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machaut.html

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dunstable.html

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Biografia

Guillaume de Machaut (d.1377) é um dos gênios Pinnacle indiscutíveis da música ocidental, e o mais famoso compositor da Idade Média. Hoje sua missa a quatro vozes de Notre Dame é um exemplo clássico de contraponto medieval, e tem servido o suficiente para manter a sua reputação através de mudanças na moda. No entanto obra de Machaut é extensa, com suas canções francesas e poesia dominar o século XIV por ambos sua qualidade e volume. Uma série de manuscritos iluminados cuidadosamente preparadas, realizadas por membros da realeza francesa, preservar a sua produção artística completa. Junto com estes principais fontes, várias peças são duplicados em fontes espalhadas por toda a Europa. Sua vida e obra são, portanto, extremamente bem preservado para o período, e sua posição como o compositor mais ilustre do século nunca vacilou.

Machaut foi aparentemente nascido nas proximidades de Reims, em Champagne, por volta do ano de 1300. Ele é o primeiro conhecido como o secretário de João de Luxemburgo em 1323, e usou a posição de viajar extensivamente para diversas batalhas e acontecimentos políticos. Em aproximadamente 1340, Machaut voltou a Reims para ocupar o cargo de canon (ele tinha sido anteriormente um escritório titular ausente), juntamente com seu irmão Jean. No entanto, ele continuou a servir João de Luxemburgo até a morte deste último em Crécy em 1346, e depois serviu sua filha Bonne, que aparece no Remède de Fortune. O restante do século XIV foi um épico de guerras e pragas, e um dos poucos períodos em que a população da Europa diminuiu, mas a reputação de Machaut continuou a subir. Ele passou a servir a dois reis da França, e foi acusado de uma tarefa tão importante como a que acompanha reféns durante a guerra Inglês. Em 1361 o Dauphine foi recebido nos aposentos de Machaut, um evento excepcional. Pelos 1370s o nome de Machaut foi associada com Pierre de Lusignan, rei de Chipre, estabelecendo assim sua fama quase tão distantes como a Ásia.

Machaut é frequentemente retratado hoje como um compositor avant garde, especialmente por causa de sua posição em relação ao início do Ars Nova (uma notação rítmica nova e mais detalhada), mas é preciso também enfatizar a continuidade magistral com que ele empregou formas estabelecidas. Enquanto usando os mesmos formatos básicos, ele fez mudanças sutis metros e esquema de rimas, permitindo mais toques pessoais e uma apresentação mais dramática. Na verdade, a poesia de Machaut é um dos mais impressionantes saídas franceses da era medieval, servindo como exemplo mesmo para Chaucer. O tema do amor cortês domina sua escrita, tornando-se fortemente simbolizada nas formas de personagens como Fortune & Love, e os dramas

pessoais em que atuam. produção poética de Machaut, e por extensão o subconjunto de textos que ele escolheu para definir a música, é ao mesmo tempo pessoal e ritualizada, emprestando-lhe uma qualidade atemporal. Alguns dos temas do amor data de Ovídio e além, de quem tinha sido elaborado pela primeira vez pelos trovadores da Provença e depois pelos trouvères do norte, e por isso é realmente uma tradição clássica à qual pertence Machaut.

Machaut marca o fim da linhagem dos trouvères, e com isso o desenvolvimento da canção monofónico de arte no Ocidente. Este aspecto do seu trabalho encontra-se no Virelais e especialmente a longo lais. Ele também atuou decisivamente para refinar a emergente polifônica formas canção balada & Rondeau, e estes foram para se tornar as formas fixas dominantes para as gerações seguintes. O que Machaut alcançado de forma tão eloquente é uma combinação idiomática e natural de palavras com a música, com força convincente em sua graça lírica e sofisticação rítmica. Suas canções são imediatamente agradável, porque ele era capaz de moldar as menores nuances melódicas, bem como de conceber formas em uma escala maior. Este último é refletida especialmente em suas criações poético-musicais Le Remède de Fortune e Le Voir Dit, assim como em sua Messe de Notre Dame. Não se deve perder de vista a posição de Machaut dentro do alcance da história medieval, como suas grandes produções "multimédia" tinha precedentes claros no Roman de la Rose e especialmente o Roman de Fauvel. É a capacidade de Machaut unir pensamento melódico convincente e elegante, com as novas possibilidades rítmicas do Ars Nova que finalmente faz sua reputação musical.

Embora ele escreveu a música para mais de cem de seus poemas franceses, e até mesmo para uma meia dúzia de motetos em latim, Machaut permanece mais conhecido por sua Missa de Notre Dame. Esta massa foi escrito como parte da comemoração do Virgin dotado pelos irmãos Machaut em Reims, e foi destinado para o desempenho em um ambiente menor por solistas especializados. O aspecto mais marcante da peça não é simplesmente a alta qualidade da escrita contrapontística, mas a unidade arquitetônica das seções comuns também. massa de Machaut não é o primeiro ciclo de massa sobrevivente (há dois que são anteriores), mas isso é o mais antigo por um único compositor e certamente os primeiros a mostrar este grau de unidade. Enquanto os cânticos usados como cantus firmus variam, abrindo gestos e figuras motívicas são usados para confirmar a natureza cíclica da obra. Técnica desta magnitude é frequentemente oferecido como prova da presciência de Machaut, dada a importância de tais formas de cem ou duzentos anos mais tarde, mas a qualidade musical de seu ciclo pode ser apreciado em seus próprios termos. Claro que, o mesmo pode ser dito para a obra de Machaut como um todo.

Todd McComb, 4/98

Guillaume de Machaut e John Dunstable

Com a queda do Império Romano, houve uma rápida expansão do cristianismo que exigiu um maior rigor do Vaticano, que unificasse a prática litúrgica romana no século VI, a esse período podemos mencionar o surgimento da era medieval 1

A história da Igreja Cristã abrange um período de cerca de dois mil anos, sendo esta

então considerada uma das instituições mais antigas do planeta, em atividade até os dias de hoje, influindo no mundo em aspectos espirituais religiosos, morais, políticos e sócio-culturais. Sendo assim, não podemos citar o período Medieval sem antes, rapidamente, mencionar as contribuições que esta entidade e as primeiras comunidades cristãs fizeram a este período.

A Igreja Cristã se firmou como instituição consolidando seu prestígio e difundindo o

cristianismo, mesmo em meio à desorganização administrativa a que se encontrava o já não tão poderoso Império Romano. Problemas de ordem econômica e social produzidos pelas invasões e migrações germânicas somadas ao esfacelamento do império, puseram a Igreja numa posição de instituição consideravelmente respeitável, que ia de encontro aos povos bárbaros propagando o cristianismo, afirmando seu poder e prestígio, como instituição hierarquicamente organizada.

Sendo assim a Igreja passou a exercer influências crescentes e importantes, valendo-se não tão somente do papel religioso a que lhe era cabido, mas servindo como um instrumento de unificação diante da fragmentação política da sociedade feudal.

Mas o seu poder influente passou por grandes transformações, devido a uma separação em 1054. Houve então certo enfraquecimento do poder da Igreja, o que ofereceu uma abertura para o surgimento da polifonia 2 , o que conseqüentemente acarretou na busca por melhores sistemas de notação.

O surgimento da polifonia se deu de maneira gradativa, no início as vozes eram dobradas em oitavas, e posteriormente foi acrescentada uma terceira voz, que cantava uma quinta acima da voz mais grave. Isso ficou conhecido como organum, cujo plural é organa.

GUILLAUME DE MACHAUT (1300 - 1377)

Guillaume de Machaut ou Machault (Diocese de Reims, c. 1300-1377), foi um dos grandes nomes da Ars Nova. Na verdade não se tem dados concretos onde estudou, mas podemos concluir que Machaut foi poeta e compositor francês produtivo, corroborando fontes que afirmam que quando ainda muito jovem ele tomou ordens para estudar teologia provavelmente em Paris, alcançando o titulo universitário de magister 3 .

Por volta de 1323 entrou ao serviço de João de Luxemburgo, rei da Boêmia, para trabalhar como secretário e de quem se tornou amigo, acompanhando-o não tão somente em suas expedições, mas também em suas campanhas militares e na sua vida de prazeres pelo mundo afora.

Mais tarde passou sucessivamente ao serviço da filha daquele, Bonne de Luxemburgo, mulher do duque João da Normandia, depois ao rei de Navarra, de quem se tornou amigo e que celebrou no poema Confort d’ami, e ainda ao rei de França (João ou Carlos VI) e ao duque de Berry.

Em todas estas cortes gozou de situação privilegiada, morrendo em Reims, já com idade avançada, como cônego desta mesma cidade, altamente respeitado como poeta e como e maior músico de seu tempo.

Na sua dupla qualidade de poeta e compositor, Machaut geralmente é considerado o mais notável representante da Ars Nova francesa. Das suas obras profanas tem especial importância as baladas; uma criação sua exclusiva, a que chama ballades notées, para distinguir das baladas não postas em música em estilo polifônico. As baladas de Machaut descendem diretamente do motete 4 francês do século XIII, representado na música cortesã e trovadoresca. Devem mencionar-se em seguida os rondeaux e os virelais, formas estas, poético-musicais mais simples do que as baladas, tratando sobretudo de temas de amor cavaleiresco.

Todas as composições de Machaut podiam ser acompanhadas de vários instrumentos, destinados a reforçar e a colorir a sua execução, embora não haja menção expressa a eles nas partituras. Todas as obras de Machaut foram conservadas em admiráveis manuscritos, alguns dos quais preparados sob sua própria supervisão e destinados a príncipes e bibliófilos 5 .

Por volta de 1340, Machaut dedicou-se á criação literária musical. Suas missas monofônicas podem ser consideradas como uma extensão da tradição trovadoresca na França. Dentre elas estão dezenove lais e cerca de vinte e cinco cantigas, a que ele chamou de chansons balladées, mais conhecidas como virelai. A característica do virelai é a forma ABBA, na qual A representa o refrão, B a primeira parte da estrofe (que é repetida) e A a segunda parte da estrofe que utiliza a mesma melodia do refrão.

Machaut também escreveu sete virelais polifônicos a duas vozes e um a três vozes.

Foi nos seus virelais, rondéis e baladas polifônicas (as chamadas formas fixas) que Machaut ilustrou mais claramente as suas tendências da ars nova, explorando possibilidades da

nova divisão binária, substituindo um ritmo triplo lento ou organizando por um ritmo com base na divisão binária.

Uma das mais importantes realizações de Machaut foi o desenvolvimento do estilo da balada ou cantilena. Este estilo é exemplificado nos seus rondéis e virelais polifônicos. As baladas de Machaut, cuja forma é em parte uma herança dos troveiros, compunham-se normalmente de três ou quatro estrofes, todas elas cantadas com a mesma música e seguidas de um refrão.

Nos rondéis de Machaut, o conteúdo musical apresenta-se extremamente sofisticado, sendo um deles freqüentemente citado como exemplo de maestria, quando o tenor canta “O meu fim é o meu princípio e o meu princípio é o meu fim”.

As obras de Machaut são vastas e variadas, incluindo a Messe Nostre Dame (missa de Nossa Senhora), que se tornaria muito famosa, onde o autor realizou a composição a quatro vozes de todas as partes do ordinário: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus e Agnus Dei. A edição completa das composições musicais de Machaut foi feita por Frederich Ludwig. (Lípsia,

1926-1929).

JOHN DUNSTABLE ( ca.1390 - 1453)

John Dunstable foi o mais proeminente dos compositores ingleses de sua geração, cuja data e local de nascimento são incertos, mas que se sabe ter morrido em Londres, a 24 de dezembro de 1453.

Pouco se conhece sobre o começo de sua carreira, mas o certo é que já em 1437, Dunstable, gozava de grande nomeada como um dos melhores músicos da Europa e, segundo Tinctoris, o verdadeiro modelo dos ilustres Binchois 6 e Dufay 7 seus contemporâneos mais novos. Presume-se que tenha vivido alguns anos na França na companhia do duque de Bedford, irmão de Henrique V.

Todavia o que se sabe sobre Dunstable é apenas conjectural, dada a falta de documentos ao seu respeito. A própria música de Dunstable foi praticamente desconhecida até fins do século XIX, e ainda hoje pouco mais adiantado se está nesta matéria, mormente no que diz respeito ao estudo critico dessa música.

Em todo o caso o que parece fora de dúvida é seu papel histórico, de alta importância. Além de haver sido um dos mais ilustres representantes do estilo vocal acompanhado

do Primeiro Renascimento, “é a ele que possivelmente se deve a idéia sistemática da

interdependência temática dos trechos do ordinário da missa, coisa que só esporadicamente

havia sido feita por Machaut.

A técnica polifônica de Dunstable marca um decisivo passo sobre a dos seus

antecessores e constitui acaso o ponto de partida de todo o desenvolvimento posterior da arte

contrapontística. A sua influência foi notável, não só com respeito aos músicos ingleses, mas

também aos seus contemporâneos como Leonel Power e John Benet, mas ainda em relação aos

músicos do continente como os já citados Binchois e Dufay. Salvo três canções, Durer ne puis,

Puisque m’amour e O rosa bela (a mais conhecida e celebrada das composições de Dunstable,

embora a sua paternidade seja controversa), toda obra restante do ilustre compositor inglês se

destina a igreja latina (motetes, sequencias, etc).

As maiorias de suas obras remanescentes encontram-se em fontes do continente

europeu.

Existem cinqüenta e uma composições que se afirma com segurança serem de sua

autoria, porém muitas outras anônimas, ou com atribuições de autoria conflitante,

provavelmente também o são. Estilisticamente sua música pode ser dividida em quatro

categorias; obras isorrítmicas; obras não isorritmicas baseadas em um cantochão; obras do

estilo free treble ou ballade, consistindo de uma linha melódica livremente composta, que pode,

no entanto, incorporar traços de cantochão elaborados e duas partes mais lenta de apoio; e

obras declamatórias em um estilo silábico, com cuidadosa acentuação do texto. Dois dos

primeiros ciclos de missa, reseculorium e gaudiorum premia, são-lhe atribuídos em algumas

fontes, e alguns de seus outros movimentos de missa podem originalmente ter pertencido a

ciclos completos.

A maioria de suas obras é em três partes, exceto os motetos isorrítmicos

freqüentemente em quatro partes, e , ainda que todos comecem em compasso ternário, é

comum uma mudança para compasso binário próximo a parte central e, às vezes em retorno

mais breve ao ternário, próximo ao fim. Suas melodias costumam progredir por grau conjunto,

e em movimento triádico harmônico, refletindo a predileção inglesa por terças e sextas, é

predominantemente consonante.

Guillaume de Machaut e John Dunstable trouxeram enormes e significativas contribuições para música mundial. Tanto que nos deixaram um enorme legado nas estruturas composicionais, que marcaram o nascer de uma era na história da música, influenciando toda uma nova corrente musical, a ars nova, sobretudo pelas mudanças do canto gregoriano (homofônico, linear e centralizador, atuando como base para a polifonia) e do texto litúrgico,

além da dinâmica rítmica e da diversidade melódica (expressando a nova ordem social urbano- burguesa).

No entanto, na teoria da polifonia medieval é que os problemas da medição do

tempo real foram estudados em primeiro lugar, com as soluções aplicadas de forma eficaz neste

momento do século XIV. Foi em sua prática que uma civilização emergente se educou para

perceber o fluxo do tempo como um processo que não era derivado do Sol ou da Lua ou do

movimento de corpos ou de qualquer outra causa primária, e que podia ser tratado da mesma

forma que uma dimensão espacial

Mesmo estando a produção musical polifônica vinculada ao poder sócio-político-

econômico da Igreja, a polifonia da Messe de Nostre Dame deixa transparecer a ideologia

inerente à sua estrutura composicional.

As suas potencialidades transformadoras e revolucionárias, contudo, apenas se

consumaram séculos mais tarde, com o advento da ciência moderna e seu método empírico.

Para aqueles que julgam ser a arte da música apenas uma mera diversão ou um

mero passatempo ou, ainda, um empreendimento humano carente de significações

transformadoras da realidade têm, nos exemplos das obras analisadas, as mais expressivas

demonstrações de que a música está significativamente qualificada a operar profundas

transformações, não apenas a nível estético e/ou artístico, mas em áreas do conhecimento que

aparentemente não possuem relação direta com seus procedimentos específicos.

Guillaume de Machaut e John Dunstable foram, sem dúvida, personagens que na

Idade Média ocuparam lugares de destaque no que toca a inventividade, gênio, espírito

inovador e versatilidade. As intervenções de compositores como Dunstable e Machaut fizeram

a música na Idade Média evoluir de tal forma, que já não era mais possível voltar atrás, pois a

criatividade e ousadia deram lugar a enormes e fabulosas possibilidades.

NOTAS

1. Era Medieval, Idade Medieval, Idade Média ou Medievo são os termos usados para designar

o período intermédio numa divisão esquemática da História da Europa, convencionada pelos

historiadores, em quatro "eras", a saber: a Idade Antiga, a Idade Média, a Idade Moderna e a

Idade Contemporânea. Este período caracteriza-se pela influência da Igreja sobre toda a

sociedade. Esta encontra-se dividida em três classes: clero, nobreza e povo. Ao clero pertence a

função religiosa, é a classe culta e possui propriedades, muitas recebidas por doações de reis ou nobres a conventos. Os elementos do clero são oriundos da nobreza e do povo. A nobreza é a classe guerreira, proprietária de terras, cujos títulos e propriedades são hereditários. O povo é a maioria da população que trabalha para as outras classes, constituído em grande parte por servos. O sistema político, social e econômico característico foi o feudalismo, sistema muito rígido em progressão social. Fome, pestes e guerras foram uma constante durante toda a era medieval. As invasões de árabes, vikings e húngaros dão-se entre os séculos VIII e XI. Isto trouxe grande instabilidade política e económica. A economia medieval é em grande parte de subsistência. A riqueza era medida em terras para cultivo e pastoreio. O comércio era escasso e a moeda era rara. A economia baseava-se no escambo. Muitos Estados europeus são criados nesta época: França, Inglaterra, Dinamarca, Portugal e os reinos que se fundiram na moderna Espanha, entre outros. Muitas das línguas faladas na Europa evoluíram nesta época a partir do latim, recebendo influências dos idiomas dos povos invasores.

2. Termo musical para designar várias melodias que se desenvolvem independentemente, mas dentro da mesma tonalidade. As composições polifônicas têm várias partes simultâneas e harmônicas. As partes são independentes, mas de igual importância. Embora a música polifônica seja primordialmente vocal, o termo também pode aplicar-se a obras instrumentais. Polifonia é uma palavra que vem do grego e que significa de muitas vozes.

3. Mestre, Padre-mestre, Indivíduo de afir

4.Motete ou Moteto, sendo um dos grandes gêneros musicais o moteto é uma composição polifônica vocal, executada a capela ou acompanhada de instrumentos, em que cada voz ou grupo de vozes canta textos diferentes - e até em línguas diferentes. A origem da palavra remonta ao século XIII, quando foram acrescentadas palavras (mots, em francês) a fragmentos vocalizados de canto gregoriano.

5.Bibliofilia (grego: biblion - livro e philia - amor) entende-se a arte de colecionar livros tendo em vista circunstâncias especiais ligadas à publicação deles, segundo o verbete de Aurélio Buarque de Holanda. No entanto, são essas duas palavras "circunstâncias especiais" que mais despertam dúvida e mais lugar oferecem à divagação. Popularmente, denominamos de bibliófilo aquele que costumar ler com muita frequência. João José Alves Dias define um bibliófilo simplesmente como aquele que ama os livros.

6. Gilles de Binche, Binch ou Bins, mais conhecido como Gilles Binchois (+/-1400 1460), foi um

mais famosos do século XV.Sua influência foi emprestadas e utilizadas como fonte de materiais

para compositores de outras épocas.

Cambrai, Bélgica), foi um compositor - da Escola de Borgonha, considerado o maior músico da

primeira metade do século XV e um dos nomes mais importantes do período de transição da

música medieval para a renascentista. Guillaume Dufay representou a primeira geração da

Escola Borgonhesa. Seu modelo de missa polifônica, baseada no cantus firmus, teve grande

aceitação entre os músicos até o final do século XVI.

Saomão Versoza de Souza

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BORBA, Tomás & LOPES GRAÇA, Fernando. Dicionário de Música (ilustrado). Lisboa , edições Cosmos 1962. 1º Ed. Agosto de 1956, 2ª Tiragem dezembro de 1962

GROUT, Donald JAY. & PALISCA, Claude V. Historia da Musica Ocidental. Lisboa: Gradativa, 2005.

HOPPIN, Richard H. (1978). Medieval Music. New York: W.W. Norton & Co. Disponível em acesso em 14 de julho de 2011

McLEISH, Valerie & Kenneth. Guia do Ouvinte de Música Clássica. Rio de Janeiro, editor Jorge Zahar . titulo Original: Lister’s Guideto Classical Music . tradução autorizada da 1ª edição inglesa publicada em 1986 por Longman Group UK Limited, de Londres.

SADIE, Stanley. Dicionário GROVE de Música, tradução: Eduardo Francisco Alves, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1994

Título alternativo: Guillaume de Machault

Guillaume de Machaut poeta francês e músico

Também conhecido como  Guillaume de Machault nascermos c. 1300 Machault , França morreu 1377

Também conhecido como

Guillaume de Machault

nascermos

c. 1300

Machault , França

morreu

1377

Guillaume de Machaut, Machaut também escrito Machault (nascido c. 1300, Machault, Pe-morreu 1377, Reims ) poeta francês e músico, muito admirado pelos contemporâneos como um mestre da versificação francês e considerado como um dos principais compositores franceses do Ars Nova estilo musical do século 14. É em seus poemas mais curtos e suas composições musicais que sua reputação repousa. Ele foi o último grande poeta em França a pensar na letra e sua configuração musical como uma única entidade.

Ele tomou ordens sacras e em 1323 entrou para o serviço de João de Luxemburgo, rei de Bohemia , a quem acompanhou em suas guerras como capelão e secretário. Ele foi recompensado por este serviço por sua nomeação em 1337 como cânone da catedral de

Reims. Após a morte do rei, ele encontrou outro protetor da filha do Rei, Bonne do Luxemburgo, esposa do futuro rei João II de França, e em 1349 em Charles II , rei de Navarra. Honras e patrocínio continuou a ser esbanjado por reis e príncipes de Machaut em Reims até sua morte.

Em seus poemas mais longos Machaut não ir além dos temas e gêneros já amplamente empregadas em seu tempo. exercícios principalmente didáticos e alegóricos no bem- trabalhados cortês amor tradição, eles são de escasso interesse para o leitor moderno. Uma exceção entre as obras mais longas é Voir-Dit , que relata como uma rapariga de alto escalão se apaixona com o poeta por causa de sua fama e realizações criativas. A diferença de idade é muito grande, no entanto, e o idílio termina em decepção. Poemas líricos de Machaut também são baseados no amor cortês tema, mas reformulado em uma forma hábil com uma verbal de música que muitas vezes é perfeitamente alcançado. Sua influência-o mais significativamente suas técnicas inovações espalhou para além das fronteiras da França. Na Inglaterra, Geoffrey Chaucer chamou pesadamente sobre de Machaut poesia para elementos de O Livro da duquesa.

Todas as músicas de Machaut foi preservada em 32 manuscritos, o que representa uma grande parte da música sobreviver de seu período. Ele foi o primeiro compositor a escrever-handedly único um ambiente polifônico da massa comum, um trabalho que foi gravada no desempenho moderno. Na maioria dos essa configuração de quatro partes que ele emprega a característica Ars Nova técnica de isoritmia (repetido sobreposição de um padrão rítmico em várias formas melódicas).

composições seculares de Machaut compõem a maior parte de sua música. Seus três e quatro partes motetos (canções polifônicas na qual cada voz tem um texto diferente) Número de 23. Destes, 17 são em francês, 2 são latino misturado com francês, e 4, como os motetos religiosas do início do século 13 , estão em latim. O amor é muitas vezes objecto de seus textos, e isoritmia todos, mas 3 empregar. Machaut de 19 lais (veja lai ) são geralmente de voz sem acompanhamento, embora dois são para três partes, e um é para duas partes. Eles empregam uma grande variedade de material musical, com freqüência da popular música e dança. De sua 33 Virelais (veja virelai ), 25 consistem unicamente de uma melodia, e eles, juntamente com a maior parte de sua lais, representam a última de tais canções não acompanhados compostas na tradição do trouvères . O resto de seus Virelais ter uma ou duas peças adicionais para acompanhamento instrumental, e estes são típicos da música solo acompanhados que se tornou popular no século 14. As canções polifônicas que ele escreveu, além de seus motetos, consistem em 21 rondeaux e 41 de seus 42 baladas. A ampla distribuição de sua música em manuscritos contemporâneos revela que ele era considerado não só em França mas também em Itália, Espanha, e grande parte do resto da Europa.

último poeta-músico e sua missa

A magnífica catedral de Notre-Dame de Reims (França), ambiente de estréia da Messe Nostre-Dame, de

A magnífica catedral de Notre-Dame de Reims (França), ambiente de estréia da Messe Nostre-Dame, de Machaut

Caros leitores, gostaria de convidá-los a voltarmos quase 650 anos na história e nos situarmos na imponente catedral gótica de Notre-Dame de Reims, patrimônio da humanidade pela Unesco, distante 144 quilômetros da capital francesa. Lá foi estreada a chamada Messe Nostre-Dame, uma obra-prima da música sacra composta pelo poeta, diplomata, músico e padre Guillaume de Machaut (c. 1300-1377).

Chamado de “o romântico do século XIV” pelo musicólogo alemão Heinrich Besseler em Die Musik des Mittelalters und der Renaissance (1931) e de “o último poeta-músico” pelo francês Roland de Candé em sua Histoire Universelle de la Musique (1978), Machaut nos deixou uma fascinante obra manuscrita e ilustrada que se divide em duas partes: a obra poética, com cerca de 400 poemas, e as composições musicais agrupadas por forma e gêneros. Muitos dos poemas de Machaut não têm música. Para ele, escrever um poema era algo sempre preliminar e mais importante à composição de sua música. A maior parte de seus poemas líricos trata do chamado amor cortês, referindo-se à submissão a uma dama ou ao sofrimento e alegrias do poeta.

Machaut (à direita), em manuscrito parisiense (c. 1350) experiência contraditória entre desejo erótico e realização

Machaut (à direita), em manuscrito

Machaut (à direita), em manuscrito parisiense (c. 1350) experiência contraditória entre desejo erótico e realização

parisiense (c. 1350)

experiência contraditória entre desejo erótico e realização espiritual: “um amor ao mesmo tempo ilícito e moralmente elevado, passional e auto-disciplinado, humilhante e exaltante, humano e transcendente” (Newman, 1968)

Amor cortês, conceito medieval de

Machaut foi um mestre em elaborar rimas planejadas em esquemas, o que o tornou precursor dos grandes retóricos do século XV. Observa-se no compositor uma preferência pelos textos profanos franceses. Praticamente todos os seus motetos são submetidos ao princípio isorrítmico, que desempenhou um papel importantíssimo na música da Ars nova (esse princípio unificador baseia-se em estruturas rítmicas periódicas). Além disso, usam bastante o hoquetus recurso que consiste em compartilhar uma linha melódica entre duas vozes. Donald Grout e Claude Palisca, em sua History of Western Music (1960), registram que o mestre acrescenta nessas peças um elemento progressista ao tender a um maior laicismo e optar pelo incremento da tensão e pela maior complexidade rítmica.

A Messe Nostre-Dame constitui um modelo do contraponto medieval. É a única peça de Machaut com uma função estritamente litúrgica e o maior trabalho musical que compôs, sendo considerada a primeira missa completa que se conhece escrita por um mesmo autor. A obra existe copiada em cinco manuscritos. Quatro deles estão na Bibliothèque Nationale em Paris, enquanto o quinto está atualmente em Nova York, numa coleção privada. Este é o único manuscrito que traz o título Messe Nostre-Dame.

Messe de Tournai (Kyrie) Com essa composição, Machaut rompeu com o costume de selecionar fortuitamente,

Messe de Tournai (Kyrie)

Com essa composição, Machaut rompeu com o costume de selecionar fortuitamente, de várias fontes, as diferentes partes da missa a serem interpretadas durante o serviço religioso o interessante conjunto conhecido pelo nome de Messe de Tournai é um importante exemplo dessa tradição. O ordinário da missa passa, com a Messe Nostre- Dame, a ser tratado numa unidade musical, com homogeneidade estilística a partir de células melódicas e rítmicas características.

A obra tem sido objeto de grande interesse desde o século XX por ter inaugurado uma

nova era na música. Para alguns autores, trata-se do representante mais importante da música medieval, coroando toda uma época. É a mais antiga missa polifônica em quatro vozes conhecida. O compositor adicionou uma quarta voz (contratenor) às três vozes que eram habituais nas obras polifônicas da época. Divide-se em seis partes: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Agnus Dei e Ite missa est. O Kyrie, o Sanctus, o Agnus Dei e o Ite missa est são isorrítmicos, próximos aos motetos, ainda que todas as vozes cantem o mesmo texto.

A intenção é simplesmente falar sobre um álbum ou assunto relacionado a música que

eu acredite ser interessante. Independente de estilo musical; tempo ou tendência musical vigente, poderei aqui escrever sobre álbuns do Led Zeppelin; Toru Takemitsu; Moby; Lenine; Ella Fitzgerard; Ravi Shankar ou uma trilha sonora, o único critério é que eu esteja escutando o álbum. Assim quero dividir com vocês minhas impressões e assimilações sobre estes trabalhos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Século XIV: Ars Novæ: Guillaume de Machaut; Trecento Italiano:

Landini; Século XV: Inglaterra: Dunstable; Ducado de Borgonha:

Guillaume Dufay.

O século XIII foi um período de estabilidade, por outro lado, os séculos XIV e XV foram

sua contraparte. Muitos fatores contribuíram para caracteriza este período como uma época de mudança de vários aspectos da vida e do pensamento, abrindo caminho para

o Renascimento. O poder e a unidade da igreja centrada na figura do papa de Roma

foram paulatinamente perdendo sua força. As causas disso foram as de lutas internas

da própria igreja (a “grande cisma”).

Tragédias como a Guerra dos Cem Anos e a Peste Negra geraram um enfraquecimento do poder político e econômico no sistema feudal. Seguindo o caminho inverso o crescimento das cidades alavancou politicamente a burguesia citadina frente à aristocracia. No campo do pensamente, o século XIV começava a se fundamentar a divisão entre estado e igreja. Com a secularização e racionalização do estado, os costumes também passam a ter também um caráter mais secular.

No campo da cultura, temos acentuado o florescimento da literatura em língua vernácula: Divina Comedia de Dante; Decameron de Bocácio e os Contos da Cantuaria de Chaucer são alguns exemplos desta tendência. A Europa desfruta de um maior numero de eruditos e estudiosos não mais ligados ao clero. Nas artes plásticas Giotto rompe com o formalismo bizantino praticado na Idade Média, inaugurando uma arte puramente européia.

A Ars Novæ e Philippe de Vitry

Termo Ars Novæ (arte nova) foi cunhado pelo poeta e compositor Philippe de Vitry, usado inicialmente como título de seu tratado sobre composição escrito entre 1322 e 1323 (temos a direita uma das paginas do famoso tratado), passou a ser utilizado pelos músicos da época para designar o novo estilo de escrita musical (harmônica e rítmica) praticada naquele período. Vitry também é conhecido pelos primeiros exemplos da polifonia no estilo da Ars Novæ, que são os motetos do Roman de Fauvel, notadamente Garrit gallus In nova fert Neuma. https://www.youtube.com/watch?v=Pkb_nLL8GVk

A Ars Novæ teve suas maiores expressões na França e na Itália. As principais

diferenças em relação à Ars Antiqæ foram: nos aspectos formais, no ritmo, da harmonia e dos gêneros. A Ars Novæ passa a privilegiar os gêneros de música secular, como o moteto e o madrigal, também abrindo espaço para o surgimento e popularizaram novos gêneros musicais. Em termos de notação musical neste período aperfeiçoou-se o sistema de pauta, modificaram se desenhos e valores das notas, e passou-se a utilizar diversos símbolos novos muito mais flexíveis e exatos para descrever a música prática. Também temos o uso mais extenso das fórmulas imperfeitas de compasso, ou seja, compassos de divisão binária.

Notação

Ao longo da Ars Novæ as medidas de duração das notas se tornaram cada vez mais definidas, assim como as indicações de métrica no início da pauta possibilitando várias combinações entre os valores das notas e os padrões métricos. O pulso básico girava em torno de 80 bpm no metrônomo moderno, mas eram reconhecidas velocidades alternativas como rápido, moderado e lento.

Havia três relações métricas principais nesse período: Modus, Tempus e Prolatio, eram relacionadas às formas perfeitas, imperfeitas e alteradas, resultando em doze esquemas básicos.

Modus relacionava a longa com a breve, estava à longa perfeita (27 unidades), longa imperfeita (18 unidades) e a breve (9 unidades); no terceiro grau.

Tempus, relacionando a breve com a semibreve, estavam a breve perfeita (9 unidades), a breve imperfeita (6 unidades) e a semibreve menor (3 unidades).

Prolatio, relacionando a semibreve com a mínima, estavam a semibreve perfeita (3 unidades), a semibreve imperfeita (2 unidades) e a mínima (1 unidade).

a semibreve imperfeita (2 unidades) e a mínima (1 unidade). Figura 1 Havia também o Maximodus

Figura 1

Havia também o Maximodus, que relacionava as proporções entre os três tipos de nota longa, a longa tripla ou longuíssima (81 unidades), a longa dupla (54 unidades), e a longa simples (27 unidades). Porém era bem menos utilizado. Também vemos o surgimento do punctus additionis, que adicionava a uma nota metade do valor e esta até hoje em uso. Também havia o punctus divisionis, retirando da nota metade do seu valor. Surgi em conseqüência disso a síncope, que desloca do pulso rítmico padrão.

Na Idade Média tínhamos duas denominações básicas para as formulas de compasso:

"perfeito" e "imperfeito", elas se referiam às divisões ternárias e binárias respectivamente. Com o passar do tempo se desenvolveu um sistema de sinais que usava círculos e semi-circulos para determinar o numero de Modus; Tempus e Prolatio nas formulas de compasso "perfeito" e "imperfeito"

Musica Ficta Figura 2 Musica Ficta vem do latim e significa: música falsa ou simulada.

Musica Ficta

Figura 2

Musica Ficta vem do latim e significa: música falsa ou simulada. Refere-se às alterações cromáticas, que deviam ser realizadas pelo executante. A musica ficta era utilizada para evitar intervalos harmônicos ou melódicos indesejáveis, por exemplo, o trítono "diabolus in musica", se empregavam notas fora da escala modal usada na obra. O trítono era inicialmente evitado, pois dificultava a afinação dos cantores, mais tarde, passou a integrar o grupo de intervalos utilizados como uma forma de reforçar o sentido de conclusão de uma melodia. A musica ficta era utilizada da seguinte forma: quando em uma voz tínhamos um Fá em outra voz um Si-natural esta nota era alterada para Si- bemol evitando a formação do tritono; ou se alterava uma nota para que ela tomasse a função de sensível na resolução, por exemplo, elevar o Fá-natural para Fá-sustenido para resolver na nota Sol. Estes termos foram adotados pelos teóricos a partir do século XII até o século XVI.

resolver na nota Sol. Estes termos foram adotados pelos teóricos a partir do século XII até

Figura 3

Este sistema de escrita dos ritmos e uso de da musica ficta se apresenta inteiramente desenvolvido nas obras de Guillaume de Machaut.

Guillaume de Machaut

Natural da cidade de Reims (1300 1377) foi o principal compositor, poeta e militar francês do século XIV, expoente máximo da Ars Novæ. Machaut estudou em Paris alguns anos, aprendendo o que havia de mais novo em termos de composição na época. Registros papais datados de 1335 mostram que Machaut passou a serviço do Rei João de Luxemburgo, da Boêmia, que serviria o rei entre de 1323 a 1346, como secretário; clericus elimosinarius e amigo. Neste período viajou pela Europa nas campanhas militares do Rei João. Em 1330, ele é nomeado cônego de Verdun, e de Arras em 1332. Em 1333 é nomeado cônego de Reims. Com a morte do rei em 1346 na batalha de Crécy, passou a servir então a sua filha, Bonne de Luxemburgo, assim como a Carlos, o Mau, rei de Navarra e ao duque de Berry. Desfrutou da reputação de ser um dos maiores compositores e poetas do seu tempo. Em 1359 luta na defesa de Reims sub o ataque de Eduardo III, e em torno a 1362 apaixona-se pela jovem de 19 anos Péronne d'Armentiers, para quem escreve o famoso poema Dit du Vergier. Machaut morre em Reims, em 1377.

Machaut inicialmente compôs no estilo da Ars Antiquæ. Contudo passou a adotar as inovações da Ars Novæ, após conhecer as teorias de Philippe de Vitry. Como a utilização do compasso binário e o isorritmo. Seu estilo é marcado por uma grande riqueza rítmica. Outro aspecto importante da sua obra é o uso cada vez mais consciente das cadências das frases melódicas.

Machuat compôs músicas sacras e música secular para seus poemas, inicialmente em estilo monofônico, seguindo a tradição de Adam de La Halle, e posteriormente em estilo polifônico. Uma das suas obras mais famosas é Ma fin est mon commencement, que é uma das peças mais representativas de seu gênio, onde o título esclarece sua construção, nessa peça a três vozes a melodia da primeira voz é repetida na segunda voz só que em sentido de espelho, ou seja, de trás para frente, a segunda voz inicia com a última nota da primeira voz e segue em sentido invertido para nota inicial. Já a terceira voz tem uma melodia diferente, mas que sofre o mesmo tratamento, ou seja, na metade da peça ela passar a ser cantada de trás para frente. (Ma fin est mon commencement: https://www.youtube.com/watch?v=WLEmVxqye4g)

passar a ser cantada de trás para frente. ( Ma fin est mon commencement: https://www.youtube.com/watch?v=WLEmVxqye4g )

Machaut também foi o primeiro compositor a compor música para todo o ordinário da missa, a famosa Missa Notre Dame.

Músicas: Missa de Notre Dame, 24 motetos, Hoquetus David (hoqueto duplo), cerca de 42 baladas, cerca de 22 rondós, cerca de 33 virelais, 19 lais, 1 complainte, 1 chanson royal.

Poemas, crônicas e compilações: La Prise d'Alexandrie, Dit du Vergier, Confort d'Ami, Fontaine Amoureuse, Remède de Fortune.

Obras importantes de Machaut incluem: De Toutes Flours, Le Lay de Bonne Esperance, Douce Dame Jolie e Messe de Nostra Dame.

Técnicas de composição de Machaut

Hoquetus a palavra tem sua origem no francês antigo hoquet, que significa choque,

interrupção brusca, soluço. Designa uma técnica de alternância rápida de notas, alturas

e acordes, gerando um ritmo entrecortado característico. Foi extensamente utilizada em

melodias a duas ou mais vozes polifônicas. Esta técnica foi usada na missa Notre Dame

e no Duplum Hoquetus David.

Isorritmo é a repetição regular de uma figura rítmica como elemento unificador na construção da forma. Este método usado desde o século XIII, ele não só era usado sobre o ritmo também em desenhos melódicos, pois junto com a figura rítmica era associada uma linha melódica, esta estrutura era chamada talea. Contudo, a talea não necessariamente precisava repetir um fraseado de forma exata, algumas vezes ocorriam variantes nas combinações de alturas e comprimentos das figuras rítmicas. Esta técnica foi utilizada principalmente como cantus firmus, ou seja, estava muitas vezes nas vozes graves, mas às vezes ela era estendida a todas as vozes da textura polifônica. Este processo sistemático deixou de ser utilizado como padrão no século XV, mas o Isorritmo continuou a ser usado de forma mais livre por toda história da música.

como padrão no século XV, mas o Isorritmo continuou a ser usado de forma mais livre

Figura 4 Isorritmo

Figura 4 Isorritmo Música Sacra Figura 5 aplicação da Talea A Missa de Notre Dame tem

Música Sacra

Figura 5 aplicação da Talea

A Missa de Notre Dame tem um destaque especial dentre as obras de Machaut, ela inaugura de uma nova era. Foi a primeira missa composta para quatro vozes (tenor, contra-tenor, motetus e triplum) em estilo polifônico. Ela também foi a primeira missa (e obra de grande escala) composta sobre todo ordinário por um único compositor que temos registro. Ela inaugura a tradição de se compor obras com uma identidade de estilo e temática. Antes a música das missas era verdadeiras coletâneas de obras diversas, sem qualquer relação musical ou de estilo entre elas, um exemplo deste costume é a Missa de Tournai.

Na missa, Machaut utiliza a polifonia para as partes do Ordinário, enquanto nas partes do Próprio é usado o estilo monódico gregoriano. Nas melodias da parte polifônica, ele dispõe de duas técnicas: A primeira é a técnica do cantus firmus, onde o tenor canta notas longas enquanto as outras vozes trabalham os melismas nos novas estruturas rítmicas acima e abaixo da tessitura do tenor. A segunda, em estilo silábico, isto é, uma nota para cada sílaba, todas as vozes cantam juntas o texto. Outra característica da

missa é sua adaptabilidade, ela foi composta para um dia de festa mariana, seja ela: a Natividade, a Purificação, a Anunciação ou a Assunção, onde bastava conservar o ordinário e adaptar o próprio para cada ocasião. Machaut utiliza em toda a peça os chamados ritmos modais, e, lhe era necessário ouvir a música para conseguir entendê-

la e reelaborá-la. A missa é considerada a primeira grande obra racional cíclica

composta contrapontisticamente, isto é, foi a primeira missa completa composta com a reexposição temática.

1.Intróito: parte do próprio, cantochão em uníssono.

2.Kyrie: parte do ordinário, polifonia cantus firmus.

3.Gloria: parte do ordinário, polifonia silábica.

4.Gradual: parte do próprio, cantochão em uníssono.

5.Aleluia: parte do próprio, cantochão em uníssono.

6.Credo: parte do ordinário, polifonia silábica.

7.Ofertório: parte do próprio, cantochão em uníssono.

8.Prefácio: parte do próprio, cantochão em uníssono.

9.Sanctus: parte do ordinário, polifonia cantus firmus.

10.Agnus Dei: parte do ordinário, polifonia cantus firmus.

11.Comunhão: parte do próprio, cantochão em uníssono.

12.Ite, missa est: parte do ordinário, cantochão em uníssono.

Música Secular

A música secular de Machaut se baseia em parte na continuação da tradição dos

trouvères. Machaut fez uso das chamadas formas fixas. Entre elas, a mais largamente usadas por ele foi a balada ou o viralai. Sua característica é a forma Abba, onde A é o refrão; b a primeira estrofe que é repetida e finalmente a que é segunda estrofe. Em termos de música polifônica Machaut compôs baladas para: duas; três ou quatro vozes. As baladas a duas vozes passam a ser chamadas de baladas duplas. Tendo cada voz seu próprio texto, como por exemplo: Quant theseus Ne quier veoir (https://www.youtube.com/watch?v=T0vxVPyr-do). Outra forma utilizada por Machaut com grande destaque foi o Rondeau, assim como o viralai, os rondós utilizavam apenas duas frases melódicas para musicar o texto, eram utilizadas no seguinte esquema ABaAabAB (letras maiúsculas são os refrões) com na misteriosa Ma fin est mon commencement.

Trecento Italiano e Landini

A música do Trecento italiano (séc. XIV) guarda suas diferenças com aquela produzida

na França, Pois na Itália a música privilegiou os gêneros seculares. Também o contexto social e político que a cercava divergiam do existente da França. Enquanto a monarquia que unificava a França, na Itália as cidades-estados conviviam animosamente e mantinham disputas turbulentas, e a igreja não tinha tanta força como instituição, pois os principais Bispos, Arcebispos e até os Papas eram eleitos ou faziam parte das famílias que governavam as cidades-estado italianas, como por exemplo, os Bórgias.

Em muitos aspectos os trovatori italianos seguiram os passos dos seus iguais na França

e produziram um grande volume de canções a partir de materiais folclóricos, muitas

delas eram acompanhadas por dança e instrumentos. Contudo muito pouco desta música chegou até nós, isso se deu pelo fato de esta música ser em grande parte improvisada. Uma exceção foram as laudes monódicas que eram músicas executadas nas procissões religiosas. Os principais centros de produção musical eram Bolonha, Pádua, Modena, Perugia e principalmente Florença, principal centro de cultura da Itália. Neste ambiente a música polifônica era um requintado entretenimento da classe aristocrática.

Os principais exemplos da música polifônica da Itália surgem a partir de 1330, sendo uma de suas mais famosas fontes o códice Squarcialupi. Antes deste período pouco desta música foi registrada.

A

maior parte da música se divide em três gêneros principais:

O

madrigal: escrito normalmente para duas vozes, eram baseados em textos com duas

ou três estrofes cada uma com três versos, todas as estrofes tinham a mesma melodia, contudo no final surgia o ritornello que era um par de versos adicionais com uma música diferente. Os temas eram sempre idílicos, amorosos e satíricos. Este gênero se tornará

o mais importante da música secular no século seguinte.

A Caccia: era uma música de expressão animada, sua forma poética era irregular,

muitas caccias tinham um ritornello. Suas melodias tinham um estilo canônico, ou seja,

a primeira voz iniciava a canção com um trecho melódico que quando terminado era

repetida na segunda voz enquanto a primeira iniciava outro trecho melódico, assim os trechos eram sobrepostos.

A Ballata: era outra composição polifônica que surgiu após o madrigal e a caccia. As

ballatas que eram canções monódicas do séc. XIII para dança.

Esta última se tornou famosa graças ao grande compositor e poeta italiano Francesco

Landini, ele foi conhecido em sua época como um poeta do nível de Machaut, e teórico de renome. Compôs cerca de 90 ballatas para duas vozes e 42 para três, ainda subsistem uma caccia de dez madrigais de sua autoria. Uma de suas composições mais

características é a ballata

(https://www.youtube.com/watch?v=vzloIi9UtVU). Sua estrutura seguia o seguinte esquema, um refrão de três versos chamado de Ripresa (A), seguido de uma estrofe de dois versos que era repetida, esta estrofe tinha uma melodia diferente do refrão e era chamada de Piedi (b), logo depois aparecia a volta (a) que era uma estrofe de três versos com a mesma melodia do refrão,e finalmente a segunda ripresa:

pietà

Non

avrà

ma’

finalmente a segunda ripresa : pietà Non avrà ma’ Figura 6 estrutura da ballata de Landini

Figura 6 estrutura da ballata de Landini

Inglaterra: Dunstable

No séc. XIV a música produzida nas ilhas inglesas era muito admirada na França e nos Países Baixos, isso graças às sutilezas que a diferenciavam da música do continente. A tradição da música inglesa remonta o cantochão da liturgia sarum da catedral de Salisbury. Um dos aspectos marcantes era a estreita relação entre música sacra e popular, isso era um forte elemento de contraste com a música do continente.

A música polifônica nas ilhas teve uma influencia inicial dos compositores de Notre Dame, contudo logo foi desenvolvido um estilo próprio. A principal prova disso é o uso comum de três vozes nas composições como conductus e motetes e a forma musical chamada de moteto rondellus. A principal característica desta ultima era a troca das melodias entre as vozes e dos textos entre as vozes extremas. O moteto iniciava com uma introdução em estilo cânone e logo em seguida se iniciava o rondellus, ou seja, a troca entre as melodias.

Vejamos o esquema feito a partir do moteto Fulget coelestis cúria O petre flos Roma gaudet:

Figura 7 Outra característica da música inglesa era Fauxbourdon (em francês para baixo falso), esta

Figura 7

Outra característica da música inglesa era Fauxbourdon (em francês para baixo falso), esta técnica de harmonização era usada para encadear as vozes por sucessões ter intervalos de terças e sextas. Numa forma simples o fauxbourdon consiste de um tenor (baseado num cantus firmus) e duas outras vozes (duplum e triplum respectivamente), onde muitas vezes uma ou as duas vozes superiores se encontravam em intervalos de terça (duplum) e sexta (triplum) em relação ao tenor. Esta técnica servia para evitar o tritono e a monotonia nas melodias ou gerar uma cadência. Normalmente, apenas uma pequena parte de uma composição emprega a técnica fauxbourdon. No trecho acima temos uma típica condução de Fauxbourdon.

trecho acima temos uma típica condução de Fauxbourdon . Figura 8 John Dunstable foi o principal

Figura 8

John Dunstable foi o principal compositor inglês do séc. XIV acreditasse que ele esteve a serviço do Duque Bedford entre 1422 e 1435, e com ele combateu nos exércitos ingleses que enfrentaram Joana d’Arc. São conhecidas cerca setenta composições dele em vários gêneros polifônicos de sua época: missas, motetes isorritmicos, canções seculares e obras a três vozes sobre textos sacros. Entre seus motetes mais conhecidos são Quam pulcra es e Veni Creatos Spiritus composição a quatro vozes que combina o hino e a sequentia feitas sobre mesmo texto. Dês suas composições seculares a mais conhecida é O Rosa Bella esta canção se tornou tão popular que foi usada como base para diversas outras obras, incluindo obras de outros compositores como Ockeghem.

Figura 9 Quam pulcra es ( https://www.youtube.com/watch?v=qQjdEbZH2wI ) Ducado da Borgonha: Dufay O Ducado da

Figura 9 Quam pulcra es

Ducado da Borgonha: Dufay

O Ducado da Borgonha foi um dos estados mais importantes da Europa medieval,

independente entre 880 e 1482. Localizado norte e do leste da França, Bélgica a Holanda. Graças à sua riqueza e território vasto, este ducado foi política e economicamente muito importante. Tecnicamente vassalos do rei de França, os duques da Borgonha souberam conservar a autonomia, manter uma política própria e ser suseranos de diversos condados e senhorios, incluindo o condado da Borgonha.

No final do séc. XV existiam por toda Europa as chamadas capelas, que eram grupos de músicos contratados por reis, papas, príncipes, que por sua vez disputavam os serviços de músicos e compositores eminentes. Os duques da Borgonha mantinham uma capela com um corpo de músicos e compositores de grande notoriedade que forneciam qualidade ao serviço religioso e também entretenimento a corte. O Duque Felipe, o bom, que governou entre 1419 e 1467, mantinha não só uma capela, mas também um grupo de menestréis de diferentes nas nacionalidades, isso concedia a música do ducado a possibilidade de esta sempre em contatos com diferentes estilos e gêneros.

A Escola da Borgonha é um termo usado para indicar um grupo de compositores ativos

na corte dos duques de Borgonha. Os principais nomes associados a esta escola são:

Guillaume Dufay , Gilles Binchois. A Escola da Borgonha foi primeira fase do que viria

se designar como a Escola Franco-Flamenga, a prática musical do Renascimento na

Europa.

Compositores da Escola da Borgonha deram uma atenção especial a música secular e suas formas. As mais utilizadas foram: Rondeau, ballada, virelai e bergerette, todas genericamente conhecidas como chansons. Uma característica das Chansons era sua divisão binária com tercinas que às vezes passavam de um compasso 3/4 para 6/8. Contudo os compositores borgonheses continuaram a escrever suas Ballades na forma comum aabC.

Delas o Rondeau foi a mais popular, a maioria dos rondós eram escritas para três vozes, os textos eras normalmente em francês, embora existam alguns em outras línguas. Na maioria dos rondós, a voz mais alta (o superius ou discantus) cantava o texto e as demais vozes eram mais provavelmente tocadas por instrumentos.

A maioria dos compositores também escreveu música sacra em latim. Eles escreveram:

missas e motetos e Magnificats. Durante o período, a missa foi transformada através de diferentes formas de escrita pelos compositores. Havia uma preocupação em unificar estilística e tematicamente as partes do ordinário da missa, para isso foi largamente utilizada técnica de motivo-principal, repetidos em ciclos sobre cantus firmus. Outras técnicas mais conhecidas também eram utilizadas como: do isorrítmica e taleas nas missas; e nos motetos a técnica empregada foi fauxbourdon para padronizar as cadências.

A música instrumental para dançar largamente foi cultivada na corte de Borgonha. Uma peculiaridade do estilo instrumental duques de Borgonha é que preferia por instrumentos de muito volume sonoro como: trompetes, tambourins, charamelas, gaitas de foles. As formas Instrumentais incluíam a danse basse ou bassadanza, que era uma dança cerimonial em ritmo relativamente lento. Normalmente ela estava em compasso binário subdividida em três tercinas (em notação moderna, 6 / 8), havia também as danças rápidas como o tordion ou pas de brabant, executadas imediatamente a seguir da dança lenta.

Guillaume Dufay

Guillaume Dufay (5 de agosto de 1397, Beersel, atual Bélgica 27 de novembro de 1474, Cambrai, Bélgica), foi um compositor franco-flamengo, considerado o maior músico da primeira metade do século XV e um dos nomes mais importantes do período de transição da música medieval para a renascentista. Guillaume Dufay representou a primeira geração da Escola franco-flamenga. Seu modelo de missa polifônica, baseada no Cantus firmus, teve grande aceitação entre os músicos até o final do século XVI.

Algumas das características de sua música foram herdadas pelos músicos posteriores

a ele, como a divisão das vozes em grupos em suas composições: Discantus (soprano);

Contratenor; Tenor, e mais adiante nas chamadas missas cantus firmus, surge o tenor- bassus uma voz mais grave abaixo do tenor. Outro aspecto era a aplicação do fauxbourdon em cadências de finalização de forma sistemática, tanto que se tornou uma marca registrada do compositor. Assimilou as técnicas francesa, inglesa e italiana, gerando uma síntese surpreendente.

Criou o modelo perfeito da missa polifônica construída sobre um Cantus firmus (tema litúrgico ou profano que serve de base e fio condutor a toda composição), seu modelo que foi praticado até o final do século XVI. Escreveu nove missas (entre as quais Se la face ay pale, L'Homme armé caput, Ecce ancilla domini, Ave Regina coelorum), 35 fragmentos de missas, 5 Magnificat, cerca de 80 motetos e hinos (sagrados ou profanos), 75 canções polifônicas francesas.

Missa cantus firmus

É importante saber que para os compositores do Ducado de Borgonha a forma da missa

era o principal canal de exposição de suas inovações musicais.

Os compositores borgonheses desenvolveram um estilo de composição especifico para música sacra, pois, sabemos que os estilos de composição de até então eram utilizados tanto na música secular quanto sacra. O estilo criado pelos borgonheses foi conhecido como missa cantus firmus ou missa tenor. Nela uma mesma melodia era usada em todas as partes da missa na voz do tenor. Concedendo a obra uma unidade musical e estilística as obras. Outro aspecto é que muitas vezes a melodia escolhida para o tenor não era reproduzida a risca, num primeiro momento, a técnica consistia em apenas iniciar cada parte da missa com o mesmo trecho melódico no tenor.

Num período mais tardio em muitos casos a melodia servia apenas como fonte para material temático para ser usada no tenor.

Até 1420 as partes da música do ordinário da missa eram composições independentes, que muitas vezes não tinham qualquer relação musical ou estilística, elas eram simplesmente compiladas por encarregado do serviço musical, até então a única exceção foi a missa de Machaut.

Junto ao uso de uma melodia como elemento unificador nas composições, os compositores de Borgonha passaram utilizar uma nova voz greve abaixo do tenor, o Contra-tenor bassus. O tenor passou então ser uma voz intermediaria. Já as duas vozes sobre ela (os antigos duplum e triplum) passaram a se chamar de contra tenor altus e

superius. Isso se deveu a fato das experimentações feitas pelos compositores sobre as cadências utilizando o fauxbourdon.

Ainda sobre as melodias utilizadas no tenor elas poderiam ter sua origem no repertorio do cantochão, quanto em melodias de músicas seculares. Um famoso exemplo desta pratica é a Missa L’homme Armé de Dufay, onde o tenor foi extraído da canção de mesmo nome.

Dufay, onde o tenor foi extraído da canção de mesmo nome. Figura 10 Chanson L'homme arme

Figura 10 Chanson L'homme arme

As chansons escolhidas para servirem de tenor nas missas, normalmente eram bem conhecidas isso facilitava para o compositor no momento do arranjo. A canção L’homme Armé foi fonte de varias composições, quase todos os compositores escreveram numerosas missas escritas sobre esta melodia, entre o fim do séc. XV e o inicio do séc. XVI, de Dufay a Ockeghem e Palestrina.

A melodia de L’homme Armé chegou até nós em varias versões, mas acreditasse que era uma melodia monódica para ser cantada por um tenor. Sua melodia pouco angulosa e métrica regular deviam ser aspectos atraentes para seu uso em tão larga escala pelos compositores por mais de meio século.

Para observamos um caso de uso, dividimos a melodia da canção em seis partes: A; B; C; D e E. Assim podemos observa tanto cada trecho melódico que forma separada. Na pagina a seguir temos os primeiros 29 compassos do Agnus Dei da missa L’homme Armé de Dufay. Aqui o compositor reproduz de a melodia em sua integra.

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