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Exma. Senhor Procurador Geral do Ministério Público do Distrito Federal LEONARDO ROSCOE BESSA

O Adote um Distrital, projeto do Instituto de Fiscalização e Controle – IFC, entidade da sociedade civil organizada, registrada no CNPJ nº 07.740.656/0001-90, sediado na CLN 110 Bloco C Sala 102, Asa Norte, Distrito Federal, vêm, com esteio na Lei Orgânica do Distrito Federal, expor o que adiante alinhavado.

DOS FATOS

Traz-se ao conhecimento do Ministério Público do Distrito Federal notícias colhidas na imprensa que apontam possíveis ilicitudes ocorridas no Distrito Federal. Recebemos denúncia sobre estes fatos, todavia, ao realizar consultas na Rede Mundial de Computadores, as notícias assumiram ares de verossimilhança, justificando que se faça, pois, a presente comunicação ao órgão constitucionalmente dotado de atribuições para investigar.

A Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, Presidente afastada da

Câmara Legislativa do Distrito Federal, recentemente foi objeto de gravação ambiental feita por outra parlamentar. Desde então, a imprensa, de forma sistemática, lança sérias dúvidas acerca do comportamento ético e da licitude dos atos praticados pela mencionada parlamentar.

A sociedade civil organizada e os órgãos de controle não podem, sob pena

de absurda omissão, quedarem-se inertes e deixar de perscrutar a veracidade de tais acusações. Traremos, pois, ao conhecimento formal, notícias acerca da existência de uma relação de imoral promiscuidade entre a Deputada Distrital Celina leão Hizim Ferreira e a alta direção da Defensoria Pública do Distrito Federal.

Em 28 de fevereiro de 2016, as prestigiadas jornalistas Lilian Tahan e Manoela Alcântara, especializadas na cobertura da política local, veicularam, no portal METRÓPOLES 1 reportagem com o seguinte título: Defensoria Pública aluga edifício de deputado e cria cargos para favorecer outro distrital em troca de “poderes irrestritos”. Lê-se, na reportagem, o seguinte:

A direção da Defensoria tomou recentemente a decisão de mudar sua sede de atendimento. Atualmente, 150 defensores e servidores despacham em um endereço do Setor Comercial Sul (SCS). Mas, em breve, eles vão se mudar para um prédio mais

1

http://www.metropoles.com/distrito-federal/politica-df/defensoria-publica-aluga-edificio-de-deputado-e-cria-

cargos-para-favorecer-outro-distrital-em-troca-de-poderes-irrestritos

confortável para eles, é verdade, porém bem mais afastado da população. E com aluguel duas vezes mais caro do que o pago atualmente. Se a mudança é vantajosa para os defensores, mais ainda para o proprietário do edifício — até a negociação com a Defensoria, o imóvel era mantido fechado. O novo prédio fica em uma área destinada ao Pró-DF (Trecho 17, Rua 07, lote 45), e está em nome da empresa Multi Segurança Eletrônica Patrimonial Ltda. No contrato, Gessilene Feitosa Cabral aparece como sócia administrativa da empresa. O nome dela está também nos documentos da 5 Estrelas Sistema de Segurança Ltda, pertencente ao ex- deputado Leonardo Prudente, aquele com o hábito de guardar dinheiro nas meais e que acabou flagrado pela Operação Caixa de Pandora. Atualmente, o representante político da família de Leonardo é o filho dele Rafael. Deputado distrital de primeiro mandato, Rafael Prudente (PMDB) é vice-presidente da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa, por onde tramitam todos os projetos que envolvam dinheiro.

O contrato de aluguel entre a Defensoria e a empresa ligada à família Prudente é de R$ 1.538.784,35, ou R$ 125 mil por mês, pouco mais que o dobro dos R$ 60,8 mil pagos por mês à administração do Edifício Zarife, na Quadra 4 do Setor Comercial Sul. A mudança de endereço foi publicada no Diário Oficial do DF em 22 de dezembro de 2015 e deve ser realizada nos próximos dias.

de dezembro de 2015 e deve ser realizada nos próximos dias. Em outra passagem da mencionada

Em outra passagem da mencionada reportagem, é mencionada a nomeação de alguns servidores, na estrutura da Defensoria Pública do Distrito Federal, por

indicação da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira. Tratam-se dos servidores Erotides Souza de Almeida Júnior e Edimar Souza Lima.

No exercício do contraditório jornalístico, a Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, afirmou às prestigiadas repórteres que “é uma “irresponsabilidade” ligar o nome dela às três pessoas nomeadas na Defensoria. “Dos três, só conheço o irmão da Jael. Mas ele não é minha indicação, não existe indicação na Defensoria”.

A Defensoria Pública, na reportagem, quanto aos servidores, disse o seguinte:

Quanto aos servidores nomeados em 19 de fevereiro, Ricardo Batista afirmou que foi uma escolha técnica, por competência, além de respeitar um trabalho de reformulação da Defensoria em retirar pessoas que não têm vínculo com o GDF para contratar servidores do quadro. “O Edimar trabalha na área de administração geral há muito tempo. O conheço há muito tempo e precisava de alguém com essas funções”, disse. Erotides, segundo o defensor, tem ajudado a resolver problemas de natureza coletiva. “Não é possível deixar de contratar um funcionário porque ele é de direita, esquerda ou de centro. Às vezes terei servidores ligados a determinados deputados. Há servidores aqui dentro que indicam servidores de fora. O que conta é o trabalho e a competência”, garantiu Ricardo.

A reportagem, nitidamente, mostra uma vinculação entre o Defensor Público Geral Ricardo Souza e a Deputada Distrital Celina Leão. Os dois, no entanto, negam qualquer irregularidade nas nomeações e na contratação do aluguel do prédio. A vinculação política entre os dois personagens é, diga-se, de conhecimento geral e é comentada, nos bastidores da política local, como sendo muita estranha, estranhíssima.

No dia 14 de agosto de 2016, antes de virem à superfície as interceptações ambientais que lançam suspeitas de praticas de atos de corrupção por parte da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, o prestigiado Blog do Jornalista

Edson Sombra 2 , noticiou fatos estarrecedores acerca do Projeto de Lei 1111/2016. Consultemos trechos da reportagem:

O Projeto de Lei 1111/2016 cria 250 cargos comissionados na instituição e

sobrecarrega o orçamento da Defensoria Pública, que ficará inviabilizada na contratação de novos Defensores, de analistas e de implementação de

necessários reajustes salariais. O Projeto de Lei 1111/2016 é imoral e prejudicial

à

Defensoria e, sobretudo, à população. Com acerto, Rodrigo Rollemberg VETOU

o

projeto que fora aprovado na CLDF.

A

tramitação do Projeto de Lei 1111/2016 foi bastante célere. O Projeto foi

enviado à Câmara Legislativa do DF no dia 11 de maio de 2016. No dia 30 de

maio de 2016 foi aprovado em primeiro turno. O deputado Distrital Rafael

Prudente emitiu, pela Comissão de Constituição e Justiça, parecer oral à matéria.

O deputado Distrital Wellington Luiz, pela Comissão de Direitos Humanos e

Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar, também no mesmo dia, emitiu parecer oral. Com a mesma velocidade emitiram pareceres os deputados Distritais Robério Negreiros e Luzia de Paula. Na sequência, com uma velocidade impar, a presidente Celina Leão, submeteu a questão ao plenário, que foi aprovada por 18 deputados em primeiro e segundo turno.

Nos bastidores da Câmara Legislativa e da Defensoria Pública corre a versão de que a celeridade se deu por um único motivo: os 250 cargos serão divididos entre

os deputados distritais que votarem favoravelmente ao projeto de Emenda à Lei

Orgânica que permitirá que a presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Celina Leão Hizim Ferreira, dispute a reeleição da Mesa Diretora.

Nos dias de hoje, a Defensoria Pública do Distrito Federal já está loteada por indicações da deputada distrital Celina Leão. Os cabos eleitorais, na instituição, já até receberam a alcunha de CEMINIONS, uma mistura de Celina Leão com os personagens “Minions”, do desenho “Meu malvado favorito”.

Aliás, alguns deputados distritais foram eleitos, pela Defensoria Pública, como sendo os seus malvados favoritos. Recentemente, o DF-TV, além de criticar a criação dos 250 cargos comissionados na Defensoria, levantou sérias dúvidas sobre o aluguel da sede da Defensoria Pública, pois o prédio seria pertencente a família do deputado distrital Rafael Prudente.

2

http://www.edsonsombra.com.br/post/na-camara-legislativa-ceminions-distritais-preparam-golpe-contra-a-

defensoria-publica-e-contra-a-populacao-carente-do-df20160814

Reforçando a estranheza acerca dos cargos que estavam sendo criados, o Presidente da Associação dos Defensores Públicos do Distrito Federal, Fernando Antônio Neres Ferraz, em entrevista à jornalista Helena Mader, do Correio Brasiliense, constou o seguinte:

É grande a pressão para que deputados distritais mantenham o veto do

governador Rodrigo Rollemberg ao projeto que cria 250 cargos comissionados na Defensoria Pública. A Associação de Defensores Públicos do Distrito Federal faz

Para a entidade, criar postos para funcionários sem

concurso não ajuda a população carente — função primordial do órgão. “Seria o fim do mundo criar essa grande quantidade de novos cargos em um momento de crise econômica. Especialmente porque a gente sabe que muitas dessas vagas podem ser ocupadas por indicados de deputados. A defensoria não é cabide de emprego para político”, reclama o presidente da associação, Fernando Antônio Neres Ferraz.

forte oposição à

Depois da divulgação das gravações ambientais realizadas pela Deputada Distrital Liliane Maria Roriz, as suspeitas acerca das nomeações e da criação dos cargos aumentou exponencialmente. A própria Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira assume que nomeia cabos eleitorais, analfabetos e que não sabem redigir nem um ofício para o seu gabinete. O que a impediria de fazer o mesmo na Defensoria Pública do Distrito Federal?

O jornalista Hélio Doyle 3 , em diversas passagens, também denuncia o que chama de “conluio entre a Defensoria Pública e a Câmara Legislativa”, em nítida referencia à Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira.

No enredo Celina – Defensoria Pública, ainda existe a nomeação do Defensor Público do Distrito Federal, José Wilson Porto, na função de Secretário Geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal, logo após a prisão, na denominada operação Lava Jato, do então Secretário Geral Valério Neves.

Segundo a Lava Jato, Valério Neves seria o operador de esquemas de corrupção do ex-Deputado Distrital e ex-Senador da República, Gim Argello.

3 http://www.jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/helio-doyle/metroviarios-em-greve-contra-seus-patroes/

Segundo se infere das gravações ambientais realizadas pela Deputada Distrital Liliane Maria Roriz, Valério Neves também seria um importante participante do escândalo alcunhado UTIGates ou Bonde da Propina, que, segundo o que se viu na Operação Dracon, conta com a efetiva participação da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira.

Quando da prisão de Valério Neves, para ocupar o estratégico cargo, José Wilson Porto, indicado pelo Defensor Público Geral Ricardo Batista Souza, é catapultado ao principal cargo administrativo ligado à Presidência da CLDF, permitindo intuir que a relação supera os limites institucionais. A Defensoria Pública, indevidamente, foi alçada à participante do “projeto” da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira.

O jornalista Hélio Doyle 4 , quando da saída de José Wilson Porto da Secretaria Geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em 26 de agosto de 2016, destacou que:

O secretário-geral da Câmara, José Wilson Porto, sabia muito bem o que estava fazendo e onde estava se metendo ao aceitar o cargo, a convite da então presidente Celina Leão. Não tem o menor sentido, assim, sair dizendo quer voltar para a Defensoria Pública por estar incomodado com o que acontece na Câmara. Se voltar, faz bem, pois não deveria ter saído – afinal, o órgão reclama que tem poucos defensores. Mas daí a se surpreender com o que está acontecendo é outra história.

Ficou bom para os dois lados

A designação de Porto para a mais alta função administrativa na Câmara

Legislativa foi parte de um acordo suspeito entre Celina Leão e o defensor-geral

Ricardo Batista. Em troca da aprovação de projetos e rejeição de vetos de interesse de Batista, Celina colocou afilhados políticos na Defensoria e nomeou Porto. Os indicados por Celina controlam hoje a área administrativa da Defensoria. O deputado Rafael Prudente também ganhou com a negociação: sem necessidade e por R$ 125 mil mensais, a Defensoria alugou um prédio da família

do distrital. No SIA, em local inadequado ao atendimento ao público.

4

escutava/

http://www.jornaldebrasilia.com.br/blogs-e-colunas/helio-doyle/o-braco-direito-de-celina-nada-via-nem-

Trem da alegria perde velocidade

O afastamento dos integrantes da mesa diretora pode atrapalhar os planos de

Batista de contratar, com aprovação da Câmara, 250 servidores sem concurso. Já

havia até um acerto com Celina: parte desses beneficiados pelo trem da alegria

da Defensoria seria nomeada por indicação dela e de distritais que apoiassem sua

reeleição para a presidência.

Conforme evidenciam os textos acima, assinados pela nata do jornalismo político local, sobram suspeitas na relação entre a Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira e a cúpula da Defensoria Pública do Distrito Federal.

Instigados pelas reportagens, o ADOTE UM DISTRITAL pesquisou na rede mundial de computadores acerca do teor das informações e verificou que parte significativa das denúncias veiculadas na imprensa podem ser confirmadas em sítios da internet, inclusive do FACEBOOK.

O servidor Erotides Souza de Almeida Júnior, de fato, exerce cargo em comissão na Defensoria Pública. Exercia o cargo de Assessor de Gabinete da Defensoria Pública Geral, ocupando Cargo de Natureza Especial CNE-04 até 15 de abril de 2016, quando, recebendo o mesmo CNE-04, passou a ocupar o cargo de Subsecretário da Subsecretaria de Assuntos Sociais da Defensoria Pública do Distrito Federal. A nomeação consta da Portaria 103, de 15 de abril de 2016, publicado na página 29, da seção 02 do DODF DE 19 de abril de 2016.

Chama a atenção o fato de que o cargo, antes da nomeação de Erotides Souza de Almeida Júnior, não existia na estrutura da instituição. Também não se pode desconsiderar que Erotides Souza de Almeida Júnior é irmão de uma das principais assessoras da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, a conhecida Pastora Jael Almeida.

O apadrinhamento político e o aparente desvio de finalidade da nomeação de Erotides Souza de Almeida Júnior se torna ainda mais evidente quando se acessa os textos por ele inseridos em sua página pessoal do Facebook 5 .

As mensagens de apoio e o trabalho de cabo eleitoral realizado por Erotides Souza de Almeida Júnior reforçam as reportagens publicadas na mídia local. Vejamos algumas imagens:

5 https://www.facebook.com/junior.almeida.376695/photos?pnref=lhc

Em outro texto, publicado na segunda-feira, 19 de setembro de 2016, às 12:31, em horário de expediente, o Subsecretário da Subsecretaria de Assuntos Sociais da Defensoria Pública do Distrito Federal, postou texto com a seguinte chamada: CELINA LEÃO ESQUECE CRISE E VAI PARA AS RUAS OUVIR A COMUNIDADE.

LEÃO ESQUECE CRISE E VAI PARA AS RUAS OUVIR A COMUNIDADE . Em outra passagem, em

Em outra passagem, em meio a crise política do Distrito Federal, Erotides Souza de Almeida Júnior, deixa registrado o agradecimento à Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira. Ao que se extrai das reportagens publicadas na mídia

local, a muito o que agradecer, especialmente o cargo haurido com os beneplácitos da parlamentar:

local, a muito o que agradecer, especialmente o cargo haurido com os beneplácitos da parlamentar:

Existem indícios de que a pretensão de Erotides Souza de Almeida Júnior é a de ser candidato nas próximas eleições. Legitima a pretensão, mas que não pode ser alavancada por meio de uma instituição com a envergadura social da Defensoria Pública.

com a envergadura social da Defensoria Pública . A vinculação é tão robusta que, em meio

A vinculação é tão robusta que, em meio à crise política, Erotides Souza de Almeida Júnior, manifestou apoio irrestrito à Deputada Distrital Celina Leão.

à crise política, Erotides Souza de Almeida Júnior , manifestou apoio irrestrito à Deputada Distrital Celina

A vinculação política, que isoladamente não é algo ilícito e nem imoral, assume contornos de ilicitudes quando o servidor da Defensoria Pública do Distrito Federal Erotides Souza de Almeida Júnior, ostensivamente, passa a ser valar da Defensoria Pública e da Câmara Legislativa para desempenhar atividades exclusivamente políticas.

Na imagem que se colaciona na sequência, uma pessoa identificada como

Dani Salomão, também servidora da Defensoria Pública e, igualmente, indicada política da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, diz que em nome do subsecretário Júnior Almeida estaria organizando ações sociais no entorno. Em outras palavras, servidores da Defensoria Pública do Distrito Federal, em nome da

Defensoria

manifestamente político.

cunho

Pública

do

Distrito

Federal,

organizando

ações

de

Federal , em nome da Defensoria manifestamente político. cunho Pública do Distrito Federal , organizando ações

Em outras postagens, Erotides Souza de Almeida Júnior, atende, conjuntamente com a Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, vários grupos sociais. Não há notícia de que tais encontros tenham sido adotadas medidas concretas pelo Subsecretário da Subsecretaria de Assuntos Sociais da Defensoria Pública do Distrito Federal.

As evidências apontam para o fato de que Erotides Souza de Almeida Júnior, na verdade, não passa de um cabo eleitoral da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira. Cabo eleitoral remunerado pelos cofres da combalida Defensoria Pública do Distrito Federal.

Leão Hizim Ferreira . Cabo eleitoral remunerado pelos cofres da combalida Defensoria Pública do Distrito Federal

Em outra oportunidade, Erotides Souza de Almeida Júnior e Dani Salomão, participam de reunião na Procuradoria do DF para defender interesses dos denominados candidatos sub judice do Corpo de Bombeiros Militar e da Polícia Militar do Distrito Federal.

Bombeiros Militar e da Polícia Militar do Distrito Federal. Os sinais são muito claros no sentido

Os sinais são muito claros no sentido de que a Defensoria Pública do Distrito Federal foi transformada em uma espécie de “puxadinho” do Gabinete

Parlamentar e do comitê político da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira. Texto do dia 05 de agosto de 2016 deixe evidente que Erotides Souza de Almeida Júnior, de fato, é servidor do gabinete político da parlamentar, embora receba pelos cofres da Defensoria Pública do Distrito Federal.

é servidor do gabinete político da parlamentar, embora receba pelos cofres da Defensoria Pública do Distrito

Se ainda persistir alguma dúvida, ainda no dia 05 de agosto, Erotides Souza de Almeida Júnior, noticia que recebeu, conjuntamente com a Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, as “demandas do escritório da região sul”. Demandas do escritório político da parlamentar objeto desta representação.

político da parlamentar objeto desta representação. Ainda no dia 05 de agosto, a atividade política da

Ainda no dia 05 de agosto, a atividade política da dupla Celina Leão e Almeida Júnior se materializa em café da manhã na Casa do Ceará.

Também se encontra textos do mencionado servidor em atividades políticas, conjuntamente com a Deputada Distrital

Também se encontra textos do mencionado servidor em atividades políticas, conjuntamente com a Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, com candidatos a vereadores no entorno.

Concluindo os exemplos, relacionados ao servidor Erotides de Souza Almeida Júnior , texto datado do

Concluindo os exemplos, relacionados ao servidor Erotides de Souza Almeida Júnior, texto datado do dia 25 de julho de 2016:

os exemplos, relacionados ao servidor Erotides de Souza Almeida Júnior , texto datado do dia 25

Ainda merecem destaque as imagens da inauguração do escritório político/região sul da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, acontecido em 21 de novembro de 2015.

Leão Hizim Ferreira , acontecido em 21 de novembro de 2015. Importante destacar que o Defensor

Importante destacar que o Defensor Público Geral do Distrito Federal, Ricardo Batista de Souza, também se fez presente:

destacar que o Defensor Público Geral do Distrito Federal, Ricardo Batista de Souza , também se

Os exemplos acima evidenciam que a noticiada “promiscuidade” entre a Defensoria Pública do Distrito Federal e a atividade política da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira não é fruto da imaginação de jornalistas. Possui, sim, lastro indiciário mínimo para justificar a instauração de investigação no âmbito da Câmara Legislativa do Distrito Federal, do Ministério Público de Contas, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público do Distrito Federal.

da

Defensoria Pública do Distrito Federal importa em violação gravíssima ao

princípio da moralidade administrativa.

A utilização

de

uma

instituição

do

porte

e

da

importância

social

Em um Estado Democrático de Direito à ofensa ao princípio da moralidade é inadmissível e deve ser fortemente combatida. Isso significa que em sua atuação o

administrador público deve atender aos ditames da conduta ética, honesta, exigindo

a

observância de padrões éticos, de boa-fé, de lealdade, de regras que assegurem

a

boa administração e a disciplina interna na Administração Pública.

Pelo princípio da moralidade administrativa, não bastará ao administrador

o

cumprimento da estrita legalidade, ele deverá respeitar os princípios éticos de

razoabilidade e justiça, pois a moralidade constitui pressuposto de validade de todo ato administrativo praticado. Não é possível conciliar a moralidade pública com a promiscua relação estabelecida entre a Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira e a Defensoria Pública.

O Supremo Tribunal Federal 6 , analisando o princípio da moralidade

administrativa, manifestou-se afirmando:

“Poder-se-á dizer que apenas agora a Constituição Federal consagrou a moralidade como principio de administração pública (art 37 da CF). isso não é verdade. Os princípios podem estar ou não explicitados em normas. Normalmente, sequer constam de texto regrado. Defluem no todo do ordenamento jurídico. Encontram-se ínsitos, implícitos no sistema, permeando as diversas normas regedoras de determinada

6 STF – 2ª T. Recurso Extraordinário nº 160.381 – SP, Rel. Min. Marco Aurélio, v.u.; RTJ 153/1.030

matéria. O só fato de um princípio não figurar no texto constitucional, não significa que nunca teve relevância de principio. A circunstância de, no texto constitucional anterior, não figurar o principio da moralidade não significa que o administrador poderia agir de forma imoral ou mesmo amoral. Como ensina Jesus Gonzales Perez “el hecho de su consagracion em uma norma legal no supone que com anterioridad no existiera, ni que por tal consagración legislativa haya perdido tal carácter” (El principio de buena fé em el derecho administrativo. Madri, 1983. p. 15). Os princípios gerais de direito existem por força própria, independentemente de figurarem em texto legislativo. E o fato de passarem a figurar em texto constitucional ou legal não lhes retira o caráter de principio. O agente público não só tem que ser honesto e probo, mas tem que mostrar que possui tal qualidade. Como a mulher de César”

E as imagens e notícias jornalísticas assinadas por conceituados repórteres evidenciam de forma cabal a violação ao princípio da moralidade. Tudo indica que

a Defensoria Pública, com a aquiescência da Deputada Distrital Celina Leão Hizim

Ferreira, remunera um de seus cabos eleitorais. O desvio de função e de finalidade

ínsitos aos atos praticados não poderiam acontecer sem a aquiescência da parlamentar representada.

Potencialmente, tomando em consideração apenas a vinculação funcional de Erotildes de Souza Almeida Júnior, o artigo 11 da Lei de Improbidade Administrativa também pode ter sido vulnerado. Diz a lei:

“Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições” ( )

A Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, à época Presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em função do alto posto ocupado, não poderia ter permitido e muito menos incentivado à burla ao princípio da moralidade. Nesse sentido, Hely Lopes Meirelles declara que “o agente administrativo, como ser humano dotado de capacidade de atuar, deve, necessariamente, distinguir o Bem do Mal, o Honesto do Desonesto. E ao atuar, não

poderá desprezar o elemento ético da sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo do injusto, o conveniente e o inconveniente,

o oportuno e o inoportuno, mas também entre o honesto e o desonesto”.

Importante sublinhar que o elemento subjetivo da conduta deve ser avaliado no sentido de se buscar a real intenção das condutas praticadas. Há de ser vasculhada a subjetividade da parlamentar para aquilatar se agiu em prol do interesse público ou se agiu imbuída da perspectiva de auferir benefícios políticos mediante a utilização da máquina pública, sem levar, nem mesmo remotamente, o interesse primário da sociedade em conta.

A violação ao princípio da moralidade ainda é evidenciado nos eloquentes sinais de que a nomeação de diversos cabos-eleitorais no âmbito da Defensoria Pública do Distrito Federal pode ter sido realizada apartada do interesse público. Não se pode tolerar, e certamente os órgãos competentes não tolerarão, que os cargos em comissão sejam criados e preenchidos apenas para acomodação de correligionários e de cabos-eleitorais.

Conforme assevera Alexandre Magno Fernandes Moreira 7 : “Aí vai uma obviedade, que, no Brasil de hoje, precisa ser repetida ad nauseam: não existe liberdade absoluta na Administração Pública. Mesmo que a lei ou a Constituição aparentem dar essa liberdade, por meio dos denominados atos discricionários, os agentes públicos devem ter sua conduta restrita, ao menos, pelos princípios administrativos, principalmente impessoalidade, moralidade, eficiência e razoabilidade. Nesse sentido, é o magistério de Flávio José Roman: “O primeiro cuidado para uma exara compreensão da discricionariedade, na atualidade, é entender que ela não é termo equivalente de atuação livre. A discricionariedade se

justifica exclusivamente para permitir à Administração adotar a providência ótima no caso concreto, vale dizer, para que a autoridade administrativa possa atuar de forma a realizar superiormente o interesse público indicado na lei, devendo adotar a

Entender no sentido da total liberdade para designar

ocupantes de cargos públicos seria considerar que eles são propriedade do político responsável pela indicação. Seria, enfim, tentar justificar, em termos jurídicos, o

patrimonialismo, ou seja, a ausência de distinção entre patrimônio público e patrimônio privado, em que o primeiro seria apenas uma extensão do segundo”.

melhor solução possível. (

)

7 http://www.institutomillenium.org.br/artigos/os-cargos-em-comissao-e-a-arte-de-prevaricar/

O autor citado arremata, com propriedade, no sentido de que “a nomeação

de quaisquer pessoas com base em critérios puramente subjetivos, ou seja, sem qualquer relação com a competência técnica requerida para o cargo, é ato de improbidade administrativa e, principalmente, crime de prevaricação, previsto no art. 319 do Código Penal 8 ”.

Ainda sob a perspectiva do Código de Ética e Decoro Parlamentar, o artigo 3 O , V, disciplina que o Deputado deveria “abster-se do uso das prerrogativas parlamentares para pleitear vantagens em proveito próprio ou alheio”.

O gravíssimo fato de um servidor comissionado atuar como cabo-eleitoral,

em benefício próprio e em prol da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, configura infringência ao preceito que ora se observa. É importante mencionar que a Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira, em áudio fruto de gravação ambiental, confessou que se vale das prerrogativas do cargo em benefício próprio. Mencionou nomear analfabetos e sugeriu que partilharia 17 cargos entre os que votassem em prol do seu projeto político de aprovação da Emenda à Lei Orgânica permitindo a reeleição da Mesa Diretora.

Segundo a dicção direta do artigo 3 o , inciso VI, do Código de Ética e Decoro Parlamentar é dever do parlamentar “denunciar e combater o clientelismo, o empreguismo e a corrupção em todas as suas formas”.

Ainda é de se considerar as disposições do artigo 6 o do Código de Ética e Decoro Parlamentar, quando proscreve o abuso das prerrogativas institucionais, legais e regimentais (I); o envolvimento com o crime (III); permitir, facilitar ou concorrer para que terceiros enriqueçam ilicitamente (XII).

Enfim, da longa exposição, resta claro que existem indícios fortíssimos de que foi estabelecida, em prol da Deputada Distrital Celina Leão Hizim Ferreira e

8 Art. 319 – Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

em prejuízo da Defensoria Pública do Distrito Federal e da população que se

vale do serviço prestado pela instituição, uma relação de promiscuidade.

Importante estabelecer que para a lei processual penal (art. 239 do Código

de Processo Penal), indício e

relação com o fato principal (a ser provado), autorize, por indução, a concluir-se a

existência de outra ou outras circunstâncias. Indício vem do radical latino index, que

e ́ aquilo que indica (daı ́ nosso dedo indicador, com o qual normalmente indicamos

objetos). Assim, como mero e proverbial exemplo, todos sabemos que, em princípio,

a circunstância conhecida e provada, que, tendo

́

́

fumaça e indício de fogo.

As imagens e reportagens indicam a forte possibilidade de que a estrutura da

Defensoria Pública do Distrito Federal esteja sendo utilizada de forma anômala,

voltando-se à atividade política em prol da Deputada Distrital Celina Leão Hizim

Ferreira. A instrução processual revelará se tais indícios formam um substrato

probatório firme e coeso para justificar a aplicação das penalidades cabíveis.

DOS PEDIDOS

Em face de todos os fatos apontados de forma indiciária, entende-se ser o suficiente para requerer a instauração do processo investigatório-punitivo por parte do Ministério Público, visando apurar acerca da existência de atos de improbidade administrativa e, em caso positivo, identificação dos responsáveis e ressarcimento aos cofres públicos, se for o caso. Também é importante, caso o MPDFT entende verossímil as notícias, que se proceda o afastamento dos envolvidos de suas funções, segundo permissão constante do artigo 20 da Lei de Improbidade Administrativa.

Instituto de Fiscalização e Controle CNPJ 07.740.656/0001-90