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APOSTILA DE INTRODUÇÃO BÍBLICA PROFESSORA: MARIA VITÓRIA SANTOS DE BRITO Rio de Janeiro Revisão 1.0

APOSTILA DE INTRODUÇÃO BÍBLICA

PROFESSORA: MARIA VITÓRIA SANTOS DE BRITO

Rio de Janeiro Revisão 1.0

20/03/2011

REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO

A palavra Revelação vem do substantivo grego Apokalypsis, significando literalmente o ato de desvendar algo oculto, para que possa ser visto como ele é. O verbo grego Apokalipto, significa desvendar , revelar, fazer conhecido.

dons,

escritores na transmissão da mensagem divina.

Deus

usou

os

a

vontade,

a

disposição

e

a

capacidade

intelectual

dos

Deus é conhecido segundo o Antigo Testamento não porque os homens nos seus esforços intelectuais o descobriram, mas somente porque o próprio Deus se revelou. Não foi o homem quem encontrou Deus, mas foi o Senhor quem o escolheu (Jo. 15:16, Am. 3:7, Dn. 2: 19,28). Deus usou a natureza para revelar o seu poder, a sua sabedoria, a sua glória e a sua bondade (S1.104; SI. 19:1; Jr. 10:12).

 

REVELAÇÃO

Definições

 

1 - É a obra exclusiva de Deus Dn.2:47; Jr. 1:12

2 - É a comunicação do conhecimento de Sua Pessoa, de Seus Propósitos e da Sua Vontade ao homem, por ser este incapaz de descobrir pelos poderes do seupróprio intelecto as Verdades Divinas -1 Co 2:14 -16 ; ICo 1: 18,19.

É

o

Jr.24:7; Os. 6:3; Gl 1:15,16

3 -

processo

pelo

qual

Deus

se

faz

conhecido

ao

homem.

4 - É a abertura dos olhos, dos ouvidos, pelo falar, levada a efeito pelo Senhor. Nm 22:31; I Sm. 9:15; 2 Tm. 1:10; Tt. 2:11, 3:4; Hb. l:l,2; I Jo. 1:1.

Podemos dizer que tem dois sentidos à revelação: ATIVA E PASSIVA. ATIVA: é a atividade do próprio Deus enquanto se dá a conhecer ao homem. PASSIVA: é o conhecimento que é dado ao homem. Exemplo: Deus revela a Israel a sua lei. Ex. 20:22

TIPOS DE REVELAÇÃO

1 - Revelação Original:

Deus ao se revelar a Adão, homem criado à Sua Imagem e Semelhança, fê-lo para que pudesse conhecer, amar, servir e glorificar o Seu Nome. Adão desfrutava de uma profunda comunhão com Deus, conhecimento este que transcende ao nosso intelecto. Gn.3:8 .

2 - Revelação Verbal ( O Logos de Deus ).

É a mais completa revelação, feita através de Jesus Cristo, o Verbo de Deus, o verbo da Vida. I Jo. 1:1; Ap. 19:13.

"Logos ", palavra grega que pode-se traduzir como " Palavra ", aponta para Jesus. Em Jo. 17:17 as Escrituras nos diz que: " A Tua Palavra é a Verdade ". Jesus veio a

este mundo para dar a Sua vida em resgate de muitos ( Mt 20:28 ); para anunciar o Evangelho do Reino de Deus ( Lc 12:49 ); para buscar e salvar os perdidos ( I Tm. 1:15 ); para juizo (Jo. 9:39); para dar testemunho da Verdade (Jo. 18:37).

3- Revelação Redentora :

É a revelação operada pelo o Espírito Santo, no homem interior, religando-o com

o Seu Criador. At. 20:23 ; 21:4 ; Jo. 14:26 ; Lc. 12:12; I Co. 2:10-12.

4- Revelação Bíblica :

As Escrituras é uma das formas pela qual Deus se revela ao homem embora nem tudo que Deus revelou está na Palavra de Deus .( II Cr.9:29 ; Jo. 21:25; At.20:35;

Dn.2:22.

FORMAS DE REVELAÇÃO DE DEUS AO HOMEM

1

- Por meio de ações :

 

)

Trovões - I Sm. 7:10; Jó. 37:4

)

Coluna de nuvem e fogo pelo deserto - Ex. 13:21; 14:20 ;19:16

)

Pelas Pragas - Ex. 7:12

)

Pelas Obras da criação - Gn. l; Am. 5:8; Rm. 1:20

2

- Por meio de visões e sonhos - Nm. l2:6

3

- Por meio de Sua Palavra - Jó. 29:3; SI. 119:130; Mt. 16:17

4

- Através da experiência pessoal do homem com Deus - Jó. 42:5

5

- Por meio de Jesus Cristo-Mt. ll:27; Jo. 8:19; 12:44; Gl. l:15,16.

As

formas de Deus se revelar aos homens no Velho Testamento, são chamadas

de Teofanias, isto é, são manifestações visíveis do Deus invisível à Sua criatura, o homem Ex. 3:2. Todas as Teofanias são meios usados que significam a presença de Deus, indicando ao mesmo tempo que a plenitude de Sua Pessoa não pode ser conhecida perfeitamente pelos poderes intelectuais do homem - Is. 55:8; I Co. 1: 19,21; 2:14 .

INSPIRAÇÃO

Definições

1 - É o termo que descreve no sentido bíblico a habilitação dos escritores que produziram os livros da Bíblia. Jr. 36:2, 27, 32 .

2 - É a influência sobrenatural do Espírito de Deus como um sopro sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem Divina sem erro - Ex. 34.28; Is. 34:16; Jó. 32:8 .

Assim Deus impeliu homens que escolhera e preparara (Jr. l:5, Gl. l:15) para escreverem exatamente aquilo que Ele desejaria que fosse escrito, a fim de transmitir

o conhecimento da Salvação ao seu povo e por meio deles transmitirem ao mundo esse

conhecimento, entretanto não anulando Deus a personalidade dos escritores bíblicos.

A Revelação

precede

a

Inspiração.

Deus

se

revela

ao

homem (Revelação) e

o Seu Espírito capacita a escrever a Palavra de Deus ( Inspiração ).

Diferença entre revelação e inspiração:

A Revelação dá conhecimento da Pessoa de Deus.

A Inspiração de Deus dá ao homem conhecimento de Sua Palavra.

Nota : Os apóstolos testemunharam sobre a autoridade que receberam de Deus -1 Co. 2:13; I Jo. 1:5.

A Inspiração não anulou a personalidade dos escritores bíblicos, mas que fatores

humanos e divinos operaram juntos na produção dos livros do antigo Testamento através de largos períodos históricos.

REVELAÇÃO GERAL E ESPECÍFICA

Revelação Geral é aquela que capacita todo o homem saber que Deus existe. -Rm

1:18-20.

Revelação Específica é aquela que revela Deus pessoalmente ao homem, quem Ele é, o que Ele tem feito e que está fazendo, o que fará e o que requer que os homens façam. Ex.: Deus se revelando a Noé, Abrãao, Moisés, a Israel quanto as leis e as promessas de Sua Aliança e nos dias atuais a Sua Igreja visível na Terra.

DIFERENÇA ENTRE PALAVRA INSPIRADA E REGISTRO INSPIRADO

Toda a Bíblia é Inspirada por Deus ( 2 Tm. 3:16 ), sendo que alguns trechos nas Escrituras foram dados por Revelação, podendo ser citados:

Livro

de

Génesis

e

parte

do

livro

do

Êxodo.

José interpretando os sonhos de Faraó ( Gn 40:8 ).

Daniel declarando os sonhos do rei Nabucodonosor ( Dn. 2:2-7,19, 28,30).). Citações do Apostolo Paulo (Gl 1:11,12 ; 1 Co 11:23-26 ).

Por outro lado em Lc. 1: l-3, observamos que este servo do Senhor , o médico amado,

conforme Cl. 4:14, foi inspirado a examinar trabalhos já conhecidos, e escrevendo o Evangelho que traz o seu nome. Entretanto podemos ainda dizer que alguns trechos citados nas Escrituras

tiveram

seus registros inspirados por Deus, para que tais fatos fos sem ins eridos na

B íblia

como advertência para o povo de Deus (SI 141:3; I Co 10:6,11.)

Exemplos de tais registros inspirados:

Mt. 4:3, 5, 9-Declaração de satanás ao tentar Jesus no deserto. 1 Sm 31:4 com 2 Sm 1:6-10- A morte de Saul questionada por Davi. Jz 16:7,11- A mentira de Sansão para com Dalila. 1 Rs 13:18- Mentira do Profeta. At 5:2- Mentira de Ananias e Safira.

TEORIAS FALSAS DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

1)

Teoria da Inspiração Natural, Humana

Teoria que diz que a Bíblia foi escrita por homens sábios, dotados de generalidade especial. Isto nega o sobrenatural, pois foi DEUS quem falou aos homens se revelando a eles, falando através deles. Ex.: II Sm 23:2; II Cr 20:14,15; Jr.l:9; Ez.3:16, 17; 11:5 ; At. 28:25.

2) Teoria da Inspiração Comum

Ensina que a inspiração dos Escritores da Bíblia é a mesma que hoje os homens possuem quando oram, pregam, ensinam e andam em comunhão com DEUS. Isto vai de encontro ao que a Bíblia registra quando menciona que o conhecimento e a unção espiritual do crente concedido pelo Espírito Santo está na proporção que este busca, ora, se consagra ao Senhor, santifica a sua vida (Js. 3:5).

Outrossim, a inspiração dos Escritores da Bíblia não admite grau: ou ele era inspirado ou não, pois haveria de se cumprir a sua finalidade, ter um proveito próprio (II Tm. 3:16; Tt. 3:8). A inspiração comum pode ser permanente (I Jo.2:27), ao passo que a dos escritores é temporária, como a expressão dos profetas: E veio a mim a Palavra do Senhor ( Ez. 3:16;

6:1).

3) Teoria da Inspiração Parcial

Ensina que a Bíblia contém a Palavra de DEUS, mas que não é a Palavra de DEUS. Em IITm. 3:16, a Bíblia rejeita esta teoria. (Ef. 6:17; l Pe. l:25)

4) Teoria do Ditado Verbal

Ensina a inspiração da Bíblia só quanto às palavras, não deixando lugar para a atividade e estilo do escritor. (Moisés - príncipe e legislador; Josué -comandante;)

Davi e Salomão - reis; Isaías, Jeremias, Ezequiel - profetas; Daniel - chefe de estado; Amos - homem do campo; Esdras - sacerdote; Pedro, Tiago, João - pescadores; Mateus - coletor de impostos; Paulo - teólogo). Essa teoria faz dos escritores verdadeiras máquinas, escrevendo os livros sem qualquer noção de mente e raciocínio. Ex.: Lucas fez cuidadosa investigação de fatos conhecidos (Lc. l:4).

Sabemos que DEUS revelou, inspirou e cuidou os escritores para que não houvesse erro no registro da revelação (Jr. l:5; Gl. l:15, 16).

5)

Teoria da Inspiração das Ideias

Teoria diz que DEUS inspirou os pensamentos ou ideias, não as palavras e expressões dos escritores, isto é, Deus inspirou homens, deixando ao critério deles a seleção das palavras. Se assim fosse, tais homens ao escreverem pensamentos ou ideias, introduziriam grandes erros em seus escritos. Por outro lado é difícil separar palavras do pensamento. Um pensamento é uma palavra antes de se proferir. Pensamentos divinamente inspirados, naturalmente teriam suas expressões em palavras divinamente inspiradas – l Co. 2:12,13; Hb. l:l; I Pe. 1:20, 21; Ap.22:19.

Teoria correta da Inspiração da Bíblia.

Também chamada Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal, afirma que todas as partes( registros) da Bíblia são inspiradas, igualmente afirmando que homens santificados, escreveram-na utilizando palavras de seu vocabulário, mas sob a inspiração do Espírito Santo (Jó 32:8; II Cr.20:14,15; 24:20)

PROPÓSITO DAS REVELAÇÕES DE DEUS

- Preservação da Verdade, de geração em geração.Ex: Mt. 24:35

- Revelar a pessoa de DEUS, através de Cristo pois Ele é a imagem do Pai. Ex.: Jo. l:18; Cl 1:15; Jo. 10:30.

- Autenticar a Deidade de Cristo. Ex.: Jo. 20:31.

- Revelar de modo perfeito o propósito Salvador de DEUS, pois Cristo é a sabedoria de Deus. Ex.: 1 Co 1:24

- Dar esperança e conhecimento ao homem da Vida Eterna - Ex.: Tt. l:2; I Jo. 5:13.

- Estabelecer uma relação pessoal entre DEUS e os homens Ex: Lv. 26:12; Mt. 28:20

CANON

ORIGEM- do termo grego Kanõn, e do hebraico Qãneh, de origem semítica (descendentes de Sem - Gn.lO:21-31 e 11:10-26, que originalmente no sentido literal significava instrumento de medir (Ez.40:3, 5), passou mais tarde a ser empregado no sentido religioso, como regra de ação, isto é, uma regra de vida que determina aquilo que deve ser feito, o que deve ser rejeitado, o que deve ser aceito, regras que devem ser aplicadas na conduta diária, um novo relacionamento com o Criador. G1. 6:16; Fp. 3:16.

Ilustração - O hebraico faz parte das línguas semíticas (aramaico, fenício, árabe, acádico (ugarítico), que eram faladas na Ásia, pelo lado do Mediterrâneo.

DEFINIÇAO - KANON (termo grego) ou Escritura Canónica (termo do latim) é a coleção encerrada de escritos inspirados pelo Espírito Santo e considerada como regra de fé e vida (Js. l:7,8, l Rs. 2:3).

Somente em meados do II século d.C. foi que o termo foi aplicado a Bíblia, através de Orígenes (Teólogo de Alexandria 185-254 DC.)

OS LIVROS SÃO CONSIDERADOS CANÓNICOS:

Pelo fato de serem divinamente inspirados e possuirem autoridade divina desde a sua promulgação

2)

Formação do CANON do Antigo Testamento

O CANON do Antigo Testamento foi formado num espaço de mais ou menos 1.000 anos, de Moisés a Cronicas.

No período patriarcal (período antes de Moisés receber a Lei no Monte Sinai), a Revelação Divina era transmitida oralmente ( Gn 1:28; 2:16,17;6;3), até o tempo em que o Senhor ordenou a Moisés escrever a Revelação num livro- Ex 17:14.

A escrita já era conhecida na Palestina séculos antes de Moisés, conforme prova a Arqueologia ao ter encontrado inúmeras inscrições, placas, sinetes e documentos antediluvianos.

Moisés começou a escrever a lei em cerca de 1491AC sob a direção de Deus -Ex. 17:4; 24:4,7; 34:27; Nm. 33:2; Dt. 28:58, 61;29:27; 30:10; 31:9-13, 19, 22; 31: 24-26; Jo 5:46.

As partes do pentateuco anteriores a Moisés, como o relato da Criação, o livro de Génesis e parte do Exôdo, ele lançou mão de fontes existentes ( Gn. 2:4; 5:1; 10:1; 11:10,27; 25:12,19; 35:23; 36:1-30 ou por revelação divina. Em Gn. 26:5 as Escrituras nos dá entender que neste tempo já havia mandamentos preceitos e estatutos escritos. Jesus Cristo e os Escritores do Novo Testamento afirmam esta autoria - Jo. 1:17; 7:19; Rm.

10:5,19.

Os livros de Moisés são citados por todo o Antigo Testamento, desde Josué 1:7 até Malaquias 4:4, incluindo-se a maior parte dos grandes livros intermediários, lRs 2:3; 2Rs 14:6; 2Cr 14:4; Jr 8:8; Dn 9:ll;Ed 6:18 e Ne 13:1. Em Jz 1:1,20,21 e 2:8, há referências a Josué e a acontecimentos narrados em seu livro. Os livros de Reis citam a vida de Davi conforme narrada nos livros de Samuel (lRs 3:14;5:7;8:16;9:5).

Crónicas faz uma revisão da história de Israel conforme o registro desde Génesis até Reis, incluindo-se o elo genealógico mencionado apenas em Rute4:21,22 (lCr2:12,13) . Neemias 9 resume a história de Israel conforme o registro de Génesis a Esdras. Um dos Salmos de Davi (Sl18:47,50 ), está registrado em2º Sm22:48-51. Há referências aos Provérbios de Salomão e a Cantares, em lRs 4:32. Daniel cita Jeremias 25:11 (Dn9:2 ). O Profeta Jonas recita parte de muitos Salmos (18,22,30,42.116,120) em ( Jn 2 ). Ezequiel menciona Jo e Daniel ( Ez 14:14,20 )

Visto que o último capítulo de Deuteronômio não se apresenta como profecia, entendemos que Moisés não escreveu a respeito de seu próprio sepultamento. Provável que Josué tenha registrado a morte de Moisés e este capítulo estar ligado ao início do livro de Josué, e este veio acrescentar algum texto ao de Moisés, colocando-o no tabernáculo ( Js 24:26 ). Juizes retoma o texto final de Josué ( Jz 1:1,20,21 e 2:8 ). Todavia os registros não ficaram completos, senão nos dias de Samuel. Isto se demonstra repetidamente pela declaração: " Naqueles dias não havia rei em Israel " (Jz 17:6;18:1; 19:1;21:25).

Devido a escola de profetas dirigida por Samuel ( ISm 19:20 ), surgiu uma série de livros proféticos que cobririam toda a história dos reis de Israel e Judá, como abaixo ilustramos:

1) A história de Davi foi escrita por Samuel ( I Sm ), por Nata e por Gade

(lCr29:29).

2) A história de Salomão foi registrada pelos profetas Nata, Aias e Ido

(2Cr9:29).

3) Os atos de Roboão forram escritos por Semaias e por Ido ( 2Cr 12:15). 4) A história de Abias foi acrescentada pelo profeta Ido (2Cr 13:22) 5) A história do reinado de Josafá foi registrada pelo profeta Jeú ( 2Cr 20:34). 6) A historia do reinado de Ezequias foi registrada por Isaias (2Cr 32:32). 7) A história dos demais reis foram narradas pelos profetas (2Cr33:19;35:27).

e

41 de Jeremias, que segundo a tradição rabínica, o referido profeta é o autor dos livros de Reis.

O

último

capítulo

de

Reis

está

mencionado

nos

textos

dos

capítulos

52,39,40

Daniel afirma ter tido acesso aos livros de Moisés e dos profetas. Menciona não só Jeremias, dentre eles, mas cita a predição do cativeiro de setenta anos,extraída de Je 25.

Durante o exílio, Daniel e Ezequiel continuaram o ministério profético. Ezequiel reconheceu um registro oficial de profetas nos arquivos do templo. Ele declarou que os falsos profetas" na congregação do meu povo não estarão, nem serão inscritos nos registros da casa de Israel" ( Ez 13:9 ). Ezequiel referiu-se a Daniel por nome , como notável servo de deus ( Ez 14:14,20 ).

Depois do exílio, Esdras, o sacerdote, voltou da Babilónia levando consigo os livros de Moisés e dos profetas ( Ed 6:18; Ne 9:14,26-30 ). Nos livros de Crónicas Esdras registrou seu relato sacerdotal da história de Judá e do templo ( Ne l2:23 ). Crónicas está ligadoa Esdras - Neemias pela repetição do último versículo de um, com o primeiro versículo do outro.

Com Neemias completa-se a cronologia profética. Cada profeta, desde Moisés até Neemias, contribuiu para a coleção sempre crescentes, de livros, que fora preservada pela comunidade dos profetas a partir de Samuel.

EVIDÊNCIA DA ACEITAÇÃO DOS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO, COMO CANÓNICOS

1

- Aceitação demonstrada pelo reconhecimento de sua Autoridade Divina em:

a.

O povo ser exortado a obedecê-la - IRs.ll:38; Js.l:8,9; Ne.l:8,9.

b.

A Lei deveria ser lida de 7 em 7 anos - Dt.31:10-13.

c.

O rei deveria ter uma cópia da Lei para regular suas decisões - Dt.17:18-20

d.

Considerado como regra de fé e vida - IRs.2:3; Dt.30:20 L -

2

- Aceitação pelo lugar em que os livros se encontravam ou eram recebidos,

no Templo.

a. As tábuas da Lei dentro da arca - Dt.lO:5

b. O livro da Lei dentro do Templo - IIRs.22:8.

3

Reconhecimento

das

profecias

- As profecias de Jeremias - Jr.51:46-52.

que

se

cumpriam

ao

longo

da

épocas.

- Mq. 4:1-5; Jr. 25:11; Dn. 9:2

As

4

citações

de

um

profeta

algumas

vezes

citando

outro

profeta

-

Is.2:l-4;

DATA DE RECONHECIMENTO E FIXAÇÃO DO CANON DO ANTIGO TESTAMENTO

Em 90 d.C. no sínodo de Jâmnia, perto da cidade de Jope, (uma escola em Israel que existiu entre 70 e 100 d.C), num concílio sob a presidência do rabino Johanam Ben Zakai, reconheceram e fixaram o Canon do Antigo Testamento, sendo debatido na oportunidade certos livros ditos como Escritos, tais como Ester, Eclesiastes e Cantares.

O trabalho deste concílio foi apenas ratificar aquilo que já era aceito pelos Judeus da época.

LIVROS DESAPARECIDOS CITADOS NO ANTIGO TESTAMENTO

1 Livros das Guerras do Senhor

2 Livros dos Justos

- Nm. 21:14

- Js. lO:13, 14;2ºSm. l:18

3 Livro da História de Salomão

- I

Rs. ll:41

4 Livro da História do Rei Davi

- I

Cr. 27:24

5 Livro das Crónicas de Samuel, Gade e Nata

- I Cr. 29:29

6 Livro da História de Natã, Semaias, Profecia de Aias e Visões de Ido - II Cr. 9:29;

12:15.

7 7- Livro de Hozai

- II Cr. 33:19

8 Livro da História dos Reis de Israel (citado 18 vezes nos dois livros de Reis)

- I

Rs. l4:19

9 Livro da História dos Reis de Judá (citado 15 vezes no V.T.)

- I

Rs. l4:29

10 Livro de Crónicas de Jeú

11 Atos de Uzias escritos por Isaías

-

-

II Cr. 20:34 II Cr.26:22

CANON DO NOVO TESTAMENTO

Composto de Livro escritos pelos apóstolos por revelação Divina, movidos pelo Espírito Santo, e recebidos como livros possuidores de autoridade divina na era apostólica - Gl. 1:8,9,11; II Pe. 1:21; 3:15,16; II Co. 12:7; Ef. 1:8,9.

Segundo historiadores em 100 dC. todos os livros do Novo Testamento já estavam escritos no grego.

1) FORMAÇÃO DO CANON DO NOVO TESTAMENTO

No final do século I e já no começo do II século, as Epístolas de Paulo, os 4 Evangelhos os tres primeiros escritos entre 60-65 dC e João em 85-90 dC, o Apocalipse e as Epístolas de I Pedro e I João já eram aceitos por certos pais apostólicos, tais como Clemente de Roma (95 dC), Policarpo (125 dC), Justino Martin (150 dC), Origenes (185 dC.), este último rejeitando a epístola dos Hebreus por não ter sido escrita por Paulo.

As Epístolas de Paulo foram os primeiros livros a serem aceitos como canónicos. O apóstolo Pedro em II Pe. 3:15,16 ( escrita em 67 dC) chama os escritos de Paulo de Escrituras.

As epístolas de Paulo foram redigidas entre 52 e 67 dC. sendo I Ts.e II Tm., o primeiro e último livro a serem escritos respectivamente.

Atos dos Apóstolos foi escrito em cerca de 63 dC.

Os Evangelhos foram inicialmente propagados oralmente. Mt., Mc, Lc, foram escritos entre 60 e 65 dC. A Epístola de João foi escrita em cerca de 85 dC. O apóstolo Paulo em I Tm.5:18 cita Mt. 10:10 e Lc. 10:7 como Escrituras.

OBS: I Tm foi escrito 65 dC, na mesma epoca dos evangelhos. Observe que os livros de Paulo foram os primeiros a serem aceitos como canonicos, II Tm foi escrito em 67 dC.

As epístolas de Hebreus e Judas foram escritas entre 68 e 90 dC

O Apocalipse foi escrito em cerca de 96 dC. , quando da gestão do Imperador Domiciano.

Mas foi no século IV dC. que o CANON do Novo Testamento se fixou quase universalmente, sendo que no concílio de Niceia em 325 dC, Atanásio, bispo de Alexandria aceitou os 27 livros que hoje temos. Por ocasião da Páscoa ele enviava cartas às igrejas de sua diocese. Em 367 dC. ele enviou uma carta (Carta Pascal 39), estabelecendo a lista de livros sagrados que deveriam ser lidos nas igrejas, recomendando também o Didache, o Pastor de Hermas, Sabedoria de Salomão, Sabedoria de Siraque, Ester, com as adições gregas, Judite e Tobias (apócrifos do Velho Testamento), como literaturas proveitosas. Assim ficou firmado o CANON nas igrejas cristãs do Oriente.

2 ) DATA DO RECONHECIMENTO E FIXAÇÃO DO CANON DO NOVO TESTAMENTO

Finalmente em 397dC, no concílio de Cartago, foi reconhecido e fixado o CANON do Novo Testamento, com os 27 livros, que hoje existe nas Escrituras.

Obs.: Os concílios não formavam o Canon, mas tão somente tinham a função de declarar a opinião geral das igrejas, em diversas partes do mundo, servindo por isso mesmo para consolidarem e oficializarem essas opiniões.

EVIDENCIAS PARA ACEITAÇÃO DOS LIVROS NO NOVO TESTAMENTO, COMO CANÓNICOS

1. Referindo-se as Escrituras como existentes e de autoridade divina - Mt. 22:29.

2.Composto de Livros colocados em nível de autoridade, não atingido por qualquer pessoa - I Ts. 2:13.

3. Composto de livros que dão evidência da sua origem - Rm. 1:1; Cl. 1:1-2.

LIVROS APÓCRIFOS

ORIGEM termo apocrypha, plural do adjetivo grego apokryphos, que significa aquilo que está oculto. No sentido religioso significa não genuíno, espúrio ou ainda não inspirado.

Livros Apócrifos

DEFINIÇÃO - Coleção de livros não canónicos que começaram a surgir no período interbíblico, quando cessou por completo a Revelação Divina.

CAUSAS DO SURGIMENTO DOS LIVROS APÓCRIFOS

- Com o cessar da Revelação Divina, os judeus ficaram decepcionados com as

promessas por eles conhecidas. Começaram a criar asas as suas imaginações, criando

obras apócrifas cuja preocupação era consolar o povo que esperava uma Palavra de Deus.

- Na nostalgia da lembrança da dispersão do rebanho do Sul, no qual

remontavam as esperanças do futuro da teocracia, vendo-os humilhados, derrotados, abandonando os velhos costumes, adquirindo riquezas, contudo espalhados pelo mundo, longe de Jerusalém.

- Apócrifos, cujo conteúdo era uma tentativa entre o que Deus prometera

ao

seu povo e as contingências da época em que viviam.

LIVROS APÓCRIFOS DO ANTIGO TESTAMENTO

Aparecem a primeira vez na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento, feita

do

hebraico. Quando a Bíblia foi traduzida do grego da Septuaginta para o Latin, em 170 dC.

(Antiga Versão Latina) , foi mantido os apócrifos . Desta versão, por Jerônimo, em 405 dC. criou a Vulgata Latina (que quer dizer comum) continuando entretanto a ser mantido os 14

escritos apócrifos; 10 livros e 4 acréscimos, total este também mantido pela Igreja Ortodoxa Grega até os dias de hoje.

Os 10 livros apócrifos do Antigo Testamento são :

Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, I Macabeus, II Macabeus,

III Esdras, IV Esdras e Oração de Manassés.

Os 4 acréscimos ou apêndices.

1- No livro de Ester

A Ester 3:13a - 13g ( Texto da carta do Rei Assuero ) A Ester 4:17a - 17z ( Orações de Mardoqueu e Ester)

A Ester 8:12a - 12v ( Carta da Proclamação do Edito ) A Ester 10:3a - finais de Mardoqueu )

3k ( Palavras

2-

Cânticos dos três Santos Filhos ( A Daniel 3:24-90 )

3-

História de Suzana ( Daniel cap. 13 )

4-

Bei e o Dragão ( Daniel cap. 14 )

No Consílio de Trento em 1546, realizado para deter o movimento protestante, a Igreja Romana rejeita os livros de III e IV Esdras e a oração de Manassés, totalizando assim 7 livros e 4 acréscimos, por ordem do Papa Sixtus V, que autorizou a publicação da Vulgata com estes livros em 1590.A Igreja Católica via nesse livros, base para sustentar suas doutrinas romanistas, como o purgatório, a oração pelos mortos, da salvação pelas obras, a adoração a virgem maria, e a santos.

LIVROS APÓCRIFO DO NOVO TESTAMENTO Didache, Pastor de Hermas, Epístola de Barnabé, dos Apóstolos, Evangelhos de Tomé, Pedro, dos Egípcios, Cartas de Clemente, Inácio, Apocalipses de Pedro e de João.

LIVROS DEUTEROCANÔNICOS. São os 7 livros canonizados pela Igreja Católica, no Velho Testamento.

LIVROS PSEÚDOEPÍGRAFOS São os falsos escritos, tanto no Velho Testamento como no Novo Testamento, que não foram reconhecidos por nenhuma igreja.

O ANTIGO TESTAMENTO HEBRAICO

A Bíblia Hebraica apresenta um total de 24 livros, em 3 divisões a saber:

1)

Lei - (Tõrãh) em hebraico) - 5 livros De Gênesis a Deuteronômio, chamado o

Pentateuco.

- Posteriores, como referência ao Cativeiro Babilónico.

2)

Profetas

8

Livros

Subdivididos

em

Profetas

Anteriores

e

Profetas

Profetas Anteriores - Josué, Juizes, Samuel (englobando I e II Samuel) e Reis ( englobando I e II Reis)

Profetas Posteriores - Isaías, Jeremias, Ezequiel e os "Doze" (fazendo menção desde Oséias a Malaquias, na mesma sequência de nossas Bíblias).

3) Escritos, 11 livros, também chamados de Hagiógrafos, termo grego para designar a terceira divisão do Canon hebraico. Subdivididos em:

- Livros Poéticos - Salmos, Jó e Provérbios

- Rolos - Rute, Cantares, Eclesiastes, Lamentações e Ester.

-Livros Históricos - Daniel, Esdras e Neemias (1 só livro) e Crónicas (1 só Livro).

Observações:

1)

Em Mt. 23:35 e Lc. 11:51, Jesus Cristo cita as mortes e Abel e Zacarias,

fazendo menção aos livros de Génesis e Crónicas, evidenciando o início e o fim do Canon Hebraico.

Em Lc. 24:44, Jesus Cristo citou a lei de Moisés, os Profetas e os Salmos,

apontando para a divisão do Canon Hebraico, embora Jesus Cristo citasse o livro de Salmos durante o Seu ministério: Mt 4: 6; SI 91:11,12; Mt 5:8,9; S124:3,4;34:14; Mt 5:35- SI 48:2; Mt 7:23; SI 6:8; Mt 27:46; SI 22:1; Lc 23:46; SI 31:5.

Os "Rolos" eram assim chamados por serem separados e lidos anualmente

em festas distintas a saber:

2)

3)

Cantares - Lido na Páscoa, no mês de Abibe ou Nisã ( Março / Abril ), em alusão a Ex 12: 13,27. Abibe ou Nisã corresponde ao 1º mês do Ano Sagrado ou sétimo mês do Ano Civil.

- /Junho),correspondente ao 3º mês do Ano Sagrado ou nono mês do Ano Civil , na celebração das primícias da colheita da cevada.

de Siwãn(Maio

Rute

Lido

na

festa

do

Pentecostes,

no

mês

Lamentações - lido no 9º dia do mês, Abh ( Julho / Agosto ), 5º e IIº dos anos Sagrado e Civil, respectivamente, como lamentação ao relembrar a destruição de Jerusalém pelos Babilônicos.

Eclesiastes - Lido na festa dos Tabernáculos, do 15° ao 22° dia do mês de Tirsi ou Etanin( Set. / Out. ), 7 o mês do ano Sagrado ou 1 o mês do Ano Civil, também chamada de Colheita, em ação de graças pela colheita do trigo e das frutas.

Ester - Lido na festa do Purim, nos dias 13 a 15 do 12° mês Adhar( Fev. / Março), comemorando o livramento de Israel das mãos de Hamã. Obs.:

1) " PURIM " - originária da palavra "pur "( Et 3:7; 9:24,26 ), significando "sorte", não um vocábulo hebraico, mas do termo assírio " puru ", um "seixo", que significa pedra lisa ( SI 114:8 ), ou pedra pequena, que podia ser usada para lançamento de sortes. Hama, homem superticioso, lançava sortes, para encontrar o dia melhor para intentar matar todos os judeus existentes no império persa. 2) Ainda no mês de Tirsi, comemora-se no dia I o a festa das Trombetas, e no 10° dia o Dia da Expiação ou Dia do Perdão ( Lv 16: 1-34 ; Nm 29: 7-11 ) e chamado de "Yon Kippur " pelos judeus modernos. 3) Temos no mês de Quisleu ( Nov. / Dez. ) a festa da "Dedicação ", celebrada por um período de 8 dias, chamada pelos judeus de " Hanukkah ", afim de comemorar a purificação, a reconsagração do Templo, feita por Judas Macabeu em 165 AC. após ter sido profanado pelo rei sírio Antíoco Epifânio. O historiador Flávio Josefo denomina esta festa como " Festa das Luzes ", celebrada com tochas ou luzes, apontando para o retorno da luz divina ao Templo. 4) Sequência Acróstica:

Forma poética da Bíblia Hebraica, na qual as letras iniciais de cada linha, formam uma sequência do alfabeto hebraico, este constituído por 22 letras. Ex.: SI 119; SI 34; Pv. 31 apartir do versículo 10.

A ESTRUTURA DA BÍBLIA EM PORTUGUÊS

ESTRUTURA DO VELHO TESTAMENTO

A bíblia divide-se em 2 partes: Antigo e novo testamento, composto de 66 livros, 39 livros no antigo testamento e 27 livros no novo testamento.

O antigo testamento divide-se em 4 grupos, de acordo com o assunto que pertencem:

Lei - (Fundamento da chegada de Cristo)

História – (Preparação para a chegada de Cristo)

Poesia – (Desejo pela chegada de Cristo)

Profecia – (Certeza pela chegada de Cristo)

Lei - são os 5 livros de Moises (Pentateuco) Gênesis, Êxodo, Deuteronômio.

Levítico, Números

Historia – são 12 de Josué a Ester, ocupam-se da história de Israel em seus vários períodos: teocráticos, monárquicos, divisão do reino e cativeiro, restauração ou pos cativeiro; Josué, Juizes, Rute, I, II Samuel, I, II Reis, I, II Crônicas e Esdras, Neemias e Ester. Poéticos – são 5 livros: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares.

Proféticos – são 17 livros divide – se em:

Profetas maiores

Profetas menores

Profetas maiores – são 5 livros: Isaias, Jeremias, Lamentação, Ezequias, Daniel.

Profetas menores – são 12 livros de Oséias a Malaquias; Oséias, Joel, Amós Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Obs.: Maiores e menores não se refere ao mérito dos profetas, mas, sim ao tamanho do livro e o tempo do ministério profético. Essa divisão vem desde a septuaginta, através da vulgata e não leva em conta a ordem cronológica.

ESTRUTURA DO NOVO TESTAMENTO

Divide-se em 4 grupos:

Biografia – (Manifestação de Cristo)

História – (Propagação de Cristo)

Epístolas ou doutrinas – (Interpretação e aplicação de Cristo)

Profecia – (Consumação em Cristo)

Biografia: são os 4 evangelhos. Os 3 primeiros são sinópticos, que significa visão

comum, por haver um paralelismo entre eles. Descreve a vida de Jesus terrena e seu

ministério.

Mateus – escrito em hebraico, dirige-se aos judeus, apresenta Jesus como Messias.

Marcos – escrito em grego koiné, dirige-se aos romanos, apresenta Jesus como rei

vitorioso e vencedor.

Lucas – dirige-se aos gregos, apresenta Jesus como Filho do homem.

João – dirige-se a igreja, apresenta Jesus como filho de Deus, é o mais espiritual.

História – O livro de Atos registra a história da igreja primitiva e a propagação do

evangelho.

Epístolas: são 21, dividem-se em:

Eclesiásticas

Individuais

Coletiva

Universais

Eclesiásticas - são 9 dirigidas às igrejas, de Romanos a II Tessalonicenses.

Romanos, I, II Corintios,Gálatas, Efesios, Filipenses, Colossenses, I, II Tessalonicenses

Individuais – são 4 dirigidas a pessoas; I, II Timóteo, Tito, Filemon.

Coletiva – 1 carta aos Hebreus, dirigidas aos Hebreus cristãos.

Universais – são 7, dirigidas a todos sem distinção: Tiago, I, II Pedro, I, II, III João,

Judas. Embora II, III João sejam dirigidas a pessoas;

II João dirigida ao presbítero à senhora eleita.

III João dirigida ao presbítero amado Gaio.

Profecia – o livro de apocalipse, trata da volta pessoal de Jesus à terra e tudo que

antecede esse advento.

O VOCÁBULO BÍBLIA

O vocábulo Bíblia não consta nos textos das Sagradas Escrituras, aparecendo somente na capa.

Este termo vem da palavra grega "byblos", que os gregos davam para a folha de papiro preparada para a escrita, e que significa livros.

Um rolo de papiro de pequeno tamanho era chamado biblion e vários destes compunha uma bíblia. Portanto literalmente a palavra Bíblia significa coleção de livros pequenos.

Segundo historiadores o termo Bíblia foi primeiramente aplicado às Sagradas Escrituras por João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, no século IV d.C.

Com a invenção do papel pelos chineses no II século d.C. e do prelo em 1450 por Gutemberg, desapareceram os rolos e a palavra Byblos deu origem a Bíblia.

Os nomes mais comuns dados a Bíblia, isto é seus nomes canónicos, são: Livro do Senhor ( Is 34:16) Escrituras (Mt 21:42; Mc 12:24 ; Jo 5:39 ) A Palavra de Deus (Mc 7:13, Hb 4:12). Os Oráculos de Deus (Rm 3:2) Sagradas Escrituras (Rm 1:2)

Obs.: 1) A palavra " Escritura ", significa uma passagem bíblica concreta - Mc 12:10 ; Jo 19:24.

2) A palavra "Testamento", (Ex.l9:5; 24:7,8, Jr 31:31-34; Mt26:28; Hb 10:29) vem de Berith em hebraico, significando aliança, pacto, concerto, Diatheke em grego e Testamentun em latim.

A PRESERVAÇÃO DA BÍBLIA

1) As línguas originais da Bíblia são o Hebraico, o Aramaico e o Grego.

a)

Hebraico

O

hebraico pertence ao grupo ocidental dos idiomas semíticos (oriundo do nome

semita, que por sua vez provem de Sem, filho mais velho de Noé) .

O primitivo alfabeto hebraico é oriundo do alfabeto fenício, consistindo de 22

consoantes e sinais vocálicos, que foram inseridos na escrita por eruditos Judeus

residentes em Teberíades, após o século VI d.C, afim de perpetuar a pronúncia tradicional do hebraico e a preservação da pureza do texto sagrado.

Tal preocupação se prendeu ao fato de que durante a leitura, o que falava, omitia os sons vocálicos, ocasionando constantes enganos, pois havia palavras com as mesmas consoantes. Assim dependia da habilidade do leitor, a pronúncia exata das palavras.

Os autores desses sinais, chamavam-se massoretas, palavra derivada de massorah, que quer dizer tradição.

Notas:

1)

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico.

2)

A Fenícia, da qual o primitivo alfabeto hebraico teve origem, era chamada

pelos hebreus de Canaã ( Is 23:11) e pelo Senhor Jesus, como lados de Tiro e Sidom (Mt 15:21; Lc 6:17) 3) No Antigo Testamento, a língua hebraica é chamada de língua de Canaã (Is 19:18) e língua judaica ou judaico (2 Rs 18:26, 28).

4)

A língua hebraica lê-se da direita para a esquerda.

5)

Depois do século VI d.C. qualquer texto bíblico foi chamado de

Massorético, por conter sinais vocálicos.

b)

Aramaico

O

aramaico é um idioma semítico (descendente de Arã filho de Sem - Gn 10:22),

falado na Mesopotâmia, na Ásia Setentrional, na Síria e na Arábia. Também é chamado de

idioma siríaco ( IIRs. l8:26; Ed. 4:7, Dn. 2:4, na edição Revista e corrigida)

Do século IX AC em diante, o aramaico e sua escrita se tornou meio internacional de comércio e diplomacia, possuindo Samaria e Damasco comerciantes nestes locais (l Rs 20:34). A influência do aramaico sobre o hebraico foi profunda, começando no cativeiro Assírio e continuando através do cativeiro Babilónico.

Em 536 AC o povo judaico ao regressar do exílio, falava o aramaico. Por esta razão é que no tempo de Esdras as Escrituras ao serem lidas em hebraico em público era necessário traduzi-las para o aramaico para compreender o seu significado, surgindo assim os Targuns (Ne 8:5, 8).

No tempo de Jesus Cristo o aramaico tornara-se a língua popular dos judeus e nações vizinhas, tanto que Jesus faz menção em Mt 5:18 ao "i" a menor letra do alfabeto aramaico e hebraico e o "til" que distinguia certas consoantes hebraicas.

Os trechos em aramaico são:

Ed. 4:8 a 6:18; 7:12-26 Dn 2:4 a 7:28

Jr 10:11

c) Grego

O idioma grego faz parte do grupo das línguas arianas. Vem da fusão dos dialetos

dórico e áticos, principais tribos que povoaram a Grécia Antiga.

O Novo Testamento foi escrito originalmente em grego, o grego koiné, não o grego

clássico dos filósofos da época, mas o dialeto popular do homem da rua, dos comerciantes, dos estudantes, que todos podiam entender.

Esse dialeto surgiu a partir da conquista de Alexandre, o Grande em 336 AC.

A Grécia ao se tornar um Império Mundial (336 - 146 a.C), toda a terra conhecida,

recebeu a influência da língua grega.

Deus preparou deste modo um meio linguístico para disseminar o Evangelho.

Até no Egito o grego se impôs. Em 285 AC na cidade de Alexandria foi o Antigo Testamento traduzido do Hebraico para o Grego, a chamada "Septuaginta".

Nos tempos de Jesus os judeus entendiam quase tão bem o grego como o aramaico, pois a Septuaginta era popular entre eles.

O alfabeto grego é oriundo dos Fenícios.

OS MANUSCRITOS DA BÍBLIA

Manuscritos são rolos ou livros escritos a mão. Podemos encontrar em alguns

dicionários

a

sigla

Ms

que

significa

manuscrito

e

MSS

ou

MSs

que

significam

manuscritos.

MATERIAIS GRÁFICOS DOA MANUSCRITOS

Papiros e os pergaminhos.

O papiro, do vocábulo grego papyros, de onde vem o termo papel, é uma grande

planta aquática denominada junco, do hebraico gome, que cresce junto a rios, pantanais e lagos do Egito, nos pantanais do lago Hulah na Palestina (Is 35:7) e na ilha da Sicília.

Esta planta de caule triangular, variando de 2 a 7 metros de altura por 5 a 7 cm de diâmetro, não era muito durável, tornando-se quebradiço com o tempo ou apodrecendo com a umidade, exceto no Egito, onde o clima seco e as areias movidas pelo vento preservavam-no, o que proporcionou a descoberta de documentos antigos.

Posteriormente o papiro foi suplantado pelo "Velo", um delicado pergaminho feito de pele de cabras e ovelhas.

Os papiros em forma de rolos, eram confeccionados por folhas em forma de "tiras", de 30 a 40 cm de comprimento cortadas da planta, coladas uma às outras transversalmente, prensadas e depois polidas, sendo escritas geralmente de um só lado, justamente do lado das fibras horizontais, sendo que o verso geralmente não era usado por ter fibras em sentido verticais. Essa planta também era usada na fabricação de caixões mortuários no Egito.

Moisés foi salvo numa cesta de junco (Ex. 2:3).

A Etiópia fabricava navios em papiro (Is 18:2).

Pergaminho, do latim e do grego membrana, era um material usado mais raramente no Egito e na Babilónia, empregado em forma de rolos desde o século XVII AC. Era confeccionado de pele de cabras e ovelhas, curtida e preparada para a escrita, em ambos os lados, Ez 2:10.

O pergaminho preparado de modo especial chamava-se "Velo", mais durável e

muito usado nos códices, isto é, em forma de livro.

O apóstolo Paulo usou pergaminho conforme está mencionado em 2Tm 4:13.

Outros materiais foram usados nos tempos antigos para a escrita, entre eles estão:

Linho; Ostracas ,que eram fragmentos de cerâmica (Jó 38:4; Ez 4:1) muito usado na Babilónia; Madeira; Pedra (Ex. 24:12; Js 8:32), matéria! este onde foi escrito o famoso Código de Hamurabi, escrito em acadiano (uma pedra com cerca de 2,45 de altura, descoberta em Susã, em 1902, contendo leis criminais, civis e comerciais); Tábuas recobertas de cera ( Lc 1:63)

A tinta usada pelos escribas (pessoas que conheciam a arte de ler e escrever), era usualmente um carvão negro (carvão vegetal), pulverizado e misturado com uma substância líquida, goma ou azeite para uso sobre pergaminho ou misturado com uma substância metálica para escrever sobre papiro (Jr 36:18; Ez 9:2; 2Co 3:3).

Para a escrita sobre ostracas, papiros ou outras superfícies macias, usava-se uma

cana rachada ou cortada para agir como uma espécie de pincel. Para superfícies de ferro,

chumbo etc

, era usado estilete de ponta dura (esmeril).

No antigo Egito as penas eram feitas de junco.

Nos tempos grego-romanos os juncos eram cortados formando uma ponta porosa e absorvente e então rachados à semelhança de penas de aves e mesmo estas usadas séculos mais tarde.

O FORMATO DOS MANUSCRITOS

O formato dos manuscritos eram em:

1) Códex - era uma coleção de folhas de pergaminho em forma de livro e frequentemente protegidas por capas.

Começou a ser usado a partir do segundo século d.C. em substituição ao rolo.

2)

Rolo - podia ser de papiro ou pergaminho e preso a dois cabos de madeira

e tinha qualquer comprimento, conforme exigido pelo texto - Ez 2:9,10.

CALIGRAFIA DOS MANUSCRITOS

Unciais e Cursivos. Uncial é o manuscrito de letras maiúsculas e sem separação entre as palavras. Cursivo é o manuscrito de letras minúsculas, tendo espaço entre as palavras.

MANUSCRITOS ORIGINAIS DA BÍBLIA

Não existe manuscritos originais dos escritores da Bíblia Sagrada. A falta desses originais se devem:

1 - O costume dos judeus em enterrar todos os manuscritos estragados pelo

uso ou por qualquer outro motivo, afim de evitar mutilação ou adições apócrifas.

2 - Os reis idólatras e ímpios de Israel podem ter destruído ou contribuído

para isto. - Jr.36:20-26.

3 - Antioco Epifâneo, rei da Síria, que dominou a Palestina, sob seu reinado (175-164 a.C), destruiu todas as cópias que achou das Escrituras.

4 - O imperador Diocleciano (284-305 d.C), durante 10 anos mandou vasculhar o Império para destruir os escritos sagrados.

MANUSCRITOS MAIS ANTIGOS E MAIS IMPORTANTES

Os Manuscritos do Antigo Testamento em Hebraico:

1- Códice dos Primeiros e Últimos profetas;

Está na Sinagoga Caraíta,no Cairo (Egito). Escrito por Moses Ben Asher em 895 a.C. Contém os primeiros e últimos profetas, sendo este o mais antigo até seremencontrados os manuscritosdo Mar Morto.

2- Códice Aleppo

Contém

todo o Antigo Testamento. Escrito na metade do século

Encontra-se em Israel.

X d.C.

3- Códice 19 A Escrito originalmente por Moses Ben Asher em cerca de 1000 d.C. e depois em cerca de 1008 d.C. no Cairo, por Samuel Ben Jacob. Está na biblioteca de Leningrado, na Rússia. Contém o Antigo Testamento em hebraico.

4- Manuscritos do Mar Morto. É o nome dado a uma coleção de pergaminhos e alguns fragmentos dos mesmos, escritos em hebraico, aramaico e grego, encontrados em diversas cavernas nas colinas de Qumran, no deserto da Judéia, a noroeste do Mar Morto.

Estas descobertas tiveram início em 1947, quando um pastor árabe de nome Jum'a Muhammed, ao sentir falta de uma de suas ovelhas, foi tentar localiza-la. Ao lançar uma pedra dentro de uma das cavernas, ouviu um ruido de cerâmica se quebrando, narrando este fato ao seus dois primos. O mais jovem, ao amanhecer do dia, voltou ao local, encontrando jarros de cerâmica, com cerca de 65 cm de altura e 25 cm de largura, e dentro deles pergaminhos, envoltos em tela de linho, recobertos por uma substância

resinosa.

Devido a Palestina estar na época sob domínio britânico, era proibido realizar descobertas arqueológicas. Levaram então, 4 rolos ao arcebispo, do Mosteiro Sírio Ortodoxo de São Marcos e outros 3 a um professor de Arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém. Com a constatação de serem Escritos datados de 100 A.C. tal descoberta assombrosa, levou a uma sistemática incursão a outras cavernas, sendo descobertos fragmentos dos livros do A.T. , exceto o livro de Ester, como também obras religiosas dos Essênios, manuscritos em folha de cobre e comentários.

O principal achado, o rolo de Isaias, escrito em 17 folhas de pergaminho, medindo cerca de 7,5 m de comprimento e 26 cm de altura, encontra-se exposto no Santuário do

Livro no Museu Nacional de Israel, em Jerusalém, adquirido por US 250.000 ao mosteiro

de São Marcos.

Este museu é um prédio em formato da tampa dos vasos de cerâmicas, encontrados nas cavernas, e os visitantes vêem além do pergaminho de Isaias, o

Manual de Disciplina, o Comentário de Habacuque, e o Gênises Apócrifo, que é um rolo

de pergaminho com quase 3 m de comprimento por 30 cm de altura, escrito em aramaico,

contendo vários capítulos do livro de Gênises, e histórias adicionais a cerca de Lameque, Enoque, Noé e Abraão, todos eles dentro de uma vitrine de vidro circular, num pedestal em forma de rolo.

Tudo leva crer que os achados pertencem a uma comunidade judaica denominada Essênios, judeus piedosos conhecidos por Hassídhim, isto é, piedoso ou fiel. Segundo a história, essa comunidade surgiu em cerca de 150 A.C., de uma separação

de uma parte do povo Macabeu, por ocasião da posse de Jonatas, o filho mais novo de

Matatias ao não aceita-lo como sacerdote, pois sendo os Essênios fiéis as escrituras, somente um descendente de Arão poderia exercer o sacerdócio.

Tal comunidade acreditava que somente eles seriam salvos, os eleitos de Deus, renunciavam a todo relacionamento amoroso, não possuindo bens, concentrando os seus esforços no bem comum. Esta comunidade foi extinta em cerca de 68 D.C. quando

Qumran foi destruída e incendiada pelos contingentes da décima legião romana que veio

a Palestina para citiar Jerusalém. Na véspera do ocorrido, os membros desta

comunidade fugiram, deixando a maioria de seus preciosos manuscritos escondidos nas cavernas.

A TRADUÇÃO DA BÍBLIA

Versões Semíticas:

PENTATEUCO SAMARITANO (Texto Hebraico do Pentateuco) O Pentateuco hebraico dos Samaritanos (povo descendente da população mesclada deixada em Samaria pelo rei Sargão II, após a deportação parcial dos Judeus pela Assíria e a implantação de estrangeiros , IIRs.17:24), surgiu devido ao rompimento das relações entre judeus e samaritanos, após estes últimos serem rejeitados como cooperadores na reedificação do Templo de Jerusalém (Ed.4:2,3). Isto resultou no estabelecimento de um centro religioso separado, no Monte Gerezim, perto de Siquém.

-TARGUNS Targum, é um vocábulo hebraico. Significa uma tradução interpretativa em Aramaico de alguma porção do Antigo Testamento lido em Hebraico. As Escrituras principalmente o Pentateuco, tornava-se mais importante aos olhos dos judeus, como guia tanto de fé, como vida diária, sendo necessário que fossem traduzidas, para que pudessem entendê-las. Assim em cada Sinagoga , teve início à prática de acompanhar-se a leitura da lei com uma tradução aramaica do trecho lido (Ne.8:8).

Os targuns eram orais em sua origem e depois em forma escrita.

Existem targuns comentando o A.T. por inteiro , exceto os livros de Daniel, Esdras e Neemias. Já no início do I Século da era cristã, já existia certo targum sobre o livro de Jó, possivelmente o mesmo escondido em Quraram e o Targum de Onkelos, amigo de

Recentemente foi identificado um targum palestino na

Gamaliel, do Século II D.C biblioteca do Vaticano.

SEPTUAGINTA Comumente designada pela sigla LXX, o nome vem do latim "Septuaginta", que quer dizer 70.

E a tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego.

Aristéias escritor da corte de Ptolomeu Filadeífo (Rei grego que reinava no Egito e sob o qual a Palestina estava controlada), escreveu uma carta a seu irmão Filócrates, solicitando ao sumo sacerdote de Jerusalém, Eleazar , que lhe enviasse doutores versados nas Sagradas Escrituras, para preparar uma versão do A.T. , afim de enriquecer a sua biblioteca real. O Sumo Sacerdote enviou então 72 eruditos (6 de cada tribo) a Alexandria, os quais completaram a versão em 72 dias. A Septuaginía, também conhecida como "Versão dos Setenta", foi a que dividiu os livros por assunto, como temos hoje, isto é, Lei, História, Poesia e Profecia. Esta versão foi feita no Período Interbíblico, na ilha de

Faros.

A Septuaginta foi um dos meios que Deus usou na preparação dos povos e nações para o advento do Evangelho que em breve seria proclamado por Jesus e seus discípulos ao chegar a plenitude dos tempos. ( G1.4:4 ).

PERÍODO INTERBÍBLICO

Este período começa com a profecia de Malaquias (M1.4:4-6) ao cumprimento em Mt.3:l, períodolde aproximadamente 400 anos, quando cessou por completo a revelação divina escrita, o silêncio profético de Deus, registrado por Daniel no capítulo 11.

O mapa mundi neste período sofreu sensíveis transformações. O Senhor deixou que os esforços humanos, na resolução de seu problemas espirituais falhassem; que-a filosofia se desmoronasse; que o poder material enfadasse as almas; que a imoralidade religiosa desiludisse a todos, mesmo os corações mais ímpios; que a corrupção campeasse, atingindo as raias da depravação, mostrando assim a inutilidade de tais sistemas e instituições.

No fim do Período Interbíblico as 12 tribos tinham desaparecido, ficando apenas o remanescente fiel que Jeremias profetizara (Jr.50:20). Um dos maiores benefícios do cativeiro babilónico foi mostrar o "velho" e o "novo" povo judeu. O velho, um povo vencido, pessimista, sem esperanças na promessa do "Eterno", e do novo despertado, transformado, curado de sua idolatria e pronto a obedecer fielmente a voz de Deus. Os dois voltaram de Jerusalém, sendo que o novo venceu o velho, a ponto do "novo" derramar o seu próprio sangue para preservar pura a religião do seu Deus. Ex: Paulo de Tarso.

No cativeiro Babilónico o judeu sepultou a ideia de adorar ídolos.

No início deste período a Judéia era uma província da Pérsia, pois o rei persa chamado Ciro livrou o povo judeu do domínio caldeu, em 538 a.C. conforme

profecia registrada por Isaías em 13:17; 44:28; 45:1. Esta vitória do rei persa derrotando o último rei caldeu, Belsasar, está registrado pelo profeta Daniel 5:22-

30.

Ciro se tornara rei dos medos e dos persas ao derrotar o rei Astíages (filho de Ciaxiares, fundador da dinastia média), em torno de 552 AC.

No período interbíblico Israel esteve sob três impérios mundiais: o persa, o grego e o romano além do intervalo de aproximadamente 100 anos Período Macabeu (período Hasmoncano) em que esteve independente.

PERÍODO INTERBÍBLICO

Malaquias dirigiu seu ministério em um período de decadência espiritual cerca de 432-

424, ele

marcou o fim do Antigo testamento.

Ao encerrar-se o A.T. lá pelo ano 430 a C. a Judéia era uma província da Pérsia. Esta havia sido potência mundial por uns 100 anos. Continuou a ser por outros 100 anos, durante os quais não se conhece muito acerca da história judaica. O domínio pérsico, na sua maior parte, foi brando e tolerante, gozando os judeus de considerável liberdade. Os reis persas desse período foram: Artaxerxes I, 464 – 423. Sob seu governo, Neemias reconstruiu Jerusalém. Xerxes II, 423 a.C. Dario II, 423- 404

a.C. Artaxerxes II (Mnemom), 404 – 359 a.C. Dario III (Codomano), 335-331 a.C. Sob o governo deste o império pérsico caiu.

CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO PERSA

1-Decadência espiritual vista em Ageu e Malaquias. 2-Desenvolvimento do poder do sumo sacerdote Após Neemias, Judéia foi incluída na província da Síria. Assim o Sumo Sacerdote se tornou governador da Judéia e autoridade da Síria.

3-

O início do escribismo com um interesse exagerado na Letra da Lei.

O

PERÍODO GREGO -

A história do Antigo Testamento se encerrou com o cativeiro que a Assíria impôs ao reino do norte, Israel, com o subseqüente cativeiro babilônico do reino do sul, Judá, e com o regresso, a Palestina, de parte dos exilados, quando da hegemonia persa nos séculos VI e V a.C. Os quatro séculos entre o final da história do Novo Testamento compreendem o período intertestamentário. (ocasionalmente chamados “os quatrocentos anos de silêncio”, devido ao silencio da voz profética). Durante esse tempo é que Alexandre o Grande se tornou senhor do antigo Oriente Médio, ao infligir sucessivas derrotas aos persas.

OS TEMPOS E SIGNIFICÂNCIA DE ALEXANDRE, O GRANDE. a-A origem de Alexandre

1-Felipe de Macedom uniu os estados gregos para expulsar os persas da Ásia Menor. Morreu assassinado durante uma festa. (337 a.C.)

2-Alexandre seu filho, de grande capacidade de liderança, educado sob o famoso Aristóteles, era devotado a cultura grega. Tirou sua inspiração da ilíada de Homero.

b- As conquistas de Alexandre

1-Após o domínio da Grécia penetrou a Pérsia, império 50 vezes maior, com população 20 vezes a da Grécia.

2-Em 334, penetrou na Ásia Menor vencendo o exército persa no Rio Grânico, perto de Troade.

3-Em pouco

tempo

com apenas

22 anos, conquistou a Sardo, Mileto,

Éfeso

e

Halicarnaso, estabelecendo em cada cidade a democracia grega.

4-Em 333 a .C. foi ao encontro de Dario na Batalha de Isso, a qual ganhou.

5-Daí foi sem grande resistência até o Egito que também o dominou.

6-Em 332 cercou a Tiro, que tomou antes de descer ao Egito.

7-Venceu Dario decisivamente na batalha de Arbela em 331 a.C. dando fim ao grande império Persa.

8-Continuaram suas conquistas até o rio Indo.

9-Morreu com apenas 33 anos com suas forças dissipadas pelo álcool e malária. No ano

323.

10- Fundou 70 cidades, moldando-as conforme o estilo grego. Ele e os seus soldados contraíram matrimônio com mulheres orientais. E assim foram misturadas as culturas grega e oriental.

11- Antes do falecimento de Alexandre, (323 a.C.) seus principais generais dividiram o império em quatro porções, duas das quais são importante no pano-de-fundo do desenvolvimento histórico do Novo Testamento, a porção do Ptolomeus e a dos Selêucidas. O império dos Ptolomeus centralizava-se no Egito, tendo Alexandria por capital. A dinastia governante naquela fatia do império veio a ser conhecida como os Ptolomeus. Cleópatra, que morreu no ano 30 a.C. foi o último membro das dinastias dos Ptolomeus. O império selêucida tinha por centro a Síria, e Antioquia era a sua capital. Alguns dentre a casa ali reinante receberam o apelido de Seleuco, mas diversa outra forma chamada Antioco. Quando Pompeu tornou a Síria em província romana, em 64 a.C. chegou ao fim o império selêucida.

12- A Palestina tornou-se vítima das rivalidades entre os Ptolomeus e os Selêucidas. A princípio os Ptolomeus dominaram a Palestina por cento e vinte dois anos (320-198 (a.C.) Os judeus gozaram de boas condições durante este período. De acordo com um antiga tradição, foi sob Ptolomeu Filadelfo (285-246 a.C) que setenta e dois eruditos judeus começaram a tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego, versão essa que se chamou Septuaginta.

c-A influência de Alexandre:

1-Sua influência foi muito grande por causa de sua extensão e permanência.

2-Estabeleceu centro de comércio e cultura em toda a extensão do seu império.

3-Com a penetração da cultura grega, a superstição oriental cedeu a liberdade do pensamento grego na filosofia, arquitetura, deuses, religião, Surgiram bibliotecas e universidades em Alexandria e Tarso, como em outros lugares. Preparou-se assim o campo para religião universal.

4-De grande importância foi a disseminação da língua grega, criando a possibilidade de

pregação do evangelho de uma língua a extensão da bacia do Mediterrâneo.

universal e a criação de uma Bíblia legível em toda

A - Eventos relacionados com Alexandre e com Antíoco:

1-Após a morte de Alexandre, começou a luta para o controle do império.

2-Em 301 a.C. na batalha de Ipso a divisão efetuou-se em quatro partes.

3-Egito e Palestina ficaram com Ptolomeu Soter (lagos) e a Síria do Norte e Ásia Menor com Seleuco.

a anexaram a Terra Santa ao seu domínio.

4-Os

Ptolomeus

dominaram

Palestina

até

198 quando

os

sírios com

Seleuco

5-Antíoco , o Grande (III) que conquistou a Palestina morreu , foi seguido pelo seu filho Seleuco Filopater (187 – 175) que foi envenenado abrindo caminho para a sucessão de seu irmão Antíoco Epifânio (IV).

OS ATOS DE ANTÍOCO EPIFÂNIO (175 - 164)

1-Epifânio (nome que deu a si mesmo) significa “deus manifesto”

2-O sumo sacerdote, Onias III, liderou os nacionalistas, Jasom, seu irmão dirigiu os helenistas. Jasom ofereceu grande soma de dinheiro a Antíoco por ser apontado sumo sacerdote no lugar do seu irmão. Prometeu também helenizar a Jerusalém. Quando assim foi apontado, tornou o povo cidadãos da capital da Síria, Antioquia, erigiu um ginásio grego logo em baixo do templo, os jovens judeus começaram tomar parte nos jogos gregos. Jasom criou um altar, até mandou ofertas às festas de Hércules em Tiro. Os nacionalistas são os antecedentes dos Fariseus, helenistas dos saduceus.

3-Antíoco fez várias expedições para o Egito. Numa delas ouve rumores de sua morte que provocou grande regozijo entre os judeus. Ao ouvir isto, Antíoco massacrou 40.000 judeus num só dia. Muitos judeus foram escravizados e o templo roubado.

4-Numa campanha seguinte, os romanos forçaram sua desistência no Egito. Na sua grande ira derramou-a sobre Jerusalém. No Sábado matou muitos, escravizou outros, destruiu parte da cidade. Mandou erradicar a religião judaica. Quem possuía cópia da lei ou tivesse circuncidado a criança seria morto. Finalmente converteu o templo em templo de Zeus, profanou o Templo , em cujo altar , ofereceu uma porca em sacrifício, destruiu cópias das Escrituras, vendeu milhares de judias para o cativeiro, e recorreu a toda espécie imaginável de tortura para forçar os judeus a renunciar sua religião. Isso deu ocasião a revolta dos Macabeus, umas das mais heróicas façanhas da história.

A REVOLTA DOS MACABEUS (167 – 63 a.C.)

1-A revolta começou com Matatias, sacerdote em Modim (167). Período de Independência, também chamado de Hasmoneano. Matatias era sacerdote patriota e de imensa coragem, furioso com a tentativa de Antioco Epifânio de destruir os judeus e sua religião, reuniu leais compatriotas e defraudou a bandeira da revolta. Essa revolta teve inicio quando Matatias, sendo obrigado por pessoas de Antíoco para oferecer um sacrifício pagão, este recusou matando-o, e fugiu na companhia dos cinco filhos, para uma Região Montanhosa. Seus filhos eram: Judas, Jônatas, Simão, João e Eleazar. Essa família era chamada de Hasmoneanos, por causa de Hasmom, bisavô de Matatias, ou de Macabeus, devido ao apelido Macabeu (Martelo) conferido a Judas, um dos filhos de Matatias.

2-Judas Macabeu encabeçou uma campanha de guerrilhas de extraordinário sucesso, até que os judeus se viram capazes de derrotar os sírios em campo de batalha regular. A revolta dos Macabeus, entretanto, foi também uma guerra civil deflagrada entre os judeus pró- helenistas e anti – helenistas.

3-Judas entrou em Jerusalém e reedificou o templo, os judeus recuperaram a liberdade religiosa, foi esta a origem da Festa da Dedicação ( João 10:22) , entre165 e 164 a. C.

4-Significância da opressão síria e revolta dos macabeus:

a - Restaurou a nação da decadência política e religiosa. b - Criou um espírito nacionalista, uniu a nação e suscitou virilidade. c- Deu um novo impulso ao judaísmo, novo zelo pela lei e esperança messiânica.

5-Intensificou o desenvolvimentos dos dois movimentos que se tornaram os Fariseus os Saduceus. a-Os Fariseus surgiram do grupo purista e nacionalista. b-Os Saduceus surgiram do grupo que se aliou com os helenistas.

6-Deu maior ímpeto ao movimento da dispersão com muitos judeus querendo se ausentar durante as terríveis perseguições de Antioco.

Tal movimento ficou conhecido como a revolta dos Macabeus. A Palestina continuou sob o domínio da Síria. Contudo a Judéia voltou a possuir um governo local, exercido pelos Macabeus. Ainda não se tratava de independência, mas já havia alguma autonomia. Esse período durou cerca de cem anos. Os macabeus fizeram tudo certo até um tempo em que começaram brigar entre si e o poder Macabeu foi enfraquecido, e nesta luta pelo poder entra Roma na luta começando o domínio Romano em 37 a.C.

No período interbíblico surgiram:

1)Talmude, que é um compêndio judaico das leis civis e religiosas do povo judeu,não consideradas no pentateuco,com comentários,opiniõese julgamento de professores judeus, do período de 300 AC e 500 DC, composto de duas partes,oMichna (as leis orais) e o Gemara (comentários).

2)

A Grande Sinagoga.

3)

A versão grega A.T., a Septuaginta.

4)

Os livros apócrifos.

5)

O Sinédrio, o supremo tribunal civil e religioso dos judeus.

6)

Seitas dos Fariseus, Saduceus, Escribas, Essênios

VERSÕES EM PORTUGUÊS

I - Versão Incompletas

1 - A primeira versão para o português foi feita pelo Rei D. Diniz de Portugal (1279-1375) traduzindo da Vulgata Latina, uma parte do livro de Génesis.

2 - O rei D. João I (1385-1433) ordenou a padres católicos a tradução dos

Evangelhos, do livro de Atos e das epístolas de Paulo, tomando por base a Vulgata Latina. O próprio rei traduziu os Salmos.

3 - Em 1495, a rainha Leonor, casada com D. João II mandou publicar um

livro chamado "Vida de Cristo", uma harmonia entre os Evangelhos. Em 1505, a mesma rainha mandou imprimir o livro de Atos e as epístolas universais.

II - Versões completas a) Versão de João Ferreira de Almeida Nascido em Lisboa em 1628, de pais católicos, aceitou Jesus em 1642. Sendo ministro do Evangelho da Igreja Reformada Holandesa, em Batávia hoje Djakarta, capital da Indonésia, antigamente Ilha de Java, que na época estava sob domínio holandês.

Embora tendo aprendido hebraico e grego, começou a traduzir algumas partes do Novo Testamento em 1644 para o português, tomando como base o Textus Receptus, de 1633, dos irmãos Elzevir, procurando harmonizar a tradução com as holandesas de 1560 e a castelhana de 1602, tendo concluído o trabalho em 1670, após compará-lo com o original grego, que já havia aprendido juntamente com o hebraico.

Após algumas revisões o Novo Testamento foi impresso em 1681, na cidade de Amsterdan, Holanda. Em março de 1683, João Ferreira de Almeida já tinha completado a versão do Pentateuco. Prosseguiu até 1691, ano em que veio a falecer, chegando até Ezequiel 45:21.

A sua obra foi completada por Jacobus Uker em 1694.

Em 1693 saiu uma segunda revisão do Novo Testamento em Batavia e em 1712 a 3 a revisão em Amsterdan.

Em 1732 foi publicado no mesmo local os livros de Josué à Ester. Em 1740 os Salmos, em 1742 os livros de Jó e Cantares e em 1751 os livros de [saías e Daniel. Em 1757 foi

imprimido o Pentateuco, que João Ferreira terminara em 1683. A primeira edição completa do Antigo Testamento segundo a versão de João Ferreira de Almeida saiu na cidade de Batavia, sendo em 1748, o 1" volume, contendo os livros de Génesis O Ester e em 1753, contendo os livros de Jó à Malaquias.

Em 1809 a Sociedade Bíblica Britânica publicou uma edição do Novo Testamento em português, da versão de João Ferreira de Almeida, tendo em vista estar Portugal ocupado por tropas inglesas, e haver necessidade de relações políticas e comerciais com as ilhas e colónias portuguesas. Em 1819 esta edição foi revista e conferida com textos originais, para melhorar a ortografia e corrigir possíveis erros.

A versão acima voltou a ser revisada em 1925, sendo que em 1951 através da Imprensa Bíblica Brasileira foi publicada a Edição Revista e Corrigida.

Também através de um trabalho realizado por uma comissão que agiu sob os auspícios da Sociedade Bíblica do Brasil, desde 1945 a 1955, foi apresentada a Edição Revista e Atualizada, de Almeida.

b) Versão de António Pereira de Figueiredo Padre, nascido em Portugal, em 1725. A sua versão da Bíblia foi feita da Vulgata, ocupando-se por 17 anos no preparo de sua versão.

O Novo Testamento foi publicado em 1782 e o AT em 179O.Em 1821 a sociedade Bíblico Brètânica e Estrangeira publicou o texto de Figueiredo. c)Versão do Padre Humberto Rodhen

Padre brasileiro, de Santa Catarina, constando a sua versão só o Novo Testamento, oriundo do texto grego de Nestle e publicado em 1935. d)Versão de Matos Soares

É a versão utilizada pelos católicos romanos.

Padre brasileiro, que traduziu a Vulgata, concluindo-a em 1932 e sendo publicada em 1946. e)Bíblia de Jerusalém

Editada pela Edição Paulinas em 1981 a partir da Edição Francesa de 1973.

OBSERVAÇÕES SOBRE A BÍBLIA EM PORTUGUÊS

1 - Há três Entidades Evangélicas no Brasil, de publicação e distribuição de Bíblias:

a - Imprensa Bíblica Brasileira, fundada em 1940, imprimindo em 1944 a Bíblia

pela primeira vez no Brasil.

b - Sociedade Bíblica do Brasil, fundada em 1948, resultante da fusão das agências da Sociedade Bíblica Americana e a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

c - Sociedade Bíblica Trinitariana, com sede em São Paulo.

2- A divisão do texto bíblico em capítulos e versículos Esta divisão ocorreu pela primeira vez através da Vulgata Latina, em 1555.

3- A divisão em versículos não é a mesma em todas as versões:

Ex. Dn.3:24-30 da versão e corrigida corresponde a Dn.3:91-97, na versão de Matos Soares.