INTRODUÇÃO

Cooperativas são sociedades constituídas por um grupo de pessoas, que objetivam
desempenhar, em benefício comum, uma determinada atividade econômica. Sociedades
empresariais é a união de duas ou mais pessoas que se reúnem com o intuito de praticar
habitualmente atos de comércio e dividir lucros. Este trabalho tem como objetivo mostrar os
contrapontos existentes entre, a contabilidade das Entidades Cooperativas e as das Sociedades
Empresariais, demonstrando que cada segmento trabalha com normas especificas, na forma de
registro e que atendam as necessidades de seus usuários.

composto exclusivamente de associados eleitos pela assembleia geral. Nas cooperativas ao contrário das entidades empresárias. A contabilidade é uma Ciência que estuda e interpreta os registros dos fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade. situação socioeconômica e condições gerais de trabalho. renda. com mandato nunca superior a quatro anos sendo obrigatória a renovação de. sem objetivo de lucro”. tendo como objetivo o lucro. Considera-se Cooperativa de Trabalho a sociedade constituída por trabalhadores para o exercício de suas atividades laborativas ou profissionais com proveito comum. “celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. de proveito comum. autonomia e autogestão para obterem melhor qualificação. controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio das entidades. suas variações e o resultado econômico decorrente da gestão patrimonial”. para que além do beneficiamento econômico haja um crescimento pessoal e social dos envolvidos. a demonstração expositiva e a revelação desses fatos. como afirma o art. 1/3 do conselho de administração. Para Ribeiro (1999) a contabilidade é: “A ciência (ou técnica que. mediante o registro. existe um grupo de pessoas com espírito de união. . constantes da respectiva ata ou por instrumento público. A regulamentação das referidas cooperativas é determinada pela Lei 12. no mínimo.764/71. conceitua “empresa como aquela que possui o seu patrimônio aplicado à obtenção de lucro”. Sá (2000). fraternidade. A sociedade cooperativa será administrada por uma diretoria ou conselho de administração ou ainda outros órgãos necessários à administração previstos no estatuto.COOPERATIVAS X SOCIEDADES EMPRESARIAIS As entidades empresariais são organizadas economicamente para produzir ou vender mercadorias e serviços. 3° da lei 5. segundo alguns) que estuda. A sociedade cooperativa constitui-se por deliberação da assembleia geral dos fundadores.690/2012. com o fim de oferecer informações sobre a composição do patrimônio.

que pode ser tanto atividade cooperativas (ou atos cooperados) quanto não cooperativas (ou atos não cooperados). para qualquer tipo de cooperativa. . mesmo uma pequena cooperativa (por exemplo. dependendo do caso.A Lei 9.2. o que propicia melhores condições de financiamento aos associados. Os investimentos em Entidades Cooperativas de qualquer grau devem ser avaliados pelo custo de aquisição. deve escriturar seu movimento econômico e financeiro. a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado. conceituado por Iudicibus (2000) como o valor efetivamente desprendido na transação por subscrição relativa ao aumento de capital. em seu item 10. nos caso das cooperativas não seriam ações e sim quotas-partes. que devem ser registradas de forma individualizada por se tratar de sociedade de pessoas. A conta Capital das entidades empresariais será denominada Capital Social nas entidades cooperativas. uma cooperativa de pescadores). constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em desvantagem no mercado econômico. Portanto. por meio do trabalho. A NBC T 10.867/1999 dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas Sociais. tanto para sociedades empresariais como cooperativadas.1. estipula que a escrituração contábil é obrigatória. A primeira é a praticada entre a cooperativa e seus associados. quando a base do custo é o preço total pago.8. ou ainda pela compra de ações de terceiros. as entradas e saídas podem ser passíveis de tributação. A escrituração contábil é obrigatória. As cooperativas de crédito têm por objetivo fomentar as atividades do cooperado via assistência creditícia.8. A outra são as atividades que são realizadas fora do seu objetivo e. Este capital das Entidades Cooperativas formado por quotas-partes. expelindo o capital subscrito e o capital a integralizar. podendo ser utilizados os registros auxiliares. É ato próprio de uma cooperativa de crédito a captação de recursos. A contabilidade das cooperativas tem relação direta com o tipo de atividade. fundamentadas no interesse geral da comunidade em promover a pessoa humana e a integração social dos cidadãos.

404/76. enquanto que nas empresas comerciais inexiste esta diferenciação. pela capitalização de sobras e pela incorporação de reservas. no art. para a consecução dos objetivos sociais. 79. Nas entidades empresariais a conta capital pode ser aumentada: pela deliberação da assembléia-geral ordinária. evidenciando os componentes patrimoniais. ato que a lei 5. exceto as reservas de Incentivos Fiscais e Reavaliação.A conta Capital Social. para correção da expressão monetária do seu valor. neles serão demonstrados o ativo que se compõem de Bens e Direitos aplicados na Entidade Contábil. Outra grande diferença está relacionada com os atos destas entidades. pela reserva de capital constituída por ocasião do balanço de encerramento do exercício social e resultante da correção monetária do capital realizado sendo capitalizada por deliberação da assembléiageral ordinária que aprovar o balanço. O Balanço Patrimonial é uma exigência da Lei n° 6. O ato cooperativo não implica operação de mercado. entre estes e aquelas cooperativas entre si quando associadas. nas Entidades Cooperativas. entre acionistas. define: Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados.partes fixado no estatuto social . aplicando-se tanto as Entidades empresariais ou cooperativas. por demissão. que são consideradas indivisíveis. pode ser movimentada pela livre adesão do associado.764/71. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas. eliminação ou exclusão. pelo valor das quotas . denominando-se de ato-cooperativo ou não cooperativo.pela subscrição de novas quotas-partes. Nas entidades cooperativas também é exigido. retiradas do associado. comparando com o . de modo a possibilitar aos seus usuários a adequada interpretação das suas posições patrimonial e financeira. na proporção do número de ações que possuírem. correspondentes ao aumento. O passivo e o patrimônio líquido que registram as origens de recursos nas empresas. também ocorrido entre cooperativas associadas entre si. pela retenção estatutária sobre a produção ou serviço. nas cooperativas os atos são divididos entre atos cooperativos e não cooperativos. nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Estes atos são denominados de acordo com a relação que ocorre entre a cooperativa e seus associados. quando de sua admissão.

Com a ressalva de que a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. As sobras do exercício. em função do volume de fornecimento de bens de consumo e insumos. da mesma forma ocorre nas sociedades cooperativas sendo fixado em seus estatutos sociais. A destinação dos resultados levantados no final do exercício através de atos cooperativos deve ser distribuídos de acordo com os seguintes critérios: uma parte reservada para o desenvolvimento da cooperativa. . a composição do resultado de determinado período. e das receitas.exercício anterior. custos e despesas do ato não-cooperativo. separadamente. a qual deve evidenciar. devem ser postas à disposição da Assembléia Geral para deliberação e. neste caso será denominado de Sobras ou Perdas à disposição da Assembléia Geral. dentro do exercício social. demonstrados segregada mente por produtos. considerando os ingressos diminuídos dos dispêndios do ato cooperativo. outra parte para a eventualidade de gastos extraordinários e. que são os lucros retidos ou ainda não destinados e os prejuízos ainda não compensados. Devendo ocorrer a destinação de fundos à formação educacional permanente dos associados quanto ao sistema cooperativista. As Entidades Cooperativas devem distribuir as sobras líquidas aos seus associados de acordo com a produção de bens ou serviços por eles entregues. será alterada para Demonstração de Sobras ou Perdas. não devendo haver saldo pendente ou acumulado de exercício anterior. o restante dos lucros deve ser distribuído entre os cooperativados proporcionalmente às suas contribuições para a associação. não havendo necessidade de coincidir com o ano civil (1º-1 a 31-12). salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. serviços e atividades desenvolvidas pela Entidade Cooperativa. as perdas líquidas. os proprietários da empresa definirão a data do término do exercício social. que evidenciam a composição do resultado formado num determinado período de operações destas confrontando as receitas e os custos e despesas correspondentes. estes apresentados como parcela redutora do Patrimônio Líquido. após as destinações legais e estatutárias. quando a reserva legal é insuficiente para sua cobertura. serão rateadas entre os associados da forma estabelecida no estatuto social. da mesma forma. Enquanto que nas empresas comerciais define o exercício social com duração de um ano. A denominação da Demonstração do Resultado das Entidades Empresariais.

COOPERATIVAS DE CRÉDITO – OPÇÃO OBRIGATÓRIA PELO LUCRO REAL As cooperativas de crédito.01. cuja atividade está sob controle do Banco Central do Brasil. assim como as demais pessoas jurídicas. ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido . que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores.TRIBUTAÇÃO IRPJ Os resultados (sobras) decorrentes dos atos cooperativos não são tributáveis pelo IRPJ. O fato de operar somente com operações cooperativadas (não tributáveis pelo Imposto de Renda) não a desobriga de apresentar a declaração respectiva. DIPJ – DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA A cooperativa.2005. as sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica. 69 da Lei 9. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CONSUMO – TRIBUTAÇÃO INTEGRAL DOS RESULTADOS As sociedades cooperativas de consumo. art. mesmo que suas vendas sejam efetuadas integralmente a associados (art. a partir de 1998. aplicáveis às demais pessoas jurídicas. são obrigatoriamente tributadas pelo lucro real. ICMS . relativamente aos atos cooperativos. 3. às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União.532/97). é obrigada á entrega da DIPJ anual. sujeitam-se.764/71. 14. conforme Lei 9. conforme Lei 5.CSLL.718/98. CSLL A partir de 01. art.

ISS A Cooperativa será contribuinte do ISS somente se prestar a terceiros serviços tributados pelo referido imposto. em seu artigo 79. mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. deverá recolher o IPI correspondente á alíquota aplicável a seus produtos. expressamente. prevista na Lei Complementar 70/91. dentro dos moldes exigidos pelo Regulamento respectivo. para as cooperativas. com exclusões da base de cálculo previstas pela Medida Provisória 2. IPI A cooperativa é considerada estabelecimento industrial quando executa qualquer das operações consideradas como industrialização. Neste caso. nem contrato de compra e venda.11327/2001. . PIS As cooperativas deverão pagar o PIS de duas formas: 1) SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO. a Lei 5. A prestação de serviços a cooperados não caracteriza operação tributável pelo ISS.1999 (data fixada pelo Ato Declaratório SRF 88/99).Havendo circulação de mercadorias ou prestação de serviços tributáveis. a partir de 01.11. de acordo com a legislação estadual em que efetuar as operações. a cooperativa estará sujeita ao ICMS. já que. 2) SOBRE A RECEITA BRUTA. 15. art.764/71. COFINS Ficou revogada a isenção da COFINS. especifica que os atos cooperativos não implicam operação de mercado.

11.637/2002 e 10. mesmo não tendo incidência de Imposto de Renda sobre suas atividades econômicas.1999 (data fixada pelo Ato Declaratório SRF 88/99). estas estarão sujeitas ao PIS e à COFINS não cumulativa (Leis 10.Portanto. DCTF – ENTREGA PELA COOPERATIVA As cooperativas. estão sujeitas à apresentação da DCTF. as cooperativas deverão recolher a COFINS sobre a receita bruta. .833/2003). a partir de 01. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO Observe que. para as cooperativas de produção agropecuária e as de consumo.

a contabilidade além de atender a legislação. num sistema que se encontra em desenvolvimento. . No sistema cooperativo. que possam fornecer esclarecimentos às partes envolvidas. para que não ocorram falhas. Os contrapontos entre entidades empresariais e cooperativas são inúmeras e relevantes. verifica-se que cada segmento de entidade necessita de uma contabilidade especifica. por sua vez. e na maioria das vezes são pessoas simples com um grau de estudo menos elevado.CONCLUSÃO O objetivo da contabilidade é o de explicitar a situação econômica e financeira das entidades. criando assim lacunas no sistema contábil. Muitas vezes o sistema cooperativo. vão além das diferenças contábeis e devem ser consideradas. para que falhas não ocorram. deve informar aos seus associados que são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento do negócio. através de demonstrações e relatórios. ainda utiliza se de Leis e normas aplicadas a outros tipos de sociedades. sendo assim evidenciase a necessidade que as cooperativas tem de padronizar o seu sistema contábil cooperativo.

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