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Comportamento das escavações subterrâneas

Quando a distância entre as escavações é menor que três diâmetros, as tensões induzidas por cada uma delas exercerá influência sobre a redistribuição de tensões que ocorre na outra. Dessa forma, o problema da análise das distribuições de tensões aumenta em complexidade.

ESCAVAÇÃO HORIZONTAL DE SEÇÃO ELÍPTICA Concentração da tensão tangencial ao longo da borda da escavação para estado litostático. Observa-se diminuição da tensão nas laterais e aumento no teto e piso em relação à escavação circular

ESCAVAÇÃO HORIZONTAL DE SEÇÃO RETANGULAR Na prática são as seções retangulares ou as com configuração próxima da retangular, as que mais se empregam na construção de túneis. Teoricamente, em um túnel com cantos retos, as tensões tangenciais à borda da escavação nestes pontos, são infinitas. Na prática, contudo, seções retangulares apresentam sempre os cantos mais ou menos arredondados, uma vez que a rocha, devido ao valor elevado daquelas tensões, fratura sempre na vizinhança de tais locais. Desta forma, a análise matemática da distribuição de tensões no entorno de escavações de seção retangular é difícil, já que fica dependente do raio de curvatura dos cantos, valor que nem sempre é possível de se conhecer com precisão antes da realização da escavação.

COMPORTAMENTO DAS ESCAVAÇÕES

SUBTERRÂNEAS - ESCAVAÇÕES CIRCULARES” A execução de uma escavação subterrânea provoca uma redistribuição no campo de tensões preexistente no maciço, as tensões naturais ou tensões “in situ”. Esta redistribuição se dá principalmente em função de duas variáveis:

  • - Características mecânicas da rocha que constitui o maciço rochoso.

  • - Formato da escavação.

O projeto de uma escavação subterrânea, ou de um conjunto de escavações, deve levar em consideração a forma como as tensões se distribuirão no entorno das escavações e as regiões de concentração destas tensões, que possam levar à sua ruptura, plastificação ou deslocamentos excessivos. Distribuição de tensões no entorno de uma escavação circular em coordenadas polares, segundo a solução de Kirsch (1898) baseada na teoria da elasticidade para um meio

contínuo, homogêneo e isotrópico.

POÇO VERTICAL Para um poço de seção circular, com eixo paralelo à direção vertical, podemos considerar o caso de tensões naturais atuantes no maciço rochoso no plano de sua seção, iguais à tensão horizontal. Assim podemos definir a Zona de Influência de uma escavação, como a região onde as tensões naturais do maciço rochoso sofrem alteração até um nível x% em razão da redistribuição imposta pela escavação.

Comportamento das escavações subterrâneas Quando a distância entre as escavações é menor que três diâmetros, as

TÚNEL HORIZONTAL - ESTADO LITOSTÁTICO Concentração das tensões radial e tangencial nas proximidades do túnel horizontal para estado litostático. Observa-se que a tensão de cisalhamento é nula e que a grandes distâncias as tensões tendem ao estado original do maciço

CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES Concentração de tensões é um parâmetro que quantifica as tensões que são induzidas pela escavação em cada ponto de sua periferia. Trata-se de um número relativo, caracterizando a redistribuição das tensões em cada ponto, em relação ao estado de tensões original do maciço rochoso. A tensão vertical permanece praticamente constante ao longo da seção das escavações, assim a concentração de tensão corresponderá à relação entre o valor do módulo da tensão tangencial, radial ou de cisalhamento, em cada ponto, e o valor do módulo da tensão vertical na profundidade estudada.

TÚNEL HORIZONTAL - ESTADO GRAVITACIONAL Concentração da tensão tangencial ao longo da borda do túnel horizontal para estado gravitacional (diferentes valores de k). Observa-se aumento da tensão nas laterais e diminuição no teto e piso. Concentração das tensões radial e tangencial nas proximidades do túnel horizontal na

direção da lateral do túnel para estado gravitacional. Observa-se que a tensão de

cisalhamento é nula e que a grandes distâncias as tensões tendem ao estado original do maciço ESCAVAÇÃO HORIZONTAL DE SEÇÃO RETANGULAR Concentração da tensão tangencial ao longo da periferia de uma escavação quadrada com cantos arredondados. Observa-se que com a diminuição do raio de curvatura a tensão tangencial no canto da escavação tende ao infinito PLASTIFICAÇÃO NO ENTORNO DE UM TÚNEL

A redistribuição de tensões no entorno do túnel pode levar a grandes concentrações de tensão e à ruptura da rocha, propiciando ao aparecimento de uma região com comportamento plástico. RESUMO - COMPORTAMENTO DAS ESCAVAÇÕES SUBTERRÂNEASTENSÕES NO ENTORNO DE UMA ESCAVAÇÃO CIRCULAR

  • - Poço vertical.

  • - Túnel horizontal.

CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES

  • - Túnel horizontal - estado litostático.

  • - Túnel horizontal - estado gravitacional. CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES PARA UMA ESCAVAÇÃO HORIZONTAL DESEÇÃO

RETANGULAR DESLOCAMENTOS NO ENTORNO DE UMA ESCAVAÇÃO DE SEÇÃO CIRCULAR

NECESSIDADE DE UM CRITÉRIO DE RUPTURA As rochas podem estar submetidas a diferentes tipos de solicitações mecânicas:

compressão, tração, cisalhamento, flexão etc., ou mesmo combinações destas. Se suficientemente grandes estas tensões, atuando em conjunto, podem levar à ruptura ou à plastificação da rocha. Assim, para se caracterizar o estado de tensões em que ocorrerá a ruptura ou a plastificação são utilizados critérios baseados em diferentes mecanismos de ruptura e/ou plastificação, característicos de cada litologia. RESUMO DO TEMA CRITÉRIOS DE RUPTURA

  • - Critério da máxima tensão normal (Critério de Rankine).

  • - Critério da máxima tensão de cisalhamento (Critério de Tresca).

  • - Critério de Mohr-Coulomb.

  • - Critério de Griffith.

  • - Critérios de Hoek & Brown: versões 1980, 1992 e 2002.

CRITÉRIO DE RUPTURA DA MÁXIMA TENSÃO NORMAL(CRITÉRIO DE RANKINE O mais simples critério de ruptura é aquele no qual a ruptura é esperada quando a maior tensão normal atuante atingir um valor característico da resistência do material. O critério é definido por:

Comportamento das escavações subterrâneas Quando a distância entre as escavações é menor que três diâmetros, as

Onde σU corresponde tanto à resistência à compressão quanto à tração do material. Um conjunto particular de tensões atuantes pode ser caracterizado pela seguinte tensão efetiva:

Comportamento das escavações subterrâneas Quando a distância entre as escavações é menor que três diâmetros, as

Assim, o fator de segurança contra a ruptura por tração ou por compressão será dado por:

Comportamento das escavações subterrâneas Quando a distância entre as escavações é menor que três diâmetros, as

CRITÉRIO DE RUPTURA DA MÁXIMA TENSÃO DE CISALHAMENTO (CRITÉRIO DE TRESCA) Neste critério a ruptura é esperada quando a maior tensão de cisalhamento atuante atingir o valor da resistência ao cisalhamento do material, τ0.

CRITÉRIOS DE RUPTURA DA MÁXIMA TENSÃO NORMAL E MÁXIMA TENSÃO DE CISALHAMENTO Características:

  • - Os 2 critérios são mais adequados para prever a ocorrência de plastificação em

materiais dúcteis, ex.: metais.

  • - Os 2 critérios são de fácil implementação em metodologias de projeto.

  • - Os 2 critérios são adequados somente

quando a resistência à compressão e à tração do material possuírem a mesma magnitude (caso dos metais).

  • - O critério da máxima tensão de

cisalhamento independe do nível de tensões

isostáticas (representado pelo eixo do prisma

de base hexagonal), depende somente das

tensões desviadoras.

CRITÉRIO DE RUPTURA DE MOHR-COULOMB

Neste critério, a ruptura é esperada, quando uma combinação linear da tensão normal e da

tensão de cisalhamento atuantes sobre um dado plano atingir um valor crítico Para um dado estado de tensões σ1, σ2 e σ3, ocorrerá a ruptura se o maior dos círculos de Mohr tangenciar a reta definida pelo critério. A determinação experimental dos parâmetros característicos de cada litologia, c e φ, pode ser feita através de uma análise de regressão sobre resultados de ensaios mecânicos em rocha sob diferentes condições de confinamento (diferentes estados σ1x σ3):

Uma correção muitas vezes aplicada visando corrigir a pobre representação do Critério de Mohr-Coulomb, em relação ao comportamento das rochas na região de tensões de tração, é o truncamento da reta no valor correspondente à “Resistência à Tração” da rocha

CRITÉRIO DE RUPTURA DE GRIFFITH Segundo a hipótese de Griffith, a ruptura de materiais frágeis como as rochas, se inicia quando a resistência à tração do material é excedida pelas tensões geradas nas extremidades das fissuras microscópicas (pequenas fraturas ou contornos de grãos) presentes na rocha. Griffith desenvolveu uma solução para fissuras de formato elíptico em um meio elástico-linear isotrópico, a partir da condição de que a energia total diminui ou permanece constante quando a fissura se estende.

CRITÉRIOS DE RUPTURA DE HOEK & BROWN Hoek e Brown em 1980 propuseram a utilização de um critério de ruptura empírico, baseado diretamente em resultados de ensaios em rocha (tração, compressão uniaxial e compressão triaxial).Este critério é mais adequado à representação do comportamento das rochas, pois fornece uma melhor aderência na região de baixas tensões e tração, já que o critério de Mohr-Coulomb tende a superestimar a resistência à tração das rochas. O desenvolvimento do critério se baseou na realização de um grande número de ensaios sobre vários tipos litológicos.

Em 1992 Hoek, Wood e Shah propuseram uma modificação no critério original, adequando sua utilização para a representação do comportamento de maciços rochosos fraturados (maciços não coesivos), onde a resistência à tração é nula. Em 2002 Hoek, Torres e Corkum propuseram uma forma generalizada para o critério original, adequando sua utilização para a representação tanto do comportamento de rocha intacta, como do comportamento de maciços rochosos fraturados.

RESUMO DO TEMA CRITÉRIOS DE RUPTURA

  • - Critério da máxima tensão normal (Critério de Rankine).

  • - Critério da máxima tensão de cisalhamento (Critério de Tresca).

  • - Critério de Mohr-Coulomb.

  • - Critério de Griffith.

  • - Critérios de Hoek & Brown: versões 1980, 1992 e 2002.

TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS Para se realizar o projeto de uma obra em rocha é necessário o conhecimento das tensões atuantes no maciço rochoso, no local onde a rocha será escavada. Antes da

execução da escavação: Tensões Naturais, Tensões Virgens ou Tensões “in Situ”. Após a execução da escavação: Redistribuição das tensões em função da forma das escavações. TENSÕES GRAVITACIONAIS - CARACTERÍSTICAS São decorrentes do peso das camadas sobrejacentes à região em estudo. Embora os efeitos gravitacionais nem sempre correspondam a todos os casos reais, se constituem na principal causa natural de tensões nas rochas. Tensões de outra

natureza serão consideradas “anômalas”

TENSÕES TECTÔNICAS São responsáveis pela maioria das deformações na crosta terrestre, movimentos tectônicos, deslocamentos e subducção das placas crustais. Podem dar origem a dobramentos, falhamentos, estruturas geomorfológicas soerguidas e sistemas de juntas Os dobramentos estão associados a tensões anômalas, pelo acúmulo de energia nas regiões de compressão e por alívio de tensões nas regiões de tração.

TENSOES RESIDUAIS

São tensões associadas à gênese do maciço rochoso. Exemplos:

  • - Resfriamento de lavas em superfície ou cristalização em profundidade, determinando tensões causadas por gradientes térmicos associados às diferenças de coeficiente de dilatação ou ao embricamento dos cristais.

  • - Tensões decorrentes da expansão ou contração de argilo-mínerais.

RESUMO O DO TEMA TENSÕES NOS MACIÇOS ROCHOSOS

  • - Tensões naturais.

  • - Tensões induzidas pelas escavações.

TENSÕES GRAVITACIONAIS

  • - Tensão vertical.

  • - Tensão horizontal.

  • - Efeito da topografia sobre as tensões

gravitacionais.

TENSÕES ANÔMALAS

  • - Tensões de origem tectônica.

  • - Tensões residuais.

  • - Teoria de Helm.