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Trata-se de Reclamação Trabalhista, ajuizada conforme Novo CPC, sob a

égide do rito sumaríssimo, almejando a condenação da empregadora pelo
não pagamento de reflexos de adicional de insalubridade, em face de
insalubridade por frio, bem assim adicional de horas extras.
Do quadro fático narrado na inicial (CLT art. 840, § 1º), destaca-se que o
préstimo laboral exercido pelo Reclamante era, diariamente, realizar a
reposição das mercadorias da área de frios e laticínios. Com isso, o
Reclamante teria que, dia a dia, em média duas vezes, adentrar em uma
câmara de refrigeração. A temperatura nessa sempre foi de 3º Celsius.
Portanto, bem além da razoabilidade do quanto suporta o corpo humano.
Não havia a concessão de EPIs. Quando muito era concedida a utilização de
uma jaqueta, ainda assim por vezes se encontrava em uso por outro colega.
Igualmente referido material não dava proteção suficiente, até porque o
mesmo acoberta somente o tronco do obreiro.
Em face desse irregular formato de trabalho, sem a proteção devida, o
Reclamante passou a registrar ocorrências de distúrbios do sono e quadro
depressivo.
Nesse passo, o Reclamante trabalhara em condições insalubres, contudo
sem receber o respectivo adicional.
Ademais, o Reclamante trabalhava de segunda-feira a sexta-feira, no
horário das 13:00h às 18:00h, sem intervalo para descanso.
O Reclamante fora demitida sem justa causa, contudo sem o pagamento do
adicional referido e seus reflexos nas demais verbas rescisórias.
A atividade desenvolvida pelo Reclamante exigia ingresso diário em câmara
de frio, por isso se sujeitando a adentrar em ambiente com temperatura
inferior a 10º Celsius. Assim, tratava-se de rotina no labor do Reclamante.
Não obstante o Reclamada haver trabalhado com a utilização de uma mera
jaqueta, esse não recebera qualquer EPIs específicos essa finalidade. Assim,
infringiu-se previsão na Legislação Obreira. (CLT, art. 191, inc. II) É dizer,
referido apetrecho não serve como protetor térmico.
Nesse contexto, incidiu em colisão ao preceito contido na Legislação
Obreira (CLT, art. 189 c/c art. 192). Do mesmo modo à Constituição Federal
(CF, art. 7º, inc. XXIII)
Nesse compasso, o mister realizado pelo Reclamante se enquadra na NR15, anexo 9, do MTE, ou seja, como de trabalho realizado enfrentando de
ambientes frios. O anexo 9 visa proteger os empregados em trabalhos ou
operações feitas em câmara fria ou similares, ou seja, onde exista trabalho
acima do limite de tolerância em ambientes nocivos à saúde do obreiro.
Especificamente com esse enfoque, foram colhidas notas de jurisprudência
do TST, essas do ano de 2016.

anexo 8. sustentou-se que não houvera pagamento de horas extraordinárias.g. com reflexos em aviso prévio. inc. o Tribunal Superior do Trabalho. a esse não lhe fora reservado o período de descanso previsto no art. Com isso. definiu que: Art. sem dúvidas. o Reclamante abrigou-se em “precedentes” e “jurisprudência”.) XXIII – arts. os quais. O Reclamante asseverou que fora demonstrado a existência de julgados reiterados. disposta na peça. trouxeram à tona o mesmo entendimento. mais. originários dos mais diversos Tribunais. no grau máximo. como de trabalho realizado enfrentando frio excessivo. VI. ou seja. férias com 1/3. 489. do MTE. . muito além da previsão ali fixada. § 5º etc).. depósitos do FGTS e 13º salário. 3° . 489 (fundamentação da sentença). art. o Reclamante abrigou-se na jurisprudência reiterada. em face de omissão e compatibilidade. Nesse passo. ( c ) idênticos efeitos em face da violação: o trabalho exercido em circunstâncias similares as citadas obrigam o empregador a pagar adicional de insalubridade no grau máximo. art. situação processual adotada no Novo CPC (v. Ademais.Sem prejuízo de outros. ( b ) os fatos levados à efeito nas decisões se assemelham: o labor realizado pelo Reclamante enquadra-se na NR-15. § 2º. Advogou. sem EPI adequado e/ou sem a concessão do intervalo para recuperação. 927. aquele os adotou como matéria atrelada à sua causa de pedir. (. traz consigo agente insalubre com potencial de risco à saúde.. de repetição homogênea. à luz da atividade insalubre desenvolvida pela Reclamante. por intermédio da Resolução nº. pediu-se a condenação da Reclamada a pagar as diferenças correspondentes ao adicional de insalubridade.. porquanto: ( a ) as razões de decidir são similares (ratio decidendi): o trabalho exercido sob o impacto de frio excessivo. Não obstante o Reclamante trabalhasse em ambiente insalubre e frio. art. que editou a Instrução Normativa nº 39. a qual contém orientações acerca da aplicabilidade do Novo CPC às querelas trabalhistas.Com efeito. os preceitos do Código de Processo Civil que regulam os seguintes temas: IX – art. 303/2016. 926 a 928 (jurisprudência dos tribunais) Com efeito. aplicam-se ao Processo do Trabalho. 926. 253 da CLT.

AIRR 000353252. Foram inseridas notas de jurisprudência do ano de 2016.015/2014. foram atendidos os requisitos do art. RECURSO DE REVISTA. 489. 3. a decisão recorrida está conforme a Súmula nº 438 do TST. o TRT concluiu.015/2014.23. a parte não consegue infirmar os fundamentos do despacho denegatório do recurso de revista. decisão contrária demandaria novo exame das provas. inc.Nesse compasso. TEMPO À DISPOSIÇÃO. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. (TST. 253 da CLT. 2. introduzidos pela Lei nº 13.0101. porque trabalhava em ambiente com temperatura inferior a 15ºC e a reclamada não concedia intervalos para recuperação térmica nos termos do art. Pág. Sob o enfoque de direito. Sexta Turma. Kátia Magalhães Arruda. § 1º-A. ainda que fornecesse EPIs com vista a neutralizar o agente frio. Agravo de instrumento a que se nega provimento. AUSÊNCIA DE CONCESSÃO DO INTERVALO PARA RECUPERAÇÃO TÉRMICA. Relª Min. que a reclamante faz jus ao adicional de insalubridade. Quanto ao tempo à disposição. 896. máxime sob a égide do art. nas razões do agravo de instrumento. DEJT 08/04/2016.2013. com base no conjunto fático-probatório dos autos. a decisão do Regional está em sintonia com a Súmula nº 366 do TST. o Reclamante sustentara como precedentes de jurisprudência em sua defesa os julgados colacionados na exordial da Reclamação Trabalahista. 4. do Código de Processo Civil. No que concerne ao adicional de insalubridade. No recurso de revista. Jurisprudência Atualizada desta Petição: AGRAVO DE INSTRUMENTO DA RECLAMADA. VI. Nesse contexto. § 1º.5. 1286) . o que é vedado pela Súmula nº 126 do TST. 1. Contudo. II e III. TROCA DE UNIFORME. I. LEI Nº 13.