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Disciplina

Língua Portuguesa: Fonologia

Coordenador da Disciplina

Prof. José Alber Campos Uchoa

Disciplina Língua Portuguesa: Fonologia Coordenador da Disciplina Prof. José Alber Campos Uchoa
Disciplina Língua Portuguesa: Fonologia Coordenador da Disciplina Prof. José Alber Campos Uchoa

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Créditos desta disciplina

Coordenação

Conteúdo

Coordenador UAB Prof. Mauro Pequeno

Coordenador Adjunto UAB Prof. Henrique Pequeno

Coordenador do Curso Prof. Yvanowik Dantas Valério

Coordenador de Tutoria Profª. Maria Claudete Lima

Coordenador da Disciplina Prof. José Alber Campos Uchoa

Autor da Disciplina Prof. José Alber Campos Uchoa

Colaborador Profª. Ana Cristina Cunha da Silva

Setor Tecnologias Digitais - STD

Coordenador do Setor Prof. Henrique Pequeno

Centro de Produção I - (Material Didático)

Gerente: Nídia Maria Barone

Subgerente: Paulo André Lima

Transição Didática Elicélia Gomes Karla Colares Maria de Fátima Silva Ofélia Pessoa Rafaelli Monteiro

Formatação Allan Santos José Almir da S. Costa Filho José André Loureiro Tiago Lima Venâncio

Design, Impressão e 3D Afonsina Soares Andrei Bosco Eduardo Ferreira Fred Lima Iranilson Pereira

Publicação

Márllon Lima

Elilia Rocha

Gerentes

Audiovisual: Ismael Furtado

Desenvolvimento: Wellington Wagner Sarmento

Suporte: Paulo de Tarso Cavalcante

Sumário

Aula 01: Do mundo à língua e aos meios de expressão

1

Tópico 01: Começo de conversa: o mundo, a língua

1

Tópico 02: Questões modernas no estudo de fonologia e grafia

5

Tópico 03: O que há para ver na fala?

7

Aula 02: A articulação dos sons

9

Tópico 01: O aparelho fonador visto de perto

9

Tópico 02: Você é quase uma orquestra

11

Tópico 03: Cesse a música e o ruído, repouse sua voz, por um instante

13

Aula 03: Os Fonemas do Português e Suas Realizações

16

Tópico 01: Ainda entre fones e fonemas

16

Tópico 02: Grafando sons

18

Tópico 03: Vamos colher feixes?

20

Aula 04: Fonemas, sons e letras

24

Tópico 01: Relações entre as unidades dos meios de expressão da fala e da

24

Tópico 02: Bem dentro do sistema

27

Tópico 03: Símbolos alternativos para fonemas

31

Aula 05: Aplicações do conhecimento de fonologia

33

Tópico 01: Variação, erro e preconceito

33

Tópico 02: NON VITAE SED SCHOLAE DISCIMUS

37

Tópico 03: De volta para a língua e o mundo

40

Aula 06: Questões segmentais e prosódicas na fala e na escrita

42

Tópico 01: Houve progresso em nossa fonologia tradicional?

42

Tópico 02: O que é prosódia?

46

Tópico 03: A voz entre os mundos

50

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Aula 01: Do mundo à língua e aos meios de expressão

Tópico 01: Começo de conversa: o mundo, a língua

(Assista o vídeo acessando a aula no ambiente SOLAR)

Iniciamos aqui o estudo da Fonologia e, com ela, o estudo da fonética e da (orto)grafia de nosso código verbal, o português.

Esta disciplina é a primeira de Língua Portuguesa. Por isso, os três tópicos da Aula 1 servem também para a discussão de assuntos em torno da língua e da fonologia. No Tópico 1, discutimos as características da língua e suas relações com o resto do mundo. No 2, a fonologia, enquanto componente da estrutura (interna) do português e área de estudo. No último tópico, ficamos bem dentro da fonologia e chegamos à fonética, que estará conosco na próxima aula.

Travemos (no bom sentido), neste tópico, portanto, uma longa conversa. Não é propriamente um monólogo, como você pode descobrir pesquisando sobre o dialogismo, termo de Mikhail Bakhtin.

Pela disciplina que introduziu a lingüística, deve ter percebido que a linguagem verbal, quando tomada como objeto de estudo, é complexa, falta muito para a compreendermos plenamente.

Língua como bem cultural

para a compreendermos plenamente. Língua como bem cultural Fonte 1 Não vamos dizer que as visões

Fonte 1

Não vamos dizer que as visões que se tem dos idiomas dependem dos pontos de vista. Por um lado, a língua é um dos bens em nossa cultura (ou nos grupos culturais nos quais estamos). Aí, junta-se à maneira como nos vestimos, à religiosidade, às manifestações artísticas, à alimentação, aos hábitos e exigências interativos com as outras pessoas, os outros seres vivos e o mundo em geral, nossas atitudes com relação à diversão e ao prazer, à doença e à saúde, à vida e à morte, ao trabalho, ao estudo (não ligue para esta ordem).

Por outro lado, a língua é a principal forma de representar em nosso interior todas essas coisas. É o código para registrar, transmitir nossas manifestações sobre os outros itens culturais da(s) comunidade(s), inclusive os mencionados acima. É o meio de representação, registro, análise de de si própria. As coisas relevantes para você, para um mais de um dos grupos dos quais você faz parte,

1 Fonte: http://www.bn.pt/images/agenda-foto-destaque-cplp.jpg

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associam-se a elementos da língua que as representam. Por isso, há comunidades nas quais há dezenas de palavras para o conhecimento das uvas, e você desconhece, assim como talvez não saiba mais o que é mangará, bredo, maturi, alguedar, trempe ou as diferenças entre terreiro, oitão, quintal, jardim e canteiro.

entre terreiro, oitão, quintal, jardim e canteiro . Parada Obrigatória Você tem idéia da quantidade de

Parada Obrigatória

Você tem idéia da quantidade de linguagens e meios que combina, ao longo do dia?

Conseguimos registrar e transmitir melhor pela língua que por outros meios – olhar, toque, expressão facial, gesto -- o que percebemos, sentimos, pensamos. A maior parte desses sentimentos, pensamentos, sensações pode ser verbalizada, isto é, codificada em frases. As frases são construídas básica e primariamente no meio fônico-auditivo, secundariamente em meio gráfico-visual. No dia-a-dia, mais comumente, misturam-se códigos verbais e não verbal. Não há como traduzir tudo o que é lingüístico para um código não-verbal, mas tenta-se traduzir tudo que é não-verbal para o código verbal, a língua.

De que é feita a língua?

A representação e a expressão (duas funções abrangentes da linguagem) do que dissemos acima é possível com a codificação em signos. Podemos chamar o conjunto dos signos, ampliando o sentido mais comum da palavra, léxico. Se nos preocupamos com a análise do “conteúdo” dos signos, vendo as relações entre os conceitos, os significados, estamos fazendo semântica. Os significados e suas formas servem a diversos tipos de informações. Podem mostrar a finalidade ao outro, a posição e a atitude dos interlocutores (pragmática). Como os itens (lexicais) se associam para formar palavras e como elas variam (morfologia), como as palavras se agrupam até chegarmos às frases (sintaxe), podendo-se chamar ao conjunto dos dois gramática (não discutimos agora os múltiplos sentidos da palavra).

Tudo isso seria invisível e sem ação, se não houvesse na língua também um conjunto de “instruções” inconscientes que permite codificar tudo em formas perceptíveis. No tipo de código que chamamos linguagem verbal, há um componente chamado fonologia, que relaciona todo o sistema que descrevemos acima a sons. O material da fonologia é constituído por sons capazes de ser produzidos no aparelho fonador, de ser captados pelo ouvidos, interpretados por programas apropriados, perpassarem todos os outros componentes ou níveis, modificarem nossa atividade mental. Disso trata a disciplina Língua Portuguesa: Fonologia.

Língua Portuguesa: Fonologia
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Sons e riscos: como usar os meios de expressão, falando e escrevendo

como usar os meios de expressão, falando e escrevendo Fonte 2 Entre as propriedades da linguagem

Fonte 2 Entre as propriedades da linguagem verbal que têm a ver diretamente com a fonologia está a de transferência de meio. Imagine um processo que começa quando alguém pensa, sente, experiência algo, codifica com a língua, produz sons e faz surgir no outro, que adquiriu o mesmo código, um pensamento, experiência, sensação semelhantes. Se o contato pelos sons diretamente não é possível, dá-se a transferência de meio: o material fônico é substituído por material gráfico.

Algo transferido para a grafia pode ser retransferido, por exemplo, quando alguém faz sinais com a mão para representar letras do alfabeto, ou grava folha de papel com pequenos pontos em relevo para um cego ler em braile. Neste último caso, um conjunto de informações basicamente oral-auditivo foi transferido para um meio gráfico-visual e retransferido para um meio táctil.

Retomando o que dizíamos, o sinal fonológico, que é oral (pela produção) e auditivo (pela recepção), pode ser recodificado, com perdas maiores ou menores, para o meio gráfico (produção) e visual (recepção). Em todas as línguas, os sons e a linguagem falada são básicos, necessários à existência das grafias e da linguagem escrita. Nas línguas cuja grafia tem motivação principal fonológica, faz uso de silabários ou alfabetos.

É indiscutível a ligação entre a fonologia e a (orto)grafia. Entretanto, há na linguagem falada características sem correspondência na escrita e, na linguagem escrita, há elementos próprios, sem correspondência na fonologia, inclusive ideográficos. Por isso, na vida real, na maior parte dos gêneros de discurso, não fica bem apenas a transcrição de um meio para outro, devendo haver, de fato, tradução. Comumente, não só há mistura entre as duas modalidades falada e escrita da linguagem verbal, mas também mistura entre diversos tipos de linguagem. No cinema, por exemplo, pode haver expressões de fala e escrita, em um ou mais idiomas, enquanto outros tipos de código são utilizados. Em sala de aula, alternam-se a fala e a leitura, principalmente. Quando você conversa, normalmente, usa a linguagem verbal, cantarola melodia, indica objetos do ambiente, gesticula, “fala” com expressões visuais ou contato manual.

2 Fonte http://www.ielbs.com.br/files/logo_ielbs.jpg

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Tem mais em nossa expressão do que o que se diz por aí

Quando se estuda fonologia de forma conservadora, e vem sendo assim, porque nessa área têm demorado a chegar o frescor trazido à lingüística pelo funcionalismo e a pelas análises do discurso, trabalha-se com uma linguagem verbal mínima, circunscrita a gêneros discursivos como o noticiário padrão, as comunicações oficiais em linguagem culta. Nessa linguagem, há correspondência praticamente perfeita entre os códigos falado e escrito. Se você quiser pensar a respeito, compare os discursos do teatro, da literatura de vanguarda, das histórias em quadrinhos, com a maior parte dos ensaios, dos artigos técnicos, dos documentos civis, oficiais, do trabalho, do Direito.

Mesmo assim, não pense que tudo se restringe, na fala, a fonemas segmentais e prosódicos, ou, na escrita, a letras e sinais de pontuação stricto sensu: vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos, pontos final, interrogativo, exclamativo, reticências. Parte da escrita que você aprendeu não é alfabética, mas ideográfica. Brasileiros e alemães compreendem a frase “2 x 32 = 64”, porque aí há 5 ideogramas, ou seja, signos nos quais o sinal gráfico, significante, liga-se diretamente ao significado (quantidades, operações), sem a intermediação de sons. Escrevendo, brasileiros teriam “Duas vezes trinta e dois é igual a sessenta e quatro”, alemães escrevem “Zweimal zweiundreissig, gleich vierundsechzig”, pronunciado mais ou menos 'tsváimal tsvái-unt-dráissiç glaiç fiia-unt-tsvántsiç' (em tradução literal, “doisvezes doisetrinta, igual quatroesessenta”).

Na fala, as unidades dessa linguagem estudada mínima são os fonemas segmentais e suprassegmentais (ou prosódicos: acento lexical, entoação, pausa). Na escrita mínima, são, para o português, 26 letras maiúsculas e 26 (esquecendo o c-cedilha) e os sinais de pontuação. Isso é o que gostamos de repetir numa escola tradicional.

Numa situação média real, devemos contar pelo menos com os caracteres do teclado do português brasileiro padrão, o ABNT-2. Esse texto está sendo digitado em um teclado que permite a impressão de 97 caracteres, com 48 teclas para caracteres normais imprimíveis, para espaço, inclusive, todos utilizados com freqüência, mais as opções normal, itálico e negrito.

Um escrevente de nível superior, e você é um deles, vale-se de mudança de espaços (no texto, nos parágrafos, nas linhas, entre linhas, entre palavras), tamanho e distanciamento de caracteres, troca de fontes, outros sinais, inclusive, nesta disciplina, dos caracteres do Alfabeto Fonético Internacional.

dos caracteres do Alfabeto Fonético Internacional . Olhando de Perto Disso trata nossa disciplina. Veremos

Olhando de Perto

Disso trata nossa disciplina. Veremos como funciona o que é fonológico, regularmente codificado no português para a modalidade falada. Como é a fonética, a percepção dos sons realizados, concretamente, na fala.

Discutiremos as questões que têm a ver com as relações entre o fônico e o gráfico, como esses meios são traduzidos um para o outro. Como fonemas e grafemas, sons e letras, palavras, grupos de palavras, orações, frases e discursos (não só fonemas e grafemas são sinalizados) são construídos e mostrados, com seus materiais apresentados aos ouvidos e aos olhos.

Sua tarefa, neste momento, é apenas rever o conteúdo do tópico, pensar e discutir a respeito, organizar suas anotações. Guarde-as, por enquanto, com você.

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Aula 01: Do mundo à língua e aos meios de expressão

Tópico 02: Questões modernas no estudo de fonologia e grafia

O estudo de fonologia não pode ser feito com perguntas simples que se respondem rapidamente, e que perdem a validade no fim de uma disciplina. Nosso objeto de estudo está bem no meio de mil (linguagem figurada: são muitos mais) fenômenos que nos atingem no dia-a-dia.

são muitos mais ) fenômenos que nos atingem no dia-a-dia. Multimídias Você vai ver que, nos
são muitos mais ) fenômenos que nos atingem no dia-a-dia. Multimídias Você vai ver que, nos
são muitos mais ) fenômenos que nos atingem no dia-a-dia. Multimídias Você vai ver que, nos

Multimídias

Você vai ver que, nos exercícios propostos e nas atividades avaliadas, será exigida a observação da fala comum, a audição de gravações, a audiovisão de diversos tipos de mídia. Por isso, precisa verificar seus recursos no computador ou em outros aparelhos e descobrir como se consegue o acesso a arquivos de áudio e vídeo.

Sugerimos que assista a tais mídias uma primeira vez, sem se preocupar com as instruções das aulas, e anote suas impressões.

Nas outras vezes, leia as instruções da aula, anote seus comentários, inclusive dúvidas e pontos de vista.

Fórum e Chat permanentes

Durante todo o período das aulas e em todos os momentos estão abertos um ambiente de bate-papo e outro de fórum, para a discussão livre entre você seus colegas, entre você se o professor. Esses dois ambientes não serão avalidados nem contarão presença, mas são bem úteis para o aprendizado geral, para ajudar nas atividades avaliadas e para ter um bom desempenho no final do curso. Você pode utilizá-los, inclusive, para pedir esclarecimento. Quando cumprir as instruções das atividades, sempre demonstre o que diz, o que discute, com frases ouvidas e anotadas.

Atividade de Portfólio

Como verá no vídeo indicado no próximo tópico, há características da fala que podem ser percebidas pela simples observação do rosto, quando se observa alguém dizendo alguma coisa. Examinando o aparelho fonador durante a fala, o observador pode tentar descobrir até que ponto os sons que pronuncia são diferentes, qual é a relação entre essas diferenças e o que acontece no aparelho fonador quando são pronunciados, pode tentar classificá-los conforme essas diferenças. Deve observar, por exemplo, que parte (órgão ativo) move-se e se relaciona com outra parte que fica imóvel (órgão passivo). Escolha dois versos seguidos (duas linhas da letra da canção), experimente pronunciá-las e, em quinze a vinte linhas, relate suas observações. Sinta o que (e onde, em você) acontece para a produção dos sons. Pode recorrer a espelhinho de mão e a imagens de aparelho fonador, mas deve evitar gramáticas tradicionais e termos técnicos que não compreende. Pode também ver o texto disponibilizado Sons da fala, principalmente no item 2.2 Pontos e modos de articulação.

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Para uma escrita mais clara e fácil

SUGESTÕES PARA SEUS ESCRITOS

Essas são as primeiras de uma série de instruções que têm a finalidade de facilitar sua tarefa e colaborar para seu aperfeiçoamento em comunicações por escrito.

1. Uma boa resposta é sempre bem compreendida por quem não leu o enunciado que a motivou. Ao

responder, retome as idéias centrais da pergunta. Assim evitará, por exemplo, que a pergunta comece com

Por que

2. Cumpra as exigências do enunciado da questão. Estão lhe pedindo opinião, comparação, que discorde,

que explique?

3. Respostas têm partes, que correspondem a partes da pergunta. Uma questão pode prever, por exemplo,

que você se manifeste sobre duas coisas, quanto a dois pontos de vista diferentes: neste caso, uma boa respostas deve apresentar pelo menos quatro informações.

4. Se tiver dificuldade em escrever, imagine que conta o que viu a um amigo. Pode ser melhor começar

livremente, a esmo. Mas, no final, releia, faça a revisão, você mesmo, de tudo que escreveu.

5. Sabemos que está aprendendo, e o erro é parte importante do processo. Se considerarmos sua resposta

inaceitável, entraremos em contato e você poderá melhorá-la.

6. Note a diferença entre os dois usos de com, nesta afirmação: Os falantes, ao dizerem a expressão do

texto acima “com licença”, pronunciam a palavra com com o véu palatino aberto. A sublinha (ou o

itálico) indica que a palavra é um objeto do que se está dizendo, não a preposição com em sua função normal na frase.

7. Observe que, no item acima, expressão citada ficou entre aspas. Mostre o que é discurso dos outros,

dentro de seu discurso. E lembre que citar é dizer de novo, repetir, não sinônimo de dizer, afirmar

8. Para qualquer tarefa, é melhor fazê-la defeituosa, que não responder à solicitação. E você pode até não

conseguir concluí-la, mas tem que começar. Se nada funcionar, escreva explicando por que não foi possível, mas mantenha o contato!

”,

e você inicie a resposta com “Quando

o contato! ”, e você inicie a resposta com “ Quando Exemplo Q. O que se

Exemplo Q. O que se quer dizer exatamente, quando se afirma ser um certo som “arredondado”? Exemplifique. R. Diz-se que um som é arredondado, porque, em sua pronúncia, os lábios assumem formato arredondado. Isto fica claro, por exemplo, quando comparamos a forma dos lábios nas pronúncias de [i] e [u], nas palavras vive e luxo. Observe:

A resposta poderia ser compreendida por quem não leu a pergunta, porque foram retomados elementos-chave.

A pergunta exigia duas unidades significativas (o que se quer dizer foram atendidas.

,

exemplifique

),

que

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Aula 01: Do mundo à língua e aos meios de expressão

Tópico 03: O que há para ver na fala?

Neste tópico, sugerimos que comece a observar a linguagem nas ruas, em casa, no material que trouxemos para você e em outros que você vai procurar, sem tarefa obrigatória.

O novo vídeo que assistirá será retomado no início da próxima aula, já para o estudo de fonética. No período do tópico atual, muito interessante, parece-nos, é despertar para a multiplicidade de informações agregadas dentro e em anexo às unidades de linguagem verbal.

dentro e em ane xo às unidades de linguagem verbal. Fórum Convidamos você, agora, a entrar

Fórum

Convidamos você, agora, a entrar na página abaixo (ou ver em CD que foi posto a sua disposição no Polo).

http://www.youtube.com/watch?v=A7SHfUXLK28

Depois discuta no fórum obrigatório com seus colegas, sobre o que é possível descobrir a respeito da produção dos sons, a partir:

(a)

dos movimentos no rosto dos artistas;

(b)

da pronúncia de Adriana Calcanhoto;

(c)

do exame que você faz em seu aparelho fonador, quando tenta repetir os sons.

Use espelhinho de mão para ver seu aparelho fonador, dos lábios à úvula. Aí começa a faringe, de onde é possível a passagem para as fossas nasais, para a laringe (na direção dos pulmões) e para o esôfago (indo até o estômago).

Sinta toques e movimentos dos órgãos do aparelho fonador.

O professor interagirá com você e seus colegas, inclusive esclarecendo pontos difíceis.

Quando você leu livremente um conto, em casa, por sua iniciativa, chegou a certas descobertas, conclusões, suas. Quando lhe entregaram um conto, na escola, com a instrução "Mostre as três causas da reação do funcionário à ordem que recebeu", o instrutor fechou, recortou sua experiência, levando você a parar de pensar em quaisquer outras coisas, a adotar um ponto de vista como o único permitido.

Quando você observa este vídeo livremente pela primeira vez, também tem expectativas e descobertas abertas. Dependendo de suas experiências, interesses, atitudes, vê coisas mais ou menos diferentes das que são vistas por outras pessoas, inclusive por seus colegas.

Vamos fazer um recorte em suas impressões. Talvez estejamos excluindo coisas nas quais você pensou, impingindo o que você não pensou, não considera relevante.

Considere o que dizemos no quadro abaixo, observe o vídeo, pense no que sugerimos, guarde suas anotações para trabalhar na próxima aula.

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O que é visto depende de quem vê. No vídeo, além de títulos, inscrições na tela, cor de fundo, idade dos cantores, é possível perceber o seguinte.

1. Movimentos corporais, de um ou dos dois cantores, integradamente.

2. Expressões faciais, especialmente nos olhos, boca ou em todo o rosto.

3. Gestos e outros movimentos das mãos ou dos braços, em parte "desenhando" coisas ou sentimentos, às vezes apontando.

4. Uma canção completa, com acompanhamento de instrumentos. Mas você pode

ouvir separadamente, abstraindo, certa percussão, certo instrumento ou apenas a

canção na voz de Adriana Calcanhoto.

5. Pode até deixar de notar a voz, abstraindo as notas e o que é cantado, para ver

apenas a "letra", o texto, com seus significados.

6. Agora, e estamos terminando essa enumeração, imagine ver como as frases são

construídas, que classes de palavras vêm em que lugares das frases, como as

palavras se flexionam.

7. E pode “ver” apenas as partes na quais vamos nos concentrar, no tópico: (a) a

pronúncia da cantora; (b) a parte da performance dos dois artistas, que nada cantam,

mas movem seus aparelhos fonadores de forma ostensiva. Isto, agora, é fonologia.

O que você consegue descobrir sobre a produção dos sons, a partir da pronúncia

de Adriana Calcanhoto, dos movimentos no rosto dos artistas, das tentativas de

repetir tudo em seu aparelho fonador?

das tentativas de repetir tudo em seu aparelho fonador? Referência Bibliográfica MAIA, Eleonora M. No reino

Referência Bibliográfica

MAIA, Eleonora M. No reino da fala: a linguagem e seus sons. São Paulo: Ática, 1985.

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Aula 02: A articulação dos sons

Tópico 01: O aparelho fonador visto de perto

Nesta aula, temos atividades sobre a articulação dos sons, baseada principalmente em vídeo, começando pelo que você viu no fechamento da aula 1. O que há de mais teórico, você lê no texto sobre fonética articulatória.

teórico, você lê no texto sobre fonética articulatória. Fonte 3 É possível descobrir muito sobre o

Fonte 3

É possível descobrir muito sobre o aparelho fonador, pelos toques sentidos quando se repete sons, ora da forma mais natural, ora cuidadosa e lentamente. Pelo exame do rosto externamente enquanto alguém fala, pouco se pode perceber.

A esposa de Alexander Graham Bell, escocês que ensinou nos

Estados Unidos fisiologia da fala e registrou em 1876 a invenção do telefone, dominava tão bem a técnica da leitura labial, que sua surdez só foi descoberta pela filha por acaso. Embora estivesse bem próxima da filha, a mãe não atendeu ao seu chamado, por estar de costas. Esse tipo de leitura da fala tem sido utilizado por técnicos que procuram interpretar frases inaudíveis, espiões russos que, durante a Guerra Fria, adivinhavam conversas com binóculos e só falavam uns com os outros em restaurantes mantendo uma taça na boca, repórteres de esporte que tentam “ler” frases de jogadores de futebol.

que tentam “ler” frases de jogadores de futebol. A compreensão só é possível, sem a audição,

A compreensão só é possível, sem a audição, porque observamos gestos e expressões visuais,

conhecemos um contexto, já esperamos certas palavras e prevemos certos sons, utilizamos estratégias de leitura, principalmente pela expectativa de significados. Entretanto, ao ouvirmos, somos levados a

reproduzir em nosso aparelho fonador os sons que nosso interlocutor vai produzindo.

fonador os s ons que nosso interlocutor vai produzindo. Multimídia Vamos observar novamente o vídeo no

Multimídia

Vamos observar novamente o vídeo no qual a canção Fico assim sem você, de Adriana Calcanhoto, é representada com mímica e movimentos ostensivos do aparelho fonador, disponível na sede do seu pólo ou no endereço:

http://www.youtube.com/watch?v=A7SHfUXLK28

Para os destaques feitos a seguir, além da observação do vídeo, é bom ter espelho pequeno e o texto “Os sons da fala” (Baixe o arquivo no ambiente SOLAR), onde está o desenho do aparelho

3 http://www.unesp.br/aci/jornal/162/00%20figuras%20v/garganta5tb.jpg

Língua Portuguesa: Fonologia
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fonador. Chamamos sua atenção inicialmente para o estudo das cavidades (de ressonância) e das posições da língua.

Posições dos lábios e cavidade bucal

Observe os movimentos labiais, que, em certos casos, são traço distintivo, ou seja, característica simples suficiente para distinguir um fonema de outro(s), capazes, por sua vez, de distinguir palavras. Esteja atento, principalmente, à vogal da sílaba tônica da última palavra de cada frase. Essa posição é privilegiada, pois a sílaba acentuada, além de mais forte, é mais longa. A última sílaba tônica de uma frase é mais longa ainda, e nela há também a entoação decisiva para indicações frasais como os tipos interrogativo e declarativo. Observe, em:

Avião sem asa, Fogueira sem brasa,

como vai mudando, em cada verso, a abertura dos lábios na pronúncia das vogais. Atente principalmente para as vogais das últimas sílabas tônicas no final dos versos: asa, brasa. Note a abertura máxima dos

lábios e a grande visibilidade do interior da boca. Isso acontece porque o som de /a/ em posição tônica tem como traços:

- a abertura máxima da boca, sem arredondamento dos lábios;

- a posição central da língua;

- a posição maximamente baixa da língua, contra o chão da boca.

Compare as aberturas mencionadas com as que ocorrem no som [e] (como em “você”, “mesa”), também não-arredondadas, e com a transição de [e] para [u], em “eu”, esta última com arredondamento dos lábios, quase “biquinho”. Conclua a observação das aberturas, por enquanto, com a observação dos rostos no verso:

“Piupiu sem frajola”.

Posição da língua

Observe a imagem na pronúncia de “assim sem você”. A boca, aberta, permite a visão de seu interior, tanto em [s] quanto em [e] a língua está avançada, frontal, anterior, por isso fica visível. Compare essas pronúncias com a de “asa“ e “brasa”. Compare, em sua pronúncia também, as alturas da língua nas três ocorrências de [s] em “assim sem você”. Experimente prolongar o som musical de [ê] com o ruído que nos dá a impressão de fricção do ar porque a língua toca levemente os alvéolos ou os dentes. Observe o que acontece nas vogais tônicas de "futebol sem bola". Também aí se vê o interior da boca.

Compare o vídeo com o que sente em seu aparelho fonador. Repita os sons de [ê], [á], [ó]. Por que não se vê a língua, na pronúncia do som grafado com “o” em “futebol sem bola”, foneticamente [ó], ao contrário do que aconteceu em [ê]?

Experimente pronunciar os sons da canção, enquanto observa o diagrama abaixo. Sinta inicialmente as vogais cardeais:

• [i] - o som vocálico pronunciado na posição mais alta e mais frontal possível;

• [u] - o som mais alto (falamos da altura na língua na boca) e mais posterior possível, quer dizer, com a língua recuada ao máximo;

• [a] a vogal mais baixa, a língua apertada contra o chão da boca e com a maior proximidade possível dos dentes inferiores.

Língua Portuguesa: Fonologia
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Aula 02: A articulação dos sons

Tópico 02: Você é quase uma orquestra

dos sons Tópico 02: Você é quase uma orquestra Carmen Miranda 4 Há pouco, falamos muito

Carmen Miranda 4

Há pouco, falamos muito das vogais. Demonstramos que lá havia só música. A voz, produzida na vibração das cordas vocais, ressoava de modo diferente conforme nosso instrumento modificasse o espaço da boca, mas os sons vocálicos mais fechados (ou altos) não são tão fechados ou altos que cheguem a provocar ruído.

são tão fechados ou altos que cheguem a provocar ruído. Balalaica Banjo Se estivéssemos diante de
são tão fechados ou altos que cheguem a provocar ruído. Balalaica Banjo Se estivéssemos diante de

Balalaica

Banjo

Se estivéssemos diante de um violão, um bandolim, uma balalaica triangular, um banjo, a forma da caixa de ressonância não mudaria, a abertura (um deles nem tem) seria sempre a mesma.

Seu instrumento vale muito mais, pois muda a ressonância do vozeamento vindo das cordas vocais (que, de fato, são pregas).

As vogais distinguem-se pelas mudanças sem ruído, conforme alguns parâmetros: posição assumida pelo deslocamento vertical, pelo deslocamento horizontal, pelo formato da abertura dos lábios, por estar o véu palatino fechado (nos sons vocálicos orais) ou aberto (nos nasalizados).

Pois o aparelho fonador humano não só pode mais, de certa maneira, que os instrumentos musicais ao ter caixas de ressonância que se modificam, como também é capaz de fazer não só as vezes de instrumento de corda e de sopro, mas também de instrumento que produza ruído, de percussão.

Talvez você tenha ouvido Tic tac do meu coração. Não, não é exatamente um lançamento recente, Carmen Miranda cantou em 1942, ninguém que tenha trabalhado neste texto era nascido, mas vai continuar sendo um clássico no mundo.

4 http://www.suapesquisa.com/biografias/carmen_miranda.htm

Língua Portuguesa: Fonologia
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A letra da primeira estrofe é assim:

O tic tic tic tac do meu coração Marca o compasso do meu grande amor Na alegria bate muito forte E na tristeza bate fraco por que sente dor

Experimente ouvir ou dizer em voz alta, sentindo o que acontece em seu aparelho fonador.

Pronúncia dos sons consonantais

Na pronúncia dos sons consonantais (porque esperava-se que eles só soassem com uma vogal, nunca sozinhos), há ruído apenas (quando são não-vozeados) ou ruído e som musical (nos sons vozeados).

Os ruídos acontecem por causa de três graus de altura-fechamento, que, modificados, fazem o parâmetro I das consoantes, o modo de articulação, quer dizer, como a articulação acontece. Obviamente, para que surja um som, é preciso que haja também um parâmetro II, referente ao ponto ou zona de articulação, onde e com que acontece a articulação. O maior grau de altura do articulador ativo, de fechamento do canal articulatório, dá-se quando o falante mantém toque entre os dois articuladores: ativo (lábio inferior, ponta, lâmina, dorso, raiz da língua) e passivo (lábio superior, dentes superiores, alvéolos, palato (duro), véu palatino, úvula). Assim, produzem os tipos de sons consonantais plosivos (oclusivos), com fechamento completo (oclusão), como em [t], para “tac” “tristeza”.), nasais, como em “m”, “n” acima iniciando sílaba, e “nh” em “tenha”.

Há ainda o som classificado como tepe, tradicionalmente “vibrante simples”, como no som representado por “r” em “coração” e “alegria”, em que o toque é uma leve batida, geralmente, aqui, da ponta da língua contra os alvéolos. No grau médio de altura-fechamento, o ar é forçado entre os articuladores, lembrando uma de fricção. Acontece nos sons fricativos, como no “r” em início de palavra. Se você não produz vibração, não diga que seu som é vibrante só porque as gramáticas dizem. Esse som ocorre antes de consoante e pausa (em linguagem muito cuidadosa) ou grafado “rr”. Note acima “fo[h]rte”, “po[h] que sente do[h]”, aqui notados como glotal não-vozeado (explicamos mais no texto anexo). Acima há ainda som fricativos alveolar, labiodental e pós-palatal (em “tri[s]teza”, com “s” chiando semelhantemente a “ch” “cheiro”). No grau mínimo para as consoantes (ou semiconsoantes, semivogais, pois são intermediários), não é claro um ruído, mas se sente um movimento causado pela aproximação entre os articuladores. Temos, então, os sons aproximantes ou semivogais. São os sons do “r” em inglês e, em português, os sons em “me[w]”, “d[j] um atro[j]z viver”, “Nã[w] quer qu[j]_e_[w] tenha nessa vida ma[j]s desilusã[w]”. Há muito mais a respeito, que você verá nos textos já indicados.

mais a respeito, que você verá nos textos já indicados. Parada Obrigatória Ah, você pode pegar

Parada Obrigatória

Ah, você pode pegar a letra toda em:

http://www.vagalume.com.br/carmen-miranda/o-tic-tac-do-meu-coracao.html

ou ver e ouvir (a imagem não poderia estar melhor) em:

http://www.youtube.com/watch?v=o3Gouwyc8Ik

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Aula 02: A articulação dos sons

Tópico 03: Cesse a música e o ruído, repouse sua voz, por um instante

Encerramos aqui este exame rápido do aparelho fonador. Na próxima aula, discutiremos bastante a transcrição fonética, a classificação dos sons do português e a variação fonética, chegando à fonologia.

Neste tópico, tecemos algumas considerações, à guisa de revisão, revendo, fenômenos vistos.

Voltando à canção de abertura, tomemos dois versos. Vamos dividi-los em sílabas, conforme o que se ouve, foneticamente, não conforme alguma gramática que pensa em palavras isoladas. Poremos numa primeira linha os sons que iniciam sílabas (aqui, todos consonantais) e, na segunda, os núcleos das sílabas, sempre uma vogal, seguida ou não de uma semivogal:

Futebol sem bola,

Piupiu sem Frajola,

de uma semivogal: Futebol sem bola, Piupiu sem Frajola, Seu aparelho fonador vai se mexendo de

Seu aparelho fonador vai se mexendo de forma tão rápida, que teríamos dificuldade em compreender sentidos de cada signo se nos concentrássemos conscientemente nas mudanças. Inconscientemente, entretanto, você ouve e re-produz sons, combinando muitos traços, e considerando um fonema completamente diferente de outro, embora só um traço varie.

Nos sons do primeiro grupo (tente pronunciar isoladamente f – t – b – s - b – l -), acontecem ruídos causados por obstáculos à passagem do ar. Verifique onde os ruídos acontecem, o que causa obstáculo ao ar. Como, com que, onde os ruídos acontecem? Em [f] e [s], o ar é forçado com aperto sem fechamento total (como, modo de articulação), entre o lábio inferior (que se eleva) e os dentes superiores para [f], entre a coroa ou lâmina da língua e os alvéolos para [s]. Para [l], a ponta da língua fecha o centro do canal nos alvéolos, enquanto o ar passa livremente pelos lados, e a ponta da língua é retirada.

Nos sons correspondentes a u – i – ó – e – ó - a não há obstáculos, apenas a voz, o tom, a nota que vem das cordas vocais ressoa diferentemente, conforme mude o formato da boca e dos lábios, conforme haja ressonância apenas na boca ou se abra a passagem para as fossas nasais.

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Uma narração do que acontece seria mais ou menos assim: (Clique na célula que quiser ler)

mais ou menos assim: (Clique na célula que quiser ler) Conclusão: O que fizemos durante essa

Conclusão:

O que fizemos durante essa aula, foi pensar sobre quatro parâmetros, quatro itens que podem variar para diferençar sons. No texto "Os sons da fala” (Baixe o arquivo no ambiente SOLAR), você pode verificar os traços, as classificações para esses itens. Vai ver que se verifica (a) como e (b) onde os sons são pronunciados, se há nessa pronúncia (c) ressonância nasal, se há ou não (d) vozeamento, vibração das cordas vocais.

Se você conseguir tempo, faça essa atividade opcional

Se você conseguir tempo, faça essa atividade opcional Exercitando Converse com músico(s), por exemplo, sobre o

Exercitando

Converse com músico(s), por exemplo, sobre o que eles sabem das semelhanças entre como uma pessoa fala e como vem a existir música em seu(s) instrumento(s): violão, acordeom, gaita, flauta, violino, tambor, pandeiro outros. Algumas sugestões do que deve discutir com ele(s):

Como é produzido o som em seu instrumento musical (o que vibra e produz som)?

Você sabe como é produzido em outros instrumentos? E na gente, quando se está

cantando, você sabe como o som é produzido?

Para que serve esta parte (a caixa do violão, do cavaquinho, do violino, da viola)?

O que acontece, quando se segura uma corda mais perto das cravelhas (no violão) ou mais perto do centro e da caixa?

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Língua Portuguesa: Fonologia Dica No texto desta aula, falamos mais ou menos que um ponto privilegiado
Língua Portuguesa: Fonologia Dica No texto desta aula, falamos mais ou menos que um ponto privilegiado

Dica

No texto desta aula, falamos mais ou menos que um ponto privilegiado na fonologia da língua é a vogal da sílaba tônica. Uma vogal assim, além de mais forte, é mais longa, quer dizer, tem maior duração. Se essa vogal é a última tônica antes de pausa, por exemplo, no fim de uma frase, é ainda mais longa e também recebe o tom, que caracteriza uma entoação frasal. Finalmente, nesses pontos privilegiados, é maior a distinção entre os timbres das vogais. Os termos destacados com negrito acima são utilizados por profissionais da linguagem como professores de língua(s), gramáticos, filólogos, lingüistas. Os termos que grifaremos abaixo já são da acústica, área da física.

Fórum

Apresente comentários seus a partir da comparação entre (a) o que você consegue perceber em seu aparelho fonador, (b) as afirmações e a terminologia das gramáticas tradiconiais e (c) os textos de lingüística, inclusive o oferecido neste curso, "Os sons da fala” (Baixe o arquivo no ambiente SOLAR).

Guarde este quadro para tê-lo também aqui com a aula

ALFABETO FONÉTICO INTERNACIONAL (Revisão de 2005) Reduzimos os símbolos aos comumente usados para o português e alteramos levemente colunas, linhas e termos, como descrevemos abaixo do quadro.

linhas e termos, como descrevemos abaixo do quadro. • Foi excluída, depois da coluna das uvular

• Foi excluída, depois da coluna das uvulares, uma das faringais. Depois das fricativas, a linha das laterais fricativas. A linha das aproximantes (semivogais) desceu, ficando mais próxima das vogais altas. A mudança se justifica também para conferir maior coerência à iconicidade quanto à abertura, pois nas laterais ainda há contato entre os articuladores. • Quanto aos termos, no IPA original, ao lado do termo “tap” (“batidinha”, “vibrante simples”) há o termo “flap”. Preservamos o termo “plosivo”, que é substituído em português por oclusivo, porque também as nasais são oclusivas (na boca, embora o ar fique livre em sua passagem para as fossas nasais).

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Aula 03: Os Fonemas do Português e Suas Realizações

Tópico 01: Ainda entre fones e fonemas

e Suas Realizações Tópico 01: Ainda entre fones e fonemas Fonte 5 Wir bezeichnen die Sprechaktlautleh

Fonte 5

Wir bezeichnen die Sprechaktlautlehre mit dem Namen Phonetik, die Sprachgebildelautlehre mit dem Namen Phonologie. (Trubetzkoy, 1939, p. 7)

Designamos o estudo dos sons no ato de fala como fonética, o estudo dos sons na estrutura da língua como fonologia.

Николай Сергеевич Трубецкой Nikolai Sergeievich Trubetzkoy (Moscou, 1890 – Viena, 1938)

Você pode ver mais em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nikolai_Trubetzkoy

Até a aula passada, do conjunto de todos os sons, tomamos para estudo exclusivamente os sons da fala, isto é, os que podem ser produzidos por um aparelho fonador, reconhecidos pela audição humana e utilizados em discurso (“paroles”). Das abordagens possíveis, preferimos a articulatória. Sinais desse ponto de vista são a escolha de termos como “oclusivo”, baseado na oclusão que ocorre no aparelho fonador, “vozeado”, quer dizer, com vibração das cordas vocais.

Nosso intuito nesta aula é, depois de deixar mais firmes seus conhecimentos sobre a transição entre o aspecto fonético e o aspecto fonêmico dos meios de expressão, discutir o sistema fonológico do português. É que falta ainda fortalecer seu conhecimento de fonética, de classificação de sons, da transcrição e leitura do Alfabeto Fonético Internacional. E aproveitamos para compreender melhor a correspondências entre o que é fonético, da pronúncia, com fones, sons da fala, e o que é fonêmico, do sistema.

Esta aula é mais teórica que as anteriores e que as próximas. Mas não pode ser só de tentativa de compreensão de afirmações nossas, deve ser bem acolhida para seu raciocínio, tem que fundamentar- se também no que você vai observar em tarefas. Deve ser complementada pela leitura do texto recomendado, mas avaliaremos a partir dessa aula, não do texto.

Chat

O “chat”, sobre as convenções do Alfabeto Fonético Internacional, deve ser combinado entre grupos de alunos e o professor. Importam na discussão as dúvidas sobre as convenções na tabela do Alfabeto Fonético Internacional, a compreensão dos termos que estão lá, para fins práticos. Em uma direção, você deve ser capaz de, ouvindo um som, escolher um símbolo. Na outra direção, precisa ser capaz de, vendo um símbolo, pronunciar o som correspondente.

Note que este bate-papo não é obrigatório, não vale nota diretamente nem conta para as

presenças.

Sugerimos, entretanto, que você aproveite o ambiente para discutir com seus colegas e com o professor o que propusemos acima e, ainda, noções como “feixe de traços”, traço fonético.

Tenha em mão tabela do Alfabeto Internacional. Para usá-la bem, experimente dois procedimentos. Em um, você deve ser capaz de, ouvindo um som, escolher um símbolo. No outro, precisa ser capaz de, vendo um símbolo, pronunciar o som correspondente.

5 http://wwwapp.bmbwk.gv.at/kalender/0527/augen0527.html

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Fórum

Discuta com seus colegas as diferenças entre os fones, quer dizer, como se distinguem por traços os sons que percebemos quando atentamos para a pronúncia em frases. Observe principalmente conjuntos de sons que, embora sejam percebidos como diferentes, não servem para mudar os significados nas palavras ou nas frases, quando os permutamos.

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Aula 03: Os Fonemas do Português e Suas Realizações

Tópico 02: Grafando sons

Voltamos ao tema principal de nosso tópico, a transição entre fonética e fonêmica, propondo a você um exercício. A finalidade da tarefa é aumentar sua habilidade na percepção dos sons da fala e em sua transcrição, levando-o a comparar os aspetos fonéticos e fonêmicos da linguagem.

Ouça uma frase, dita num contexto em que três amigos estão famintos em uma praia, sem dinheiro suficiente para pagar almoço em restaurante ou barraca. (Para escutar acesse o ambiente SOLAR)

Numa audição normal, você, provavelmente, nem se daria conta de que aí há algo com características gramaticais, lexicais, fonológicas, porque a língua é antes de tudo instrumento para a vida. Pensaria apenas na sugestão alimentar. Num segundo momento, se lhe dizem “pense nesta frase”, poderia até anotar, sem perceber algo notável. Finalmente, se lhe pedem que atente para as características da pronúncia, talvez, conforme seu grau de “consciência lingüística”, perceberia que algo não corresponde à pronúncia, digamos, canônica (tem a ver com cânon).

Alguém treinado faria dessa massa fônica a seguinte transcrição:

faria dessa massa fônica a seguinte transcrição: Bom, estão aí as questões que vão guiá -lo

Bom, estão aí as questões que vão guiá-lo mais especificamente no exercício.

que vão guiá -lo mais especificamente no exercício. Exercitando 1 .Copie, melhor dizendo, desenhe, os

Exercitando

1.Copie, melhor dizendo, desenhe, os símbolos da transcrição, traçando-os com base em duas linhas, como nos cadernos de ortografia. Observe como os símbolos podem ter (1) corpo centra l apenas, contido entre as duas linhas; (2) também corpo superior, acima da linha I, (3) corpo central e inferior, abaixo da linha 2; (4) corpo superior começando acima da linha I, corpo central, corpo inferior, para baixo da linha II:

I, corpo central, co rpo inferior, para baixo da linha II: 2. Anote o que chama

2. Anote o que chama sua atenção na frase transcrita. Verifique que dúvidas tem quanto

a que sons correspondem a cada símbolo, onde um símbolo deve ser utilizado. Consulte

as tabelas do AFI e os textos disponíveis.

3. Observe, a representação fonêmica correspondente à transcrição fonética já vista.

Compare-as. Registre o que lhe parece notável ou estranho.

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4. Seu esforço neste exercício aj uda nos fóruns e atividades indiretamente, prepara você para

4. Seu esforço neste exercício ajuda nos fóruns e atividades indiretamente, prepara você para compreender melhor os próximos tópicos, será decisivo na avaliação presencial. Por isso, guarde tudo bem com você. Lembre: pode usar o fórum livre para comentários, dúvidas, colaboração com seus colegas.

Chamamos sua atenção para a necessidade de representar graficamente a pronúncia dos sons, quando, no trabalho de ocupados com atividades sobre a linguagem, é necessária esta escrita técnica.

Talvez você esteja entre as pessoas que, cada vez mais, procuram evitar “caprichar” no manuscrito. O problema já existia e deve ter-se intensificado com o domínio, para muitos completo, da escrita de teclado.

Se é comum a recusa ao aprendizado dos símbolos da escrita caligráfica, típicos da escrita à mão, imagine dizer a você que terá que traçar símbolos pormenorizadamente, de forma que não se confundam os símbolos do Alfabeto Fonético Internacional.

A finalidade deste exercício é aumentar sua habilidade na percepção dos sons da fala, na habilidade de traçar e “ler” esses símbolos em representações fonéticas.

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Aula 03: Os Fonemas do Português e Suas Realizações

Tópico 03: Vamos colher feixes?

Talvez a proposta desse tópico nem lhe tenha trazido idéias verdes, campestres, muito menos bucólicas (dicionário!). Estamos tão longe dos campos, no tempo, no espaço e no gosto! Depois, como colher feixes, se nossos antepassados enfeixavam o que já havia sido colhido?

Um feixe é feito de coisas amarradas juntas, como pequenos ramos com folhas ou talos de capim, de forma que, levando-se um dos componentes, vão todos.

O termo metafórico foi utilizado, entre outros, pelos funcionalistas do Círculo Lingüístico de Praga, para quem o fonema não se define bem nem por suas características psicológicas, nem por suas características físicas, mas por sua função, e funciona para distinguir significados na língua (Trubetzkoy, 1939; 41, apud Hyman, 1975: 67).

Quando você atribui certa característica a alguém de quem ouve dizer que é “pabo”, em representação fonêmica /’pabu/, no dialeto culto, pábulo, é porque seu cérebro interpretou traços, características de uma cadeia de fala.

traços, características de uma cadeia de fala. Assista a animação no ambiente SOLAR Sabe o que

Assista a animação no ambiente SOLAR

Sabe o que faz “pabo” diferente de “papo”?

Falante do português, você consegue ver distinção entre dois ruídos que podem ocorrer entre as vogais /a/ e /u/. Num deles /p/, as cordas vocais param um instante de vibrar; no outro, /b/, elas continuam vibrando, durante o fechamento e a explosão nos lábios. De resto, tanto em /p/, quanto em /b/, há fechamento completo que impede a passagem do ar, o ponto onde isso ocorre são os lábios, o véu palatino não permitem que o ar ressoe na cavidade nasal. Dizendo de outra maneira, /p/ e /b/ têm em comum os traços [Oclusivo], [Bilabial], [Oral], mas são diferentes no traço referente ao vozeamento: [Não-Vozeado] / [Vozeado]. Não há muita certeza quanto a como os falantes da língua sabem que as cadeias de fala se distinguem. Não se tem normalmente idéia clara de que uma imagem acústica é constituída de alguns segmentos. E, se temos consciência dos segmentos, é porque os vemos como feixes, sem visibilidade dos traços que os compõem.

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Língua Portuguesa: Fonologia Parada Obrigatória De fato, traços, essas menores entidades, fones, fonemas e

Parada Obrigatória

De fato, traços, essas menores entidades, fones, fonemas e arquifonemas (descubra o que é isso) são abstrações, conceitos estabelecidos pelos lingüistas, que os postularam na tentativa de decifrar esse mistério que é a linguagem verbal.

E não se insurja contra os estudiosos da linguagem por isso. No outro lado dessa

história, estão conceitos considerados “pré-teóricos”, como os de palavra: pessoas comuns falam dessas coisas e acham que sabem, mas quem tenta estudar isso criteriosamente não consegue explicar com clareza e facilidade.

E não fique triste. Nem os professores, o orientador, os construtores deste texto

compreendem, nem Saussure compreendia bem os fenômenos naturais correspondentes

ao que ensinamos. Não estivemos presentes na hora em que as línguas começaram a existir.

Nem o esperanto (http://pt.wikipedia.org/wiki/Esperanto#Hist.C3.B3ria), a língua internacional completamente planejada, explica isso, porque foi construída com as características naturais de línguas menos planejadas como o latim e o grego, o francês, o inglês, o alemão, o polonês.

Veja os traços da seqüência de segmentos /'pabu/. Note que, por serem, cada um dos segmentos, um feixe de traços, sua cognição os toma como unidade na maior parte do tempo, e você não tem consciência dos traços atados juntos. As abreviaturas à esquerda são para Modo de Articulação, Ponto ou zona de Articulação, cavidades de Ressonância e Vozeamento:

Articulação, cavidades de Ressonância e Vozeamento : Se você quer explicação sobre os termos Diferenças entre

Se você quer explicação sobre os termos

Diferenças entre esses termos e outros que você conhece devem-se a tentativa nossa de reduzir as incoerências nas descrições tradicionais, que repetem informações e obrigam à memorização, sem pensamento. Uma dessas incoerências vem do tratamento de consoantes e vogais com critérios diferentes e incomparados. Quanto ao modo de articulação, que é inerente ao ser “vogal”, as vogais se opõem às consoantes por serem articuladas de forma livre, sem impedimento que produza ruído. Quanto ao vozeamento, espera-se que as vogais (de vocale, de vox, voz) sejam vozeadas, embora com freqüência esse traço mude, não sendo distintivo, como na maior parte das consoantes, em português. Em muitos textos tradicionais e modernos, os termos usados para “não-vozeado” e “vozeado” são surdo e sonoro, mas tais termos podem não ser adequados, pois tudo que tem som é sonoro. Por exemplo, em dois sons não-vozeados fricativos pronunciados demoradamente, um pós-alveolar e outro labiodental, o primeiro tem mais sonoridade, chama mais a atenção: experimente pronunciar cuidadosamente “enxada” e “enfado”.

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Dois dos traços atribuídos às vogais, as posições da língua na boca, horizontalmente (anterior ou frontal, central, posterior) e verticalmente (alto / fechado, médio-fechado, médio-aberto, baixo ou aberto) correspondem, nas consoantes, ao ponto ou zona de articulação. Os outros dois traços têm a ver com a ressonância, ou seja, com as cavidades (faringe, fossas nasais, formas internas da boca, lábios).

A ressonância é comumente oral, pois já determinada pelas formas tomadas no espaço bucal em virtude

das posições da língua. Além disso, pode ter ressonância acrescida (a) nasal (Nasal, Não-Nasal), combinadas com a (b) labialidade (Arredondado, Não-Arredondado). Isto acontece porque os lábios, ao modificarem a forma da saída da cavidade bucal, acrescentam ou não espaço, que cria caixa de ressonância.

A palavra pabo, acima, nos faz pensar em “pata”, “bata”, “tapa”, “taba”, “Fado”, “pato”.

Também em inglês, a oposição simbolizável por /p/ e /b/ existe. Entretanto, em português é importante na

distinção o traço de vozeamento (nas outras coisas, nos outros traços /p/ e /b/ são iguais), em inglês é importante a aspiração. Daí o repetido exemplo do brasileiro que, ouvindo “Go to the gate B

(pronunciado [geit pij], foi para o portão P forte na explosão bilabial.

que seria pronunciado [p h ij], ou seja com um sopro mais

Há falantes do inglês que distinguem os fonemas e em “mat”, 'esteira', e “met”, passado de 'encontrar', respectivamente, por pronunciarem a vogal da primeira palavra de forma tensa, mas, a da

segunda, de forma lassa, relaxada. Línguas cariris distinguiam séries de vogais orais simples, nasalizadas e faringalizadas, línguas semitas como o hebraico, o árabe e o aramaico usam a faringalização para distinguir os ambientes “enfáticos” (o aumento relativo da parte posterior da boca em comunicação com laringe produz certo efeito de ressonância, uma consoante articulada assim influencia o timbre da vogal).

A maior parte dos traços é comum a muitas línguas, mas elas os enfeixam de forma diferente.

a muitas línguas , mas elas os enfeixam de forma diferente. A língua é vista como

A língua é vista como sistema com subsistemas, um dos quais é o fonológico. E em cada

sistema (isto é, língua, idioma

os sons de “pata”, “bata”, “tapa”, “taba”, “Fado”, “pato”, nota que a oposição entre [p] e [b] é funcional, tem utilidade, e que a um dos fonemas é correlacionado com o outro. Se não fosse assim, teríamos licença

para, em uma mesma palavra, realizar /b/ ora com vozeamento, ora sem.

ou dialeto) há uma fonologia específica desse sistema. Se você compara

Da mesma forma, em italiano:

desse sistema. Se você compara Da mesma forma, em italiano: as frases significariam respectivamente 'Esta noite

as frases significariam respectivamente 'Esta noite te vemos' e 'Esta noite nos vemos'. Em português, entretanto, em 'Bom, nós te vemos lá' será compreendido quer pronunciemos [ti], quer [tši]. Os sons são semelhantes nas expressões dos falantes das duas línguas, mas cada sistema se organiza diferentemente:

ser um som alveolar ou dental simples ou africado, começando com oclusivo e sendo liberado como fricativo, acontece nas duas línguas. Em português, entretanto, é apenas fenômeno fonético, sem destinguir significados. Empregamos acima o símbolo [š], para o som correspondente a “chá”, e que surge também depois de “t”, em “tipo”. Veja a que corresponde na tabela do AFI.

Classicamente, falantes de espanhol não distinguem dois timbres, “ó”, médio-aberto, e “ô”, médio-fechado, mas os falantes de português, sim. Falantes do japonês não distinguem [r] de [l], no sistema, embora os dois sons existam em sua fala. Para o português, a existência ou a possibilidade de virem a existir com significados diferentes os pares mínimos cujas formas ortográficas são “avó” e “avô”, “lodo” (com “o” fechado) e “lodo” (com “o” aberto) são provas de serem esses sons pertencentes a dois fonemas diferentes em nosso sistema. Mas [tš] antes de [i] no Ceará, ou depois de [i] em falares da Bahia,

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por exemplo, em “muito” e “Eita!” [ejtša:] são alofones de um mesmo fonema, coisa de fonética, não de fonêmica.

um mesmo fonema, coisa de fonética , não de fonêmica . Referências SILVA, Thaïs Cristófaro. Fonética

Referências

SILVA, Thaïs Cristófaro. Fonética e fonologia do português. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2001. TRUBETZKOY, Nikolaus S. Grundzüge der Phonologie. [Princípios da fonologia] 7. ed., Göttingen (Alemanha): Vandenhoeck & Ruprecht, 1989 [1. ed: 1939].

No blogue abaixo há vínculos interessantes para a fonologia:

http://inter-lingua-gem.blogspot.com.

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Aula 04: Fonemas, sons e letras

Tópico 01: Relações entre as unidades dos meios de expressão da fala e da escrita.

Esta aula trata de algo essencial a um profissional de linguagem, um graduado em Letras:

distinguir claramente os aspectos fonético, fonêmico e gráfico da língua, conhecendo como se relacionam. É uma aula de tópicos curtos, mas que necessidade de tempo seu para o desenvolvimento do que está proposto, inclusive no fórum e no portfólio. Você pode contar com os textos do nosso material de apoio e com a consulta intensa ao professor.

Ouça a música cantada nos anos de 1960 pelo então imaturo Chico Buarque. Compare-a, se quiser, com a mesma canção na voz (esta, madura) de Nara Leão, no mesmo vídeo. Você pode pegar cópia com seu tutor ou entrar em:

http://www.youtube.com/watch?v=5fAxE9ZN8hs

ou entrar em: http://www.youtube.com/w atch?v=5fAxE9ZN8hs Fórum Nos trechos de A Banda, observe que os símb olos

Fórum

Nos trechos de A Banda, observe que os símbolos da representação ortográfica, os da transcrição fonética e os da representação fonêmica, comparando-os atentamente e anotando o que você vai pensando. Discuta com seus colegas no fórum, contando com as indicações do professor, sobre os fatores de variação dos sons na produção das frases em discursos (quer dizer, quando o conhecimento da língua arquivado em sua memória é atualizado, por exemplo, ao cantar uma canção ou conversar, em frases).

Trecho

da língua arquivado em sua memória é atualizado, por exemplo, ao cantar uma canção ou conversar,
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Língua Portuguesa: Fonologia Atividade de Portfólio Fundamente-se nas redações manuscritas com falhas ortográficas

Atividade de Portfólio

Fundamente-se nas redações manuscritas com falhas ortográficas coletadas por você para relatar em 25 a 35 linhas o que você nota nas relações entre os fonemas (na língua portuguesa falada) e os grafemas (na língua portuguesa escrita).

Em seu texto, você pode abordar, além do material básico de trabalho que são as falhas em redações, questões que foram observadas, por exemplo, na representação fonêmica e na letra ortografada dos trechos de A banda, de Chico Buarque, nos textos das aulas e em outros que você encontrar, inclusive na Internet.

Não se esqueça de que o trabalho é de sua autoria, é trabalho de estudante, com direito a dúvidas.

autoria, é trabalho de estudante, com direito a dúvidas. Multimídia Algumas sugestões para completar sua

Multimídia

Algumas sugestões para completar sua formação nessa área:

Examine novas gramáticas, das que são normalmente indicadas para as escolas ou estão nas livrarias, na parte de ensino médio. Anote o que encontrar. Veja mais sobre as dificuldades da língua, assistindo a vídeo com o professor Cláudio Moreno. Pegue cópia ou entre em:

http://www.youtube.com/watch?v=4Ppus1hfmoY

"Sobre o novo acordo ortográfico, veja os vínculos (links”!) abaixo.

Acordo ortográfico de 1990:

www.priberam.pt/docs/AcOrtog90.pdf

Para ter idéia geral dos acordos entre Brasil e Portugal:

http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=acordo

Texto simples da Sapo:

http://orto.no.sapo.pt/c00.htm

Sítio brasileiro onde muitos tentam tirar dúvidas:

http://www.sualingua.com.br ".

Referênciastentam tirar dúvidas: http://www.sualingua.com.br ". Citamos no tópico as gramáticas: BECHARA, Evanildo.

Citamos no tópico as gramáticas:

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 37. ed., revista e ampliada. Rio de Janeiro:

Lucerna, 1999. (1a. edição: 1961)

BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. Para o Ensino Médio e cursos preparatórios. 37. ed., revista e ampliada. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.

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CIPRO NETO, PASQUALE, INFANTE, Ulysses. Gramática da língua portuguesa. São Paulo: Scipione,

1998.

CUNHA, Celso e CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. Todas as gramáticas de Celso Cunha, em qualquer edição, interessam. Só não as recomendamos para a área de fonologia.

NAVARRO, Tomás. Estudios de fonología española. New York: [Sem informação de editora, v. Rocha Lima, acima, p. 10], 1946.

PASSOS, José Alexandre. Diccionário grammatical portuguez. Rio de Janeiro: Antonio Gonçalves Guimarães, 1865. (p. 107)

ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática normativa da língua portuguesa. 29. ed. Rio de Janeiro:

José Olympio, 1972, 1988.

Recomendamos:

CAMARA JR., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua Portuguesa. Petrópolis, RJ: Vozes,

1970.

CAMARA JR., Joaquim Mattoso. Para o estudo da fonêmica portuguesa. Rio de Janeiro:

Simões, 1953.

Outras gramáticas, principalmente as que estão em uso nas escolas ou à venda nas livrarias e distribuidoras, dependendo de seu exame.

O blogue abaixo, no qual quase não há textos, mas têm vínculos interessantes para fonologia,

inclusive para a comparação entre o português e o inglês.

http://inter-lingua-gem.blogspot.com

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Aula 04: Fonemas, sons e letras

Tópico 02: Bem dentro do sistema

Seu trabalho neste tópico é pensar, olhando três tabelas.

Primeiro, reveja o AFI adaptado por nós, tentando compreender o que temos dito sobre traços fonéticos conforme os parâmetros Modo e Ponto de Articulação, Ressonância e Vozeamento.

SONS MAIS HABITUALMENTE NOTADOS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

SONS MAIS HABITUALMENTE NOT ADOS NO PORTUGUÊS BRASILEIRO Compare os símbolos dessa com os da próxima

Compare os símbolos dessa com os da próxima tabela.

Compare os símbolos dessa com os da próxima tabela. Dica Nela, ficaram em uma só célula

Dica

Nela, ficaram em uma só célula os fones que se agrupam e são sentidos como um só fonema. Cada fonema deve ser representado por um símbolo, mas a escolha é de ordem prática: prefere-se tomar o mais comum ou mais fácil de traçar, digitar.

tomar o mais comu m ou mais fácil de traçar, digitar. Observação Observe que não há

Observação

Observe que não há uma ligação obrigatória entre a realidade fonética e a percepção dos fonemas pelo falante-ouvinte, que é programado para perceber os traços relevantes em sua língua. O fato de a aspiração de sons oclusivos ou o alongamento de vogais não serem percebidos por um brasileiro para distinguir significados não significa que os dois fenômenos não aconteçam em português, que sejam difíceis de produzir. Podem existir, e serem completamente irrelevantes, ou terem outras funções que não a fonêmica, para mostrar atitudes e sentimentos, por exemplo. Você pode ver mais sobre isto no texto distribuído.

Língua Portuguesa: Fonologia
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FONEMAS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO ENQUANTO GRUPOS DE SONS

FONEMAS DO PORTUGUÊS BRASILEI RO ENQUANTO GRUPOS DE SONS Dois exemplos, para você conferir na tabela

Dois exemplos, para você conferir na tabela são os fonemas /a/ e /r/

PORTUGUÊS BRASILEI RO ENQUANTO GRUPOS DE SONS Dois exemplos, para você conferir na tabela são os
Língua Portuguesa: Fonologia
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Língua Portuguesa: Fonologia Exercitando Transcreva as duas frases, lo calizando os símbolos do AFI, lembrando que
Língua Portuguesa: Fonologia Exercitando Transcreva as duas frases, lo calizando os símbolos do AFI, lembrando que

Exercitando

Transcreva as duas frases, localizando os símbolos do AFI, lembrando que /r/ passa por forte assimilação: pode ser tepe (vibrante simples) ou retroflexo, ou fricativo. Se for fricativo, tem forma vozeada antes de segmentos vozeados, não-vozeada antes de som produzido sem vibração das cordas vocais. Talvez precise ler o texto.

Com base na tabela acima, perguntamos algumas coisas, para motivar seu raciocínio. Se não conseguir responde-as apenas olhando a tabela, consulte o texto anexo distribuído, outros textos, colegas, seu professor.

Finalmente, oferecemos, abaixo, diagrama com símbolos para os fonemas. Uma representação fonêmica do português brasileiro não poderia deixar de exibir menos que essas unidades. Por outro lado, uma transcrição fonética muito ampla, dizendo de forma mais clara, vaga, sem pormenores, teria que informar pelo menos essas mesmas unidades.

Você, sozinho, poderia chegar a esse inventário, usando a técnica de pares mínimos. Egípcios, semitas,

hindus não tinham curso de Letras a distância e inventaram muito do que usamos hoje

par mínimo é uma técnica para verificar se em uma língua dois sons, fones, pertencem a um mesmo fonema ou se sua diferença é distintiva, se estão em oposição, por servirem para distinguir significados. É

mais ou menos assim:

Repetimos, um

Descubra a fonologia em você

Experimente tomar a palavra “mana” e substituir o segundo [n] por [ñ], o som correspondente ao dígrafo “nh”. Você obtém a palavra que se escreve “manha” e descobre que o novo segmento, sozinho, (permanecendo “ma _ a”) é responsável por um novo sentido. Tente com “manha” e “mama”. De novo há distinção. E com “mama” e “mapa” (estamos simplificando, usando a escrita, mas estamos prestando atenção aos sons, não às letras!)? E entre “mapa” e “maba”? Você não conhece nada que se diga “maba”, mas se ouvisse algo assim acharia que não é o mesmo que “mama”, nem “mapa”, certo? Ou seja, intuitivamente você sabe que:

29

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

a. A nova palavra poderia existir e ser sentida como da língua portuguesa.

b. Essa nova palavra teria novo sentido, dificilmente seria o mesmo que “mapa” ou “mama”.

c. Isto aconteceria apesar de, entre [p] e [b] haver um único traço diferente, a vibração das cordas vocais; entre [b] e [m] também haver um único traço diferente, a abertura do véu palatino que permite a

nasalidade.

Neste momento, concluímos que o português possui pelo menos os fonemas que podemos simbolizar com /n/, /ñ/, /p/, /b/. Vamos pensar nas vogais. Já deve ter notado que em “ele” (pronome) e “ele”, nome da letra, há mudança na pronúncia que corresponde a mudança no significado. Então, estão aí mais dois fonemas, que vamos

simbolizar com /e/ e /ε/. Continuando, concluirá o inventário dos fonemas de sua língua. E seu trabalho pode estar bem melhor que o exposto em muitas gramáticas.

Neste quadro, atendemos a critérios como ser um conhecimento de uso mais geral (os manuais tradicionais, em geral, optam pela existência de 7 vogais orais e 5 nasais), falta de coerência nos argumentos das obras mais reconhecidas pelos lingüistas (não consideramos ser /i/ um fonema em oposição a /y/, ser /u/ oposto a /w/).

mais reconhecidas pelos lingüi stas (não consideramos ser /i/ um fonema em oposição a /y/, ser
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Aula 04: Fonemas, sons e letras

Tópico 03: Símbolos alternativos para fonemas

Para ver informação importante sobre símbolos alternativos

Símbolos alternativos para fonemas Vem-se procurando utilizar em transcrições fonéticas exclusivamente os símbolos da versão mais recente do AFI, mas em certas obras e em certos países faz-se muito uso de símbolos alternativos. Quando se trata de representação fonêmica, o uso de símbolos de fontes comuns, principalmente no ensino em cursos que não são de Lingüística, pode ser recomendável.

Podem ser usados, em vez de seis símbolos difíceis do AFI, os que sugerimos nessas palavras:

difíceis do AFI, os que sugerimos nessas palavras: Não é fácil encontrar símbolos para o “o

Não é fácil encontrar símbolos para o “o aberto”: aqui, tomamos um do cirílico, encontradiço nos computadores, que parece com o do AFI, mas nas línguas eslavas indica “e”. Compare-os cuidadosamente com os da tabela acima.

Aqui, deu-se preferência a fonte Arial, para destacar da Times New Roman, e foi o usado o

Símbolo. Tomaram-se, então, um letra espanhola (ñ, basta digitar “til”, “n”), letras

recurso Inserir

gregas

digitar “til”, “n”), letras recurso Inserir gregas . e eslavas Temos tentado até aqui, como é
.
.

e eslavas

Temos tentado até aqui, como é costume em cursos de lingüítica, utilizar o Alfabeto Fonético Internacional. É possível aquirir fontes para esses símbolos e inseri-los em meio aos das fontes mais comuns, por exemplo, preferência Arial e Times New Roman.

Observe, na tabela que pusemos a sua disposição, que é possível reduzir-se a quantidade de símbolos em uso pondo nas transcrições sinais diacríticos. Tais sinais são úteis para mostrar, por exemplo, que, em português brasileiros, sons como [t], [d] e [n] ora são realizados pelo contato da língua com os dentes, ora esse contato acontece nos alvéolos, podem ainda ser palatalizados. Além disso, sons como [t] e [d] podem ser palatalizados (compreenda bem, depois de consulta ou pesquisa, o que significam esses termos). Esses sinais são bons também para indicar nasalização, duração maior ou menor, falta de realização da liberação do ar.

Quando isso não é prático ou possível, podem-se tomar sistemas mais fáceis. Uma possibilidade é tomar outros símbolos previstos comumente, como uma letra espanhola (para ‘ñ’, basta digitar ‘til’, ‘n’), letras gregas (‘ε’, épsilon, para 'é aberto'; ‘λ’, lambda, para o som de ‘lh’) e eslavas (‘š’ para ao o som inicial em 'chá', ‘ž’ para o som inicial em ‘jogo’). Camara Jr. empregou para os sinais acima ‘l,’, ‘n,’, ‘s’ e ‘z’.

Quanto à nasalização, é possível em vez de 12, considerar-se símbolos para apenas 7 vogais (orais), com um traço suprassegmental também fonêmico acrescentado a cinco (correspondentes a [a], [ê], [i], [ô], [u]). Esse traço pode ser grafado [~] ou [N]. `Para:

“São sons também”

ficaria:

['sa~u~ 'so~s ta~'be~i~]

['saNuN 'soNs taN'beNiN]

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Um sistema chamado SAMPA usa exclusivamente símbolos do teclado, inclusive algarismos e letras maiúsculas, facilitando também o uso dos símbolos fonéticos na computação. Alguns símbolos ficam parecidos com os do IPA: o som "reduzido", médio, xuá fica sendo "[6]" (parecido com o do IPA, que parece letra "e" invertida); vogais abertas: [E] e [O]; fricativas pós-alveolares: [S] e [Z]. A frase:

'Ele quer que Pelé finja que gosta que de você'

ficaria:

['eli kEX ki pE'lE 'fi~Za ki 'gOSt6 dZi vo'se]

Quando você estiver ensinando ou exercendo outra atividade associável à formação em Letras, é importante compreender que suas decisões ao valer-se de mais ou menos símbolos, mais ou menos complexos, dependem das características, interesses e aptidões das pessoas a quem se destina a atividade.

SAMPA é o SAM Phonetic Alphabet, do projecto SAM (Speech Assessment Methods). É comum chamar-se

SAMPA é o SAM Phonetic Alphabet, do projecto SAM (Speech Assessment Methods). É comum chamar-se o Alfabeto Fonético Internacional de IPA, mesma sigla da International Phonetic Association.

de IPA, mesma sigla da International Phonetic Association. Referência GLEASON JR, H.A. An Introduction to descriptive

Referência

GLEASON JR, H.A. An Introduction to descriptive linguistics. Revised edition. New York: Holt, Rinehart and Winston, Inc., 1955, 1961. Em português: Introdução à lingüística descritiva. 2. ed. Lisboa:

Fund. Calouste Gulbenkian, 1985. Vem saindo por outra editora. Pronuncie, em português brasileiro, “glíssan”.

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Aula 05: Aplicações do conhecimento de fonologia

Tópico 01: Variação, erro e preconceito

Nesta aula vemos aplicações do conhecimento de fonologia do português, ampliando e revisando conceitos já abordados. Trata-se neste primeiro tópico, do erro e do preconceito lingüístico. No segundo tópico, discutimos a variação em fonética e na fonologia do português, e aludimos a falhas gráficas que podem ser motivadas pela variação fonológica. No tópico 3, unindo fonética, fonologia e grafia, temos pequena idéia do que se chama por vezes fonoestilística.

pequena idéia do que se chama por vezes fonoestilística. Fórum Aproveite este fórum para esclarecer dúvidas

Fórum

Aproveite este fórum para esclarecer dúvidas suas e ajudar a esclarecer dúvidas de seus colegas, revisando de forma útil matéria das aulas 1 a 5. O realismo e a autenticidade de suas participações, necessários para que o professor aceite como válida sua entrada no ambiente e conte presenças, também garantirá a você o sucesso no conhecimento e na avaliação presencial da disciplina.

Uma das coisas mais perturbadoras para os formados em letras é o que os leigos e os profissionais de Letras com formação deficiente chamam genericamente “erro”. Mostramos alguns fenômenos a você, mais perguntando que afirmando.

Considere dois fatos, trazidos aqui sem prova.

(1) Conforme uma velha falácia sobre o a pronúncia nordestina, nós nasalizamos mais que os falantes de outras regiões, e é erro a nasalização das vogais antes de consoantes nasal, como em sena, rama, clone.

• (2) Há quem acredite, também, que a pronúncia boa para Roraima, faina, Jaime é a que nasaliza a vogal, [Rorãima], por exemplo.

Você pode se perguntar mais. Por que a nasalização em (1) é “erro”, que critério deve ser usado para o julgamento? Por que a nasalização em (2) é “boa”? Se é mau nasalizar uma vogal que vem imediatamente antes de uma consoante nasal, porque é bom nasalizar a vogal que vem duas casas antes da consoante nasal, separadas a vogal e a consoante por uma semivogal? Por que não é o contrário, a pronúncia (1) do Nordeste “boa”, a pronúncia (2) de parte do Sudeste “errada”?

a pronúnc ia (2) de parte do Sudeste “errada”? Exercitando! Interaja com seus coletas no fórum

Exercitando!

Interaja com seus coletas no fórum livre, no chat, ao telefone, em encontros reais.

Se, depois de tentar resolver o que propomos abaixo e interagir, for' necessário, esclareça-se com seu professor, ou discuta com ele no último encontro presencial.

Dissemos acima que, em português, distinguem-se os fonemas /ε/ e /e/, /r/ e /R/, /š/ e /ž/, /s/ e /z/, /f/ e /v/. /v/ e /b/. Em algumas dessas oposições, temos fonologia mais rica que o espanhol, o italiano, o francês, o alemão e o inglês, o que explica as dificuldades que

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eles sentem, tratadas acima. Pense, anote, discuta o seguinte.

Essas oposições podem ser demonstradas com pares mínimos.

Nesses pares mínimos, o que distingue dois “feixes” (porque se chama assim?), dois sons, pode ser um único traço.

Apresente a transcrição fonética e a representação fonêmica das palavras que você sugere para formar os pares mínimos.

Com relação à nasalidade, também se pode falar de pares mínimos? Em que circunstâncias a nasalidade das vogais e ditongos é fonêmica, distintiva, funcional, necessária? Quando é meramente fonética?

Há no mercado gramáticas, manuais de redação, apostilas de cursinhos, revistas dedicadas à linguagem, “plantões gramaticais” que atendem por telefone e, na Internet, páginas que cuidam também de dúvidas de linguagem.

Vejamos inicialmente um trecho de um livro muitas vezes modificado (citamos a 28ª edição).

Leia abaixo

banana

Não é obrigatório, mas a melhor pronúncia desta palavra é bãnâna, e não “bánâna”. Sempre que houver uma consoante nasal após uma vogal, esta é fechada. Note que estamos falando em preferência de pronúncia, e não em erro. Fazemos questão de fazer a ressalva, porque sempre há uns e outros que, ansiosos pela crítica, desejosos do nosso sangue, querem logo ir à veia, à jugular. Recentemente, uma mulher foi a um programa de televisão de entrevistas e cantou uma música da bossa nova, em cuja letra aparece várias vezes a palavra banana. Foi “bánâna” para cá, “bánâna” para lá, para dar e vender. Afeou a música. Não erre mais (Sacconi, 2005: 107)

Saiamos um pouco de fonologia, entremos em semântica, pragmática, análise do discurso. Veja uma lista das palavras de julgamento e atitude. Umas são de ressalva, abrandamento, outras de imposição disfarçada: “não é obrigatório”, “mas é melhor”; está falando de “preferência”, não de “erro”. Quando alguém pronunciou da maneira criticada, “afeou a música”.

Para o autor, “sempre que houver uma consoante nasal, esta [a vogal antecedente] é fechada”, ou seja, não pode acontecer a variação que é apenas fonética, não prejudica a língua. Não há, nesta

posição, no Brasil, oposição, mudança de sentido, se alguém pronuncia

.
.

Com certeza, estamos entrando para o rol dos “uns e outros” que estão “ansiosos pela crítica”. Talvez, em nova edição, Sacconi pelo menos explique por que, havendo duas vezes “an”, na palavra, na primeira sílaba deve haver nasalização, mas, na segunda, apenas fechamento.

Bom, se você está curioso por essas questões, divirta-se procurando, principalmente nos livros que corrigem a expressão das pessoas comuns em situações comuns, negando-se a admitir formas de dizer diferentes em situações e pessoas diferentes, e em fartos exemplos da Internet, inclusive em comunidades do Orkut, “errando” e corrigindo.

Nossa opinião sobre o erro não é muito diferente da dos lingüistas, bem vista por John Lyons (1987). Façamos uma brincadeira, aliás, repetida por aí.

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Leia o que se segue, descontraidamente (foram retirados os acentos gráficos):

Vjea que mtouis dos nssoos aolnus qsuae cmoem os lorvis egodixis plea eclosa, mas nao tem pezarr na luierta. Itso rudez a cecadidapae de ednteer as cisaos.

Não sabemos se foi fácil, mas acreditamos que tenha sido possível. Depois você, se ainda não conhecia o jogo, descobre o que é mantido nas palavras, como se pode aumentar ou diminuir a dificuldade da decodificação. O que queremos é perguntar se ocorre erro na grafia das palavras, no jogo acima. Sim ou não?

erro na grafia das palavras, no jogo acima. Sim ou não? Se você quer um emprego
erro na grafia das palavras, no jogo acima. Sim ou não? Se você quer um emprego
erro na grafia das palavras, no jogo acima. Sim ou não? Se você quer um emprego
erro na grafia das palavras, no jogo acima. Sim ou não? Se você quer um emprego

Se você quer um emprego em empresa cujo chefe detesta linguagem formal e o perde por sofisticação, errou. Se fala conforme o registro mais popular possível ao pedir emprego a quem exige correção beirando o esnobismo, também erra. Se você diz tudo que é estigmatizado por aí para alguém que exige correção exatamente porque queria chocar, fazer que alguém se afaste, também está certo.

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Língua Portuguesa: Fonologia Parada Obrigatória Atenção, não estamos endossando (nem adoça ndo!) a afirmação de

Parada Obrigatória

Atenção, não estamos endossando (nem adoçando!) a afirmação de que “o que importa é comunicar”. Não é preciso apenas “passar a mensagem”. O aluno comum precisa esmerar-se no uso da língua, conhecendo-a e ao seu uso sempre mais. O profissional de Letras precisa saber mais que de linguagem.

Quando você disser ou escrever algo considerado por alguém “erro”, deve saber que está usando algo contra o qual há restrições por parte de algum grupo, estar consciente dos riscos e da adequação à finalidade de seu enunciado.

Sugestões para seus escritos

grupo, estar consciente dos riscos e da adequação à finalidade de seu enunciado. Sugestões para seus
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Aula 05: Aplicações do conhecimento de fonologia

Tópico 02: NON VITAE SED SCHOLAE DISCIMUS

A fonologia e a gramática devem ser reformuladas cientificamente para evitar-se o constrangimento do professor na sala de aula, perante os alunos que, pelo menos inicialmente, esperam aprender a nossa língua e confiam piamente nas suas palavras.

(José Rebouças Macambira)

O professor José Rebouças MACAMBIRA, nascido em Palmácia, introduziu a lingüística no

Ceará e na UFC. Autodidata, estudou muitas línguas, encerrou sua carreira ensinando Sânscrito. Do que dizia na sala de aula e era anotado pelos alunos, veio a fazer diversos livros sobre a língua portuguesa.

A afirmação do professor está no Fonologia do Português, na página 7 da segunda edição, de

1987. A frase de Sêneca, o Jovem, que serve de título a este tópico e significa Não é para a vida, mas para a escola, que aprendemos está nas Epistulae Morales (106, 12). A reformulação pedida pelo mestre ainda não foi atendida. A constatação do filósofo romano continua valendo. É maior a preocupação com

as avaliações e seus resultados, inclusive com os títulos, que com os conhecimentos e sua aplicação na sociedade.

Uma das manifestações desse comportamento em fonologia, bem enquadrado na “ficcão da homogeneidade” (Lyons, 1987: 35), é o tratamento dispensado preconceituosamente aos “dialetos”, ao “regionalismo”. Em Colônia, Köln, na Alemanha, viam-se no carnaval, nas festas escolares e em colunas do principal jornal da cidade escrito em alemão padrão, o Hochdeutsch, colunas em kölsh, que como outros chamados dialetos é uma língua. É como escrever-se entre nós, às vezes, no dialeto dos convites de quadrilha de São João.

Comumente, criam-se conflitos, porque é difícil separar o que é “extralingüístico” do que é lingüístico, já que os fatos lingüísticos desempenham funções na vida normal. Já falamos disso: há variações espaciais (geográficas), de grupos (sociais), de registro (formal vs. informal, culto, padrão, familiar, chulo), históricas.

Vemos abaixo um pouco de variação, um pouco do que raramente se estuda, porque nem sempre vemos as coisas que são.

Nasalidade, última vez

O que vimos na Aula 4, em crítica a uma pronúncia de “banana”, foi bem exemplo das mistura de

julgamentos. Antes de consoantes nasais, a mudança de timbre não distingue significado no dialeto do Sudeste. Disseram a você que nós falamos nasalizando? Lembra-se da questão da pronúncia nasalizada em andaime em certos lugares do Brasil? Pois saiba que, misteriosamente, ao contrário do que dizem as gramáticas, evitamos a nasalidade quando a consoante nasal vem, depois da vogal, em outra palavra lexical ou morfema, como em calmamente, e distinguimos expressões pela falta de nasalização. Note os dois verbos:

Se você me

/masse

Não

/a/masse

meu caderno.

Em todos os tempos (verbais), inclusive no infinitivo, nasalizamos o verbo amar, mas não o verbo amassar, distinguindo-os.

Língua Portuguesa: Fonologia
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Variação, deficiência de leitura e hipercorreção

Queremos concluir este tópico tratando de mais conseqüências práticas, inclusive para o ensino, dos fenômenos classificados como “variação”.

ensino, dos fenômenos classifi cados como “variação”. Parada Obrigatória Professor de língua que não sabe

Parada Obrigatória

Professor de língua que não sabe fonologia, lingüística, é como médico que achou desnecessário aprender anatomia (se deixassem estudantes de Medicina escapar sem ler, sem estudar ciências). Não se invente desculpas como “só gost’ literatura” ou “meu negóc’ é inglês”, pois professores de inglês ignorantes são maus profissionais também ensinando a língua estrangeira. Até por que, para lutarmos para termos melhores salários, nós, profissionais do ensino e de linguagem, vamos ter que ser bem formados.

Não se espera, no dialeto padrão, que os fenômenos de neutralização e harmonização vocálica aconteçam nas palavras grafadas com “i”, “ei”, “ou”. Em palavras como história não “deveria” haver a pronúncia média, apenas a fechada, mas como quem lê pouco vai adivinhar (com dois is), se só pode se guiar pela linguagem falada? Ouve-se “Int[ε]ra a minha passagem” (de inteirar), “Não vai est[ó]rar a bola” (estourar), “Man[ε]re com as críticas” (de maneiro, maneirar).

Curiosamente, acontecem as hipercorreções gráficas. Pessoas conscientizadas de que pronunciam “ei” ou “ou” como “é” e “ó”, tentam acertar escrevendo /e/, médio-alto, sistematicamente com “ei” (*seija). É fenômeno semelhante ao de “você estar bem”, produzido por quem sabe que erra em “não pude está em casa”. Para ajudar a essas pessoas, pode-se:

Conseguir que leiam sobre assuntos de seu interesse (no singular e no plural, na norma-padrão, /e/, não /ε/) e comentem por escrito, pois o problema vem de quererem aprender a escrever sem verem textos escritos.

Criar dicas de emergência: “Quando você puder substituir por “permanecer”, que tem “r”, ponha “r”; quando termina como em “permanece”, deixe “está”.

quando termina como em “permanece”, deixe “está”. Olhado de perto Há pessoas e lugares no Ceará

Olhado de perto

Há pessoas e lugares no Ceará que dizem “a[i]s coisa[i]s bonita[i]s”. Ditongam vogais átonas finais precedidas de “s”.

É hábito articulatório perfeitamente explicável. No lento caminho do modo em que há articulação livre [a], passa-se pela área das aproximantes [j], antes de chegar à área forçante, fricativa, de [s]. Deve ser o mesmo que aconteceu em posição tônica final com inglês, mês, arroz, e que pode ter começado com palavras em fim de frase, cuja vogal se alonga e fica predisposta ao deslocamento durante a pronúncia. O fenômeno leva cariocas e gaúchos a dizer 'Seria ela?', [ε:]la > [eε]la ou [Iε]la. É o mesmo alongamento que levou franceses, italianos e espanhóis a ditongar: voile; fierro, vuelo; fuoco, correspondem ao português véu, ferro, vôo, fogo (perdemos consoantes, mantivemos vogais do romance).

Surpreendemos essa pronúncia, em pessoa vinda de perto de Aracati, talvez de Fortim. Você está convidado a investigar, anotar lugares e pessoas, informando (de forma reservada) se possível todos ou parte desses dados: nome, data e local de nascimento, onde morou nos últimos cinco anos, se passou mais tempo em outro lugar, grau de escolaridade, profissão e nível sócio-econômico aparente.

Língua Portuguesa: Fonologia
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Antes de ir para o próximo tópico, se você tem tempo, sugiro que se divirta um pouco com o que sugerimos a seguir.

que se divirta um pouco com o que sugerimos a seguir. Desafio A Rede é um

Desafio

A Rede é um instrumento, apenas, o mais útil que temos hoje. Nem boa, nem má. Nela há muitos lugares onde se escreve sem atenção para a grafia padrão, e, no extremo oposto, muitos lugares onde se exerce até o preconceito contra o “erro”. Você sabia que há, no Orkut, comunidades onde se execram as liberdades gráficas?

Se quiser se divertir com as exibições de ignorância da grafia com e as hipóteses construídas pelas pessoas de são de outras áreas, não cursaram Letras ou não têm o hábito da ler, veja a discussão no abaixo. Pode procurar outros tópicos, inclusive na mesma pagina. Ou olhar os outros dois endereços informados abaixo.

http://forum.cifraclub.terra.com.br/forum/11/175982/

Presente para você

Presente para você http://flickr.com/phot os/edgley_cesar/292574402/ A macambira, Bromelia laciniosa, cresce em lajedos,

http://flickr.com/photos/edgley_cesar/292574402/

A macambira, Bromelia laciniosa, cresce em lajedos, sem a água, que falta até no terreno em torno, recolhendo pingos d’água para viver, mas é útil e produtiva. Autônoma e forte, como o nosso Macambira e os alunos do curso semipresencial.

Referênciacomo o nosso Macamb ira e os alunos do curso semipresencial. LYONS, John. Lingua(gem) e lingüística

LYONS, John. Lingua(gem) e lingüística. Uma introdução. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1987. Esta obra valiosíssima de John Lyons vem sendo confeccionada por outra editora. MACAMBIRA, José Rebouças. Fonologia do português. 2. ed. Fortaleza: Imprensa Universitária [da UFC], 1987. Outros livros de Macambira estão à venda nas livrarias. Este está esgotado, mas ajudaremos você a consultá-lo ou a copiar trechos.

Língua Portuguesa: Fonologia
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Aula 05: Aplicações do conhecimento de fonologia

Tópico 03: De volta para a língua e o mundo

Você pode aprender mais sobre fones (sons do ponto de vista da pronúncia apenas), fonemas (unidades cuja oposição distinguem significados) e grafemas (letras, meios gráficos). Também pode pensar nos sons quanto a seus valores estilísticos, inclusive procurando na Internet, nas obras indicadas neste curso e em outras (consulte sobre ‘estilo’, ‘fonoestilística’, por exemplo).

Neste tópico, enquanto pensamos em sua revisão, vemos um pequeno poema, e somos injustos em o vermos por tão pouco tempo, em vez de desenvolvermos capítulo inteiro de fonoestilística, tratamos de questões fono-gráficas úteis ao ensino, aludimos rapidamente a itens prosódicos.

Quanto ao poema, destacamos, da pequena coleção que está no segundo texto, um haicai do autor cearense Sânzio de Azevedo, o número 11 em Lanternas cor de aurora (Fortaleza: Imprensa Universitária, 2006). Você pode também informar-se sobre o gênero haicai, o pequeno, gracioso e profundo poema de origem japonesa, e sobre a vasta bibliografia do autor, inclusive sobre a teoria do verso.

VELHA IGREJA Tange ao longe o sino. O templo resiste ao tempo no alto da colina.

Como se relacionam os conteúdos no texto, no sentido saussureano, e as formas que os representam? Talvez deva ir a uma cidadezinha onde ainda soa e é escutado o sino de uma igreja, com as três chamadas e avisos diversos.

Leia todo o poema em voz alta, ouvindo sua voz, prestando atenção a seus sons.

Depois, concentre-se no primeiro verso:

“Tange ao longe o sino”

TAN ge_ao LON ge_o SI no [tã]

[žiau]

[lõ]

[žiu]

[si~]

Começa com o golpe surdo do som [t], oclusivo, não vozeado, mas os sons seguintes são todos duradouros (experimente prolongar oclusivas, fricativas, a lateral) e, com exceção do último, vozeados. Note que a “líquida” é soante, como as vogais. A fricativa vozeada, embora consoante, é muito sonora (sonoridade e vozeamento são coisas diferentes, embora as vozeadas sejam mais sonoras que as não-vozeadas).

as vozeadas sejam mais sonoras que as não-vozeadas). Dica Note o ritmo como badalada e eco,

Dica

Note o ritmo como badalada e eco, com ritmo binário: FORTE

fraco, desaparecendo. A sensação de ritmo é reforçada pela repeticão do som fricativo

[ž], que se alterna.

fraco

FORTE

Procure em outros textos, inclusive nos nossos, destinados a esta disciplina, material sobre a sílaba. Muito do que se considera questão fonológica segmental é determinado por unidades lingüísticas.

Língua Portuguesa: Fonologia
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Língua Portuguesa: Fonologia Observação Por falar nisso, olhe no haicai o que acontece com “l”: só

Observação

Por falar nisso, olhe no haicai o que acontece com “l”: só ou combinado com “h” (dígrafo representando fonema específico simbolizável com [λ], em velha); aparecendo em início de sílaba (longe, colina), combinado com outra consoante antes de um núcleo silábico (templo), encerrando sílaba, onde se confunde com “u” em nossa pronúncia (alto).

O poema nos mostra, também importantes características prosódicas das unidades esquecidas pelo estudo comum.

Nós as alinhamos abaixo, mas desenvolvê-las-emos (veja aí o clítico!) melhor no texto 2 (Baixe o arquivo no ambiente SOLAR), pois não poderemos cobrar nem tomar mais seu tempo aqui, tendo em vista que você vem revisando já muito da fonologia que vimos discutindo.

Mas volte, em breve, a tocar estes assuntos:

O acento pode ser estudado com o ritmo, e é muito interessante para a consideração da escrita e da leitura, enquanto arte, belas e mais eficientes quando encantam.

Os segmentos, os fonemas, correspondentes mais ou menos aos grafemas, às letras, não são a única classe de unidades fonológicas. Do fonemas à frase e ao texto, passando pelo sintagma e pela oração, elementos prosódicos os caracterizam.

É importantíssimo para muitas categorias lingüísticas o estudo do vocábulo fonológico, que deve ser estudado em Camara Jr., reestudado em Macambira, pesquisado. Anexo a esse tema estão o ritmo binário, também abordado pelo mestre cearense, a distribuição dos clíticos: vocábulos sem acento que se apóiam em vocábulos acentuados.

sem acento que se apóiam em vocábulos acentuados. Multimídia Os vídeos abaixo, relembramos, podem ser

Multimídia

Os vídeos abaixo, relembramos, podem ser úteis em seus exercícios de fonologia:

1. Vídeo: “Amarante, Ana Júlia incomoda vocês?”

http://www.youtube.com/watch?v=Trh5p9rNz6U

2. Alegria, Alegria – versões antiga e nova de Caetano Veloso.

http://www.youtube.com/watch?v=4tzSETbQcJk&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=R3jPbEPq2iE&feature=related

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Aula 06: Questões segmentais e prosódicas na fala e na escrita

Tópico 01: Houve progresso em nossa fonologia tradicional?

Tópico 01: Houve progresso em nossa fonologia tradicional? As palavras de José Alexa ndre PASSOS, na

As palavras de José Alexandre PASSOS, na página 107 do Diccionário grammatical portuguez, impresso no Rio em 1865, parecem-nos ótimas para começar a discutir se temos aprendido, em nossas escolas, a juntar e separar melhor nossos objetos de estudo, a fala e a escrita.

Nesta aula, sai do foco principal a separação abstrata da fonologia, que engendrou nosso estudo na aula passada. A aula toda é permeada pelo tema prosódia, inclusive quando se trata da pontuação, no sentido mais geral.

Neste tópico, debatemos as abordagens da fonologia e da grafia, incrédulos quanto ao avanço de nossas visões escolares a respeito. No tópico 2, cuidamos mais claramente da prosódia. No tópico 3, aceitamos de vez a inevitável heterogeneidade dos conteúdos na fonologia e na grafia.

Os itens abordados aqui não têm merecido tratamento especial no ensino tradicional e no que chamamos “lingüística tradicional”, ambos dogmáticos e copiadores. Ou, se aparecem, ficam nos “etc.”, nas “tantas coisinhas miúdas”, citadas na escola para serem logo excluídas, para mostrar que não lhes é dado valor.

De fato, et coetera em latim significa "e outras coisas" (por isso, muitos recomendam não escrever “e etc.”). As outras coisas às quais nos referimos são como os peixinhos impedidos de viver no mar, para serem jogados fora da água e do cesto do pescador. Ficam no fim das gramáticas, em apêndices, entre capítulos, ou não ficam em lugar nenhum.

Se quiser saber um pouco mais sobre isso,

Dionísio, Varrão, Cunha, Bechara Descanse um pouco de fonologia

chama tradicional, por ser resultado de desenvolvimentos (termo impróprio para gramáticos atuais) de ensinamentos greco-romanos. Para você ter idéia de como é tradicional mesmo, é de praxe que muitos

Falamos um pouco de algo de interesse mais geral, a gramática que se

gramáticos ainda dêem sempre como modelo de verbo da primeira conjugação louvar, tradução do latim laudare.

O que acontece com as gramáticas tradicionais no tocante às classes de palavras (um tema de sua próxima

disciplina de Língua Portuguesa) é bem representativo do “etcetrismo” aludido acima.

A engenhosa divisão de todas as palavras em uma dezena de classes por Dionísio o Trácio, copiada por

Varrão, em torno do ano 100 a.C., tinha que ser cumprida de alguma maneira pelos nossos gramáticos.

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Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Até o respeitável Celso Cunha põe 6 grupos de “Palavras Denotativas” em apêndice informal à classe dos advérbios, que, por sua vez, é a infeliz junção de 7 tipos de palavras, sem razões para estarem juntas. E

olhe que há uma classe inteira dedicada a 2 palavras, os artigos. As pobres denotativas incluem vocábulos

Mas, pelo

como Eis, também, apenas, cadê e afinal e exceto, ironicamente, denotativa de exclusão

menos, fala do assunto. Os gramáticos continuam assim, em companhia de muitos lingüistas, a ter preconceito contra os

“expletivos”, o que “é do discurso”, os “adjuntos”, que “podem ser retirados sem fazer falta”. E fazem assim também com a prosódia, as maiúsculas, a pontuação, o que poderíamos chmar “sinais de

As “formatações” hoje

agrupamento” (parênteses, colchetes, chaves, travessões, aspas

imprescindíveis, itálico, negrito, sublinha, os diversos tipos de fontes e espaços não são tocados por eles.

).

Tal qual Dionísio (veja o texto retrátil), José Alexandre cuidou primeiro da “lettra”, mas age coerentemente, sem misturar conceitos fonológicos e gráficos, como vieram a fazer gramáticos brasileiros “modernos”.

É sutil e adequado falar de som “puro”, oral, vendo o som nasal como tendo esse traço de ressonância acrescentado ao que têm todas as vogais, referente à ressonância oral. Elogiável também é a percepção dos timbres aberto, fechado e “brevíssimo”, que são determinados “ou pela posição da vogal, ou pelos accentos”. E nem escapou ao gramático o fato de serem esses sons, além de fortes, também “longos”.

Finalmente, diz-nos Passos, com clareza que falta nas atuais gramáticas, que, ao escolher acento gráfico, conta, em primeiro lugar o acento, distintivo e mais importante que em outras línguas conhecidas. Só depois de tomada a decisão quanto a acentuar ou não graficamente uma palavra, deve o usuário optar por agudo ou circunflexo, com base no timbre da vogal, ficando a chamada vogal “reduzida” impedida de receber acento, como você observa nas vogais destacadas do exemplo abaixo:

Por incrível que pareça, não melhoraram os nossos gramáticos. Quanto a suas atitudes com relação à fonologia, uma boa parte não age em consonância com a divisão moderna, que distingue a (orto)grafia, para a modalidade escrita, da fonologia, para a modalidade falada, e, nesta, faz distinção ainda entre o fonológico (fonêmico) e o fonético. Em geral, podem ser classificados conforme essas características:

Características.

(a) Confundem, na “melhor” tradição de muitas gramáticas “clássicas”, letra e som. Note que Passos,

acima, junta os dois conceitos por vê-los de forma abrangente, mas, em suas explicações, faz referência a questões sonoras e gráficas de forma clara.

(b) Tratam apenas de letra e de som, ou de letra e de fonema, falando ora de “sons da fala” (que deviam

ter a ver com a fonética), ora de “sons da língua” (já na fonologia ou fonêmica).

(c) Aludem, em pequenos trechos, explicitamente, à grafia e à fonologia, com a divisão entre o que é

fonológico e o que é fonético, mas, na maior parte do texto, não ligam para a divisão. Se puder, veja, por exemplo, Bechara, tanto na “Moderna” (1999, dita pelo editor “2004”) quanto na “Escolar” moderna (2004); veja também Cunha (qualquer edição, com ou sem Cintra).

Bechara e Cunha são ótimos em outras áreas, mas não tentaram fazer muito na fonologia. Trazem algumas informações de cunho lingüístico, mas, por mais incrível que pareça, além de classificar os fonemas com base em fonética, adotando termos da NGB como se o problema não existisse, conseguem discordar um do outro. Rocha Lima (1972), outro respeitado gramático, não difere muito dos supracitados, quanto, por exemplo, classificação dos fonemas, mas tem melhor introdução a conceitos teóricos, citando para o de fonema Tomás Navarro (1946).

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia http://img525.imageshack.us/img525/9199/eneiv2.jpg Se quiser, veja o que os dois

http://img525.imageshack.us/img525/9199/eneiv2.jpg

Se quiser, veja o que os dois classificam como “alveolar”, “linguodental” (dental dá na mesma), “palatal”, “velar”. Foneticamente, interessa saber se um som é apical ou laminar, dental (Cariri, parte do Vale do Jaguaribe, grande parte do Nordeste) ou alveolar, velar (em gascão) ou uvular (antes dos sons correspondentes a “o” e “u”), mas isso não é fonêmico.

Pecam também nas copiadas listas de ditongos e tritongos, vistos não informam se ali são tratados como sons ou fonemas. Os professores que os elogiam ou não se interessam muito, também, pela fonologia, ou não tiveram tempo de examiná-los quanto a esse nível de análise.

Os gramáticos supracitados são os mais conceituados nos meios de Letras, na Universidade, mas, em fonologia, são superados por gramáticas como a de “Pasquale e Infante”, compradas por indicação das escolas, apesar da pouca fama do “professor Pasquale” na academia.

Esses autores, por exemplo, para a classificação de consoantes, tal qual Bechara e Cunha, tentam seguir a NGB (Nomenclatura Gramatical Brasileira). Entretanto, usam implicitamente o conceito de par mínimo (“solitário” vs. “solidário”), como técnica para a descoberta de que “cada letra representa no caso um fonema 6 , e caracterizam os fonemas também como “sons característicos de uma determinada língua” (Op. cit., p. 19). Semelhantemente, Cipro Neto e Infante (1998: 18-19) definem fonema como "uma unidade sonora capaz de estabelecer diferenças de significado. Valem-se, portanto, de parte do que a lingüística considera ser atributo do fonema, evitando a difícil distinção entre fonema (sistema) e sons (uso), difícil para o público leigo.

(sistema) e sons (uso), difí cil para o público leigo. Atividade de Portfólio Em grupo que

Atividade de Portfólio

Em grupo que pode ter 1, 2, 3 ou 4 alunos, construa texto de 25 a 35 linhas, comentando as variações de pronúncia e a possibilidade de haver preconceito contra pronúncias consideradas menos prestigiadas. Toda citação deve ter aspas e indicação de fontes, e, para ser válida, deve ser comentada pelos participantes do grupo. O trabalho deve ser resultado da interação responsável de todos os participantes, não vale dividir o tema e juntar participações isoladas

6 Ou seja, uma unidade sonora capaz de estabelecer diferenças de significado” (Cipro Neto e Infante, 1998:. 18-19)

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Língua Portuguesa: Fonologia
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Língua Portuguesa: Fonologia Fórum Debata com seus colegas sobre as unidades gráficas, bem mais que “26
Língua Portuguesa: Fonologia Fórum Debata com seus colegas sobre as unidades gráficas, bem mais que “26

Fórum

Debata com seus colegas sobre as unidades gráficas, bem mais que “26 letras”, e sua relação (ou falta de relação) com as unidades da modalidade falada.

Multimídia

Algumas sugestões para completar sua formação nessa área:

Examine novas gramáticas, das que são normalmente indicadas para as escolas ou estão nas livrarias, na parte de ensino médio. Anote o que encontrar. Veja mais sobre as dificuldades da língua, assistindo a vídeo com o professor Cláudio

Moreno. Pegue cópia ou entre em:

http://www.youtube.com/watch?v=4Ppus1hfmoY

"Sobre o novo acordo ortográfico, veja os vínculos (links”!) abaixo.

Acordo ortográfico de 1990:

www.priberam.pt/docs/AcOrtog90.pdf

Para ter idéia geral dos acordos entre Brasil e Portugal:

http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=acordo

Texto simples da Sapo:

http://orto.no.sapo.pt/c00.htm

Sítio brasileiro onde muitos tentam tirar dúvidas:

http://www.sualingua.com.br ".

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Aula 06: Questões segmentais e prosódicas na fala e na escrita

Tópico 02: O que é prosódia?

Inicialmente, pensamos em pôr no título do Topico 1 assim:

Τίς 'η προςωδία ´εστίν;

1 assim: Τίς ' η προςωδία ´ εστίν ; E ficamos imaginando que, se você dissesse

E ficamos imaginando que, se você dissesse “Pra mim, é grego”, estaria certo.

se você dissesse “Pra mim, é grego”, estaria certo. Fonte 7 Neste tópico, estudamos a pros

Fonte 7

Neste tópico, estudamos a prosódia. Daqui a algumas linhas, veremos o que é. Entretanto, talvez você perceba que precisa aprender muito mais a respeito deste tema de fonologia e de suas correspondências na linguagem escrita. Deve, então, procurar os lugares onde tratamos disso no texto 2, Dos sons aos fonemas do português.

Agora, fazemos uma digressão: tratamos de coisas só indiretamente ligadas ao tema principal

do tópico.

Por que aludir aos helenos, numa aula de Língua Portuguesa? Como dissemos em outro ponto, a própria denominação Letras lembra γράμμα, “grámma”, ‘letra’, daí ideograma, tetratrama, e gramática, de uma obra chamada Technê Grammatikê, cuja tradução pode ser

7 http://www.caiuaficha.com.br/atlas/mundo.gif

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

“Arte (ou técnica) das Letras”. Dionísio, dito da Trácia, que a escreveu, trabalhava em Alexandria, no norte do Egito. Os romanos tiveram seu império de Portugal às vizinhanças da Rússia (por isso há o idioma chamado Romeno), do norte da África a partes da Inglaterra e da Alemanha, mas, da Grécia ao Oriente, falava-se grego. O judeus comuns não se comunicavam mais em hebraico. Quando os apóstolos consultavam as escrituras, liam tradução para o grego, bem diferente do aramaico que falavam com Jesus, aprendido sob os caldeus. (Você estudou história, não é?) O hebraico, nessa língua ivrit, veio a ser falado, reaprendido, somente no Israel instalado a partir de 1948.

Mudamos, nesta aula, a direção em que vínhamos seguindo.

Vamos nos deslocar das pequenas unidades que são os fonemas, vistos na aula passada, em direção a outras camadas da língua e ao que há em torno do código lingüístico. Nossa finalidade é conseguir que, quando a última aula da disciplina terminar, você se sinta pronto para ingressar em outra “região” da língua portuguesa.

Durante algum tempo, fingimos que as unidades fonológicas segmentais existiam por si, para si, sozinhas. Agora, nesta quarta aula, caminhamos com você olhando de perto algumas conjunções (não no sentido da classe de palavras; veja um dicionário).

Quer saber por que um elemento prosódico é também chamado “suprassegmental”? Você já entendeu a ilusão humana em pensar que uma cadeia sonora é dividida em segmentos, certo? Pois veja, em “Entra?”, dito pelo porteiro de um edifício, o acento é percebido como estando não depois de alguma coisa, mas sobre um segmento, a vogal nasalizada. Mais: a entoação ascendente também é posta "sobre" a sílaba acentuada. Pense, e tente responder logo mais:

Que diferenças há entre os “elementos segmentais”, pesquisados quase com

exclusividade nas teorias lingüísticas mais comuns, e os elementos prosódicos ou

suprassegmentais?

Como deve um profissional da linguagem posicionar-se quanto às relações entre os itens fonológicos, segmentais ou prosódicos, e os itens gráficos correspondentes?

Verá que, se não são bastante discutidos, mas são discutíveis (ou evitados) os problemas ocorrentes no ensino por conta dessa relação.

Atente para a palavra-chave contida na expressão-título, Tís hê prosôdía estín, que lembra o adjetivo grego “prosôdos”, que significou “que se canta com acompanhamento” (Pereira, 1984, p. 499).

Não disseram para você, mas a escrita tem a ver com fonologia e outras coisas

No próprio texto que você vem lendo, está o que queremos observar. São elementos gráficos:

espaços, vírgulas e pontos (imprescindíveis, hoje), parênteses, “bolinha” chamando a atenção para início de tópico, itálico e hífen. São todos sinais de pontuação lato sensu.

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Stricto sensu, designamos como sinal de pontuação vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, pontos final, de interrogação e “de admiração” (exclamativo). Um escrito simples pode ficar bem claro com dois apenas: vírgula e ponto.

Note a grafia dessas expressões nas quais um substantivo vem depois de outro (acaba de ver palavra-chave e expressão-título), qualificando-o: moreninha-sensação (Luiz Gonzaga), menino- prodígio, conceito-chave (conceito que é chave para alguma coisa). Discuta se são substantivos compostos.

Quer ver mais, dessa ligação entre prosódia na fonologia, correspondendo ou não a marcas na expressão gráfica? Observe, atento à gradação da força na pronúncia nas sílabas, as duas frases abaixo. Anote o que observa nas frases quando você ou outros as lêem em voz alta da maneira mais espontânea possível, quanto à variação acentual nas palavras semelhantes das duas expressões:

Gato negro em campo de neve (obra de Érico Veríssimo

Eu sou um negro gato de arrepiar (Roberto Carlos)

Compare o que achou acima, finalmente, as pronúncias das expressões sublinhadas em:

Apaixonado, toda a cidade para ele era uma nova Russas

Saudoso, só pensava em voltar para Nova Russas.

Isto fica aí para você pensar em como na importância da prosódia e a grafia, normalmente não-estudadas ou vistas isoladamente, para a análise de outros níveis da língua, inclusive a gramática e o léxico.

níveis da língua, inclusive a gramática e o léxico. Observação Se você já precisou consultar gramáticas

Observação

Se você já precisou consultar gramáticas sobre regras de uso da vírgula, e as considerou pouco úteis, o que pensa, agora, considerando o que dissemos?

Talvez uma das razões de se prezar pouco os elementos suprassegmentais, isto é, a prosódia, seja que, mesmo não havendo itens gráficos correspondentes aos das formas fonológicas, a mente de quem lê em voz alta ou fala, pelo, contexto, mostra-os na fala Imagine que no mundo antigo, em latim e grego, por exemplo, escreviam-se longos textos sem qualquer sinal de pontuação e sem espaços entre as palavras! Também, eles deviam ter mais tempo para decifrar os textos.

Entretanto, sem prosódia, nada compreenderíamos do que nos é transmitido pelos elementos segmentais (fala-se de elementos prosódicos ou suprassegmentais). Destacamos alguns pontos a respeito. Lamentavelmente, o ensino tradicionla brasileiro e uma parte dos lingüistas não enxergam a multiplicidade de funções da prosódia.

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

É preciso considerar elementos prosódicos como acento, tom e entoação, duração e pausa de muitos pontos de vista.

Em primeiro lugar, podem os elementos prosódicos ser estudados quanto à produção. Interessam, na fala, questões articulatórias, acústicas e auditivas. Na escrita, questões gráfico-visuais.

Depois, podem ser estudados quanto à correspondência, nem sempre existente, entre fonologia e grafia (sinais de pontuação).

Mais importante, ainda, é saber quais são os valores dos elementos prosódicos, suas funções, significações.

É bem variável a extensão das partes das palavras, frases e textos atingidas pelos elementos prosódicos e pelos sinais de pontuação lato sensu.

• O acento lexical, resultado, em português, da maior força relativa, que toma uma sílaba mais longa, contribui para a distinção dos significados de itens lexicais, “palavras”.

Um tom ascendente sobre a última vogal acentuada de uma palavra, correspondentes a uma vírgula, na escrita, pode indicar ruptura. Assim, uma expressão explicativa que é posta logo depois do sujeito, separando-o do verbo, fica entre vírgulas. Ponto e vírgula e dois pontos também marcam fenômenos dentro da frase. Procure exemplos neste e em outros textos.

Um tom ascendente, parte da entoação que caracteriza o contorno, que vem com pausa, pode marcar toda uma seqüência de palavras como frase interrogativa. Da mesma forma, o tom descendente com pausa caracteriza a frase declarativa.

As funções dos elementos prosódicos ou suprassegmentais nas línguas variam bastante. Em línguas como o português, o acento tem função lexical, distingue sentido de palavras. Da mesma forma, em muitas línguas, o sentido lexical é distinguido por tons, notas musicais. A duração é distintiva em alemão, húngaro, latim e grego (acima, ε, η, ο, ω correspondem a ě, ē, ŏ, ō, breves – com bráquia, ou longos, com mácron), mas em português não tem valor lexical.

Passemos a observar como isso acontece em vídeo no qual um compositor e músico é provocado por repórter. Divirta-se verificando até que ponto seus colegas concordam com você, ao tentar transcrever as frases da entrevista e atribuir notações escritas para o que percebem na linguagem falada pelos participantes da entrevista.

na linguagem falada pelos participantes da entrevista. Multimídia “Amarante, Ana Júlia incomoda vocês?”

Multimídia

“Amarante, Ana Júlia incomoda vocês?”

Anote suas observações. Tente verificar como seriam pontuadas interna (com vírgulas, por exemplo) e externamente as frases. Depois, peça-nos uma versão escrita para comparar a nossa com a pontuação sugerida por você.Use cópia ou entre no sítio:

http://www.youtube.com/watch?v=Trh5p9rNz6U&feature=PlayList&p=E5DB256D76C3A

777&playnext=1&playnext_from=PL&index=5

Referência777&playnext=1&playnext_from=PL&index=5 Foi citado neste tópico PEREIRA, Isidro. Dicionário

Foi citado neste tópico PEREIRA, Isidro. Dicionário grego-português e português-grego. 6. ed. Porto:

Apostolado da Imprensa, 1984.

Língua Portuguesa: Fonologia
Língua Portuguesa: Fonologia

Aula 06: Questões segmentais e prosódicas na fala e na escrita

Tópico 03: A voz entre os mundos

Superpostos à cadeia de palavras (ou seja, a parte verbal), em qualquer enunciado falado, haverá dois tipos de fenômenos vocais mais ou menos distinguíveis: prosódicos e paralingüísticos. ( ) Haverá também, associada ao conjunto falado, toda uma série de fenômenos não-vocais (movimentos do olhar, movimentos de cabeça, expressões faciais, gestos, postura, etc.) que determinarão mais profundamente a estrutura e o significado do enunciado, podendo da mesma forma ser identificados como paralingüísticos. (Lyons, J. 1987, p. 34)

Neste último tópico da Aula 6, deixamos você de volta na beira do mundo lingüístico, às portas do mundo “geral”, do qual saímos apenas teoricamente. A entrevista com Amarante, que você pode reassistir, cabe otimamente no que diz acima John Lyons.

Para o autor, são prosódicos acento e entoação. Paralingüísticos são o ritmo e a altura. Acho que você concorda que só por preconceito poderíamos, como antes do surgimento da lingüística, considerar a linguagem falada inferior à linguagem escrita. E é meio bobo ficar preocupado quanto a qual das modalidades é superior, pois há razões para as duas existirem.

A linguagem verbal

A linguagem verbal humana presta-se admiravelmente à transferência de meio. Já falamos disso: do que é articulado, produzindo algo acústico, percebido pelo ouvido, passa-se ao que é manual, gráfico, visual, mantendo-se as unidades, que independem desses meios. Você percebe por que muito se insiste que fonemas e morfemas não são concretos, substância, mas forma? Meros valores que independem dos suportes físicos, sensíveis dos quais necessitam para sua transmissão?

Além de ser facilmente transferível, a linguagem verbal também se combina sem atritos com outras linguagens, outros tipos de manifestação, por conta do que é “paralingüístico” no sentido de Lyons, acima, do que é real e presente nas enunciações, como as roupas, os móveis, os acontecimentos.

O que se chamou enunciado é resultado da enunciação, processo no qual informações dispersas e incoerentes entre si ganham sentido num momento, num espaço, entre enunciador e enunciatários, em meio a expectativas, finalidades, memória de outras enunciações, percepção de papéis sociais.

Da noção de fonema às noções concretas não-lingüísticas, varia a aplicabilidade das “quatro propriedades [lingüísticas] gerais da arbitrariedade, dualidade, descontinuidade e produtividade”, havendo nos elementos extremo prosódicos e paralingüísticos maior aproximação “dos traços existentes nos vários tipos de comportamento animal” (idem, ibidem).

Você está-se dando conta (no Brasil, vem-se preferindo “está se dando”, sem hífen, sente-se que o “se” junta-se ao “dando”, não ao “está”) das razões de dois fenômenos.

Primeiro fenômeno

Bebês, cães e gatinhos comunicam-se muito bem conosco sem falar ainda português.

Segun