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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

IGEO

CCMN DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA

DISCIPLINA DE CARTOGRAFIA NOTAS DE AULA

Professor: Paulo Márcio L. de Menezes

1 - INTRODUÇÃO

1.1 DEFINIÇÕES E CONCEITO DE CARTOGRAFIA

Etimologicamente Cartografia é uma palavra derivada do grego “graphein”, significando

escrita ou descrita e do latim “charta”, com o significado de papel, mostra, portanto uma estreita

ligação com a apresentação gráfica da informação, através da sua descrição em papel. Foi criada em

1839 pelo historiador português Visconde de Santarém, em carta escrita em Paris e dirigida ao

historiador brasileiro Adolfo Varnhagen. Antes do termo ser divulgado e conseqüentemente

consagrado na literatura mundial, usava-se tradicionalmente como referência, o vocábulo

Cosmografia, que significa astronomia descritiva (OLIVEIRA, 1980).

Uma definição simplista pode ser estabelecida, apresentando-a como a “ciência que trata da

concepção, estudo, produção e utilização de mapas” (ONU, 1949). Outras definições, mais complexas

e mais atualizadas fornecem uma visão mais profunda dos elementos, funções e processos que a

compõem, tais como a estabelecida pela Associação Cartográfica Internacional (ICA), em 1973, que a

apresenta como: “A arte, ciência e tecnologia de construção de mapas, juntamente com seus estudos

como documentação científica e trabalhos de arte. Neste contexto mapa deve ser considerado como

incluindo todos os tipos de mapas, plantas, cartas, seções, modelos tridimensionais e globos,

representando a Terra ou qualquer outro corpo celeste”. A mesma ICA em 1991, apresentou uma

nova definição, nos termos seguintes: “ciência que trata da organização, apresentação, comunicação

e utilização da geoinformação, sob uma forma que pode ser visual, numérica ou tátil, incluindo todos

os processos de elaboração, após a preparação dos dados, bem como o estudo e utilização dos mapas

ou meios de representação em todas as suas formas”.

Esta é uma das definições mais atualizadas, incorporando conceitos que não eram citados

anteriormente, mas nos dias atuais praticamente já estão diretamente associados à Cartografia. Ela

extrapola o conceito da apresentação cartográfica, devido à evolução dos meios de apresentação, para

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todos os demais compatíveis com as modernas estruturas de representação da informação. Apresenta o termo geoinformação, caracterizando um aspecto relativamente novo para a Cartografia em concepção, mas não em utilização, pois é uma abordagem diretamente associada à representação e armazenamento de informações. Trata-se, porém, de associar a Cartografia como uma ciência de tratamento da informação, mais especificamente de informações gráficas, que estejam vinculadas à superfície terrestre, sejam elas de natureza física, biológica ou humana. Dessa forma a informação geográfica sempre será a principal informação contida nos documentos cartográficos. Fica também evidenciado, de uma maneira geral, que a Cartografia tem por objetivo o estudo de todas as formas de elaboração, produção e utilização da representação da informação geográfica. Continua a caracterizar a importância do mapa, como uma das principais formas de representação da informação geográfica, incluindo outras formas de representação e aspectos de armazenamento da informação cartográfica, principalmente os definidos por meios computacionais. A utilização de mapas e cartas é um aspecto bastante desconsiderado pelos usuários da Cartografia. Uma grande maioria de usuários utiliza mapas e cartas, sem conhecimentos cartográficos suficientes para obtenção de um rendimento aceitável que o documento poderia oferecer. Geralmente um guia de utilização é desenvolvido, através de manuais distintos ou legendas específicas e detalhadas, destinados a usuários que possuem uma formação cartográfica limitada. Ao usuário, no entanto, cabe uma boa parcela do sucesso de um documento cartográfico, podendo a divulgação e a utilização de um documento cartográfico ser equiparada a um livro. Um documento escrito sem leitores, pode perder inteiramente a finalidade de sua existência e da mesma forma isto pode ser estendido para um mapa, ou seja, um mapa mal lido ou mal interpretado pode induzir a informações erradas sobre os temas apresentados.

1.2. CARTOGRAFIA E GEOGRAFIA: UMA RELAÇÃO IMPORTANTE Face à Geografia, a Cartografia apresenta-se funcionalmente, como uma ferramenta de apoio, permitindo, por seu intermédio, a espacialização de toda e qualquer tipo de informação geográfica. Desta forma, para o geógrafo, é imprescindível o conhecimento dos aspectos básicos da cartografia bem como dos fundamentos de projeto de mapas. O cartógrafo geográfico deve ser distinto de outras áreas de aplicação da Cartografia, pois a sua representação pode ser considerada ao mesmo tempo como ferramenta e, ao mesmo tempo, produto do geógrafo (DENT, 1999). O geógrafo, como cartógrafo, deve perceber a perspectiva espacial do ambiente geobiofísico, tendo a habilidade de abstraí-lo e simbolizá-lo. Deve conhecer projeções e selecioná-las; ter a compreensão das relações de áreas e também conhecimentos da importância da escala na representação final de dados e informações.

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Por outro lado deve ter a capacidade, devido à intimidade com a abstração da realidade e sua representação, de avaliar e revisar o processo, visando facilitar o entendimento por parte do usuário final. É fundamental a sua participação no projeto e produção de mapas temáticos, associando também a representação de outros tipos de informações, tais como sensores remotos. SAUER (1956) sintetiza claramente a importância da Cartografia para o geógrafo, através da seguinte citação:

Mostre-me um geógrafo que não necessite deles (mapas) constantemente e os queira ao seu redor e eu terei minhas dúvidas se ele fez a correta escolha em sua vida. O mapa fala através da barreira da linguagem. (SAUER, 1956).

1.3 - COMUNICAÇÃO CARTOGRÁFICA A Cartografia é, em princípio, um meio de comunicação gráfica, exigindo, portanto, como qualquer outro meio de comunicação (escrita ou oral), um mínimo de conhecimentos por parte daqueles que a utilizam. A linguagem cartográfica é praticamente universal: um usuário com uma boa base de conhecimentos será capaz de traduzir satisfatoriamente qualquer documento cartográfico, seja sob qual forma esteja se apresentando. Considerando-se a Cartografia como um sistema de comunicação, pode-se verificar que a fonte de informações é o mundo real, codificado através do simbolismo do mapa, sendo que o vetor entre a fonte e o mapa é caracterizado pelo padrão gráfico bidimensional estabelecido pelos símbolos.

SISTEMA CARTOGRÁFICO

Mundo Real Fonte
Mundo
Real
Fonte

Concepção

Cartográfica

Tratamento

Real Fonte Concepção Cartográfica Tratamento MAPA USUÁRIO Apresentação Utilização Sistema de
MAPA USUÁRIO Apresentação Utilização
MAPA
USUÁRIO
Apresentação
Utilização

Sistema de Comunicação Cartográfica

Figura 1.1 - Sistema de Comunicação Cartográfica Na realidade, de uma forma simplificada, o sistema de informação está restrito ao mundo real, ao cartógrafo e ao usuário, gerando três realidades distintas, como se fossem conjuntos separados. Quanto maior a interseção destas três realidades, mais se aproxima o mapa ideal para a representação de um espaço geográfico em qualquer dos seus aspectos.

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REALIDADE Realidade Realidade do do Cartógrafo Usuário
REALIDADE
Realidade
Realidade
do
do
Cartógrafo
Usuário

MUNDO REAL

Figura 1.2 - Mapa Ideal

O modelo de comunicação cartográfica envolve então, em uma forma simplista, quatro elementos distintos: o cartógrafo ou o elemento de concepção, o mapa juntamente com o tema e o usuário. Uma pergunta pode descrever todo este modelo como um todo: “Como eu posso descrever o que para quem?”. Eu, refere-se ao cartógrafo (elaborador), como ao mapa, o que ao tema e para quem ao usuário. O modelo pode ser apreciado pela figura 3.

COMUNICAÇÃO CARTOGRÁFICA

Tema do (O que) MAPA (Como)
Tema do
(O que)
MAPA
(Como)
Cartógrafo

Cartógrafo

Cartógrafo
Cartógrafo
Usuário (Para que?)
Usuário
(Para que?)

Modelo Simples

Figura 1.3 - Modelo Simples de Comunicação Cartográfica

Por outro lado, podem ser descritos, segundo esses conceitos, os ciclos de comunicação da informação cartográfica que podem ser alcançados no processo:

- Ciclo ideal da comunicação cartográfica

Cartógrafo
Cartógrafo

Leitura e

Interpretação

Mundo Real
Mundo Real
Decodifica
Decodifica

Mapa

4 Leitura e

Interpretação

Mundo Real Decodifica Mapa 4 Leitura e Interpretação Usuário Ciclo Ideal da Comunicação Cartográfica
Usuário
Usuário

Ciclo Ideal da Comunicação Cartográfica

Figura 1.4 - Esquema do ciclo ideal da comunicação cartográfica

Aqui o cartógrafo faz a leitura e interpretação do mundo real, codificando as informações para o documento de comunicação, o mapa. O usuário por sua vez, sem contato com o mundo real, apenas com o documento, vai fazer a leitura e interpretação das informações contidas no mapa para que, ao

decodificá-las, possa reconstituir o mundo real. Este tipo de ciclo não é alcançado na maioria das vezes. Consegue-se uma aproximação através de fotomapas ou ortofotocartas, dependendo ainda do tipo de informação que se vai veicular.

- Ciclo de Comunicação Cartográfica Real Cartógrafo-Usuário

Mundo Real Leitura e Interpretação
Mundo Real
Leitura e
Interpretação
Criação Cartógrafo Visão do Cartógrafo Leitura e Interpretação Mapa Usuário Codifica Decodifica
Criação
Cartógrafo
Visão do Cartógrafo
Leitura e
Interpretação
Mapa
Usuário
Codifica
Decodifica

Ciclo de Comunicação Cartográfica Ideal Cartógrafo-Usuário

Figura 1.5 - Esquema do ciclo real entre cartógrafo e usuário

Este modelo mostra que na leitura e interpretação pelo cartógrafo do mundo real, na realidade

ele criará um modelo segundo a sua visão, só passando a sua codificação para o mapa após a elaboração dessa visão própria. Segundo o usuário agora, a leitura e interpretação dessa informação vai permitir, no máximo, que se chegue até a visão do cartógrafo do mundo real. Não se consegue chegar ao mundo real, porém alcança-se a comunicação, com o sucesso do usuário em decodificar o mundo real na visão do cartógrafo.

- Ciclo de Comunicação Falho

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Mundo Real
Mundo Real

Leitura e

Interpretação

Mundo Real Leitura e Interpretação Criação Cartógrafo Visão do Cartógrafo Leitura e Interpretação Usuário
Mundo Real Leitura e Interpretação Criação Cartógrafo Visão do Cartógrafo Leitura e Interpretação Usuário
Criação Cartógrafo Visão do Cartógrafo Leitura e Interpretação Usuário Mapa Codifica
Criação
Cartógrafo
Visão do Cartógrafo
Leitura e
Interpretação
Usuário
Mapa
Codifica
Visão do Usuário Decodifica
Visão do Usuário
Decodifica

Ciclo Falho de Comunicação Cartográfica Cartógrafo-Usuário

Figura 1.6 - Esquema do ciclo falho de comunicação.

Neste esquema, o usuário não consegue, no processo leitura, interpretação e posterior decodificação da informação transmitida pelo mapa, chegar à visão do mundo real definida pelo cartógrafo. É criada uma outra visão, agora definida pelo usuário, segundo a qual ele vê o mundo real. Neste processo, as distorções de visão tanto podem ser do cartógrafo, que não soube codificar a sua visão do mundo real no mapa, como também do usuário, em não saber como decodificar essas informações. De uma ou outra maneira, aqui a comunicação cartográfica não é alcançada.

1.4- HISTÓRICO DA CARTOGRAFIA

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O histórico da Cartografia é tão extenso quanto a própria história da humanidade. Não se sabe quando o primeiro “cartógrafo” elaborou o primeiro mapa. Não há dúvidas, porém, que este seria uma representação bastante bruta em argila, areia ou desenhada em uma rocha.

bastante bruta em argila, areia ou desenhada em uma rocha. Figura 1.7 a Mapa de Ga-Sur

Figura 1.7 a Mapa de Ga-Sur

Sur

ou desenhada em uma rocha. Figura 1.7 a Mapa de Ga-Sur Sur 1.7 b Interpretação do

1.7 b Interpretação do Mapa de Ga-

Na Antiguidade, um dos mapas mais antigos conhecidos, data de aproximadamente 2500 AC, mostrando montanhas, corpos d`água e outras feições geográficas da Mesopotâmia, gravadas em tábuas de argila, como os mapas de Ga-Sur, mostrados na figura 1.7 a e b. Datam desta época também mapas com a mesma estrutura, do vale do Rio Eufrates e do Rio Nilo, conforme pode ser apreciado nas figuras 1.8 a e b.

Rio Nilo, conforme pode ser apreciado nas figuras 1.8 a e b. Fig 1.8 a Mapa
Rio Nilo, conforme pode ser apreciado nas figuras 1.8 a e b. Fig 1.8 a Mapa

Fig 1.8 a Mapa em papiro do Rio Eufrates e sua interpretação (b)

Aos fenícios são atribuídas as primeiras cartas náuticas, que serviam de apoio à navegação, bem como as primeiras sondagens e levantamentos do litoral.

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Na Grécia, à época de Aristóteles (384-322 AC), a Terra já era reconhecida como esférica pelas evidências da diferença da altura de estrelas em diferentes lugares, do fato das embarcações aparecerem “subindo o horizonte” e até mesmo pela hipótese de ser a esfera a forma geométrica mais perfeita. Por volta de 200 AC, o sistema de latitude e longitude e a divisão do círculo em 360já eram bem conhecidos e utilizados na representação terrestre. Estimativas do tamanho da Terra foram realizadas por Eratóstenes (276-195 AC) e repetido por Posidonius (130-50 AC), através da observação angular do Sol e estrelas.

Polo Norte 5000 st Trópico de Cancer Alexandria 7 o 12’ SOL Equador 7 o
Polo Norte
5000 st
Trópico de Cancer
Alexandria
7
o 12’
SOL
Equador
7
o 12’
Syene
Vertical

Figura 1.9 O processo de Eratóstenes

O processo de Eratóstenes consistiu em medir a diferença da vertical do Sol ao longo do meridiano que unia Alexandria a Syene (atual Aswan). Sabendo-se que a distância entre as duas cidades, aproximadamente 5000 estádias (onde 1st = 185m), verificou-se a diferença angular entre a posição do Sol nas duas cidades, no mesmo horário, equivalia a 712’, aproximadamente 1/50 do círculo completo. Assim tem-se como o valor da circunferência terrestre cerca de 46250 km, um valor apenas 15% maior do que o real, o que para os métodos da época, é bastante razoável. Eratóstenes, no entanto, também errou por duas razões: a distância entre as duas cidades não era exatamente de 5000 st, nem as duas cidades estavam situadas no mesmo meridiano. Caso isto tivesse ocorrido, o seu erro estaria apenas em torno de 2% da medida real! Pelas referências existentes, os mapas eram documentos de uso corrente para os gregos, como pode ser verificado pela edição de 26 mapas, trabalhados por Claudius Ptolomeu (90-160 DC), em seu tratado simplesmente intitulado GEOGRAFIA, reproduzido bem mais tarde.

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Os romanos interessavam-se pela Cartografia apenas com fins práticos: cartas administrativas de regiões ocupadas e representações de vias de comunicação, como pode ser observado nas tábuas de PEUTINGER.

Figura 1.10 - Tábua de Peutinger - Arábia

de PEUTINGER. Figura 1.10 - Tábua de Peutinger - Arábia Na Idade Média, como praticamente ocorreu

Na Idade Média, como praticamente ocorreu em toda a humanidade, há um retrocesso no desenvolvimento da Cartografia. Existem poucas referências, e as que existem carecem de qualquer base científica. São apenas esboços e croquis desprovidos de beleza e funcionalidade. Os de melhor representação são devido aos árabes. Os europeus são pobres, sem nenhuma base científica. Com o Renascimento inicia-se também o ciclo das grandes navegações. As descobertas marítimas dos Escandinavos não acrescentam nenhum material novo ao conhecimento do mundo, exceto a descoberta da bússola a partir do século XIII. Ao fim da Idade Média e início da Moderna, surgem os PORTULANOS, cartas com a posição dos portos de diferentes países, bem como indicação do Norte e Sul (Rosa dos Ventos), voltadas para a navegação e comércio. As cartas passam a ser artisticamente desenhadas, surgindo a impressão das primeiras cartas com Gutemberg, em 1472 (Etmologia de Isidoro de Sevilha / 1560 - 1632). Desenvolve-se neste período um sistema de projeção cartográfica, para aplicações náuticas, até hoje em uso, devido a Gerhardt Kremer dit Mercator. Deve-se a Abraham Oertel dit Ortelius (1527 - 1598) a edição do primeiro ATLAS em 1570 sob o nome de THEATRUM ORBIS TERRARUM, compilando-se mapas antigos. A Idade Moderna trás com a política de expansão territorial e colonial a necessidade de conhecimentos mais precisos das regiões. Surgem as primeiras triangulações no século XVIII com os franceses e italianos, estabelecendo-se um modelo matemático geométrico perfeito de representação terrestre.

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Cassini desenvolve o primeiro mapa da França, com auxílio da astronomia de posição (escala de 1/86 400), em 1670.

Os processos de cálculo, desenho e reprodução são aprimorados. Nomes como Clairout, Gauss,

Halley, Euler desenvolvem a base matemática e científica da representação terrestre. Utiliza-se correntemente, a partir desta época, a Topografia, Geodésia e Astronomia de precisão nos desenvolvimentos de mapas.

Os sistemas transversos de Mercator, aperfeiçoados por Gauss e Krüger são criados e aplicados

no mapeamento da Alemanha.

Os mapas militares passam a ter uma necessidade de precisão crescente, devido aos avanços da

artilharia. No século XX, muitos fatores ajudam a promover uma aceleração acentuada no

desenvolvimento da Cartografia. Pode-se incluir o aperfeiçoamento da litografia, a invenção da fotografia, da impressão a cores, o incremento das técnicas estatísticas, o aumento do transporte de massas.

A invenção do avião foi significante para a Cartografia. A junção da fotografia com o avião

tornou possível o desenvolvimento da fotogrametria, ciência e técnica que permite o rápido mapeamento de grandes áreas, através de fotografias aéreas, gerando mapas mais precisos de grandes

áreas, a custos menores que o mapeamento tradicional. Desenvolvem-se técnicas de apoio que incrementam a sua utilização. Surgem os equipamentos eletrônicos para determinação de distâncias, aumentando a precisão das observações, assim como a rapidez na sua execução.

O emprego de técnicas de fotocartas, ortofotocartas e ortofotomapas geram documentos

confiáveis e de rápida confecção.

A utilização de outros tipos de plataformas imageadoras para a obtenção da informação

cartográfica, tais como radares (RADAM, SLAR), satélites artificiais imageadores (LANDSAT, TM, SPOT e IKONOS), satélites RADAR (RADARSAT) vêm modernamente revolucionando as técnicas de informação cartográfica para o mapeamento, abrindo novos e promissores horizontes, através de

documentos tanto confiáveis como de rápida execução.

1.5 - O CAMPO DE ATUAÇÃO DA CARTOGRAFIA Pelo histórico apresentado, é fácil ver que a Cartografia é uma atividade bastante antiga, porém pode-se perfeitamente delimitar aplicações específicas ao longo da sua história. Inicialmente como apoio às explorações, especialmente os mapas de navegação e aplicação comercial. Poucas eram as aplicações que fugiam a esses objetivos. Por outro lado eram poucos os que se dedicavam à elaboração e construção de mapas, isto no decorrer de séculos, praticamente até o século XIX.

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No decorrer do século XIX e início do século XX, conforme o aumento da demanda de mapas

para fins mais específicos, foram criadas instituições que se dedicam exclusivamente à elaboração de cartas e mapas, tanto com propósitos gerais, como com propósitos definidos. Hoje em dia a maior parte dos países possuem organizações governamentais dedicadas à construção de cartas, com as mais diversas finalidades. Existem outras organizações, públicas e privadas, com finalidades semelhantes, para atuação cartográfica apenas nas suas áreas específicas. Os avanços técnicos nos processos de construção de cartas, a necessidade crescente de informação georreferenciada, tanto para a educação, pesquisa, como apoio para tomada de decisões, a nível governamental ou não, caracteriza o mapa como uma ferramenta importante, tanto para análise de informações, como para a sua divulgação, em quaisquer áreas que trabalhem com a informação distribuída sobre a superfície terrestre. Dividir a Cartografia em áreas de aplicação é tão difícil quanto classificar os tipos de cartas e mapas. Normalmente usa-se caracterizar duas classes de operações para a Cartografia:

- preparação de mapas gerais, utilizados para referência básica e uso operacional. Esta categoria inclui mapas topográficos em grande escala, cartas aeronáuticas hidrográficas.

- preparação de mapas usados para referência geral e propósitos educacionais e pesquisa. Esta

categoria inclui os mapas temáticos de pequena escala, Atlas, mapas rodoviários, mapas para uso em

livros, jornais e revistas e mapas de planejamento. Dentro de cada categoria existe uma considerável especialização, podendo ocorrer nas fases de levantamento, projeto, desenho e reprodução de um mapa topográfico.

A primeira categoria trabalha inicialmente a partir de dados obtidos por levantamentos de

campo ou hidrográficos, por métodos fotogramétricos ou de sensores remotos. São fundamentais as considerações sobre a forma da Terra, nível do mar, cotas de elevações, distâncias precisas e informações locais detalhadas. Utilizam-se instrumentos eletrônicos e fotogramétricos complexos e o sensoriamento remoto tem peso importante na elaboração dos mapas. Este grupo inclui as organizações governamentais de levantamento. No Brasil são as seguintes:

- Fundação IBGE

- Diretoria de Serviço Geográfico

- Diretoria de Hidrografia e Navegação

- Instituto de Cartografia Aeronáutica

A outra categoria, que inclui a Cartografia Temática, trabalha basicamente com os mapas

elaborados pelo primeiro grupo, porém está mais interessada com os aspectos de comunicação da

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informação geral e a delineação gráfica efetiva dos relacionamentos, generalizações e conceitos geográficos. O domínio específico do assunto pode ser extraído da História, Economia, Planejamento

Urbano e Rural, Sociologia, Engenharias e outras tantas áreas das ciências físicas e sociais, bastando que exista um georeferenciamento, ou seja, uma referência espacial para a representação do fenômeno. Órgãos que no Brasil dedicam-se à elaboração de mapas temáticos:

- Fundação IBGE

- DNPM / CPRM - Mapas geológicos

- EMBRAPA - solos, uso de solos, pedologia

- Institutos de Terras - planejamento rural

- Governos Estaduais e Municipais (incipiente)

- DNER - mapas rodoviários

1.6 DEFINIÇÃO DE MAPA 1.6.1 CONCEITOS E DEFINIÇÕES O termo mapa é utilizado em diversas áreas do conhecimento humano como um sinônimo de um modelo do que ele representa. Na realidade deve ser um modelo que permita conhecer a estrutura do fenômeno que se está representando. Mapear então, pode ser considerado mais do que simplesmente interpretar apenas o fenômeno, mas sim se ter o próprio conhecimento do fenômeno que se está representando. A Cartografia vai fornecer um método ou processo que permitirá a representação de um fenômeno, ou de um espaço geográfico, de tal forma que a sua estrutura espacial será visualizada, permitindo que se infira conclusões ou experimentos sobre a representação (KRAAK & ORMELING, 1996). Os mapas podem ser considerados para a sociedade tão importantes quanto a linguagem escrita. Caracterizam uma forma eficaz de armazenamento e comunicação de informações que possuem características espaciais, abordando tanto aspectos naturais (físicos e biológicos), como sociais, culturais e políticos.

1.6.1.1 Conceito de Mapa A apresentação visual de um mapa pode variar de uma forma altamente precisa e estruturada, até algo genérico e impressionista, como um esboço ou croquis. Devido a esta variedade de representações, não é fácil definir o termo MAPA, muito embora o seu significado seja claro em todos os contextos.

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Por outro lado, a palavra “mapa” possui algumas características significantes restritivas, seja qual for a forma que se apresente:

- A representação é dimensionalmente sistemática, uma vez que existe um relacionamento matemático entre os objetos representados. Este relacionamento, estabelecido entre a realidade e a representação, é denominado escala.

- Um mapa é uma representação plana, ou seja, esta sobre uma superfície plana. Uma exceção é a representação em um globo.

- Um mapa pode mostrar apenas uma seleção de fenômenos geográficos, que de alguma

forma foram generalizados, simplificados ou classificados. É diferente de uma fotografia

ou imagem, que exibe tudo que afetou a emulsão do filme ou foi captado pelo sensor.

O conceito de mapa é caracterizado como uma representação plana, dos fenômenos sócio-bio- físicos, sobre a superfície terrestre, após a aplicação de transformações, a que são submetidas as informações geográficas (MENEZES, 1996). Por outro lado um mapa pode ser definido também como uma abstração da realidade geográfica e considerado como uma ferramenta poderosa para a representação da informação geográfica de forma visual, digital ou tátil (BOARD, 1990). Para a Geografia é também indiscutível a importância da forma de representação da informação geográfica, em essência dos mapas e da Cartografia. Através deles o geógrafo pode representar todos os tipos de informações geográficas, bem como da estrutura, função e relações que ocorram entre elas. Pela caracterização de sua aplicação em quaisquer campos do conhecimento que permitam vincular a informação à superfície terrestre. Dentro da divisão da Cartografia, um dos cartógrafos temáticos é o geógrafo por excelência, tanto por ser a Geografia a ciência mais integrativa dentro do conhecimento humano, como por ter a necessidade de visualizar os relacionamentos entre conjuntos de informações que isoladamente não permitem quaisquer conclusões.

1.6.1.2 Definição de Mapa As definições de mapas, com ligeiras diferenças, englobam um núcleo comum, que uma vez caracterizado, não deixa nenhuma margem de dúvida sobre seus objetivos e abrangência. Este núcleo envolve as informações que serão representadas, as transformações à que estarão sujeitas, para que possam ser representadas por alguns dos possíveis meios gráficos de visualização. De 1708, por exemplo, tem-se a definição devida a Harris (1708, apud ANDREWS, 1998), definindo mapa como “uma descrição da Terra, ou uma parte de sua área, projetada sobre uma superfície plana, descrevendo a forma dos países, rios, situação das cidades, colinas, florestas e outras feições”.

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Outra definição, de 1736, estabelece que um mapa “é uma figura plana, representando diversas partes da superfície terrestre, de acordo com as leis da perspectiva ou projeção da superfície do globo ou parte dele em um plano, descrevendo os diversos países, ilhas, mares, rios, com a situação das cidades, florestas, montanhas, etc. Mapas universais, são os que exibem toda a superfície terrestre, ou os dois hemisférios; mapas particulares exibem uma porção definida da superfície terrestre”, (BAILEY, 1736, apud ANDREWS, 1998)). Em 1896, a Enciclopédia Concisa Cassel (1896, apud ANDREWS, 1998)), definiu mapa como “a delineação de uma porção da superfície terrestre sobre papel ou outro material similar, mostrando os tamanhos proporcionais, formas e posições de lugares”. Para estabelecer um padrão comparativo entre as definições dos séculos XVIII e XIX, são apresentadas as definições devido a dois cartógrafos e uma instituição cartográfica americana. A primeira, estabelecida por Robinson (1995), diz que “mapa é a representação gráfica de conjuntos geográficos”. O USGS (United States Geological Survey) define mapa como “a representação da Terra ou parte dela”, uma definição bastante simplista, mas de conteúdo bastante extenso. Umas das mais modernas definições é devida à Thrower (1996), dizendo que um mapa “é uma representação usualmente sobre uma superfície plana, de toda ou uma parte da superfície terrestre, mostrando um grupo de feições, em termos de suas posições e tamanhos relativos” . A definição formal de mapa, aceita e difundida pela Sociedade Brasileira de Cartografia, estabelece como a representação cartográfica plana dos fenômenos da sociedade e da natureza, observados em uma área suficientemente extensa para que a curvatura terrestre não seja desprezada e algum sistema de projeção tenha que ser adotado, para traduzir com fidelidade a forma e dimensões da área levantada(SBC, 77).

1.6.1.3 Classificação dos Mapas Classificar os mapas em categorias distintas é uma tarefa quase impossível devido ao número ilimitado de combinações de escalas, assuntos e objetivos. Existem tentativas de classificações, que permitem agrupar mapas segundo algumas de suas características básicas, não existindo porém um consenso com respeito à essas classificações. Nesse contexto serão apresentadas aqui as classificações que melhor estão adaptadas para este trabalhos. Algumas destas classificações são conclusões oriundas de aglutinações e combinações de diversos autores. Inicialmente a própria divisão da Cartografia já fornece uma divisão formal, pela função exercida pelos mapas. Encontram-se assim os mapas de referência ou de base e os mapas temáticos, possuindo as características e funções já descritas na divisão da Cartografia.

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Quanto à escala de representação, os mapas podem ser classificados em: muito pequena, pequena, média, grande e muito grande. Alguns autores (ROBINSON, 1995; BAKKER, 1965) dividem apenas em três grandes grupos: pequena, média e grande. ë difícil porém estabelecer o limiar de cada escala. O conceito de grande, médio e pequeno é bastante subjetivo e esta associação à um valor numérico de escala é definida para estabelecer uma referência ao tamanho relativo dos objetos representados. Também é possível classifica-los segundo características globais, regionais e locais, mas também encontra-se outro conceito bastante subjetivo, gerando polêmicas quando de sua associação à escalas numéricas (ROBINSON, 1995; MENEZES, 1996; BAKKER, 1965). Para a primeira classificação citada, vincula-se a seguinte associação de escalas (tabela 3.1):

Tabela 3.1 Classificação dos Mapas segundo Escala de Representação

 

Escalas

Classificação

< 1:5 000 000

muito

Globais

pequena

1:

5 000

000 – 1:250

pequena

Geográficas

000

1: 250 000 – 1: 50 000

média

Topográficas

1: 50 000 – 1: 5 000

grande

Cadastrais

> 1: 5000

 

muito grande

Plantas

Define-se ainda como plantas, os mapas caracterizadas por escalas grandes e muito grandes. São mapas locais e normalmente não exigem métodos geodésicos para sua elaboração, utilizando a topografia para a sua elaboração, envolvendo apenas transformações de escala. Podem ser definidas como: a representação cartográfica plana, dos fenômenos da natureza e da sociedade, observados em uma área tão pequena que os erros cometidos nessa representação, desprezada a curvatura da Terra, são negligenciáveis(SBC, 77). É comum a referência ao termo carta para referenciar um mapa. Procurando fornecer um conceito e não uma definição formal, os mapas são caracterizados por representar um todo geográfico, podendo estar em qualquer escala, seja ela grande, média ou pequena. Por exemplo: mapa de Minas Gerais na escala 1: 2 500 000; Mapa do Brasil em escala 1:5 000 000, mapa da Ilha do Fundão na escala 1: 10 000, mapa do Maciço da Tijuca na escala 1: 5 000. A carta por sua vez é caracterizada por representar um todo geográfico em diversas folhas, pois a escala de representação não permite a sua representação em uma única folha. Como exemplos, podem ser citadas as escalas de mapeamento sistemático do Brasil, caracterizando diversas cartas de representação: Carta do Brasil em 1:100 000, 1:250 000, carta do Município do Rio de Janeiro em escala 1: 10 000. O conjunto de todas as folhas caracteriza a carta, ou seja, a representação do todo geográfico que se deseja mapear.

1.6.1.4 Meios e Mídias de Apresentação de Mapas

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Até o início da década de 80, os mapas em papel eram considerados um dos poucos meios

cartográficos de representação e armazenamento da informação geográfica, além de ser o produto final de apresentação desta mesma informação. O desenvolvimento tecnológico ampliou a capacidade de representação e armazenamento da informação, incorporando conceitos de exibição de mapas em telas gráfica de monitores de vídeo, mapas voláteis, bem como caracterizando os meios magnéticos de armazenamento da informação, tais como: CD-ROM, discos rígidos, fitas magnéticas, disquetes, etc, como uma forma numérica de representação. Os mapas em papel possuem uma característica analógica, sendo uma forma de representação permanente da informação, definindo um modelo de dados e armazenamento, como também um modelo de transferência da informação para os usuários (CLARKE, 1995). Os mapas apresentados em telas gráficas correspondem àqueles que possuem uma capacidade de visualização temporária da informação, sendo a transferência estabelecida segundo a vontade ou a necessidade de ser visualizada. A sua visualização também pode se dar através de cópias em papel, neste caso assumindo a característica de visualização dos mapas em papel. São muitas vezes denominados como mapas ou cartas eletrônicas. Sob esse enfoque, os mapas podem ser classificados segundo seus atributos de visibilidade e tangibilidade, (MOELLERING, 1980; CROMLEY, 1992; KRAAK, 1996):

- Mapas analógicos ou reais, de características permanentes, diretamente visíveis e tangíveis, tais como os mapas convencionais em papel, as cartas topográficas, atlas, ortofotomapas, mapas tridimensionais, blocos-diagramas. Existe uma característica da informação ser permanente, não podendo ser atualizada, a não ser por processos de construção de novo mapa.

- Mapas virtuais do tipo I, diretamente visíveis, porém não tangíveis e voláteis, ou seja, não permanentes, como a representação em um monitor de vídeo e mapas cognitivos. Neste caso apenas a visualização não é permanente. A informação porém possui os mesmos problemas de atualização.

- Mapas virtuais do tipo II, aqueles que não são diretamente visíveis, porém possuem características analógicas e permanentes como meio de armazenamento da informação. Como exemplos, pode-se citar os modelos anaglifos de qualquer espécie, dados de campo, hologramas armazenados, CD- ROM, laser-disc, discos e fitas magnéticas etc. A informação contida só poderá ser modificada através de processos completos de atualização.

- Mapas virtuais do tipo III, têm características não visíveis e não permanentes, podendo-se incluir nesta classe a memória, animação em vídeo, modelos digitais de elevação (inclusos aqui os modelos digitais de terreno) e mapas cognitivos de dados relacionais geográficos.

16

Ainda pode-se incluir uma quinta categoria, descrevendo os mapas que podem ser considerados

dinâmicos. Nesta categoria algumas distinções poderão ser ainda serem tratadas (MENEZES, 1996; PETERSON, 1998):

- Mapas que apresentam dinamismo das informações, mais precisamente representando fluxos, movimentos ou desenvolvimentos temporais de um dado tipo de informação;

- Mapas animados, que apresentam as mesmas características dos mapas anteriores, porém mostrando o dinamismo em seqüências animadas. São de características tipicamente computacionais.

- Mapas dinâmicos em tempo real, que por serem associados à sensores que fornecem a informação

em tempo real, têm a capacidade de associa-la e representa-la praticamente ao mesmo tempo da recepção. Segundo essa abordagem, os mapas podem ser vistos como um modelo de apresentação gráfica da realidade geográfica.

O Brasil está enquadrado na Carta do Mundo ao Milionésimo. A partir deste enquadramento

foram estabelecidas as cartas de mapeamento sistemático. O quadro abaixo fornece as escalas, o

número de folhas de cada escala

   

Nde Folhas

 

Escala

NTotal de Folhas

Executadas

% Mapeada

1/ 1 000 000

46

46

100,00

1/ 500 000

154

68

44,00

1/ 250 000

556

529

95,1

1/ 100 000

3049

2087

68,4

1/ 50 000

11928

1641

13,7

1/ 25 000

47712

548

1,2

1.7- DIVISÃO DA CARTOGRAFIA Modernamente a Cartografia pode ser dividida em dois grandes grupos de atividades (TYNER, 1992; DENT, 1999)

- de propósito geral ou de referência

- de propósito especial ou temática

O primeiro grupo trata da cartografia definida pela precisão das medições para confecção dos

mapas. Preocupa-se com a chamada cartografia de base. Procura representar com perfeição todas as

feições de interesse sobre a superfície terrestre, ressalvando apenas a escala de representação. Tem por base um levantamento preciso e normalmente utilizam como apoio, a fotogrametria, a geodésia e topografia. Seus produtos são denominados mapas gerais, de base ou de referência.

O segundo grupo de atividades de mapeamento depende do grupo anteriormente citado. Mapas

de ensino, pesquisa, atlas e mapas temáticos, bem como mapas de emprego especial, enquadram-se nessa categoria. Estes mapas são denominados mapas de temáticos.

17

Os mapas temáticos podem representar também feições terrestres e lugares, mas não são definidos diretamente dos trabalhos de levantamentos básicos. São compilados de mapas já existentes (bases cartográficas), que servirão de apoio à todas as representações. Distinguem-se essencialmente dos mapas de base, por representarem fenômenos quaisquer, que sejam geograficamente distribuídos, discreta ou continuamente sobre a superfície terrestre. Estes fenômenos podem ser tanto de natureza

física, como por exemplo a média anual de temperatura ou precipitação sobre uma área, ou de natureza abstrata, humana ou de outra característica qualquer, tal como a taxa de natalidade de um país, condição social, distribuição de doenças, entre outros. Estes mapas dependem de dados reunidos através de fontes diversas, tais como informações censitárias, publicações industriais, dados governamentais, pesquisa local, etc.

A exigência principal para que um fenômeno qualquer possa ser representado em um mapa, é a

associação da distribuição espacial ou geográfica. Em outras palavras, deve ser conhecida e perfeitamente definida a sua ocorrência sobre a superfície terrestre. Este é o elo de ligação entre o fenômeno e o mapa. Assim, qualquer fenômeno que seja espacialmente distribuído, é passível de ter representada a sua ocorrência sobre a superfície terrestre através de um mapa. Um fenômeno assim caracterizado é dito como georreferenciado. Quanto à natureza a Cartografia pode ser dividida em:

- Topográfica

- Temática

- Especial

A Topográfica se propõe a representar os aspectos físicos da superfície terrestre. Enquadram-se

todas as cartas topográficas. Normalmente serve de base à múltiplos usuários. ë incluído aqui todo o mapeamento sistemático, identificando-se com os mapas de propósito geral ou de referência A Cartografia Temática, já explanado os seus objetivos, pode ser dividida três sub-classes (GUÉNIN, 1972; BÉGUIN & PUMAIN, 1994):

- Inventário

- Estatística ou Analítica

- Síntese

A Cartografia Temática de Inventário é definida através de um mapeamento qualitativo. Possui

uma característica discreta, realizando apenas a representação posicional da informação no mapa. Normalmente estabelecida pela superposição ou justaposição, exaustiva ou não, de temas, permite ao usuário saber o que existe em uma área geográfica.

A Cartografia Analítica é eminentemente quantitativa, mostrando a distribuição de um ou mais

elementos de um fenômeno, utilizando para isso informações oriundas de dados primários, com as

18

modificações necessárias para a sua visualização. De uma forma geral ela classifica, ordena e hierarquiza os fenômenos a representar. A Cartografia de Síntese é a mais complexa e a mais elaborada de todas, exigindo um profundo conhecimento técnico dos assuntos a serem mapeados. Integrativa por excelência, exige o concurso de várias especialidades integradamente. Representa a integração de fenômenos, feições, fatos ou

acontecimentos que se interligam através da distribuição espacial. Permite que se desenvolva um aspecto analítico, para estabelecer um estudo conclusivo-analítico sobre a integração e interligação dos fenômenos que estejam sendo estudados.

A Cartografia Temática de caráter especial é destinada a objetivos específicos, servindo

praticamente a um único tipo de usuário. Por exemplo a definida por mapas e cartas náuticas, aeronáuticas, sinóticas, de pesca entre outras.

O mapeamento temático trata muitas vezes de fenômenos que não necessitam de um

posicionamento preciso, pelo tipo de ocorrência do fenômeno, como por exemplo um mapa

pedológico. Deve haver porém a preocupação com uma correta apresentação da ocorrência da sua distribuição, necessitando para isso de uma base cartográfica com precisão compatível às suas necessidades. Não se pode confundir precisão da base cartográfica com a precisão do fenômeno a representar.

A preparação de uma apresentação eficaz, requer uma visão crítica dos dados a serem

mapeados bem como o simbolismo ou convenções que serão utilizadas para representá-los. É

necessário ser considerado para o projetista do mapeamento temático os seguintes aspectos:

- conhecimento profundo dos princípios que fundamentam a apresentação da informação e o projeto da composição gráfica efetiva;

- ter um forte sentido de lógica visual, e uma habilidade especial para escolher as palavras corretas que descreverão o gráfico, o mapa ou o cartograma;

- conhecimento do assunto a ser mapeado, ou estar com uma equipe multidisciplinar.

1.8 INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA x INFORMAÇÃO CARTOGRÁFICA Como já referenciado, a informação geográfica pode ser conceituada como toda aquela, de natureza física, biológica ou social, que possua um relacionamento com um sistema de referência sobre a superfície terrestre. Define-se informação cartográfica como a informação contida em um mapa. Pode ser de natureza estritamente cartográfica, como a rede de paralelos e meridianos, canevá geográfico, pontos cotados, como também, principalmente, as representações das informações geográficas, inclusive as legendas. Em outras palavras, a informação cartográfica representa a informação geográfica, após ter

19

sido submetida a um processo de transformação, o que permitirá que venha a ser representada em um mapa, conforme pode ser observado na figura 3.7.

Mundo Real

Informação Geográfica
Informação Geográfica
Processo de
Processo
de

Transformação

Mapa

Informação

Cartográfica

Figura 3.7 – Esquema representativo da transformação da informação geográfica em cartográfica

As transformações a que as informações geográficas são submetidas, possuem natureza diferenciada, porém todas são inter-relacionadas. São elas:

- Transformações geométricas;

- Transformações projetivas;

- Transformações cognitivas.

As transformações geométricas são caracterizadas por um relacionamento de escala e orientação entre sistemas de referência. As projetivas referem-se às transformações da superfície tridimensional curva da Terra, para a superfície de representação de um mapa, bidimensional plana. As transformações cognitivas, por fim referem-se às transformações do conhecimento da informação, em relação ao que será efetivamente representado no mapa, generalização cartográfica e simbolização cartográfica.

20

2 - O Geóide e o Problema da Representação Cartográfica

2.1 - Introdução

A Geodésia é uma ciência que se ocupa do estudo da forma e tamanho da Terra no aspecto

geométrico e com o estudo de certos fenômenos físicos tais como a gravidade e o campo gravitacional

terrestre, para encontrar explicações sobre as irregularidades menos aparentes da própria forma da Terra. O assunto é intimamente ligado com mapeamento e Cartografia.

A maior parte das evidências sobre a forma e tamanho da Terra é baseada em levantamentos

geodésicos. Por outro lado é necessário se conhecer o tamanho da Terra e sua grandeza, para se poder

representá-la em mapas, em uma escala desejada. Sabe-se que a Terra é um planeta de forma aproximadamente esférica e sobre o qual existem irregularidades da superfície definida pelas terras, mares, montanhas, depressões etc. Estas irregularidades topográficas não representam mais do que uma pequena aspereza da superfície, comparadas ao tamanho da Terra. Considerando-se o raio da Terra com aproximadamente 6.371 Km, a maior cota em torno de 9 Km (Monte Everest) e a maior depressão por volta dos 11 Km (Fossa das Marianas), a representação da Terra como um globo de 6 cm de raio mostra que a variação entre as duas cotas representará apenas 0,2 mm, ou seja, o limite de percepção do olho humano.

A idéia da Terra esférica data da época dos geômetras gregos, em torno de 600 AC. O primeiro

trabalho com embasamento científico foi a experiência clássica de Eratóstenes, definindo as primeiras

dimensões conhecidas para a Terra. Ainda durante o período grego, Aristóteles, através dos estudos sobre os movimentos da Terra, concluiu que deveria haver um achatamento nos pólos. Somente próximo ao fim do século XVII, ISAAC NEWTON demonstrou que a forma esférica da Terra era realmente inadequada para explicar o equilíbrio da superfície dos oceanos. Foi argumentado que sendo a Terra um planeta dotado de movimento de rotação, as forças criadas pelo seu próprio movimento tenderiam a forçar quaisquer líquidos na superfície para o Equador. Newton demonstrou através de um modelo teórico simples que o equilíbrio hidrostático seria atingido, se o eixo equatorial da Terra fosse maior que o seu eixo polar. Isto é, equivalente a um corpo que seja achatado nos pólos.

2.2 - O Geóide

A forma da Terra, na realidade, é única. É definida como um Geóide, que significa a forma

própria da Terra.

21

O geóide é definido pela superfície do nível médio dos mares supostamente prolongado sob os continentes. Assim ele está ora acima, ora abaixo da superfície definida como a superfície topográfica da Terra, ou seja, a superfície definida pela massa terrestre.

A superfície do Geóide (nível médio dos mares) é propriamente definido como sendo uma superfície equipotencial - igual potencial gravitacional -, onde a direção da gravidade é perpendicular a ela em todos os lugares. Devido á variações na densidade dos

elementos constituintes da Terra e também por serem estes irregularmente distribuídos, o Geóide normalmente eleva-se sobre os continentes e afunda nas áreas oceânicas. Isto mostra outras perturbações e depressões com uma variação de 60 m. A significância do Geóide para o mapeamento e a Cartografia é efetiva, uma vez que todas as observações na Terra são realizadas sobre o Geóide. Como o Geóide é irregular, a direção da gravidade não é, em todos os lugares, direcionada para o centro da Terra, e por outro lado, a sua forma não permite uma redução precisa das observações, por não ser matematicamente definido.

Superfície Topográfica Superfície do Elipsóide Superfície do Geóide Superfícies Terrestres
Superfície Topográfica
Superfície do
Elipsóide
Superfície do Geóide
Superfícies Terrestres

2.3 - O Elipsóide ou Esferóide Além das irregularidades causadas pelas variações da densidade terrestre, da distribuição dos elementos componentes da Terra, o Geóide é ainda mais deformado da aproximação de uma esfera, pela existência do movimento de rotação terrestre. Devido à rotação em torno do seu eixo, a Terra incha na área equatorial, enquanto achata-se nos pólos, efetuando o equilíbrio hidrostático da sua massa. A diferença real entre o raio equatorial e o polar é de aproximadamente 23.0 km, sendo o raio equatorial maior que o polar. Para o mapeamento preciso de grandes áreas, tais como o mapeamento geodésico, uma figura regular geométrica deve ser considerada, matematicamente definida, para que os cálculos sejam igualmente precisos. As reduções ao Geóide são inconsistentes devido às diferenças na direção da gravidade. Esta limitação pode ser contornada pela redução ou transferência dos dados para uma figura geométrica que mais se aproxime do Geóide. Esta figura é um elipsóide de revolução, gerada por uma elipse rotacionada em torno do seu eixo menor.

22

A elipse possui dois eixos 2a (eixo maior) e 2b (eixo menor), a e b representam os semi-eixos

maior e menor, respectivamente. b a
maior e menor, respectivamente.
b
a

ELIPSÓIDE DE REVOLUÇÃO

o

achatamento ou a elipticidade é dada pela

A

razão

que

exprime

f = (a

a

b)

expressão:

Para a Terra esse valor é definiido em

torno da razão de 1/300.

Sabe-se que a diferença entre os dois

semi-eixos terrestres é de aproximadamente

11,5 Km, ou seja, o eixo polar é cerca de 23

Km mais curto que o eixo equatorial.

Para uma redução de escala de 1/100.000.000, o que representa a Terra com um raio equatorial

de 6 cm, a diferença para o raio polar será da ordem de 0,2 mm, valor imperceptível, uma vez que é a

largura do traço de uma linha.

Equivale a dizer com o que foi explanado acima, que para pequenas escalas o achatamento é

menor do que a largura das linhas usadas para o desenho, portanto, negligenciável.

Tira-se uma importante conclusão sob o ponto de vista cartográfico, que permite estabelecer a

Terra como esférica para determinados propósitos.

Entretanto deve-se notar que qualquer

tentativa de representar o elipsóide terrestre por

meio de um elipsóide reconhecível, deve envolver

um considerável exagero, uma vez que é

imperceptível a diferença entre os dois semi-

vez que é imperceptível a diferença entre os dois semi- eixos. Isto pode conduzir por sua

eixos.

Isto pode conduzir por sua vez a uma má

interpretação de algumas ilustrações retratando a

geometria do elipsóide.

Como o elipsóide de revolução aproxima-se muito da esfera, é também tratado na literatura

como esferóide. Ambos os termos (elipsóide e esferóide) têm o mesmo significado.

As medições da figura da Terra são desenvolvidas de cinco diferentes formas, determinando

seu tamanho e sua forma:

23

- medição de arcos astro-geodésicos na superfície terrestre; - medições da variação da gravidade na

superfície;

- medição de pequenas perturbações na órbita lunar;

- medição do movimento do eixo de rotação

da Terra em relação às estrelas;

Superfície Física Ondulação Geoidal Geóide Elipsóide Desvio da Vertical
Superfície Física
Ondulação
Geoidal
Geóide
Elipsóide
Desvio da
Vertical

- medição do campo gravitacional terrestre a

partir de satélites artificiais. Estas medições, além de definirem o Geóide pela determinação da sua superfície equipotencial, estabelece o elipsóide melhor adaptado à superfície terrestre, seja ele de âmbito

global ou local. O relacionamento entre o Geóide e o elipsóide indica o desvio da vertical da superfície do Geóide, permitindo determinar as cartas geodésicas, estabelecendo o desnível geoidal (diferença entre o Geóide e o elipsóide em uma dada região). São elaboradas por sua vez mapas geoidais, que mostram esses desníveis entre o geóide e o elipsóide. O elipsóide por sua vez pode ser determinado para adaptar-se a uma região, país ou continente,

ALTITUDE GEOIDAL - Elipsoide WGS 84
ALTITUDE GEOIDAL - Elipsoide WGS 84

evitando a ocorrência de desníveis geoidais muito exagerados. A relação abaixo mostra alguns dos mais de 50 elipsóides existentes no mundo:

Nome

Data

a

b

f

Utilizaçã

24

         

o

Delambre

1810

6376428

6355598

1/311,5

Bélgica

Everest

1830

6377276

6356075

1/300,80

Índia,Burma

Bessel

1841

6377997

6356079

1/299,15

Europa

Central

e

Chile

Airy

1849

6377563

6356257

1/299,32

Inglaterra

Clarke

1866

6378208

6356584

1/294,98

USA

Hayford

1924

6378388

6356912

1/297,0

Mundial

Krasovsky

1940

6378245

6356863

1/298,30

Rússia

Ref. 67

1967

6378160

6356715

1/298,25

Brasil

e

América

do Sul

WGS 84

1984

6378185

6356???

1/298,26

Mundial

levantam

ento

de

satélites

2.4 - A escolha de uma Superfície Adequada de Referência para o Mapeamento O conhecimento da forma e tamanho da Terra é necessário para descrevê-la momentaneamente,

visando as necessidades de mapeamento. O aumento de complexidade do modelo matemático muitas vezes é desnecessário face à magnitude dos valores expressos por um modelo mais simples. Assim, dependendo do objetivo e a significância dessas variações, deve-se considerar a possibilidade da utilização de diferentes superfícies de referência, que descrevam adequadamente a forma e o tamanho da Terra para o propósito que se destina. A superfície terrestre é geometricamente mais complicada que o elipsóide, porém as variações do Geóide não ultrapassam algumas centenas de metros, variações essas que são praticamente negligenciáveis para a maior parte dos levantamentos e para a Cartografia. Pode-se simplificar o problema apresentado e considerar-se três diferentes formas de representar a forma e tamanho da Terra para diferentes propósitos:

- Um plano tangente à superfície terrestre;

- Uma esfera perfeita de raio apropriado;

- Um elipsóide de revolução de dimensões e achatamento adequados.

25

Essas três hipóteses estão listadas em ordem ascendente de refinamento, assim um elipsóide adequado representa melhor a forma da Terra do que uma esfera de raio equivalente. Estão também ordenados em ordem crescente de dificuldade matemática. As formulações necessárias para definir posições; para estabelecer as relações entre ângulos e distâncias sobre um plano, são muito mais simples do que as definições para uma superfície curva de uma esfera, que por sua vez são mais simples do que as formulações estabelecidas para um elipsóide.

2.4.1 - A Superfície Plana de Representação Pode parecer um retrocesso assumir a Terra com uma representação plana. Esta representação é no entanto, muito útil por assumir simplificações que facilitam o trabalho de mapeamento. Supor a Terra plana evita o problema da existência de um sistema de projeção a elaboração de um mapa ou levantamento. Um plano tangente à superfície curva, tal como a figura mostra, tangente em A, está próximo à superfície na vizinhança deste ponto. Se deseja-se mapear ou levantar feições que estejam próximos a A, pode-se assumir que a Terra

é um plano, desde que os erros cometidos por esta hipótese simplificadora, sejam suficientemente pequenos para que possam influenciar no mapeamento executado. Sendo a hipótese justificada, o levantamento pode ser calculado com a utilização da geometria plana. A plotagem na planta pode ser executada pela simples redução das dimensões na superfície pelo fator

Plano Tangente

Plano Tangente

de escala considerado.

O problema central da argumentação é a definição da representação da “vizinhança do ponto

A”, ou seja, qual o limite de representação da Terra plana, de forma que os erros advindos desta representação não tenham significância na área mapeada. Imediatamente isto implica, até intuitivamente, que a hipótese plana deva ser confinada à elaboração de mapas de pequenas áreas. De uma forma geral, utiliza-se a hipótese plana no desenvolvimento de Cartografia cadastral,

de áreas urbanas, plantas e outras formas de representação, em escalas variando de 1/500 até 1/10.000.

O limite de representação plana, sem outras considerações é definido por um círculo de 8 km

de raio em torno do ponto de tangência do plano. Apesar de não ser necessário o seu emprego, existem tipos de projeções com utilização específica na hipótese plana.

2.4.2 - A Hipótese Esférica

26

O fato de que em uma escala superior a 1/100.000.000 não existe praticamente diferença entre o tamanho dos eixos do elipsóide, implica que o uso principal da hipótese esférica ocorrerá na preparação de mapas de formato muito pequenos, mostrando grandes partes da superfície terrestre, isto é, um hemisfério, continente ou mesmo um país. Tal como aparecem nos Atlas. Neste aspecto, questiona-se qual a escala máxima aproximada que justifica a utilização da hipótese esférica. Estudos realizados, principalmente por Willian Tobler, através da comparação de erros angulares e lineares, mostraram que a maior escala possível de representação para uma área de aproximadamente 8.000.000 Km 2 , estaria algo em torno de 1/500.000, porém os erros padrões indicavam que este número era muito otimista. Genericamente, pela consideração do erro gráfico de 0,2 mm representando de 7 a 8 km, estar- se-ia limitado a uma representação em torno de 1/15.000.000 ou menor. Em termos cartográficos práticos, assume-se a escala média de 1/5.000.000 como possível de representar a Terra como uma esfera. O raio de representação é normalmente definido pelo raio terrestre médio, estabelecido pela

definido pelo raio terrestre médio, estabelecido pela formulação: R = M . N , onde M

formulação: R = M . N , onde M é o raio da seção meridiana e N o raio da seção normal ao elipsóide, para o centro da latitude da região a representar. Em termos gerais, valores de 6370 a 6372 km são utilizados normalmente para definir o raio terrestre com uma razoável precisão, na assunção da Terra como uma esfera.

2.4.3 - A Hipótese Elipsóidica Obviamente o elipsóide ou o esferóide adapta-se melhor ao Geóide do que a esfera. Em razão disto, esta é a superfície de referência mais amplamente empregada em levantamentos e mapeamentos. Por outro lado possui uma superfície matematicamente desenvolvida, que permite a execução de cálculos diversos com uma precisão necessária para a cartografia de grandes áreas. Para a execução do levantamento de um país, inicialmente é determinada uma rede de pontos sobre a sua superfície, que servirão de apoio à determinações posteriores. Essa rede de pontos são determinados de 1 a ordem, ou de precisão, e estende-se por toda a região a se levantar. Possuem alta precisão (da ordem do milímetro), podendo ser desenvolvida pelos processos clássicos planimétricos (Triangulações, Trilateração) ou modernamente com o auxílio de satélites de posicionamento geodésicos (NNSS e GPS). Para que os cálculos possam ser desenvolvidos, determina-se o elipsóide que melhor se adapte à região (maior tangência e menores desníveis geodésicos).

27

Esta hipótese da figura elipsóidica gera menores erros na definição de uma superfície de referência para a Terra, sendo, portanto a superfície ideal para o cálculo de precisão (cálculo geodésico).

Esta superfície, portanto é apropriada à todas as escalas de mapeamento topográfico e de navegação, assim como para todas as cartas temáticas e especiais que se apoiem nestes levantamentos. Estima-se como o limite, a escala aproximada de 1/4.000.000 a 1/5.000.000.

A seleção de um elipsóide particular para uma região, é devido ao fato de parâmetros de um

adaptar-se melhor aos dados observados do que qualquer outro. No Brasil, a rede primária inicialmente estava desenvolvida sobre o elipsóide Internacional de

Hayford, de 1924, sendo a origem de coordenadas estabelecidas no ponto Datum de Córrego Alegre.

A partir de nossas observações e cálculos, o sistema geodésico brasileiro foi mudado para o

SAD - 69 (South American Datum - 69) com elipsóide de referência de 67 e o ponto Datum estabelecido no ponto CHUÁ Astro Datum (Minas Gerais).

UNIDADE 3: POSICIONAMENTO DE PONTOS SOBRE A SUPERFÍCIE TERRESTRE

3.1 - SISTEMAS DE COORDENADAS PLANAS

Para se determinar a localização de um fenômeno ou de uma ocorrência qualquer sobre a superfície da Terra, deve-se sempre conhecer alguns elementos básicos, que podem ser definidos por duas perguntas simples: onde ocorre e como chegar até ele? Em termos urbanos, um sistema de localização composto do nome do Estado, nome da cidade,

nome do bairro, nome da rua, número do prédio e número do apartamento, é o suficiente para localizar um morador de uma cidade. Supondo-se agora que o morador em tela está localizado em um espaço, surgirão obstáculos que impedem a materialização matemática de um sistema assim descrito, ou como representá-lo em forma matemática.

A instituição de um sistema de coordenadas vem a tornar um método bastante conveniente de

registro de uma posição no espaço, qualquer que seja a dimensão que esteja sendo referenciada. Por

coordenada entende-se ser qualquer dos elementos de um conjunto, que determina univocamente a

28

posição de uma posição no espaço. O conjunto é formado por tantos elementos quantas forem as dimensões do espaço considerado e o número de elementos constitui-se uma característica intrínseca do espaço. A coordenada pode ser uma distância, um ângulo, uma velocidade, um momento, etc. Um sistema de coordenadas é conceituado como o conjunto de coordenadas, referido à uma ou mais origens, que definem uma posição no espaço. A noção de dimensionalidade é essencial para a caracterização dos sistemas de coordenadas associados à cada espaço. Assim, pode-se classificar os espaços segundo a sua dimensionalidade, estabelecendo suas características básicas. Um espaço 0-dimensional, não possui dimensão mensurável, podendo ser visualizado e materializado através de um ponto. Um espaço 1-dimensional ou unidimensional, só se percebe uma dimensão, por exemplo, um comprimento ou uma distância entre dois pontos. Necessita-se de um ponto origem, e uma escala de unidade que permita, através dessa origem e a quantidade de unidades medida na escala, estabelecer o posicionamento linear de um ponto a outro. Neste caso, a coordenada é definida pela distância da origem até o ponto, em unidades especificadas.

Origem O P
Origem O P
Origem O P
Origem O P

Origem

O

P

Figura 3.1 Coordenadas unidimensionais

Define-se um sistema 2-dimensional ou bidimensional, caracterizado por um plano ou duas dimensões, estabelecida uma origem única para cada dimensão. Utiliza-se um sistema de coordenadas, que permita a locação conjunta dessas duas dimensões. Duas coordenadas são o suficiente para posicionar um ponto no espaço. Duas retas que se interceptam definem um plano, que também é definido por uma reta e um ponto ou por três pontos. Um sistema 3-dimensional ou tridimensional é definido por três retas não coplanares que se interceptam em um mesmo ponto, três planos que se cortam dois a dois ou quatro pontos. A definição da posição de um ponto é estabelecida através de três coordenadas. Sistemas apropriados de representação são desenvolvidos, para que se possa representar com precisão a posição de um ponto. Espaços com dimensões maiores podem ser definidos, quando se associam outras variáveis. Por exemplo, associando-se a variável tempo cria-se a condição de uma quarta dimensão. A associação de um maior número de variáveis, permite o estabelecimento de varáveis de dimensões maiores, definindo-se os sistemas multidimensionais ou n-dimensionais. Um exemplo relevante de um sistema

29

multidimensional é o meio-ambiente terrestre no qual as diversas variáveis componentes do meio

ambiente passam a funcionar como elementos do sistema multidimensional.

A utilização de Geometria plana e no espaço é fundamental para o desenvolvimento e

possibilidade de se estabelecer um sistema unívoco de posicionamento, no plano e no espaço.

Qualquer posição, seja em qual dimensão for, terá apenas uma única representação no sistema e vice-

versa. A cada representação de um ponto corresponderá a uma e apenas uma posição no espaço.

1 - Sistema de Coordenadas Planas

Existem diversas formas de se referenciar o posicionamento de pontos sobre um plano.

Algumas delas são mais apropriadas ou mais simples, adaptando-se melhor aos objetivos a que se

prestam.

1.1 Sistema de Coordenadas Retangulares

A definição de um sistema de um par fixo de eixos, que se interceptam, permitindo a medição

linear em duas direções, é considerado como sendo um sistema cartesiano, conforme pode ser visto na

figura 2.

Figura 2 – Um sistema cartesiano genérico

Origem Eixos Coordenados

Origem

Eixos Coordenados

Um sistema de coordenadas genérico compreende conjuntos ou famílias de linhas que se

interceptam umas às outras, formando uma rede ou malha quando desenhada (figura 3).

Malha ou grade

Malha ou grade

Figura 3 – Malha de famílias de linhas

As condições necessárias que devem ser preenchidas pelo sistema são:

30

1

- as duas famílias sejam distintas entre si;

2 - que qualquer linha de uma família deva interceptar as linhas da outra família em apenas um

ponto;

3 - duas linhas de uma mesma família não podem se interceptar.

Desta forma, um sistema cartesiano pode abranger famílias de retas ou curvas que se

interceptem sob quaisquer ângulos, conforme pode ser visualizado na figura 4.

ângulos, conforme pode ser visualizado na figura 4. Famílias de Curvas e Retas Sistema de Eixos
ângulos, conforme pode ser visualizado na figura 4. Famílias de Curvas e Retas Sistema de Eixos

Famílias de Curvas e Retas Sistema de Eixos

Figura 4 – Famílias de curvas ou retas

Y O X
Y
O
X

Figura 5 – Sistema de eixos retos ortogonais

Entretanto existem vantagens significativas para o caso especial de se tomar ambas as famílias

de linhas retas e que se interceptem segundo direções ortogonais (perpendiculares entre si). A esse

sistema dá-se o nome de sistema plano retangular de coordenadas.

Na figura 5, a origem do sistema retangular é o ponto O, através do qual foram traçados os

eixos OX e OY, definindo a direção das duas famílias de linhas. A convenção matemática estabelece o

eixo horizontal OX como eixo X, definindo a família de coordenadas denominadas de abcissas e o

eixo vertical OY como eixo Y, definindo a família de coordenadas denominadas de ordenadas.

Sendo cada eixo uma linha reta e perpendicular um ao outro, segue-se que todas as linhas de

uma mesma família serão paralelas entre si e todos os pontos de interseção dentro da rede são obtidos

através de famílias de linhas retas perpendiculares (figura 6).

31

P N y x 0 M
P
N
y
x
0
M

Figura 6 – Posição de um ponto no plano

A posição de um ponto P no plano, é definida pelas duas coordenadas lineares PN = x e PM = y, tomadas da origem O, nos dois eixos, traçados de P como perpendiculares aos eixos X e Y. A notação para designação da posição de um ponto P, através das coordenadas x = PN e y = PM, é dado pelo par de coordenadas P (x,y). As unidades definidas para as coordenadas são unidades de medidas lineares, podendo ser milímetros, centímetros, metros, quilômetros, polegadas, pés, ou seja, unidades de qualquer sistema métrico.

Figura 7 – Quadrantes e sinais das coordenadas

 
   
 

4

o

Q

1

o

Q

x -

 

x

+

y +

y

+

 
 
 
 

x -

0

x

+

y -

y

-

3

o

Q

2

o

Q

 
   
 

Y

x s S x p P y s y p O y r y q
x
s
S
x
p
P
y
s
y
p
O
y
r
y
q
R
x
Q
r
x
q

X

Os eixos coordenados dividem o espaço em quatro regiões, denominados quadrantes e numerados, de 1 a 4, a partir do quadrante superior direito, no sentido horário. A convenção de sinal para as coordenadas x e y, estabelece que as coordenadas serão positivas e negativas à direita e à esquerda do eixo Y e acima e abaixo do eixo X, respectivamente (figura 7). Assim, o sinal convencional das coordenadas são:

1 0 quadrante

+ x

e

+ y

2 0 quadrante

+ x

e

- y

3 0 quadrante

- x

e

- y

32

4

0 quadrante

- x

e

+ y

Exercício Resolvido

1 – Marcar a posição dos seguintes pontos em um sistema de eixos cartesiano plano, especificando o

quadrante em que se encontram:

A( 3, 5); B(8, -3), C(-7; 4); D(-3,-6); E(0, 5); F(5, 0)

Solução:

a) Análise do sinal

A: x + e y +

1 o Quadrante

B: x + e y -

2 o Quadrante

C: x - e y +

4 o Quadrante

D: x - e y -

3 o Quadrante

E:

x 0 e y +

não pertence a nenhum quadrante; pertence ao eixo X

A: x + e y 0

não pertence a nenhum quadrante; pertence ao eixo Y

b) Plotagem nos eixos coordenados

Y 3 A 5 F C -7 -4 5 E -3 5 -6 B 8
Y
3
A
5
F
C
-7
-4
5
E
-3
5
-6
B
8
D
-3

X

1.2 Posição Absoluta e Relativa

A posição absoluta de um ponto será sempre estabelecida através das suas coordenadas, em

relação à origem do sistema de coordenadas. O ponto A(3, 5), terá portanto, coordenadas absolutas 3 e

5 em relação à origem do sistema de coordenadas.

A diferença de coordenadas entre dois pontos estabelece uma quantidade linear, equivalente a

projeção da medida linear entre estes dois pontos em cada eixo coordenado, conforme a figura 8.

33

Tendo-se dois pontos genéricos 1 e 2, definidos por suas coordenadas, (x 1 , y 1 ) e (x 2 , y 2 ), pode- se determinar a diferença de coordenadas entre 1 e 2, genericamente, pelas grandezas -

- verificando-se que o valor de cada diferença é idêntico, porém de sinal contrário, ou seja têm o mesmo valor absoluto e sinal contrário. x 12 = - x 21

x 12 = ( x 2 x 21 = ( x 1

-

-

x 1 ) x 2 )

e y 12 = ( y 2 e y 21 = ( y 1

y 1 ) e y 2 ),

Exercício resolvido:

Determinar a diferença de coordenadas entre os pontos A( 3, 5) e B(8, -3), em relação ao ponto A e ao Ponto B. Solução:

x AB = ( x B

-

e y AB = ( y B

y A ) e x BA = ( x A

-

x B )

e y BA = ( y A

-

y B )

x AB = ( 8

-

x A ) 3 ) = 5

- e y AB = ( -3

-

5 ) = -8

x BA = ( 3

-

8) = -5

e y BA = ( 5

- (-3) ) = 8

Através destas igualdades, verifica-se que as coordenadas de um ponto podem ser

perfeitamente determinadas se forem conhecidas as coordenadas de um deles e suas diferenças de coordenadas, através das formulações.

x

2 = x 1 + x 12

y 2 = y 1 + y 12

x

1 = x 2 - x 21

y 1 = y 2 - y 21

As relações trigonométricas que envolvem coordenadas e diferenças de coordenadas são as

seguintes:

O

trigonométricas

ângulo

tg

Y

são as seguintes: O trigonométricas ângulo tg Y 1 (x ,y ) x 1 1 2
1 (x ,y ) x 1 1
1 (x ,y )
x
1 1

2 (x ,y ) y

2

2

ângulo tg Y 1 (x ,y ) x 1 1 2 (x ,y ) y 2

X

ângulo tg Y 1 (x ,y ) x 1 1 2 (x ,y ) y 2

0

Figura 8 – Diferença de coordenadas

,

definido

=

y

x

ou

pelas

diferenças

= arctg

y

x

34

de

coordenadas,

é

calculado

pelas

funções

e ainda

=

arctg

(

y

2

y

1

)

(

x

2

x

1

)

.

O ângulo

por sua vez é determinado pelas relações

= arctg

x

y

ou

=

arctg

(

x

2

x

1

)

(

y

2

y

1

)

e

tg

=

x

y

, uma vez que são complementares.

A determinação do comprimento da linha entre 1 e 2, é estabelecida através da formulação de cálculo da distância entre dois pontos da geometria plana:

d

12

=12=

[(

x

2

x

1

)

2

(

y

2

y

1

)

2

]

1/ 2

ou

d

12

=

2 2 x + y
2
2
x
+
y

Por sua vez, pode-se em função do comprimento d, medido entre 1 e 2 e do ângulo formado por esta linha e o eixo X, que estabelece o ângulo , pode-se também determinar as diferenças de coordenadas:

x 12 = (x 2 y 12 = (y 2

x 1 ) = d cos y 1 ) = d sen

-

- Estabelecendo-se o cálculo em função do ângulo , definido pelo eixo Y e a direção da linha considerada, as relações são as seguintes:

x

12

y

12

(x

(

)

) =

d

d

12

12

Y

são as seguintes: x 12 y 12 ( x ( ) ) = d d 12

sen(90

cos(90

4

)

)

x p4

= =

2

y

1

x

y

d 12

d 12

sen

cos

=

=

= 1

2

Para a determinação de

tg

=

=

x

2

(

x

x

1

)

=

(

y

arctg

(

y

x

2

2

x

1

y

)

1

(

y

2

y

1

)

)

e

O

p4 p1 p4 p1 p2 p3 P p3 p2 2
p4
p1
p4
p1
p2
p3
P
p3
p2
2

y p4

y p3

3

x p3

x p2

1

y p1

y p2

1 ( y 2 y 1 ) ) e O p4 p1 p4 p1 p2 p3

x p1

35

X

Figura 9 – Posição relativa de pontos segundo os quadrantes relativos

A posição relativa é estabelecida sempre entre dois pontos, ou seja, considerando-se um ponto

1 e um ponto 2, genéricos quaisquer, tem-se a posição relativa do ponto 2 em relação ao ponto 1 e

vice-versa. Este posicionamento relativo é definido através das diferenças de coordenadas de um ponto em relação ao outro.

A figura 9 mostra este raciocínio para os pontos P e os pontos 1, 2, 3 e 4. Define-se um dos

pontos como uma suposta origem de um novo sistema de coordenadas, no qual, em lugar das coordenadas absolutas de cada ponto, são consideradas as diferenças de coordenadas entre estes mesmos pontos.

O cálculo das diferenças de coordenadas através dos ângulos e complica-se com a posição

relativa dos pontos em outra posição diferente de valores das diferenças de coordenadas exclusivamente positivas (1 o quadrante). Tem-se com isto que verificar continuamente a posição dos pontos, para se determinar qual o ângulo que está sendo computado para o cálculo, sinal da diferença de coordenadas, sinal do seno, coseno ou tangente, uma vez que os ângulos e são sempre menores que 90, portanto fornecendo valores referidos ao 1 o Quadrante. Facilita-se o problema, através da adoção de um ângulo, que tem como origem o ponto que se deseja definir a diferença de coordenadas, tomando-se como origem angular uma paralela ao eixo Y passando por este ponto e o valor angular contado no sentido horário até a direção do segundo ponto. Pode ser facilmente verificado que a diferença entre os dois ângulos 12 e 21 será sempre de

180, ou seja:

Y 2 21 12 34 3 1 4 43
Y
2
21
12
34
3
1
4
43

X

12

= 21 + 180 o

Por outro lado, o cálculo das diferenças de coordenadas pode ser facilmente obtido a partir desta direção base, fazendo-se

x 12 = d 12. sen 12

e y 12 = d 12. cos 12

1.3 Coordenadas Planas Polares

36

As coordenadas polares definem uma posição por meio de uma medição linear e uma medição angular.

O par de eixos ortogonais é substituído por uma linha simples, OQ, passando pela origem O,

agora denominado origem ou polo do sistema.

O

Q
Q

r P

O - polo OQ - Eixo Polar OP=r - Raio Veto - Ângulo Vetoria

Figura 10 – Sistema polar

A posição de qualquer ponto P é definida por meio de uma medição linear da origem ou polo

ao ponto considerado e o ângulo formado entre o eixo polar OQ e a direção OP, respectivamente por meio da distância OP = r e o ângulo QÔP = , definindo um par de coordenadas, caraterística de um

sistema plano de posicionamento.

A linha OP é denominada raio vetor e o ângulo ângulo vetorial, ângulo que o raio vetor faz

com o eixo polar. Assim a posição de P é definida pelo par de coordenadas P (r, ). Exemplo:

Considerando-se o ponto O como polo de um sistema polar e a direção OQ como eixo polar, a posição de um ponto P de coordenadas (10, 30), será dada por um esquema definido pela figura abaixo:

O ângulo vetorial pode ser expresso em unidades sexagesimal (graus), centesimais (grados) ou

Q

P Y N 30° P y r Polo x M O 0 X 10 Eixo
P
Y
N 30°
P
y
r
Polo
x
M
O 0
X
10
Eixo Polar

ainda, em radianos, observado no sentido horário. Figura 11 – Relação sistema polar e sistema cartesiano As coordenadas polares relacionam-se com as coordenadas planas retangulares, através de relações trigonométricas simples. A figura 11 mostra a estrutura deste relacionamento.

37

Toma-se o ponto P, de coordenadas planas retangulares (x, y). Assumindo-se agora o sistema

polar onde a origem esteja em O, o eixo polar seja o eixo cartesiano OY, r = OP e = YOP e as coordenadas x = PN e y = PM, pela triângulo PON tiram-se as relações:

x = r sen

y = r cos

Estabelece-se assim o relacionamento de transformação de coordenadas polares para planas.

O

relacionamento

inverso

pode

ser

obtido

segundo

diversas

formas

de

obtenção

das

coordenadas polares em função das coordenadas planas cartesianas.

tg

=

x / y

r

=

y

sec

r

=

x

cosec

y 2

 

r 2

=

x 2 +

sen

= =

x / r y / r

Este relacionamento

cos

é bastante simples, uma vez que as origens dos dois sistema estão

coincidentes. Havendo um deslocamento entre origens, deve ser considerada a diferença de coordenadas entre os dois sistemas, conforme é visto na figura 12.

P N r y x 0 O' x y 0 O M
P
N
r
y
x
0 O'
x
y
0
O
M

X

Figura 12 – Sistemas relativos Neste caso, todos os relacionamento anteriores são válidos, levando-se em consideração a diferença de coordenadas entre as duas origens O e O’ (x 0 , y 0 ). As coordenadas de P em relação à origem O serão:

x p = x + x 0 y p = y + y 0

2 - Sistemas de Referência Tridimensionais

38

Os sistemas tridimensionais são sistemas espaciais, portanto necessitam de três coordenadas para o posicionamento de um ponto no espaço. Alguns sistemas são extensões dos sistemas planos e outros são trabalhados de forma a definirem um sistema de representação mais específico para determinada aplicação.

2.1 - Sistema Cartesiano e PolarTridimensional

A extensão de um sistema cartesiano plano retangular para um espaço tridimensional é simples

e de fácil compreensão. Um espaço tridimensional possui evidentemente 3 dimensões físicas: x, y, caracterizando um

plano e a 3 a coordenada z, constituída por uma família de planos.

A definição agora, não mais refere-se a família de linhas ortogonais dois a dois. O sistema de

eixos coordenados será caracterizado pela interseção destes planos: OXZ, OYZ e OYX.

Y

Z P r z O X r 1 y x
Z
P
r
z
O
X
r 1
y
x

Figura 13 – Sistema tridimensional cartesiano

A posição de qualquer ponto no espaço será definida pela interseção dos planos paralelos aos

planos origem considerados. Assim um ponto será determinado por um terno coordenado P (x, y, z). Considerações semelhantes podem ser deduzidas para um sistema polar no espaço, que através de uma distância ao ponto pela origem (r) e dois ângulos vetoriais, tem a sua posição determinada por um conjunto de coordenadas do tipo P ( r, , ).

3.2 - Sistemas de Coordenadas na Esfera e no Elipsóide

Esfera e elipsóide (ou esferóide) são corpos sólidos e em conseqüência, um sistema de

posicionamento de pontos sobre ou sob a sua superfície, é necessariamente tridimensional, sendo portanto exigidas três coordenadas para a sua materialização.

A idéia de latitude, longitude, paralelos ou meridianos, muitas vezes já é conhecida, porém sem

os fundamentos que levaram à sua caracterização.

39

É desejável portanto alguns comentários um pouco mais profundos sobre a geometria da Terra, quando é assumida como uma esfera perfeita, para introduzir uma notação padronizada para esta hipótese e mostrar algumas diferenças básicas para o esferóide.

Inicialmente deve ser entendido o que é precisamente representado por planos, arcos e ângulos em um e em outro. Sabe-se que:

- uma esfera é um corpo sólido cuja superfície é eqüidistante do centro;

- toda esfera tem raio constante;

- a normal a um plano tangente à superfície no ponto de tangência é um raio da esfera;

- a distância entre dois pontos na superfície pode ser medida como distância angular ou distância arco.

Estas são as propriedades principais da esfera e que serão essenciais para o prosseguimento das definições seguintes.

- Se um plano intercepta uma esfera, a seção resultante da superfície curva que é traçada no plano é um círculo.

- Um círculo máximo ou grande círculo é o círculo de uma seção que passa pelo centro da esfera. Em outras palavras, o círculo PP’CD e ABCD são círculos máximos. Todos com centros em O, centro da esfera. Um e somente um círculo máximo pode ser traçado entre dois pontos na superfície da esfera, que não sejam diametralmente opostos. O menor arco de um círculo máximo passante por dois pontos, é a menor distância entre estes pontos na superfície

é a menor distância entre estes pontos na superfície esférica. - Se o plano de interseção

esférica.

-

Se o plano de interseção com a esfera não passa pelo centro da esfera, determina também uma

seção circular, porém de raio menor que o raio da esfera. Esses círculos são denominados de pequenos círculos. Na figura, o círculo EFGH é um pequeno círculo, de centro O’. - O eixo de qualquer círculo é uma linha reta passando pelo centro da esfera, perpendicularmente ao plano do círculo. Na figura a linha POP’ é o eixo do círculo máximo ABCD. Pela definição de que apenas um círculo máximo pode ser traçado por 2 pontos que não sejam diametralmente opostos, o eixo de dois ou mais círculos máximos não coincidem.

40

Por outro lado um círculo máximo e um número infinito de pequenos círculos podem ter o mesmo eixo. Neste caso especial, pela definição de eixo, o círculo máximo e os pequenos círculos serão paralelos entre si. Além disso, se os planos são paralelos, as circunferências dos círculos também são paralelas. Os polos de qualquer círculo são os pontos de interseção do eixo do círculo com a superfície da

esfera.

Na figura P e P’ são os polos do círculo máximo ABCD. Pela definição que uma esfera tem raio constante e que a seção de um grande círculo passa pelo centro da esfera, os polos de um círculo máximo são eqüidistantes do seu plano: PO = P’O. Para um pequeno círculo, pode-se notar claramente a desigualdade entre P’O’ e PO’. - Se um círculo máximo é denominado círculo máximo primário, qualquer círculo máximo que passe por seus pólos será denominado círculo máximo secundário. Como os polos são diametralmente opostos, pode-se definir infinitos círculos secundários. Na figura os círculos máximos PFAP’CH e PGBP’DE, são secundários ao círculo máximo ABCD. Como o eixo do círculo primário coincide com o plano de cada círculo secundário, pode se verificar que o plano, e portanto, a circunferência de cada círculo secundário, é perpendicular ao plano e circunferência do círculo máximo primário. Além disso quaisquer pequenos círculos que tenham um eixo comum a um círculo máximo primário, terão também planos e circunferências perpendiculares aos círculos secundários desse círculo máximo.

Coordenadas Geográficas A construção da rede geográfica se inicia a partir do movimento de rotação da Terra em torno de um eixo imaginário vertical. Os pontos da Terra por onde este eixo emerge, são conhecidos como Pólo Sul e Pólo Norte (vide figura 2).

41
41

Figura 2: Eixo daTerra e Pólos Norte e Sul

Para melhor entender a construção desta rede geográfica, partimos de um plano horizontal perpendicular a este eixo, que passa bem no centro da Terra. Ao cortar a superfície terrestre, este plano horizontal forma a linha do equador, que divide o globo em dois hemisférios, o norte (HN) e o sul (HS). Vide figura 3.

dois hemisférios, o norte (HN) e o sul (HS). Vide figura 3. Figura 3: Equador e

Figura 3: Equador e Hemisférios

Não é dado nenhum nome específico aos círculos máximos secundários, mas a palavra meridiano define cada semicírculo de um par, que juntos formam um círculo secundário. A cada meridiano, opõe-se o seu antimeridiano, ou seja, o meridiano diametralmente oposto. O círculo máximo secundário completo compreende o meridiano e o seu antimeridiano. Em seguida, são traçados uma série de outros planos horizontais, que cortam o globo terrestre formando pequenos círculos, paralelos ao plano do equador. Estes círculos, denominados paralelos, diminuem de tamanho a partir do equador (que é um círculo máximo) até os pólos, devido à curvatura da Terra (vide figura 4). O raio de um paralelo, dessa forma variará desde o raio terrestre, no equador até zero nos polos.

42
42

Figura 4: Paralelos e Meridianos

Pelo conceito da utilização de ângulos centrais (a partir do centro de uma esfera), para medir distâncias sobre a superfície curva, pode-se inferir um sistema de coordenadas tridimensionais polares como um método de locação de pontos sobre a superfície da esfera tendo o seu centro como origem. Como uma extensão do conceito de coordenadas polares visto anteriormente, um ponto pode ser localizado no espaço através de dois ângulos vetoriais e um raio vetor. Isto define um sistema polar esférico ou coordenadas esféricas polares. Na esfera o raio vetor é constante, logo, qualquer ponto na superfície poderá ser então localizado pela definição apenas, dos dois ângulos vetoriais. São escolhidos para isto dois planos ortogonais que se interceptam no centro da esferas, considerados então como origem. Figura 5 – Coordenadas terrestres

então como origem. Figura 5 – Coordenadas terrestres Um plano já foi definido e é o

Um plano já foi definido e é o plano do Equador. O Equador é utilizado como origem para as medições do ângulo vetorial conhecido como latitude. O outro plano é um plano arbitrário, definido pelo meridiano que passa pelo centro ótico da luneta do Observatório de Greenwich, utilizado para as medições do ângulo vetorial denominado de longitude. Formalmente define-se a latitude de um lugar como o ângulo vetorial entre o Equador e o lugar, medido sobre o meridiano que o contem, na figura 5, o ângulo AÔQ. É positiva se for medida do Equador para o norte e negativa se medida em direção ao polo Sul. A latitude é expressa em

unidades sexagesimais, ou seja, graus, minutos e segundos. É notada pela letra grega (fi). Vide figura 5. Para qualquer valor de latitude , existirão uma infinidade de pontos na superfície terrestre, que fazem este mesmo ângulo com o Equador. O lugar geométrico desses pontos é a circunferência de círculo, cujo plano é paralelo ao Equador.

43

Assim os planos de todos os paralelos são paralelos ao Equador e compartilham o mesmo eixo. Segue-se que qualquer paralelo será um pequeno círculo, porque o Equador é um círculo máximo. Para obtermos a posição de qualquer ponto na direção norte-sul são dados valores a estes círculos. Por se destacar nitidamente, a linha do equador recebe valor zero, ou seja possui latitude igual a 0 º , sendo portanto, considerada a origem da contagem destas coordenadas (latitude). Cada círculo ou paralelo, vai recebendo um valor em graus, que cresce para norte ou sul a partir do equador até os pólos. Essa variação de valores é medida em graus de latitude, e vai de 0 º a 90 º N (no hemisfério norte) 1 , e igualmente de 0 º a 90 º S (no hemisfério sul) 2 . Vide figura 11.

a 90 º S (no hemisfério sul) 2 . Vide figura 11. Figura 5: Contagem das

Figura 5: Contagem das latitudes

Define-se a latitude de um ponto P -

considerado, contada sobre o meridiano que passa por P, a partir do equador até o paralelo que também passa por este ponto.

- como a distância angular, positiva ou negativa, dependendo do hemisfério

Nota: Além do equador existem quatro paralelos especiais. No hemisfério norte ficam o Trópico de Câncer (23 º 27’N) e o Círculo Polar Ártico (66 º 33’N), e no hemisfério sul situam-se o Trópico de Capricórnio (23 º 27’S) e o Círculo Polar Antártico (66 º 33’S).

A longitude é o ângulo vetorial definido pelo plano do meridiano origem e o plano do meridiano passante pelo lugar, medido sobre qualquer paralelo ao Equador,uma vez que este ângulo é esférico. A escolha de um meridiano origem é arbitrária. Porém é mundialmente aceita a definição do meridiano que passa pelo eixo da luneta do Observatório de Greenwich, na Inglaterra, como meridiano origem para as medições de longitude. Existem, no entanto, países que ainda adotam outros meridianos como origem de suas coordenadas, exceto para navegação, devido a ser padronizado internacionalmente. Vide figura 6. Ao Primeiro Meridiano (Greenwich) é atribuído valor zero, ou longitude igual a 0 º . Os demais recebem valor variando de 0 º a 180 º E (leste) ou 0 º a 180 º W (oeste), conforme o hemisfério oriental ou ocidental em relação ao meridiano de Greenwich. Igualmente as latitudes, as longitudes também foram

1 Que também são convencionadas como coordenadas positivas (0 º a +90 º ) 2 Que, ao contrário, são convencionadas como negativas (0 º a –90 º )

44

convencionadas como positivas ou negativas, atribuindo-se a leste ou valores positivos e a oeste, os negativos. O Brasil se encontra totalmente a oeste de Greenwich, possuindo assim, somente longitudes negativas.

de Greenwich, possuindo assim, somente longitudes negativas. Figura 6: Meridiano de Greenwich (Melhoramentos, 1998)

Figura 6: Meridiano de Greenwich (Melhoramentos, 1998)

Define-se a longitude de um ponto P -

dependendo do hemisfério considerado, contada sobre o equador, a partir do meridiano de

- como a distância angular, positiva ou negativa,

Greenwich até o meridiano que passa por P.

grega

Será positiva se estiver a este de Greenwich e negativa se estiver a oeste. É notada pela letra (lâmbda), sendo também medida em unidades sexagesimais.

Meridiano Origem

+ + + +
+
+
+
+

Equador

Figura 7 – Sinal da latitude e longitude

 

A

definição de coordenadas de um ponto sobre a superfÍcie terrestre será dada então pela dupla

(

,

).

 

A

diferença de coordenadas entre dois pontos 1 e 2, genéricos quaisquer, pode ser expressa

pelas relações:

 
 

=

2

   

1

 

=

2

-

1

A

malha resultante de paralelos e meridianos definem o sistema de coordenadas geográficas

conhecidas como gratícula, seja com referência a superfície terrestre, seja em relação à sua

45

representação em um plano através de uma projeção cartográfica. Uma interseção de gratícula define um ponto na superfície de coordenadas geográficas ( , ). Esta convenção é internacionalmente aceita. Vide figura 7.

convenção é internacionalmente aceita. Vide figura 7. Figura 7: Sistema de coordenadas terrestre – a gratícula

Figura 7: Sistema de coordenadas terrestre – a gratícula (Tyner, 1992)

As coordenadas geográficas constituem a forma mais eficiente de prover uma referência de posicionamento unívoco em Geografia, navegação e outras ciências afins. A rede de paralelos e meridianos (gratícula) efetua o controle geométrico para o uso de um mapa, reconhecida universalmente a diferentes níveis de utilização. Existem outros sistemas, porém de uso mais restrito, podendo-se citar o sistema de coordenadas de azimute e distância e o próprio sistema cartesiano tridimensional. Estes sistemas, porém são interrelacionados e podem ser transformados de um para outro, bastando que para isso se conheça parâmetros de translação, rotação e escala entre elas. Fica faltando relembrar que, para ambos os casos, tanto para a latitude como para a longitude, objetivando uma maior precisão na localização, a unidade grau é subdividida em minutos e segundos. Como já é sabido 1grau (1 º ) possui 60 minutos (60’), enquanto um minuto possui 60 segundos (60”).

Exercício Resolvido:

1)

Considere dois pontos, A e B, localizados sobre a superfície terrestre. Conhecendo-se suas coordenadas geográficas, calcule as diferenças de coordenadas, latitudinal e longitudinal, e identifique os hemisférios em que os pontos se encontram.

A = -23 o 24’ 30” B = -47 o 04’ 10”

A = 05 o 00’ 40” B = -55 o 54’ 07”

46

Solução:

As diferenças de coordenadas latitudinal e longitudinal são obtidas pelas fórmulas

=

2

- 1, tendo-se para o caso de A e B:

=

2

-

1

e

AB

AB

=

=

B

B

-

-

A

A

AB = 05 o 00’ 40” – (-23 o 24’ 30”) = = -55 o 54’ 07” – (-47 o 04’ 10”

AB

28 o 25’10” ) = -8 o 49’57”

Quanto a localização, tem-se que os pontos A e B se encontram no hemisfério Sul (latitudes negativas) e, respectivamente, a Este (longitude positiva) e Oeste de Greenwich (longitude negativa).

3.3 – CONCEITO DE AZIMUTE E ARCOS NA SUPERFÍCIE TERRESTRE

1 - Ângulos e Distâncias na Terra – Conceito de Azimute Um ângulo esférico é a medida angular no ponto de interseção, de dois arcos de círculo máximo medidos na superfície curva da esfera. Ele é igual ao ângulo plano formado entre as duas tangentes traçadas no ponto de interseção, a cada círculo máximo. Considerando-se os círculos máximos PA e PB, o ângulo DPA é igual ao ângulo plano KPJ. Figura 1 – Ângulo esférico

igual ao ângulo plano KPJ. Figura 1 – Ângulo esférico Por essa figura, pode-se verificar que

Por essa figura, pode-se verificar que a longitude pode ser medida em qualquer ponto do eixo de rotação, uma vez que este ângulo pode ser medido em um plano paralelo ao Equador. Na figura 1, o ângulo plano KPJ e o ângulo esférico APD são iguais. Um segundo conceito angular importante é o conceito de azimute, entre dois pontos, introduzindo a noção de ângulos e direções sobre a superfície terrestre.

47

Considerando-se 3 pontos N, A e B conforme a figura 2, onde N é o Pólo Norte e NA é um arco de círculo máximo, representando o meridiano A, similarmente com B e NB. A linha AB representa a menor distância entre A e B, portanto um arco de círculo máximo, definindo-se um triângulo esférico, formado pela interseção dos 3 círculos máximos. Figura 2 – Azimute

interseção dos 3 círculos máximos. Figura 2 – Azimute O azimute de um ponto a outro,

O azimute de um ponto a outro, é genericamente definido como “o ângulo formado entre a direção norte e a direção ao outro ponto, contado no sentido horário”. Em termos da superfície terrestre, pode ser visto como o ângulo esférico formado entre qualquer círculo máximo e um meridiano, tendo como origem a orientação para o Norte. O ângulo NAB representa o azimute de A para B e NBA o azimute de B para A.

2 - Comprimento de Arcos de Círculos e Esféricos

O comprimento C do arco de uma circunferência é dado pela relação:

C = 2

R

Onde R é o raio do círculo considerado, 2 a constante da relação e C corresponde ao desenvolvimento de um ângulo central igual a 360. O comprimento de um arco de círculo, será dado

de forma semelhante, pela formulação:

AB =

R. z

onde R é o raio do círculo e z o ângulo central AOB, expresso em radianos, conforme pode ser visto na figura 3.

Figura 3 – Comprimento de um arco de círculo

48
48

3 – Comprimento de um Arco de Meridiano Sendo os meridianos arcos de círculo máximo, todos têm portanto o raio terrestre como raio definidor. Na figura 4, considerando-se um meridiano qualquer, o arco de um meridiano irá corresponder à diferença de latitudes entre dois pontos quaisquer, sobre este mesmo meridiano.

Desta relação, introduzindo as notações correspondentes, o comprimento de um arco de meridiano, entre dois pontos A e C quaisquer, de coordenadas A = ( a , a ) e C( C , C ), sobre um mesmo meridiano será:

O

= R onde = ( S m AC AC C N D C C B
= R
onde
=
(
S m
AC
AC
C
N
D
C
C
B
A
E
F

S

A

E

)

Figura 4 – Arcos de meridianos e paralelos Todos os ângulos expressos em radianos.

4 - Comprimento de um Arco de Paralelo Sabe-se que um paralelo é um pequeno círculo, assim o raio do pequeno círculo definido pelo paralelo será sempre menor que o raio da esfera r p < R T . Assim, para uma distância angular dada, a distância arco no paralelo é menor que a distância correspondente ao longo do Equador. Na figura, NCAF corresponde ao meridiano de longitude a e NDBE é o meridiano de B, de longitude b , portanto o ângulo AOB = FO’G = = b - a .

r O' R 90 - 49
r O'
R 90 -
49

O

Figura 5 – Raio de um paralelo

Da formulação de arco de um círculo: EF = R

AB =

r

e

Do triângulo O’FO, retângulo em O’

Tira-se:

r

=

R

sen

(90-

)

ou

r

=

R cos

 

Consequentemente a distância arco ao longo de um paralelo de latitude é determinado por:

S p =

R cos

5 - Comprimento de um Arco Qualquer de Círculo Máximo Considerando-se dois pontos A e B, com as coordenadas ( a , a ) e ( b , b ) respectivamente deve-se resolver o triângulo esférico NAB, na figura 2, para determinar o lado AB = z. Expressando a formulação, sem dedução, em função da latitude e longitude de A e B, define-

se::

cos z

=

sen a

sen b +

cos a

cos b

cos(

)

ou

cos z

= sen a

sen b +

cos a

cos b

cos ( a

-

b )

E

finalmente:

S

= R z

6 - Determinação do Azimute

O azimute entre dois pontos A e B qualquer, pode ser definido através da trigonometria esférica

NAB = Z.

A dedução de equação conduz à formulação

cot Z =

cos a .Tg b .cosec

-

sen a

cot

7 - Convergência de Meridianos

O azimute de A para B e B para A não são recíprocos, ou seja,

uma quantidade

mostrado na figura.

π

' 50 B
'
50
B

A

+ 180. Diferem de

Isto leva a uma conclusão importante que um azimute de qualquer círculo máximo que cruza um meridiano obliquamente, somente pode ser definido no ponto que estiver sendo medido, significando que o azimute muda continuamente, a razão para isto é existência da quantidade angular denominada convergência meridiana. No Equador o arco entre 2 meridianos é: Sa = R . Nos pólos a distância correspondente é nula. No Equador, os meridianos a e b são perpendiculares a ele, interceptando-se nos polos para definir a diferença de longitude . A convergência entre dois meridianos em qualquer latitude intermediária, é expressa pelo ângulo , variando de 0 no Equador até nos pólos. Pode ser presumida que varie então de acordo com o seno da latitude ( 0 a 1 ), logo:

Para uma linha AB qualquer entre os paralelos a e b , é usual expressar a convergência em termos de uma latitude média:

=

. sen

=

(

a

+

b

)

sen

2

8 - Sistema de Coordenadas no Elipsóide A utilização da figura do elipsóide de revolução como representativo da forma da Terra, tem por objetivo a maior aproximação entre o geóide e o elipsóide, acarretando com isso erros menores no desenvolvimento de cálculos geodésicos. Isto acarreta a necessidade de um estudo profundo da geometria do elipsóide e sua adaptação à superfície terrestre. Não será desenvolvido isto aqui, tendo em vista que foge aos objetivos do curso, uma vez que cálculos que requeiram a utilização do elipsóide não serão necessários para o dia a dia do geógrafo. Deve-se, no entanto, observar que nos mapeamentos efetuados em escala média (de 1:

1.000.000, até alguns de 1: 2.000) são sempre efetuados com a utilização desta figura matemática como base. Os conceitos de latitude e longitude continuam como expressão do sistema de posicionamento sobre a superfície terrestre.

de latitude e longitude continuam como expressão do sistema de posicionamento sobre a superfície terrestre. 51

51

N P
N
P

S

O conceito de longitude é idêntico. O de latitude porém tem uma pequena modificação. Existirão duas latitudes: a geocêntrica, tomada em relação ao centro do elipsóide e a geodésica, tomada em relação à normal ao plano tangente e o plano do Equador. Para a definição do sistema de posicionamento, utiliza-se a latitude geodésica como ângulo vetorial.

Exercício Resolvido Determinar o comprimento dos arcos de meridianos paralelos entre esses pontos, sabendo-se que as coordenadas de A e B são respectivamente: (-2413 22,82; -7237 42,93) e (-4537 45,32;- 6743 17,79). Raio terrestre = 6372 km.

Solução:

Esboço de posicionamento

A B
A
B

-2413 22,82

-4537 45,32

-7237 42,93

-6743 17,79

a) Cálculo do arco de meridiano

Basta calcular um dos arcos, uma vez que os dois arcos de meridianos serão iguais.

AB

=

(

B

A

)

= -4537 45,32- (-2413 22,82) = -2124 22,5

transformando em radianos

AB

= 0,369018628941

S m = R

= 2351.38670361 km

b) Cálculo do arco de paralelo

52

Como não foi especificado qual o paralelo, deve ser realizado para os dois paralelos, de A e B respectivamente. Isto mostrará a desigualdade entre os arcos de paralelo.

S pA = Rcos A (

AB ) e S pB = Rcos A (

r A = Rcos A

r B = Rcos B

AB )

r A = 6372 * 0,911955449251 = 5810,98012263 km r B = 6372 * 0,699298435449 = 4455,92963068 km

3.4 Tempo e Fusos Horários

A medida do tempo no passado, quando mesmo os pequenos deslocamentos apresentavam-se

com a duração de vários dias, apenas os astrônomos podiam compreender que o tempo solar, no

mesmo momento, era variável, em diferentes lugares.

no mesmo momento, era variável, em diferentes lugares. De fato, se em um determinado local o

De fato, se em um determinado local o Sol encontra-se próximo à posição do meio dia, a oeste dessa posição, o Sol ainda não alcançou esta posição, enquanto que a leste, ela já foi ultrapassada.

Se dois lugares estiverem alinhados ao longo de um mesmo meridiano, terão a mesma hora solar, pois estarão vendo o Sol sob o mesmo ângulo horário com a posição do meio dia.

Figura 1

A figura 1 mostra um exemplo das situações apresentadas. A Terra (E), observada pelo polo

norte, é iluminada pelo Sol (S). Os raios solares atingem a superfície terrestre paralelamente, devido à

distância Terra-Sol. A seta curva mostra a direção contrária da rotação terrestre, uma vez que se está considerando a Terra fixa. O Sol está alinhado com a direção do meridiano (MN) e o ponto M indica a passagem do Sol pelo meridiano (meio dia). Em E, a este são 3 horas, havendo um ângulo horário de + 3 horas, definido pelas direções MN e NA, direção do meridiano local. Similarmente, existirá um ângulo horário de – 3 horas, em relação ao meridiano BN, em W. No ponto L também serão meio dia, pois está situado sobre o mesmo meridiano MN.

53

3.4.1 Medidas de Tempo

O tempo e sua medida é algo que é amplamente conhecido e vivido por cada ser humano.

Porém o que é tempo? Qual o seu significado real? Como é medido e sentido sobre a superfície

terrestre?

O dicionário Webster define tempo como: “O período medido ou mensurável, durante o qual

uma ação, processo ou condição exista ou continue a existir”. Também é definida a duração desse período, como “o continuum não espacial, que é medido em termos de eventos que se sucedem um ao outro, do passado, através do presente, para o futuro.

O conceito antigo de tempo definia o dia como a unidade básica, estabelecida como o período

de luz solar, seguido pela noite, consistindo de dois períodos de 12 horas, num total de 24 horas. Uma

hora é dividida em 60 minutos, que por sua vez subdivide-se em 60 segundos, estabelecendo assim um sistema sexagesimal. Os segundos por sua vez são subdivididos no sistema decimal, em décimos, centésimos, milésimos de segundo.

Modernamente o tempo é definido tendo por base o segundo. Um dia possui 86400 segundos e um segundo é oficialmente definido como 9 192 631 770 oscilações do átomo do Césio-133 em um relógio atômico. Existem ainda outros sistemas de tempo, principalmente voltados para aplicações astronômicas

e satélites (GPS), como por exemplo:

- Tempo dinâmico, que considera o tempo definido pelo movimento orbital da Terra no Sistema Solar.

- Tempo Universal (UT), baseado na rotação terrestre em relação às estrelas (Tempo sideral). Sideral

Time : Tempo Sideral – A medida de tempo definida pelo movimento diurno aparente do ponto vernal; portanto, uma medida da rotação da Terra com respeito a malha de referência relacionada com as estrelas ao invés do sol. São usados dois tipos de tempo sideral em astronomia: tempo sideral médio

e tempo sideral aparente. Um dia sideral é igual a cerca de 23 horas, 56 minutos, e 4,090 segundos do dia solar médio. Da mesma forma, 366,2422 dias médios siderais são iguais a 365,2422 dias solar médio.

- Tempo Atômico Internacional (IAT), Uma escala de tempo atômico baseada em dados provenientes

de um conjunto mundial de relógios atômicos. Constitui por acordo internacionalmente aceito a referência de tempo em conformidade com a definição do segundo, a unidade fundamental de tempo atômico no Sistema Internacional de Unidades (SI). É definido como a duração de 9 192 631 770

54

períodos da radiação correspondente a transição entre dois níveis hiperfinos dos átomos de césio 133 em seu estado básico.

O TAI é mantido pelo Bureau International des Poids et Mesures (BIPM) na França. Embora o

TAI tenha sido oficialmente introduzido em Janeiro de 1972, ele está disponível desde Julho de 1955.

- Tempo Terrestre (TT) –A nova denominação do Tempo das Efemérides, definida pela União

Astronômica Internacional em 1991. Em Janeiro 01, 1997, TT = TAI + 32,184 segundos, e a duração do segundo foi escolhida em concordância com o Sistema Internacional (SI) sobre o geóide. A escala TT difere do antigo Tempo das Efemérides em sua definição conceitual. Todavia, na prática é materializado pelo Tempo Atômico Internacional (TAI).

- Greenwich Mean Time (GMT): Hora Média de Greenwich - Um sistema de 24 Horas baseado na

hora Solar média mais 12 horas em Greenwich, Inglaterra. A Hora Média de Greenwich pode ser considerada aproximadamente equivalente ao Tempo Universal Coordenado (UTC), o qual é disseminado por todas rádio emissoras de tempo e freqüência. Entretanto, GMT é um termo obsoleto e foi substituído por UTC.

- Tempo civil (Tc): é o tempo solar médio acrescido de 12 horas, isto é, usa como origem do dia o

instante em que o sol médio passa pelo meridiano inferior do lugar. A razão da instituição do tempo civil é não mudar a data durante as horas de maior atividade da humanidade nos ramos financeiros, comerciais e industriais, o que acarretaria inúmeros problemas de ordem prática.

- Hora legal: é o tempo determinado pela posição do meridiano do lugar

- Tempo universal (TU): é o tempo civil de Greenwich. Note que os tempos acima são locais,

dependendo do ângulo horário do Sol, verdadeiro ou médio. Se medirmos diretamente o tempo solar, este vai provavelmente ser diferente daquele que o relógio marca, pois não se usa o tempo local na vida diária, mas o tempo do fuso horário mais próximo.

Por acordos internacionais, a grande maioria das informações de tempo são relacionadas ao Tempo Universal Coordenado (UTC), antiga denominação do Tempo Médio de Greenwich (GMT), que por sua vez é uma aproximação do Tempo Universal (UT).

3.4.2 Fusos Horários Considerando o movimento de rotação terrestre, é impossível o Sol estar cruzando o meridiano de dois lugares exatamente ao meio dia, exceto se esses lugares estiverem sobre o mesmo meridiano.

55

Como a Terra gira 360em 24 h , é fácil verificar que à cada hora ela gira em 15. Surge assim o

conceito de divisão da Terra em fusos horários, com a amplitude desses mesmos 15, estabelecendo-se

assim 24 fusos de uma hora cada.

Todos os fusos foram definidos a partir do meridiano de Greenwich, por acordo internacional

estabelecido em 1884, por ser o mesmo meridiano já considerado origem para alguns dos sistemas de

posicionamento terrestre, passando pelo cruzamento dos fios da luneta do antigo Observatório Real.

Este meridiano é definido como o meridiano central do fuso, dessa forma cada fuso tem a longitude do

meridiano central divisível por 15. A hora em cada fuso é assumida pela hora do meridiano central.

MY X W V U T S R Q P O N Z A B
MY
X
W V
U
T
S
R
Q
P
O
N
Z
A
B
C
D
E
F
G
H
I
X W V U T S R Q P O N Z A B C D

Meridiano de Greenwich Linha Internacional de Mudança de Data

Figura 2 – Fusos Horários – O Mundo em fusos de 15

A linha Internacional de Mudança de Data é uma linha imaginária posicionada próximo ao

meridiano 180, cortando o Oceano Pacífico. O cruzamento desta linha, para oeste faz com que a data

do calendário seja adiantada de um dia. Se cruzada em sentido contrário (para este), a data observada

será um dia atrasada em relação ao oeste da linha.

Esta divisão, bem caracterizada, define a hora civil em cada ponto da superfície terrestre. O

fuso de Greenwich recebe a denominação de Z ou ZULU, sendo a hora em Greenwich chamada de

56

hora Zulu. Aos demais fusos são também atribuídas letras. O fuso que abrange a Linha Internacional de Mudança de Data possui duas designações: a oeste M e a este Y, correspondendo à data adiantada e atrasada respectivamente. Para acomodar divisões políticas a maior parte dos países têm modificado os fusos, criando contornos que melhor enquadram as suas necessidades, conforme pode ser visto na figura 3.

as suas necessidades, conforme pode ser visto na figura 3. Figura 3 – Fusos Horários adaptados

Figura 3 – Fusos Horários adaptados

Fusos no Brasil: o Brasil abrange quatro fusos:

-2h: arquipélago de Fernando de Noronha -3h: estados do litoral, Minas, Goiás, Tocantins, parte oriental do Pará -4h: parte ocidental do Pará, parte oriental do Amazonas, Mato Grosso do Norte e Mato Grosso do Sul. -5h: parte ocidental do Amazonas e Acre.

A figura 4 mostra como os fusos horários estão distribuídos:

57

Figura 4 – Fusos Horários no Brasil Em função das divisões apresentadas, algumas definições sobre

Figura 4 – Fusos Horários no Brasil

Em função das divisões apresentadas, algumas definições sobre tempo podem ser agora firmadas.

- Hora legal: é a hora civil do fuso para a área geográfica considerada

- Hora oficial: normalmente considerada em cada país, como a hora legal da sua Capital.

- Hora Universal local: hora determinada pelo meridiano passante pelo lugar em relação à Greenwich.

3.4.3 Linha Internacional de Mudança de Data A linha que acompanha o antimeridiano de Greenwich (180º), atravessando o oceano Pacífico, por convenção internacional, determina a mudança de data civil em todo o planeta. Ultrapassando-se essa linha, a data tem que ser alterada para o dia anterior ou seguinte à partida, conforme esteja-se indo de oeste para leste ou leste para oeste. A hora, no entanto, é a mesma nas duas zonas, defasadas de 24 horas. Por exemplo, no lado oeste da linha, seria h horas, do dia D, enquanto no lado leste seria exatamente a mesma hora, h, do dia D-1. Isto ocorria em Kiribati, um pequeno país formado por diversas ilhas no oceano Pacífico. Seu território era dividido pela Linha Internacional de Mudança de

58

Data. No leste do país, quando era domingo, na capital, Bairiki, já era segunda-feira. Isso foi alterado

em 1995, com a nova demarcação da Linha Internacional de Mudança de Data,

demarcação da Linha Internacional de Mudança de Data, Figuras 5 e 6 – Linha Internacional de
Figuras 5 e 6 – Linha Internacional de Mudança de ±12 ±12 11 11 -11
Figuras 5 e 6 – Linha Internacional de Mudança de
±12
±12
11 11
-11
-11
-10
-10
10 10
-9
-9
9 9
-8
-8
8 8
-7
-7
7 7
-6
-6
6 6
-5
-5
5 5
-4
-4
4 4
-3
-3
3 3
-2
-2
2 2
-1
-1
1 1
0 0
5 5 -4 -4 4 4 -3 -3 3 3 -2 -2 2 2 -1 -1
5 5 -4 -4 4 4 -3 -3 3 3 -2 -2 2 2 -1 -1

Data

Figuras 6 e 7 – Gráficos de auxílio para a mudança de data

3.4.4 Determinação da Hora

Como se pode determinar a hora em cada local da superfície terrestre. Inicialmente, pelas

explicações dadas, este problema está intimamente ligado à determinação da longitude do lugar, uma

vez que, pelo seu conhecimento será possível estabelecer a diferença em relação à Greenwich.

Hora Legal

De posse de um mapa de fusos horários, verificar qual a diferença horária (UT ± f, onde f é o

fuso do lugar) em relação à Greenwich. Observar que este tipo de mapa, conforme pode ser visto na

59

figura 3, todas os horários estão reduzidos ao fuso origem. Assim serão também obtidos horários relacionados à este fuso. Sabendo-se a hora de Greenwich, basta somar ou subtrair os valores. Para a determinação de um horário em relação à outro ponto terrestre, deve-se reduzir um dos pontos como origem estabelecendo-se o diferencial em relação aos dois pontos.

Exemplos:

1 – Qual a hora em Nova York, sabendo-se que são 14:00 em Greenwich

Pelo mapa, NY está no fuso Q, correspondendo a UT – 4, ou seja, quatro horas a menos que em Greenwich, logo

H NY = H G (UT) –4 = 14:00 – 4 = 10:00

2 – Tendo-se 18:00 em Rio Branco, Acre, qual a hora em Greenwich Fuso do Acre = UT –5

H AC = UT –5

18:00 = UT –5 UT = 18:00 + 5 = 23:00

Deve-se ficar atento para o problema de mudança de data. Por exemplo se fossem 22:00 horas em Rio Branco, a hora de Greenwich seriam 22: 00+ 5 = 27:00, porém já extrapolado para 24:00, a hora correta é 03:00 do dia seguinte ao dia em Rio Branco.

3 – Determinar a hora em Moscou, quando forem 11:00 no Rio de Janeiro Fuso do Rio de Janeiro UT –3 Fuso de Moscou UT + 3, logo

H RJ = UT –3

Considerando então que UT = H M = (H RJ + 3) + 3, portanto H M = H RJ + 6, assim a hora em Moscou será 17:00, do mesmo dia.

e H M = UT + 3

4 – Considerando-se serem 21:00 horas em São Paulo, determinar a hora em Tóquio.

Fuso de São Paulo UT –3 (P) Fuso de Tóquio UT + 9, logo pelas mesmas considerações do exercício anterior H T = (H SP + 3) + 9, assim H M = (21:00 + 3) + 9 = 33:00, ultrapassando as 24:00, que subtraídas fornecem o valor de 9:00. Verificando-se então que houve transposição da linha de mudança de data, caracterizando a data do dia D+1 em relação ao dia em São Paulo.

60

Hora Civil A hora civill sempre será determinada pela diferença de longitude entre os dois lugares

considerados. Dividindo-se a diferença de longitude pelo valor unitário de 1 h (15), obtem-se a diferença horária entre os dois meridianos. Este valor obtido deve ser somado ou subtraído, conforme

a posição do ponto desejado estar à este ou oeste do ponto origem.

O cálculo é semelhante a determinação da diferença de longitude netre dois pontos

12 = 2 - h 12 = h 2 - h 1

1

h