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IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO

MANUAL PRÁTICO
DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA

JOÃO PAULO LORDELO



3ª EDIÇÃO - REVISADA
Março de 2016




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IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO

JOÃO PAULO LORDELO
Graduado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (2009), com período sanduíche na
Universidade de Santiago de Compostela (ES). Especialista em Direito do Estado (2009). Mestre em
Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (2013). Membro da Academia Brasileira de Direito
Processual Civil. Professor em diversas instituições de ensino superior, pós-graduação e cursos
preparatórios para carreiras públicas. Aprovado em concurso para Procurador do Estado (PE),
Defensor Público Federal (DPU), Juiz de Direito (BA) e Procurador da República (Ministério Público
Federal - 1ª colocação no concurso).
Ex-Defensor Público Federal (2010-2014), é Procurador da República (MPF) na Bahia.
Editor do site http://www.joaolordelo.com.
























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IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO

MANUAL PRÁTICO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
ATUALIZADA EM 25/02/2016

Sumário:
1. Noções Introdutórias
1.1. Probidade administrativa
1.2. Improbidade administrativa
2. Fontes
2.1. Constituição Federal
2.2. Lei 8.429/92
3. Competência para legislar sobre improbidade
4. Natureza do ato de improbidade
5. Elementos
5.1. Sujeito passivo do ato de improbidade
5.2. Sujeito ativo do ato de improbidade
6. O ato de improbidade
6.1. Natureza do ato
6.2. Modalidades
6.3. Elemento subjetivo (culpa/dolo)
7. Sanções aplicáveis
7.1. Aplicação das sanções
7.2. As sanções
8. Procedimento administrativo
9. Ação de improbidade
10. Informativos de jurisprudência

1. Noções Introdutórias
1.1. Probidade administrativa

O administrador probo é aquele que possui retidão de conduta, atendendo às exigências de
honestidade, lealdade, boa-fé e cumprindo/respeitando os princípios éticos. As idéias vinculadas à
probidade são: honestidade, retidão, lealdade, boa fé, princípios éticos e morais etc.

A improbidade administrativa é, portanto, a corrupção administrativa, o ato contrário à
honestidade, à boa-fé, à honradez, à correção de atitude. É o inverso da probidade, consumando-se
quando houver violação a qualquer um dos parâmetros citados acima. O administrador que não é
honesto age com improbidade administrativa.

Segundo JOSÉ DOS SANTOS CARVALHO FILHO, “ação de improbidade administrativa é aquela em
que se pretende o reconhecimento judicial de condutas de improbidade na Administração,
perpetradas por administradores públicos e terceiros, e a conseqüente aplicação das sanções
legais, com o escopo de preservar o princípio da moralidade administrativa”.

1.1.1 Diferença entre “probidade” e “moralidade”

A doutrina busca distinguir probidade de moralidade, pois ambas são previstas na CF.
§ 1ª corrente (Wallace Paiva Martins Júnior) è A probidade (espécie) é um
subprincípio da moralidade (gênero).
§ 2ª corrente (Emerson Garcia e Rogério Pacheco Alves) è A probidade é conceito
mais amplo do que o de moralidade, porque aquela não abarcaria apenas elementos
morais.
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considerando o inelástico conceito de improbidade. porque "não se pode confundir improbidade com simples ilegalidade. A improbidade é ilegalidade tipificada e qualificada pelo elemento subjetivo da conduta do agente. não pode ser ampliado para abranger situações que não tenham sido contempladas no momento de sua criação. que a conduta do 4 . Veja: Primeira Seção DIREITO ADMINISTRATIVO. [. A expressão “improbidade administrativa” é a terminologia/designativo técnico para definir a corrupção administrativa. É certo que o STJ. sem densidade jurídica relevante e sem demonstração do elemento subjetivo”.429/1992 é o ato do agente público frente à coisa pública a que foi chamado a administrar” (REsp 1.” Atenção: poucos meses após o precedente acima ter sido publicado. o sujeitaria às sanções da Lei 8.. para a caracterização de improbidade. Com base nessas premissas. DJe 9/11/2015 - Informativo 573). Rel.297.021-PR. na oportunidade. a Segunda Turma já teve oportunidade de decidir que "A Lei 8. 37) e a improbidade como lesão ao mesmo princípio. denotando uma degeneração de caráter incompatível com a natureza da atividade desenvolvida" (REsp 1. 1. Contudo. as expressões se equivalem.429/1992 objetiva coibir.558. DJe 20/11/2013). assim. que se apresenta como um desvirtuamento da função pública somado à violação da ordem jurídica. Dessa forma. De acordo com recente precedente do STJ.429/1992. A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. Exemplos: CONCEITO INELÁSTICO DE IMPROBIDADADE (STJ) è Para a Primeira Turma do STJ. punir e afastar da atividade pública todos os agentes que demonstraram pouco apreço pelo princípio da juridicidade..038-PE. vê-se que o referencial da Lei 8. por ser circulante no ambiente do direito sancionador.] Tais disposições evidenciam que o legislador teve preocupação redobrada em estabelecer que a grave desobediência - por parte de agentes públicos - ao sistema normativo em vigor pode significar ato de improbidade. Por isso mesmo. A ação de improbidade é. em alguns momentos. com isso. daqueles que podem ser ampliados para abranger situações que não tenham sido contempladas no momento da sua definição. não é daqueles que a doutrina chama de elásticos. julgado em 27/10/2015. Veja: “O fato de a probidade ser atributo de toda atuação do agente público pode suscitar o equívoco interpretativo de que qualquer falta por ele praticada. ou seja.2. mitiga a rigidez da interpretação literal dos dispositivos acima. tendo a Constituição mencionado a moralidade como princípio (art. um importante instrumento de controle judicial dos atos que a lei caracteriza como ímprobos.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO § 3ª corrente (José dos Santos Carvalho Filho) è Em última instância. Min. Improbidade administrativa Conceito: Improbidade é o termo técnico para tratar da corrupção que se perfaz com a prática de ilegalidade (violação da ordem jurídica) e o desvirtuamento da função pública. o conceito jurídico de ato de improbidade administrativa. Entendeu. representaria quebra desse atributo e. o conceito de ato de improbidade é inelástico. por si só. a LIA tem um sujeito específico: “o agente público frente à coisa pública a que foi chamado a administrar”. isto é. Napoleão Nunes Maia Filho. a 1ª Seção do STJ decidiu que “A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública”. a jurisprudência do STJ considera indispensável. que as mitigações feitas em precedentes anteriores ocorrem “apenas naqueles casos sem gravidade. CARACTERIZAÇÃO DE TORTURA COMO ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.

para além de mera acepção individual. em delegacia de polícia. de maneira praticamente automática. obrigação ao Estado. que é o dever de indenizar.429/1992 demonstra que o legislador. que já no seu art. é fundamento da nossa República. ou pelo menos eivada de culpa grave. não determinou expressamente quais seriam as vítimas mediatas ou imediatas da atividade desonesta para fins de configuração do ato como ímprobo. Não por outra razão. simultaneamente. violência policial arbitrária não é ato apenas contra o particular-vítima. no art. DJe 28/9/2011). Com efeito. Ademais. Impôs. 8. sejam punidos apenas no âmbito disciplinar. o ato ímprobo caracteriza-se quando se constata que a vítima foi torturada em instalação pública. ao prever que constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de lealdade às instituições. sim. inclusive na ordem internacional. 5º e 7º da referida convenção reforçam as suas disposições introdutórias ao prever. Essas práticas ofendem diretamente a Administração Pública. além de atingir a pessoa-vítima. o primordial é verificar se. 4º da CF. e também nos arts. Se assim for. o agente público cria. e ao próprio 5 . a prevalência dos direitos humanos. que o agente público respeite o sistema jurídico em vigor e o bem comum. e é objeto de preocupação permanente da Administração Pública. De qualquer maneira. civil e penal. dentre todos os bens atingidos pela postura do agente. alcança. Tanto é assim que essas condutas são tipificadas. de forma mais eloquente. e da própria Administração em si. conforme o art. da CF. 144 da CF é taxativo sobre as atribuições gerais das forças de segurança na missão de proteger os direitos e garantias acima citados. A essas previsões. prisão ilegal e "justiciamento" -. sem densidade jurídica relevante e sem demonstração do elemento subjetivo. § 6º. para a tipificação das condutas descritas nos artigos 9º e 11 da Lei 8. a tortura perpetrada por policiais contra presos mantidos sob a sua custódia tem outro reflexo jurídico imediato. civil e disciplinar. 3º e 4º da Lei n. ou melhor. ocorre apenas naqueles casos sem gravidade. 1º. [. afora repercussões nas esferas penal. atinge toda a coletividade e a própria corporação a que pertence de forma imediata. sob pena de inúmeros reflexos jurídicos. pertinente reforçar que o legislador. entre outros estatutos. 1º. como é o caso do policial. que trata do abuso de autoridade. que. entretanto. Pondere-se que o agente público incumbido da missão de garantir o respeito à ordem pública. que integra o Capítulo I ("Dos Crimes Praticados por Funcionário Público contra a Administração Pública"). pode configurar improbidade administrativa. a detida análise da Lei n. Disso resulta que qualquer atividade atentatória a esse bem por parte de agentes públicos tem a potencialidade de ser considerada como improbidade administrativa. De tão importante. os arts. a proteção da imagem e das atribuições dos entes/entidades públicas. findou por tornar de interesse público. inúmeros são os tratados e convenções assinados pelo nosso Estado a respeito do tema. dispõe explicitamente que os Estados signatários são obrigados a respeitar as liberdades públicas. como consequência imediata. mormente policiais armados.898/1965.]. é vetor de regência da República Federativa do Brasil nas suas relações internacionais. atentado à vida e à liberdade individual de particulares. porque o Estado brasileiro tem a obrigação de garantir a integridade física. Dentre vários. praticado por agentes públicos armados - incluindo tortura. 678/1992). Por fim. praticados por servidores públicos. No caso em análise. da CF. é injustificável pretender que os atos mais gravosos à dignidade da pessoa humana e aos direitos humanos. ao dispor sobre o assunto. que por sua vez está inserido no Título XI ("Dos Crimes contra a Administração Pública"). nos termos do art.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO agente seja dolosa. o respeito aos direitos fundamentais. Além do mais. 37. às instituições de segurança pública em especial. em tese. afastando-se a aplicação da Lei da Improbidade Administrativa. mas sim contra a própria Administração Pública. existe algum que seja vinculado ao interesse e ao bem público. lembra-se a Convenção Americana de Direito Humanos (promulgada pelo Decreto n. interesses caros à Administração em geral.. porque. Por isso. a Administração Pública será vulnerada de forma concomitante. Na hipótese em análise. mais que atentar apenas contra um indivíduo. é oportuno ressaltar que o art. que é o fim último da Administração Pública..429/92. na forma em que disposta no inciso II do art. nas do artigo 10" (AIA 30-AM. entre os quais a tortura. Ao agir de tal forma. 4. ferindo suas bases de legitimidade e respeitabilidade. Afora isso. de maneira geral. 322 do CP. ao descumprir com suas obrigações legais e constitucionais de forma frontal. psíquica e moral de todos. E. Em síntese. pode ter significado gravíssimo atentado contra direitos humanos. III. Corte Especial. trata-se de discussão sobre séria arbitrariedade praticada por policial. respectivamente. o "Direito à integridade pessoal" e o "Direito à liberdade pessoal". A referida mitigação.

Precedente citado: REsp 1. Competência para legislar sobre improbidade Como não há previsão expressa na Constituição. A competência da União para legislar sobre improbidade administrativa se estende à definição dos sujeitos passivo e ativo. Para concluir isso. 37. 2. o que faz com que a Lei 8. Lei 8. a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato.177.429/92. sem prejuízo da ação penal cabível”. cabe à União dispor sobre improbidade. 85. è Assim. este diploma começou a ser chamado de “Lei do Colarinho Branco”. que marcou a história da Administração Pública. REsp 1. perda do cargo. julgado em 24/3/2015. a perda da função pública. 22 da CF/88.429/92 O art. indisponibilidade de bens. a doutrina entende que a competência para legislar sobre improbidade é da União. 37. (Redação dada pela EC de Revisão nº 4. § 4º. 6 . às sanções e à prescrição. Logo que surgiu. de âmbito NACIONAL. a fim de proteger a probidade administrativa. Ministro Herman Benjamin.910-SE.”. 2. 3. Rel. à tipologia da improbidade. cargo ou emprego na administração direta ou indireta. § Art. especialmente. e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. na forma e gradação previstas em lei. 15.1. suspensão de direitos políticos (direito eleitoral).2. todas elas sem sucesso. a doutrina faz o seguinte raciocínio: o art. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. 14.” 2. Várias foram as tentativas de tentar fulminá-lo pela inconstitucionalidade. é da União.743-MG. è A competência para legislar sobre essas medidas. contra: V - a probidade na administração. §4º da CF é regulamentado pela Lei 8. §9º. Fontes Historicamente. Segunda Turma. embora ainda não seja aplicada como deveria.081. cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: V - improbidade administrativa. o primeiro diploma constitucional brasileiro a tratar da improbidade administrativa foi a Constituição de 1946. § Art.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Estado Democrático de Direito. Constituição Federal § Art. 37. ampliando o rol e a eficácia das penalidades. de 1994)”. julgado em 26/8/2015. V: “São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e.429/92 tenha natureza NACIONAL (e não meramente federal). CF: “Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação. nos termos do art. emprego ou função. §4º: “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. DJe 17/2/2016. § Art. §4º prevê como sanções para o ato de improbidade: ressarcimento (direito civil). V: “É vedada a cassação de direitos políticos. de acordo com o art. 37.

(pode cumular pedido de anulação de 7 . da ação popular: Ação popular Ação de improbidade administrativa A ação popular (Lei 4.). Ainda assim. cuida-se de ação coletiva singular). etc. normas federais. Essas responsabilidades são reguladas por diplomas distintos: § Crime – CP (ação penal) § Infração funcional – Estatuto (processo administrativo disciplinar) § Improbidade – Lei 8.429/92 é considerada FEDERAL. a regra. Essa é a maior parte da lei e. DF e Municípios tratem de maneira diversa.429/92 mantém seu caráter NACIONAL. se destinando apenas à União. sendo a lei de improbidade considerada NACIONAL nesse ponto. v. é necessária uma ação de natureza civil. A Lei 8. o objetivo é anular o ato e.429/92 consagra normas relativas a matérias diversas. qual seja: ação de improbidade (para alguns. afastamento cautelar do agente etc.429 (ação de improbidade administrativa) Para punir o administrador por ato de improbidade. Contudo. portanto. são de processo civil os arts. 16 a 18 da lei. trata-se de ação civil pública. são de direito civil as sanções de indisponibilidade de bens e ressarcimento. 4.000. civil. o STF entendeu que o ilícito de improbidade tem natureza jurídica civil (apesar de algumas sanções acabarem atingindo a esfera política). Este servidor certamente praticou crime (aplica-se o CP). sendo possível que os Estados. para outros. 24. administrativa. § Normas de direito administrativo à A competência será de cada ente político. eleitoral e processual à A competência é privativa da União (art. Ex: são de direito eleitoral as sanções suspensão dos direitos políticos e perda da função pública (de natureza política-penal). nada impede que uma mesma conduta seja submetida a diferentes esferas de responsabilidade (penal. §2º).IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Mas atente: a Lei 8. Imaginemos que um servidor público desviou R$5. Ex: são as normas que tratam dos direitos/deveres dos servidores – declaração de bens. infração funcional (aplicando-se seu estatuto) e ato de improbidade administrativa.).429 possui normas de caráter nacional (seu núcleo). portanto. tratamento jurídico diferenciado quanto à competência legislativa: § Normas que tratem de direito civil. Logo.00. a Lei 8. 22. I da CF). as quais merecem.000. neste ponto. a competência é concorrente da União. Estados e DF (Municípios não). Natureza do ato de improbidade A questão que se põe é saber qual a natureza do ilícito de improbidade (penal. A União terá competência para fixar as normas gerais que deverão ser observadas pelos Estados/DF ao exercerem sua competência de legislar de forma de suplementar (art. A ação de improbidade distingue-se.. a condenação por perdas e punir o administrador/servidor ímprobo danos. no máximo. Julgando a ADI 2797. A maioria da doutrina processualista entende que a ação de improbidade é uma AÇÃO CIVIL PÚBLICA com características específicas.717/65) tem lugar quando se quer Na ação de improbidade. § Normas procedimentais de direito processual civil à Nessa hipótese. ainda. a lei 8. política sui generis etc.g. processo administrativo disciplinar.

§ Se. mas ainda podem remanescer as conseqüências jurídicas do ato. Ou seja: as instâncias de responsabilidade do administrador são independentes. Neste caso. por exemplo. AÇÃO JUDICIAL OU PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR. não haverá qualquer comunicação (não há conseqüências nas outras instâncias). e art. haverá comunicação entre os processos e a decisão de um irá vincular a decisão dos demais. prevista na Lei 8. Daí que mesmo as improbidades não previstas ou fora dos limites da Lei n. a obrigação de reparar os danos civis. nas suas diferentes áreas. 126 da lei 8. 66 do CPP. em razão da ausência de dolo (o agente praticou o ato apenas na forma culposa. Informações importantes: § Se o sujeito for absolvido. de modo que são possíveis conseqüências diferentes nos processos penais. MS PREVENTIVO. MS 15.112. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do fato ou sua autoria. A responsabilidade civil é independente da criminal.: o ato de improbidade (que deve ser apurado em ação civil pública perante o Poder Judiciário) não se confunde com a infração disciplinar de improbidade. quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.112/90 (ainda que ambos os atos gerem como conseqüência a demissão do servidor). servidores ou não. se houver absolvição penal por INEXISTÊNCIA DE FATO ou NEGATIVA DE AUTORIA. 4. Observe-se que isso não significa a absolvição automática. ficar configurada uma excludente. em razão da independência das instâncias civil. § O mesmo ocorre se o sujeito que foi absolvido no processo criminal.429/1992 envolvendo servidores continuam sujeitas à lei estatutária. por insuficiência de provas. a infração disciplinar de improbidade pode ser reconhecida pela via administrativa.112/90 tutela a conduta funcional do servidor. Excepcionalmente. inclusive gerando a pena de demissão do servidor. enquanto a lei de improbidade dispõe sobre sanções aplicáveis a todos os agentes públicos. os diferentes processos aos quais o administrador está sujeito. 935 do CC. o que se reconhece é a existência da excludente. penal e administrativa. não se podendo questionar mais sobre a existência do fato. STJ – Inf. a) A apuração e a sanção de atos de improbidade administrativa podem ser efetuadas pela via administrativa. não se exigindo a via judicial. ou sobre quem seja o seu autor. 8. quando coincidente a hipótese de fato. 8 . é a natureza da infração.1 Independência das instâncias Em regra. cíveis e administrativos (afinal os ilícitos são distintos). não se comunicam. b) O que distingue o ato de improbidade administrativa da infração disciplinar de improbidade. 126 da Lei 8. no processo penal.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO ato) QUESTÃO (V OU F): a apuração e a sanção de atos de improbidade administrativa podem ser efetuadas pela via administrativa. ATO DE IMPROBIDADE. . art. 474. APLICAÇÃO DA PENA.054-DF. no processo penal. como por exemplo.112. Obs. CERTO. essa matéria faz coisa julgada para os demais processos. Art. 935 do CC. Essa regra está prevista no art. pois a lei funcional 8. podendo vir a ser condenado nos demais processos (insuficiência de provas não gera comunicação). 23/05/2011. a decisão absolutória produzirá o efeito absolutório nas demais instâncias. o que não era exigido pelo tipo). Assim. Art. pois nas outras esferas pode ser exigida apenas a culpa.

Corte Especial. Tal entendimento não prevalece mais. julgando um caso envolvendo Ministro de Estado. O prefeito não está sujeito à 9 . FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. não respondem por improbidade administrativa com base na Lei 8. AgRg nos EREsp 1294456/SP. § A jurisprudência admite prova emprestada aproveitada pelas demais esferas (inclusive interceptação telefônica). Ou o agente responde por um diploma ou por outro. Min. 3. §2º. para o fim de alinhar-se à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. AgRg no REsp 1. já havia sido sedimentada a ideia segundo a qual tanto ex-prefeitos quanto prefeitos respondem por atos de improbidade (REsp 949.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Existe obrigatoriedade de suspensão dos processos nas outras esferas enquanto não advém a decisão criminal? NÃO. também por crime de responsabilidade. do CPP no julgamento da ADI 2797. Ari Pargendler. No mesmo sentido: AgRg na Pet 9. o STF firmou o posicionamento de que “os agentes políticos. “a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é assente quanto à aplicação da Lei de Improbidade Administrativa aos agentes políticos. DJe 29/9/2014. 2.079/1950 (crimes de responsabilidade). tendo em vista que figuram como possíveis responsáveis na Lei n. DJ 13/05/2015). Rel. Tal fato ganha relevo no caso de agentes políticos. Min. mas o administrador pode fazê-lo.079/50 (crimes de responsabilidade). Mantida a decisão monocrática que declinou da competência. 1. Laurita Vaz. seja no STF. sempre respeitando a ampla defesa e o contraditório. Rel. Rel. Pet 3067 AgR / MG - MINAS GERAIS. 84. Primeira Turma. DJ 19/11/2014 ).429/92. Muito já se discutiu sobre a possibilidade de um mesmo agente se sujeitar à Lei de Improbidade e às sanções por crimes de responsabilidade. ERRADO.452-SP. Em 2007. Outrossim. 4.514/MT. sob pena de haver bis in idem dessa natureza de sanção. Inicialmente. eis que não figuram no rol das autoridades submetidas à Lei 1. ainda que proposta contra agente político que tenha foro privilegiado no âmbito penal e nos crimes de responsabilidade" (AgRg na Rcl 12. 4. Esse posicionamento não prevalece mais. Mesmo antes de consolidado tal entendimento. ao mesmo tempo. não seria possível que o agente responda. por estarem regidos por normas especiais de responsabilidade. DJe 26/09/2013). 1. DJe 6/10/2014. Corte Especial.364. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. alterou seu entendimento para afirmar que "a ação de improbidade administrativa deve ser processada e julgada nas instâncias ordinárias. A ação civil pública por ato de improbidade administrativa que tenha por réu parlamentar deve ser julgada em Primeira Instância. Agravo Regimental a que se nega provimento (STF. o STF: EMENTA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Isso é muito comum na via administrativa.” (STJ. mas apenas por crime de responsabilidade” (Rcl 2138. Og Fernandes.351-PR). DJe 19/3/2014”. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça.439/RJ. a depender do caso concreto. Tribunal Pleno. de minha relatoria. Atualmente.419-D e AgRg no Ag 685. de 13/06/2007). Declaração de inconstitucionalidade do art. a jurisprudência se inclinou para a seguinte orientação: se o ato de improbidade previr sanção de natureza política. estando fora de discussão. Ademais. seja no STF. REsp 861.2 Ação de Improbidade X Crimes de responsabilidade – agentes políticos QUESTÃO (V OU F): os agentes políticos não respondem por atos de improbidade. Não há obrigatoriedade. Min.669/RJ. AIA 45/AM.

serão punidos na forma desta lei. a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. de empresa incorporada ao patrimônio público ou de entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com mais de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. Sujeito passivo do ATO de improbidade Como explica CARVALHO FILHO. § A autarquia que sofre o prejuízo é sujeito passivo do ato. Tal Decreto traz infrações de natureza criminal. O sujeito passivo dispõe. sujeito passivo do ATO de improbidade é a pessoa jurídica que a lei indica como vítima do ato de improbidade. 1º da LIA define quem seja o sujeito passivo do ato de improbidade: Art. limitando-se. empresa pública e sociedade de economia mista (quanto às empresas estatais. sem integrar a Administração. 1° Os atos de improbidade praticados por qualquer agente público. já que. Nem sempre essa pessoa se qualifica como pessoa eminentemente administrativa (a lei ampliou a noção. dos Estados.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Lei 1. d) Entidade para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra ainda com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual è São as pessoas jurídicas de direito privado que estão fora da administração. c) Empresas incorporadas pelo Poder Público è São as empresas compradas pelo Poder Público. Municípios e DF. O art. A partir deste dispositivo. b) A Administração Indireta è Autarquias. Veja: § O sujeito ativo do ato de improbidade é o réu da ação de improbidade. contra a administração direta. fiscal ou creditício. guardam algum tipo de conexão com ela). nestes casos. Os territórios também podem sofrer ato de improbidade. de Território. Elementos 5. indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União. benefício ou incentivo. a fim de alcançar também algumas entidades que.1. Imaginemos que um servidor público que atue em uma autarquia pratique ato de improbidade. 5. e não política. mas na ação de improbidade pode ser autora. mas responde por crime de responsabilidade previsto no Decreto 201/67. O motivo pelo qual o legislador destacou a “administração fundacional” justifica-se por razões históricas. de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de cinqüenta por cento do patrimônio ou da receita anual. concorrentemente com o Ministério Público. é possível concluir que pode figurar como sujeito passivo (vítima) do ato de improbidade: a) A Administração Direta è Entes políticos: União. Estados. de legitimidade ad causam para ajuizar a ação de improbidade. Estão também sujeitos às penalidades desta lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção. ainda não havia consenso acerca da fundação pública. Parágrafo único. dos Municípios. do Distrito Federal. servidor ou não.079/50. caracterizando-se como autarquias. é irrelevante saber se são prestadoras de serviço ou não. pois a lei não faz distinção). mas que Estado participa com mais de 50% do 10 . fundações públicas. ao tempo da promulgação da Lei.

abrangendo todo o desvio. ún. estando sujeitas ao caput ou ao parágrafo único do art. NÃO abrangendo a totalidade do desvio. enquadram-se no caput. § Conselhos de classe ou autarquia profissional è Podem sofrer ato de improbidade porque são autarquias profissionais (estão abrangidos pelo caput). 1º da lei. Extensão da ação de improbidade A extensão da ação de improbidade vai depender da quantidade de dinheiro estatal investido no sujeito passivo: a) Estado participa com mais de 50% (caput) à A ação de improbidade deve discutir a TOTALIDADE do desvio. I. nos termos da lei 8. Nestes casos.) à A discussão em ação de improbidade é limitada ao montante investido pelo Estado. entidade de apoio) è São entes de cooperação e podem sofrer atos de improbidade administrativa. o agente não estará sujeito às sanções da Lei 8. sem causar prejuízo à empresa. pois recebe repasse de dinheiro público por meio do fundo partidário (deve realizar prestação de contas). § Pessoas de cooperação governamental (serviço social autônomo) è Normalmente. benefício fiscal). fiscal ou creditício de órgão público. também são sujeitos passivos do ato de improbidade. em razão do previsto no p. se o ato não se relacionar com o patrimônio. Observa-se que BASTA QUE HAJA DINHEIRO PÚBLICO ENVOLVIDO para configurar ato de improbidade. OSCIP. permanece com todos os benefícios das autarquias. de modo que também poderá ser sujeito passivo de ato de improbidade. na maioria ou apenas em parte do patrimônio ou receita anual da entidade. Questão (TRT/PE – 2010): Pratica ato de improbidade administrativa. e) Entidade que receba subvenção. que revela a amigo segredo corporativo. do art. benefício ou incentivo. observado o contexto do ato: § Sindicato è o sindicato pode ser sujeito passivo de ato de improbidade porque o sindicato recebe contribuição sindical (= TRIBUTO.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO patrimônio/receita anual. ERRADO. § Os templos religiosos podem ser sujeitos passivos do ato de improbidade (podem ser sujeitos ativos como terceiros beneficiários). mas que o Estado participa com menos de 50%. Além disso. pois quase a totalidade de seu custeio decorre do Estado. 1º. 11 . pessoa jurídica de direito privado que está fora da administração. o gerente de empresa da qual a União participe com 35% do capital. Para tirar dúvidas.429/92. bem como aquelas entidades para cuja criação ou custeio o erário haja concorrido ou concorra com menos de 50% do patrimônio ou da receita anual è Exemplos: instituição filantrópica que receba tais benefícios. conforme a extensão das vantagens. a ação de improbidade não se limitará ao valor com o qual o Estado participa.429/92. Apesar de a OAB ser considerada uma pessoa jurídica sui generis pelo STF. § Organizações não governamentais de entidades do 3º setor (OS. importe esse dinheiro público na totalidade. Ex: entidade cujo imóvel doado pelo Poder Público equivalha a 70% de seu patrimônio. b) Estado participa com menos de 50% (p. a sanção patrimonial é limitada à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. sendo que todas as medidas terão esse montante como referência. Ou seja. § Partido político è Também pode sofrer ato de improbidade. ún.

não lhe destina benefícios. sujeitos a crime de responsabilidade. pois.2. Sujeito ativo do ATO de improbidade Art. emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior. cargo. mandato. O conceito de agente público abrange: o servidor público. de 12 . 5. designação. ainda que transitoriamente ou sem remuneração. o empregado público (servidor governamental de direito privado) e o particular em colaboração (mesário e jurado.2. não se enquadram no modelo da lei. por eleição. 5. Para CARVALHO FILHO. muito embora sabedor de sua origem escusa. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. cargo.3 Presidente da República A jurisprudência do STJ. o Estado. inclusive da Corte Especial. No que se refere ao restante do desvio – atinge apenas a esfera privada –. Em alguns casos. apesar de prestarem serviço público por delegação. emprego ou função pública. estas pessoas não se sujeitam à LIA. em regra. mas o Estado só contribuiu com 500 mil. "excetuada a hipótese de atos de improbidade praticados pelo Presidente da República (art. Desse modo. c) Estado participa com exatamente 50% à Não há previsão legal.2 Empregados e dirigentes de concessionários e permissionários de serviços públicos respondem por atos de improbidade? Segundo JOSÉ DOS SANTOS e outros doutrinadores. este valor pode ser discutido em ação autônoma. são sujeitos ativos do ato de improbidade os agentes públicos. expõe entendimento segundo o qual. 85.2. mandato. V).IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Ex: se foram desviados 800 mil. não pratica o ato em si. por possibilitar menores gravames ao sujeito ativo do ato de improbidade (interpretação in bonan partem). todo aquele que exerce. 2° Reputa-se agente público.2. a ser movida pela própria empresa e não pelo Estado. mas oferece sua colaboração. não há norma constitucional alguma que imunize os agentes políticos. por exemplo). 5. a entidade deve ser abrangida no parágrafo único. ciente da desonestidade do comportamento. nomeação. ainda que temporariamente ou sem remuneração. Considera-se agente público todo aquele que exerce. Denomina-se sujeito ativo aquele que: • Pratica o ato de improbidade • Concorre para sua prática ou • Dele extrai vantagens indevidas 5. obtém benefícios do ato de improbidade. cujo julgamento se dá em regime especial pelo Senado Federal (art. As tarifas que auferem dos usuários são o preço pelo uso do serviço e resultam de contrato administrativo firmado com o concedente/permitente. 86). Sujeito ativo do ato de improbidade é o autor ímprobo da conduta. para os efeitos desta lei. Em outros. auxílios ou contravenções. a sanção patrimonial é limitada ao valor da contribuição estatal no patrimônio da entidade.1 Agentes públicos Inicialmente.

como o parecer não contém densidade para a produção de efeitos externos. diferentemente dos demais agentes políticos. ao contrário. portanto.12. perder função pública). este terceiro não se submete a todas as sanções de improbidade. em regra.. por sua vez. do agente que é acusado de contratação com dispensa indevida de licitação ou do Promotor de Justiça acusado de violar a legalidade ou a imparcialidade. Por óbvio. Neste caso. ou deve contratar advogado? Segundo JOSÉ DOS SANTOS. É o caso. devendo então arcar com as despesas com sua defesa. § Estagiários è Em 2015.g. está (SIM) sujeito a responsabilização por ato de improbidade administrativa (Lei 8. 5. Rel. 13 . José dos Santos diz que. que são atos enunciativos. • O STF.4 Questões especiais § Agentes públicos com atribuição consultiva à Alguns agentes são responsáveis pela elaboração de pareceres. possui precedente admitindo a aplicação da LIA a Presidente da República.5 Terceiros estranhos à Administração (art. Procurador-Geral da República. porque a defesa será a do próprio órgão estatal. DJe de 16.2. Terceiros estranhos à Administração também podem responder por improbidade. Precedentes. mesmo não sendo agente público. • Há. ressalta JOSÉ DOS SANTOS que se a sua atuação for calcada em DOLO. se o ato foi praticado pelo agente como representante do órgão público.790/SC. 3° As disposições desta lei são aplicáveis. desde que induzam.º.429/1992)”." (Rcl 2.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO qualquer das sanções por ato de improbidade previstas no art. v. depende sempre do ato administrativo decisório final. mas às compatíveis (ex: não pode. julgado em 18/8/2015. 37.115. DJe de 04/03/2010 e Rcl 2. Pet 3894 AgR / DF - DISTRITO FEDERAL Órgão Julgador: Tribunal Pleno DJe-185 DIVULG 19-09-2013 PUBLIC 20-09-2013 EMENTA Agravo regimental em petição. Agravo regimental não provido. Herman Benjamin. decidiu a Segunta Turma do STJ que “o estagiário que atua no serviço público. § 4. induza ou concorra para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie sob qualquer forma direta ou indireta. àquele que. Contudo. pode também a autoridade que aprova o parecer ser enquadrada. se agir em conluio. Em razão disso. será ela caracterizada como ato de improbidade. CULPA INTENSA. ERRO GRAVE OU INESCUSÁVEL.09). não poderá provocar gastos ao erário. Se a improbidade decorrer de ato do agente em benefício próprio. § Pergunta-se: na ação de improbidade. DJe 8/9/2015 (Informativo 568). servindo como suporte para o ato final. o parecerista não responde por ato de improbidade. 5. Interpelação judicial.035-RS. Supostas práticas de atos de improbidade administrativa e de crimes de responsabilidade pelo Presidente da República. remunerado ou não. precedente do STJ no sentido de que o Presidente da República não se sujeita à LIA. o agente pode se valer do corpo jurídico do órgão para se defender (expensas do erário). 3º) Art. no que couber. Incompetência originária do STF. com competência do juízo de primeiro grau: STF. v. em cujo conteúdo se consigna apenas a opinião pessoal e técnica do parecerista.352. REsp 1. ainda que transitoriamente. é lícito que se socorra daquelas providências. Min..g.2. concorram ou se beneficiem dos atos.

não podendo os termos ser objeto de interpretação ampliativa in malam partem. com os atos praticados durante o processo licitatório.2. b) Existia controvérsia sobre se terceiro poderia ser pessoa jurídica. podem figurar no polo passivo de uma demanda de improbidade. REsp 970393/CE. possuindo direito à remuneração. SOZINHO. tais agentes respondem por improbidade. 6. por sua vez.. A conduta ímproba não é genericamente a de prestar auxílio. estimular o agente que já se preordenara. só poderá ser responsabilizado por ação dolosa. Encontramos atos de improbidade em meras condutas administrativas. Agentes de fato São agentes de fato aqueles com vício na sua investidura. É o que ocorre. de forma correlata. mas sim a de induzir. v. nas omissões.2. pois esta pode sofrer as sanções compatíveis com sua natureza (como a proibição de contratar com o Estado). Rogério Pacheco Alves e Emerson Garcia. Certamente. O agente de fato pode ser: i. DE ALGUM MODO. portanto da conduta de quem induz (que planta a idéia). MUITA ATENÇÃO: NÃO CONSTITUI ATO DE IMPROBIDADE O FATO DE O TERCEIRO INSTIGAR O AGENTE À PRÁTICA DO ILÍCITO. MAS APENAS SE ESTIVER. Putativo (nomeação irregular) ou. DJ 21/06/2012). entendem possível a responsabilidade tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica. Natureza do ato O ato de improbidade não precisa ser ato administrativo (embora possa sê-lo). 6. prestando auxílio material ao agente. incutir a idéia do ilícito em outrem. Necessário (apenas colabora em situação excepcional). Comportamento culposo não se compatibiliza com a percepção de vantagem indevida. como se sabe. Com efeito. Instigar. muitos atos de improbidade são também atos administrativos. 5. VINCULADO AO AGENTE. quando beneficiário. e até os limites da herança. significa participar do ilícito. na linha do Superior Tribunal de Justiça.6 Herdeiros Os herdeiros podem responder por ato de improbidade (como sucessores). fomentar. é de se concluir que. 1T. em atos administrativos etc. por uma questão de boa-fé. Observações: a) O terceiro.2. Diverge.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO O TERCEIRO NÃO PODE PRATICAR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.g. ainda que desacompanhada de seus sócios. tem o sentido de incentivar. mas estarão sujeitos apenas às sanções patrimoniais. Induzir é plantar. Concorrer. concorrer ou se beneficiar. 5. Para o STJ. “Considerando que as pessoas jurídicas podem ser beneficiadas e condenadas por atos ímprobos.1. ii. O ato de improbidade 6.” (STJ. Modalidades 14 .7.

de modo que. direta ou indireta. é dispensável o dano ao erário nesta modalidade de ato ímprobo. direto ou indireto. V - receber vantagem econômica de qualquer natureza. mandato. equipamentos ou material de qualquer natureza. permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado. 1° por preço superior ao valor de mercado. VII - adquirir. função. A questão que se põe é saber qual o limite dos atos que geram enriquecimento ilícito. bem como o trabalho de servidores públicos. de contrabando. 15 . 1° desta lei. para si ou para outrem. II - perceber vantagem econômica. bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público. ainda assim é possível se tratar de ato de improbidade com enriquecimento ilícito.257/2001. IV - utilizar. direta ou indireta. 9° Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. durante a atividade.1 Atos de improbidade que geram ENRIQUECIMENTO ILÍCITO (art. A conduta não exige lesão aos cofres públicos. para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar. qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. gratificação ou presente de quem tenha interesse. veículos. de narcotráfico. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita. direta ou indireta.429/92. e notadamente: I - receber. art.429/92. 10 e 11 da Lei 8. 52) prevê uma quarta modalidade. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. que traz um rol exemplificativo enorme. direta ou indireta. considerando como ato de improbidade certo atos ou omissões relativos à ordem urbanística. para facilitar a aquisição. a título de comissão. de lenocínio. 6. peso. no exercício de mandato. determinando a aplicação da Lei 8. se a conduta não estiver prevista em nenhum dos incisos. 1° desta lei. VI - receber vantagem econômica de qualquer natureza. bem móvel ou imóvel. Art. Isso está nos artigos 9º. comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público. Com efeito. dinheiro. 9º é o mais grave de todos.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO A Lei rotula 3 modalidades diferentes de atos de improbidade. VIII - aceitar emprego. máquinas. emprego ou função pública. ou qualquer outra vantagem econômica. cargo. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público. para facilitar a alienação. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço. 1º desta lei. IX - perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer natureza. O ato do art. III - perceber vantagem econômica. o Estatuto das Cidades (Lei 10. medida. sendo punido de maneira mais severa. permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. direta ou indireta.429/92.2. percentagem. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. em ordem de gravidade. em obra ou serviço particular. ou aceitar promessa de tal vantagem. 9º) Os atos que geram enriquecimento ilícito estão previstos no art. 9º da Lei 8. Obs: Para CARVALHO FILHO. para si ou para outrem. ou sobre quantidade. Repise-se que a lista apresentada é exemplificativa.

bens. que enseje perda patrimonial. Mas veja: esse limite somente é tolerado se a conduta não violar outros dispositivos. desvio. Muita atenção: O QUE DEFINE A MODALIDADE DO ATO DE IMPROBIDADE É A AÇÃO DO AGENTE. os mesmos atos que causam enriquecimento ilícito geram lesão ao erário. XI - incorporar. Muitas vezes. de pessoa física ou jurídica. será ônus do servidor demonstrar que seu patrimônio não é ilícito. sendo que o agente público não se enriqueceu (apenas um amigo dele. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão. 16 . 1º desta lei. Há dano ao erário e não enriquecimento ilícito.). 1° desta lei. e notadamente: I - facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular. Para parte da doutrina. no valor de até R$100. apropriação. 10. O servidor tem obrigação de prestar anualmente informações sobre sua evolução patrimonial. rendas. ímprobo. carros caríssimos etc. mas o terceiro se enriquece. rendas. por qualquer forma. ganhando algo em troca. para englobar. 1º desta lei. Se não houve enquadramento por enriquecimento ilícito do agente. além do patrimônio financeiro. paisagístico etc. tolera-se o presente dado ao administrador. § Inciso VII: Questão importante diz respeito ao crescimento patrimonial incompatível. ao seu patrimônio bens. de bens.2. Para evitar isso. outros valores (ex: lesão ao patrimônio histórico. Ex. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. sobretudo no MP. 9º da LIA. 10 da LIA exige expressamente a ocorrência de prejuízo/dano ao erário. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. cultural. o ato é um só: lesão ao erário (para o agente e o terceiro). em proveito próprio. Assim. moral. a evolução patrimonial indevida do servidor é uma causa OBJETIVA de responsabilidade. dolosa ou culposa. dono da empresa que vendeu de forma superfaturada).: contrato superfaturado. É comum a situação de servidores públicos que não ganham muito dinheiro. rendas. algo comum na Administração Pública. direta ou indiretamente.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO X - receber vantagem econômica de qualquer natureza. 6. compra por valores fora daqueles praticados no mercado. isso gera ato de improbidade com enriquecimento ilícito e. sanção pelo art. mas a jurisprudência tem entendido que o termo “patrimônio público” tem que ser interpretado de maneira ampla. pois o que importa é a conduta do servidor.2 Atos de improbidade administrativa que causam LESÃO AO ERÁRIO (art. Erário é o dinheiro público. todo ano o servidor público deve realizar uma declaração de bens. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. em nome da Administração. conseqüentemente. providência ou declaração a que esteja obrigado. 1° desta lei. prevalece a conduta mais grave (enriquecimento ao erário). Art. Se o agente público. que deve ser compatível com a sua remuneração. artístico. malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. § Inciso II: É possível lembrar também do chamado superfaturamento. Nesse caso. Observações: § Inciso I: Por praxe administrativa (e de acordo com orientação na esfera federal).00. para omitir ato de ofício. XII - usar. mas possuem bens como aviões. 10) O ato de improbidade de que cuida o art.

17 . § Inciso X: Do mesmo modo. veículos. rendas. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. As exigências para a alienação de bens públicos estão previstas no art. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. (Incluído pela Lei nº 11. há evidente prática de ato de improbidade. o administrador que é omisso no que diz respeito à administração tributária também pode praticar ato de improbidade administrativa. já que este patrimônio pertence ao povo. em obra ou serviço particular. X - agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda. verbas ou valores do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO II - permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens. 1º desta lei. ou ainda a prestação de serviço por parte delas. (Incluído pela Lei nº 11. bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público. bem como o trabalho de servidor público. bens. Ex: agente que não fiscaliza e não cobra ISS e IPTU devidos à Administração. (Vide Lei nº 13. de 2014) (Vigência) Vejamos exemplos: § Inciso III: Questão interessante diz respeito à doação de patrimônio público fora das exigências legais. XII - permitir. XIV – celebrar contrato ou outro instrumento que tenha por objeto a prestação de serviços públicos por meio da gestão associada sem observar as formalidades previstas na lei. VII - conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. IV - permitir ou facilitar a alienação. 1º desta lei.019. XIII - permitir que se utilize. de 2005) XV – celebrar contrato de rateio de consórcio público sem suficiente e prévia dotação orçamentária. não pode doar seu patrimônio a particulares. equipamentos ou material de qualquer natureza. facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. O Poder Público. rendas. III - doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado. VIII - frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente.019. A omissão da Administração na cobrança das dívidas em geral também pode gerar dano ao erário. Assim.107. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 17 da Lei 8. 1º desta lei. máquinas. por preço inferior ao de mercado.666/93. sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie. 1° desta lei. em regra. XI - liberar verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. ainda que de fins educativos ou assistências. de 2014) (Vigência) IX - ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. VI - realizar operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. V - permitir ou facilitar a aquisição. Neste caso. § A negligência na fiscalização e cobrança quanto à execução do contrato administrativo também importa em ato de improbidade por gerar prejuízo ao erário. de 2005) XVI a XXI - (Vide Lei nº 13. ou sem observar as formalidades previstas na lei. a negligência na cobrança de tributo também constitui ato de improbidade por gerar lesão ao erário.107. permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado.

Na verdade. § Exemplo: prefeito que vende bem a seu irmão pelo preço correto. com a desculpa de publicar determinado ato administrativo. o agente fizer a propaganda com seu dinheiro pessoal). ATENÇÃO: A promoção pessoal por meio de propagada. Assim. sem que isto consista em promoção pessoal. Não há enriquecimento ilícito do prefeito nem lesão ao erário (pois foi vendido pelo preço de mercado). o servidor não pode vender ou simplesmente vazar informações privilegiadas.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Ex. mas por interesses pessoais do agente. 11) A lista prevista no art. Mesmo que não se consiga provar a venda (que caracterizaria a lesão ao erário).: Contrato de concessão de uso de bem público em que a empresa. todas as contratações irregulares. em licitação secreta. 10 traz rol meramente exemplificativo: 6. pois o administrador tem o dever de publicar seus atos. durante o período de propaganda eleitoral. 18 . pode caracterizar lesão ao erário ou violação aos princípios da administração (se. § Não é possível a concessão inicial de vantagens especiais em concurso para quem já é servidor público. se for possível provar que a informação vazou já há improbidade pela violação aos princípios da administração. § Contratação de servidor sem concurso publico caracteriza ato de improbidade. Por óbvio. Neste caso. não poderá o agente público fazer promoção pessoal. § O administrador que utiliza o dinheiro público para fazer promoção pessoal realiza ato de improbidade por lesão ao erário. o fato de o agente público se utilizar de terceiros não impede a punição por ato de improbidade administrativa. 11 da LIA prevê atos que estão sujeitos a sanções mais leves. o art. em troca dessa utilização. por exemplo.00.2. Ex: previsão de ponto a mais na prova de título à categoria de servidores. Devemos lembrar que a rescisão unilateral do contrato é uma cláusula exorbitante que deve ser manejada pelo administrador. §1º da CF. o administrador público pode divulgar as obras realizadas. Há violação ao princípio da publicidade. Ex: remoção sem ser por necessidade do serviço. Exemplo clássico de ato de improbidade por violação a princípio da Administração ocorre quando é negada a devida publicidade dos atos administrativos. Relembre-se que. afastando a reprimenda. Por outro lado. Outros exemplos: § Exemplo de violação de princípio da administração muito cobrado: desvio de finalidade (viola o interesse público).3 Atos de improbidade administrativa que atentam contra os PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (art. podem representar ato de improbidade. pois viola princípios da administração. Também merece atenção a situação de administradores públicos que se utilizam de terceiros – contratados com dinheiro público – para fazer promoção pessoal. havendo moderação. 37. o administrador público poderá fazer associações do seu nome aos feitos. A administração tem que cuidar da execução do contrato. sempre com caráter informativo. proibida no art. a empresa pagaria R$5. que ninguém ficou sabendo. Mais uma vez. a empresa está em adimplemento. § A violação ao sigilo funcional também gera ato de improbidade administrativa. que suprem o quadro permanente sem concurso público. O administrador que publica o diário oficial de 31/12 em fevereiro também viola a publicidade.000. Apesar o contrato ser válido e estar em andamento.

V - frustrar a licitude de concurso público.429.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Dica importante: se uma mesma conduta gera enriquecimento ilícito. II - retardar ou deixar de praticar.2. de 2014) (Vigência) IX - deixar de cumprir a exigência de requisitos de acessibilidade previstos na legislação. Art. 9º quanto no art. na regra de competência. 10 e no art. o adequado aproveitamento do imóvel incorporado ao patrimônio público. (Incluído pela Lei nº 13. VIII - descumprir as normas relativas à celebração. 8o desta Lei. e notadamente: I - praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto. VII – deixar de tomar as providências necessárias para garantir a observância do disposto no § 3o do art. (Redação dada pela Lei nº 13. 26 desta Lei. imparcialidade. 33 desta Lei. ato de ofício. 40 e no art. teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. V – aplicar os recursos auferidos com operações consorciadas em desacordo com o previsto no § 1o do art. nos termos da Lei no 8. IV – aplicar os recursos auferidos com a outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso em desacordo com o previsto no art. conforme o disposto no § 4o do art. Neste caso. fiscalização e aprovação de contas de parcerias firmadas pela administração pública com entidades privadas. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. dano ao erário e violação a princípios. VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro.257/01 (Estatuto da Cidade) estabeleceu que.146. III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. VI – impedir ou deixar de garantir os requisitos contidos nos incisos I a III do § 4o do art. 52. 11. deve ser escolhida a modalidade mais grave (PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO).019. em várias situações em que desrespeita obrigações impostas pelo referido Estatuto. Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos envolvidos e da aplicação de outras sanções cabíveis. 50 desta Lei. legalidade. IV - negar publicidade aos atos oficiais. o Prefeito incorre em improbidade administrativa. indevidamente. bem ou serviço. sem prejuízo da punição de outros agentes públicos e da aplicação de outras sanções cabíveis. 40 desta Lei. antes da respectiva divulgação oficial. 31 desta Lei. III – utilizar áreas obtidas por meio do direito de preempção em desacordo com o disposto no art. e lealdade às instituições.4 Ordem urbanística O art. o prefeito incorre em improbidade administrativa nos termos da Lei 8. Art. deve ser seguida uma ordem de gravidade (primeiro sempre a medida mais grave. afastando-se as outras). 11 da LIA. 52 da Lei 10.429/92. no prazo de cinco anos. VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo. de 2015) (Vigência) 6. quando: I – (VETADO) II – deixar de proceder. 19 . É muito comum aparecer em provas condutas que podem se encaixar tanto no art. A ação de agente é que define o ato de improbidade. de 2 de junho de 1992.

nem a proibição de contratar. pelo valor da proposta apresentada. Este dispositivo traz um rol sancionatório mais extenso do que aquele previsto na Constituição (que traz rol mínimo. 10 ou 11) existem algumas sanções cabíveis. Esta norma tutela a ordem urbanística do Município. 9º. 10. se este for. definidas em 3 listas. DOLO. Sanções aplicáveis (art. que admite as modalidades CULPOSA e DOLOSA. O MP luta contra esse entendimento. Não se exige enriquecimento ilícito. porém. Enriquecimento ilícito Dano ao erário Violação aos princípios Estatuto da cidade Ato punido apenas por Ato punido por Ato punido só por Ato punido só por DOLO DOLO DOLO ou CULPA. 11) Não há acréscimo de bens. Ressarcimento (pelo terceiro)1 de danos Neste caso. a CF não prevê a multa civil. comprovadamente. Elemento subjetivo No que concerne ao elemento subjetivo do ato de improbidade. é possível que o terceiro cause o dano. mas não improbidade. 25 a 27 desta Lei. Por exemplo. Enriquecimento ilícito (art. mas em vão. 11. 12 da LIA. 20 . Para cada espécie de ato (art. 7. o que leva a doutrina e jurisprudência majoritária entenderem somente ser possível a modalidade DOLOSA. a lei de improbidade só é expressa quando trata da lesão ao erário (art. nem mesmo dano ao erário e seu elemento subjetivo é o DOLO.3.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO VIII – adquirir imóvel objeto de direito de preempção. misturar penalidades previstas para o ato de enriquecimento com as previstas para o ato de lesão ao erário (ainda que o ato do agente configure as duas penalidades). 10) Devolução daquilo acrescido Devolução daquilo acrescido 1 ilicitamente (por parte do ilicitamente pelo TERCEIRO AGENTE e de TERCEIRO) 2 Ressarcimento de danos 1 Ressarcimento de danos Violação a princípios (art. 9º e 11 (enriquecimento ilícito e violação ao princípios administrativos) não há qualquer posicionamento nesse sentido. 12) As sanções aplicáveis ao ato de improbidade estão previstas no art. nos termos dos arts. Praticado o ato com culpa. dentro da lista prevista para cada tipo de ato de improbidade. haverá infração funcional. Se o agente tiver causado o dano. e não do art. a hipótese é do art. 6. superior ao de mercado. 10). não havendo inconstitucionalidade). Ele não poderá. Em relação aos arts. A regra é que o juiz pode escolher qual penalidade irá aplicar. 9º) Dano ao erário (art.

pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do 2 Veja que. 10. II - na hipótese do art. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. se concorrer esta circunstância. previstas na legislação específica. considerando cada caso concreto. perda da função pública. no prazo de 3 anos. 9°. perda da função pública. a pena de devolução do acrescido ilicitamente se refere ao terceiro. não se podendo falar em aplicação de “pena em bloco”. 9º e não o 10. suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos. seria aplicável o art. pois se o agente houvesse se enriquecido ilicitamente. civis e administrativas. informação que já fora cobrada em concursos. 12. “até 5” ou “até 3”. Proibição de contratar e de receber benefícios fiscais e creditícios. não podendo ser quantificado pelo juiz: é de 10. 59 do CP (circunstâncias judiciais). inteiramente adequados à fixação das sanções de improbidade. quando houver. perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio. Lembrar que é a conduta do agente (e não de terceiros) que define a modalidade da improbidade. suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos. § No caso do dano ao erário. e não de “até 10”. não poderá misturá-las para um mesmo ato. a Lei não utiliza a palavra “até”. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. pelo prazo de dez anos. no prazo de 5 anos. Proibição de contratar e de receber benefícios fiscais e creditícios. direta ou indiretamente. o prazo é fixo. 21 . ressarcimento integral do dano. no prazo de 10 anos2. neste caso. de natureza cautelar e não sancionatória). Registre-se que o magistrado. Independentemente das sanções penais. § Para autores como CARVALHO FILHO. não precisa aplicar todas as sanções previstas para cada ato (nesta mesma linha: STJ). Observações: § ATENÇÃO: A perda de função e a suspensão de direitos políticos são sanções que somente podem ser aplicadas em caso de trânsito em julgado da decisão. embora não seja obrigado a aplicar todas as sanções de cada lista. ressarcimento integral do dano. embora o servidor possa ser afastado durante o processo (afastamento preventivo. § No caso da penalidade de proibição de contratar e de receber benefícios fiscais e creditícios. o magistrado.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Perda de função (pena Perda de função (pena Perda de função (pena 3 aplicada apenas ao agente aplicada apenas ao agente aplicada apenas ao agente público) público) público) Suspensão de direitos Suspensão de direitos Suspensão de direitos 4 políticos no prazo de 8 a 10 políticos no prazo de 5 a 8 políticos no prazo de 3 a 5 anos anos anos 5 Multa civil de até 100x o Multa civil de até 3x o valor Multa civil de até 2x o valor valor da remuneração mensal acrescido ilicitamente do dano ao erário do agente Proibição de contratar e de receber benefícios fiscais e 6 creditícios. está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações: I - na hipótese do art. Art. Apesar disso. é lícito ao juiz socorrer-se dos elementos de valoração previstos no art. 5 ou 3 anos. pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.

salvo quanto à pena de ressarcimento – Em relação a ela. A aplicação das sanções previstas nesta lei independe: I - da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público. O STJ.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. ressarcimento integral do dano. o que legitima a sua punição. 11. Aplicação das sanções Segundo o art. 21 da Lei de improbidade. inclusive.429/92 não comina. As sanções § PERDA DE BENS E VALORES à Cuida-se da perda dos bens ilicitamente acrescidos com a prática do ato de improbidade. b) Independe da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo tribunal ou conselho de contas – Isso se justifica no fato de que o Tribunal de Contas faz fiscalização por amostragem. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. § RESSARCIMENTO INTEGRAL DO DANO à Para fins de ressarcimento.2. que: a) Independe da efetiva ocorrência do dano ao patrimônio público (em sentido econômico). pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. para apuração. Além disso. há quem entenda que não se trata de sanção. como também empregados públicos. perda da função pública. § PERDA DA FUNÇÃO PÚBLICA à A punição se aplica exclusivamente aos agentes públicos. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará em conta a extensão do dano causado. Atente: nos casos de rejeição de contas ou aprovação com ressalva pelo Tribunal de Contas. no entanto. assim como o proveito patrimonial obtido pelo agente. é possível que determinado ato de improbidade passe sem ser percebido. Parágrafo único. expressamente. 7. ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário. direta ou indiretamente. 21. não se estendendo a terceiro. não conferindo todas as contas do administrador. seja qual for o ato de improbidade. III - na hipótese do art. cuja vinculação jurídica já sofreu prévia extinção. até mesmo os bens do agente anteriores ao ato de improbidade ficam sujeitos à penhorabilidade. a indenizabilidade do dano moral no caso de improbidade é admitida por quase toda a doutrina. há evidente indício de ato de improbidade. entende possível a cassação da aposentadoria: “A Lei 8. mas não o ressarcimento. será possível aplicar outras penalidades. a pena de cassação de aposentadoria a agente público condenado pela prática de atos de 22 . 7. suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos. impondo-se a comunicação dessa decisão ao órgão competente. Nos casos em que não houver o efetivo prejuízo. direta ou indiretamente. eis que a relação previdenciária somente se extingue por meio da cassação de aposentadoria. é possível a aplicação das sanções.1. Ela abrange não só servidores. Para parte da doutrina. pelo prazo de cinco anos. essa sanção não incidiria sobre os aposentados. Art. II - da aprovação ou rejeição das contas pelo órgão de controle interno ou pelo Tribunal ou Conselho de Contas. Por conta disso. se houver. pelo prazo de três anos.

no âmbito de ação civil pública de improbidade administrativa. Pet 3211. 23 . conquanto a lei estabeleça a necessidade de ação judicial específica para a aplicação da perda do cargo.429/1992 é aplicável aos agentes políticos. na ação de improbidade.191. dentre os quais se incluem os magistrados e promotores.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO improbidade em sentença transitada em julgado. 57. Posteriormente. § PROIBIÇÃO DE CONTRATAR E RECEBER BENEFÍCIOS à Em relação a tais penalidades. cargo (demissão). podendo sofrer. portanto. Para ao STJ. Não havendo adimplemento espontâneo. a condenação de membro do Ministério Público à pena de perda da função pública prevista no art. A perda da função é gênero que envolve: perda de mandato (cassação). Em 2015. Rel. no sentido de que cabe aos respectivos tribunais julgar juízes e membros do MP por ato de improbidade. DJe 17/4/2015 - Informativo 560). que a questão é polêmica. MS 20444/DF. porém. Justamente por isso. os tribunais passaram a afirmar. STJ. Benedito Gonçalves. decidiu o STJ que Promotores de Justiça (e. S1 - PRIMEIRA SEÇÃO. Min. Em síntese. Isso porque. Ressalte-se. mas apenas pelo respectivo tribunal. é consequência lógica da condenação à pena de demissão pela conduta ímproba infligir a cassação de aposentadoria a servidor aposentado no curso de Ação de Improbidade. nessa instância. O produto da multa é destinado à pessoa lesada. nada impede a aplicação da LIA. julgado em 19/3/2015. a Primeira Turma do STJ surpreendeu a todos. o que violaria o princípio da impessoalidade tributária. o impedimento de participar de licitações. genericamente. não há ensejo para excluir os benefícios genéricos (ex: as isenções gerais). decidindo que “é possível. no STF e no STJ. Mas atente: neste caso.613-MG. as hipóteses previstas nas referidas normas dizem respeito a fatos apurados no âmbito administrativo. A Indenização consuma-se pela sanção de reparação integral do dano. entende parte da doutrina que a sanção de perda da função pública não pode ser aplicada por um juiz de primeira instância. a ausência de foro por prerrogativa de função na LIA. da LC 75/1993 e § 2o do art.” (STJ. daí porque se prevê a necessidade de autorização do Conselho Superior do Ministério Público para o ajuizamento da ação judicial (art. a pena de perda de função (REsp 1. O fato de a LC 75/1993 e a Lei 8.625/1993). também Juízes de Direito) respondem por ato de improbidade administrativa em primeiro grau. Todavia. 38 da Lei 8. Em relação aos agentes dotados de vitaliciedade – magistrados. todavia. 12 da Lei 8. membros do MP e dos Tribunais de Contas -. ipso facto. Essa penalidade gera. § MULTA CIVIL à A natureza da multa civil é de sanção civil (não-penal) e não tem natureza indenizatória. aplicam-se as regras do CPC. § PERDA DOS DIREITOS POLÍTICOS à A sentença. AgRg na Rcl 2115. emprego (rescisão do contrato com culpa do empregado) e função (revogação da designação). tem que ser expressa quanto à aplicação da sanção de suspensão de direitos políticos.625/1993 preverem a garantia da vitaliciedade aos membros do MP e a necessidade de ação judicial para aplicação da pena de demissão não induz à conclusão de que estes não podem perder o cargo em razão de sentença proferida na ação civil pública por ato de improbidade administrativa. DJe 11/03/2014).429/1992”. 2009). contrariamente ao que ocorre na sentença penal. criando-se um foro por prerrogativa de função (STF. a Lei 8. XX. existem precedentes. 2008. estas verdadeiro pressuposto para a celebração de contratos.

sento desnecessários requisitos cautelares (não se exige periculum in mora). Rel.2013. Ministro Mauro Campbell Marques.328.242/MG. Min. poderá aceitar a investigação provocada (STJ.11. Nesse sentido: Recurso Especial Repetitivo 1. Segunda Turma. Contudo. MS 7. para a indisponibilidade dos bens do indiciado. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho.5. Rel.2013. Rel. AgRg no REsp 1. DJe 7. Segunda Turma. a indisponibilidade de bens pode alcançar quantos forem necessários ao ressarcimento do dano. REsp nº 702. AgRg no AREsp 415. se o Poder Público pode fazê-lo de ofício.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO 8. 2T. AgRg nos EREsp 1. 14. DJe 20.583/MT. Rel. já que a CF assegura direito de representação. Segunda Turma.769/BA. AgRg no AgRg no REsp 1. Procedimento administrativo O procedimento administrativo relacionado à improbidade administrativa está previsto nos artigos 14 a 16 da lei 8.] Além disso. argumentando-se com a circunstância de que. DJe 21/05/2015: É firme o entendimento no STJ.2008.. AgRg no REsp 1. DJe de 11. AgRg no REsp 1. o STJ já firmou entendimento no sentido de que. Segunda Turma.375.894/GO. DJe 27. Rel. Segunda Turma.2014.315. o que não é o caso. Primeira Seção. DJe 2. Na verdade. Rel. a INDISPONIBILIDADE DE BENS (art. Ministro Castro Meira. 24 . Segunda Turma. sob pena de o pedido ser rejeitado.6. Ministro Mauro Campbell Marques. Ministra Eliana Calmon. DJe 2. mediante provocação judicial. Rel. DJe de 04. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito.. Segunda Turma. DJe 19. AgRg no AREsp 287. Segunda Turma.03.301/PR.405/SP. Rel. caberá à autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público. Rel. Rel.429/92. Rel. DJe 16/12/2013.2013.2014. Rel.414.2013. DJe 13. Instaurado o procedimento administrativo. REsp 1. DJe 9/4/2013. DJe 11.569/BA.088/DF.366. Ministro Humberto Martins. Primeira Seção.5. quando esta oferecer indícios de veracidade e seriedade.2013. INCLUSIVE OS ADQUIRIDO ANTES DO ILÍCITO.942/PB. Art. Segunda Turma.12. a evitar dilapidação patrimonial futura. Assim decidiu o STJ no AgRg no REsp 1460770 / PA. mas essa medida se direciona a bens previamente determinados.417. de que a decretação de indisponibilidade dos bens não se condiciona à comprovação de dilapidação efetiva ou iminente de patrimônio. Poderá ser decretada também.092/RJ. a jurisprudência tem admitido a instauração de procedimento investigatório até mesmo em caso de denúncia anônima. Rel. p/ Acórdão Ministro Og Fernandes.6. Ministro Humberto Martins. qualquer pessoa pode representar à autoridade administrativa competente para instaurar processo de investigação sobre condutas de improbidade. DENISE ARRUDA.721/BA. CASTRO MEIRA.9.069-DF). se houver indícios veementes de prática de atos de improbidade.2014. inexistindo qualquer peculiaridade. REsp nº 806. AgRg no REsp 1. Rel. LUIZ FUX.09. o órgão de apuração representará ao Ministério Público ou ao órgão jurídico da pessoa interessada.319.407. Ministro Og Fernandes. DJe de 03. Min. Rel. o dispositivo é inócuo. AgRg no AREsp 144. Ministro Humberto Martins.8. tratando-se de ação civil por improbidade administrativa. DJe 13.8. para o fim de ser requerida em juízo a decretação do ARRESTO dos bens do agente ou terceiro. 15 alude ao “seqüestro”.2014.2014.5. Segundo dispõe o art.2008. Ministro Mauro Campbell Marques. O art.08.338/PR.481/CE. Ministra Eliana Calmon. justamente. Precedentes: REsp nº 762. Diz a lei que a representação deve ser escrita ou reduzida a termo.2008. REsp 1. Rel. [. Ministro Mauro Campbell Marques.195/SP.314. 7º). DJe 20. porquanto visa.616/SC. Min. Segunda Turma.

O RÉU DEFENDE-SE DOS FATOS QUE LHE SÃO IMPUTADOS. embora tenha regras próprias (procedimento próprio). o qual deverá ajuizar a ação de improbidade. quando se tem uma apresentação de substitutivo. Ao mesmo tempo em que ocorre o processo administrativo disciplinar é possível uma ação de improbidade. 65 da CF (procedimento bicameral para a aprovação de leis). O STF ainda não julgou essa ADI. O TCU e a autoridade responsável pelo PAD devem comunicar o MP do que está acontecendo. A Lei 8.429/92: 2182 e 4295. Assim. Os dispositivos impugnados são muito abertos/amplos (“enriquecimento sem causa”. Há 6 meses. ao mesmo tempo. no processo administrativo disciplinar e pena aplicada é a de demissão. Ação de improbidade 9. se for o caso. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano. Obs. que prevê o processo administrativo disciplinar. Ela aponta que 13 dispositivos são inconstitucionais com base na teoria da OVERBREADTH DOCTRINE (teoria da nulidade da norma pela excessiva abertura do texto). O MP não precisa ser comunicado para poder instaurar a ação judicial.1 Natureza Muito já se discutiu sobre a natureza da ação de improbidade administrativa. ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. que a maioria da doutrina entende ter natureza de ação civil pública. 25 . mas sim emendas ao projeto original. quando o Senado apresentou as alterações e devolveu para a Câmara.429/92. Cuida-se. independentemente da norma em que se fundou o autor da ação. Prevalece se tratar de uma ação JUDICIAL.1: para o STJ. não há apresentação de novo projeto. de uma ação civil pública por ato de improbidade. o STF declarou a constitucionalidade formal da lei 8. na espécie.112).IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Parágrafo único. pois. pois são esferas diferentes. Como a lei é sancionatória. em crime e ato de improbidade (natureza cível).429.429 prevê algumas regras procedimentais. previstas na Lei 8. alegando a violação do processo legislativo previsto no art. “violação da moralidade” etc. Não haverá. Constitucionalidade da lei 8. Repita-se que uma mesma infração pode consistir.429/90. permitindo o arbítrio judicial e o abuso. Se o servidor público é federal.429/90 (por 7X1). em alguns aspectos.429/92 Foram propostas duas ADI’s discutindo a constitucionalidade da lei 8. A ADI 4295/DF foi iniciada pelo PNN discutindo a inconstitucionalidade material da lei 8. O STF sustenta que.). a indicação errônea ou inadequada do dispositivo concernente à conduta do réu não impede que o juiz profira sentença fundada em dispositivo diverso. Enquanto na ação de improbidade a pena é a perda da função. deve ser aplicada a pena do estatuto (lei 8. não poderia abrigar normas tão abertas. qualquer violação ao princípio da congruência. portanto. PAD X Ação de improbidade Para aplicar a pena de perda de função deve ter uma ação judicial de improbidade em que o juiz vai condenar o servidor e aplicar a pena. aplicáveis à ação de improbidade. A ADI 2182/DF discutia a constitucionalidade formal da lei 8. esta tem atribuição para concluir a lei. 9.

Tal entendimento se consolidou.: estando o MP na qualidade de parte. a Lei 8. de que trata a Lei n 8.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO 9. 84.628. 1º da LIA).2002) (Vide ADIN nº 2797) o o § 2 A ação de improbidade.12. será aplicável. deverá ser notificada a pessoa jurídica lesada para participar do processo em litisconsórcio. a legitimidade não é aquela prevista na lei de ação civil pública. ainda suscitando controvérsias. na mesma linha do STF. se quiser. Pet 3067 AgR / MG - MINAS GERAIS 26 . de 2 de junho de 1992. que regula a ação popular. relativa a atos administrativos do agente. mas sim a prevista na lei de improbidade. 84 do CPP foi objeto de controle de constitucionalidade (ADI 2860 e ADI 2797). 1º. o Supremo decidiu: a competência para processar a julgar a ação é da primeira instância. será proposta perante o tribunal competente para processar e julgar criminalmente o funcionário ou autoridade na hipótese de prerrogativa de foro em razão do exercício de função pública. algumas observações são interessantes: § Quando o autor é a pessoa jurídica lesada. no art. houve uma decisão do STF (PET AgR 3053/DF. na contramão desse posicionamento. § Se quem ajuíza a ação é o MP. o MP atua como custos legis obrigatório.2 Legitimidade Os legitimados ativos ad causam são o Ministério Público (principal autor da ação de improbidade) e a pessoa jurídica lesada (sujeito passivo do ato de improbidade – art. AgRg no AREsp 553972 / MG. genericamente. §§1º e 2º do CPP estabeleceu que a ação de improbidade estaria sujeita ao foro por prerrogativa de função (igual ao crime comum). de 24. § 1 do CPP.2002) (Vide ADIN nº 2797) § A regra do art. j. STF.13/03/2008) entendendo que “compete ao STF julgar ação de improbidade contra seus membros” e uma decisão do STJ (Rcl. prevalece ainda que o inquérito ou a ação judicial sejam iniciados após a cessação do exercício da função pública. inexistir foro por prerrogativa de função para fins de improbidade (STJ. de 24. 2790/SC. § Ocorre que as decisões mais recentes (sejam no STF ou STJ) afirmam. o observado o disposto no § 1 . A pessoa jurídica lesada poderá abster-se de contestar o pedido. DJe 03/02/2015). o Art. Embora a maioria da doutrina entenda que a ação de improbidade é da ação de civil pública. (Incluído pela Lei nº 10. § Posteriormente.3 Competência Essa questão já foi decidida várias vezes.628/2002) b) Natureza cível (e não penal) da ação de improbidade administrativa.628. no que couber. não há foro privilegiado na improbidade administrativa. em legitimidade concorrente. o sistema da Lei 4. j.429. § Em 2002. Obs. uma alteração absurda do art. pois somente a Constituição pode tratar do foro especial. § No seu texto original. 04/03/2010) que aplica foro privilegiado ao Governador. Fundamentos: a) Impossibilidade de a norma infraconstitucional criar competência dos tribunais superiores (foi ampliada a competência constitucional do STF e STJ pela lei federal 10. (Incluído pela Lei nº 10. 9. A competência especial por prerrogativa de função.12.429/92 previa que a competência para julgar a ação seria do juiz de primeira instância. 84.717/75. Nestas duas ações. Neste ponto.

de natureza condenatória è A aplicação das sanções e ressarcimento do prejuízo. Para o posicionamento clássico. 9. por expressa previsão legal. Autores como ANTONIO DO PASSO CABRAL. A ação civil pública por ato de improbidade administrativa que tenha por réu parlamentar deve ser julgada em Primeira Instância. de natureza declaratória è O reconhecimento da conduta de improbidade. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO. Agravo Regimental a que se nega provimento. Declaração de inconstitucionalidade do art. 3. da LIA: Art.4 Medidas cautelares As medidas cautelares possíveis na ação de improbidade devem ser requeridas pelo MP ao juízo competente.5 Vedação para a transação Na ação civil pública. b) Pedido subseqüente. há precedentes do STJ admitindo. FREDIE DIDIER e NICOLAO DINO. 1. na linha da 5ªCCR do MPF. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. tem sido flexibilizado nos dias atuais. do CPP no julgamento da ADI 2797. há dois pedidos: a) Pedido originário. 84. na literalidade da LIA. que pode ser genericamente formulado. No âmbito do Ministério Público.429/92 que pode ocorrer na esfera administrativa: o AFASTAMENTO TEMPORÁRIO DO SERVIDOR. mas sim aos fatos. suspensão condicional do processo etc. 17. é muito comum o chamado termo de ajustamento de conduta. Esse entendimento. §2º. Só há uma medida cautelar entre as previstas na lei 8. tal acordo não é possível na ação de improbidade. (Revogado pela Medida provisória nº 703. entendem que o dispositivo necessita ter uma interpretação de acordo com as mudanças legislativas ocorridas após a edição da LIA.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Julgamento: 19/11/2014 Órgão Julgador: Tribunal Pleno EMENTA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Apesar disso.). § Este afastamento não tem prazo (durará enquanto for necessário para a instrução do processo). a Medida Provisória n. Nesse sentido. Para a concepção tradicional. Mantida a decisão monocrática que declinou da competência. 27 . de 2015) 9. 703/2015 revogou a previsão do art. § Este afastamento ocorre com remuneração. não se admite qualquer acordo/transação/composição nas ações de improbidade. 4. será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada. acordo ou conciliação nas ações de que trata o caput. o autor deve ser específico na formulação dos pedidos. o juiz não está adstrito aos pedidos do autor. A título de exemplo. que terá o rito ordinário. §1º. em atenção à tutela específica e à melhor proteção do patrimônio público. até mesmo. admite-se a convencionalidade até mesmo em processos penais (transação penal. salvo o ressarcimento do prejuízo.6 Pedidos Na ação de improbidade. § 1º É vedada a transação. No âmbito do MPF. todavia. dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar. A ação principal. já foram celebrados alguns TAC em AIA. a aplicação de sanções que não foram requeridas pela parte autora. 9. 2. 17. Para o STJ. que consiste em verdadeira transação. é o que prevalece. Para a doutrina.

112. Min. a um fundo constituído para tanto. normalmente o dinheiro é destinado a um fundo com finalidade específica. Somente após recebida a petição inicial. inicialmente o réu é notificado para oferecer manifestação escrita e apresentar documentos. obrigação de fazer. caso seja exigida uma AIA. mas.8 Destinação do recurso A destinação dos valores na ação de improbidade também é diferente da ação civil pública.7. decidirá se recebe ou não a inicial (decisão está atacável por agravo de instrumento). que regula o processo e o julgamento "dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos". Assim.361/SC. cargo em comissão ou função de confiança à 5 anos do fim do mandato ou cargo em comissão (a fluência do prazo fica suspensa até o termo final da atividade temporária). Rel.7. ressaltava a multa por dano extrapatrimonial coletivo. o prazo de 5 anos é contado do término do último mandato. EREsp 1008632/RS. Pergunta-se: e no caso de mandatos sucessivos? Neste caso. fazer um pedido subsidiário. Dje de 31. 2ª Turma.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO É possível cumular outro pedidos. 28 . 9. “A referida regra foi claramente inspirada no procedimento de defesa prévia previsto nos arts. Nesse contexto. Dica prática: em peças processuais. o réu é citado para apresentar contestação. os estatutos geralmente prevêem o prazo de 5 anos. contados do conhecimento da infração (Lei 8. segundo entendimento do STJ. no prazo de 15 dias. b) Servidor efetivo ou emprego público à Será o prazo que disciplina a lei específica para as faltas punidas com demissão a bem do serviço públicos. art. Na ação civil pública. Defesa preliminar O procedimento judicial da lei de improbidade é especial e comporta defesa preliminar. respeitando-se a ratio do dispositivo. como a nulidade do ato administrativo. no prazo de 30 dias. Ricardo Lewandowski. com base no art. Essa fase ainda não forma a relação processual. 142. Este prazo deve ser conferido no estatuto dos servidores. Ações civis públicas Ações de improbidade Os valores obtidos com a ação são destinados Os valores são destinados à pessoa jurídica lesada. Detalhe: no caso da demissão. é importante narrar a conduta do agente ímprobo com base nos artigos 9º e 10. não fazer etc. parágrafo único). 11. o magistrado. Na ação de improbidade. DJe 09/03/2015). 9. sempre.12” (STJ. Em seguida. o dinheiro angariado é destinado à pessoa jurídica lesada. quando há ressarcimento. ao final. o Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento que o eventual descumprimento da referida fase constitui nulidade relativa: HC 110. 513 a 518 do Código de Processo Penal. 9.9 Prescrição A lei de improbidade administrativa prevê o prazo prescricional a depender do agente ímprobo: a) Servidor em mandato.

suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais ou creditícios).IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO Na hipótese de o fato também constituir crime. o STJ tem julgados no sentido de que o prazo prescricional no caso do inciso II (ato praticado no exercício de cargo efetivo ou emprego público) é o do crime correspondente. tem caráter predominantemente constitutivo. 1: Como o procedimento da ação de improbidade administrativa possui duas fases. A rejeição não impede a representação ao Ministério Público.3: Lembra-se que enquanto a ação de improbidade prescreve no prazo legal. há de prevalecer o prazo previsto para o cargo/emprego efetivo. não importando quando e como ocorra a citação. Obs. apontam que os prazos são materialmente PRESCRICIONAIS porque geram a prescrição da pretensão punitiva da administração pública em face do agente público imputado. § 1º A representação. caso haja a prescrição relativamente às outras sanções. Neste caso. 14. Reforçando essa tese. a Lei 8. 2ª Corrente è FREDIE DIDIER e HERMES ZANETI. 142. No STJ.112 prevê a aplicação da prescrição penal (art. em que é possibilitada a defesa preliminar). Qualquer pessoa poderá representar à autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de improbidade. prevalece que se aplica o mesmo prazo prescricional aplicável ao agente envolvido. §5º da CR: “§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente. Obs. eventual AIA ajuizada pode seguir unicamente em relação ao pleito de ressarcimento. em razão da omissão legislativa. entende o STJ que por interpretação teleológica. a autoridade determinará a imediata apuração dos fatos que. Obs. 2: Quanto à natureza jurídica do prazo há 2 correntes: 1ª Corrente è Essa doutrina entende que os prazos previstos são DECADENCIAIS porque. Art. se esta não contiver as formalidades estabelecidas no § 1º deste artigo. pelo simples fato de o vínculo entre agente e Administração Pública não cessar com a exoneração do cargo em comissão. o STJ tem jurisprudência pacífica no sentido de que a prescrição interrompe com a propositura da ação3. c) Terceiro que atua em conjunto com agente público è Neste caso. as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação das provas de que tenha conhecimento. que será escrita ou reduzida a termo e assinada. que o prazo interruptivo retroage à data da propositura da ação 29 . Segundo entendimento doutrinário. servidor ou não. a reparação dos prejuízos por parte do agente é imprescritível (art. § 3º Atendidos os requisitos da representação. para garantir que a prescrição não ocorrerá durante a 1ª fase (juízo prévio de admissibilidade. ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.”). será processada na forma prevista nos 3 Na verdade. conterá a qualificação do representante. que causem prejuízos ao erário. 37. o mesmo prazo deverá ser analogicamente aplicado aos servidores públicos temporários. há divergência na doutrina. § 2º A autoridade administrativa rejeitará a representação. §2º). em despacho fundamentado. Observe que a LIA não cuida da hipótese de o mesmo agente praticar ato ímprobo no exercício cumulativo de cargo efetivo e de cargo comissionado. 22 desta lei. Assim. em se tratando de servidores federais. como a ação de improbidade administrativa gera uma mudança no status jurídico do réu (acarreta a perda da função pública. nos termos do art. contudo. sendo desnecessário ajuizar outra demanda. quando assim determinado na legislação específica.

promoverá as ações necessárias à complementação do ressarcimento do patrimônio público. designar representante para acompanhar o procedimento administrativo. 142.2014 – “2. iniciando-se a contagem no primeiro dia após a cessação do vínculo (STJ REsp 1. da CF)" (AREsp 79268/MS. • Se o ato ímprobo for imputado a agente público no exercício de mandato. nos termos da lei e dos tratados internacionais. que terá o rito ordinário. § 2º A Fazenda Pública. contas bancárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no exterior. Art. 142. da Lei nº 8. 17. 30 . 37. Art. nas hipóteses em que as infrações administrativas cometidas pelo servidor forem objeto de AÇÕES PENAIS EM CURSO. Precedentes importantes sobre prescrição: • STJ. de cargo em comissão ou de função de confiança (artigo 23. • No caso de reeleição.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO arts. o prazo prescricional para a propositura da ação destinada a levar a efeitos as sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa é de 5 anos.112. DJ 10. Parágrafo único. cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em comissão. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento administrativo para apurar a prática de ato de improbidade. quando for o caso. AgRg no REsp 1326220 / AL – DJ 02. inciso I). o exame e o bloqueio de bens. o termo do lapso prescricional só se aperfeiçoa após o término do segundo mandato (STJ REsp 1. § 5º. § 2º. § 2° Quando for o caso. observam-se os prazos prescritivos da lei penal. S1. em se tratando de servidor militar.112/90.079). da Lei nº 8. 16. MS 17535 / DF. Não há falar em prescrição. O prazo prescricional é de cinco anos em relação às infrações puníveis com demissão. a requerimento. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá. de 11 de dezembro de 1990 e. § 1º O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto nos arts. 148 a 182 da Lei nº 8. 2T.324).529). Rel. • STJ. “4. Todavia. Art. Ministra ELIANA CALMON)”. pelo titular da referida demanda.09. a teor do disposto no art.060. da ocorrência do ato ímprobo. A ação principal. 15. o pedido incluirá a investigação.10.153. "mesmo se cumulada com a ação de improbidade administrativa (art. dentro de trinta dias da efetivação da medida cautelar.2014. a comissão representará ao Ministério Público ou à procuradoria do órgão para que requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patrimônio público. será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada. pois a pretensão de ressarcimento dos prejuízos causados ao erário é imprescritível. consoante a determinação do art. I. Havendo fundados indícios de responsabilidade. • O termo inicial do prazo prescricional da ação de improbidade é contado da ciência inequívoca. de acordo com os respectivos regulamentos disciplinares. Prescrição. sendo desinfluente o fato de o ato de improbidade ser de notório conhecimento de outras pessoas que não aquelas que detém a legitimidade ativa para a causa (STJ ED-REsp 999.112/90”. 822 e 825 do Código de Processo Civil.

não dá guarida à tese de que a prolação de sentença após 5 anos do ajuizamento da ação acarreta a prescrição intercorrente (STJ REsp 1. exige ainda a presença da justa causa. em princípio.085) • Se o ato ímprobo for imputado a terceiro. GABARITO: LETRA C 10. nos termos do verbete 106 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ REsp 700. quando da extinção do vínculo è CERTO C) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhece a aplicação do instituto da prescrição intercorrente às ações de improbidade administrativa è ERRADO D) Se o ato ímprobo for imputado a terceiro.1 Recebimento da inicial • A ação de improbidade administrativa. o prazo prescricional para a propositura da ação destinada a levar a efeitos as sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa é. o mesmo aplicável ao servidor público ou agente político envolvido. quando da extinção do vínculo (STJ REsp 1. Napoleão Nunes Maia Filho. da Lei 8. à data da propositura da ação (STJ REsp 681. o mesmo aplicável ao servidor público ou agente político envolvido è CERTO. nos termos do artigo 219. do Código de Processo Civil. estranho ao serviço público.429/92. atribuível exclusivamente aos serviços judiciários. B) Na hipótese em que o agente se mantém em cargo comissionado por períodos sucessivos.179. o prazo prescricional para a propositura da ação destinada a levar a efeitos as sanções previstas na Lei de Improbidade Administrativa é. pessoa jurídica ou natural. porquanto se supõe que não haveria como o ilícito ocorrer sem o seu concurso ou na condição de beneficiário de seus atos (STJ REsp 704.292). estranho ao serviço público.038). assinale a alternativa incorreta: A) O termo inicial do prazo prescricional da ação de improbidade é contado da ciência inequívoca. em princípio. ainda que inexistente a notificação prevista no artigo 17.161). QUESTÃO ESTILO MPF: 1. Informativos de jurisprudência 10. 1a Turma. é o momento do término do último exercício. julgado em 4/10/2012. Assim. da ocorrência do ato ímprobo. 31 . O inciso I do artigo 23. pessoa jurídica ou natural. a citação interrompe o prazo prescricional. sendo desinfluente o fato de o ato de improbidade ser de notório conhecimento de outras pessoas que não aquelas que detém a legitimidade ativa para a causa è CERTO. parágrafo 1º.142.492/1992. Min. STJ. em razão da demora no cumprimento da citação. pelo titular da referida demanda. além das condições genéricas da ação. A ação de improbidade administrativa ajuizada tempestivamente não pode ser prejudicada pela decretação de prescrição.323) • Não se admite prescrição intercorrente na AIA. parágrafo 7º. A respeito da prescrição na ação de improbidade administrativa. da Lei 8.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO • Na hipótese em que o agente se mantém em cargo comissionado por períodos sucessivos. REsp 952. retroagindo.351-RJ. vale dizer. o termo inicial do prazo prescricional é o momento do término do último exercício. Rel.

Min. conforme determinação contida no art. o sujeitaria às sanções da Lei 8.429/1992 é o ato do agente público frente à coisa pública a que foi chamado a administrar” (REsp 1. Min. Segunda Turma.429/92. STJ. 17. Rel. não é daqueles que a doutrina chama de elásticos. da CF. por si só. conforme permite o art. 17. daqueles que podem ser ampliados para abranger situações que não tenham sido contempladas no momento da sua definição. representaria quebra desse atributo e. da Lei n. caso os ofendidos pela conduta sejam particulares que não estavam no exercício de função pública. Mauro Campbell Marques. julgado em 6/12/2012. o conceito jurídico de ato de improbidade administrativa. Arnaldo Esteves Lima. vale o princípio do in dubio pro societate.429/1992) eventuais abusos perpetrados por agentes públicos durante abordagem policial.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO • A falta de notificação do acusado para apresentar defesa prévia na ação de improbidade administrativa (art. DJe 13/03/2013).429/1992. da Lei n. 8. Mauro Campbell Marques. julgado em 07/03/2013. • A indisponibilidade pode ser decretada antes do recebimento da petição inicial da ação de improbidade. DJe 9/11/2015 - Informativo 573). 8.429/1992. 8o e 9o. É nesse sentido a jurisprudência do STJ. pois.429/1992) é causa de NULIDADE RELATIVA do feito. julgado em 27/10/2015. por ser circulante no ambiente do direito sancionador.194. § 4o. AgRg no REsp 1. julgados em 17/5/2012. considerando o inelástico conceito de improbidade. 32 . o ressarcimento ao Erário. Napoleão Nunes Maia Filho. • “Não ensejam o reconhecimento de ato de improbidade administrativa (Lei 8. 8. 7o da Lei n. O fato de a probidade ser atributo de toda atuação do agente público pode suscitar o equívoco interpretativo de que qualquer falta por ele praticada. 10. • Essa indisponibilidade dos bens pode ser decretada sem ouvir o réu.009-SP. na fase inicial prevista no art. visando assegurar o resultado útil da tutela jurisdicional. Rel.2 Indisponibilidade de bens • Para a decretação da indisponibilidade de bens pela prática de ato de improbidade administrativa que tenha causado lesão ao patrimônio público. devendo ser alegada em momento oportuno e devidamente comprovado o prejuízo à parte. 37. Rel. EDcl no REsp 1. a fim de possibilitar o maior resguardo do interesse público. • Tendo sido instaurado procedimento administrativo para apurar a improbidade. com isso. 14 da LIA. a petição inicial da ação de improbidade deve ser recebida pelo juiz. 2a Turma. Dessa forma.558. STJ. a indisponibilidade dos bens pode ser decretada antes mesmo de encerrado esse procedimento. Rel. vê-se que o referencial da Lei 8. É admissível a concessão de liminar inaudita altera pars para a decretação de indisponibilidade e sequestro de bens. qual seja. estando o periculum in mora implícito no comando normativo descrito no art.229. § 7o. existindo meros indícios de cometimento de atos enquadrados como improbidade administrativa. • Para o STJ. Contudo. não se exige que seu requerente demonstre a ocorrência de periculum in mora. A jurisprudência do STJ é no sentido de que a decretação da indisponibilidade e do sequestro de bens em improbidade administrativa é possível antes do recebimento da ação (AgRg no REsp 1317653/SP. isto é. Min. 1a Turma. Min. A presunção quanto à existência dessa circunstância milita em favor do requerente da medida cautelar.038-PE. §§ 7o.942-MT.

Rel. por sua vez. Não é razoável aguardar atos concretos direcionados à sua diminuição ou dissipação. analogia. Napoleão Nunes Maia Filho. não cabendo.429/1992. 16 da Lei n. previsto no art. da Lei n. Herman Benjamin). A indisponibilidade pode recair sobre bens adquiridos tanto antes como depois da prática do ato de improbidade. na hipótese em análise. inócua (Min. (STJ.667-MG.717/1965). a evitar que ocorra a dilapidação patrimonial. A legislatura.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO • Pode ser decretada a indisponibilidade dos bens ainda que o acusado não esteja se desfazendo de seus bens. • É necessário que o Ministério Público (ou outro autor da ação de improbidade). devendo. Min. Exigir a comprovação de que tal fato esteja ocorrendo ou prestes a ocorrer tornaria difícil a efetivação da medida cautelar e.° 8. a um 33 . A individualização somente é necessária para a concessão do “sequestro de bens”.4 Prescrição • “O prazo prescricional em ação de improbidade administrativa movida contra prefeito reeleito só se inicia após o término do segundo mandato. A indisponibilidade dos bens visa. atualmente. por determinação da Justiça Eleitoral.429/92 (AgRg no REsp 1307137/BA. mas medida de garantia destinada a assegurar o ressarcimento ao erário (DPE/MA – CESPE – 2011). Mauro Campbell Marques. não pode ser vista como uma lacuna da Lei de Improbidade que precisa ser preenchida. pois tal medida não implica em expropriação do bem (REsp 1204794/SP. para importar instituto criado em lei diversa. disciplinado na Lei 8. • Pode ser decretada a indisponibilidade sobre bens que o acusado possuía antes da suposta prática do ato de improbidade. parágrafo único. Segundo o STJ. a reeleição pressupõe mandatos consecutivos. julgado em 16/05/2013). 2a Turma. ainda que tenha havido descontinuidade entre o primeiro e o segundo mandato em razão da anulação de pleito eleitoral. 19 da Lei de Ação Popular (Lei 4. 7o. • A indisponibilidade é decretada para assegurar apenas o ressarcimento dos valores ao Erário ou também para custear o pagamento da multa civil? Para custear os dois.220. Isso porque essa espécie de ação segue um rito próprio e tem objeto específico. 10.3 Reexame necessário • A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência de ação de improbidade administrativa não está sujeita ao reexame necessário previsto no art. faça a indicação individualizada dos bens do réu? NÃO. A indisponibilidade de bens não constitui propriamente uma sanção. julgado em 25/09/2012). A jurisprudência do STJ está consolidada no sentido de que é desnecessária a individualização dos bens sobre os quais se pretende fazer recair a indisponibilidade prevista no art. corresponde. antes da reeleição do prefeito em novas eleições convocadas. A ausência de previsão da remessa de ofício. mormente por ser o reexame necessário instrumento de exceção no sistema processual.° 8. Segunda Turma. com posse provisória do Presidente da Câmara. paralelismo ou outra forma de interpretação. portanto. ao formular o pedido de indisponibilidade. Min. • A indisponibilidade de bens constitui uma sanção? NÃO. Rel.429/92. Eliana Calmon. justamente. De fato. ser interpretado restritivamente. Min. muitas vezes. o caráter de bem de família de imóvel não tem a força de obstar a determinação de sua indisponibilidade nos autos de ação civil pública. AgRg no REsp 1311013 / RO). 10. Rel. julgado em 4/9/2014. • A indisponibilidade pode recair sobre bem de família. neste caso. REsp 1.

5 Competência § “Compete à Justiça Estadual – e não à Justiça Federal – processar e julgar ação civil pública de improbidade administrativa na qual se apure irregularidades na prestação de contas. Min. Lembre-se: a competência cível. relacionadas a verbas federais transferidas mediante convênio e incorporadas ao patrimônio municipal. no caso de prefeitos. Logo. DJe 6/4/2015 - Informativo 559). I. a não ser que exista manifestação de interesse na causa por parte da União. da Lei 8. na JF. 34 . por ex- prefeito.420-TO. DJe 14/4/2014” (REsp 1. é necessária a presença. Segunda Turma.IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA – JOÃO PAULO LORDELO período de quatro anos. Rel. Napoleão Nunes Maia Filho.414. 1ª Seção - CC 131. Assim.323-TO. a contagem do prazo prescricional inicia-se com o fim do mandato. 23. Exegese do art. até que fosse providenciada nova eleição. Rel. por exemplo. Humberto Martins.429/1992. é distribuída em razão da pessoa. Min. julgado em 25/3/2015.757-RN. MPF etc. DJe 16/10/2015 - Informativo 571). de autarquia ou empresa pública federal. O fato de o Presidente da Câmara Municipal ter assumido provisoriamente. no caso de agente político detentor de mandato eletivo ou de ocupantes de cargos de comissão e de confiança inseridos no polo passivo da ação de improbidade administrativa. prevalece o entendimento jurisprudencial pacífico desta Corte. 10. da União. julgado em 6/10/2015. STJ. conforme determinação da Justiça Eleitoral. no sentido de que. Nesse sentido: AgRg no AREsp 161. não descaracterizou a legislatura.