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SEÇÃO 4

SUA PETIÇÃO

Direito Trabalhista

NPJ - NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA

DIREITO TRABALHISTA - SUA PETIÇÃO - SEÇÃO 4

Seção 4

Direito Trabalhista

- SUA PETIÇÃO - SEÇÃO 4 Seção 4 Direito Trabalhista Sua causa! Olá! Bem-vindo à 4ª

Sua causa!

Olá! Bem-vindo à 4ª seção do presente recurso.

Na seção anterior iniciamos a análise da postulação no âmbito dos tribunais. Persistiremos desenvolvendo-a nesta seção (como

a antecedente, dedicada à instância recursal ordinária) e nas duas seguintes (reservadas à instância excepcional ou extraordinária, vale dizer, o Tribunal Superior).

Os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (CRFB/1988, art. 5º, inciso LV) também devem ser observados em 2º Grau de Jurisdição. A parte recorrida tem os direitos de ser cientificada do recurso e respondê-lo, requerendo ao juízo ad quem (geralmente o Tribunal) que mantenha a decisão combatida.

A omissão ou má técnica nesse particular podem resultar na piora

da condição processual da parte. A ausência de manifestação pela parte recorrida não subentende consentimento ou resulta em consequências outras, como aplicação dos efeitos da confissão presumida (neste caso, porque as provas foram produzidas e já existe uma decisão valorando-as), mas isso não significa que tal postulação deva ser ignorada ou receber menor atenção.

A qualidade dos argumentos, quando desenvolvidos de forma correta, potencializa a obtenção de resultado favorável à parte recorrida.

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Da decisão reproduzida na 3ª Seção (livro didático) foi interposto recurso ordinário (ver a Resolução para o Aluno daquela Seção) em 21/04/2016 (quinta-feira). A publicação referindo a esse fato ocorreu em 26/04/2016.

Considerando o recurso ordinário da 3ª Seção e os dados ora apresentados, você, advogado da Metalúrgica Aço Forte Ltda. deverá elaborar a peça processual adequada à defesa dos interesses de seu cliente junto ao TRT.

à defesa dos interesses de seu cliente junto ao TRT. Fundamentando! 1. Teoria geral Uma das

Fundamentando!

1. Teoria geral

Uma das partes interpôs recurso ordinário. O que vem em seguida? Qual deve ser a postura da parte recorrida?

Como dissemos anteriormente, a aplicação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (CR/1988, art. 5º, inciso LV) importa, em primeiro momento, na comunicação de que a sentença está sendo questionada.

Ciente disso, é natural que a parte recorrida queira manifestar- se abonando a decisão, vale dizer, que tente convencer o juízo natural – o Tribunal – a julgar novamente em seu favor. Pode fazê-lo reforçando os fundamentos utilizados pelo juiz de 1º grau, para acolher sua tese, ou apresentando argumentos próprios. Além de rebater aqueles utilizados pela parte recorrente.

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Percebeu? Ciência e oportunidade de manifestar e de tentar influenciar o julgador, valendo-se do meio processual disponível.

Há mais. Imagine que no curso do processo foram proferidas decisões contrárias ao recorrido que não comportavam recurso imediato, por exemplo, a rejeição de uma arguição de incompetência de foro ou da produção de certa prova. Nesses casos o debate só pode ser restabelecido no recurso cabível da decisão final (CLT, arts. 799, § 2º e 893, § 1º). Vitorioso na decisão final, o recorrido não precisa buscar a instância superior relativamente a essas situações (incidentais). O recurso da parte contrária como que reaviva o interesse nesse debate, ante a possibilidade de reversão do resultado.

Raciocine comigo: a parte vencedora não precisa debater novamente incompetência ou cerceamento de defesa. Porém, caso o Tribunal entenda por bem reformar a sentença, não lhe parece ser o caso de, também, rever essas questões? Do contrário, é evidente o prejuízo da parte recorrida.

Como renovar tais arguições? O recorrido pode reprisá-las quando responde ao recurso, apresentando-as como matérias preliminares. Ainda, poderá suscitar, preliminarmente, mesmo que pela primeira vez, assuntos em relação aos quais não ocorreu preclusão, como a prescrição (CC, art. 193; TST, Súmula, 153) e as ditas matérias de ordem pública (CPC/2015, arts. 337, § 5º e 485, § 3º).

Essa técnica, tradicional na Justiça do Trabalho foi adotada parcialmente pelo processo civil. O CPC/2015: a) estabeleceu as hipóteses em que a decisão interlocutória pode ser combatida por recurso próprio, o agravo de instrumento (art. 1.015); b) extinguiu o agravo retido; c) dispôs que as “questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões” (art. 1.009, § 1º).

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Importante: Existe jurisprudência no sentido da impossibilidade de arguição da prescrição em contrarrazões; argumenta-se que, como houve sucumbência nesse ponto, a parte interessada deve recorrer (TST, AgR-E-ED-RR 1521-82.2011.5.03.0099, SBDI-I, Relator José Roberto Freire Pimenta, DEJT 6/5/2016). Por isso, recomendamos, sucessivamente: i) que a parte argua prescrição em contestação; ii) se não o fizer, que suscite a matéria em recurso próprio (o ordinário); iii) apenas em casos nos quais não lhe seja viável recorrer, por exemplo, quando não dispuser de meios materiais para o preparo, é que deve fazer a tentativa de suscitá-la pelo viés das contrarrazões.

Além disso, a parte recorrida pode suscitar, antes de adentrar nas matérias de fundo, questões processuais: A) relacionadas à admissibilidade do recurso; B) supervenientes à sentença, por exemplo, alguma causa de suspensão do processo. Outra situação: a concessão da justiça gratuita quando requerida e concedida posteriormente à sentença, v.g., nas razões recursais (CPC/2015, art. 100, caput).

Nesse ponto, importante considerarmos que o CPC/2015 também estabeleceu mudanças em relação à regularização da representação processual. No regime anterior só havia previsão de saneamento desse tipo de vício, bem como de incapacidade processual, em 1º Grau de Jurisdição (junto à Vara). Agora, o art. 76, § 2º da novel codificação o prevê na fase recursal. O juiz fixa prazo para solucioná-lo. Desatendido, no caso de recurso, não é conhecido; no de contrarrazões, são desentranhadas. A bem da verdade, tanto o recurso quanto as contrarrazões não serão conhecidos e, em nossa opinião, cabe desentranhamento – ou exclusão do arquivo digital, quando se tratar de processo judicial eletrônico, PJe – em relação a ambas as medidas, pois não existe diferença ontológica (quanto ao objeto) que justifique o tratamento díspar nesse particular.

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Importante: na vigência do CPC/1973, o TST consolidou sua jurisprudência no sentido da inviabilidade de regularizar a representação processual em fase recursal, argumentando que não havia previsão legal nesse sentido (de fato, não havia, cf. art. 13 daquele Código) (Súmula, verbetes 164 e 383); acreditamos que a Corte pode rever esse entendimento com o advento do CPC/2015, até porque sinalizou favoravelmente à aplicação do art. 76 acima referido às causas trabalhistas (Instrução Normativa nº 39/2016 do TST, art. 3º, inciso I); porém, até a conclusão deste texto, em 12/05/2016, a Corte persistia aplicando a tese restritiva em decisões proferidas após a entrada em vigor do Código de 2015 (TST, ED-RR 90400-30.2012.5.21.0002, 2ª T., Relator José Roberto Freire Pimenta, DEJT 15/4/2016; este processo foi julgado na sessão de 06/04/2016).

Após essas abordagens, ou caso elas não tenham lugar, cumpre ao recorrido apresentar os fundamentos pelos quais entende que a decisão, a si favorável, deve ser mantida. Tanto em matéria fática, o que passa pela valoração das provas, quanto em questões jurídicas.

Analisemo-lo de forma mais detalhada. De acordo com o art. 1.013 do CPC/2015, a devolução da cognição ao Tribunal, pelo recurso, limitada em sua extensão --- a Corte só pode examinar o objeto do recurso ---, permite a mais ampla deliberação em profundidade, ou seja: I) o reexame de todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas pelo juízo a quo; permitimo- nos insistir, desde que relativas aos temas integrantes do apelo (§ 1º); II) a integralidade dos fundamentos do pedido ou da defesa, mesmo que o juízo a quo tenha acolhido um ou alguns deles (§ 2.º).

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Perceba a dica da lei: caso alguma tese ou prova não tenha sido considerada pelo juiz, tal não impede o exame pelo tribunal, caso o assunto tenha sido abordado no recurso. Logo, as contrarrazões permitem não apenas argumentar contrariamente ao fundamento adotado pelo juízo a quo – possivelmente, o desenvolvimento mais importante –, mas, além disso, renovar todos os fundamentos de defesa, inclusive, aperfeiçoando-os.

2. Procedimento

O prazo para contra-arrazoar é o mesmo do recurso respondido

(CLT, art. 900). No geral, de 8 dias (Lei nº 5.584/1970, art. 6.º), ressalvados os embargos declaratórios, cujo prazo é de 5 dias (CLT, art. 897-A, caput; ver o § 2º).

Dois brevíssimos comentários sobre as contrarrazões ao recurso de embargos de declaração: 1º) só tem lugar quando

o suprimento dos vícios típicos, combatíveis por esse tipo de

apelo, revestirem-se de efeito infringente (modificativo) do julgado (CLT, art. 897-A, § 2º); 2º) essas contrarrazões não permitem nova discussão sobre o tema abordado no recurso, pois as partes já apresentaram suas razões ao juízo prolator da decisão embargada; antes, acerca das matérias processuais pertinentes (e.g., requisitos) e da abordagem específica do recurso, ou seja, ocorrência (ou não) de erro material, omissão, obscuridade e contradição.

Interposto o recurso ordinário, o juiz da causa abre vista à contraparte para contrarrazões (CLT, art. 900). Após, realiza o exame de admissibilidade. Caso conheça o recurso, encaminha os autos à instância superior, que realiza o segundo (e definitivo) exame de admissibilidade, depois o de mérito.

O CPC/2015 inova ao retirar do juízo a quo o primeiro exame de

admissibilidade. Segundo o seu art. 1.010, § 3º, após a intimação

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para contrarrazões, os autos são remetidos ao juízo ad quem. Todavia, chamamos a atenção para isso, o TST posicionou-se no sentido da não aplicação dessa novidade às causas laborais (Instrução Normativa nº 39/2016 do TST, art. 3º, inciso XI).

3. Identificando os assuntos relacionados ao mérito das contrarrazões

Afinal, ao que o advogado deve atentar e o que deve escrever nas contrarrazões?

Primeiro , o advogado precisa identificar os temas que compõem o recurso. Veja: não necessariamente a parte sucumbente recorrerá de todos os aspectos desfavoráveis. Ademais, as contrarrazões não se prestam à revisão da decisão nos pontos negativos à parte recorrida.

Segundo , é importante destacar os fundamentos da decisão, que serão reforçados nas contrarrazões, e os argumentos utilizados pela contraparte para embasar o pedido de reforma, que deverão ser rebatidos.

Analisando o recurso ordinário (Seção anterior, Resolução para o Aluno):

a) Tempo à disposição: a decisão embasou-se em fatos e provas ou temas jurídicos? Se em aspectos probatórios, convém enfocar nos documentos ou trechos de depoimentos relevantes à sua manutenção. Se em aspectos jurídicos, qual a interpretação do juízo a quo? E os motivos alegados pelo recorrente para revê-la? Tratando-se de assunto que integra a Súmula do TST (verbete 366), há que se empregar as técnicas de tangenciamento já explicadas (distinguishing, ou distinção; overruling, ou superação).

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b) Intervalo intrajornada: aqui os fatos são incontroversos; os exames cingem-se à aplicação do direito. No caso, existe precedente (TST, Súmula, 437, item II) e texto legal (CLT, art. 71, caput e § 4º). Que argumentos podem ser utilizados para sobrepô-los? Considere que o tema comporta ponderação à luz da CR/1988, arts. 7º, inciso XXII, que reconhece as negociações coletivas, e 170, caput, que dispõe sobre a livre iniciativa, princípio reitor da ordem econômica do Brasil.

iniciativa, princípio reitor da ordem econômica do Brasil. Vamos peticionar! A sentença representa uma primeira

Vamos peticionar!

A sentença representa uma primeira vitória, uma conquista que,

agora, precisa ser defendida diligentemente junto ao tribunal.

Sinta-se confiante, mas sem subestimar as possíveis adversidades.

A inversão da sucumbência é uma situação que deve ser encarada

serenamente, entretanto, com muita seriedade.

Leia a sentença e as razões recursais com cuidado. Assim como

o recorrente, identifique e destaque – caso queira, tome notas

– os pontos positivos à sua versão e os motivos do juízo a quo.

Valorize-os. Semelhantemente, as alegações da contraparte. Rebata-as, uma a uma. Consulte textos jurídicos e os tribunais.

Considere, ainda, que o debate pode continuar junto ao Tribunal Superior, ou seja, aquilo que for dito – e a forma como for dito – neste momento precisa integrar sua estratégia de defesa para esta e uma (eventual) próxima etapa, a do recurso cabível contra o acórdão (de sua parte ou respondendo àquele que for interposto pela contraparte).

Não é algo simples. Não dê maior atenção ao problema e às virtuais dificuldades do que à sua capacidade de resolvê-los.

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Você consegue. Estude o material (desta Seção; reveja os dos módulos anteriores), resgate sugestões pretéritas sobre redação, acrescente os presentes desenvolvimentos e siga em frente!

Rememoramos o que foi dito na seção anterior, perfeitamente aplicável a esta: embora não seja exigido pela OAB, em casos concretos pode ser importante utilizar doutrina ou jurisprudência, neste caso, preferencialmente (caso exista), do TST e do TRT da Comarca. Nada de reproduções muito extensas, que podem tornar a peça cansativa, mas uma ou duas referências, a ideia é demonstrar ao juízo a plausibilidade da tese e a possibilidade de novos desdobramentos caso a decisão seja desfavorável.

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