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Arrasa-se de dor o que j foi contente.

Procuro na lembrana as cores do arrebol.


Perco-me no tumulto, e sem nenhum farol,
sem poder em teus olhos ver a luz de um poente.
Eu fito no piano as notas calmamente,
e lembro do teu corpo envolto num lenol
Mas toda esta lembrana cintila como um sol,
que invoca a tua volta com splica premente!
Mas o que me atropela o que toca ao peito,
pois navego em memrias de cuidados infindos,
e busco-te de novo, ainda que sem jeito...
Se por causa de angstia estamos desavindos,
desejo para todo o sempre teu corpo eleito
junto a mim, e na insnia, os teus cabelos lindos.
------------------------------------------------------O tempo de cano contigo foi-me avaro
entre o qual numa altiva circunstncia de dana,
que foi como um compasso que me veio lembrana,
Deixou em uma noite este vil desamparo.
Um aperto em meu peito, na boca um travo amaro,
na doura dos teus olhos fora eu criana,
e a espessura das trevas traz a angstia que avana.
E nas noites insones tenho um aperto caro.
Alm disso, saber que h nada adiante,
habita-se o terreiro que a saudade perfura...
Ah! Quo di saber hoje que tu ests distante!
Falta de apoderar tua crina com ternura,
ver o fulgor vivaz em teu olhar brilhante,
Uma morte que a tua ausncia me inaugura.
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