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OBRAS DO MESMO AUTOR: LA VIE FAMILIALE ET SOCIALE DES INDIENS NAMBIK- WARA (Paris, Société des Américanistes, 1948). LES STRUCTURES £LEMENTAIRES DE LA PARENTS (Prix Paul-Pelliot) (Paris, Presses Universitaires de France, 1949) RACE BT HISTOIRE (Paris, UNESCO, 1952) TRISTES TROPIQUES, 22° milheiro. Colegio Terre Humaine. (Librairie PLON, 1955) . LE TOTEMISME AUJOURD'HUI (Paris, Preeses Universitaires de France, 1962) LA PENSEE SAUVAGE (PLON, 1962) MYTHOLOGIQUES Le Cru ot le Cuit (PLON, 1964) MYTHOLOGIQUES Du Miel aus cendiree (PLON, 1966) EM COLABORAGAO: Georges Charbonnier: ENTRETIENS AVEC LEVI-STRAUSS (PLON;JULLIARD, 1961) CLAUDE LEVI-STRAUSS ANTROPOLOGIA ESTRUTURAL ‘Tradugio de CHAIM SAMUEL KATZ EGINARDO PIRES Revise etnolégica de JOLIO CEZAR MELATTI TEMPO BRAS! Rio de Janeiro ~ RT CAPITULO II A ANALISE ESTRUTURAL EM LINGUIS- TICA E EM ANTROPOLOGIA (1) No conjunto das ciéncas sociais ao qual pertence indi Gional: ela nao é uma ciéncia social como’ as outras, tas’ & fem divids, que pode reivindicar o nome de ccncin e que che’ my, a0. mismo tempo, a formulat tum metodo. posite ¢ fonhecer a naturesa dos fatos submetidos sua analise, Bsta Situagio prvilegiada acarreta algumas dependéncias: o lingista Yerd.multas vézes pesquisadores provenientes de. disciplinas tar seguir seu caminho, Noble oblige: uma revista ling tien como Word nfo pode se Tinitar & iustraio de tests de Pontos de vista estritamentelingisticos, Tem tamivém qi Iher os prieslogos, socislogos e etndgratos ansionos Cimento positivo dos fatos socais. Como ja escrevia, ha vite nos, Marcel Mauss: “A socclogia estara, certamest, muito Maneira dos lingdistas..." (2), A’ estreta.analogin de, mé todo que existe ene aa duas disciplinas Thes impde um dever sspecil de colaboraso, guistt), Publicado com o titulo, LAnalyse Structurale en lin- istique et anthropologie, Word, Journal of the Linguistic Circle °f New York, vol. I, n° 2, agésio do 1945, pp. 1-21 (2) Rapports reels et pratiques, ete.,.., ini Sociologic ot Anthropologie, Paris, 1961 Desde Schrader (3), no hd mais necessidade de demons: trar que assisténcia a lingiiistica pode traber ao socidlogo no. cestudo dos problemas de ‘parentesco. Foram lingiistas e filg- logos (Schrader, Rose) (4) que demonstraram a improbabili= dade da hipétese —a qual tantos socidlogos ainda se aferravam pa mesma época— de sobrevivéncias matrilineares na familia antiga. O-Tingiiista fornece ao socidlogo etimologias que permi= tem estabelecer, entre alguns térmos de parentesco, vinculos que nao cram imediatamente perceptiveis, Inversamente, o sociée logo pode fazer conhecer 20 lingiiista costumes, regras positiz vas e proibicdes que fazem compreender a persisténcia de certos tragos da linguagem, ou a instabilidade de térmos ou de grupos: de térmos, Durante uma sesso recente do Cireulo linguistic de Nova lorque, Julien Bonfante ilustrava éste ponto de vista, relembrando a ctimologia do nome do tio em certas linguas romanas: 0 grego theios dando, em italiano, espanhol e por- tugués, 2io © tio; e acrescentava que, em algumas regioes da Itilia, 0 tio se chama barbs. A “barba”, o “divino” tio, quan= tas sugestées éstes térmos no trazem 20 socidlogo! As pes- quisas do lastimado Hocart sdbre o cariter religioso da relagio avuneslar e © roubo do sacrificio pelos parentes maternos, nos vém logo & meméria (5). Qualquer que seja a interpretagia ue convenha dar aos fatos recolhidos por Hocart (a sia nao é or certo inteiramente satisfatéria), € indubitivel que o line Siiista colabora para a solugio do problema, revelando, no vo~ cabuldrio contemporaneo, a persisténcia tenaz de relagdes desa Parecidas. Ao mesmo tempo, o socidlogo explica ao lingiista @ razio de sua etimologia e confirma sua validade. Mais re- ccentemente, foi dedicando-se, como lingiiista, aos sistemas de Parentesco da Asia do Sul, que Paul K, Benedict pode trazer (8) 0. Scuraven, Prehistoric Antiquities of the Aryan Peoples, trad. F. B. Jevons (Londres, 1890}, cap. XII, parte 4 (A) 0. ‘Scrape, Woe. cit: H. J, ROSS, On the Alleged dence for Mother-Right in Early Greece, Folklore, 22 (1811). Ve também, sdbre esta questao, as outras mais recentes de G. ‘Thom son, favordvel & hipétese de sdbrevivéncias matriineares. (5) A. M. Hocanr, Chieftainship and the Sister’s Son in the Pacific, American Anthropologist, n. sy vol. 17 (1916) ; The Ute ine Nephew, Man, 28 (1923), n.0 4; ‘The Cousin in Vedie Ritual, Indian Antiquary, vol, 64 (1825) ; ete 46 ma conthbuigio importante a gociologia da familia desta te do mundo (6) Re rig epctlenci6 cite odo; lingbictas &’ socidloyos pros seguem independentemente suas respectivas rots, Sem divide, Geivec em quando fazem uma parade para comunicar uns a0 Mies, algae restindca; contd, ete restates provim de peceinetos dierent, «nos tat feta ero benefit tum grupo com os progress ténicos © mito: i ccesrides fio ante, ata atrude pon sr eatew- Gia, amna,época onde pesquisa Hingtista se aoiava sobre tao nalgadlicehistérica. Em telagio t pesquisa etologica, fal tomo era'patcada no metro peiodo, a ferenya er de gre, tas do que de natura. Os lingistastnkam urn metodo al Figoroso; seus resltados eram mais bem estabelecidos; co sor Gilégos podiam se inspirar em seu exemplo, “renuncando. a tomar por bace de sian classifagoes eonctleragio no espego das expécies stuis” (7); tas, afinal de contas, a antropaloga fe & soviologia 26 esperavam lgses da lingisice; nade fata prever uma. revelasao (8) © rascimento’ da fonologin subvereu esta situagio. Ela Blo renovou apenas as perspetiva lingtistcas: uma transfor: Musgo desa amplitude fio est limitada a una discipline por ticular, A Tonologia no pode deixar de desempenha, parents 5 ciéncias sociis, 0 mesino papel renovador que a. fistea mi. cleat, por exemplo, deempeniow no conjunto das ciénias ex tas, Ein que consiste esta evolu, quando tatames de en: carla em suas implicagoes mais geris? 2 o lustre mestre da fonologia, N. Trubetskoy, quem nos fornecerd a resposta 2 (6) P. K. Bevzpict, Tibetan and Chinese Kinship Terms, Hareard Journ. of Aviatic Studies, 6 (1942); Studies in ‘Thai Kinship Terminology, Journ. of the Amer. Oriental Society, 62 De aD, le Baunscuvice, te Progris de la conscience dans la Philosophie’ occidentale, I (Paris, 1921), p. 562. (8) Entre 1900 e 1920, 06" fundadores da ling®istica mo- fens, Ferdinand de Saussure © Antoine Meillet, situam-se reso Tutamnte sob a protepio dos sociélogos. Smente apse 1920 que Marcel Mauss comeca, como dizem os economistas, a inverter a tendéncia. rte ‘sta questio, Num artigo-programa (8), dle reduz, em suma jp método fonolégico a quatro procedimentos fundamentals: esa primeiro lugar, a fonologia passa do estudo dos fenémenos line Blisticos conscientes ao estudo de sua infracstrutura imcone ciente; ela se recusa a tratar os térmos como entidades inde pendentes, tomando, ao contrério, como base de sua andlise ag relagées entre os tétmos; introduz a nogio de sistema ——“A for nologia atual ngo se limita a declarar que os fonemas so sem pre membros de um sistema, ela mostra sistemas fonolégicos coneretos ¢ torna patente sua estrutura” (10)— enfim, visa a Aescoberta de leis gerais, quer encontradas por indusao, “quer deduzidas logicamente, o que thes di um cariter absoluto” (11), Assim, pela primeira vez, uma ciéncia social consegue fors mular relagées necessérias, Tal € 0 sentido desta diltima frase de Trubetzkoy, ao passo que as regras precedentes ‘mostram como a linguistica deve se arranjar pata chegar a éste resul- tado. Nao nos cabe mostrar aqui que as pretensdes de ‘Thu betzkoy sio justificadas; a grande maioria’ dos lingiistas mo- demos parece suficentemente de acérdo sdbre éste ponto, Mas quando se dé um acontecimento desta importancia, numa das ciéncias do homem, nio somente & permitido aos representan- tes das disciplinas vizinhas, mas exigido déles, verificar ime diatamente suas conseqiiéncias e sua aplicasio possivel a fa tos de outra ordem, Novas perspectivas se abrem entfo. Nao se trata mais ape: nas de uma colaboragio ocasional, onde o lingiista e 0 sociélogo, cada qual trahalhando em seu ‘canto, se atiram de ver ef quando 0 que cada um acha que pode interessar 20 outro. No estudo dos problemas de parentesco_(e-sem-divida também BO. GSiudo- de" outros problemas), e*socidlogo se vé numa. situagd formalmente-semelhante a do-lingiista fondlogo: comio Of nemas,_os.t8rmos de pazentesco slo elementos de signiicaglo} como éles,-s6_adguirem esta significagio sob a condicio de s integrarem em sistemas; os “sistemas de_parentesco”, como:08 “sistemas fonologicos”, sfo claborados pelo espirito no estégio. (9) _N. ‘Tromerzxoy, la Phonologie actuelle, én: Paychologie du langage (Paris, 1983), (10).Op. eit, p. 243, ly) Bid. samento inconsciente; enfim a recorréncia, em regides stad do Tide © et wiedadesprofandamene dfeee, | de formas de parentesco, regras de casamento, atitudes iden” ticamente prescritas entre certos tipos de parentes, etc, faz rer que, em ambos os casos, os fendmenos observavels resi tam do jégo de leis gerais, mas ocultas, O problema pode en fo se formular da seguinte maneira: numa outra ordem de realidade, os fendmenos de parentesco sko fenémenos do mesmo tipo que os fendmenos lingisticos. Pode o socislogo, stlizando tum méleslo anilogo, quanto a forma (sendo quanto ao con tetido), ‘20 método introduzido pela fonologia, conduzir sua ciéncia’ a um progresso anélogo a0 que acaba’ de se realizar nas ciéncias linglisticas? Sentir-nos-emos ainda mais dispostos a nos empenhar nesta diresio, quando tivermos. feito uma constatagio suplementar © estudo dos problemas de parentesco se apresenta hoje em ddia nos mesmos térmos, e parece que as voltas com as mes- tas dificuldades, que a lingiistca na véspera da revolucio noligica. Entre a antiga lingiistica, que procurava, antes de tudo, na historia seu principio de explicacao, e algumas ten- fativas de Rivers existe uma notével analogia: nos dois cas $05, sbzinho, —ou quase que s6—o estudo diacrénico deve explicar fendmenos sincrénicos. Comparando a fonologia © a Aantiga lingtistica, Trubetzkoy define a primeira como um “es- ‘ruturalismo © um universalismo sistematico”, que opée 20 in- ividulsmo ¢ 20 “atomismo” das ecoas anteriores, quando le considera o estudo diacrénico, o faz numa perspectiva pro findamente modiicada: “A eyolucio do sistema tonoligies & # cada momento dado, dirigida pela tendéncia o uma final. tage 8, evlusto tem pois wm sentido, uma Logica int Sue se exige da fonologia histérica que torne patente” (12) tundada na contingéncia histérica, criticada por Trubetzkoy € Fatrhson, é exatamente a mesma, com efeito, que a geralmente ee a ; D5; R. JaKosson, Prinsipen der historischen Heer aati freeaie e Corce inguin de Proghe, WV; tae Ie karte ver. Cvnlution phoclogige a aie, Wo tee 49 aplicada 20s problemas de parentesco (18). Cada detalhe de terminologia, cada regra especial do casamento, é ligada a um ‘costume diferente, como uma conseqiiéncia ou vestigio: cai-se num excesso de descontinuidade. Ninguém se pergunta, como os Sistemas de paresitesco, considerados em seu conjunto sincréni- 0, poderiam ser o restiliado arbitrario do encontro entre muitas {nstituigdes heterogéneas (a maior parte, aliés, hipotéticas), e contudo funcionar com uma regularidade ¢ eficécia qual- ques- (14). Contudo, uma dificuldade preliminar se opée & transposi- so do método fonolégico aos estudoa de sociologia primitiva, SX’ analogia superficial entre os sistemas fonoldgicos e os sis- temas de parentesco € to grande que impele imediatamente a ‘uma pista falsa. “Esta consiste em assimilar, do ponto de vista de seu tratamento formal, os térmos. de parentesco aos fonemas Ga Tinguagem, Sabe-se que, para atingir uma lei de estrutura, © linguista analisa os fonemas em “elementos diferenciais”, que fem entio ser ofganizados em um ou varios “pares de opo~ EigBes” (15). O sociélogo poderia ser tentado a dissociar os ténmos de parentesco de um sistema dado, seguindo um método andlogo. Em nosso sistema de parentesco, por exemplo, @ térmo poi tem uma conotacio positiva no que concemne, 40 sexo, a idade relativa, & geragio; ao contrério, tem uma ex tensio nula, nao pode traduzir uma relagio de alianga. As- ‘sim, perguntar-se-é, para cada sistema, quais sio as_relagbes cexpressas, ¢ para cada térmo do sistema, que conoiagio —p- sitiva ou negativa— possui com referéncia a cada uma destas elagies: geracao, extensio, sexo, idade relativa, afinidade etc: neste estigio “microssociolégico” que se espera descobrir a3 Jeis de estrutura mais gerais, como o lingiiista descobre as suas no estigio infra-fonémico, ot o fisico no estégio infra-moleculary (13) W. H.R. Bivins, The History of Melanesian Society (Londres, 1914), passim; Sooial Organization, ed. W. J. Perry (Londres, 1924), eap. TV. 1d)’ No mesmo. sentido, S. Tax, Some Problems of Social Organization, in: Social Anthropology of North American Tribes, F. Eggan, ed. (Chidago, 1987). Ge) He JAxonsox, Observations sur le classement phonolo- eique dee consonnes, Loe. cit, 50 jsto é, no nivel do tomo, Nestes térmos, poder-se-ia inter- fpretar a interessante tentaliva de Davis ¢ Wamer (16), ‘Mas imediatamente, uma triplice objesio se apresenta. Uma anilise verdadeiramente cientifica deve ser real, simplificadora SPexplicativa. Assim os elementos diferenciais, que estio no feamo da andlise fonolégica, possuem uma existéncia objetiva fo triplo ponto de vista psicoldgico, fisiolégico ¢ até fisicos Bes sfo menos numerosos que os fonemas formados por sua fombinagao: enfim, permitem compreender e reconstruir 0 sis- fens, Nada disto resultaria da hipdtese precedente. O trata- ento dos térmos de parentesco, tal como acabamos de ima- indo; s6 & analitico na aparéncia: pois de fato, o resultado E mais abstrato do que o principio; afastamo-nos do concreto fo invés de nos dirigirmos a éle, € 0 sistema definitive —se @ que ha sistema ai— s6 poderia ser conceitual. Em segundo ugar, a experiéncia de Davis © Warner prova que o sistema Obtido por éste processo infinitamente mais complicado € Gificil de interpretar que os dados da experiéncia (17) fim, a hipStese nfo tem nenhum valor explicativo: ela_nfo faz compreender a natureza do sistema; permite menos ainda reconstituir sua. génese ‘Qual & a razio déste revés? Uma fidelidade demasiado Titeral ao método do linglista trai, na realidade, seu espirito. (Os térmos de parentesco nio tém’ apenas uma existéncia so- [ciolégica: so também elementos do discurso. & preciso no Se exquecer, esforsando-se para transpé-los aos métodos de ani- lise do lingtista, que, enquanto parte do vocabulitio, des de- pendem déstes métodos, nao de maneira analégica, mas direta Ora, a lingiistica ensina precisamente que-a.anilise fonolégica (18) K. Davis ¢ W. L. Warner, Structural Analysis of Kinship, American Anthropoiogiat, ns, yol. 31 (1938). “a, (11), © sasim que, no fim da’ andlize déstes autores, 0 térmo imarido” so encontra substituido pela férmula: ©H//0 SU 8 B/Ego (oe. cit.) Aproveltaremos a ocaslio para indicar dois estudos recentes, Uutilisando um aperciho ldgico mais refinado 0 que oferecem um rande Interése quanto so método aos, resultados, Cf. F. G. HUNSHURY, A Semantic Analysis of the Pawnce Kinship Usage, Language, ‘i, 922.9 1, 1956, W..H. GooDENOUGE, The Compon- ial Anaiysis of Kinship, 1D, did. bt ndo_incide diretamente sobre as_palavras, mas_sdmente sobre as palavras préviamente dissociadas em fonemas. Néo existem relagoes necessérias no nivel do vocabulério (18). Isto & ver- dade para todos os elementos do vocabulério —ai compreen= didos 0s térmos de parentesco. Isto é verdadeiro em lingi tica, e deve pois ser verdadeiro ipso facto para uma sociologia da linguagem, Uma tentativa como esta, cujas possbilidades discutimos agors,~consistirir-entao em-estender “o- método. fo noldgico, mas_esquecendo seu fundamenio;, Kroeber, num ar- tigo bem antigo, previu ‘esta dificuldade de mancira profé tica (19), E se concluiu, naquele momento, pela. impossibi dade de wma analise estrutural dos térmos’ de parentesco, é que @ propria Tingdistica se encontrava entéo reduzida a uma andlise fonética, psicolégica ¢ histérica. As_ciéncias sociais de- vem, com efeito, partilhar as limitagées da lingtistica ; mas elas podem também se aproveltar de seus progressos. E preciso niéo negligenciar também a diferenga muito pro~ funda que existe entre 0 quadro dos fonemas de uma lingua € 0 quadro dos térmos de parentesco de uma sociedade. No primeiro caso, no ha divida quanto 4 fungio: sabemos todos para que serve uma linguagem; serve para comunicagio. O que © lingiista ignorou durante muito tempo, pelo contrario, e que somente a fonologia Ihe permitiu descobrir, € 0 meio pelo qual a linguagem chega a éste resultado. A fungio-era-evidente;-o sistema_permanecia desconhecido, A éste_respeito, o socidlogo se encontra em situagio inversa: que os térmos de parentesco constituem sistemas, nds 6 sabemos claramente desde. Lewis-H. Morgan; pelo. contririo,sempre-ignoramos. para.que -so-9¢ destinam. O desconhecimento desta situagio inicial reduz a maior parte das anilises estruturais de sistemas de parentesco ‘a puras tautologias. Elas demonstram o que é evidente, € ne gligenciam 0 que permanece desconhecido, Isto no significa que deviamos renunciar a introduzit ‘uma ordem e descobrir uma significagio nas nomenclaturas de parentesco. Mas € necessirio ao menos reconhecer 03 proble- (18) Como se notaré Tendo o cap V, eu usaria presente mente ume formula mais matizada, (10). A. L. Krome, Classificatory Systems of Relationship, Journ, of the Royal Anthropol. Inetitute, vol, 89, 1900 52 ier wani2®) yf recessério excotuar a notével obra de W. Lloyd faRNex, Morphology and Functions of the Australian Murngin ‘Type of Kinship, Amer. Anthrop, n. s., vol#2-33 (1980-1081), Gade a anélise do sistoma de atitudes, discutivel quanto ao fundo, Bio dete de inaugurar ‘uma nova fase no extudo dos problemas 58. ou_a traduglo no plano afetivo, do primeiro (21). Ao longo déstes tltimos anos, foram fornecidos numerosos. exemplos. de grupos onde o quadro dos térmos de parentesco mio reflete fexatamente 0 das atitudes familiais, ¢ reciprocamente-(22), Enganar-nos-famos acreditando que, em qualquer sociedade, © sistema de parentesco constitti o meio principal pelo qual se regulam as relagoes individuais; e mesmo nas sociedades onde Este papel the é destinado, éle nfo 0 preenche sempre no mes- mo gran, Ademais, é necessirio distinguir sempre entre dois, tipos de atitudes: primeiramente as atitudes difusas, nao-crista~ Hadas e desprovidas de cardter institucional, das quais se pode admitir que sio, no plano psicolégico, o reflexo ou a eflores- ccéncia da terminologia; e concomitantemente, ou além das pre~ cedéntes, as atitudes estilizadas, obrigatérias, sancionadas por tabus ou privilégios, e que se exprimem através de cerimonial fixo, Longe de reiletir automaticamente a nomenclatura, estas atitudes aparecem freqientemente como elaboragées secundérios estinadas a resolver contradigGes e superar insuficiéncias ine= entes a0 sistema terminoligico, Bste cardter sintético ressalta ‘de maneifa particularmente surpreendente entre os Wik Mun- ean da Australia; neste grupo, os privilégios de zombaria vém sancionar tuma contradicéo entre as relagdes de parentesco que réviamente a seu casamento, e a relagio tebrica que seria necessério supor entre éles para explicar seu Casamento subseqiente com duas mulheres que nfo se encoft- fram, entre si, na relaggo correspondente (28). Ha contradic’ ‘entre dois sistemas possiveis de nomenclatura, o acento posto Sas atitudes representa um esférgo para integrar, ou ultrapas far, esta contradigio entre os térmos. Concordaremos sem di- fiealdade com Radeliffe-Brown para afirmar a existéncia dé tunem dois homens, (21) A. R. Ranctrere-Bnown, Kinship Terminology in, Calls fonts, Amer. Anthrop., %. & ol. 81 (1995); The Study, of Finahip Systems, Journ. of the Roy. Anthrop. Inst, vol. 71 (1941), (23) M. B Oruen, Apache Data Concerning the Relation of Kinship ‘Terminology 10 Social Classification, Amer. Anthraps Finn 99 GOST) A. M. HALPERN, Yuma Kinship Terms, ibid 44 (1342). (2) 'D. F. THOMSON, ‘The Joking-Relationship and Organized Obscenity in North Queensland, Amer. Anthrop., n. a vol. 87 (1385) B “gelagies reais de interdependéncia entre a terminologia e 0 resto do sistema” (24); ao menos alguns de seus criticos se am, concluindo, da auséncia de um paralelismo rigoroso. nite atitudes e nomenclafura, a autonomia reciproca das duas rdens, Mas esta relagio de interdependéncia nao é uma cor- fespondéncia térmo a térmo, O sistema de atitudes constt ‘antes uma integragio dinamica do sistema terminolégico. ‘Mesmo na hipétese —a que aderimos sem reserva— de ‘uma elagdo funcional entre os dois sistemas, tem-se pois 0 direito, por razies de método, de tratar os problemas aferen- tes a cada um como problemas separados. B 0 que nos pro: pomos fazer aqui para um problema considerado com justica €omo 0 ponto de partida de qualquer teoria de atitudes: 0 do tio materno, Tentaremos mostrar como uma tratisposicio for- mal do método seguido pela fonologia permite esclarecer éste problema sob uma nova luz, Se os sociélogos Ihe atribuiram ima atengio particular, é, realmente, apenas porque a_relacio fnire-o-tio-materno co. sobrinhoparecia_se_consttuir_em objeto de-um importante desenvolvimento num grande nimero de sociedade primitivas, Mas nfo basta constatar esta freqié € preciso descobrir sua razfo Recordemos ripidamente as principais etapas do desenvol- vimento déste problema. Durante todo o século XIX e até Sydney Hartland (25), interpretou-se naturalmente a impor- tincia do tio materno como uma sobrevivéncia de um regime matrilinear. ste continuava puramente hipotético, e sua pos sibilidade era particularmente duvidosa em vista dos exemplos esropeus. Por outro lado, a tentativa de Rivers (26) para ex- plicar a importincia do tio materno na India do Sul como wm Tesiduo do casamento entre primos cruzados terminava num (24) ‘The Study of Kinship Systems, op. cit, p. 8. Bsta sltima de Radeliffe-Brown nos parece muito mais satisfatéria do que sua sfirmagao, de 1935, de que as atitudes apresentam Brau razodvelmente alto de correlagio com a classificagio ter- Tinolégica” (Amer. Anthrop, n. %, 1985, p. 58) (em inglés, no original — nota do 7). (25) 8 HanruaNp, Matrilineal Kinship and the Question of its Priority, Mem. of the Amer. Anthrop. Assoe., 4 (1917). (6) W.-H. R Rivers, ‘Tho Mariage of Cousins in India, Journ, of the Royal Asiatic’ Society, Julho, 1907 esultado particularmente allitivo: 0 préprio autor teve que rer ‘onhecer que esta interpretagio no podia explicar todos os aspectos do problema, ¢ éle se resignava hipétese de que virios costumes heterogéneos, © agora. desaparccides (0 casae ‘mento de primos sendo apenas um déles), tivessem que ser inyocados para compreender a existéncia de wna ‘nica insti igao. O atomismo e © mecanicismo triunfavam (21). De fato, € somente com 0 artigo capital de Lowie sdbre complexo matrilinear (28) que se abre o que se poderia denominar a “fase moderna’ do problema do avunculado, Lowie mostra que a correlagio invocada, ou postulada, entre a predomindnela do (Go maternd © um regime matrilenar no resiste & andlise; te fato, oCavunculado se encontra_associado_a_regimes patric ineares fanto-quanto a regimes matrilineares. O papel do tio matero no se explica como uma conseqiiéncia ou sobrevi cia de um regime de direito materno; & sémente a aplicagio particular “de uma tendéncia muito geral de associat relagdes soviais definidas com formas definidas de. parentesco sem con siderar 0 lado materno ou paterno”, Bste principio, introduzido pela primeira vez por Lowie em 1919, segundo o qual existe uma tendéneia geral para qualiicar af atitudes, constitui a nica base positiva de wma teoria de sistemas de parentesco. Mas ao mesmo tempo, Lowie deixava algumas questoes sem resposta: 0 que se denosiina, com exatidio, de avuncilada? Nao se confundem sob_um nico téemo costumes ¢ atitudes diferentes? E. se é verdade que existe uma tendéncia para qua- lifcar tédas as atitudes, por que sémente algumas atitudes se encontram associadas a relagéo avuncular, e nio, segundo 08 lerados, quaisquer atitudes possiveis’ Abramos aqui tum paréntese para sublinhar a analogia sur- preendente que se manifesta entre a marcha de nosso proble- ma e certas etapas da reflexio lingijstica: a diversidade das atitudes possiveis.no dominio das relagies interindividuais.& priticamente ilimitada; di-se 0 mesmo para a diversidade de sons gue 6 aparelho vocal pode articular, e produ efetivamentey Tos primeiros meses da vida himana, Contudo, cada. lingua (21) Op. cit, p. 624. (23) R.H. Lown, The Matrilineal Complex, Univ. of Cali fornia Publ. in Amer. Archacol. and Bthnol, 16 (1919), n.9 2 GB retém-am nimero muito pequeno dentre todos os sons pos- ves, ¢ a lingilstica se coloca duas questées a éste respato: te foram seletionados alguns sons? Que relagdes existem Eoure um ot touts dos sons eacolidos e todos os outros (20) ? Nosso esbogo da histéria do problema do tio materno se en- contra precisamente no mesmo estégio: o grupo social, como @ Tingus, encontra & sua disposigfo um material psico-isilS- fico muito ico; do mesmo modo que a lingua, éle retém ape- fas alguns elementos, dos quais ao menos alguns permanecem fs mestios através das culturas mais diversas, e que éle com- bina ela estruturas. sempre diversficadas, Perguntase, pos, qual ¢ aNfardo da eacolha, ¢ quais sio as leis de combinagio. No que concerne ao problema particular da relagio avun- colar, ¢ entio para RadelifeBrown que convém se digi; seu tdlebre artigo sobre o tio materno fia Afriea do Sul (20) & a primeira tentativa para atingir e analisar as modaldades' do ue poderiamos denominar o ‘principio geral da. qualifcagso damentais déste estudo, hoje clistico ‘Segundo Radelife-Brown, o térmo avunculado recobre do resenta a autoridade fan; dle é temido, respeitado, obede hrinho quem exerce privilégios de familiaridade em relagio a sett to, e pode tratélo mais ou menos como vitima, Em sgundo lugar, existe uma comrelagio entre a atitude face a0 tio Materno ¢ a atitude com relagio a0 pai. Em ambos os casos, encontramos os mesmos dois sistemas de atitudes, mas inves 0s: nos grupos onde a relagio entre o pai filho ¢ familiar, © pai aparece como o austero depostirio da autoridade fami- lia, € 0 tio que é tratado com liberdade. Os dois grupos de Atitudes formam entio, como dizia 0 fondlogo, dois pares de oposigées. Radclife-Brown terminava propondo uma. interpre- fagio do fenémeno: a fliaggo determina, em iiltima andlise, (29) R. Jaxosson, Kindoreprachs, Aphasic und allgomeine Lautgeretse “(Tpsala, 1941), (80) "A. Re Rapoutree-ieows, The Mother's Brother in South Africa, South African Journal of Science, vol. 21 (1924) a © sentido destas oposicées. No regime patrilinear, onde 0 pai ea linhagem do pai representam a autoridade tradicional, 0 tio materno é considerado como uma “mie masculina”, geralmente tratado da mesma maneira e is vézes mesmo chamado pelo mesmo térmo que a mie. A situacio inversa se encontra tea fizada no regime matrilinear: ai o tio materno encarna a au- toridade, e as relagées de ternura ¢ de familiaridade se fixam no pai e em sua Tinhagem. Dificilmente se poderia exagerar a importincia desta con- ‘ribuigdo de Radclffe-Brown. Apés a impiedosa critica da me ‘afisica evolucionista, tio magistralmente conduzida por Lowie, © esforgo de sintese é retomado numa base positiva. Dizer que ste esforco nfo atingiu de uma sé vez o seu térmo nio é ‘por certo atenuar a homenagem que se deve prestar ao grande sociélogo inglés, Reconhecamos, pois, que o artigo de Rad- cliffe-Brown deixa, também éle, abértas questées. tremendas? 1 primeiro lugar, o avunculado no se encontra presente em todos os sistemas matrilineares e patrilineares; e encontramo-lo 4s vézes em sistemas qué no io nem um nem outro (31). Em seguida, a relagio avusicular nao & uma relasio a dois, mas a quatro térmos: ela supée um irméo, uma irmé, um cunhado © um sobrinho, Uma interpretagio como a de Radcliffe Brown ‘sola arbitrariamente certos elementos de uma estrutura global, ‘© que deve ser tratada como tal, Alguns exemplos simples sa- lientardo esta dupla dificuldade. ‘A. organizagao social dos indigenas das ilhas Trobriand, na Melanésia, se caracteriza pela filiagéo matrilinear, relagdes livres © familiares entre pai e filho, e um antagonismo acen- tuado entre tio materno e sobrinho (82). Ao contrério, 08 Tcherkesse do Ciucaso, que sio patrilineares, situam a hos- tilidade entre pai e filho, ao passo que o tio materno ajuda seu sobrinho, presenteando-o com um cavalo quando éle se (81) Assim os Mundogomor da Nova-Guiné, onde a relaglo entre tio materno @ sobrinho & constantemente familiar, no passo ques filiseio alternativamente patrilinesr e matrilinear. Cf. Margaret Man, Sox and Temperament in Three Primitive S0- cietise (Nova Torque, 1986), pp. 176-186 (82) |B. Matzwowsxi, ‘The Sexual Life of Savages in North. swestern Melanesia. (Londres, 1929), 2 vols. 58 casa (88). Até aqui, estamos nos limites do esquema de Rad- liffe Brown, Mas consideremos as outras relagdes familiais em ‘causa: Malinowski mostrou que nas ilhas Trobriand, marido ‘e mulher vivem numa atmosfera de intimidade terna e que suas elagdes apresentam cariter de reciprocidade. Em compensa- ho as relagées entre irméo e irmé sio dominadas por um tabu fe extremo rigor. Qual é a situagio no Céucaso? A re- lagio edtre irmio ¢ irma & que ¢ a Telagéo tera, a tal ponto que, entre os Pschay, yma filha tinica “adota” um irmao que esempentar’. junto dela o- papel, habitual a0 irméo, de casto companheiro de leito (#4), Mas a situagio & completamente Giferente entre esposos: um Teherkess no ousa aparecer pir blicamente com sua mulher © s a visita em segrédo, Segundo Malinowski, nao existe insulto mais grave, em Trobriand, do (que dizer & um homem que éle se assemelha a sua irma; 0 Gaucaso oferece um equivalente desta proibigéo, com a inter- digdo de se indagar de tum homem a respeito da satide de stia amuther Quando se consideram sociedades do tipo “Teherkesse” ou do tipo “Trobriand”, nfo basta entio estudar a correlagio de afitudes: pai/flho e’tio/filho da irmé. Festa correlasio € ape- has um aspecto de um sistema global: onde se acham pre- sentes quatro tipos de relagées orginicamente ligados, a sa- ber: irmdo/irma, maride/muther, pai/fitho, tio mat,/fitho da firma, Os dois grupos que nos serviram de exemplo fornecem ambos aplicagbes de uma lei que se pode formular assim: nos ois grupos, a relagio entre tio materno ¢ sobrinho esté para a relagio entre irmio ¢ irma, como a relagéo entre pai ¢ filho festa para a relagio entre marido e mulher. Desde que um par de relagées seja conhecido, serd sempre possivel deduzir © outro. TExaminemos, agora, outros casos. Em Tonga, na Poliné- sia, a filiagdo é patrilinear, como entre os Tcherkesse. As Fe- lagées entre marido e muller parecem pablicas e harmoniosas as querelas domésticas slo raras e, se bem que possua fre- (83) Dupots ne Monpmeux (1889), citado segundo M. Ko- yaunvaxt, in Famille matriareale au Caucase, L’Anthropoiogic, t 4 (1899) (34) Tia, jientemente um status superior ao de seu marido, a mulher no nutre 0 menor pensamento de rebelifo a seu respeito para tédas as questées domésticas, cla se submete de bom grado a sua autoridade”. Do mesmo modo, reina a tiaior Ir berdade entre 0 tio materno ¢ 0 sobrinho: éte & fahu, acima da lei, face a seu tio, com o qual vidas intimidades so per~ mitidas. A estas relagées livres se opdem as relagdes entre uum filho e seu pai. Bste ¢ tapu, € proibide ao filho tocar sua cabeya ou cabelos, rogé-lo enquanto come, dormir em seu leito ‘ou sobre seu travesseiro, partilhar sua bebida ou seu alimento, exer nos objetos que Ihe pertencem, Entretanto, o mais forte de todos os iopw é 0 que prevalece entre inmio e irmé, que nem podem ficar juntos sob o mesmo teto (35) Se bem que sejam também patrilineares e patrilocais, os indigenas do lago Kutubs, na Nova-Guing, oferecem 0 exem- plo de uma estrutura inversa da precedente: “‘Jamais vi asso- iagio to intima entre pai e filho”, escreve F, E, Williams a seu respeito. As relagGes entre marido e muller sio caracte- rizadas pelo status muito baixo atribuido 0 sexo feminino, “a separagio rigorosa entre os centros de interésse masculino © feminino’. As mulheres, diz Williams, “devem trabalhar dura: mente para seu senhor... de vez em quando elas protestam € recebei uma surra”. Contra seu marido, a mulher se bene- ficia sempre da protegio de seu irmlo, e é junto déle que pro- cura refgio, Quanto as relagées entre 0 sobrinho tio max terno: “O que melhor as resume é o térmo “respeito”... com tum matiz de temor”, pois o tio materno tem © poder (como entre os Kipsigi da ‘Africa) de maldizer seu sobrinho ¢ afli- lo com uma grave doenca (88) Esta diltima estrutura, tirada de uma sociedade patrilinear, é, entretanto, do masmo tipo que a dos Siuai de Bougainville, que tém filiagio matrilinear. Entre irmio ¢ irmi, “relagées amigiveis © generosidade reciproca”. Entre pai e filho “nada indica uma relagio de hostilidade, de autoridade rigida ou de (85) _E. W. Grrvomp, Tonga Society, B. P. Bishop Museum Bulletin, 2 61, Honoluli, 1929, pp. 16; (36) F. E.’ WiLLiaMs, Natives of Lake Kutubu, Padus, Ooea- ‘nia, vol. Tl,’ 1940-1941 ¢ 12, 1941-1942, pp. 265-280 do vol. I Group Sentiment-and Primitive Justice, ‘American Anthropologist, vol. 48, n° 4, Pt. 1, 1941, 60 reaplto temeroso”. Mas as reagées do sobrinho com seu To'marerno sia “entre 2 disiplina vgida e une inter Sependéncis nafuraimente reconhecida”.Todavi, "os. infor Bitte dizer que todos oe rayneea tem tin cer pevor de Tar io materns'e the cbetccent melhor do. que so pai”, No Ste concerne ao marido ea mulher, nfo. parece que rena thin ‘bon Harmonia entre éles:"""Potcas jovens esposes fo fete jovens maridos slo cempre descnfiados,propensos weSiccas clamentas» 0, casumento inplica em ida else Se ojestamenton fcc” (51, ‘Duaro ientico, mas ainda ris acentuado em Dob ma- trees ¢ viainhes de ‘Tobriand, também matiinear, mas im in ett bean diferentes cas de Dabs te fement sempre pereer pela feizgaria wo do outro. De fo, a thseragao de Fortune de "que € um grave isuto fazer also tos Potties de fear de uma mulher, de modo que ose a Fido posse cuvir, parce ser uina pennutagio dss prombighs Hetapo depois que sous pais dizaran de fael0", © 6 probido Membigo”, marido da irma da ine, isto & un duplo do pat wis do que com o proprio pai Contudo, 0 pai € considerads icc tered: ke Yempre frccurs tavorces sea Go Be eusta de seu sobrnho uteri. os eos sociais” (2), Bae se.cere conciir déstes exemplos? A corwagto tnize formas’ de avuncuiado « tipos de fliagio ado egota © problema. Diferents forts. de ayuneuad podem coexist Sain_um-mesmotipo-de-silgha, pines ‘ou ateinar (31) Dougias 1. Oxsvim, A Solomon Ialand Society. Kin- hip and Leadership among the Siuai of Bougainville, Cambridge, Mass, 1985, passim, (88) "Reo F. Fortune, The Sorcerers of Dobu, Nova Torque, 1932, yp. 8, 10, 45, 62-64, ete, 61 ‘ehorkessen,~ petritis a —— Azo A A+ onga.~ patrttte, i + Stvat.- matritiny titty ‘Mas encontramos sempre a mesma relagéo fundamental. entre cos quatro pares de oposigées que sio nevessirios para a ela~ oragio do sistema. Isto apareceré mais claramente nos es- jquemas qué ilustram nossos exemplos, e onde o sinal ++ re~ presenta as relagées livres e familiares, 0 sinal — as relagées. Acentuadas pela hostilidade, antagonismo ou reserva (Fig. 1). Esta simplificagio no € inteiramente legitima, mas pode-se ttilizi-la de maneira proviséria. Mais adiante’ procederemos As distingSes indispensiveis. ‘A lel sincrénica de correlagio assim sugerida pode ser veri- ficada diacronicamente, Se resumimos a evolucdo das relasées familiais na Idade Média, tal como ressalta_da_exposiséo. de Howard, obtém-se o seguinte esquema aproximativo: o poder do imo sdbre a irma diminue, o do marido prospetivo au- menta, Simultaneamente, o elo entre pai ¢ filho se debilita, o elo entre tio materno e sobrinho se reforca (89). Esta evolugéo parece confirmada pelos documentos reunidos por L. Gautier, pois, nos textos “‘conservadores” (Raoul de Cambrai, Gesta dos Loherains ete.), a relagio positiva se esta- belece antes entre pai e filho, ¢ 6 se desloce. progressivamente para o tio materno e 0 sobrinho (40) |. Vemos pois (41) que o avunculado, para ser compreen- Hido, deve ser tratado como uma relaglo interior a um sistema, (ve que é 0 proprio sistema que deve ser considerado em seu WJeonjunto, para se perceber sua estrutura. Esta estrutura esté, (29) _G. E. Howano, A History of Matrimonial Institutions, 8 vols, Chicago, 1904, (4) ‘Léon Gavin, la Chevaterie, Paris, 1890. Sibre_o mes- mo assunto, consultar-se-Ao, também com proveite: F. B. GUMME- HE, The Sister's Son, tt: "An English Miocellany Prevented to Dr. Purnivall, Londres, 1901; W. 0. Fasnsworrs, Uncle and Nephew in the Old French Chanson de Geste, Nova Torque, Co- lumbia University Press, 1915. (41) "Os parégrafes que\precedem foram eseritos em 1967, fe subs'itnfdos no texto Inielal, em resposta A cbservagio judicio- fa, de meu colega Lue de Heusch, da Université Libre de Bro- elas, de que um dos meus exemplos era materialmente inexato. Por isto, agradegoThe aqui, 68 fundada, cla propria, sobre quatro.térmos (irmio, irma,_ pai filho), unidos entre si por dois pares de oposig6es correlati- ‘vos,¢ tais que, em cada uma das duas geragoes em causa, ‘existe sempre uma relagio positiva e uma relaci0_negativa, Agora, o que & esta estrutura e qual pode ser a sta razio? A resposta é a seguinte: esta estrutura é a estrutura de paren tesco mais simples que s-pode conceber e que pode existn, 4, para sermos exatos, 0 elemento do parentesco, Em apoio desta afirmagio, pode-se fazer valer um argu: mento de ordem légica: para’ que uma estrutura de paren- tesco exista, é necessirio que se encontrem presentes nela 05 trés tipos de relagées familiais sempre dados na sociedade hu mana, isto é, uma relagéo de consangitinidade, uma relagéo de alianga, uma relagdo-de-titiagao; em Outras palavras, uma re= lagio de germano com germana, uma relagio de espéso com cespisa, uma relagio de pai (ou mie) com filho, & facil se cexplicar que a estrutura aqui considerada é a que permite sa- tisfazer a esta triplice exigencia, segundo o principio da maior ‘economia. Mas as consideracdes precedentes tém um cardter abstrato, e uma prova mais direta pode ser invocada para nossa demonstracio, cariter primitivo ¢ irredutivel do elemento de paren- tesco, tal como o definimos, resulta realmente, de modo_ime ddiato, da_existéncia universal da proibigio do incesto, Isto equivale a dizer que, na sociédade humana, um homem $6 pode obter uma mulher de um outro, homem, que Iha cede sob forma de filha ou de irma. Nao temos, pois, necessidade de ‘explicar como © tio materno faz sua aparigio na estratura de parentesco: le nio aparece, ée & imediatamente dado, éle a sua condicio, O érro da sociologia tradicional, como da lingiifstica tradicional, € de ter considerado os térmos, e nfo as relagbes entre os térmos. Antes de continuarmos, eliminemos ripidamente algumas ‘bjegées que poderiam vir ao espirito, Em primeiro lugar, se a relagio dos “cunhados” forma o cixo inevitével em tomo do qual se constréi a estrutura do parentesco, por que fazer in= tervir a crianca saida do casamento na estrutura elementar? Deve ficar entendido que a crianga representa talvez tanto @ ccrianca nascida como a nascer. Mas dito isto, a crianga & ‘ndispensavel para atestar o cariter dindmico e teleolégico do on pronto inl, av Supa o parntno mo tats, et G pareateso, nao € um fenémeno esti; 36 existe 5 CPefear Nao pensamos aqui no desejo ‘de perpe agen ae de stemas Pee rar mas 20 ato Ue que, ta maior pare dos seas at enna, @ desequilbrio sncial que se produ, numa dad se arecare o que cede wna muir eo que 4 recbe, 6 Beet cabs pela conta:prestabes que se socedem nas Bode ev ‘seriores: Meso a esrutura de yarenesco mais cle gerasies Cate simullaneamente a ordem sineronica e na ordem Uieronica, Bis segundo lugar, nfo. se poderia conceber uma estru- fort sinéires, de uma’ simplicidade igual, mas onde 0s sexos fosseninvertidos, isto €, una estrutura implicando uma itm, se Stimgo, a mulher déste ultimo, e a filha nascida de sua Gniio? "Sem divida; mas esta possbilidade tedriea pode ser finedtamente-eliminada com base experimental: na_socie- Me humana, s20 os homens que trocam as mulheres, ndo 0 ontrrio. Resta pesquisar se algunas culturas nio tenderama realizar uma especie de imagem ficticia desta estrutura simé- trea, Os casos a0 podem set raros. Cheganos enti ua. objyio male grave, Realnent era seontecer_que apetas tivéssenios conseguido revirar 0 Problema, A socologia Tadcional se cbatinon em explcar @ Grigem do avanculado, ¢ nos nos desembaragamos desta pes- Guia tratando o irmo da mie, nio como um elemento extrin- Seco, mas como iim dado imediato da estratura familial mais simples. Como € que se dé entéo que ao encontramos o avun- Gilada sempre e-em ida parte?” Pois, se 0 avunculado apre seni uma disribuigio tito freqiente, le nko &, contudo, finiversal, Seria vip ter evitado a explicagio de casos onde Ge se acha presente para iracassar apenas diante- de sua Observemos iniciamente que o sistema de parentesco no tem a mesma importancia em todas as eulturas, Ble fornece a ‘algumas o principio ativo que regula todas as relagées_sociais, {ua maior parte delas. Em outros grupos, como nossa socie dade, esta fungio esti ausente ou bem reduzida; em outra: Binds, como as sociedades dos fndios das Plancies, cla 25 esta Parcnimente preenchida, O sistema de parenteco & wna fumgem; no € uma linguagem universal, © outros meios de 65 expresso © agio podem ser preferides, Do. ponto de vista do sociélogo, isto equivale a dizer que, em presenga de uma culture determinada, se coloca sempre uma questi preliminar: send Aue o sistema sistemético? Uma tal questio, absurda a pei meira vista, s6 © seria realmente em relagao 4 lingua; poe a lingua é o sistema de significasdo por exceléncia; ela nid pode RAO significar, © 0 todo de sua existencia esté a signficagso, Ao contririo, a questo deve ser examinada com umm rigor ores: cente, & medida que nos afastamos da. lingua para encarar oatvos sistemas, que também pretendem a significagio, mas cujo valoe de signifiasao permanece parcial, iragmentirio ou subjetives ‘oFganizasio social, arte etc. ‘Além disto, ‘nds interpretamos o avunculado como um trago caracteristico da estrutura elementar, Esta, estrutura ele- mentar, resultante de’ relagdes definidas entre quatro térinos £, 80 nosso ver, 0 verdadeiro dtomo do parentesco (42). Néo hha existéncia que possa ser concebida ou dada fora das ex géncias fundamentais de sua estrutura_e,° por outro lado, dle € 0 tinico material de construgio de sistemas mais complexos, Pois existem sistemas mais complexos ; ou, para sermos mais exatos, qualquer sistema de parentesco é elaborado a partir da Fepetisio desta estrutura elementar, ou de seu desenvolvimento or integraséo de novos elementos. preciso, pois, encarar duas hipéteses: aquela onde o sistema de parentesco conside: rado procede por justaposicio simples de estruturas elemen. fares, e onde, por conseguinte, a relagio avuncular permanece constantemente aparente; ¢ a relagio onde a unidade de cons ‘trusio do sistema ja € de ordem muito mais complexa, Neste fltimo caso, a relagéo avuncular, mesmo estando presente, ‘po deré estar imersa ‘num contexto diferenciado. Por exemnplo, Pode-se conceber um sistema, tomando como ponto de partida 4 estrutura elementar, mas incorporando a ela, A direita do tio ‘materno, a mulher déste itimo , & esquerda do pai, primel ramente a irmi do pai, depois o marido desta. Poder se ia de. ‘monstrar facilmente que um desenvolvimento desta ordem (42) 2 seguramente supérfiuo sublinhar que o atomismo, tal como 0 eriticamos om Rivers, 6 0 da filosofin elassica c mgo emncepgio estrutural do tomo, tal como a encontranios na ff sica moderna, 66 kearrett, tia gerasio seguinte, um desdobramento paralel crianga ‘deve ser entio distinguida em um filho e uma filha, cada qual unido por uma relacéo simétrica e inversa aos térmos que ocupam na estrutura as outras posigées periféricas (posi, 40 preponderante da imi do pai na Polinésta, mhlompsa sul. Africana, e-heranga da mulher do irmio da mie). Numa es. trutura desta ordem, a relagéo avuncular continua a ser mac niftsta; mas ja nao é mais predominante, Ela pode desapa. recefy Ou se confundir com outras, em estruturas Ge uma com. plexidade ainda maior. Mas precisamente porque provem da estrufura elementar, a relagio avuncular reaparece claramente, e tende a se destacar com énfase, cada vez que o sistema con siderado apresenta um aspecto critica: seja porque est em transformagio ripida (costa noroeste do Pacitico) ; seja por- que se encontra no ponto de contato © confito entre culturas Profundamente diferentes (Fidji, India do Sul); ou, enfim, Porque esta prestes a sofrer uma crise fatal (Idade Média européia). Enfim, seria necessério acrescentar que 0s simbolos, posi- tivo © negativo, que utilizamos nos esquemas precedentes, re- Presentam uma. simplificagdo excessiva, aceitivel somente como luma etapa da demonstrasao, Na realidade o sistema de aitu. des_clementares-compreende ao menos quatro térmos! uma atitude de afeico, de ternura ¢ de espontaneidade; uma ati- fue resaltante da_troca_de_prestagdes e contra-prestagtes; ¢, além destas relagbes pilaterais, duas rélagées unilaterais, uma correspondente i atitude do credor, outra & do devedor, Ou melhor: mutualidade (=) ; reciprocidade (st) ; direito (++) ; obrigaséo (—); estas quatro atitudes fundamentais podem ser Fepresentadas em suas relagées reciprocas, da seguinte ma- neira: Em muitos sistemas, a relagio entre dois individuos se exe prime freqiientemente, no por uma iinica atitude, mas por Varias delas que formam, por assim dizer, um feixe (assim, nas ilhas Trobriand, entre marido e mulher’ encontra-se ‘nutuae lidade mais reciprocidade). Existe ai_uma razio suplementar pela qual pode ser dificil distinguir a estrutura fundamental, Tentamos mostrar tudo 0 que a analise precedente deve ‘aos mestres contemporineos da sociologia primitiva, Entretanto, @ preciso sublinhar que, no ponto mais fundamental, ela se afasta de seu ensinamento, Citemos, por exemplo, Radcliffe: Brown A wnidade de estrutura da qual se constréi um parentesco € 0 grupo que denomino uma “jamilia elementar”, a qual con siste em um homem € sua mulher e seu filho(a) ou fithos(as) a. A existéncia. da familia clementar cria trés tipos especiais de Telagdes sociais, entre pai(mae) e fitho(a), entre filhos(as) dos ‘miesmos pais (germans), e entre marido e mulher como pais do mesmo fitho(a) ou filhos(as)... As trés relacdes que exis= tem deniro da fomilia elementor constituem 0 que denomino dé primeira ordem. Relagées de segunda ordem sio aquelas que dependem da conerio de duas familias elementores através de um membro comum, tol como 0 pai do pai, o irmio da mae © irmé da espiso, ¢ assim por diante. Na terceira ordem estéo Pessoas como o fitho do irmao do pai, a espisa do irmdo da mae. Déste modo podemos tracar, se possuimos informagia gé= nealigica, relagdes de quarto, quinta ou enésima ordem (48). ‘A idéia expressa nesta passagem, segundo a qual a fami- lia biolégica constitue 0 ponto a partir do qual téda sociedade labora seu sistema de parentesco, nio é certamente prépria do mestre inglés; nem é a que teria hoje em dia a maior una nimidade. Segundo nossa opinio, no existe uma idéia_mais perigosa. Sem dvida, a familia biologica esti presente e Se prolonga na sociedade humana, Mas 0 que confere ao paren (43) A. R. Rapctirre-Brown, op. cit, p. 2 (em inglés, no original — Nota do 7). 68 tesco seu carater de fato social nao é 0 que éle deve conservar Yemstureza: € 0 procedimento essencial pelo qual se separa Gea, Un sistema de parentesco mio consiste nos elos obje (Grobe filiagao ot! consanguinidade dados entre, os individuos; per ste ia eotsciéncia dos homenspé um sistema arbitrario de Taugho de ito, Ceriamente isto nio sighiica. que esta situagao Ge ato Sia. aulomaicamente contradi, ou até. simplesmente Sqremada, Radcliffe-Brown mostrou, em estudos.presentemente See ge até oo sistemas de aparéncin mais vigida e mas Stifichy como os sistemas australianos de classes matrimoniais, fevam en consideragio, cuidadosamente, 0 parentesco biolo- fico, Mas uma observagio tio indiscutivel quanto a sua deixa Fito o fate, ao nosso ver decisivo, de que, na sociedade hu- Thana, © parettesco so é admitido a se estabelecer e se perpetuar por c através de determinadas modalidades de alianca, Dito de Prtro modo, as relagdes tratadas por Raddiffe-Brown de “re- fagdes de primeira ordem” sio fungio, e dependem, das que éle ‘considera como secundarias e derivadas. O carter primor- dial do parentesco humano exigir, como condigio de exis- ‘éncia, o relacionamento disto que Radeliffe-Brown chama “fa- inflias elementares”. Entio, 0 que é verdadeiramente “elemen tar” nfo so as familias, térmos isolados, mas a relacéo entre &ies térmos, Nenhuma outra interpretacio pode explicar a uni~ versalidade da proibigio do incesto, da qual a relagio avun- cular, em seu aspecto mais geral, € somente um corolirio, ora manifesto ¢ ora disfarcado, Porgue sio sistemas de simbolos, os sistemas de paren- tesco oferecem 20 antropélogo um campo privilegiado, no qual seus esforgos podem quase (e insistimos sobre isto: quase) eunir-se aos da ciéncia social mais desenvolvida, ou seja, a Tingiistica. Mas a condicgo déste encontro do qual se pode esperar um melhor conhecimento do homem, é de nao perder jamais de vista que, no caso do estudo socioldgico como no caso do estudo lingitistico, estamos em pleno ssimbotismo.,. Ora, se € Tegitimo e, num sentido, inevitivel, recorrer & interpretacio naturalista para tentar compreender ‘a emergéncia do pensa- mento simbélico, desde que éste aparece, a explicacéo deve mudar tio radicalmente de natureza quanto 0 fenémeno recen- femente aparecido difere dos fenémenos que 0 precederam € 69 ir déste momento, qualquer concessio a0 haturalismo arriscaria comprometer os imensos progressos ja realizados no dominio lingiistico e que comecam a se eshosar também na sociologia da familia, e arrojar esta diltima num em- Pirismo sem inspiragéo nem fecundidade. CAPITULO IIL LINGUAGEM E SOCIEDADE (1) Num livro cuja importincia no poderia ser subestimada, do ponto de vista do futuro das ciéncias sociais (2), Wiener se interroga sdbre a extensio, a estas iltimas, dos’ métodos mateméticos de predigio que tornaram possivel a construgéo de grandes miquinas eletronicas de calcular. Sua resposta é, finalmente, negativa, e éle a justfica por duas razées. Em primeiro lugar, considera que a propria natureza das cigneias sociais implica em que seu desenvolvimento se reflita sobre 0 objeto da investigasio. A interdependéncia do obser- vador e do fendmeno observado & uma nogéo familiar 4 teoria cientifca contemporanea. Num sentido, ela ilustra uma situa- 40 universal. Contudo, pode-se consideré-la como desprezivel fos dominios que st abriram as pesquisas mateméticas mais avangadas. Assim, a astrofisica tem um objeto demasiado vasto para que se possa exercer ai a influéncia do observador. Quanto a fisica atdmica, os objetos que estuda sS0 certamente fem pequenos, mas como sio também muito numerosos, 35 Podemos recolher val6res estatisticos ou médios, onde a in- fluéncia do observador se encontra, de outra mancira, anu- Jada, Em compensagio, esta permanece sensivel nas ciéncias Porque as modificagSes que ela acarreta so da mesma ordem de grondeoa que os fendmenos estudados. se ofp fulaptado do original inglés: Language and the Analy- fia of Social Laws, American Anthropologie, WoL, 63, 2° 2, abril junho 1951, pp. 155-163. cha toda (2) N. Winwen, Cybornetie, or Control and Communication {the Animal ond the Machine, Paris-Cambridge-Nova. Torate, "4