Fichamento Bibliográfico- SANTOS, Milton.

A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e
emoção. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.
Resumo
A obra é produzida pela necessidade da contribuição da geografia à uma teoria social, que se
destaca pelo papel da técnica na relação da produção e do estudo sobre o espaço, onde o autor
destaca que a principal forma de relação entre o homem e o meio, é dada pela técnica. A partir
de então, o primeiro capítulo discorre sobre todo um inventário realizado sobre os estudos
desenvolvidos sobre a técnica como parte integrante do território. São utilizados os conceitos e
estudos desenvolvidos por diversos pesquisadores, dentre eles historiadores e geógrafos, que, de
início, não atribuem o devido valor a técnica na produção e no estudo do espaço.
A obra é dividida em quatro partes, cuja primeira se debruça, prioritariamente ao conceito do
espaço e os objetos que delem fazem parte, compreendendo-o como um sistema de ações e
objetos influenciados pelas técnicas. Na segunda parte o autor discorre sobre as partes e o todo
que compõem o espaço, discorrendo sobre o conceito de totalidade, além da divisão
internacional do trabalho que influencia diretamente na produção do espaço. A terceira parte o
autor relata sobre os sistemas técnicos, a unicidade técnica, o tempo na produção do espaço e os
objetos e ações que influenciam na produção desse espaço. A quarta e última parte é focada
apenas no conceito de lugar relacionado ao cotidiano, assim como a influência do processo de
globalização na produção do espaço.

Capítulo 1- Uma ontologia do Espaço: noções fundadoras
Criação, por Mauss, de um saber denominado Tecnomorfologia, “que se ocuparia do conjunto
das relações entre as técnicas e o solo e entre o solo e as técnicas, dizendo que “em função das
técnicas é que observaremos a base geográfica da vida social: o mar, a montanha, o rio, a
laguna”.” (p. 31)
A relação entre a técnica e o espaço vai se desenvolvendo, analisando como o primeiro
influencia no segundo e vice-versa. Essa relação é explorada ao citar Pierre George, que afirma
“A influência da técnica sobre o espaço de exerce de duas maneiras e em duas escalas
diferentes: a ocupação do solo pelas infraestruturas das técnicas modernas (fábricas, minas,
carrières, espaços reservados à circulação) e, de outro lado, as transformações generalizadas
impostas pelo uso da máquina e pela execução dos novos métodos de produção e de existência.
(SANTOS apud GEORGE, 1974, p. 13)
O autor aproxima tal ideia ao conceito utilizado por Simondon sobre a naturalização do objeto
concreto, ou seja, “sua completa imisção no meio que o acolheu, o que ele chama de processo
de adaptação-concretização” (p. 41)
A técnica como espaço e como geografia, “[...] a técnica é também geografia. Se esta não se
alçou às condições de considerar a técnica como um dado explicativo maior, podemos, no
entanto, dizer que técnica é, também, necessariamente espaço”. (p.47)
“Toda situação é uma construção real que admite uma construção lógica, cujo entendimento
passa pela história da sua produção. O recurso à técnica deve permitir identificar e classificar os
elementos que constroem tais situações”. (p.48)
O espaço formado por objetos técnicos. “O espaço do trabalho contém técnicas que nele

que seria todos os objetos existentes na superfície terrestre.61) Trabalha o conceito de espaço geográfico a partir de categorias. racionais pelo valor. mudando a natureza. (p. podendo demonstrar-se que não há diferença entre complexidade estrutural e informação”. sistemas de ação O autor procura conceituar o espaço geográfico. [. (p. (p. e o segundo leva a criação de novos objetos ou se realiza sobre objetos preexistentes.69) Questiona-se sobre a existência de um objeto geográfico.] A complexidade estrutural do objeto se relaciona com a variedade do repertório de seus elementos. Parafraseando Marx.. Defende que o espaço é formado por “um conjunto indissociável. do seu uso combinado pelos grupos humanos que os criaram ou que os herdaram das gerações anteriores”. Ação humana não exclusivamente como ação racional. fluxos novos ou renovados que recriam as condições ambientais e as condições sociais. de sistemas de objetos e sistemas de ações.(p. construído por uma junção de fixos e fluxos.55) Capítulo 2. “A complexidade funcional de um objeto está relacionada com o repertório de funções que podem ser combinadas no seu uso. permitem ações que modificam o próprio lugar. segundo esta ou outra sucessão”. “ a ação é um processo. cujas cidades teriam outro desenho e significado caso os mesmos não existissem. ele muda a si mesmo.81) . “O objeto é independente do sujeito que conhece. exatamente. como a configuração territorial e as relações sociais. muda a si mesmo”.78) A partir do momento que o homem pratica uma ação. mas um processo dotado de propósito e no qual um agente. uma vez que os primeiros condicionam a forma como ocorrem as ações. sendo obrigatoriamente contínuos.O espaço: sistemas de objetos. (p.63) O sistema de objetos e ações interagem. tradicionais e efetivas. Cuja primeira é dada pelo conjunto formado pelos sistemas naturais existentes em um país ou região. (p.ainda que não independente da história da sociedade”. se dividem em quatro formas básicas: ações racionais por via do instrumento. a funcional e a estrutural. não considerados isoladamente. “O enfoque geográfico supõe a existência dos objetos como sistemas e não apenas como coleções: sua utilidade atual.67) A criação e reprodução de objetos respondem a condições sociais e técnicas presentes em determinado período histórico.63) Objetos como coisas que utilizamos cotidianamente. desta ou daquela forma. (p. que de acorodo com Weber. solidário e também contraditório. mas como o quadro único no qual a história se dá”. e redefinem cada lugar”. a exemplo do carro. (p.permanecem como autorizações para fazer isto ou aquilo. neste ou naquele ritmo. ou futura vem.73) Homens como seres de ação. Sua complexidade apareceria em dois níveis. Tem uma existência própria.. “teríamos um sistema de objetos sinônimo de um conjunto de forças produtivas e um sistema de ações que nos dariam um conjunto das relações sociais de produção”. ultrapassando o quadro doméstico e aparecendo como utensílio ou como símbolo. passada. com acréscimos realizados pelos homens a esses sistemas. mudando alguma coisa. (p. resultado de uma história própria. onde os “elementos fixos fixados em cada lugar.

um não existe sem o outro. é um “ente intermediário entre em que se associam homens.82) A geografia como ciência da ação. em uma insuperável tensão entre o objeto e o sujeito”. 103) Utiliza-se o termo paisagem como sinônimo de configuração territorial. Capítulo 3. Assim. o homem é definido por sua intencionalidade.” (p. e sim um sujeito que se relaciona com o seu entorno. Para que um evento se realize.101) “Todo sistema e toda estrutura devem ser abordadas como realidades mistas e contraditórias de objetos e de relações que não podem existir separadamente”.98) “Todo e qualquer período histórico se afirma com um elenco correspondente de técnicas que o caracterizam e com uma família correspondente de objetos. Ao longo do tempo. Em cada período. A rigor. porém. “Ação é tanto mais eficaz quanto os objetos são mais adequados [. moedas. utensílios. a geografia não deve ser considerada como uma ciência do espaço.O espaço geográfico. (p. “os objetos são duplamente mediadores. (p. a contradição.79) distingue as ações entre ações técnicas e ações simbólicas.. (p. imateriais. (p. um novo arranjo de objetos”. e. econômicas. culturais. é que conduzem os homens a agir e levam a funções”. Resultam das necessidades. sociais. uma vez que “um não pode ser entendido sem o outro. é necessário encaixar-se a forma disponível de maneira que realizem as funções de que é portador. a separação. um novo sistema de objetos responde ao surgimento de cada novo sistema de técnicas.Hottois (1994. a . também. ao ponto que a forma-conteúdo não seja apenas forma ou apenas conteúdo. finalidade. um híbrido Intencionalidade que transforma a “distinção. a dimensão espacial deve ser considerada. por não ser qualquer objeto. A ação é o próprio homem e só pode ser realizada pelo mesmo.]A intencionalidade da ação se conjuga a intencionalidade dos objetos e ambas são.. (p. Não há como vê-los separadamente”. uma vez que só ele possui objetivo. sendo a teoria geográfica assim definida por Werlen (1993). morais. de fato. que ganham significado quando estão a serviço da sociedade.92) Ação e objeto são inseparáveis. (p. porque se colocam entre o homem e a sociedade e entre o homem e sua situação material”. mas ela não é causa dos eventos. (p. dependentes da respectiva carga de ciência e de técnica presente no território”. este último é “o conjunto de elementos naturais e artificiais que fisicamente caracterizam uma área. hoje.90) É vista como uma espécie de corredor entre o sujeito e o objeto. servindo as primeiras como transformação à natureza e as últimas se fazem sobre o ser humano. há.94) Sociedade como continente e conteúdo dos objetos. sejam elas naturais ou criadas. p.. máquinas. “Essas necessidades: materiais. a ação subjetiva deve ser destacada numa pesquisa geográfica. nem da ação. afetivas. produtos.102) Compreendendo-se os mistos como uma junção de objetos e normas. Pela relação sujeito-objeto e. mas como uma ciência da ação. A geografia os analisa em conjunto.96) O espaço geográfico é um híbrido entre a natureza e a sociedade. (p..

corresponde a divisão do trabalho. atribui. aparece. as formas –tornadas assim formas-conteúdo-podem participar de uma dialética com a própria sociedade e assim fazer parte da própria evolução do espaço”. São as suas formas que realizam. sendo as partes explicadas por esta última. (p. (p. P. providas de conteúdo técnico específico”. Sendo a totalidade o resultado e a totalização o processo. (p. (p. 122) [. A totalidade é o conjunto de todas as coisas e de todos os homens. devem paralelamente ser considerados.. “como um conjunto inerte e um momento da totalização que está em curso”.119) está sempre num processo de movimento de totalização. o meio histórico. “A totalidade é a realidade em sua integridade [. (p. um novo conteúdo e uma nova função aos lugares”. “A totalidade é. Só se torna existência. 103) “Os movimentos da sociedade.. sempre renovada pelo movimento social. as circunstâncias. incluindo as geográficas. a totalidade das situações. as funções sociais”. no intuito de afrontar os problemas entre o todo e as artes. Vota a ser real-abstrato”. criam novas situações de equilíbrio e ao mesmo tempo novos pontos de partida para um novo movimento. A primeira se caracteriza pela “distribuição de formasobjetos. pois “não podem ser reduzidos à lógica universal”. através das formas sociais. a cada momento. transformam a organização do espaço.] as condições.] a realidade é a totalidade dos estados de coisas existentes. (p. assim. “movida pela produção. (p.] o real é o processo de cissiparidade. mas participa da história viva. (p.106) “A paisagem é história congelada.129) Essa diversificação. no mundo histórico. atribuindo novas funções às formas geográficas. que é também meio geográfico.paisagem é apenas a porção da configuração territorial que é possível abarcar com a visão”. o real-abstrato e o real-concreto. enquanto o espaço é sempre um presente. isto é. produto de um movimento real.125 Capítulo 5.O espaço e a noção de totalidade Todas as coisas formam uma unidade e estão inseridas numa totalidade..132) A divisão do trabalho “como um processo pelo qual os recursos disponíveis se distribuem social e geograficamente”. em sua realidade. 118) Distinção entre totalidade e totalização.107) Capítulo 4. E a cada momento de sua evolução.. (p.132) Com essa distribuição ocorrem as mudanças do homem e do seu . ao mesmo tempo.. “o conhecimento da totalidade pressupõe a divisão[. uma situação única. a totalidade sofre uma metamorfose. esfacelamento”. em suas relações.117) O conhecimento pressupõe a análise e a análise pressupõe a divisão.103) A paisagem é concebida como um conjunto de objetos transtemporal. Por adquirirem uma vida. e em seu movimento”. só se realiza completamente. a cada movimento. (p. (p. produtos cujas características derivam a cada movimento do respectivo modo de diversificação”.Da diversidade da natureza à divisão territorial do trabalho Diversificação da natureza. (p.. subdivisão. no espaço.131) A divisão internacional do trabalho é processo cujo resultado é a divisão territorial do trabalho. “processo pelo qual se constituem entidades a que chama de elementos naturais. “A totalidade.

132) Os países se distinguem pela tipologia dos instrumentos financeiros. encarnado ou não no direito. a matriz do tempo e do espaço”. (p. (p. que auxiliam no movimento dos espaços. Embora seja indispensável. cada atividade é um fenômeno social total”. “que são cada vez mais objetos de organização: na sua instalação. a formação socioespacial e não o modo de produção constitui o instrumento adequado para entender a história a história e o presente de um país. por sua vez. “A primeira delas é o Estado.] As autoridades “intermediárias” (províncias. Dentro do mercado. “O tempo da divisão do trabalho vista genericamente seria o tempo do que vulgarmente chamamos de Modo de Produção. (p.136) Capítulo 6. Aqueles elementos definidores do modo de produção seriam a medida geral do tempo. pelo seu “uso legítimo da força”. um resultado e uma condição. “segundo sua distribuição espacial. [. (p. uma vez que os eventos históricos supõem ações humanas. são todos. os tempos relativos aos elementos mais “atrasados”. “Os primeiros resultam do próprio movimento da natureza. sobre áreas extensas.135).O tempo (os eventos) e o espaço Lugar como depositário final do evento que. (p. “São simultaneamente.] os eventos sociais resultam da ação humana. à qual se referem.132) A divisão do trabalho é a distribuição da totalidade dos recursos ou a distribuição das atividades. consequentemente.. sendo-lhe. criando uma hierarquia entre os lugares. “a definição conjunta e individual de cada qual depende de uma dada localização. Esses últimos. segundo a sua força. induzem a uma divisão do trabalho que corresponde ao seu próprio interesse”. senão um fator”. Por isso. (p. e segundo os respectivos processos produtivos. dos lugares. heranças de modos de produção anteriores”. no seu funcionamento e no respectivo controle e regulação”.147) Evento como sinônimo de ação. “passam a condicionar a própria divisão do trabalho. dos seus efeitos sobre os dados naturais”. Os eventos não são presentes instantâneos e não acontecem isoladamente.entorno. ao mesmo tempo. as diversas empresas. O primeiro é a disputa entre o Estado e o Mercado. para serem contabilizados. [. (p.135) “A divisão do trabalho supõe a existência de conflitos. a compreensão da história de determinado lugar não se faz apenas pelos seus recursos. da interação entre s homens. responde a dois enfoques..145) Diferença entre eventos naturais e eventos sociais ou históricos. Presente.135) A divisão do trabalho relacionado ao tempo.149) Existem diversas forças que atuam simultaneamente e são capazes de produzir eventos que incidam no mesmo momento. isto é.. analisando as sucessivas divisões do trabalho ao longo do tempo histórico e o reconhecimento das divisões do trabalho sobrepostas num mesmo período histórico (p. redefine a capacidade de agir das pessoas. (p. mas em conjuntos sistêmicos. áreas metropolitanas) exercem seu papel de produtoras “oficiais” de . firmas e instituições”.. da manifestação diversificada da energia natural. Devemos levá-los em conta para empreender uma análise do fenômeno que seja válida. regiões. Não se repetem.

Quanto mais forte. formam um marco histórico na produção da história da humanidade. (p. “As inovações técnicas introduzidas nos vinte anos após a segunda guerra mundial se espalharam duas vezes mais rapidamente do que aquelas introduzidas depois da primeira guerra mundial e três vezes mais do que as introduzidas entre 1890 e 1919”. é o que diferencia o primeiro desses últimos.160) Capítulo 7. mas o faz como uma parte do todo”. O evento se inscreve se inscreve na totalidade característica de um determinado momento. (p. tanto mais há tendência para que esses sistemas técnicos hegemônicos se instalem”. que se dá pela “possibilidade de conhecer instantaneamente eventos longínquos e. numa área. “representa. Conjuntos de técnicas aparecem emum dado momento. especialmente comparado aos sistemas anteriores. constituindo a base material da vida da sociedade.eventos. Uma técnica nunca aparece só e jamais funciona isoladamente: “a vida das técnicas é sistêmica e sua evolução também o é. através das máquinas e da Revolução Industrial.179) Capítulo 8. 176) A rapidez da difusão do sistema atual.As unicidades: a produção da inteligência planetária. (p. Defende-se a ideia de unicidade técnica. até que outro sistema de técnicas tome o lugar”. para compreender a história da humanidade. Por isso. (p. . é a divisão do trabalho.194) A unicidade do tempo é também denominada unicidade dos momentos. sua capacidade de invasão tem limites. Esses limites são dados peladivisão do trabalho e pelas condições de criação de densidade. é necessário compreender as técnicas e os sistemas de máquinas empregados em diferentes momentos históricos.(p. é necessária a compreensão dos sistemas técnicos sucessivos. (p. (p.152) “A ideia de tempo é inseparável da ideia dos objetos e de seu valor”.196) Constata-se a unicidade do motor da vida econômica e social do planeta que.178) “Se os atuais sistemas técnicos são invasores. e é o instante que valoriza de maneira diferente cada objeto.O sistema técnico atual Para melhor conhecimento das formas históricas de estruturação e funcionamento do território. “pelo fato de que os sistemas técnicos hegemônicos são cada vez mais integrados. As técnicas. (p. mantêm-se como hegemônicos durante um certo período. a possibilidade de perceber a sua simultaneidade”. formando conjuntos de instrumentos que operam de forma conexa”. mas sobre superfícies menores que o território nacional”.158) Os objetos coexistem através dos eventos. assim. “Se o evento esgota as suas próprias possibilidades. Papel do fenômeno técnico na produção de uma inteligência planetária se dá pela unicidade do tempo. unicidade do motor e unicidade técnica. jamais ele esgota ou utiliza todas as possibilidades oferecidas pelo mundo.

223) Capítulo 10. permitidas através das informações. (p. (p. o que conduz a uma heterogeneidade entre as unidades territoriais. sucessivamente instrumentalizado por essa mesma sociedade”. (p. O objeto atual é um objeto que se tornou sujeito. “os objetos que formam o meio não são. eles são culturais e técnicos.científico. ação não isolada e que arrasta. é técnico por sua estrutura interna. o meio técnico. “em todos os lugares habitados.233) A história do meio geográfico está dividida em três etapas: “o meio natural. “que se distingue dos anteriores pelo fato da profunda interação da ciência e da técnica. a da substituição de um meio natural.204) Capítulo 9. objetos culturais. ação que se dá em sistema. (p. (p. como motor. direta ou indiretamente.215) Pode ser também informacional por produzir trabalho específico. ao mesmo tempo”. “A ação codificada é presidida por uma razão formalizada. (p. pela emergência de uma mais-valia no nível mundial e assegurada.248) .Objetos e ações.informacional é o meio geográfico do período atual. (p.216) As ações se baseiam na ciência e na técnica. (p.238) As virtualidades espaciais e técnicas auxiliam na espacialização dos lugares.Do meio natural ao meio técnico-científico-informacional. Outros objetos têm. apenas. onde os objetos mais proeminentes são elaborados a partir dos mandamentos da ciência e se servem de uma técnica informacional da qual lhes vem o alto coeficiente de intencionalidade com que servem às diversas modalidades e às diversas etapas de produção”. através de um sistema de ações subordinado a uma mais-valia mundial. (p.234) “O meio técnico.214) Correlata a diferença entre objetos científicos e objetos técnicos.científico.235) No contexto do período técnico há uma emergência do espaço mecanizado onde. (p. pela existência sistêmica de grandes organizações. isto é. (p.236) Após a Segunda Guerra Mundial inicia um período denominado técnico-científico. sistema de ações menos informadas e demandas menos exigentes de mais-valia”. é científico-técnico porque sua produção e funcionamento não separam técnica e ciência”. Sobre as relações entre a sociedade e natureza.informacional”. “o objeto é científico graças à natureza de sua concepção.emblematicamente. viviam em comunhão conosco e nos eram subordinados”.214) “A grande distinção entre o hoje e o ontem é que antes os objetos eram poucos numerosos. hoje. “Objetos criados deliberadamente e com intenção mercantil são movidos por uma informação concebida cientificamente. que são os grandes atores atuais da vida internacional”. a tal ponto que certos autores preferem falar de tecnociência para realçar a inseparabilidade atual dos dois conceitos e das duas práticas”. e tem um papel fundamental na organização da ida coletiva e na condução da vida individual”. o meio técnico. (p. por meio cada vez mais artificializado. dado a uma determinada sociedade.

onde cada peça convoca as demais a se pôr em movimento. (317) O espaço abriga uma “conexão materialística” de um homem com o outro. São as verticalidades’. (p. (p. “na batalha para permanecer atrativos. separados uns dos outros. “A primeira se refere ao comportamento do agente econômico e a segunda pertenceria ao sistema econômico enquanto tal”. Segundo Godelier (1974). São as horizontalidades.284) Capítulo 13.Por uma geografia das redes A rede se define não só por suas definições como pelas suas conceituações. E cada lugar busca realçar suas virtudes por meio dos seus símbolos herdados ou recentemente elaborados.O lugar e o cotidiano “O espaço se dá ao conjunto de homens que nele se exercem como um conjunto de virtualidades de valor desigual. os lugares se utilizam de recursos materiais (como as estruturas e equipamentos). existem dois tipos de racionalidade. cujo uso tem de ser disputado a cada instante.301) Capítulo 14. De outro lado. há extensões formadas de pontos que se agregam sem descontinuidade. social e política. asseguram o funcionamento global da sociedade e da economia. imateriais (como os serviços). há pontos no espaço que. É. (p. No primeiro caso são vistas como um processo e no segundo como um dado da realidade atual”. (p. (p.Os espaços da racionalidade A decisão racional está submetida a racionalização e a extensão dos domínios da sociedade. as redes podem ser examinadas segundo um enfoque genético e segundo um enfoque atual.263) As mudanças nas redes de cada localização acabam ocasionando o que se denomina como guerra dos lugares. a intencional e a não-intencional.290) Os espaços de racionalidade. em função da força de cada qual”.Horizontalidades e Verticalidades No estudo do espaço e seus segmentos.321) . O autor afirma ainda que essa é a lógica da natureza artificializada “em sua busca pela imitação e superação da natureza natural”. “Em suas relações com o território. (p. de modo a utilizar a imagem do lugar como ímã”. como na definição tradicional de região.Capítulo 11. “funcionam como um mecanismo regulado. por assim dizer. “De um lado. a partir de um comando centralizado”. podemos observar dois recortes que são denominados como horizontalidades e verticalidades.269) Capítulo 12. também.

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