva – não trabalhe em cima de telhas molhadas, é escorregadio e quebram mais facilmente. A limpeza do telhado pode ser feita com uma escova de cerdas duras, a seco ou com água e sabão neutro. Caso haja mofo e limo, use água e água sanitária, em proporções iguais. A lavagem pode ser feita a cada seis meses, sempre em época de pouca chuva, para evitar escorregões. A seguir, a aplicação de resinas ou impermeabilizantes evita que a sujeira se deposite na superfície. Em telhas metálicas, recomenda-se a aspersão de água e sabão neutro e um enxágüe abundante. Solventes e produtos químicos estão proibidos. Quem deseja renovar o visual pode optar pela pintura. Há produtos que colorem e diminuem o mofo e a aderência de sujeira em peças cerâmicas e de concreto.