INTRODUÇÃO

Cooperativas são sociedades constituídas por um grupo de pessoas, que objetivam
desempenhar, em benefício comum, uma determinada atividade econômica. Sociedades
empresariais é a união de duas ou mais pessoas que se reúnem com o intuito de praticar
habitualmente atos de comércio e dividir lucros. Este trabalho tem como objetivo mostrar os
contrapontos existentes entre, a contabilidade das Entidades Cooperativas e as das Sociedades
Empresariais, demonstrando que cada segmento trabalha com normas especificas, na forma de
registro e que atendam as necessidades de seus usuários.

Para Ribeiro (1999) a contabilidade é: “A ciência (ou técnica que. para que além do beneficiamento econômico haja um crescimento pessoal e social dos envolvidos. composto exclusivamente de associados eleitos pela assembleia geral. como afirma o art. renda. autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação. 1/3 do conselho de administração. Nas cooperativas ao contrário das entidades empresárias. A contabilidade é uma Ciência que estuda e interpreta os registros dos fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio das entidades. a demonstração expositiva e a revelação desses fatos. no mínimo. mediante o registro. “celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. de proveito comum. Sá (2000). fraternidade.COOPERATIVAS X SOCIEDADES EMPRESARIAIS As entidades empresariais são organizadas economicamente para produzir ou vender mercadorias e serviços. A sociedade cooperativa constitui-se por deliberação da assembleia geral dos fundadores.690/2012. constantes da respectiva ata ou por instrumento público. com mandato nunca superior a quatro anos sendo obrigatória a renovação de. suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão patrimonial”. tendo como objetivo o lucro. com o fim de oferecer informações sobre a composição do patrimônio. . Considera-se Cooperativa de Trabalho a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum.764/71. sem objetivo de lucro”. A sociedade cooperativa será administrada por uma diretoria ou conselho de administração ou ainda outros órgãos necessários à administração previstos no estatuto. 3° da lei 5. existe um grupo de pessoas com espírito de união. segundo alguns) que estuda. conceitua “empresa como aquela que possui o seu patrimônio aplicado à obtenção de lucro”. A regulamentação das referidas cooperativas é determinada pela Lei 12.

estipula que a escrituração contábil é obrigatória. A contabilidade das cooperativas tem relação direta com o tipo de atividade. expelindo o capital subscrito e o capital a integralizar.A Lei 9. mesmo uma pequena cooperativa (por exemplo. . nos caso das cooperativas não seriam ações e sim quotas-partes. que devem ser registradas de forma individualizada por se tratar de sociedade de pessoas. Os investimentos em Entidades Cooperativas de qualquer grau devem ser avaliados pelo custo de aquisição. A primeira é a praticada entre a cooperativa e seus associados. As cooperativas de crédito têm por objetivo fomentar as atividades do cooperado via assistência creditícia. as entradas e saídas podem ser passíveis de tributação. podendo ser utilizados os registros auxiliares. constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em desvantagem no mercado econômico. deve escriturar seu movimento econômico e financeiro. por meio do trabalho. ou ainda pela compra de ações de terceiros. A NBC T 10.8.8. a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado. Este capital das Entidades Cooperativas formado por quotas-partes.867/1999 dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas Sociais. em seu item 10. tanto para sociedades empresariais como cooperativadas. Portanto. quando a base do custo é o preço total pago. fundamentadas no interesse geral da comunidade em promover a pessoa humana e a integração social dos cidadãos. para qualquer tipo de cooperativa. uma cooperativa de pescadores). A escrituração contábil é obrigatória. A conta Capital das entidades empresariais será denominada Capital Social nas entidades cooperativas. dependendo do caso. conceituado por Iudicibus (2000) como o valor efetivamente desprendido na transação por subscrição relativa ao aumento de capital. É ato próprio de uma cooperativa de crédito a captação de recursos. que pode ser tanto atividade cooperativas (ou atos cooperados) quanto não cooperativas (ou atos não cooperados).1. o que propicia melhores condições de financiamento aos associados.2. A outra são as atividades que são realizadas fora do seu objetivo e.

pela subscrição de novas quotas-partes. Nas entidades cooperativas também é exigido. denominando-se de ato-cooperativo ou não cooperativo. evidenciando os componentes patrimoniais. para correção da expressão monetária do seu valor. eliminação ou exclusão. retiradas do associado. aplicando-se tanto as Entidades empresariais ou cooperativas.404/76. por demissão. pela retenção estatutária sobre a produção ou serviço. exceto as reservas de Incentivos Fiscais e Reavaliação. nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. também ocorrido entre cooperativas associadas entre si. para a consecução dos objetivos sociais. 79. pode ser movimentada pela livre adesão do associado. O passivo e o patrimônio líquido que registram as origens de recursos nas empresas. define: Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados. Outra grande diferença está relacionada com os atos destas entidades. Estes atos são denominados de acordo com a relação que ocorre entre a cooperativa e seus associados. ato que a lei 5. entre estes e aquelas cooperativas entre si quando associadas. de modo a possibilitar aos seus usuários a adequada interpretação das suas posições patrimonial e financeira. nas cooperativas os atos são divididos entre atos cooperativos e não cooperativos. pela reserva de capital constituída por ocasião do balanço de encerramento do exercício social e resultante da correção monetária do capital realizado sendo capitalizada por deliberação da assembléiageral ordinária que aprovar o balanço.764/71. correspondentes ao aumento. Nas entidades empresariais a conta capital pode ser aumentada: pela deliberação da assembléia-geral ordinária. O ato cooperativo não implica operação de mercado. entre acionistas. O Balanço Patrimonial é uma exigência da Lei n° 6. no art. comparando com o . pela capitalização de sobras e pela incorporação de reservas. quando de sua admissão. na proporção do número de ações que possuírem. enquanto que nas empresas comerciais inexiste esta diferenciação. que são consideradas indivisíveis.partes fixado no estatuto social . pelo valor das quotas . neles serão demonstrados o ativo que se compõem de Bens e Direitos aplicados na Entidade Contábil. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas.A conta Capital Social. nas Entidades Cooperativas.

Enquanto que nas empresas comerciais define o exercício social com duração de um ano. custos e despesas do ato não-cooperativo. Devendo ocorrer a destinação de fundos à formação educacional permanente dos associados quanto ao sistema cooperativista. não havendo necessidade de coincidir com o ano civil (1º-1 a 31-12). os proprietários da empresa definirão a data do término do exercício social. o restante dos lucros deve ser distribuído entre os cooperativados proporcionalmente às suas contribuições para a associação. estes apresentados como parcela redutora do Patrimônio Líquido. Com a ressalva de que a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. As Entidades Cooperativas devem distribuir as sobras líquidas aos seus associados de acordo com a produção de bens ou serviços por eles entregues. A destinação dos resultados levantados no final do exercício através de atos cooperativos deve ser distribuídos de acordo com os seguintes critérios: uma parte reservada para o desenvolvimento da cooperativa. devem ser postas à disposição da Assembléia Geral para deliberação e. outra parte para a eventualidade de gastos extraordinários e. considerando os ingressos diminuídos dos dispêndios do ato cooperativo. que são os lucros retidos ou ainda não destinados e os prejuízos ainda não compensados. não devendo haver saldo pendente ou acumulado de exercício anterior. salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. da mesma forma ocorre nas sociedades cooperativas sendo fixado em seus estatutos sociais. quando a reserva legal é insuficiente para sua cobertura. as perdas líquidas. e das receitas. após as destinações legais e estatutárias. a qual deve evidenciar. em função do volume de fornecimento de bens de consumo e insumos. a composição do resultado de determinado período. dentro do exercício social.exercício anterior. que evidenciam a composição do resultado formado num determinado período de operações destas confrontando as receitas e os custos e despesas correspondentes. neste caso será denominado de Sobras ou Perdas à disposição da Assembléia Geral. serviços e atividades desenvolvidas pela Entidade Cooperativa. . da mesma forma. As sobras do exercício. será alterada para Demonstração de Sobras ou Perdas. A denominação da Demonstração do Resultado das Entidades Empresariais. serão rateadas entre os associados da forma estabelecida no estatuto social. separadamente. demonstrados segregada mente por produtos.

conforme Lei 9. ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido . mesmo que suas vendas sejam efetuadas integralmente a associados (art.532/97). 3.CSLL.718/98. são obrigatoriamente tributadas pelo lucro real.TRIBUTAÇÃO IRPJ Os resultados (sobras) decorrentes dos atos cooperativos não são tributáveis pelo IRPJ. aplicáveis às demais pessoas jurídicas. COOPERATIVAS DE CRÉDITO – OPÇÃO OBRIGATÓRIA PELO LUCRO REAL As cooperativas de crédito. assim como as demais pessoas jurídicas. art. é obrigada á entrega da DIPJ anual. as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica. O fato de operar somente com operações cooperativadas (não tributáveis pelo Imposto de Renda) não a desobriga de apresentar a declaração respectiva. conforme Lei 5. CSLL A partir de 01. art. cuja atividade está sob controle do Banco Central do Brasil. sujeitam-se. às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União. a partir de 1998. 69 da Lei 9. 14.01. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CONSUMO – TRIBUTAÇÃO INTEGRAL DOS RESULTADOS As sociedades cooperativas de consumo. que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores. DIPJ – DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA A cooperativa. ICMS .764/71. relativamente aos atos cooperativos.2005.

com exclusões da base de cálculo previstas pela Medida Provisória 2. 2) SOBRE A RECEITA BRUTA. mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. de acordo com a legislação estadual em que efetuar as operações. deverá recolher o IPI correspondente á alíquota aplicável a seus produtos. art. ISS A Cooperativa será contribuinte do ISS somente se prestar a terceiros serviços tributados pelo referido imposto. dentro dos moldes exigidos pelo Regulamento respectivo. A prestação de serviços a cooperados não caracteriza operação tributável pelo ISS. . para as cooperativas. 15. Neste caso.11327/2001.1999 (data fixada pelo Ato Declaratório SRF 88/99). IPI A cooperativa é considerada estabelecimento industrial quando executa qualquer das operações consideradas como industrialização. prevista na Lei Complementar 70/91. PIS As cooperativas deverão pagar o PIS de duas formas: 1) SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. nem contrato de compra e venda. especifica que os atos cooperativos não implicam operação de mercado.Havendo circulação de mercadorias ou prestação de serviços tributáveis. a partir de 01.764/71. em seu artigo 79.11. já que. expressamente. a cooperativa estará sujeita ao ICMS. a Lei 5. COFINS Ficou revogada a isenção da COFINS.

637/2002 e 10.Portanto.11. estas estarão sujeitas ao PIS e à COFINS não cumulativa (Leis 10. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO Observe que.833/2003). mesmo não tendo incidência de Imposto de Renda sobre suas atividades econômicas. estão sujeitas à apresentação da DCTF. a partir de 01. para as cooperativas de produção agropecuária e as de consumo. as cooperativas deverão recolher a COFINS sobre a receita bruta. DCTF – ENTREGA PELA COOPERATIVA As cooperativas. .1999 (data fixada pelo Ato Declaratório SRF 88/99).

deve informar aos seus associados que são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento do negócio. verifica-se que cada segmento de entidade necessita de uma contabilidade especifica. ainda utiliza se de Leis e normas aplicadas a outros tipos de sociedades.CONCLUSÃO O objetivo da contabilidade é o de explicitar a situação econômica e financeira das entidades. através de demonstrações e relatórios. e na maioria das vezes são pessoas simples com um grau de estudo menos elevado. para que não ocorram falhas. num sistema que se encontra em desenvolvimento. . Muitas vezes o sistema cooperativo. para que falhas não ocorram. a contabilidade além de atender a legislação. criando assim lacunas no sistema contábil. que possam fornecer esclarecimentos às partes envolvidas. vão além das diferenças contábeis e devem ser consideradas. sendo assim evidenciase a necessidade que as cooperativas tem de padronizar o seu sistema contábil cooperativo. por sua vez. No sistema cooperativo. Os contrapontos entre entidades empresariais e cooperativas são inúmeras e relevantes.

São Paulo.com. Antônio. 1999. OPES DE SÁ. LOPES DE SÁ. Osni Moura. Saraiva. Wilson Alves.htm http://portalcfc. 1998. São Paulo. Ernesto Rubens. Ed Atlas. POLONIO. 2000. São Paulo. 2003.pdf . Das Sociedades por Ações. Lúcia Helena Briski. Atlas.org. Sociedades Cooperativas. YOUNG. Resumo Prático.br/wordpress/wp-content/uploads/2012/12/NBC_TE_EntidadeCooperativa. Contabilidade Geral Fácil. Manual de Contabilidade.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IUDÍCIBUS. GELBCKE. http://www. Atlas.portaldecontabilidade. MARTINS. São Paulo. RIBEIRO. Manual das Sociedades Cooperativas. Curitiba. Sérgio de. Ana Maria. Eliseu.br/tematicas/cooperativas. Dicionário de Contabilidade. 2000.