Você está na página 1de 13

AAL

LEEG
GAAÇÇÕ
ÕEESS E
ESSP
PÍÍR
RIIT
TAASS
SSO
OBBO
OEESSC
CRRU
UTTÍÍN
NIIO
OAACCIIR
RRRA
ADDO ODDA AC
CIIÊ
ÊNNC
CIIA
A
(autor: Fernando Thomazi; redação nº 161; obra nº ; ceticismo, espiritismo e
pseudociência; começado em 24.04.2007; terminado em 08.06.2007)

Escrutínio, segundo o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa Mirador, é: Apuração


ou contagem dos votos entrados em urna; Exame minucioso. Num significado mais amplo,
“escrutínio” significa considerar e eliminar rigorosamente cada argumento que se opõe a
uma idéia ou uma hipótese qualquer, proposta ou defendida por quem quer que seja.
Quanto mais uma idéia ou hipótese for submetida a um rigoroso escrutínio vindo de
pessoas das mais variadas opiniões, tanto mais força ela adquire, isto é, se ela de fato resistir
ao escrutínio. Chegará um momento em que a hipótese se mostra tão resistente aos
argumentos contrários que ela passa a ser bem mais que uma mera hipótese: uma teoria
científica! Passada a esta categoria, cientistas independentes continuam analisando e
testando a teoria exaustivamente até que ela passe da teoria à categoria de “lei”. Você
certamente já deve ter ouvido falar da “lei da gravidade”, “lei da termodinâmica” e outras
tantas “leis”, especialmente no campo da Física. Todas elas, sem exceção, tiveram de passar
por todo tipo de escrutínio iguais aos mencionados há pouco. Trata-se de leis tão evidentes,
tão examinadas, tão testadas, que torna-se impossível não se render aos fatos. É claro que
não podemos jamais descartar a hipótese de que, no futuro, outros cientistas, reavaliando as
antigas leis e teorias, proponham idéias e hipóteses que expliquem melhor a natureza do
que aquelas. Isto, sem dúvida, já aconteceu no passado. Seria muita presunção nossa
acreditar que chegamos ao fim da linha da ciência. Tem, então, início a um trabalho
envolvendo um esforço conjunto de cientistas independentes, no sentido de submetê-las
igualmente ao mesmo escrutínio com que se analisa qualquer hipótese científica. Assim
funciona a ciência! É baseado neste rigor que obtemos com elevado nível de confiança
milhares de remédios, técnicas cirúrgicas, avanços tecnológicos dos mais variados,
possibilitando, inclusive, que você esteja lendo esta matéria neste exato momento! É um
árduo, exaustivo e incansável trabalho com o nobre intuito de separar o joio do trigo, o que
é científico do que é superstição ou engano, o que é fato do que é mera especulação.
Tudo o que eu disse até aqui não foi mais do que uma rápida, porém necessária
preparação a fim de analisarmos de maneira escrutinadora um assunto, de certo modo,
relevante para a ciência. Um assunto que interessa a cada um de nós indistintamente, por
fazer afirmações fantásticas, e intrigantes ao mesmo tempo, sobre uma espécie de essência
imaterial, ou “espírito”, que, de alguma forma, por algum mecanismo desconhecido pela
ciência, alegadamente sobrevive à morte justamente da massa encefálica que possibilita a
manifestação do nosso pensamento. Numa analogia simplificada, é como se você destruísse
completamente um HD (disco rígido) de um computador contendo 120 Gigabytes de
informação e essas informações simplesmente saíssem vagando por aí a esmo,
sobrevivendo enfim à morte física do HD. Mas, e quanto à consciência, talvez você
pergunte?! Bem, até onde podemos perceber, a consciência é apenas uma informação a
mais que o nosso cérebro possui. Ou seja, além da informação do meu nome, endereço,
aparência física, etc, eu possuo a informação extra de que essas informações se referem à
minha pessoa: “Sou Eu!” Apenas isso... Parece simples, não parece?! E, sob certo aspecto, é
realmente simples! Sem mais rodeios, vamos focar nossa atenção agora no “espiritismo” ou
“kardecismo”, e superstições semelhantes a esta! Bem, diz-se que espiritismo também é
ciência, ou melhor, “pseudociência”, uma vez que tão somente possui a pretensão de ser.
Muito bem, este é um ponto interessante para nós céticos, acostumados com o método
científico. Quando uma pessoa diz simplesmente que acredita numa vida após a morte,
nós, ateus e céticos, nos vemos de mãos atadas, uma vez que não temos meios de verificar,
testar e comprovar a crença de ninguém. Ela simplesmente tem fé de que assim seja e
ponto final. O assunto apenas passa a interessar outras pessoas, incluindo cientistas e
céticos em geral, quando essa mesma pessoa “alega” ter comprovação científica que dão
suporte ou servem de base para suas crenças pessoais. Então, já que espiritismo é ciência,
que tal o submetermos ao mesmo escrutínio rigoroso a que qualquer hipótese científica é
submetida? Me parece muito justo e sensato! E a você, não lhe parece o mesmo? Ou será
que deveríamos privilegiar de alguma forma essas hipóteses em detrimento de todas as
outras milhares de alegações sem comprovação? Afinal, talvez pensemos, trata-se de idéias
que gostaríamos muito que fossem verdades, não é mesmo? Após séculos de investigação
científica, aprendemos na prática e a duras penas que, quando depositamos nossos desejos
e paixões pessoais naquilo que investigamos, corremos o sério risco de, mesmo
inconscientemente, manipular os resultados, ou interpreta-los baseados simplesmente “no
que gostaríamos que fosse verdadeiro”. Esse risco cai drasticamente quando inúmeros
cientistas independentes e de opiniões diversas, estão empenhados nesta mesma
empreitada. Notem que não temos o interesse preconceituoso de “desmascarar” a
qualquer custo a alegação espírita. Este tipo de atitude é, sem dúvida, anti científico! O
propósito de qualquer cientista sério ou cético é o de simplesmente descobrir a verdade,
seja ela boa ou ruim, seja ela correspondente com as expectativas ou contrária aos nossos
mais profundos desejos pessoais, ou, pelo menos, admitir o quão confiável é essa teoria.

AS PSICOGRAFIAS DE CHICO XAVIER


(CONTENDO NENHUMA INFORMAÇÃO IMPORTANTE PARA O
AVANÇO TECNOLÓGICO E CIENTÍFICO)

Tomemos como exemplo o famigerado brasileiro “Francisco Cândido Xavier”, vulgo


“Chico Xavier”. Diz-se que esse médium espírita deixou escritos mais de 200 livros
espíritas psicografados, tendo sido ele mesmo em vida um entusiasta defensor e divulgador
da doutrina espírita ou kardecista. Absolutamente “ninguém” duvida disso! Isto é, pois,
fato! “Alega-se” que esses livros foram ditados por espíritos desencarnados, ou entidades
espirituais (este, sim, um assunto controverso. Daí o motivo de eu usar apropriadamente a
expressão “alega-se”!) Pergunto: Por que, ao analisarmos cuidadosamente esses mais de
200 e outros milhares de livros supostamente “psicografados” por inúmeros autores
espíritas, simplesmente não encontramos “um único” compêndio de ciência teórica ou
aplicada, de matemática, geometria ou física quântica, por exemplo? Por que livros espíritas
psicografados tratam apenas de assuntos totalmente subjetivos como mensagens de fé e
esperança? Será que no plano espiritual não existem cientistas ateus e céticos em vida que,
após descobrirem a “suposta” verdade sobre a vida após a morte, queiram generosamente
compartilhar conosco seus conhecimentos avançados? Por que será que cientistas e
matemáticos, comunicativos em vida, simplesmente se tornam tímidos ou acanhados no
plano espiritual? Será que eles se esquecem de tudo o que aprenderam no plano material?
Mas, então, por que não esquecem de coisas como noções de fé, esperança, bons conselhos
aos aflitos, e outros assuntos totalmente subjetivos? Será que não lhes é permitido passar
todo o seu conhecimento a nós, meros humanos encarnados? Afinal, por que será que a
psicografia espírita trata apenas de assuntos que qualquer pessoa (até mesmo ateus e
céticos) dotada de inteligência (por inteligência entenda-se “capacidade de memória
construtiva”, e não necessariamente “bom senso”) e imaginação suficiente, poderia
conseguir resultados semelhantes, senão idênticos aos que Chico Xavier conseguiu? Por
que não fórmulas matemáticas complexas? Isso apenas nos força a levantar fortes e
legítimas suspeitas de que o médium só é capaz de psicografar informações que ele já sabe
de antemão ou coisas que poderia simplesmente imaginar, isto é, se ele for dotado de
imaginação fértil, o que invariavelmente é! Ainda, será que não há o interesse dos espíritos
desencarnados em nos fornecer uma prova ou evidência realmente convincente da
autenticidade do plano espiritual e da sobrevivência da alma consciente após a morte física?
Imaginem só o “bem” que estariam prestando à comunidade científica e à humanidade em
geral! Poderíamos viver com uma nova perspectiva da vida convencidos da “verdade”
espírita, impulsionando o progresso da ciência sobremaneira! Um ponto importante que
devemos salientar é que não devemos ter o preconceito de considerar todos os médiuns
espíritas como charlatões! É possível que a grande maioria seja constituída de pessoas de
boa índole, sinceras, caridosas, de boa vontade. Eu mesmo, enquanto escrevo esta matéria
posso sentir a nítida impressão de estar psicografando algo ditado por algum espírito ateu
ou cético. Se eu, sendo ateu e cético, posso experimentar algo semelhante ao que os
médiuns espíritas sentem, do que eu não seria capaz de me convencer se fosse criado,
estimulado e ensinado num ambiente espírita? A comunidade espírita de maneira alguma
deveria se sentir ofendida ou ameaçada por submetermos suas doutrinas ao escrutínio
acirrado da ciência, a não ser, é claro, que ela tenha algo a esconder ou sinta um enorme
receio de que a ciência obtenha resultados contrários aos que ela “gostaria muito” de obter!
Muito pelo contrário! É do “nosso” interesse elevar o espiritismo à categoria de teoria
científica, ou até quem sabe ir mais longe ainda, concedendo a ele o “status” de ciência
ortodoxa ensinada nas escolas, universidades, largamente difundida e pesquisada em
laboratórios, sendo respeitado enfim, se não por toda a comunidade científica, ao menos
por sua maioria. Mas, voltando ao nosso escrutínio, como podemos ter realmente certeza
de que tudo não passa de pura imaginação do médium espírita? Muito simples... uma prova
realmente convincente seria justamente a que mencionei a pouco: a psicografia de compêndios
científicos transmitidos por espíritos de cientistas desencarnados! Talvez estejamos parecendo
exigentes demais. Mas, para algo que se pretende ser chamado de ciência, isto é apenas o
mínimo dos mínimos para que sequer possamos considera-lo de maneira científica.
Logicamente que isto seria “apenas” o primeiro passo. Em seguida, essas psicografias
seriam testadas pelos mais diversificados cientistas de diferentes opiniões, sob rigoroso
controle científico, para verificarmos se eventualmente obtemos os mesmos resultados. Aí
sim, o que antes não passava de mera alegação ou especulação alimentada unicamente pela
fé e pelo sincero e profundo desejo de acreditar, agora passaria ao campo da ciência
propriamente dito. Mas enquanto isso não acontece, o espiritismo ou kardecismo
permanecerá no campo da religião, do mesmo modo que permanecem até hoje, milhares e
milhares (e por que não dizer “milhões”?!) de alegações que se negam a submeter-se ao
escrutínio da ciência, e que por esse mesmo motivo, permanecem sem evidências
convincentes, sem nenhuma comprovação!!!

AS MATERIALIZAÇÕES AUTENTICADAS POR CHICO XAVIER


(UM TRUQUE BARATO DA PIOR QUALIDADE, MAS QUE ALGUNS VÊEM
COMO A PROVA DEFINITIVA DA VIDA APÓS A MORTE)

As fotos que vocês verão a seguir foram extraídas do livro


espírita “Materializações Luminosas” de autoria do delegado de
polícia R. A. Ranieri, escrito em 1955, onde narra seu testemunho
sobre as experiências de materializações de espíritos desencarnados
entre outros fenômenos igualmente fantásticos e intrigantes,
realizados especialmente na cidade de Pedro Leopoldo, em Minas
Gerais. Mesmo após meio século desde esses acontecimentos, este
ainda constitui um assunto controverso e desacreditado pela ciência
ortodoxa. Observe que as fotos das “supostas” materializações
apresentadas aqui, foram cuidadosamente autenticadas em seus respectivos versos, por
nada mais nada menos que Chico Xavier, um homem considerado pela comunidade
espírita como de caráter insuspeito ou inquestionável. Portanto, para o espírita mais
entusiasta, a hipótese de má fé ou fraude por parte, ou com a cumplicidade de Chico
Xavier, está simplesmente fora de cogitação. Que ele foi um homem caridoso e altruísta,
um exemplo de humanismo, isto é algo que ninguém discorda. São os fatos falando por si
mesmos. Mas, autenticar de próprio punho, não uma, mas diversas fotos de materialização,
constitui algo no mínimo inusitado, para não dizer fantástico, e certamente merece uma
investigação mais séria e meticulosa por parte de pessoas “não espíritas” ou céticas,
preferencialmente cientistas, especialistas e ilusionistas profissionais.
Fragmento da página 210

Gostaria de fazer uma observação em particular... Observem com atenção as fotos de


nº 37 e 38 logo acima. Conseguem notar alguma semelhança entre elas? O retrato de Maria
Duarte Santos e a imagem inserida no ectoplasma da foto nº 37 são praticamente
“idênticas” diferindo apenas em tamanho. Outra pista importante obtemos do fragmento
da página 210, também logo acima, quando diz: “...todas as vezes que queimou o flash não viu
nada e ninguém diante de si. No entanto, ao revelar a chapa, lá estava o espírito que se propusera a ser
fotografado.” Conseguem juntar as peças do quebra-cabeça? A imagem do espírito apareceu
inserida na foto apenas depois de revelada num laboratório, longe da vista das testemunhas
presentes à sessão de materialização. Junte a isto a habilidade técnica do fotógrafo ou um
cúmplice qualquer (a propósito, técnica muito amadora!) em cuidadosamente recortar a
foto do desencarnado, inserí-la sobre o ectoplasma da foto batida e refotografar a foto
original, obtendo em seguida uma 2ª foto, fraudulenta, mas convincente a pessoas espíritas
pouco exigentes ou rigorosas, predispostas e condicionadas a acreditar, ou melhor, que
simplesmente “querem” acreditar. Aliás, esse é um truque muito comum em fotos de
discos voadores. É claro que não sou nenhum perito no assunto e estou me baseando
apenas nas fotos e textos do livro, mas minhas suspeitas são legítimas e a mais próxima de
explicar o fenômeno acima exposto. Mas ainda faltou explicar a origem do ectoplasma que
vemos nas fotos, inclusive em seqüências (fotos nº 33, 34 e 35) que parecem excluir a
hipótese de manipulação em laboratório. Esta substância sim aparentemente se encontrava
no ambiente fotografado. Mas este tipo de “fenômeno” é facilmente reproduzido com
substâncias espumantes ou outro produto qualquer, usado por mágicos, e que tomam
volume, especialmente preparados com este propósito. Se bem que, analisando
cuidadosamente as fotos, percebemos que a substância em questão se assemelha muito ao
simples algodão. Eu adoraria ser desmentido ou refutado de tudo o que eu disse até aqui.
Mas desmentido por experiências mais convincentes do que estas. É simplesmente
lamentável que supostas materializações, como as analisadas aqui, sejam tão eventuais, com
resultados pouco confiáveis e geralmente realizados em ambiente espírita, “nunca” em
laboratórios e sob controle estritamente científico! Sinto muito, mas sob tais condições, é
impossível para qualquer pessoa sensata e inteligente se convencer da suposta “realidade”
espírita quanto à sobrevivência da alma humana num plano espiritual qualquer! “Não” por
resultados como estes!

Inevitavelmente, nos deparamos com duas possibilidades:

1ª - Se realmente estas fotos, e outras que por ventura consigamos em novas


experiências, confirmarem a idéia de espíritos desencarnados num mundo espiritual, isto
seria, não apenas para a ciência, mas para todas as pessoas do planeta, possivelmente a
descoberta comprovada das mais importantes em toda a história humana! Logicamente que
não pararíamos com as experiências, mas daríamos continuidade a este maravilhoso
trabalho de comunicação com os mortos. Você consegue imaginar a dimensão deste
acontecimento? Puxa vida, isto significaria a confirmação por comprovação científica da
nossa sobrevivência à morte! Ninguém, absolutamente ninguém, incluindo a nós ateus e
céticos, seria estúpido ou mesquinho diante de provas tão concretas, reproduzidas
exaustivamente em laboratórios por profissionais independentes de diversos países, em
escala mundial! Uma verdadeira revolução em nossos conceitos materialistas e no nosso
modo de encarar a vida, a natureza e, em última análise, a nós mesmos! Mas, consideremos
agora a 2ª possibilidade...
2ª – Se estas fotos constituírem fraudes, truques, manipulações deliberadas, mesmo
tendo a nobre “boa intenção” de corroborar ou dar suporte científico à filosofia espírita,
consolar e trazer alento aos corações aflitos que perderam seus entes queridos... então
temos o dever de zelar pela verdade por mais dura e cruel que ela possa nos parecer! Nada,
absolutamente nada justifica mentir, enganar, iludir, ludibriar pessoas crédulas e incautas,
mesmo que a primeira vista, isto lhes pareça um bem ou consolo emocional. Não será por
métodos como esses que a ciência avançará. Esse tipo de atitude fraudulenta deve ser, não
apenas desestimulado, mas combatido racionalmente, com investigação séria e imparcial.
Agora, analisemos o caso mais de perto. É curioso notar que estas experiências foram
realizadas num ambiente doméstico e espírita sem qualquer aparato tecnológico, com
exceção da câmera fotográfica, é claro. Se isto foi possível de maneira tão prosaica, que
resultados não seríamos capazes de conseguir tendo à disposição uma aparelhagem
sofisticada como câmeras com luz infravermelha e detectores dos mais diversos? Se já
começamos experiências como estas, supostamente obtendo resultados excelentes, há mais
de meio século, por que não demos continuidade aos experimentos aprimorando-os ainda
mais? Aliás, por que será que nas referidas reuniões não compareceu nenhum cientista
cético ou ao menos “não espírita”? Por que apenas espíritas e, conseqüentemente, pessoas
já predispostas a acreditar em tudo o que presenciaram? Por que nenhum “James Handi”?
Ah, me desculpem! Provavelmente você ainda não ouviu falar sobre “James ‘O incrível’
Handi”. Hoje com 77 anos de idade, o mágico e ilusionista profissional, após mais de 60
anos de profissão, é conhecido por céticos e ateus do mundo todo como o mais famoso
cético vivo! Ele mantém ainda hoje um desafio a qualquer pessoa, médium, paranormal ou
até mesmo farmacêutico homeopata, a demonstrar diante dele qualquer fenômeno como
telepatia, precognição, telecinesia, comunicação com mortos, materialização de espíritos ou
objetos, ou a simples eficácia pretendida pela homeopatia, enfim qualquer coisa além do
que consideramos racional ou explicável pela ciência pura e simples! O prêmio a quem
conseguir realizar este feito extraordinário dentro de controles estritamente científicos hoje
ultrapassa “1 milhão de dólares”! Imaginem um médium espírita poder realizar o provável
sonho de Chico Xavier, ou seja, demonstrar cientificamente um fenômeno espírita,
“qualquer um deles”, e ainda ganhar 1 milhão de dólares com o qual poderia fazer
caridades, ajudando escolas, entidades e pessoas carentes, ou até mesmo usa-lo para
divulgar o espiritismo e consolar mais e mais pessoas aflitas ou deprimidas. Imaginem
quanto “bem” este tipo de situação resultaria para todas as pessoas! Aliás, uma dupla
recompensa: a comunidade espírita recebendo 1 milhão de dólares, ajudando inúmeras
pessoas, ganhando reconhecimento e credibilidade perante toda a sociedade e
especialmente a comunidade científica. E, por outro lado, a própria ciência e a humanidade
lucrando em avanço científico, dando um salto gigantesco em direção ao conhecimento
humano. Mas, infelizmente, estamos longe de testemunhar algo parecido, pois, vejam o que
James Randi tem a nos dizer sobre isso, numa entrevista concedida à Revista Terra
Redonda, em sua edição de número 3, de agosto de 2004:

“Qual pretendente chegou mais perto (ou menos longe) do milhão de dólares?
Ninguém chegou perto, porque é preciso passar por dois estágios. Primeiro, passam por um teste
preliminar, que não apresenta condições muito difíceis ou medidas de segurança muito rígidas, é apenas uma
demonstração. Nenhum deles passou pelo teste preliminar, assim nunca tivemos que fazer o segundo teste,
que seria o teste formal. Assim, nenhuma pessoa esteve próxima de ter sucesso no teste. Nenhum deles foi
difícil para mim. Tenho uma experiência de várias décadas em todo o mundo. Tenho 75 anos de idade e
comecei aos quinze. Uma subtração simples mostra que por 60 anos estive ocupado com esse tipo de
trabalho e já vi todo tipo possível de combinações de trucagens, desvio de atenção e passes de mágica.
Quando vejo um vídeo deles não preciso pensar muito, apenas digo ‘Ah, eu já vi isso na Alemanha em
1946’ ou algo assim. É muito fácil para mim, pois tenho uma grande experiência na área.”

Continuando nosso escrutínio... Por que, afinal de contas, não nos é possível coletar
uma amostra do ectoplasma, suposta substância segregada pelo médium durante o transe e
manipulada pelos espíritos, que é suficientemente densa e opaca para ser fotografada e
observada, mas não o suficiente para podermos estudá-la e analisa-la em laboratórios de
química e biologia? A não ser, é claro, quando o médium é apanhado em fraude usando
substâncias, gaze ou algodão para simular o ectoplasma. Não lhe parece muito suspeita
toda esta história? Logicamente que, se uma substância como esta realmente existir, será
algo realmente novo para a ciência. Mas, como já dizia o astrônomo, cético e ateu, Carl
Sagan, “alegações fantásticas requerem provas fantásticas”.

DESDOBRAMENTO OU PROJEÇÃO ASTRAL


(NO QUAL NÃO CONSEGUIMOS ENXERGAR NADA ALÉM DO QUE JÁ
SABEMOS OU PODEMOS IMAGINAR)
Este é mais um tema que nos interessa muito a nós céticos e ateus. Este tipo de
fenômeno é denominado de diversas formas sendo as mais comuns, “viagem”,
“desdobramento” ou “projeção astral”. Utilizarei esta última terminologia por ser,
particularmente falando, a que melhor define este tipo de experiência extra corpórea.
Basicamente, as pessoas que passaram por essa experiência relatam que a mesma lhes
parece muito vívida e real. Isto é, pois, por experiência, fato! Ninguém duvida do quão real
ela é aos poucos privilegiados que passam por uma experiência semelhante, inclusive
céticos e ateus. “Alega-se” que nessas experiências pessoais nosso espírito abandona
temporariamente o corpo projetando-se para o espaço além dele, visitando lugares e
ambientes livremente, permanecendo, porém, conectado ao corpo físico por uma espécie
de cordão umbilical espiritual ou, como é mais comumente conhecido entre os espíritas,
“cordão de prata”. Isto sim é um assunto controvertido, para o qual devemos buscar
sólidas evidências ou provas incontestáveis. Durante o sonho podemos sonhar com
ambientes e pessoas, conhecidas ou não, e que nos parecerão muito reais enquanto
sonhamos. A dúvida inevitável que surge é a seguinte: Como podemos distinguir o que é
simples sonho ou imaginação do que é real em termos de projeção astral? Diversas
experiências podemos imaginar a fim de testar a hipótese em questão. Separemos a
experiência em “subjetiva” e “objetiva”. Exemplo: quando digo que alguém é bonito isto é
subjetivo, uma vez que depende dos meus conceitos do que é bonito ou feio, e que
logicamente pode variar grandemente de pessoa para pessoa. Mas quando digo que a
pessoa em questão chama-se Fernando Thomazi e seu número do documento de
identidade RG é 26.338.015-4, isto é claramente “objetivo” uma vez que não depende da
opinião particular das pessoas, bastando a qualquer pessoa simplesmente verificar por si
mesma o referido documento de identidade. Está claro, até aqui? Ótimo! Agora vamos
aplicar este tipo de raciocínio à experiência de projeção astral. Se admitirmos que a pessoa
“projetada” consegue visualizar o ambiente do quarto em que está dormindo, por pura
questão de lógica somos forçados a admitir que ela consegue do mesmo modo visualizar
cores, formas, nomes, frases escritas na parede ou até mesmo textos inteiros de um livro
aberto na parte alta de uma estante fora do alcance físico visual da pessoa. Pronto, aí está a
nossa experiência simples, prática e eficiente. Uma pessoa que se projeta para fora do corpo
espiritualmente, supostamente deveria conseguir ler e memorizar o RG de seus vizinhos ou
de qualquer pessoa do planeta uma vez que está supostamente livre para percorrer todos os
lugares. Eu disse RG, mas poderia ser qualquer seqüência numérica. E utilizei seqüências
numéricas por se tratar justamente de uma informação “objetiva”, lembra-se? Só existe
“uma” seqüência numérica para o RG de cada pessoa. Se considerarmos esta uma
experiência rigorosa demais, podemos simplificá-la indefinidamente, mantendo, é claro um
mínimo de controle e rigor científico. Por exemplo, podemos colocar o livro aberto, ou um
RG em direção oposta ou oculta ao campo de visão da “pessoa projetada”, mantendo,
porém, o objeto o mais próximo possível dos olhos da pessoa. Melhor ainda, podemos
escrever uma seqüência numérica qualquer diretamente sobre as membranas dos olhos da
pessoa projetada. Logicamente que se fizermos milhares de testes, eventualmente alguém
acertará parte ou até mesmo a seqüência completa. Mas nada, absolutamente nada além do
esperado pela pura e simples probabilidade ou mero acaso. Este tipo de experiência deveria
nos servir para provar o contrário do que imaginamos sobre a experiência extra corpórea,
ou seja, que tudo o que sonhamos ou experimentamos numa experiência de projeção astral
não será nada além do que já sabemos ou conseguimos imaginar se dermos asa a essa
imaginação, por mais real e vívida que ela nos pareça. Enfim, jamais conseguimos uma
informação nova e objetiva supostamente nos projetando para fora do corpo.
MANIFESTAÇÕES MEDIÚNICAS DE ESPÍRITOS DESENCARNADOS
(E COM PROBLEMA DE AMNÉSIA, POIS NÃO CONSEGUEM TRANSMITIR
SEQUER UMA SEQÜÊNCIA NUMÉRICA MEMORIZADA POR LONGOS
ANOS EM VIDA)

Nós podemos aplicar o mesmo tipo de raciocínio usado para a projeção astral, em
relação aos médiuns espíritas que alegam receber mensagens de nossos entes queridos
falecidos. Suponhamos que meu avô por toda a sua vida soubesse de memória o número
do seu RG. Aí, bem velhinho, ele morre. Dias depois, eu tento me comunicar com ele
através de um médium espírita. Então, o médium, supostamente recebe o espírito do meu
avô. O espírito se apresenta como meu avô, diz seu nome e me manda uma mensagem de
consolo dizendo que no plano espiritual ele está em paz e ansioso para me reencontrar
quando “eu” morrer. Tudo bem, penso eu, até aqui. Mas, de repente, eu resolvo perguntar
ao espírito do meu avô: “Vovô, por favor, não se ofenda com isso, mas eu gostaria muito
que o senhor me fornecesse o número do seu RG, que o senhor conseguiu memorizar tão
bem em vida. Aliás, esta foi uma das coisas que o senhor fez questão de me ensinar... sobre
a importância e praticidade de memorizar nosso documento de identificação. Então,
voltando ao meu pedido, o senhor poderia, por gentileza, me dizer o número do seu RG?
Devo informá-lo que eu não sei de memória o seu número, mas o tenho aqui comigo para
poder confirmar a informação...”
Nisso, o médium ou espírito do meu avô começa a gaguejar, me apresentando a
desculpa de que no plano espiritual não é mais necessário saber de memória o número do
RG, e que, infelizmente, ele não pode me passar este tipo de informação. E novamente eu
lhe pergunto, então, como é que ele consegue se lembrar do próprio nome e do meu
nome? Por que sua amnésia é apenas em relação a seqüências numéricas que deveriam ser-
lhe familiares e não quanto a sentimentos e nome de pessoas manifestamente conhecidas?
Não será porque essas foram informações que eu já havia passado para o médium, ou seja,
o médium apenas me transmitiu informações que ele próprio já sabia? Será que, se eu
inventasse um personagem qualquer para que o médium entrasse em contato, ele
conseguiria saber, pelo método mediúnico, que eu simplesmente inventei o personagem?
Afinal, quem pode me dar qualquer garantia de que é realmente meu avô quem está falando
por meio do médium e não apenas uma manifestação psíquica do próprio médium?
E quanto ao famigerado Dr. Fritz, suposto médico alemão morto há várias décadas e
que alegadamente se manifesta através de incorporação mediúnica? Admiti-se o brasileiro
Zé Arigó como sendo o 1º médium a incorporá-lo, e sem dúvida o mais famoso, seguido
por Edson de Queiroz, e mais recentemente Rubens Faria. Mas, afinal, por que o Dr. Fritz
não fala alemão nas manifestações, mas no máximo um português com sotaque
pretensiosamente alemão? Por que não fornece detalhes ou elementos verificáveis de sua
última encarnação na Terra? E por que a necessidade de incorporar um espírito
desencarnado? Por que não um espírito de um grande médico vivo e atuante aqui mesmo
no plano material, em nosso planeta? Melhor ainda, por que o próprio médico
materialmente vivo não poderia usar seus dons medicinais somados a um eventual poder
espiritual para realizar as supostas e importantíssimas (se verdadeiras, é claro!) curas
mediúnicas? Afinal, trata-se de um corpo biológico mais o seu espírito encarnado, que, a
rigor, convenhamos, não deveria em nada ser diferente de um espírito desencarnado,
exceto pelo fato de não ter mais um corpo para interagir com o plano físico (raciocínio
espírita, não se esqueçam!). Do contrário, que motivos teríamos para supor que, uma vez
desencarnado, o espírito ganha poderes sobre-humanos como os de se materializar ou
curar mediunicamente por meio de cirurgias espirituais? Já que tocamos nesse assunto, que
tal se fizéssemos a experiência de um médium incorporar uma pessoa viva? Não, nenhum
médium seria estúpido o bastante... Por que se arriscar tanto a ser desmascarado por
céticos? Afinal, é muito mais seguro incorporar pessoas mortas e inacessíveis às pessoas
comuns, para eliminar, ou ao menos dificultar qualquer verificação mais rigorosa e racional!
Conveniente para o médium, conveniente para o espírita desconsolado que o consulta e
conveniente para manter a doutrina espírita ainda viva... longe, é claro, de uma investigação
científica séria e rigorosa, e mesmo sustentando-se sobre a fragilidade da fé de quem
simplesmente quer acreditar, mas que evita analisar com mais rigor, justamente pelo medo
de se decepcionar...

MITOS DO ALÉM, EXPLICADOS PELA CIÊNCIA


(matéria extraída da revista Veja, edição de 07 de fevereiro de 2007):

Um tipo de experiência alimenta, em especial, mitos e interpretações místicas em todas as culturas –


o da quase-morte. São relatos feitos por pessoas dadas como mortas mas que, de modo espontâneo ou com a
ajuda da medicina, voltaram à vida. Muitas se referem a túneis de luz ou a sensação de flutuar no ar, de
modo a ver do alto o próprio corpo. Nos últimos anos, pesquisas médicas, principalmente as realizadas com
tecnologia de imagem da atividade cerebral e eletroencefalogramas, puderam explicar de forma científica boa
parte desse fenômenos.

- FLUTUAR FORA DO CORPO

Enquanto fazia exames numa paciente epilética, o neurologista suíço Olaf Blanke, do Hospital
Universitário de Genebra, descobriu que a estimulação de determinada área do cérebro provocava na
paciente a sensação de abandonar o próprio corpo e flutuar pela sala. O ponto em questão é o giro angular
direito, parte do cérebro localizada no lobo parietal. Essa região é responsável pela percepção espacial que se
tem do próprio corpo e do ambiente em torno. Ao estimular o giro angular com pequenas descargas elétricas,
Blanke afetou a forma como o cérebro da paciente decodificava a percepção do espaço e dela própria,
quebrando a unidade que existe entre o eu e o corpo. Dessa maneira, a paciente se sentia como se estivesse a
flutuar no teto, enquanto seu corpo permanecia na cama.

- SENTIR A PRESENÇA DE ESPÍRITOS

Os médicos já sabem que isso é causado pela falta de oxigenação do cérebro. Ao estimular com
eletrodos o giro angular esquerdo de uma paciente, o médico Olaf Blanke percebeu que ela virava a cabeça
como se procurasse alguém dentro da sala. “Quando se desligava a corrente elétrica, a presença estranha
sumia”, disse Blanke a VEJA. Para o neurologista, o estímulo no giro angular esquerdo criou uma
disfunção no circuito neural que levou a paciente à ilusão de uma projeção “torta” do próprio corpo, que ela
interpretou como um fantasma.

- UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Depois de ser ressuscitado, o doente conta ter visto um túnel com uma intensa luz na outra ponta. A
neurocientista Susan Blackmore, na Universidade do Oeste da Inglaterra, em Bristol, atribui o relato à
ilusão provocada pela falta de oxigênio no cérebro, típica de uma parada cardíaca. As células do córtex
visual responsáveis pela visão central são mais numerosas que as da visão periférica e, por isso, vêem a
imagem com maior brilho. Para a cientista, essa diferença de luminosidade causa a impressão de existir um
túnel com luz intensa no seu final. “É algo puramente biológico que as pessoas tendem a ver como místico”,
disse Susan a VEJA. Drogas como LSD, quetamina e mescalina podem produzir o mesmo efeito em
algumas pessoas.

- CORPO PARALISADO AO DESPERTAR


Quando o corpo atinge um estado de sono profundo, ocorre uma mudança química nas regiões do
cérebro responsáveis pela atividade muscular. O objetivo é paralisar os músculos para evitar que os
movimentos dos sonhos sejam reproduzidos na vida real. Algumas pessoas acabam despertando durante esse
período, com os músculos ainda paralisados. “A sensação é desesperadora e a pessoa sente dificuldade para
respirar. Não é incomum ela associar esse evento a experiências espirituais, místicas, demoníacas e até
mesmo a encontros com aliens”, explica a neurocientista Susan Blackmore.

- TODA A SUA VIDA PASSOU DIANTE DOS OLHOS

Muita gente acredita que no momento da morte se vê uma espécie de retrospectiva da própria vida.
Para os cientistas, essa retrospectiva é uma alucinação causada pelo cérebro, assim como o encontro com
entes queridos já falecidos ou figuras religiosas. Ocorre que, nos momentos finais, regiões do cérebro se
tornam hiperativas numa última tentativa de compensar a falta de oxigênio, cujo abastecimento diminui à
medida que as batidas do coração se tornam irregulares. “O cérebro então libera substâncias para proteger
os neurônios, desligando-os”, diz Renato Sabbatini, professor da Universidade Estadual de Campinas.
Algumas dessas substâncias agem diretamente nos receptores dos neurônios, causando o que os médicos
chamam de dissociação neural. “É isso que provoca alucinações”, diz Sabbatini. (fim da matéria da revista
VEJA).

CONCLUSÃO

Espiritismo nunca foi ciência e está longe de nos fornecer qualquer evidência de que
o possa ser um dia. Pois, lamentavelmente, não usa o método científico, ou por
imprudência, negligência, imperícia, ou não com todo o rigor científico que alegações de
tamanha importância requerem. O que ele nos oferece é tão somente uma enxurrada de
alegações pseudocientíficas, acompanhadas de “supostas” provas, de origem duvidosa,
mera interpretação pessoal e subjetiva, e que consegue convencer apenas pessoas crédulas,
desinformadas e desprovidas do ceticismo científico de grandes e importantes cientistas.
Pessoas céticas e racionais não se deixam comover com sentimentalismo, desejos ou
paixões pessoais quando o propósito em questão é analisar objetiva e racionalmente uma
alegação espírita ou qualquer outra. Mensagens de fé, amor e esperança podem servir muito
bem aos desesperados, desconsolados ou angustiados com a idéia de nunca mais existirem
de nenhuma forma. Especialmente numa forma espiritual ou imaterial num plano superior
que não suporta qualquer outra evidência. Mas ainda não é o suficiente para convencer
cientistas, céticos e ateus que se negam em “acreditar” pura e simplesmente.

Fernando Thomazi
(email: fernando.thomazi.@itelefonica.com.br)

...