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Orientação para o Professor – História – 8. o Ano do Ensino Fundamental – 3. o Bimestre

ORIENTANDO O TRABALHO EM CLASSE:

origens da guerra a partir de fatores regionais. Na verdade, tanto a historiografia conservadora como o revisionisnio simplificaram as causas e o desenrolar da Guerra do Paraguai, ao ignorar documentos

Neste capítulo, além de conhecer os acontecimentos relacionados à

Guerra do Paraguai, o aluno irá participar de um importante debate historiográfico suscitado pela existência de versões conflitantes acerca desse conflito que percorrem as explicações correntes.

anestesiar o senso crítico. Ambos substituíram a metodologia do trabalho histórico pelo emocionalismo fácil e pela denúncia in-

e

dignada. Para uma análise mais precisa das origens e do desenrolar da guerra faltaram à historiografia conservadora, devido à época de seu

o

revisionismo, em sua vertente antiimperialista, que tem a explicá-lo

O

aluno deverá perceber que as três versões apresentadas tiveram

surgimento, conhecimento metodológico e, mesmo, documentação

origem em contextos históricos determinados o que irá ficar bastante claro na execução da tarefa que acompanha a aula.

2008) de Francisco Doratioto, representando a historiografia mais

acessível ao pesquisador. Dessas atenuantes, porém, não se beneficia

Como forma de situar esse debate transcrevemos a seguir alguns

o

momento histórico em que foi gerado e se desenvolveu, nas décadas

trechos extraídos do livro Maldita Guerra (Companhia das Letras,

recente sobre o tema. Este autor procura ressaltar os fatores regionais para o entendimento do conflito.

de 1960 a 1980, quando as sociedades desta parte da América do Sul viviam sob ditaduras militares, que, apesar de castradoras das liber- dades civis, reivindicavam para si a defesa do pensamento liberal. Uma das formas de combater essas ditaduras era desmoralizar seus

DORATIOTO, Francisco – Maldita Guerra.

“(

)

a historiografia tradicional sobre a guerra, que simplificou a

referenciais históricos, seus ídolos – na Argentina, Mitre; no Brasil, o

explicação do conflito ao ater-se às características pessoais de Solano

duque de Caxias –, e seus alicerces ideológicos. Daí o espírito acrítico

López, classificado como ambicioso, tirânico e, mesmo quase desequilibrado. Essa caracterização não estava longe da realidade e pode até explicar certos momentos da guerra, mas não sua origem e sua dinâmica. No final do século XIX e início do XX surgiram vozes discordantes dessa interpretação tradicional. No Brasil, os adeptos do positivismo, filosofia contrária ao regime monárquico de governo, passaram a responsabilizar o Império brasileiro pelo início da guerra. No

Paraguai, por essa época, surgiu o revisionismo sobre Solano López,

com que o mundo acadêmico aceitou e reproduziu, naquele momento, publicações “revisionistas” sobre a Guerra do Paraguai, que mistificavam Solano López e responsabilizavam o imperialismo britânico pelo conflito. Contudo, continuar a defender, hoje, essa interpretação somente pode ser resultado da ignorância histórica ou, então, da natural dificuldade de se reconhecer errado.”

Nova História da Guerra do Paraguai. São Paulo, Companhia das Letras, 2008, pg. 19-20.

que teve sua imagem “reconstruída” e passou a ser apresentado como estadista e grande chefe militar. Essa interpretação surgiu por motivos

O

conjunto de aulas do 3. o bimestre oferece ao professor informações

financeiros, como é desvendado no capítulo 1 deste livro, e foi adotada por uma sequência de ditadores: Rafael Franco (1936-7) a

para estimular seus alunos a relacionarem eventos de natureza política, econômica e social no seu tempo, quer dizer às condições

oficializou; Higino Morinigo (1940-8) a fortaleceu e Alfredo Stroessner (1954-89) a tornou ideologia oficial de Estado, a ponto de

culturais e sociais em que eles se inserem, e que impõem limites às possibilidades das ações humanas em um espaço e tempo dados.

prender e exilar aqueles que dela divergissem. A falsificação do passado, com a apologia da ditadura lopizta, contribuiu para construir

O

período estudado corresponde à História do Brasil no século XIX.

a opressão do presente, ao dar suposta legitimidade aos regimes

desses três governantes. Foi, pórem, a partir de fins dos anos 1960 que intelectuais nacionalistas e de esquerda do Rio da Prata promoveram Solano López a líder antiimperialista.

Esse revisionismo que, com o tempo, descambou para posturas populistas, apresenta o Paraguai pré-guerra como um país pro- gressista, onde o Estado teria proporcionado a modernização do país e o bem-estar de sua população, fugindo à inserção na economia capitalista e à subordinação à Inglaterra. Por essa explicação, Brasil e Argentina teriam sido manipulados por interesses britânicos para aniquilar o desenvolvimento autônomo paraguaio.

O livro mais marcante desse revisionismo talvez seja La Guerra del

Paraguay:gran negocio!, publicado em 1968 pelo respeitável historiador argentino León Pomer. No Brasil, uma simplificação dos argumentos dessa obra resultou, em 1979, no Genocídio americano: a Guerra do Paraguai, do escritor Julio José Chiavennato. Grande sucesso editorial, Genocídio americano ensinou a gerações de estudantes brasileiros que o imperialismo inglês, “destruindo o Paraguai, mantém o status quo na América Meridional, impedindo a ascensão do seu único Estado economicamente livre”. Essa teoria

conspiratória vai contra a realidade dos fatos e não tem provas documentais; ao contrário, o leitor encontrará no capítulo 1 deste livro fotocópia de carta do representante diplomático britânico em Buenos Aires, Edward Thornton, dirigida ao governo paraguaio em dezembro

de

1864, na qual oferece seus préstimos para evitar uma guerra entre

o

Paraguai e o Brasil. Contudo, essa teoria ainda tem alguma

repercussão, como nos trabalhos de Carlos Guilherme Mota e Paulo Miceli, embora desmentida por trabalhos resultantes de sólida pesquisa histórica, como os de Alfredo da Mota Menezes, André Toral, Ricardo Salles e Vitor Izecksohn. No Paraguai, autores como Juan Carlos e María Isabel Herken Krauer, Guido Rodríguez Alcalá, Ricardo Caballero Aquino e Diego Abente também explicaram as

I

CAPÍTULO 9

Um Estado Nacional em formação e a organização administrativa do

1. o Império são temas desse capítulo, onde também salientaremos:

A Constituição de 1824 e seu desdobramento quase que imediato,

a Confederação do Equador.

A impopularidade do imperador D. Pedro I, o seu autoritarismo e

a fragilidade de seu projeto político como antecedentes da

abdicação.

A

estruturação política do Período Regencial.

As grandes diversidades regionais, o questionamento do poder regencial, a presença ainda expressiva de portugueses no âmbito das decisões político-econômicas constituem elementos detonadores de rebeliões em várias províncias do Brasil.

CAPÍTULO 10

Neste capítulo salientaremos:

– formação do 2. o reinado – D. Pedro de Alcântara é coroado após

A

o Golpe da Maioridade.

– parlamentarismo brasileiro em contraponto ao modelo inglês

O

tradicional.

– Partidos liberal e conservador – “saquaremas” e “luzias”.

– Revolução Praieira.

A introdução do café na economia brasileira e as grandes transfor-

mações que se seguiram. As ferrovias que escoam o “ouro verde” até

o porto; os primeiros ensaios de industrialização; Barão de Mauá – um

homem além de seu tempo.

Transformações contempladas:

– A mentalidade empresarial capitalista dos fazendeiros do Oeste Paulista e o projeto imigrantista.

– O regime de parceria e colonato – a adaptação dos europeus às lavouras brasileiras.

– A pressão inglesa para o fim da escravidão no Brasil.

– As campanhas abolicionistas, a Lei Áurea e a questão do negro após a abolição.

CAPÍTULO 11

As intervenções do Brasil na Região Platina constituem o tema deste capítulo.

A Guerra do Paraguai foi tratada sob a óptica de três visões historiográficas diferentes, onde o aluno irá participar de um importante debate historiográfico suscitado pela existência de versões conflitantes acerca desse conflito que percorrem as explicações correntes.

– As transformações socioeconômicas do Brasil no século XIX.

– A campanha e o movimento republicanos.

– A aliança entre os vários setores da sociedade nacional desembocando na Proclamação da República. Em data previamente agendada, os alunos deverão trazer material de pesquisa para a sala de aula, com o qual irão traçar um panorama da cultura brasileira no século XIX. Fica a critério do professor levar os alunos à biblioteca da escola ou trabalhar com material multimídia. Seria, então, também fundamental pedir orientação ao professor de Artes.

GABARITO

CAPÍTULO 9 – BRASIL, UM IMPÉRIO NOS TRÓPICOS

No tempo de D. Pedro I

1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil?

Ela foi promulgada em 5 de outubro de 1988.

2. De que forma ela foi elaborada?

Por um Congresso Constituinte, presidido pelo deputado Ulisses Guimarães, que definiu o presidencialismo como forma de governo, a independência dos poderes e uma série de leis sociais mais avançadas.

Composição Função

Composição

Função

Assembleia geral composta pelo Senado (vitalício) e pela Câmara dos Deputados

Poder

Legislativo

Elaborar as leis.

Poder

Judiciário

Juízes e Tribunais

Fiscalizar o cum- primento das leis.

II

Poder

Executivo

Imperador e

Ministros

Governar a nação; sancionar as leis.

Imperador, com

auxílio do

Conselho de

Estado

Poder

Moderador

Colocar a autoridade do imperador acima dos outros três poderes.

1. Atualmente, no Brasil, quem pode votar?

Toda e qualquer pessoa, desde que seja cidadão brasileiro. De posse de um documento, título de eleitor, com mais de 16 anos

de idade.

2. O voto é obrigatório?

Sim, para as pessoas com mais de 18 anos de idade. O voto é facultativo dos 16 aos 18 anos.

3. Compare o sistema de votação do Império com a forma em vigor atualmente.

O aluno poderá considerar a questão do voto censitário e do

voto aberto. Os grupos que estavam excluídos do direito ao

voto durante o Império.

Destaque do texto da aula as principais razões que levaram D. Pedro I a abdicar o trono brasileiro:

1 – Impopularidade do imperador;

2 – Intervenção de D. Pedro I na sucessão do trono português;

3 – Crise econômica: exportações caem e aumenta a dívida externa;

4 – Perda do apoio político das elites agrárias.

1. Por que o autor considera que o período regencial foi importante?

Devido à manutenção da unidade territorial e discussão de temas como autonomia provincial e forças armadas.

2. Quando, de fato, a Monarquia se teria consolidado?

Por volta de 1850, quando as últimas rebeliões regenciais haviam terminado.

3. Qual o objetivo de se criar a Guarda Nacional?

A manutenção da ordem social nos municípios onde foram

criadas.

4. Quem seriam as "classes perigosas" mencionadas pelo autor?

Grupos de pessoas que questionavam o regime regencial e discutiam temas como República e Abolição.

Leia os dois textos complementares a seguir e destaque essas condições no espaço reservado:

– Grande diversidade regional, muitas províncias com características culturais diferentes.

– As Províncias de Pernambuco e Rio Grande do Sul preten- diam a autonomia política em relação ao poder central.

– O País, ao longo do século XIX, utilizava mão de obra escrava e possuía profundas desigualdades sociais.

VAMOS ELABORAR UM QUADRO COMPARATIVO?

VAMOS ELABORAR UM QUADRO COMPARATIVO? DATA E LOCAL MOTIVOS LÍDERES CAMADAS SOCIAIS ENVOLVIDAS OUTRAS
VAMOS ELABORAR UM QUADRO COMPARATIVO? DATA E LOCAL MOTIVOS LÍDERES CAMADAS SOCIAIS ENVOLVIDAS OUTRAS
VAMOS ELABORAR UM QUADRO COMPARATIVO? DATA E LOCAL MOTIVOS LÍDERES CAMADAS SOCIAIS ENVOLVIDAS OUTRAS

DATA E LOCAL

MOTIVOS

LÍDERES

CAMADAS SOCIAIS ENVOLVIDAS

OUTRAS CARACTERÍSTICAS

1835

Província do Grão-Pará

Supostamente os cabanos lutavam contra a nomeação do presidente da província feita pelo governo central. A rebelião, porém, teve um grande cunho econômico-social.

Félix Antônio Clemente Malcher; Irmãos Vinagre; Eduardo Angelim.

Cabanos (população ribeirinha); pequenos lavradores; jornalistas e comerciantes.

A única rebelião regencial que teve a participação efetiva das camadas populares.

1838

Maranhão

Crise econômica da província; miséria e antigos privilégios que continuavam sendo concedidos a comerciantes portugueses.

Vaqueiro Raimundo Gomes; Manuel dos Anjos Ferreira (fabricante de cestos de vime – balaios); Negro Cosme (líder de quilombo).

Artesãos e fabricantes de cestos; camponeses e vaqueiros pobres.

Ondas de saques ao comércio praticados pelos balaios fizeram com que a rebelião fosse confundida, muitas vezes, com ação de banditismo.

  1837 1835 1835 Bahia Bahia Rio Grande do Sul Não aceitação do poder regencial
  1837 1835 1835 Bahia Bahia Rio Grande do Sul Não aceitação do poder regencial
  1837 1835 1835 Bahia Bahia Rio Grande do Sul Não aceitação do poder regencial
  1837 1835 1835 Bahia Bahia Rio Grande do Sul Não aceitação do poder regencial
  1837 1835 1835 Bahia Bahia Rio Grande do Sul Não aceitação do poder regencial
  1837 1835 1835 Bahia Bahia Rio Grande do Sul Não aceitação do poder regencial
 

1837

1835

1835

Bahia

Bahia

Rio Grande do Sul

Não aceitação do poder regencial e projeto de criação da república baiana.

Grupos de escravos que pretendiam a libertação: não aceitavam a proibição da capoeira e nem a imposição da fé católica.

Problemas econômicos entre os estancieiros sulistas e o governo regencial. O charque, prin- cipal produto econômico, sofria a concorrência das produções argentina e uruguaia.

Francisco Sabino Barroso (médico).

Malês, grupos de escravos de tradição, cultura e religião muçulmanas.

Bento Gonçalves; Davi Canabarro. Antonio de Sousa Netto.

Camadas médias de Salvador.

Escravos de Salvador.

Grandes fazendeiros que passam a contar com apoio das camadas médias urbanas.

O

movimento pretendia separar a província

Os escravos malês provocaram ataques e

Rebelião regencial mais longa – 10 anos – em

baiana do Brasil até a maioridade de D. Pedro

de

Alcântara.

incendiaram fazendas nos arredores de Salvador.

função de os fazendeiros conseguirem sustentar as campanhas da guerra.

III

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

1. Você é o historiador

Ao ler o texto o aluno deverá ficar atento às informações sobre Pernambuco que lhe permitam compreender melhor as revoltas. Assim, deve verificar se há menção a conflitos ou a situações que possam gerar conflitos. Quanto ao quadro, o aluno deve observar o que aconteceu com o açúcar e com o algodão ao longo do tempo, especialmente nos anos relativos

às revoltas.

Além desses dados oferecidos no texto do exercício, o aluno deve aproveitar as informações contidas no texto informativo

e nos textos complementares do capítulo 9.

De posse de todas essas informações o aluno deverá redigir um texto que mostre os motivos das revoltas mencionando a conjuntura econômica de Pernambuco e o momento político do Brasil, a tensão entre os comerciantes portugueses e os

produtores locais e o autoritarismo de D. Pedro I.

2. Pense, reflita e relacione:

D. Pedro I e a sucessão do trono português = D. Pedro

I seria o herdeiro natural do trono português.

Brasil e Província Cisplatina = Em 1815, D. João VI

ordenou a ocupação da Banda Oriental (atual Uruguai), que foi anexada ao Brasil com o nome de Província Cisplatina. No ano de 1828, após três anos de luta contra o governo de D. Pedro I, a Província Cisplatina proclamou sua independência com o nome de República Oriental do Uruguai.

Após a

abdicação de D. Pedro I, o Brasil foi governado por regentes.

Impopularidade de D. Pedro I e Noite das Garrafadas

Abdicação de D. Pedro I e Regências =

= A impopularidade de D. Pedro I opunha brasileiros e portugueses, que se enfrentaram na Noite das Garrafadas.

3. Atividade de pesquisa

Balaiada 1 Cabanagem 2 Farroupilha 3
Balaiada
1
Cabanagem
2
Farroupilha
3

Sabinada

e Revolta dos Malêspesquisa Balaiada 1 Cabanagem 2 Farroupilha 3 Sabinada 4’ Utilizando a mesma legenda de cores, pinte

4’
4’

Utilizando a mesma legenda de cores, pinte os retân-

gulos após cada afirmação, relacionando-as com as rebe- liões regenciais:

1. Bento Gonçalves, grande proprietário de terras, foi

um de seus mais importantes líderes.

3
3

2. Rebelião regencial que tem um forte componente de

participação popular.

2
2

3. Giuseppe Garibaldi, soldado italiano, participou ativa mente da rebelião no Brasil meridional.

3
3

4. A proposta dos revolucionários era separar a província do Brasil, proclamar uma República, aguardando a maioridade de D. Pedro de Alcântara.

4
4

5. O nome da rebelião vem de um de seus líderes, Manoel dos Anjos Ferreira, um fabricante de cestos

de vime.

1
1

6. Entre os membros da rebelião destacou-se a partici- pação da população ribeirinha, que vivia em condi-

ções precárias.

2
2

O

aluno deve fazer uma pesquisa que contenha, no mínimo,

as

seguintes informações sobre as revoltas:

7. Revolta de escravos muçulmanos que se recusavam a

– o local;

– a situação geradora de conflitos (motivos);

– os líderes das revoltas e seus objetivos e sua origem social;

– a repercussão de revolta;

– o resultado do conflito.

4. Trabalhando com mapa

– o resultado do conflito. 4. Trabalhando com mapa aceitar o catolicismo. 4’ 8. Os revoltosos

aceitar o catolicismo.

4’
4’

8. Os revoltosos não conseguiram tirar o presidente da província, devido à ausência de projeto político

definido.

1
1

CAPÍTULO 10 – O LONGO SEGUNDO REINADO

MODELO BRASILEIRO: No Brasil era o imperador quem escolhia seu primeiro- ministro e, por meio do Poder Moderador, poderia destituí-lo quando quisesse.

1. Por que o movimento em Pernambuco recebeu o nome de Praieira?

Em função de os revolucionários, frequentemente, reunirem- se na sede de um jornal próximo à praia, em Recife.

2. Quem eram os praieiros?

Homens comprometidos com as causas populares. Pessoas que defendiam os interesses do povo.

IV

3. Leia o Manifesto ao Mundo dos Praieiros e comente suas principais reivindicações.

Voto livre e universal; liberdade de imprensa; abolição do Poder Moderador e expulsão dos portugueses. Os revoltosos pretendiam reformas profundas na sociedade da época.

4. Qual o papel dos seguintes personagens na rebelião? Antônio Chichorro da Gama – político liberal,

presidente da Província de Pernambuco.

Pedro Ivo Velloso de Oliveira – capitão de artilharia

que se coloca à frente da rebelião até sua rendição, em 1849.

1. Quando o café começa a ter um papel destacado no conjunto das exportações?

A partir de década de 1830.

2. Qual foi o maior índice alcançado pela exportação de café no período analisado?

61,5% – entre 1881 e 1890.

3. Qual foi o maior volume de exportações de café na época?

51.631 sacas de 60 quilos, no período entre 1881-1890.

4. Qual o segundo produto de exportação brasileira na época?

Açúcar.

1. A que mudanças de mentalidade relacionadas à economia cafeeira o texto se refere?

Às preocupações com a administração e a racionalização do trabalho e às iniciativas de introduzir o trabalho livre.

2. De que maneira os recursos obtidos com o café levaram à diversificação da economia?

Com a aplicação de capitais oriundos da cafeicultura em outros setores da produção: bancos, ações, ferrovias, empreendimentos imobiliários e industriais.

1. Como era o trabalho dos imigrantes no sistema de colonato?

Obrigados a fazer de 4 a 5 carpas anuais no café, colhiam os grãos e prestavam serviços ocasionais e gratuitos aos fazendeiros.

2. Como pode ser caracterizado o trabalho familiar nas fazendas de café?

A remuneração no cafezal garantia apenas a sobrevivência; em função disso o trabalho de mulheres, crianças e adolescentes era fundamental para suprir as necessidades básicas da família.

3. Explique a presença de uma lavoura de subsistência junto às grandes plantações de café.

Era uma forma de assegurar a alimentação e a capitalização dos imigrantes, pois o excedente dessa lavoura de subsistência poderia ser vendido.

V

Leia o texto complementar A Inglaterra e o tráfico e aponte no espaço reservado as razões inglesas para se opor ao tráfico e à escravidão (não se esqueça do que aprendeu sobre a Revolução Industrial!).

Razões humanitárias existiam, afinal o Brasil era um dos

poucos países do mundo a usar mão de obra escrava. Porém,

o determinante eram as razões econômicas. Lembre-se de que a Inglaterra passara pela Revolução Industrial e que a abolição da escravatura traria consigo uma ampliação do mercado consumidor para produtos industrializados ingleses.

VERIFICANDO SE VOCÊ APRENDEU

1. O aluno deve escrever um resumo organizando as ideias apresentadas no caderno seguindo os quatros tópicos:

A) Influências externas

• Pressão inglesa por motivos econômicos e humanitários. 1845 – Bill Aberdeen

B) Papel do movimento abolicionista:

• Críticas ao escravismo através de intelectuais e profissionais liberais

• Discutir sobre a maneira de terminar a escravidão:

a) via parlamento

b) mobilização de opinião pública

• Criação de associação, clubes

• Pressionar o imperador

• Apoio a fuga de escravos

C) Atitude do governo imperial:

• 1850: Lei Eusébio de Queirós (fim do tráfico)

• Leis: 1871; 1885 e 1886

D) Resultado

• Oposição das elites agrárias dependentes do trabalho escravo

• Enfraquecimento da Monarquia

• Falta de um planejamento, de condições de absorção de mão de obra escrava pela sociedade brasileira

2. Veja as leis abolicionistas e discuta o alcance de cada uma delas, verificando o seu significado para os escravos e para os seus senhores:

• Lei do Ventre Livre: garantia a liberdade aos escravos nascidos a partir da data da lei. Na prática a Lei foi burlada com alteração da data de nascimento de inúmeros escravos.

• Lei do Sexagenário: concedia liberdade aos escravos com mais de 65 anos — beneficiando os senhores de escravos que se “livravam dos velhos imprestáveis”.

• Lei Áurea: assinada pela princesa Isabel, declarava extinta a escravidão no Brasil.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

1. Aprendendo um pouco mais

Responda as questões:

A. Qual o regime político existente hoje no Brasil?

República presidencialista.

B.

Durante o segundo reinado tínhamos apenas dois partidos políticos. E hoje, que partidos políticos existem no Brasil?

O

aluno deverá apontar, de preferência, os partidos de

importância nacional e aqueles de maior expressão em seu município.

C.

Para quais funções políticas há eleições hoje em nos- so país?

– presidente da República

– governador

– prefeito

– senador

– deputado federal

– deputado estadual

– vereador

D.

Que outros sistemas políticos você sabe que existem hoje? Aponte exemplos de países que tenham esses regimes.

O

aluno usará seu repertório e, deverá ser orientado a

ampliar seus conhecimentos em conversas com seus familiares e professores.

E.

Em sua opinião qual seria o regime ideal?

As

discussões, em sala de aula certamente auxiliarão o aluno

a

opinar sobre a questão proposta.

Resuma em algumas linhas o processo de extinção da escravidão no Brasil, destacando:

• Influências externas

• Papel do movimento abolicionista

• Atitude do governo imperial

• Resultados

2.

Vamos fazer comparação?

Para redigir seu pequeno texto, o aluno poderá considerar os seguintes pontos:

A

mentalidade conservadora dos fazendeiros do Rio de

 

Janeiro e do Vale do Paraíba, que defendiam a manutenção

da

mão de obra escrava.

 

Esses cafeicultores viviam em suas fazendas e os lucros eram revertidos na compra de novos escravos e no consumo

 

de produtos de luxo.

 

A expansão do café no Oeste Paulista trouxe consigo um

 

produtor agrícola com mentalidade empresarial, estabelecendo relações sociais de produção capitalistas.

 

Esse novo setor econômico aderiu a métodos mais racionais

 

e

modernos de produção agrícola. Gradativamente,

imigrantes europeus foram introduzidos como mão de obra

na

região.

3.

Vamos saber mais?

O aluno poderá considerar em sua análise os seguintes

pontos:

O

processo de marginalização do contingente de ex-

escravos.

Nas cidades surgiram bolsões de miséria, em função de ex- escravos que não conseguiram se incorporar ao mundo do trabalho.

A

permanência de condições precárias de vida no campo,

atingindo os ex-escravos que decidiram permanecer nas

fazendas.

O

racismo.

VI

B.

O Projeto de de Lei n. o 4 4437 de 2004 instituiu 20 de novembro, como Dia Nacional da Consciência Negra.

“Há 32 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira sugeriu que o 20 de novembro fosse comemorado como Dia Nacional da Consciência Negra, pois a data era muito mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. Em 1971 o 20 de novembro foi celebrado pela primeira vez. A ideia se espalhou por outros movimentos sociais de luta contra a discriminação racial e, no final dos anos 1970, já aparecia como proposta nacional do movimento negro unificado”.

www.comciencia.br/reportagens/negros/01.shtml

Zumbi, o emblemático líder palmarino morreu no dia 20 de novembro de 1695.

www.soleis.adv.br/ Indique para procurar “leis por assunto” e, em seguida, “racismo”. Vão encontrar as primeiras leis contra o racismo, 1940 e 1951, a Lei Afonso Arinos.

4.

Trabalho de pesquisa do aluno.

CAPÍTULO 11 – E A MONARQUIA CHEGA AO FIM…

A partir da leitura dos dois textos, faça um resumo das três linhas de interpretação apresentadas sobre a Guerra do Paraguai:

1 A historiografia tradicional considera como causa do conflito

a ambição de Solano López e sua política expansionista – a busca de saída ao mar para o Paraguai.

2 – Corrente historiográfica revisionista considera o imperia- lismo britânico, interessado em neutralizar o desenvol- vimento autônomo paraguaio, como fator determinante para

o início do conflito.

3 – A Guerra é entendida como a acomodação definitiva dos países numa nova ordem regional.

O Paraguai e o Uruguai, no início da Guerra, procuravam

espaço político entre o Império Brasileiro e a Confederação

Argentina – vizinhos perigosos que já tinham tentado anexá- los. Solano López buscava formas de comunicação e de comercialização com o exterior, como forma de tirar o Paraguai da estagnação. Neste sentido, essa linha de interpretação não aceita a tese do desenvolvimento para- guaio.

Transformações econômicas e sociais

Economia

A entrada do café no cenário econômico nacional. A partir de

1871, o Brasil é responsável pela metade da produção mundial de café.

O café cria uma classe social – os barões do café, que passam

a deter a partir de então enorme poder político

Sociedade

Alterações na composição da mão de obra

Início do processo de transição para a mão de obra livre:

escravos passam da ordem escravista para a capitalista. Imigrantes adaptam-se à vida no Brasil, fazendeiros habituam-se ao trabalho assalariado.

Outras transformações

Processo de modernização com o surgimento de ferrovias, bancos, iluminação a gás. Curiosidade: o sorvete chega ao Rio de Janeiro, bem como o hábito de as pessoas saírem para “comer fora”. 1 – Republicanos evolucionistas – favoráveis a uma transição pacífica da Monarquia para a República, de preferência após

a morte do imperador. Quintino Bocaiúva era o líder desse grupo.

2 – Republicanos revolucionários – pretendiam a república por meio de lutas com participação popular. Silva Jardim e Lopes Trovão eram os líderes desse grupo que, no final, não consegue levar à frente seu projeto político.

Verificando se você aprendeu:

1. Aponte os grupos sociais envolvidos na transição para a República.

Parcela do Exército; Fazendeiros do Oeste Paulista; Setores das camadas médias urbanas.

2. Discuta os interesses e a participação de cada um deles no movimento.

Exército – desde o fim da Guerra do Paraguai eram grandes os atritos entre o Exército e o Imperador. Oficiais graduados queriam “corrigir os vícios da organização política e social do País”. Fazendeiros do Oeste Paulista – de mentalidade empresarial capitalista, queriam a modernização do Estado e o acesso à participação nas decisões políticas. Camadas médias urbanas – setores que temiam um 3. o reinado de tendência francesa (a princesa Isabel era casada com francês) e projetos de modernização da máquina administrativa.

• Pintura:

• Benedito Calixto, nascido em 1853, pintou um famoso

quadro sobre a Proclamação da República, no qual enaltece

a participação dos militares.

• Batista da Costa, nascido no Rio de Janeiro em 1865, retratou as matas cariocas em suas telas. Gênero de pintura:

paisagismo.

• Joaquim Miguel Dutra, nascido em Piracicaba em 1864, executou a decoração de igrejas de várias cidades paulistas, onde esculpiu imagens e pintou cenas de vida religiosa, num estilo identificado com o figurativismo acadêmico.

• Pedro Américo e Vitor Meireles, especialistas em pinturas sacra e histórica, definiram as novas feições visuais da nação.

VII

• Música:

• O campineiro Antônio Carlos Gomes estudou música na Europa, com bolsa concedida por D. Pedro II. “O Guarani” e “Tosca” são suas mais célebres óperas. Em 1889, Carlos Gomes recusou o convite de Deodoro da Fonseca para compor o Hino da República.

• Chiquinha Gonzaga fez uma ponte entre o erudito e o popular na música brasileira. Pioneira na arte e na luta pela condição feminina no Brasil.

• Literatura:

• Machado de Assis (1839 – 1908) era pobre, mulato e trabalhava como operário de gráfica. Autodidata, aprendeu línguas e leu os clássicos da literatura mundial. Obras: Dom Casmurro, Helena, Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Esaú e Jacó.

• Aluísio de Azevedo relatou a vida das camadas mais pobres das cidades e analisou os problemas do racismo. Obras: O Mulato, O Cortiço.

• Raul Pompeia, ligado ao realismo na literatura, escreveu O Ateneu, no qual mostra os conflitos em uma escola só de rapazes.

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

1. Você é o historiador

O aluno deverá registrar, em um parágrafo, uma síntese do texto.

2. Preencha:

A partir da palavra REPUBLICANO, complete a

cruzadinha.

1.

F

E

D

E

R

A

L

I

S

M

O

 
 

2.

D

E

O

D

O

R

O

 
 

3. P

 

R

P

 
 

4. U

R

B

A

N

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Z

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Ç

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O

 

5.

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B

O

L

I

Ç

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O

 

6.

I

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A

 

F

I

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C

A

L

 
 

7.

P

O

S

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T

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V

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O

 
 

8.

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O

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D

E

 

D'

E

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9.

C

A

F

É

 

10.

N

O

V

E

M

B

R

O

 

11.

C

O

M

T

E

 

3. Vamos saber mais?

D. Pedro II incentivou a produção literária que trouxesse símbolos e personagens que pudessem ser identificados como nacionais. Nesse contexto surge o Romantismo Brasileiro, vinculado a temáticas indigenistas.

Minipesquisa: O Romantismo na Literatura Brasileira. Em tempo: vale pesquisar junto a seu professor de Português.

Algumas noções fundamentais:

O Romantismo surgiu na Europa, no início do século XIX, e

de lá foi trazido para o Brasil.

O Romantismo nacional busca no indígena a idealização das

qualidades e da pureza dos primeiros habitantes do território.

O poeta Gonçalves de Magalhães, com seu livro Suspiros

Poéticos e Saudades, é considerado o precursor do Romantismo Brasileiro. Em Paris ele funda a Revista Niterói, na qual os novos ideais românticos tiveram divulgação. Gonçalves Dias, poeta mulato, escreveu o poema I-Juca- Pirama, que se tornou símbolo da exaltação da valentia do índio brasileiro:

No meio das tabas de amenos verdores cercados de troncos – cobertos de flores, alteiam-se os tetos d’altiva nação. (…)

Sou bravo, sou forte sou filho do Norte, meu canto de morte, guerreiros ouvi.

Outros autores românticos: José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo. Adaptado de ALENCAR, Francisco (Org.) – História da Sociedade Brasileira, Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico S/A, 1979,

p.143.

4. Ampliando a discussão

Através da produção de um pequeno texto, o aluno estará revendo os principais assuntos discutidos ao longo desse bimestre. Ele deve escolher um assunto e discorrer sobre as transformações pelas quais passou ao longo de todo o século XIX, explorando todas as informações do caderno. Nós já vimos que ao mesmo tempo em que alguns aspectos de uma situação se transformou, outros permanecem. Ao tratar de qualquer tema escolhido nesse contexto de transformações o aluno se deparará com a ligação entre eles.

Sugestões Bibliográficas

Para uso do aluno:

• LEITE, Glacyra Lazzari – A Confederação do Equador. São Paulo, Ática, 1996.

• MARTINS, Ana Luiza – Império do café. A grande lavoura no Brasil (1850 a 1890). São Paulo, Atual,

1990.

• MARTINS, Ana Luiza – O trabalho nas fazendas de café. São Paulo, Atual, 1994.

• RITZKAT, Marly – A vida privada no segundo império: pelas cartas de Ina Von Binzer (1881 – 1883). São Paulo, Atual, 1999.

• RODRIGUES, Jaime – O tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo, Ática, 1997.

• TORAL, André – Adeus, chamigo brasileiro. Uma história da Guerra do Paraguai. São Paulo, Companhia das Letras, 1999.

• TREVISAN, Leonardo – Abolição. Um suave jogo político? São Paulo, Moderna, 1988.

• PRIORE, Mary Dei (coord.) – Diário de um príncipe

no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Ed. José Olympio,

2007.

VIII

Para uso do professor:

• DORATIOTO, Francisco – Maldita Guerra, Nova História da Guerra do Paraguai. São Paulo, Companhia das Letras, 2008.

• FREITAS, Décio. – A miserável revolução das

c/asses infames. Rio de Janeiro – São Paulo, Editora Record, 2005.

• HOLLOWAY, Thomas H. – Imigrantes para o café. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984.

• MARTINS, Ana Luiza – República. Um outro olhar. São Paulo, Contexto, 1989.

• MATTOS, Hebe M. – Escravidão e cidadania no Brasil monárquico. Rio de Janeiro, Jorge Zahar,

2000.

• REICHEL, Heloísa J. & GUTFREIND, Ieda –

Fronteiras e guerras no Prata. São Paulo, Atual,

1995.

• LUSTOSA, Isabel. – D. Pedro I. São Paulo, Companhia das Letras, 2006.

• CARVALHO, José Murilo de – D. Pedro II. São Paulo, Companhia das Letras, 2007.

CAPÍTULO

99

Brasil, um império nos trópicos

1. No Tempo de D. Pedro I

Introdução

Neste capítulo iniciaremos o estudo do processo pelo qual o Brasil foi-se transformando de colônia portuguesa em nação independente. Com a separação de Portugal, foi preciso reorganizar a vida política do país e redefinir sua forma de participação na economia mundial. A formação do Estado brasileiro transcorreu de forma singular, pois houve a manutenção das estruturas de poder anteriores à independência. A forma de governo conti- nuou sendo a monarquia e a elite escravocrata assumiu o controle da vida política do país. Éramos, então, a única monarquia existente na América! Entretanto, a construção do Estado nacional não transcorreu de maneira tão tranquila como poderíamos

supor, levando-se em consideração a maneira relativa- mente pacífica como se deu a independência. Nas pri- meiras décadas do período imperial, houve importantes crises políticas e revoltas sociais. D. Pedro I, que no início tinha sido aclamado im- perador contando com intenso apoio dos brasileiros, tor- nou-se tão impopular que foi obrigado a abdicar em 1831 e retornar a Portugal. Seguiu-se um período de ins- tabilidade política, no qual o país foi governado por regentes, pois o herdeiro da coroa não tinha idade para assumir essa tarefa. A regência foi um período marcado por revoltas nas províncias. Somente após 1840, quando D. Pedro II assumiu o trono e a estabilidade política foi alcançada, consolidou- se a monarquia. Este foi um longo trajeto, que vamos acompanhar a partir deste momento.

longo trajeto, que vamos acompanhar a partir deste momento. D. Pedro I e a Constituinte Nos

D. Pedro I e a Constituinte

Nos Estados modernos, a Constituição é o conjunto das leis fundamentais de um país que orienta as linhas básicas do seu funcionamento. Nem sempre a existência de uma Constituição é sinônimo de democracia. No entanto, seguir uma Constituição é essencial na definição de um governo democrático. Antes de conhecer a primeira Constituição brasileira, responda:

1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil?
1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil?

1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil?

1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil?
1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil?
2. De que forma ela foi elaborada?

2. De que forma ela foi elaborada?

1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil? 2. De que
1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil? 2. De que
1. Quando foi feita a Constituição que está atualmente em vigor no Brasil? 2. De que

Após a declaração de independência, D. Pedro I, também herdeiro do trono português, assumiu a posição de primeiro imperador brasileiro. A condição de país

157

independente tornava necessária a elaboração de novas leis. A reorganização política deveria começar pela elaboração de uma Constituição. Para tanto, organizou-se uma Assembleia Nacional Constituinte, que tomou posse em maio de 1823 no Rio de Janeiro. Havia representantes de praticamente todas as províncias, com exceção daquelas que ainda estavam en- volvidas na guerra de independência, como Bahia, Piauí e Pará. A maior parte dos constituintes era composta de representantes da aristocracia agrária e escravista. Desde logo houve desacordo entre D. Pedro I e os constituintes, principalmente em relação ao poder que seria destinado ao imperador. Este era acusado de ter tendências absolutistas. Outro ponto de discussão era que algumas províncias queriam ter maior autonomia frente ao poder central, defendendo o federalismo. Havia tam- bém atritos quanto à situação dos portugueses, que eram defendidos pelo imperador, mas havia quem pretendesse até expulsá-los do país. O autoritarismo do imperador acabou-se confirmando. Estava em votação um projeto constitucional que limitava seus poderes. Os deputados encontravam-se em sessão permanente para discutir o projeto, o que durou uma noite inteira, conhecida como Noite da Agonia. Após esse

episódio, D. Pedro I dissolveu a Assembleia e atribuiu a elaboração da nova carta constitucional a um Conselho de Estado, composto de dez membros nomeados por ele mesmo. Finalmente, a Constituição foi outorgada pelo imperador em 25 de março de 1824. Venciam, com isso, o autoritarismo e as tendências políticas mais conservadoras.

Você sabia?

O primeiro projeto constitucional que foi recusado havia sido elaborado por Antonio Carlos e foi
O primeiro projeto constitucional que foi recusado
havia sido elaborado por Antonio Carlos e foi chama-
do de Constituição da Mandioca. Isso porque ela pre-
via que o voto seria censitário e a renda dos candida-
tos seria calculada segundo um valor que teria como
referência a renda obtida com farinha de mandioca.
Por exemplo, para candidatar-se a deputado, o indiví-
duo deveria comprovar renda no valor de 400 alquei-
res de farinha de mandioca!

A Constituição

A Constituição elaborada definia as bases políticas da nação brasileira. Nela definia-se a monarquia hereditária como regime de governo, com a inclusão do inédito Poder Moderador, de inspiração absolutista, que seria atribuição exclusiva do imperador. Dessa forma, nossa primeira carta constitucional foi marcada pelo centralis- mo e pelo autoritarismo. Complete o quadro com as funções de cada um dos poderes nos quais o governo foi dividido. Use o texto complementar para definir o Poder Moderador.

Composição

Composição

Poder

Legislativo

Assembleia geral composta pelo Senado (vitalício) e pela Câmara dos Deputados

Poder

Judiciário

Juízes e Tribunais

Poder

Executivo

Imperador e

Ministros

Poder

Moderador

Imperador, com

auxílio do

Conselho de

Estado

Função

Imperador, com auxílio do Conselho de Estado Função 158 TEXTO COMPLEMENTAR
Imperador, com auxílio do Conselho de Estado Função 158 TEXTO COMPLEMENTAR

158

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

O Poder Moderador “O Conselho de Estado era um órgão composto por conselheiros vitalícios nomeados pelo imperador dentre cidadãos brasileiros com idade mínima de quarenta anos (uma idade avançada para a época), renda não inferior a 800 mil-réis e que fossem “pessoas de saber, capacidade e virtude”. O Conselho de Estado deveria ser ouvido nos “negócios graves e medidas gerais da pública administra- ção”, como declaração de guerra e ajustes de pagamento. O Poder Moderador provinha de uma ideia do escritor francês Benjamin Constant, cujos livros eram lidos por Dom Pedro e por muitos políticos da época. Benjamin Constant defendia a separação entre o Poder Executivo, cu- jas atribuições caberiam aos ministros do rei, e o poder propriamente imperial, chamado de neutro ou moderador. O rei não interviria na política e na administração do dia a dia e teria o papel de moderar as disputas mais sérias e gerais, interpretando “a vontade e o interesse nacional”. No Brasil, o Poder Moderador não foi tão claramente separado do Executivo. Disso resultou uma concentração de atribuições nas mãos do imperador. Pelos princípios constitucionais, a pessoa do imperador foi considerada inviolável e sagrada, não estando sujeita a respon- sabilidade alguma. Cabia a ele, entre outros pontos, a no- meação dos senadores, a faculdade de dissolver a Câmara e convocar eleições para renová-la e o direito de sancionar, isto é, aprovar ou vetar, as decisões da Câmara e do Senado.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo, Edusp/FDE, 1997, p.152.

Outro ponto importante da Constituição refere-se ao sistema eleitoral. As eleições seriam indiretas e baseadas no voto censitário. Elegia-se um colégio eleitoral que escolhia os deputados e senadores. Dessa forma, o acesso ao poder ficava restrito aos membros da elite e nem todos podiam votar. Se considerarmos que naquela época, de uma população estimada em 4 milhões de habitantes, 1,5 milhão eram escravos e as mulheres não votavam, vê-se que a participação política era bastante restrita. A respeito desse assunto, leia o texto complementar abaixo:

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

Sistema Eleitoral “O voto era indireto e censitário. Indireto, porque os votantes, correspondentes hoje à massa dos eleitores, votavam em um corpo eleitoral, nas eleições chamadas de primárias; esse corpo eleitoral é que elegia os deputados. Censitário, porque só podia ser votante, fazer parte do colégio eleitoral, ser deputado ou senador quem atendesse a alguns requisitos, inclusive de natureza econômica, chamados de “censo”. A eleição para a Câmara de Deputados se processava da seguinte forma. Nas eleições primárias, votavam os

cidadãos brasileiros, inclusive os escravos libertos, mas não podiam votar, entre outros, os menores de 25 anos, os criados de servir, os que não tivessem renda anual de pelo menos 100 mil-réis provenientes de bens de raiz (imóveis), indústria, comércio ou emprego. Os candidatos, por sua vez, só podiam ser pessoas que, além dos requisitos dos

votantes, tivessem renda de, no mínimo, 200 mil-réis anuais

e não fossem escravos libertos. Os escolhidos nessas

eleições primárias formavam o corpo eleitoral que elegeria

os deputados. Para ser candidato nessa segunda etapa, as

exigências aumentavam: além dos requisitos anteriores era necessário ser católico e ter uma renda mínima anual de 400 mil-réis. Não havia referência expressa às mulheres, mas elas estavam excluídas desses direitos políticos pelas normas sociais. Curiosamente, até 1882 era praxe admitir o voto de grande número de analfabetos, tendo em vista o silêncio da Constituição a esse respeito.”

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo, Edusp/FDE, 1997, p.151.

Sobre o sistema eleitoral em vigor no nosso país, responda:

1. Atualmente, no Brasil, quem pode votar?

 

2. O voto é obrigatório?

3. Compare o sistema de votação do Império com a forma em vigor atualmente.

Confederação do Equador

com a forma em vigor atualmente. Confederação do Equador Bandeira da Confederação do Equador A forma

Bandeira da Confederação do Equador

A forma como foi elaborada a Constituição e o ex- cessivo autoritarismo do imperador causaram protestos. Em Pernambuco, a situação agravou-se com a crise econô- mica decorrente da estagnação das exportações açucareiras e com a persistência de problemas sociais que haviam dado origem, alguns anos antes, ao movimento de 1817. A província reagiu à nomeação de um presidente de província escolhido pelo imperador e instaurou um gover- no republicano e federalista, dando início à Confederação do Equador (1824). A rebelião expandiu-se, atingindo o Rio Grande do Norte, a Paraíba e o Ceará. Caracterizou-se por ser um movimento urbano com significativa partici- pação popular. A reação do governo monárquico foi ime- diata e a rebelião durou pouco tempo. Os seus principais líderes foram executados, dentre os quais Frei Caneca.

Você sabia?

Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca nasceu em Recife em 1774. Havia participado,
Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca nasceu
em Recife em 1774. Havia participado, assim como
Cipriano Barata, do levante de 1817. Após ficar preso
4 anos, quando colocado em liberdade passou a fazer
oposição às atitudes autoritárias de D. Pedro I, escre-
vendo no jornal TyphisTyphis PernambucanoPernambucano. Foi preso na re-
pressão à Confederação do Equador e condenado à
morte. Não havendo carrasco que aceitasse enforcá-lo,
foi executado por um pelotão de fuzilamento em 1825,
na cidade de Recife.
executado por um pelotão de fuzilamento em 1825, na cidade de Recife. Frei Joaquim do Amor

Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca

159

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

Frei Caneca “Frei Caneca foi o grande ideólogo e publicista da Confederação do Equador, pautando a sua atuação política pela defesa de um ideário liberal radical. Com o malogro da rebelião, o Poder Imperial senten- ciou nove condenações à morte em Pernambuco, cinco no Ceará e três no Rio de Janeiro. A popularidade de Frei Caneca era tal que até mesmo o carrasco oficial de Per- nambuco se negou a enforcá-lo, assim como os seus dois ajudantes. Os próprios prisioneiros da Cadeia Pública de Recife foram mobilizados para fazer cumprir a sentença, mas todos se recusaram, mesmo diante da promessa de anistia, que incluía os condenados à pena de morte e à prisão perpétua. Foi formado então um pelotão de fu- zilamento, composto por dez militares de linha, dois dos quais desmaiaram no ato da execução, devido à forte emo- ção. Tudo isso foi em boa parte relatado pelo escrivão do crime Miguel Arcanjo do Nascimento. Frei Caneca se comportou com grande dignidade durante toda a fase do seu interrogatório, como o comprova, aliás, a própria do- cumentação oficial. Por outro lado, a denúncia feita pelo próprio Frei Cane- ca sobre as condições de sua detenção em Recife configura um dos documentos mais impressionantes sobre o despo- tismo imperial no Brasil. Segundo Frei Caneca, ele e seus companheiros foram enviados para a cadeia de Recife e ali mantidos incomunicáveis “em um calabouço, que dantes servia de armário de guardar as cabeças dos enforcados. Este infernal calabouço tem de comprimento treze palmos e sua largura é tão estreita que um dos companheiros que era o mais alto dentre nós, estando deitado, tocava com a cabeça em uma parede e com os pés na outra oposta…”

FILHO, Ivan Alves. Brasil, 500 Anos em Documentos. Rio Janeiro, Mauad, 1999, p. 179.

V

O

C

A

B

U

L

Á

R

I

O

 

Abdicar: renunciar voluntariamente a alguma coisa, no caso ao poder. Assembleia Constituinte: reunião de representantes escolhidos para elaborar uma Constituição. Despotismo: autoritarismo Federalismo: sistema de governo caracterizado por uma relativa autonomia de estados ou províncias em relação ao poder central. Outorgar: conceder, aprovar, permitir.

2. Uma Importante Transição

Introdução

Alguns fatores contribuíram para que D. Pedro I per- desse em pouco tempo o apoio daqueles que o haviam conduzido ao poder. A forma autoritária como transcorreu o processo de elaboração da Constituição produziu o afastamento político da poderosa elite agrária, que passou a se opor ao seu governo. As críticas ao autoritarismo do imperador vinham de todos os lados. Temia-se, sobretudo, sua aproximação com os portugueses e possíveis tentativas de recolo- nização. Esse sentimento tornou-se mais forte no ano de 1826, com a morte de D. João VI em Portugal. D. Pedro I seria o herdeiro direto, mas acabou renunciando ao trono português em favor de sua filha, D. Maria da Glória. Entretanto, esse gesto acabou gerando conflitos em Portugal, pois D. Miguel, irmão de D. Pedro I, resolveu reivindicar o trono. O envolvimento do imperador nessa disputa e o envio de recursos dos cofres brasileiros para Portugal contribuíram para desgastar, ainda mais, a imagem de D. Pedro I. As dificuldades econômicas tornavam a situação política explosiva. As exportações vinham caindo e o endividamento externo aumentava. Os problemas enfrentados na época na Província Cisplatina contribuíram para aumentar as dificuldades financeiras do país. Em 1825 a região, que havia sido alvo de disputas por todo o período colonial entre portugueses e espanhóis, pediu sua separação do Brasil e sua anexação à Argentina. Seguiu- se uma guerra entre brasileiros e argentinos. O conflito acabou em 1828, com a conquista da independência dessa antiga província, que veio a constituir o Uruguai. A partir de 1830 a tensão se multiplicou. As manifestações contrárias a D. Pedro I chega- vam às ruas. Voltando à corte, após uma viagem à província de Minas Gerais, o

ruas. Voltando à corte, após uma viagem à província de Minas Gerais, o Mapa do Brasil

Mapa do Brasil com atual divisão política

160

imperador foi recebido friamente, e brasileiros e portugueses enfrentaram-se violentamente por cinco dias.

Um dos episódios desse conflito ficou conhecido como Noite das Garrafadas.

desse conflito ficou conhecido como Noite das Garrafadas . TEXTO COMPLEMENTAR – – – – –

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

Noite das Garrafadas “No dia 13, algumas contramanifestações espontâneas de constitucionalistas terminaram em uma forte pancadaria que assumiu rapidamente o caráter de confronto étnico e político entre portugueses e brasileiros, entre liberais e imperiais. Os principais armamentos do entrevero foram pedras e cascos de velhas garrafas – de onde a historio- grafia se inspirou para registrar o evento com o nome de A Noite das Garrafadas. Mais numerosos na ocasião, os portugueses levaram a melhor e, armados de porretes, passaram a percorrer as ruas dando gritos de viva ao imperador e fazendo escárnio de liberais e republicanos. Em resposta, nos dias seguintes, os brasileiros passaram a portar o laço nacional verde-amarelo, o que bastou para arrefecer o ânimo lusitano. Em seu ingresso oficial na cidade, o imperador fora recebido com uma saudação que o advertia ameaçadoramente: "Viva o Imperador, enquanto constitucional.”

MAESTRI, Mário. Império. São Paulo, Contexto. 1997, p.61.

161

constitucional.” MAESTRI, Mário. Império. São Paulo, Contexto. 1997, p.61. 161 D. Pedro II ainda criança

D. Pedro II ainda criança

A impopularidade do imperador crescia cada vez mais. Seu isolamento político acabou fazendo com que ele se visse obrigado a tomar uma resolução extremada:

em 7 de abril de 1831, D. Pedro I abdicou do trono brasileiro em favor de seu filho. O herdeiro, D. Pedro de Alcântara, tinha apenas 5 anos. Imediatamente após essa atitude, D. Pedro I partiu com o restante da família para Portugal. A partir daí ficou claro para todos que não haveria mais retorno. A separação de Portugal tornava-se definitiva.

Você sabia? Junto a Pedro de Alcântara ficaram no Brasil suas irmãs Paula, de 8
Você sabia?
Junto a Pedro de Alcântara ficaram no Brasil suas
irmãs Paula, de 8 anos e Januária de 9 anos. José Bo-
nifácio de Andrade e Silva era o tutor dessa jovem fa-
mília imperial. D. Pedro I tinha ainda outros filhos,
num total de 13 para alguns historiadores e até 18
para outros. Destes, apenas 8 eram fruto dos seus dois
casamentos, o primeiro com D. Leopoldina, de quem
ficou viúvo, e o segundo com D. Amélia de Leuchtenberg.
Os outros, ele os havia tido com suas diversas amantes.
A mais famosa delas foi D. Domitila de Castro, a Mar-
quesa de Santos, a quem se atribui até mesmo alguma
influência política sobre o imperador.

Destaque do texto informativo deste item as principais razões que levaram D. Pedro I a abdicar do trono brasileiro:

1

2

3

4

As regências

A constituição brasileira previa que, no caso de impos- sibilidade do imperador assumir, o país seria governado por uma regência trina. A pouca idade de D. Pedro de Alcântara exigia essa solução. A escolha dos regentes caberia ao Congresso. Como este estava em férias quando houve a abdicação, escolheu-se uma regência trina provisória. Dois meses depois, a regência permanente assumiu. A partir de 1834 passou-se a ter apenas um regente.

PERÍODO REGENCIAL

Regência Trina Provisória

Senador Carneiro de Campos

Senador Campos Vergueiro

• não seria dado aos regentes o exercício do Poder Moderador

• atuação política de membros do Partido Português, ou “restauradores”

(1831)

Brigadeiro Francisco de Lima e Silva

Regência Trina Permanente

Brigadeiro Francisco de Lima e Silva

Deputado Costa Carvalho

• o trio de regentes ligava-se ideologica- mente ao grupo dos liberais moderados.

• Padre Antonio Feijó era Ministro da Jus- tiça.

(1831-1835)

Deputado Bráulio Muniz

Regência Una

 

• O Padre Feijó é escolhido regente Uno através de uma eleição

(1835-1837)

Padre Diogo Antonio Feijó

• Com sérios problemas de saúde, renuncia ao poder.

Regência Una

 

• Forma o Ministério das Capacidades, com políticos conservadores que acreditavam no uso da violência para controlar as rebeliões nas províncias.

• Adota medidas centralizadoras e autori- tárias.

(1838-1840)

Pedro de Araújo Lima

162

Em busca da ordem social

A regência foi um período marcado pela agitação política e por rebeliões nas províncias. A ausência da figura do imperador como chefe do governo dava margem a disputas entre as facções políticas existentes. Ainda não se tratava de partidos estruturados, mas de tendências políticas que procuravam afirmar-se. Havia os restauradores, que pretendiam a volta de D. Pedro I, e os liberais, que se dividiam em exaltados e moderados. Essas tendências situam-se na origem dos partidos que vão consubstanciar-se de fato no Segundo Reinado.

que vão consubstanciar-se de fato no Segundo Reinado. Padre Diogo Antonio Feijó, escolhido regente em 1835

Padre Diogo Antonio Feijó, escolhido regente em 1835

Padre Diogo Antonio Feijó, escolhido regente em 1835 D. Pedro II aos 12 anos, já com

D. Pedro II aos 12 anos, já com vestimenta de Imperador

No Portal Objetivo Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e,
No Portal Objetivo
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite HIST8F301

Durante as regências a grande preocupação era assegurar a manutenção da ordem política e social. A elite temia que as agitações fugissem ao controle. Para assegurar a ordem, o Padre Diogo Antônio Feijó, então Ministro da Justiça, criou a Guarda Nacional. Garantir a unidade do território brasileiro era outra preocupação importante. As diferenças de interesses regionais expressaram-se fortemente nessa época em revoltas de grandes proporções nas províncias, que estudaremos na próxima aula: a Sabinada, a Balaiada, a Revolução Farroupilha e a Cabanagem. Um levante de negros na Bahia, a Revolta dos Malês, ameaçava a ordem escravocrata. Diante de tanto problemas, a elite agrária temia perder o controle da situação. Entregar o comando do país para o imperador parecia ser uma boa alternativa para acalmar os ânimos e garantir a unidade nacional. Como faltavam alguns anos para que o jovem imperador chegasse à idade prevista pela Constituição, 18 anos, resolveu-se antecipar a maioridade de D. Pedro de Alcântara. Em 23 de julho de 1840, com pouco menos de 15 anos, D. Pedro II assumia o poder.

163

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

A regência e a Guarda Nacional

"O período regencial foi um dos mais agitados da histó- ria política do país e também um dos mais importantes. Na-

queles anos, esteve em jogo a unidade territorial do Brasil, e o centro do debate político foi dominado pelos temas da cen- tralização ou descentralização do poder, do grau de auto- nomia das províncias e da organização das Forças Armadas. As reformas realizadas pelos regentes são um bom exem- plo das dificuldades em se adotar uma prática liberal que fugisse aos males do absolutismo. Nas condições brasilei- ras da época, muitas medidas destinadas a dar alguma fle- xibilidade ao sistema político e a garantir as liberdades in- dividuais acabaram resultando em violentos choques entre as elites e no predomínio do interesse de grupos locais. Nem tudo se decidiu na época regencial. Podemos mes- mo prolongar a periodização por dez anos e dizer que só por volta de 1850 a Monarquia centralizada se consolidou, quando as últimas rebeliões provinciais cessaram.( )

Quando começou o período regencial, o Exército era

uma instituição mal-organizada, vista pelo governo com muito suspeita. Mesmo após a abdicação de Dom Pedro, o número de oficiais portugueses continuou a ser significa- tivo. A maior preocupação vinha, porém, da base do Exér- cito, formada por gente mal-paga, insatisfeita e propensa a aliar-se ao povo nas rebeliões urbanas. Uma lei de agosto de 1831 criou a Guarda Nacional, em substituição às antigas milíciais. Ela era cópia de uma lei francesa do mesmo ano. A ideia consistia em organizar um corpo armado de cidadãos confiáveis, capaz de reduzir tan-

to os excessos do governo centralizado como as ameaças das "classes perigosas". Na prática, a nova instituição ficou incumbida de manter a ordem no município onde fosse formada. Foi chamada, em casos especiais, a enfrentar rebeliões fora do município e a proteger as fronteiras do país, sob o comando do Exército.”

FAUSTO, Boris – História do Brasil, São Paulo, EDUSP/ FDE, 1997, p. 161-164

) (

Vamos trabalhar com texto?

1. Por que o autor considera que o período regencial foi importante?

2. Quando, de fato, a Monarquia se teria consolidado?

3. Qual o objetivo de se criar a Guarda Nacional?

 

4. Quem seriam as "classes perigosas" mencionadas pelo autor?

3. As rebeliões regenciais

Introdução

O período regencial foi marcado pela instabilidade política e por agitações sociais de todo tipo. Houve revol- tas nas cidades e no campo, entre setores da classe domi- nante e opondo as camadas mais baixas da sociedade à elite. Houve levantes de escravos, defesa do federalismo e de ideiais republicanos, confrontos relacionados a ques- tões econômicas, ou devido à situação de miséria agra- vada pelas dificuldades na economia. Antes de conhecer as razões específicas daquelas rebeliões que se ressal- taram, vamos observar algumas condições da época que ajudam a entender essa generalização de revoltas? Leia os dois textos complementares a seguir e destaque essas condições no espaço reservado.

a seguir e destaque essas condições no espaço reservado. 164   TEXTO 1  
a seguir e destaque essas condições no espaço reservado. 164   TEXTO 1  
a seguir e destaque essas condições no espaço reservado. 164   TEXTO 1  
a seguir e destaque essas condições no espaço reservado. 164   TEXTO 1  
a seguir e destaque essas condições no espaço reservado. 164   TEXTO 1  
a seguir e destaque essas condições no espaço reservado. 164   TEXTO 1  
a seguir e destaque essas condições no espaço reservado. 164   TEXTO 1  

164

 

TEXTO 1

 

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

As diferenças em jogo “(…) O Brasil era uma nação formada por um verdadeiro retalho de províncias, economicamente semiautônomas, mantidas unidas, a muito custo, pelo poder central estabelecido no Centro Sul. Era muito grande a diversidade regional. Importantes facções das elites regionais sonhavam com a autonomia de suas regiões. Pernambuco e suas províncias limítrofes tentaram a aventura em 1817 e 1824. O Rio Grande do Sul tentaria o mesmo de 1835 a 1845. Em verdade, não havia uma unidade territorial brasileira. Maior ainda era a falta de homogeneidade social. Efetivamente, o Brasil era uma nação formada por setores sociais que viviam em um antagonismo visceral. Os senhores de escravos reinavam sobre multidões de escravos africanos ou crioulos. Pouco sabemos sobre as línguas veiculares dessa população, sobre suas canções de trabalho, de lazer, sobre suas lendas, sua literatura oral. Eram igualmente importantes as camadas subalternas caboclas (descendentes das populações nativas) ou mestiças, mantidas na submissão. Quase nada sabemos, igualmente, da fala e da cultura dessas comunidades. Em meados do século XIX, a escravidão era o elemento diferenciador do Brasil em relação à Europa e unificador em relação às diversas regiões e setores sociais nacionais. Ele era certamente a expressão da alma nacional brasileira.”

MAESTRI, Mário – Império. São Paulo, Contexto, 1997, p. 70.

 

TEXTO 2

 

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

Rumos a seguir “A década de 1830 decide os rumos nacionais do século XIX. Com a abdicação, impõe-se o liberalismo, que em par- te a provocara. Não se pense, contudo, na teoria liberal, na verdade nunca plenamente realizada. O liberal era contra o autoritarismo, queria eleições frequentes, livre expressão. Admitia, contudo, o sistema escravista de trabalho, em flagrante incoerência. Esta não era exclusividade nossa:

existia também nos Estados Unidos.(…) Havia graves problemas no país, que provocavam tumultos nas cidades e rebeliões em algumas províncias, indo além do simples desejo de escolher os chefes ou repre- sentantes, provando as contradições de uma sociedade ain- da nova e sem consciência bem determinada de seu papel. Na qual há senhores e escravos, mas também há um esboço de classe média, com funcionários, comerciantes, artesãos, trabalhadores livres e grande número de marginais, alija- dos de qualquer processo produtivo e sem papel social. An- te essas explosões do povo, às vezes desarticuladas, mas violentas, o grupo dominante apavora-se e teme a anar- quia. Os mais cautelosos alinham-se entre os moderados, defendem a Monarquia constitucional, temerosos de qual- quer aventura.”

IGLÉSIAS, Francisco. Trajetória política do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 1993, p. 154-155.

Você sabia?

Para controlar as agitações na província, D. Pedro I havia enviado ao Pará, em 1823,
Para controlar as agitações na província, D. Pedro I
havia enviado ao Pará, em 1823, o Almirante
Greenfeld, mercenário inglês. A ele se atribuem algu-
mas atrocidades. Há quem afirme que ele asfixiou
aproximadamente 300 paraenses que não aceitavam a
separação do Brasil em relação à Portugal nos porões
de um navio. Teria também amarrado na boca de um
canhão o cônego Batista Campos, colocado por brasi-
leiros revoltosos no poder provincial. Não teria chega-
do a atirar, embora por pouco!

A Revolta dos Cabanos (1835-1840)

Em 1835, na província do Grão-Pará, estourou a Cabanagem. As origens desse movimento encontram-se nos conflitos havidos na região logo após a indepen- dência, quando a população paraense se dividiu entre aqueles que eram a favor ou contra a separação de Portu- gal. Aliado a esse fato encontra-se um forte conteúdo social: a situação de extrema miséria da população que vivia às margens dos rios amazônicos, os cabanos. Os problemas na província estenderam-se desde a independência durante cerca de dez anos, com forte oposição entre portugueses e brasileiros. Tornaram-se mais agudos quando foi designado pelo governo regencial um presidente de província que desagradou fortemente as lideranças regionais. Com o assassinato desse governante, Lobo de Souza, começou o conflito. Os líderes dos cabanos eram Félix Antônio Clemente Malcher, os irmãos Vinagre (fazendeiros) e o jornalista Eduardo Angelim. A adesão ao movimento foi grande. Essa revolta teve forte conteúdo popular e envolveu na lu- ta também mestiços, índios e negros. Os cabanos fizeram de seus líderes governadores da pro- víncia. O governo regencial não podia aceitar tal ousadia! Reagiu prontamente enviando tropas para a região. Embora enfraquecido, somente em 1840 o movimento foi totalmente controlado, com um saldo de cerca de 30.000 mortos.

Conflitos na Bahia

Durante o período regencial dois conflitos importantes, embora de características diversas, ocorreram na Bahia: a Revolta dos Malês (1835) e a Sabinada (1837-1838). No início do século XIX a província da Bahia se defrontou com revoltas de escravos que produziam ata- ques e incêndios em fazendas nos arredores de Salvador. Evidenciava-se uma certa organização dos negros. A po- lícia baiana, preocupada, proibiu a capoeira, as danças e os batuques africanos na cidade. A rebelião liderada pelos malês, negros de tradição, cultura e religião muçulmana, começou quando um nú- mero bastante expressivo de escravos tomou de assalto Salvador. Colocavam-se contra a escravidão e se recu- savam a aceitar a imposição da fé católica. Conta-se que batiam nas portas das casas para conseguir adeptos para

seu movimento. A repressão foi violenta e imediata. O grande temor dos fazendeiros era que se repetisse aqui

uma revolta de escravos vitoriosa como a do Haiti, tor- nado independente em 1804, numa violenta guerra civil.

O médico Francisco Sabino Barroso foi o principal

articulador do movimento que acabou levando seu nome,

a Sabinada. O objetivo dessa revolta era criar uma repú-

blica e tornar a Bahia independente do Brasil, pelo menos até a maioridade de D. Pedro de Alcântara. O apoio ao movimento ficou restrito às camadas médias da popu- lação de Salvador. Os sabinos, cercados por terra e mar pelas tropas do governo regencial, atearam fogo à cidade. Acabaram-se rendendo em 14 de março de 1838, dei- xando um saldo de cerca de 2 mil mortos.

Você sabia?

Francisco Sabino, além de médico, era jornalista e pro- fessor da Faculdade de Medicina da
Francisco Sabino, além de médico, era jornalista e pro-
fessor da Faculdade de Medicina da Bahia. Leitor dos
pensadores iluministas franceses, foi também influen-
ciado por Thomas Jefferson, um dos principais redato-
res da Constituição dos Estados Unidos.

A Balaiada (1838-1841)

Ao conjunto de revoltas ocorridas no Maranhão, principalmente nas regiões de São Luís e Caxias, dá-se o nome de Balaiada. Isto porque um dos líderes do movi- mento, Manoel dos Anjos Ferreira, tinha o apelido de “balaio”, pois produzia e vendia cestos de vime. Atuavam junto a ele o vaqueiro cafuzo Raimundo Gomes, o “cara preta” e o negro Cosme, líder de um quilombo com cerca de 3000 escravos fugidos. A miséria, a crise econômica da província, privilégios ainda concedidos a comerciantes portugueses foram as causas imediatas da revolta. As tentativas de tirar do poder o presidente da província fracassaram devido à falta de um projeto político definido. Grupos armados praticavam saques em vilas e cida- des durante a revolta, fazendo com que muitas análises confundam esse movimento com uma simples onda de banditismo no interior do Maranhão. Grandes proprie-

tários de terras combatiam os rebeldes em função da par- ticipação crescente de negros escravos nas revoltas.

O governo regencial enviou uma tropa com 2 mil ho-

mens, liderada por Luís Alves de Lima e Silva, para con- trolar o movimento. Todos os rebeldes foram anistiados, com exceção do negro Cosme, o único a ser enforcado. Luís Alves de Lima e Silva recebeu o nome de “pacificador” e, posteriormente, o título de Duque de Caxias.

No Portal Objetivo Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e,
No Portal Objetivo
Para saber mais sobre o assunto, acesse o PORTAL
OBJETIVO (www.portal.objetivo.br) e, em “localizar”,
digite HIST8F301

165

O movimento farroupilha

(1835-1845)

A Revolta dos Farrapos foi a mais longa das rebe liões oco rridas du rante a regência, indo além do final desse período. As razões que levaram à de- flagração do conflito no Rio Grande do Sul foram questões econômicas havidas

entre os estancieros, criadores de gado, e

o governo regencial. O principal produto

da economia sulista era o charque, que vinha sofrendo concorrência da produção argentina e uruguaia. Os produtores gaúchos alegavam que os altos impostos cobrados pelo governo central encareciam seu produto e os provenientes daqueles países entravam no país com tarifas reduzidas. Do ponto de vista político, havia grande penetração das ideias federalistas e republicanas na região, incen- tivando o surgimento de propostas separatistas. Defendia- se, sobretudo, uma maior autonomia para a província, o que seria conveniente para decidir as questões econô- micas com os países vizinhos.

Na liderança do movimento encontravam-se os gran- des proprietários, capazes de sustentar a revolta por um longo período. Receberam a adesão de grupos das camadas médias das cidades. Esses fazendeiros, também chamados de caudilhos, usavam os “farrapos”, a população pobre e maltrapilha, como linha de frente para os combates. Em 1838, Bento Gonçalves, filho de rico estancieiro

e Antonio de Sousa Netto, consolidaram a República Rio

Grandense, ou de Piratini, ficando com o controle de todo

o interior da província e tendo o apoio da grande maioria dos criadores de gado. A partir do momento em que a revolta ganhou ares de separatismo político, muitos líderes e fazendeiros deixaram de apoiar os ideais da revolta. Em 1839, o fazendeiro Davi Canabarro, com o apoio

Você sabia?

Giuseppe Garibaldi havia fugido da Itália em 1834 por ter-se envolvido em uma rebelião. Juntou-se
Giuseppe Garibaldi havia fugido da Itália em 1834
por ter-se envolvido em uma rebelião. Juntou-se aos re-
volucionários italianos que se asilavam na América do
Sul, inclusive no Brasil. Durante sua participação na
Guerra dos Farrapos conheceu Anita Garibaldi, sobri-
nha de uma farroupilha. A moça era casada com um
sapateiro, a quem abandonou para fugir com Garibal-
di. A catarinense acompanhou o italiano em suas ati-
vidades revolucionárias que os levaram à Europa,
onde Garibaldi participou ativamente do movimento
de unificação da Itália. Em função de suas atividades
em movimentos revolucionários nos continentes ameri-
cano e europeu, ficou conhecido como “herói dos dois
mundos”.
República Rio Grandense, de Antonio Parreiros
República Rio Grandense, de Antonio Parreiros

político do revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, estendeu a revolução até Santa Catarina, proclamando a República Catarinense ou Juliana. A luta com os farrapos foi longa e as batalhas eram entremeadas com concessões do poder central. A partir de 1842, Caxias passou a ser o comandante das forças lega- listas. O militar fez acordos políticos com diferentes líde- res farroupilhas e ofereceu aos combatentes uma “paz honrosa”, que decidia, entre outras coisas, conceder uma anistia geral aos revoltosos. Finalmente, em 1845 foi assinado um acordo de paz com Davi Canabarro, colo- cando fim ao conflito.

Você sabia?

A origem do nome “farrapos”, que significa maltrapi- lho, tem várias explicações. Teria surgido numa
A origem do nome “farrapos”, que significa maltrapi-
lho, tem várias explicações. Teria surgido numa alu-
são a trajes considerados “caipiras” usados por Cipria-
no Barata em Lisboa. Referiu-se, depois, aos liberais
exaltados da província rio-grandense. O nome acabou
sendo usado de forma depreciativa para designar os
revoltosos do movimento desencadeado no sul.

V

O

C

A

B

U

L

Á

R

I

O

 

Alijados – colocados de fora, excluídos Anistia: perdão geral concedido a indivíduos sujeitos a penalidade ou envolvidos em rebeliões Arrefecer – esfriar, perder a energia ou o entusiasmo Cafuzo: mestiço de negro e índio Charque: carne de gado bovino, salgada e em mantas Entrevero – confusão Escárnio – desprezo, zombaria Homogeneidade: igualdade, ausência quase total de diferenças Legalista: partidário da lei, aquele que luta pelo governo legal Milícia – corporação militar, força militar de um país Propensa – inclinada, favorável a, tendente Regência – governo provisório quando da impossibilidade do chefe de Estado assumir Visceral: relativo a vísceras, profundo

166

4. Vamos elaborar um quatro comparativo

4. Vamos elaborar um quatro comparativo E XERCÍCIOS C OMPLEMENTARES 1. Você é historiador Leia o

EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES

1. Você é historiador

Leia o texto abaixo e analise o quadro das exportações brasileiras que o acompanha. Procure, a partir dessas informações, explicar por que em Pernambuco aconteceram duas importantes rebeliões, afastadas por pouco tempo uma da outra: a Revolução Pernambucana (1817) e a Confederação do Equador (1824).

Anos 1500-1822 ––––––––––––– Açúcar 56,0 ––––––––– 31,7

Anos

1500-1822

–––––––––––––

Açúcar

56,0

–––––––––

31,7

1821-1830

30,1

1831-1840

24,0

1841-1850

26,7

TEXTO COMPLEMENTAR

Algodão

Café

Couros

2,2

0,7

2,8

––––––––––

––––––––

20,6

18,4

13,6

10,8

43,8

7,9

7,5

41,4

8,5

18,4 13,6 10,8 43,8 7,9 7,5 41,4 8,5 Fumo 2,2 –––––––– Cacau 0,7

Fumo

2,2

––––––––

Cacau

0,7

––––––––

Borracha

–––––––––––

Mate

–––––––

–––––––

2,5

0,5

0,1

 

–––––––

1,9

0,6

0,3

0,5

 

–––––––

1,8

1,0

0,4

0,9

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

A economia e a sociedade pernambucanas "Ao longo do período colonial (1500-1822), Pernambuco tornou-se uma das regiões mais ricas do Brasil. Nas zonas mais próximas do litoral plantava-se muita cana-de-açúcar em grandes fazendas e fabricava-se açúcar nos engenhos. Mais para o interior produzia-se algodão. Esses produtos eram exportados para diversos países da Europa, através de Portugal. Era um comércio lucrativo, mas que deixava a economia pernambucana muito dependente do mercado internacional; se os países europeus parassem de comprar ou começassem a pagar preços menores, agravavam-se as dificuldades internas. Nas primeiras décadas do século XIX, a concorrência de outras regiões produtoras de açúcar extraído da cana ou da beterraba e de novas áreas produtoras do algodão fez aumentar a oferta desses produtos e acentuou a queda de seus preços no mercado externo. Além disso, nas províncias do Sudeste, outro produto começava a se tornar muito importante: o café.

Exportações brasileiras: participação de cada produto (em porcentagem)

Ouro e diamante

––––––––––––– ––––––––– –––––––––––––––––

–––––––––––––––––

––––––––––––– ––––––––– –––––––––––––––––

––––––––––––– ––––––––– ––––––––––––––––

–––––––––– –––––––– –––––––––– –––––––– –––––––– –––––––––––

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–––––––––– –––––––– –––––––––– –––––––– –––––––– –––––––––––

Fonte: Peter Eisemberg. Modernização sem mudança – A indústria açucareira em Pernambuco. 1840/1910. Rio de Janeiro, Paz e Terra/Unicamp, 1977. p. 31.

167

Assim, o processo de instalação do Império do Brasil, a partir de 1822, ocorreu num momento de crise econômica em Pernambuco. As províncias do Sudeste — Rio de Janeiro, Minas e São Paulo, principalmente — estavam muito mais próximas do centro de poder, a Corte, o que aumentava as vantagens políticas e econômicas da região. Tornaram-se inevitáveis as disputas regionais para definir os rumos políticos da nação. E também para influir na aplicação dos recursos que entravam no país, seja através das exportações, seja em forma de empréstimos conseguidos no exterior, sobretudo na Inglaterra. No decorrer dessa disputa, Pernambuco sentiu-se cada vez mais prejudicado. Além de não receber ajuda do governo central, ainda tinha de pagar pesados impostos, especialmente sobre os produtos exportados.”

LEITE, Glacyra Lazzari. A Confederação do Equador. São Paulo, Ática, 1996, p.5 e 6

2.Pense, reflita e relacione:

D. Pedro I e a sucessão do trono português =

Brasil e Província Cisplatina =

Abdicação de D. Pedro I e Regências =

Impopularidade de D. Pedro I e Noite das Garrafadas =

3.Atividade de pesquisa

Vamos aprofundar nossos conhecimentos? Escolha uma das rebeliões apresentadas neste capítulo e faça uma pesquisa complementar sobre ela. Sugestão: combine com seus colegas mais próximos para fazer a pesquisa sobre rebeliões diferentes. Isso poderá ajudá-los na realização do item 4 desse capítulo.

4. Trabalhando com mapa

Observe o mapa político do Brasil. Localize os atuais estados onde aconteceram as rebeliões regenciais e pinte- os conforme a legenda:

as rebeliões regenciais e pinte- os conforme a legenda: 168 Legenda Balaiada Cabanagem Farroupilha Sabinada e

168

Legenda

Balaiadaregenciais e pinte- os conforme a legenda: 168 Legenda Cabanagem Farroupilha Sabinada e Revolta dos Malês

Cabanageme pinte- os conforme a legenda: 168 Legenda Balaiada Farroupilha Sabinada e Revolta dos Malês Utilizando

Farroupilhapinte- os conforme a legenda: 168 Legenda Balaiada Cabanagem Sabinada e Revolta dos Malês Utilizando a

Sabinada e Revolta dos Malêsa legenda: 168 Legenda Balaiada Cabanagem Farroupilha Utilizando a mesma legenda de cores, pinte os retân-

Utilizando a mesma legenda de cores, pinte os retân- gulos após cada afirmação, relacionando-as com as rebe- liões regenciais:

1. Bento Gonçalves, grande proprietário de terras, foi um de seus mais importantes líderes. 2.
1. Bento Gonçalves, grande proprietário de terras, foi
um de seus mais importantes líderes.
2. Rebelião regencial que tem um forte componente de
participação popular.
3. Giuseppe Garibaldi, soldado italiano, participou
ativa mente da rebelião no Brasil meridional.
4. A proposta dos revolucionários era separar a
província do Brasil, proclamar uma República,
aguardando a maioridade de D. Pedro de Alcântara.
5. O nome da rebelião vem de um de seus líderes,
Manoel dos Anjos Ferreira, um fabricante de cestos
de vime.
6. Entre os membros da rebelião destacou-se a partici-
pação da população ribeirinha, que vivia em condi-
ções precárias.
7. Revolta de escravos muçulmanos que se recusavam a
aceitar o catolicismo.
8. Os revoltosos não conseguiram tirar o presidente da
província, devido à ausência de projeto político
definido.

CAPÍTULO

1100

O Longo Segundo Reinado

1. D. Pedro II, o novo imperador

0 0 O Longo Segundo Reinado 1. D. Pedro II, o novo imperador D. Pedro II,

D. Pedro II, imperador do Brasil. Óleo sobre tele de Pedro Américo.

Após as agitações que marcaram o período regencial, D. Pedro II, o herdeiro da coroa brasileira, assumiu de fato o papel de governante, exercendo a função de im- perador entre 1840 e 1889, quando foi deposto. Seguiu-se um período de tranquilidade política e de consolidação do regime monárquico. Na verdade, essa tranquilidade foi garantida por um equilíbrio entre as forças políticas existentes, orquestrado pelo imperador a partir de um peculiar regime parlamen- tarista. Ao mesmo tempo, o sistema eleitoral restringia a participação política, e a sociedade era marcada pela manutenção da estrutura escravista. No governo de D. Pedro II foram sedimentadas as bases de um Estado vinculado aos interesses econômicos dos grandes proprietários de terra e comerciantes. As- segurava-se o predomínio político da elite agrária. Antes de mergulhar na calma aparente de seu reinado, já que fundada na manutenção de profundas diferenças sociais, regionais inclusive, o imperador ainda teve que combater alguns movimentos. Houve revoltas dos libe-

rais em São Paulo e Minas (1842), a Revolução Far- roupilha só terminou em 1845, e três anos depois estou- rou em Pernambuco a Revolução Praieira.

Você sabia?

Em 1841 D. Pedro II destituiu do poder o Ministério Liberal, composto por deputados eleitos
Em 1841 D. Pedro II destituiu do poder o Ministério
Liberal, composto por deputados eleitos pelo voto, mas
em eleições feitas com tanta violência e fraudes, que fo-
ram chamadas de "eleições do cacete"! Seguiu-se a rea-
ção dos liberais contrária ao centralismo do imperador
nas províncias de São Paulo e Minas Gerais. Os rebel-
des de 1842 foram derrotados por Luís Alves de Lima e
Silva.

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

A Coroação de D. Pedro II

“As cerimônias de sagração e coroação de D. Pedro II ocorreram em julho de 1841, um ano após a aprovação de sua maioridade. Não se poupou dinheiro no festejos, que mo- bilizaram um exército de escravos e homens livres. Foi uma pompa jamais vista na capital do Império. Da Europa vieram móveis, tapeçarias, ornamentos. Responsável pela decoração das cerimônias, Araújo Porto Alegre, futuro barão de Santo Ângelo, mandou construir uma enorme galeria, ligando o pa- ço da cidade à capela real, em cujo centro ficava o trono do imperador. No dia 16 de julho de 1841, um grande cortejo, a que assistiram milhares de pessoas, inaugurou as festivida- des. Acompanhado das irmãs, o imperador saiu de São Cris- tóvão e dirigiu-se à capela imperial, onde fez sua oração. De- pois foi para a sala do trono do paço da cidade, onde recebeu os dignitários do Império e do corpo diplomático. Dois dias depois houve a sagração e a coroação. Após ser conduzido ao trono, D. Pedro seguiu para o presbitério, onde o bispo D. Romualdo presidiu à cerimônia de sagração, dando-lhe a unção solene e cobrindo-o com as vestes imperiais. Depois, o imperador recebeu suas insígnias: espada, cetro, coroa, globo e mão de justiça. O conde de Lajes, alferes-mor da coroação, proclamou por três vezes: “está sagrado o mui alto e mui poderoso príncipe, o senhor dom Pedro II, por graça de Deus e unânimes aclamações dos povos, imperador constitu- cional e defensor do Brasil! Viva o imperador”.

CD-ROM – CALDEIRA, Jorge et alii – Viagem pela História do Brasil. São Paulo – Companhia das Letras, 1997.

169

Um “parlamentarismo às avessas”

Durante o reinado de D. Pedro II vigorou no Brasil uma monarquia de tipo parlamentarista.

Parlamentarismo é o regime político em que o rei ou presidente governa junto com um primeiro-ministro.

O sistema político que foi sendo construído no Brasil, a partir de 1847, foi um parlamentarismo diferente do modelo tradicional: um parlamentarismo às avessas! Naquele ano foi criado o cargo de Presidente do Conselho de Ministros, cargo executivo indicado pelo imperador, independente do partido que tivesse a maioria. Ao imperador reserva-se, através do poder moderador, o direito de depor a qualquer momento o presidente do conselho (na verdade um “primeiro ministro”). Faça a comparação:

Monarquia Parlamentar

Modelo Inglês

• rei símbolo de autoridade e tradição, mas não exerce

o

poder político de fato.

• primeiro ministro é indicado pelo partido que tem

O

a

maioria no parlamento.

Modelo Brasileiro

Um tempo de “saquaremas” e “luzias”

Brasileiro Um tempo de “saquaremas” e “luzias” Liberais e conservadores em carrosel sustentado por D. Pedro

Liberais e conservadores em carrosel sustentado por D. Pedro II. Charge do jornal “O Mequetrefe”

170

As tendências políticas esboçadas no primeiro período monárquico agruparam-se nos dois partidos que existiram durante todo o segundo reinado: o Partido Liberal e o Partido Conservador. A manutenção do voto censitário e a força política das elites faziam com que tanto um partido como o outro representassem os interesses da aristocracia agrária. Embora se apresentassem como dois partidos políticos concorrentes, na verdade não havia grandes diferenças ideológicas entre eles. Tanto é que, durante o segundo reinado, eram considerados “farinhas do mesmo saco” e sobre eles se dizia:

“Nada mais parecido com um conservador que um

Liberal no poder, e nada mais parecido com um

Liberal do que um conservador na oposição”.

Valendo-se do poder moderador D. Pedro II alternava constantemente os dois partidos no Gabinete. Isso, ao invés de demonstrar instabilidade política, foi a maneira encontrada pelo imperador para assegurar seu comando da situação. Repartia o seu favorecimento político entre esses grupos que eram rivais apenas quanto ao acesso ao poder, mas que estavam de acordo quanto à manutenção dos privilégios da aristocracia escravocrata. Em 1853, chegou-se a um ministério que reunia os dois partidos, num Ministério da Conciliação que marcou definitiva- mente a estabilização política no império.

Você sabia?

“Saquarema” era o apelido dos Conservadores, em refe- rência ao munícipio fluminense com mesmo nome,
“Saquarema” era o apelido dos Conservadores, em refe-
rência ao munícipio fluminense com mesmo nome, no
qual vários chefes desse partido tinham terras. Os li-
berais eram chamados de “Luzias” por alusão à vila de
Santa Luzia, em Minas Gerais, palco de importante
derrota liberal no movimento de 1842. Ficou célebre
uma frase do político pernambucano Holanda Caval-
canti: “nada se assemelha mais a uma saquarema do
que um luzia no poder!”

Revolução Praieira

A Praieira encerrou as revoltas que vinham aconten- cendo desde o início do período imperial, que se colocavam sobretudo contra a política de centralização. Começou em Pernambuco em 1848, região onde os ideais republicanos já haviam ocasionado movimentos em 1817 e 1824. Além das rivalidades políticas, que opunham famílias com grande poder local, dentre as quais se sobressaíam os Cavalcanti, havia uma enorme concentração da propriedade da terra. Nas cidades a situação não era melhor, com um verdadeiro monopólio do comércio e do artesanato nas mãos de portugueses.

Província de Pernambuco no século XIX. A insatisfação popular levou à radicalização das propostas de

Província de Pernambuco no século XIX.

A insatisfação popular levou à radicalização das propostas de um movimento que começou com a des- tituição do presidente da província, o liberal Chichorro da Gama. Congregando propostas diversas, foi o movimento que apresentou um programa social mais avançado da época, fazendo eco a ideais reformistas e socialistas nascentes na Europa naquele momento. Um dos líderes da revolta, o republicano Borges da Fonseca, foi o res- ponsável pela elaboração do manifesto dos praieiros con- tendo suas principais reivindicações. A revolta, que começara em Olinda, espalhou-se pela Zona da Mata em forma de guerrilhas até 1850. Foi contida pelo governo central e todos seus participantes anistiados em 1852.

O Manifesto ao Mundo, de Borges da Fonseca,

contendo

as

principais

reivindicações

dos

rebeldes

praieiros:

1. Voto livre e universal;

2. Liberdade total de Imprensa;

3. Direito ao trabalho;

4. Inteira e efetiva autonomia dos poderes consti- tuídos;

5. Nacionalização do comércio varejista;

6. Adoção do Federalismo;

7. Reforma do Poder Judiciário;

8. Extinção dos juros;

9. Abolição do sistema de recrutamento;

10. Abolição do Poder Moderador;

11. Supressão da vitaliciedade do Senado;

12. Expulsão dos portugueses.

171

Enquanto isso…

Após a deposição de Napoleão Bonaparte, a França foi sacudida por duas ondas de movimentos revolucionários, que se propagaram para outros locais da Europa. Em 1830 houve um levante popular que destituiu o rei francês, Carlos X, em cujo governo vinham-se restaurando os privilégios da nobreza e do clero e encaminhando-se uma tentativa de retorno ao absolutismo. O duque de Órleans, Luís Filipe, foi proclamado rei da França. Seu governo voltou-se para os interesses da nobreza e da alta burguesia. As dificuldades econômicas enfrentadas no momento e a insatisfação popular exigiam reformas sociais que não eram atendidas. As tendências republicanas fortaleciam-se na Europa e assistia-se a uma radicalização da opinião pública. As condições de vida e trabalho da classe operária inspiraram as primeiras críticas ao capitalismo formuladas pelas correntes de pensamento socialista nascentes. Em 1848, durante a repressão a manifestações populares, iniciaram-se conflitos armados tornando Paris o centro de uma revolução popular que levou à instalação da Segunda República Francesa, governo que aglutinava forças republicanas, liberais e socialistas. Esse governo durou pouco tempo. Como a agitação popular ainda continuava, o exército agiu com força sufocando o movimento proletário e abriu caminho para a instalação de Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte, no poder.

 

TEXTO 1

 

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

A Praieira “A denominação praieiros advém do fato de os revolucio- nários reunirem-se amiúde no jornal Diário Novo, próximo à praia, na cidade de Recife. Ao que tudo indica, os praieiros eram, em boa medida, homens de extração popular ou, pelo menos, abertamente comprometidos com as causas populares. Significativamente, os jornais do movimento se intitulavam O Artista, O Proletário e O Homem do Povo. As forças conservadoras, por seu turno, não hesitavam em proclamar, como o deputado Maciel Monteiro, em dicurso na Assembleia Provincial, em abril de 1849, que os praieiros pregavam “o comunismo, a lei agrária, (propondo) que os bens de certa classe de proprietários deviam ser repartidos pelo povo”. O movimento Praieiro começa a se cristalizar ainda em 1842, ano da fundação do Diário Novo. Desde o início, os Praieiros apontavam a necessidade de dar solução às “questões graves e difíceis” que afligiam a jovem Nação, o que implicava “a substituição da escravatura por homens livres” e “a reforma do nosso sistema de propriedade ter- ritorial”. Em 1844, os liberais alcançaram o poder e o novo presidente da Província, Antônio Chichorro da Gama, homem ligado aos revolucionários da Praia, toma medidas concretas para limitar a influência dos grandes proprietários. A sua queda, quatro anos mais tarde, iria desencadear o movimento armado que, iniciado em Olinda, se estenderia por toda a região da Zona da Mata pernambucana, atingindo ainda a Paraíba. Um capitão de artilharia – Pedro Ivo Velloso de Oliveira – tomaria a frente da rebelião, até a sua rendição, em 3 de fevereiro de 1849.”

ALVES FILHO, Ivan – Brasil, 500 anos em documentos. R.J., Mauad, p. 210.

Vamos trabalhar com texto?

Leia o texto anterior e responda:

1. Por que o movimento em Pernambuco recebeu o nome de Praieira?

2. Quem eram os praieiros?

 

3. Leia o Manifesto ao Mundo dos Praieiros e comente suas principais reivindicações.

4. Qual o papel dos seguintes personagens na rebelião? Antônio Chichorro da Gama Pedro Ivo Velloso de Oliveira

V

O

C

A

B

U

L

Á

R

I

O

 

Aglutinar: unir, reunir Amiúde: várias vezes, frequentemente Comunismo: sistema político, econômico e social baseado na propriedade coletiva; como doutrina política foi desenvolvida incialmente por Karl Marx, como etapa posterior ao socialismo. Paço: palácio real, edifício suntuoso, nobre. Presbitério – residência paroquial, capela-mor Socialismo: conjunto de doutrinas políticas que pretendem uma alteração no regime de propriedade como forma de alcançar o bem comum.

2. Um panorama econômico

Introdução

A Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no século XVIII, de onde se espalhou para outras regiões, trouxe consigo redefinições nas relações econômicas mundiais. Caberia aos países americanos, que estavam vivendo o rompimento da situação colonial, ocuparem, mais uma vez, o papel de fornecedores de produtos pri- mários para países como França e Inglaterra, interessados em concentrar suas atividades em investimentos financeiros e industriais. Dessa forma, na divisão internacional do trabalho que se acentuava, as ex- colônias deram continuidade fundamentalmente à econo- mia agro-exportadora que já vinham praticando. No Brasil o produto que permitiu nossa vinculação ao mercado internacional foi o café. Plantavam-se também

tabaco, algodão e açúcar, entre outros produtos agrícolas. Entretanto, desde a decadência da mineração, não tínhamos encontrado uma atividade econômica capaz de substituí-la em termos de rendimentos.

O café foi plantado em princípio timidamente nos ar-

redores do Rio de Janeiro. Com a expansão do seu consumo na Europa e nos Estados Unidos, os investi- mentos nesse plantio avolumaram-se. Em algumas décadas o café se tornou nosso principal produto de exportação. Beneficiou-se de uma grande disponibilidade de terras no Sudeste, região onde se desenvolveu, a disponibilidade de capitais e de mão de obra escrava não absorvidas por uma economia no geral estagnada.

A “onda verde”

O café, quando começou a ser plantado no Brasil ao

redor da cidade do Rio de Janeiro, era planta de jardins, tendo basicamente uma função ornamental. Pouco a pouco surgiram as plantações comerciais, estimuladas pelo aumento do consumo do produto nos países europeus e nos Estados Unidos. Na segunda metade do século XIX o café já deixava a baixada fluminense em direção ao vale do rio Paraíba, adentrando a província de

São Paulo como uma verdadeira “onda verde”.

de São Paulo como uma verdadeira “onda verde”. Café, aquarela de Jean Baptiste Debret, 1834 172

Café, aquarela de Jean Baptiste Debret, 1834

172

Você sabia?

O café é originário de um país chamado Abissínia, atual Etiópia. É uma planta da
O café é originário de um país chamado Abissínia,
atual Etiópia. É uma planta da família das rubiácias
(Coffea arabica), que os árabes levaram para a Itália e os
italianos introduziram na Europa. Além do gosto e
cheiro agradável, atribuíam-se ao café poderes medici-
nais. Era em princípio produto de luxo, popularizan-
do-se a partir do século XVIII. Sabe-se que as primeiras
sementes que chegaram ao Brasil no Pará foram presen-
teadas ao oficial Francisco de Mello Palheta pela esposa
do governador de Caiena (Guiana Francesa) em 1727.

As características da ocu- pação do solo pelo café no Vale do Paraíba, feita sem levar em conta a manutenção da produti- vidade da terra, com o uso de queimadas e desmatamentos indiscriminados, levaram ao esgotamento do solo na região. A marcha do café conti- nuou, alcançando o Oeste Pau-

lista, região compreendida entre as cidades de Campinas e Ribeirão Preto. Ali a terra mos- trou-se extremamente favorável

à agricultura cafeeira, sendo

responsável pela grande pro- dução alcançada. No final do século XIX o cultivo do café já atingia a Zona da Mata em Minas Gerais e no início do século seguinte, chegava ao norte do Paraná.

O café rapidamente ocupou

o primeiro lugar no conjunto

das exportações brasileiras. Os frutos do “ouro verde” faziam- se sentir. As exportações de café, a partir de 1861, levaram a uma estabilização da balança comercial brasileira. Exportava- se café principalmente para os Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha.

para os Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha. A economia no século XIX, mapa do Brasil

A economia no século XIX, mapa do Brasil com atual divisão política.

EXPORTAÇÃO DE CAFÉ DO BRASIL

Anos

Sacas de 60 quilos (milhares)

1821

- 1830

3.187

1831

- 1840

10.430

1841

- 1850

18.367

1851

- 1860

27.339

1861

- 1870

29.103

1871

- 1880

35.509

1881

- 1890

51.631

(Fonte: Caio Prado Jr. História Econômica do Brasil, São Paulo, Brasiliense, 1963, p. 164)

EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE 1821 a 1890 (em %)

Produtos

1821-30

1831-40

1841-50

1851-60

1861-70

1871-80

1881-90

Café

18,4

43,8

41,4

48,8

45,5

56,6

61,5

Açúcar

30,1

24,0

26,7

21,2

12,3

11,8

9,9

Algodão

20,6

10,8

7,5

7,5

6,2

18,3

4,2

Cacau

0,5

0,6

1,0

1,0

0,9

1,2

Borracha

0,1

0,3

0,4

2,3

3,1

5,5

8,0

Fumo

2,5

1,9

1,8

2,6

3,0

3,4

Erva-mate

0,5

0,9

1,6

1,2

1,5

Couros

             

e peles

13,6

7,9

8,5

7,2

6,0

5,6

3,2

Total

85,8

89,8

88,2

92,2

78,2

103,9

86,9

(Fonte: Nelson Wernek Sodré, História da burguesia brasileira, p. 62 e 104)

173

Observe as duas tabelas anteriores e responda:

1. Quando o café começa a ter um papel destacado no conjunto das exportações? 2.
1. Quando o café começa a ter um papel destacado no conjunto das exportações? 2.
1. Quando o café começa a ter um papel destacado no conjunto das exportações? 2.

1. Quando o café começa a ter um papel destacado no conjunto das exportações?

1. Quando o café começa a ter um papel destacado no conjunto das exportações?
1. Quando o café começa a ter um papel destacado no conjunto das exportações?
2. Qual foi o maior índice alcançado pela exportação de café no período analisado?

2. Qual foi o maior índice alcançado pela exportação de café no período analisado?

no conjunto das exportações? 2. Qual foi o maior índice alcançado pela exportação de café no
no conjunto das exportações? 2. Qual foi o maior índice alcançado pela exportação de café no
no conjunto das exportações? 2. Qual foi o maior índice alcançado pela exportação de café no
3. Qual foi o maior volume de exportações de café na época? 4. Qual o
3. Qual foi o maior volume de exportações de café na época? 4. Qual o
3. Qual foi o maior volume de exportações de café na época? 4. Qual o

3. Qual foi o maior volume de exportações de café na época?

3. Qual foi o maior volume de exportações de café na época?
3. Qual foi o maior volume de exportações de café na época?
4. Qual o segundo produto de exportação brasileira na época?

4. Qual o segundo produto de exportação brasileira na época?

foi o maior volume de exportações de café na época? 4. Qual o segundo produto de
foi o maior volume de exportações de café na época? 4. Qual o segundo produto de
foi o maior volume de exportações de café na época? 4. Qual o segundo produto de
o segundo produto de exportação brasileira na época? As cidades e as ferrovias As necessidades de

As cidades e as ferrovias

As necessidades de transporte do café da lavoura até os portos de onde seria exportado levaram à intro- dução no Brasil de um tipo de transporte moderno para a época: a ferrovia. Desde a década de 1850 discutia-se a necessidade de pôr em contato as prósperas lavouras do interior da província de São Paulo com o porto de Santos. O desafio de vencer a Serra do Mar coube aos trilhos da inglesa The São Paulo Railway Company. A partir de 1867, data de sua inauguração, construiu-se uma extensa rede ferroviária que contou muitas vezes com a parti- cipação de capitais dos próprios fazendeiros, interessados num transporte mais rápido e eficiente para seu produto. O desenvolvimento da economia foi responsável pelo surgimento de muitas cidades no interior paulista, e pela consolidação de outras, vitalizadas pela expansão

174

do café. Também atrás dos trilhos das ferrovias surgiram cidades. Dessa forma, o fenômeno da urbanização da província no século XIX está profundamente relacionado com a economia cafeeira. Um modo de vida urbano foi introduzido na região. O mesmo trem que levava o café trazia o jornal, os produtos importados, as novas modas, os produtos de armarinho e os livros. Os contatos com a cidade de São Paulo, a capital da província que a partir de 1870 começava a cres- cer, se intensificaram. Na capital e em outras cidades de importância regional, avolumaram-se atividades urbanas, de profissionais liberais, bacharéis, comerciantes de todo o tipo, fazendo com que se avolumassem as camadas médias. As mudanças não atingiram apenas a economia, alcançavam também a própria vida social.

Ferrovias do café. TEXTO COMPLEMENTAR – – – – – – – – – –

Ferrovias do café.

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

Do lombo de burro à ferrovia “Antes da instalação da ferrovia, o transporte de toda a produção do Brasil, fosse ela açúcar, ouro, algodão e agora café, era feito em lombo de burros, através de imensas tro- pas de muares que desde o extremo sul do país chegavam até os centros consumidores mais distantes atingindo os portos do litoral. (…) (…) Entretanto, à proporção que o café avançava para

o interior, o custo desse transporte aumentava. Quanto

maior a distância entre a fazenda e o porto de escoamento, mais se elevava o frete e menor o lucro do fazendeiro. A si- tuação chegou a um ponto em que plantar café além de Rio Claro, então “boca de sertão”, passou a ser inviável devido ao alto frete. (…) A solução foi a ferrovia (…) (…) Com a locomotiva chegou o progresso. As distâncias encurtaram-se, os fazendeiros não mais permaneciam nas fa- zendas, construindo seus palacetes nas cidades e sobretudo em São Paulo, conhecida então como a Capital dos Fazendei- ros. Com a facilidade dos transportes, promoveram-se melho- ramentos urbanos que embelezaram as cidades. Até a cir-

culação de notícias se fez com mais rapidez, com o transporte

de jornais das capitais para o interior. Eram novos tempos.”

MARTINS, Ana Luiza. Império do Café. São Paulo, Atual, 1990, p15-16.

Ensaios de industrialização

Paulo, Atual, 1990, p15-16. Ensaios de industrialização Fundição de Ponta da Areia Durante o século XIX,

Fundição de Ponta da Areia

Durante o século XIX, houve algumas iniciativas de instalar indústrias no Brasil. No Brasil do Segundo Reina- do, a Tarifa Alves Branco (1844), que elevava as tarifas alfandegárias como forma de aumentar a arrecadação do país, beneficiou indiretamente a produção industrial. Entretanto, não havendo ainda condições de produzir aqui tudo o que trazíamos de fora, as importações con- tinuaram, assim como a dificuldade de equilibrar a nossa balança comercial. Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, é apontado como um pioneiro da época em vários setores, inclusive na indústria. A ele atribui-se a criação da primeira grande indústria nacional, a fundição de Ponta da Areia, em Niterói. Além disso fez outros importantes empreen-

175

dimentos: criou casa bancária, estaleiros, ferrovia, instalou iluminação a gás no Rio de Janeiro, estabeleceu navegação fluvial no Amazonas, só para citar alguns. Destaca-se que a Inglaterra no século XIX, além de exportar seus produtos industriais, exportava também capitais e participava de alguns setores econômicos em outros países. É conhecida a associação entre capitais bri- tânicos e algumas atividades desenvolvidas por Mauá. Bem como a participação de companhias inglesas no Brasil na comercialização do café, em implantação de ferrovias, bondes e iluminação pública.

implantação de ferrovias, bondes e iluminação pública. Irineu Evangelista de Souza, O Barão de Mauá. Você

Irineu Evangelista de Souza, O Barão de Mauá.

Você sabia? “Órfão de pai aos 5 anos, Irineu Evangelista de Souza, nascido em Arroio
Você sabia?
“Órfão de pai aos 5 anos, Irineu Evangelista de Souza,
nascido em Arroio Grande (RS) em dezembro de 1813,
mudou-se para o Rio de Janeiro em 1823. Aos 11 anos
era contínuo. Aos 15, homem de confiança de seu pa-
trão. Aos 23, sócio de um escocês excêntrico. Aos 30,
um dos comerciantes mais ricos do Brasil. Era pouco;
aos 32, Irineu decidiu tornar-se industrial – o primeiro
do Brasil. A crise de 1875 e a má vontade do governo o
levaram à falência, em 1878. Mas Mauá pagou tudo o
que devia. Ao morrer, em outubro de 1889, perdera seu
império industrial. No entanto, não devia nada a
ninguém.” História do Brasil, Empresa Folha da Manhã e Zero Hora /
RBS Jornal. São Paulo, 1997, p. 132.

176

TEXTO COMPLEMENTAR

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

A ousadia de Mauá

“Trocar o comércio pela indústria, no Brasil, era quase uma loucura naquela época. Todos os esforços de investimentos na economia voltavam-se para derrubar mato, comprar escravos, construir sedes de fazenda, esperar colheitas. As fazendas de café no interior da província do Rio de Janeiro lideravam a atração de capital, depois que plantações pioneiras como as de Pereira de Almeida começaram a se revelar uma grande fonte de lucros. Desde a década de 1830, quando entrou em produção plena, o café vinha substituindo o açúcar como principal produto de exportação do país. Nem mesmo a queda nos preços, que vinha desde o final dessa década, assustou os investidores, que disputavam cada palmo de terra no vale do Paraíba. Ali estava a esperança, o futuro. A ideia de juntar gente e gastar um bom dinheiro com esquisitices como uma indústria não era entendida como uma alternativa para ganhar dinheiro. O país conhecia fábricas, a maior parte das quais perdidas no meio de fazendas. Produziam tecidos grossos para consumo dos escravos, um ou outro utensílio agrícola. A única coisa parecida com grande indústria que havia por aqui eram as unidades de processamento de produtos agrícolas, como charqueadas ou engenhos de açúcar, sempre encravadas em plantações.”

CALDEIRA, Jorge. Mauá. São Paulo, Companhia das Letras, 1995, p. 180-181.

As transformações a caminho

Grande parte dos historiadores concorda que, em meados do século XIX, principalmente a partir de 1850, ocorreram mudanças importantes no Brasil, de acordo com um processo de implantação do capitalismo em nosso país. A economia cafeeira, e os desdobramentos que trouxe, seriam em grande parte responsáveis por esse conjunto de mudanças. De fato. Não se pode esquecer, entretanto, que essas mudanças não atingiram da mesma forma todas as partes do país, restringindo-se, em parte, àquelas regiões nas quais houve o desenvolvimento da agricultura cafeeira. Destaca-se sobretudo que o café nos vinculou ao mercado internacional e trouxe lucros importantes para nossa economia de exportação. Fez crescer o mercado interno. Reuniu recursos e outras condições que bene- ficiaram, mais adiante, o desenvolvimento industrial. O café trouxe consigo também alterações na composição da sociedade. Surgiram os exportadores de café, as camadas médias se ampliaram com o crescimento das cidades e os “barões de café” passaram a intervir diretamente na vida política nacional. A cafeicultura criou ferrovias, deu origem a cidades, aparelhou portos e trouxe melhoramentos urbanos. De outra parte, incentivou a vinda de imigrantes no contexto de transição para o trabalho livre. Mas isso é assunto para o próximo item.

Vamos trabalhar com texto

Leia o texto e responda:

 

TEXTO 1

 

–––––––––––––––––––––––––––––––––––––-–––––––––

Mudança de mentalidade “Enquanto no vale do Paraíba toda a produção de

café se apoiava no trabalho escravo, no interior paulista essa atividade promoveu a modernização. Nas fazendas do interior

perfil da unidade produtiva e a mentalidade dos fazendeiros começavam a se modificar. Havia preocupação com a admi- nistração e com a racionalização do trabalho, e em muitas delas o trabalho livre já substituía a mão de obra escrava. Outra consequência dessa mudança de mentalidade foi

o

o

crescimento da capital da província. De pequeno núcleo

urbano, São Paulo transformou-se, a partir de 1850, na vitrina do desenvolvimento da cafeicultura, tornando-se nas décadas seguintes a cidade mais importante do país, depois do Rio de Janeiro, que era capital. No fim do século XIX, ocorreu um importante fenômeno econômico nos meios cafeicultores. O dinheiro obtido com o café, que antes o fazendeiro reinvestia em suas propriedades rurais e na aquisição de novos escravos, agora era aplicado em outros setores da produção – bancos, ações, ferrovias, empreendimentos imobiliários, industriais –, fazendo com que a economia se diversificasse