UP APRESENTA

GATO PRETO
Minissérie de
Cristina Ravela
Capítulo 4 de 15

© 2016, Unbroken Productions.
Todos os direitos reservados.

ATO DE ABERTURA
FADE IN
CENA 1 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA DE JANTAR – DIA
PLANO GERAL - Ambiente com pisos e azulejos claros, pouca
mobília, uma mesa de madeira comprida contendo um café da
manhã, farto. A empregada está de pé, um pouco afastada da
mesa; Avelino está sentado na ponta; Mazinho, Alessandro e
Cícero lado a lado; De frente, Maria José e Walter. Todos se
servindo. Percebe-se que não há mais cadeiras no local.
Alice e Noel surgem na entrada, alguns dão aquela olhada de
asco, menos Walter.
EMPREGADA
Desculpe, vou pegar mais cadeiras.
Mal termina de falar e Avelino faz um gesto com a mão.
AVELINO
Não se preocupe. Eu já terminei.
Avelino limpa a boca com uma pequena toalha e se levanta.
Mazinho e Alessandro fazem o mesmo.
NOEL
(sonso) Não me diga que é porque
chegamos?
AVELINO
(grosso) O que acha?
NOEL
(debocha) Cuidado, hen pai. Serão
12 meses sem se alimentar direito.
Na sua idade eu não me arriscaria
não.
Alice, Maria José e Cícero seguram o riso. Avelino faz cara
feia e SAI. Mazinho e Alessandro passam por Alice e Noel,
olham de cima a baixo e esbarram, de propósito. Eles SAEM.

Noel nem se abala e senta-se à mesa, ávido de fome. Alice faz
o mesmo.
CÍCERO
Como as crianças passaram a noite,
hen? Dizem que a primeira noite
aqui depois de tantos anos causa
pesadelos (risadinha).
NOEL
Pesadelo é quando a gente acorda.
TODOS riem. Maria José dá de cara com Alice e fecha o
sorriso.
ALICE
Pode me passar a manteiga, Walter?
Clima. Walter sorri, sem graça e passa a manteiga para ela.
MARIA JOSÉ
Que esquisito! Sobrinha chamar o
tio pelo nome.
ALICE
(alfineta) Que esquisito! Pai que
rejeita o próprio filho.
WALTER
Ficamos um bom tempo sem nos ver,
né? Eu entendo.
MARIA JOSÉ
Isso porque toda vez que você ia na
casa da dona Tarsila, raramente a
Maria Alice estava, né? Parece até
que queria se esconder...
Alice disfarça e volta sua atenção para o pão, enquanto Noel
observa a cara de sonsa de Maria José. Walter olha estranho
para Alice.
NOEL

(provoca) Tá sabendo, seu Cícero?
Os pais da Alice vieram passar um
tempo na fazenda do seu irmão.
CÍCERO
Ué? Mas por quê? (ironiza) Waguinho
perdeu o emprego e a casa por conta
do boato, foi? (risadinha)
NOEL
Ah, não, eles querem tomar conta da
filha e do seu futuro patrimônio
como uma das herdeiras da família.
(Dá uma cotovelada amigável no
braço de Cícero) Agora a família
toda tá reunida, não é o máximo?
Noel torna a comer seu pão. Cícero e Maria José trocam
olhares cúmplices.
CENA 2 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE CÍCERO –
DIA
Maria José volta-se, irada, com os punhos fechados.
MARIA JOSÉ
Que ódio! Que ódio! Vontade de
enfiar aquele baguete no meio do /
CÍCERO
(corta) Calma, filha! Quanto mais
você fica com raiva, menos você
raciocina. A menina Alice não vai
aguentar o clima aqui não. Duvido.
Tá muito pesado pra ela.
Maria José anda de um lado para o outro, pelo quarto pequeno,
meio apertado e todo branco. Ela rói as unhas, tem um olhar
disperso.
MARIA JOSÉ
Dane-se que ela vai aguentar ou
não, pai! A imbecil da Catarina
nomeou uma amiga como herdeira, e

não eu, a prima dela. Nos deixou de
fora como o tio João é bem capaz de
fazer contigo.
Cícero bate três vezes na madeira da rack.
CÍCERO
Vira essa boca pra lá, filha! Com a
morte da pobrezinha da Catarina, eu
sou o herdeiro direto dele.
MARIA JOSÉ
(pensa alto) Eu preciso dar um
jeito deles se mandarem daqui. Aí,
o Alessandro abocanha a grana e
casa comigo.
Cícero estala os dedos diante dela. A garota desperta de seu
devaneio.
CÍCERO
Você se esquece do Walter, é? O
rapaz é bom, gosta de você e também
é herdeiro disso aqui.
CORTA PARA O
EXTERIOR DO QUARTO
Walter vai passando quando ouve a conversa. Ele para rente à
porta.
MARIA JOSÉ
(O.S) Herdeiro de quê? Quando o
idiota do Avelino morrer, isso tudo
será do Alessandro. Quem se importa
se ele roubou dos irmãos? Te
contei, né? Walter é tão paradão
que se recebesse dez mil já sairia
doando. Contenta-se com pouco.
Walter, desolado, mas com cara de quem está acostumado com
aquilo, deixa a cena.

VOLTA EM
Maria José, que continua com os seus impropérios.
MARIA JOSÉ
Tá cada dia mais difícil manter
esse relacionamento, pai. Se o
Alessandro não tomar uma decisão,
eu tomo.
Nela.
CENA 3 EXT. - FAZENDA GUERRA – DIA
Vista aérea do imenso campo cheio de ovelhas. CAM dá uma
geral em outro ponto onde João e Wagner estão debruçados
sobre a cerca.
CORTA PARA
CAMPO
João e Wagner espiam as ovelhas pastando.
WAGNER
Não sei se isso dará certo, João.
Não quero dar trabalho.
JOÃO
Deixa disso, homem! A casa ficou
muito vazia sem a minha filha. Eu e
a Helô estamos felizes em receber
os pais dos herdeiros que Catarina
escolheu.
WAGNER
Eu acho isso muito novo pra mim. A
Catarina tinha uma prima, né?
JOÃO
Pois eu dou graças a Deus que ela
deixou a Maria José de fora. Seria
bem capaz de vender pro Alessandro

ou pro Avelino a qualquer preço.
Pelo PONTO DE VISTA de ambos, Paulo cavalga entre as ovelhas.
WAGNER
Sabe, eu lembro, vagamente, que
você e o Avelino eram mais próximos
antes da Catarina nascer. Nunca
entendi o que de fato aconteceu.
JOÃO
Avelino foi uma decepção pra mim.
Certeza que se meu pai fosse vivo
teria se arrependido de tê-lo
empregado e dado referências ao
antigo dono daquela fazenda.
Tarsila deve ter te contado que ele
trabalhava na fábrica de tecidos do
meu pai, né?
WAGNER
Sim, inclusive eu saí do Rio porque
ela queria ficar perto da família,
quando Avelino veio pra cá.
JOÃO
Pois é. Avelino podia ter sido um
grande amigo. Mas ter conseguido a
fazenda apenas mostrou o lado
ganancioso dele.
WAGNER
Mas o patrão deixou a fazenda aos
cuidados de Avelino, antes de
morrer. Olha, senti pena do filho,
viu. Morreu a mãe, depois o
pai...Eu posso até não gostar do
Avelino, mas ele ter cuidado do
garoto, achei digno.
Em João, olhar de rancor.
JOÃO
Era o mínimo que ele podia ter

feito.
WAGNER
Como assim?
João disfarça, nem encara o amigo.
JOÃO
O garoto sofreu o acidente junto da
mãe, né? Podia ter ficado
traumatizado a vida inteira.
Wagner mal responde, e Paulo aproxima-se com o seu cavalo
todo marrom, altivo. Ele segura uma pequena vara em uma das
mãos.
PAULO
Bom dia! Bom dia!
WAGNER
Bom dia! (faz carinho na cabeça do
cavalo) Garoto bonito esse, hen.
Eles riem.
WAGNER
Morro de medo de cavalgar,
confesso. Prefiro até andar a pé.
Nem carro eu gosto.
JOÃO
Eu não pretendo mais cavalgar tão
cedo. Não me traz boas lembranças.
PAULO
O senhor me desculpe, cabeça minha
(vai descendo). Se achar melhor, eu
nem cavalgo perto do senhor.
JOÃO
Não, de maneira alguma! Isso faz
parte do seu trabalho.

PAULO
Bom, de qualquer maneira, vou
deixar o rapaz descansar, né?
E Paulo ACERTA a vara no lombo do cavalo, que DISPARA.
WAGNER
Ai, gente, não machucou não?
Os outros riem.
PAULO
Que nada! Dei de leve. É um truque.
Quando faço isso ele só corre a uma
certa distância. Depois para.
WAGNER
(pra João) Você tem um domador de
cavalos, hen.
JOÃO
Melhor do que ele só o pai dele
foi.
Paulo sorri, constrangido.
FADE OUT
FIM DO ATO DE ABERTURA

CAPÍTULO 4

BALAIO DE GATOS

PRIMEIRO ATO
FADE IN

CENA 4 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – DIA
Rafael sentado num sofá, diante de Alice e Noel.
RAFAEL
É importante que vocês não se
ausentem por vinte e quatro horas
daqui, a não ser por motivo de
força maior. Caso contrário, o
Alessandro pode revogar a herança
alegando a renúncia de vocês.
NOEL
Então melhor reforçar a segurança,
pra gente não amanhecer perdido
numa ilha (ri).
RAFAEL
Melhor não ri. Já vi briga feia por
causa de terras, teve até mortes.
Deus que me perdoe, mas nem em
parente dá pra confiar.
ALICE
E considerando a polícia da região…
RAFAEL
Bom, vocês têm o meu apoio.
Catarina tinha muito apreço pelos
dois. Não tenho nada contra o
Alessandro, mas o testamento ficou
claro que a preferência é por
vocês. Só posso desejar boa sorte.
ALICE
Vamos precisar.
Ao fundo, Mazinho ESPIA, com cara de quem não gostou.
CORTA PARA
CENA 5 EXT. - CLÍNICA VETERINÁRIA – DIA

MAZINHO
(O.S) A gente tem que fazer alguma
coisa, Alessandro!
Corta para o INTERIOR
Mazinho não para quieto, daquele jeito malandro, enquanto
Alessandro faz curativo na pata de um gato preto.
MAZINHO
Conheço o Noel e junto com aquela
lá eles não vão dar sossego não.
Capazes de sumirem contigo pra
dizer que tu renunciou.
ALESSANDRO
E o que podemos fazer? Se nem a má
fama e o desprezo da gente foram
suficientes.
MAZINHO
Tu eu não sei, mas eu vou dar um
jeito. (aproxima-se do gato) E qual
é desse gato, hen?
Quando Mazinho passa a mão no dorso do gato, este mostra os
dentes. Mazinho se afasta.
MAZINHO
Eu hen. Odeio gatos. Não dá pra
confiar em nenhum. To saindo. Fui!
Mazinho some pela porta. Alessandro acaricia o gato, agora
manso.
CENA 6 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / QUARTO DE HÓSPEDES –
DIA
Tarsila arruma as roupas nos cabides. O local é espaçoso,
metade da parede em cores neutras; Outra metade, branca. Cama
de casal, móveis de madeira boa, envernizada. Ambiente bonito
e relaxante.

A porta sendo aberta, Wagner adentra, afoito.
WAGNER
Bora visitar nossa filha? Temos que
marcar presença, mostrar que ela
não tá sozinha.
TARSILA
Você fala de um jeito como se ela
estivesse no meio do perigo. É a
minha família, bem ou mal…
Wagner a abraça pelas costas e beija sua nuca.
WAGNER
É, eu sei, não dá pra escolher, né?
Mas você vem comigo, não vem?
Tarsila esquiva-se e guarda a roupa no armário.
TARSILA
O Avelino não deve tá em casa.
Quando ele estiver, eu vou só pra
pisar. Eu quero vê ele me aguentar
agora.
WAGNER
(ri/safado) Hmm, tá pro crime,
gostei disso. Mas tu vai ficar aqui
sozinha? A Helô tá por aí?
TARSILA
O João não tá em casa hoje?
WAGNER
Por isso mesmo. Não dê muita trela
pra ele não. Dá pra ver a ânsia
dele em destruir o Avelino, e você
é a irmã. Veja só, o cara ficou com
a esposa do inimigo.
Tarsila lança um olhar fulminador. Para até o que está
fazendo.

TARSILA
Como é? Só por isso você quer que
eu te acompanhe? Cê tá achando que
eu /
WAGNER
Não, de maneira alguma. É que os
dois vivem de guerra e eu não quero
que sobre pra você, (sorriso
sacana) né meu amor?
TARSILA
Aham, sei.
Tarsila guardando a roupa; Wagner ainda sorrindo, pisca pra
ela.
CENA 7 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE –
DIA
CAM dá uma geral no ambiente espaçoso, em cores claras. Cama
de solteiro, coberta por uma colcha em xadrez, móveis
rústicos. SOM de chuveiro ligado. CAM vai BUSCAR a porta do
banheiro fechada e
ADENTRA-O
Na silhueta feminina por trás do box de vidro, tomando banho.
O lavabo grande com um extenso espelho de canto a canto,
alguns objetos por alí.
Corta para o interior do BOX
CLOSE em Alice debaixo do chuveiro e de olhos fechados.
PLANO DETALHE nas mãos de Alice, que desligam o chuveiro em
clima de SUSPENSE.
Alice passa as mãos nos olhos, quando um SOM tipicamente de
cobra chama atenção. No que Alice abre os olhos
HÁ UMA JIBOIA NO CANTO DO BOX

Alice leva um SUSTO, esquiva-se, tenta sair e acaba CAINDO do
outro lado. Rapidamente, apanha a toalha e enrola-se nela. A
cobra vem se aproximando. Alice, no desespero, abre a porta
ATRAVESSA O QUARTO E SAI PARA O
CORREDOR
Onde acaba escorregando e indo ao chão. Mazinho bate PALMAS,
aos risos.
MAZINHO
O que foi? Tem medo de cobra, é?
(aproxima-se) Da próxima eu arrumo
uma peçonhenta pra você.
E SAI rindo. Alice, respiração ofegante, trinca os dentes e
soca o piso, de raiva.
CENA 8 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA – DIA
Mazinho desce as escadas, rindo. Maria José e Cícero,
sentados e com celular nas mãos, não entendem.
CÍCERO
(provoca) O que tu aprontou, hen
Mazinho? Coisa boa não foi.
MAZINHO
Sabe quando duas cobras se
encontram? (senta-se) É disso que
to rindo.
O cara gargalha, fazendo Maria José também rir. Cícero
espanta-se com o que vê fora da tela.
CÍCERO
Epa, epa! Que isso?!
Alice, só de toalha, desce as escadas, furiosa e segurando a
cobra pela cabeça. Mazinho percebe e olha para trás. Levanta,
com cara de safado.

ALICE
Tá aqui a sua cobra, Mazinho!
E ao tentar jogar em cima de Mazinho, este desvia e a cobra
CAI sobre Maria José. A garota GRITA e SALTA do sofá, jogando
a cobra no chão.
Noel surge no alto da escada, sem entender. Da porta, Wagner
e Walter entram, preocupados.
WALTER
Quem gritou? O que tá acontecendo?
Assim que bate os olhos em Alice, ainda escorrendo água pelo
corpo, Walter paralisa, desvia o olhar, constrangido.
WAGNER
(indignado) Mas o que é isso? O que
você faz nua aqui na sala, Maria
Alice? (pra geral) O que tá havendo
aqui, posso saber?
Nos olhares de cada um, até chegar em Alice, de cara
amarrada.
CORTE DESCONTÍNUO
Walter segura a jiboia. Wagner, mãos na cintura, aguarda uma
explicação, e Noel já está alí, ao lado de Alice.
WAGNER
Quem começa?
ALICE
Foi o Mazinho, pai. Ele colocou
essa cobra no banheiro e disse que
da próxima seria uma peçonhenta.
MAZINHO
Qual é, garota? Jiboia tá sempre
aparecendo na região, né não
Walter?
WAGNER

Cê aprontou uma dessas pra cima da
minha filha pra enxotá-la daqui,
né? Pois agora mesmo que ela não
sai!
MAZINHO
Eu não tenho culpa de nada não, ô!
A fazenda tem desses perigos, quer
ficar, fica. Walter sabe do que to
falando, diz aí, irmão.
WALTER
Nenhuma cobra foi encontrada no
quarto de ninguém, menos ainda num
banheiro, Mazinho.
MAZINHO
Pra tudo tem uma primeira vez, né
não?
Noel toma a frente e aponta o dedo pra o tio.
NOEL
Você tem ideia de que poderia ter
infartado a Alice? Ou tava topando
qualquer coisa pra tirá-la daqui?
MAZINHO
EU NÃO FIZ NADA! INFERNO!
WALTER
Já chega! Vamos tentar viver em
paz, vamos, Mazinho?
Maria José encara Walter, chateada.
MARIA JOSÉ
Como assim, Walter? O Mazinho
acabou de dizer que não fez nada.
Acredita mais numa sobrinha que
você não vê há anos do que no seu
irmão?
CÍCERO

Mas o Mazinho a gente conhece bem,
né? (risadinha)
WALTER
(sem graça) É isso...
MARIA JOSÉ
E a Alice você não conhece nada.
WAGNER
Mas eu conheço bem e é bom você
medir suas palavras antes de falar
nela, garota. (pra Alice) Vai
trocar de roupa, vai.
Alice encara Mazinho, com raiva, e este devolve com ar de
escárnio. Alice sobe as escadas e Noel quase vai junto.
Wagner põe a mão de contra seu peito.
WAGNER
Você fica.
Noel e Wagner de cara feia pra cima de Mazinho. Walter
acompanha Alice PELO OLHAR até ela sumir no corredor, sem
perceber Maria José encarando-o, com ódio.
CENA 9 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE WALTER –
DIA
Walter SAI do banheiro secando o rosto com uma toalha. Um
quarto bem rústico, diferente do quarto de Alessandro.
Paredes na cor pastel, móveis de madeira, cama de casal
coberta por uma colcha verde.
A porta é aberta e Maria José adentra, batendo a porta com
força.
WALTER
Que isso, mulher?
MARIA JOSÉ
(furiosa) Que isso? Você pergunta
“o que é isso?”, Walter? Alice mal

chegou e já acusou metade dos
parentes disso ou daquilo outro,
mas você preferiu ficar do lado
dela do que do seu irmão.
WALTER
Cobras nunca apareceram num
banheiro, Maria José. Só fui
razoável.
MARIA JOSÉ
Me explica então por que não tirou
os olhos dela?
WALTER
(dá de ombros) Do que você tá
falando?
Walter ignora e aproxima-se do armário, mas Maria José puxa-o
pelo braço.
MARIA JOSÉ
Eu to te perguntando por que olhou
pra ela com cara de bobo
apaixonado?
Em Walter, surpreso e indignado.
WALTER
Você tá maluca, Maria José? Ela é
minha sobrinha, caramba!
MARIA JOSÉ
Só por isso? Sobrinha não é filha,
Walter.
Walter exalta-se e agarra a garota pelos ombros.
WALTER
Você nunca mais repita isso, ouviu
bem? Nunca mais! Isso é falta de
respeito!

Os dois encaram-se, fortemente. Walter a larga, meio
arrependido.
WALTER
Desculpe...Mas eu não esperava
ciúmes por conta de uma parente
minha, né?
Maria José, contorcendo-se de raiva.
MARIA JOSÉ
Imagina...Eu que peço desculpas.
Esqueço que ela é da família.
Walter faz que sim e dá as costas. Em Maria José.
FADE OUT
FIM DO PRIMEIRO ATO

SEGUNDO ATO
FADE IN
VISTA PANORÂMICA da Igreja /
CENA 10 INT. - IGREJA – DIA
A medida em que a CAM aproxima-se do corredor, algumas
pessoas olham, receosas, e até cumprimentam; outras olham com
asco. Todos vão afastando-se, indo embora. O padre Batista,
no altar, apenas encara a CAM, sem receio algum.
BATISTA
É um pouco raro vê-la na igreja,
senhora.
CAM revela dona Tina trajando uma calça jeans, blusa branca
sob o mesmo manto verde. Direciona um olhar desafiador pra
cima do padre.

TINA
Não tenho nada contra a Casa de
Deus, o senhor sabe. Mas senti
falta de sua presença. Sempre se
consulta comigo, todo mês.
Batista desce, rapidamente e com certa fúria no olhar.
BATISTA
(murmura / nervoso) Aqui não é
lugar pra falarmos disso! Venha!
Tina segura-o pelo braço. Batista espia.
TINA
O que tenho pra falar não vai lhe
tomar mais do que dois minutos.
Você já arranjou um substituto?
Batista confere ao seu redor pra ver se não há alguém por
perto.
BATISTA
(impaciente) Já sabe por que não
voltei pro seu barraco, não é?
(enfatiza) Daqui eu não saio. Aqui
é o meu lugar, vê se entende!
E solta-se dela, ríspido. Tina não se intimida.
TINA
Esse lugar não te faz bem, garoto.
Já te falei isso.
Batista vai pra cima, alterado, mas sempre mantendo o tom
para não chamar a atenção.
BATISTA
Quem a senhora quer proteger? O
todo poderoso Avelino? Ou a sua
cria, hen?
Tina vai pra trás, tensa.

BATISTA
Veja! A senhora sabe da minha vida,
mas eu também sei da sua. Então
pense antes de vir aqui me cobrar
alguma coisa.
O padre vai saindo, mas logo retorna.
BATISTA
Ah, e eu não tenho medo de suas
macumbas, tá? Praga de padre pode
ter mais efeito.
E o padre dá as costas. Em Tina, inconformada.
CENA 11 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / QUARTO DE ALICE DIA
Noel adentra e fecha a porta, em seguida. Alice penteia os
cabelos diante do espelho da pequena mobília.
NOEL
Que barra, hen! Mazinho já começou
pegando pesado.
ALICE
Pra você ver só onde viemos parar.
Não sei se é lucro continuar com
isso não, viu. Daqui a pouco ele
joga uma anaconda aqui dentro, nem
sei.
Noel, já sentado na cama, deita e espreguiça-se nela.
NOEL
Se preocupa não. Ele não tem uma
dessas, senão venderia. Se é que
você me entende.
Alice lhe dá uma olhada e ambos riem.
ALICE
Seu bobo! O caso é sério. Ainda que

eu ache que eles só querem tocar o
terror, mas é melhor prevenir.
Nunca se sabe.
NOEL
Prevenir como? Saindo daqui? (Alice
faz a dúvida) Você tem certeza de
que foi um crime, não é? E já
conversamos sobre isso. O João tá
confiante que podemos ajudar.
Alice senta na cama, Noel levanta-se, sentando-se também.
ALICE
É, eu sei, mas não será fácil pegar
o seu pai, Noel. Também não sabemos
se foi ele mesmo ou a mando dele.
NOEL
Olha, se Catarina tinha poucos
amigos, e nem estranhou seu
agressor num estábulo, é porque o
criminoso vive aqui. É mais fácil
ser alguém dessa fazenda do que de
qualquer outra. Já subimos um
degrau, pelo menos.
ALICE
Resta saber com quem ela
conversaria amigavelmente e,
principalmente, porque se
assustaria a tal ponto de não
conseguir controlar o cavalo.
NOEL
Hmm, um caso para Sherlock Holmes.
Ambos sorriem.
CORTA PARA
Cícero, ATRÁS DA PORTA, escutando tudo.
CORTE DESCONTÍNUO

CENA 12 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESTÁBULO – DIA
Mazinho, trajando roupa de montaria, prepara a cela de um
cavalo. Cícero vem chegando alí, com um risinho frouxo.
CÍCERO
E aí, Mazinho? Cuidado pra não cair
do cavalo, hen.
MAZINHO
Tá me estranhando, velho? Sou bom
nisso aqui.
CÍCERO
Você não conhece a expressão
popular, não? (ri) A queda pode ser
feia, hen.
Mazinho para, lhe dá uma olhada, mas ignora.
MAZINHO
Não to pra jogo não, viu.
E Mazinho sobe no cavalo, prepara-se para seguir.
CÍCERO
Noelzinho tá querendo descobrir
quem matou a doce Catarina.
(surpresa em Mazinho) Parece que
ele comprou a ideia da Maria Alice,
né?
MAZINHO
Quem te falou isso?
CÍCERO
Eu ouvi. Tão tramando até fechar o
cerco contra o Avelino.
Mazinho olha ao léu, preocupado.
CÍCERO
Uma cobra só não parece suficiente,

não?
O velho ri, mas Mazinho mantém-se sério, distante.
CENA 13 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / COZINHA – DIA
Local amplo, azulejado em tons claros, armários de canto a
canto. Duas mulheres preparam a comida, enquanto Paulo
descasca uma laranja. Pela janelinha, surge a empregada da
fazenda Santos. Paulo espia.
CORTE DESCONTÍNUO
Paulo e a tal mulher cumprimentam-se pelo lado de FORA da
cozinha.
EMPREGADA
Vim rapidinho antes que o seu
Avelino e o seu Mazinho voltassem.
Tu bem que podia ter um celular,
né?
PAULO
Tá, mas e aí? Como anda lá na
fazenda?
EMPREGADA
Você não vai acreditar. O seu
Mazinho colocou uma cobra no
banheiro da dona Maria Alice.
PAULO
Como assim, Ana?!
ANA
E mais! A garota saiu enrolada na
toalha pra devolver a cobra. Foi um
escândalo!
Paulo coça a nuca, pensativo.
PAULO
Eu queria poder ajudar, sabe? Mas

diz aí, sabe se a Maria Alice
continua insistindo que houve
crime?
ANA
Isso eu não sei não. Mas por que
você quer que eu te mantenha
informado?
Paulo titubeia.
PAULO
Ué, cê sabe que eu gostava da dona
Catarina, né? E ela gostava muito
da Maria Alice e do Noel. O mínimo
que eu posso fazer é tentar ajudálos.
ANA
Melhor que você pode fazer é não se
meter nisso, Paulo. Se houve crime
mesmo o assassino pode tá bem
perto, quem sabe até pagando suas
contas.
Paulo arregala os olhos, assustado.
PAULO
Que isso, Ana?! Seu João jamais
faria uma coisa dessas. Ele é pai,
né?
ANA
Mas esse boato que anda por aí? Que
ele e a Maria Alice /
PAULO
(corta / ríspido) Isso é fofoca e
de péssimo gosto. (olha para trás,
preocupado) Agora é melhor você ir.
Deve tá na hora do seu patrão
chegar.
Ana faz que sim, ambos se abraçam.

ANA
Tchau! E vê se compra um celular.
Paulo faz que sim, mas sua expressão denota ansiedade.
CENA 14 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / SALA - DIA
Avelino acaba de entrar, nitidamente cansado. Mazinho surge a
sua frente, agitado.
MAZINHO
Preciso falar contigo!
AVELINO
To cansado. Negociar boi cansa,
sabia?
MAZINHO
É papo sério, Avelino! É sobre
aquele acidente. Bora pro
escritório, vem!
Avelino estranha, mas o acompanha.
No TOPO da escada, Noel ouviu tudo.
CORTE DESCONTÍNUO
CENA 15 INT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS / ESCRITÓRIO - DIA
Mazinho volta-se, indignado.
MAZINHO
Como você não se preocupa? Maria
Alice já enfiou na cabeça do Noel
que aquilo foi um crime. Agora eles
querem investigar. Vai dar ruim pra
mim, hen.
AVELINO
(irritado) Bobagem! Eles têm o que
contra você? Nada.
MAZINHO

Contra mim só não. Contra nós. Não
se esqueça que eu só afrouxei a
cela. A ideia não foi minha.
AVELINO
Tá bom, tá bom! Tente arrumar um
jeito de tirá-los daqui
definitivamente.
MAZINHO
Definitivamente...Seria...?
AVELINO
Faça como quiser. A última coisa de
que preciso é perder a chance de
ter aquelas terras. Não demora
muito e o João vai preferir vendêlas a ser preso. E isso tem que
acontecer.
Mazinho, ainda nervoso, coça o queixo.
CENA 16 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA – DIA
Uma pickup preta aproxima-se do imenso portão de madeira.
Pelo lado do carona, a CAM pega João que se prepara para
sair, quando Noel o aborda.
NOEL
Seu João, tava te esperando.
JOÃO
Ô meu rapaz!
João SAI e cumprimenta Noel.
JOÃO
Como tá lá no casarão? Estão dando
trabalho pra vocês?
NOEL
Tio Mazinho aprontou, mas vim por
outra razão.

JOÃO
Não me diga que você descobriu
alguma coisa?
Noel desvia o olhar, põe a mão na cintura. Titubeia.
JOÃO
Fala, garoto!
NOEL
Eu ouvi uma conversa estranha (João
aguarda, impaciente). Tudo indica
que o meu pai e o Mazinho mataram
sua filha.
João engole a seco, paralisado.
NOEL
Pode ter sido pro Alessandro não
cumprir a ameaça de dar a parte
dele pra ela, mas...Foi bem mais
pra te culpar e obrigá-lo a sumir
daqui. Desculpe.
João não sabe o que dizer, abaixa a cabeça. Ele vai até o
portão, abre e adentra o terreno, zampado. Noel não entende.
FADE OUT
FIM DO SEGUNDO ATO

ATO FINAL
FADE IN
Vista aérea da zona rural /
CENA 17 INT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA / COZINHA – NOITE
Alice e Noel deparam-se com um refratário grande com

macarronada, em cima da mesa de madeira.
ALICE
Ai, que delícia! Sua mãe sempre
inspirada.
NOEL
Eu a inspiro, claro.
Risos. Paulo aparece da porta dos fundos, com aquela
expressão normalmente de preocupado.
PAULO
Opa! Boa noite!
NOEL
Paulo, boa noite, entra aí!
Paulo adentra, fazendo mistério.
PAULO
Não quero incomodar não, só queria
saber como anda lá na fazenda. Eu
estimava muito a dona Catarina e
torço muito por vocês.
NOEL
Obrigado, mas ainda é cedo pra
fazermos alguma crítica. (cutuca a
garota) Né não, Alice?
ALICE
(sarcástica) Claro! Foi só uma
cobra no meu quarto. Vamos aguardar
mais alguns atentados para podermos
discutir.
Noel ri, sem vergonha.
PAULO
Mazinho é um ser intragável, me
desculpem. Sei que é tio de vocês.

ALICE
Relaxa! Só falou verdades.
PAULO
Se vocês quiserem, posso pedir pra
Ana, a moça que trabalha lá, pra
vigiar o Mazinho ou qualquer outro
que esteja planejando afastá-los do
casarão. Ana é minha amiga, de
confiança.
NOEL
Hmm, sinto cheiro de trama
policial. Adorando o clima. Ana tem
uma boa câmera?
Alice bate no ombro dele, chateada.
ALICE
Noel!
NOEL
O que foi? O Paulo e a Ana querem
ajudar.
Helô entra, toda agitada e feliz.
HELÔ
Olá, boa noite, Paulo! Já viram que
eu dispensei as meninas e eu mesma
preparei a comida predileta do meu
filho?
NOEL
Macarrão com bacon e rúcula. Não me
provoque, mãe. Se eu resolver
passar vinte e quatro horas aqui
por causa de sua comida, nós
perderemos a herança.
Todos riem. Helô abraça o filho, orgulhosa.
HELÔ
Você já jantou, Paulo? Quer nos

acompanhar?
PAULO
Já jantei, sim senhora. Só vim dar
boa noite.
HElÔ
E o seu patrão? Onde ele foi?
PAULO
Sei dizer não. Ele saiu e não quis papo.
Em Helô, curiosa.
CENA 18 INT. - IGREJA – NOITE
O padre Batista fazendo uma oração, concentrado. EM SEGUNDO
PLANO, numa imagem desfocada, surge um homem ao seu lado.
Batista termina a oração, quando percebe a presença. É João
quem está alí.
BATISTA
Seu João? Desculpe, eu já ia fechar
a igreja.
JOÃO
Me dê um minuto, rapaz. Preciso lhe
falar, mas em confissão. Podemos?
Em Batista.
CORTA PARA
CENA 19 INT. - CONFESSIONÁRIO / IGREJA – NOITE
Batista acaba de sentar-se, deixa a bíblia sobre o colo.
BATISTA
Que a paz do Senhor esteja
convosco. Diga, o que lhe aflige?
DO OUTRO LADO da treliça, João mostra-se nervoso, esfrega as

mãos, sem saber como começar.
JOÃO
Eu queria ter te contado há muito
tempo, rapaz, mas a sua vida foi
ameaçada.
Pela treliça, Batista mostra-se surpreso.
BATISTA
A minha vida?
JOÃO
Sim, eu to com isso entalado há
anos e, com a morte da minha filha,
não vejo por que manter o silêncio.
(T) A Catarina não era minha filha
de sangue. (T) Era sua irmã.
Corta para o rosto espantado do padre. Forte clima até cortar
para /
CENA 19 INT. - CABANA – NOITE
A porta sendo arrombada por Batista, com lágrimas nos olhos e
expressão de ódio. Tina acaba de levantar-se, angustiada.
Olho no olho.
BATISTA
Você sabia? Sabia, né? Sabia e
ainda queria que eu fosse embora!
Ele fez muito pior do que eu tinha
imaginado, Tina. Muito pior. O
Avelino é um monstro! Um monstro!
Os dois se abraçam, ele desaba em lágrimas.
BATISTA
A Catarina era minha irmã! Por que
você não disse antes? Por quê?
Batista chora compulsivamente. Tina lacrimeja, em sinal de
lamento.

CENA 20 EXT. - CASARÃO / FAZENDA GUERRA – NOITE
Alice, Noel e Wagner caminham em direção a um carro preto,
onde encontra-se Paulo, encostado à carroceria.
WAGNER
Vou levá-los pra aquele hospício.
Quero ter certeza de que chegarão
são e salvos.
Noel dá uma batidinha em seu ombro, sacana.
NOEL
Poxa, bom ver que o senhor se
preocupa comigo.
Wagner observa, dando aquela olhada de reprovação.
WAGNER
Eu me preocupo com a minha filha,
você faz parte do combo, eu hen!
Paulo ri e já vai abrindo a porta do carro.
PAULO
Pode deixar, seu Wagner. A fazenda
é aqui do lado. Eu levo os dois.
WAGNER
Ah, não sei. Eu tava querendo
espezinhar um pouco o Mazinho.
(pensa) Ah, deixa pra amanhã. Vão,
já tá tarde.
Alice e Noel entram no carro. Paulo faz o mesmo e bate a
porta. Alice e Noel acenam para Wagner, este faz careta para
Noel.
CENA 21 EXT. - CASARÃO / FAZENDA SANTOS – NOITE
O carro estaciona em frente ao grande portão de madeira. O
muro é alto, cinza, boa parte ladeada por gramas e com
pequenas aberturas retangulares nas paredes.

Alice e Noel descem do carro e espiam Paulo pela janela.
ALICE
Valeu, Paulo! Vamos entrar sem
fazer alarde. (irônica)Detesto
grandes recepções.
Paulo e Noel riem.
NOEL
Gente, boa noite pra quem fica.
Preciso ir ao banheiro, fui!
ALICE
Ô garoto!
Noel já foi.
PAULO
Já sabe, né Maria Alice? Pode
contar comigo e com a Ana.
ALICE
Obrigada.
Paulo sorri e liga o carro. Ele parte.
CORTE DESCONTÍNUO
Alice, NO INTERIOR DA FAZENDA, caminha, despreocupada. Ao
aproximar-se da pilastra, Mazinho SALTA em sua direção. Alice
vai pra trás, sobressaltada.
ALICE
Tá maluco?! Quer me infartar de vez
mesmo, é?
MAZINHO
Você sabe onde veio se meter, não
é? Ou deve ser que nem a Alice do
país das maravilhas? Não sabe onde
está e pra onde quer ir.

ALICE
(sarcástica) Não me dê spoiler; Eu
não terminei de ler.
Alice tenta passar, mas Mazinho não deixa. Encara-a com
raiva, olhar ameaçador.
MAZINHO
Só vou te dar um recado: Aqui não é
o teu lugar, mas se quiser ficar é
bom tá preparada, porque aquela
cobra foi só o começo. Se quiser
insistir mesmo que houve crime,
então eu monto um cenário pra você.
Forte tensão. CAM BUSCA Noel escondido por trás da janela,
ouvindo tudo.
FADE TO BLACK
FIM DO CAPÍTULO

APRESENTANDO
CHRISTIANA UBACK.......................Maria Alice Pimentel
JOÃO VÍTHOR OLIVEIRA........................…...Noel Santos
MARCO PIGOSSI.............................Alessandro Santos
OSVALDO MIL..................................Mazinho Santos
JULIANA LOHMANN...........................Maria José Guerra
LUCINHA LINS....................................Helô Castro
HERSON CAPRI…................................Avelino Santos
LUCCI FERREIRA................................Walter Santos
MURILO GROSSI............................…………...João Guerra
TONICO PEREIRA................................Cícero Guerra
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL
BIA ARANTES.................................Catarina Guerra
ELENCO SECUNDÁRIO
RAPHAEL VIANA..................................Paulo Borges
CAIO BLAT.....................................Padre Batista
CLÁUDIA NETTO..............................………………Tina
DANI BARROS...................................Tarsila Santos
MARCO RICCA..................................Wagner Pimentel

ATORES CONVIDADOS NESSE CAPÍTULO
GENÉZIO DE BARROS..............................Rafael Campos
LUÍZA VALDETARO..............................……………….Ana

Essa obra não possui nenhum vínculo/contrato com os atores
citados acima.

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