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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE ENGENHARIA CIVIL (N) RENATO BONALDO RAFAEL

UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE ENGENHARIA CIVIL (N)

RENATO BONALDO RAFAEL

DIMENSIONAMENTO DE MOLHES PARA RETENÇÃO DE AREIA E

FIXAÇÃO DA FOZ DO RIO ARARANGUÁ/SC ESTUDO DE CASO

CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010

RENATO BONALDO RAFAEL

RENATO BONALDO RAFAEL DIMENSIONAMENTO DE MOLHES PARA RETENÇÃO DE AREIA E FIXAÇÃO DA FOZ DO RIO

DIMENSIONAMENTO DE MOLHES PARA RETENÇÃO DE AREIA E

FIXAÇÃO DA FOZ DO RIO ARARANGUÁ/SC ESTUDO DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso,

apresentado para obtenção do grau de

Engenheiro Civil no curso de Engenharia Civil

da Universidade do Extremo Sul Catarinense,

UNESC.

Orientador: Prof. Msc. Adaílton Antônio dos Santos

CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010

RENATO BONALDO RAFAEL DIMENSIONAMENTO DE MOLHES PARA RETENÇÃO DE AREIA E FIXAÇÃO DA FOZ DO

RENATO BONALDO RAFAEL

DIMENSIONAMENTO DE MOLHES PARA RETENÇÃO DE AREIA E FIXAÇÃO DA

FOZ DO RIO ARARANGUÁ/SC ESTUDO DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do Grau de Engenheiro Civil, no Curso de Engenharia Civil da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com Linha de Pesquisa em Obras Portuárias.

Criciúma, 16 de Novembro de 2010.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Msc. Adaílton Antônio dos SantosEngenheiro Civil - UNESC - Orientador

Eng. Civil Adroaldo Borges Júnior - (Maccaferri do Brasil) Banca

Eng. Civil Marques Rafael de Oliveira-(Construcap-Modern-Ferreira-Guedes) - Banca

3
3

Aos meus pais João de Souza Rafael e Neuza Maria Rafael (in memoriam), que são a inspiração para o meu sucesso.

AGRADECIMENTOS

AGRADECIMENTOS A todos os professores do curso de Engenharia Civil pelo conhecimento transmitido e agradável

A todos os professores do curso de Engenharia Civil pelo conhecimento

transmitido e agradável convivência, em especial ao Prof. M. Sc. Adaílton Antônio

dos Santos pela orientação.

A professora Evelise C. Zancan, coordenadora do estagio e do TCC, pela

disposição em ajudar os alunos sempre. Aos colegas do curso de Engenharia Civil, por toda amizade e respeito que

marcaram para sempre este período com eternas lembranças.

A Gisele secretária do Departamento de Engenharia Civil que sempre nos

atendeu prontamente.

A Engenheira Patrícia da empresa Brandão Construções por disponibilizar

informações para o meu trabalho. Ao Engenheiro Daniel Barreto da empresa Allonda Geossintéticos Ambientais

Ltda., por toda a atenção disponibilizada.

A minha namorada Sabrina Vicente Duarte por todas as suas atitudes e

principalmente por ter sido compreensiva com minha ausência. Aos meus pais, João e Neuza “in memorian”, e meus irmãos, Rosana e Rodrigo responsáveis por tudo que sou, e que nunca pouparam esforços para possibilitar a realização dos meus estudos.

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5 “ Nenhuma grande vitória é possível sem que tenha sido precedida de pequenas vitórias sobre
5 “ Nenhuma grande vitória é possível sem que tenha sido precedida de pequenas vitórias sobre

Nenhuma grande vitória é possível sem que tenha sido precedida de pequenas vitórias sobre nós mesmos.

(L. M. Leonov)

RESUMO

RESUMO O município de Araranguá convive todos os anos com as cheias do Rio Araranguá, proveniente

O município de Araranguá convive todos os anos com as cheias do Rio Araranguá, proveniente de vários fatores: a diminuição da vazão do rio devido às ressacas no oceano, onde o mesmo desemboca, o assoreamento de sua foz devido ao depósito de areia que dificulta a saída dos pescadores pela barra do rio. Este trabalho teve por finalidade dimensionar molhes de enrocamento para a fixação e retenção de areia, com intuito de fixar a foz do Rio Araranguá e reter a areia trazida pelas ressacas do mar. O canal de navegação e eixos dos molhes foram os mesmos dimensionados pelo INPH Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias, que realizou estudos hidrodinâmicos na região para a implantação desta obra. O tipo seção foi escolhido utilizando o “SPM – Shore Protection Manual” do Corpo de Engenheiros do Exército Americano, o dimensionamento do peso dos enrocamentos também seguiu as normas do SPM, sendo esta hoje a mais utilizada para estes cálculos. Os parâmetros geotécnicos foram obtidos através de extrapolação de sondagens SPT de uma plataforma de pesca a cinco quilômetros da obra. Analisando os relatórios de sondagem fez-se o perfil estratigráfico e adotou-se um perfil padrão para a análise de estabilidade quanto à ruptura global. Utilizando a tabela do Manual Técnico de Encostas (GEORIO, 2000), que leva em consideração os riscos de perdas econômicas e de vidas humanas definiu-se um fator de segurança admissível de 1,4. As análises de ruptura global foram feitas através do método de Bishop Simplificado, chegando aos coeficientes de segurança para as seções calculadas dos molhes. Foi proposta uma alternativa com geocontainers TenCateGeotube®, utilizando a areia que será dragada do canal de navegação, para preenche-lo. Os dados do projeto foram enviados para o departamento técnico da empresa Allonda Geossintéticos Ambientais Ltda., que determinou as unidades Geotube® que foram utilizadas. Por fim foi feito o levantamento de custos para as duas alternativas, obtendo um menor custo de implantação para a alternativa com núcleo de Geotube®.

Palavra Chave: Molhes de Enrocamento, TenCateGeotube®, Shore Protection

Manual.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Definições e equacionamentos básicos de uma onda oscilatória 20 Figura

Figura 1 - Definições e equacionamentos básicos de uma onda oscilatória

20

Figura 2 - Onda estacionária formada pela reflexão perfeita, segundo a teoria

progressiva sinusoidal simples, segundo

linear

Figura

4

Difração das

22

Figura 3 - Refração das -

23

24

Figura 5 - Enrocamentos

25

Figura

6

-

Enrocamentos

26

Figura 7 - Atuação das ondas em estruturas de enrocamento de

27

Figura 8 - Seção de um molhe de

30

Figura 9 - Seção de um molhe de

30

Figura 10 - Camadas de enrocamento sujeitas à ação direta das ondas

33

Figura 11 - Quebra mar de talude ou

37

Figura

12

-

-

Esquema de Sondagem a Percussão

42

Figura

13

Disposição de furos de

46

Figura 14 - esquema referente ao atrito entre dois corpos

49

Figura 15 - Entrosamento de areias. a) predominantemente fina; b)

predominantemente grossa

51

Figura 16 - Entrosamento de areias. a) grãos arredondados; b) grãos

52

Figura 17 - Variação do índice de vazios em carregamento em argila

54

Figura 18 - Representação Gráfica do Estado

55

Figura 19 - Representação Gráfica do Estado

56

Figura 20 - Representação Gráfica do Estado

56

Figura 21 - Representação Gráfica do Estado

57

Figura

22

-

Superfície

de Ruptura

59

Figura 23 - Superfície de Ruptura

59

Figura

24 -

Lamela de

60

Figura

25

Local de implantação dos

63

Figura 26 - Depósito Praial Marinho e Eólico em Morro dos Conventos

66

Figura 27 - Perfil Estratigráfico Padrão

102

Figura 28 Seção de análise BB

104

8

Figura 29 - Seção de análise KK

105

Figura 30 - Superfícies de ruptura para a seção BB

106

Figura 31- Superfície de ruptura para a seção KK

107

Figura 32 - Seção de análise BB com núcleo de tubos

110

Figura 33 Superfície de ruptura da seção BB com núcleo de tubos geossintéticos.

 

110

Figura 34 - Seção de análise KK com núcleo de tubos geossintéticos

110

Figura 35 - Superfície de ruptura da seção KK com núcleo de tubos geossintéticos

 

111

Figura 36 - Geotube® dentro do quadro de aço para posicionamento

112

Figura 37 - Colocação do quadro de posicionamento no local de execução do molhe

113

Figura 38 - Conexão de mangueira flexível no dispositivo de enchimento do

 

113

Figura 39 - Detalhe do dispositivo Geoport™ para enchimento do Geotube®

114

Figura 40 - Quadro de posicionamento e Geotube® na água

114

Figura 41 - Bombeamento da areia para o

115

Figura 42 - Encher o Geotube® até a altura de projeto

116

Figura 43 Colocação de Geotêxtil para proteção do Geotube®

116

Figura 44 - Colocação do enrocamento na

117

Figura

45

-

Cobertura do Geotube® com

117

Figura 46 - Conferência das unidades Geotube® com

118

LISTA DE TABELAS

LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Exemplo de Classificação de Blocos de Enrocamento Tabela 2 -

Tabela 1 - Exemplo de Classificação de Blocos de Enrocamento

Tabela 2 - Sugestão de valores KD para o uso no dimensionamento das unidades de

29

Tabela 3 - Coeficiente de Forma e Porosidade para Várias Unidades de Armadura.

26

 

32

Tabela 4 - Correlação básica do NSPT e Compacidade

44

Tabela 5 - Correlação básica do NSPT e

44

Tabela 6 - Números de Furos de

46

Tabela

7

-

Relação entre coesão

e

NSPT

47

Tabela 8 - Índice de Plasticidade e determinação de α

48

Tabela 9 - Recomendações para Fatores de Segurança

58

Tabela 10 - Coordenadas UTM do eixo do molhe número 1

68

Tabela 11 - Coordenadas UTM do eixo do molhe número 2

68

Tabela 12 - Coordenadas UTM do Eixo do Canal de Navegação

69

Tabela 13 - Cotas de Coroamento do Molhe Número 1

72

Tabela 14 - Cotas de Coroamento do Molhe Número 2

73

Tabela 15 - Espessuras das Camadas de

88

Tabela 16 - Parâmetros geotécnicos do enrocamento

103

Tabela

17

-

Parâmetros

Geotécnicos do Solo de Fundação

103

Tabela 18 - Fatores de segurança obtidos

105

Tabela 19 - Custos para os molhes com núcleo de enrocamento

119

Tabela 20 - Custos para os molhes com núcleo de tubos

120

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS DEF – Departamento de Estruturas e Fundações FS – Fator de

DEF Departamento de Estruturas e Fundações FS Fator de Segurança IPAT Instituto de Pesquisas Ambientais e Técnológicas SPM Shore Protection Manual SPT Standard Penetration Test NBR Normas Brasileiras

SUMÁRIO

SUMÁRIO 1 TEMA 16 2 DELIMITAÇÃO DO TEMA 16 3 PROBLEMA DE PESQUISA 16 4 JUSTIFICATIVA

1

TEMA

16

2

DELIMITAÇÃO DO TEMA

16

3

PROBLEMA DE PESQUISA

16

4

JUSTIFICATIVA

17

5

OBJETIVOS

18

5.1

Geral

18

5.2

Específicos

18

6

REFERENCIAL TEÓRICO

19

6.1

Ondas de oscilação

19

6.1.1

Ondas

monocromáticas

20

6.1.2

Ondas

naturais

21

6.1.3

Reflexão

21

6.1.4

Refração

22

6.1.5

Difração

23

6.2

Levantamento Topográfico (Batimetria)

24

6.3

Estruturas de enrocamento

25

6.3.1

Classificação do Maciço de Enrocamento

26

6.4

Molhes de enrocamento ou blocos artificiais

27

6.4.1

Elevação

da crista

31

6.4.2

Largura da Crista

31

6.4.3

Camadas da Estrutura

32

6.4.4

Berma de Estabilidade da Camada de Armadura

34

6.4.5

Camadas Inferiores

34

6.4.6

Filtro e manta de proteção

35

6.4.7

Quebra-mar de Talude ou Molhe

36

6.5

Exploração do subsolo

37

6.5.1

Objetivos do Programa de Investigação Geotécnica

38

6.5.2

Escolha do método e amplitude da prospecção

38

6.5.3

Etapas de uma Investigação Geotécnica

39

6.5.4

Classificação dos Métodos de Investigação Geotécnica

39

12

6.5.4.1.1

Execução de Sondagem

40

6.5.4.1.2

Sondagens a Percussão com Circulação D’água

40

6.5.4.1.2.1

Vantagens da sondagem SPT

41

6.5.4.1.2.2

Equipamentos para a realização do ensaio

41

6.5.4.1.2.3

Ensaio de Penetração SPT

42

6.5.4.1.2.4

Índice de resistência de penetração NSPT

43

6.5.4.1.2.5

Fatores que influenciam no valor do NSPT

44

6.5.4.1.2.6

Apresentação dos resultados da sondagem

45

6.5.4.1.3

Número, Locação e Profundidade dos Furos de Sondagem

45

6.5.5

Correlações NSPT

47

6.6

Resistência ao Cisalhamento dos Solos

48

6.6.1

Atrito

49

6.6.2

Coesão

50

6.6.3

Comportamento das Areias

50

6.6.3.1

Fatores que influenciam na resistência ao cisalhamento das areias

51

6.6.4

Comportamento das Argilas

53

6.6.4.1

Resistência das Argilas

53

6.6.5

Critérios de Ruptura de Mohr-Coulomb

55

6.7

Estabilidade de Taludes

57

6.7.1

Coeficiente de Segurança

57

6.7.2

Superfície de Ruptura

58

6.7.3

Métodos de Análise de Estabilidades

60

6.7.3.1

Método de Bishop Simplificado (1955)

60

7

METODOLOGIA

62

8

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

63

8.1

Área

de Estudo

63

8.1.1

Rio

Araranguá

64

8.1.2

Estudos Geológicos

64

8.1.2.1

Geologia

Regional

64

8.1.2.2

Geologia

Local

65

8.2

Descrição da Obra

67

8.3

Dimensionamento

da Obra

69

8.3.1

Determinação da

cota de coroamento

70

13

8.3.1.1

Run-Up

70

8.3.1.2

Molhe

Número

1

72

8.3.1.3

Molhe

Número

2

73

8.3.2

Largura da Crista

73

8.3.3

Peso dos Blocos da Armadura Principal

74

8.3.3.1

Molhe Número 1

74

8.3.3.1.1

Cabeço

74

8.3.3.1.2

Trecho

entre as cotas -7,50 metros e -6,00 metros

74

8.3.3.1.3

Trecho Entre as Cotas -6,00 metros e -4,00 metros

75

8.3.3.1.4

Trecho Entre as Cotas -4,00 metros e 0,00 metros

76

8.3.3.1.5

Restinga

77

8.3.3.2

Molhe Número 2

78

8.3.3.2.1

Cabeço

78

8.3.3.2.2

Trecho Entre as Cotas -5,50 metros e -4,00 metros

78

8.3.3.2.3

Trecho Entre as Cotas -4,00 metros e 0,00 metros

79

8.3.3.2.4

Restinga e Rio

80

8.3.4

Peso

dos Blocos da Segunda Camada

81

8.3.5

Peso do Enrocamento do Núcleo

81

8.3.6

Espessura das camadas

82

8.3.6.1

Molhe Número 1

82

8.3.6.1.1

Cabeço

82

8.3.6.1.1.1

Armadura

Principal

82

8.3.6.1.1.2

Armadura

Secundária

83

8.3.6.1.2

Trecho entre as cotas -7,5m e -6,00m

83

8.3.6.1.2.1

Armadura

Principal

83

8.3.6.1.2.2

Armadura

Secundária

83

8.3.6.1.3

Trecho entre as cotas -6,00m e -4,00m

84

8.3.6.1.3.1

Armadura

Principal

84

8.3.6.1.3.2

Armadura

Secundária

84

8.3.6.1.4

Trecho entre as cotas -4,00m e 0,00m

84

8.3.6.1.4.1

Armadura

Principal

84

8.3.6.1.4.2

Armadura

Secundária

85

14

8.3.6.2.1

Cabeço

85

8.3.6.2.1.1

Armadura

Principal

85

8.3.6.2.1.2

Armadura

Secundária

86

8.3.6.2.2

Trecho entre as cotas -5,50m e -4,00m

86

8.3.6.2.2.1

Armadura

Principal

86

8.3.6.2.2.2

Armadura

Secundária

86

8.3.6.2.3

Trecho entre as cotas -4,00m e 0,00m

87

8.3.6.2.3.1

Armadura

Principal

87

8.3.6.2.3.2

Armadura

Secundária

87

8.3.7

Bermas de Equilíbrio

88

8.3.7.1

Molhe Número 1

 

88

8.3.7.1.1

Cabeço

88

8.3.7.1.1.1

Berma de proteção da armadura principal

88

8.3.7.1.1.2

Berma

da

base

89

8.3.7.1.2

Trecho entre as cotas -7,50m e -6,00m

90

8.3.7.1.2.1

Berma de proteção da armadura principal

90

8.3.7.1.2.2

Berma

da

base

91

8.3.7.1.3

Trecho entre as cotas -6,00m e -4,00m

91

8.3.7.1.3.1

Berma de proteção da armadura principal

91

8.3.7.1.3.2

Berma

da

base

93

8.3.7.1.4

Trecho entre as cotas -4,00m e 0,00m

93

8.3.7.1.4.1

Berma de proteção da armadura principal

93

8.3.7.1.4.2

Berma

da

base

94

8.3.7.2

Molhe Número 2

95

8.3.7.2.1

Cabeço

95

8.3.7.2.1.1

Berma de proteção da armadura principal

95

8.3.7.2.1.2

Berma

da

base

96

8.3.7.2.2

Trecho entre as cotas -5,50m e -4,00m

96

8.3.7.2.2.1

Berma de proteção da armadura principal

96

8.3.7.2.2.2

Berma

da

base

98

8.3.7.2.3

Trecho entre as cotas -4,00m e 0,00m

98

8.3.7.2.3.1

Berma de proteção da armadura principal

98

8.3.7.2.3.2

Berma

da

base

99

15

8.4

Caracterização Geotécnica do Solo de Fundação

100

8.5

Análise de Estabilidade

101

8.6

Perfil Estratigráfico Adotado para o Estudo

101

8.7

Parâmetros Geotécnicos

102

8.7.1

Parâmetros do Enrocamento

102

8.7.2

Solo de Fundação

103

8.7.3

Sobrecarga Atuante nos Molhes

104

8.8

Seções

Analisadas

104

8.9

Análise de estabilidade global das seções

105

8.10

Alternativa com núcleo de tubos geossintéticos

107

8.10.1

Geotube®

107

8.10.2

Determinação dos tubos geossintéticos

109

8.10.3

Análise de estabilidade global das seções com tubos geossintéticos109

8.10.4

Métodos de enchimento dos tubos geossintéticos

111

8.10.4.1

Etapas de preenchimento utilizando gabarito metálico

112

8.11

Análise de custos

118

9

CONCLUSÃO

121

REFERÊNCIAS

123

APÊNDICES

127

ANEXOS

150

16

1 TEMA

Obras Portuárias

2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

Dimensionamento de molhes de enrocamento.

3 PROBLEMA DE PESQUISA

O município de Araranguá convive todos os anos com as cheias do Rio Araranguá, proveniente de alguns fatores como: a diminuição da vazão do rio devido às ressacas no oceano, onde o mesmo desemboca e o assoreamento de sua foz devido ao depósito de areia. Logo, para evitar os problemas citados, torna-se imprescindível a execução de molhes na foz do Rio Araranguá.

17

4

JUSTIFICATIVA

A abertura e fixação da barra do Rio Araranguá, por meio de obras de dragagem e de implantação de molhes, fará com que a água do rio escoe com maior vazão evitando ou diminuindo, na pior das hipóteses, o efeito das inundações no município de Araranguá. Cabe ressaltar, que as inundações cada vez mais frequentes, tem provocado problemas socioeconômicos, a moradores, agricultores e pescadores do referido município. Como os molhes são constituídos de enrocamentos é muito importante uma escolha adequada do tipo de enrocamento a ser utilizado no projeto, prevendo disponibilidade de material, capacidade de quebra de energia das ondas, peso próprio, necessidade de manutenção e custo de implantação. Visando atender estes pré-requisitos, no presente trabalho serão avaliadas duas alternativas, ambas utilizando carapaça e subcarapaça de enrocamento natural, porém uma utilizando núcleo de enrocamento natural e outra com a utilização de núcleo de TenCateGeotube®, utilizando para seu enchimento a areia proveniente da dragagem a ser feita no canal de navegação e na restinga.

18

5

OBJETIVOS

5.1

Geral

Dimensionamento de molhes de enrocamento visando à retenção de areia e a fixação da foz do Rio Araranguá.

5.2 Específicos

Levantar os parâmetros hidrodinâmicos e dados topográfico, existentes no projeto do INPH e companhia Docas do Rio de Janeiro (1993);

Estudar a Geologia regional e local;

Definir os trechos e alturas das seções transversais dos molhes a

serem projetados;

Definir os parâmetros físicos (peso especifico, índice vazios, etc) e de cisalhamento (ângulo de atrito) do enrocamento a ser utilizado no dimensionamento;

Dimensionar o peso dos blocos de enrocamento necessário para dar

estabilidade para a estrutura, de acordo com o SPM;

Definir as espessuras do manto resistente dos molhes de acordo com

o SPM;

Determinar a estratigrafia do solo de fundação;

Determinar os parâmetros de resistência ao cisalhamento do solo de

fundação, através correlações com o NSPT;

Realizar a análise da estabilidade global da estrutura;

Desenvolver o projeto de molhes para retenção de areia e fixação da

foz do Rio Araranguá;

Levantar os custos de implantação das soluções propostas no presente

trabalho.

19

6

REFERENCIAL TEÓRICO

6.1

Ondas de oscilação

Alfredini & Arasaki (2009, p. 34) dizem que em geral,

o fenômeno das ondas de oscilação é complexo e difícil

de ser descrito matematicamente devido às características de não linearidade, tridimensionalidade e aleatoriedade. Entretanto, há duas teorias clássicas, uma desenvolvida por Airy e outra por Stokes, que descrevem bem o comportamento das ondas, principalmente em laminas dágua maiores relativamente ao comprimento de onda.

Mason (1981, p. 34) concorda que o estudo matemático da teoria das ondas infinitesimais de superfície em um meio fluído demonstra que as ondas constituem um fenômeno de superfície, no qual o fluído executa movimentos de pequena amplitude, em orbitas fechadas, geralmente elípticas. Na figura 1 os movimentos de uma onda de oscilação simples são bem representados:

] [

20

20 Figura 1 - Definições e equacionamentos básicos de uma onda oscilatória progressiva sinusoidal simples, segundo

Figura 1 - Definições e equacionamentos básicos de uma onda oscilatória progressiva sinusoidal simples, segundo Ayres. Fonte: ALFREDINI& ARASAKI (2009 p. 42)

6.1.1 Ondas monocromáticas

Alfredini & Arasaki (2009, p. 43) diz que a onda de oscilação do tipo mais simples é a monocromática (ou regular, ou de frequência única), que possui um único valor de altura, H, e período, T, sendo cada onda idêntica as outras. Se a onda tem uma altura muito reduzida comparada com seu comprimento, aproxima-se bem de uma oscilação do nível d’água senoidal, e seus parâmetros podem ser fornecidos pela teoria linear de ondas. As ondulações aproximam-se razoavelmente bem das ondas monocromáticas.

21

6.1.2 Ondas naturais

Alfredini

&

Arasaki

(2009,

p.

43)

relata

que

as

ondas

naturais

(irregulares, ou randômicas)

no mar compreendem um espectro de períodos, rumos e alturas

de ondas. O espectro de frequência, S, fornece a distribuição da energia da

onda como função da frequência angular, . Os espectros medidos no mar podem ser aproximados por duas formas extremas: ondas plenamente desenvolvidas em águas profundas e pico mais definido e afilado, que se aplica à agitação na plataforma continental. Essa última condição é mais apropriada quando se analisam situações costeiras para estudos de processos litorâneos, pois as ondas “sentem” o fundo e, portanto, o sedimento “sente” a onda.

] [

“As ondas naturais são frequentemente descritas somente pela sua altura significativa, Hs, correspondente a altura média do terço maior de ondas de um registro, e pelo seu período médio, Tz.” (ALFREDINI& ARASAKI, 2009, p. 45)

6.1.3 Reflexão

De acordo com Alfredini & Arasaki (2009, p.76) “as ondas de oscilação, ao incidirem em obstáculos, estão sujeitas ao fenômeno da reflexão, produzindo-se ondas estacionárias puras ou parciais, também conhecidas como seiches ou clapotis”. “A onda estacionária pode ser considerada a soma de duas ondas progressivas propagando-se em rumos opostos.” (ALFREDINI& ARASAKI, 2009,

p.76).

Na figura 2 pode-se observar o perfil vertical esquemático deste

fenômeno.

22

22 Figura 2 - Onda estacionária formada pela reflexão perfeita, segundo a teoria linear. Fonte: ALFREDINI&

Figura 2 - Onda estacionária formada pela reflexão perfeita, segundo a teoria linear. Fonte: ALFREDINI& ARASAKI (2009, p.77)

6.1.4

Refração

Segundo Mason (1981), “o fenômeno de refração das ondas é análogo, em teoria, ao fenômeno geral de refração das ondas estudado na física. A sua importância no estudo de obras portuárias decorre principalmente do fato de que a refração, juntamente com fenômeno da deformação das ondas devido à variação de profundidade, determina a altura das ondas e o grau de agitação nas bacias portuárias.”. Na figura 3, pode-se ver que a linha de crista das ondas tende a encurvar-se e alinhar-se com as curvas de nível do fundo do mar.

23

Curvas de nível do fundo

23 Curvas de nível do fundo Figura 3 - Refração das ondas. Fonte: MASON (1981, p.51)

Figura 3 - Refração das ondas. Fonte: MASON (1981, p.51)

6.1.5

Difração

Para Mason (1981, p. 53) “a difração constitui um fenômeno, pelo qual ocorre uma transferência lateral de energia ao longo da crista, quando esta é interrompida por um obstáculo.” Na figura 4 vemos a transferência de energia quando a onda é interrompida por um obstáculo, na zona I, os trens de onda vêm na sua direção de propagação, na zona II, ao atingir o obstáculo, as ondas sofrem o fenômeno da difração e transferem parte de sua energia lateralmente, suas cristas nesta região podem ser vistas como arcos de um círculo. Na zona III, a onda incide diretamente no obstáculo e é refletida.

24

24 Figura 4 - Difração das ondas. Fonte: MASON (1981, p.54) 6.2 Levantamento Topográfico (Batimetria) A

Figura 4 - Difração das ondas. Fonte: MASON (1981, p.54)

6.2 Levantamento Topográfico (Batimetria)

A NBR 13133 (1994, p.3) trás que o conjunto de métodos e processos que,[

]

através de medições de ângulos horizontais e verticais, de

distâncias horizontais, verticais e inclinadas, com instrumental adequado à

exatidão pretendida, primordialmente, implanta e materializa pontos de apoio no terreno, determinando suas coordenadas topográficas. A estes pontos se relacionam os pontos de detalhes visando à sua exata representação planimétrica numa escala predeterminada e à sua representação altimétrica por intermédio de curvas de nível, com equidistância também predeterminada e/ ou pontos cotados.

A representação topográfica do relevo, dependendo da finalidade do levantamento e do relevo, pode ser por curvas de nível complementadas com pontos cotados, por curvas de nível ou somente por pontos cotados. Sendo que o serviço de batimetria compreende somente o levantamento altimétrico do leito submerso. (NBR 13133, 1994)

] [

25

6.3 Estruturas de enrocamento

SPM (1975, p. 7-170) relata que até aproximadamente 1930, [

]

Nas

a forma das estruturas de enrocamento era só baseado em

experiência e conhecimento geral das condições do local. Atualmente são

expressas por fórmulas empíricas subsequentemente desenvolvidas em termos do peso de pedra exigido para resistir onda de projeto. Estas fórmulas foram substanciadas parcialmente em estudos com modelos reduzidos. Elas são guias e devem ser usadas com experiência e criando julgamento.

] [

figuras

5

e

6

podem-se

observar

alguns

tipos

usuais

de

enrocamentos naturais e artificiais.

5 e 6 podem-se observar alguns tipos usuais de enrocamentos naturais e artificiais. Figura 5 -

Figura 5 - Enrocamentos naturais.

26

26 Figura 6 - Enrocamentos artificiais. Fonte: ALFREDINI & ARASAKI (2009, p.358) 6.3.1 Classificação do Maciço

Figura 6 - Enrocamentos artificiais. Fonte: ALFREDINI & ARASAKI (2009, p.358)

6.3.1 Classificação do Maciço de Enrocamento

Segundo Alfredini & Arasaki (2009), a determinação do maciço é em grande parte função dos aspectos financeiros como custo de transporte e aproveitamento da pedreira, e também do ataque das ondas, podendo ser de enrocamento natural, misto e enrocamento artificial de concreto, a seguir na Tabela 1 tem-se um exemplo de classificação de blocos de enrocamento.

Tabela 1 - Exemplo de Classificação de Blocos de Enrocamento

% em volume do maciço

Material fino 1 a Categoria

(resto de pedreira): P<50 50kg< P > 1t

90 a 66

2ª Categoria 3ª Categoria 4ª Categoria

1t< P > 3t 3t< P > 7t P >7t

10 a 34

27

6.4 Molhes de enrocamento ou blocos artificiais

Os primeiros estudos de estabilidade dos molhes de enrocamento ou blocos artificiais foram desenvolvidos por Iribarren (1954), que deduziu as fórmulas para determinação dos pesos dos blocos que irão resistir à ação das ondas. Posteriormente Hudson e Jackson (1975) na U. S. Army Engineering Waterways Experiment Station realizaram vários ensaios visando complementar os estudos de Iribarren (1954). Através dos estudos hidrodinâmicos e da geometria vetorial (Fig. 7), Iribarren (1954) chegou à dedução da fórmula 2.5-1,

6.4-1

que determina o peso necessário da armadura de enrocamento. Sendo dr a densidade do enrocamento em relação à água do mar, H a altura da onda de projeto, Kd um coeficiente experimental referente ao enrocamento e α, o ângulo de inclinação do talude.

ao enrocamento e α, o ângulo de inclinação do talude. Figura 7 - Atuação das ondas

Figura 7 - Atuação das ondas em estruturas de enrocamento de talude. Fonte: MASON (1981, p. 263)

Após os estudos de Hudson e Jackson (1975) propuseram a seguinte fórmula,

6.4-2,

28

onde, Wr é o peso específico dos blocos de enrocamento , H é a altura da onda de projeto, KD é um coeficiente dependente da forma e tipo dos blocos de enrocamento, Sr é a razão entre o peso específico dos blocos de enrocamento e o peso específico da água do mar e α, o ângulo de inclinação do talude. Segundo o SPM (1975), o coeficiente KD para o dimensionamento com a equação acima depende de vários fatores como, declividade do talude, altura da onda, peso específico das unidades de armadura e peso específico da água no local. Estes fatores incluem:

Forma das unidades de armadura;

Número de camadas de unidades de armadura;

Maneira de colocação das unidades de armadura;

Rugosidade da superfície e ângulo das extremidades dos blocos (travamento das unidades de armadura);

Tipo de onda que está atacando a estrutura (quebrando ou ondulação);

Parte da estrutura (tronco ou cabeço);

Ângulo de incidência da onda de projeto;

Escala do modelo (número de Reynolds);

Largura da crista da estrutura. Na tabela 2, têm-se valores de KD segundo o SPM (1975).

29

Tabela 2 - Sugestão de valores KD para o uso no dimensionamento das unidades de armadura.

Coeficientes para não haver danos e evitar o galgamento

     

Tronco da estrutura

Cabeço da estrutura

Unidades de

 

KD

 

inclinação

Armadura

N(3)

Colocação

KD(2)

Arrebentação

Ondulação

Arrebentação

Ondulação

cot θ

Enrocamento

             

Liso Arredondado

2

Aleatória

1,2

2,4

1,1

1,9

1,5 a 3,0

Liso Arredondado

>3

Aleatória

1,6

3,2

1,4

2,3

(5)

Rugoso Angular

1

Aleatória(4)

(4)

2,9

(4)

2,3

(5)

   

1,9

3,2

1,5

Rugoso Angular

2

Aleatória

2,0

4,0

1,6

2,8

2,0

1,3

2,3

3,0

Rugoso

>3

Aleatória

2,2

4,5

2,1

4,2

(5)

Angular

Rugoso Angular

2

Especial (6)

5,8

7,0

5,3

6,4

(5)

Paralelepípedo (7)

2

Especial (1)

7,0 20,0

8,5 24,0

--

--

(5)

         

5,0

6,0

1,5

Tetrápodo e

Quadrípodo

2

Aleatória

7,0

8,0

4,5

5,5

2,0

3,5

4,0

3,0

   

8,3

9,0

1,5

Tribar

2

Aleatória

9,0

10,0

7,8

8,5

2,0

6,0

6,5

3,0

Dolos

2

Aleatória

15,8

31,8

8,0

16,0

2,0(8)

7,0

14,0

3,0

Cubo modificado

2

Aleatória

6,5

7,5

----

5,0

(5)

Hexápode

2

Aleatória

8,0

9,5

5,0

7,0

(5)

Tribar

1

Uniforme

12,0

15,0

7,5

9,5

(5)

Toskane

2

Aleatória

11,0

22,0

---

---

(5)

Enrocamento(K

RR )

-

Aleatória

2,2

2,5

Angular Graduado

Fonte: SPM (1984, p. 7-206) Obs.:

(1) Os valores de KD em itálico não são fundamentados em resultados de ensaios e são

fornecidos somente para fins de projeto preliminar. Aplicável para taludes de 1 para 1,5 a 1 para 5. É o número de unidades que compõem a espessura da camada de armadura. O uso de armadura de enrocamento com uma camada composta por uma única unidade não é recomendado para estruturas sujeitas à arrebentação das ondas e somente em condições é recomendável para estruturas sujeitas a ondas que não arrebentam. Quando utilizados, os blocos devem ser cuidadosamente dispostos.

(4)

(3)

(2)

30

(5)

Até mais informação estar disponível, o uso de KD deve estar limitado a taludes 1 para 1,5 a 1 para 3. (6) Colocação especial com o eixo maior do bloco disposto perpendicularmente à face da estrutura. (7) Blocos de forma paralelepidédica: blocos alongados com dimensão maior que cerca de 3 vezes a menor dimensão.

(8)

A estabilidade dos dolos em taludes mais íngremes do que 1 para 2 deve ser verificada em ensaios com modelo para cada caso específico.

Nas figuras 8 e 9 abaixo se encontram algumas seções usuais de molhes e quebra-mares.

encontram algumas seções usuais de molhes e quebra-mares. Figura 8 - Seção de um molhe de

Figura 8 - Seção de um molhe de enrocamento. Fonte: SPM (1984, p. 7-227)

de um molhe de enrocamento. Fonte: SPM (1984, p. 7-227) Figura 9 - Seção de um

Figura 9 - Seção de um molhe de enrocamento. Fonte: SPM (1984, p. 7-228)

31

6.4.1 Elevação da crista

A passagem das ondas por cima de uma estrutura de enrocamento como

quebra-mares ou molhes usuais, o chamado galgamento, pode ser tolerado se as ondas não forem prejudiciais ao que está no outro lado da proteção. O galgamento acontecerá dependendo da altura da crista da estrutura em relação à altura do runupdas ondas, este “runup” depende das características das ondas, declive da

construção, porosidade e rugosidade da camada de armadura. (SPM, 1975) Segundo o SPM (1975), a seleção da altura da crista deve ser tal que proporcione a proteção necessária. O galgamento excessivo em um quebra-mar ou molhe pode causar agitação da superfície de água atrás da construção e pode ser prejudicial para abrigar operações, como atracar embarcações pequenas e a maioria dos tipos de transferência de carga comercial que requerem águas tranquilas. O galgamento de um paredão de enrocamento ou revestimento pode causar uma séria erosão atrás da construção e inundar a área pós-costa. O galgamento em um molhe pode ser tolerado se não afetar adversamente o canal.

6.4.2 Largura da Crista

A largura da Crista depende muito do grau de galgamento, onde não haverá

galgamento a largura da crista não é crítica. Através de um pequeno estudo sobre a largura da crista das estruturas de enrocamento sujeitas ao galgamento, chegou-se

a conclusão que a largura mínima para a crista igualar a largura combinada de três unidades de armadura (n=3). A largura é obtida através da equação:

6.4.2-1

Sendo que B é a largura da crista, n é o número de blocos de enrocamento que deve obedecer ao mínimo de 3, o coeficiente de forma que depende do tipo de blocos empregados na armadura da estrutura, W o peso dos blocos empregados na primeira camada da estrutura e o peso específico dos blocos de armadura. (SPM, 1975).

32

Deve se lembrar sempre, que a largura da crista deve ser o suficiente para a operação dos equipamentos de construção e manutenção da estrutura. Na tabela 3 abaixo, tem-se os coeficiente de forma.

Tabela 3 - Coeficiente de Forma e Porosidade para Várias Unidades de Armadura.

Coeficiente

Disposição dos

Percentual de

Unidade de Armadura

n

de Forma

 

Blocos

Porosidade (P)%

Enrocamento (liso) Enrocamento (rugoso) Enrocamento (rugoso) Paralelepípedo Cúbico (modificado) Tetrápodo Quadrípodo Hexápode Tribar Dolos Toskane Tribar Enrocamento

2

Aleatória

1,02

38

2

Aleatória

1,00

37

>3

Aleatória

1,00

40

2

Especial

----

27

2

Aleatória

1,10

47

2

Aleatória

1,04

50

2

Aleatória

0,95

49

2

Aleatória

1,15

47

2

Aleatória

1,02

54

2

Aleatória

0,94

56

2

Aleatória

1,03

52

1

Uniforme

1,13

47

Classif.

Aleatória

------

37

Fonte: SPM, 1984

6.4.3 Camadas da Estrutura

De acordo com Mason (1981, p.267), a espessura da camada de proteção diretamente sujeita ao ataque das ondas deve ter um mínimo equivalente de três camadas de blocos de enrocamento, cujo peso P é determinado pela fórmula de Iribarren (1954), modificada por Hudson e Jackson (1975). A espessura dessas camadas para blocos de enrocamento naturais é determinada através da fórmula,

6.4.3-1,

, o peso específico desses blocos.

No caso dos enrocamentos artificiais a camada de proteção poderá ter um mínimo

sendo P, o peso dos blocos calculados e

33

equivalente de duas camadas de enrocamentos, ficando a seguinte equação para o cálculo da espessura,

sendo P, o peso dos blocos calculados e

6.4.3-2,

, o peso específico desses blocos.

Na figura 10 está exposta a disposição das camadas de enrocamento.

10 está exposta a disposição das camadas de enrocamento. Figura 10 - Camadas de enrocamento sujeitas

Figura 10 - Camadas de enrocamento sujeitas à ação direta das ondas. Fonte: MASON (1981,

p.267)

Segundo o SPM (1975), as espessuras das camadas de armadura e camadas inferiores podem ser obtidas pela seguinte equação:

6.4.3-3

Onde r é a espessura da camada de armadura, n o número de camadas de enrocamento ou unidades de armadura de concreto que abrangem a camada de cobertura, W o peso dos blocos empregados na primeira camada da estrutura e o peso específico dos blocos de armadura. E para determinar o número mínimo de unidades de armadura individuais exigidos para uma determinada superfície de área, (Nr), utiliza-se a fórmula abaixo:

6.4.3-4

Onde, A é a superfície de área, n é o número de camadas de enrocamento ou unidades de armadura de concreto que abrangem a camada de cobertura, é o coeficiente de forma dado pela tabela 3, P é o percentual de porosidade também

34

presente na tabela 3, W o peso dos blocos empregados na primeira camada da estrutura e o peso específico dos blocos de armadura.

6.4.4 Berma de Estabilidade da Camada de Armadura

Construções expostas arrebentação devem ter as camadas de cobertura primárias suportadas uma berma de enrocamento no pé do talude. Para um estudo preliminar o enrocamento da berma deve ser W/10, onde W é o peso do enrocamento calculado para a camada de cobertura primária. O enrocamento da berma pode ser o mesmo W, se forem utilizados unidades de concreto na armadura principal. A largura do topo do berma é dada pela equação (6.4.2-1), com n = 3. Para calcular a altura mínima da berma utiliza-se a equação (6.4.3-3), com n = 2. (SPM,

1984)

Ainda de acordo com o SPM (1984), a berma de estabilidade pode ser colocada antes ou depois da camada de cobertura adjacente. A berma deve ser colocada primeiro como uma base, quando usado com enrocamento de colocação especial ou tribar`s de colocação uniforme. Quando colocada depois da camada de cobertura, a berma deve ter altura para suportar pelo menos metade da altura das unidades de armadura do pé do talude. As dimensões calculadas acima excederão esta necessidade.

6.4.5 Camadas Inferiores

A primeira camada diretamente abaixo das unidades de armadura primárias deve ter uma espessura mínima de dois blocos de enrocamento (n = 2) como vemos nas figuras 8 e 9. Para anteprojeto os blocos devem pesar um décimo do peso das unidades de armadura primárias, ou seja, W/10 se (a) a camada de cobertura e a camada inferior são de enrocamentos naturais ou (b) a camada inferior é de enrocamento natural e a camada de cobertura é de unidades de armadura de

35

concreto com um coeficiente de estabilidade KD 12 (onde KD, é para unidades no tronco, não expostas a arrebentação). Quando a camada de cobertura é de unidades de armadura com KD> 12, como dolos, toskanes e tribars (assentados uniformemente em uma única camada), O peso do enrocamento natural da camada inferior deveria ser W/5 ou um quinto do peso das unidades de armadura primárias. O tamanho maior é recomendado para aumentar o travamento entre o primeiro underlayer e as unidades de armadura com valor de KD alto. (SPM, 1984). Carver e Davidson (1977) e Carver (1980) acharam, de testes de modelos hidráulicos de unidades de armadura de enrocamento e dolos colocados em um tronco de quebra-mar não exposto a arrebentação, que o tamanho dos enrocamentos naturais da camada inferior pode variar de W/5 a W/20, com pouco efeito na estabilidade, runupou “rundown”. Os testes com modelo reduzido, é que determinarão se este material mais econômico manterá a estrutura estável para a armadura primária calculada, quando exposta às condições do local de execução. (SPM, 1984).

6.4.6 Filtro e manta de proteção

De acordo com o SPM (1984), as condições de fundação para estruturas marinhas requerem um estudo completo. A ação das ondas em uma estrutura de enrocamento, até mesmo em profundidades onde a estrutura não sofre ação direta das ondas, cria uma turbulência dentro da estrutura, fazendo com que o solo que está em baixo da estrutura migre para cima, fazendo assim com que o enrocamento afunde. Revestimentos e paredões inclinados colocados nas praias e bancos devem resistir à pressão das águas subterrâneas que tendem a lavar do solo através da estrutura subjacente. Quando são colocados grandes enrocamentos diretamente em uma fundação de areia, em profundidades onde ondas e correntes agem no fundo (como na zona de arrebentação), o enrocamento assentará na areia até alcançar a profundidade na qual a areia não será perturbada pelas correntes. Grandes quantidades de enrocamento podem ser exigidas por causa deste assentamento.

36

Ainda o SPM (1984), diz que é aconselhável a utilização de um núcleo de filtro ou camada de proteção para proteger as fundações da estrutura da ruína, (a) onde a profundidade é maior que aproximadamente três vezes a altura da máxima onda de projeto (b), onde as velocidades de correntes previstas são muito fracas para mover o tamanho médio de material da base, ou (c) onde a fundação é de material rígido, resistente (tais como rocha).Quando a estrutura de enrocamento é apoiada em solos coesivos, especialmente areias, uma manta de filtro deveria ser prevista para impedir as diferenças de pressão das ondas, correntes e fluxo do lençol de água de criar uma “quickcondition” na fundação,removendo a areia dos vazios do enrocamento e causando assim um assentamento da estrutura. Uma camada de filtro embaixo do revestimento pode ser necessária para proteger o solo de fundação do fluxo de grandes volumes de águas subterrâneas. Uma fundação que não requer uma camada de filtro pode requerer uma camada protetora. Esta camada previne erosão durante e depois de construção dissipando forças de onda horizontal, maré e correntes litorâneas. Também age como uma camada de propagação que distribui o carregamento da camada de enrocamento que cobre (a) no solo de fundação prevenindo o recalque excessivo ou diferencial, e (b) no material de filtro prevenindo a punção. Ela faz o travamento com o enrocamento sobrejacente, aumentando a estabilidade da estrutura no talude e perto do pé da mesma. Em muitos casos uma camada de filtro é necessária para manter o solo de fundação no local, mas uma camada de proteção é necessária para manter o filtro no local também. (SPM, 1984).

6.4.7 Quebra-mar de Talude ou Molhe

Os quebra-mares de talude ou molhes são estruturas costeiras de seção transversal trapezoidal, que constituem um obstáculo à propagação normal da agitação das ondas, permitindo a quebra da sua energia. O mecanismo de quebra está relacionado com a percolação no seu interior e com a arrebentação da agitação no próprio talude.

37

Na sua grande maioria, os quebra-mares de talude ou molhe são constituídos por um manto resistente, que deverá ser dimensionado para resistir à ação das ondas, por filtros de enrocamento e por um núcleo, geralmente de enrocamento de dimensão variável. O tipo de material utilizado para a construção do manto resistente é diversificado, podendo ser utilizados blocos naturais de granito ou basalto que são rochas de maior resistência e densidade, blocos artificiais que são os conhecidos tetrápodes, hexápodes, etc. E também novos materiais como os blocos de concreto de elevada densidade. A diferença entre molhe e quebra-mar é que o molhe é uma estrutura perpendicular à praia enquanto o quebra-mar é uma estrutura paralela a praia

A figura 11 trás o esquema da seção transversal de um quebra mar de talude ou molhe com suas camadas de armadura, filtros e núcleo.

ou molhe com suas camadas de armadura, filtros e núcleo. Figura 11 - Quebra mar de

Figura 11 - Quebra mar de talude ou molhe. Fonte: ALFREDINI& ARASAKI (2009, p. 354)

6.5 Exploração do subsolo

Para resolver qualquer problema de mecânica dos solos, é preciso conhecer da maneira mais precisa possível o subsolo do local da obra, suas características, disposição, natureza e espessura de suas camadas. (CAPUTO,

1988)

38

6.5.1 Objetivos do Programa de Investigação Geotécnica

Para dar início a uma investigação geotécnica tem de se ter bem claro seus objetivos, que estão descritos abaixo:

Determinação da extensão, profundidade e espessura das camadas do subsolo até uma determinada profundidade.

Descrição do solo de cada camada, compacidade ou consistência, cor e outras características perceptíveis;

Determinação da profundidade do nível do lençol freático, lençóis artesianos ou suspensos;

Informações sobre a profundidade da superfície rochosa e sua

classificação, estado de alteração e variações;

Dados sobre propriedades mecânicas e hidráulicas dos solos ou

rochas: compressibilidade, resistência ao cisalhamento e permeabilidade. Na maioria dos casos os problemas de engenharia são resolvidos com base nas informações do primeiro e segundo itens citados acima, através da sondagem

de simples reconhecimento que é normatizada pela NBR6484/80.

6.5.2 Escolha do método e amplitude da prospecção

De acordo com Santos (2005), os fatores que influenciam na escolha do método são:

Finalidade e proporções da obra;

Características do terreno;

Experiências e práticas locais;

Custo, que é compatível com o valor da informação obtida, em torno de 0,5% a 1% do valor total da obra;

39

6.5.3 Etapas de uma Investigação Geotécnica

Investigações de reconhecimento → natureza das formações

geológicas (e pedológicas) locais e principais características do subsolo - definição

de áreas mais próprias para as obras;

Explorações para anteprojetos e projeto básico → escolha de soluções e dimensionamento;

Explorações para projeto executivo → informações complementares

sobre o comportamento geotécnico dos materiais - resolução de problemas

específicos do projeto;

Explorações durante a construção → necessárias no caso de imprevistos na fase de construção.

6.5.4 Classificação dos Métodos de Investigação Geotécnica

Existem dois métodos de investigação geotécnica, os métodos diretos que permitem a observação direta do subsolo ou através de amostras coletadas ao longo de uma perfuração ou a medição direta de propriedades in situ através de escavações, sondagens e ensaios de campo, e os métodos indiretos em que as propriedades geotécnicas dos solos são estimadas indiretamente pela observação a distância ou pela medida de outras grandezas do solo através de sensoriamento remoto e ensaios geofísicos. (SANTOS, 2005)

6.5.4.1

Sondagem

O reconhecimento do subsolo para efeito de implantação de uma estrutura, preliminarmente, é feito através de sondagens. O tipo e a quantidade serão definidos

40

em função da estrutura a ser implantada. É basicamente constituído pelas etapas de perfuração e amostragem. As mais utilizadas são:

Sondagem à Percussão: Sondagem a percussão é um método para investigação de solos em que a perfuração é obtida através do golpeamento do fundo do furo por peças de aço cortantes. É utilizada tanto para a obtenção de amostras de solo, como dos índices de sua resistência à penetração. Sondagem Rotativa: Sondagem rotativa é um método de investigação que consiste no uso de um conjunto moto-mecanizado, projetado para a obtenção de amostras de materiais rochosos, contínuas e com formato cilíndrico, através de ação perfurante dada basicamente por forças de penetração e rotação que, conjugadas, atuam com poder cortante. As duas sondagens podem ser utilizadas em conjunto, quando um solo se torna impenetrável à percussão há a necessidade de continuar com a sondagem, pode-se entrar com a sondagem rotativa, esta ação conjunta caracteriza a sondagem mista.

6.5.4.1.1 Execução de Sondagem

No caso de obras em rios, lagos e outros se optam por sondagens apoiadas em flutuantes, tripóides, plataformas fixas ou sondagens em embarcações, dependendo da altura de lamina d’água, das condições de marés, dos ventos e outros fenômenos. Ainda no caso do estudo de fundação de obras offshore, é utilizado um equipamento chamado sino de sondagem. (CAPUTO, 1988)

6.5.4.1.2 Sondagens a Percussão com Circulação D’água

Método em que o terreno é perfurado através do golpeamento do fundo do furo com peças de aço cortantes. O processo de circulação de água facilita o corte e traz até a superfície o material desagregado. (SANTOS, 2005)

41

A ABNT padroniza a sondagem a trado até o nível d’água, abaixo do nível d’água a sondagem a percussão com circulação de água e em intervalos de profundidade a realização de amostragem e do ensaio de penetração SPT através da NBR 6484/97 solos sondagens de simples reconhecimento com SPT; método de ensaio (1º projeto de revisão da NBR 6484/80).

6.5.4.1.2.1 Vantagens da sondagem SPT

As vantagens de uma sondagem SPT são o custo relativamente baixo em relação a outros tipos de investigação, a facilidade de execução e possibilidade de trabalho em locais de difícil acesso, permite que o subsolo seja descrito em profundidade e também que sejam coletadas amostras do solo, fornece um índice de resistência a penetração que é correlacionável com a compacidade ou a consistência dos solos, e possibilita a determinação do nível freático (com ressalvas).

6.5.4.1.2.2 Equipamentos para a realização do ensaio

Tripé com sarrilho, roldana e cabo;

Tubos de revestimento: int = 2 1/2", 3", 4" ou 6";

Hastes de aço roscável: int = 25mm, ext = 33,7mm (3,23kg /m) ;

Martelo cilíndrico ou prismático com coxim de madeira para cravação das hastes e tubos de revestimento (peso = 65 kg);

Amostrador padrão bipartido, dotado de dois orifícios laterais para

saída de água e ar:

int = 34,9mm e

ext = 50,8mm;

Conjunto motor bomba para circulação de água na perfuração;

Trépano (peça de aço biselada para o avanço por lavagem);

Trados (para perfuração inicial).

42

Na figura 12 está o esquema de sondagem SPT, com os equipamentos indicados.

o esquema de sondagem SPT, com os equipamentos indicados. Figura 12 - Esquema de Sondagem a

Figura 12 - Esquema de Sondagem a Percussão. Fonte: SANTOS, 2005

6.5.4.1.2.3 Ensaio de Penetração SPT

O

metro;

O

ensaio deve ser executado a cada metro de profundidade a partir de 1

fundo do furo deve estar limpo. O tubo de revestimento, quando presente,

deve permanecer a mais de 10 cm do fundo do furo;

O ensaio consiste na penetração do amostrador padrão através do impacto

de um martelo de 65 kg caindo de uma altura de 75 cm. O martelo deve possuir

haste guia e ser dotado de um coxim de madeira. O martelo deve ser erguido manualmente por corda ou polia;

43

Apoiado ao amostrador verticalmente no fundo do furo, o martelo é suavemente apoiado sobre a composição a penetração decorrente corresponderá a zero golpe; Não tendo ocorrido penetração igual ou maior que 45 cm com o procedimento anterior, inicia-se a cravação do amostrador pela queda do martelo por 45 cm, anotando-se o número de golpes necessários para cravação de cada 15cm; O índice de resistência a penetração obtido do ensaio (NSPT) consiste no número de golpes necessários para cravação dos 30 cm finais do amostrador;

A cravação do amostrador é interrompida e o ensaio de penetração suspenso

quando se obtiver penetração inferior a 5 cm após 10 golpes consecutivos ou quando o número de golpes ultrapassar a 50 num mesmo ensaio, isto significa que o solo ensaiado é impenetrável à percussão.

6.5.4.1.2.4 Índice de resistência de penetração NSPT

A NBR 6484/2001 estabelece como índice de resistência a penetração N ou

NSPT, a soma do número de golpes necessários a penetração dos 30 cm finais do

amostrador padrão no Standard Penetration Test. Em alguns casos o NSPT é apresentado de forma diferenciada:

Quando todo amostrador penetra somente com o peso do martelo zero

golpes;

Quando o solo é tão pouco consistente ou compacto que ao primeiro golpe

penetra mais do que os 45 cm do amostrador, indica-se associado a este golpe a

profundidade penetrada;

Quando o solo é tão rijo ou compacto que não se consegue cravar todo o amostrador, indica-se a razão golpes/profundidade;

A correlação básica do NSPT compacidade (areias e siltes arenosos) e consistência (argilas e siltes argilosos) NBR 7250/82.

44

Tabela 4 - Correlação básica do NSPT e Compacidade.

NSPT

Compacidade

0 a 4

5 a 8

Muito Fofa

Fofa

9

18

a 18

a 40

> 40

> 40

Compac. Média Compacta Muito Compacta

Compac. Média Compacta Muito Compacta
Compac. Média Compacta Muito Compacta

Fonte: NBR 6484/2001

Tabela 5 - Correlação básica do NSPT e Consistência.

NSPT

Consistência

 

<2

Muito Mole

3

a 5

Mole

6

a 10

Consist. Média

11

a 19

Rija

>19

Dura

Fonte: NBR 6484/2001

6.5.4.1.2.5 Fatores que influenciam no valor do NSPT

De acordo com Santos (2005), alguns fatores relacionados ao equipamento podem interferir nos resultados do ensaio, como a forma, dimensões e estado de conservação do amostrador, peso e estado de conservação das hastes, martelo de bater e superfície de impacto fora de especificação e diâmetro do tubo de revestimento. Ainda fatores ligados a execução, como a variação de cravação, o procedimento de avanço da sondagem, a má limpeza do furo, furo de diâmetro insuficiente para a passagem do amostrador, excesso de lavagem para cravação do revestimento e o erro na contagem do número de golpes.

45

6.5.4.1.2.6 Apresentação dos resultados da sondagem

Os resultados das sondagens são apresentados através do relatório de sondagem. Em um relatório de sondagem deve conter todas as informações abaixo:

Croqui do terreno com a localização dos furos;

Perfis individuais de cada furo;

Perfis longitudinais ao longo do alinhamento dos furos.

São indicações indispensáveis em cada perfil individual:

Cotas em relação a um referencial;

Posição de amostragem;

Indicação do nível d’água (durante a sondagem e após 24 h);

Posição final do revestimento;

Indicação do NSPT ao longo da profundidade;

Resultados de ensaios de avanço por lavagem;

Resultados de ensaios de permeabilidade (se houverem);

Descrição das camadas tipo de solo, consistência ou compacidade, core demais características perceptíveis.

Motivo de paralisação do furo.

6.5.4.1.3 Número, Locação e Profundidade dos Furos de Sondagem.

Estes itens são normatizados pela NBR 8036/83 - Programação de sondagens de simples reconhecimento dos solos para fundações de edifícios. De acordo com a NBR 8036/83, o número de furos de sondagens e a localização dos furos em planta dependem do tipo da estrutura, de suas características especiais e das condições geotécnicas do subsolo. O número de sondagens deve ser suficiente para fornecer um quadro, o melhor possível, da

46

provável variação das camadas do subsolo do local em estudo. Na tabela 6 têm-se de acordo com a NBR 8036/83 os números de furos de sondagem conforme a área de projeção da construção.

Tabela 6 - Números de Furos de Sondagem.

Área de Projeção da Construção (m²)

Número Mínimo de furos

 

< 200

2

200

a 600

3

600

a 800

4

800 a 1000

5

1000

a 1200

6

1200

a 1600

7

1600

a 2000

8

2000

a 2400

9

>2400

a critério

Fonte: NBR 8036/83

A locação dos furos deve cobrir toda a área carregada e a distancia entre eles não deve ser superior a 30 metros. Na figura 13, estão dispostas algumas distribuições de furos de sondagem.

dispostas algumas distribuições de furos de sondagem. Figura 13 - Disposição de furos de sondagem. Fonte:

Figura 13 - Disposição de furos de sondagem. Fonte: SANTOS, 2005.

De acordo com a NBR 8036/83, as sondagens devem ser seguidas até a profundidade tais que incluam todas as camadas impróprias ou que sejam questionáveis como apoio de fundações, de tal forma que não venham a prejudicar a estabilidade e o comportamento estrutural ou funcional da estrutura.

47

6.5.5 Correlações NSPT

Em alguns casos onde não é possível fazer análises em laboratórios para determinação da resistência a compressão e coesão do solo que se deseja analisar ou os resultados obtidos não são confiáveis é possível fazer uma correlação entre o no NSPT obtido para se chegar à resistência compressão simples e a coesão. A Tabela 7 abaixo dá valores de c, em função de NSPT da argila, sugerido por (BOWLES, 1979 apud in GUSMÃO FILHO, 2008).

Tabela 7 - Relação entre coesão e NSPT

Tipo de solo

Consistência

SPT

c (kg/cm²)

 

Muito Mole

<2

<0,125

Argila

Mole

Média

Rija

Muito Rija

Dura

2 a 4 4 a 8 8 a 16 16 a 32

>32

0,125 a 0,250 0,250 a 0,500 ,500 a 1,000 1,000 a 2,000

>2,000

Fonte: Bowles, 1979 apud GUSMÃO FILHO, 2008 p. 168

Outra maneira de correlacionar à resistência do solo através do NSPT é utilizando a coesão não drenada. Que pode ser estimada pela equação abaixo:

6.6.5-1

Sendo α o valor de correlação para determinar a coesão não drenada através

do NSPT. Segundo Pinto (2000) apud in Terzaghi e Peck (1948) o valor α pode ser adotado sendo igual a 15, mas esse valor depende da plasticidade da argila. Esta por sua vez influencia o índice de plasticidade do solo. Em função do índice de plasticidade encontrado tem-se o solo com plasticidade baixa, media ou alta, permitindo assim se fixar o valor de α. É o que mostra a Tabela 8 abaixo:

48

Tabela 8 - Índice de Plasticidade e determinação de α

Índice de Plasticidade

Plasticidade

α

<8

Baixa

27

8 a 25

Média

13

>25

Alta

8

Fonte: SOWERS, 1962 apud GUSMÃO FILHO 2008.

Ainda para a estimativa do das areias, Godoy (1983) menciona a seguinte correlação empírica com o índice de resistência a penetração (N) do SPT:

= 28° + 0,4.NSPT 6.6.5-2 enquanto Teixeira (1996) utiliza:

= (20.NSPT) 0,5 + 15° 6.6.5-3 Ainda existem autores que criaram tabelas onde se pode correlacionar o NSPT e retirar dados do solo como, por exemplo, peso específico natural, peso específico saturado, coesão, ângulo de atrito entre outros. Um exemplo é a tabela apresentada por Joppert Jr. (2007) que se encontra no Anexo 5.

6.6 Resistência ao Cisalhamento dos Solos

”A resistência ao cisalhamento de uma massa de solo é a resistência interna por área unitária que a massa de solo pode oferecer para resistir a rupturas e a deslizamentos ao longo de qualquer plano no seu interior. Deve-se entender a natureza da resistência ao cisalhamento para se analisar os problemas de estabilidade do solo, tais como capacidade de carga, estabilidade de taludes e pressão lateral em estruturas de contenção de terra.” (DAS, p. 301, 2007). Segundo VARGAS (1977), a resistência ao cisalhamento dos solos, pode em geral, ser expressa pela seguinte equação:

6.7-1

Onde, , é a pressão efetiva atuante no plano cisalhado, e c e , são parâmetros de resistência ao cisalhamento, ambos propriedades intrínsecas do solo. CAPUTO (1988), ainda diz que segundo a equação acima citada, a resistência ao

49

cisalhamento de um solo se compõe, basicamente, de duas componentes que são, a coesão e o atrito entre as partículas.

6.6.1

Atrito

De acordo com Caputo (1988), o atrito interno de um solo, sob a denominação genérica, inclui-se não só o “atrito físico” entre as partículas, como o “atrito fictício” proveniente do entrosamento de suas partículas, sendo que nos solos não existe uma superfície nítida de contato, ao contrario, há uma infinidade de contatos pontuais. De acordo com Pinto (2002), a resistência por atrito entre as partículas pode ser simplificadamente demonstrada por analogia com o problema de deslizamento de um corpo sobre uma superfície plana horizontal. A figura 14 esquematiza o fenômeno:

plana horizontal. A figura 14 esquematiza o fenômeno: Figura 14 - esquema referente ao atrito entre

Figura 14 - esquema referente ao atrito entre dois corpos. Fonte: PINTO (2002, p. 173)

Assim chega-se a seguinte equação:

6.7.1-1

Sendo assim N a força vertical transmitida pelo corpo de solo, T, a força necessária para fazer o corpo de solo deslizar, que deve ser maior que f.N,

50

sendo f o coeficiente de atrito entre os dois materiais, existindo assim uma proporção

entre as forças tangencial e normal, com

, sendo o ângulo de atrito.

6.6.2 Coesão

Conforme descrito em Vargas (1977), a coesão é aquela resistência que a fração argilosa empresta ao solo, pela qual ele se torna apto a se manter coeso. Ainda segundo Vargas (1977), de uma forma geral, pode-se definir coesão como sendo a resistência ao cisalhamento de um solo, quando sobre ele não atua pressão externa alguma. De acordo com Pinto (2002), em geral solos sedimentares possuem parcela de coesão muito pequena comparada à resistência devido ao atrito entre os grãos. Porém, existem solos naturalmente cimentados por agentes diversos, que apresentam parcelas de coesão real de significativo valor. Pinto (2002) ainda diz que a coesão real não deve ser confundida com a coesão aparente. Esta é uma parcela da resistência ao cisalhamento de solos úmidos, não saturados, devido à tensão entre as partículas resultante da pressão capilar da água. Sendo na realidade a coesão aparente um fenômeno de atrito, onde a tensão normal que a determina é consequente da pressão capilar.

6.6.3 Comportamento das Areias

As areias são um material muito permeável, assim nos carregamentos a que elas ficam submetidas nas obras de engenharia, há tempo suficiente para que as pressões neutras se dissipem. Por isto, a resistência das areias ao cisalhamento é sempre definida em termos de tensões efetivas (PINTO, 2002). Caputo (1988), afirma que quando se submete uma amostra de areia ao ensaio de cisalhamento, verifica-se que, dependendo de sua compacidade ela aumenta ou diminui de volume antes de atingir a ruptura, sendo que as areias fofas

51

diminuem e as densas aumentam. Existe um limite entre estes dois estados o qual não há variação de volume que é denominado de índice de vazios crítico.

6.6.3.1 Fatores que influenciam na resistência ao cisalhamento das areias

De acordo com Pinto (2002), os fatores que influenciam na resistência ao cisalhamento das areias são:

Distribuição granulométrica: pois quanto mais bem distribuída melhor é o entrosamento entre as partículas de areia, e consequentemente maior o ângulo de atrito.

de areia, e consequentemente maior o ângulo de atrito. Figura 15 - Entrosamento de areias. a)

Figura 15 - Entrosamento de areias. a) predominantemente fina; b) predominantemente grossa. Fonte: PINTO (2002, p. 188).

Formato dos Grãos: Areias com partículas mais arredondas terão ângulo de atrito menor que as areias com grãos angulares, isto se deve ao fato de haver um melhor entrosamento quando os grãos são irregulares.

52

52 Figura 16 - Entrosamento de areias. a) grãos arredondados; b) grãos angulares. Fonte: PINTO (2002,

Figura 16 - Entrosamento de areias. a) grãos arredondados; b) grãos angulares. Fonte: PINTO (2002, p.189)

Tamanho dos Grãos: As areias grossas tendem a ser bem graduadas assim os grãos grossos aliado aos poucos grãos finos formam um bom entrosamento aumentando o ângulo de atrito, e as areias finas tendem a ser mau graduadas assim não há um bom entrosamento das partículas isto pode ser visto na figura 16 acima. Resistência dos Grãos: Quantificar esta influência da resistência dos grãos não é fácil, depende de várias características do solo, como, composição mineralógica da partícula, formato da partícula, pressão confinante do ensaio e tamanho das partículas. Estes fatores, apesar de o processo de cisalhamento das areias seja predominantemente influenciado pelo escorregamento e rolamento dos grãos entre si, são de suma importância, pois se os grãos não resistirem as forcas a que estão submetidos e quebrarem, isto se refletirá no comportamento global da areia.

Presença de Água: Geralmente o ângulo de atrito da areia saturada é aproximadamente igual ao da areia seca, ou um pouco menor, já no caso das areias com grãos muito irregulares e fissurados, a água reduz a resistência dos cantos da partícula. A presença de água em condições de não saturação faz com que ocorra um ganho de resistência temporário e de pequeno valor, devido a existência de uma pressão neutra negativa na água, criada pelos meniscos de interface ar-água. Estrutura da Areia: O comportamento da areia não é o mesmo em todas as direções. Sob o ponto de vista de ângulo de atrito, esta anisotropia é de pequeno valor. Por outro lado, pode ser que existam dois corpos de prova com o mesmo índice de vazios, porém, com as partículas dispostas de maneira diferente. Assim

53

elas teriam resistências diferentes, mas estas diferenças só seriam perceptíveis em casos muito especiais.

6.6.4 Comportamento das Argilas

De acordo com Caputo (1988), o estudo da resistência ao cisalhamento das argilas não tem a mesma simplicidade que o das areias, dado o numero de fatores interferentes. Os principais fatores são o estado de adensamento do solo, a sensibilidade da sua estrutura, as condições de drenagem e a velocidade de aplicação das cargas.

6.6.4.1 Resistência das Argilas

De acordo com Pinto (2002), as argilas se diferenciam das areias, primeiro pela sua baixa permeabilidade, assim o conhecimento de sua resistência tanto em termos de carregamento drenado como de carregamento não drenado é muito importante. Por outro lado, o comportamento de tensão-deformação das argilas quando submetidas a um carregamento hidrostático ou a um carregamento típico de adensamento edométrico, é bem distinto do comportamento das areias. Estas apresentam curvas tensão-deformação independentes para cada índice de vazios em que estejam originalmente. O índice de vazios de uma areia é consequente das condições de sua deposição na natureza. Carregamentos posteriores, que não criem tensões desviadoras elevadas, não produzem grandes reduções de índices de vazios. Uma areia fofa permanece fofa ainda que submetida à elevada carga. Para que esteja compacta, ela deve se formar compacta, ou ser levada a esta situação pelo efeito de vibrações que provocam escorregamento das partículas. As argilas sedimentares, ao contrário, se formam sempre com elevados índices de vazios. Quando elas se apresentam com índices de vazios baixos, estes são consequentes de um pré-adensamento. Em virtude disso, diversos corpos de

54

prova de uma argila, representativos, de diferentes índices de vazios iniciais apresentarão curvas tensão-deformação que após atingir a pressão de pré- adensamento correspondente, fundem-se numa única reta virgem como se pode ver na figura 17 abaixo:

única reta virgem como se pode ver na figura 17 abaixo: Figura 17 - Variação do

Figura 17 - Variação do índice de vazios em carregamento em argila. Fonte: Marangon,

Marangon (

,

p.126) diz que o comportamento dos solos [

]

 

[

]

é determinado pelas tensões efetivas a que estiverem submetidos. As

tensões efetivas refletem as forças que se transmitem de grão a grão, das quais resultam as deformações do solo e a mobilização de sua resistência. Esta resulta, principalmente, do atrito entre as partículas e do seu rolamento e reacomodação, consequentes das forças transmitidas de partícula a partícula.

por isso para a análise de um problema de

estabilidade do solo, devem ser consideradas as tensões efetivas atuantes no solo. Para o conhecimento das tensões efetivas, é necessário o conhecimento das pressões neutras, não só as devidas ao nível d’água e a redes de percolação, como também as resultantes do próprio carregamento. Quando as pressões neutras podem ser conhecidas com razoável precisão, como, por exemplo, pela observação do comportamento de obra semelhante, a análise por tensões efetivas (TTE) é sempre previsível. Entretanto, como a estimativa das pressões neutras pode ser muito difícil, realizam-se, com frequência, análises de estabilidade em termos das tensões totais atuantes.

Ainda segundo Marangon (

),

55

Para análise em termos de tensões totais (TTT),são realizados ensaios não drenados e os resultados são analisados em termos das tensões aplicadas. Admite- se, implicitamente, que as pressões neutras que surgem nestes ensaios são semelhantes às pressões neutras que surgiriam no carregamento real no campo. Se esta hipótese for verdadeira, a análise pelas tensões totais será semelhante à análise pelas tensões efetivas. Se a hipótese não for verdadeira, a análise será somente aproximada, assim empregam-se as soluções por tensões totais, que são

mais fáceis. (MARANGON,

)

6.6.5 Critérios de Ruptura de Mohr-Coulomb

Segundo DEF (2010), o critério de Mohr-Coulomb assume que a envoltória de Mohr é definida por uma linha reta definida pela equação , e ainda é importante ressaltar que para um determinado tipo de solo, a envoltória de ruptura varia conforme a coesão e ângulo de atrito, devido as condições de drenagem, nas argilas devido a velocidade de ensaio, para os solos anisotrópicos devido a direção do ensaio, trajetória de tensões e compacidade da amostra. Para melhor compreensão do conceito de envoltória de ruptura, Bastos (2005) descreve quatro estados de tensões associados a um ponto.

pressão

hidrostática (igual em todas as direções). O estado de tensão deste solo é representado pelo ponto σ3 e a tensão cisalhante é nula.

Estado

1

-

A

amostra

de

solo

está

submetida

a

uma

nula.  Estado 1 - A amostra de solo está submetida a uma Figura 18 -

Figura 18 - Representação Gráfica do Estado 1. Fonte: Bastos, 2005

56

Estado 2 - O círculo de Mohr está inteiramente abaixo da envoltória. A tensão cisalhante no plano de ruptura é menor que a resistência ao cisalhamento do solo ( ) para a mesma tensão normal. Não ocorre ruptura.

solo ( ) para a mesma tensão normal. Não ocorre ruptura. Figura 19 - Representação Gráfica

Figura 19 - Representação Gráfica do Estado 2. Fonte: Bastos, 2005.

Estado 3 - O círculo de Mohr tangência a envoltória de ruptura. Neste caso atingiu-se, em algum plano a resistência ao cisalhamento do solo e ocorre a ruptura. Esta condição ocorre em um plano inclinado a um ângulo "α crítico" com o plano onde atua a tensão principal maior.

com o plano onde atua a tensão principal maior. Figura 20 - Representação Gráfica do Estado

Figura 20 - Representação Gráfica do Estado 3. Fonte: Bastos, 2004.

Estado 4 - Este círculo de Mohr é impossível de ser obtido, pois antes de atingir-se este estado de tensões já estaria ocorrendo ruptura em vários planos, isto é, existiriam planos onde as tensões cisalhantes seriam superiores à resistência ao cisalhamento do solo.

57

57 Figura 21 - Representação Gráfica do Estado 4. Fonte: Bastos, 2004. 6.7 Estabilidade de Taludes

Figura 21 - Representação Gráfica do Estado 4. Fonte: Bastos, 2004.

6.7 Estabilidade de Taludes

Os métodos para a análise da estabilidade de taludes, atualmente em uso, baseiam-se na hipótese de haver equilíbrio numa massa de solo, tomada como corpo rígido-plástico, na iminência de entrar em um processo de escorregamento. Daí a denominação geral de “métodos de equilíbrio limite”. (MASSAD, 2003) No estudo da estabilidade de taludes naturais e de barragens de terra, define- se um coeficiente de segurança, que é a relação entre a resistência de cisalhamento e a tensão de cisalhamento atuante. (MASSAD, 2003) A posição da linha de ruptura que está ligada ao coeficiente não é conhecida com exatidão, para se conhecer sua posição são feitas tentativas, que atualmente são facilitadas pelo emprego de softwares.

6.7.1 Coeficiente de Segurança

Costuma-se definir o coeficiente de segurança (F), nos estudos de estabilidade de taludes naturais e de barragens de terra como a relação entre a resistência ao cisalhamento do solo (S), que é dada pela equação , e a tensão cisalhante atuante ( ), esta ultima obtida através das equações de equilíbrio.

58

6.7.1-1

O valor do fator de segurança admissível (FSadm) define-se através das possíveis consequências de ruptura, implicando na perda de vidas humanas e econômicas (tab. 9). Este fator pode variar com o tempo, conforme facilmente se verifica na prática, uma vez que um talude pode passar anos sem se desestabilizar e em um determinado momento ou situação ter as suas condições de estabilidade alteradas (GEORIO, 2000).

Tabela 9 - Recomendações para Fatores de Segurança Admissíveis.

FS adm

RISCO DE PERDA DE VIDAS HUMANAS

Médio

Desprezível

Elevado

RISCO DE

PERDAS

ECONÔMICAS

Desprezível

1,1

1,2

1,4

Médio

1,2

1,3

1,4

Elevado

1,4

1,4

1,5

Fonte: GEORIO, 2000.

6.7.2 Superfície de Ruptura

A forma da superfície de ruptura do talude depende da geometria do problema, da estratigrafia, das características dos materiais envolvidos e dos métodos de cálculo disponíveis para a análise. (GUIDICINI & NIEBLE, 1984). Guidicini & Nieble (1984) afirmam que existem três possíveis tipos de ocorrência de superfície de rupturas que são:

Superfície de ruptura plana: desenvolve-se ao longo da fratura ou plano de acamamento, com inclinação (α) próxima a 90 0 .

59

59 Figura 22 - Superfície de Ruptura Plana. Fonte: Hoek, 1972.  Superfície de ruptura circular

Figura 22 - Superfície de Ruptura Plana. Fonte: Hoek, 1972.

Superfície de ruptura circular: é uma superfície em forma de arco e em solos homogêneos sua provável forma é circular ou cilíndrica. São geralmente as mais utilizadas pela facilidade de cálculo.

geralmente as mais utilizadas pela facilidade de cálculo. Figura 23 - Superfície de Ruptura Circular. Fonte:

Figura 23 - Superfície de Ruptura Circular. Fonte: Hoek, 1972.

Superfície de ruptura qualquer: maior incidência em solos que possuem plano de fraqueza e baixa resistência, sua superfície é formada por vários segmentos de reta. Métodos mais rigorosos que utilizam esta superfície de ruptura tornaram-se tecnicamente e economicamente mais viáveis, após a introdução da informática.

60

6.7.3

Métodos de Análise de Estabilidades

6.7.3.1

Método de Bishop Simplificado (1955)

Este método de Bishop considera a forma da superfície de ruptura circular e a resultante das forças entre as fatias é horizontal. O equilíbrio das forças é feito na vertical o que faz com que o método além de satisfazer o equilíbrio de momentos, satisfaça a mais uma condição de equilíbrio, o equilíbrio das forças verticais. O método de Bishop Simplificado (1955) fornece resultados mais próximos aos dos métodos mais rigorosos, quando comparado com o método de Fellenius. A figura 24 representa o equilíbrio das forças na direção vertical.

representa o equilíbrio das forças na direção vertical. Figura 24 - Lamela de Bishop. Fonte: MASSAD

Figura 24 - Lamela de Bishop. Fonte: MASSAD (2003, p.51)

O fator de segurança é obtido através da equação:

Figura 24 - Lamela de Bishop. Fonte: MASSAD (2003, p.51) O fator de segurança é obtido

6.7.3.1-1

61

são coesão e ângulo de atrito para o solo do centro da base da

fatia, l é o comprimento da base da fatia, P é o peso da fatia, u a poropressão no centro da base da fatia, x é a espessura da fatia e a inclinação da base da fatia.

onde, c’ e

62

7

METODOLOGIA

Primeiramente foram pesquisadas em literatura especializada todas as informações necessárias para o dimensionamento de molhes de enrocamento. Posteriormente foram levantados todos os dados necessários, como altura de onda de projeto, localização dos eixos dos molhes do projeto existente do INPH e companhia Docas do Rio de Janeiro do ano de 1993. De posse destes dados determinou-se a inclinação dos taludes a ser utilizada nos molhes, determinou-se também através das fórmulas presentes no SPM de 1984, a altura mínima e largura mínima da crista para cada seção dos molhes. Para o cálculo do peso necessário de cada enrocamento da armadura principal foi definido a utilização de enrocamento natural, devido à presença de uma pedreira próxima ao local da construção, assim determinou-se também a quantidade de camadas de enrocamento e o tipo de seção transversal a ser adotada. Com a equação de R. Iribarren (1954) modificada por Hudson e Jackson (1975) e a tabela de coeficiente presente no SPM determinou-se os pesos de armadura para cada seção transversal dos molhes, e assim as seções foram definidas. Como nunca havia sido feito nenhum estudo de subsolo na área do estudo, foi preciso extrapolar dados de sondagem NSPT de uma plataforma de pesca que fica a aproximadamente cinco quilômetros do local de implantação dos molhes, com esses dados fez-se um perfil de sondagem para a escolha de quais parâmetros seriam utilizados para a análise da obra, estes parâmetros foram determinados através de equações e tabelas de correlação de NSPT. Com todos os parâmetros definidos, partiu-se para a escolha das seções a serem analisadas quanto à estabilidade pelo método de Bishop Simplificado (1955). A referida análise foi realizada através do software Slide, da empresa Rocscience Inc., cedido pela GN Consult e teve por objetivo verificar se as seções analisadas atenderam o FS adm estipulado para o presente trabalho, ou seja, FS adm 1,4. Analisou-se também uma alternativa com núcleo de Geotube®, preenchido com a areia que será dragada para a criação do canal de navegação e por fim, foram levantados os custos de implantação para as duas alternativas.

63

8

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

8.1

Área de Estudo

A área em questão se encontra próximo a desembocadura do Rio Araranguá no Oceano Atlântico, e já foi tema de muitas discussões para a execução de uma intervenção que diminuísse o efeito das cheias a montante do mesmo. A margem direita do Rio onde será locado o eixo do canal de navegação se encontra na Latitude 28 o 5532,51S, e Longitude 52 o 39’ 10,18” E. Na figura 25 pode-se ver o local de implantação dos molhes.

Latitude 28 o 55’ 32,51” S Longitude 52 o 39’ 10,18” E
Latitude 28 o 55’ 32,51” S
Longitude 52 o 39’ 10,18” E

Figura 25Local de implantação dos molhes. Fonte: IPAT (2006).

64

8.1.1 Rio Araranguá

O Rio Araranguá é formado por pequenos rios, que descem da região serrana

carbonífera do Sul do Estado de Santa Catarina. Estes rios, há 27 anos provocavam grandes preocupações à população e aos órgãos de meio ambiente, devido à presença de enxofre e outros rejeitos do carvão que era retirado a céu aberto.

O Rio Araranguá é pouco extenso, porém profundo, funcionando como se

fosse uma longa fossa, e possui alguns meandros antes de atingir a costa. Sua barra é rasa e migra constantemente para Nordeste, por isto, em certas épocas de cheias, provoca inundações para montante, Além disso, na região existe uma grande colônia de pescadores que sofrem muito em virtude da falta de segurança durante as saídas e retornos ao mar.

8.1.2

Estudos Geológicos

8.1.2.1

Geologia Regional

O ambiente geológico regional onde está inserido o local de estudo, está

relacionado com as planícies costeiras que foram construídas durante o período Cenozóico, mediante a acumulação de sedimentos de origem continental, transicional e marinha, em paleo-reentrâncias da zona costeira, controladas por antigas direções estruturais do embasamento cristalino, retrabalhados por diversos

ciclos de transgressão e regressão, decorrentes das oscilações do nível do mar, ocorridas no período quaternário. Em Araranguá observa-se uma forte inter-relação do substrato arenoso mais antigo sendo retrabalhado por redes de drenagem recente, como o rio Araranguá retrabalhando o sedimento arenoso mais antigo e reestruturando-o na forma de dique marginal.

O quadro geológico recente, que vislumbramos localmente nos afloramentos

das barrancas do Rio Araranguá e da Laje, escavações clandestinas de exploração

65

de areia e alguns cortes de estradas e acessos secundários, permite ter uma visão ampliada, onde diversas bacias hidrográficas conviveram com sistemas lagunares e antigas reentrâncias do oceano no continente. Estas reentrâncias e sistemas lagunares foram parcialmente isolados do

oceano por barreiras arenosas múltiplas apoiadas em altos do embasamento, construída pela dinâmica costeira no decorrer de importantes variações do nível do mar durante o quaternário.

As bacias lagunares, desde o seu estabelecimento vem recebendo a carga

clástica dos rios que descendo das terras mais altas, vão assoreando seus vales, profundamente recortados em períodos de mar baixo. Estes rios progradam no interior de lagunas, colmatam suas bacias de inundação com sedimentos finos e depositam barras laterais, de canal e de pontal arenosas, em direção ao Oceano Atlântico. A parte interna e mais continental das planícies de inundação das grandes bacias hidrográficas, como é o caso do Rio Araranguá, é marcada por vales de fundo plano, preenchidos por sedimentos fluviais grosseiros, mais próximos da Serra Geral, que se intercalam com depósitos coluvionares de encosta acumulados no piemonte, compondo um amplo sistema de leques aluviais coalescentes, que nas suas porções distais mais próximas do oceano, se interdigita com sedimentos marinhos e lagunares. Apoiado sobre os sedimentos do sistema de leques aluviais ocorrem restos de um pacote de areias litorâneas. Pertencem a um terraço marinho, muito dissecado, constituído por areias quartzosas, de cores amarelo acastanhadas até avermelhadas, muitas vezes enriquecidas em matriz secundária composta por argilas e óxidos de ferro.

8.1.2.2 Geologia Local

O local onde a obra será executada é formado por dois depósitos de

cobertura Cenozóica e são eles:

66

Depósitos Fluviolagunares formado por areias e lamas lagunares, com restos orgânicos vegetais, interdigitadas com cascalhos e areias grossas a finas, relacionadas à sedimentação fluvial, podendo exibir as características dos dois ambientes de sedimentação de forma miscigenada. Depósitos Praial Marinho e Eólico formado por areias marinhas quartzosas, esbranquiçadas, de finas a médias, bem selecionadas, com estratificações planoparalela com mergulho suave em direção ao mar. Parcialmente recobertas por sedimentação eólica que se apresenta como depósitos eólicos mantiformes ou dunas transgressivas, com direção preferencial de NE para SW. Ocorrência de depósitos eólicos atuais de retrabalhamento de depósitos arenosos pleistocênicos. Na figura 26 abaixo se pode observar o depósito Praial Marinho e Eólico no local da obra.

o depósito Praial Marinho e Eólico no local da obra. Figura 26 - Depósito Praial Marinho

Figura 26 - Depósito Praial Marinho e Eólico em Morro dos Conventos

O mapa analisado para determinação da geologia local está no anexo 1.

67

8.2 Descrição da Obra

A geometria foi definida pelo INPH, para uma melhor proteção das ondas e maior vazão das águas do rio, com uma geometria semi-convergente de montante para jusante. A obra irá ser constituída de dois molhes enraizados nas margens direita e esquerda do rio Araranguá. Os molhes foram denominados de 1 e 2, sendo que o número 1 será o molhe enraizado na margem direita do rio, ou seja, mais a Sul, e o molhe número 2 será o molhe enraizado na margem esquerda do rio, ou seja, mais a Norte. Os molhes serão constituídos de blocos de rocha naturais, a escolha por este tipo de blocos deve-se a existência de uma pedreira em exploração na localidade de Maracajá, que conta com blocos de vários tamanhos e que podem ser utilizados para este fim. Na cota 0,00 metros, na margem direita do rio os molhes estão a uma distância de 453,00 metros entre si, na cota 0,00 metros, ao longo da restinga, os molhes estão a uma distância de 203,50 metros um do outro. A semi-convergência segue até a cota -4,00 metros, onde então os eixos dos dois molhes continuam paralelos entre si até os respectivos cabeços a uma distância de 150,00 metros um do outro. No Apêndice A encontra-se a planta de implantação com os eixos dos molhes. O molhe número 1 é o que irá suportar as maiores ressacas de Sul e Sudoeste. O primeiro trecho deste molhe terá um comprimento de 220 metros, sendo que este é curvo com um ângulo de 61 o limitado por um raio de curvatura de 220 metros de extensão, o segundo trecho é reto com extensão de 825,00 metros, e o terceiro trecho deste molhe possui 154,00 metros de extensão e um ângulo de curvatura de 12 o possuindo um raio de curvatura de 750,00 metros, assim o cabeço ficou assentado na cota -7,50 metros. Para o trecho assentado na restinga foi adotado a cota de assentamento de 1,50 metros, pois o mesmo não irá sofrer ação das ondas e nem das correntes do Rio Araranguá. Abaixo se encontra uma tabela com as coordenadas para a locação dos eixos do molhe número 1, e a locação do mesmo encontra-se no Apêndice A.

68

Tabela 10 - Coordenadas UTM do eixo do molhe número 1.

Pontos

X

Y

A

660.901

6.799.043

B

661.106

6.798.968

C

661.634

6.798.367

D

661.774

6.798.250

Para a concepção do molhe número 2, foi levado em consideração que o mesmo deve suportar o impacto das correntes normais de maré e também acrescidas, devido às cheias do Rio Araranguá e seus afluentes. Sendo assim o mesmo deve ser assentado na cota de -6,00 metros na restinga, a fim de evitar desmoronamento do solo de fundação, que poderia ruir a estrutura do molhe. Como próximo à obra, existe uma comunidade que tira seu sustento da pesca, o molhe número 2 foi concebido de forma que permite a passagem de embarcações de pesca, com um canal no trecho que será assentado dentro do Rio. O primeiro trecho que será assentado no leito do Rio será curvo, com uma extensão de 240,00 metros, com um ângulo de 90 o e raio de curvatura de 153,00 metros, este trecho será enraizado na margem esquerda do Rio e se estenderá até o ponto F. O segundo trecho será afastado do primeiro cerca de 50,00 metros, partindo do ponto G até o ponto H, com uma extensão de 657,00 metros. O terceiro trecho parte do ponto H até o ponto I possuindo uma extensão de 250,00 metros, sendo que o cabeço está assentado na cota -5,5 metros. Abaixo estão as coordenadas de cada ponto do molhe número 2 e no Apêndice A está o mapa de locação dos eixos do molhe.

Tabela 11 - Coordenadas UTM do eixo do molhe número 2.

Pontos

X

Y

E

661.064

6.799.354,2232

F

661.245,9375

6.799.237,5314

G

661.275

6.799.301,4067

H

661.560,3168

6.798.709,5924

I

661.725,6069

6.798.522,0312

69

O canal que será dragado entre os molhes foi calculado pelos técnicos do

INPH e se obteve uma largura de 60 metros e o fundo ficará na cota -6,00 metros.

A coordenadas do eixo do canal estão na tabela 12 abaixo.

Tabela 12 - Coordenadas UTM do Eixo do Canal de Navegação.

Pontos

X

Y

J

660706.4937

6799170.6215

K

660782.4937

6799181.6215

L

661287.4937

6798961.6215

M

661488.4937

6798667.6215

N

661540.4937

6798600.6215

O

661707.4937

6798411.6215

P

661748.4937

6798369.6215

8.3 Dimensionamento da Obra

Os parâmetros hidrodinâmicos e do enrocamento, para o dimensionamento desta obra foram retirados dos estudos feitos pelo INPH e Companhia Docas do Rio de Janeiro para a construção dos molhes neste mesmo local, no ano de 1993. Os parâmetros de onda são os seguintes, onda significativa com tempo de recorrência de 30 anos, Hs 30 = 4,09 metros, onda máxima mais frequente, H máx =1,95 metros, onda refratada para a onda mais frequente, H r =1,29 metros, e onda refratada para a onda significativa com tempo de recorrência de 30 anos, H r =2,70 metros, sendo que para o cálculo de run-up e peso dos blocos o INPH sugere que seja utilizada H r =3,00 metros. Os parâmetros de nível de maré foram os seguintes: a cota máxima atingida é de 0,65 metros e a mínima é de -0,50 metros.

O enrocamento da pedreira de Maracajá/SC tem um peso específico de 2,5

t/m³.

A seção transversal tipo escolhida, foi a mesma representada pela figura 9,

com uma camada de armadura, uma segunda camada com 1/10 do peso da armadura principal para um melhor travamento da armadura principal, um núcleo

70

que deve ter 1/200 do peso da armadura principal, duas bermas, sendo uma continuação do núcleo e outra mais acima com 1/10 do peso da armadura principal, para proteger a camada de armadura principal. Os molhes que ficarão assentados na restinga e no fundo do Rio, terão seção com peso de enrocamento único, pois as ações sobre os molhes nestas cotas não necessitam de maior proteção.

8.3.1

Determinação da cota de coroamento

8.3.1.1

Run-Up

Para a determinação da cota de coroamento primeiramente calculou-se a altura máxima de espraiamento da onda sobre o talude da estrutura dos molhes, conforme os cálculos abaixo:

Run-Up para a onda significativa com tempo de recorrência de 30 anos. Os Ábacos 7-13 e 7-20 do SPM, que serão utilizadas nos cálculos encontram- se nos anexos 2 e 3 respectivamente. H 0 =4,09 m g=9,81 m/s²

T=10s

Maré máxima = +0,65m

Sendo H 0 a altura máxima da onda na profundidade de 8,15 metros

71

Adotado Cota de coroamento de 6,00m para proteger o farol que será instalado no cabeço dos molhes.

Run-Up para a onda refratada com altura de 3,00 metros.

H 0 =3,00 m g=9,81 m/s²

T=10s

Maré máxima = +0,65m

Tabela 7-13 SPM coeficiente de escala = 1,19

Run-Up para onda de altura 2,00 metros, que é uma redução recomendada da cota -4,00 metros até a cota 0,00 metros.

H 0 =2,00 m g=9,81 m/s²

T=10s

Maré máxima = +0,65m

72

Run-Up para a onda de altura 1,29 metros.

H 0 =1,29 m g=9,81 m/s²

T=10s

Maré máxima = +0,65m

Tabela 7-13 SPM coeficiente de escala = 1,19

8.3.1.2 Molhe Número 1

A partir dos cálculos do item anterior foram definidas as cotas de coroamento deste molhe, que estão na tabela abaixo:

Tabela 13 - Cotas de Coroamento do Molhe Número 1

Trecho

Cota

Cabeço Cota -7,5 m a -6,0 m Cota -6,0 m a -4,0 m Cota -4,0 a 0,00 m Restinga

6,00 metros 6,00m a 5,70m 5,70m a 4,40m

4,40m

3,00 metros

73

8.3.1.3 Molhe Número 2

Através

dos

cálculos

de

run-up

também

foram

definidas

as

cotas

de

coroamento do molhe número 2 que estão apresentadas na tabela abaixo.

Tabela 14 - Cotas de Coroamento do Molhe Número 2.

Trecho

Cota

Cabeço Cota -5,5 m a -4,0m Cota -4,0 m a 0,00 m Restinga Leito do Rio

6,00 metros 6,00m a 5,40m 5,40m a 4,40 m 3,00 metros 2,50 metros

8.3.2 Largura da Crista

Há a necessidade de equipamentos de grande porte transitarem sobre os molhes durante a execução do mesmo e posteriormente para alguma manutenção, assim no trecho que fica compreendido dentro do oceano há a necessidade de uma largura de 7,00 metros, e na restinga uma largura de 5,00 metros, pois não haverá trânsito oposto. A largura mínima necessária de acordo com a norma é calculada pela equação de número 6.4.2.-1. Abaixo está o cálculo para o maior enrocamento, ou seja, W=8,01 t.

Como se pode observar a largura mínima de norma é 4,42 metros, assim as medidas adotadas estão de acordo.

74

8.3.3

Peso dos Blocos da Armadura Principal

8.3.3.1

Molhe Número 1

8.3.3.1.1

Cabeço

Dados:

W r = 2,5 t/m 3 H= 3,00 metros K D = 1,6

γ água =1,05 t/m 3 Cotgα= 2

De acordo com o SPM as Rochas da armadura principal podem variar de 125% a 75% do peso calculado, então as rochas da armadura principal do cabeço ficaram entre 10 t e 6 t, sendo que 50% dos blocos maior que 8,01t.

8.3.3.1.2 Trecho entre as cotas -7,50 metros e -6,00 metros

Dados:

W r = 2,5 t/m 3 H= 3,00 metros

75

γ água =1,05 t/m 3

Cotgα= 2 para o lado da arrebentação e cotgα=1,5 para o lado do canal de

navegação. K D =1,6 navegação

para o lado da arrebentação e K D =3,2

Lado da arrebentação:

Lado do canal de navegação:

para o

lado do canal de

De acordo com o SPM as Rochas da armadura principal podem variar de 125% a 75% do peso calculado, então as rochas da armadura principal ficaram entre 10 t e 6 t, com 50% dos blocos maior que 8,01 t para o lado da arrebentação e de 7 t a 4 t para o lado do canal de navegação também com 50% dos blocos com peso maior que 5,34 t.

8.3.3.1.3 Trecho Entre as Cotas -6,00 metros e -4,00 metros

Dados:

W r = 2,5 t/m 3 H= 3,00 metros

76

Cotgα= 2 para o lado da arrebentação e cotgα=1,5 para o lado do canal de navegação. K D =2,0 para o lado da arrebentação e K D =4,0 para o lado do canal de navegação

Lado da arrebentação:

Lado do canal de navegação:

De acordo com o SPM as Rochas da armadura principal podem variar de 125% a 75% do peso calculado, então as rochas da armadura principal ficaram entre 8 t e 5 t para o lado da arrebentação, sendo 50% dos blocos com peso maior que 6,41 t e de 6 t a 3,5 t para o lado do canal de navegação com 50% dos blocos pesando mais que 4,27t.

8.3.3.1.4 Trecho Entre as Cotas -4,00 metros e 0,00 metros

Dados:

W r = 2,5 t/m 3 H= 2,00 metros

77

Cotgα= 2para o lado da arrebentação e cotgα=1,5 para o lado do canal de navegação. K D =1,6 para o lado da arrebentação e K D =3,2 para o lado do canal de navegação