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Caro(a) aluno(a),

Aprender é uma operação que não se resume a adquirir noções, mas consiste em
reter o que foi lido, reproduzir, reconhecer e relacionar uma série de experiências e
pensamentos. Portanto, é imprescindível educar a memória.
Para facilitar o aprendizado e fixar na memória os conteúdos aprendidos, basta
proceder a uma série de operações sucessivas e gradativas no tempo. Repetir é impor-
tante, mas não só isso. Saber de cor nem sempre vai além de um papaguear mecânico.
Veja algumas dicas:
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t 3FMFJBFNWP[BMUB
t $PODFOUSFBBUFOÎÍPFNBTQFDUPTFTQFDÓmDPTOPNFT EBUBT BNCJFOUFTFUD
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– quando se tratar de leitura, não basta sublinhar no livro; faça anotações no
caderno de estudos;
– não rabisque em folhas soltas e não escreva no caderno tudo que ouve, lê ou vê;
anotações não são resumos, mas registros de dados essenciais; aprenda a apagar
mentalmente palavras e trechos menos importantes, para anotar somente pala-
vras e conceitos fundamentais;
– jamais anote dados conhecidos a ponto de serem óbvios;
– faça fichas com esquemas que incluam, de um lado, a sequência das noções prin-
cipais e, do outro, detalhes importantes referentes a cada uma delas.
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dificuldade.

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Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

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Geografia - 1a série - Volume 2

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Situação de Aprendizagem 1
A mudança das distâncias geográficas
e os processos migratórios

Para começo de conversa

1. O Brasil e sua população foram formados, em boa medida, por povos vindos de outras partes do
mundo. Chamamos isso de processos migratórios estrangeiros. Quais foram os grupos que vieram
para cá? Quando vieram? Para que parte do nosso território eles foram? Cite pelo menos três grupos.

2. Considerando os grupos citados e a época em que vieram, quanto tempo duravam as viagens?

3. Um grupo importante que veio ao Brasil no século XX foi o formado por japoneses. O Brasil é
o país que tem a maior comunidade de japoneses que vivem fora de seu país. Para fazer o percurso
Japão → Brasil, que distância geográfica teve que ser percorrida? Você pode calcular isso utili-
zando um mapa-múndi.

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Geografia - 1a série - Volume 2

observe a imagem a seguir:


© José Giraud/Laire Giraud, Cortesia

Kasato Maru foi o primeiro navio que trouxe imigrantes japoneses ao Brasil, em 1908.

1. O navio Kasato Maru trouxe os primeiros japoneses ao Brasil, em 1908. Considerando esta
data, a distância Japão → Brasil e as características visuais do navio, tente responder quanto
tempo durou essa viagem.

2. Considerando que uma viagem dessa era muito demorada e muito cara, se o imigrante japonês
aqui chegando se arrependesse, seria fácil voltar imediatamente ao Japão? Justifique.

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3. Atualmente existem muitos brasileiros trabalhando no Japão? Para chegar até esse distante país
da Ásia, quanto tempo leva a viagem? Qual o meio de transporte mais utilizado?

4. Os brasileiros que estão no Japão são imigrantes definitivos, ou apenas trabalhadores temporá-
rios? Existe a possibilidade de voltarem com facilidade?

5. Pode-se afirmar que hoje o Japão ficou mais perto do Brasil? Faz sentido dizer que a distância
geográfica que separa esses dois países atualmente tem outro significado, outro sentido, em
comparação com a vinda do Kasato Maru?

6. Você pode explicar quais os fatores que transformaram essa distância em algo mais fácil de ser
percorrido pelo ser humano em nossos dias?

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observe o mapa a seguir:

As migrações,
final do século XX

Canadá
Rússia Japão,
Estados
Unidos Coreia do Norte
e Coreia do Sul
Europa Ucrânia Ásia
China
Oriente Central
México Próximo e
Cáucaso

Maghreb- Subcontinente
América Indiano
Machrek
Central Golfo
e Caribe Pérsico Sudeste
da Ásia
e Pacífico
África
Número de do Oeste
migrantes Austrália e
Projeção Bertin América
fronteiras de 2007 do Sul 1 000 000 Nova Zelândia
Fontes: Banque
mondiale, Division 3 000 000
Population des África
Nations unies 5 500 000 Meridional
et University of Percentual de imigrantes
Sussex
Atelier de cartogra- 7 500 000 na população total (%)
phie de Sciences Po,
avril 2008 10 300 000
© CNHI, Exposition
(do México para 0 2,4 8,1 22,2 45 55 a 78 Ausência
"Repères", Paris.
os Estados Unidos) de dados

As migrações, final do século XX. Fonte: Atelier de Cartographie de Sciences Po. Disponível em: <http://cartographie.dessciences-po.
fr/cartotheque/03web_migrants_BAT.jpg>. Acesso em: 7 out. 2008.

●● Projeção cartográfica: os mapas são planos e a superfície terrestre é curva. Não há meios de se
manter no plano as dimensões – formas, extensões e distâncias – reais da superfície terrestre.
Em razão disso, os cartógrafos buscam soluções por intermédio de projeções cartográficas. A
projeção do mapa “As migrações, final do século XX” é conhecida por você e foi apresentada no
1o bimestre. Qual é essa projeção? Quais são suas características e vantagens?

●● Mapa para ver: tente agora identificar onde estão os maiores fluxos de imigrantes. Indique os
principais. Você conseguiu a resposta sem consultar a legenda? Ela fez falta? E quais os países em
que há uma maior participação de imigrantes na composição geral da população? Sem consul-
tar a legenda, você percebeu que os locais coloridos com diferentes tons de rosa (por exemplo)
manifestam diferentes intensidades do mesmo fenômeno? Explique por que esse é um mapa
para ver, e não para ler.

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Geografia - 1a série - Volume 2

●● Representação dinâmica (ideia de movimento); representação ordenada (ideia de ordem):


qual o recurso gráfico que foi usado dando a ideia de movimento de um continente ou de um
país a outro? Você acha que esse recurso é eficiente na comunicação? Todos vão entendê-lo da
mesma maneira? Qual o recurso visual utilizado para dar ideia de participações diferenciadas
dos imigrantes na composição das populações dos países? Você acha correto escolher a tona-
lidade mais escura de uma cor para representar maior intensidade de um fenômeno? Ou a
tonalidade mais escura deveria ser usada para representar menor intensidade?

●● Variável visual tamanho; variável visual valor: no mapa “As migrações, final do século XX”
estão representados dois aspectos do fenômeno das migrações internacionais. O primeiro se
expressa por meio de fluxos e, para isso, o recurso visual utilizado é a seta. Porém, esses fluxos
correspondem a diferentes quantidades. Que recurso é utilizado para mostrar aos nossos olhos
que um fluxo tem mais imigrantes que o outro? Você pode recorrer ao gráfico das variáveis visuais
apresentado no caderno do volume 1. O segundo se expressa por meio de tonalidades de cor.
As diferentes tonalidades mostram maior ou menor presença dos imigrantes na composição da
população dos países. Você pode recorrer ao gráfico das variáveis visuais para identificar qual
delas está sendo usada neste caso.

Após a análise do mapa “As migrações, final do século XX”, responda às questões:

1. Quais são as localidades no planeta que estão recebendo os maiores fluxos migratórios no mo-
mento? Cite três.

2. De quais localidades partem esses fluxos? Se usarmos os pontos cardeais, podemos dizer que se
trata de um movimento migratório sul → norte? O que mais se pode deduzir?

3. Considerando a participação dos imigrantes no conjunto das populações dos países, o mapa nos
dá que tipo de informação?

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Leia com atenção o quadro a seguir. É importante, ao mesmo tempo, não tirar o olho do mapa
“As migrações, final do século XX”

Os grandes sistemas migratórios contemporâneos


1. Os sistemas sul → norte drenam a maioria dos imigrantes.
2. Magreb → França; antigo império das Índias → Inglaterra; Turquia → Alemanha. Esses
sistemas devem-se à pobreza, a fenômenos de proximidade geográfica e a ligações históricas.
3. Europa do Leste envia imigrantes, mas também os recebe.
4. Índia e Paquistão → países petroleiros do Oriente Médio.
5. América do Sul e Central → EUA.
Os grandes sistemas migratórios contemporâneos. Fonte: DURAND, M.-F.; MARTIN, B.; PLACIDI, D.; TÖRNQUIST-CHESNIER, M.
Atlas de la mondialisation: comprendre l’espace mondial contemporain. Paris: Sciences Po - Les presses, 2006. p. 22-23.

1. Indique as quantidades relativas aos fluxos migratórios mencionados no quadro, localizando as


setas correspondentes no mapa. Se for preciso, some alguns valores representados pelas setas.
Caso necessário, utilize outro mapa-múndi para auxiliar na identificação dos países.

Evolução dos efetivos de migrantes, 1910-2000


em milhares 1910 1930 1960 2000

Veja o gráfico ao lado: 4 705

1 701

Austrália 787 356


18 836

7 002
Europa
Ocidental* 4 233
3 348 5 826

2 766
2 308
Canadá
1 587

34 988
Estados
Unidos
13 516 14 204
9 735
Benoît MARTIN, novembro de 2005

Argentina 2 828
2 358 2 615

1 419

Evolução dos efetivos de migrantes, 1910-2000. 1910 1930 1960 2000


Fonte: DURAND, M.-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008. * Alemanha, França, Itália, Suíça, Bélgica e Luxemburgo

Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 24. Fonte: United Nations, DESA/PD, World Economic and Social Survey 2004, http://www.un.org/

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1. Considerando o avanço das tecnologias de transportes, você acha que os fluxos presentes no
mapa “As migrações, final do século XX” apresentam um aumento ou diminuição em relação
ao passado?

2. Observando o gráfico “Evolução dos efetivos de migrantes, 1910-2000”, pode-se afirmar que
houve uma aceleração dos fluxos migratórios internacionais? Explique por quê, citando alguns
exemplos.

3. O gráfico nos mostra uma evolução no tempo dos países recebendo imigrantes. O que ele
mostra de mais evidente em termos de tempo? Qual o momento em que os fluxos migratórios
definitivamente se aceleram?

4. Tendo como referência as localidades que estão recebendo grandes fluxos de migrantes e compa-
rando com o mapa “As migrações, final do século XX”, é possível indicar de onde estão saindo
esses migrantes? Cite alguns casos importantes.

5. Comente o caso da Europa em comparação com o caso da Argentina. O que pode ser dito?
Utilize o mapa “As migrações, final do século XX” para ajudar na resposta.

6. Considerando a participação dos imigrantes no conjunto da população dos EUA e os fluxos (tama-
nho e direção) representados no mapa “As migrações, final do século XX”, você acha que a participa-
ção dos imigrantes na população daquele país vai diminuir ou aumentar? Explique por quê?

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Em pequenos grupos, considere os três materiais apresentados:


●● O mapa “As migrações, final do século XX”;
●● O quadro “Os grandes sistemas migratórios contemporâneos”;
●● O gráfico “Evolução dos efetivos de migrantes, 1910-2000”.
Produza um pequeno relatório sobre um dos sistemas migratórios contemporâneos. Por exem-
plo: do norte da África (Magreb) para a Europa ou qualquer um dos outros. Uma breve pesquisa
sobre o fluxo escolhido será necessária. O relatório deverá ter três partes:

1. Caracterização do fluxo escolhido:


a) volumes estatísticos que podem ser extraídos do mapa e do gráfico;
b) direções geográficas – origem e destino;
c) temporalidades – quando se iniciou, período em que acelerou, situação atual.
d) condição anterior do país (ou da área) que recebe o fluxo – que grau de participação os imi-
grantes já têm na composição da população daquele país.

2. Compreensão do sistema migratório:


a) características econômicas e sociais dos países (e/ou regiões) de onde saíram ou estão saindo
migrantes;
b) características econômicas e sociais dos países (e/ou regiões) que receberam ou estão rece-
bendo migrantes.

3. Avaliação sobre os fluxos migratórios: a sugestão aqui é não esquecer a importância da “diminuição
das distâncias geográficas” e da denominada aceleração das relações humanas que estariam cons-
truindo uma globalização das relações humanas (o aumento incrível da mobilidade geográfica de
bens, de mercadorias e pessoas para além dos limites territoriais dos países e das regiões vizinhas).
Uma frase pode inspirar a finalização desse relatório debatido em grupo: “O documento mais
importante nesse mundo globalizado não é a carteira de identidade, e sim o passaporte”.

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Leia com atenção as informações que se encontram nos dois quadros a seguir:

Características das migrações internacionais contemporâneas


1. Nos últimos 40 anos, houve o dobro de migração internacional, o que traz muitas dificul-
dades nas relações sociais em várias partes do mundo.
2. São cerca de 200 milhões de migrantes internacionais em 2005. Apenas 3% da população
mundial. Eles são: migrantes regulares, clandestinos, refugiados etc.
3. São tanto homens quanto mulheres. E 50% são economicamente ativos.
4. Onze países desenvolvidos concentram 40% dos imigrantes.
5. Não são os mais pobres que migram mais, pois não é fácil migrar (é preciso ser acolhido
e ter recursos, algo que os pobres imigrantes não conseguem facilmente).
6. Aos migrantes propriamente ditos se acrescentam as migrações temporárias: por exemplo,
o turismo, que mobiliza 700 milhões de pessoas ao ano.
7. De todos os tipos de fluxos, o que menos circula são as pessoas: informações, capitais,
serviços, mercadorias e fatores de produção circulam muito mais.
8. Para as informações, bens e serviços, não há restrição na circulação, enquanto para a migra-
ção há vários freios. Depois dos anos 1970, as fronteiras estão se fechando aos imigrantes.
Características das migrações internacionais contemporâneas. Fonte: DURAND, Marie-Françoise; MARTIN, B.; PLACIDI, D.; TÖRNQUIST-
CHESNIER, M. Atlas de la mondialisation: comprendre l’espace mondial contemporain. Paris: Sciences Po - Les presses, 2006. p. 22-23.

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Características complementares
1. No início do século XXI, o fechamento das fronteiras fez aumentar o número de clandes-
tinos, o que é difícil de estimar. Por exemplo: seriam uns 7 milhões nos EUA.
2. Para os países de origem, as consequências são por vezes negativas, como, por exemplo,
no caso da fuga de cérebros.
3. Para os países de origem, as consequências são por vezes positivas para grupos que perma-
necem, em razão da remessa de recursos: em 2005 foram 225 bilhões de dólares, o que
representa mais que a ajuda oficial direta para o desenvolvimento. Por vezes, um imigran-
te sustenta, em média, dez pessoas no seu país de origem.
Características complementares. Fonte: DURAND, Marie-Françoise; MARTIN, B.; PLACIDI, D.; TÖRNQUIST-CHESNIER, M. Atlas de
la mondialisation: comprendre l’espace mondial contemporain. Paris: Sciences Po - Les presses, 2006. p. 22-23.

1. Faça uma redação utilizando as informações presentes nesses quadros, assim como as outras que
apareceram na Situação de Aprendizagem. Escolha um dos temas: “A mudança das distâncias
geográficas” ou “Os processos migratórios”.

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2. Quais as facilidades que os migrantes atuais têm em relação aos do passado? Descreva e discuta.

3. Apesar das maiores facilidades atuais, quais as dificuldades que se impõem ao processo migrató-
rio do presente? Descreva e discuta.

4. Leia com atenção:

A ideia de que o tempo suprime o espaço provém de uma interpretação delirante do


encurtamento das distâncias, com os atuais progressos no uso da velocidade pelas pessoas,
coisas e informações. A verdade é que as informações não atingem todos os lugares. [...] É
mínima a parcela de pessoas que mesmo nos países mais ricos se beneficiam plenamente dos
novos meios de circulação.
Fonte: SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo – razão e emoção. São Paulo: Edusp, 1996. p. 161.

Que aspecto da realidade está sendo destacado pelo autor nessa passagem?

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5. Como pode ser explicado o crescimento da migração clandestina? Que relação esse tipo de mi-
gração tem com a aceleração dos fluxos?

6. Tomando como referência a aceleração dos processos migratórios nos últimos 40 anos, pode-se
afirmar que:

a) Os processos migratórios internacionais não se aceleraram tanto em função da estabilização


da Europa, principal região emissora de imigrantes, até os anos 1950.

b) Houve um aumento dos processos migratórios em razão do aumento da mobilidade huma-


na, e as direções dominantes vão do sul para o norte, especialmente.

c) As migrações estão aceleradas no mundo contemporâneo em razão da maior tolerância étni-


ca existente atualmente tanto nos EUA quanto na Europa.

d) Graças às políticas de cooperação entre os países, criou-se um mercado de trabalho mundial,


que permite uma migração sem obstáculos em várias partes do mundo.

e) Com a facilidade atual para os imigrantes, eles tendem a se enraizar mais nos seus novos
países, sendo cada vez mais difícil o retorno a seus países de origem.

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Situação de Aprendizagem 2
A Globalização e as redes geográficas

Observe o mapa a seguir:

Internautas, 1991-2006
Internautas, 2005
Evolução do número de internautas, (por 100 habitantes)
1991-2006 (em milhões) 87,7
41
escala logarítmica 18
1 131
5,5
Benoît Martin, dezembro de 2006

0,08
método estatístico:
399 médias ajustadas
x 2,5
em 5 anos ausência de dados

x 10
em 5 anos

40 MÍNIMA
Tadjiquistão 0,08
x9 Afeganistão 0,11
em 4 anos Iraque 0,14
MÁXIMA
Islândia 87,7 Etiópia 0,16
Suécia 75,4 Niger 0,19
Fiji, Micronésia
4,4 Austrália 70,4 Serra Leoa 0,19
Kiribati, llhas Marshall, Ilhas Salomão,
Coreia do Sul 68,3 Samoa, Tonga, Vanuatu
Luxemburgo 67,7
1991 1995 2000 2005 2006 Fonte: International Telecommunication Union (ITU), http ://www.itu.int/

in Marie-Françoise DURAND, Benoît MARTIN, Delphinee PLACIDI, Marie TORNQUIST-CHESNIER, Atlas de la mondialisation, Presses de Sciences Po, Paris, 2007, 2ª edição
Internautas, 1991-2006. Fonte: DURAND, M.-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008. Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 63.

1. Que tipo de mapa é esse? Considerando o que foi aprendido no 1o bimestre, que variável visual
está sendo utilizada nessa representação?

2. É possível com um olhar geral identificar onde estão as manifestações mais intensas do fenômeno
representado? Cite algumas áreas (países ou regiões).

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3. E quais são as áreas onde o fenômeno é menos representativo? Cite pelo menos três países em
continentes diferentes.

4. Por que pode ser dito que esse é um mapa para ver? Ele apresenta aos nossos olhos, enquanto
imagem, uma visualização da distribuição geográfica do fenômeno?

5. Descreva o que você está vendo no mapa “Internautas, 1991-2006”. É possível afirmar que o
mundo está cada vez mais presente em cada lugar? Mas isso significa que se tem a mesma coisa
em todos os lugares?

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Agora observe o mapa “Mundo: posse de computadores pessoais, 2002”:

Mundo: posse de computadores pessoais, 2002. Fonte: SASI Group (University of Sheffield) e Mark Newman (University of Michigan).
Disponível em: <http://www.worldmapper.org/display.php?selected=337>. Acesso em: 25 fev. 2008.

6. Este tipo de mapa é novidade para você? Qual é o nome dessa representação?

7. Tendo ao lado um mapa-múndi convencional (com medidas baseadas no terreno), procure


responder: considerando os blocos continentais e os países, quais estão com suas extensões di-
minuídas na anamorfose?

8. Agora, ao contrário, que blocos continentais e países estão com suas extensões aumentadas?

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9. Considerando o título do mapa, que explicação pode ser dada para essa alteração das extensões
(para mais e para menos) dos blocos continentais e dos países?

10. Aproveitando o tipo de representação para relembrar: o que é uma métrica territorial aplicada a
um mapa?

11. No caso desse mapa, qual foi a métrica empregada?

12. Observando o mapa “Internautas, 1991-2006”, em que situação os EUA e a África continental se
encontram representados?

13. Considerando que a diferença entre o número de internautas por grupo de 100 pessoas é muito
grande entre os EUA e o continente africano, como isso fica expresso na anamorfose, que trata
também da posse de computadores pessoais?

14. Agora explorando a expressividade do mapa “Mundo: posse de computadores pessoais, 2002”: você
percebe que o continente africano (a África) está muito pouco conectado com a rede mundial da
internet? Como ele aparece no mapa?

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Geografia - 1a série - Volume 2

15. E em relação à América do Sul, qual a situação? Pode ser afirmado que esse continente tam-
bém está desconectado da rede? Como ele aparece no mapa “Mundo: posse de computadores
pessoais, 2002”?

16. Percebe-se algo semelhante em relação ao Brasil? Comparando as duas representações (“Internau-
tas, 1991-2006” e “Mundo: posse de computadores pessoais, 2002”), como aparece o Brasil?

17. É possível, observando a anamorfose, afirmar que a rede mundial conecta principalmente os
países desenvolvidos? Por quê?

18. Tendo em vista os conteúdos dos mapas “Internautas, 1991-2006” e “Mundo: posse de com-
putadores pessoais, 2002”, o que é a internet? Explique.

Um breve roteiro complementar de questões vai ajudá-lo a sedimentar o conceito de rede:


1. Quando se fala em rede, a que figura visual se faz referência?

2. É possível identificar no espaço das áreas urbanas infraestruturas que se organizam em redes? Dê
exemplos.

3. Computadores domésticos, nas empresas, nas instituições públicas, conectados ao sistema tele-
fônico e que permitem acesso a uma área comum constituem uma rede? Justifique.

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1. Um dos exemplos maiores da aceleração contemporânea é a do fluxo de informações, e, nesse caso,


a grande revolução é a internet. Como é o acesso a esse fluxo de informações contemporâneo?

2. O que circula pela internet?

3. O que circula é importante? Pode gerar proveito econômico?

4. O poderio e o desenvolvimento econômico, assim como o desenvolvimento social, passam atual-


mente pelo acesso e pela capacidade de expansão e de controle dessa rede? Justifique.

5. A maior ou menor participação em um mundo mais amplo, um mundo onde a distância geográfica
tornou-se um obstáculo menor (ou diferente), depende do acesso aos fluxos de informações, de merca-
dorias, de capitais etc.? A internet contribui para a multiplicação desses fluxos e para a sua aceleração?

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Geografia - 1a série - Volume 2

6. Escreva um pequeno texto considerando a afirmação que segue: Quando se fala em globaliza-
ção, é possível entender que existe uma presença muito maior do mundo em cada localidade.
Há uma nova organização do espaço geográfico que permite que o mundo esteja aqui e que
estejamos no mundo e que a ele pertençamos.

Reunidos em grupos, vocês vão usar todo o conjunto de conhecimentos coletivos e responder
livremente tudo o que compreendem sobre corporações transnacionais.

1. Vocês sabiam que até há pouco tempo o que hoje chamamos corporações transnacionais eram co-
nhecidas como empresas multinacionais? Vocês veem diferenças nas duas denominações? Quais?

2. Por que se mudou de empresas multinacionais para corporações transnacionais? Empresa é di-
ferente de corporação? Por quê? Em que medida o prefixo multi difere de trans?

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3. Esses nomes dão um sentido maior e superior ao de empresa nacional? Por quê?

Leia atentamente o quadro a seguir:

ff Globalização Produção industrial, agrícola e de serviços mundializada.


Interconexação potencial do mundo como um todo.
Espaço composto por inovações técnicas e científicas.
Intensos fluxos acelerados de bens materiais e de informações.
Espaço estruturado como uma malha de redes espaciais.

ff Agentes da Corporações transnacionais.


Globalização Estados nacionais (potências e superpotências).

ff Consequências Reordenamentos espaciais.


da Globalização Nova escala das relações humanas: dos territórios nacionais para contextos
geográficos mais amplos, podendo chegar à escala do planeta.

ff A realidade A malha de redes geográficas da globalização não envolve inteiramente o


global território nacional de um país.
O poder e as regras nos espaços globais estão em grande medida nas mãos
das corporações. transnacionais.

A economia globalizada. Fonte: Elaborado por Jaime Tadeu Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

1. Observe no quadro a presença e o papel das corporações transnacionais. Onde elas aparecem?

2. Que espaços, de fato, são aqueles em que as corporações baseiam suas atividades? Serão os espa-
ços nacionais (territórios nacionais) convencionais?

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Geografia - 1a série - Volume 2

Leia agora um pequeno trecho do geógrafo brasileiro Milton Santos:


“O interesse das grandes empresas é economizar tempo, aumentando a velocidade da cir-
culação. [...] Corporatização do território é a destinação prioritária de recursos para atender as
necessidades geográficas das grandes empresas.”
Fonte: SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo – razão e emoção. São Paulo: Edusp, 1996. p. 270.

O que ele quis dizer? Em que medida isso esclarece um pouco a lógica da globalização econô-
mica e o papel das corporações transnacionais?

Observe o mapa e responda:

Especialização e troca entre filiais de uma corporação automobilística no Sudeste Asiático


Myanmar Laos

TAILÂNDIA

Bangcoc Manilla
Vietnã
Camboja

FILIPINAS

OCEANO
Brunei
MALÁSIA PACÍFICO
MALÁSIA
Kuala Lumpur
Cingapura
Bornéo
OCEANO Sulawesi
Sumatra
ÍNDICO
Jacarta Irian
Ocidental Papua
Java (Indon.) Nova Guiné
INDONÉSIA
Sistemas de transmissão
Peças de motor N
Equipamentos elétricos
Peças de forjaria 00 677km
600 km

Especialização e troca entre filiais de uma corporação automobilística no Sudeste Asiático. Fonte: Elaborado por Jaime
Tadeu Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

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Geografia - 1a série - Volume 2

1. Descreva o papel que tem a seta como símbolo principal nessa representação.

2. E qual o papel das cores na representação?

3. Os fluxos estão diferenciados segundo os objetos que representam. Mapas que distinguem fe-
nômenos em cartografia são designados como mapas qualitativos. Podemos, então, chamar esse
mapa de qualitativo de fluxos? Por quê?

4. Depois dessa breve análise da linguagem do mapa “Especialização e troca entre filiais de uma
corporação automobilística no Sudeste Asiático”, descreva o que você está vendo. Qual a geo-
grafia do fenômeno representado? Podemos dizer que se trata da visualização da rede geográfica
de uma transnacional no Sudeste Asiático?

5. Por que se pode chamar de rede geográfica esse conjunto de filiais de uma corporação no Sudeste
Asiático? Observe o mapa atentamente para formar uma opinião segura.

6. Considerando o significado da palavra montadora, responda: observando o mapa é possível


concluir sobre o fato de que as filiais da corporação automobilística atuam de forma integrada e
complementar? Por quê?

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Geografia - 1a série - Volume 2

7. Se as filiais se especializam fazendo apenas algumas peças, logo o automóvel não fica completo
em nenhuma delas. Considerando isso, o que pode ser entendido como empresa (ou filial) mon-
tadora? No Brasil, as indústrias automobilísticas podem ser consideradas montadoras?

8. Voltando à observação do mapa “Especialização e troca entre filiais de uma corporação auto-
mobilística no Sudeste Asiático”, fica claro que a organização da corporação automobilística
ultrapassa os espaços nacionais, e que, por isso, pode ser designada como uma corporação trans-
nacional? Justifique.

Reunidos em pequenos grupos, realizem uma breve pesquisa procurando até onde for possível
“montar” a rede geográfica de uma corporação transnacional.
A fonte principal, nesse caso, é a internet. Como a pesquisa é em grupo, pode-se organizar
uma visita à casa de algum componente do grupo que tenha acesso à internet ou a uma lan house
acessível a todos.

Procedimentos

●● Entrem no site de qualquer grande corporação, por exemplo, uma automobilística. Mesmo que
o site esteja em inglês é possível identificar facilmente as informações necessárias para a pesqui-
sa. Além disso, pode-se aproveitar para se exercitar o inglês.

●● As informações necessárias são as seguintes: unidades da empresa nos diversos países; funções
dessas unidades. Somente isso será suficiente.

●● Assinalem no mapa da próxima página as localizações, criando um símbolo para as funções. Por
exemplo: se for uma área em que se produzem motores, um quadrado vermelho; se for uma área
em que se produzem peças de câmbio, um quadrado verde, e assim por diante. Organizem uma
legenda e assim terão um esboço da rede geográfica mundial de uma corporação transnacional.
Lembrem-se, também, de citar a fonte dos dados e dar um título ao mapa.
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Geografia - 1a série - Volume 2

Oficina de cartografia da Sciences Po

Projeção Bertin 1953

Projeção Bertin. Fonte: DURAND, M.-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008. Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 136.

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Geografia - 1a série - Volume 2

Observe com atenção as fotos e o quadro a seguir:

© Delfim Martins/Pulsar Imagens


Vista aérea de condomínio fechado em Barueri (SP), jun. 2006.

© Juca Martins/Olhar Imagens

Fachada de shopping center, na Avenida Faria Lima. São Paulo (SP), 2006.

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Geografia - 1a série - Volume 2

Redes geográficas em São Paulo


Pontos Habitações em condomínio fechado ↔ centros administrativos isolados também em
Leitura e Análise dede
formato Imagens
condomínio fechado ↔ centros comerciais (shopping centers, hipermercados)
fechados e protegidos ↔ outras instalações do tipo (hotéis, resorts urbanos)
Observe com atenção as fotos e o quadro a seguir:
Linhas Vias expressas, avenidas cuja circulação é predominantemente automobilística

1. A partir da observação da foto “Condomínio fechado em Alphaville (vista aérea)” e das infor-
mações que você possui, caracterize o que é um condomínio fechado residencial.

2. A partir da foto “Fachada do Shopping Center Iguatemi, na Avenida Faria Lima” e das informa-
ções que você possui, caracterize o que é um shopping center.

3. Agora descreva o que você entendeu sobre a rede geográfica na cidade de São Paulo.

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Geografia - 1a série - Volume 2

Agora leia o texto a seguir:


Segundo relatório da UNCTAD (vide quadro a seguir, na página 30), mais de 50% dos
capitais, de bens de produção, de serviços, de tecnologia que as corporações transnacionais
põem em movimento, circulam internamente em suas estruturas: quer dizer, em suas próprias
redes. Outro ângulo dessa lógica: o mesmo relatório permite concluir que aproximadamente
30% das exportações mundiais são trocas no interior das redes das corporações (a participação
das transnacionais no total das exportações é de 66%). É uma movimentação econômica que
não se irradia para os territórios dos países onde elas estão instaladas.
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Nesse momento você deve comparar as redes geográficas da cidade de São Paulo com a rede
geográfica da corporação automobilística transnacional, ou de qualquer outro ramo. Eis as questões
que propõem a comparação:

1. Pode-se considerar, em alguma medida, esses dois exemplos como duas redes geográficas fechadas?

2. Que semelhanças podem ser apontadas entre a circulação de bens na rede automobilística do
Sudeste Asiático e a circulação de bens na rede geográfica urbana de São Paulo?

3. Ambas as redes recebem grandes investimentos. Isso significa automaticamente desenvolvimen-


to social e econômico para os territórios onde essas redes estão implantadas?

4. Faz sentido afirmar que a rede geográfica é uma configuração geográfica que, de certo modo,
concorre com o território pleno?

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Geografia - 1a série - Volume 2

Leia cuidadosamente as informações que constam no texto a seguir:

Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento


(CNUCED, ou UNCTAD na sigla em inglês), em 2000 havia 65 mil empresas transnacio-
nais, o que significava um montante de 850 mil filiais (CNUCED, 2001, p. 1). Algumas
outras informações extraídas da própria argumentação da Situação de Aprendizagem e do
relatório citado da UNCTAD podem ajudar a construir um breve perfil das corporações
transnacionais:

1. Sua estratégia e sua organização são concebidas na escala mundial.

2. Todos os ramos de atividades econômicas estão presentes em suas atividades.

3. As transnacionais tendem a se organizar em redes geográficas globais.

4. Em 1999, empregavam 54 milhões de pessoas e totalizaram 19 trilhões de dólares em vendas.

5. Analisando o relatório da UNCTAD, o economista Antônio Corrêa de Lacerda, destacou que


o patrimônio das transnacionais é de 25 trilhões de dólares e que no montante das exporta-
ções mundiais suas operações representam 66% do total.

6. As cem maiores corporações detêm um número de negócios acumulados de 2,1 trilhões de


dólares, o que equivale a um PIB e meio de um país como a França.

7. Pelo peso econômico e por sua capacidade de influenciar as políticas econômicas dos Estados
nacionais territoriais que as recebem, elas tornaram-se atores muito importantes na cena
internacional contemporânea.

8. Atualmente, a ação geopolítica dos Estados deve considerar a presença dessa nova força (corpora-
ções) e também de uma terceira força que se ergue, que são as organizações não-governamentais.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

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Geografia - 1a série - Volume 2

1. Quais os elementos encontrados no texto que ajudam a mostrar que as corporações transnacio-
nais se organizam na escala mundial?

2. Escolha duas das informações listadas e tente explicar e ampliar com seu próprio texto o seu
significado.

3. Sobre as redes geográficas das corporações transnacionais no Brasil, é correto afirmar que:

a) Os pontos dessas redes, em especial das transnacionais automobilísticas, encontram-se


somente no Sudeste desenvolvido.

b) As transnacionais estão desmontando suas instalações no país, como aconteceu no Rio


Grande do Sul, em razão das restrições ao comércio internacional no Brasil.

c) Atualmente, as transnacionais se instalam no país com o apoio financeiro (isenções fiscais)


de governos regionais, interessados em industrializar seus estados.

d) As transnacionais têm muitas dificuldades de fazer circular equipamentos entre outros


pontos de sua rede em outros países, em razão da rigidez das leis brasileiras.

e) As deficiências infraestruturais brasileiras no campo das telecomunicações dificultam o


funcionamento das redes e desestimulam os investimentos das transnacionais em nosso
território.

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Geografia - 1a série - Volume 2

?
!
Situação de Aprendizagem 3
Os grandes fluxos do comércio mundial
e a construção de uma malha global

Para começo de conversa


1. Vamos começar relembrando algumas ideias trabalhadas nas outras Situações de Aprendizagem.
Defina com objetividade:

a) aceleração dos fluxos:

b) redes técnicas:

c) redes geográficas:

d) corporações transnacionais:

1. Construção de um mapa de fluxos comerciais, em 2004: elaboração de um mapa quantitativo


de fluxos. Trata-se de uma atividade com dois objetivos: o exercício com a linguagem cartográ-
fica e a apreensão visual da geografia dos fluxos comerciais contemporâneos na escala mundial.
Os passos que devem ser percorridos são os que seguem:
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Geografia - 1a série - Volume 2

a) Leiam cuidadosamente os dados da tabela a seguir para se familiarizar com essas informações
que serão a base do mapa:

Principais fluxos comerciais na escala mundial, 2004


Direções Valores em dólares (*)
Ásia (**) → América do Norte 533 bilhões
Ásia → Europa (***) 400 bilhões
Europa → América do Norte 400 bilhões
Europa → Ásia 300 bilhões
América do Norte → Ásia (Extremo Oriente) 300 bilhões
Oriente Médio → Ásia 200 bilhões
América do Norte → Europa Ocidental 200 bilhões
Europa → CEI 100 bilhões
CEI → Europa Ocidental 100 bilhões
Ásia → Oriente Médio 100 bilhões
Américas do Sul e Central → América do Norte 100 bilhões
Europa → Oriente Médio 100 bilhões
Oriente Médio → Europa 50 bilhões
América do Norte → Américas do Sul e Central 50 bilhões
Europa → Américas do Sul e Central 50 bilhões
Américas do Sul e Central → Europa 50 bilhões
(*) Valores arredondados para facilitar o exercício cartográfico.
(**) Ásia sem o Oriente Médio.
(***) Europa sem a parte europeia da CEI.

Principais fluxos comerciais na escala mundial. Fonte: Organizado por Jaime Tadeu Oliva com base nos dados extraídos do mapa “Comércio
mundial de mercadorias, 2004” publicado no Caderno do Professor.

b) Escolham uma projeção adequada. Na cartografia contemporânea há uma tendência em se


preferir as projeções do tipo da de Buckminster Fuller ou da de Bertin para a representação
de fluxos comerciais. Elas aproximam os blocos continentais, eliminam as imensas distâncias
oceânicas e dão uma ideia mais expressiva do que são os fluxos no mundo atual. Para esta ati-
vidade, apresentamos, na próxima página, um mapa mudo na projeção Buckminster Fuller.

c) Escolham o símbolo gráfico ideal. Para os fluxos, consagrou-se a seta, compreendida uni-
versalmente como o símbolo gráfico que indica movimento e direção. Esse é um critério
importante na cartografia: o que se vê tem sempre que ter um único significado. Além disso,
a seta permite expressar quantidade com a manipulação da sua largura. Setas mais largas
representam fluxos de maior quantidade; mais estreitas, o contrário.
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Geografia - 1a série - Volume 2

d) Definam classes de representação. Na base de dados apresentada, temos seis categorias que
estão assinaladas com cores (não é para usar essas cores no mapa). Cada categoria terá no mapa
uma largura de seta. A seta mais grossa será a que representa um fluxo de mercadorias no valor
de 533 bilhões de dólares. Chegou a hora de usar conhecimentos elementares de matemática.
É razoável que essa seta tenha 1 centímetro de largura; assim, as outras vão se estreitar propor-
cionalmente, realizando-se uma operação simples (uma regra de três). Exemplo:
533 bilhões ↔ 1 cm largura
300 bilhões ↔ x cm largura
em que x = 0,6 cm. Chega-se a esse 0,6 cm numa simples divisão de 300 por 533.
Outro exemplo: 50 dividido por 533, seta igual a 0,1cm.

e) Tracem e definam as direções no mapa mudo a seguir, acrescentando, também, título e legen-
da. Ele está confeccionado com base na projeção Buckminster Fuller. Os blocos continentais
no fundo do mapa devem ter uma única cor para todos. Uma cor leve e neutra para não
ofuscar as setas. Define-se uma única cor para as setas e com o auxílio de gabaritos de desenho
geométrico (ou qualquer outro recurso) traçam-se as setas, que seguramente vão ter que ser
curvas para atender à direção e para não se sobreporem umas às outras. Neste mesmo Caderno
há um exemplo de mapa de fluxos de migrantes (p. 6) que pode ser usado como referência.

Oficina de cartografia da Sciences Po

Projeção Buckminster Fuller

Projeção Buckminster Fuller. Fonte: DURAND, M.-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition 2008. Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 137.

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Geografia - 1a série - Volume 2

f ) Agora é analisar o mapa já feito. Descrevam livremente o que vocês estão vendo. É impor-
tante esse esforço, que será produto das diversas visões dos componentes do grupo.

2. Os fluxos mais importantes são aqueles que percorrem menores distâncias, ou esse aspecto não
parece pesar tanto? O fluxo principal é o de menor distância ou ele não se enquadra nesse caso?

3. Há uma predominância dos fluxos com um perfil do tipo países desenvolvidos → países subde-
senvolvidos? Ou não são esses os fluxos dominantes?

4. O que estaria acontecendo com a Ásia? Como se construiu sua importância como polo expor-
tador? Utilizem conhecimentos anteriores para explicar esse fluxo.

1. Escolha dois dos fluxos contidos na tabela e que foram representados no mapa. A seguir escreva so-
bre eles procurando apresentar elementos que os justifiquem: os volumes e os produtos envolvidos;
as empresas etc. Será necessária alguma pesquisa. Seu livro didático de Geografia pode ajudar.

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Geografia - 1a série - Volume 2

2. Olhando as direções dos fluxos comerciais internacionais e seus volumes (observando o mapa
construído pelo seu grupo), pode-se afirmar que os EUA perderam importância no comércio
internacional?

3. O volume de exportação de bens das Américas do Sul e Central para os EUA é superior à im-
portação dos EUA para essa mesma região. Essa situação pode ser explicada porque:

a) Essa área (Américas do Sul e Central) é uma grande exportadora de commodities (bens agrí-
colas, bens primários) e os EUA, por outro lado, um grande consumidor desses bens.

b) A América do Sul, em especial o Brasil e a Venezuela, é atualmente grande exportadora de


petróleo para o maior mercado consumidor de energia, que são os EUA.

c) Os EUA transferiram grande parte de suas transnacionais automobilísticas para as Américas


do Sul e Central, e essa importação é composta de automóveis de suas próprias fábricas.

d) A região das Américas do Sul e Central, em razão do seu empobrecimento, perdeu a capacidade
de importar dos EUA, que, por sua vez, mantêm suas compras para não agravar a situação.

e) Cresceu o valor das exportações das Américas do Sul e Central, pois essas são cada vez mais
compostas por bens industriais, que valem muito mais no comércio mundial.

4. A presença da Ásia no contexto dos fluxos comerciais internacionais é de chamar a atenção. Esse
papel pode ser explicado considerando:

a) O fato de a China ter se transformado num país capitalista e ter aumentado exponencial-
mente o seu poder de consumo.

b) O fato de o Japão ter se aberto recentemente para o mercado internacional, com seus pro-
dutos de baixo custo, graças ao também baixo custo da mão de obra nesse país.

c) O fato de os EUA terem instalado no Japão um grande número de corporações automobi-


lísticas, que agora abastecem o mundo todo.

d) O fato de o Extremo Oriente ter se transformado num imenso e eficiente centro produtor
(formado pela China, Japão e Coreia do Sul) de produtos industrializados.

e) O fato de essa região ser um imenso centro receptor de imigrantes, em especial na China,
em vista da baixa especialização da mão de obra nativa no trabalho industrial.
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Geografia - 1a série - Volume 2

?
!
Situação de Aprendizagem 4
Regulamentar os fluxos econômicos na escala
mundial: é possível encontrar um bem comum?

Para começo de conversa


1. Para relembrar a ideia de ordem mundial baseada nos países que são potências, algo que foi tra-
balhado no bimestre anterior (volume 1), e iniciar o trabalho nesta Situação de Aprendizagem:
tendo em vista a ordem mundial constituída pelos países e suas relações, o que pode ser dito
sobre a força diferente desses países, de suas diferentes potências?

2. Qual a referência fundamental no relacionamento dos países? Há um bem comum como hori-
zonte ou, na verdade, o que conta são os interesses locais de cada país? Justifique sua resposta.

3. Considerando os fluxos comerciais entre os países, você acha que eles ocorrem livremente?

4. Você acha que existem ou não conflitos gerados pelos fluxos comerciais entre os países? Em que
medida fluxos comerciais de outros países podem ajudar ou prejudicar a economia do Brasil?
Justifique sua resposta.

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Geografia - 1a série - Volume 2

Leia com atenção o texto que segue. Anote o nome das instituições citadas e suas funções.
Grife as passagens mais importantes e se assegure de que compreendeu a ordem cronológica das
passagens do texto.
Em busca de uma regulação mundial: as organizações econômicas internacionais
Jaime Tadeu Oliva

Ao lado da ONU funcionam as instituições e os organismos encarregados de, na escala


mundial: 1. regular os problemas de financiamento das operações de desenvolvimento;
2. controlar a estabilidade das moedas; e 3. amenizar e administrar as barreiras alfandegárias. As
instituições que atuam em cada uma dessas missões são: o Banco Mundial, o Fundo Monetário
Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Com recursos que provêm de contribuições dos países-membros (quase todos os países do
mundo) e de títulos lançados no mercado financeiro, o Banco Mundial empresta recursos finan-
ceiros a longo prazo para os países necessitados, com taxas de juros reduzidas. 
Por sua vez, o FMI é produto de um dos acordos de Bretton Woods, em 1944.  Atua em
favor da estabilidade financeira dos países-membros. Assim como o Banco Mundial, seus recur-
sos são uma somatória de cotas de capitais dos países-membros. Os empréstimos concedidos
são como socorros financeiros e somente são autorizados após exame da política econômica do
país beneficiário, que deve estar de acordo com a linha de atuação do FMI. Atualmente são 185
países-membros (cf. <http://www.imf.org>).
Não há dúvidas de que, no campo das relações econômicas internacionais, as trocas comer-
ciais e as de serviços são de difícil negociação. A primeira tentativa de criar uma regulação se dá
em 1948, com um acordo amplo sobre as tarifas alfandegárias e sobre o comércio (GATT). Esse
acontecimento está na origem da OMC. O objetivo era favorecer a diminuição das barreiras
alfandegárias, lutar contra os protecionismos e facilitar assim o comércio. Sua missão era de fixar
normas, regras, regulamentos e arbitrando as diferenças. Essas ações foram interpretadas como
meios de promoção da paz. Isso porque se entendia que o protecionismo é um fator de conflitos,
que pode inclusive levar a guerras.
As novas rodadas de negociação do GATT foram incluindo mais países e mais produtos nos
acordos. A última rodada foi em 1994, quando se resolveu criar a OMC, um fórum permanente
para as negociações, visando a uma instituição que chegasse a ter poder de sanção sobre os países
que não respeitassem os acordos.
Em julho de 2008, a OMC já contava com 153 países-membros. A Conferência Ministerial
com representantes destes países é seu principal órgão de decisão. As reuniões acontecem de dois
em dois anos e nelas se definem as orientações e as reformas na regulamentação do comércio
mundial.

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Geografia - 1a série - Volume 2

A análise dos conflitos comerciais levados para a OMC mostra duas tendências: 1. um au-
mento dos litígios comerciais e 2. uma concentração do comércio em poucos países (os EUA e a
União Europeia controlam 40% do comércio mundial). Os principais litígios comerciais se dão
justamente entre esses dois grandes atores do comércio mundial (EUA e UE).
Em 1999, em Seattle (EUA), a conferência da OMC sofre um grande abalo. Os conflitos
entre os EUA e a União Europeia, a presença mais ativa dos países em desenvolvimento, a ir-
rupção dos movimentos antiglobalização e outros que propõem outra globalização paralisaram
as decisões. Aumenta aí a desconfiança sobre a eficácia das instituições multilaterais para atuar
num mundo marcado por forças desiguais e interesses contraditórios. As queixas fundamentais
sobre a regulamentação do comércio mundial referem-se ao papel marginal dos países mais
pobres, cujos interesses são atropelados pelas potências econômicas. A OMC não estaria en-
frentando essa postura e os conflitos que existiam anteriormente às regulamentações. 
A situação evolui um pouco em 2001. A negociação foi mais transparente e dela se extraiu
um programa de desenvolvimento. Mas esse processo é bloqueado na rodada seguinte, em razão
das posições inconciliáveis em torno da questão agrícola: EUA, União Europeia, G20 (grupo
dos países emergentes) e países da África protagonizam os desentendimentos. O G20 e os países
africanos mostram seu descontentamento com os EUA e a União Europeia, que insistem em
manter subsídios às suas agriculturas, uma clara forma de protecionismo.
Na rodada de 2005 (Hong Kong), chega-se a um acordo parcial a respeito dos subsídios
agrícolas: os EUA prometem atenuar as subvenções à agricultura até 2013. Há que se aguardar,
mas no momento o que se vê é a força da lógica anterior à OMC valendo no interior dos or-
ganismos econômicos internacionais: um mundo sem regulamentações, ou um mundo onde as
regulamentações se ajustam mais aos interesses das grandes potências.
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

1. Qual a instituição internacional que atua nas operações de desenvolvimento? Você já a conhecia?
Descreva-a.

2. Qual a instituição que atua no mundo buscando socorrer os países-membros nas situações de
instabilidade econômica, por exemplo, nas crises de desvalorização da moeda local (inflação)?
Você já tinha conhecimento dessa instituição? Ela é muito mencionada no Brasil. Descreva-a.

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Geografia - 1a série - Volume 2

3. Nas relações comerciais entre países, a mercadoria estrangeira, quando entra em outro país, deve
passar pela alfândega e ser submetida às regras alfandegárias? Defina o que é alfândega.

4. E o que são as barreiras alfandegárias que os países impõem às mercadorias estrangeiras?

5. Qual é a instituição que atua no mundo buscando diminuir as barreiras alfandegárias e regular
os fluxos comerciais entre os países? Você já a conhecia? Descreva-a, assinalando os marcos prin-
cipais de sua história.

Reunidos em pequenos grupos, o objetivo agora é aprofundar-se sobre os caminhos e conflitos


nos últimos 50 anos para se estabelecer meios e regras na ordem dos fluxos econômicos mundiais.
O texto apresentado deverá ser compreendido e, para tal, um recurso importante é identificar as
chaves de interpretação como meio de construção de reflexões próprias.

Identificação das chaves de interpretação

1. Leiam novamente o texto “Em busca de uma regulação mundial: as organizações econômicas inter-
nacionais”, procurando identificar as linhas de raciocínio principais. Uma linha de raciocínio é aquela
em torno da qual giram os principais argumentos explicativos. Explicar é mostrar como, a partir de
um acontecimento, ocorrem outros: trata-se de uma relação de causa e efeito. Exemplo: conflitos co-
merciais entre países (causa)  guerras ou tentativas de acordo, de estabelecimento de regras (efeitos).

2. A seguir, uma lista de questões com respostas adequadas pode ajudar a identificar uma linha de
raciocínio e uma chave de interpretação:

a) A realidade entre os países é de certa igualdade econômica ou, na realidade, as desigualdades


são grandes?

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Geografia - 1a série - Volume 2

b) Caso houvesse alguma igualdade econômica e os países negociassem em busca de um bem


comum, haveria necessidade de tratados, sanções, punições, protecionismos? Justifiquem
sua resposta mostrando o conhecimento sobre os termos empregados na questão.

c) O que vocês acham da afirmação a seguir: Os países no mundo ainda se movem pela lógica
da geopolítica. As referências e os objetivos a serem alcançados por cada país são os interesses de
cada um. Agindo assim, não é mais fácil chegar à guerra do que à harmonia? Para responder,
talvez vocês devam recorrer aos temas trabalhados no Caderno do volume 1.

d) Agora vocês podem escrever sinteticamente o que concluíram com base nessas questões. Essa
conclusão será uma das chaves de interpretação do texto.

3. Mais algumas questões vão auxiliar na identificação de outra chave interpretativa:

a) Considerando as primeiras gestões para regular as relações comerciais (o acordo comercial –


GATT), o que o texto menciona sobre as motivações que impulsionaram esse acordo?

b) Tendo em vista essa motivação, pode ser afirmado que há uma relação clara entre relações
econômicas e a geopolítica? Justifiquem sua resposta.

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Geografia - 1a série - Volume 2

c) O que é protecionismo comercial? E por que isso causaria guerra? Vale pesquisar, mas a pa-
lavra é forte e comunicativa.

d) O que vocês acham desta frase: Se proteger pode causar a guerra, nesse caso, a proteção ganha o
sentido de agressão? Não é interessante? Respondam.

e) Os EUA e a União Europeia praticam o protecionismo em relação à sua agricultura. Temem


a circulação mais livre dos produtos agrícolas dos países emergentes e pobres. Isso não é o
contrário da filosofia que estaria na base da fundação da OMC? Justifiquem sua resposta.

f ) Os protecionismos são obstáculos, geram conflitos e, mesmo assim, os países insistem em


ampliar suas relações econômicas. Por que os países procuram relações comerciais para além
da escala nacional? Quais são as vantagens?

g) Sintetizem a conclusão do grupo com base nesse conjunto de questões que estimulou várias
reflexões. Ela será mais uma chave interpretativa do texto e do quadro internacional das
relações comerciais (e econômicas em geral).

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Geografia - 1a série - Volume 2

Desafio!
Agora a ideia é aplicar as linhas de raciocínio desenvolvidas em situações imaginadas.
Esta atividade pode ser feita ainda com os mesmos grupos reunidos anteriormente. Esse é um
exercício que, sem perceber, costumamos fazer no dia a dia. Imaginar situações, pensar no
que faríamos como meio de preparação de situações da vida real. As situações imaginadas se
referem ao protecionismo comercial.
Situação 1: Produtores agrícolas num país qualquer (país A), envolvidos com suas ativi-
dades, lutando para conseguir boas safras, se veem em dificuldades para vender sua produção.
Por isso, esses agricultores vão recorrer aos seus governos, que eles elegeram e apoiam, para
pedir ajuda. Mas por que não vendem sua produção? Porque os compradores tiveram acesso a
produtos agrícolas mais baratos e melhores vindos de outros países.
Agora respondam as questões seguintes:

●● Os agricultores do país A devem aceitar essa lógica do mercado?

●● Não é provável que eles reivindiquem junto ao seu governo proteção contra os “invasores”?
Vocês fariam o mesmo? Não é lógico que o seu governo deve protegê-los e não favorecer
agricultores de outros países? Esse pensamento é correto? Justifiquem tudo o que for res-
pondido, argumentando com cuidado.

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Situação 2: No mesmo país A, as indústrias estão se desenvolvendo muito, crescendo e


vendendo seus produtos pelo mundo. Tanto estão se dando bem que alguns países começam a
reagir aumentando as barreiras alfandegárias como medida protecionista contra seus produtos.

Aqui também valem alguns questionamentos:

●● Os países que aumentaram as barreiras alfandegárias não estão legitimamente protegendo


sua indústria nacional? Vocês acham essa atitude correta? Justifiquem sua resposta.

●● O que vão fazer esses industriais do país A que estão vendo seus mercados diminuírem? É
certo pressionar seus governos para combater o protecionismo dos outros? Eles estão corre-
tos? Justifiquem sua resposta.

●● No primeiro caso (Situação 1), o governo do país A vai adotar políticas protecionistas; já no
segundo caso (Situação 2), deverá combater políticas protecionistas. Isso não é incoerente?
Justifiquem sua resposta, procurando pensar numa solução razoável para o dilema.

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Elabore um relatório final do grupo com pelo menos duas partes indispensáveis:

●● Uma descrição problematizada do quadro das relações econômicas internacionais: seus dilemas,
suas contradições, as forças desiguais, a ação impositiva das potências, as críticas, os protestos,
os protecionismos etc.;

●● Uma argumentação opinativa sobre as perspectivas, as soluções e sobre o que acham justo
acontecer.

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1. Faça uma pequena redação refletindo sobre a afirmação a seguir:

Os conflitos internacionais gerados pelas relações comerciais têm uma natureza estranha.
Como todos os envolvidos agem segundo interesses legítimos e próprios, ninguém está errado
em princípio. Todos estão certos. É o conflito do certo contra o certo. E, se num conflito temos
a convicção de que estamos certos, como vamos abrir mão de nossas posições? Não seria impor-
tante reconhecer que o outro também está certo?
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

2. Faça uma breve pesquisa, buscando definições sintéticas sobre outras organizações (e institui-
ções) internacionais que vêm surgindo para pensar e organizar as relações internacionais. A
seguir alguns exemplos:

●● Grupo do G-7 (países economicamente mais poderosos). Muitos analistas dizem que o que se
decide entre eles é o que realmente conta no cenário das relações comerciais no mundo.

●● Grupo do G-20 (países emergentes). O Brasil é uma das lideranças desse grupo, que pressiona
para que os países ricos admitam regras de interesse comum, diminuam suas políticas protecio-
nistas etc.
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●● Fórum Social Mundial, promovido por organismos que defendem uma outra globalização,
uma outra ordem mundial.

3. Os organismos econômicos, em tese, procuram conciliar interesses distintos que se confrontam


na escala mundial. Eles têm sido bem-sucedidos?

4. Quais os organismos responsáveis por estruturar ajudas e regulações para a saúde econômica e
financeira dos países envolvidos nos fluxos econômicos internacionais? Que grau de conflitos
eles contêm?

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5. Considerando a composição diversificada da OMC, é correto dizer que:

a) As potências econômicas relutam em participar das negociações, pois, embora tenham o maior
poderio econômico, perdem as votações, uma vez que representam uma clara minoria.

b) Os países emergentes encontram resistência dentro da OMC para fazer valer sua condição
de portadores da produção com tecnologia mais avançada.

c) Os países mais pobres, fundamentados nas atividades agrícolas, protegem seus mercados por
não resistirem à concorrência das potências, que possuem agricultura mais desenvolvida.

d) Organizar políticas protecionistas mais rígidas está entre as principais funções da OMC,
organização de combate ao comércio sem regras na escala mundial.

e) A OMC defende maior fluidez do comércio, mas não tem conseguido evitar o choque entre
grandes potências nem cuidar melhor dos interesses dos países emergentes.

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