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Escadrille Lafayete, os jovens pilotos americanos na Primeira Guerra Mundial

Ao entrar em qualquer locadora de vídeo no Brasil é possível, hoje, assistir a uma obra
que leva os expectadores a viajarem para o início do século XX, mais precisamente ao
ano de 1916. O filme “Flyboys”, baseado na obra de Phil Sears e Blake Evans, com o
jovem ator James Franco no papel principal, foi rodado no Reino Unido, na primavera
de 2005 e conta, com muita ação, à história da Escadrille Lafayette. Uma história até
então desconhecida por muitos e que você conhecerá no Rota Aérea.

Desde o Congresso de Viena, em 1815, a preocupação dos principais paises


europeus era a busca por uma estabilidade internacional. As nações européias e os
Estados Unidos buscavam este equilíbrio, principalmente no poderio militar e na
constante vigilância dos países vizinhos. A estabilidade que tanto buscavam era na
verdade um “equilíbrio de poder”.

Durante a metade do século XIX, as nações imperialistas dominaram povos e


territórios. Assim, em poucas décadas, acumularam riquezas e aumentaram muito sua
capacidade de produzir mercadorias. Da disputa por mercados consumidores entre
essas nações, nasceram às rivalidades que tornaram o mundo tenso e aos pés de
uma guerra em proporções mundiais. Para isso só faltava um “ponta-pé inicial”.

Este “ponta-pé” foi dado em um domingo, 28 de julho de 1914, em Sarajevo, capital da


Bósnia. Nesse dia, o herdeiro do trono austríaco, Francisco Ferdinando, e sua esposa,
foram assassinados a tiros por um estudante da Bósnia. Em 28 de julho de 1914, a
Áustria declarou guerra a Sérvia.
Desde 1907 a Europa já se encontrava dividida em dois blocos político-militares: a
Tríplice Aliança, com a Alemanha, Itália e Áustria-Hungria, e a Tríplice Entente, com a
Inglaterra, França e Rússia. Com a justificativa de estarem apoiando seus aliados
estes blocos entram em conflito dando início à Primeira Guerra Mundial.

O avião, criado por Santos Dumont em 1907, estava evoluindo a cada dia e seu
emprego militar era estudado pelos paises mais desenvolvidos da época. A Primeira
Guerra Mundial marcou, sem sombra de dúvidas, a entrada do avião como arma de
guerra, para alegria dos belicistas e tristeza de seu inventor.
A historiografia nos conta que em 1913, pilotos americanos voaram como mercenários
para os rebeldes de Pancho Vila no México. Em 1914, quando a Primeira Guerra
Mundial eclodiu na Europa, os americanos que viviam nos Estados Unidos não
queriam somente ver em filmes as proezas dos aviadores europeus, eles queriam voar
onde seus serviços eram necessários. Na Europa, mais precisamente em Paris,
também haviam muitos jovens americanos, a grande maioria de família rica, e que
estavam na “cidade luz” para estudar, passear e aprender a voar.

O escritor suíço Blise Cendras, através do jornal “Lê Figaro” convida todos os
estrangeiros a se alistarem no Exército francês e lutar pela França em nome de sua
liberdade. Contudo, não era simples para cidadãos americanos, que não estavam
oficialmente em guerra com a Alemanha, entrarem no conflito. O embaixador
americano, visando preservar a diplomacia americana, aconselhava seus compatriotas
a ingressarem na Legião Estrangeira Francesa ou no corpo médico.

Esta solução, não foi muito bem aceita e os americanos começaram a se agrupar em
um esquadrão. As autoridades francesas não aceitaram bem a idéia, porém a mesma
ganhava força entre os jovens americanos e o povo francês, recebendo grande e
importante apoio do Gal. Hirschaver e do Monsieur de Sillac, do Ministério das
Relações Exteriores da França. Com isso, em 1916 foi autorizada a criação da
unidade americana.
O Esquadrão comandado pelos franceses George Thenault e Alfred de Laage era
sediado em Luxevil. Seu inicio deu-se no dia 20 de abril com a chegada dos primeiros
pilotos americanos. O nome dado ao esquadrão foi “Escadrille Americaine”, porém o
embaixador alemão entrou com um protesto alegando que os Estados Unidos não
haviam declarado guerra aos países do Eixo. A inspiração para o novo nome da
esquadrilha veio da história dos Estados Unidos, já que os pilotos decidiram
homenagear o Marquis de Lafayette, grande herói naval francês e que teve grande
participação na guerra da independência americana.

A batalha aérea nos céus da Europa era feroz. Os alemães quase nunca entravam no
espaço aéreo francês, exceto por alguns bombardeiros e seus “caças protetores”.
Com isso, praticamente toda batalha aérea acontecia no lado alemão. Os franceses
possuíam várias esquadrilhas, cada qual com suas horas de vôo, o que fazia com que
sempre tivesse uma esquadrilha sobre a linha.

Os franceses não encontravam facilidades no lado alemão, muito pelo contrário. Os


pilotos alemães, possuíam no mínimo seis meses de treinamento e um período de
pelo menos três semanas de segurança e observação na companhia de um ás
alemão. Somada a esta superioridade na qualidade do treinamento, estava a
superioridade das aeronaves alemãs.

O principal equipamento alemão era o Fokker E.III e o Albatros DII. Os franceses


possuíam em seu corpo de vôo, principalmente, o Nieuport 11 e o Nieuport 17
(equipamento voando pela Escadrille Falayette) que, de certa forma, equilibravam o
combate. Contudo, com o surgimento do Fokker D.I em 1917, os alemães passaram a
ter vantagem. O teto elevado do Fokker permitia que os pilotos germânicos
escolhessem seu alvo e fizessem um ataque surpresa, mergulhando a favor do Sol
contra o inimigo. Os franceses tentaram equilibrar o conflito com os SPAD S.XIII, mas
os alemães confirmaram a superioridade e começaram a apresentar alguns
desenvolvimentos para seus pilotos como máscara de oxigênio e aquecimento.

Os combates eram sangrentos e os voluntários americanos não paravam de chegar


para suprir a perda gigantesca de pilotos durante a Primeira Guerra Mundial. A
Escadrille Lafayette sempre manteve seu efetivo e nunca sofreu com falta de pilotos.
Os demais americanos que concluíam o treinamento de vôo eram admitidos em outras
esquadrilhas francesas. Porém, a única composta unicamente por americanos era a
Lafayette, que tornou-se histórica também por ser a primeira a ter um aviador militar
negro: Eugene Bullard.

Com 159 vitórias o saldo da Escadrille Lafayette foi bem positivo diante dos cinqüenta
e um pilotos mortos em combate; os seis mortos em treinamento; e os seis que
morreram por causas naturais. Esta bela atuação na Europa levou a Lafayette a
receber quatro “Légion d’ Honneur”; sete “Médaille Militaire” e trinta e uma “Croix de
Guerre”.

Esta história vitoriosa destes jovens heróis terminou operacionalmente em 18 de


fevereiro de 1918, quando a Escadrille deixou de existir e seu efetivo foi transferido
para o 103 Esquadrão de Perseguição do U.S. Army. Muitos pilotos que largaram a
vida militar formaram o embrião da aviação comercial norte-americana. Eugene
Bullard, mencionado anteriormente, tornou-se o primeiro piloto a fazer o serviço postal
nos Estados Unidos. O contato dos aviadores americanos com os franceses foi muito
proveitoso em nível de aprendizado para os americanos.
Os mortos da Escadrille Lafayette estavam enterrados de forma espalhada pela
Europa: Bélgica, Itália e França. Porém, em 1921, um comitê iniciou a procura por um
local apropriado para sepultar os mortos da Escadrille. O Governo Francês ofereceu
um belo espaço no Parque Villeneuve, subúrbio de Paris. As verbas para as obras
vieram de franceses e americanos e em 1928, foi inaugurado o Memorial Lafayette.

O memorial atualmente encontra-se em péssimas condições e sofre com os efeitos do


tempo e a exposição à chuva e ao Sol, ameaçando as sepulturas. Anualmente era
feita uma homenagem aos ali sepultados, porém a ultima destas foi em 2001 já que as
condições do memorial são realmente muito ruins.

O espírito do Memorial Lafayette é manter vivo no coração dos homens, o espírito de


aliança e heroísmo que inspirou os membros da Escadrille a se oferecerem à causa
universal da liberdade sob a bandeira da França. Porém, diante do descaso com o
memorial, resta a magia do cinema, que encanta multidões, manter viva a chama e a
honrosa história destes jovens que lutaram nos céus da França, motivando as novas
atuais gerações a terem ideal e orgulho para defenderem sempre os nossos bens
mais valiosos: a liberdade e a vida.

Os combates eram sangrentos e os voluntários americanos não paravam de chegar


para suprir a perda gigantesca de pilotos durante a Primeira Guerra Mundial. A
Escadrille Lafayette sempre manteve seu efetivo e nunca sofreu com falta de pilotos.
Os demais americanos que concluíam o treinamento de vôo eram admitidos em outras
esquadrilhas francesas. Porém, a única composta unicamente por americanos era a
Lafayette, que tornou-se histórica também por ser a primeira a ter um aviador militar
negro: Eugene Bullard.

Com 159 vitórias o saldo da Escadrille Lafayette foi bem positivo diante dos cinqüenta
e um pilotos mortos em combate; os seis mortos em treinamento; e os seis que
morreram por causas naturais. Esta bela atuação na Europa levou a Lafayette a
receber quatro “Légion d’ Honneur”; sete “Médaille Militaire” e trinta e uma “Croix de
Guerre”.

Esta história vitoriosa destes jovens heróis terminou operacionalmente em 18 de


fevereiro de 1918, quando a Escadrille deixou de existir e seu efetivo foi transferido
para o 103 Esquadrão de Perseguição do U.S. Army. Muitos pilotos que largaram a
vida militar formaram o embrião da aviação comercial norte-americana. Eugene
Bullard, mencionado anteriormente, tornou-se o primeiro piloto a fazer o serviço postal
nos Estados Unidos. O contato dos aviadores americanos com os franceses foi muito
proveitoso em nível de aprendizado para os americanos.

Os mortos da Escadrille Lafayette estavam enterrados de forma espalhada pela


Europa: Bélgica, Itália e França. Porém, em 1921, um comitê iniciou a procura por um
local apropriado para sepultar os mortos da Escadrille. O Governo Francês ofereceu
um belo espaço no Parque Villeneuve, subúrbio de Paris. As verbas para as obras
vieram de franceses e americanos e em 1928, foi inaugurado o Memorial Lafayette.

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