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SUGESTÕES DE TEXTOS PARA TRABALHO COM A LITERATURA

ENSINO FUNDAMENTAL

Texto 1

O primeiro beijo e etc.

A adolescência chegou e junto com ela a paquera, a paixão, o primeiro toque, a


conquista, o namoro, o coração partido... Como agir diante dos filhos que estão
descobrindo o amor?
Publicado em 11/05/2008 - Jennifer Koppe

Dar o primeiro beijo é um marco na vida de todo ser humano. Assim que a menina
ou o garoto entram na adolescência e alguns colegas se tornam mais do que simples
amigos(as), beijar é o momento mais esperado, um rito de passagem que prova para eles
mesmos e para os outros que não são mais crianças.
O primeiro beijo também é considerado a primeira experiência sexual dos filhos e,
por isso mesmo, motivo de preocupação e de dúvida para os pais. “Será que não foi cedo
demais?” “Devemos falar sobre o assunto?” “Como agir a partir de agora?” são algumas
questões que passam pela cabeça dos adultos.
De acordo com a psicóloga Eloá Andreassa, não existe idade certa para dar o
primeiro beijo. “Geralmente, o interesse pelo sexo oposto começa a despertar durante a
puberdade, a partir dos 12, 13 anos de idade, mas hoje em dia as crianças estão sendo
estimuladas pela mídia e até mesmo por alguns pais a agir como adultos cada vez mais
cedo”, afirma.
Mesmo que o beijo ocorra dentro da faixa-etária “esperada”, um pouco antes ou
alguns anos depois, não importa. Qualquer que seja a situação, Eloá explica que os pais
devem receber a notícia com naturalidade. “Não faça alarde e nem comemore. Tente
descobrir como aconteceu e como o seu filho está se sentindo”, explica. Uma reação
exagerada dos pais, além de deixar o adolescente envergonhado, também pode
comprometer a relação de confiança entre eles.
“É importante os pais estarem disponíveis para ajudar os filhos a perceber o que
sentem, o que pensam e como podem fazer escolhas. Nesse momento, os pais precisam
se tornar confidentes de seus filhos, pois eles buscam alguém que os ouça e que os
ensine. Durante a conversa, sempre que houver uma brecha, oriente o seu filho e fale de
sua própria experiência”, recomenda a psicóloga Tisa Paloma Longo.

Brincadeira de criança

Se bem antes da pré-adolescência o seu filho chegar da escola dizendo que está
namorando, não se assuste. É comum que crianças de 3 a 5 anos brinquem de namorar.
Da mesma forma que brincam de casinha, escolinha e de polícia e ladrão. Eles observam
os adultos e imitam o seu comportamento. Por isso, elegem um amigo especial, mandam
cartinhas, dão presentes e até andam de mãos dadas, mas o relacionamento não passa
disso.
As especialistas recomendam: se é uma brincadeira, trate como tal, ou seja, não
dê muita importância para o assunto. “Não proíba, nem estimule. Se quiser conversar com
a criança sobre o que está acontecendo, procure mostrar a importância da amizade, do
afeto e do respeito por si e pelos outros”, explica Tisa.
Se surgirem dúvidas a respeito de sexo, não deixe de falar com eles sobre o
assunto, mas não transforme uma simples resposta em sermão. “É interessante
aproveitar a curiosidade das crianças para falar sobre sexo, mas responda apenas o
necessário e à medida que as dúvidas surgirem”, orienta Eloá. Se esse tipo de orientação
for dada desde cedo e nas doses certas, falar do tema será mais confortável tanto para os
pais quanto para os filhos.

Vai dar namoro?

No caso dos adolescentes, é fundamental que, antes que se envolvam


afetivamente com outra pessoa, já tenham um bom conhecimento sobre sexo e suas
conseqüências, entre elas a gravidez e as doenças sexualmente transmissíveis. “Mas
essas conversas não devem se limitar à educação sexual. É muito importante que os pais
transmitam valores positivos sobre o tema e que associem o sexo com afeto e
compromisso. Nesta era do ‘ficar’, é cada vez mais difícil os adolescentes namorarem.
Uma pena, pois namorar, ter um primeiro amor, é uma experiência muito enriquecedora,
essencial para a formação e para o amadurecimento do indivíduo”, lembra Eloá
Andreassa.
Embora seja recomendável deixar o adolescente vivenciar o namoro sem culpa
ou constrangimentos, é necessário que os pais imponham alguns limites e regras para o
relacionamento. Estabelecer horários e locais definidos para que o casal se encontre, por
exemplo, é interessante para que o filho mantenha a sua rotina de estudos e atividades.
“Senão, eles vão ficar 24 horas grudados um no outro”, brinca a psicóloga.

Ciúmes de você

Não é fácil ver a sua garotinha nos braços de outro, ou então, ouvir o filhão se
derreter em elogios por uma amiga da escola. Sentir ciúmes dos rebentos é normal,
passageiro e comum tanto para mães quanto para pais. “É um momento muito difícil para
os pais, pois os adolescentes costumam se afastar da família para buscar independência,
e os pais percebem que não são mais o centro da vida de seus filhos. Por isso, encaram
essa fase como uma perda, que gera dor, desconforto e até inveja daqueles que estão
recebendo mais atenção do que eles”, explica Tisa Paloma Longo.
Mas, por mais que o ciúme seja aceitável, não deve provocar conflitos. Querer
competir com a namorada ou namorado está fora de questão. Além de não ser um
comportamento saudável, é bem provável que você saia perdendo.

Fonte: <http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/viverbem/conteudo.phtml?
tl=1&id=764728&tit=O-primeiro-beijo-e-etc> Acesso em 07 de março 2009

TEXTO 2
O PRIMEIRO AMASSO A GENTE NUNCA ESQUECE

Eu bem que não queria ir, alguma coisa estava me avisando. Vai ser muito tumulto,
vai ser muita gente... Mas, como vivo meus dias em função do meu amor impossível por
Paulinha Toller, não poderia nunca deixar de ir ao show do Kid Abelha na Concha Acústica
naquele dia. E lá fomos – a tropa toda –, mesmo eu achando que em programa de filho
pai não deve meter o bedelho. Primeiro porque você tem que se mancar pra não ficar indo
numa praia que não é sua, e segundo porque pode ter surpresas desagradáveis,como
aconteceu comigo nesse dia.
Quando chegamos na creche – quer dizer, na Concha –, foi o maior barato. Meu
fascínio pela Paulinha não me permitia enxergar mais nada. Que voz, que rosto, que
corpo! (Seu único defeito é ela nem saber que eu existo.) Fiquei tão ligado que comecei a
dançar junto com a galera, até perceber que o pessoal todo estava fora de ritmo, menos
eu. Achei melhor ficar só ouvindo as músicas, e me concentrei de novo naquele louro
objeto do desejo. Nem observei o que se passava à minha volta, e esse foi meu erro.
Já quase no final do show foi que notei que meus filhos não estavam a meu lado.
“Tudo bem”, pensei, “devem ter ido comprar algum refrigerante, ou estão por aí.” (Não me
lembro a partir de que momento na vida eles deixaram de avisar aonde vão.)
Na hora de ir embora, saio catando um por um, mas só encontrei uma filha e meu
filho. Cadê a outra? A irmã diz logo: “Ah eu vi quando ela tava indo pro bar, já deve estar
voltando. É melhor vocês esperarem aqui que eu vou lá chamar”. Percebi no ar um quê
de cumplicidade, e pensei: “Aí tem!” E disse: “Não, não, vamos procurar juntos!” Depois
de descer alguns degraus, sinto que minhas pernas estancam, meu olhar vacila e meu
queixo cai com a cena: minha própria filha sendo imprensada no muro por um sujeitinho
qualquer, no maior amasso, e ela, em vez de empurrá-lo, ainda o estava abraçando! E
gostando!
Nunca imaginei (sempre imaginei!...) que esse dia fosse chegar! Ali, na minha
frente! “Quem é esse rapaz?” (a gente sempre os chama de “rapaz”), perguntei à outra
filha. “É um menino aí com que ela ficou na Lavagem da Praia do Forte, encontrou aqui
hoje, e ficou de novo.”
Até aí tudo bem (tudo bem uma ova!). O pior foi quando ela me notou e veio toda
sem graça pra me apresentar o “rapaz”. Tive que apertar aquela mão mole, e ainda sorrir
pro sujeito... E ainda dei carona até o carro dele, que estava longe! E ainda falei “tchau”! E
ainda tomei esporro porque fui “frio” (“Meu pai, você não tem jeito mesmo, né? Custava
ser um pouquinho mais gentil com o menino?”)!!!

(LARIÚ, Nivaldo. Confissões de um pai de adolescente. Rio de Janeiro: Relume Dumará,


1996.)

Texto 3
Sinopse da obra Otelo

A tragédia Otelo, de William


Shakespeare, foi publicada pela
primeira vez por volta de 1622. No
entanto, sua composição é datada de
1604. O personagem principal, que
empresta o nome a obra, é um general
mouro que serve o reino de Veneza.
Toda história gira em torno da
traição e da inveja. Iago, alferes do
nobre mouro Otelo, engendra uma
trama diabólica para destruir o mouro.
Tal trama causa assassinatos e
injustiças.

XIII

Tarde demais

Desdêmona havia se preparado para receber seu marido, como se nada tivesse
acontecido. Porém, mesmo com a esperança de que Otelo tivesse voltado ao seu estado normal,
ela mantinha um pressentimento aguçado de que a noite não seria de felicidade e amor.
Já estava dormindo quando OteIo aproximou-se sorrateiramente de sua cama e apagou
as velas próximas ao leito da amada. Ele pensava em matá-Ia e queria estar certo de que sua
beleza não o impediria de sufocá-Ia.
Sentou-se na cama e a beijou. Sentiu seu hálito quente e sedutor. Beijou-a uma vez mais
enquanto suas lágrimas escorriam por seu rosto rude e terno, palco de tantas incertezas...
- Quem está aí? - sussurra Desdêmona, levemente adormecida.
OteIo a beijou uma vez mais. Queria que permanecesse com aquela doce expressão
mesmo depois de morta, apenas para poder amá-Ia um pouco mais.
- Está chorando, meu amor? - ela diz, baixinho, ainda de olhos fechados. - Não vem se
deitar?
- Ainda não ... - OteIo reage, levantando-se imediatamente. - Já rezou esta noite,
Desdêmona?
- Sim, meu amor.
- Se acha que tem algum pecado que ainda não tenha confessado, peça absolvição
agora!
- O que quer dizer com isso? - ela pergunta, sentando-se na cama.
- Vamos logo, eu espero ... - Otelo caminha pelo quarto. - Eu não poderia matar sua alma
em pecado.
- Matar? Por que fala em matar? Meus únicos pecados são os amores que lhe dedico!
Não é natural matar alguém por amor!
- Silêncio! Fique quieta!
- Fico, mas me diga: do que se trata?
- O lenço que lhe dei, você o deu a Cássio! - Otelo finalmente diz a Desdêmona o motivo
de sua desconfiança.
− Não! Por minha vida que não! Mande chamá-Io e pergunte...
- Cuidado com falsos juramentos ... Está em seu leito de morte!
- Mas não para morrer esta noite!
- Sim, morrerá agora! - ele afirma, sentando-se diante dela.
- Que o Senhor tenha piedade de mim!
- Amém.
- E que meu marido também tenha piedade de mim, pois nunca o ofendi em toda a minha
vida! Nunca amei Cássio, exceto como amigo! E nunca lhe dei nada! - Desdêmona diz, aos
prantos.
- Não minta... Eu vi o lenço na mão dele!
- Então ele o encontrou em algum lugar. .. Nunca lhe dei nada! Chame-o aqui para que
diga a verdade!
- Ele já confessou!
- Confessou o quê?
- Que a possuiu!
- Duvido que tenha dito isso!
- Disse e nunca mais repetirá ... Sua boca está calada! Mandei que o honesto lago
cuidasse disso ...
- O quê? Cássio está morto? - Desdêmona se desespera. - Ele foi traído e eu estou
perdida!
- Está chorando por causa dele na minha frente? Deite aí, prostituta! Vou matá-la!
- Não, senhor, mate-me amanhã, não esta noite! - ela luta com Otelo. - Não!
- Só meia hora! Enquanto faço uma oração...
- Tarde demais!
Otelo, fora de si, tomado pelo ciúme e pela revolta, aproximou-se da esposa e apertou-
lhe o pescoço, asfixiando-a lentamente.
Assim que percebeu que não teria chance de demover o marido daquele gesto insano,
Desdêmona não mais resistiu e se entregou à morte, em um longo e triste silêncio, sob as
lágrimas do Mouro...
Nesse momento, alguém bateu à porta. Otelo vacilou por instantes. Temia que
Desdêmona ainda estivesse viva:
- Oh, meu amor, não quero que sofra ainda mais...sussurou Otelo, cego pelas lágrimas.
- Senhor! - grita Emília, esmurrando a porta.
Otelo puxou um punhal e cravou-o no peito de Desdêmona. Desejava assim abreviar a
agonia de sua amada.

CHIANCA, Leonardo. Otelo – Willian Shakespeare. São Paulo: Escala Educacional, 2005, págs.
62-65.