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Exame Nacional de 2013 (1. a fase)

Prova Escrita de Português • Data Especial de 2 de Julho de 2013 12. o Ano de Escolaridade Prova 639/Versões 1 e 2

GRUPO I

A

1.

O momento presente, de acordo com a primeira estrofe, caracteriza-se pelo desânimo, pela frustração e pela consciência entristecedora de que resta apenas saudade desse outro tempo (anterior) melhor. Esta ideia encontra

sua confirmação na seleção dos nomes «noite» (símbolo de morte e vazio), «alma» (espiritualidade) e «silêncio», bem como na adjetivação da «alma» como «vil» e do «silêncio» como «hostil», que aumentam a intensidade e a negatividade deste presente descrente e inerte.

a

2.

A

exclamação «Tanta foi a tormenta e a vontade!» (verso dois) exprime, por um lado, um inequívoco orgulho num

passado em que os portugueses tinham ânimo e força, o que os levou a partir à descoberta do mundo por mar e a formar o seu império ultramarino, ainda que para tal tivessem de passar por tormentas porque «Deus ao mar o perigo e o abismo deu, / Mas nele é que espelhou o céu.» Mar Português). Por outro lado, a exclamação integra ainda o anterior desânimo pela constatação da apatia atual dos portugueses.

3.

A

«chama, que a vida em nós criou» (verso cinco) remete para os sentimentos de ambição positiva, de um querer

ir

mais além e descobrir / conquistar o mundo que levou os portugueses a tornarem Portugal num país grandioso

com as Descobertas. Tal chama está, neste momento, oculta pelo «frio morto» da apatia do nosso povo. Todavia,

e

segundo o verso oito, é possível «erguê-la», reacendê-la e levar Portugal a concretizar novamente feitos glorio-

sos, o que mostra um sentimento de esperança renovada.

4.

A

última estrofe é a consubstanciação do constante do título, «Prece» (ou oração ou súplica). Assim, nela se faz um

pedido a Deus: tal confirma-se pela apóstrofe inicial, «Senhor», e pelo uso do imperativo em «Dá». De que consta esse pedido? Que Ele Se digne ajudar, impelir os portugueses («Dá o sopro, a aragem») a conquistar a «Distân- cia», isto é, um futuro grandioso, quer implique mar, quer um outro meio qualquer, mas que eleve Portugal à gran-

deza e à glória merecidas.

B

A construção da passarola deveu-se, em primeira instância (e apesar das ajudas de Blimunda e Baltasar), à perso-

nalidade do Padre Bartolomeu de Gusmão.

O Padre é um homem inteligente e ávido de conhecimento, daí que se tenha deslocado à Holanda para estudar

alquimia, bem como se tenha formado em leis na Universidade de Coimbra; associa, portanto, à sua formação reli- giosa saberes de outras áreas. Por outro lado, é corajoso, pois atreveu-se a desafiar a Inquisição. Finalmente, revela determinação e perseverança, uma vez que se empenha constantemente em criar objetos que permitam ao Homem voar (um balão, por exemplo). Sem estas características, a passarola não teria existido.

Texto

VERSÃO 1

VERSÃO 2

GRUPO II

 

1.1

(C)

1.1 (B)

1.2

(D)

1.2 (C)

1.3

(C)

1.3 (B)

1.4

(D)

1.4 (A)

1.5

(A)

1.5 (C)

1.6

(C)

1.6 (D)

1.7

(A)

1.7 (D)

2.

 

2.1

A oração sublinhada na sequência «Queria começar por sublinhar que não se trata de mais uma exposição sobre os Descobrimentos portugueses» (linhas 2 e 3) é uma subordinada substantiva completiva, a qual está a ser selecionada por um verbo declarativo «sublinhar».

2.2

O constituinte que desempenha a função de sujeito na sequência «mas com as viagens marítimas tudo mudou» é «tudo». A sua posição a anteceder a forma «verbal» é, nesta frase, uma confirmação da função sintá- tica, para além da concordância em pessoa e número (3. a pessoa do singular).

2.3

O valor da oração subordinada adjetiva relativa presente em «Essa informação era depois entregue ao cosmó- grafo-mor, que garantia a organização deste novo saber.» (linhas 31 e 32) é explicativo.

GRUPO III

Não tenhamos dúvidas de que tudo no Mundo e na Vida parte primeiramente da crença do Ser Humano. O pro- gresso e o consequente desenvolvimento civilizacional não são disso exceção. A crença, esse «mito» que «é o nada que é tudo», nas palavras de Pessoa (Ulisses, Mensagem), faz o Homem crer num futuro melhor e tal futuro é acom- panhado de desenvolvimento das mais variadas componentes do ser civilizado. A História Universal está repleta de exemplos que o confirmam. Um dia, o Homem começou a pensar sobre a sua vida e o que o distinguia do animal, então surgiram os filósofos da Antiguidade e da Filosofia as restantes ciências se foram autonomizando. Um dia, cientistas nos seus laboratórios estudaram e experimentaram hipóteses e encontraram a cura e o trata- mento de doenças (epidemias, infeções, cancros, febres) que vitimizaram mortalmente milhares (milhões) de pessoas ao longo da Idade Média e da Moderna. Agora, a esperança média de vida aumentou consideravelmente. Um dia, o Homem acreditou que podia pisar solo lunar e conseguiu-o. Um dia, o Homem descobriu que tinha sensibilidade para representar a realidade que o circunda ou até transpor a sua vida para um papel, uma tela, um instrumento musical, um palco – e nasceu a Arte. Porque acredita, o Ser Humano atreve-se a saltar de braços, mente e coração abertos rumo ao futuro. É por causa desse salto que, apesar de na essência os mesmos, somos hoje cidadãos de um mundo e de um século XXI que nos torna numa civilização mais científica, mais artística, mais duradoura e mais plena.

Texto

FIM