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Primavera Árabe e as proporções do conflito interno na Síria

Publicado no Blog Conjuntura Internacional, organizado por alunos da PUCMinas
NOVEMBRO DE 2012
Disponível em:
https://pucminasconjuntura.wordpress.com/2012/11/09/primavera-arabe-e-asproporcoes-do-conflito-interno-na-siria
Resumo
Desde 2010 o mundo vem acompanhando as revoltas populares no Oriente médio contra os
regimes ditatoriais. Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmen e diversos outros países da região
aderiram à revolta e foram à luta pelos direitos políticos e principalmente pela liberdade de
expressão, tão ameaçada por essas ditaduras. Em muitos países o conflito já foi, ou está sendo,
resolvido ou mesmo amenizado, no entanto, a situação da Síria tem se agravado profundamente.
O conflito toma proporções cada vez mais sangrentas e são distantes as perspectivas de solução
doméstica ou por parte da comunidade internacional.

Introdução
As recentes revoluções no Norte da África e no Oriente Médio, conhecidas como “A
Primavera Árabe”, são um fenômeno de extrema relevância no cenário internacional
contemporâneo. As reivindicações contra regimes ditatoriais com alto nível de
corrupção, taxas elevadas de desemprego, extrema desigualdade social, restrições à
liberdade de expressão e o desejo por maior participação política motivaram a
população desses países a operar uma mudança em seus governos, direcionada à
democratização (ABDALLAH, 2011). A impressa tratou as recentes manifestações
como um tardio “descobrimento” da democracia, definindo os povos da região como
populações acostumadas a tiranias.
Inspirados por esse cenário desenvolvem-se, desde 2011, conflitos no Estado sírio
diante da gestão do então presidente Bashar al Assad, que está no poder desde 2000,
após a morte de seu pai Hafez al Assad, que governou o país durante 29 anos. A Síria é
um dos países que aderiu à revolução e ainda mantêm a luta contra o governo ditatorial.
O embate entre a população – mobilizada em forças rebeldes – e o governo vem desde
15 de março de 2011, quando os sírios saíram às ruas para protestar contra a tortura que
estudantes sofreram, acusados pelo governo de criticar al Assad, que resiste
terminantemente a deixar o poder.

Escalada do conflito Quando Bashar al Assad assumiu o poder. a repressão contra a oposição e os meios midiáticos continuou muito semelhante ao governo anterior. A eletricidade e meios de comunicação teriam sido cortados. Entretanto. Nesse contexto. Segundo a imprensa. de que o novo governante implantasse reformas no país e abrisse a economia. mas por consequência da atitude violenta das tropas sírias. já se configura como uma guerra civil. uma guerra civil. o então presidente fez declarações prometendo acelerar as reformas. as estradas bloqueadas e a presença de jornalistas e observadores da ONU proibida. Em análise do desenvolvimento do conflito. é possível inferir que um dos motivos pelo qual Assad ainda se mantém no poder reside na “forte rede de apoio em . espalhados pela região – especificadamente na Turquia. O governo é responsabilizado por mais de 9 mil mortos. onde geralmente suas causas são a ganância pelo poder e para combater injustiças. os protestos não eram associados diretamente à queda de Assad. conseguindo sua independência ou para mudar as políticas do governo. Nas cidades de Deraa e Homs. as manifestações continuaram se espalhando pelo país e o governo passou a usar a força para reprimir e prender os rebeldes. Bashar não conseguiu implementar mudanças significativas devido a uma forte rede contrária a avanços. tanques chegaram a atacar pessoas nos protestos. É possível fazer tal afirmação tendo em vista os objetivos dos rebeldes: “assumir o controle do país ou de uma região específica.O conflito entre a sociedade civil e o governo sírio. se instalou um grande clima de otimismo por parte da população. resultando em um conflito violento” (FEARON. a população insatisfeita saiu às ruas para pedir mais democracia e liberdade. a oposição passou a exigir a queda do atual presidente. mas devido à lentidão no cumprimento das mesmas e embalados com o clima de tensão. que abriram fogo contra os manifestantes desarmados. além de mais de 25 mil refugiados. 2007). diante da “Primavera Árabe”. Frente à ameaça da oposição e às revoltas que derrubaram alguns governos na região. Jordânia e Líbano – configurando. de fato. A repressão do governo é demonstrada em números divulgados pela ONU sobre o conflito. que sustenta o governo desde os tempos de Hafez. A princípio. forças do governo teriam usado tanques e soldados de elite do exército em pelo menos oito cidades.

segunda maior cidade portuária do país. embora não seja a favor da violência usada pelo governo de Bashar. é preciso destacar que o interesse da Rússia em não apoiar certas propostas em relação ao governo da Síria parte diretamente do fato de Moscou ter uma importante base naval em Tartus. havia proposto que Bashar cedesse poder ao vice-presidente. em prol da segurança da população. que sempre foi o maior obstáculo para os acordos sugeridos pela Liga. recentemente o Exército sírio e os rebeldes se enfrentaram. pois embora haja manifestações contra o governo. Farouk al-Sharaa. que formaria um governo transitório. O papel da comunidade internacional nessa problemática deve ser buscar uma resolução para o conflito. na tentativa de amenizar o caos no país. Com base nisso. A Liga Árabe já tentou por muitas vezes encontrar soluções para o conflito na região. O Brasil. Apesar do acordo estabelecido. A proposta então sugerida foi desaprovada pela Rússia. proposta mediada pelo ex-secretário-geral das Nações Unidas. Bashar continua a ser apoiado por grande parte da população síria. O conflito no país vizinho poderia . a Liga. levando em consideração que não é do seu interesse um desequilíbrio ou desafeto com um desses países. com o apoio do Conselho de Segurança da ONU. por sua vez. o que confirmou o ceticismo dos Estados Unidos quanto ao grau de comprometimento da Síria em relação ao tratado. Em relação à Síria. Um dos assuntos que mais incomoda a ONU. Interferência internacional O cenário de terror tem sido alvo de inúmeras críticas e tentativas de interferência internacional. em relação às manifestações na Síria. mas continua sendo relutante em punir qualquer país membro. disse a presidenta Dilma Rousseff. baseado no princípio da não intervenção nos assuntos internos de outro país. mantém o discurso que sempre tivera. é o fato de que o clima de tensão possa abalar os “progressos” obtidos no Iraque e que isso resulte na intensificação das tensões no país vizinho. a Rússia resolveu dar um passo em prol do “bem comum” e votar no Conselho de Segurança da ONU a favor do envio de um grupo internacional de observadores que supervisione o cessar-fogo. “Na Síria. nós defendemos o fim imediato da repressão e encorajamos o diálogo nacional para lograr uma saída não violenta”.torno dele” (LYNCH. embora os “avanços” só tenham começado a aparecer depois de muitas negociações. Kofi Annan. 2011). Após muitas rejeições. Países fora do eixo europeu também tem se posicionado a respeito do conflito.

Considerações finais Embora os conflitos não pareçam ter um desfecho em curto prazo em alguns países. no sentido da Monarquia Constitucional e da Democracia. Hosni Mubarak. como ocorreu no Marrocos. ou a derrubada do presidente Bashar al Assad. A população síria continua lutando por mudanças significativas em seu país. que se caracterizou por uma movimentação popular. podendo gerar sérias repercussões no Oriente Médio e Magreb. com 42 anos no poder. Nessa perspectiva. . que organizou um referendo permitindo a mudança da Constituição. sofrer com a repressão do governo. na saída do presidente do Egito. mesmo que isso signifique prosseguir com o uso da violência e. na derrubada do coronel Muamar Kadafi da Líbia. que renunciou depois de 23 anos no cargo. já resultou na derrubada do ditador Zine El Abidine Ben Ali.perturbar o frágil equilíbrio regional. além do comprometimento de alguns países em relação a mudanças no governo. a Primavera Árabe. da Tunísia. que estava no poder havia 30 anos. caso a violência na Síria seguisse adiante. consequentemente. concedendo ao país a sua primeira eleição livre. em prol de avanços no sistema de governo e por uma maior liberdade política. é possível que tenhamos nos próximos meses o início de uma transição negociada.

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aprofundando a guerra civil que se instalou no pais. 60 e agora se opõe  o que isso diz para pensar a conjuntura? Eventos contextualizados em termos de Estrutura = Cenários possíveis.Alguns Elementos para Pensar a Estrutura (Qual a correlação de forças?): 1) Pensar nas históricas ingerências externas na região (desde a formação dos Estados-Nacionais no OM!). Perspectiva de que o conflito prossiga de forma violenta. Transição negociada ou queda de Al Assad. Encadear os eventos: Qual o fio condutor? Olhar para estrutura + Teoria  Cessar-fogo no curto prazo parece improvável. . 2) Atentar para a aliança entre o regime Al Assad e a Rússia (porto de Tartus). 3) Geopolítica do Petróleo 4) EUA apoiava alguns regimes nos anos 50.