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Escola Secundaria Camilo Castelo Branco

QUANDO OS ANTIBIÓTICOS NÃO FUNCIONAM?


OS FAGOS COMO ALTERNATIVA

ANA FILIPA MACHADO


MARIA JOÃO GONÇALVES
PEDRO COSTA
TIAGO CARVALHO

Ano 12º Turma A / E


Disciplina – Biologia 12º

Professor Hélder Silva

Vila Nova de Famalicão, Maio de 2010

1
Índice

1.Resumo 4
2.INTRODUÇÃO 4
2.1CARACTERISTICAS DA E.COLI 5
2.2CARACTERISTICAS DOS FAGOS 5
2.3FAGOS COMO ALTERNETIVA AOS ANTIBIÓTICOS 6
2.4 PORQUE É QUE USAMOS ÁGUA DO RIO PELHE? 6
3.O TRABALHO EXPERIMENTAL 7
4.Actividade 1- Preparação do material e dos meios 9
4.1Objectivos 10
4.2Resultados 10
5.Actividade 2-Isolamento e purificação de E. coli de amostras de águas. 11
5.1Objectivos. 12
5.2Método: 12
5.3 Resultados: 13
5.4Interpretação dos resultados 14
5.5 Conclusão. 15
6.Actividade 3- Isolamento e purificação de fagos de E. coli. 16
6.1 Objectivo 17
6.2Método 17
6.3 Resultados 18
6.4Interpretação dos resultados 19
6.5 Conclusão 20
7.Actividade 4“Host Range” do fago isolado 21
7.1 Objectivo 22
7.2Método 22
7.3 Resultados 22
7.4Interpretação dos resultados/Conclusão 24
8. CONCLUSÕES FINAIS 24
9.Anexos 25
9.1 Cuidados a ter durante a elaboração da experiência 25
10.BIBLIOGRAFIA 26

2
1.Resumo:
A Echerichia coli é uma bactéria que pode ser encontrada no intestino de animais
homeotérmicos ou de sangue quente. A maioria das estirpes é inofensiva, no entanto,
algumas podem causar graves intoxicações alimentares em humanos.
A actividade experimental, realizada no âmbito do
Projecto Ciência Viva, teve como principal objectivo analisar a
actuação dos fagos patogénicos para Echerichia coli sobre
estirpes diferentes de Echerichia coli e verificar se serão ou
não uma alternativa à utilização de antibióticos.
Foi possível constatar que caso os antibióticos não funcionem, os fagos podem ser
utilizados como “magic bullets” e substituir totalmente os antibióticos se for isolado
fagos específicos para determinadas estirpes Se o EOP for elevado.

2. Introdução
Com esta actividade experimental, no âmbito da disciplina de Biologia 12º e do
Projecto Ciência Viva, pretendeu-se isolar bactérias e fagos presentes em água
recolhida no Rio Pelhe, e, de seguida, promover o contacto entre fagos e diferentes
estirpes de bactérias de modo a saber se são uma alternativa aos antibióticos.
Para cumprir os objectivos propostos pelo Projecto Ciência Viva, realizaram-se
actividades experimentais como:
- Preparação dos meios
- Recolha e selecção de amostras de água do Rio Pelhe
- Verificar se existem bactérias Echerichia coli na amostra de água recolhida e
proceder ao seu isolamento
- Isolamento a partir da amostra, de água recolhida
no rio, os fagos
- Colocação de fagos em contacto com estirpes de
Echerichia coli isoladas a partir da amostra de água do
rio e cedidas pelo Projecto Ciência Viva.

Fig.1 Echerichia coli

3
2.1 CARACTERÍSTICAS DA E.COLI

“A Echerichia coli é mais conhecida por E. coli, e é normalmente encontrada no


intestino de animais homeotérmicos ou de sangue quente. A maioria das estirpes de E.
coli são inofensivas, no entanto, algumas podem causar graves intoxicações
alimentares em humanos, quando estes consomem vegetais não lavados ou carne mal
cozinhada.
As estirpes inofensivas que fazem parte da microbiótica do intestino, podem ter
uma acção benéfica sob o seu hospedeiro, através da produção da vitamina K2, ou
evitando que bactérias patogénicas se instalem no intestino.
Desde a descoberta do primeiro antibiótico, a penicilina, o tratamento de doenças
de etiologia bacteriana tem sido efectuado com estas substâncias, contudo, com o
passar do tempo, tem-se acentuado a resistência das bactérias aos antibióticos.”1
Desta forma, foi necessário arranjar alternativas que permitissem um combate eficaz
contra o desenvolvimento de bactérias quando os antibióticos não actuam, a utilização
de fagos poderá ser uma alternativa.
Com esta actividade, pretendemos constatar a eficácia/ineficácia da utilização de
fagos no combate ao desenvolvimento bacteriano.

2.2 CARACTERÍSTICAS DOS FAGOS

Os bacteriófagos (fagos), são vírus que infectam e destroem bactérias, replicando-


se exponencialmente durante esse processo, sem no entanto atacarem outras células
ou organismos. Os fagos ocupam todos os habitats onde se podem encontrar os seus
hospedeiros.2 Do ponto de vista estrutural os fagos são constituídos de uma capa
proteica no interior da qual se situa o material genético.

1
Informação extraída do Protocolo fornecido pelo projecto Ciência Viva: “E quando os antibióticos
não funcionam” (Página 1)
2
Informação extraída do Protocolo fornecido pelo projecto Ciência Viva: “E quando os antibióticos
não funcionam” (Página 2)

4
“São o grupo de “organismos” mais abundante e versátil existente na Terra. Os
evoluíram com as próprias bactérias.”3
fagos co-evoluíram

Fig.2 Esquema de um Fago

2.3 FAGOS COMO ALTERNETIVA AOS ANTIBIÓTICOS

O uso generalizado e massivo dos antibióticos é apontado como uma causa do


desenvolvimento crescente de resistência bacteriana a estes compostos, tornando-os
tornando
cada vez menos eficazes no combate a doenças. Á medida que as bactérias vão
sofrendo mutações, os fagos como são parasitas obrigatórios são “obrigados” a
acompanhar esta evolução bacteriana ao contrário dos antibióticos
antibiótic que são
substâncias químicas.
Host Range” e “EOP” dos
d fagos isolados representam o painel de hospedeiros de
cada fago e a sua eficiência de plaqueamento, respectivamente. “O EOP é dado pela
razão entre a concentração do fago numa determinada estirpe e a concentração
4
máxima observada em qualquer estirpe bacteriana.”
bac

3
Informação extraída do Protocolo fornecido pelo projecto Ciência Viva: “E quando os antibióticos
não funcionam” (Página 2)
4
Informação
rmação extraída do Protocolo fornecido pelo projecto Ciência Viva: “E quando os antibióticos
não funcionam” (Página 19)

5
2.4 POR QUE É QUE SE USOU A ÁGUA DO RIO PELHE?

O rio Pelhe atravessa a cidade de Vila Nova de Famalicão em várias zonas de


indústrias relacionadas com o processamento de carnes. Por vezes ocorrem descargas
ilegais de poluentes orgânicos que poderão
propiciar o desenvolvimento de bactérias
como a E. coli. Como se pretende isolar um
fago parasita da E. coli optou-se pela água do
rio Pelhe.

O isolamento de um fago envolve a


utilização de uma estirpe bacteriana
específica, que vai funcionar como um
hospedeiro, sobre a qual se espalha uma
amostra ambiental – água do Rio Pelhe.

A existência de fagos patogénicos para as


bactérias em análise vai levar ao
aparecimento de placas de lise, cada uma das
quais deverá ser proveniente de um único
fago.

Fig.3 Rio Pelhe – zona dos Moutados (local de


recolha da amostra ultilizada).

6
3.O TRABALHO EXPERIMENTAL:

Este trabalho será dividido em 4 actividades:

 A actividade 1 tem como título “Preparação de material e meios de cultura” e o


objectivo da mesma é preparar todo o material necessário para a realização das
restantes actividades.

 A Actividade 2 tem como título: “Isolamento e purificação de Escherichia coli de


amostras de água” e o seu objectivo é recolher amostras de um curso de água
escolhido por nós (rio Pelhe na zona dos Moutados), com o intuito de determinar se
essa água terá sido contaminada por alguma fonte de poluição orgânica e se ela pode
ser utilizada para consumo humano directo.
Para recolhermos a amostra de água do meio natural, utilizámos um frasco estéril
para posterior análise, cumprindo vários cuidados de recolha e conservação. De
seguida, foram feitas diluições da água do rio e, após estas estarem concluídas, 0.1 mL
do seu conteúdo dos foi colocado e espalhado em placas com meio TBX que
posteriormente ao plaqueamento foram incubadas a 37ºC até se verificar crescimento
bacteriano. A etapa seguite foi a contagem das colonias obtidas, para determinar o
CFU/ml e finalmente a elaboração de repicagens das colónias verdes entre outras
encontradas.

 A Actividade 3 tem como título: “Isolamento e purificação de fagos patogénicos


para E. coli” e teve como principal objectivo isolar fagos (vírus de bactérias), que são
microrganismos que podem ser utilizados para o tratamento de infecções bacterianas,
quando as bactérias se revelam resistentes aos antibióticos.
Para se proceder ao isolamento de um fago foi necessária a utilização de uma
estirpe bacteriana específica, que funcionou como hospedeiro, sobre a qual se espalha
a amostra recolhida. A existência de fagos patogénicos para a bactéria em análise leva
ao aparecimento de placas de lise, cada uma das quais deverá ser proveniente de um

7
único fago. No entanto, na maior parte dos casos, a sua concentração é tão baixa que é
necessário um passo prévio de enriquecimento, de forma a aumentar o seu número.
Neste caso, a maior parte das bactérias na amostra deverá ser removida, sendo
posteriormente incubada durante um ou mais dias, à temperatura ideal para a
bactéria, com nutrientes concentrados e diferentes bactérias hospedeiras. Após a
amplificação, a cultura deverá ser plaqueada com cada uma das estirpes bacterianas
utilizadas como hospedeira.

 A Actividade 4 tem como título: “Host Range” e “EOP” dos fagos isolados e o
seu objectivo foi determinar o painel de hospedeiros que cada fago e a sua eficiência
de plaqueamento.
Após seguir as etapas necessárias desta actividade plaqueou-se os tubos, contendo o
"LB Top" com a bactéria e o fago na respectiva placa de petri e depois da incubação a
37 ºC observou-se qual o fago que atingiu o maior número de estirpes bacterianas, e o
que se encontra em maior concentração.

8
4. Actividade 1

Preparação do Material e dos Meios

4.1 Objectivos:
Com esta actividade, pretendeu-se proceder à preparação do material e
dos meios de cultura e reagentes necessários ao desenrolar das
actividades, assim, fez-se a preparação de:
- Soro fisiológico,
-TBX,
- LB Broth,
- LB agar,
-LB-10x,
-LB Top
- Tampão de conservação

9
4.2 Resultados:

Fig.4 TBX Fig.7.LB Agar

Fig.6 Tampão de
conservação

Fig.5 LB-Broth

10
5. Actividade 2

Isolamento e purificação de E. coli de


amostras de águas.

5.1 Objectivos:

Com esta actividade, pretende-se determinar se as amostras dos cursos de água,


que fomos recolher ao Rio Pelhe, terão sido contaminadas por alguma fonte de
poluição orgânica, e se poderá ser consumida directamente pelo Homem.

Um outro objectivo desta actividade é calcular os CFU/ml de cada água, ou seja, o


número de unidades de colónias formadas por ml da amostra.

11
5.2 Método:

O primeiro passo para a


realizaçao desta actividade é a
recolha de água com um frasco
devidamente esterelizado. O frasco
só deve ser aberto dentro de água e
no sentido da corrente, não deve ser
enchido na totalidade e tapado ainda
dentro de água.

Fig.8 Rio Pelhe – zona dos Moutados (local de recolha


De seguida, devem ser feitas
da amostra ultilizada).
diluições da água do rio até à diluição
menos quatro. Estas diluições necessitam de 4 tubos de ensaio esterelizados, com
4.5mL de soro cada um; de seguida, colocar no primeiro 0.5mL de água do rio, do
primeiro tubo tiram-se 0.5mL de água para o segundo, do segundo 0.5mL para o
terceiro e do terceiro 0.5mL para o quarto.

Feitas as diluições, o conteúdo dos tubos deve ser pipetado com 0.1mL e colocado
e espalhado em placas com meio TBX, devidamente identificadas( este meio permite
que as colónias de E.coli apresentem uma tonalidade verde, possibilitando a
repicagem). Posteriormente ao plaqueamento as placas, vão a encobar até se verificar
crescimento bacteriano.

Por fim, devem-se contar as colónias obtidas e calcular o CFU/ml; elaborar


repicagens das colónias verdes entre outras encontradas; devem ser feitas até 3
repicagens de cada colónia. Estas repicagens são feitas em meio LB Agar e postas a
encubar aquando da sua elaboração até novo crescimento bacteriano.

12
5.3 Resultados:

Fig.9: Armazenamento da amostra de Fig.10 Resultado da incubação do meio


m TBX após plaqueamento
-4
água recolhida. com água proveniente do rio pelle em diluições ate 10

Fig.11. Placas em meio TBX com água proveniente do rio


-1
Pelhe em diluições 10 com colonia verdes visíveis indicadoras
da presença de E.Coli.

Fig.12 Placa com meio LB-A:


A: Primeira
repicagem de colónia de cor verde
(E.coli).

13
5.4 Interpretação dos resultados:

Tal como é possível observar na figura 10 nas placas em meio TBX com água
proveniente do rio Pelhe em diluições até 10-4, detectámos a presença de colónias
amarelas em todas as placas e colónias verdes na placa de diluição 10-4, ou seja,
colónias de E. coli. Com as diluições, vimos que o crescimento bacteriano se deu em
todas as placas tendo proliferado as verdes na diluição 10-1 o que demonstra que a
água continha E. coli, mas à medida que a diluição vai aumentando o número de
colónias diminui, pois a quantidade de bactérias vai diminuindo. Posto isto, vemos a
diluição da amostra como uma forma de purificar a mesma. Na fig.12, observa-se a
primeira repicagem elaborada a partir das colónias de cor verde, feita com o objectivo
de obter colónias de E. coli individualizadas.

5.5 Conclusão

Os resultados revelaram-nos que o


local onde recolhemos a água não
deve ser utilizado como fonte de
abastecimento de água, pois contém
E.coli. A presença destes na água
indica-nos que esta foi contaminada
por matéria fecal de natureza animal
ou humana.

Tal permitiu-nos inferir que, na Fig.13 Rio Pelhe – zona dos Moutados (local de
recolha da amostra ultilizada).
zona do matadouro Moutados, o Rio
Pelhe é vítima de poluição orgânica, constituindo um problema para a saúde pública.
Considera-se uma água própria para consumo quando esta não tem presentes
qualquer estirpe de E.coli, pois apesar de esta não ser patogénica para o Homem
coexiste simultaneamente com bactérias patogénicas, logo a existência de E.coli marca
a presença de bactérias patogénicas, daí a sua presença aconselhável na água para

14
consumo ser zero. O objectivo calcular os CFU/mL de cada água, ou seja, o número de
unidades de colónias formadas por mL da amostra não foi cumprido.

São várias as razões para contaminação da água com E.coli, sendo as mais
perigosas e prejudiciais as fontes difusas ou pontuais, isto é, descargas dos sistemas de
tratamento de águas residuais, tanques sépticos, enxurradas ou ainda populações de
animais naturais.

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6. Actividade 3

Isolamento e purificação de fagos de


E. coli.

6.1 Objectivo

O objectivo desta actividade é isolar fagos patogénicos para as estirpes de E. coli


isoladas a partir das águas do Rio Pelhe e para a estirpe E. coli-B, previamente
fornecida.

Uma amostra pode possuir fagos numa concentração suficiente para ser plaqueada
directamente, ou então, os fagos podem estar em concentrações elevadas, sendo
necessário diluir a amostra antes de plaquear. No entanto, na maior parte dos casos, a

16
sua concentração é tão baixa que é necessário um passo prévio de enriquecimento, de
forma a aumentar o seu número. Neste caso, a maior parte das bactérias na amostra
deverá ser removida, sendo posteriormente incubada durante um ou mais dias, à
temperatura ideal para a bactéria, com nutrientes concentrados e diferentes bactérias
hospedeiras. Após a amplificação, será plaqueada com cada uma das estirpes
bacterianas utilizadas como hospedeira.

6.2 Método

No dia anterior à efectivação do isolamento de fagos, fizemos uma cultura


nocturna da E.coli fornecida em 5 mL de LB Broth e colocámos a incubar 37 ºC.
Fizemos uma cultura diária em 5 mL de LB Broth, a partir de uma diluição 1/100 da
cultura nocturna e incubar durante 3 horas e a amplificação dos fagos na amostra de
água. Para um volume final de 40 mL, mais uma vez colocámos a incubar, durante 24h.
No dia seguinte, enchemos tubos de ensaio estéreis com 3 mL de LB Top e deixámos a
arrefecer em banho-maria a 55 ºC. Fizemos uma cultura líquida com a E. coli B e
colocámos a incubar durante 3 hora; efectuámos diluições seriadas do sobrenadante
(até -8) em tampão de conservação; adicionámos a cada tubo de LB Top 0,1 mL de
cultura bacteriana em fase exponencial de crescimento e posteriormente adicionámos
0,1 mL da respectiva diluição da amostra; plaquear os tubos contendo o LB Top com a
bactéria e o fago na respectiva placa de petri. Após as placas terem incubado, no dia
seguinte, enchemos tubos de ensaio estéreis com 3 mL de LB Top e deixámos a
arrefecer em banho-maria a 55 ºC (durante pelo menos 30 minutos); Verificar a
diluição onde se obtiveram placas de lise e proceder à purificação das mesmas.
Após o período de incubação, fizemos diluições seriadas das diferentes amostras
de fagos (até -8). Após 24 h de incubação, verificar a diluição em que se observam
placas de lise individualizadas; repetimos os passos 19 a 21 do protocolo mais duas
vezes, até que todas as placas de lise, presentes na placa ficassem uniformes;
retirámos 3 a 4 placas de lise, repetindo os passos 19.2 a 21.

17
6.3 Resultados

Fig.14 Placas de petri contendo placas de lise em meio de LB-A

Placa de lise
pequena (P1)

Placa de lise
grande (P2)

18
Fig.15 Placas de petri contendo placas de lise pequenas e grandes em meio de LB-A
-6
(diluição de 10 )

Fig.16. Placa de petri em diluição 10-3 , Fig.17 Placa de petri em diluição 10-4 ,
resultante da placa de lise grande (P2) resultante da placa de lise grande (P1)

6.4 Interpretação dos resultados

Oservando as placas de petri em meio LB-A das diferentes diluições (fig 14),
verificámos que estas continham placas de lise de diferentes dimensões, as quais
designámos de grandes (P2) e pequenas (P1). Seleccionámos a placa de diluição 10-6
pelo facto de nesta as placas de lise se encontrarem com uma melhor visibilidade (em
algumas das placas de petri não era possível garantir a existêcia de placas de lise).

Na fig. 16, onde se encontram as placas de lise obtidas a partir da placa de lise
grande seleccionada (P2), observa-se uma grande abundância de placas de lise em
relação à figura 17 onde se encontavam as placas de lise obtidas a partir da placa de
lise pequena seleccionada (P1).

19
6.5 Conclusão

Os fagos possuem especificidade para


determinadas estirpes bacterianas. Como tal, ao
utilizarmos uma estirpe bacteriana especifica,
saberemos qual o fago que possui
especificidade para esta estirpe. Desta forma, as
bactérias vão estar impedidas de crescer
verificando-se assim placas de lise.

Fig.18 Placa de petri no equipamento


electrónico contador de colónias

20
7. Actividade 4

“Host Range” do fago isolado

7.1 Objectivos

O objectivo desta actividade é verificar se o fago isolado tem especificidade para as


estirpes de bactérias isoladas das águas do Rio Pelhe e inferir assim se pertencem à
mesma estirpe da E. coli fornecida pelo Ciência Viva

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7.2 Método

Fizemos uma cultura líquida com as bactérias em teste e pusemo-las a incubar


a 37 ºC até atingirem metade da fase exponencial de crescimento. De seguida,
enchemos tubos de ensaio estéreis com "LB Top" e deixámos arrefecer em banho-
maria a 55 ºC.
Posteriormente, fizemos diluições seriadas 1/10 dos diferentes fagos em
Tampão de conservação e marcámos as placas de petri com o código das bactérias, dos
fagos e respectivas diluições.
De seguida, adicionámos a cada tubo de "LB Top" 0,1 mL de cultura bacteriana
em fase exponencial de crescimento e depois a diluição dos fagos.
Em condições de assépcia, plaqueámos os tubos contendo o "LB Top" com a
bactéria e o fago na respectiva placa de petri e consequente incubação.
Depois, vimos qual era o fago que atingia o maior número de estirpes
bacterianas, e o que se encontrava em maior concentração.

7.3 Resultados
Placas de E.coli isoladas na água do
rio Pelhe mais fagos
Diluições Existência de
placas de lise

10-1 X
10-2 
10-3 X
10-4 X
10-5 
10-6 X
10-7 X
10-8 X
Fig.19 Placas de E.coli isoladas na água do rio 10-9 
-1
Pelhe mais fagos diluição de 10
10-10 X

22
Placas de E.coli fornecidas pelo Ciência Viva mais fagos

Diluições Existência de
placas de lise

10-1 
10-2 
10-3 
10-4 
10-5 
10-6 
10-7 
10-8 
10-9 
Fig.20 Placas de E.coli isoladas na água do rio 10-10 
-1
Pelhe mais fagos diluição de 10

7.4 Interpretação dos resultados/conclusão:

Verificámos que os fagos isolados eram específicos para a estirpe de E.coli


fornecida pelo Ciência Viva, dado que havia placas de lise em todas as diluições. Por
outro lado, o mesmo não aconteceu nas placas que continham E.coli isolada da água
do rio Pelhe, havendo apenas três placas de lise em dez. Pudemos, assim, inferir que as
bactérias eram de estirpes diferentes.

Por outro lado, as nossas placas foram contaminadas por outras espécies de
bactérias, que não foram afectadas pelos fagos, apenas as colónias de E.coli o foram.
Isto comprova a especificidade dos fagos

23
8. CONCLUSÕES FINAIS

Todo o trabalho desenvolvido teve como finalidade responder à pergunta inicial:

E Quando os Antibióticos Não Funcionam?

Quando estamos infectados por bactérias é-nos


administrado um certo antibiótico, específico para o
combate das supraditas bactérias.
No entanto, as bactérias vão adquirindo
resistência a essas substâncias.
Fig.21- Placa de petri
Com este trabalho, analisámos uma alternativa
observada em contador de
aos antibióticos: os fagos. colónias electrónico
Os fagos, muito abundantes em ambientes aquáticos, podem ser utilizados, tal
como os antibióticos, no combate a doenças de etiologia bacteriana: fagoterapia. Para
tal, devem ser estudados os fagos capazes de combater certas bactérias de interesse
com elevado EOP, assim como um reduzido Host Range.

Uma das vantagens do uso de fagos é que estes não “possuem” substâncias
químicas potencialmente perigosas, ao contrário dos antibióticos. No entanto, tal
como estas substâncias, os fagos possuem uma desvantagem: quando usados
massivamente, as bactérias podem aumentar a resistência à contaminação por eles
provocada. O uso de várias estirpes de fagos com Host Range’s diferentes permitem
aos fagos o tratamento de infecções bacterianas múltiplas, quer em seres vivos como
em cursos de água.

Da realização da actividade podemos também concluir que o rio Pelhe possui


contaminação microbiológica nomeadamente devido à presença de E.coli. Contudo
pelo facto de o número de colónias desenvolvidas ter sido reduzido podemos afirmar
que a contaminação embora seja diminuta impossibilita o consumo de água.

24
Da aplicação dos fagos isolados a partir da amostra de água do rio Pelhe sobre
estirpe de E.coli B fornecido pelo Projecto Ciência Viva e sobre a estirpe de E.coli
presente no rio Pelhe, podemos concluir, a partir dos dados obtidos na última
actividade, que podemos estar perante estirpes de bactérias diferentes. Isto porque a
eficiência de plaqueamento dos fagos sobre as amostras não foi igual demonstrando
que os fagos têm tendência a apresentar especificidade na sua actuação.

25
9. Anexos

Fig.22-Elementos do grupo a trabalhar na hote

Fig. 23- Placas de petri com o conteúdo elaborado durante uma das actividades a serem colocadas na
estufa a incubar a 37ºC

9.1 Cuidados a ter durante a elaboração da experiência


A esterilização do material de vidro deve ser feita numa estufa ou forno a 180 ºC
durante uma hora. Os tubos de ensaio devem ter tampa de metal ou então ser
fechados com folha de alumínio para evitar contaminações e só depois esterilizados na

26
estufa. As pipetas de vidro devem ser colocadas em recipientes de vidro ou de metal
fechados com papel de alumínio ou agrupados e embalados em pacotes de papel.
Os meios de cultura líquidos devem ser esterilizados em autoclave durante 15 minutos
a 1 atmosfera. Caso não haja acesso a uma autoclave, os meios de cultura podem ser
“esterilizados” por ebulição numa estufa ou num forno a 180 °C durante 2 horas. No
entanto, esta ebulição não irá ter como resultado a esterilidade completa, devendo,
contudo, ser suficiente para as actividades propostas.

BIBLIOGRAFIA

http://www.cienciaviva.pt/rede/oceanos/2desafio/fagos.
pdf

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fago

http://pt.wikipedia.org/wiki/Antibi%C3%B3tico

http://olhares.aeiou.pt/rio_pelhe_devesa_2_foto256838
8.html

CARRAJOLA, Cristina; CASTRO, Maria José; HILÁRIO,


Teresa, (2009); planeta com vida – biologia 12ºano, 1º
edição, santillana constância, Carnaxide;

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