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Princípios Físicos em Radiologia

Denise Yanikian Nersissian 1

1 Átomos, estrutura atômica e modelos atômicos

A palavra átomo significa “sem divisão”. Assim, ao longo da história acreditava-se que o átomo era a menor partícula, indivisível e minúscula. No decorrer do tempo verificou-se que isso não era verdade, pois áreas como a Física Atômica e Nuclear encontraram partículas ainda menores no interior dos átomos como os elétrons na parte mais externa e os pósitrons e outros na parte mais interna, por exemplo. Os átomos constituem tudo na natureza, associando-se para formar moléculas que se mantém unidas por meio de ligações químicas e interações físicas. Tais uniões obedecem a um princípio de equilíbrio entre estas ligações de forma a manter os átomos ou moléculas estáveis ou neutros (sem cargas). Porém, sob algumas situações pode-se transferir energia para eles que, consequentemente, podem ficar instáveis e perderem sua neutralidade, transformando-se em íons. Os íons podem ser positivos ou negativos, quando o átomo perde ou ganha um elétron, respectivamente 1 . Deste modo, encontram-se descritas na história várias descobertas sobre a divisibilidade dos átomos. Abaixo, estão relacionadas algumas datas importantes que identificam as descobertas que explicam a estrutura atômica hoje aceita pela comunidade científica, bem como algumas características importantes, como a massa destes elementos, por exemplo.

1 Física Médica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Doutora em Tecnologia Nuclear - Aplicações (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - SP), Especialista em Radiologia Diagnóstica (Associação Brasileira de Física Médica)

Tabela 1

Histórico das descobertas das estruturas atômicas

Quando?

Quem?

O quê?

1891

George Johnstone Stoney

Identificou o elétron

1897

Joseph Jonh Thomson

Mediu a razão da carga do elétron pela massa (e/m)

1909

Robert Andrew Milikan

Carga do elétron (e)

1920

Ernest Rutherford

Próton

1932

James Chadwick

Nêutron

1963

Murray Gell-Mann e George Zweig (independentemente)

quarks

Os modelos atômicos foram propostos, ao longo da história, baseando-se inicialmente em intuições dos pesquisadores da época com resultados obtidos por meio de tentativa e erro. Com o aprimoramento de métodos de medição em laboratório os primeiros modelos foram substituídos por outros que puderam ser averiguados experimentalmente e repetidos inúmeras vezes no estudo da estrutura da matéria. Em 1903, Hantaro Nagaoka (1865-1950) apresentou para a comunidade científica no Japão seu modelo atômico, fazendo uma analogia ao modelo planetário de Saturno 1 . Assim, o modelo proposto por ele consistia em um núcleo com uma massa muito grande, e elétrons ligados eletrostaticamente ao núcleo, orbitando ao seu redor (Figura 1).

ao núcleo, orbitando ao seu redor (Figura 1). Figura 1 Modelo atômico de Nagaoka No ano

Figura 1

Modelo atômico de Nagaoka

No ano seguinte, o famoso modelo atômico do “pudim de ameixas” (Figura 2) foi proposto por J. J. Thomson. Os elétrons carregados negativamente (ameixas) estariam distribuídos no interior de uma matéria carregada positivamente (pudim), assim garantia-se a condição de neutralidade do átomo 1 .

Figura 2 Modelo atômico de J. J. Thomson Ernest Rutherford, um ex-aluno de Thomson, realizou

Figura 2

Modelo atômico de J. J. Thomson

Ernest Rutherford, um ex-aluno de Thomson, realizou muitas experiências com a finalidade de verificar se o modelo de seu antigo professor era verdadeiro. Isto foi importante, pois os modelos atômicos anteriores foram elaborados a partir de intuições e até aquele momento, não havia estudos que comprovassem cientificamente como seria o arranjo das estruturas atômicas. Assim, Rutherford, auxiliado por seus discípulos (Geiger e Marsden) elaboraram um experimento onde lançaram partículas a (alpha: átomos de Hélio sem dois elétrons) sobre uma fina folha de ouro e mediram os ângulos de espalhamento após a colisão entre os átomos. Os resultados mostraram o que já esperavam, pois a maioria das partículas a espalhou em ângulos pequenos (entre 1º e 3º); porém uma quantidade significativa delas dispersou em ângulos maiores que 90º o que não podia ser explicado pelo modelo de Thomson 1,2 . O modelo de Rutherford resgata o conceito introduzido por Nagaoka e define o átomo como sendo uma carga elétrica central concentrada num ponto, rodeada por uma distribuição esférica e uniforme de carga elétrica em quantidade igual, mas de sinal contrário (Figura 3). Por estar embasado na teoria eletromagnética clássica, este modelo apresentou contradições, pois não explicava porque o elétron ficava girando em uma mesma órbita constantemente, não perdendo sua energia e modificando sua trajetória.

órbita constantemente, não perdendo sua energia e modificando sua trajetória. Figura 3 Modelo atômico de Rutherford

Figura 3 Modelo atômico de Rutherford

Em 1911, Niels Bohr, foi trabalhar com J. J. Thomson e depois se mudou para Manchester (Inglaterra) e para o grupo de Rutherford onde formulou seu modelo atômico a partir do átomo de hidrogênio (constituído de um próton e um elétron), o chamado modelo orbital (Figura 4). Uma das primeiras adequações do modelo de Rutherford foi definir que os elétrons não giravam em qualquer órbita, mas existiam posições permitidas para o elétron em vários níveis orbitais. Normalmente, o elétron fica a órbita de menor raio, mais perto do núcleo atômico, chamado de estado fundamental. Bohr descreveu, também, que quando o átomo de hidrogênio recebia algum tipo de energia (diz-se excitado), seu elétron migrava para outra órbita de raio maior (nível mais energético); porém, ele não ficava muito tempo neste nível mais energético e voltava para o estado fundamental, emitindo o excesso de energia na forma de um fóton (quantum ou pacote de energia) 1,2 .

de um fóton (quantum ou pacote de energia) 1 , 2 . Figura 4 Modelo atômico

Figura 4

Modelo atômico de Bohr

O que a ciência utiliza hoje como modelo atômico, ainda é o proposto por Bohr. Podemos simplificar a representação da estrutura atômica se fizermos uma comparação com o sistema solar. Assim, o núcleo central seria o sol e os elétrons seriam os vários planetas girando ao seu redor em órbitas bem definidas. Abaixo estão algumas características das principais partículas que compõem um átomo:

Eletrosfera !

Elétrons ! Massa: 9,1 x 10 -31 kg

!

carga negativa

Núcleo

!

Prótons

!

Massa: 1,673 x 10 -27 kg

! carga positiva

Núcleo

! Nêutrons

!

massa: 1,675 x 10 -27 kg

! neutro (sem carga)

As órbitas onde estão os elétrons estão organizadas em camadas que, para fins de identificação, estão classificadas como K, L, M, N, etc. Conforme a Figura 5, cada camada comporta um número específico de elétrons e representam os níveis de energia, também conhecidos por energia de ligação; quanto mais próximo um elétron está do núcleo atômico, maior sua energia de ligação. Assim, dependendo da configuração eletrônica, encontramos os diferentes elementos da Tabela Periódica. Por exemplo, o átomo de Hidrogênio é o mais simples, ele é composto pelo núcleo e por um elétron na camada K (1H). Quanto mais avançamos na Tabela Periódica, mais complexa se torna a distribuição dos elétrons na eletrosfera do átomo.

a distribuição dos elétrons na eletrosfera do átomo. Figura 5 Estrutura das órbitas eletrônicas Para

Figura 5

Estrutura das órbitas eletrônicas

Para representarmos um átomo utilizamos a simbologia que o associa a um elemento químico: X, por exemplo, o átomo de hidrogênio descrito acima se apresenta H. Assim, podemos descrever um elemento químico considerando seu número atômico Z (número de prótons) e seu número de massa A (número de prótons somados ao número de nêutrons).

2 Radiação eletromagnética

Considere um lago com água parada e uma folha de árvore, repousada sobre a superfície da água. Quando uma pedra é lançada, observa-se que ondas circulares se formam e começam a se propagar; chegando à folha, esta começará a se mover.

O que se vê neste cenário é a transmissão da “energia de movimento” por um meio

físico (água) que levou a folha a movimentar-se também. A onda não é um objeto físico, isto é nenhuma gota de água viajou da pedra até a folha, mas a superfície da água oscilou (sobe-desce) à medida que a onda passava. Desta maneira, radiação é

a palavra utilizada para esta “energia em movimento”, essa propagação, saindo do

local onde a pedra foi lançada e fazendo a folha se mover. De forma semelhante, a onda eletromagnética também é responsável por transportar informações e energia, porém este tipo de onda não precisa de um meio físico para se mover, ela se move no vácuo. A luz visível é um exemplo deste tipo de

onda eletromagnética, que é constituída pelos campos elétricos e magnéticos, oscilantes e perpendiculares entre si com uma velocidade de propagação de 300.000 km/s (Figura 6) 1 .

de propagação de 300.000 km/s (Figura 6) 1 . Figura 6 Representação de onda eletromagnética Dependendo

Figura 6

Representação de onda eletromagnética

Dependendo de outras características, como comprimento de onda, frequência, velocidade e amplitude 3 , classificam-se diversos tipos de ondas eletromagnéticas apresentadas na Figura 7, que transportarão energias de diferentes origens; por exemplo, o calor será detectado na emissão de radiação infravermelha, ou espectro de cores (arco-íris) será identificado ao se decompor a luz visível; estes tipos de radiação são detectáveis por sentidos humanos. Há outras formas de radiação, como a radiação X ou a gama que só podem ser detectados por meio de instrumentos de medição apropriados e calibrados para cada faixa de energia.

Figura 7 Espectro de energia das ondas eletromagnéticas De acordo com esta classificação têm-se os

Figura 7

Espectro de energia das ondas eletromagnéticas

De acordo com esta classificação têm-se os dois grandes grupos 1 radiação não ionizante e radiação ionizante. O primeiro grupo envolve ondas de rádio, microondas, infravermelho, luz visível e ultravioleta, e são radiações cujas energias não são suficientemente altas para quebrar as ligações atômicas nos materiais. O segundo grupo está dividido entre raios X, gama e radiação cósmica e são capazes de ionizar o meio por onde passam, isto é, transferem parte ou toda a energia que carregam. A diferença entre um fóton de raios X e outro de raios gama está na sua origem: o primeiro é produzido fora do núcleo atômico e o segundo é gerado em seu interior, como exemplifica a Figura 8.

é gerado em seu interior, como exemplifica a Figura 8. Figura 8 Geração de um fóton

Figura 8

Geração de um fóton de raios X na eletrosfera do átomo (a) e fóton de raios gama gerado no núcleo atômico (b)

3

Descoberta dos raios X

Pesquisando na história, voltamos ao ano de 1895, quando Wilhelm Conrad Roentgen realizou um experimento utilizando um tubo de Crookes (antecessor do tubo de raios X moderno) 1 . Ele observou que uma tela fluorescente (antecessora dos atuais écrans) brilhava fracamente enquanto o tubo permanecia ligado, este fenômeno acontecia em distâncias de até 2 m entre o tubo e esta tela fluorescente. Os experimentos seguintes foram verificar se estas emanações atravessavam materiais e se eram susceptíveis a campo magnéticos. Aqueles raios eram muito penetrantes, pois atravessavam livros, madeiras, placas metálicas, líquidos entre outros que Roentgen, incansavelmente aplicava-se em estudar. Em um destes experimentos ele observou que conseguia ver o contorno dos ossos de sua própria mão, enquanto colocava um dos materiais na frente dos tais raios. Então convenceu sua esposa Bertha a colocar a mão dela sob a influência destes raios por cerca de 15 minutos sem se mexer e assim obteve-se a primeira radiografia de extremidade da história. Esta tão famosa radiografia está exposta no Deutsches Museum. Quando Roentgen escreveu seu artigo relatando estas observações e descobertas, ele se referiu aos raios emitidos pelo tubo de Crookes como “raios X”, que eram os responsáveis por fazer a tela fluorescente brilhar; eles tinham a capacidade de atravessar alguns materiais, incluindo o corpo humano, o que gerou um reboliço na medicina, pois os médicos poderiam ver o interior do corpo sem abri-lo cirurgicamente. Isto se tornou uma tremenda ferramenta de diagnóstico médico, que hoje conhecemos por radiodiagnóstico e abrange várias modalidades como radiologia convencional, fluoroscopia, mamografia e tomografia entre outras. Cada uma delas tem aplicações específicas e equipamentos adequados às anatomias e com princípios de funcionamento diferenciado. Ao longo de todo o conteúdo deste material, você será convidado a conhecer cada um dos equipamentos com detalhes que o ajudarão a compreender como utilizar os benefícios destas técnicas radiográficas, minimizando os possíveis efeitos danosos provocados pela radiação.

Tubo de Crookes: consiste em um tubo de vidro selado a vácuo, contendo internamente, dois eletrodos metálicos (catodo e anodo) entre os quais se aplicava uma diferença de potencial. A partir do eletrodo negativo ocorria algum fenômeno que provocava a emanação dos então chamados raios catódicos, que sofriam alterações em suas trajetórias quando influenciados por campos magnéticos entre outras reações que foram estudadas por vários pesquisadores naquele período da história.

4 Atenuação de raios X

Os fótons de raios X passaram a ser utilizados na obtenção de imagens da parte interna do corpo, cujo princípio está baseado na absorção de alguns destes fótons por estruturas mais densas e/ou mais espessas; em contrapartida, outros fótons atravessam órgãos e tecidos atingindo o detector e formando a imagem. Outro nome que se dá à absorção é atenuação, que segue a regra da equação (1) e está no diagrama exemplificado da Figura 9. Esta regra é válida para um feixe de radiação chamado de monoenergético, como é o caso das radiações gama, provenientes de materiais radioativos, por exemplo. Algumas adaptações na equação (1) são necessárias quando queremos representar a atenuação de fótons de raios X provenientes de um feixe policromático (ou polienergético) 1 .

I

=

I

0

e µ

x

(1)

Onde: I 0 : Intensidade do feixe antes de atravessar o material absorvedor

I : Intensidade do feixe após de atravessar o material absorvedor µ : coeficiente de atenuação linear

x : espessura do material absorvedor

  x µ do material absorvedor
 
x
x
x
x

µ do material absorvedor

 
   
 
   
 
   
 
   
 
 
 
 
 
 
 
   
 
I o
I o
   

I(x)

 
 

Figura 9

Diagrama da atenuação de fótons ao passarem por um material absorvedor.

5 Interação da radiação com a matéria

A interação da radiação com a matéria ocorre de forma probabilística por meio de

cinco processos diferentes, sendo que na faixa dos raios X nos interessa

principalmente dois deles: o efeito fotoelétrico e o espalhamento Compton, porém

apresentaremos também os outros três fenômenos (espalhamento coerente,

produção de pares e fotodesintegração) de forma bem simplificada 3 .

5.1 Espalhamento Coerente

Também conhecido por espalhamento Thompson (físico que primeiro observou tal

fenômeno) ou clássico, tem maior probabilidade de ocorrer quando os fótons de

raios X possuem energias menores que 10 keV. Nesta interação entre os fótons e

um átomo, não há transferência de energia e, portanto não causa sua ionização.

Este efeito está demonstrado na Figura 10 onde, um fóton incidente (comprimento

de onda I) interage com um átomo deixando-o excitado. Para voltar ao seu estado

original, o átomo todo vibra, reemitindo o mesmo fóton (ainda com o mesmo

comprimento de onda I = I’), mudando apenas a direção (ângulo) do fóton 3 .

Figura 10 5.2 Efeito Fotoelétrico Espalhamento Coerente Este é o fenômeno mais desejado no radiodiagnóstico,

Figura 10

5.2 Efeito Fotoelétrico

Espalhamento Coerente

Este é o fenômeno mais desejado no radiodiagnóstico, pois é o responsável pela formação das imagens. Talvez você se pergunte: Como assim? Para explicar melhor precisamos resgatar o conceito intuitivo de formação da imagem em filme radiográfico. Qual a aparência do osso na imagem? Ele aparece mais claro que os outros tecidos em sua volta. E se considerarmos a imagem do pulmão? Ele tem tonalidades mais escuras. Por que será que a imagem do osso é “branca” e do pulmão é “preta”? O responsável por isso é o efeito fotoelétrico! Vamos entender como isso acontece. Um fóton de raios X com energia um pouco maior que a energia de ligação dos elétrons da camada mais interna tem maior probabilidade de realizar o efeito fotoelétrico. Ao interagir, o fóton é totalmente absorvido (desaparece) e transfere toda sua energia para o elétron mais fortemente ligado, que é ejetado de sua órbita (Figura 11). Este elétron é chamado de fotoelétron 3 .

Informação complementar: Parte da energia do fóton incidente é utilizada para arrancar o elétron (energia de ligação) sendo o restante transformado em energia cinética (velocidade) transmitida ao fotoelétron que foi ejetado de sua órbita.

O espaço deixado pelo fotoelétron pode ser ocupado por elétrons das camadas superiores,

gerando o que chamamos de radiação característica que aparece nos espectros. Falaremos de espectros e da radiação características mais adiante no texto.

O efeito fotoelétrico é inversamente proporcional ao cubo da energia dos raios X (1/E 3 ), por

isso a probabilidade de interação fotoelétrica cai rapidamente com o aumento da energia. A energia mínima necessária para se iniciar uma interação fotoelétrica deve ser ligeiramente maior que a energia de ligação do elétron na camada K. Ele, também, é diretamente proporcional ao cubo do número atômico (Z 3 ) do material absorvedor, tendo maior probabilidade de interagir com materiais de Z alto em comparação aos de Z mais baixo. Por causa disto, podemos utilizar os materiais de contraste para melhorar a visualização em algumas estruturas, por exemplo, o tecido mole apresenta um número atômico efetivo (Z ef ) de 7,4, enquanto que o Bário tem Z ef = 56. Agora que entendemos como este processo acontece, podemos retomar o que falamos no início e compreender que o osso tem aparência “branca” e o pulmão, “preta”, pois o primeiro tem Z ef maior que o segundo (osso = 13,8 e pulmão = 7,4), além de maior densidade o que favorece a maior absorção dos fótons incidentes que ficam retidos no osso; transmitindo poucos fótons, o filme é pouco irradiado na região dos ossos, deixando-o com a aparência “branca”; o oposto acontece com o pulmão, que, por ser preenchido com ar, é menos denso, absorve poucos e transmitindo muitos fótons, que impressionam o filme ficando com a aparência escura na região dos pulmões.

que impressionam o filme ficando com a aparência escura na região dos pulmões. Figura 11 Efeito

Figura 11

Efeito Fotoelétrico

5.3

Espalhamento Compton

Se o efeito fotoelétrico é tão desejado, por outro lado, gostaríamos o espalhamento Compton não acontecesse, pois prejudica a qualidade da imagem radiográfica deixando-a com a aparência borrada, reduzindo o contraste da imagem 3 . Considere a Figura 12 para entendermos este processo, nela vemos a radiação incidente interagindo com um elétron da camada mais externa, dizemos que este elétron está fracamente ligado ao átomo. Ao absorver parte da energia incidente o elétron secundário (ou elétron Compton) é ejetado desta órbita com certa energia cinética. Mas não é apenas isso que acontece, o restante da radiação incidente defletido em outra direção e com energia menor (o que está representado por outro comprimento de onda). Este espalhamento pode ocorrer em todas as direções, sendo que quando acontece em 180 o , transfere-se o máximo de energia ao elétron Compton, e o fóton secundário é chamado retroespalhado. Com relação à probabilidade de ocorrência do efeito Compton, podemos dizemos que ela é inversamente proporcional à energia (1/E) e é independente do número atômico.

à energia (1/E) e é independente do número atômico. Figura 12 Espalhamento Compton Resumimos na Tabela

Figura 12

Espalhamento Compton

Resumimos na Tabela 2 uma comparação entre os dois fenômenos mais importantes na faixa de energia do radiodiagnóstico: fotoelétrico e Compton.

Tabela 2

Comparação entre o efeito fotoelétrico e espalhamento Compton.

Descrição

Efeito Fotoelétrico

Espalhamento Compton

 

- mais internos

- mais externos

Probabilidade com elétrons:

- mais fortemente ligados

- mais fracamente ligados

energia pouco maior que a de ligação

-

Energia de raios X:

- diminui (1/E 3 )

- diminui com (1/E)

Número atômico do alvo:

- aumenta com Z 3

- não depende

Densidade do material do alvo:

- aumentam com materiais mais densos

5.4 Produção de Pares

A Figura 13 apresenta o processo de interação conhecido por produção de pares que ocorre somente se o fóton incidente de raios X possui energia maior que 1,02 MeV, assim, ele se aproxima do núcleo atômico e fica sob influencia da força do campo nuclear. Nesta condição, o fóton incidente desaparece, originando duas partículas carregadas: o pósitron (positivo) e o elétron (negativo) 3 . O primeiro se combina com um elétron livre do meio, gerando dois fótons de 0,512 MeV (radiação de aniquilação); este processo é o princípio de funcionamento na tomografia por emissão de pósitrons. Já o elétron perde sua energia por meio de excitação ou ionização.

de pósitrons. Já o elétron perde sua energia por meio de excitação ou ionização. Figura 13

Figura 13

Produção de pares

5.5

Fotodesintegração

Este é a interação entre um fóton altamente energético, acima de 10 MeV e o núcleo do átomo. Nesta condição, o fóton é absorvido pelo núcleo que fica excitado e para voltar ao seu estado normal de energia emite um fragmento nuclear 3 . A Figura 14 representa este processo de fotodesintegração.

fragmento nuclear 3 . A Figura 14 representa este processo de fotodesintegração. Figura 14 Fotodesintegração. 15

Figura 14

Fotodesintegração.

Tecnologia e funcionamento dos equipamentos

6

Geradores

6.1

Definição

Camila Sousa Melo 1

Denise Yanikian Nersissian 2

Tânia Aparecida Correia Furquim 3

Como descrito, o átomo é composto por elétrons, prótons e nêutrons. Cada uma destas partículas tem uma propriedade intrínseca que determina a relação entre elas. O elétron (e) tem um caráter negativo, então é chamado de carga elétrica negativa. O próton (p) tem caráter positivo, conhecido então como carga elétrica positiva, já o nêutron possui caráter neutro (N), sem carga elétrica. Qualquer carga elétrica gera um campo elétrico em sua volta, ou seja, uma região que pode influenciar o comportamento de outras cargas, como observado na Figura 15.

1 Física Médica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo.

2 Física Médica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Doutora em Tecnologia Nuclear - Aplicações (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - SP), Especialista em Radiologia Diagnóstica (Associação Brasileira de Física Médica)

3 " Física Médica do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Doutora em Tecnologia Nuclear - Aplicações (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - SP), Mestre em Biofísica (Instituto de Física da USP), Especialista em Radiologia Diagnóstica (Associação Brasileira de Física Médica).

"

Carga elétrica

negativa

Carga elétrica

positiva

Linhas do campo elétrico apontam para dentro da carga negativa Linhas do campo elétrico apontam
Linhas do campo
elétrico apontam
para dentro da
carga negativa
Linhas do campo
elétrico apontam
para fora da
carga positiva
Interações entre
as cargas
elétricas

Figura 15

Campos elétricos gerados por cargas negativas e positivas e as interações entre elas.

Esta capacidade de atração e repulsão é chamada potencial elétrico, que é a energia adquirida por um corpo, no caso a carga elétrica, que o permite realizar trabalho, movimentação. Quando uma diferença de potencial (tensão) entre dois pontos em um material cheio de elétrons é aplicada, deixando um lado mais positivo e o outro negativo, esta carga é atraída pelo lado positivo e se movimenta até ele, gerando assim uma corrente elétrica. Os cabos que alimentam a rede elétrica de um hospital ou clínica são de material condutor. Este tipo de material possui elétrons da região externa da eletrosfera com ligação muito fraca com o núcleo, então os elétrons circulam livremente de um átomo para outro e se distribuem por toda a extensão do condutor. Quando é aplicada uma tensão, estes elétrons se movimentam para o lado positivo gerando um fluxo de elétrons chamado corrente elétrica que pode ser medida em miliampères (mA), sendo 1 mA igual a 6,24 x 10 15 elétrons por segundo iv , como mostrado na Figura 16.

Cabo rede elétrica
Cabo rede elétrica

Figura 16

ensão (kV) e corrente (mA) aplicadas nos cabos de alimentação da rede elétrica de um hospital ou clínica.

A rede elétrica de um hospital ou clínica fornece normalmente tensão de 110 V e 220 V, muito menor do que a faixa de energia escolhida pelos técnicos em radiologia nos painéis de controle dos equipamentos de raios X, que são aproximadamente de 40 kV (40000 V) a 150 kV (150000 V) como observado na Figura 17.

(40000 V) a 150 kV (150000 V) como observado na Figura 17. Figura 17 As tensões

Figura 17

As tensões (kV) fornecidas pela rede elétrica dos hospitais e clínicas não são as selecionadas no painel de controle de um equipamento de raios X convencional.

Então, como os equipamentos de raios X alcançam essas altas tensões?

A energia proveniente da rede elétrica é fornecida inicialmente a um dispositivo chamado autotransformador, que é um tipo de transformador. O transformador é um dispositivo que altera o valor de tensão e corrente inicialmente fornecidas a ele de acordo com a lei dos transformadores.

6.1.1

Lei dos transformadores e seu princípio de funcionamento

 

Os

transformadores

operam

segundo

a

lei

de

Faraday

ou

primeira

lei

do

eletromagnetismo.

Primeira lei do eletromagnetismo Uma corrente elétrica é induzida em um circuito se este estiver sob a ação de um campo magnético variável.

Um campo magnético é uma região do espaço induzida por qualquer carga em movimento, como a corrente elétrica (i) que corresponde a elétrons em movimento, ou por algum material com propriedades específicas, como o ímã. Como visto anteriormente, cada carga elétrica cria em torno de si um campo elétrico com linhas de campo elétrico entrando (carga negativa) ou saindo (carga positiva). De modo análogo o imã e uma carga em movimento criam um campo magnético (B), porém sempre suas linhas de campo saem de um polo norte (positivo) e chegam em um polo sul (negativo), mostrando assim dois polos simultaneamente, como mostrado na Figura 18. A terra também gera um campo magnético devido a seu núcleo formado por ferro e níquel, possuindo assim polos norte e sul. E este é o princípio de funcionamento da bússola, instrumento de localização, que nada mais é que um ímã com seu norte

apontando sempre para norte geográfico da terra (ou sul magnético), como

observado na Figura 19.

Linhas de campo magnético i B) A) Ímã Fio enrolado passando corrente elétrica (i)
Linhas de campo magnético
i
B)
A)
Ímã
Fio enrolado passando
corrente elétrica (i)

Figura 18

Corrente elétrica (i) = Carga em movimento Fio enrolado = Conjunto de espiras

Campo magnético gerado pelo ímã (A) e por carga em movimento (B).

Achar os pólos norte e sul e a direção do campo magnético ( !!!!! ) !

e a direção do campo magnético ( ! ! ! ! ⃗ ! ) ! Espira

Espira

Regra da mão direita

i !⃗ !
i
!⃗
!
! ! ! ⃗ ! ) ! Espira Regra da mão direita i !⃗ ! Ímã
Ímã Colocar sobre limalha de ferro e observar as linhas de campo magnético formadas S
Ímã
Colocar sobre limalha de ferro e observar as
linhas de campo magnético formadas
S
N
Bússola = ímã em forma de agulha que gira sobre
um referencial de posicionamento (norte, sul, leste,
oeste)
Pólo norte geográfico
Pólo sul magnético
N
O
L
S
Bússola

Polegar = no sentido da corrente elétrica (i)

!!!!)

Fechamento mão = sentido campo magnético ( !

Pólo norte geográfico Pólo sul magnético S Globo Terrestre N Pólo sul geográfico Pólo norte
Pólo norte geográfico
Pólo sul magnético
S
Globo
Terrestre
N
Pólo sul geográfico
Pólo norte magnético
Pólo sul geográfico
Pólo norte magnético

Seu norte aponta para o polo sul magnético da terra (chamado polo norte geográfico para facilitar a orientação pela bússola, norte da bússola indicando norte geográfico da terra da terra)

!⃗ ! i
!⃗
!
i
indicando norte geográfico da terra da terra) !⃗ ! i linhas de campo saem de um

linhas de campo saem de um pólo norte (N) e chegam a um pólo sul (S)

O norte da bússola aponta para o sul magnético da terra pois: Se atraem
O norte da bússola aponta para o sul magnético da terra pois:
Se atraem
N S N S
N S
N S
S N S N
S
N
S
N

Se repelem

N S S N
N S
S
N
S N N S
S
N
N S
i S N
i
S
N

Figura 19

Descobrindo as linhas de campo magnético e sua direção.

21

Uma carga em movimento está sempre associada a um campo magnético ao seu redor – e essa carga pode sofrer a influência de um campo magnético associado à outra carga também em movimento ou algum ímã. Por exemplo, uma espira passando corrente elétrica gera campo magnético e se inserida perto de um ímã que também tem seu próprio campo magnético, eles sofrerão uma interação denominada força magnética (F), que gira esta espira. Esta força é vetorial, ou seja, é caracterizada por uma direção e sentido. Se a corrente elétrica que passa pelos fios variar (corrente alternada) produzirá um campo magnético variável, de acordo com a primeira lei do eletromagnetismo. Por isso, os transformadores são alimentados com correntes (i) alternadas senoidais de frequência (f) de 60 Hz, que é o tipo de corrente fornecida pelas redes elétricas de um hospital ou clínica, como observado nas Figuras 20 e 21.

Corrente alternada Corrente contínua (onda senoidal) (reta)
Corrente alternada
Corrente contínua
(onda senoidal)
(reta)

Corrente alterna seu valor em positivo e negativo ao longo do tempo

Corrente mantém mesmo valor positivo ao longo do tempo

Figura 20

Diferenças entre corrente contínua e alternada.

f = Número de ciclos em um Se for ciclos por segundo (s), a intervalo
f = Número de ciclos em um Se for ciclos por segundo (s), a intervalo
f = Número de ciclos em um
Se for ciclos por segundo (s), a
intervalo de
tempo específico
unidade utilizada é a Hertz (Hz)

Figura 21

Frequência de uma corrente alternada.

Um transformador são fios enrolados em torno de cada lado de um núcleo de ferro, formando de um lado uma bobina primária e do outro uma secundária. Este núcleo é curvado para que não tenha saída de linhas de campo magnético devido às bordas e este campo se mantenha no centro do núcleo, como mostrado na Figura 22. Assim, uma corrente alternada na bobina primária produz um campo magnético que passará através do centro da bobina secundária e induzirá uma corrente alternada nesta. Os valores produzidos de corrente e tensão pelo transformador seguem a lei dos transformadores, demonstrando que a razão das tensões é proporcional à razão entre o número de voltas das espiras, e inversamente proporcional à razão de correntes, como pode ser observado na Figura 22.

Bobina secundária Bobina primária Núcleo de ferro = ? 110 V = = 0,5 A
Bobina secundária
Bobina primária
Núcleo de ferro
= ?
110 V =
= 0,5 A
= ?
= 4
= 8

V p = Tensão bobina primária I p = Corrente bobina primária N p = Número de voltas bobina primária

V S = Tensão bobina secundária I S = Corrente bobina secundária N S = Número de voltas bobina secundária

secundária N S = Número de voltas bobina secundária Figura 22 Exemplificação de um transformador e

Figura 22

Exemplificação de um transformador e seu funcionamento de acordo com a lei dos transformadores.

De acordo com a Figura 22 podemos concluir que, se o número de espiras da bobina secundária for maior do que o da bobina primária, teremos valores maiores para a tensão e menores de corrente da bobina secundária em relação à primária, caracterizando assim um transformador elevador de tensão. Já, se o número de espiras da bobina secundária, for menor do que o da primária, teremos valores menores de tensão e maiores de corrente da bobina secundária em relação à primária, caracterizando assim um transformador abaixador de tensão.

Autotransformadores

O autotransformador é um tipo de transformador e funciona com o mesmo princípio

do transformador apresentado na Figura 22, a única diferença é que consiste de apenas um fio enrolado em um núcleo de ferro sem curvatura, com conexões de entrada e saída que são as suas bobinas primária e secundária, como demonstrado na Figura 23.

V p = 110 V (tensão bobina primária) N p = 25 (número de voltas
V p = 110 V
(tensão bobina
primária)
N p = 25
(número de
voltas bobina
primária)
N s = 9
(número de
voltas bobina
secundária)
V s = ?
Aplicar a lei dos
transformadores
(tensão bobina
secundária)

Figura 23

Autotransformador e seu princípio de funcionamento.

Um autotransformador é um tipo de transformador utilizado para pequenas alterações de tensão e corrente 3 . Deste modo, a corrente e tensão fornecida pela rede elétrica é aplicada ao autotransformador que fará uma primeira alteração nesta tensão que será aplicada a outro transformador, com capacidade de elevação da tensão para a ordem dos kilovolts, e a corrente gerada será fornecida a um transformador abaixador de tensão. Assim, os valores de tensão e corrente se elevam, de acordo com a lei dos transformadores, e alcançam os valores selecionados no painel de controle do equipamento de raios X.

O tubo de raios X consiste de uma cápsula a vácuo, que pode ser de vidro ou metal

e que possui duas partes, chamadas de catodo (fonte de elétrons) e anodo (alvo dos elétrons), como mostrado na Figura 24. Entre estas partes é aplicada uma tensão (V A ) pelo transformador elevador de tensão do gerador com o objetivo de acelerar os elétrons, produzidos no catodo, em

direção ao anodo, e os retificadores são dispositivos que garantem esta única direção sempre. Para a produção dos elétrons no catodo é aplicada uma tensão (V B ) pelo transformador abaixador de tensão em um filamento localizado nesta região.

(tensão de aceleração dos elétrons do catodo para o anodo) V A Anodo Catodo Filamento
(tensão de aceleração dos elétrons
do catodo para o anodo)
V A
Anodo
Catodo
Filamento

Figura 24

Raios X
Raios X

Tubo de Raios X e seu funcionamento simplificado

Os transformadores de elevação e redução da tensão constituem um gerador de alta tensão juntamente com os retificadores. Os retificadores são compostos por diodos que são dispositivos que garantem o sentido único da direção da corrente no tubo de raios X e podem ser representados como demonstrado na Figura 25 4 .

Figura 25

Figura 25 Representação do diodo e sentido da corrente e elétrons no tubo de raios X.

Representação do diodo e sentido da corrente e elétrons no tubo de raios X.

Dependendo da quantidade e arranjo destes diodos, a retificação pode ser de meia onda ou onda completa. Este nome se refere ao formato de onda produzido pela corrente alternada fornecida pela rede elétrica, uma onda senoidal com parte positiva e negativa, pois a direção de corrente é variada, como já demonstrado na Figura 20.

6.1.2 Retificação de meia onda

A Retificação de meia onda permite a passagem da corrente elétrica pelo

circuito, que liga os transformadores ao tubo de raios X, somente durante a parte positiva da onda. Consequentemente, a produção de raios X só é realizada durante somente metade do ciclo da onda, implicando em aumento

do tempo de exposição no exame para compensar esse tempo sem produção de raios X.

O direcionamento desta corrente do catodo ao anodo no tubo de raios X é

realizado por um ou dois diodos, como observado na Figura 26.

6.1.3 Retificação de onda completa

É possível, entretanto, utilizar todo o ciclo da onda da corrente alternada para

a produção de raios X, otimizando assim o tempo de exposição do exame.

Essa forma de retificação é denominada retificação de onda completa.

Equipamentos de raios X com retificador de onda completa direcionam a corrente com pelo menos quatro diodos. Neste circuito retificador, durante o ciclo negativo da onda os elétrons são redirecionados de forma que o anodo esteja sempre com potencial positivo. Consequentemente, ocorre produção de raios X durante todo o ciclo da onda como pode ser observado na segunda metade do ciclo na Figura 27. A principal vantagem da retificação de onda completa é que o tempo de exposição para qualquer técnica de exame escolhida é reduzido à metade, diminuindo a exposição do paciente à radiação 3 .

reduzido à metade, diminuindo a exposição do paciente à radiação 3 . Figura 26 Retificação de

Figura 26

Retificação de meia onda.

Figura 27 Retificação de onda completa. 6.2 Tipos de geradores Geradores Trifásico Potencial constante Monofásic

Figura 27

Retificação de onda completa.

6.2 Tipos de geradores

Geradores
Geradores
de onda completa. 6.2 Tipos de geradores Geradores Trifásico Potencial constante Monofásic Alta frequência
de onda completa. 6.2 Tipos de geradores Geradores Trifásico Potencial constante Monofásic Alta frequência
Trifásico
Trifásico
de onda completa. 6.2 Tipos de geradores Geradores Trifásico Potencial constante Monofásic Alta frequência 29
Potencial constante
Potencial
constante
Monofásic
Monofásic
Alta frequência
Alta
frequência

6.2.1

Monofásicos

A forma de onda de entrada e saída dos transformadores deste tipo de gerador é de fase única, ou seja, é produzida uma única onda, com variações positiva e negativa devido à corrente alternada fornecida pela rede elétrica. Nesta configuração de gerador, a tensão selecionada no painel de controle é gerada pelo autotransformador e aplicada a bobina primária do transformador de alta tensão (elevador de tensão). Esta tensão primária é então intensificada, retificada (meia onda ou onda completa) e aplicada ao tubo de raios X. A tensão produzida pelo transformador de alta tensão varia de zero a um valor máximo, tendo 100% de variação da sua ondulação, também chamada variação de ripple, como mostrado na Figura 8.

Gerador Monofásico de 1 pulso

1 ciclo ; 1 pulso K máx 100% variação (ripple) A) 0 Retificação de meia
1 ciclo ; 1 pulso
K máx
100% variação
(ripple)
A)
0
Retificação de meia onda
(segunda metade do ciclo sem produção de raios X)
1 ciclo ; 2 pulsos
K máx
100% variação
(ripple)
B)
0
Retificação de onda completa
(segunda metade do ciclo com produção de raios X)

Figura 28

Formato de onda produzido em um gerador monofásico de meia onda (A) e onda completa (B

6.2.2

Trifásicos

Uma forma de superar essa alta variação de tensão e perda de eficiência é gerar três formas de onda simultâneas e fora de fase, ou seja, tem seu início em tempos diferentes. Essa manipulação resulta em uma tensão trifásica e gera múltiplas formas de onda superpostas, resultando em uma forma de onda que mantém um valor de alta tensão aproximadamente constante, com uma variação de somente 13%, como observado na Figura 29.

uma variação de somente 13%, como observado na Figura 29. Figura 29 Gerador trifásico de 6

Figura 29

Gerador trifásico de 6 pulsos

Com tamanha redução da variação ripple, os geradores trifásicos fornecem uma tensão mais constante para o tubo de raios X e podem produzir tempos muito curtos de exposição do paciente à radiação. No entanto, estes sistemas são maiores, ocupando mais espaço e devido sua maior complexidade, são mais caros 4 .

6.2.3

Alta frequência

Uma vantagem do gerador de alta frequência é o seu tamanho. Esses geradores são muito menores que os geradores monofásico e trifásico, e produzem uma forma de onda de tensão aproximadamente constante, possibilitando melhor eficiência do tubo de raios X e consequentemente menor dose de radiação recebida pelo paciente 3 . Este tipo de gerador utiliza um circuito monofásico ou trifásico retificado. Posteriormente, converte o sinal gerado deste circuito (f = 60 Hz) em um sinal de alta frequência (500 – 40000 Hz) através de um dispositivo chamado inversor de potência 3 . O sinal resultante passa por um transformador elevador de tensão, com retificação de onda completa que dobra o número de pulsos, como observado na Figura 30.

que dobra o número de pulsos, como observado na Figura 30. Figura 30 Tensão gerada em

Figura 30

Tensão gerada em um gerador de alta frequência

6.2.4

Potencial constante

Um gerador de potencial constante é um gerador trifásico com a adição de um circuito que controla o tempo de exposição e magnitude da tensão fornecida ao tubo de raios X. Este circuito controlador é colocado na saída do transformador elevador de tensão, que fornece a diferença de potencial ao tubo de raios X 4 . O circuito controla a duração da exposição ligando e desligando a tensão fornecida ao tubo com aproximadamente 20 ms de precisão. E com a ajuda de um sistema que monitora e mede a diferença entre a tensão desejada no painel de controle e a atual tensão no circuito de alta-tensão, ele ajusta a magnitude da alta tensão de saída gerada com 20 a 50 µ s de precisão 4 . Um gerador de potencial constante consegue uma tensão para o tubo de raios X com variação menor que 2%, como observado na Figura 31.

< 2% Variação (ripple)
< 2%
Variação
(ripple)

Figura 31

A forma de onda produzida por um gerador de potencial constante possui uma variação de menor que 2%.

6.3

Localização

O gerador normalmente encontra-se dentro da sala de exames, próximo ao tubo de raios X, enquanto que o painel de controle é instalado atrás de uma barreira de proteção, como observado na Figura 32. E em equipamentos móveis, ele se encontra acoplado às outras partes do equipamento, formando uma única estrutura, como observado na Figura 33.

Figura 32 Posicionamento das partes de um equipamento de raios X em uma sala de

Figura 32

Posicionamento das partes de um equipamento de raios X em uma sala de exames.

das partes de um equipamento de raios X em uma sala de exames. Figura 33 Partes

Figura 33

Partes de um equipamento móvel.

7

Tubos de raios X

7.1

Anatomia

termoiônica

de

um

tubo

para

radiologia

convencional

e

emissão

O tubo de raios X, como visto anteriormente, consiste de uma cápsula a vácuo, que

pode ser de vidro ou metal. A condição de vácuo é utilizada para evitar colisões dos elétrons com moléculas de gás no percurso do catodo para o anodo, garantindo assim um bom isolamento elétrico.

A cápsula de vidro ou metal é envolta por uma cúpula que exerce a função de

sustentá-la, isolá-la e protegê-la do meio externo. A cúpula é revestida inteiramente

com chumbo, exceto em uma janela radiotransparente designada para saída dos raios X, bloqueando assim os outros raios X emitidos em outras direções, pois eles são emitidos em todas as direções após sua formação no anodo, como pode ser observado na Figura 19. Os fótons de raios X que passam por esta janela constituem o chamado feixe útil. A produção deste feixe gera muito calor, necessitando de um sistema de resfriamento dentro da cúpula. Este resfriamento pode ser feito através de ar, óleo ou água. Muitos dos tubos resfriados por ar são equipados com tipos de ventiladores ou circuladores de ar, já o óleo (ou água) circula com o auxílio de uma bomba, que controla sua ida para o resfriamento e volta para o tubo através de mangueiras especiais. Quando ocorre aquecimento excessivo do óleo, há na cúpula uma parede com capacidade de expansão, como observado na Figura 34.

com capacidade de expansão, como observado na Figura 34. Figura 34 Partes internas de uma cúpula

Figura 34

Partes internas de uma cúpula de tubo de raios X.

7.1.1

Catodo

Uma vez o tubo resfriado e liberado para funcionamento, a produção de raios X se inicia. O catodo exerce a função de fonte de elétrons do tubo de raios X. Para a produção destes elétrons há um ou dois filamentos helicoidais de tungstênio, como mostrado na Figura 35.

helicoidais de tungstênio, como mostrado na Figura 35. Figura 35 Filamentos do catodo e sua estrutura

Figura 35

Filamentos do catodo e sua estrutura de focalização.

O filamento é conectado a um transformador abaixador de tensão, chamado

transformador do filamento, que fornece uma diferença de potencial para produção

de corrente (mA). Esta corrente produzida é de valor igual ao selecionado no painel

de controle do equipamento (aproximadamente de 20 a 500 mA, ou maior). A corrente determina a temperatura do filamento, aquecendo-o suficientemente para ocorrer a liberação de elétrons por emissão termoiônica.

A emissão termoiônica consiste da ejeção de elétrons por aquecimento de um

material condutor. Os elétrons num material condutor, à temperatura ambiente, se

agitam e passam de um átomo para outro facilmente devido a sua fraca ligação com

o núcleo. Este movimento no interior do material induz uma carga positiva correspondente na superfície que tende a atraí-lo.

O aquecimento deste material a aproximadamente 2200ºC proporciona aos elétrons

energia mínima, chamada função-trabalho, necessária para superar a força de atração do material devido às cargas positivas geradas, formando uma nuvem de

elétrons próxima à superfície do condutor.

Então, durante o aquecimento do filamento, esta nuvem de elétrons é formada ao seu redor, como visto na Figura 36 e quando uma tensão é aplicada no tudo de raios

X esses elétrons são acelerados em direção ao anodo, gerando uma corrente

elétrica. Porém, se a tensão for muito baixa, alguns elétrons retornam pra o filamento em vez de seguirem em direção ao anodo, reduzindo assim a corrente no tubo. Este efeito é conhecido como efeito espacial de carga. Assim, tensões maiores produzem correntes no tubo levemente maiores para a mesma corrente de filamento

até que todos os elétrons sejam acelerados e ocorra a saturação.

todos os elétrons sejam acelerados e ocorra a saturação. Figura 36 Filamento aquecido e sua nuvem

Figura 36

Filamento aquecido e sua nuvem de elétrons.

Materiais que são bons emissores termoiônicos possuem uma função de trabalho baixa e um ponto de fusão alto. O tungstênio tem ponto de fusão a 3400ºC e uma função trabalho de 4,5 eV, por isso é tão utilizado como material do filamento do catodo 3 . Apesar de o ponto de fusão dos materiais usados serem altos, o filamento pode sofrer vaporização se mantido por muito tempo a essa alta temperatura. Então, a corrente do tubo é mantida em um valor inferior, que mantém o filamento pré- aquecido em uma temperatura menor do que a necessária durante a exposição. Por isso, os equipamentos de diagnóstico por imagem normalmente possuem botões de duas etapas, a 1º etapa chamada preparo, quando o filamento é pré-aquecido, e a

2º chamada exposição, quando a alta tensão entre o anodo e o catodo é acionada e

a exposição é realizada. Também, encontram-se equipamentos com dois botões, um designado para o preparo e o outro para a exposição. Os elétrons ejetados do filamento interagem com uma pequena área no anodo. Para manter pequena esta área de interação no disco do anodo, o caminho entre o catodo e o anodo é orientado pela estrutura de focalização que se encontra ao redor

do filamento, pois os elétrons tendem a se repelir por possuírem mesma carga negativa. A focalização é feita por uma tensão aplicada a esta estrutura, de mesmo valor da fornecida ao filamento ou mais negativa. No segundo caso, o circuito que fornece a tensão para a estrutura de focalização é isolado do circuito que fornece a tensão para o filamento, resultando em uma largura de feixe de elétrons menor. A largura da área atingida no disco de anodo é definida pela tensão aplicada à estrutura de focalização, e o comprimento pelo comprimento do filamento. Esta área atingida no anodo é conhecida por ponto focal e o comprimento do filamento determina se o foco é grosso (comprimento maior) ou fino (comprimento menor), como observado na Figura 37.

ou fino (comprimento menor), como observado na Figura 37. Figura 37 A) Foco fino, área de

Figura 37 A) Foco fino, área de comprimento menor no anodo; B) Foco grosso, área de comprimento maior no anodo.

7.1.2

Anodo

Na área atingida no anodo ocorrem as interações para produção de raios X. Estas interações acontecem especificamente no disco do anodo, que pode ser estacionário ou giratório. Para rotacionar esta estrutura, o anodo possui um arranjo elaborado de rotor e estator, já o anodo fixo consiste simplesmente de tungstênio inserido em um bloco de cobre, como mostrado na Figura 38. Os elétrons que colidem no anodo depositam a maior parte da sua energia na forma de calor e somente uma parte é emitida em raios X (aproximadamente 1%), então é necessário que o anodo tenha uma alta capacidade de dissipar este calor gerado para evitar danos na sua estrutura e ser eficiente na produção de raios X. Estas características são alcançadas através da escolha do material do alvo e da instalação de um sistema rotacional acoplado a ele, que aumenta sua área de dissipação de calor. Os materiais geralmente utilizados são o tungstênio, rênio ou uma combinação destes, devido a seus altos pontos de fusão e alto número atômico. O material mais utilizado é o tungstênio, escolhido devido a seu alto ponto de fusão (3400ºC), suportando alto depósito de calor sem fissuras ou corrosão, como observado na Figura 39. O acréscimo de outro material (ex: rênio) forma uma liga (ex: 10% rênio e 90% tungstênio) que deixa o anodo ainda mais resistente 4 .

Catodo Anodo Fixo
Catodo
Anodo Fixo

Figura 38

Anodo fixo do tubo de raios X.

Catodo Disco do anodo giratório Fissuras na área do anodo devido ao excesso de calor
Catodo
Disco do anodo
giratório
Fissuras na área do anodo
devido ao excesso de calor

Figura 39

Disco do anodo giratório com fissuras devido ao excesso de calor

A rotação do anodo é realizada pelo aprisionamento de um disco de tungstênio a um motor de indução através de uma haste de molibdênio. Este motor é constituído por um rotor (barras de cobre arranjadas ao redor de um núcleo de ferro cilíndrico) e um estator (conjunto de bobinas que ficam ao redor do rotor, fora da cápsula a vácuo), como observado na Figura 39. Com a aplicação de uma corrente alternada entre os pares de bobinas do estator, é produzido um campo magnético que induz uma corrente no rotor, e esta corrente induz um campo magnético oposto. O rotor sofre ação da força magnética, como explicado anteriormente, e assim rotaciona. A produção de raios X no equipamento só é permitida quando a velocidade máxima do anodo é alcançada, ocasionando um atraso entre o acionamento do botão no painel de controle e a produção dos raios X. A haste de molibdênio diminui o calor transferido do anodo para o rotor devido a este material ser um mal condutor de calor, preservando assim a integridade do rotor. Os tubos com anodos giratório exigem uma engenharia mais elaborada para sua fabricação, tornando-os mais caros. Por isso, apesar de a maioria dos equipamentos serem de anodo giratório, há muitos que utilizam anodo fixo. No anodo fixo, o bloco de cobre onde é inserido o tungstênio tem a função de suporte deste alvo e de dissipar o calor gerado. Como a interação neste anodo acontece sempre na mesma área, a corrente do tubo é limitada pra não ocorrer danos na superfície deste alvo,

ao contrário do anodo giratório que consegue uma área de interação no anodo muito

maior do que o anodo fixo, tendo melhor capacidade de dissipação de calor.

7.1.2.1 Angulação do anodo e ponto focal

A área de interação dos elétrons no anodo influencia a qualidade da imagem

produzida. Os equipamentos de raios X tem a finalidade de produzir uma imagem adequada para um bom diagnóstico do paciente e, para obter esta imagem os fótons devem ser emitidos de uma fonte o mais pontual possível e ter uma exposição curta para evitar borrões na imagem causados pelos movimentos do paciente (voluntários e involuntários). Devido a área de uma fonte pontual ser muito pequena, ao utilizar uma exposição curta é necessário ter uma quantidade de corrente maior. Os elétrons que atingirão esta pequena área do alvo (ponto focal), produzirão grande quantidade de calor que precisa ser dissipada ou danificará a estrutura. Com o objetivo de resolver tais problemas, adquiriu capacidade giratória, como já visto anteriormente, e o anodo foi angulado. Esta angulação torna a área do campo de raios X que atinge o paciente menor do que a área da produção deste no alvo, como observado na Figura 40.

Ângulo do alvo θ Comprimento do feixe de elétrons Comprimento real do ponto focal (C
Ângulo do alvo
θ
Comprimento do feixe
de elétrons
Comprimento real do
ponto focal (C PFR )
Comprimento efetivo
do ponto focal (C PFE )

Figura 40

C PFE = C PFR x sen θ

C PFE < C PFR

(Princípio de linha do foco)

A inclinação do anodo permite que se alcance um ponto focal efetivo menor do que o real.

A área no anodo que os elétrons colidem é chamada ponto focal real e a que atingi o

paciente é chamada de ponto focal efetivo e sua largura permanece a mesma da do

ponto focal real, porém seu comprimento (C PFE ) é igual ao comprimento do ponto focal real (C PFR ) multiplicado pelo seno do ângulo do anodo, tornando-o menor. Este encurtamento é chamado de princípio de linha do foco.

O comprimento do ponto focal efetivo varia com a posição no plano da imagem e na

direção anodo-catodo. Em direção ao lado do anodo o comprimento projetado do ponto focal encurta, enquanto que alonga em direção ao lado do catodo, como observado na Figura 41. Na dimensão da largura, o tamanho do ponto focal não

muda com a posição na imagem no plano.

do ponto focal não muda com a posição na imagem no plano. Figura 41 O comprimento

Figura 41

O comprimento do ponto focal efetivo varia na direção anodo-catodo.

Figura 42 Variação ângulo do anodo. Os ângulos dos anodos variam de 7 a 20

Figura 42

Variação ângulo do anodo.

Os ângulos dos anodos variam de 7 a 20 graus e o ângulo a ser escolhido depende da estrutura que se deseja observar na imagem. Pois, se é necessário uma alta definição de detalhes (alta resolução espacial), isto é alcançado com um ponto focal efetivo menor, que é consequência de um ângulo menor do anodo. Porém, este ângulo menor limita o tamanho do feixe de raios X, podendo-se perder informação se a parte do corpo for grande demais, como observado na Figura 42 4 .

7.1.2.2 Efeito Anódico ou efeito heel

Outra desvantagem desta pequena angulação é que os fótons de raios X irradiados em direção ao lado do anodo atravessam uma espessura maior deste antes, sofrendo maior atenuação do que os direcionados para o lado do catodo. Portanto, o feixe de raios X sofre o que é chamado de efeito anódico ou efeito heel e tem intensidade reduzida na direção do anodo, visualizado na Figura 43. Este efeito é

reduzido quando a distância da fonte-detector é grande, pois o detector recebe um ângulo menor do feixe. Para evitar que este efeito prejudique muito a qualidade da imagem, procura-se posicionar o catodo sobre as partes mais espessas e densas do paciente, como pode ser observado na Figura 44, conseguindo assim um balanceamento dos fótons ao longo do eixo anodo-catodo, produzindo assim uma imagem mais uniforme.

7.1.2.3 Radiação extrafocal

Além do efeito anódico, a qualidade da imagem sofre também com uma pequena fração dos elétrons acelerados em direção ao anodo que se espalham e são reacelerados para fora da área do ponto focal, como observado na Figura 45. Estes elétrons colidem com esta área e produzem raios X de baixa energia, consequentemente o comprimento do ponto focal efetivo aumenta, a resolução espacial diminui, prejudicando a qualidade da imagem e ocorre um aumento desnecessário de exposição ao paciente. Para evitar isto, um pequeno colimador de chumbo pode ser colocado perto da saída do tubo de raios X com a finalidade de interceptar esses fótons indesejados. Tubos com cápsula de metal com mesma diferença de potencial aplicada ao anodo podem atrair os elétrons perdidos tanto quanto o anodo e interceptá-los iv .

perdidos tanto quanto o anodo e interceptá-los i v . Figura 43 Diferenças de intensidade no

Figura 43

Diferenças de intensidade no feixe de raios X devido a inclinação do anodo.

Parte superior do tórax

posicionada do lado do anodo

Parte inferior (mais espessa) do tórax posicionada do lado do catodo

Tubo de raios X
Tubo de
raios X

Figura 44

Posicionamento exame de tórax

Tubo de raios X Figura 44 Posicionamento exame de tórax Figura 45 Elétrons podem ser retroespalhados

Figura 45

Elétrons podem ser retroespalhados no anodo, causando a produção de raios X extrafocal.

7.2

Interações no anodo: Bremsstrahlung e radiação característica

Como visto anteriormente, os elétron emitidos do catodo interagem em uma pequena área no anodo, o ponto focal. Essas interações são transferências de energia cinética dos elétrons aos átomos do material do anodo. Essa energia cinética, energia de movimento adquirida com a aceleração dos elétrons, pode ser transferida para o anodo na forma de energia térmica (calor) ou energia eletromagnética (radiação infravermelha ou raios X, podendo estes últimos serem radiação característica ou de freamento), diminuindo a velocidade dos elétrons até estes pararem 3 . Essa conversão de energias depende em que parte do átomo do material o elétron vai interagir. Como visto anteriormente, os átomos são compostos por um núcleo (prótons e nêutrons) e camadas orbitais ocupadas por elétrons. Então, os elétrons acelerados em direção ao anodo podem interagir tanto com o núcleo dos seus átomos, como com os elétrons das suas diversas camadas orbitais.

7.2.1 Produção de calor

Quando a interação ocorre com os elétrons mais externos das camadas orbitais, a energia cinética é convertida em radiação infravermelha. A energia transferida excita os elétrons para um nível de energia mais elevado, porém imediatamente eles retornam a seus níveis normais de energia (estado fundamental) com liberação de radiação infravermelha, como mostrado na Figura 46. A radiação infravermelha é uma radiação eletromagnética com comprimento de onda até 700 nanômetros, recebe este nome por estar localizada logo depois da luz vermelho no espectro de luz e não é visível ao olho humano. Apesar de não poder ser vista, esta radiação pode ser notada no material em forma de calor. Aproximadamente 99% da energia cinética dos elétrons projetados é convertida em calor e apenas 1% é usada na produção de raios X 3 . Este calor intenso limita o número de fótons de raios X que podem ser produzidos em um dado tempo sem destruir o alvo.

Figura 46 7.2.2 Raios X característicos Emissão radiação infravermelha Os elétrons que colidem com o

Figura 46

7.2.2 Raios X característicos

Emissão radiação infravermelha

Os elétrons que colidem com o anodo podem ir mais fundo no átomo, interagindo com camadas orbitais mais internas. Se a energia transferida é do valor da energia que mantém os elétrons nestas camadas (energia de ligação), este será arrancado da sua camada orbital e esta ficará com um buraco vazio, uma vacância. Enquanto este elétron arrancado é ejetado podendo interagir com outros átomos, a vacância deixada é preenchida por um elétron de uma camada mais externa, liberando energia neste processo em forma de raios X característico como observado na Figura 47.

de raios X característico como observado na Figura 47. Figura 47 Emissão de raios X característicos.

Figura 47

Emissão de raios X característicos.

O elétron pode ser removido de qualquer uma das camadas orbitais. Cada elétron no alvo tem uma energia de ligação que depende da camada em que reside, sendo os raios X característicos produzidos com energias específicas, iguais às diferenças das energias de ligação para as várias transições possíveis entre os elétrons das diversas camadas orbitais (transições eletrônicas), como mostrado na Tabela 3 que mostra Raios X característicos do tungstênio (geralmente o material utilizado no anodo do tubo de raios X).

Tabela 3

Energias aproximadas de Raios X característicos produzidos no Tungstênio.

Energia Número Camadas aproximadas Energias aproximadas emitidas das Transições eletrônicas das camadas do
Energia
Número
Camadas
aproximadas
Energias aproximadas emitidas das Transições eletrônicas
das camadas do tungstênio
de
orbitais
de ligação
Camada
Camada
Camada
Camada
Camada
elétrons
(keV)
L
M
N
O
P
69
69 – 12
=
69
– 3 =
69
– 1=
69
– 0,1=
69
K 2
57
66
68
68,9
L 8
12
12
– 3=
12
- 1=
12
– 0,1=
12
9
11
11,9
M 18
3
3 – 1=
3
– 0,1=
3
2
2,9
N 32
1
1
– 0,1=
1
0,9
O 12
0,1
0,1
P 2
-
-
-
-
-
-
A energia dos raios X
característicos emitidos é a
diferença das energias de
ligações envolvidas
As vacâncias só podem ser preenchidas por elétrons
de camadas mais externas:
Camada K pode ser preenchida por L, M, N, O e P
Camada L pode ser preenchida por M, N, O e P

Na faixa de energia utilizada em diagnóstico por imagem, a radiação característica prevalente é a gerada pelo preenchimento de vacâncias da camada K. As outras energias produzidas por vacâncias em outras camadas são muito baixas, como observado na Tabela 3, e são quase inteiramente atenuadas pela janela do tubo de raios X ou filtros adicionais 4 .

7.2.3 Raios X de Freamento

Os elétrons podem penetrar ainda mais fundo nos átomos do alvo e interagirem com seus núcleos. Nesse tipo de interação, a energia cinética do elétron incidente é também convertida em energia eletromagnética, só que na forma de raios X de freamento (ou bremsstrahlung). A energia emitida por raios X de freamento acontece pois quando o elétron incidente de carga negativa se aproxima do núcleo que contém prótons de carga positiva ocorre uma força de atração entre eles que causa a perda de energia cinética do elétron, desacelerando-o e mudando sua trajetória. Neste processo, a energia cinética perdida é revertida em raios X de freamento e o elétron segue sua nova

trajetória com valor de energia igual a sua energia incidente no alvo menos a energia cinética perdida em forma de raios X de freamento, podendo sofrer muitas outras interações e produzir mais raios X de fretamento antes de perder toda essa energia. Há também a possibilidade de interação do elétron com o núcleo e produção e conversão total da energia incidente em energia de raios X de freamento, porém isto

é

muito difícil de acontecer devido ao pequeno tamanho do núcleo em relação a todo

o

átomo, como mostrado na Figura 48.

As energias de raios X de freamento produzidos podem variar de zero até a energia de pico dos elétrons. A energia de pico é a energia máxima que pode ser produzida, que é definida pela tensão selecionada no painel de controle e aplicada ao tubo de raios X. Por exemplo, uma seleção de tensão de 80kV, vai proporcionar aos elétrons uma energia cinética de no máximo 80 kV, e ele pode perder toda sua energia, nenhuma ou qualquer energia entre esse intervalo. A quantidade de energia cinética perdida depende da distância de interação do elétron com o núcleo do átomo. A força de atração aumenta com o inverso do quadrado da distância da interação, então para distâncias menores, a força de atração do elétron aumenta, causando uma mudança de trajetória e perda de energia maior, produzindo raios X de freamento com altas energias formando um espectro de emissão contínuo, como mostrado na Figura 49.

formando um espectro de emissão contínuo, como mostrado na Figura 49. Figura 48 Emissão raios X

Figura 48

Emissão raios X por freamento.

Figura 49 Um espectro de emissão de raios X típico contém raios X característicos e

Figura 49

Um espectro de emissão de raios X típico contém raios X característicos e de freamento.

7.3 Espectro do feixe de raios X e suas propriedades

Um espectro de raios X é um gráfico da quantidade de raios X por energia emitida, usualmente medida em kilovolts, pois a faixa de energia utilizada em radiodiagnóstico está nesta ordem, e engloba tanto raios X de freamento quanto característicos, como observado na Figura 50.

engloba tanto raios X de freamento quanto característicos, como observado na Figura 50. Figura 50 Espectro

Figura 50

Espectro de raios X.

7.3.1

Alteração de corrente (mA) e tempo (s) e seu efeito no espectro de raios X e densidade da imagem.

A alteração de corrente (mA) e tempo de exposição (ms) em um exame afeta o espectro de raios X. A quantidade de raios X emitidos em cada nível de energia diminui ou aumenta proporcionalmente ao produto corrente-tempo (mAs), porém sem afetar os valores de energia ao longo do espectro, como pode ser observado na Figura 51 3 .

do espectro, como pode ser observado na Figura 51 3 . Figura 51 Efeito da alteração

Figura 51

Efeito da alteração de corrente (mA) e tempo (ms) no espectro de raios X.

Essas alterações no espectro ocorrem, pois ao aumentar a corrente (mA), mais elétrons fluirão pelo filamento do catodo, que elevará mais sua temperatura e produzirá mais elétrons por emissão termoiônica. Deste modo, mais elétrons atingirão o anodo e serão utilizados para a produção de raios X. Mesma coisa ocorre ao aumentarmos o tempo de exposição (ms) e deixarmos a corrente (mA) sem ser alterada. Então, a quantidade total de raios X emitidos em determinada exposição ao

paciente é o produto da corrente (mA) pelo tempo de exposição (ms), que é chamado de corrente-tempo (mAs). Além de mudanças no espectro de raios X, a imagem radiográfica produzida também será alterada. O produto corrente-tempo (mAs) influencia diretamente a densidade da imagem radiográfica 3 .

diretamente a densidade da imagem radiográfica 3 . Figura 52 Lei da reciprocidade, densidade no filme

Figura 52

Lei da reciprocidade, densidade no filme é proporcional à exposição total recebida por ele.

A lei da reciprocidade define que a densidade gerada em um filme radiográfico é proporcional a exposição total, quantidade de raios X, recebida por este filme, por exemplo, se um filme A for duas vezes mais exposto que um filme B, ele terá densidade duas vezes maior, como demonstrado na Figura 52 3 .

Esta lei apresenta falhas em exposições extremamente curtas (<0,05 segundos) com alta corrente ou exposições extremamente longas e baixa corrente, porém ao longo do tempo os filmes foram fabricados com características especiais para compensar tal falha 3 . Tendo o conhecimento desta lei e correção de sua falha, o técnico em radiologia pode ajustar o produto corrente-tempo (mAs) de modo que obtenha uma imagem com densidade adequada, evitando repetições de exames e consequentemente expor o paciente um maior tempo à radiação. Por exemplo, um exame com um tempo de exposição mais curto pode evitar borrões na imagem devido a movimentos do paciente, sejam eles voluntários ou involuntários, e conseguir manter a mesma quantidade de raios chegando no receptor de imagem e mantendo a mesma densidade com o ajuste adequado da corrente (mA), como já observado na Figura 51, onde o tempo no painel de controle 1 foi diminuído pela metade e a corrente foi duplicada, conseguindo assim manter o mesmo produto corrente-tempo (mAs) de 10 em ambos os painéis de controle.

7.3.2 Alteração de tensão e seu efeito no espectro de raios X, densidade e contraste da imagem.

Quando a tensão é elevada no painel de controle de um equipamento de raios X, o espectro gerado tem seus valores de energia aumentados e quantidade de raios X produzidos também, como pode ser observado na Figura 53. Essas alterações no espectro acontecem, pois os elétrons emitidos do filamento do catodo não aumentam em quantidade, como acontece com a elevação do produto corrente-tempo (mAs), e sim, adquirem maior aceleração, maior velocidade e consequentemente chegam no anodo com maior energia cinética. Desta maneira, a energia máxima que os raios X podem ser produzidos, devido a interações no anodo, aumenta. Assim, raios X com níveis de energia maiores podem ser produzidos, deslocando o espectro para a direta, como pode ser observado na Figura 53. Os raios X produzidos por freamento tem como consequência o desvio de trajetória dos elétrons incidentes no anodo, como já observado anteriormente. Quanto maior for a energia que o elétron incide no anodo, maior será a energia que restará para ele na sua nova trajetória. Consequentemente, conseguirá continuar a interagir com uma maior quantidade de outros átomos no anodo, perdendo sua energia ao se aproximar do núcleo e desacelerar. Em cada interação, há a produção de raios X por

freamento e a quantidade total de raios X emitidos aumenta (elevação da altura da curva do espectro, aumentando a área encontrada em baixo desta curva) 3 .

aumentando a área encontrada em baixo desta curva) 3 . Figura 53 Alterações na tensão e

Figura 53

Alterações na tensão e seu efeito no espectro de raios X emitido.

As Modificações realizadas na tensão do equipamento não afetam somente o espectro de raios X emitido, mas também a imagem radiográfica produzida por estes fótons de raios X. Diferentemente da relação de proporcionalidade que ocorre entre o produto corrente-tempo (mAs) e a densidade da imagem, entre a tensão e densidade da imagem não há tal proporção e nem uma regra precisa de relação entre elas 3 . O que existe é uma regra que pode ser aplicada, pois se aproxima de uma possível relação real entre tensão e densidade da imagem, esta relação é chamada de regra dos 15%. Esta regra nos mostra que um aumento de 15% na tensão aplicada ao tubo de raios X, resulta em uma imagem com o dobro da densidade.

Porém, a imagem produzida não é a mesma que se obteria duplicando o produto corrente-tempo (mAs) para obter o dobro de densidade. Elevando-se a tensão do tubo, os raios X produzidos possuem mais energia e maior poder de atravessar certas estruturas internas do paciente que raios X de menores energias não conseguem. Deste modo, regiões que antes não tinham sua imagem gravada no filme radiográfico, pois os fótons de raios X que passavam por elas não conseguiam atingi-lo, são agora representadas na imagem por tons de cinza. O tom de cinza da imagem produzida no filme representa o quanto de raios X conseguiu atravessar aquela região. Quanto mais tecidos forem atravessados, mais tons de cinza a imagem terá. A tonalidade deste cinza é definida pela quantidade de raios X que consegue atravessar a respectiva estrutura. Quanto mais raios X atravessarem, mais escuro o tom de cinza no filme radiográfico, quanto menor, mais claro, como observado na Figura 54. E como cada estrutura do corpo é composta por tecidos com características diferentes, eles absorvem ou deixam passar raios X diferentemente, deixando a imagem com grande variedade de tonalidades de cinza. Deste modo, podemos concluir que quanto maior essa variedade, maior a quantidade de estruturas internas que conseguiram obter sua imagem no filme radiográfico. Em uma imagem com tantas tonalidades, a diferença entre os tons de cinzas é baixa, não é tão contrastante ao ser visualizada como diferenças entre tons bem escuros e tons bem claros.

Figura 54 Efeito da alteração da tensão na densidade da imagem. 7.3.3 Variação da filtração

Figura 54

Efeito da alteração da tensão na densidade da imagem.

7.3.3 Variação da filtração e seu efeito no espectro de raios X

O uso de filtro da radiologia diagnóstica tem dois objetivos específicos: a proteção radiológica do paciente (filtração inerente e adicional) e a uniformização do feixe de raios X que atingirá o filme ou detector produzindo imagens de boa qualidade (filtros compensadores). Nos equipamentos de diagnóstico por imagem, em qualquer uma das modalidades que utilizam a radiação X, encontramos duas componentes da filtração:

Filtração inerente: é devida aos materiais que ficam no interior da cúpula do equipamento radiológico. Sendo composta pelo vidro ou metal que formam o

56

tubo de raios X, além do óleo isolante e da janela. Normalmente, o fabricante

do equipamento converte as espessuras de cada um destes materiais,

informando o valor da filtração inerente em um material equivalente, por

exemplo, o alumínio. Em radiologia convencional este valor é equivalente a

0,5 mmAl e em mamografia encontramos filtração inerente de 0,1 mmAl 3 .

Tubo de raios X: invólucro de vidro (ou metal) contendo em seu interior

componentes (anodo e catodo) para produção dos raios X.

Óleo isolante: óleo de origem mineral que possui propriedades que garantem

o isolamento elétrico no interior da cúpula do equipamento de raios X e

permitem a troca de calor gerado pela produção dos raios X.

Janela: fabricada de material plástico ou acrílico de espessura fina que é colocado na saída da cúpula do equipamento de raios X

Filtração adicional: é uma placa de um material absorvedor colocado entre

a cúpula e o colimador, geralmente utiliza-se alumínio e/ou cobre nos

equipamentos de radiologia convencional e fluoroscopia, já em equipamentos

de mamografia este filtro pode ser de molibdênio e/ou rênio. Podem ser do

tipo fixo com uma filtração de 2 mmAl ou ainda possuir filtração variável, por

meio de um sistema de roda de filtros (Figura 55).

meio de um sistema de roda de filtros (Figura 55). • Figura 55 Exemplo de filtro

Figura 55

Exemplo de filtro adicional fixo de alumínio (a) e roda de filtro (b) destacando- se a combinação de filtro (1 mmAl + 0,2 mmCu)

Existem ainda outros tipos de filtros conhecidos como filtros compensadores v , cuja principal finalidade é melhorar a qualidade da imagem radiográfica, estes filtros não são para proteção do paciente.

Por que estes filtros são necessários?

Dependendo da região anatômica a ser irradiada, existem muitas diferenças de tecidos e espessuras por onde o feixe de radiação deve atravessar, isso resultará em fótons muito diferentes após o paciente que, então, atingirão o filme ou detector sem uniformidade adequada, gerando imagens de baixa qualidade 3 . Os filtros compensadores possuem formatos e tamanhos diferenciados dependendo de sua finalidade. Geralmente são fabricados em alumínio, mas podem ser de material plástico. Entre os mais conhecidos podemos destacar (Figura 56):

Filtro em cunha: utilizado em uma região do corpo onde se tenha uma grande variação de espessura como, por exemplo, o pé em projeção AP.

Assim, posiciona-se a parte espessa da cunha na parte dos dedos, deixando

a região mais fina da cunha próxima ao calcanhar.

Tipo em cunha bilateral: também conhecido como filtro cocho, é indicado nas radiografias de tórax, posicionando-se a região central mais fina sobre o mediastino e as bordas mais espessas sobre os pulmões, garantindo melhor uniformização dos fótons de radiação após atravessarem o paciente.

“gravata borboleta”: filtro especialmente utilizado em tomografia

computadorizada. A geometria deste filtro consiste em ser mais espesso nas extremidades que na região central para poder compensar o formato elíptico

o corpo humano, uniformizando a saída dos fótons depois do paciente.

(a) (b) (c)
(a)
(b)
(c)

Figura 56

Filtro em cunha (a), filtro tipo cocho (b) e “gravata borboleta” (c).

Vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre como tais filtros alteram as características do espectro de radiação X, para isto precisamos entender o que é um espectro.

O que é um espectro de radiação X?

Tomamos com exemplo um famoso jogo de parque de diversões – CANALETA (mesa com pinos e bola) Nesta mesa levemente inclinada estão dispostas 10 canaletas numeradas. No alto da mesa temos um reservatório cheio de bolinhas de bilhar (pesadas). Retiramos a trava que segura às bolinhas, que começam a cair em direção às caneletas, distribuindo-se como em uma função do tipo sino (conhecida como gaussiana, maior parte no centro e menos nas extremidades). Quando todas as bolinhas já tiverem chegado a alguma das canaletas, podemos contar quantas bolinhas temos em cada uma delas. Isso representa um diagrama do número de bolinhas em função da canaleta ocupada. Chama-se este tipo de distribuição de gráfico de barras, porque o número de bolinhas é finito em cada uma das canaletas.

o número de bolinhas é finito em cada uma das canaletas. Figura 57 Exemplo de um

Figura 57

Exemplo de um espectro da distribuição de bolinhas em canaletas (a) por meio de um gráfico de barras (vinho) ou por um contorno de linha suave (azul) unido a parte superior das barras (b)

Se ligarmos a parte superior de cada barra com uma linha de contornos suaves, criamos o que chamamos de espetro (linha azul). Com relação aos fótons de raios X podemos fazer algo semelhante.

Mas o que é “fóton”?

! É a menor parte de qualquer energia eletromagnética, chamado de “pacote” de energia que, dependendo de como é estudado ou observado em experimentos, pode-se identificar tanto seu comportamento ondulatório (como a luz se propagando) quanto de partícula (estudados pela Física Nuclear).

O feixe de raios X é composto por fótons de várias energias, por isso é chamado de

policromático ou polienergético. Considere que ao invés de bolinhas, agora temos fótons de várias energias. Vamos separá-los, colocando em cada canaleta fótons de energias iguais. Assim, nas canaletas 1, 2 e 3 (Figura 57), por exemplo, colocaremos os fótons de baixa energia, nas canaletas 4, 5 e 6 os de energia

intermediária, e nas restantes os de energia mais alta. Ao final, teríamos uma distribuição análoga ao das bolinhas, com algumas diferenças que são intrínsecas aos raios X, que descrevemos a seguir:

- O espectro depende do material do alvo do tubo de raios X, assim o

espectro de Tungstênio (radiologia convencional) é diferente de um espectro de Molibdênio (mamografia)

- A energia final do espectro corresponde a tensão máxima selecionada no equipamento

- A parte contínua do espectro é proveniente da radiação de freamento

(bremsstrahlung): ocorrem devido à desaceleração do elétron ao interagir com o núcleo do átomo do alvo do tubo de raios X

- As linhas pontiagudas são chamadas de radiações características: ocorrem devido a troca entre as camadas eletrônicas no interior do átomo.

A relação matemática que descreve o espectro de radiação X está apresentada na

Eq. (2), que considera a energia diferente dos fótons de raios X, pois temos um feixe

policromático (ou polienergético) deixando explícita a dependência da energia dos

fótons:

(

N E

)

Quantidade

N E e

0

(

)

µ

(

E x

)

=

de

 

(2)

de

atravessar

o

material

Onde:

absorvedor N(E) : Quantidade de fótons após de atravessar o material absorvedor m(E) : coeficiente de atenuação linear

fótons

N(E) 0

:

antes

x : espessura do material absorvedor

Os filtros têm a função de atenuar os fótons de baixa energia 3 , que ficam no início do espetro (Figura 58). Para o paciente a presença destes filtros é muito importante, pois diminuiremos a dose absorvida na entrada da pele que seria causada por estes “raios moles”, como são usualmente chamados. Podemos notar como os filtros alteram o espectro de raios X observando a diferença entre as curvas de 2 mmAl e de 4 mmAl da Figura 58. Percebemos que a região de baixas energias tem sua altura (quantidade de raios X) diminuída, isso significa que boa parte destes fótons foram absorvidos pelo filtro de 4 mmAl e reduzirão a dose na pele do paciente. O nome filtro é muito apropriado, pois remove de a parte de menor energia de forma seletiva. Outra característica que podemos observar na Figura 58 é que o pico do espectro de 4 mmAl está um pouco deslocado para a direita, isso significa que a energia média deste feixe de radiação tem valores maiores quando comparada com a energia do feixe com 2 mmAl.

maiores quando comparada com a energia do feixe com 2 mmAl. Figura 58 Exemplo de modificação

Figura 58 Exemplo de modificação de espectro de radiação X pela filtração adicional. O espectro com 4 mmAl é menos intenso que o de 2 mmAl, porém é possui maior energia média (pico deslocado para direita)

7.4

Caracterização de feixes de raios X

Assim como cada um de nós tem características físicas que descrevem nossa aparência como estatura, cor dos olhos ou pele etc - podemos descrever os feixes de raios X por meio de alguns parâmetros físicos que atribuem características específicas ou uma qualidade para cada um deles. Entre tais parâmetros está a camada semirredutora.

Determinação da 1 a camada semirredutora

A camada semirredutora é descrita pela espessura necessária de um material absorvedor que é capaz de atenuar a intensidade (ou quantidade) dos fótons de raios X pela metade, conforme ilustrado pela Figura 59.

de raios X pela metade, conforme ilustrado pela Figura 59. Figura 59 Determinação da 1º camada

Figura 59

Determinação da 1º camada semirredutora.

Na primeira mediação não há nada interceptando o feixe de radiação e obtemos a leitura N 0 = 1,18 mGy. O passo seguinte é acrescentar um filtro absorvedor, uma fina placa de 1,0 mm alumínio, por exemplo; e por meio de uma nova irradiação conseguimos a leitura de N 1 = 0,82 mGy. Outro filtro e adicionado e nova irradiação

é realizada obtendo-se N 2 = 0,63 mGy. E assim, continuamos acrescentando filtros

de alumínio sucessivamente até que a intensidade da radiação seja 1/3 da leitura inicial N 0 , por exemplo. Podemos construir um gráfico com as leituras obtidas com a câmara de ionização em relação a espessura do filtro de alumínio. Assim, temos representado esta curva

de atenuação da radiação na Figura 59. Nele podemos descobrir qual é a espessura de alumínio que indica que metade da intensidade de radiação X foi atenuada. Observe no gráfico a seta horizontal em vermelho que indica o valor de N 0 /2 = 0,59 mGy, que é metade da irradiação inicial de N 0 = 1,18 mGy. Prolongamos esta seta até a curva de atenuação e, dali, “desenhamos” outra seta vertical que desce até o eixo onde estão indicados valores das espessuras dos filtros de alumínio. Fazendo isto, descobrimos que 2,4 mmAl é a espessura de material absorvedor (alumínio) necessário para fazer a intensidade de radiação inicial (N 0 = 1,18 mGy) ser atenuada pela metade (N 0 /2 = 0,59 mGy), esta é a camada semirredutora.

A avaliação deste parâmetro é um teste de controle de qualidade muito importante,

pois nos ajuda a identificar se a quantidade de filtração total do equipamento de

raios X está adequada; diminuindo a dose na superfície da pele do paciente.

! Controle de Qualidade: técnicas operacionais e atividades que são utilizadas para atender a exigências
!
Controle
de
Qualidade:
técnicas
operacionais
e
atividades
que
são
utilizadas para atender a exigências de qualidade

7.4.1 Variação com a Tensão de pico (kVp)

! Tensão (kV): é “força” responsável pela movimentação dos elétrons. No equipamento de raios X, é o potencial que atua sob elétrons liberados no catodo, acelerando-os na direção do anodo, onde se chocarão no material do alvo gerando a radiação X 5 .

Assim, o espectro de radiação X também depende da tensão de pico (kVp) que foi selecionada no equipamento de raios X. Na Figura 60 temos dois

espectros, um obtido com 72 kVp e outro com 82 kVp, observe que a tensão de pico equivale, numericamente a energia máxima apresentada em ambos os espectros. Dependendo da tensão selecionada, o pico da radiação característica não será visualizado.

!

radiações

características:

ocorrem

devido

à

troca

entre

as

camadas eletrônicas no interior do átomo

Vamos imaginar um experimento onde medimos o que acontece com a dose a

medida que aumentamos a tensão de pico de 40 kVp até 140 kVp. Ao final teremos

a Figura 61, onde vemos os pontos de medição da dose (pontos vermelhos) e uma

curva (linha verde) que é uma função de 2 o grau que descreve a relação entre a

variação da tensão de pico e a dose. Assim, verificamos a que a radiação varia com

o quadrado da tensão de pico, aproximadamente. Em outras palavras, queremos

dizer que se duplicarmos a tensão de pico, aumentaremos 4 vezes o valor da dose.

a tensão de pico, aumentaremos 4 vezes o valor da dose. Figura 60 Variação do espectro

Figura 60

Variação do espectro de radiação X com a alteração da tensão de pico (kVp)

14,0 y = 0,0003x 2 + 0,062x - 1,8938 12,0 11,8 10,0 9,3 8,0 6,9
14,0
y = 0,0003x 2 + 0,062x - 1,8938
12,0
11,8
10,0
9,3
8,0
6,9
6,0
4,7
4,0
2,7
2,0
1,0
0,0
Dose (mGy)

20

40

60

80

100

120

140

160

Tensão de pico (kVp)

Figura 61

Variação da dose de radiação com o aumento da tensão de pico (kVp).

Como será que isto influencia a qualidade das imagens radiográficas?

Queremos destacar três pontos importantes:

! Ao modificarmos o valor de tensão de pico, estamos mexendo mais diretamente no parâmetro de qualidade da imagem conhecido como contraste, que é a diferença das densidades (no caso do filme) ou das tonalidades (no caso das imagens digitais) perceptíveis entre uma estrutura e a anatomia ao seu redor 5 .

! Outra característica importante da tensão de pico é o fato dela estar relacionada com a penetração dos fótons nos tecidos. Altos valores de kV garantem maior penetrabilidade, esta informação é importante quando temos que modificar uma técnica radiográfica para um paciente grande. Da mesma maneira, podemos pensar em reduzir os valores da tensão para pacientes muito pequenos, com é no caso da radiologia pediátrica.

! Com relação aos processos de interação da radiação com a matéria (tecidos e órgãos), valores menores de tensão favorecem a probabilidade de ocorrer a interação fotoelétrica e minimizar os efeitos de espalhamento ocasionados pela interação Compton.

Efeito fotoelétrico: fóton de raios X com energia um pouco maior que a energia de ligação dos elétrons da camada mais interna tem maior probabilidade de realizar o efeito fotoelétrico. Ao interagir o fóton é totalmente absorvido (desaparece) e transfere toda sua energia para o elétron mais fortemente ligado, que é ejetado de sua órbita. O espaço deixado pelo fotoelétron pode ser ocupado por elétrons das camadas superiores, gerando o que chamamos de radiação característica que aparece nos espectros 1 .

Interação Compton: fóton de raios X interage com um elétron da camada mais externa, dizemos que este elétron está fracamente ligado ao átomo. Ao absorver parte da energia incidente, o elétron secundário (ou elétron Compton) é ejetado desta órbita com certa energia cinética (energia de movimento). Mas não é apenas isso que acontece, o restante da radiação incidente é defletido como outro fóton em outra direção e com energia menor, este é o fóton espalhado.

7.4.2 Variação com a Corrente (mA)

! Corrente (mA): é a medição da quantidade de elétrons percorrendo um circuito elétrico. No equipamento de raios X, esta corrente é a responsável pelo controle de aquecimento do filamento do catodo, este processo conhecido como efeito termoiônico, arranca elétrons do filamento deixando-os “livres” para serem acelerados pela alta tensão e assim produzirem a radiação X no impacto destes com o anodo 5 .

Considere um exemplo onde, mantendo-se todos os outros parâmetros da técnica radiográfica fixo (tensão, tempo de exposição, distância entre o tubo e o paciente etc), se medirmos os valores da dose em função de um aumento na corrente de 20 mA até 100 mA obtemos a Figura 62, onde vemos os pontos de medição da dose (pontos vermelhos) e uma reta (linha verde) que é uma função de 1 o grau que descreve a relação entre a variação da corrente e a dose. Assim, verificamos a que a radiação varia linearmente com a corrente, isto quer dizer que se duplicarmos a corrente, duplicaremos o valor da dose.

1,8 1,69 y = 1,7x + 0,3 1,6 1,4 1,37 1,2 1,04 1,0 0,8 0,71
1,8
1,69
y = 1,7x + 0,3
1,6
1,4
1,37
1,2
1,04
1,0
0,8
0,71
0,6
0,4
0,36
0,2
0,0
Dose (mGy)

10

30

50

70

Corrente (mA)

90

110

Figura 62

Exemplo da variação da dose de radiação com o aumento da corrente (mA)

Podemos perceber esta mesma relação se olharmos para o espectro de radiação, na Figura 63, vemos que a distribuição de quantidade de radiação de 400 mA é duas vezes maior do que a apresentada para 200 mA para cada energia indicada no eixo x. É interessante notar que a radiação característica também será duplicada 3 .

a radiação característica também será duplicada 3 . Figura 63 Variação do espectro de radiação X

Figura 63

Variação do espectro de radiação X com a alteração corrente de 200 mA para 400 mA

Como será que isto influencia a qualidade das imagens radiográficas?

Destacamos o seguinte:

! A variação da corrente afeta diretamente a densidade óptica (no caso do

filme), assim, se um valor muito baixo de corrente for escolhido com tempo de exposição também muito pequeno, produziremos imagens subexpostas de baixíssima qualidade pois serão “muito claras” e com muito ruído. O mesmo vale para o contrário, isto é, correntes altas e tempos de exposição longos, causarão a superexposição gerando imagens “muito enegrecidas”.

Na prática clínica temos algumas regras básica para seleção do valor de corrente 3

! Utilizam-se valores baixos de corrente associados ao ponto focal pequeno para visualização de estruturas detalhadas

! Em radiologia pediátrica e com pacientes não colaborativos, recomenda- se a utilização de altos valores de correntes combinados com tempos de exposição bem curtos, para evitar o borramento das imagens.

! Combinam-se também valores mais altos de corrente quando se deseja abaixar a tensão (kV) com a finalidade de melhorar o contraste

7.5 Variação com a Distância ao Foco

Assim como a luz, que ao sair de um foco começa a divergir conforme se aumenta a distância e se diminui sua intensidade, a radiação X também diminui com o aumento da distância, conforme exemplificado na Figura 64. Vamos considerar um equipamento de raios X emitindo de forma contínua e dois planos (A e B), o primeiro a 50 cm do ponto focal e o segundo a 100 cm, ambos divididos em pequenos quadrados de 1 cm 2 cada um. Vamos supor que o feixe de radiação atinja uma área de 4 cm 2 no plano A (4 quadradinhos), ao chegar ao plano B o feixe de raios X passará a cobrir 16 cm 2 uma vez que a distância foi duplicada, porém a intensidade do feixe cairá para ¼ em cada quadradinho de 1 cm 2 . Isto é conhecido com a lei do inverso do quadrado da distância. Ela pode ser descrita pela relação matemática (3):

I

1

I

2

=

d

2

2

d

2

1

(3)

Onde: I 1 : Intensidade de radiação a distância d 1 da fonte I 2 : Intensidade de radiação a distância d 2 da fonte

Esta propriedade da radiação diminuir com o aumento da distância em relação a fonte, é importante se pensarmos em proteção radiológica. Uma das maneiras de nos protegermos contra a radiação X é ficando em distâncias seguras de operação dos equipamentos e em procedimentos radiológicos. Com relação aos pacientes, também podemos fazer um bom uso desta característica, por exemplo em procedimentos intervencionistas, onde se coloca a fonte o mais distante possível do paciente, diminuindo a dose na entrada da pele.

d 1 = 1m
d 1 = 1m
do paciente, diminuindo a dose na entrada da pele. d 1 = 1m Ponto Focal I

Ponto Focal

I 1 = 4mGy
I 1 = 4mGy
d 2 = 2m
d 2 = 2m
na entrada da pele. d 1 = 1m Ponto Focal I 1 = 4mGy d 2
I 2 = 1 mGy
I 2 = 1 mGy

Figura 64 - Lei do inverso do quadrado da distância

8

Tipos de radiações X:

Como visto anteriormente, os raios X são emitidos em todas as direções dentro do tubo, Figura 34, e dependendo de qual a direção de que estes raios X são originados, e qual a que tomam após sua saída pela janela radiotransparente do tubo, isso determina outros tipos de classificação de radiação; são elas: radiação primária, secundária, focal, extrafocal, parasita, espalhada, residual e fuga.

8.1.1 Radiação focal

No tubo de raios X, os elétrons são acelerados em direção ao anodo tendo sua trajetória orientada pela estrutura de focalização. A região de interação destes elétrons no alvo é chamada ponto focal real e a radiação emitida desta área é chamada radiação focal, como observado no feixe de raios X da Figura 42 6 .

8.1.2 Radiação extrafocal

Na interação com o ponto focal real no anodo, alguns elétrons podem se espalha ao se chocarem e ser novamente acelerados em direção anodo, porém acabam atingindo outras regiões que não pertencem a esta área, como já foi observado na Figura 45. A radiação emitida por outras área que não seja o ponto focal real é denominada radiação extrafocal 6 .

8.1.3 Radiação de fuga

A Radiação que atravessa o revestimento de chumbo utilizado na cúpula de raios X para barrar os fótons emitidos em direções diferentes da direção da janela radiotransparente é denominada radiação de fuga e pode ser observada na Figura

65 6 .

Figura 65 8.1.4 Radiação Pr imária Radiação de fuga. A radiação primária é definida pelos

Figura 65

8.1.4 Radiação Primária

Radiação de fuga.

A radiação primária é definida pelos fótons de raios X emitidos do anodo que

atravessam a janela radiotransparente do tubo e se direcionam para o paciente 5,6 .

8.1.5 Radiação secundária

A radiação primária atinge o paciente e ao interagir com ele pode emitir radiação

ionizante originada desta interação, e esta radiação é chamada radiação

secundária 5 .

8.1.6

Radiação espalhada

A radiação espalhada é a radiação ionizante emitida pela interação da radiação primária com o paciente, sendo a interação acompanhada de uma diminuição da energia de radiação e/ou de uma mudança de direção da radiação 6 .

8.1.7 Radiação residual

Parte da radiação que chega ao paciente, consegue atravessá-lo e chegar ao receptor de imagem para a formação da imagem. Porém, outra parte do feixe de radiação persiste, após ter atravessado o plano de área receptora de imagem e qualquer dispositivo colocado após este. Esta radiação é chamada radiação residual 5 .

8.1.8 Radiação parasita

Radiação parasita é a radiação residual do feixe de raios X utilizado mais qualquer radiação ionizante que não seja originada do feixe de raios X em uso, e sim de uma fonte de radiação externa qualquer 5 .

9 Sistemas de Colimação

9.1

Função

Em todos os exames de raios X é necessário um correto posicionamento do paciente e uma colimação do feixe de raios X, radiação primária, emitido pelo equipamento. O tamanho do feixe é ajustado de acordo com a região designada para o exame, evitando assim uma exposição à radiação desnecessária de outras partes do corpo do paciente e uma redução da área de interação da radiação com o paciente e consequentemente uma diminuição na quantidade de radiação espalhada que atinge o receptor de imagem.

9.2

Tipos de colimadores

Para delimitar este feixe, três tipos de dispositivos são utilizados acoplados ao tubo de raios X durante os exames, são eles: diafragma de abertura, cones e cilindros, e colimador de abertura variável, como observado na Figura 66 3 .

de abertura variável, como observado na Figura 66 3 . 9.2.1 Figura 66 Diafragma Os três

9.2.1

Figura 66

Diafragma

Os três tipos de dispositivos delimitadores.

O Diafragma consiste de uma lâmina de chumbo com uma abertura fixa acoplada ao tubo de raios X. Esta abertura é projetada para delimitar uma área do receptor de imagem a uma distância fonte-receptor de imagem constante, como demonstrado na Figura 67 3 . Esta abertura pode ter diversos tamanhos, como por exemplo, 20 cm x 25 cm, 24 cm x 30 cm e 35 cm x 43 cm.

Tubo de raios X Distância entre Fonte e Receptor de imagem é fixa Paciente Área
Tubo de raios X
Distância entre Fonte
e Receptor de imagem
é fixa
Paciente
Área delimita no
receptor de
imagem
Receptor de
imagem

Diafragma (tamanho fixo)

Figura 67

Diafragma de forma retangular acoplado ao tubo de raios X a uma distância fixa do receptor de imagem.

Cones radiográficos de extensão e cilindros consistem de uma estrutura metálica estendida que restringe o feixe de raios X de acordo com o tamanho da sua extremidade distal, como pode ser visualizado na Figura 68. O formato do feixe útil produzido por um cone ou cilindro normalmente é circular 3 .

Extremidade distal B)
Extremidade
distal
B)

Cilindro

A) Cone
A)
Cone

Figura 68

A) Desenhos de um cone; B) Exemplo de um cilindro acoplado ao colimador de um equipamento.

9.2.2

Colimador de abertura variável e campo luminoso

O colimador de abertura variável é uma estrutura montada em sequência da cúpula, exatamente na posição da janela do tubo de raios X. Este possui duas lâminas de chumbo paralelas e opostas, totalizando quatro lâminas de chumbo, localizadas na base desta estrutura, que são ajustadas para dar o formato desejado do campo. No interior da estrutura há uma lâmpada e um conjunto de espelhos que refletem o feixe de luz emitido, coincidindo com o tamanho do campo de radiação do feixe de raios X que incidirá no paciente, como observado na Figura 69. Este campo luminoso gerado orienta a colimação a ser aplicada.

Lâmina de chumbo Lâmina de Lâmina de chumbo chumbo Lâmina de chumbo Espelho
Lâmina
de
chumbo
Lâmina
de
Lâmina
de
chumbo
chumbo
Lâmina
de
chumbo
Espelho

Figura 69

Colimador variável.

Alguns equipamentos possuem colimação automática do feixe de raios X. Esta colimação é realizada através de sensores mecânicos colocados no bucky que detectam o tamanho do chassi utilizado e ajustam as lâminas de chumbo do colimador para se igualarem com as dimensões do chassi iv. Mesmo com o uso da colimação automática, o tecnólogo em radiologia pode manualmente colimar mais restritivamente, para reduzir a dose ao paciente e melhorar a qualidade da imagem 3 . Visando uma melhora ainda maior na qualidade na imagem, alguns colimadores possuem diferentes filtros na sua estrutura, dando possibilidade de uma filtração adicional durante a exposição. Os filtros encontrados são normalmente de 0,1 e 2 mmAl podendo ter algum acréscimo de cobre também, e podem ser selecionados diretamente na estrutura do colimador como mostrado na Figura 55B. Quando a filtração zero é selecionada, não indica que a filtração adicionada a filtração inerente do tubo será realmente nula 3 . O conjunto das estruturas internas do colimador estão no caminho do feixe de raios X produzido e por isso fornecem certa filtração a estes, normalmente o equivalente a 1 mm de Al 3 .

10 Minimização da Radiação espalhada

O feixe de raios X originado do ponto focal no anodo e dimensionado pelo colimador não é a única radiação que chega ao detector e contribui para a formação da imagem. Após a incidência de radiação no paciente, este passa a emitir radiação espalhada. Esta radiação parte de diferentes localizações da região radiografada em direção ao detector, como observado na Figura 70. A radiação espalhada não carrega informações úteis de nenhuma estrutura ou tecido para a formação da imagem radiográfica, porém pode chegar ao detector e sensibilizá-lo da mesma forma que os raios X que carregam informação útil. Deste modo, a radiação espalhada prejudica a qualidade da imagem acrescentando densidade onde não deveria ser acrescentada, dificultando assim a visualização das estruturas e um bom diagnóstico 3 . Por isso, recursos foram criados ao longo dos anos para diminuir seu efeito, como a criação de grades antiespalhamento e o uso de técnicas de espaçamento de ar.

antiespalhamento e o uso de técnicas de espaçamento de ar. Figura 70 Radiação espalhada sendo emitida

Figura 70

Radiação espalhada sendo emitida do paciente em todas as direções e chegando ao receptor de imagem.

10.1 Grades Antiespalhamento

10.1.1 História

Por muito tempo o controle da radiação espalhada era feito somente por formas variadas de diafragmas e cones de chumbo inseridos na saída do tubo de raios X. Em 1913, foi construída por Gustav Bucky a grade antiespalhamento. Esta grade era fixada atrás do paciente e na frente do receptor de imagem com o objetivo de impedir que raios X espalhados chegassem no último e prejudicassem a boa qualidade da imagem formada. Porém, a grade aparecia na imagem formada, atrapalhando a visualização das estruturas desejadas e um bom diagnóstico. Então, Dr. Hollis Potter resolveu o problema dando movimentação a grade durante a exposição e diminuindo a espessura de suas dimensões. A primeira grade comercial com movimento foi anunciada em 1920 e ficou conhecida como diafragma de Potter- Bucky. O movimento da grade possibilitou seu borramento na imagem, eliminando seu aparecimento na imagem e melhorando o contraste 5 .

10.1.2 Composição e posicionamento

Uma grade antiespalhamento consiste de uma sequência de fatias de material com alta atenuação (ex.: chumbo) separadas por um material radiotransparente, como demonstrado na Figura 71. Este último deve ter capacidade de absorção baixa (ex.:

fibras de carbono, alumínio ou ar) para permitir que os fótons o atravessem sem sofrerem atenuação. A grade é posicionada entre o paciente e o receptor de imagem com os espaços radiotransparentes alinhados com o feixe de raios X, que emerge do ponto focal. Assim, esse feixe de raios X chamado de radiação primária passa por estes espaços até alcançar o detector, pois está alinhado com a fonte. Já a radiação espalhada, que é emitida em diversas direções e ângulos, acaba sendo atenuada pelas tiras de chumbo. Porém, alguns fótons do feixe primário também são barrados pelas fatias de chumbo, reduzindo a quantidade total de radiação que atingi o receptor de imagem, como observado na Figura 71.

Radiação primária atenuada e não contribui para formação da imagem Radiação primária que conseguiu penetrar
Radiação primária atenuada e
não contribui para formação da
imagem
Radiação primária que
conseguiu penetrar o paciente e
formar imagem no filme
radiográfico
Raios X paralelos a grade
(alinhados com a grade)
Radiação espalhada
Aumentar técnica devido a
perda de raios X úteis para
formação da imagem
atenuada
Radiação emitida em diversas
direções e ângulos
(desalinhados com a grade)
Filme Radiográfico

Figura 71

A radiação primária ao interagir com o paciente e grade antiespalhamento.

ao interagir com o paciente e grade antiespalhamento . Consequentemente, o uso da grade nos exames

Consequentemente, o uso da grade nos exames deve ser acompanhado de um aumento da técnica utilizada para compensar a perda de fótons úteis para a formação da imagem.

10.1.3 Tipos de grade

As tiras de chumbo podem ser orientadas paralelas umas as outras, grade linear, ou podem formar um padrão crosshatch ou rhombic, grades transversais, como mostrado na Figura 72.

crosshatch rhombic
crosshatch
rhombic

Figura 72

Padrão de Moiré

crosshatch rhombic Figura 72 Padrão de Moiré Padrões de grades transversais: crosshatch e rhombic e padrão

Padrões de grades transversais: crosshatch e rhombic e padrão de moiré

As grades transversais são duas grades lineares sobrepostas com suas linhas de grade perpendiculares entre si. As fatias de chumbo não podem ser construídas no mesmo plano, pois haveria uma perda de densidade em cada intersecção das fatias, formando assim um artefato com padrão de moiré, como observado na Figura 72. Independentemente da orientação das fatias de chumbo, as grades podem ser fixas ou com movimento 5 . A grade fixa não se movimenta durante a exposição; assim, sua estrutura, fatias espaçadas uniformemente, aparece na imagem da radiografia. Este

artefato é eliminado com a introdução de movimento nas grades. Este movimento pode ser para frente e para trás ou um movimento circular 4 . De qualquer forma, as linhas de grade são efetivamente borradas, reduzindo ruído e aumentando a quantidade de informação visível na imagem 5 . Adicionalmente, o movimento da grade possibilita uma maior atenuação da radiação espalhada. Além de poderem ser fixas ou com movimento, as grades ainda podem ser focalizadas ou paralelas. A focalização da grade se da pela inclinação das fatias de chumbo partindo do centro para as laterais apontando em direção a fonte de raios X como observado na Figura 73 5 . Devido a essa focalização introduzida na grade, ela deve ser posicionada em relação ao alvo do tubo de raios a uma distância especificada pelo raio da grade em uso. O raio da grade é a distância das linhas das fatias de chumbo, com seus vários graus de inclinação, convergindo para um ponto focal ou ponto convergente que é o alvo do tubo de raios X. Uma vez que existe uma margem de erro, raios da grade real são dados como intervalos em vez de um número específico. Os dois intervalos mais comuns são de 91 cm a 106 cm e de 167 cm a 188 cm, designado para duas distâncias fonte-receptor de imagem, normalmente usadas de 100 cm e 180 cm v. Se a grade não for colocada a essas distâncias específicas, as fatias de chumbo absorverão mais radiação primária do que o desejado e ocorrerão falhas, cortes na imagem radiográfica. Isto ocorre, pois os raios X que chegam mais periféricos colidem nas fatias da grade lateralmente. Colocando o tubo de raios X muito perto ou muito longe da grade, resultarão os mesmo cortes de grade e perda de informação 5 . Grades paralelas não tem inclinação das fatias de chumbo. Cada fatia aponta uma linha reta. Então, grades paralelas tem um raio infinito – quanto mais distante o tubo de raios X da grade, mais paralelo os raios X primários serão das fatias de chumbo, como observado na Figura 73. Por esta razão, problemas de cortes na imagem nunca ocorrem tendo o tubo muito longe da grade paralela. No entanto, colocando o tubo de raios X muito perto da grade paralela, uma grande quantidade de radiação primária será absorvida em direção a periferia e ocorrerá perda de informação, pois o feixe de raios X emitido é um feixe divergente, ou seja, nem todos os raios X entram paralelamente à grade 5 .

Ponto de convergência (ponto focal no tubo de raios X) Raio da grade Grade focalizada
Ponto de convergência
(ponto focal no tubo de raios X)
Raio da grade
Grade focalizada
Raio infinito (sem ponto de convergência) Fatia de chumbo atenua raios X B) Grade paralela
Raio infinito
(sem ponto de convergência)
Fatia de chumbo
atenua raios X
B)
Grade paralela
Filme radiográfico
Imagem não formada
nesta região
(corte na imagem
causado pela grade)

Figura 73

A) Grade focalizada; B) Grade paralela e C) Corte - na imagem - causado pela distância muita próxima da grade paralela ao tubo de raios X.

10.1.4 Cortes da grade

Corte de grade é causado quando uma quantidade significante de feixe de raios X primários é atenuada pelas tiras de chumbo e ocorre perda de informação, como observado na Figura 73. Impedindo parte do feixe primário, menos radiação alcança o filme e, consequentemente, uma diminuição na densidade do filme pode ser observada em toda (ou parte) da radiografia. Há quatro tipos de corte de grade, e cada tipo produz um efeito na imagem final, são eles:

1. Corte devido a grade estar fora de centro: O centro do feixe de raios X não está alinhado com o centro da grade. Este tipo de corte produz uma diminuição geral em densidade sobre o filme inteiro 8 , como observado na Figura 74.

Alvo Raios X Grade Primário Transmitido Filme
Alvo
Raios X
Grade
Primário Transmitido
Filme

Figura 74

Efeito visualizado no filme
Efeito
visualizado
no filme

A) Descentralização da grade em relação ao feixe de raios X proporcionando uma diminuição na densidade sobre todo o filme.

2. Corte devido à grade estar fora de foco: é causado por ter o tubo de raios X posicionado fora do intervalo focal especificado de uma grade focalizada. Este tipo de corte produz densidades mais claras do lado da borda do filme enquanto o centro permanece sem ser afetado 8 , como observado na Figura 75.

Alvo Raios X Grade Primário Transmitido Filme
Alvo
Raios X
Grade
Primário Transmitido
Filme

Figura 75

Efeito visualizado no filme
Efeito
visualizado
no filme

Tubo de raios X posicionado muito perto da grade, fora da distância focal especificada por ela. Este erro de posicionamento gera diminuição da densidade nas bordas do filme.

3. Corte devido à grade estar fora de nível: grade inclinada, tirando o alinhamento do feixe de raios X com os espaços de baixa atenuação da grade como observado na Figura 76, aumentando a probabilidade dos raios X serem absorvidos, ocasionando uma diminuição geral em toda densidade do filme 8 .

Alvo Raios X Grade desalinhada Primário Transmitido Filme
Alvo
Raios X
Grade desalinhada
Primário Transmitido
Filme

Figura 76

Efeito visualizado no filme
Efeito
visualizado
no filme

Devido à inclinação da grade, os raios X vão incidir com grandes ângulos, aumento a sua absorção pela grade e diminuindo a densidade em todo o filme.

4. Corte devido ao posicionamento reverso da grade: grade posicionada de cabeça para baixo. Este tipo de corte resulta em uma diminuição na

densidade ao redor de todas as bordas do filme, como observado na Figura

77 8 .

Alvo Raios X Grade Primário Transmitido Filme
Alvo
Raios X
Grade
Primário Transmitido
Filme
Efeito visualizado no filme
Efeito
visualizado
no filme

Figura 77

Grade posicionada de cabeça para baixo ocasionando perda de densidade nas laterais do filme radiográfico.

10.1.5 Eficiência da grade

Grades são usadas para melhorar o contraste da imagem absorvendo radiação secundária antes dela alcançar o filme. A “grade ideal” absorveria toda radiação secundária e nenhuma radiação primária. Isso daria um máximo contraste de filme sem um aumento desnecessário na exposição ao paciente. Porém, a grade ideal não existe. Em cada situação clinica é necessário pesar estes dois fatores. Para ajudar na seleção da melhor grade, muitos parâmetros foram criados para avaliar seu desempenho 5 . Como visto anteriormente, existem diversos tipos de grades que podem ser utilizadas na realização de um exame, então uma análise é necessária para avaliar a melhor grade a ser empregada para cada situação. A análise do desempenho das grades durante os exames em radiologia pode ser baseada na observação de alguns parâmetros, como: razão de grade, frequência da grade, comprimento focal, material interespacial e fator de Bucky 4 .

10.1.5.1

Razão de grade

A razão de grade é a razão entre a altura pela largura dos espaços de material de baixa atenuação da grade, como observado na Figura 78. Este parâmetro representa a capacidade da grade em remover a radiação espalhada antes que essa atinja o receptor de imagem. Assim, quanto maior a razão da grade, melhor é a eficiência na remoção da radiação espalhada. Infelizmente, não somente fótons espalhados são removidos pela grade, mas também alguns fótons úteis para a formação da imagem, como já observado na Figura 71. Por isso, o valor da razão da grade não pode ser muito elevado, se não maior quantidade de fótons úteis serão removidos e a exposição ao paciente terá que ser aumentada para compensar. Razões de grade são usualmente expressas como dois números, com o primeiro número sendo a razão real e o segundo sempre um 5 . Os números 8:1, 10:1 e 12:1 são mais comuns em radiografia geral. Esta representação de razão de grade de 8:1 quer dizer que os espaços são altos e estreitos e que a profundidade é 8 vezes a largura 4 . Com razões de grade menores, menos radiação espalhada é eliminada. Porém, grades com razões menores são menos sensíveis em relação ao posicionamento e distância entre tubo de raios X e grade, conseguindo manter uma boa qualidade da imagem sem uma grande precisão nesses parâmetros. Isto ocorre, pois esta grade não absorve muitos fótons úteis para a formação da imagem, não afetando a densidade e o contraste desta e consequentemente não tendo que aumentar a exposição ao paciente para compensar.

Fatia de material radiotransparente Largura Fatia de chumbo Altura
Fatia
de
material
radiotransparente
Largura
Fatia de chumbo
Altura

Figura 78

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!"# ã! !!" !!"#$% = !
!"#$%#"

Componentes de uma grade antiespalhamento e sua razão de grade.

10.1.5.2

Frequência da grade

A frequência da grade é definida pelo número de pares de linhas que cabem em uma unidade de comprimento (cm ou polegadas). Cada par de linhas (pl) corresponde à somatória da largura da fatia de chumbo e largura do material de baixa atenuação Deste modo dizemos que a frequência da grade é representada por pares de linha por centímetro ou linhas por polegada que pode ser calculada dividindo a espessura de um par de linha por 1 cm. Este cálculo nos diz que se tirarmos 1 cm da grade, quantos pares de linhas (uma fatia de chumbo e uma fatia de material radiotransparente) serão encontrados neste comprimento 3 :

Fatia de material radiotransparente Fatia de chumbo 1 cm Um par de linhas 4 pares
Fatia de material
radiotransparente
Fatia de chumbo
1 cm
Um par de linhas
4 pares de linhas por centímetro
(5 pl/cm)
Frequência da grade

Figura 79

Frequência da grade.

Quando aumenta a frequência da grade, a largura das tiras de chumbo e dose do material radiotransparente diminuem para acomodar mais pares de linhas dentro de um mesmo comprimento de 1 cm. Assim, os espaços se tornam mais estreitos aumentando a razão de grade. A não ser que a altura das fatias de chumbo também seja reduzida. Se a altura das fatias é reduzida proporcionalmente, nenhuma diferença ocorrerá na razão de grade e por consequência na eficiência da grade. Grades com espaço menores entre as tiras de chumbo, em relação a altura das tiras, são mais seletivas, ou seja, as fendas que a radiação deve passar são mais estreitas, e, então, somente aqueles fótons secundários que são emitidos do paciente em uma direção muito perto da direção original do feixe primário serão

capazes de passar através dos espaços sem colidir com uma tira de chumbo. Para minimizar o número de fótons primários atenuados, uma alta razão de grade deve ser mais perfeitamente centralizada e alinhada com o raio central. Mesmo quando isto é feito, a alta razão de grade absorverá mais radiação e o aumento da técnica é necessário para manter uma densidade adequada na imagem. O técnico em radiologia deve saber a razão de grade da grade antiespalhamento do equipamento que esta utilizando para melhor ajustar a técnica que será usada no exame 5 . Fatias, mais finas, de chumbo, encontradas em uma grade com uma alta frequência não serão visíveis na radiografia. Uma grade com fatias grossas de chumbo (ou baixa frequência de grade) reduzirão muito a radiação espalhada, mas a imagem das fatias de chumbo aparecerão no filme como linhas de grade 4 . Este artefato causado pelas linhas de grade pode ser eliminado pela movimentação desta.

10.1.5.3 Comprimento focal

O comprimento focal é a distância entre o ponto focal e a grade antiespalhamento. Comprimentos focais típicos de grade são 100 cm pra radiografia geral ou 180 cm para radiografia de tórax. Esta distância determina o grau de inclinação dos espaços de baixa atenuação da grade, que variam do centro até a borda. Devido a essa variação angular no eixo da grade, o posicionamento da grade em uma geometria errada, fora da distância correta ou desalinhada, pode ocasionar a atenuação da maioria dos feixes úteis pelas barras de chumbo em vez de proporcionar sua passagem através dos espaços até o detector, como observado já observado na Figura 75.

10.1.5.4 O material interespacial

Idealmente, o material interespacial deveria ser o ar para que todos os fótons o atravessassem sem sofrer atenuação. No entanto, como o material deve suportar o chumbo maleável das tiras, alumínio e fibra de carbono são geralmente utilizados na fabricação das grades. O alumínio possui número atômico maior do que a fibra de carbono, podendo atenuar radiação primária útil para a formação da imagem, aumentando a exposição do paciente à radiação para compensar tal perda de fótons de raios X. Porém, o alumínio não absorve umidade e possui estrutura mais fácil de trabalhar e transformar no formato adequado para a grade antiespalhamento 5 .

10.1.5.5

O fator de Bucky

O fator de Bucky é a razão da radiação incidente sobre a grade e a radiação

transmitida, que consegue passar pela grade, como observado na Figura 80 e equação 4.

pela grade, como observado na Figura 80 e equação 4. Figura 80 Representação de radiação incidente

Figura 80

Representação de radiação incidente e radiação transmitida pela grade.

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(4)

Este fator indica o quanto de aumento a exposição ao paciente é necessária quando se utilizada a grade antiespalhamento, devido a esta absorver tanto radiação espalhada quanto primária. E consequentemente, o quanto de exposição á radiação

ao paciente é aumentada pelo uso de uma grade v .

Altas razões de grade absorvem mais radiação espalhada, então menos radiação é transmitida e o fator de Bucky é maior do que para baixas razões de grade.

10.2 Técnicas de Espaçamento de ar

A grade antiespalhamento foi um ótimo recurso criado para diminuir a radiação

espalhada e aumentar a qualidade da imagem gerada, porém não foi o único. Um método alternativo ao uso de grades é a técnica do espaçamento de ar. A Técnica de espaçamento de ar é a aplicação de um espaço de ar entre paciente e receptor de imagem, aumentando a distância entre eles. Essa distância permite que muitos raios X espalhados não cheguem ao detector, como observado na Figura 81, diminuindo o efeito destes no contraste da imagem. Porém, o uso desta técnica causa a magnificação das estruturas na região radiografada e reduz o campo de visão da imagem 4 .

radiografada e reduz o campo de visão da imagem 4 . Figura 81 Técnica de espaçamento

Figura 81

Técnica de espaçamento de ar.

A magnificação consiste do aumento das dimensões reais da estrutura radiografada

no receptor de imagem, como pode ser demonstrado na Figura 82. E como o receptor possui dimensões fixas, ele pode não conseguir retratar toda a região de interesse do exame 4 .

Figura 82 Magnificação devido ao afastamento entre paciente e detector de imagem. 11 Sistema Receptor

Figura 82

Magnificação devido ao afastamento entre paciente e detector de imagem.

11 Sistema Receptor de Imagem

11.1 Chassis Radiográficos

O receptor de imagem recebe os raios X transmitidos pelo paciente e pela grade e os utilizam para formar a imagem da estrutura radiografada. O sistema receptor de imagem utilizado em radiologia convencional é composto por chassi, tela intensificadora e filme radiográfico, como pode ser observado na Figura 83.

Janela de Telas identificação Janela de intensificadoras identificação Filme A B
Janela de
Telas
identificação
Janela de
intensificadoras
identificação
Filme
A
B

Figura 83

Sistema de detecção tela-filme. A) Chassi aberto demonstrando a localização das telas intensificadoras e janela de identificação. B) Chassi aberto demonstrando onde o filme é introduzido no chassi.

11.1.1

Função e composição

Os chassis radiográficos tem a função de proteger e sustentar o filme de raios X dentro de sua estrutura física. As travas dos chassis são eficientes na vedação de

luz, impossibilitando a sua entrada, e possível sensibilização indesejada do filme. Juntamente com o filme, telas intensificadoras (ou écrans) também são sustentadas no interior do chassi - como pode ser obervado na Figura 83.

A introdução das telas intensificadoras no interior do chassi é devido a propriedade

das telas de transformar os fótons de raios X em fótons de luz, que sensibilizarão

mais eficientemente o filme, proporcionando uma redução no tempo de exposição do paciente à radiação.

O chassi, o filme e as telas intensificadoras compõem o sistema de detecção tela-

filme. Em radiografia convencional, duas telas são montadas permanentemente nas superfícies internas do chassi e o filme é posicionado entre elas como demonstrado na Figura 83. Devido a este arranjo e a vedação do chassi, se garante que a única luz que sensibilizará o filme será a emitida pelas telas intensificadoras.

11.1.2 Estrutura e qualidade da imagem

Para garantir o bom exercício de sua função e manter adequadamente seus componentes internos, o chassi deve possuir algumas características: ser fino e leve para seu fácil manuseio, possuir uma estrutura rígida e durável, e tampas inflexíveis para que as superfícies achatadas do filme e telas intensificadoras estejam protegidas e seja garantido um bom contato entre elas. Um bom contato físico entre o filme e as telas é necessário para uma boa qualidade da imagem. Para garantir este contato, além da preservação da estrutura do chassi, evitando danos e deformações ao armazená-los e os locomover 5 , as telas são montadas em camadas de espuma compressível que durante o fechamento as pressionam contra o filme 4,5 . Esta compressão aplicada mantém o contato desejado entre tela e filme e força a saída de ar entre eles, evitando artefatos na imagem formada causado por bolhas de ar.

A preocupação com a qualidade da imagem é refletida também no posicionamento

do chassi na realização do exame, já que este se encontra diretamente no caminho

entre feixe de raios X e filme, onde a imagem será formada. A incidência dos fótons de raios X acontece em um lado específico do chassi, normalmente mostrado pela

escrita “tube side” (lado do tubo). Esta superfície frontal é feita de fibra de carbono

ou

outro material de baixa atenuação, maximizando a transmissão dos raios X 3 .

a tampa traseira é feita geralmente de metal pesado, pois a radiotransparência

não é necessária nesta parte e materiais com esta característica ajudam a minimizar

a radiação retroespalhada 3 .

A radiação de retroespalhamento surge, pois alguns os raios X que não são

utilizados na formação da imagem são transmitidos pelo chassi, interagem com

estruturas colocadas atrás do chassi durante o exame, como o bucky onde o chassi

é inserido, um suporte que o sustenta ou até mesmo uma parede próxima e voltam

ao filme. Estes fótons retroespalhados resultam em velamento indesejado do filme e

perda na qualidade da imagem formada 3 . Devido ao efeito indesejado deste

retroespalhamento, na maioria dos chassis a cobertura de trás inclui uma fina folha de cobre ou chumbo. O propósito desta folha é também minimizar e absorver à radiação retroespalhada 3 .

A tampa traseira do chassi é também onde as travas estão localizadas e a troca de

filme acontece. A troca é realizada em um ambiente apropriado chamado de câmera escura 5 .

11.1.3 Recursos do chassi

Cartão de identificação do paciente Chassi (janela de identificação alinhada com o cartão)
Cartão de identificação
do paciente
Chassi (janela de
identificação alinhada
com o cartão)

Figura 84 - Recurso do chassi. Câmara de identificação com chassi posicionado.

Após a realização do exame, é possível a identificação do paciente por uma janela em formato retangular localizada em um dos cantos na parte de trás do chassi. As informações do paciente normalmente estão em um cartão. Este cartão é posicionado na parte superior de uma câmara ID (identificação) alinhado a janela do chassi, que é colocado na parte inferior, como mostrado na Figura 84. A câmera ID

abre a pequena borda do chassi e opticamente grava a imagem do cartão no filme 5 . Esta câmara é utilizada para todo tamanho disponível de chassi. Os chassis são disponíveis para todo tamanho padrão de filme usado em radiografia (ex.: 18 x 24 cm, 24 x 30 cm, 35 x 35 cm e 35 x 43 cm) e são compatíveis com todas

as marcas de equipamentos de raios X 4 .

11.2 Telas intensificadoras (écrans)

11.2.1 Função

Os chassis possuem duas telas intensificadoras montadas nas suas superfícies internas. A introdução destas telas em sua estrutura é devido a sua propriedade de transformar os fótons de raios X em fótons de luz, que sensibilizarão mais eficientemente o filme radiográfico.

As telas intensificadoras ou écrans são constituídos de um material luminescente, o

fósforo. Este material emite luz visível ou ultravioleta em resposta a sua estimulação pelos fótons de raios X em um processo chamado luminescência.

A luminescência pode ser de dois tipos: fluorescência ou fosforescência. Na

fluorescência a luz é emitida somente durante a estimulação do fósforo, ao contrário

da fosforescência, onde a luz continua a ser emitida mesmo após o término do estímulo. As telas de intensificação radiográfica apresentam fluorescência 3 .

A

função dos écrans no sistema de detecção tela-filme é converter os raios X em luz

e

sensibilizar o filme durante a exposição. Como 98 % da energia que expõem o

filme é energia dos fótons de luz e os fótons de raios X contribuem somente

aproximadamente 2% do total da exposição, o tempo de exame é reduzido. A redução deste tempo não somente reduz a radiação ao paciente, mas também prolonga a vida útil do tubo de raios X 5 .

11.2.2 Composição e construção

Parte de trás do chassi Folha de chumbo Chassi Camada compressível Base Tela Intensificadora Camada
Parte de trás do chassi
Folha de chumbo
Chassi
Camada compressível
Base
Tela Intensificadora
Camada refletora
Camada de fósforo
Camada protetora
Filme Radiográfico

Figura 85

Camadas do chassi e tela intensificadora (ou écran).

Para exercer sua função no sistema tela-filme de detecção, as telas intensificadoras são montadas nas superfícies internas do chassi radiográfico e são divididas em quatro partes, demonstradas na Figura 85. O fósforo é aquecido a uma alta temperatura e misturado com uma quantidade pequena de ligante (um polímero que mantém as partículas dos fósforos juntas), e enquanto esta quente e flexível a mistura é uniformemente espalhada em uma camada fina de plástico, de espessura da ordem de 10-20 µm. Esta camada é conhecida como camada protetora e tem a função de proteger os fósforos do desgaste mecânico do chassi, que resulta da constante troca de filme. Depois do endurecimento, uma camada de suporte de plástico mais espessa é colada no topo da camada de fósforo, esta camada é denominada de base e tem aproximadamente 1 mm de espessura 3,4 . Em alguns chassis uma camada de substância reflexiva é acrescentada entre a base e a camada de fósforo. Depois de completar seu processo de fabricação, as telas intensificadoras geralmente são colocadas em pares dentro do chassi, uma tela em cada superfície interna. Os filmes utilizados atualmente em radiografia são de emulsão dupla (uma camada de emulsão em cada lado do filme como será visto posteriormente), por isso duas telas são necessárias para otimizar a sensibilização de ambas as emulsões

e garantir uma boa qualidade da imagem formada. Porém, quando duas telas são utilizadas, um efeito de crossover pode ocorrer com os fótons de luz emitidos de uma delas, como ilustrado na Figura 86. Estes fótons podem passar pela base do filme e chegarem à emulsão oposta, ou irem mais longe

e atingirem a camada refletora da tela oposta e então refletirem de volta para a emulsão do filme. Este longo caminho percorrido aumenta o espalhamento dos fótons de luz e reduz a percepção de detalhes na imagem. Por esta razão, alguns chassis designados para exames específicos que exigem uma alta resolução possuem somente uma tela intensificadora 5 .

Fóton de luz 1 sofre efeito crossover: O fóton de luz passa pela Parte da
Fóton de luz 1 sofre efeito
crossover: O fóton de luz passa pela
Parte da frente do Chassi
base do filme e chega até a emulsão
Base
oposta, sofrendo maior
Camada refletora
Tela
espalhamento que o fóton de luz 4,
Camada de fósforo
Intensificadora
emitido diretamente para a emulsão
do filme mais próxima.
Camada protetora
Emulsão
3
4
Filme
Base
1
Radiográfico
Emulsão
2
Fóton de luz 2 sofre efeito
Camada protetora
crossover: Os fótons de luz passam
Tela
Camada de fósforo
pela base do filme e são refletidos na
Intensificadora
camada refletora da tela
Camada refletora
intensificadora oposta, sofrendo mais
Base
espalhamento ao retornar ao filme
Parte de trás do Chassi
do que os fóton de luz 3 que são
refletidos na camada refletora mais
próxima.

Figura 86: Efeito Crossover.

Nos chassis, o filme é posicionado entre as telas intensificadoras e se mantém firme entre elas devido à camada de espuma compressível, sobre a qual as telas são montadas. Durante o fechamento do chassi, estas camadas pressionam as telas contra o filme garantindo um bom contato tela-filme. Um bom contato entre as superfícies das telas e as superfícies do filme é essencial para uma boa qualidade de imagem. Um mau contato ou irregularidades nas superfícies permite o espalhamento dos fótons de luz que formarão borrões na imagem. As irregularidades podem surgir devido ao descuido com o chassi, que é a estrutura responsável pela proteção das telas de intensificação e dos filmes. Qualquer dano no chassi, causado por queda e outros abusos, pode curvar ou criar buracos na estrutura do écran, causando bolhas de ar entre ele e o filme. Os fótons de luz que passam por interfaces entre meios bem diferentes, como tela, ar e filme, irão

refratar. Esta refração é agravada pelo aumento da distância até o filme criada pela

bolha de ar. O resultado são bordas de penumbra ou borrão, e consequentemente uma perda severa na resolução espacial da imagem 5 . A resolução é medida geralmente pelo espaçamento mínimo entre linhas que pode ser detectado e distinguido. Quanto menor for este espaçamento, menor será o objeto que pode ser visualizado e melhor será a resolução espacial.

pode ser visualizado e melhor será a resolução espacial. Figura 87 11.2.3 Base Diagrama ilustrando o

Figura 87

11.2.3 Base

Diagrama ilustrando o efeito de um contato tela-filme ruim.

A base é uma camada plástica de poliéster de aproximadamente 1 mm de espessura que serve como suporte e proteção da camada de fósforo. Para exercer esta função a base deve ser: áspera e resistente à umidade; flexível o suficiente para permitir um bom contato de toda a superfície do filme; homogeneamente radiotransparente para não criar artefatos na imagem, e deve também ser quimicamente inerte para que não haja chance de descoloração da emulsão da camada de fósforo em contato com ela 5 . A descoloração da emulsão interferiria na emissão de luz pelo écran 5 .

11.2.4 Camada refletora

11.2.4 Camada refletora Figura 88 Produção dos fótons de luz na camada de fósforo e sua

Figura 88

Produção dos fótons de luz na camada de fósforo e sua reflexão pela

camada refletora.

na camada de fósforo e sua reflexão pela camada refletora. Figura 89 Perda de resolução devido

Figura 89

Perda de resolução devido ao uso de tela intensificadora com camada refletora.

A luz emitida pelo écran é produzida pelos cristais de fósforo da emulsão. Esta

emissão é isotrópica, em todas as direções. Os fótons de luz emitidos na direção do

filme contribuem para a formação da imagem, porém os fótons emitidos lateralmente

e atrás do filme são perdidos e inutilizados. Para resolver este problema, uma

camada fina de substância reflexiva, dióxido de titânio ou um branco similar, é espalhada sobre a base 5 . Esta camada age como espelho, refletindo os fótons de luz que são emitidos em direções contrárias a do filme, de volta a direção do filme, maximizando o número de fótons de luz úteis para a produção da imagem, como observado na Figura 88. Infelizmente, a luz refletida por esta camada tem uma maior distância a percorrer antes de alcançar o filme, sofrendo um espalhamento levemente maior do que a luz emitida diretamente a ele, como observado na Figura 89. Este espalhamento contribui para penumbra ou borrão na imagem, causando perda de resolução espacial nesta. Por esta razão, algumas marcas de écrans finos ou chassis dedicados para exames de extremidades, desenhados para atingir alta resolução de detalhe não empregam camada refletora 5 .

11.2.5 Camada de fósforo

A luz refletida pela camada refletora é proveniente da camada de fósforo. Esta

camada consiste de cristais fluorescentes colocados uniformemente dentro de uma solução de ligante de plástico e sustentado pela base. Os cristais de fósforo emitem

fótons de luz quando estimulados pelos raios X, e esta luz sensibiliza o filme radiográfico. Durante o século 20, tungstanato de cálcio (CaWO 4 ) foi o cintilador mais comum usado na fabricação de telas intensificadoras. As primeiras telas comerciais de

tungstanato de cálcio foram feitas na Inglaterra e Alemanha em 1896 e nos estados unidos em 1912 5 .

O tungstanato de cálcio emite luz na região do azul e ultravioleta em um espectro

contínuo e largo, com pico de comprimento de onda em aproximadamente 430 nm 5 . Ele foi tão usado devido a seu tempo de resposta rápida e por ser um material muito durável 5 .

No inicio de 1970s, fósforos de terras raras foram introduzidos e devido a sua maior eficiência em converter raios X em luz eventualmente substituíram o CaWO 4 em telas intensificadoras pelo mundo 3 .

O grupo de terras raras consiste de elementos de número atômico de 57 (Lantânio,

La) a 71 (Lutécio, Lr), e incluem Túlio (Tm, Z = 69), Térbio (Tb, Z = 65), Gadolínio (Gd, Z = 64) e Európio (Eu, Z = 63). Devido ao lantânio ser o primeiro elemento, o grupo de terras raras é também conhecido como a série dos lantanídeos na tabela periódica 4 . O fósforo mais comum de terras raras usado em telas intensificadoras hoje é o oxissulfureto de gadolínio (Gd 2 O 2 S) 5 . Ao contrário do CaWO 4 , os fósforos de terras raras não fluorescem apropriadamente no estado puro, necessitando do acréscimo de outros compostos, chamados ativadores 5 . Os fósforos de terras raras são produzidos como cristais de oxissulfureto de gadolínio ativado com térbio (Gd 2 O 2 S:Tb) e oxibrometo de lantânio ativado com túlio (LaOBr:Th) e emitem luz na região do verde.

com túlio (LaOBr:Th) e emitem luz na região do verde. Figura 90 Casamento espectral entre tela

Figura 90

Casamento espectral entre tela intensificadora e filme radiográfico.

Telas de tungstanato de cálcio emitem luz na região do ultravioleta e azul, e filme utilizado com esta tela tem que ser designado para ser mais sensível nesta cor, isto

é chamado de casamento espectral. Muitas telas com terras raras emitem luz

centradas na porção verde do espectro. Filmes especiais são designados para serem usados com estas telas que são mais sensíveis à luz verde. Qualquer combinação errada entre filme e tela resultará em alguma perda de eficiência e a radiografia resultante não será escurecida adequadamente 5 . Como os filmes radiográficos são designados para serem mais sensíveis a cores específicas de luz, possuem alta sensibilidade na maioria do intervalo de luz emitida pelas telas intensificadora (ultravioleta, azul e verde). Por isso, luz de coloração vermelha é utilizada nas câmaras escuras, pois não está no intervalo de luz em que o filme radiográfico é mais sensível.

A espessura da camada de fósforo varia consideravelmente com a velocidade da

conversão de raios X em luz ou a necessidade de uso do écran, e pode variar de 80

a 250 micrometros 4 .

11.2.6 Camada protetora

Independentemente da espessura, a camada de fósforo é delicada e necessita de proteção para exercer bem sua função. Então, uma camada protetora é aplicada sobre o fósforo. Esta camada é feita de um plástico, constituído de um composto de

celulose misturado com outros polímeros 5 . Além da proteção física à camada de fósforo, esta proteção ajuda a prevenir artefatos causados por descargas de eletricidade estática que surgem devido ao atrito durante o carregamento do filme, e provém uma superfície que pode ser limpa sem danificar a camada de fósforo.

A camada de proteção está localizada entre os fótons de luz produzidos pelos

cristais de fósforo e o filme, que é o receptor destes fótons para a formação da imagem. Para os fótons alcançarem o filme sem serem absorvidos ou espalhados no caminho, a camada de proteção deve ser clara e transparente à luz 4 . Ao inserir a camada de proteção no écran, o caminho percorrido pelos fótons de luz até o filme aumenta, por isto além das outras características citadas anteriormente, a camada de proteção também deve ser muito fina (aproximada de 20 a 25 micrômetros), pois com uma grande espessura a luz sofrerá um maior espalhamento antes de alcançar o filme, contribuindo para penumbra e falta de nitidez na imagem. Devido a estes fatores, grande cuidado deve ser tomado em manusear as telas, pois produtos de limpeza, unha, e as bordas do filme radiográfico podem facilmente penetrar esta proteção e danificar a camada de fósforo, comprometendo a sensibilização do filme 5 .

11.2.7 Eficiência da tela intensificadora

Para sensibilizar e produzir densidade no filme radiográfico, um écran deve absorver os fótons de raios X, converte-los em fótons de luz e emiti-los em direção ao filme. Em cada etapa deste processo, a eficiência deve ser a maior possível. As eficiências envolvidas são a de absorção, conversão e emissão.

11.2.7.1

Eficiência de absorção

A eficiência de absorção descreve a capacidade da tela intensificadora de detectar fótons de raios X que incidem sobre ela. Quando um fóton de raios X é absorvido pela tela, a sua energia é depositada e alguma fração dessa energia é convertida em fótons de luz. No entanto, o feixe de raios X que incide sobre o filme é polienergético, ou seja, possui vários valores de energia em seu espectro. O número de fótons de luz produzidos na tela intensificadora é determinado pela quantidade total da energia de raios X absorvida pela tela, não pelo número de fótons de raios X que incidem sobre ela. Por este fato, sistemas tela-filme são considerados detectores de energia 4 . No intervalo de energia de raios X diagnóstico, a absorção é quase inteiramente causada pelo efeito fotoelétrico. Uma reação fotoelétrica é mais provável de ocorrer em elementos com número atômico alto e quando a energia dos fótons de raios X incidentes e a energia de ligação dos elétrons da camada K são muito próximas.

11.2.7.1.1 Número atômico do fósforo

Átomos com um alto número atômico têm muito mais elétrons nas suas camadas. O diâmetro real do átomo, medido através da camada mais externa, somente aumenta, levemente, quando comparado a átomos com números atômicos menores. Isto acontece devido a força de atração entre prótons do núcleo e elétrons das camadas. Quanto maior a quantidade de prótons e elétrons, maior a força de atração entre eles, e mais perto do núcleo as camadas, onde os elétrons estão localizados, estarão. Então, os átomos com um alto número atômico não são tão largos e sim mais concentrados 5 . Este aumento de concentração dos elétrons dentro do espaço em volta do núcleo se refere a densidade eletrônica do átomo. Átomos com alto numero atômico tem uma nuvem de elétrons mais densa, aumentando a probabilidade de absorção de um fóton de raios X pela colisão com um elétron, que é o efeito fotoelétrico 5 . Além do número atômico e energia de ligação, a absorção também é influenciada pela espessura da camada de fósforo e sua densidade.

11.2.7.1.2

Espessura da camada de fósforo

Camada de fósforo mais espessa absorverá mais fótons de raios X, e mais fótons de luz serão produzidos pela tela. Isto ocorre, pois mais átomos estão no caminho do feixe de raios X, e então a probabilidade de absorver um fóton em particular aumenta e a eficiência de absorção aumenta 3 . O tamanho do cristal de fósforo e a espessura da camada de fósforo determina a sensibilidade da tela intensificadora. A tela que contém cristais maiores ou que tem uma camada espessa de fósforo emite significantemente mais luz para uma dada quantidade de radiação do que telas de menores cristais, ou camada mais fina. Com uma espessura maior da camada de fósforo, alguns dos fótons de luz produzidos terão que percorrer um caminho mais longo para escapar da tela e atingir o filme radiográfico. Durante tal percurso, podem colidir com outros cristais de fósforo, dificultando sua chegada ao receptor de imagem e assim diminuindo a eficiência de emissão da tela intensificadora. No entanto, este efeito é muito menor quando comparado ao grande aumento da eficiência de absorção 5 . Apesar do aumento de espessura da camada de fósforo e tamanho de seus cristais, conseguir um aumento na eficiência de detecção, também causa uma perda de resolução espacial, demonstrado na Figura 91. Quando a luz se propaga através da tela, se espalha em todas as direções com igual probabilidade (difusão isotrópica). Para telas mais espessas e com cristais maiores, consequentemente, os fótons de luz propagam distâncias laterais maiores antes de alcançar a superfície da tela. Esta difusão lateral da luz causa um leve borrão na imagem 4 . Apesar de perda de resolução na imagem, a velocidade da tela intensificadora aumenta , produzindo mais fótons de luz por raios X, conseguindo o enegrecimento desejado do filme em menor tempo e consequentemente diminuindo à exposição ao paciente.

Figura 91 Maior redução na resolução espacial em camadas mais espessas de fósforo e com

Figura 91

Maior redução na resolução espacial em camadas mais espessas de fósforo e com cristais de fósforos de tamanhos maiores.

11.2.7.1.3 Densidade do fósforo

A configuração (forma) de alguns tipos de moléculas de fósforo permitem que sejam empacotadas mais fortemente juntas dentro de um cristal, proporcionando uma maior concentração de moléculas em cada cristal. Isto é descrito como uma densidade molecular maior ou densidade física (massa por volume de espaço). Com uma maior densidade, há simplesmente mais átomos por milímetro cúbico para os fótons de raios X colidirem, e a absorção aumenta proporcionalmente. A densidade física das moléculas de fósforo é uma razão importante do porque das telas de terras raras serem introduzidas no mercado 5 . Fabricantes tem recentemente desenvolvido novas formas de cristais inteiros, tais como cristais de forma achatada. Nesta forma, é possível empacotar os cristais mais juntos dentro de uma substancia ligante, e ainda manter uma boa uniformidade de distribuição. Com o aumento na densidade do fósforo, aumenta a eficiência de absorção da tela intensificadora 5 .

11.3 Eficiência de conversão

Após absorver os fótons de raios X, é necessário que a tela intensificadora tenha a capacidade de converter estes fótons em luz, ao invés de dispersá-los como outra forma de energia que não seja útil para a sensibilização do filme. Esta é chamada de eficiência de conversão e é influenciada pelos químicos que constituem a tela.

11.3.1.1.1 Componentes químicos utilizados na molécula de fósforo

O tungstanato de cálcio foi o componente padrão por muitas décadas. Com o avanço da tecnologia descobriu-se que muitos elementos de terras raras, quando tratados com térbio, túlio, európio ou nióbio como ativadores químicos (catalisadores), são de 2 a 4 vezes mais eficientes do que tungstanato de cálcio em conversão de raios X. A eficiência de conversão maior é devido inteiramente as propriedades químicas das moléculas 5 . Na literatura, a eficiência de conversão atual é citada como 5% para CaWO 4 , 18% para LaOBr, 18% para Gd 2 O 2 S:Tb e 18% para Y 2 O 2 S:Tb 5 .

11.3.1.2 Eficiência de emissão

Os fótons de raios X depois de absorvidos e convertidos em fótons de luz necessitam escapar da camada de fósforo para expor o filme radiográfico. Esta capacidade de sair da tela intensificadora e alcançar o filme é chamada eficiência de emissão e é influenciada por algumas características da tela intensificadora, como a espessura da camada de fósforo e tamanhos de seus cristais, e acréscimo de tintura nesta camada.

11.3.1.2.1 Espessura camada fósforo

Com uma camada mais espessa de fósforo, os fótons de luz produzidos terão que percorrer um caminho mais longo para escapar da tela e durante este percurso estes fótons podem colidir com outro cristal de fósforo e não conseguir sair da tela. Devido a isto, a eficiência de emissão é levemente reduzida. Porém, este efeito é mínimo quando comparado com o aumento da eficiência de absorção.

11.3.1.2.2

Acréscimo de corante na camada de fósforo

Um corante pode ser adicionado ao ligante do fósforo com a finalidade de reduzir a quantidade de fótons de luz emitidos em direções opostas a do filme radiográfico, como observado na Figura 92, pois quando estes fótons de luz atingem e sensibilizam o filme ocorre uma diminuição da resolução espacial. Porém, com a introdução do corante a quantidade total de fótons de luz incidentes no filme radiográfico para a formação da imagem diminui, reduzindo assim a eficiência de emissão da tela, sua velocidade e consequentemente aumentando o tempo de exposição ao paciente. Chassis com estes tipos de telas costumavam ser chamados de chassi de alta resolução e quando expostos a luz ambiente pode-se facilmente reconhecer a aparência amarela ou cinza da tela com corante 5 .

a aparência amarela ou cinza da tela com corante 5 . Figura 92 Comparação de comportamento

Figura 92

Comparação de comportamento da luz em telas intensificadoras com corantes e sem corantes.

11.3.1.2.3 Camada refletora

Quando a camada refletora é adicionada atrás da camada de fósforo em uma tela intensificadora, os fótons de luz direcionados em direções contrárias a do filme são redirecionados e mais fótons de luz alcançam o filme, aumentando a eficiência de emissão da tela, como visto na Figura 88.

11.3.2 Velocidade das telas intensificadoras

A velocidade da tela é determinada pelo número relativo de raios X que interagem

com o fósforo e como a energia dos raios X é convertida eficientemente em luz visível 3 .

A velocidade relativa expressa numericamente é o modo de identificação das telas

intensificadoras. A escala de velocidade de telas vai de 100 (lenta, detalhe) a 1200

(muito rápido) 3 . Telas de tungstanato de cálcio tem o valor de 100 atribuído, e serve como base para a comparação de todas as telas restantes. As telas de terra-raras de alta velocidade alcançam valor de 1200; as telas de detalhe tem velocidade aproximadamente 50-80 3 . Os fatores que podem aumentar a velocidade de uma intensificadora é o aumento

de sua camada de fósforo e eficiência de conversão e absorção deste fósforo 5 .

Telas intensificadoras com velocidades elevadas necessitam de baixa exposição

para formarem uma imagem no filme radiográfico. Porém, por utilizar uma menor quantidade de fótons de raios X na produção desta imagem, elas acabam apresentando uma aparência granulada devido ao ruído.

O termo ruído se refere a variações locais na DO do filme que não representa

variações na atenuação do paciente. Ruído inclui ruído aleatório, causado por fatores tais quais variações aleatórias no numero de fótons de raios X interagindo com a tela, variações aleatórias na fração de luz emitida pela tela que é absorvida na emulsão do filme, e variações aleatórias na distribuição de grãos de haleto de prata da emulsão do filme. O ruído na imagem radiográfica é governado principalmente pelo numero de fótons de raios X que são detectados no sistema tela-filme. A percepção visual do ruído é reduzida (resultando em uma melhor

qualidade de imagem) quando o número de fótons de raios X detectados aumenta 4 . Se a velocidade do sistema tela-filme é elevada pelo aumento na eficiência de conversão (então cada fóton de raios X detectado se torna mais eficiente no escurecimento do filme), menos fótons de raios X detectados são necessários para alcançar o mesmo escurecimento de filme. Menos raios X detectados resultam em maior ruído na imagem. Conclui-se que, aumentando a eficiência de conversão para aumentar a velocidade do sistema tela-filme aumentará o ruído nas imagens 4 .

11.3.3 Cuidados com as telas intensificadoras

A interação dos raios X com o fósforo não provoca desgaste. Não há nada

semelhante à fadiga causada pela radiação. A única maneira das telas deixarem de ser úteis nos serviços de radiologia é por falta de cuidado no seu manuseio e manutenção de sua estrutura 3 .

As telas intensificadoras devem ser mantidas limpas. Qualquer material estranho na

tela, como papel, sangue, fiapos e poeira bloqueará os fótons de luz e produzirá uma área não exposta no filme correspondendo ao tamanho e forma da área suja 5 .

A limpeza pode ser realizada com água e sabão neutro, porém as telas são mais

bem limpas com uma solução contendo um composto antiestético e um detergente;

a solução deve ser aplicada gentilmente (nunca esfregar vigorosamente) com um

pano macio sem fiapos. As telas devem ser enxaguadas com cuidado e secas completamente antes do fechamento do chassi. Se a tela estiver úmida, a camada

de emulsão do filme pode aderir nela, possivelmente causando dano permanente 3 . A

frequência de limpeza é determinada pela intensidade do uso e nível de poeira do

ambiente. Em um departamento de radiologia com grande volume de exames, pode

se necessário limpar as telas uma vez por mês ou mais frequentemente. Sob outras

circunstâncias, a frequência da limpeza pode ser estendida com segurança para dois ou três meses 3,5 . Exceto durante a limpeza, a superfície não deve ser tocada ou manuseada para evitar arranhões e marcas de dedos 4 . Depois de limpos, os chassis devem ser carregados, fechados e armazenados na câmera escura, mas a uma distancia segura dos químicos, pois manchas de revelador não podem ser removidas da tela intensificadora 4 . Ao pegar o chassi na câmera escura pra carrega-lo com um filme alguns cuidados devem ser tomados nesse procedimento. Ao carregar o chassi, não deslize o filme dentro, o canto afiado ou a borda pode riscar a tela. Coloque o filme dentro do chassi. Remova o filme do chassi deixando-o cair sobre os dedos. Não retire o filme para fora do chassi com auxilio das unhas. Não deixe os chassis abertos porque as

telas podem ser danificadas por qualquer objeto que possa cair sobre elas, sejam produtos químicos da câmara escura ou poeira 3 .

11.4 Filmes radiográficos

11.4.1 Função e composição

O grande cuidado com o chassi e suas telas intensificadoras é necessário para obter

uma boa qualidade de imagem. O chassi é a proteção do filme radiográfico e a tela intensificadora a responsável em sensibilizá-lo de modo otimizado.

O filme radiográfico é o responsável pela formação e armazenamento da imagem

radiográfica. Ele é o receptor dos fótons de raios X que conseguem emergir da tela

intensificadora. Estes fótons sensibilizam o filme, formando a imagem. Esta imagem

ficará “impressa” no filme radiográfico e após passar por um processo de revelação, será utilizada para o diagnóstico e posterior armazenamento. O filme radiográfico utilizado em radiologia convencional é constituído por duas camadas de emulsão. Cada camada de emulsão contém cristais de brometo de prata suspensos em uma gelatina. Estas camadas são ligadas, por uma espessura fina de material adesivo, a ambos os lados de um suporte transparente de poliéster tingido de azul, a base, garantindo uma ligação firme entre suporte e emulsão, como observado na Figura 93.

A emulsão é coberta por uma camada protetora de gelatina chamada de camada de

recobrimento. Essa camada de recobrimento protege a emulsão de arranhões e contaminação durante o manuseio, processamento e armazenamento 3 .

durante o manuseio, processamento e armazenamento 3 . Figura 93 Filme radiográfico com sua divisão de

Figura 93

Filme radiográfico com sua divisão de camadas.

11.4.1.1

Base

A principal função da base é ser o suporte para a emulsão. Para a base exercer sua

função de modo que não prejudique a formação ou a visualização da imagem, ela deve possuir algumas características: não deve produzir um padrão visível ou absorver muita luz quando a radiografia é visualizada; a flexibilidade e espessura devem permitir fácil processamento, manuseio e possuir rigidez adequada para

colocá-la no negatoscópio. Além destas características, a base deve ter estabilidade dimensional, ou seja, manter sua forma e tamanho durante o processo de revelação

e armazenamento 5 . Uma falha neste último requerimento pode ocasionar distorções

na

imagem.

O

primeiro material utilizado como base foi o vidro. Porém, durante a Primeira

Guerra Mundial, o vidro de alta qualidade ficou quase indisponível devido a sua alta demanda e fragilidade. Em 1914, o nitrato de celulose, previamente usado como base de filme fotográfico, foi adaptado para uso como filme de raios X. Entretanto, por ser um material inflamável causou diversos incêndios hospitalares na década de 1920. Nesta mesma década, filmes com base de triacetato de celulose foram introduzidos. Ele tem propriedades similares às do nitrato de celulose, mas não é inflamável. No início da década de 1960, uma base de poliéster foi introduzida. O poliéster é mais resistente a deformação com o tempo e mais forte que o triacetato de celulose, permitindo um transporte mais rápido através das processadoras automáticas, equipamentos utilizados na revelação dos filmes. As bases de poliéster são mais finas que as bases de triacetato (aproximadamente 175 µ m), mas

igualmente fortes 3,5 . Várias tentativas foram feitas para melhorar a qualidade do filme

ao

longo dos anos, e a adição de tintura na base foi uma delas. Filmes com este tipo

de

base reduzem o cansaço visual, permitindo uma melhor análise da imagem pelos

radiologistas 3 .

O primeiro método de uso de tintura comercializado a ser aplicado para o filme de

raios X na América foi descrito em 1933 por George A. Scanlan e Charles Holzwarth

de Parlin, Nova Jersey que introduziu a tintura na coloração azul no filme 4 .

11.4.1.2 Emulsão

A emulsão é o material com os quais os raios X ou fótons de luz das telas

intensificadoras interagem e transferem a informação para a formação da imagem. A

emulsão consiste em uma mistura homogênea de gelatina e cristais de haleto de prata. Ela é colocada homogeneamente na base em uma camada de 3 a 5 µ m de espessura no máximo, devido a incapacidade da luz de penetrar mais profundamente 3,5 .

11.4.1.2.1

Gelatina

A gelatina é o suporte para a distribuição uniforme dos haletos de prata - mantendo-

os bem dispersos - e prevenindo sua aglomeração 5 . Ela possui coloração clara para

melhor transmitir a luz e é porosa para que as substâncias químicas de processamento (revelador e fixador) penetrem rapidamente até os cristais de haleto

de prata, sem ocasionar danos a estrutura da gelatina 3,5 .

11.4.1.2.2 Haleto de prata

Os cristais de haleto de prata são o material sensível a luz emitida da tela

intensificadora. Sua composição é de 98% de brometo de prata (AgBr) e o restante

é usualmente iodeto de prata (AgBI).

Os cristais de brometo e iodeto de prata são precipitados na gelatina acompanhada de preciso controle de temperatura, pressão e velocidade na qual os componentes são misturados 3,5 .

O método de precipitação envolve a dissolução da prata metálica (Ag) em acido

nítrico (HNO 3 ) para formar nitrato de prata (AgNO 3 ). A mistura de nitrato de prata

(AgNO 3 ) com brometo de potássio (KBr) formam cristais de brometo de prata (AgBr), sensíveis aos fótons de luz, e nitrato de potássio. Com o acréscimo de água, o nitrato de potássio se dissolve sendo lavado para fora enquanto que o brometo de prata se precipita 3,5 .

Formação do cristal de haleto de prata AgNO 3 + KBr (nitrato de prata) +
Formação do cristal de haleto de prata
AgNO 3 + KBr
(nitrato de prata) + (brometo de potássio)
AgBr + KNO 3
(brometo de prata) + (nitrato de potássio)
precipitado
lavado com água

O cristal formado de íons de prata (Ag+), íons de bromo (Br-), e íons de iodo (I-) são arranjados em uma rede cúbica com alguns átomos de prata livres misturados, como observado na Figura 94. Estes íons de prata livre, que saíram da sua posição normal na rede cristalina podem migrar dentro do cristal. Isto é um tipo de defeito inerente da estrutura do cristal, o defeito de Frankel, como pode ser visualizado na Figura 94 4,5,7 e dependendo da intenção da aplicação da imagem, os cristais de haleto de prata podem ter formas tabulares, cúbica, octaedral, poliedral ou irregulares como observado na Figura 95 3 .

poliedral ou irregulares como observado na Figura 95 3 . Figura 94 Parte da estrutura cúbica

Figura 94

Parte da estrutura cúbica do cristal de haleto de prata

94 Parte da estrutura cúbica do cristal de haleto de prata Figura 95 A) O cristal

Figura 95 A) O cristal convencional com tamanhos irregulares. B) grãos planos, como tabletes, tabulares. C) Grãos cúbicos.

Figura 96 Centros de sensibilização Na fabricação, a emulsão é tratada com sulfito de prata,

Figura 96

Centros de sensibilização

Na fabricação, a emulsão é tratada com sulfito de prata, ou outros químicos que constituem impurezas dentro dos cristais. Estas moléculas alteradas residem na superfície do cristal em áreas chamadas de centros de sensibilização, como observado na Figura 96. Estes centros tem a habilidade de “armadilhar” elétrons, formando a imagem latente, que com um tratamento químico adequado, processo de revelação, originará a imagem visível 5 . A revelação só pode continuar em crescimento de tamanho destes centros, e não pela formação de novos centros. Cristais que não possuem centros de sensibilização, não podem revelar e consequentemente não formam imagem latente 5 .

11.4.2 Formação da imagem latente

Quando os fótons de luz interagem com o filme, essa interação com a prata e os átomos do haleto (Ag, Br, I) produz uma imagem, chamada de imagem latente. A energia absorvida de um fóton de luz por um elétron o fornece energia suficiente para escapar e viajar por grandes distâncias dentro do cristal. A maioria desses elétrons é proveniente dos íons de bromo ou iodo por terem os íons negativos (um elétron extra). Esses íons negativos são convertidos em átomos eletricamente neutros, e a perda da carga iônica resulta no rompimento da rede cristalina 3 . Os átomos de bromo e iodo estão agora livres para se mover, pois não estão mais ligados na rede cristalina. Eles migram para fora do cristal até a gelatina. Durante a travessia no cristal, o elétron pode ter energia suficiente para remover outros elétrons da rede cristalina. Consequentemente, como resultado da interação dos raios X, vários elétrons são liberados e viajam através da rede cristalina 3 . Os elétrons migram até o centro de sensibilidade e são aprisionados. Quando um centro de sensibilidade captura um elétron, ele se torna mais carregado