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ÂNGELA FERREIRA FERNANDA FRAGATEIRO
COLEÇÃO ANTÓNIO CACHOLA
Chiado 8 – Arte Contemporânea, Lisboa, até 30 de Outubro

Proximidade e diferença
Duas artistas com interesses temáticos
contíguos mas com estratégias criativas
distintas
São ambas mulheres e sensivelmente da
mesma idade e as duas trabalham no campo
genérico da escultura. Mas mais importante
do que essas afinidades, Ângela Ferreira
(Maputo, 1958) e Fernanda Fragateiro
(Montijo, 1962) encontram-se pela partilha
de uma mesma atenção ao programa e à
memória do modernismo, aos seus ecos na
arquitetura e às relações cruzadas entre as
dimensões estéticas e políticas das obras de
arte.
Para esta exposição integrada no ciclo
dedicado a autores incluídos na coleção
António Cachola mostram um par de obras
cada uma e a exposição reforça os vasos
comunicantes dos dois discursos.
Em Marquise (1993), Ângela convoca os
materiais e as tipologias formais dessas
formas
arquitectónicas
virais
mas
reconfigura-as como se duplicasse o mesmo
jogo de improvisação sobre a arquitetura

Ângela Ferreira recorre aqui a uma metodologia que lhe é habitual. Já em Brigadas do Saal. a escultura que daí resultou possui referencias morfológicas claras ao chamado projeto da Bouça de Álvaro Siza Vieira. etc. o cruzamento de várias dimensões da realidade num mesmo dispositivo (material. A peça é ainda complementada por uma performance que consiste na leitura pública de um texto publicado pela brigada de São Victor de que Siza Vieira fez parte. Nesta exposição. 2014 realizada para a exposição que Serralves realizou recentemente. como estabelecem uma coreografia entre si e com o espaço. III (2007) é uma peça . Expectativa de uma paisagem de Acontecimentos. À escultura juntam-se imagens fotográficas exemplares do improviso em arquitetura o que é ainda um prolongamento desse jogo. também mostra duas obras. mas essas obras são.autoral que as marquises costumam constituir. não apenas convertíveis.) A relação de Fernanda Fragateiro com o espaço e a arquitetura é mais abstrata e subtil. discursiva. Exige a mediação da escultura e confia nela como fonte de irradiação de uma experiência mais abrangente. A sua escultura galvaniza elementos e materiais que encontramos em edifícios ou nos vários campos do design mas dirige-se não exatamente a uma percepção ideológica da realidade.

assumindo diferentes formas consoante o espaço em que se integra. quase sempre. uma estrutura em aço que. A esta estrutura modular junta-se uma segunda peça intitulada “Double recliner”. propriamente. o tema convocado. parece sugerir o contorno de uma paisagem. a escultura de Fernanda Fragateiro confia sobretudo na sensorialidade e na indução perceptiva para produzir experiências. . mesmo recorrendo a uma grande variedade de materiais a obra de Ângela Ferreira é eminentemente discursiva. sobre a outra obra. Ver o trabalho de ambas em diálogo no mesmo espaço ajuda a verificar que.realizada em cortiça e arame galvanizado que tem a capacidade de se reconfigurar. o que individualiza o trabalho de um artista é muito mais a metodologia e a natureza dos seus objetivos do que. Se.

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