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S EC R ET Ar~IA D E AG1~ICULTURA, INDU5Tl<IA E COH!"IE IKIO

DE

SÃO

PAULO

OR e

INDU5Tl<IA E COH!"IE IKIO DE SÃO PAULO OR e D Á E A B UM DE

D Á

E A

B UM

DE

E COH!"IE IKIO DE SÃO PAULO OR e D Á E A B UM DE S

S L E IR A

E o ORCHIDÁRIO D O ESTA

O

E S. PAULO

(Com 58 estampas em cores naturaes e 109 c lich és e s cu ro s)

F.

C.

POR

HO EHNE

DIRECTOR

DO

HESMO

E CHEFE D A SECÇÃ O DE BüTANICA E AGIWNOH1<\ uo IN STITUTO BIOLO OI CO

PU BLICAÇAO AUTORISADA POR

s. E X CI A . D R. FERNAND O C OSTA , 00

S

. SE CRETARIO

ão P aul o, O ut ubro de 1930

1>,\ A(;I~I C Ul TU R A , INDUSTRl.\ E CO~I ~IE R CI O

".

".
o ORCHIDÁRIO DO ESTADO p ôde ser visitado todos os di as.   O m

o

ORCHIDÁRIO

DO ESTADO

p ôde ser visitado todos os di as.

 

O

m appa do verso

indica os caminhos

pelos quaes poderá s er alca n­

 

ça

do do centro da cidade de S. Paulo, em 15 minutos de automovel.

Para lá se ch egar ha tres caminhos ou itinera rios di fferente s :

1.° - Lar go da S é. via Ru a da Liberdade. Vergu eíro, Doming os de

Moraes. Av. jabaquara, Rua

CeI.

Fa gundes

jun íor

(Monte Alegre)

e

Estra da da Agua Funda.

 

2.° -

Largo da Sé. via Av. Brlg, Luiz Anto nio até ao Jardim Pau­

 

lista, depois

pel a Auto -Estrada de S anto Amaro at é a Av. Aracy,

es

ta

a té

ao

fim. desce r

um

trecho

da

Av. [ abaquar a

e

na

Vil la

I''lonte

Alegre.

se guir

a

R ua

Ce I.

Fagundes

[ un íor

e

dep ois

a

Estrad a da Agua Funda.

 

3.° - Largo da Sé, via Ru a da Gloria, Lavapés, Av . Indep endencia ,

 

Ru

a do Bom Pastor. um trecho do Caminho do JvJar, en trar lia

Av. G entil de Moura. seguir a Estrada do Cursino até a Villa Horaes

e

dali at ravessar a estrada para a da Agua Funda e se guir est a.

Nas encru zilh adas das estradas existem egualmente flexas que mos­

tra

m o rumo a seguir, com a ín scr ípç ão . "PARQUE DO ESTADO ".

para o Parque do Estado, onde fica situado o Orchidário.

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~

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do Estado, onde fica situado o Orchidário. .f ' ~ \ E SCA L A 1:60.00
E SCA L A 1:60.00 0 Inversão da Planta feita pe la Prefeitura de .
E SCA L A 1:60.00 0
Inversão da Planta feita
pe la Prefeitura
de . S ão
P aulo
em Maio
de 1930, que indica a
posição
e
o
caminho

s M M Á R I O

As floresta s

Prólo go l ntrod ucção

As Orchidác eas do Brasil

da

S erra do Mar e suas O rchid áceas

A flora

desta serra

Da s Orch íd ácea s

H

ístor íco

e fins d o Orch íd ário As O rchid áceas:

d e

S ão

P aulo

O ecolo gíu

O

Especíes

Systerna Natural

ornam en taes :

Laelías das noss as

m att as

Cattl eyas do Brasil 1"lilto Oncl dlum nlas Brass ías

B

ífrena rías

Zygopetnlum

S

tanho peas

E

ncyc li a e Ep ld end

rum

phys íolog ía

Cultura em geral

P rag as e Inimigo . . . s A propagaç ão n as cu ltu ras :

Morpholog ía

e

P

o

II

íní sa ção - e

f

ecun

da a c çao ã

As sementes

 

A

historia das hy br ldas

A

germinaçã o

 

Di versos

metho dos de semear

Process os

symb lotlcos

H e th odos

asy mbí ot ícos

O rchidáceas myrmecophila s

As

O rch ídá ceas

como

elem entos

da

arte decorativa

As

parasitas trazem azar ? lndice

Outros trabalhos sobre Orch ídáceas, do

m esm o

a utor

"

 

Pró log o

 
 

Este

despretencioso

trabalho destina-se a ser

significa, effectivamente, o advento de uma

no­

um marco commemorativo , um memorial mo­ desto e singelo da fund ação do primeiro jardim da s mai s bellas plantas que a flora brasilica abri ga em

va

éra,

Se est e albu m não lograr serie iconogra phica, é possivel

ser

que

o inicio de uma

seja a

base pa­

seu

seio.

ra

trabalhos

ulteriores, que

pretendemos

lanç ar

Com

elle

quer

se

promover

e incentivar o

opportunamente,

mais

completo s

e

perfeitos so­

amor e interesse para o que de mai s sublime e ma­

bre as "Rainhas

das

Selvas", .que

desde

ag6ra,

ra

vilhoso as florestas e serras da nossa grande ter­ ra conteem, para que se ap renda a amal-a e bem­ dizeI-a, não pelo que della se diz, mas pelo que de

sem duvida, hão de tornar-se alvo

de

maior

at­

tenção por parte dos nossos patricios e mesmo d03

estrangeiros que

ainda

não

as

conhecem.

facto é.

 

Oxalá

que

este

dia

memoravel,

em

que

São

 

Não

se trata, portanto , de uma monographia

Paulo dá

esta

lição

de

verdadeiro

patriotismo

e

e

muito menos de

um

compendio,

com o auxilio

de

espírito

elevado

e

nobre,

se

torne,

realmente

do qual se possa classificar as Orchidáccas; é an tes memoravel e registre, não só um acontecimento

um

ramilhete

dellas,

offerecido

ephemero, mas o advento de uma nóva

éra

para

adm iram

e

que

desejam

vel-a s

á aq uelles que as elevadas nos jar­

o progresso das

scien cias

artes.

dins e estufas, vivas e viçosas nos

bosques

arti­

 

Apraza Deus que

este

e eloquen te exemplo en­

ficiaes e amparadas e qu eridas nas selvas sombrias

e

magestosas que ainda existem no torrão pátrio.

contre imitadores em todo o nosso paiz, e, em breve,

se possa seus recantos, esta data,

todos os

commemorar

festivamente em

como " Dia das Flores"

 

P ara

que

do

exame das

estamp as apresenta­

das, não só os olhos, mas também o

intellecto,

e por meio disto que aqui deixamo s consignado,

algo possa lucrar, reunimos um pouco do muito muitos filhos dest a terra possam aprender a reco­

que t emos divulgado por meio de [ornaes e re vis­ nhecer a razão por que t ão in sist entemente pro­

pelo

approxímar

dia

que

te stamos

cont ra

o exterminio das florestas

tas, qu e t eve por escôpo hoje se feste ja com t anto

pr azer

e

o a legria e

q ue

machado e pelo fogo, e a postolos sur jam capa zes

,f ,

~

8

de secundar-nos nesta campanha patriótica, são os nossos mais sinceros votos. Nossa patria precisa de filhos que a amem e

defendam por aquillo que possue e é, nas sua s pu­

jantes selvas e

as vetustas e gigantescas árvores, as catadupas,

verdejantes campos. N ão são ap enas

as altaneiras serras, os formidaveis eaudacs e nem as riq uezas mineraes do subsolo, que nos dev em

empolgar

c

recomrncndar

este

paiz.

Tumbem,

suas bizarras e lindas flores, bem como a hella e

delicada folhagem, devem 110S encantar, alegrar

e ensinar a amar e proteger a terra bemdicta que

as produz e ostenta. A natureza do Brasil tem encantos que o artificial ou Iacsimile jamais logra imitar. E' por isto, que os sábio s mais antigos, apontavam a

toda

natureza virgem, como a mestra sublime

a arte e éthíca,

de

Nem todos os paizes, que hoje comprehendcm

a verdade, que as florestas naturaes são dignas de

estima, podem

As selvas virgens, em que a natureza sorri em to­ dos os seus elementos, são raríssimas hoje. O nosso paiz, porém, possue-as ainda, em pontos mai s ou menos importantes e tem, com ellasoppor­

ainda contemplal-as ou defendel-as,

Alhum de

Orchid. Hra sll eira s -

F.

C. Hoehnc

porque com o progresso elas sciencias e artes, sem duvida, saberão apreeial-as melhor do que nós que ainda não cornprehendemos, senão parcial­ mente, a raz ão de ser de muitas cousas. Repetindo algo e apresentando mais um pu­ nhado daquillo que a alma agôra nos inspira, pe­

se choque com possíveis dupli­

(limos

catas de idéas ou repet ição de phra ses, pois, trata-se cm parte, de mostrar como foi promovi­

da e,

obra. A pressa com que escrevemos e organisamos tudo, não nos permittiu fazer o oseodamento corno seria desejave1. O texto foi escripto nas horas destinadas no repouso. Com elle não aspiramos glorias litera­ rias, porque, se esta fosse a preoccupação, jamais este livro teria existencia , E screvendo-o só nos

alentou o desejo de contribuir para o progresso da

em parte, como foi effcctuadn esta gra ndiosa

que ningu ém

botaníca

em

nosso

paiz,

As photographías reproduzidas em "duplex",

que servira m para fazer as am­

como as originaes

pliações coloridas, foram feitas por nós, no decor­ rer de alguns annos , em nosso ja rdim particu­

lar e nas excursões scientificas, levadas a effeito em varias regiões do nosso paiz ou ainda no 01'­

~

tunídade

para

admiral-as

e

tam b ém

protegei-as,

chidário do Estado - cuj a direc ção

nos foi entre­

Façamos isto,

e os advindes

hão de bemdizer-nos,

gue em Novembro de 1928, depois que o Oover­

~

A lbu rn d e Ore lii d. B ras il e iras -

F .

C.

lIo ehn e

9

A lbu rn d e Ore lii d. B ras il e iras - F .

S o bre

do Fforiun o polls,

o t ôp o d os tns ro c has ex ist e m s o b re vi ve ntes d as n OSSaS O rchidn ce u s .

o

que

foram

ex t errn ínndas,

vivera m, e m

o u trn

épo ca,

NIlR flor es t a s qu e r ode avam est as p edr a s , n a s eorc nnias

iguaes ás que

cen tcn nrc s

de

b eilns

Laeltas

e

Cattleyas

cs c n paru m dos

ín ac n d los

c

d o

111 1Ch:tdo ,

11 3.5

ro ch as

al tas

q u e

aqui ve mos,

~

10

Album do Orchíd , Hra sil oh-as -

F .

C.

Ho chn e

no havia adquerido uma collecção de Orch id áceas em S. Vicente, a que nos referimos mais adiante. Os desenhos em cores naturaes levam as as­

sificadas, cultivadas e propagadas. Ha tamb ém um que procura explicar a origem da absurda cren­ ça ou superst ição que os ignorantes teem a respeito

sígnat uras dos seu s autores. Nelles

trabalharam:

destes vegetaes.

Sr

Joaquim

Franco Toledo, e as Srtas. D. Mar­

Repetimos, por isto, que este album não é

garida

Hoehn

e

Ruth Sampaio

Ca rvalho, dese­

ma is do que uma lembrança, uma apo logia e dos­

nhi

stas

praticantes,

a

ser viço

do

Orchidário . As

cripção synthetica das Orohidáceas. Se a sua a c­

chapas de autochromias, conforme assi gnaladas,

ceitação nos animar para proseguir, provavel­

foram feitas pelo Sr. Alberto F ederrnan, de plan­ t as da nossa collecção particular, nos annos de

1925-27.

Para economisar espaço preferim os omitt ir os differentes autores das especíes menc ionadas no texto. Como , porém, são indispensaveis á bôa comprehensão do trabalho, os citamos no indice. Os capitulos não seguem uma ordem de ideas, expõem factos que se relacionam directa ou indi­ rectamente com as Orchidáceas e a criação do Orchídá rio. Alguns delles destinam-se a patentear

a importaneía deste serviço publico, outros fa­

zem a apo logia dessas plant as, e, ainda outros, procuram demonstrar como as esp écies são elas-

mente,

trado s, com

ções para a

nero s. O essencial para isto, - qu e são os desenhos

e as photographias, - j á te mos em gran de par te. A' S. Excia. Dr. Fernando de Souza Costa, d.d . Secretario da Agricultura, Industria e Com­

inercio do Est ado de São

sinceros agradecimentos pelo

to u

execuç ão se oncarrcgaram :

e a

Lanzara & Zanin, de

São P aulo.

desta obra, de cuja a Clicheria Brcmensis

P aulo, apresen tamos auxilio que nos pres­

descripções mais detalhadas e ins tru c­ cultura das differentes espe cies e ge­

seguirão outros vol umes, egualmcnte illus­

facilitando

a

impressão

"Graphicars' t-i-Romiti,

3-10-30 .

o

AUTOR

"

~

r

r

Albu m ele Orc hiel. Brn s ilc iras -

F . C. I-lochnc

I

r r Albu m ele Orc hiel. Brn s ilc iras - F . C. I-lochnc

Um flagran t e do litora l d e St a. Cathartna,

que n os m ostra

como

v iv e

li

Laella

purpurata,

L dl.

Nu

fren te

temo s Bromeli acea s, nos fundos Ges uc rnc eas e outras plantas .

~

" .

" .
" .
" .
Introduc ção Em o nosso planeta, como em todo o cosmos, tudo evolue e se

Introduc ção

Em o nosso planeta, como em todo o cosmos, tudo evolue e se transforma. A natureza, que nos cerca e envolve, não escapa e o presumpçoso bi­ pede, seu ápi ce, não fica excluido, mas torna-se cada vez mais o factor desta directriz inalter ável, que, com a creação, o Artifice Supremo imprimiu á sua obra. Dotando cada ser com o privilegio de crescer

e multiplicar, o autor da vida deitou fogo ao ras­ tilho e este incendiou os ánimos para a lucta e o aperfeiçoamento dahi resultante. A guerra desen­ cadeada adduziu, por isto, differentes modalida­ des, vários aprestos, múltiplos arranjos e diversas adaptações da s plantas e animaes ao meio que as épocas creavam e que as circumstancias, resul­ t antes da lucta, impunham como irrecusaveis. As campinas verdejantes, juncadas de flo­ res polychrornas e beIlas, as soberbas mattas, que se derramam pelas encostas irregulares das serras

e montanhas ou se perdem nos grotões ou ain da se alongam nas planicies acompanhando os cursos dos

crosta terraquea, das

plantas e animaes, ou seja de todo o conjunto, que forma e constitue a superfície da terra; como

a Rua vestimenta e clima, nada mais são do que o

apog eu momentan eo de uma conquist a da natura pela intermina lucta, que começou no dia em qu e os

primeiros germes de vida nasceram, após o estado

f úsil deste .planeta

Comprehende-se qu e a lueta norteou o lent o

ap erfeiçoamento das armas e dos escudos de cada

especie que se formava e ainda conduziu ao apri­

moramento dos atavios dos orgãos vegetaes, qu e

se destinam á perpetuação das espec ies, e qu e, dest'arte, collaborou para a maior belleza e gra ça de toda a natureza animada e inerte. Se todas as especies primitivas c ulteriores era m possuidas do mesmo de sejo, dominadas pela mesma necessidade de vencer e apparecer, sem

lucta tornou-se mai s renhida e

admir ável.

conformação e pr ogresso da

dúvida alguma, a tenderá a fazer-se

século s passam e na proporção

mais in tensa,

na medida qu e os que o numero de

ca

udaes, que cavaram os valle s, são o Iructo

da

aprestos dos individuos, elas esp ecies e raças aug­

evol ução c transformação gradatíva, op erada

no

montaram c se a perfeiçoarem com as difficulda­

deco rrer de m uitos milenníos, o resultado presente ou actual de um pau latino e lent o a perfeiçoament o,

des que forem acarretadas pela carencia de espaço,

falta de

luz e deficiencia de calor, qu e são os facto ­

",

Album de Orchid , Bra sileiras -

F,

C. H oehn e

13

", Album de Orchid , Bra sileiras - F, C. H oehn e 1 3 F

F IOI'c. ta

a lagadiça q u e se extende

n os

fun do s

d a

ensea da d e An gr a d os Reis, cm que crescem Call1eya••Laellas, On cld lum., Maxlllarlaa ,

Rodrleueslas, Mlltonlas, Octomerlas, Pleurol hullla, e tc. E xc urs ão

Botan íca d e 1926.

'~

14 res essenciaes para a vida e pro speridade das plantas. A conquista dos elementos

14

res essenciaes para a vida e pro speridade das plantas.

A conquista dos elementos de vida aqui men­

cionados rep resenta,

sempre que outros factores estranhos se não in­ tromottem, directa ou indirectamente, para de­ terminar o contrário. Como em toda e qualquer guerra, ha, porém,

sempre victoriosos e victimas, vencedores e ven­

cidos. A campanha

travou-se sempre entre todos os seres e elementos

da natureza; e a sobrevivencia sempre foi e será o quinhão dos victoriosos, dos mais aguerridos e melhor equipados. E' da lucta que assim se desenrolou e ainda desenrola, que proveiu e provém o aperfeiçoamento

natural dos individuas, das especies e das raças, quando na arena s6 entram seres vegetaes e ani­ maes e a natureza, com os seus elementos, age li­ vremente e sem a prepotencia da sua creatura mais intelligente.

O homem, como element o maximo da creação

sob re a superficie da terra, teve, porém, e ainda t em e terá, um papel assás importante na transfor­ mação lenta da flora e fauna, e adduzíu e ainda ad duzirá não pouc as estagnações, não raros desas­ tres para o desenr olar normal e paulatino das eousas deste planeta.

para os vegetaes, o succ esso,

trava-se em toda a pa rte e

Album d e Orehid, ·Br asileira s -

F.

C. H oehn e

Elle contribuiu e contribuirá muito para a

mudança dos climas, para a alteração da topogra­

ph ía, nas differentes localidades e regiões onde se

domicilia e onde mais intensivamente exerce a sua actividade. Milhares e milhares de especies ani­ maes e vegetaes devem seu desapparecímento á

sua interferencia, nem sempre assisada e prudente, porque elle dispõe de armas e meios que não fazem

pa rte do seu ser, contra os quaes os recu rsos, de

que dispõem os demais viventes, se tornam im­ potentes. Graças á superioridade intellectual, que lhe foi da da pelo proprio Creador, tem se reforçado o seu animo e desenvolvido o seu dominío, A qua­ lidade de rei e dominador, que conquistou graças ao seu raciocínio superior, conf erido pelo Art ífice

Supremo ao introduzil-o na arena, não é assim, apenas um formídavel pri vilegio, mas tambem uma grande responsabilidade, que sobre seus hombros

pesa e sempre pesará, como principal fa ctor e di­

fauna, ist o é, da vida

e suas possibilidades sobre a face da terra. Este

preci sa elle sa­

ber a valiar e me recer, quando quizer qu e a sua t ra jeet oria por aqui seja util. O homem não tem sido sempro um rei déspota

e cru el, que tudo destroe e detu rpa. Para seu g áu­

rector dos destinos da flora e

privilegio e esta responsabilidade

~

."

Albu m d e Orehid. Bru sil ülras -

F .

C.

Hoeh n e

15

." Albu m d e Orehid. Bru sil ülras - F . C. Hoeh n e

Um Il ug rante

v ida deste qua d ro n a tu ra l, e depois t ir e-se a co nclu são do qu e é nece ssa rio

de u ma flore sta pe r feit am en te vir g em, da

encos ta

da Se r ra

do Mar, E stado d o Ri o d e J aneiro. Repare-se a harmonia e a da r Íls ore h idá ce as n a cultura para po dere m senti r-se be m ,

~

16 dio e proveito, tem elle sabido tirar vantagens da sua posição, tem logrado transformar

16

dio e proveito, tem elle sabido tirar vantagens da sua posição, tem logrado transformar muitas es­ pécies vegetaes e animaes em plantas domesticas

e

Es t udando

a natureza, tem conseguido fazer a terra mais apra­ zivel, mais rica para si. As soberbas rosas, os lin­ elos cra vos, as esponjosas chrysandahlias e cen­ tonares de outras flores que crescem hoje nos seus jardins, attesta m-nos qu e a sua preoccupação se não volta apenas para o que enche o est omago e

as leis que regem

animaes

uteis.

Album d e Orehl d. In-asll eh-as -

F .

C.

Ho elme

Examinando-se estas plantas, verifica-se, com

sujeita

e lhe obedece docilmente o mando, porque muitas

já não se procriam livremente, mas depende m

delle, precisam que elle as multiplique pelos pro­

cessos

mais práticos, que lhes impoz e que req ue­ rem a sua intervenção directa. Observando-se as plantas agrestes, que me­

dram nas selvas e nos campos infindos, constata­

e raramente o ho­

se que ellas são muito rebeld es

effeito, qu e realmente a natureza lhe está

cobre a sua nudez, mas tambem para aq uillo qu e

mem logra domestical-as, sem grande dispendio

deleita e eleva a sua alma e lhe faz record ar a sua origem, q uando tu do em roda delle era um paraíso.

de energia, sem o sa crificio de mu itas horas de estudo e trabalho insano. Mas, o homem é per­

 

Daquillo qu e te m feit o

para seu conforto es­

sistente e ten az. Elle coopera com as proprias

piritual te stem unham ainda

a lit eratura e a ar te,

forças da nat ureza, insiste, e leva, finalm ente , de

e

do que fez para o conforto do seu physico, falam

vencida to das as difficuldades que se lhe antepõem.

as

casas sumpt uosas e bonitas qu e erige, as cidades

Cada hom em exerce, porém, a sua acção mais

que estas formam , c t odas as demais obras de ar te

ou menos ind epend entemente, e, como nem t o­

est

ructura1. E lle sem p re cult ivou e cad a ve z cu id a

dos t eem o mesmo gráo de cultura, tam b ém nem

mais das sciencias que incessantemente criam e inventam novidades para adoçar-lhe a vida e apri­

todos são sufficientemente capazes de realisar cousas dignas. H ouve e sempre haverá, tal vez,

morar o seu intellecto .

 

pessoas qu e não pensam senão em si e que para

 
 

As

plantas

alimentares,

quer

as

t ub eriferas,

satisfazerem os seus caprichos, os seus praz eres

quer as fru ctiferas, como os cereaes, que hoje cons­ t ituem o indíspensavel para a sua nutrição, são

passageiros, não t repidam em causar damnos na natureza, em prejuizo seu posterior e desgra ça

o resultado do seu labor inc essan te de séculos de

cultura

e selecção.

dos seus descenden tes.

malfeitore s, precisam e t amb ém sempre ti veram

est es in dividuas, estes

E,

".

". o r=; I

o

r=;
I

". o r=; I
18 quem os censurasse e castigasse por m eio de pala­ vras e actos. P

18

quem os censurasse e castigasse por m eio de pala­

vras e actos. P ar a que o homem continue fruindo as ben­ çams que a natureza lhe outorga e sempre propor­ cionou, é, effectiva mente, mistér qu e orientadores sensatos e philanthr ópícos surjam para assegurar

o respeito que a humanidade deve a obra divi na

e aos compon entes da sua propria familia. Os erros praticados pelos insensatos e egoistas, que se olvidam do facto que as scien cias não se fixam, mas apenas acampam, trouxe para a huma­ nidade prejuizos irremediaveis e adduziu damnos para toda a natureza, que redundaram em graves

consequencias para o

tes erros começam a repetir-se com meno r frequ en­

cia. Os conselhos dos sábios e altruistas começam

a produzir fru ctos apreciaveis em todas as partes

do mundo. E sta orientação merece e precisa tamb em o nosso apoio franco e leal, para que á familia humana fiquem garantidas as vantagens que lhes offere­ cem os elemento s da natureza, quer os já consagra­ dos corno uteis e dignos, quer os tid os como im­ prestaveis, por não haver ainda a scien cia voltado as suas vistas para eUes ou o progresso da nossa

proprio bipede. M as, es­

ra ça proporcionado meios para o seu apro veita­ mento.

Albu m de

Orc hid, Brasileiras -

F .

C.

H oeh u e

Nosso pai z, qu e ainda ostenta florestas e cam­ pos rid entes, e ricos, precisa volt ar suas vistas pa­ ra este privilegio que lhe está reservado, de poder fugir do erro praticado por mui to s pa íses da E ur opa

e Asia, que hoje se lamentam e penitenciam delles, As n.ossas selvas e campos - onde possível ­ precisam ser poupados, ' precisam ser salvaguarda­ dos com tod os os seus elementos componentes, porque são monumentos da natureza, reservas de recursos materiaes e seient ifieos para os nossos descendentes. E, convenhamos, a flora indigena merece o amparo dos filhos da nossa terra e daquel­ les gu e nesta se domiciliaram, porque eUa é cati ta,

dadivo sa, riquissima de to dos os recursos indus­ triaes, th erapeuti cos, ar tisticos e alimentares. E Ua

abrange

ornatos para os jardins e par a as est ufas

que não encont ram riva es em to do

seus componentes são innumeraveis

o mu ndo. Os e os seus pr o­

duetos in substituiveis, As suas flores sobrepujam as mais lindas producçõ es da jardinicultura, e,

de ent re estas, destacam-se as Orchidaceas como

"R ainhas das Selvas", como a ma is sublime e ma­

ra vilhosa obra da

Dirão, talvez, que ha exaggero nesta aprecia­ ção; contestamos, porém, isto . Examinan do-se est as bizarras plantas dendricolas, verifica-se que eUas dispõem de recursos qu e aind a não conhe­

nat ureza.

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Aspecto das mattas no li toral pa ulis tano e m que crescem Vaníllas e
Aspecto das mattas no
li toral
pa ulis tano
e m
que
crescem
Vaníllas
e
Rodrig-uezlas
entro
Brornclia eens.
:;\0 fu ndo pode-se ver a Vanll1a Cbamissonls, 1\:1. e na
fren t e
Brom elinceas.
E x cur s ão B otnui ea de 1~)29 .
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20

cemos e, qu ando dellas queremos falar, não logra­ mo s dizer m ais do que: " são maravilhosas". Quem pode explic ar os mysterios da natureza, que equi­ pou estas plantas com meios para vencer na lucta, que o homem não percebe e a scieneía debalde tenta fixar ? Quem contempla estas maravilhosas creaç õcs da natureza e considera que ellas estão sendo apro­ veitadas para a producção de milhares de novida­ des illustrcs para os jardins e as estufas, tem de ficar admirado, porque ainda não tínhamos pen­

sado em defendel-as, porque não começamos antes o templo onde as pu dessemos glorificar, expondo-as ao publico nacional e estrangeiro, para gloria da nossa propria terra. As hybrida s, obti das pelo cruzamento das especies naturaes das flores­ t as brasileiras, abarr otam hoje as est u fas da Eu­

rop a e da America

dos filhos do nosso paiz começam já a preíeril-as, sem se lemb rarem qu e os progenit ores destas m a-

do Norte e os mais adeanta­

Album d e Or chid. Brn sileíra s c -

F .

C. lI oeh ne

ravilhas da jardinicultura são destruidos e expor­ tados sem dó ne m piedade da s selvas e serras do paiz que é nosso e que deveriamos defend er com tudo qu e en cerra e possue.

O valo r e importancia de um viveiro, um jar­

dim de Or ohid áceas, cm que possam ser a preciadas,

espalh adas entre rativas e dignas

outras plantas egualmente deco­ de nossa attenção, evi denc ia-se

ainda pelo facto que ellas occupam um gráo muito elevado na escala da evolução geral dos veg etaes e

porque justam ente

a gora, nest a épo ca da historia

do nosso planeta, se en contram em uma phase

do mutação m uito

N ão é nosso pro posito, porém , falar aqui mais

sobre este assu mpto. E lIe será objecto de outro

capit ulo, porque delIe nos temos occupado

vezes em artigos de propaganda, que, em part e,

serão reproduzidos aqui, pa ra prov ar qu e o nosso

int eresse por estas

mas sim de longa data.

pronunciada e a ct iva.

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linda s plant as n ão é de hoje,

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ce bem as polllneas ao r asparem a c êra
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1

Albu m d e Orch ld, Bras llc iras - c P . C. Hoch ne

Um a peq uena casca ta natural <las mu ttn s m os trad a s CIl1 ou tro cli ché . Sobre as rocha s as sim col loca dns merl n un

Bel!onlas, Splranth es,

Cyclopogons, Anthurlums e ou t ra s p la ntas m uito d cco ru r í vas da n o ssa fl or a iudigu nn. E xc u rs ã o Il o tanic a d e Hl2{j.

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,0\ As Orchidáceas do Brasil Sob este titulo publicamos, em 26 de Janeiro de 1927, um

As Orchidáceas do Brasil

Sob este titulo publicamos, em 26 de Janeiro de 1927, um artigo em que dissemos:

" A natureza favoreceu o nosso pai z, dando-lhe

t udo um quinhão farto, de accordo com a sua

irnmensa superficie, mas, o homem, infelizmente , não se te m mostrado digno de t oda esta fortuna,

desta incomparavel belleza, com qu e a bondosa mãe o' obsequiou da sua cornucópia transbordante. Vejamos, por momentos, a posição favor ável,

a grande extensão do nosso paiz e meditemos, um

instant e, sobre os seus recursos naturaes, seus ine­ gualaveis scenár íos, sua incomparave l natureza!

T odos os climas, excepção do mais te rrivel,

que é o frio excessivo, todas as altit udes, excluidas apenas as perigosas e inattingiveis, apresenta est e colosso, a quem as condi ções naturaes tudo favore­ cem.

O oceano offereee-lhe faceis vias de communi­ caç ão com todos os paizes est ra ngeiros, e, para que os va pores tenham an coradouros abrigados, a costa ap resenta-se cheia de recantos seguros, se­ meada de bah ias amplas e de portos magníficos.

a sua costa de norte, nordeste,

O Atl antico beija

leste e sudeste, e os rios que nelle deságuam, o fazem nas referidas reintrancias e t ornam, dest'arte ,

de

accessivel o seu interior, porque são estradas fran­ cas, navegaveis até por t ransatlanticos a grande

embarcações meno res

podem avançar por ellas a centenares de kilome­

tros. Tão largo s são alguns que o navegante não enxerga as suas margens e convence-se, algumas

vezes, de estar viajando em

e sereno. Demandando o oceano e o interior, correm es­

tes caudaes em várias direc ções, de norte para o sul, de sul Do norte, d e leste a oest e e de st e pa ra aquelle, porque teem as suas nascentes no planalto cent ral e t a m bém na immensa serra lit ora nea. Esta serra protege o interior da parte mer idional

e dá-lhe a fertilidade e conforto qu e proporcionam

um ma r doce, calmo

altura do seu curso , e, as

um bom clima e magnificos t erren os para t oda a especie de vegotaes uteis, além da possib ilidade de nelle poderem viver e prosperar os estrangeiros, que, vindos de além mar, aqui se estabelecem.

Na flora, deu-lhe a natureza, não s6mente

as florestas mono tonas

de pinheiros, como as dis­

tribuiu aos paizes mais frios da Europa e America

do Norte, mas mat tas immensas, selvas mixtas,

de esp écies várias riqueza de formas

e aspectos ad míraveis, que, em gra ndiosidade, talvez só pode­

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Alb um

d e Orch id . Brasileira s -

F .

C.

H oe h n e

23

Alb um d e Orch id . Brasileira s - F . C. H oe h

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v ir gen s

d a

no s s a

te r ra,

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d a

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rl o S ta. Ca tha ri na.

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h u mtdo, como o interior de lima est ufa e mais bel lo q ue o m ais a rt ts t íco c lux uoso jard im.

24 riam encontrar rivaes na India, no M adagasca r. Ceylão ou em N est

24

riam encontrar rivaes na India, no

M adagasca r.

Ceylão ou

em

N

est as florestas medram gigantes cos jequi­

tibás,

vicejam minusculos musgos, micro scopicas

algas,

um mundo de joias vegetaes, qu e se acha

em const ante concurrencia de belleza com os ru­ tilantes insectos e as polychromas a vesitas, qu e volítam e cantam por toda a parte.

foi

o nome que lhe deram, porque florest as infindas,

destes pr íncipes do reino vegetal, se extend iam pelo seu litoral, no nordest e, e outras perdiam-se

pelas planuras do Ceará e toda a zona n or destina.

N as mattas da des de a najáz,

vint e

metros, e t estificam-nos qu e aq ui foi, effectivamen­ t e, a t erra dos palmares.

- sempre faceis de extrahi r, - po ssue a n ossa t erra como nenhuma out ra as t em iguaes. E xpor t adas desde a ent ra da do eur opeu e exterm inadas sem

espalhadas em mistura e nem

Pindorama,

-

t erra

das

palmeiras,

-

hylaea ainda

cuj o

hoje

balou çam fron­

excede

a

com priment o

M adeiras,

cessar, sem dó nem piedade, ab undam ellas

ainda

e batem o recorde de textur a admiravel e de extraordinaria.

rijeza

nas

Abundam aqui as plan t as oleaginosas, medram

ainda

ma tt as

e

vivem

nos

campos,

embora

AlIJUm d o Orn h id . Dra sila ír ns -

F .

c.

II oc hn c

mal aproveitadas e menosprezadas pela maioria dos nossos patrícios. Não nos faltam tão pouco as producto ras de

fibras t exteis, nem t emo s carencia de m agnificas

poderiarnos dis­ milhares de pa­

ginas, não lograriamos descrever t odas as hervas, arbustos e ar vores ute is e bellas, Ao lado destas riquezas todas, existem milha­ res de plantas decorativas, com flores bizarr as e preciosas, qu e, em gran de par te, se filia m á família

natural das Orchidáceas e que, com inteira justi ça , os naturalistas appellidaram " Rainhas das Sel­ vas" .

As flor es t a s v ir g e n s d a nOSRa t err a n ã o s ó ab ri­ gam os " P ríncipes do R eino Veget al" e os lagos

e bahias, " R ainhas dos Lagos" , mas, as nossas sel­ vas são t ambem o la r daquella s que disput am o logar das rosas nos jardins c nas estufas dos mi­ lionários, amigos da natureza e apreciadores dos atavios de N anna, occup am os primeiros logares; porque, de fact o são as flores mais mimosas e que mais se confundem, pelos seus variegados coloridos e suave s mat izes, com as pennas dos ru tilantes

beija-flores e as asas das borboletas e ins ectos, que ao seu redor volitam e as osculam, como namorados

e companheiros de sort e.

formadoras de cellulo so. E , assim, corr er sobre outras riquezas, e, em

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Serra de
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nos most ra
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" Ju ssara s"
(Euterpe edulls Mart.)
que
tem
s ido
adm irado
p or de zenas de
nnt urn listas estrangei ros
q ue lá teem ido.

26

Alburn de Orehid . Brasil eiras -

F. C. IIoehn e

 
 

D aquillo que a nossa flora encerra util nas

o

numero elas especies, que , em nossa flora, repre­

in du strias, ap rovoitavel daquillo que tem lar go

na alimentação e um pouco consumo na arte de curar

sentam esta bella e maravilhosa família de plantas. Mil e quinhentas e poucas são as conhecidas e des­

molestías, temos procurado , - mais ou menos,

criptas até hoj e cios, t alvez, nã o

e qualquer um dos nossos patrí­ seja capaz de distinguir duas du­

-

tirar algum proveito , embora fosse pelos processos

os mais rotineiros e mai s perdularios. M as, da­ quillo qu e é deleit ável á vista, que representa va­

zias dellas.

 
 

As

nossas

Orchidáceas

são

as

mais

pr eciosas

lores como obj ectos

de adorno, do que se presta

para a

hybrida ção,

As Cattleyas e

Laelias indige­

 

para elevar e alegrar a nossa alm a, ninguem ainda

nas desafiam as espe cies de outras regiõe s e se im­ põem pelo .colorido e tamanho.

 

Desta

immensa

riqueza

natural,

apenas os

 

cuidou , ninguem sequer se lembrou de t irar van­ tagem.

 

As florestas

virgens, - qu e em muitos legares

estran geiros t eem sabido tirar vantagens. Quasi s6

do nosso paiz já começam a rarear , - ab rigam mi­ lhares de árvo res, ar bustos e cipós uteis para vá­ rios miste res e, por este motivo, devem merecer nossa attenção. Mas, na s grimpas da s altaneiras cajaranas e cedros e aga rrado aos cipós ou espa­ lhada s p or e nt re os tronco s, v ege tam Or c hid á­

elles a conh ecem e apreciam. Es tas lindas flor es da

nossa pát ria, conhecem-nas

os allemães, inglezes

 

e

nort e-americanos. E11es sabem utilisal-as par a

sua alegria e conforto e não poupam esforços para

ad

quiril-as e par a possuil-as.

 
 

P

ara as est ufas est rangeiras t eem sido trans­

 

ceas, de que muitas valem, ás vezes, mais do qu e os

por tada s as nossas mais preciosas especies e ali são ellas cuidadas com o m áximo carinho e atten ção.

proprios preciosos mad eiros. Quem, porém,

se

lembra de aproveitai-as, impede qu e seja m t ira das

 

N

ossas florest as est ão send o despidas dos seus

pelos estrangeiros, as salva

dos incendíos, qu an do

ornatos e destruidas tambem com elles. Os co­

nas derrubadas os troncos debruçado s e extendi­ dos são despidos dos seus ramos e dos cipós pelo igneo elemento, auxiliar precioso do homem na limp eza dos t err enos dest inados á agricultura? Calcula-se cm mai s de dois mil e quinhentos

lheclores e exportadores de Orchidáceas orn amen­

t

aes

nã o

pou pam

esforços

nem

economisam

di­

nhei ro para conseguirem as especies que lhes

in­

t

eressam .

M esmo

qua nd o

precisam

sacrifical'

gi­

gantescas árvores que as carregam, galgar serr as

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28 e seguir por caminhos e t rilhos pcrigosissimos, os exemplares cubi çados são obti

28

e seguir por caminhos e t rilhos pcrigosissimos,

os exemplares cubi çados são obti dos e levados para o estrangeiro. E, assim, as selvas ficam des­ pojadas e damnific ad as em seus mai s bellos com­ pon entes. Contra t aes factos devemo s pr otest ar e agir antes que seja tarde demais. Não nos fica bem as­ sistirmos, de braços cru zados, a o desenrolar desta

t ragédia.

Unamo-nos

para

agir

emquanto o Governo da que stão e os legisla­

não t em te mpo para cuidar

dores não encont ram lazer para legislar sobre

com o fim de impedir a exportação e prevenir con­ t ra o total dcsappurecimcnto das mais bellas plan­

do nosso paiz . Os fa zendeiros, os proprietarios de mattas, os chefes dos municípios e todos qua ntos dispõem de

a con­

tinuação do despojamento das florestas e o desnu­ damento dos t errenos. E' urgente que o herdeiro

e propriet ário ligitimo desta fortuna natural, comece

a protegcl-a como lh e compete . N ão é bastante

qu e se a louve, - ás vezes at é com cxaggero, - é imp rescindivel que se procure conheceI-a e que se desperte para dar-lhe a devida atten ção. E ' natural, que, no te mpo da conquista, na época do Brasil colonia, não se tivesse ti do lazer

meios para agir, precisam t ratar de prohibir

t as

ena,

Alb um d o Or chld, Bra síle íra s ---F. C. Ho ehn o

para est udar uma maneira sábia para evitar o

exterminio de especies vegetaes preciosas. E ' 10­ gico que o individuo em lucta incessante com os elementos da natureza, no afân da conquista do

dominio

meditar por um corre de certos

que o paiz chegou a um estado de calma, em que se impõe o raci ocinio mais sério sobre os proble­ mas de interesse vit al, do presente como do futuro da nação, podem e devem os governos interessar­ se por este assumpto, porque é importante nos oecuparmos tambem com aquillo que interessa, não s6 a n6s, mas aos posteros.

Como na Europ a e na America do N ort e, existem entre n6s, - cá na t erra das palme iras e Oro h íd áceas, - muitos amadores e admiradores

qu e as colleccionam e cultivam para

o seu goso e instrucção. E' verdade qu e o seu nu­

mero é ainda limitado, mas, ju stamente por serem poucos, elles deveriam unir-se para promover o ma ior amor e interesso para as cousas de nossa te rra

e fauna in digenas.

Em prol da conservação e amparo das flores­ tas e t odas as suas riquezas naturaes, estes amigos da n at ur eza mui to po deriam conseguir se se uni s­

sem em uma sociedade, como tantas existem na

sobre o solo, não t enha t ido oc oa sião para

mom ento sobre o damno qu e d e­ actos desassisados. M as, depois

das mesmas,

e para

amparar

a

nossa

flora

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Nos coqu eiro s isolados, sou rov ívcnt es das floresta s exterminadas , ex
Nos coqu eiro s
isolados,
sou rov ívcnt es das
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hoje nos attes ta m eloquentemente
, ex istem refugidos exemplares de Catasetum Iimbrlalum L,II. qu e ainda hoje nos attes ta
30 Europa e na Am érica do Norte, porque, em conjun­ to, poderiam estudar melhor

30

Europa e na Am érica do Norte, porque, em conjun­

to, poderiam estudar melhor as medidas a serem tomadas e mais facil tornar-se-is traçar planos para incentivar, cm todos os brasileiros, o amor e interesse para a nossa natureza indigena. Ao nosso ver, só de uma sociedade desta or­ dem poder-se-la conseguir as bases e luzes neces­

Album de

Orehid. Br asileiras -

F.

C. Hoehne

em prol do en grandecimento real e seguro do nosso

paiz, e muito principalmente para o scieneias biologicas em nosso meio" .

progresso das

São

Paulo,

15-1-27.

sár

ias para um código florestal que estivesse na

Este artigo, mais ou menos assim concebido

alt

ura do noseo progresso e cultura.

e

publicado na data supra, no "O Estado de São

A

organisaç ão de

um a sociedade que tomasse

P aulo" , foi calorosament e applaudido por meio

a

seu cargo a orientação dos governadores, em to­

de

o

cartas e palavras. Mas, infelizmente, comquanto

dos os assumptos que di zem respeito á salvação do

Governo tenha tido a patriótica iniciativa de

nOSEO patrimonio florestal, bem corno á defesa e

crear o Serviço Florestal e o Orchidário e de iniciar

am

paro dos automonumentos da natureza, seria

as

obras para a construcção de um grande parque

realmente desej avei. Das associações sérias, que visam o engran­

estadual, ainda não nasceu, não tem vida, a so­ ciedade que tanto almejamos.

de ciment o da nação, sempre toem nascido as me­

lh ores idéas, e nós precisamos muito dellas, por­

que t emos ainda de legislar sobre a conservação e

A sociedade de ami gos da natureza, se nos

afigur a, entret ant o, tão necess ária e tão proveitosa

e urgente, quanto a dos amigos da escola e dos da

protecção das

flore stas, a fundação de hortos de

silvicultur a, a criação de parques nacionaes e es­ t ações biol ogicas. Um a sociedade de a migos da natureza, fund ada

e espalhafatos, - com planos bons

e propósitos firmes, - muitissimo poderia fazer

sem

pom pas

cidade, que já existem e funccionam com real van­

t agem para o publico. Oxalá qu e ella surja e saiba desempenhar-se do seu papel, como o souberam tantas congeneres creadas em outros paizes, ás quaes as seiencias biologicas hoje devem os melhores serviços.

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Laella Joogbeaoa, R eichb . fil o 1/6 do tam. na t o Sertão d
Laella Joogbeaoa, R eichb . fil o 1/6 do tam. na t o Sertão d e }linas Geraes. E specie precíosa d a
co lle cção
do
autor,
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região
min eira em que proliferav a. 1926.
Album do Orchid. Bra sileiras - F. C. Roehne 3 1 Excursã o Botantoa de

Album do Orchid. Bra sileiras -

F. C. Roehne

31

Album do Orchid. Bra sileiras - F. C. Roehne 3 1 Excursã o Botantoa de 1929,

Excursã o Botantoa de 1929, para estud ar as

O a n xillar, Cel estino L emos, ca rr ega do com b õa car ga de Laella purpurata , Ldl., p ar a o Orchi dá r io embor a Só lev asse 3 exe m plar es.

Meridi onal.

cond ições

em

qu e vivem

as

Laellas

e

Cattleyas

no

lit or al

do "Bra sll

As florestas da Serra do Mar e suas Orchíd áceas

N este artigo, estampado em 3-11-25 no "Dia­ rio da Noite" , r egistrámos a revolta que nos ia na alma, quando, naquelIa época, se iniciou a derru­ bada das mattas da encosta da Serra de Parana­ piacaba , ao lado da E stação Biol ógica do Alto da Serra, junto á São Paulo Rail way Comp., que

reserv a

monumento

o estudo das sciencias biologicas

t anto desejavamos ver inclui das florest al, destinada a perpetuar

da na tureza, para no futuro:

montanhas, que, do 16. 0 ao 30. 0 austral se extende pa ra llelamente

gráos de latitude

á costa do nosso paiz, descrevendo voltas, contor­

cendo-se da qui e

raldina

naquelIa

um

" A cad eia de

de acol á, como gigantesca esme­

lagarta, que tem e o bramido do ocean o,

com sua mai or altitu­

de que o interior. A estes factos deve- se a ameni­

dade do clima, fertilidade do solo e tod as as belIezas naturaes que surgem nesta parte, em qu e fica o

cora ção, e para onde convergem do paiz.

o labyrintho de rios e corre gos, qu e tão

perfeita e profusamente irrigam esta região aquém deste muro natural, ar ma do junto á fronteira com

o turquezino reino das Nereidas, e toda esta parte

da costa, consti tuem o mais belIo, o mais perfeito

e mais precioso quinhão que a na t ure za, sempre

dadi vosa, distribuiu á Pindorama. E m cada reintrancia e em cad a volt a, esta cordilheira, este immenso contraforte, muda de as­

todos os interesses

drographico, que provo cou

Todo

é obra verdadeiramente grandiosa, um dos mais lindos automonumento s que se encru stou na terra dos tupina mbás c ay rnor és, para nossa alegri a e goso. N ão é sórnente bella em sua forma ou topogra­

pect o, ap resent a outra p hysionornia, offerece novo s motivos para os que comp reh endem a natureza e se deleitam nas lind as paisagens e quadros que ella cria e expõe. Os relevos são cheios de scen á­

phia, mas sobretudo encantadora pelas florestas

rios capa zes de provocarem êxt ase, ad miração e

virgi naes, qu e lh e cobrem os flancos e a

crist a.

senti mentos sublimes.

Collocada como se a cha, é uma verdadeira

Aqui levantam-se os picos al cantilados no

bençam

para o nosso paiz, graç as ao amparo que

azu lado da distancia, ali os pr omont orios avan çam

offerece

contra os ven tos domin antes e fortes,

que

at

é ao lit oral , chegam a beijar o salso elemento,

at é ao lit oral , chegam a beijar o salso elemento, sopram do Atlantieo, e

sopram do Atlantieo, e á inversão do systema hy­

entrar por elle a dent ro e form ar ilhas coniformes

AlbUIl1 do Or chíd . Drusileirus -

F . C. H ochno

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AlbUIl1 do Or chíd . Drusileirus - F . C. H ochno : ~ : {

As n ossas fló rcs t ns pass a m p or

est a tra ns f orma ção, S fLO c on ve rt

íd us c ru

lenh a c c arvão

O u

1110 8 1110 í ueo udtu dns ,

c ,

po r

fim

no s

r estarão ta pcra s, t err enos desnudado s, sape zacs e rn ut t ngncs 5 C111 quaesqu er attra ct ívos.

fim Só no s r estarão ta pcra s, t err enos desnudado s, sape zacs

:H

e

chatas. Mais além deprimem-se, surgem como

sulcos,

obtusos cupins, ganham em grossura o que per­

formes

AlbUJ11 ele Or chiel.

Brn sll eh-as -

F .

C.

H oeh n e

grotões e tudo isto e bellas .

cobrem florestas poly­

deram em altura. Ora humosos, ora rochosos, altos

assemelham-se

a um rebanho de ovelhas que, espavorido, salta

e pula em direcção norte, recuando aqui e jogando-se além no oceano, que espuma e troveja. As mais formosas bahias do mundo são devi­

da s a esta va riada e bella topographia. Granitos

gigantescos erguem-se como guardas nas suas en­ tradas. M assiços conicos são as sentínellas da gran­

de Guanabara e bizarros e lindos blocos guarne­ cem o accesso a Victoria. N o fundo da primeira ficam os agudos píncaros da Serra da Estrella e

do lad o os da Serra dos Orgãos. Nas suas adjacen­

cias reina a verdura pujante, as flores polychro­

mas por entre vetustas ár vores; e nas cercanias da ultima vicejam outras plantas e espelham se nas límpidas aguas, quando o astro rei começa a oocultar-se no occaso. Cocorutos obtusos, gigantes grotescos são :

o Corcovado, Bico de Papagaio, Pe dra Bonita, Gavea, Tijuea, Pão de Assucar e outras protu­

beran cias que se levantam por entre a folhagem das suas m art as como manchas negr as. Como dedos

qu e apontam para o céu, são os picos altaneiros de

Theresopolis, mas entre elles existem profundos

aqui, baixos acolá; est as montanhas

A flora desta serra

Por ser um obstaculo para os ventos humidos que sopram do oceano, encrespando-lhe o dorso,

vestiu a natureza esta serra com as mais variadas

e

ricas florestas e

concedeu-lhe, assim, a

flora mai s

interessante do Brasil.

 
 

Em

parte

alguma

do

pai z existem

tantas os­

pecies vegetaes, em t amanha promiscuidade e con­ fusão, como na Serra do M ar . F olheando a "Flora

Brasiliensis de M art ins" , rebuscando as obras em que est ão registradas as riquezas da nossa flora

in digena, encontramos est a serra citada mais vezes,

proce dencia de especies, que qu alquer outra parte do nosso torrão.

como

al­

mais

taneiras

mais rac hiti­

cas acolá e mais altas além, por ém, sem pre bast as, sem pre riquissimas de especies e f6rmas veget aes.

t ropicaes.

As florestas não

como

as

das

são, por ém, soberb as nem

ba ixadas

nas

aqui,

re giões

E llas são medianas

N os pontos mais ab rigados dos embat es dos

- brum as, que se formam incessant ement e, em vir­

temporaes,

as

onde

penet ram

e

descansam

t ude das mudanças de temperatura, qu e as cama­

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I gua p e, sob re vivente da mat ta ex te rm inada.

s en tam Orchid ãceas de varia ,

arvore do litoral de

Uma

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CI,)

es pé cies e Brom efiuceas, g énero s Btllbergta , Aec hmea e Vrlesea.

As spi ph ytns r cpre­

Excu rsã o Bot ani ca de 1929.

e Brom efiuceas, g énero s Btllbergta , Aec hmea e Vrlesea. As spi ph ytns
e Brom efiuceas, g énero s Btllbergta , Aec hmea e Vrlesea. As spi ph ytns

36

das atrnospherica s soffrem ao se approximarem da frescura transmittida pela floresta ao ambiente em que medra, - erguem-se graciosas jussaras e finas guaricangas, trazendo os espiques envoltos em alfombras de musgos e Hym enophyllums, crescem Bromeliaceas, Orchidáceas e Arace as tão lindas como só se encontram nas estufas. Nas regiões mais expostas vicejam jequitibás vermelhos, caia­ ranas e bicuhibas, em cujos ramos saltam macacos e cantam sabia-únas, como se o anjo do paraíso ainda não tivesse abandonado o seu posto de guarda para impedir a entrada do peccado e a morte nesses recintos. As águas limpidas, correndo de todos os lados, borbulhando de cada depressão, formam corregos, que se mudam em ribeiros; e rindo e gargalhando descem estes pelas grotas, para formarem rios. Cá e lá ouve-se o trovejar de uma catadupa, ou o ru­ mor de uma corredeíra alegre. Mas a basta fo­ lhagem tudo occulta, tudo esconde aos olhos dos profanos, porque esta serra admirável ainda é e será, por alguns decennios, talvez, o solar privativo dos faunos e filhas da flora, qu e alegres e satisfeitos ali se divertem e proliferam. Nas immediaç ões das cidades formadas ao seu sopé, aqui e ali, capta-se a lympha pura, para obri­ gal-a a movimentar turbinas e para aproveital-a

Album d e Orchid. Brasileiras -F,

para dessedentar milhares de habitantes, quellas labutam.

C. lIo chnc

que

na­

Das Orehidâceas

N estas maravilhosas mattas se acham re­ presentados centenares de familias naturaes de plantas. De nenhuma, porém, ha maior e mais farta representação que das Orchidáceas. Ellas podem ser encontradas em grande profusão em todas as altitudes e em todas as árvores, quer nas baixas, quer nas mais altaneiras. De tamanhos variaveis desde um até cem centimetros de altura, são ellas encontradas nas florestas e campos naturaes desta serra, immedia­ ções e especialmente ao seu sopé, na facha, ora estreita, ora larga, que a separa do oceano. Como as Bromeliaceas, conseguiram ellas adaptar-se aos vários meios de vida, ás differentes condições eda­ phicas e climaterlcas, que, nesta mesma serra, va­ riam mais ou menos, conforme a maior ou menor altitude e a maior ou menor exposição dos seus flancos e grotões ao sol e aos ventos.

Das grimp as das

árvores podem est as plantas

descer

e sobre o barro compacto, ou subir t ambem,

e medrar sobre

os

detritos

até

mesmo

outras

ve zes, aos troncos, sem soffrerem altera ções

graves

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de matt as seccas de regiões altas .

prim ei ra é das matta s hum ídas, as outras du as são

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gran djflora , Ld l.
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nat o
e
os
d etalh es
p ouc o

Aluum de

Orch id. Brasilch-aa-c-F. C. Hoe hno

37

Aluum de Orch id. Brasilch-aa-c-F. C. Hoe hno 3 7 Aspectos das mattas alagad íçns São

Aspectos das mattas alagad íçns São flo r estns cerrad ua,

do litoral tlo P araná, e m q ue crescem as mais bcllas Cattleyas e

muito

hu mídas, verdndc í ra s estuf'ns n at ura os. Exc ursão Botan ica

Laellas do B rasil. d e 1929.

Cattleyas e muito hu mídas, verdndc í ra s estuf'ns n at ura os. Exc ursão

38

AllJum de

Or chid.

Brasileir as -

F.

C. H oehn e

na sua vida, porque o essencial, para esta, são a agua, luz e detritos organicos, e estas. cousas, existe m em toda a parte. N as alturas bril ham

pareeeram,

especies e

o desapparecimento das Orchidáceas coincide com o exterminio das florestas em que viviam e proliferavam .

as suas flores nas côres mais vivas; :.í sombra tor­

A

ganancia não anda sempre com a intelli­

nam-se mais pallidas, mas, em todos os recantos e formações eneo ntramol-as representadas.

gencia e previdencia. A t roco de miseraveis contos de réis, ou mesmo meia duzia de patacas, apurados

A chuva não rareia porém, quando cessa,

com a venda da lenha e

madeira , - unicas riquezas

acod em as brumas e cerrações, regam tudo, fa­ zendo gottejar as folh as, entumecer os musgo s e

qu e nas florestas se enxergou e ainda se observa, em qu así todos os logares do Brasil, - grandes

desab rochar as frondes dos feto s. No s dias cálidos,

t rechos, immensas áre as da serra

fôram desnuda­

as samambaias e os musgo s en carquilham as fo­

dos, despido s da frondosa

matta, e com esta desap­

lhas ; ao contacto das brumas, á noite, fazem-nas

 

para sempre, os t ypos de muitissimas

abrir de novo e se reanimam, como se nad a de anor­

va rieda des da linda famíli a nat ural

mal tivesse succedido. E m meio tão hygrophilo, as Orchidáceas me­

das Orchidáceas, que, sem dúvida, hoje poderiam render dez vezes mais do qu e produziram a lenha

nores, que não possuem pseudobulbos para reser­ vas , sentem-se bem, vicejam e procriam admira­

e madeira da s árvores que as ostentaram e gar anti­ ra m dur an te tantos séculos.

velment e. Mais de um terço da s registradas para a flora brasileira, vegetam ou vegetaram na Serra

As

fortunas proporcionadas pelas Orchidáceas

j ust i­

aos que se entregam ao seu commercio, nã o

do Mar

e

immediações.

ficam, de modo algum, a supersti ção de uma

parte

Vegetaram, -- como é tri ste empregar-se esse ver bo neste t empo, - porque m uitas já não exis­ t em, não mais emp rest am suas gra ças e encantos á t erra das palmeiras, não mais podem ser a cari­ ciadas pelos beija-flores, nem embalsamar o a r destas plagas com o sua ve perfume das suas inte­ ressantes flores.

do nosso povo para com eHas. Os exploradores de plantas - especialmente os exportadores de Orohi­

dáceas, vindos ao Brasil para despir as nossas flo­

restas destes seus mais bellos orn atos, - que

digam se ha azar em cultival-a s e negociar com ellas.

O nosso caipira e mesmo o faz endeir o mais

atrasado, qu e costuma sopra r tan ta sapienoia pelas

nos

Albmn d e Orchitl. Brn sil eh -as - P . C. Hoehn e 3

Albmn d e Orchitl. Brn sil eh -as -

P . C. Hoehn e

39

Albmn d e Orchitl. Brn sil eh -as - P . C. Hoehn e 3 9

Int erlor da

q

mut tu Iitoruueu de Sta , Catha r in u. Ao cent ro , so bre

p ur a

ue

o n osso aux l lla r, S I'. Celcs tlno L e mo s , c s t á ro t.lrn mlo

o

ci pós c ro cha s, 1111I exem

O rc hld árt o d o

Es tUlto

d e

S .

plu r nva utaju .lo ele Laelta pu rpurata, Lrl l.

1!12:1.

Pau lo.

E xcu r são It otau íca

de

40

40

Allmm de Orchíd. Brasileiras -

F. C. Hoe hne

longas barbas, não conseguem, entretanto, en xergar qualquer valor intrinseco ou estimativo nas Orchi­ dáceas. Não descobrem nellas attractivos nem lhes votam sympathias. As selvas são derrubadas, apro­ veitadas as madeiras e a lenha, e estas preciosas dendricolas, de tanto valor no estrangeiro, não são aproveitadas, mas queimadas nas fogueiras que devoram os ramos e folhas das árvores tombadas. E xport adas e lev adas para as estufas e jar­ din s dos abastados, queimadas nas roçadas ou devoradas pelos incendios que percorr em as mat­

tas, as Orchidáccas

da nossa te rra vêem a proxi­

mar-se o dia do seu completo desapparecimento. Nos pontos de que são citadas as mais bellaa

e pr eciosas especies, recolhidas pelos naturalistas :

Gardner, Martius, Saint H ilaire, Wett ste in, Bar­ bosa Rodrigues e muitos outros, não se encontram hoje nem vestigios das florestas que as abrigavam, muito menos raça del las, Se ist o tem acontecido com as Orchidáceas, outro tanto se tem dado e dar­ se- á, infallivelmente, com todas as nossas preciosas

e bellas plantas, se, dentro em breve, medidas não forem tomadas no sen tido de cercear as derru badas

e providencias não forem dadas para sal va guardar as martas. A derrubada da s flore stas da Serr a do M ar, entre Santos e São P aulo , constitue um crime tão

barbara quanto a destruição das mattas que ainda existiam nas cercanias de S. Paulo, no anno de 1920. Já tivemos occasião para registrar o nosso so­ lenne protesto contra tamanho desrespeito aos au ­ tomonumentos que ainda nos restavam da na tu­

reza

primitiva e virgem, e, sempre que o fazem os, é com a certeza absoluta de que interpretamos o sen­ timento dos scientistas e de todas as pessoas sen­ satas e previdentes. Actos tão desassísados não poderão deixar de impressionar profundamente os que teem qualquer sentimento altruísta e que to­ mam tempo para considerarem os prejuizcs qu e dahi poderão advir para a gente das grand es ci­ dades, em proximo futuro.

e ão P aulo perdeu o lindo Bosque da Saúde, permittiu qu e se cortasse a maio r par cella da pu­ [ante e linda floresta secu lar do Jaraguá, - o 10­

tantas cousas u teis e interes­

santes para rec reio e instru cção do povo poderiam

e deveriam ter sido creadas, - e a edilidade ainda

gar hist orico, em que

vaeilla em tratar da desapropriação do P arque do J abaquara! Quem sabe se se resol verá, talvez, a fazer algo, depois que a flore sta tiver sido t ombada ?!. Sant os, que irá necessit ar melh ores e mais abundantes mananciaes para o abastecimento de agua potavel, consente na derrubada da matta da

en costa da Serr a de Paranapiacaba, que tant os

para o abastecimento de agua potavel, consente na derrubada da matta da en costa da Serr

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Albmn d e Orch id, Brasil eira s - F . C. Hoehn e 41
Albmn d e Orch id,
Brasil eira s -
F .
C.
Hoehn e
41
Nas r egiões cm
qu e medram as Cattleyas e Laellas, n o litoral
do Bras il me r idio na l,
nã o
é
ra ro
enco ntra r-se
exe mplare s
de
Cattleya
intermediai Gru h sobre rochas iso ladas, associad as ás
Brom cllac cus, como esta to uc eira
q ue aqui v emos rcp ro du zldn.
Exc urs ã o B ot an ie a d e l Dt U.

42

Album d e Orehld. Bra sllel ra s -

F . e.

H oehn e

en

cantos proporciona ao s amigos da natureza com

pontos em que est ão sendo abertos os caminhos

a

sua

admiravcl

composição

floristica.

para o transporte da madeira e lenha até ao terraço

Apezar

de successivos pedidos para que se

no alto da serra. Os escorregamentos do t erreno

pou passe aquella floresta e se a in corporasse á

hão de sobrevir e, finalmente, rest ará, da primitiva

E

stação

Biologica,

-

que mantemos no Alt o da

matta, uma encost a feia, vestida esparsamente

Serr a, como dependencia da Secção de Botanica,

por caapoeiras e t alvez sapesaes, semelhantes aos

a

nosso cargo, - vemol-a ser tombada á razão de

que temos na zona' em qu e a Estrada de F erro

u

m conto de ré ís

po r alqueir e , conver tid a em lenha

Central galga a serra, antes de alcançar Barra do

e

carvão .

P

ira hy.

A

vantagem

que as mattas daquella part e da

As especies de Orchidáeeas que des appa rece­

Serra

do

Mar,

com

sua

admiravel

composição

e

rão eom este novo attentado á nossa na t ur eza,

pela sua posição, poderiam trazer á E st ação Bio­

logica, dep rehende-se do facto que ellas dotariam aquella reserva com tod a a escala de formações silvest res que apparecem desde o pé até ao t ôpo

da serra, .onde, em cada cem met ros de differença

p odem ser orçadas em de zenas, e entre ellas fi­

guram muit as das mais bellas e outras que aind a .

ne m fôram deseript as, e que, por ist o, são

t otalmente desconhecida s no mundo scientifico.

.

ainda

Aquella região, - como já explicá mos no

de

nivel,

surgem

out ros

t ypo s, appareeem outras

"

Album da

Secção

de Botanica" , - é t ida como

especies. Accresce mais

a cír eu mstancia que na

um

a das mais ricas em Orchidáceas daquella serra.

pequena

E

este fact o é devido

á grande hum idade que ali

tô po

da

área reserva da para cam po biologico n o serra, muitos animae s, qu e até ag6ra ali

reina, graças á reintranoia form.ada pela propria

viveram socegadamente, protegidos pelas mattas a dja centes, n ão po derão con tinuar a m a nt er-se :

Serra do M ar. Di zem os entendidos que aqu ella região é,

terão qu e despparecer pouco a pou co.

No s t err enos desnudados, as águas plu viaes hão

de produzi r damnos pela sua acção erod ente , que

por isto mesmo, uma das mais humidas

As Or chidáceas de pequ eno port e, a que no s refe­

rimos mais atrás, que interessam mais direc ta­

do globo.

egualment e

affect arã o

a

E sta ção

Biologica.

E

men te á botanica, a cham-se muit o represent adas

esta

acção

Iar-se- á sentir,

sem

dúvida,

mais

nos

ali

e são ainda mui mal conhecida s. E ' possível

Album de Orch íd. Bras ileiras -

F .

C.

H oehn e

43

Album de Orch íd. Bras ileiras - F . C. H oehn e 43 MUtonla sp

MUtonla sp eetabílía, Ldl. 1{5 do taro. nnt, Encostas da Serra do Mar, n08 Estado s de Esp irito San to até

Sta , Catharina .

F lores alv as com mac ula roxa 110

rnbello.

44

Album de Orchíd, Br asil eiras -

F.

C. H oeh n e

que o seu numero exceda a mais de cento e ein­

de

vinte generos differentes. E as maiores, as que não interessam apenas ao botanico, mas t ambem ao amador, podem ser calculadas em dezenas. Os

coenta esp écies, pertencentes, talvez,

eram faceis de serem galgadas e porque o acciden­ tado do terreno não convida muito a se fazer pe­ regrinações por ali. O interior de todas aquellas mattas era muito sujo e forrado com espessa camada de detritos mais ou menos transformados em humo.

Mas, para que dizer mais ? A matta está sendo derrubada. Amanhã será tombada outra egual­ mente interessante e digna de ser poupada e, pro­ seguindo assim, dentro em breve, restar á da s nossas florestas virgens apenas a memoria . E nt ão, com certeza, o Código Florestal entrará em vigor, se­

não para previnir

rencia de madeiras e combustiveis, qu e, fat almente, nos ha de surprehender quando menos esperarmos. Infelizmente, vamos indo pelo mesmo caminho de

imprevidencia que trilharam outros povos mais velhos. Br evement e uniremos as nossas vo zes ás suas, para lamentar-nos da desidía e insensat ez que hoje praticamos, sem o menor remo rso , sem o menor presentimento. Os governos e os particula res qu e quiserem tornar-se me recedores da gratidão do povo, es­ pecialmente dos pósteros, devem trat ar de reser­ var, desde já, tantas florestas quantas puderem salvaguardar da destruição. Com isto erigirão monumentos indeleveis para si, que valerão mais do que os de bronze ou marmore.

a

mais

M iltonia, Bi­

GOl1{}Ora,

111aaillaria, Seutiearia, Sophronites, Eneyclia, E pi­

dendrum etc., são representados ali por diffeientes espécies altamente decorativos, Para provar isto, basta que mencionemos as seguintes especies que ali registramos:

generos: Oneidium,

Cattleya,

Laelia,

jrenaria,

Cirrhaea,

Zygopetalum,

Colax,

ao menos para rem ediar a ca­

Oneidium Forbesii, O. M arshalianum, O. peeto­ ral e, O. jl exuosurn, O. eehinatum, O. unijlorum,

O. sareodes, O. curtum, O. divarieaturn, O. sphe­ g'if erum , O. Lieizei ; Zygopet alum erinitum, Z. ma­ xillare, Z. M ac ' ayi, Z. M osenianuni ; Colax [u­ gosus; Cirrhaea dependens, C. saeeata; S eutiearia

H adwenii ; Gongora bufonia; Sophronites eoeeinea;

Cattleya intcrmedia, C. Forbesii, C. Leopoldii, L ae­

lia purpurata; Laelio-Cattleya Schilleriana e ele­

gans ; Stanhopea ineiçnis ; M axillaria oehroleuea;

P leuroihallie plerophora; H oulleiia Broc lehurs--­

tiana, que entre outras, são todas plantas aprecia­ das pelos amadores. E st as Orchidáceas existiam ainda naquella floresta porque as árvores em que vegetavam não

das pelos amadores. E st as Orchidáceas existiam ainda naquella floresta porque as árvores em que

Alb um d e Orch id . Brasile ira s -

F .

C.

H oe h ne

VI

Alb um d e Orch id . Brasile ira s - F . C. H oe

S. Excía . o Secr-etario d a Agricu lt ura , fi

d o O rchi d ár io do

es que rd a

e

1929, q u e

o aut or

no s

d est e trab alho a di r eita.

mo s tra

co mo

vi v em e st as

No

ce nt ro

um

g r u po de Laeli a purpurata, Ld l.,

Alsophil a .

E stad o , c m Nov embro de

Or chi clácca s 110$ va sos

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As pecto da s m artas nat ura es do Pa rq ue do Est
As pecto da s m artas nat ura es do Pa rq ue do Est ado onde foi ínstallado o Orch idilrio. Como se
pód e
ver,
lião
é
flor esta v irgem, to dav ia j á bas tan te v elha, com cipó s espessos c arvores
de
mais
de
:\0 metros
de
al t ura. em
q ue a s Or chidá ceus po deriio propagar-se facilmente
de pois de acc lim at ud a s.
Historico e fins do Orchidário de São Paulo T erra immcnsa, rica de todas as

Historico e fins do Orchidário de São Paulo

T erra immcnsa, rica de todas as dádivas da natureza, farta de encantos e bellezas, era a Pin­ dorama, de que os advindos de regiões distantes e estranhas fizeram o Brasil. Quem conseguiria descrever suas riquezas es­

teia e o homem succumb e de sêdo e morre de fome. A natureza desta terra immensa e rica não é mais o que foi ha cinco séculos, quando Pedro Alvares Cabral aqu i apo rtou com suas n áos con­ quistadoras. O immigrado te m conseguido detur­ pal-a, logrado mudar os scenarios mais ridente s, t ombado florestas magestosas, semeado desertos ou construido cidades modern as, plantado cafesaes extensos, onde vetustas árvores e feras tinham do­ mini o. Onde catadupas est rondosas se precipitavam em abysmos hiantes, condensa-se a lympha em augustos tubos e impelle t urb inas, e além pro duz energia electric a, que movimenta fabricas e illu­ mina cidades, onde a multi dão fervilha e mexe como abelhas de immensas colmeias. Onde está o homem moderno, com suas in­ dustrias, não cabem as pro ducções da natureza,

pontancas, suas ridentes praias, serras, rios, lagos, infindos campos e florestas, com toda a vida? Quem ousaria abalançar-se a tanto, sem sentir-se empolgado pela grandiosidade desta natureza, sem

ao dcficioncia ? !

estremecer

reconhecer sua

prop ria peque nez o

"Torra das P almeiras" - foi o nome que lhe

haviam

frondes de palmeiras esbeltas se erguiam no seu litoral c copas redondas de leques artisti cos es­ palhava m-se no seu hinterland intermino, coroando espiques rij os de carnahubeiras, emquanto , além das collinas e morros, das mattas ribeirinhas, sa­ lientavam-se gigantescas plumas de anajás e auas­ s ús ma.gestosos. Hoj e sobrevivem coqueiros que produzem ex­ cellentes côcos ; ma s, dos palmares, - que evocou Gonçalves Dias, na terra do exilio - os rijos espi­ ques, sem corôas, su spendem e sustentam fios que at ravessam sertões infindos, onde a natureza pran­

dado

os indigenas,

porque fron des e mais

tem sido, infelizmente, par te do mu ndo. F elizmente temos,

a lei inexor ável cm t oda a . porém, aind a recantos em

nossa t erra, on de a na ture za nos sorri, como devia

ter sorrido aos aborigenas que nol-a legaram. Nos

sertões longinqu os quadros vivos que

do

interior ,

podemos

a dmirar

nos tes t ificam

aquillo

que foi

Allnun de Orc hid . Brasileiras -

F . C. Hoe hne

47

Allnun de Orc hid . Brasileiras - F . C. Hoe hne 4 7 Reg iões

Reg iões propr ias para a propa gação natura l d e Zygopetalum Mackayl, H ook. L itor al d e I guap e.

No

pr imeiro

pl ano, Polypodlum;

n o

centro o ZYl!opelalum me ncionado, cóm rncimos scccos, Excursão Bo tan ícu de 1929.

imeiro pl ano, Polypodlum; n o centro o ZYl!opelalum me ncionado, cóm rncimos scccos, Excursão Bo
imeiro pl ano, Polypodlum; n o centro o ZYl!opelalum me ncionado, cóm rncimos scccos, Excursão Bo
48 a Pindorama. Lá ondulam franças de vetustas árvores ao sopro da bri sa matutina;

48

a Pindorama. Lá ondulam franças de vetustas

árvores ao sopro da bri sa matutina; formam flo­

restas magestosas, em cujo seio se desenrolam as

devem t er consti tui do os ci­

scenas e dr amas que

nemas e theatros dos t upinamb ás e tamoyos, antes do immigrado havel-os desalojado das SU:1S ma­ locas. N as serr as íngremes, cá e lá, ond e os acecs­ sos são mai s penosos, restam, egual ment e, mu dos mon ument os, que nos falam dos encantos da natu­

r

nestas encost as e cristas

e

Di vina nos deparou por pátria.

t

eza vir gem de outrora . E, nestas selvas e campos,

perigosas, onde a acti vi­

dade human a ain da não penetrou para avassallar

dest ruir a. vida natural, desabrocham flores agres­

tes bizarras, expandem-se folhas admlraveis e cont am-nos, em sua linguagem sem pa lavras, de

modo vivo e emocionante , o que foi a na tureza dest a privilegiada região do globo, q ue a Provide ncia

Flores extraordin árias, de vivos ma ti zes, con­ fundem-se ali com as rutilante s pen nas dos mais ligeiros alados. As plantas que as produzem , vivem enc arapitadas sobre os ra mos das mais edosas ár­ vores e desfructam a vida como et ernas creanças, sem dolo ou malícia, O colorido, sobrio aqui e ex­

ra vagante além, sobre puja o fulgor das mais bellas

rosas e o suave e agradavel perfu me, recende mais que o das dahlias, cravos e cravi nas dos nossos ja rdins.

Alu u m d e Orch id. Bra sileira s -

F .

C.

H oehn e

rainhas, v e­

get am estas lindas plantas durante decennios e séculos, emprestan do seus encantos e gra­

ças ás árvores que as hospedam, sem t ributai-as, sem add uzir-lhes damnos ou prejuizos, sempre contentes, a sor ver a agua do orvalho e das chuvas,

sat isfeitas com o qu e o acaso lhes proporciona para seu gau dio e luxo.

­ tão mysteriosa e flores t ão bellas, - são

as mais protegidas pela Providencia, porque as difficuldades da vida, que a muitas outras deses­

ellas vencem sem ma iores

esforços, desde que forças estra nhas superi ores não

lhes tolham a a cção. Sim, naquellas florestas e serras dos sertões do Brasil, medram e se desenvolvem as ma is pre­ ciosas Orchídáceas do mu ndo , porque lá ainda não chegaram os q ue as cub içam, nem os malvado s qu e derr uba m e in cendeiam as mattas, q ue lhes dão abrigo. Considera ndo-se qu e est as plant as já conquis­ taram admiradores cm t odos os paize s cívilísados

sociedades ríquis­

e cult os do mundo e que existem

Enthroniz adas como verdad eiras

mesmo

Do

de vida

reino

vegetal,

est as

bizarras

pla ntas,

peram e desanimam,

simas

e pu blica ções cus tosas, dest ina das a promo­

ver o

int eresse cada vez maior para ellas, ficamos

surpresos porque, até est e momento, não t ivesse­

50

Al bum

d e Orch íd. Drasll cl ru s -

F .

C.

H oe hn e

mos tido a lembrança de protegei-as, nem idéa de aproveítal-as convenientemente, para ornamentar

os nossos ja rdins e lares. Sim, isto nos admira, porque, a nós brasi­ leiros comp etia de facto o dever de promo ver o interesse dos outros para aquillo que é natural e espontaneo da s nossas florestas, e a nós devia per­ tencer o privilegio de domesticar e aperfeiço ar estas plantas, - tan to quanto possível, - pela cultura e selecção. Cinco séculos são decorridos desde que estas bellezas do Novo Continente foram vistas pela pri­ meira vez e, desde então, ellas teem sido destruidas incessantemente, com as árvores, suas hospedeiras, sem que lhes dispensassemos a menor attenção. De 1800 para cá fora m ellas encam inhadas para

a E uropa em maiores quantidades e desde então

despertaram ali a a tt enção dos inglczes e allemães,

No Brasil, estudou-as mais detidamente o

nosso patrício guio organ ísar

desenhos em côres, das espeeies mais interessantes que encontrou nas suas peregrinações pelo nosso paiz. Esta obra, que deveria form ar o "S ertum Orchidacearu m" ou " I conographie des Orchid êes du Brésil " , de que nos falou na "Vello sia" vol, I (2.a edi ção) pago 115, infelizmente, continua in é-

dita,

. Alexandre H ummel, o ardoroso naturali sta que viveu tantos annos no E stado de São P aulo ,

a ponto de identificar-se com os nossos cost umes e

habitos do interior e fazer- se o maior defensor da nossa natureza, - escreveu, egualmente, uma obra sobres as nossas Orchidáceas, e morreu sem vel-a impressa. Emquanto t ão bollos meios de propaganda não foram usados, as derrubadas pro seguiam e os in­ cendios continuavam na faina sinistra de exter­ minar as Orchidáceas. Taes factos sempre nos imp ressiona ram , e, embora não tivessemos esperanças de ver coroado de exito o nosso esforço, combatiamos e trabalha­ vamos com o intuito de conseguir despertar a at ton­

ção e o interesse de nossa gente para estas pla ntas e seu valor.

annos do seu autor.

embóra

tive sse

consumido

grande

'

parte dos.

Dr. Barbo sa Rodrigues, que eonse­ ccll ecção de mais de seiscentos

uma

A creação do Or chidá rio de São Paulo não é,

portanto, obra sem justifi cativa nem prematura, mas o cumprimento do desejo de muitos na turalis­ tas, uma necessidade imperiosa e ur gente, que se recommenda pelos seus nobres e altruisticos fins. Conforme dissemos no pr ólogo, a fundação do Orchid ário de São P aulo é um aconteciment o que marcará uma época na nossa historia.

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ypos: a prim eir a, á direita, da tr ibu Ophrldioideae, subtr. Habenarieae, e a seg und a,
es querd a da tr ib o Polychondreae, subtribo Spirantheae. Am uas d e terren os h umidos .

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52

EUe torna-se tanto mais merec edor da nossa sympathia e collaboração, quando se sabe que não se destina exclusivamente á cultura e protecção das Orchidáceas, mas á propaganda e domestica­ gem de todas as espécies vegetaes decorativas de nossa flora indigen a. NelIe poderá o publico en­ contrar - de ora avante - o quanto necessário para compenetrar-se da superioridade dos nossos veget aes sobre as especies exoticas, que vimos cultivando até aqui, com manifesto orgulho. sem desconfiarmos do erro que praticavarnos.

E' possivel que haja indi viduos sceptícos,

soas capazes de enxergarem nesta bella iniciativa

de dinheiros, porq ue ha, effecti­

um desperdicio

pes­

Album de

Orchld. Brasileiras -