UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
Curso de Arquitetura e Urbanismo

ESTÉTICA E HISTÓRIA DA ARTE 1:
RESUMO DO LIVRO – O QUE É ARTE
Prof. Esp. Carlos Alberto Coelho

TIAGO LUCHEIS PEREIRA
TIA: 4122238-5
A211

São Paulo
2013

Além disso. usa-se de instrumentos específicos. na tentativa de dizer o que é e o que não é arte. É importante salientar que “o estatuto da arte não parte de uma definição abstrata. 2. Existe um senso de maioria também. a ordem máxima. mas de atribuições feitas por instrumentos da nossa cultura. etc (COLI. mas inconstante e contraditória. A crítica tem o poder de atribuir o estatuto de arte a um objeto e classifica-lo numa ordem de excelência. o local. sendo a obra-prima. e que pode ser contestado com o tempo e a evolução do pensamento. as atitudes de admiração. hierarquizando-os. O crítico não recorre à objetividade do puro domínio técnico. instituições e outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”. lógica ou teórica. A INSTAURAÇÃO DA ARTE E OS MODOS DO DISCURSO A arte instala-se em nosso mundo por meio do aparato cultural que envolve os objetos: o discurso. como o “conjunto complexo dos padrões de comportamento. A arte é noção sólida e privilegiada. isto é: nossa cultura possui uma noção que denomina solidamente algumas de suas atividades e as privilegia”. dignificando os objetos sobre os quais ela recai”.2 1. segundo critérios próprios. 2007). “arte são as manifestações da atividade humana diante das quais nosso sentimento é admirativo. Nossa cultura. do conceito. tais como: o discurso sobre o objeto artístico (competência e autoridade) e a delimitação de locais específicos para a arte manifestar-se. das crenças. Visto cultura. ele considera questões de afinidade entre sua cultura e a do artista. e não nos permite segurança no interior do . INTRODUÇÃO Existem diversas concepções sobre a natureza e a definição de arte. esses instrumentos intervêm na disposição relativa dos objetos artísticos. que possui limites imprecisos. Segundo o autor. de coincidências (ou não) com os problemas tratados. A autoridade institucional do discurso competente é forte. de conhecimento mais ou menos profundo da questão e diversos outros elementos.

sendo muito mais históricas. ARTE PARA NÓS Arte e cultura estão intimamente ligadas. críticos tentam classificar as obras em estilos. realiza suas projeções sobre este. A partir desse pensamento. em determinar. portanto. com um veredicto sem justificações. Um conjunto de práticas artísticas pode ser usado como elementos definidores. Também é muito relevante diferenciar a função de um crítico da de um historiador da arte. A BUSCA DO RIGOR A história da arte e a crítica não se contentam. .. a vontade de atingir uma objetividade de análise que lhes garanta as conclusões (COLI. ter a nostalgia do rigor científico. 2007).) Os discursos sobre as artes parecem. a qualidade do objeto artístico (. as sociedades que os engendram. O primeiro analisa as obras. porém. apenas pela simples classificação destas em estilos. Devemos tomar o cuidado de não diminuir o valor de determinadas obras. Já o historiador procura evitar os julgamentos de valor. os objetos artísticos ultrapassam a historia. com frequência. porque possuem algo que nós. 2007). Segundo Coli. que objetivam determinar a inter-relação das constantes formais presentes na mesma. A classificação das obras em estilos é uma atividade complexa. não permitem uma universalidade. 4. mas faz-se valer de elementos da história da arte. pois cada um dá um valor diferente a determinado artefato. É importante compreender que as classificações não são exatas e não partem de definições e.. 3. que não se reduz a uma definição formal e lógica. em nossa cultura. 2007).3 universo das artes (COLI. pela primeira vez. detectar e nomear. O absoluto da arte é relativo à nossa cultura (COLI. sabemos. Há uma subjetividade nas obras de arte. e sua função é eminentemente seletiva. buscando a compreensão dos fenômenos artísticos.

concreto (COLI. queremos obras ordenadas em museus. O segundo inscreve-se num sistema de funções econômicas e sociais. O primeiro é o fenômeno cultural gratuito. queremos obras dispostas em sua hierarquia de valores. ao nosso alcance. O tempo e as distâncias culturais são grandes causadores de ruídos. que. bibliotecas. para nós.4 Graças a essa subjetividade da arte. Mas as artes não são imutáveis. Ela se torna um resíduo prestigioso e se refugia no registro da pura gratuidade. ela tende ao desaparecimento. cujas obras. a obra de arte não é “em si” sequer do ponto de vista material. sem os cuidados dos homens e a atenção exigida pelo “para nós”. catálogos. necessita de uma assistência para sobreviver. mas o que realmente obtém. 2007). Segundo Jean Renoir. E obtemos esse corpus organizado. os objetos têm suas funções alteradas e o supérfluo. Isso faz com que a arte possua uma existência frágil. torna-se a essência. a extratemporalidade incólume da arte transcendente. funções e sentidos modificados. NÓS E A ARTE Alguns pensadores consideram a arte como algo supérfluo. Queremos obras de todas as culturas e de todas as épocas. introduzimos os vícios próprios do “para nós”. Mas nele as obras perdem alguma coisa de si mesmas. tornando-se apenas convenção financeira. Coli distingue dois registros nos quais se situam as artes: – o do “supérfluo” e o das funções sociais e econômicas. que interferem no entendimento dos artefatos. A arte ainda conta com um terceiro papel: o de distinguir. Muitos deles defendem um funcionalismo que reprima a arte. é uma expressão artística a partir do pensamento funcional. estudos. muitas vezes perdem seu valor artístico. nem antisséptico. elas se modificam incessantemente. e ele não é nem puro. Ali. Ao contrário. Ao serem considerados peças artísticas. de valorizar . objetos artísticos podem ter seus estatutos. não vital. 5. nem imóvel. abandonando o “em si”. e a arte que nele viceja necessita de estímulos artificiais para sobreviver.

Enquanto não-razão. CONCLUSÃO A arte é abordada no livro enquanto objeto (artefato). A Arte teoria necessita do estudo da Estética e da noção de belo. da intuição. do espanto. Deve haver o ato de interesse. através da sensibilidade. frequentar a obra. são apenas complementares. isto é. Os textos explicativos das obras são ferramentas que auxiliam a compreensão e a frequentação destas. pressupõe um esforço diante da cultura. a obra de arte. A razão está assim intrinsecamente presente no objeto artístico. 2007). A abordagem do livro também visa apenas à relação espectador-obra. tornando-se a insígnia (exterior e superficial) de uma “superioridade” que um grupo determinado confere a si mesmo. das seduções (COLI. das associações. O próprio gostar ou não gostar de uma peça de arte não é uma atitude espontânea. 6. de “aprendizagem”. A FREQUENTAÇÃO A capacidade da arte em sensibilizar. mas a obra enfeixa elementos que escapam ao domínio racional e sua comunicação conosco se faz por outros canais: da emoção. o sentido mais profundo da arte é o de instrumento de prazer cultural de riqueza inesgotável. e não como teoria. Um prazer no sentido vital. racional. das evocações. Apesar de todos esses fatores. a arte tem função de conhecimento. significa uma reação do complexo de elementos culturais que estão dentro de nós diante do complexo cultural que está fora de nós. . pois “é através da frequentação da obra que a intersubjetividade pode se dar”. mas não devem ser fundamentais. vivenciá-la. Ela explica o mundo que nos rodeia. 7.5 socialmente uma elite.

Jorge. 46). 2007. O que é arte. (Coleção primeiros passos. 15. São Paulo: Brasiliense. .6 REFERÊNCIAS COLI. ed.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful