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Geradosesustentadospeloca[é, osgrandiloqüentespintores do Império cultuamotronoeapátria, segundo oscânones do Academismo

Em mead os do sécul o X IX o Ri o de Ja- neiro era a cidade mais importante da América Latina, com seus 400 000 habi-

tantes. "Cap ital o pule nta de uma c iviliza -

ção exclusivamente agrícol a", como afir·

mou C harle s de Ribey ro lles, t inha no café,

que recém-substituíra o açúcar como ba-

se de sua riq ueza,

progresso.

À prosperidade econô mica somava-se a

estabi lidade polí t ica - a última rebe li ao no Império dera-se em I848, em Pernam- buco: prontamente s ufocada, foi seguida de amp la anistia. Essas co ndiçõe s levaram

o país a um alto grau de de senv olvi mento

artístico e cultural , que não poder i a ser ex-

plicado integralmente sem a contribuição pessoal do impe rador, cuja atuação em prol das artes, d as letras c das ciências foi

inc ansável. Por ou tro lado. o en si name nto

pro po rcionado pela Academia de Belas·

Anes a berta no Rio de J aneiro começava

a

mo l a

me stra de seu

a dar frutos- mantendo sem pre

europeu.

o mode lo

constat ar

como 1 cus teados pelo gosto co nservado r

do imperador. viajando com bolsa de estu- dos da Academia ou com o prêmio de via- gem d as Expesiçõcs Gerais de Belas-Ar-

Não deixa de ser melancól ico

Gerais de Belas-Ar- Não deixa de ser melancól ico Dom Pedro 11 na Ab ertu ra

Dom Pedro 11 na Ab ertu ra da A ssembléia

Geral tacimal e A Noite AcompaoiJada dos

Glinios do Am or e (/o Est()do (na página a nte ri or) cons titu e m boa am ostta da

pintura mo num en tal de Pedro Amé ri co.

tes, foram raros os nossos artistas que, em

Paris ou em outros grandes centros cultu-

rais do século XIX, entraram em contato

com os renovadores do momento.

É verdade que, de 1864 a 1870, o Bra-

sil sustentou contra o Paraguai uma guer·

ra que custaria a ambos os países milha- res de vidas e um imenso desgaste econô-

mico.

Para

os

pintores

brasi leiros,

tal

guerra serviu de tema ou pretexto para a

glo rifi-

elaboração de cenas heróicas e de

cação do Império. Inversamente, é triste verificar que o problema da escravidão negra, insolúvel até vésperas da Repúbli-

ca , pr at icamente passou ern brancas nu·

vens perante nossos artistas, que dele não tomaram maior conhecimento. Fo i nesse panorama q ue trabalha ra m Víto r Meireles, Pedro Américo, Zeferino da Costa e Arsên io C intra da Silva, re pre-

sentantes do auge que entre nós atingiu a

pintura de inspiração acadêmica, gerada e sustentada pelo café.

Da pintura à fi losofia

Fi lho do vi olinista Dani el Ed ua rdo de

Feliciana C irne. Ped ro

Américo de Figueiredo e Me lo nasceu na

F igueiredo

e

de

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do vi olinista Dani el Ed ua rdo de Feliciana C irne. Ped ro Américo de

A glorificação do Império

IH (ff««dl!seu«Jf llislôriCJs

o os epiSódios bíblicos.

como OavieAbisag (ao lado).

sAo os lemas prediletos

dO: Pedro Américo, um do~

mais importanto!l pintare~

bn1sile iros do sócu lo XI X.

Envorgando e.(ó1icas vestes

orientais ou recatodo

hábito monac.:al. as mulheres rolratadas por Pedro A mérico apresentam sempro os m esmos 1racos. Abaixo. da esquerda

para a direita: Moisés e

Jocabed. O Voro de Heloisa o Judlte e Holofernes.

os m esmos 1racos. Abaixo. da esquerda para a direita: Moisés e Jocabed. O Voro de
os m esmos 1racos. Abaixo. da esquerda para a direita: Moisés e Jocabed. O Voro de

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os m esmos 1racos. Abaixo. da esquerda para a direita: Moisés e Jocabed. O Voro de

Pedro América

Um mo m on l o jocoso na ot>ra pomposa do Pedro Amórico: AutocaricaturiJ (acimaJ.
Um mo m on l o jocoso na ot>ra
pomposa do Pedro Amórico:
AutocaricaturiJ (acimaJ.
À esquerda. A Carioca,
os padrões nooclássicos
mais uma vez presentes.

s

Pedro Amórico: AutocaricaturiJ (acimaJ. À esquerda. A Carioca, os padrões nooclássicos mais uma vez presentes. s

A glorificaçao do Império

cidade de Areia, Estado da Paraíba. em

Florença, Itália. em

I905, tendo sido seus restos mo rtais trans·

ladados pura Cabedelo. Estava entre 9 c lO anos q uand o passo u por Areia o nhtu - ralista francês Louis Jacques Brunct. que,

impressionado com seu

como desenhista da missão cientílica. Em I854, Pedro Américo transferi u-se para o Rio de Janeiro e matriculou-se rh> Colégio Pedro 11. Um dia, o imperador

compareceu a uma aula de /etó ric3. c. en-

quanto acompanhava o mestre com

ma atenção, Pedro Américo pintou-lhe o

retrato. O trnbnlho

I84 3, e faleceu em

talento, levou -o

cxl rc-

agrad o u a Pedro 11 c

valeu ao seu autor o ingresso na Academia

de Belas-Artes. Em I859. recolhido enfermo a seus apo- scntos na Igreja de São Joaquim, Pedro

Américo recebeu a visita do imperador,

que lhe patrocinou a viagem ã Europa. De 1859 a 1864, freqüentou a Escolo de Be- las-Artes de Paris; teve como professores lngres, Léon Cogniet. Flandrin e Horace Vernct. Ingressou no Instituto de Física de Ganot c, depois, na Sorbonne, onde o c hn- mavam de "tilósofo',_ Teve como mes tre. no campo da ciência, Claude Bernard. en- tre outros. Cultivou também as letras. ten- do participado da polêmica em torno da Vida de Jesus, de Renan, com uma Rtifuta- çàa, que lhe valeu a concessão da Ordem do Santo Sepulcro, conferida pelo Papa Pio lX. Escreveu a lguns poemas, ensaios como Estudos Filosóficos sobre Belas-A r- tes, e romances como Amor de Esposo.

Viajou muito pela Europa: França, Itá- lia, Inglaterra, Holanda. Bélgica. Seus quadros hi stó ricos fornm pintado s em Fio · rcnça, onde o artista alcançou triunfos c

consagraçõe s co m rcssonúnc iu em todo o

Velho Mundo . De retorno ao Ri o , Pedro 1'\mérico concorreu ncadeira de Desenho da Academia Imperial de Belas-Artes, em I865, com o quadro S6crates Afastando Alcebíades dos Braços do Vício. Na mes-

ma escola lecionou ainda

Pintura histó-

rica,

História das

artes,

Arqueologia e

Estética.

Eleito deputado à Assembléia Consti- tu inte em 1890, apresentou no Parlamento projetos de alto interesse cultural, como a

c riaç-ão de três universidndcs. a fundação

de uma galeria nacionaJ de belas-artes~ a

lei de propriedade artística e literária e a

criação de um ••teatro normal

Um est.ilo grandiloqüentc

Co mo pintor, os temas bíblicos atraí-

ram - no ao longo da vidn ; os quadros histó -

ricos deram-lhe renome especial. Não se

esquivou ao retrato. a que imprimiu, por vezes, a imponência de uma pintura de

época. Suas primeiras telas. ainda do tem- po de aluno da Academia Imperial, foram Sàa Miguel, Mater Dolorosa, Jesus da Ca- na Verde, São Pedro Ressuscitando a Fi- lha de Tabira. Durante a estada na Escola de Belas-Artes, d e Paris, pintou M oisés so- bre a Monte Nebo c copiou o Nar!frágio da Fragata "Medusa·; de Oéricault Entre

Atendando á encomenda do governo rlc São Paulo. Pedro AmlHico pii'Hou, em 1888,

O Gtíto do lpirang a (ac ima ). q u e atualmome se enco n11a nu Mu so u Pa ul is ta.

546

q u e atualmome se enco n11a nu Mu so u Pa ul is ta. 546
q u e atualmome se enco n11a nu Mu so u Pa ul is ta. 546

A (Jit imn bnta lha d os paragua i oo ó o torna dn B molho do A vaí (oc imo, c om de ra lh os

no alto

e ao l adoL obra qu ll vnlcu a

Pedro Américo a ou[orga da Ordem da Rosa.

do A vaí (oc imo, c om de ra lh os no alto e ao l

- -

Pedro Américo

- - Pedro Américo

as

personal idades que re trntou, contam -se

imperadores, o Duque d e Cu ias,

Manuel de Araújo Porto Alegre (seu so-

gro) e o Conselheirp Lopes Neto.

os dois

Da coleção do Museu Nacional de Belas-

o melhor acervo de suas obras

Artes -

- conS'lam: Davi e Abisag, Joana d'Arc, Rabequista Árabe, Yoltaire Abençoando o

Nero de Franklin, D. Calar/na de Ataíde,

O

dos

Voto de Helofsa, A Nolle A compatrhada Gênios do Amor e d o Estudo. No Mu-

seu Imperial. de Petrópolis. encontram-se

to clássico, que não esconde sua inclinação paru a grand iloqüênc ia. Sua pintura é bem vestida: em algumas telas. ressaltam o bri- lho c o luxo dos adornos. Araújo Viana. 191 S. acentuava sua tcndéncia natural

em c espontânea para o decorativo: ·'Nos pró- prios quad ros bíblicos c em alguns histó ri-

cos se patenteia esse modo com que ele na

plástica interpretava

seus quadros de batalha". Ao tempo em que foi exposta a fam osa Batalha do A vai, assim se pronunciou a pu-

os assun tos, sa lvo os

V~or Meireles

que cons idera uma espécie de dese nho para colori r. Pedro Manuel nega -lhe a cor e acentua a dureza do des.:nho.

um pintor

Pedro América é rea lmente

conformidade com sua.s

universalistas, de

preferência ajustadas il cultura clássica. Tendo vivido n a Eur o p 11 quando o Roman - tismo já havia liberado a gramática do

tendências intelectuais

acadêmico, em

Ncocla ss ici smo c o

Impressio nismo cons·

tituía um convite a mutações audaciosas,

Pedro Américo estranhameme se manteve

Batalha de Campo Grandt, Casamento da

blicação romana Arte: "A Batalha doAvaí

indiferente a quaisquer inovações_ perscvc·

Princesa Isabel, Dom Pedro /1 na Abertura

dotou o mundo artístico de uma obra insig-

rando nos ensinamentos da Missão Artísti-

da

Assembléia Geral; no Museu Pauli sta,

ne que a bem r oucos é concedida a glória

ca Francesa. O tema o seduz mais que as

O

Grilo do lpiranga; na Municipalidade de

de realizar , ao mesmo tempo que à conste-

experiências da téc nica. Preoc upa -lhe a

Juiz de Fora, Tiradentes Esquartlljado. De

lação dos grandes arti stas mais um nome

grnndeza da composiçiio mais que o ofi~

sua produção fatem parte ai nda A Visão

de Hamler, Honra e Pátria, Paz e Concó r-

dia, Noviciado, A

Primeira Culpa, A Cabeça de São Jerô- nimo, Cristo Vivo, Cristo Morto e Cristo Ressuscitado.

Mulher de Putifar, A

veio jun tar -se'', Sobre o mesmo

trabalho disse Cardoso de Oliveira: "In- contestavelmente é a obra-prima do mestre brasileiro, e, no conceito universal, uma das

mais notiaveis''.

g lor ioso

As restrições, todavia, começ avam a sur·

cio. Dotado de muito talento, contentou-se com a agilidade e a facilidade de sua ela- boração. graças a que realizava prodígios. inclusive quanto à rapide-z.

No tocanle à cor. usa -a até com certo

brilho, mas sem as nuanças essenciai s a

A

obra de Pedro América cor responde

gir nos últimos tempos. J oão Ribeiro Pi-

quem procura pcnetrnr

nos mi stéri os cro·

ao universal ismo de sua cu lturn , sçndo seus

nhei ro jlt estranhava o nr tificialismo da s

máticos da matér ia. À

prec isão dos co n·

as.1untos prediletos os bíblicos

cos. tratados num estilo nobre, bem ao gos-

c os históri -

batalhas. em que não via cor local. Lourival Gomes Machado opÕe restr ições à sua arte.

tornos. decorren te de desenho seguro, não corresponde o s.:ntimenlo da coisa pinta-

seguro, não corresponde o s.:ntimenlo da coisa pinta- Em suas e ~cursões pelos ar r edores
seguro, não corresponde o s.:ntimenlo da coisa pinta- Em suas e ~cursões pelos ar r edores

Em suas e ~cursões pelos ar r edores de Roma . Vi t or Meireles r cali7o u

divorsos estudos em aquarol o sobre as

roupas dos campo neses

locais (acima c â direita). Na J,Jbyina ao lado. Morro •lo Castelo.

em aquarol o sobre as roupas dos campo neses locais (acima c â direita). Na J,Jbyina

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em aquarol o sobre as roupas dos campo neses locais (acima c â direita). Na J,Jbyina

A glorificacão do lmpl!rio

da. Isso talvez porque ao sentimento so-

brepõe a disciplina Jt'!COWI. pcrfcitame-me compreensível em quem mesclou sua (or- maçào com conhecime nt os cie ntífico s c rc·-

nexõcs tilosófica.s, c assodavn ú arte do pincel os devaneios da liternturn.

No gênero retrato, mai~ autencicida-

de; nos motivos bíblicos, mais enlevo; nos assuntos históricos, o sentido pronunciado de grandeza - resultante, em boa parte, da magnitude dos temas. Dentro das possi-

bilidades bra sileiras em arte, Pedro Améri-

co se agiganta pela obra deixada, especial

mente sua

preciosa col aboração ao gcnc.:ro

da p in tura his tórica.

Um pré- românt ico no A ca demis mo

Vitor Mcirclcs de Lima nasceu crn 1832 . na cidade de Desterro. hoje Florianópolis,

Santa Catarina, e f:tleceu oo Rio de Janci

ro. em 1903. Filho do português Antônio Mcirelcs de Lima c da brasileira Maria da

Conceição dos Prazeres, desde menino re-

Seus de se nhos

ve lo u vocaçiio para a an e.

precoct:~ i mpressi onaram o

pi mor nrgcnl i ·

Moreno, que lhe deu a pri ·

nCJ Ma rci nru.l

mcira o rien tação. Sens ib ilizado por se u IH·

lento. o Con selheiro Jerônim o Fran ci .)CO

Coelho levou-o para o Rio de Janeiro e matriculou-o na Academia Imperial de Bc:· las·Arte~. onde o garoto estudou com José Correia de Lima, que, por seu turno, fora aluno de Dobrei. Assim, Vitor Mcirelcs li· gou-se it Missão Ar tíst ica Francesa, tJue

nc'ts o gosto pd a pi ncurn

inocul ou cntr

h istórh:~•. u rn ll

Nt:o -

c lassicis mo nu Cinco anos

pimor obteve o prêmio de viagem co m u

quadro São João Batista 110 Cárcere. Em

1853,desembarcouno Havre; estcvecm Pa· ris. e seguiu para Ro ma. Decepcionado com

os mestres que ali encontrou, rumou para

Vcne1.a, consagrando trés meses à con tem·

plaçào dn téc nica (e specia l mente do Cttlori

d a s f: 1sci n açõc s do

Europa. após a matr ícula, o j ovem

d os vcncz in no s. A o rondar o prazo de

sua viagem. Araújo Porto Alegre conseguiu

a prorrogação do pen sionato e sugt.:riu · l he

transferir-se para Paris. Recomendou-lhe ainda annlbar as obras de Horacc Vernt t. t'Onhcciuo por seus quadros histórico>,

do)

e copiar Salvotore Rosa, prcsti giado

nos

meio s

aní sticos- brasill!iro!\.

A

aQuarela à eSQuerda co mpõe

o co"junto das pequenas o br\)S

om quo Vitor Meiretes re1rata

troj os de ca m pone ses italianos.

Vitor Meiretes re1rata troj os de ca m pone ses italianos. ;z i ' ' '

;z

i

'

'

'

Em Pari s, inspirando-se na car ta

Vaz de Caminha,

a

Primeira Missa

Vi tor Meircles c

110 Brasil, q ue e

Salão de 1861, com o apreço da

no Brasil. no ano segui nt

De volt a

gou-se à pin tura de Moema, umn

obras mai s signil1cutivns. revelada

blico em 1863. Na pasta dn Mar Conselhciro Afonso Celso, mais tar conde de Ouro Preto. encarregou-o fecçào de duas telas históricas reJa

Guerra do Parasuai: Combate N

R iachuelo e Passagem de 1/umaitá como preocupação fundamen tal a o ~ào detida do ambiente, o nni sta tr~

Vitor M eireles

Vitor M eireles Para elaborar a Batalha dos Gunrarap es (do talhe acima). VItor Meireles daslocou~sc

Para elaborar a Batalha dos

Gunrarap es (do talhe acima).

VItor Meireles daslocou~sc

para Pernambuco. a fim de

realizar pesqu,sas históricas

e

ob:,crvar minuciosamen 1c

o

locaJ • or) d e on h ol a ndt~BOS

roram clerro tados. em 164 9 .

Primeira Missa no Brasil (detalho ao lado) é uma das

telas mais conhecidas de

Vílor

M o iro l es. À O!JCI UCtda.

J uramento ela Princoso Isabel.

A

glorificação do Império

Os tomas mitológicos. caros

aos pintores neoclássicos.

são elaborados por Vitor

Meiroles iá com um certo sentirnemo romântico. É

o· caso de A Bacante tao lado}.

l nsplmdo no po ema CortJm(Jru,

de Santa Ri1a Durão. Moema

{abaix o} ó um do s pri meiros

trabalhos ímportantes de Vil or Meireles. tendo sido apre sentado om -1863.

de Vil or Me i reles. tendo sido apre sentado om -1863. Degolação de São João
de Vil or Me i reles. tendo sido apre sentado om -1863. Degolação de São João

Degolação de São João Bstis

di re i!a) ê uma da s 1el

de i nspiração bíbli

realizadas por Vltor M eirele

tou-se ao cenário da guerra; do convés d

navio Brasil, assisliu a batalhas e bnmba deios, identificando-se com a realidade d cenas. Ao retornnr com seus esboços apontamentos, recolheu-se ao Convento

Santo Antônio, 011de lhe improvisaram u

a te liê. Novamente dedicado à pintura hi

tórica. centralizou em Barroso a homen

gem c ívica da te l• . Pouco depois. o Cons lheiro João Alfredo convocou-o para retr tar a Batalha dos Guararapes. Nela Vít Meirdes conscienciosamente trabalho seis anos, buscando conhecer o local c

clemcn Lo s que aproximassem o quadro d

realidade dos fatos.

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trabalho seis anos, buscando conhecer o local c clemcn Lo s que aproximassem o quadro d

Vítor Meirele~

to da Batalh a dos Guararapes: " A obrt

merece elogios, porq ue há acessórios ma

gistralmente pinl3dos, e

a to nalidade gera

i: calorosa c feli z" . Ho uve quem nega sse

a Vi to r Mcirele

movimento em cenas de batalha. Ele pró

prio responde a essa crítica no artigo qu•

publicou em 1880: " 0 movimento na ar~ de compo r um q uttdro não é nem pode sc1

Joma do no sentido que lhe q uerem dar o:

nossos críticos. O mo vimento resu lta d<

contr aste das figu ra s enlrc si e

dos grupo:

entre un s c outros; desse contra ste, nas ati

cud es e na v aried a d e da s e xpres sões, a s~in

co mo tambem nos crcitos bem calculado da s massa s de so mbra e de luz, pela perfci

ta íntCiigên c ia da perspec tiva, que, gra

duando os

p lanos, nos dá também a devidt

pro porção

entre a s fi guras em seus difcren

tcs afa stamen tos, nasce a natureza do mo

vimento, sob o aspecto do verossímil, não co m cunho de delíri o".

Vílo r Mc irc lcs roi s audado pe la crí tic t

mais conservadora -

Araújo Vi ana, po.

exemplo , proclama -o uma " ind ivid ualida

de culminanle e i morredoura na pinlurt

nacional" - e negado pelos adep1os dt ane moderna. De fato, ele não assimilo• as novas tendõnc,ias do século XIX: pro grediu sobre o Academismo da Missãc

Fran cesa po r haver buscado in spiraçã o i

c à raça e le r-s e motivado no gentio

terra

quer em Primeira Missa no Brasil, quer

e ou lrns !elas - presença de

em M oema

indianismo, que fora uma das característi

c as do Ro manti smo literári o no Brasil Acurado na o bservaç ão, foge das regra

co nvenc ion ai s para co nstruir suas própria!

n o rma s . Nã o s e

co n s e r vo u p r i s i o n e ir o d ~:

Academia, pois o scnlimento e a poesi

paira m em suas tela s, aci ma das convcn

ções. Mais emo tivo que cereb ral, consli

tuiu a réplica a Pedro Amê.rico .

Numa pequena tela, A Rua de Desterro acentuam-se os efci1os da !ornada direta do

ass unto, en vo lv i da a pai sage m na atm o sfc~

ra c animad a por notas huma nas, de plena

in tegração

no ccmtc xto . Onde , porém. o

pai s ag is ta ass urn

:

pro po rções mai s de fi ni

o pai s ag is ta ass urn : pro po rções mai s de fi

Vírur Meireles

leci o no u na Academia

Imperial e no Liceu Impe ria l de Ancs c

Orícios . Entre seus al unos , fi gura m Zefer i- no dn Costa, José Mar ia de Medeiros, O s-

ca r Pereira da Silva, llclmi ro

de Almeida,

o s fl e rnarde ll i , P arreira ~ c Vi s co nt i. Mere -

ceu n d is tinção de duas co ndeco rações : o Uâbito de Cristo e a Ordem da Rosa .

Encontram-se respictivameme no

ramento da Princesa Isabel, ex postos entr e

1872 e 1879. De m01ivaçào bíblica fez:

Sào João Batista no Cárcere, Dego lação de Sào João Batista c Flagelação de Cris-

to. Dentre os retratos. deslacam-se os da

lmpe ra!r i z Te resa C r ls !ina , de Ped ro 11, d o

ator João Caetano, du Baronesa Ribe i ro

 

A lmeida e de José Ma ria

Jac inlo Ribeiro.

das -

no sentido de interprelação livre -

Mu-

Em relação ao meio , que

assimilara, com

é nos Panoramas , expostos em Bru.xtlas em

seu Naci onal de llelas-Anes e no Museu

de Arte de São Pa ulo seus dois

trabalhos importantes: Prim eira

Missa no

primeiros

Brasil c Moema. Do gênero histórico são:

Com bate Naval do R /achuelo, Pa ssagem de 1/umaitd, Batalha dos Guararapes, Ju-

de fici ências, o Academ is mo implantado pe-

la Missão Artí stic a Frnncesa, obras co mo

Primeira Missa no Brasil e Moema assu· mia m proporções a té excepcionais. Gonza- ga D uque, que opÕs reStrições its tela s hi s-

tóricas, extern ou-se nestes tcr.mos a respci·

I 888 ,

f;uendo

uso de u m cilindro giratório

que permiti a ao espec tador ficar parad con templ ando as vis tas passarem à su

f re nt e".

Ne s s a s~ric a pa i sa ge m ca r i o c a

chama-o às suas peculiaridades de luz, d

ma ssa s , de fugas. de con Jra stes . O tema do

a pa i sa ge m ca r i o c a chama-o às suas peculiaridades

A glorificação do Império

;;9~~)9.$IWJP~~J·

premiado três vezes pel a Academia de São Luc as. em Roma. Zeferino da Cos ta

ê consK:Ierado um m estre na

composiçA o . Abai xo. A Caridade.

um m estre na composiçA o . Abai xo. A Caridade. mino u o pinto r

mino u o pinto r , ao im·é~ de. co mo em o u tra s pa ss agen s . o pint o r ~c ~obrcpor a o a s · s unt o . É de s uma importância n:J nn:\li M:

da sua obra a contribuição dos Pcmorama.r.

em que o anista adquire largue1.a

dência precursoras de novos

Vito r Meircles a rt e e dev o tou - se

foi pinto r. Amou n s uu a e la~ como a u t o r ú C f llllO

:

indcpcn~

rum os.

pro resso r. G lorifico u-

>

Vi scou ti q ua ndo.

~o co mp o r o pan o de boca Uu Teatro Mu

nicipa l, d o Rio

ra en tre as 75 pe rsonal id ades not áve is do

fim do século X IX e cumcço do XX. é

de Jan eiro, i nc lu iu sua nsu·

554

preciso compreenJê·lo no seu tempo e no

OOÍ'IS(l mei o para fa zer -lhe ju stiça, 1ào ne 4

gndn

por quantos: o pretendem mais de

acordo com a evolução da ane européia

c-;~e nerí o d o.

n

O grande decorador da Cnndelária

Jo:\o Zerorino da Cosw nasce u em 1840

c f: ll cccu em 1915. nu R io de JHnci ro . 1\os

17 anos, ma tri cul o u 4 sc na Academia lm·

p

:rin

l

de

Bclas~Artcs. onde per m ane ce u

du ra nt e o nze :l nos , conqu istanJo succ ssi -

v a s m e nç õ e s c medalha ~, in c lu ~ ivc a s d e

o uro. e finalmente o prêmio de "primeir3

ordenf 4 • ou ~eja.a viagem à Europa. ,\nti · g o alun o de Vit o r Mcirc lc~. in sc rev e u ~c.

em R. o

ma , na Ac::•dcrnia de São Lu cõt s . Ao

de dois ano~ co nquiMou <> prim eiro lu ·

pcr1odc) n te la S'io

João 8(1tista no D eserto, que hoje se cn·

con tra no Museu N:1cionH I de llclll\· /\rt cs.

Em 187 1. I'Cccbcu da AC\lc.lcmi u o pr irnciro

prêmio no gênero histórico, c, em 1872,

:Jo~sc

gar em pinlUr\t . É d

fim

em estudo do narural. P

:rnHulcccndo

mais

c i nco

ano~ n a

Europ~l, CXC UI' Silll l OU po r

pinlUr\t . É d fim em estudo do narural. P :rnHulcccndo mais c i nco ano~

Zeferino da Costa

Zeferino da Costa PBrtid• de Ant6nio Martins de Palma O Grande Temporal e D Promessa A

PBrtid• de Ant6nio Martins de Palma

Zeferino da Costa PBrtid• de Ant6nio Martins de Palma O Grande Temporal e D Promessa A

O Grande Temporal e D Promessa

de Ant6nio Martins de Palma O Grande Temporal e D Promessa A Folü Chegada ao Rio

A Folü Chegada ao Rio de Janeiro

A fundação da Candel6ria A obra mais significativo de Zeferino da Costa é a docoracào da Igreja da Candclária. no Rio de Janeiro. A pintura do nave

cer\1181 conta. em seis painéis. a história da fundacào elo templo.

•Jm cumpr imento da promessa feita pelo comandante AtHOnio Martins

de Palma ao ser sumrocndido por uma tempestade om alto-mar.

A lnaugurnçiio da Primeiro Capela

tempestade om alto-mar. A lnaugurnçiio da Primeiro Capela O Lançamento da Pedm Fundamental A lnougllroçào da

O Lançamento da Pedm Fundamental

om alto-mar. A lnaugurnçiio da Primeiro Capela O Lançamento da Pedm Fundamental A lnougllroçào da Jgrojo

A lnougllroçào da Jgrojo om 1810

om alto-mar. A lnaugurnçiio da Primeiro Capela O Lançamento da Pedm Fundamental A lnougllroçào da Jgrojo
om alto-mar. A lnaugurnçiio da Primeiro Capela O Lançamento da Pedm Fundamental A lnougllroçào da Jgrojo

Arsênio C intra da Silva

Jmrodutor do guache no Brasil. Arsênio Cintra da S ilva fo i,

como paisagis1a. um dos

píoneiros da pintura ao ar livre. Do sua obra restaram

poucos e.xemplares. como Vista dos ArrtJdores dtt Pnris {ao lodo)

como Vista dos ArrtJdores dtt Pnris {ao lodo) se u s principais centros de cultura e.

se u s principais centros de cultura e. em 1877, regressou ao Brasil. No mesmo ano,

foi professor honorário e substituto interi- no de Vitor Meireles em Pintura histórica

na Academia de Belas· Artes;

gum tempo, a partir de 1878, aí lecionou também Paisagem e Desenho. Em 1878, Pedro 11 escolheu -o para ela - borar ns pinturas da Igreja de Nossa Se- nhora da Candclária. Em seis painéis mu- rais de largas proporções, dispostos na na- ve principal, Zeferino da Costa conta a história do comandante António Martins de Palma, que, surpreendido em alto-rnar por violenta tempestade, prometeu erguer urn templo à Mãe de Deus, sob o título de

durante al-

Candelária, na prime ira l crra o nde apor~

tasse salvo. Cúpula, capela-mor, coro c consistório também são devidos à ane de Zeferino da Costa, que nesse conjunto tra·

balhou três anos, contando com a assistên -

cia de alguns alunos, como Castngneto c Oscar Pereira da Silva. Vários q uadros do artista encontram-se

O

Obulo da Viúva, Pompeana, A Caridade

(enviados de Roma). Daniel na Cova tlns

Leõer e Moisés Recebendo as Tábuas da

no

Museu

Nacional

de

Belas-Artes:

Lei (q ue lhe possib ilitaram o prêmi o

de

viagem), além de estudos diversos, cópias de Rafael, Ticiano, Mancini. Como professor, Zcferino da Costa pau· tou-sc pela seriedade, bu scando o maio r

556

rendimento de ;,cus alunos, dos quais exigia o máximo; propondo medidas capazes de tornar suas classes plenamente equipadas; adotando o rientação mais arejada, ao enca.

ani nhar os di sci pul os para a pi ntura do na·

tural, em paisagem e em modelo vivo. Entre

seus a lunos a linham-se

alguns q ue vieram

n ser arlistas de nomeada, como Vi sconti ,

Oscar Pereira da Silva, Batista da Costa, Eugênio Latour, João Timóteo c Henriq ue Cavaleiro. Em 1917, Zeferino da Costa pu- blicou um ensaio didático, Mecanis mos e

Proporrões da Figura Humana, reed it ado

em 1961, de largo uso entre os discípulos

de form ação académica.

Zeferino dn Costa pode ser enquadrado

entre os pintores acadêmicos, sobretudo

pela obediência aos cânones. Todavia, nele

se há dt! reconhecer um mestre nn co mpo

siç.ão. Dentro de suns tendências, busCt.1U os valores cromáticos, com que suas telas

alcançnram mai s vigor. Tnmbém não $1!

descuidou de um pomo de lu~. a reger o

conjunto . Nesses pequenos as pectos , si tun·

se o se u avanço em rdaçàu ao Academis - mo ortodoxo. Seus estudos atestam a au-

ccnlic idudc de s ua arte. em penhado s cmpr.;

na verdade plástica, mesmo que isso limi·

casse de cert o modo a expansão cr iati va.

A rencxào co ncorria para o a~)rim oram cn·

to de sua técnica . Nunca foi um improvi sa·

tuuo que fez uocorrcu da meditação

e da t~nica a seu alcance.

do r:

O introdutor da pintura a guache

Arsênio Cintra da Silva nasceu

nambuco, em 1833, c faleceu na Ba 1883 . Pnssou três anos na Europ; Paris c Roma. onde aprendeu a r

guache, técnica que lrouxe para o

Em 1861 , lixo u-se no Ri o de Jan ei· vendendo à sociedade eleg~nte d;

quase todo s os g uachcs que havi a

Velbo Mundo. Eram, em geral, pi

c-enas e caravanas árabes, com ur

de ternura c pot!sia. Seu período de maio r produtivi luou-sc e ntre 186 1 c 1864. No Mu cional de Belas-Artes enconlra-se c

Vista dos Arredores de Paris. De• a execução, em leia de mnic.rcs çóes, de Cachoeira de Paulo ;ifons

N a pnisagcm foi um dos prccur

pintura tirada diretamente do naH

o interesse histórico de sua obra, 1

por ccrlo pioneirismo, a caminho d e das implicações renovadoras, co

lcs do conlato com a natureza. Ar

d3de dos primeiros tempos sucede ma de in veja U()S mc.ios artí sticos , to o magoou, Jevando o ao retraio ío ltim os tempo s . Ao lado d~ Iene!

cólica, sua obru revela a prescnçt

JX.'Ciiva nérea cde certo teor poétic do ao convencionali smo da épocé lugar nas artes de seu tempo.

JX.'Ciiva nérea c de certo teor poétic do ao convencionali smo da épocé lugar nas artes
JX.'Ciiva nérea c de certo teor poétic do ao convencionali smo da épocé lugar nas artes
JX.'Ciiva nérea c de certo teor poétic do ao convencionali smo da épocé lugar nas artes

Entmaprochmação daRepublicae

aeclosãodoModernismo, a festa requintodá de uma elite confiante noprogresso

a festa requintodá de uma elite confiante noprogresso Al óm da pintura, Al meida Júnior c

Al óm da pintura, Al meida Júnior c ultivou ta mbém a músico. t ondo composto algumas ,,oças para piano : este inst rumento ocur .• lunar destacado em Dosconso do Mode lo (acima). Ao lado, O Importun o.

551

piano : este inst rumento ocur .• lunar destacado em D osco nso do Mode lo

A

Belle

~poque

A Belle ~poque ' a Costuma-se defin ir /Jelle Époque como um período de pouco ma

'

a

A Belle ~poque ' a Costuma-se defin ir /Jelle Époque como um período de pouco ma

Costuma-se defin ir

/Jelle Époque como

um período de pouco ma is de trinta ano s

de I880, pro-

essa

que, iniciando-se po r vo lta

longa-se até a Guerra de 19 14. M as

não é, logicamente. uma de limitação mate~

mática: na verdade, Bel/e Époque é um es· tado de es pírito. que se manifes ta em dado momento na vida de determinado país. No Brasil. situa-se entre 1889. data da procla· mação da República. c 1922. ano da reali· zaçào da Semana de Arte Moderna em São Paulo. sendo precedida por um curto prelúdio - a década de 1880 - e prorro·

gada po r uma rase de progre ss ivo esvazi a·

mento, que perdurou até 1925. Seria impossível entender a Belle Épo·

que brasileira

fora

de suas

vinculações

com a França. Na segunda metade do sé· culo XIX, cinco grandes exposições inter·

Paris indicaram.

nacionai s reuli zudus em

aos pintores e escultores do mundo inteiro.

560

'

a tendência estética mais em voga. A pri·

mântico Eugênc Dclncroix. com a vi tór ia

gração do Art Nouveau. Nas três estive-

mcira dessas exposições, a de I855. foi o

ram pr esc nLc: s pi nt o res do Bras il :

na de

decisivo confronto entre os adeptos do

I878, Augusto Rodrigues D uarte;

na de

neoclássico Dominiquc l ngres c os do ro·

1889, Henrique llcrnardelli, medalha de bronze, c Manuel Teixeira da Rocha, gran·

indústria e do comércio franceses. visando

final destes últimos - e, portanto. do Ro· mantismo. Gustave Courbet, cujas o bras tinham sido recusadas, ergueu. a pouca

de medalha de o uro; na de 1900. Pedro América. Pedro We ingartner e Eliseu Vi s · conti. este último contemplado com meda·

distância do rec into da mostra, seu próprio

lha de prata. Es.1as medalhas nem sempre

"Pavilhão do Realismo". Doze anos depois. o recusado de 1855 tomava-se o herói do dia: a Exposição de

correspondiam aos méritos do artista: con· t-ebidas como gigantescos mostruários da

1867 representou a vitória de Courbet e do Realismo, além de mostrar à Europa os pré· rafaclitas ingleses. Desta vez, o júri cortara Manet. que, inconformado. também expÓs num pavilhão im provisado. A Exposição de 1878 marcou o início da consagração do Impressionismo: a de 1889 representou o triunfo dos simbolistas e. finalmente, a de 1900 assinalou a consa·

a angariar novos mercados em países dis· tantes. tais exposições costumavam concc· der quase tantos prêmios quantos eram os expositores. Participando dessas exposições, sim· plesmentc visitando-as (Décio Vilares esta· vn e m Pari s em 1878. Belmiro de A lmeida em 1889 c Pedro Alexandrino em 1900), ou folhettndo seus catálogos. a rtistas de

----- ·

Almeida Júnior

Obras como O Violeiro direita}

e o es tudo Cabeça de Caipira

(aba iJ<O) levaram a lguns c ríticos

a considerarem Almeida ~únioro

mais brasileiro de nossos pintores.

Alme ida ~únior o ma is brasileiro de nossos pintores. • J. Em ltu, onde nasceu

J.

ida ~únior o ma is brasileiro de nossos pintores. • J. Em ltu, onde nasceu e

Em ltu, onde nasceu e passou

a maior parte de sua vida.

Almeida J únior realizou uma

série de ob ra s-primas. Foi ali que pintou, em 1892.

a

te la Leitura esquerdat

Os m odel os de A lm ei da Jún i o r

eram todos pessoas que

ele conhecia em It u; para

Picando Fumo. por exemplo

di,reita l, poso u um tipo

popplar da cidade, conhecido pela alcunha de "Quatro Paus"

da cidade, conhecido pela alcunha de "Quatro Paus" outras terras entraram em contato com a última

outras terras entraram em contato com a última moda artística, que os mais talento- sos logo adotaram. Desse modo, decerto,

foi que R ealismo, Im pressionismo, Simbo-

lismo, Pontilhismo e A rt Nouveau - mo- viment.os estéticos do período chamado Bel/e Époque - atravessaram o Atlântico,

c chegaram às Américas e ao Brasil.

Realismo Burguês

1860 e até o começo do século

XX, primeiro na F rança, depois em todo

o mundo ocidental, um ti po de pintura im-

pÓs·se aos demais como estilo d'ominame:

o Realismo Burguês, que se opunha ao Rea lis mo Popular, de Courbet, e se manti-

nha à margem da renovação pictórica~re- fletindo as predileções artístic.as da bur- guesia , no auge de seu desenvo lvimento

material. Houve, então, uma espécie de

pacto entre artis tas e membros da classe

dÇiminante: aque.les g lor ifica riam e r ealça-

riam os valores, ideais e conquistas destes.

que, por sua vez, lhes dariam cobertura

Uma análise da Bel/e

material e mora l.

lpoque mostra que esse período diz res·

a bur-

peito a uma única classe social -

Após

guesia - e q ue somente

em relação a ela

561

período diz res· a bur- peito a uma única classe social - Após guesia - e

Pedro Weingartner

\oi

o

adquire sentido. Por isso a pintura realista burguesa é um renexo muito mais preciso. e sociologicamente mais válido, do que o

Impressionismo. o

Simbolismo c outros

movimentos vanguardistas da época. Comparado âs tendências que o nntccc· deram, o Realismo Burguês é um rc trot.:cs· so; ~ cmborn seja por vezes conru ndido

com o Simbolismo. ou co m o Ar/ Nou veau

- movimento s que se descnvolvcrnm pa~

ralclamcntc a ele -

nada tem do subjcti·

vismo do primeiro. ou do decorativismo

do outro. De modo muito amplo. pode·sc

dizer que os n:aJistas burgueses prctcn·

diam retomar a tradição antiga. considc· rando·se. assim. herdeiros e guardiães do passado. Po r essa razão, concedcrnm grande importância à técnica; isso tnmbém

cxplicn seu amor ao desenho, sua rrc~Jilc

çiio P"la rorma bem delimitada. No q uo rcspcitn ao conteúdo. porém. as dirorenças são berrantes: os temas re ligiosos c alegó

ricos ou os retratos são

velmcnre. dcnlro de um eSpírilo burguês :

rormns realistas envolvem ou reves rcrn :,i·

tunçÕC:s ideais, nas quai s se rcnctcm USJ'i

rações c temores. triunfos e decepções ua classe média todo-poderosa.

tratados, invaria ·

A es té tic a do Re:~lism o Burguês rcpou

sa, assim. numa ética, à qual se subordina.

E, embora alguns dos artistas a ele filiados

562

Pedro Weingartner residia om Roma Q\IOndo

e laboro u. e m 1903. Coiln (abaixoJ. uma

de suas t elas mai s co nh ecidas. À

dire ita.

do Rio Grando do S ul.

que faz

parte da série de obras do lemas gaúc hos.

~-· -

Décio Vilares

O rosto feminino é o grande

rema de Décio Vilares. auror

de Figura de Mulher !abaixo).

Acima. Benjamin Constsnr.

uma das poucas obras de

escultura de Décio Vilares.

A

ÇJ ra ncl n a eração d a mo s tra

d e

W

eing n r tn

o r ~J in São P a u l o,

em

191 O, fo i La Faiseuse d 'A nges

tao lado~.No painel es~uerdo.

vê-se a pcrsonanem observada por um dom6nio: no cenual. ela está para ontregar seu

filho â m oçrcm que da rá fi m

â c ri ança (pair1el direito).

no cenual. ela está para ontregar seu filho â m oçrcm que da rá fi m

A "Belle Epoque"

fo ssem pintores de talen to. o fato é que o

Realismo Burguê s, como um todo, revc-

lou·se formalmente vazio, com seu apelo

bar~to a.o sentimental e ao erô1ico, não ra~

ro caindo na mera anedota.

Impressionistas e pontilhistas

Na última década do século X IX, o lm· pressionismo caminhava a largos passos para a academi zação; na verdade, desde 1886 já vinha sendo substituído, como for- ça criadora, pelo Neo-lmpressionismo de Georges Seurat c Paul Signac. Os grandes iniciadores da tendéncia ainda estavam vi-

vos, porém mu itos pintores muis novos ti -

nham ado tado p essencial do est ilo como mero procedimento técnico. adaptando-o

às suas próprias intenções estéticas. Triun-

fan te na f rança, o Impressionismo (o u o que restava dele) começava a cxpnndir·se lentamente por outros países da Europa e das Américas. Na passagem do século já nada mais guardava da sua original pujan- ça, tendo-se transformado em patrimônio co1num de toda uma legião de artistas. Do mesmo modo, o Neo· lmpressionismo, dO' pois da morte precoce de Seurat, seu cria-

dor, esvanecia-se. deixando como herança

seu princípio fundamental de cores fracio- nndas, igualmente ado tado por grande nú-

me ro de p int ores.

Nos primeiros unos do século XX, ai· guns pintores bras ileiros, tendo à frente

Vi sconti, criaram obras segundo a estética

A

imroduçào dos do is est ilos no Brasil fez- se. assim, tardiamente, quando. na França. Picasso e outros já criavam o Cubismo:

mesmo assim. representou um enorme pro- gresso em relação ao frio Academismo que aqui se praticava. Mas, com re lação a ou-

tros países, a contribuição de Visconti~ Lu·

cílio de Albuquerque e outros não foi tão defasada. Mais o u menos da mesma idade

impressionista ou

neo·impressionista.

Visconti não foi o primeiro a adotar o

Impressionismo na América Latina; tal gl6ria talvez caiba ao venezuelano Emílio Doggio, aluno de Henri Martin c a1nigo de Pissarro e Sislcy; talvez pertença ao tam- bém venezuelano Rojas, o u ainda ao ar· gentino Eduardo Sívori. Esses três pintores j á eram impressionistas na última década

d o século XIX. De qualquer modo, Vi s-

conti foi um dos primeiros :mistas latino·

amer i canos n adap t a rem à s u a paleta re~

cursos impressionistas, mesclados a estilos locais e às pec uliaridades de seu próprio

temperamento.

Por volta de 1914, numerosos eram já, no Brasil. os pintores que praticavam ai· guma espécie de Impressionismo, embora

raros tivessem uma noção precisa desse es· 1ilo. Por outro lado, ainda havia quem en·

carasse como extremamente bizarra e au· daciosa a solução pontilhista. adotada por Visconti nas decorações do joyer do Tea-

tro Municipal do Rio de Janeiro, iniciadas

em 1913.

Simbolismo e ''Art Nouveau"

No mesmo ano de 1886, em que surgia

o Neo-lmpressionismo, outra tendência es.·

têtica, radicalmente oposta, despontava. Era o Simbolismo, que tinha em mira não representar as coisas, porém sugerir idéias,

pensamentos e sentime nto s, por meio de

símbolos

gem

"vestir a

revestidos em opulenta lingu'a·

Seu objetivo era

formal.

idéia de uma rorma sensíver', como escre-

veu Jean Mo réas no Manifesto do movi- mento, a 18 de setem bro de 1886. A arte simbolista, dizia Albert Auricr em artigo de 1891 sobre Gauguin, deveria

ser uide ísta, simbolis ta, sintética. subjeti va

c decorativa". Tais preceitos. com poucas

vnriações. serinm válidos paro caracterizar

toda a produção simbolista. na última dé-

c ada do século X IX. Os simbolistas abo-

d e Vi sconli eram,

por exemplo. o italiano

minavam a pintura his1órica, pacriótica ou

Plínio Nome ll ini,

o a lem ão M ax

Liebe r-

militar, as reprcsenlaçõcs da vida contem·

mnnn, o russo Valcntin Serov , o canadense

James Wilson Morrice, o mexicano Joa· quín Clausell e o argentino Martín Malle- n•rro. introdutorcs do estilo em suas pá- trias. Mais moços ainda do que Visconti foram o belga Hc nri Evenepoel, o a lemão Max Slevogt. os uruguaios Pedro Blanes ViaJes e Miguel Carlos Victorica, o venC'

t-uelano Armando Revc.rón e o argentino

Pemando Fader, todos impressionistas.

564

porânea, os re tratos, as cenns campestres

e esportivas, as paisagens (exceto as ele·

giacas. à moda de Poussin), as marinhas .

o humor. os orientalismos. os animais do·

mésticos, as nores, as naturezas-mortas e

afin s. Sua temútica eram o ideal e o mi s ti-

cismo católicos, as lendas, mitos, alego-

rias, sonhos e parárrases da grande poesia,

e qualquer tipo de lirismo, de preferência com caráter moralista.

alego- rias, sonhos e parárrases da grande poesia, e qualquer tipo de lirismo, de preferência com
alego- rias, sonhos e parárrases da grande poesia, e qualquer tipo de lirismo, de preferência com

Rodolfo Amoedo

Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor
Rodolfo Amoedo A figura humana é um tema frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor

A figura humana é um tema

frequente na obra do baiano Rodolfo Amoedo. autor da Figura de Senhora (na

pá gina a nte rl orl e de Homem Londo J ornal (oo lado)

A

constante preocupação com

o

aspect o forma l da pin t ura

l evo u Am oedo o rea li za r

várias expcriAncias. utilizando tanto os recursos

da ciência de seu tempo como

técnicas antigas. Abaixo.

Rcttato de SonhorD com Bod.

As aquarelas â esquerda e acima faziam parto da mos1ra de 53 trabalhos de Rodolto Amoedo realizada. em 1974, poto Museu Nocional do Botas-Artes. n o Aio de Jan ei ro .

de 53 trabalhos de Rodolto Amoedo realizada. em 1974, poto Museu Nocional do Botas-Artes. n o

A "Bclle Époqu e"

Quanto ao A rt Nouveau. de natureza basicamente decorativa, caracteriza·se pe·

e das form as

as artes ap li -

cadas, a pesar de ser enunciado por alguma pintura de Seurat e Van Gogh, e cenas composições de Gauguin e dos nabis. Por volta de 1900, tanto o Simbolismo quanto o Art Nouveau tinham sido a ssim i· lados por vários pintores brasileiros, como Visconti, Amoedo e Eugênio Latour.

lo

uso de

elementos vegetais

incidiu antes sobre

sinuo sas;

A temática da "Belle Époque"

Em toda a produção pictórica da Bel/e Époque predomina a figura humana. em

geral feminina , sob a forma de retrato, nu ?

alegoria, ou grupo, em cenas religiosas,

embora nesse

período tenham trabalhado também paisa·

gistas e pintores de naturezas-mortas. Ba seando -se na fotografia~ em ilustra -

ções de publicações como Le Nu Esthéti·

que e outras, o artista

ternava

quando o dissimulava sob as formas cstili· zadas do Art Nouveau. ou as cores do lm· pre ssio ni s mo. e ainda ao tratar temas de

conteúdo social , histór ico ou rel ig ioso. Era

a época do retrato mundano, em que as

elegantes parisienses, imediatamente imi-

tadas pelas melindrosas brasileiras. impu- nham-se como vedetes absolutas. e os pin- tores e poetas subjugavam-se à beleza do corpo feminino com a dedicação de um verdadeiro culto.

da Bel/e Épo que ex-

erotismo, · mesmo

mitológicas ou de gênero -

seu

intenso

A " Belle l':poque" no Brasil

Alguns dos pintores brasileiros da Bel/e

Époque são, também, do s mals importan·

tcs pinto res do país. É o caso de J osé Fer- raz de Almeida Júnior. paulista de !tu, que em 1869 se ma tricu lou na Academia de Belas· Art es do Rio de Janeiro, tOrnando-se aluno de Jules Le Chevrel e Vitor Meireles.

Concluído o curso com b ril hantismo, não concorreu, como era de esperar, ao prêmio

de viagem it Europa. pre fe ri ndo. ao contrá - rio, enfurnar-se na c idade na t al. como pro -

fessor de pintura e dese nho. Por ocas ião

de uma viagem à Província de São Paulo. Pedro 11 viu sua obra c . entusiasmado. concedeu·l he uma bol sa para apel'feiçoar·

se em Paris. Aí viveu o pintor en tre 1876

e I882, estudando na Escola de Bela s· Ar· tcs. de Cabanei.

566

De inspiração indianista, M arnb8 (acima. com detalhe no alto) é um exemplar representativo da
De inspiração indianista,
M arnb8 (acima. com detalhe
no alto) é um exemplar
representativo da tendência
româ n ti ca de Rodolfo Amo edo.
N us feminin os. como Dorso
de Mulher (ã esquerda),
desempe•, ham um papel
de ÇJ r andc i mportâ n cia na
obra de Rodollo Amoedo.
como Dorso de Mulher (ã esquerda), desempe•, ham um papel de ÇJ r andc i mportâ

Rodolfo Amoedo

De volta 30 Brasil. em

1882. Almeidn

J ún io r expôs. n o Ri o de J a n ei ro, se u s qua· dros pintados na Europa. Entre estes figu·

ravam Descanso do Modelo. Remorso de Judas, Fuga para tJ Egito c Derrubador

Brasileiro - para o qual. na falia de um caboclo paulista, posa ra um modelo ita lia no. Mariscalo. Depois da exposição. de novo o pintor emocou-se em ltu, de onde

só s:tiria em 1897. pura rcnli zar uma se ·

gunda e última viagem à França. Do isola·

mento na cidade natal. a lií1s. resultariam

algumas obrns-p ri mns -

ceDJido, Cozinha Caipira, Amolação Inter·

rompida, Picando Fum o e O Viol ciio, de

Caipirds Nega

inspirAção regionalista -

como Leitura (1892) e

(1898).

Almeida Júnior morreu aos 49 anos, as- sassinado, em 13 de novembro de 1899, à porta do Hotel Central de Piracicaba. pelo

e composições

O

Importuno

marido de sua ex-noiva Maria Laura do

Amaral. num acesso de ciúme.

Almeida Júnior ocupa lugar destacado

na anc brasileira. havendo quem o conside

re o mais brasi lei ro de nossos pi ntore s. Sua obra inclui pinturas históricas (A Partida

da Monção), re ligiosas (R em orso de J udas)

e de gênero {Amolação Interrompida, Des·

co11so do Modelo), além de retratos c paisa-

gens. Nessa obrn entrecruzam-se influên-

cias rom3nticas

realistas e at.é pré- impres-

sionistas. Sua execução gorda, larga. scn· sual, re<:orda a de Courbct;e assim também seu modo respeitoso de se aproximar de

seu ~ mo de los . com un ção quase 1nlst ica.

Na arte de Almeida Júnior podem-se di>tinguir duas fnses: antes e depois de 1882. Na primeiru. o modelauu impõe-se pela monumentalidade (Derrubador Brasi·

leiro). a r ale ta é sób ria, co m

inrcnsos n:-

cursos de luminosidade (Fuga pora o Egi· to); na segunda, a paleta se aclara. c apare- cem os tcmus brasil ei ros, traduzidos numa linguagem plástica das mais ricas e nobres

que jamais tivemos.

O paisagista de Pernambuco

Outro destacado pintor da Bel/e Époque

brasileira

é

o

pcrnaJ11bucano

Jerônimo

José Teles Júnior. C riança aind:t, seguiu

para o Rio de Janeiro. matriculand<>-se co- mo aprendiz no Arsenal de Marinha: no

mesmo tempo cursava as

nho José da Mota no liceu de Artes e Orí-

cios. Pi Ioro aos dezoi to anos, conheceu em Porto Alegre o pintor Edoardo De Marti·

au las de Agosti·

no. M ais tarde. gua rda-livros em Recife.

teve aulas de pintura com Aurélio de Fi-

gueiredo, então de passagem pela capital

pcrnnm b u c~m a.

Teles Júnior foi CAclusivamente paisa~

gista, tendo fixado com emoção a natureza do Nordeste. Trabalhando de início tímida c meticulosamente, chegou a atingir. no

ri m da carre irn, u ma e labo ração làrga c só- lida. Seu colorido também se animou aos

tristonhas

poucos. dos pr i meiros nnos :ws azuis luminosos dosúhimos.

Tele~ Jún ior não pcrlencc u a nenhuma

escola ou tendência: foi um isolado. ten-

tando ríxar nas telas a paisagem pernam- bucana. que, depois de Frans Post, foi o primeiro a entender totalmente.

indo

das tonalidades

Décio Vilares, retrati s ta de. mu lheres

O cnrioca Décio

Rodrigues Vilarcs ti·

nha dezessete anos quando se matriculou

na Academia de Belas-.o\rtcs. em 1868.

Q uatro a nos depois. tornou-se aluno de

Cabancl. em Paris. e mais t~rderadicou-se em Florença. l>nra aperfeiçoar-se com Pe- d ro Américo. Só retornou ao Brasil dez

anos depois. tendo c~posto. no Salão de

ao Brasil dez anos depois. tendo c~posto. no Salão de "Uma apH riç llo <:orporificacla pela
ao Brasil dez anos depois. tendo c~posto. no Salão de "Uma apH riç llo <:orporificacla pela

"Uma apH riç llo <:orporificacla

pela crenca dos leprosos

e p:lralíticos" -

a!lsim o

critico Gonznçra Duque vê

afigura central de Crisro ~m

Cofarnaum tao larfo). Acimn. estudo para esse uabalho.

567

o critico Gonznçra Duque vê afigura central de Crisro ~m Cofarnaum tao larfo). Acimn. estudo para

A "Belle Époquo"

Henrique Benlardelli nasceu nufna familia de artis1as: seu pai era mUsico. sua mãe dedicava-se â
Henrique Benlardelli nasceu
nufna familia de artis1as:
seu pai era mUsico. sua mãe
dedicava-se â da.nça. seus
irmãos Féli x c Rodol fo
cul tiva ram. respectiyam&lltA,
a pimura c a escultura. São
de HenriQue a tela IMedor
/Jaliano (ao lado) e o desenho
Figura Sentada (abaixo!.

568

a pimura c a escultura. São de HenriQue a tela IMedor /Jaliano (ao lado) e o

Henrique Bernordelli

1874, seu Paolo e Francesca. A despeit o dessa formação acadêmica, boa parte d<

sua produção orienta-se, em

sent ido opos-

to, para os rostos c perfis femi ninos, q ue

o te\•elam sensível e moderno -

na verda·

de, um dos mais au tênticos rep resen tantes brasileiros da Bel/e lf.p oque . São fi gura· çõcs so berba s de mu lheres, d esen hada s

com scgurançu c extre ma eleg ânc ia. num

modelado admirável, c c romaticame nte re-

so lvidas em de licadns nuanças. Li rismo e

maciez de execução são as qu alidades de tais pintura s, na s qua is o artista se revela um dos nossos maiores e mais delicados cultores da forma feminina. Décio Vilares foi também escultor e ca-

ricaturista. Ligando· sc ainda em Paris aos

posiúvistas, foi um dos republicanos histó· ricos, tendo·lhe cabido, ao ser proclamada

a Repúb lica, modificar o

pav ilhão nac io-

nal. Realizou igualmente várias obras de temática positivistn. G rande par te de s ua produção perdeu-se por oca•-ião de sua

morte. quando a viúva, num gesto impen- sado. ateou fogo :is obras que estavam no ateliê.

Um a produção va riada

Fi lh o el e imi g r a ntes alemãe s, Pedro Weingartncr nasceu e m l'orto Alegre, em 18 53. Era caixeiro de uma loja quando, após grave doença. decidiu dedicar-se so·

men te à pi ntu rn. E m 1878,

seg uiu p ara a

Alema nh a, estudando em Ha mbu rgo c Karlsruhc durante quatro anos; em 1882,

fixou-se em Paris, como aluno de Tony-Ro-

1885, foi pa-

ben F leury e Bougue reau. Em

ra Roma. onde passaria1ongas temporadas. Sua primeira exposição rcalizou·se em 1888, no Ri o de Janeiro: eram dez quadro s

apenas.

tão

minuciosamente execulados

que porcciam fotografias. Aliás, a mostra realizou -se no estúdio do pi ntor-fotóg rafo lnsley Pacheco, à rua do Ouvidor. A críti· ca recebeu-a favo rav e lmen te, c Oscar Gua·

Em 1886. He nrique 8e rnardelti

DPI CSGniOU no Rio de Ja n ei ro

Qu e

causaram sensação, pelas no vidad es técnicas que

tratiam. Tarantela (ao lado)

integrava essa mostra. Abai>.o, O B anho na Floresta.

uma série d e trabalh os

569

tratiam. Tarantela (ao lado) integra va essa mostra. Abai>.o, O B anho na Floresta. uma série

A ··eelle Époque"'

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A ··eelle Époque"' l t j • J nabarino até cnamou o autor de ··o primei

J

A ··eelle Époque"' l t j • J nabarino até cnamou o autor de ··o primei

nabarino até cnamou o autor de ··o primei

ro pintor brasileiro'\ observando que une·

nhum compalrio ta nosso chegou~ co m o

pincel. a tama perfeição no desenho. ~ama

fineza no acabndo e tantn ob.scrvnçào no

estudo".

Em Roma. em Iins da década de 1880.

Pedro Weingartner iniciou a fase mais im·

portantc de sua carreira: quadros de gêne-

ro- como Mó Colheita. Arrufos. Ciúmes

ou COIII'nlescente -

clássico - Flauta de Pã, Briga de Galos, Bacmral. Exposta no Salão de Parist sua

Br iga clf Galos. fe ita á im it açàCI da o brn ~c Jean Uon Géromc, pintor francés. foi impiedosamente criticada. Em 1892·. em nova exposição no Rio de

Jnneiro. Weingartncr apresentou. pela pri

c pint ura s de tcmn

meira vet

pinturas de :tssunto gauchesco.

que o l.iOnsagrarnm dcti nitiv;uncn tc : Clw- gou Tarcle. Fios Emara11hados, Kerb (a

festa de colonos alemães).

1902. indifere nte nos ventos

de renovação estética. o pintor trabalhou

em Rom3. entregue à me sma temática de

quadros de gênero. cenas clássicus c cenas gauchescns. Em Anticoli executou algun s de seus quadros mais inspirados (Procis·

são In terro mp i da, C a sa m e1110 11a Aldeia, Mercado de Rua): em 1900, upôs Flauta

ele Pii nn Exposição de Pa ris. Com meno r

rrequêm:iu. dedicnva 4 se

c à paisagem. além

de ter praticado n

água·fortc. Em

570

De 1896 a

turnbém uo retrato

M i a ó1tim:1 expol'içào em

São Paulo, exibiu quinze paisagens e pin-

turas de assun to português. feitas em V i a ·

na do Castelo e Braga. Tais pinturas. a que

chamava de impressionistas~ revelam uma

scus ibilidnde mais nguç ad n, a"'Cxpressar· sc

po r uma paleta mais clara c despojada. A

grande atração da exposição de 1910. con tudo. fo i o t ríptico La Fa iseuse d 'A nges,

executado dois anos antes em Roma4 O

quadro. de inspiração goethiana. pode ser

conside rado kitsch. mas de ve-se rcconhc·

pintndo de modo >upremo.

principalmente o painel it esquerda. que

t.!VOC a o nlcmào Lcibl.

Até 1920, Pedro Weingartncr residiu em

Roma. mas fez frequentes c longas viagens

ao Brasil. para executar. no

Grande do Sul. paisagens. quadros de gê·

nero e retratos. Seu último quadro. uma

Paisagem . data de 1926: no

o artista era acometido de paralisia. fale· cendo em Po rto Aleg re. a 26 de dezembro de 1929.

ano seguinte.

interior elo Ri o

cer que foi

A má.sc:tr:a acadêm ica

Tendo partido ainda criança para o Ri o

de J anei ro.

o bainno Rodolfo Amoedo foi

uluno de V l tor Mc ire les no L iceu de Artes

c Oficios. c. em 1874, com Jczes~lc anos.

m al riculou · sc na Ac adCmin de Bcl us-A r ·

tcs, da qua l foi discípulo medíocre. Em 1818. porém, no concurso para o prêmio

de vi agem â Eu r opa . de rro to u surp recn

Em algumas obras que re.alizou quando cswve na Fr4inça, Boi mi ro de Almeida emp regou

certos recursos pontilhistas.

É o caso do rrabalho Paisagum

tie Da mpletre h\ esque rda ).

O ame 6/a Rose tabai.xoJ.

uma das ob ras-p dmas

do

Belmiro de Almeida. foi

exposta em 1906. no Salão

Naciona l de Belas-A rtes.

Rose tabai.xoJ. uma das ob ras-p dmas do Belmiro de Almeida. foi exposta em 1906. no
Rose tabai.xoJ. uma das ob ras-p dmas do Belmiro de Almeida. foi exposta em 1906. no

dcntemcn te Firmino Mont eiro e o favo rit o

Henrique Bernardelli: em meados do ano seguinte. lixou·~ rm Paris. Reprovado na pri mei ra te ntati va para a Escola de Belas · Artes. freqüentou por al&um tempo n Aca- demia Julian. Em 1880. ingressou afinal na

Escola, tendo s ido a luno de Cabancl e

de

Puvis de Chavannes. que marcariam fun ·

damerne sua pintura. na qual

um amor

acentuado pela forma é aco mpanhado por um discreto emprego da co r. Esse amor pela forma levou Amoedo. por vezes, a Mri·

gores de reprodução

naturalista':,

como

diz Gonzaga Duque. Seu Cristo em Cafar· naum, por exemplo. a despeito do tema.

poi s nele o Cr is to é

encarado como " uma aparição corpo rili - cada pela crença dos leprosos e paraliti· cos, cérebros suricientemcntc dosados para

nã o é quadro de fé.

Belmiro de Almeida

os fenômenos fantasiosos da visão'\ no di-

zer do mesmo crítico. De 1880 n 1887, <IUando est udava e m Pari s. Amoedo criou todas as grandes

obra s que contribuíram

para

sua

rama

a1ual : Cristo em Cqfarnaum, Oltimo Ta -

moio, A Partida de Jac6, Marabá c Narra -

ção de Fi/eras (Puvis de Chavannes te.ria classificado este último como "maravilho- so" quando o viu no Salão de 1887). Retornando ao Br•sil. Amoedo foi no- meado professor de Pintura da Academia:

ao m es mo t empo , com o art i sta, to rnav a ~se

cada vez menos criativo e m"is preocupa·

do com a parte técnica da pintura, tendo

desurquivado proccssus antigos e expcri· mentndo os novos recursos propiciados pela ciência moderna. Esse amor à técnica foi transmitido a seus discípulos - den tre

os quais se destacam

Visconti. Lucílio de Albuquerque, Cândi-

do Portinnri.

Amoedo rea lizou vár ios trabalhos de decoração no Palá cio do ltamarati, na Bi· blioteca Nacional, no Supremo Tribunal FcJcral c no Supremo Tribunal Militar do Rio deJanciro.

Romântico em Marabá, ou Desdêmona,

rculi sta t:m 0/tímo Tam oio, herdeiro das

tradições acadêmicas de Cabancl em A

Partida de Jacó, e do Pré-Simboli>mo de

fo i

mais sensível e pessoal em pequenas man- chas e esiUdos, executados a óleo ou aqua- rela, pois então deixava cni r a múscara

olcndêmica. para se dar com mais sincerida-

de c espontaneidade. Sua obra versa quase toda sobre a figura humana, sendo de real-

Batista da Costa.

Puvis em Narração de Fi/eras. Amoedo

Bat ista da Costa. Pu vis em Narração de Fi/eras. Amoedo Inspirado numa tela de .,_enri

Inspirado numa tela de .,_enri Gervox. em

1887. Betmilo d o Alme ida elaborou

sva obm mais famosa:Amllos (acima).

571

Inspirado numa tela de .,_enri Gervox. em 1887. Betmilo d o Alme ida elaborou sva obm

A "Bcllo Époquo"

çar a importância que nela assumem os

nus de mulher. Mas também cultivou a

pais-agem. a pintura de gênero, o imerior.

a natureza-morta e os retratos.

Uma sensibilidade aberta

"Mineiro que possui a vcrvc, a sagaci -

dade de um parisiense bulevard ciro", co-

em

de A lmeida estu· e Oficios e, após

1887, na Academia de Belas-Artes. onde teve por mes1res Agostinho J osé da Mota

e Zeferino da Costa. Cultivou a caricatura

e a estatuária, tendo feito a conhecida está- tua do Manequinho, versão brasileira do Manneken-Pis, de Bruxelas, erguida no

Mourisco, no Rio de Janeiro. Mas foi co-

mo pintor que se destacou. principalmente após 1887, ano de Arrufos, um dos qua·

dros brasileiros mais famosost ins pirado

numa composição de H enri Gervex, Le

Retour du Ba/, pin tada em 1879. Não se trata. po ré m, de p lág io: o bras ileiro s im- plesmente se aprox imou de um tipo de arte com o qual possuía nlinidndes. Em meados da década de 1880. Bel miro seguiu para a Europa. por conta própria; após passar algum tempo em Roma, fixou -

mo

dele

escreveu

Gonzaga

Duque

1888, Be lmiro Barbosa dou no Liceu de Arte s

se em Paris. onde foi aluno de Jules Lefel>-

vrc; há, nos corpos de adolescentes pinta-

dos por ele, algo da linha sensual c elegan· te do mestre.

Ahernando sua existência entre o Rio

de Janeiro e Paris. foi professor de Dese- nho na Escola Nacional de Belas -Artes. onde substituiu Pedro Wcingartner. de 1893 a 1896, c expôs com freqüência no Salão Nacional de Belas-Artes. De 1906

é uma de s uas o bra s-primas, Dame à la

Rose. exposta, ao lado de ou Ira conhecida obra - Amuada - no Salão daquele a no. · Após a Guerra de 1914· 1918, seguiu para a França, radicando-se em Paris. onde fa- leceu em 1935. quase octogenário, mas em plena atividade. Belmiro de Almeida foi desenhista ex· cepcional e bom colorista. e teve a sensibili- dade aberra a todas as inovações: algumas de suas paisagens francesas realizadas em

Oampierre. pouco ames da Guerra de

1914, utilizam recursos pontilhistas. à ma- neira de Seural. Bclm iro chegou mesmo a

nertar c.om o Futurismo. em J\1ulher em

Círculos

na lril ha

572

( 192 1) c execu tou bela s paisage ns

nbcrtn !'lCios imprcssionislas. C uI-

Antonio Parreiras

Cenas e personagens h~stóricos.paisagens

enusfemininos compõem a vasta

produção do fluminense Antônio Parreiras. eleito, em 1925, o pintor mais popular

do Brasil. Fazem pa"e de sua obra

Zumbi esquerda) o Iracema (abaixo!.

de sua obra Zumbi (à esquerda) o Iracema (abaixo!. ti\•ou a pintura histórica e de gênero.

ti\•ou a pintura histórica e de gênero. o re-

lra lo e a fi gura , além da

ponlo alio de sua anc é rcprcscn1ado por suas numerosas versões de jovens e belas mulheres. em ambienlcs rcquinlados. fiel a um traço eleganlc e a um fino co lorido.

pais age m. Ma s o

"Temperado comchocolate•

Nascido em Valparníso, Chile. de uma

família de ar tis ta~ e m e t ernas peregrinações

pelo mundo. Hen rique Uerna rdcll i era ir- mão do grande eseu llo r Rodo lfo Uernarde l·

vio linisla Félix Bern a rd e ll i. oMud ns anis licos em 1870.

li

c do pin lo r c Começou se us

na Academia de Oclas·Anes, com Zeferino

da Cosia, Vílor Meirelcs e Agos1inho José da Mola. Derrotado por Amoedo no con· curso de premiação de 1878, seguiu por coma própria para Roma, onde permanc·

lendo sido aluno d o célebre

Domenico Morclli. Ao retornar. apresen· 1ou no Rio de Janeiro algumas de suas pin· 1uras mais conhecidas: Tara•llela, Maler e Ao Meio-Dia, numa • •posição q ue Gonza· ga Duque diz 1er sido " inco mpreendida por lodos". por ser llcrnardelli "um revolucio·

nár io, um inovado r".

ceu alé I886.

O insucesso da mostra carioca de 1886 arrefeceu o cntu sinsmo do ar ti sta , que, a

partir

de então~ ape sar de algumas be las

o bra s p roduz ida s. ado1ou um es1ilo ma is conservador, n1é chegar ao esgotamcmo e ao amaneirarnenlo. na primeira década do século XX. Assim, reparou um crítico da

época que seu Retrato de Machado de A!·

si!. exposlo no Salão de 1904, era "pinta· do por mão de meSire, mas. não sei por

quê, temperado com chocolate"

A so-

ciedade bra sileira não entendia um pintor

livre de regras acadêm icas. e só acei tava

o artis la obedienlc ao "chocolale" de s uas acanh udns aspiruções estét icas.

professor da

Escola Nnc ionnl de llc las-Anes de 189 I a ·

Henrique

llcrnardelli

foi

573

udns aspiruções estét icas. professor da Escola Nnc ionnl de llc las-Anes de 189 I a

A ''Bcllc ÉP0<1uc"

O corpo feminino. tema

Acima. A ntônio Porrc ir3s pintando A Co nquisto do Amazonas. Executada sob encome nda
Acima. A ntônio Porrc ir3s pintando A Co nquisto do Amazonas. Executada
sob encome nda para o Estado do Par.1, csso obra roi a primcirn do
sua longa s~riede quadros históricos. Ao lado, o anista no estúcho.
o
dc
Pintor de histó ria c de gé ncro,
paisagista c auto r de <kcornçõcs
M twid pal
do
a r :~hcsco.
rc~sc. úgil e seg ura.
Paisagens e mulheres
posições
individuais,
Antô nio

1905; nesse ano renunciou. alegando que

consum1o cnue os

ao s alunos deviam ser ofe rec idos novos

pintores da Bel/c Époque.

mcMrcs. de 1empos em tempos. para que

é

sensunliclodc por Antônio Pauciras, como em Flor

tra tado co m im e1\Sa

c n:ti no não se csclcrmms sc. A o fim dn

vidu. manteve, junto com Rodol fo Bernar~

lli, um ate lie em Copacabana. o nde tra

Bra$ilelro direita).

balhnva c ensinava. Alunos seus foram. cn1rc outros. Lucílio e Georgina de Albu· qucrque. Eugênio Lotou r. lfélios Seclinger c Arlur Timóteo da Cosia.

retratis ta ,

no Teatro

Rio de Janeiro, no Museu

l'auli>tn c no Museu Nacional de Belas· Arlcs. Bernardelli praticou codas as técni·

nica\. A1aternidade. 1àrame/a, Bandeiran·

tes c Proclamação da Replíblica são seus

quadros mais famosos. Mas o verdadeiro Ucrnnrd cl! i dá·sc nos detal hes. na \ 1 ibração

u~ uma no u' de cur. o u na c lcgrincia de um

o u numa cxccuçãü de v i vo i nlc ·

Paisagista, p intor de histt1ria c de nu s.

autor de cerca de 850 pinluras c de 68 ex·

Parreiras

574

de v i vo i nlc · Paisagista, p intor de histt1ria c de nu s.

Antonio Parreiras

Mal recebidos no Brasil dl!l época, os nus

femininos fei1os por Antônío Parreiras

valeram-+lho. em Paris. sólida reputação

como pintor de figuras. Abai

o,

Dolorida.

reputação como pintor de figuras. Abai o, Dolorida. nasceu em Ni terói c impress ionava pelo

nasceu em Ni terói c impress ionava pelo temperamento agitado e pelo aspecto fisi· oo. em 1882. após ter ten lado a ' ·ida

como comerciante~ decidiu. aos 22 anos,

ingressar na Academia de Belas·Artes. tor- nando-se aluno de Oeorg Orimm. Quando

se retirou da Academia.

Parreiras foi um dos que o acom pan ha· ram. passando a receber aulas ao ar livre na praia da Boa Viage m, em Niteró i. Após

sua primeira mostra individual, em 1886,

parti u para u It(llia e m 1888 e d urante a l- gum tempo freqü entou a Aca demia de Ve-

neza. Po r três an os. fi cou na E uro pa, e ao

voltar efetuou nova exposição, co ro ada de sucesso. Nomeado professor da Academia, abandonou-a quando, em 1889. Pedro América e Vitor Mcirclcs foram dela afas· tados. por terem sido amigos pessoais do imperador deposto. Como escreveu o pró-

prio Parreiras em suas memórias ( História

de um Pintor), foi ele ··o único artista que

se revoltou contra a preterição de a n istas

brasileiros do valor de Vitor Mcireles e Pe-

dro Amérieo".

Depois di~so, Parreiras divid iu sua vida

entre o Br a sil " n Frn nça . Sertanejas , de

1896, é a s ín tese t.l.; v{tri os estudos rea liza -

este artista rebe lde

dos ao ar livre. nns matas de Teresópolis.

Logo depois, fn seu primeiro quadro his·

tórieo. A Conquista

do Amaz onas, para o

Estado do Pará. ao qual se seguiram vâ·

rias outras encomendas oficiais. Dos pin·

torcs nacionais. foi o que executou maior

número de quadros históricos, que deve-

riam constituir uma espécie de crô nica vi-

proje10 sugerido po r seu

" migo. o his111rindor Roc ha Po mbo.

sual do BrasiI -

Mas su:' pin1ura histó rica é pouco rele·

van tc.

do po nto de vista a rt ístico, já qu e

nela o d oc um cnta ri s tn se im põ e ao a rti sta .

MHis notáveis pcln q ualidade são suas pai-

sagens c us nus femininos. que executou

prindpalmc n tc em Pa ris. Embo ra ma l re·

Fantasia,

Frinéia, Doloritla, Noncha/ance. Flor Bra·

granjearam-lhe em Paris sólida

reputação como pintor de figuras. Eleito em 1925 o mais popular pin1or

si/eira -

cebidos no llrasil, esses nus -

nacional. Parrdms morreu rico e famoso,

tendo

inaugurado

o

próprio

busto. em

1927, em Ni terói. Seu a teliê · residência, à

rua T iradentes,

madu em I'l4 I no atual Museu Antônio

Parreiras, o nde po de ser vista bo a parte de sua pro dução.

em Niterói, foi transfor·

A im po r'Uin cin do ins tinto

O genovês J oão Batista Castagneto

chegou ao Brasil aos treze anos, em 1875:

em inícios da década de 1880 cstava matriculodo na Academia de Belas-Artes, na qual foi aluno de Georg Grirnm. Já na Exposição Ocrol de 1884, Castag-

ne to mereceu medalha de ouro. distinção

a 188 (>. efet uo u s ua pr im e ira ex p os ição i nd i· vidua l. de ixa ra então o apren dizado

acadêmico. cônscio de que só o po deria gu iá lo como pintor .

Cinco anos depois, embarcou para a

França. permanecendo em Tou lon até iní-

cios de 1894. Expondo no Rio de Janeiro em maio de 1894. c em São Paulo em ju- nho e outubro de 1895, continuava a delei- tar os colecionadores com suas marinhas

c barcos. embora alguns sentissem o

declínio de sua capacidade criadora e o

desleixo de ccnns obras. Como diz o críti·

co Virgílio M:surício

instinw

idên tica

Em

à at ri buída

seu

mestre.

suas

telas eram pc·

daços de nandre. caixas de charulo,tábuas

q u c cncon 1r n vn e m c a sas de ma dei r a e so~

qu e lhe c hegava às

lic ita v:1, tudo e nli m

m;los. T inha gra nde a m or à art e. Sua obra

515

ma dei r a e so~ qu e lhe c hegava às lic ita v:1, tudo

Batista da Costa

tem altos e baixos, explicáveis pela siiUa-

çiio financeira do artista. pelos minguados recursos de que dispunha, pelas condi~õcs do meio c da roda em que vivia". Marinhista acima de tudo, Castagncto

executou ainda paisagens com casario e

m<.-smo interiores. T rab:llhnva de prcfcrên-

Castagne.to m orreu a 28 de dezembrc

de 1900. com apenas 38 ano•: n boêmia.

a mi séria

lhe o corpo. Teve imitadores. mas não dei xou )Cguidores: era pessoal demais para formar uma escola.

c a artcrioc scler osc consumimm ~

cin u óleo. mas fez também aq uarela s c nu - Um mestre da
cin u óleo. mas fez também aq uarela s c nu -
Um mestre da naturez.a·morta
merosos desenhos. Suas pinturas datadas
vão de 1881 a 1900.cxccutndascomumcn·
A
naiUrcza morta nunca
teve muito!!
lc em suportes de pequcmas dimensões.
adept os no Bra s i L O holand és E~khou t. n o
Quan to ao e st ilo . adotou o lrnprcssico·
século
XVIl. Agostinho José cln Mota c
ni smo quando o movi mento iu no auge. nu
França; c o fe2 sem saber, instintivamente.
Colorista extraordinário. snbia valorizar
suas marinhas. aqui e ali. com vividas no-
las cromáticns. Teve por única preocupa·
t;ão fixar, com n maior sinceridade possi·
vel. uma nesga de praia. uma rajada de
vent o sob re o mar. o céu em seus múh ip lus
:as pectos. Scn~ibilidade. cmu~iio, e sponln -
ncid:tdc são as cnracterísticns desse pintor.
o maior marinhista de seu tempo. um i~·
lado e um sonhador. que talvez pudesse di·
Estêvão Silva, no XIX, foram os grandes
antecessores de Pedro Alexandrino Bor·
ges. pnuli~1a que se distinguiria justamente
nesse gê nero ingrlllo e delicad o. Atra ído
desde rapazola pelas artes. Pedro Alexan·
drino foi auxiliar de pincores dccorativistas
estrangeiros que trAbalhavam em São Pau·
lo, antes de tornar se aluno de Almcida J Ú·
nior. Exnmina ndo uma naturcza·morta
que lhe exibi o o jovem. deu lhe o mestre
o seguinte conselho: '"Não pintes senão is·
to: é a tua arte".
zcr -
como Eugênc Boudin. com quem
tem afinidades -
ter tido como única fclí·
Obras simples como Remanso-Petrópolis
cidnde "ficar quiClo em seu c;mto. a o bscr·
fizera m do Batisra da Cos1a o mais
va.r o céu ~·.
au1êntico intérprete de nossa paisagem.
Mais conhec ido como pai sagista.
Batista da Costa dcdicou· so
também a outros gênero s. tendo
dei'Cado vo\rios nus. composições
com figufas e relratos
como o de Osvaldo Cruz (acima).

576

gênero s. tendo dei'Cado vo\rios nus. composições com figufas e relratos como o de Osvaldo Cruz

Pedro Alexandrino

Pedro Alexandrino Gênero de poucos adeptos entre nós, o naturoza morta fez a glória do Pedro

Gênero de poucos adeptos

entre nós, o naturoza morta

fez a glória do Pedro Alexandrino, a quem se deve

Flores e Doces esquerda).

Em 1887, oom bolsa da Província de São Paulo, Pedro Alexandrino matriculou· se na Academia de Belas-Artes do Rio de

com o correspondente declínio de qualida· de. Isso explica as ferinas criticas que lhe endereçaram alguns escritores, como An·

nero em seu tempo, dono de técnka límpi·

Em 1894 conquistou o prêmio de via· gero à Europa; estudou em Paris com To- ny-Robert Fleúry e Jules Lctêbvre, percor-

Janeiro,

concluindo o curso em 1893. D e

gione Costa, que em 1927 afirmo u: " Sua

reu u Alemanha e demorou-se uma tempo·

volta u

São Pa ul o,

retom ou os estudos

fílbrica de artefatos, tachos e metais se

rada em Capri, onde perdeu a mul her -

com Almeida Júnior ; em 1897, contempla- do com uma bolsa de aperfciQOamcnto na

mantém a mais variada c perfeita da pintu· ra nacional". Mesmo assim, foi Pedro Ale·

fa to que ainda o tornou mais melancólico. Professor e mais tarde diretor da Escola

Europa, embarcou para a França, onde pusou nove a.nos. Em Paris estudou com

xandrino o melhor pintor brasile.iro do gê·

Nacional de Belas· Artes, coube-lhe ori en· tar numeroso grupo de alunos das mais di·

Cormon, Chrétien e Antoinc Vollon, ad·

da, caracterizado por um acentuado amor

versas tendências, de Osvaldo Teixeira a

quirindo algo do estilo deste pintor.

a formas. cores e texturas de objetos e se-

Cândido Portinari. E, embora não aceitas-

Novamente em São Paulo, Alexandrino

expôs, em 1907, 110 obras, entre e las 84 nnturctas mortas. O escritor Venceslau de Queirós, presente à inauguração da mos- tra. dcú:ou curiosa descrição do artista:

"Aiuandrino lá estava, radiante de ale~

gria, se tal manifestação se pode dar em

um homem como ele, que sempre se vestiu

de preto (longa sobrecasaca c ca lças prc· tas) e trazia ina lteravelmente um rosto de poucos amigos, máscara dura c nada ex- pressiva de caboclo desconliado''. Alternando sua existência entre a pintu· ra c o ensino artistioo. Pedro Alexandrino

foi o iniciador de várias vocações, inclusi·

vc de Tarsila do Amaral . Em ce rto mo· mento, a quantidade de naturezas mortas pintadas pelo artista tornou-se alarmante,

res inanimados. que relrnto u fielmente e

com sensibilidade.

Um intérprete sensível

assinava

suas pinturas J. Baptista, nasceu, de farní· lia paupérrima, em ltaguai, Estado do Rio

de Janeiro. Ao morrerem seus pais, foi re· colhido por par entes, mas logo fugi u, aos

oito anos, para o Rio de Janeiro, e aos do-

7.C ingressou, por sua própria iniciativa, no As ilo de Menores Desamparados. Ainda com a farda do Asilo, começou a estudar na Academia de Belas-Artes, em 1888, on· de foi aluno de Sousa Lobo, J osé Maria de Medeiros, Zeferino da Costa e Rodo lfo Amoedo .

J oão

Batista da

Costa, que

se a arte moderno, que considerava "uma

anarquia a serviço dos artistas falhados ou

c aboti nos", respeitava as inclinações natu·

rais dos discípulos. Sua obra numerosa abarca paisagens, retratos. nus c composições com figuras. Foi no primeiro desses gêneros, oontudo, que Batista da Costa se imp<Ís definitiva- mente, a ponto de ser considerado por Reis

Jlínior "o primeiro dos pintores bras ileiros

a fixar a arquitetura da

a co mpreender e

nossa natureza". Fiel à tonalidade exata, senhor de rica paleta, tambêm foi dtsc· nhista seguro e sensível; sua pintura é sim·

pies, sem artifícios. Nesse pintor. de mais

sensibilidade do que intelecto, talvez tenha encontrado a natureza brasileira seu mais

autêntico intérprete.

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mais sensibilidade do que intelecto, talvez tenha encontrado a natur eza brasileira seu mais autêntico intérprete.

A

··e elle Époquc "

A ··e elle Époquc " Yvonne tao lado) pertence â 61tima fase do Visconti, situada por
A ··e elle Époquc " Yvonne tao lado) pertence â 61tima fase do Visconti, situada por
A ··e elle Époquc " Yvonne tao lado) pertence â 61tima fase do Visconti, situada por
Yvonne tao lado) pertence â 61tima fase do Visconti, situada por Ugia Martins Costo entre
Yvonne tao lado) pertence
â 61tima fase do Visconti,
situada por Ugia Martins
Costo entre 193t e t944.
A tela figurou na exposição
realizada em Pinsburgh.
Estados Unidos. em 1933.
O sugesti vo au to retrato
Ilusões Perdidos (obai>coJ
é uma das obras mais
represema tivasda fa se
final de Eliseu Visco n ti.
Eüseu Visconti, um artista do presente
N ascido num lugarejo pró~im o a Sa l cr ·
no , na Itália , Eliscu O'Ange lo Vi sconti
chegou ao Brasil com menos de um ano.
Os pais q ueriam-no mú sico, mas, após ai·
gumas lições de teoria. solfcjo e violino, o
jovem ltOCOu a música. pela pintura. e em
1884 matriculou·se no Liceu de Artes e
Oficios; no ano seguinte. ingressou na
Academia de Belas-Artes, onde foi aluno
brilhante.
Em 1892, no primeiro concurso de pre·
miaçào realizado sob a República, Viscon·
ti recebeu o prêmio de viagem à Euro pa.
Inscrevendo-se em I893 no vestibular da
Escola de Belas-Artes de Paris, conquistou
o
sétim o luga r entre 467 candidatos.
Pu ra·
lelamente, frequent o u o curso de a rte
deco·
rati va de Eugêne Gras sct. na E:,cola Guê -
O re lra to de Yvonne (â direita),
rin, onde permaneceu até 1897.
Em 190 J, j á no Bra s il, Vi sco nti re nli zo u
execu tado em Paris,
om 1908 .
indiv idual : 88 ob rns,
mostra a filha de Visconti
sua prim eir a
mostr3
na menini ce. M ais tardo. ola
entre elas 28 de arte decorativa. Em 1902
também se dedicou à pintura.
estava de novo em Pari s, c, da( por dinn tc,
tendo retratado o pai em
até 1918 , al icrnaria a vi da entre ns du as
seus úl timos momentos do vida.
capitai s. Em Pari s caso u-se com Louise

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.

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.

.

Eliseu Vi sco nti

Pal.ombe, união de amor que lhe p ropor-

cionaria toda umn temática.

A convite de Pcn:ira Passos, entre 1905

seu ateliê pa-

risiense. a pintura do pano de boca do Tea-

e 1908 Viscont i executo u, em

tro Municipal do Rio de Janeiro. que então

se construía. Pam a mesma casn realizaria

novas decorações: de 1913 a

1916, para

o foyer - geralmente consideradas sua '

obra-prima oo gênero -

. 1936, um novo rriso para o proscênio_ De vult a a o 13rasil, em 1907 , Visco

1934

e

de

nt i

lecionou, até 1913, na Escola Nacional de Bolas-Artes, tendo tido entre seus discípu- los Mttrques Júni or e Hcmiq uc Cavaleiro (este, aliás, se tomaria seu genro)- Em 1909, ganhou medalha de ouro na Exposi · ção de Chicago. com R eco mpmsa de São

Stbastião; em 1912. Sonho Místico era ad· quirido para o Museu de Santiago do Chi- le. No ano seguinte Visconti retomou a

Paris~ a fim de executar as decorações pa-

ra ofoyu do Municipal; co ncluído o tra- balho, em 1916, regressou ao Brasil. Entre 1923 c 1926 realizou uma série de decorações para o Conselho Municipal e

Ao falecer. om 1944. Visconti deixou uma produção relativamente pequena. englobando várias figur-as humanos. cenas do gênero o paisagens. Abai,.o. Nv.

A inocência e a graça de um corpo infantil fascinaram

Visconti, que dodicou ao la ma um bom número do trabalhos.

co mo o

Acima. A Cobocllnha, do 188 1.

delicado Nu ã eSQuerda

que dodicou ao la ma um bom número do trabalhos. co mo o Acima. A Cobocllnha,

Eliseu Visconti

Um desenho diáfano. sem comornos bem

definidos. comb inando-se

sutil e vibrátil caracterizam os melhores 1rabalhos de Visconti. Abaixo. Trigal.

com um colorido

1ra balhos de Visconti. Abaixo. Trigal. com um colorido Em 1898. lado]. tida pela maiori a